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DIREITO PROCESSUAL PENAL I CONCEITO O Processo Penal é o ramo do direito público que regula a atividade de jurisdição do Estado, para aplicação das normas de Direito Penal, no julgamento do acusado de praticar um crime. Não existe sanção penal, a não ser por meio do processo. Para que a sanção já prevista em lei seja feita, é necessário que se passe pelo processo. Ser réu, no processo penal, não significa ser criminoso, pois se depende da decisão condenatória, com trânsito em julgado. Ser vítima, no processo penal, não confere a ninguém atestado de idoneidade, tendo em vista que, no mundo do crime, também há agressores e agredidos, todos em situação de ilegalidade. O processo penal possui 2 finalidades: • Mediata – pacificação social com a solução do conflito • Imediata – aplicação do Direito Penal (material) ao caso em concreto. O devido processo penal constitucional busca a realização de uma Justiça penal submetida a exigências de igualdade efetiva entre os litigantes. O processo JUSTO deve atentar, sempre para a DESIGUALDADE MATERIAL que normalmente ocorre no curso de toda persecução penal, onde o Estado ocupa a posição de proeminência, respondendo pelas funções acusatórias, como regra, e pela atuação da jurisdição, sobre a qual exerce o seu monopólio Dentro dessa íntima relação entre o Direito Penal e o processo penal, deve-se apontar que, ao atual modelo de Direito Penal mínimo, corresponde um processo penal garantista. Só um processo penal que, em garantia dos direitos do imputado, minimize os espaços impróprios da discricionariedade judicial, pode oferecer um sólido fundamento para a independência da magistratura e ao seu papel de controle da legalidade do poder (FERRAJOLI). A evolução do processo penal está intimamente relacionada com a própria evolução da pena, refletindo a estrutura do Estado em um determinado período. O processo, como instrumento para a realização do Direito Penal, deve realizar sua dupla função: · Tornar viável a aplicação da pena. · Servir como efetivo instrumento de garantia dos direitos e liberdades individuais, assegurando os indivíduos contra os atos abusivos do Estado. Nesse sentido, o processo penal deve servir como instrumento de limitação da atividade estatal, estruturando-se de modo a garantir plena efetividade aos direitos individuais constitucionalmente previstos, como a presunção de inocência, contraditório, defesa, etc. O objeto primordial da tutela não será somente a salvaguarda dos interesses da coletividade, mas também a tutela da liberdade processual do imputado, o respeito a sua dignidade como pessoa, como efetiva parte do processo. O significado da democracia é a revalorização do homem. PROCESSO PENAL COMO MODELO DE SISTEMA GARANTISTA O sistema garantista está sustentado por cinco princípios básicos, sobre os quais deve ser erguido o processo penal: 1. Jurisdicionalidade - “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei”. Nulla poena, nulla culpa sine judicio: Não só como necessidade do processo penal, mas também em sentido amplo, como garantia orgânica da figura e do estatuto do juiz. Também representa a exclusividade do poder jurisdicional, direito ao juiz natural, independência da magistratura e exclusiva submissão à lei. 2. Inderrogabilidade do juízo: “Quando existem os requisitos necessários para a condenação, a pena não pode deixar de ser aplicada e de ser cumprida integralmente” No sentido de infungibilidade e indeclinabilidade da jurisdição 3. Separação das atividades de julgar e acusar - Nullum iudicium sine accusatione: “caracteriza-se pela separação das funções de acusar, julgar, defender. O juiz é imparcial e as provas não possuem valor pré-estabelecido, podendo o juiz apreciá-las de acordo com a sua livre convicção, desde que fundamentada.”Configura o Ministério Público como agente exclusivo da acusação, garantindo a imparcialidade do juiz e submetendo sua atuação a prévia invocação por meio da ação penal. Esse princípio também deve ser aplicado na fase pré-processual, abandonando o superado modelo de juiz de instrução. 4. Presunção de inocência: “Todos são inocentes até que se prove o contrário"A garantia de que será mantido o estado de inocência até o trânsito em julgado da sentença condenatória implica diversas conseqüências no tratamento da parte passiva, inclusive na carga da prova (ônus da acusação) e na obrigatoriedade de que a constatação do delito e a aplicação da pena serão por meio de um processo com todas as garantias e através de uma sentença. 5. Contradição -”determina que duas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto” Nulla probatio sine defensione: É um método de confrontação da prova e comprovação da verdade, fundando-se não mais sobre um juízo potestativo, mas sobre o conflito, disciplinado e ritualizado, entre partes contrapostas: a acusação (expressão do interesse punitivo do Estado) e a defesa (expressão do interesse do acusado em ficar livre de acusações infundadas e imunes a penas arbitrárias e desproporcionais). FINALIDADE Em determinado momento histórico, o Estado percebeu que tinha o interesse de resolver os conflitos porque tinha o dever de assegurar a ordem e paz social. Sendo assim, o Estado avocou para si a administração da justiça, vedando ao particular a justiça com as próprias mãos, em contrapartida garantiu ao indivíduo o direito de ação para requerer a tutela jurisdicional do Estado para solução do conflito. O Estado soberano é o titular exclusivo do direito de punir, mesmo quando transfere para o particular a iniciativa (ação penal privada), está transferindo o JUS PERSEQUENDI IN JUDICIO, mantendo para si o JUS PUNIENDI, que consiste no dever-poder de punir, dirigido à toda a coletividade. Ou seja, trata-se de um poder abstrato de punir qualquer um que venha a praticar fato definido como infração penal. Quando um fato infringente da norma penal é praticado, há a lesão para a ordem pública, fazendo surgir para o Estado a pretensão punitiva para a aplicação da sanctio juris, que é satisfeita na sentença e somente se exaure com o seu trânsito em julgado (é permitida a execução provisória quando favorecer o réu), nascendo a pretensão de execução do comando emergente da sentença. Assim, o Estado-Juiz, no caso da lide penal, deverá dizer se o direito de punir procede ou não, e, no primeiro caso, em que intensidade deve ser satisfeito. · A jurisdição penal é uma JURISDIÇÃO NECESSÁRIA, na medida em que, nenhuma sanção penal pode ser aplicada exceto por meio de processo judicial. Assim, a finalidade do processo penal é propiciar a ADEQUADA SOLUÇÃO JURISDICIONAL DO CONFLITO DE INTERESSES ENTRE O ESTADO-ADMINISTRAÇÃO E O INFRATOR, através de uma seqüência de atos que compreendam a formulação da acusação, a produção de provas, o exercício da defesa e o julgamento da lide. CARACTERÍSTICAS Para consecução de seus fins, o processo compreende: · PROCEDIMENTO: é a seqüência de atos procedimentais ordenados até a sentença; · RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL: que se forma entre os sujeitos do processo (juiz e partes), pela qual estes titularizam posições jurídicas, expressável em direitos, obrigações, faculdades, ônus e sujeições processuais. O PROCESSO PENAL BRASILEIRO É ACUSATÓRIO, em que há o contraditório, a ampla defesa, a publicidade, bem como a distribuição das funções de acusar, defender e julgar entre órgãos distintos. Obs.: O CPP contém diversos dispositivos inquisitoriais, incompatíveis com o atual regramento constitucional. Cada ordenamento jurídico pode criar seu próprio sistema, mas há um limite para incongruências – o processo penal brasileiro não pode se distanciar muito dos demais ordenamentos jurídicos do ocidente. Atualmente, é impossível entender o processo penal sem análise da jurisprudência, na medida em que os tribunais vêm adequando o CPP ao texto constitucional, dado seuO arquivamento indireto, nada mais é do que suscitar a incompetência do juízo, todavia recebeu o nome de "arquivamento". Ocorre quando o Ministério Público, antes de oferecer a denúncia, verifica que aquele juízo é incompetente e requer que os autos sejam remetidos ao juízo competente para regular prosseguimento do feito. Entende a doutrina que, mediante este requerimento do Ministério Público, o magistrado poderia analogamente aplicar o Art. 28 do Código de Processo Penal. TRANCAMENTO/ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIA Por força de decisão do STF, tomada em maio de 2015, o Ministério Público pode investigar sozinho, instaurando o que muitos, hoje, denominam de procedimento investigatório criminal (PIC). Mas o Pretório Excelso não soltou as amarras por completo e fixou regras claras para tais investigações, inclusive a fiscalização do Judiciário e o acesso do advogado. Logo, o PIC está sujeito, exatamente como o inquérito, ao trancamento, caso inexista justa causa para a investigação. Quem se sentir prejudicado, pode impetrar habeas corpus no Tribunal para trancar o referido PIC PROSSEGUIMENTO DAS INVESTIGAÇÕES APÓS O ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO OU DE PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO O arquivamento do inquérito não gera efeito definitivo, podendo ser revista a situação a qualquer tempo, inclusive porque novas provas podem surgir. Ocorre que a autoridade policial, segundo o preceituado em lei, independentemente da instauração de outro inquérito, pode proceder a novas pesquisas, o que significa sair em busca de provas que surjam e cheguem ao seu conhecimento.Para reavivar o inquérito policial, desarquivando-o, cremos ser necessário que as provas coletadas sejam substancialmente novas – aquelas realmente desconhecidas anteriormente por qualquer das autoridades –, sob pena de se configurar um constrangimento ilegal. Súmula 524 do Supremo Tribunal Federal: “Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas”. Entretanto, se o arquivamento ocorrer com fundamento na atipicidade da conduta, é possível gerar decisão definitiva, que vincula o órgão acusatório. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL Esse acordo pode ser realizado, por proposta do Ministério Público, se o investigado tiver confessado formal e detalhadamente a prática do crime, sem violência ou grave ameaça à pessoa, com pena mínima inferior a quatro anos. Neste ponto, é preciso destacar tratar-se de um acordo para não haver persecução penal; assim sendo, obrigar o investigado a confessar formalmente o cometimento do crime para depois fixar penas alternativas e outras condições não nos parece o ideal, ferindo, indiretamente, o direito à imunidade contra a auto acusação.São condições para o pacto: a) reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, salvo quando não puder fazê-lo; b) renunciar voluntariamente a bens e direitos apontados pelo Ministério Público como instrumento, produto ou proveito do delito; c) prestar serviços à comunidade, por período correspondente à pena mínima cominada à infração penal, diminuída de um a dois terços; d) pagar prestação pecuniária a entidade pública ou de interesse social; e) cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público Quanto à cláusula prevista no inciso V do art. 28-A (“cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada”), deve-se frisar que essa espécie de abertura nunca deu certo a uma condição para se fixar qualquer coisa. Veda-se o acordo nos seguintes casos: a) quando for cabível transação penal, pois, nesta hipótese, trata-se de infração de menor potencial ofensivo, cuja competência é do JECRIM, prevista na Constituição Federal (art. 98, I); b) se o investigado for reincidente (reincidência genérica ou específica, devendo ser provada documentalmente) ou houver provas suficientes de que é criminoso habitual (não se confunda com o delito habitual; cuida-se de delinquir com frequência; as provas devem ser extraídas da própria investigação feita), reiterado (mais uma vez, frequente ou repetida, em colocação sinônima) ou profissional (similar à habitualidade delitiva, fazendo do crime o seu meio de vida, com provas advindas da própria investigação), salvo se as infrações pretéritas forem consideradas insignificantes (o termo insignificante tem sido utilizado para caracterizar o crime de bagatela, que, por sinal, tende a ser fato atípico; nesta hipótese, seria mais uma condição de livre avaliação do órgão proponente do acordo); c) ter sido o investigado beneficiado nos 5 anos anteriores ao cometimento da infração em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo, cumprindo-se a regra de não incidência de cumulação de benefícios; d) nos delitos que envolvam violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a mulher (art. 28-A, § 2.