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M206 - Tutorial 05 Mario Felipe Alves da Silva T2018.2 Introdução As queimaduras são definidas pela Sociedade Brasileira de Queimaduras como feridas traumáticas causadas, na maioria das vezes, por agentes térmicos, químicos, elétricos ou radioativos e são consideradas um importante problema de saúde pública. A literatura de medicina intensiva da USP define a queimadura como uma forma grave de trauma, a qual as lesões físicas desencadeiam significativas alterações na homeostase, possíveis sequelas motoras além de estresse psicológico, sem mencionar os custos financeiros dentro da saúde pública. Epidemiologia Queimaduras são comuns e a maioria são em áreas pequenas no corpo e se resolvem em tratamento ambulatorial mesmo. Mas, em alguns casos mais complexos, existe a necessidade de irem para tratamentos específicos de queimados, é necessário serviço de UTI de maneira frequente quando as lesões são muito extensas, e apresentam um alto grau de morbimortalidade durante a internação segundo a literatura da USP. No Brasil, não existe um banco nacional com informações sobre queimaduras, e as estatísticas ainda são muito deficitárias, principalmente pelo fato de não ser um diagnóstico de notificação compulsória e não existir sistematização de registro do evento. No Brasil, a principal fonte de informação a respeito vem do SIH/SUS - Sistema de Informações Hospitalares, que abrangem só 75% da assistência médico-hospitalar no Brasil. Segundo os dados, a maioria das vítimas, no Brasil, são homens entre 20 e 29 anos e crianças com menos de 10 anos. Sendo os agentes causais em crianças o escaldo, e chama em adultos. Classificação por Agente De acordo com o Medicina Intensiva da USP, os agentes são térmicos, químicos, elétricos ou radioativos. De acordo com a UFFRJ, tem-se nas queimaduras agentes físicos, químicos e biológicos. Dentre os físicos, há subclassificações, como temperatura, eletricidade e radiação. Em temperatura, alguns exemplos são vapor, água quente ou chama. Em eletricidade, alguns exemplos são rios, ou corrente elétrica. Em radiação, alguns exemplos são aparelhos de raio X, sol, raios ultra violetas, nucleares, entre outros. Dentre os químicos, têm-se os produtos químicos, como ácidos álcool, gasolina, etc. Dentre os biológicos, têm-se animais, como lagartas de fogo, águas-vivas, medusas e alguns vegetais, como látex de certas plantas e urtigas. Classificação por Grau A classificação por grau consiste de acordo com a profundidade do local atingido: Daí têm-se 3 graus, os quais seriam: A queimadura de 1º Grau, que com espessura superficial, afeta somente a epiderme e não forma bolhas, se apresentando como eritema, edema e dor. Por volta de 4 a 6 dias as lesões se curam. E esse grau não deve entrar na quantificação de Superfície Corporal Queimada (SCQ). A queimadura de 2º Grau, afeta a epiderme e parte da derme, formando bolhas e flictenas, flictena que é uma elevação coberta por epitélio contendo líquido e com mais de 1 cm, que acontece porque o sistema linfático, manda líquido pra ajudar a conter a queimadura e evitar perda de sais minerais e água. Esse grau é dividido como mostra o slide entre o grau parcial superficial e o grau profundo. No qual na parcial superficial a base da bolha é rósea, úmida e dói bastante, e nas lesões de base profunda, a base da bolha é branca, com pouca secreção e com menos intensidade da dor. Já a queimadura de 3º Grau, afeta a epiderme, a derme e as estruturas profundas. A ferida é esbranquiçada ou preta e é indolor. Não reepiteliza e necessita de enxerto. Superfície Corpórea Queimada Um dos passos iniciais no tratamento de queimados é fazer a quantificação da área queimada. É importante fazer esse cálculo para que seja estimada a quantidade de fluidos durante a fase inicial de reanimação e como parâmetro da estimativa de calorias na terapia nutricional. O método mais fidedigno é pelo diagrama de Lund e Browder. Diagrama de Lund e Browder: leva em consideração as proporções do corpo em relação à idade. A porcentagem de SCQ é o