º, CPP), seguindo-se a tendência de não favorecer, de modo algum, o agressor; aliás, a Lei 11.340/2006 eliminou a aplicação da Lei 9.099/95 (transação penal e suspensão condicional do processo). O acordo será feito por escrito e assinado pelo membro do MP, pelo investigado e pelo defensor. A vítima será cientificada do acordo homologado e, também, se houver o descumprimento. É mais um ponto no qual se inclui o ofendido no processo penal, em vez de extirpá-lo disso.Esse acordo não gera antecedente criminal nem constará dos registros, a não ser para evitar outro acordo no período de 5 anos após o primeiro. JURISDIÇÃO CONCEITO DE JURISDIÇÃO É o poder-dever atribuído, constitucionalmente, ao Estado para aplicar a lei ao caso concreto, compondo litígios e resolvendo conflitos. Vale mencionar ser a jurisdição una e indivisível, pois é emanação da soberania, embora possa competir a órgãos diversos. Em suma, todo juiz, investido na sua função, possui jurisdição, que é a atribuição de compor os conflitos emergentes na sociedade, valendo-se da força estatal para fazer cumprir a decisão compulsoriamente. Detendo o Estado o monopólio da distribuição de justiça, na esfera penal, evitando-se, com isso, os nefastos resultados da autotutela, que pode tender a excessos de toda ordem, gerando maior insegurança e revolta no seio social, exerce o Poder Judiciário a jurisdição em caráter substitutivo às partes. CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO · Inércia da jurisdição (ne procedat iudex ex officio) · Definitividade das decisões, que se dá pela coisa julgada · Esgotamento de modo que não pode haver dupla apenação pelo mesmo fato delituoso (não há revisão criminal pro societate); · Substitutividade, segundo a qual o órgão julgador se substitui às partes na solução da controvérsia. · PENAL PRINCÍPIOS APLICÁVEIS À JURISDIÇÃO · JUIZ NATURAL (art. 5º) - se refere à existência de juízo adequado para o julgamento de determinada demanda, conforme as regras de fixação de competência, e à proibição de juízos extraordinários ou tribunais de exceção constituídos após os fatos. · INÉRCIA - o juiz não pode promover ação penal por iniciativa própria, sendo esta função reservada ao Ministério Público ou ao ofendido, nos crimes de ação penal privada. A jurisdição se mantém em inércia até que seja provocada. · INDELEGABILIDADE - O juiz não pode delegar o julgamento de um processo a outra pessoa. O juiz não pode delegar a função de julgar a quem não o possui. · INAFASTABILIDADE - “A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito” · CORRELAÇÃO - Emendatio libelli e mutatio libelli. Deve haver uma correlação entre o fato descrito na denúncia ou queixa e o fato pelo qual o réu é condenado. Na emendatio libelli, os fatos narrados são os mesmos que foram provados. Não há a necessidade de aditamento. A previsão legal está no artigo 383, do CPP. Já na mutatio libelli, os fatos narrados são distintos dos que foram provados. COMPETÊNCIA CONCEITO DE COMPETÊNCIA A competência é a parcela da jurisdição, ou o âmbitoou espaço dentro do qual o julgador poderá exercer a atividade jurisdicional. Ou seja, cada juiz tem uma vara específica a qual deve atuar. Trata-se da delimitação da jurisdição, ou seja, o espaço dentro do qual pode determinada autoridade judiciária aplicar o direito aos litígios que lhe forem apresentados, compondo-os. Existem regras definidas sobre a competência, na · Constituição · Código de processo penal · Lei de organização judiciária · Regimento interno dos tribunais COMPETÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA Chama-se absoluta a hipótese de fixação de competência que não admite prorrogação, isto é, deve o processo ser remetido ao juiz natural determinado por normas constitucionais ou processuais penais, sob pena de nulidade do feito. Não aceita prorrogação. Chama-se relativa a hipótese de fixação de competência que admite prorrogação, ou seja, não invocada a tempo a incompetência do foro, reputa-se competente o juízo que conduz o feito, não se admitindo qualquer alegação posterior de nulidade. É o caso da competência territorial, tanto pelo lugar da infração quanto pelo domicílio ou residência do réu. Admite a prorrogação. QUADRO GERAL DE COMPETÊNCIA Em suma, busca-se, em primeiro plano, o lugar da infração penal (ratione loci). E, a partir disso, visualiza-se o contexto das exceções à regra: 1. quando houver matéria especial a ser cuidada (ratione materiae), levando-se em conta a natureza da infração (é o que ocorre com a Justiça Militar ou Eleitoral, para crimes militares ou eleitorais); 2. quando houver privilégio especial em função da pessoa a ser julgada (ratione personae), como ocorre no julgamento de altas autoridades. Tendo em vista que, muitas vezes, desconhece-se o local da infração, elegeu-se uma segunda regra geral, embora supletiva, que é o lugar do domicílio ou residência do réu (este foro pode ser o da eleição do querelante nos crimes de ação privada, conforme art. 73, CPP). A partir do estabelecimento da competência inicial, em razão do lugar da infração penal ou do domicílio/residência do réu, passa-se ao critério da seleção sorteada do magistrado, usando-se a distribuição. Há também exceções com relação à escolha fortuita do juiz: 1. em função da matéria debatida, o que se extrai através da natureza da infração penal. É o caso do delito contra a vida, que segue diretamente para a Vara privativa do Júri – quando existente; 2. em função da conexão ou da continência, motivos que favorecem a colheita da prova, evitando decisões contraditórias; 3. em razão da prevenção, isto é, quando, por situação pretérita, algum juiz já tomou conhecimento de matéria relevante do processo. Por derradeiro, não havendo condições de determinar o lugar da infração ou do domicílio do réu, porque a infração penal desenvolveu-se em várias localidades, ou porque há incerteza quanto às divisas da Comarca, usa-se a regra subsidiária da prevenção, que é residual INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA: É quando o processo tramita e houver o julgamento contrariando uma regra de competência estabelecida na constituição. Quando nós estivermos diante de uma incompetência absoluta a nulidade será absoluta, havendo uma presunção de prejuízo, e todos os atos do processo serão declarados nulos. Nulidade relativa - As partes precisarão provar o prejuízo, é somente os atos decisórios serão declarados nulos, preservando-se os atos instrutórios. RATIONE LOCI (LUGAR) TEORIA DO RESULTADO (art. 70 do CPP c/c art. 14, I, do CP) - Teoria adotada pelo processo penal brasileiro. O lugar da infração é, como regra, o foro competente para ser julgada a causa, pois é o local onde a infração penal ocorreu, atingido o resultado, perturbando a tranquilidade social e abalando a paz e o sossego da comunidade (ratione loci), como previsto no art. 70 do Código de Processo Penal. Quando se tratar de tentativa, verifica-se o foro competente no local onde se deu o último ato executório. Trata-se de competência territorial, logo, relativa, vale dizer, passível de prorrogação, caso não seja arguida a tempo. Adotou o processo penal brasileiro a teoria do resultado, vale dizer, é competente para apurar a infração penal, aplicando a medida cabível ao agente, o foro onde se deu a consumação do delito TEORIA DA ATIVIDADE (art. 63 da lei 9.099/95) - leva em conta o lugar onde ocorreu a ação, pouco importando o local do resultado. OBS: Deve-se respeitar uma ressalva corretamente feita pela jurisprudência. O homicídio, embora seja crime material, cuja conduta de lesionar a integridade física pode ocorrer em determinada cidade e o resultado morte, em outra, deve ser apurado e o agente processado no lugar da ação ou omissão. OBS 2: A Lei 14.155/2021 consagrou, de maneira correta, a competência do juízo do local onde o dano se concretiza (art. 70, § 4º, CPP), sob a perspectiva da pessoa lesada. Por isso, havendo depósito, por meio de cheque sem fundos, ou qualquer outro mecanismo frustrado de pagamento, é preciso apurar o delito no local do domicílio da vítima, de forma a tornar mais fácil a apuração da infração penal para quem foi lesado. O uso de cheque para pagamento de dívidas vem diminuindo dia após dia, pois ingressam os instrumentos informáticos, sendo viável pagar uma conta pelo aplicativo do celular. Há uma redução considerável do mecanismo calcado em papel (como o cheque), elevando-se o valor de transações por meio da Internet e de aplicativos especialmente formulados para os celulares. Assim sendo, afirma-se a competência, quando houver atividade do estelionatário, no domicílio da pessoa ofendida. OBS 3: STJ - Ofensas proferidas pela internet (Local de inserção) TEORIA DA UBIQUIDADE ( MISTA OU ECLÉTICA) (art. 70 inciso 1° e 2° do CPP) - Considera como lugar do crime tanto o da ação quanto o do resultado, indiferentemente. Reserva-se a teoria da ubiquidade, adotada pelo Código Penal, para a hipótese do delito que se iniciou em um país estrangeiro e findou no Brasil ou vice-versa - quando o crime atinge mais de uma nação (é o chamado crime à distância). Com isso, resguarda-se a soberania brasileira para levar o agente a julgamento, desde que qualquer parte da infração penal tenha tocado solo nacional, constituindo um prestígio ao princípio da territorialidade. No mais, levando-se em consideração apenas delitos praticados, integralmente, dentro do território brasileiro, aplica-se o art. 70. FORO SUPLETIVO OU SUBSIDIÁRIO - Subsidiariamente, quando não se tem certeza do lugar onde a infração se consumou, utiliza-se a regra do domicílio ou residência do acusado (ratione loci). Por isso, é o chamado foro supletivo ou foro subsidiário. Caso a pessoa tenha várias moradas, onde igualmente fixe seu centro de ocupações habituais, estabelece o art. 71 do Código Civil que qualquer delas pode ser considerada seu domicílio. Finalmente, quando não tiver a residência habitual, por ser um viajante solteiro, sem vínculo familiar, considera-se seu domicílio o lugar onde for encontrado (art. 73, CC). Adverte, ainda, o autor, que o Código de Processo Penal deixou de prever a hipótese do réu que tenha mais de um domicílio, razão pela qual aplica-se, por analogia, o constante no art. 72, § 1.º, para a hipótese da residência, isto é, a competência firmar-se-á pela prevenção. Diga-se o mesmo com relação à situação do processo que tenha vários corréus, cada qual com um domicílio diferente. Deve-se aplicar a regra da prevenção.Como não houve a expressa equiparação, o melhor é interpretar que fixa o foro o lugar do domicílio; na falta deste, leva-se em conta a residência. Havendo um ou mais domicílios (ou residências), resolve-se pela prevenção.Outra situação de utilização da prevenção para solucionar conflito surgido entre vários juízos, que poderiam conhecer do feito, é a hipótese do acusado que não tem residência fixa – pode ser um andarilho, um sem-teto, um viajante ou um desocupado aventureiro –, razão pela qual ignora-se onde possa ser encontrado (art. 72, § 2.º, CPP). O critério da prevenção proporcionará a fixação da competência nas mãos do Juiz que, temporalmente,primeiro proferir qualquer decisão acerca do processo instaurado ou em vias de se instaurar O Código Civil estabelece que, a pessoa sem residência habitual, andando de um lugar para outro, tem seu domicílio no local onde puder ser encontrada (art. 73). Ocorre que, para efeito de aplicação do referido § 2.º do art. 72 do Código de Processo Penal, o sentido da inexistência de residência certa liga-se ao fato de não se poder localizá-lo, de modo que é inútil buscar a aplicação do referido art. 73 da Lei civil. Por outro lado, há uma segunda situação de relevo, que é a ignorância do seu paradeiro. Assim, pode até possuir residência conhecida, mas estar há muito afastado dela, não mais sendo localizado. Por isso, aplica-se a regra da prevenção, que funciona como foro subsidiário ou supletivo. RATIONE MATERIAE (NATUREZA) Por vezes, a lei deixa de considerar principal o critério do lugar da infração ou do domicílio do réu para eleger princípio diverso, que é o da natureza da infração penal. É a competência em razão da matéria (ratione materiae). Exemplo disso é a existência da Justiça Militar. Quando um crime militar ocorre, segue diretamente o processo para essa Vara, nem havendo necessidade de se fazer outras verificações. Se, porventura, houver mais de uma Vara competente na Comarca ou Região, utiliza-se, então, o critério geral, que é o do lugar da infração ou do domicílio do réu. Ao cuidarmos da fixação da competência em razão da natureza da matéria, deve-se analisá-la sob dois ângulos diversos: a) Primeiramente, essa matéria (ratione materiae) serve para afastar a incidência da regra geral, que é o foro do lugar da infração penal. Assim, havendo a prática de um crime militar, por exemplo, elege-se o foro independentemente de ferir, eventualmente, o local do crime, pois deve ele ser julgado na Justiça Militar, nem sempre existente na Comarca onde se deu a infração. Diga-se o mesmo do delito eleitoral, que pode ser julgado por um juízo diverso da sua Comarca de origem, por critérios de organização da Justiça Eleitoral; b) secundariamente, quando se utiliza, antes, o critério do lugar da infração penal ou do domicílio do réu, passa-se a verificar a natureza da matéria, a fim de, dentro da Comarca eleita, escolher o juízo competente. Um roubo praticado na Comarca de São Paulo, por exemplo, deve ser julgado por uma das Varas Centrais, ainda que a região de seu cometimento seja da esfera de abrangência de um foro regional. O assunto é reservado ao foro central. Ressalva-se, ainda, a competência das Varas do Júri, que preferem, sempre, em confronto com as demais, quando se tratar de delitos dolosos contra a vida. Trata-se de competência absoluta, não sujeita à prorrogação, como regra. JUSTIÇA ESPECIALIZADA: OBS: NÃO EXISTE HIERARQUIA ENTRE A JUSTIÇA MILITAR E ELEITORAL Militar: A Justiça militar é especial. A Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos em lei. “Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, singularmente, os crimes militares cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares”. Portanto, qualquer militar – seja ele ligado às Forças Armadas, seja à Polícia Militar Estadual – deve ser julgado pela Justiça Militar. Note-se, pois, que civis somente podem responder perante a Justiça Militar, desde que se trate de delito contra a segurança nacional e contra as instituições militares, cuja alçada é da Justiça Militar Federal. “nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Justiça Militar encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum”. Eleitoral: A Justiça Eleitoral é especial, obs: “Tribunal do Júri também tem status constitucional, mas faz parte da justiça comum e não trata de matéria específica, de forma que sede espaço para a justiça eleitoral” Em suma, tratando-se de crimes eleitorais conexos a crimes dolosos contra a vida, o julgamento de todos eles há de ser realizado pela Justiça Eleitoral, a menos que caracterizada, em termos constitucionais, a competência funcional de outros órgãos jurisdicionais”; porém, SOB OUTRA ÓTICA, crimes dolosos contra a vida jamais serão julgados pela justiça eleitoral. JUSTIÇA COMUM: Federal: Estadual: RATIONE PERSONAE (PESSOA/FUNÇÃO) Prerrogativa de foro como regra de competência - Assim como a conexão e a continência, quando houver prerrogativa de função, isto é, a existência da eleição legal de um foro privilegiado para julgar determinado réu, que cometeu a infração penal investido em função especial, relevam-se as demais regras naturais de fixação da competência, passando-se a respeitar o foro específico, que diz respeito à qualidade da pessoa em julgamento (ratione personae). Assim, se um prefeito de distante cidade do interior praticar um delito será julgado no Tribunal de Justiça, na capital do Estado, e não no lugar onde o abalo gerado pelo crime emergiu. A doutrina, de maneira geral, justifica a existência do foro privilegiado como maneira de dar especial relevo ao cargo ocupado pelo agente do delito e jamais pensando em estabelecer desigualdades entre os cidadãos. As autoridades em geral, que possuem o foro privilegiado, somente podem ser processadas, ainda que o delito seja cometido antes do início do exercício funcional, nas Cortes especificadas na Constituição ou em lei. Assim, caso alguém esteja respondendo por um determinado delito em Vara comum de 1.º grau, uma vez que seja eleito, por exemplo, deputado federal, o feito será remetido, para continuidade, ao Supremo Tribunal Federal. Entretanto, se ele deixar o cargo, sem ter sido julgado, retornará à instância original, pois o crime foi praticado antes do exercício do mandato. OBS2: PREFEITOS CRIMES COMUNS TJ (art. 29, X, CF) CRIMES CONTRA A UNIÃO TRF (Súmula 208 do STF) CRIMES ELEITORAIS TRE (Súmula 209 do STJ) Conclusão Como se verifica, o que se tem na realidade é a supressão de algumas instâncias do Poder Judiciário, sendo o agente público julgado diretamente por um determinado Tribunal. Essa competência originária justifica-se em virtude não da pessoa, mas sim do cargo que esta ocupa no Estado. A competência ratione personae, portanto, é fixada levando-se em consideração o cargo que determinada pessoa ocupa na Administração Pública, quer Federal, quer Estadual, quer Municipal, não existindo nenhuma impunidade ou sequer prerrogativa. O foro por prerrogativa de função é taxativamente previsto na Carta Política e não possibilita a extensão dessa competência funcional a demais autoridades que não estejam elencadas na Constituição, respeitadas as regras de conexão e continência. AÇÃO PENALanacronismo. PETER HARBELE: o direito constitucional atual é um produto cultural do ocidente, não limitado a cada país. Obs.: Sistemas: a) inquisitório: as funções de acusar e julgar estão concentradas em um mesmo sujeito processual – busca da verdade real – perda da imparcialidade – ―quem procura sabe o que quer encontrar‖ – Direito Canônico: ―Quem tem um juiz como acusador precisa de Deus como advogado‖; o réu é tratado como objeto e não como um fim em si mesmo; o juiz atua desde a investigação, iniciandose o processo desde a ―notitia criminis‖. (Pacelli) b) acusatório: na Inglaterra feudal começa a divisão entre acusador e julgador – a busca da verdade se dá não pela pesquisa, mas pelo debate – a França, berço do sistema jurídico ocidental, adotou o sistema inquisitorial – atualmente, a maior parte dos ordenamentos jurídicos mundiais adota o sistema acusatório – mesmo na França, atualmente o sistema inquisitorial é adotado em uma quantidade mínima de casos – STF: o ponto definidor do sistema acusatório é a proibição do juiz produzir prova préprocessual – No direito comparado, a capitulação da denúncia define a competência, mas no Brasil a capitulação pode ser alterada pelo juiz para fins de definição de competência (STF) – O sistema acusatório prima pela divisão das funções de acusar e julgar, e acusar não é apenas denunciar: quando o MP pede absolvição – Argentina: o juiz só pode absolver (acusatório puro); Brasil: o juiz pode condenar – Parte da doutrina entende que as regras dispostas nos artigos 384 e 385 são resquícios do sistema inquisitório em nosso ordenamento – No direito comparado o recebimento da denúncia é causa de suspeição, no Brasil é causa de prevenção – No Brasil adota-se o sistema acusatório flexível ou não ortodoxo (contraponto ao sist. acusatório puro), no qual o magistrado não é mero expectador estático da persecução; Sob um viés constitucional, deve-se tomar cuidado com a extensão dada ao ―princípio da busca da verdade real‖ pelo juiz criminal, sob pena de transformá-lo num juiz inquisidor, substituto da acusação, isto é, referida busca pela verdade real deve se limitar ao esclarecimento de questões duvidosas sobre material já trazidos pelas partes (Pacelli). Nesse sistema, para o processo penal o réu é um fim em si mesmo e não mero objeto (Caderno LFG). c) misto ou acusatório formal: origem francesa – juiz de instrução e juiz julgador – três fases: 1) investigação preliminar: polícia judiciária; instrução preparatória: juiz de instrução; julgamento: apenas nesta última fase há contraditório e ampla defesa PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL PRINCÍPIO DA LIBERDADE INDIVIDUAL é um conceito fundamental da filosofia e da teoria política, que se refere à autonomia e à autodeterminação de cada indivíduo. É a capacidade de agir de acordo com suas próprias vontades e escolhas, sem ser impedido ou coagido por outras pessoas ou pelo Estado DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Trata-se, sem dúvida, de um princípio regente, cuja missão é a preservação integral do ser humano, desde o nascimento até a morte, conferindo-lhe autoestima e garantindo-lhe o mínimo existencial. DEVIDO PROCESSO LEGAL CF/1988, Art. 5º, LIV – Ninguém será privado de sua liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Esse é um dos princípios mais importantes na atividade diária da aplicação do direito penal e processual penal. Os bens e a liberdade possuem uma tutela específica constitucional, legal e judicial. O devido processo legal determina que ninguém pode ser privado de bens ou liberdade sem que haja um processo judicial. O devido processo legal é o justo processo, a observância das normas processuais. Ou seja, para que seja condenado e privado de liberdade, o réu necessita passar pelo devido processo legal. Para que se afigura justa e de acordo com o devido processo legal, deve a pena ser aplicada conforme os preceitos ditados pelo princípio da individualização da pena, evitando-se qualquer método tendente à padronização da sanção penal. Do mesmo modo, penas desproporcionais à gravidade do delito cometido ferem a proporcionalidade e, por via de consequência, a efetividade do devido processo legal substancial. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO Sobre o contraditório, o CPC disciplina o seguinte: “Art. 9.º Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. (...) Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”. Direito das partes de ter conhecimento sobre o processo e de se manifestar. Aqui o réu não é obrigado a se manifestar, diferentemente da ampla defesa, a qual impõe essa manifestação. AMPLA DEFESA ( art. 5º, LV, CF ) Consiste na imposição que é feita ao réu de se manifestar efetivamente no processo penal, exercendo a sua defesa. Mesmo que o réu não faça nada, ele deve ser defendido, precisando se manifestar na ampla defesa, mesmo que seja ao invocar o direito ao silêncio, podendo isso ser uma estratégia de defesa. Ou seja, o réu não pode se manter inerte, pois a ampla defesa IMPÕE ao réu que se manifeste. A ampla defesa possui 4 vertentes: 1. Defesa técnica, a qual consiste na defesa pelo advogado no processo penal. 2. Autodefesa, a qual é exercida pelo próprio réu. Sendo mais enfatizado por exemplo no interrogatório dele, se auto defendendo. 3. Efetiva participação do réu no ato processual 4. Possibilidade de utilização de provas ilícitas pelo réu. Obs: Provas ilícitas - Só podem ser utilizadas em favor do réu como uma das vertentes da ampla defesa. Obs: Princípio da plenitude da defesa ( Art. 5º , inc XXXVIII, cf ) - Significa que a defesa do réu seja feita de maneira quase perfeita, plena, podendo o réu fazer uso de qualquer tipo de argumento para alcançar essa plenitude, se aproximando ao máximo da perfeição ( religioso, matemático, sentimental…) para convencer os jurados no tribunal do júri. Não se trata da mesma coisa da ampla defesa. A plenitude se aplica aos casos julgados no tribunal do júri. PRINCÍPIO DA ISONOMIA DAS PARTES O princípio da isonomia, dentro do direito, nada mais é do que a equalização das normas e dos procedimentos jurídicos entre os indivíduos, garantindo que a lei seja aplicada de forma igualitária entre as pessoas, levando em consideração suas desigualdades (tratar desigualmente os desiguais), para a aplicação dessas normas. JUÍZ NATURAL E IMPARCIAL Estabelece o direito do réu de ser julgado por um juiz previamente determinado por lei e pelas normas constitucionais, acarretando, por consequência, um julgamento imparcial. Ninguém será processado ou julgado senão pela autoridade competente. Autoridade competente é aquela que está prevista de acordo com a constituição e as leis, para julgamento dos fatos previamente à sua ocorrência. O juíz deve ser imparcial. · Dupla garantia ( jurisdicionado e juíz ) Primeiro há uma garantia para quem está sendo julgado, isso porque será um julgamento imparcial e não haverá tribunais de exceção. E também, há uma garantia para o juíz. · —> Princípios decorrentes: a iniciativa das partes Obs: Lei 12.694/2012 “ Lei de organização criminosa” . O juiz para agir, ele precisa ser provocado, pois mc caso não seja provocado, ele não poderá atuar. O STF entendeu que a formação de órgãos colegiados no primeiro grau para o decreto de medidas cautelares ( prisão preventiva, busca e apreensão, interceptação telefônica…) contra membros de organização criminosa não ofende o princípio do juíz natural desde que esses órgãos tenham sido formados antes da ocorrência do fato periculoso. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE (art. 5º, XXXIII e 93, IX, Cf) ( art. 204 ) Quer dizer que os atos processuais devem ser realizados publicamente, à vista de quem queira acompanhá-los, sem segredos e sem sigilo. É justamente o que permite o controle social dos atos e decisões do Poder Judiciário. “Trata-se de garantia relevante e que assegura a transparência daatividade jurisdicional, permitindo ser fiscalizada pelas partes e pela própria comunidade. Com ela são evitados excessos ou arbitrariedades no desenrolar da causa, surgindo, por isso, a garantia como reação aos processos secretos, proporcionando aos cidadãos a oportunidade de fiscalizar a distribuição da justiça” A investigação do processo é sigilosa, porém, o processo em julgamento é público. Em quais casos podem ser restringidos a publicidade do processo? ( segredo de justiça) Em duas hipóteses: 1 - Para quando houver o interesse social. 2 - Para a preservação da intimidade da vítima. Normalmente em casos sexuais. · Geral - divulgação que é feita a todos · Específica - divulgação que desrespeita somente aos advogados dos réus, ao ministério público e ao juiz. A publicidade geral pode ser restringida, a específica não. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DAS PROVAS ILÍCITAS (art. 5º, LVI, CF) Serão inadmissíveis as provas obtidas por meios ilícitos, devendo elas ser desentranhadas do processo. Provas ilícitas são aquelas obtidas com violação a normas que asseguram direitos materiais ao indivíduo ou normas que prevê procedimentos (formas) para prática de determinados atos probatórios. · Provas ilícitas ilegais Toda prova com violação aos direitos materiais do indivíduo. Violação da privacidade, à honra, à integridade física, por exemplo. · Provas ilícitas ilegítimas É aquela prova produzida com ofensa às normas que assegure procedimentos para a produção de uma prova. · CF/1988, Art. 5º, LVI – São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. · CPP, Art. 157: São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. A ilicitude está nos meios de obtenção da prova. Uma prova ilícita é quando se utilizam meios de obtenção que violam regras de direito material, violam a privacidade, violam o sigilo telefônico ou telemático, invasão de domicílio, tortura, dentre outros meios ilícitos. TEORIAS DECORRENTES a) Frutos da árvore envenenada ( ilicitude por derivação ) ou Teoria da ilicitude por derivação De acordo com essa teoria, toda prova decorrente da ilícita também será considerada ilícita. Ex: um interceptação realizada sem autorização judicial e através dela houve um pedido ao juíz para investigação, e conseguiram provas através dessa interceptação, havendo a busca e apreensão das pessoas que estavam na conversa que foram encontrados documentos através dessa busca. Ou seja, são considerados ilícitos tanto a interceptação quanto os documentos encontrados, isso pois essas provas encontradas foram decorrentes de provas ilícitas. Isso porque toda prova decorrente da ilícita também será considerada ilícita. Questão importante: Ingresso em domicílio em residência para apreensão de drogas. Muitas vezes a ação judicial precisa entrar em residência para a apreensão de drogas sem o mandato judicial. Para que isso aconteça é necessário que tenha elementos concretos que autorizassem a autoridade judicial a entrar em domicílio sem mandado judicial, por entender que havia prática de um crime em flagrante, ou seja, somente uma denuncia por exemplo não seria possível fazer esse ingresso sem mandato e sim com elementos concretos. Se por acaso houver o ingresso sem o mandato e não tenha elementos concretos para ingressar, e mesmo assim encontrar as drogas, essas provas não serão válidas pois foram decorrentes de uma ação ilícita. b) Fonte ou prova absolutamente independente Essa teoria diferentemente da primeira, vida o aproveitamento da prova ilícita, isso porque ela demonstra que aquela prova na origem dela não é ilícita e sim lícita. Ela quer dizer que na verdade a prova nunca foi ilícita. c) Descoberta inevitável ou da fonte hipoteticamente independente Assim como a b, também visam o intuito de aproveitar a prova. De acordo com ela, uma prova, embora, lamentavelmente, tenha sido descoberta de maneira ilícita, deverá ser declarada lícita, pois ela seria descoberta de maneira lícita. Ex: Um delegado estava investigando um crime de homicídio onde não se encontra o crime da vítima, o sujeito preso não confessava onde estava o corpo da vítima. O delegado ouviu de uma pessoa que outra havia saído de uma casa com o corpo todo sujo de sangue no dia do homicídio, então a testemunha é chamada para depor. A testemunha fala a localização e o delegado pede o mandato de busca e apreensão para aquela residência, esse mandado foi expedido na quinta e o delegado diz que irá fazê-lo na segunda. Então outro delegado pega o caso do delegado primeiro delegado e manda separar uma sala para o cara que já estava preso e não havia falado nada para ter uma conversa. Quando o delegado sai da sala o preso está todo machucado, porém o delegado sai com a informação de onde está o corpo da vítima e vai até o local, encontrando o corpo. Essa prova seria declarada lícita, embora tenha sido descoberta de maneira ilícita, ou seja, seria ja uma descoberta inevitável. 1 Obs: Teorias não previstas no CPP · TEORIA DA PROPORCIONALIDADE Em determinadas hipóteses quando o bem jurídico lesado tem uma relevância menor do que o bem jurídico a ser preservado, aquela prova não deverá ser considerada ilícita. 2 Observação: para demonstrar sua inocência pode ser feito uso de uma prova ilícita, porém para a acusação não! 3 Observação: O juíz que tiver contato com uma prova inadmissível não poderá proceder a sentença. Sem exceções. PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA CF/1988, Art. 5º, LVII – Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. - Em regra, todos são inocentes. A atribuição de uma culpabilidade penal é uma exceção a essa regra. O princípio tem por objetivo garantir que o ônus da prova cabe à acusação e não à defesa. As pessoas nascem inocentes, sendo esse o seu estado natural, razão pela qual, para quebrar tal regra, torna-se indispensável que o Estado-acusação evidencie, com provas suficientes, ao Estado-juiz a culpa do réu CPP, Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. A lei processual penal cria o princípio da excepcionalidade das prisões cautelares. Em regra, em razão da presunção de inocência, o réu tem o direito de responder ao processo em liberdade. Excepcionalmente, por razão de algumas garantias, ou mesmo para evitar que o réu fique foragido, o juiz poderá decretar a prisão preventiva. Além disso, a prisão deve ser fundamentada e apenas por ordem judicial Direito ao silêncio CF/1988, Art. 5º, LXIII – O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. O acusado tem o direito de permanecer calado no interrogatório policial e também no interrogatório judicial. PRINCÍPIOS DECORRENTES DESSE - PRINCÍPIO DO FAVOR REI/ PREVALENCIA DO INTERESSE DO RÉU/ IN DUBIO PRO REO caracteriza, principalmente, pela prevalência dos valores da justiça e da liberdade sobre o poder de punir do Estado, garantindo, no curso do processo penal, certos direitos exclusivamente ao réu. IMUNIDADE A AUTO ACUSAÇÃO (NEMO TENETUR SE DETEGERE) o princípio nemo tenetur se detegere garante ao cidadão, além de não poder ser obrigado(a) a prestar qualquer tipo de informação, também coíbe a possibilidade de fornecer, direta ou indiretamente, qualquer tipo de prova que possa ensejar autoincriminação PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS DO PROCESSO PENAL Aqueles que não estão previstos de maneira expressa na constituição. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO · O princípio do duplo grau de jurisdição é o direito assegurado a todos de ser processado e julgado, tendo os fatos e as provas existentes no processo analisadas em duas diferentesoportunidades por julgadores distintos. As partes têm o direito de que os fatos/provas sejam analisados em duas oportunidades e por julgadores distintos. Quando se diz 1º grau de jurisdição é que são a primeira vez que os fatos estão sendo analisados e quando se fala 2º grau, são quando os fatos estão sendo analisados pela segunda vez. Quem julga a primeira vez em regra é o juíz, dependendo da sentença a parte recorre para o tribunal, que será a segunda vez a ser julgado. Após a sentença do tribunal, pode ser que ainda haja a oportunidade de recorrer para a terceira instância, a qual será julgado pelo STJ, em caso de ainda haver de recorrer será a quarta instância, que seria o STF. Esses dois últimos não serão analisados as provas, somente as provas serão analisadas pelas 2 primeiras instâncias, o STJ E STF, serão sementes para análises em questão de direito. Grau e instância são considerados diferentes. Instância tem haver com a organização do poder judiciário. 1ª instância juíz, 2ª em regra, desembargadores, 3ª, em regra, ministro do STJ e 4ª ministro do STF. O grau tem haver com a análise dos fatos e provas. Por exemplo, se por acaso for analisado em primeira vez os fatos pelo STJ, será em 1º grau de jurisdição na 3º instância. Exceção: se os fatos começarem a ser julgados pelo STF, não haverá duplo grau de jurisdição. PROMOTOR NATURAL É o direito assegurado a todos de somente serem acusados por uma autoridade que atue em conformidade com a lei e a constituição, devendo a sua atribuição para atuar no processo está prevista em lei e na constituição previamente a ocorrência da infração penal. OBRIGATORIEDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA Significa não ter o órgão acusatório, nem tampouco o encarregado da investigação, a faculdade de investigar e buscar a punição do autor da infração penal, mas o dever de fazê-lo. Assim, ocorrida a infração penal, ensejadora de ação pública incondicionada, deve a autoridade policial investigá-la e, em seguida, havendo elementos, é obrigatório que o promotor apresenta denúncia.Esse princípio impõe o oferecimento de uma denúncia pelo ministério público quando existentes indícios de autoria e de materialidade da prática de uma infração penal. Ou seja, ele está obrigado. OBS: Exceções · Sursis processual: · transação penal: Delação premiada Além de outras, a principal delas, a Lei 12.850/2013, demonstrou a viabilidade de a acusação negociar com a defesa de algum (ou mais de um) delator para que ele receba um benefício, que foge à normalidade, ou seja, pode até receber perdão judicial, em lugar de ação penal, em face da colaboração prestada para apurar outros crimes e outros réus. Observa-se que, no presente, várias situações correlatas estão ocorrendo, Brasil afora, permitindo que se negocie a graduação da punição, inclusive se esta existirá ou não. Não resta dúvida de que a colaboração premiada é um dos caminhos a levar à mitigação da obrigatoriedade da ação penal. OFICIALIDADE Significa ser a persecução penal uma função primordial e obrigatória do Estado. As tarefas de investigar, processar e punir o agente do crime cabem aos órgãos constituídos do Estado, através da polícia judiciária, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Igualmente, relaciona-se à legalidade, no âmbito penal. INTRANSCENDÊNCIA Significa não dever a ação penal transcender da pessoa a quem foi imputada a conduta criminosa. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO DUPLO PROCESSO PELO MESMO FATO Não se pode processar alguém duas vezes com base no mesmo fato, impingindo-lhe dupla punição (ne bis in idem). PRINCÍPIOS MERAMENTE PROCESSUAIS PENAIS BUSCA DA VERDADE REAL ( Arts. 209, 239,234, 147 etc. do CPP ) O princípio da verdade real significa, pois, que o magistrado deve buscar provas, tanto quanto as partes, não se contentando com o que lhe é apresentado, simplesmente. Note-se o disposto nos arts. 209 (“o juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes”, grifamos), 234 (“se o juiz tiver notícia da existência de documento relativo a ponto relevante da acusação ou da defesa, providenciará, independentemente de requerimento de qualquer das partes, para sua juntada aos autos, se possível”, grifo nosso), 147 (“o juiz poderá, de ofício, proceder à verificação da falsidade”, grifamos), 156 (“a prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: (...) II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante”, grifamos), 566 (“não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa”, destaque nosso) do Código de Processo Penal, ilustrativos dessa colheita de ofício e da expressa referência à busca da verdade real. PRINCÍPIO DA ORALIDADE A palavra oral deve prevalecer, em algumas fases do processo, sobre a palavra escrita, buscando enaltecer os princípios da concentração, da imediatidade e da identidade física do juiz. Os princípios que decorrem da oralidade são os seguintes: concentração (toda a colheita da prova e o julgamento devem dar-se em uma única audiência ou no menor número delas); imediatidade (o magistrado deve ter contato direto com a prova produzida, formando mais facilmente sua convicção); identidade física do juiz (o magistrado que preside a instrução, colhendo as provas, deve ser o que julgará o feito, vinculando-se à causa). PRINCÍPIO DA COMUNHÃO DE PROVAS Significa que a prova, ainda que produzida por iniciativa de uma das partes, pertence ao processo e pode ser utilizada por todos os participantes da relação processual, destinando-se a apurar a verdade dos fatos alegados e contribuindo para o correto deslinde da causa pelo juiz.Realmente, não há titular de uma prova, mas mero proponente. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL. EFICÁCIA DA LEI PROCESSUAL NO ESPAÇO O CPP vale em todo o território nacional (artigo 1o ., CPP - princípio da territorialidade absoluta ou da lex fori no âmbito processual penal). A função jurisdicional é manifestação da soberania nacional, podendo ser exercida apenas nos limites do respectivo território, assim, a lei processual penal brasileira aplica-se a todas as infrações cometidas em território brasileiro. “Art. 1º - O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados: I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade; III - os processos da competência da Justiça Militar; IV - os processos da competência do tribunal especial; V - os processos por crimes de imprensa. Parágrafo único - Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nºs. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. “ Considera-se praticado no Brasil o crime cuja ação ou omissão tenha ocorrido em território nacional, ou cujo resultado tenha sido produzido ou devesse ter sido produzido no Brasil. A EXTRATERRITORIALIDADE DA LEI PENAL não implica necessariamente a extraterritorialidade da lei processual penal, sendo o sujeito processado no estrangeiro (mesmo que se aplicando as regras de direito penal brasileiro) serão aplicadas sempre as normas de direito processual do país estrangeiro EFICÁCIA DA LEI PROCESSUAL NO TEMPO As normas de Direito Processual Penal estão submetidas às regras gerais de direito intertemporal previstas na LDB. EXEMPLO: vacatio legis Princípio da aplicação imediata da lei processual está previsto no artigo 2o., CPP, ou seja, a lei processual penal será aplicada imediatamente. Com isso os atos anteriores são plenamente eficazes, já que a lei nova processual tem eficácia ex nunc. (quando dizemos que algo tem efeito "ex nunc", isto quer dizer que seus efeitos não retroagem, valendo somente a partir da data dadecisão tomada.) Os problemas que podem ocorrer estão relacionados com as normas processuais materiais (leis que afetam diretamente o jus libertatis – ex.: fiança, regime de lá execução de pena) casos em que os princípios aplicáveis são os da Lei Penal, principalmente, a retroatividade da Lei Penal mais benéfica. · LEIS PROCESSUAIS COM REFLEXOS PENAIS: é a lei que afeta diretamente a liberdade. EXEMPLOS lei que proíbe fiança ou lei que agrava o regime de execução. O tratamento é de como se fosse uma lei penal, se benéfica retroage, se maléfica não retroage. O texto legal não faz essa ressalva. · LEIS PROCESSUAIS MISTAS: são as leis que têm uma parte penal e outra processual penal. Exemplo: artigo 366, CPP = suspende o processo é lei processual, suspende a prescrição = é lei penal. STF: o artigo é irretroativo, porque a parte penal é maléfica, assim, não pode retroagir, as leis de conteúdo misto não podem ser separadas para fins de aplicação, do que resultaria, na verdade, como uma TERCEIRA legislação. LFG (posição minoritária): discorda disso afirmando que pode haver a separação. É aplicado o princípio do tempus regit actum: 1. os atos processuais realizados sob a égide da lei anterior são considerados válidos; 2. as normas processuais têm aplicação imediata, regulando o desenrolar do processo, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. Importantes noções são desenvolvidas pelos processualistas civis, que penso serem cabíveis aqui. LEIS PROCESSUAIS NO TEMPO – existem 03 sistemas para explicar a matéria: 1. SISTEMA DA UNIDADE PROCESSUAL: o processo é uma unidade processual, um complexo de atos inseparáveis uns dos outros. Ao processo todo, deve ser aplicada uma única lei. Assim, sobrevindo lei nova, ou essa ou a antiga devem ser aplicada a todo o processo. 2. SISTEMA DAS FASES PROCESSUAIS: o processo é dividido em fases autônomas (postulatória, probatória, decisória e recursal), cada uma compreendendo um complexo de atos inseparáveis uns dos outros. Sobrevindo lei nova, a fase em andamento seria regida pela lei anterior, a lei nova somente seria aplicada às novas fases processuais. 3. SISTEMA DE ISOLAMENTO DE ATOS: considera que o processo é uma unidade em vista do fim a que se propõe, observa que ele é um conjunto de atos, cada um dos quais pode ser considerado isoladamente, para os efeitos de aplicação da lei nova. A lei nova respeita a eficácia dos atos processuais já realizados e disciplina o processo a partir da sua vigência. Foi o sistema adotado no Brasil. Vigorando o princípio do tempus regit actum. A questão da eficácia temporal pode ser analisada, ainda, sob o enfoque do estágio em que se encontram os processos: · PROCESSO FINDO: encerrado sob a vigência da lei antiga, não sofrerá influência da lei nova. · PROCESSO A SER INICIADO: será regido pela lei nova, mas, surgem algumas questões quanto à ação e quanto à prova. Quanto à ação (pública, privada etc), a tutela do direito far-se-á pela ação concedida pela lei do tempo em que a ação foi proposta. Quanto à prova, é preciso distinguir aquilo que é regulado pelas leis substanciais daquilo que é regulado pelas leis processuais; as normas processuais disciplinam a prova dos fatos em juízo, regulam a admissibilidade das provas; as leis substanciais, ao estabelecer as condições de existência e validade dos atos jurídicos, dão-lhe a forma de sua manifestação; as leis processuais regerão os atos sob a sua vigência. · PROCESSO PENDENTE: válidos e eficazes são os atos realizados na vigência e conformidade da lei antiga, aplicando-se imediatamente a lei nova aos atos subseqüentes. Esta regra ampara até mesmo as leis de organização judiciária e reguladoras de competência, as quais se aplicam de imediato aos processos, pendentes. INQUÉRITO POLICIAL O inquérito policial faz parte de um processo administrativo do Estado, ou melhor, da polícia do Estado. É por meio dele que a polícia judiciária apura as infrações penais e toma as providências cautelares impostas para aquele delito, sendo um procedimento preparatório da ação penal, de caráter administrativo, conduzido pela polícia judiciária e voltado à colheita preliminar de provas para apurar a prática de uma infração penal e sua autoria. “O inquérito policial consiste em todas as diligências necessárias para o descobrimento dos fatos criminosos, de suas circunstâncias e de seus autores e cúmplices, devendo ser reduzido a instrumento escrito”. ÓRGÃO RESPONSÁVEL: POLÍCIA JUDICIÁRIA. Passou a ser função da polícia judiciária a sua elaboração. Quanto à polícia civil, menciona a Carta Magna o seguinte: “às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares” Portanto, cabe aos órgãos constituídos das polícias federal e civil conduzir as investigações necessárias, colhendo provas pré-constituídas para formar o inquérito, que servirá de base de sustentação a uma futura ação penal. PRESIDÊNCIA DO INQUÉRITO POLICIAL MINISTÉRIO PÚBLICO - Como regra, ao Ministério Público cabe, tomando ciência da prática de um delito, requisitar a instauração da investigação pela polícia judiciária, controlar todo o desenvolvimento da persecução investigatória, requisitar diligências e, ao final, formar a sua opinião, optando por denunciar ou não eventual pessoa apontada como autora. INVESTIGAÇÃO PARTICULAR Nem sempre é a vítima a produzir prova pré-constituída a respeito de um crime. “uma pessoa que tenha documentos em mãos, que demonstrem a prática de infração penal por determinado indivíduo, pode remetê-los ao Ministério Público e dar causa, assim a que este ingresse com a ação penal. Trata-se de notitia criminis informativa, que se assemelha a verdadeira investigação realizada por órgãos não estatais. É o que sucede, por exemplo, com o estabelecimento bancário que consiga averiguar, mediante exame contábil, o desfalque praticado por um de seus empregados. Podem os elementos dessa investigação particular ser enviados ao Ministério Público, diretamente, e só com isso provocar a acusação contra o indigitado autor daquele delito” OBJETIVO: ―Investigação do crime e a descoberta do seu autor. Seu objetivo precípuo é servir de lastro à formação da convicção do representante do Ministério Público (opinio delicti), mas também colher provas urgentes, que podem desaparecer, após o cometimento do crime.(...)apuração das infrações penais e da sua autoria‖. -IP é um procedimento administrativo preparatório para o oferecimento da denúncia. -inquérito policial tem como objetivo a reunião dos elementos de convicção que habilitem o órgão de acusação para a propositura da ação penal (PÚBLICA ou PRIVADA). OBS: O simples ajuizamento da ação penal contra alguém provoca um fardo à pessoa de bem, não podendo, pois, ser ato leviano, desprovido de provas e sem um exame pré-constituído de legalidade. Esse mecanismo auxilia a Justiça Criminal a preservar inocentes de acusações injustas e temerárias, garantindo um juízo inaugural de delibação, inclusive para verificar se se trata de fato definido como crime.O inquérito é um meio de afastar dúvidas e corrigir o prumo da investigação, evitando-se o indesejável erro judiciário. DESTINATÁRIOS: a)IMEDIATO: MP ou OFENDIDO. b)MEDIATO: JUIZ - o juiz se utiliza dos elementos constantes no inquérito policial para o recebimento da peça inicial e para a formação de seu convencimento. Utiliza também para fundamentar medidas cautelares aplicadas durante a fase inquisitorial (ex: quebra de sigilo telefônico, prisão cautelar, etc.). NATUREZA JURÍDICA: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO-PERSECUTÓRIO DE NATUREZA INQUISITIVA NATUREZA INQUISITIVA: a autoridade que instaura é a mesma que preside o procedimento, a natureza inquisitiva não está diretamente relacionada à existência ou não de contraditório. O traço marcante do SISTEMA INQUISITIVO é a não separação da figura daquele que inicia, preside e decide o procedimento, e não a existênciaou não de contraditório. O inquérito policial não possui contraditório simplesmente porque o legislador assim não desejou. CONSTITUCIONALIDADE DA INEXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NO INQUÉRITO POLICIAL -inexiste inconstitucionalidade na ausência de previsão de contraditório e ampla defesa no inquérito policial uma vez que este não é processo e não se destina a decidir litígio algum, ainda que na esfera administrativa. -não tem por objetivo a aplicação de uma penalidade, mas de possibilitar o exercício de um direito, qual seja, ação penal. -mesmo assim se reconhece a incidência de alguns direitos fundamentais como é o caso de fazer se assistir por advogado, o de não se incriminar e o de manter-se em silêncio. CLASSIFICAÇÃO DAS INFRAÇÕES PENAIS PELA AUTORIDADE POLICIAL O ideal é a autoridade policial, justamente porque lhe compete a apuração da materialidade das infrações penais e da sua autoria, proceder à classificação dos crimes e contravenções que lhe chegarem ao conhecimento. Quando indiciar o suspeito, o delegado deve indicar o tipo penal no qual considera incurso o investigado (ex.: na hipótese de homicídio qualificado, deve apontar o art. 121, § 2.º, incisos II e IV, do Código Penal). Dar a definição jurídica do fato é adequar a conduta concreta ao modelo legal incriminador (tipo penal), enquanto a classificação é o resultado dessa análise. O fato sem classificação é o chamado fato bruto, enquanto o fato classificado é considerado o fato-infração penal. Assim, a autoridade policial, ao receber a notitia criminis ou a delatio criminis, constata a existência de um fato bruto. Investigando, deve, se for o caso, dar a sua definição jurídica, classificando-o. Aliás, preceitua o art. 52, I, da Lei 11.343/2006, dever a autoridade policial relatar sumariamente as circunstâncias do fato, ao término do inquérito, justificando as razões que a levaram à classificação do delito. Em suma, há situações em que a mencionada classificação, feita ainda na fase policial, é fundamental, envolvendo diretamente o status libertatis do indiciado. INÍCIO DO INQUÉRITO POLICIAL Há, basicamente, cinco modos de dar início ao inquérito: 1. DE OFÍCIO - quando a autoridade policial, tomando conhecimento da prática de uma infração penal de ação pública incondicionada (às ações públicas condicionadas e as ações privadas dependem de provocação do ofendido), instaura a investigação para verificar a existência do crime ou da contravenção penal e sua autoria; 2. POR PROVOCAÇÃO DO OFENDIDO - quando a pessoa que teve o bem jurídico lesado reclama a atuação da autoridade; 3. POR DELAÇÃO DE TERCEIRO - quando qualquer pessoa do povo leva ao conhecimento da autoridade policial a ocorrência de uma infração penal de iniciativa do Ministério Público; 4. POR REQUISIÇÃO DA AUTORIDADE COMPETENTE - quando o juiz ou o promotor de justiça (ou procurador da República) exigir, legalmente, que a investigação policial se realize, porque há provas suficientes a tanto; OBS: Requisição, requerimento e representação. 5. PELA LAVRATURA DO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE - nos casos em que o agente é encontrado em qualquer das situações descritas no art. 302 do Código de Processo Penal (“está cometendo a infração penal”; “acaba de cometê-la”; “é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração”; “é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração”). NOTITIA CRIMINIS - É a ciência da autoridade policial da ocorrência de um fato criminoso, podendo ser: · DIRETA - quando o próprio delegado, investigando, por qualquer meio, descobre o acontecimento; · INDIRETA - quando a vítima provoca a sua atuação, comunicando-lhe a ocorrência, bem como quando o promotor ou o juiz requisitar a sua atuação. Nesta última hipótese (indireta), cremos estar inserida a prisão em flagrante. Embora parte da doutrina denomina essa forma de notitia criminis de coercitiva, não deixa ela de ser uma maneira indireta da autoridade policial tomar conhecimento da prática de uma infração penal. “a notitia criminis provocada é o ato jurídico com que alguém dá conhecimento a um dos órgãos da persecutio criminis, ou à autoridade com funções investigatórias, da prática de um fato delituoso”.21 Na realidade, a notitia criminis chega à autoridade policial sem assinatura. Não importa quem a levou. Quando há um nome, torna-se delatio criminis DELATIO CRIMINIS - É a denominação dada à comunicação feita por qualquer pessoa do povo à autoridade policial (ou a membro do Ministério Público ou juiz) acerca da ocorrência de infração penal em que caiba ação penal pública incondicionada.Pode ser feita oralmente ou por escrito. Caso a autoridade policial verifique a procedência da informação, mandará instaurar inquérito para apurar oficialmente o acontecimento. "A queixa proveniente da vítima é o modo mais usual de descoberta das infrações graves (crimes e delitos). Essa queixa pode ser dirigida à polícia (aos comissários) ou à justiça (ao procurador da República ou ao juiz de instrução mais antigo). A queixa não obriga o tribunal a proceder; deve sempre ser verificada, pois pode ser mentirosa ou não se referir a um ato qualificado pela lei como infração. Muitas vezes, a notícia é trazida por testemunhas e não pela vítima. É, naturalmente, o que acontece nos casos de homicídio INVESTIGAÇÕES CRIMINAIS CONTRA AUTORIDADES COM PRERROGATIVA DE FORO - Determinadas autoridades, detêm foro privilegiado, isto é, somente podem ser investigadas e processadas em determinados tribunais. Dessa forma, não pode a autoridade policial instaurar inquérito e colher provas diretamente; caso, durante uma investigação qualquer, encontre indícios de participação de pessoa com prerrogativa de foro, deverá remeter os autos do inquérito ao juízo competente. Exemplos: deputados e senadores são processados no Supremo Tribunal Federal. O delegado não pode instaurar inquérito contra essas autoridades sem a fiscalização e autorização do Pretório Excelso, com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República.Assim, exemplificando, ao tomar conhecimento da prática de crime de autoria de um deputado federal, o delegado deve enviar os autos ao STF. A partir daí, um dos Ministros desta Corte, encarregado de acompanhar o caso, determina que a Polícia Federal realize diligências investigatórias, mas sob sua fiscalização direta, bem como do Ministério Público Federal. REQUISIÇÃO, REQUERIMENTO E REPRESENTAÇÃO Requisição é a exigência para a realização de algo, fundamentada em lei. Não se deve confundir requisição com ordem, Não está emitindo ordem, mas exigindo que a lei seja cumprida. Requerimento é uma solicitação, passível de indeferimento, razão pela qual não tem a mesma força de uma requisição.A parte faz um requerimento ao juiz, pleiteando a produção de uma prova, por exemplo. O magistrado pode acolher ou indeferir, livremente, ainda que o faça fundamentando. Nesse caso, no momento propício, pode o interessado reclamar ao tribunal a realização da prova, mas nada obriga o juiz a produzi-la. Representação é a exposição de um fato ou ocorrência, sugerindo e solicitando providências, conforme o caso. Trata-se do ato da autoridade policial, como regra, explicando ao juiz a necessidade de ser decretada uma prisão preventiva ou mesmo de ser realizada uma busca e apreensão. Podendo não ser atendida. A representação não precisa ser formal, vale dizer, concretizada por termo escrito e expresso nos autos do inquérito ou do flagrante OBS: Difere a representação do requerimento pelo fato de que este é apresentado pela parte interessada, enquanto aquela é oferecida por autoridade ou pessoa desinteressada no deslinde da causa (investigação ou processo). Registre-se: ainda que realizada pelo ofendido, não tem esse, no caso de ação pública, interesse direto no deslinde da causa, uma vez que não é parte (autor da ação penal será o Ministério Público). RECUSA DA AUTORIDADE POLICIAL É possível quea autoridade policial refute a instauração de inquérito requisitado por membro do Ministério Público ou por Juiz de Direito, desde que se trate de exigência manifestamente ilegal. Logo, quando for incabível o cumprimento, por manifesta ilegalidade, não é caso de ser indeferida a requisição, mas simplesmente o delegado oficial, em retorno, comunica as razões que impossibilitam o seu cumprimento. A requisição deve sustentar-se em fatos, ainda que possa ser desprovida de documentos comprobatórios Se por acaso as informações contidas forem suficientes para estabelecer o inquérito e a autoridade recusa-se a instaurar inquérito, responderá funcional e, conforme o caso, criminalmente pelo desatendimento. Caso, no entanto, a autoridade policial instaurar uma investigação totalmente descabida (ex inquérito para apurar o não pagamento de dívida civil), embora cumprindo requisição, poderá responder, juntamente com a autoridade que assim exigiu, por abuso de autoridade. Não fosse assim, e inquéritos seriam instaurados levianamente, o que não se coaduna com os princípios garantistas da Constituição Federal, vedando abusos do Estado contra o indivíduo. Entretanto, de uma forma ou de outra, quando a vítima tiver seu requerimento indeferido, o melhor percurso a seguir é enviar seu inconformismo ao Ministério Público ou mesmo ao Juiz de Direito da Comarca, que poderão requisitar a instauração do inquérito, o que, dificilmente, deixará de ser cumprido pela autoridade policial. DENÚNCIA ANÔNIMA Destaquemos, ainda, ser o anonimato uma forma inadmissível e insuficiente para a instauração de inquérito, ao menos na modalidade da delatio criminis. Se a forma escolhida for oral, a autoridade policial colherá, no ato, os dados identificadores do indivíduo. Isso porque a comunicação falsa de delito pode dar ensejo à configuração de um crime, motivo pelo qual não se deve aceitar a delatio anônima. Entretanto, somos levados a acreditar que as denúncias anônimas podem e devem produzir efeito. Não nos esqueçamos que a autoridade policial pode investigar algo de ofício e, para tanto, caso receba uma comunicação não identificada, relatando a ocorrência de um delito de ação pública incondicionada, pode dar início à investigação e, com mínimos – mas suficientes – elementos em mãos, instaurar o inquérito. Embora não se tenha configurado uma autêntica delatio criminis, do mesmo modo o fato pode ser averiguado. Em verdade, há diferença entre investigar e instaurar investigação criminal. A primeira modalidade é informal; a segunda, formal. Por isso, os serviços denominados disque-denúncia têm prestado relevantes serviços à sociedade, pois incentivam pessoas a indicar à polícia autores de crimes e a própria ocorrência de infrações penais. Tais delatores ficam anônimos para sua própria proteção. Porém, não são tais informes os elementos suficientes para instaurar inquérito e, pior, indiciar alguém. A polícia pode utilizar as informações prestadas anonimamente para buscar, com legitimidade, a prova adequada para sustentar a abertura oficial do inquérito e eventual indiciamento do suspeito. PROCEDIMENTO DA AUTORIDADE POLICIAL Quando a notitia criminis lhe chega ao conhecimento, deve o delegado: · “dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais”; · “apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais” · “colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias”; · “ouvir o ofendido”; · “ouvir o indiciado”, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título VII do Livro I do CPP, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura; · “proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações”; · “determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias”; · “ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes”; · “averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter”; · “colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa” (art. 6.º, CPP). Durante o trâmite do inquérito, a autoridade policial deve, ainda, nos termos do art. 13 do CPP: “I – fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos; II – realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público; III – cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias; IV – representar acerca da prisão preventiva”. A autoridade policial pode representar pela prisão preventiva. Utilizou o legislador o verbo correto: representar (demonstrar um fato e pedir providência); se inserisse o termo requerer (solicitar por interesse próprio) estaria equivocado, pois a autoridade policial não é parte na relação persecutória (nem no polo ativo nem no passivo). Uma das providências mais importantes que competem à polícia judiciária é o exame de corpo de delito. Esse exame consiste na inspeção ocular e verificação, a que procedem peritos nomeados pela autoridade policial, para indicarem, em auto circunstanciado, os sinais físicos ou materiais produzidos pelo delito, descrevendo-os e, por suas respostas aos quesitos formulados, fornecerem à justiça elementos de convicção sobre o crime em sua materialidade e caracterização” Lembra, com razão, ESPÍNOLA FILHO que “a finalidade do inquérito é apurar a existência de uma infração punível e descobrir os responsáveis por ela; não visa a determinar a condenação do ou dos indivíduos, que são apontados como os culpados; esses indivíduos têm o direito de promover, desde logo, os elementos capazes de ilidir a acusação, contra eles dirigida; é-lhes, portanto, perfeitamente lícito requerer qualquer diligência, que considerem útil aos interesses da sua defesa. Fica ao critério da autoridade, que preside ao inquérito, deferir tal pedido, ou não atender, o que, naturalmente, só fará se entender que a diligência desejada não é realizável praticamente, ou é inócua ou prejudicial à apuração exata dos fatos”. O princípio da insignificância - A doutrina e a jurisprudência têm apontado o princípio da insignificância (crime de bagatela) como excludente de tipicidade, embora supralegal (não prevista expressa, mas implicitamente em lei).Assim sendo, nada impede que o delegado, ao receber um caso concreto, à sua frente, para lavrar (ou não) o auto de prisão em flagrante (ou instaurar inquérito), detecte um delito insignificante e, com isso, não lavre o auto ou não instaure o inquérito. INDICIAMENTO E CONSTRANGIMENTO ILEGAL Indiciado é a pessoa eleita como autora da infração penal. Ser indiciado pois a folha de antecedentes receberá a informação, tornando-se permanente, ainda que o inquérito seja, posteriormente, arquivado. Aquele que, contra si, possui frágeis indícios, não pode ser indiciado. Mantém ele como é: suspeito. Em outras palavras, a pessoa suspeita da prática de infração penal passa a figurar como indiciada, a contar do instante em que, no inquérito policial instaurado, se lhe verificou a probabilidade de ser o agente” Sustentamos que a autoridade policial deve ser clara ao convocar alguém a ir à delegacia para ser ouvido e indiciado, quando já sabe, de antemão, que tal conduta será adotada. Excepcionalmente, ouvindo várias pessoas no mesmo dia, pode a autoridade policial formar sua convicção no ato e resolver indiciar um dos sujeitos inquiridos. Nessa hipótese, resta ao indiciado recorrer ao juiz, através do habeas corpus para fazer cessar os efeitos do indiciamento ou mesmo para trancara investigação, se for o caso. REQUISIÇÃO DE INDICIAMENTO - . Assim, não cabe ao promotor ou ao juiz exigir, através de requisição, que alguém seja indiciado pela autoridade policial,que forma o seu convencimento sobre a autoria do crime, elegendo, formalmente, o suspeito de sua prática. MOTIVAÇÃO DO INDICIAMENTO - A Lei 12.830/2013 (art. 2.º, § 6.º) passa a exigir que a autoridade policial, providenciando o indiciamento do suspeito, esclareça, nos autos do inquérito, as razões que a levaram àquela eleição. Afinal, como o indiciamento é ato constrangedor, deve tratar-se de ato motivado, permitindo à parte prejudicada (indiciado) questioná-lo, impetrando habeas corpus. REGRAS DO INTERROGATÓRIO -. Conjugando-se o princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, associado à presunção de inocência, bem como ao direito constitucional ao silêncio, tem-se que o interrogatório do indiciado, na fase policial, longe do contraditório e despido da ampla defesa, pois não há necessidade da presença do advogado, deve revestir-se de toda lisura e ser realizado pela autoridade policial somente se o investigado desejar colaborar. Por outro lado, não devemos olvidar que há dois preceitos constitucionais que consagram esses princípios: o preso tem o direito de ter assistência de advogado, quando detido (art. 5.º, LXIII, CF), bem como o de ter identificado o responsável por sua prisão ou interrogatório policial (art. 5.º, LXIV, CF). As cautelas impostas devem-se ao controle de legalidade da prisão e à apuração da responsabilidade criminal e funcional do agente do Estado que não se comportar como determina a lei. IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL: DATILOSCÓPICA E FOTOGRÁFICA - A identificação criminal é a individualização física do indiciado, para que não se confunda com outra pessoa, por meio da colheita das impressões digitais, da fotografia e da captação de material biológico para exame de DNA. RECONSTITUIÇÃO DO CRIME - Em casos específicos, pode tornar-se importante fonte de prova, até mesmo para aclarar ao juiz (e aos jurados, no Tribunal do Júri) como se deu a prática da infração penal (art. 7.º, CPP). A simulação é feita utilizando o réu, a vítima e outras pessoas convidadas a participar, apresentando-se, em fotos e esquemas, a versão oferecida pelo acusado e a ofertada pelo ofendido ou outras testemunhas. Assim, visualizando o sítio dos acontecimentos, a autoridade judiciária, o representante do Ministério Público e o defensor poderão formar, com maior eficácia, suas convicções.Ressalte-se, no entanto, não estar o réu obrigado a participar da reconstituição do crime, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si. Somente o fará se houver interesse da defesa. Essa situação é viável, quando, por exemplo, o acusado tiver interesse em demonstrar como teria atuado em legítima defesa. Veda-se a reconstituição do crime que ofenda a moralidade (regras éticas de conduta, espelhando o pudor social) e a ordem pública (segurança e paz sociais). Não se fará reconstituição de um crime sexual violento, usando vítima e réu, por exemplo, o que contraria a moralidade, nem tampouco a reconstituição de uma chacina, num lugar onde a população ainda está profundamente revoltada com o crime, podendo até buscar o linchamento do réu. PRAZO PARA A CONCLUSÃO DO INQUÉRITO ESTADUAL - SOLTO - 30 dias, porém não existe prazo certo devido a alta demanda. PRESO- 10/15 dias, sem ultrapassar. Como regra, há o prazo de 30 dias para a conclusão do inquérito policial, na esfera estadual. Entretanto, em face do acúmulo de serviço, torna-se inviável o cumprimento do referido prazo, motivo pelo qual a autoridade policial costuma solicitar a dilação ao juiz, ouvindo-se o representante do Ministério Público. Em suma, quando o indiciado está solto, termina não existindo prazo certo para o término da investigação, embora sempre haja o controle judicial do que está sendo realizado pela polícia. Quando o indiciado está preso em flagrante ou preventivamente, deve ser cumprido à risca o prazo de dez dias (art. 10, CPP), pois há restrição ao direito fundamental à liberdade. É importante destacar que diligências complementares não são suficientes para interromper esse prazo de dez dias, devendo o juiz, se deferir a sua realização, determinar a remessa dos autos de volta à polícia, relaxar a prisão e colocar o suspeito em liberdade. Lembremos que o juiz das garantias pode prorrogar o prazo de término do inquérito de indiciados presos por até 15 dias, havendo representação da autoridade policial, ouvido o Ministério Público, isso porque, o delegado tem dez dias para concluir o inquérito e o promotor, cinco dias para oferecer a denúncia. Ou seja, o Estado-investigação e o Estado-acusação, juntos, possuem 15 dias para manter o réu preso, caso o juiz não o libere antes (através de liberdade provisória), até que a ação penal comece. FEDERAL - Na hipótese de réu PRESO tem a autoridade policial federal o prazo de 15 dias para concluir o inquérito, sujeito à prorrogação por outros 15 dias, se necessário,a pedido, devidamente fundamentado, da autoridade policial e deferido pelo Juiz a que compete o conhecimento do processo. Parágrafo único. Ao requerer a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito, a autoridade policial deverá apresentar o preso ao Juiz Em relação ao suspeito SOLTO, contudo, aplica-se o mesmo prazo conferido ao delegado estadual, ou seja, aplica-se o art. 10 do CPP. No caso do investigado solto, portanto, o prazo será de 30 dias, prorrogáveis por quantas vezes forem necessárias. LEI DE DROGAS - prazo é de 30 dias, em caso de indiciado preso, bem como de 90 dias, quando solto (art. 51, caput). Esses prazos podem ser duplicados pelo juiz, ouvindo-se, previamente, o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade policial. Os prazos podem ser duplicados pelo juiz, desde que: 1. Pedido justificado da autoridade de polícia judiciária; 2. Ouvido o Ministério Público. OBSERVAÇÃO: CONTAGEM DOS PRAZOS - Na hipótese de investigado solto, aplica-se o art. 798 do CPP. Neste cenário, não se inclui o dia de início, mas deve-se incluir o dia do fim (prazo processual). Na hipótese, contudo, do investigado preso, aplica-se o art. 10 do CP. Significa dizer que, diante do investigado preso, deve-se, durante a contagem do prazo, incluir o dia do início. Os dispositivos que disciplinam o prazo de duração do inquérito policial, diante da prisão do suspeito (ou indiciado), consistem em normas processuais penais materiais, que lidam com o direito à liberdade, logo, não deixam de ter cristalino fundo de direito material.Assim, se alguém, por exemplo, for preso em flagrante no dia 10, tem a polícia judiciária até o dia 19, no final do expediente, para remeter o inquérito a juízo. Outra solução implicaria a dilação do prazo, como se fosse um simples prazo processual, situação inadmissível para quem se encontra cautelarmente detido.legal. Não se utiliza, tampouco, a prorrogação do início da contagem de um sábado, quando o sujeito foi preso em flagrante, para a segunda-feira, quando há expediente forense. O prazo, nesta hipótese, começa a contar no próprio sábado. A prisão decorrente de flagrante obriga o término da investigação em dez dias, contado o dia em que ela se deu, uma vez que não se cuida de prazo processual, este sim possuidor de regra específica. Assim, a prisão deve ser restritivamente interpretada e não ampliada ao máximo sem que haja formal acusação. Quanto ao segundo fator – se a prisão for feita nas últimas horas do dia ou se a Comarca é distante – trata-se de questão alheia ao interesse do preso, cuja liberdade foi privada pelo Estado. Este que encontre mecanismos ágeis e eficientes para dar conta de findar a investigação no prazo legal. Aliás, problemas administrativos da polícia judiciária não podem influenciar na liberdade de ir e vir de qualquer indivíduo. CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL · Inquisitivo - nele não é observado os princípios do contraditório e da ampla defesa, pois não há acusação. É um procedimentodestinado à formação da opinio delicti do órgão acusatório.O inquérito é, por sua própria natureza, inquisitivo, ou seja, não permite ao indiciado ou suspeito a ampla oportunidade de defesa, produzindo e indicando provas, oferecendo recursos, apresentado alegações, entre outr · Sigiloso - O inquérito policial, por ser peça de natureza administrativa, inquisitiva e preliminar à ação penal, deve ser sigiloso, não submetido, pois, à publicidade regente do processo.As investigações já são acompanhadas e fiscalizadas por órgãos estatais, dispensando-se, pois, a publicidade.Entretanto, ao advogado não se pode negar acesso ao inquérito, pois o Estatuto da Advocacia é claro nesse sentido: Lei 8.906/94, art. 7.º – “São direitos do advogado: (...) XIV – examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital”. Em síntese, o sigilo não é, atualmente, de grande valia, pois, se alguma investigação em segredo precisar ser feita ou estiver em andamento, pode o suspeito, por intermédio de seu advogado, acessar os autos e descobrir o rumo do inquérito Além da consulta aos autos, pode o advogado participar, apenas acompanhando, da produção das provas orais. É consequência natural da sua prerrogativa profissional examinar os autos do inquérito, copiar peças e tomar apontamento das provas de natureza sigilosa, quanto à sua produção, como uma interceptação telefônica, por exemplo, não comportam o acompanhamento do advogado. Este somente tomará conhecimento quando finda e juntada aos autos do inquérito. · Indisponível - Após sua instauração, o inquérito policial não pode mais ser arquivado pela autoridade policial. O arquivamento deve ser determinado pelo Juiz de direito, que apenas poderá fazê-lo após requisição do Ministério Público.Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. · Dispensável - O inquérito não é obrigatório, é dispensável. Caso o titular da ação penal, em regra o MP, já tenha os dados suficientes para o embasamento da denúncia, o IP não é necessário. RELATÓRIO FINAL A autoridade policial deve, ao encerrar as investigações, relatar tudo o que foi feito na presidência do inquérito, de modo a apurar – ou não – a materialidade e a autoria da infração penal. Ainda assim, pode o representante do Ministério Público não se conformar, solicitando ao juiz o retorno dos autos à delegacia, para a continuidade das investigações, devendo, nesse caso, indicar expressamente o que deseja. Se a autoridade policial declarar encerrados os seus trabalhos, relatando o inquérito, não é cabível que os autos retornem para o prosseguimento, sem que seja apontado o caminho desejado. Por outro lado, a falta do relatório constitui mera irregularidade, não tendo o promotor ou o juiz o poder de obrigar a autoridade policial a concretizá-lo. Trata-se de falta funcional, passível de correção disciplinar. É natural que, determinando a lei que o relatório seja feito, a autoridade policial deve prezar a sua função, concretizando-o, o que não impede, em absoluto, ainda que o faça de modo muito resumido ou confuso, o prosseguimento do feito. Aliás, é o mais adequado, pois o relatório não tem nenhuma utilidade probatória para a para a instrução do processo, destinando-se ao esclarecimento do promotor acerca do que foi feito pelo Estado-investigação. Só pode ser feito o relatório final quando houver indícios de autoria e materialidade, gerando portanto justa causa INDEFERIMENTO DE NOVAS DILIGÊNCIAS REQUERIDAS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO - O juiz não deve indeferir o requerimento formulado pelo representante do Ministério Público, quando solicitar novas diligências para formar o seu convencimento, ainda que a autoridade policial já tenha apresentado o relatório final. Afinal, sendo ele o titular da ação penal, pode necessitar de outras colheitas, antes de ofertar a denúncia ou pedir o arquivamento. TERMO CIRCUNSTANCIADO É um substituto do inquérito policial, realizado pela polícia, nos casos de infrações de menor potencial ofensivo (contravenções penais e crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, cumulada ou não com multa). Assim, tomando conhecimento de um fato criminoso, a autoridade policial elabora um termo contendo todos os dados necessários para identificar a ocorrência e sua autoria, encaminhando-o imediatamente ao Juizado Especial Criminal, sem necessidade de maior delonga ou investigações aprofundadas. É o que dispõe a Lei 9.099/95, no art. 77, § 1.º: “Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente” (grifamos). ARQUIVAMENTO DO IP Quando não há justa causa para oferecimento da denúncia.Encerradas as investigações policiais e remetidos os autos do inquérito policial ao Ministério Público, há quatro providências que o titular da ação penal pode tomar: a)oferecer denúncia; b)requerer a extinção da punibilidade (por exemplo, pela ocorrência de prescrição); c)requerer o retorno dos autos à polícia judiciária para a continuidade da investigação, indicando as diligências a realizar; d)ordenar o arquivamento (por ora, continua requerendo ao juiz, por conta da liminar do STF, que suspendeu a eficácia da nova redação do art. 28 do CPP). Somente o Ministério Público, titular da ação penal, órgão para o qual se destina o inquérito policial, pode pedir o seu arquivamento, dando por encerradas as possibilidades de investigação. Não é atribuição da polícia judiciária dar por findo o seu trabalho, nem do juiz concluir pela inviabilidade do prosseguimento da colheita de provas. A vítima do crime pode não concordar com o arquivamento e apresentar seu inconformismo à instância superior do MP, no prazo de 30 dias. Eis porque o Ministério Público deve aguardar esse prazo para decidir acerca do arquivamento de forma definitiva. Tratando-se de ação penal relativa a crimes cometidos contra a União, os Estados e os Municípios, a revisão do arquivamento pode ser pleiteada pela chefia do órgão estatal respectivo. Utilização do art. 28 do CPP no caso da suspensão condicional do processo Estabelece a Lei 9.099/95 (art. 89) a possibilidade de o representante do Ministério Público propor, para crimes cuja pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, a suspensão do processo, por dois a quatro anos, fixadas determinadas condições (§ 1.º do referido art. 89), desde que haja merecimento do acusado. É o que se denomina sursis processual. Nasceu, no entanto, polêmica a respeito de ser esta proposta de suspensão do processo uma faculdade do promotor ou um direito do réu. Adotando-se a primeira posição, quando não concordar com a recusa do Ministério Público em ofertar a proposta, o juiz deve valer-se, por analogia, do disposto no art. 28 do CPP, enviando os autos à instância superior do MP. Se esta entender cabível o sursis processual, designará outro membro do MP para fazê-lo. Se entender inapropriado, comunicará ao juiz. Por enquanto, por força de liminar do STF, o art. 28, caput, está com a eficácia suspensa. Então, o juiz mandará os autos subirem ao Procurador-Geral de Justiça para que concorde ou não com a proposta da suspensão condicional do processo. ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO E INDIRETO O arquivamento Implícito ocorre quando o parquet não inclui na denúncia um indiciado, ou em se tratando de mais de um crime, não inclui todos eles. A exemplo da denúncia em face de três acusados, porém a mesma é oferecida apenas em face de dois deles; na mesma casuística, suponha que a denúncia seja oferecida em face de três indivíduos acusados de praticar dois crimes distintos, mas o Ministério Público, na denúncia, imputa-lhes a prática de somente um crime.