resultado da soma de todas as regiões atingidas. Outra forma de avaliar a extensão das queimaduras pequenas ou localizadas, é comparar com a superfície da palma da mão do acidentado que corresponde mais ou menos a 1% da superfície corporal. Para queimaduras maiores e mais espalhadas, se usa a regra dos 9% que consiste em: De frente: 9% rosto, tórax, abdome, perna direita, esquerda, os braços, 1º órgãos genitais = 55% sub-total. De costa: 9% na região das costas, abdome, perna direita, esquerda, os 2 braços= 45% sub-total. Complexidade das Queimaduras Na complexidade de queimaduras se divide em queimado leve, moderado e grave. A tabela, vocês já conhecem do tutorial, mas o importante aqui é perceber que a classificação difere entre adultos e crianças. Cuidados à Admissão do Grande Queimado Quando o paciente queimado grave é recebido no hospital, o atendimento obedece protocolo. Então, esse paciente queimado grave tem que ser encarado, segundo a literatura da USP, como vítima de trauma, então a gente aplica o ATLS. Tem que ser observado também o calendário de vacina desse paciente, porque a queimadura favorece a proliferação do bacilo do tétano (Clostridium Tetani), então se o paciente não vacinou contra tétano, tem que vacinar. A gente aplica o ATLS, nessa tabela não consta, mas o X que faz parte do protocolo de ATLS mais atualizado, se refere a Exsanguinação, que é o manejo durante a contenção de hemorragias externas graves, inclusive nos casos de queimadura, porque pode haver lesão dos vasos sanguíneos em queimaduras graves. Depois disso, se tem que fazer a limpeza da ferida do paciente. Aí então, calcular o SCQ que a gente já comentou anteriormente. Depois disso, fazer o curativo oclusivo que pode ser feito em 4 camadas: a atadura de morim ou de tecido sintético (rayon) com antimicrobiano tópico como a sulfadiazina de prata 1% associada ao nitrato de cério 0,4%, gaze absorvente, algodão hidrófilo e a atadura de crepe. É recomendado troca do curativo e higiene do paciente 2 vezes ao dia. É recomendado o uso de heparina de maneira profilática para evitar hemorragia digestiva alta e trombose venosa profunda, com exceção nos dias que forem feitos desbridamento e enxerto. Verificar durante a admissão a história do paciente e dos acompanhantes para ver se sugere suicídio, dentro dessa dúvida, tem que se pedir avaliação psiquiátrica. Fisiopatologia da Resposta Inflamatória no Paciente Queimado O grande queimado desenvolve SRIS, que é a Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica. Esse processo inflamatório acontece nos locais de queimadura pela ativação da cascata do ácido araquidônico, da cascata da calicreína-bradicinina, ativação do fator Hageman (Fator XII) e do sistema de coagulação/fibrinólise. Devido a essas cascatas vão ser liberadas histamina, prostaglandinas, cininas e serotonina, que vão acabar induzindo a permeabilidade da vascularização local e também causam vasodilatação. A literatura diz que para efeitos didáticos, a gente consegue dividir a resposta fisiológica em duas fases. A primeira fase, com início nas primeiras 48h após o trauma térmico, vai procurar um burn shock, que em outras palavras seria um conjunto de reações, as quais seriam nesse caso hipovolemia, baixo débito cardíaco e alta resistência vascular periférica. E a segunda fase, que se inicia 48h após o trauma, já é uma resposta às reações hipermetabólicas iniciais das primeiras 48h, são alto débito cardíaco e baixa resistência vascular periférica. - Um detalhe em relação a essas citocinas pró-inflamatórias, como a TNF e IL-1, promovem uma resposta anti-inflamatória compensatória numa tentativa de conter a inflamação sistêmica, e elas fazem isso liberando alguns mediadores como IL-10 e TGF-Beta. A consequência disso é que a reação desses agentes vai promover uma imunossupressão forte, o que facilita a instalação de infecções e a em razão disso se tem um aumento da intensidade da Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica. Reanimação Volêmica Inicial:Fórmula de Parkland. Bom, aqui o que acontece é o seguinte: O burn shock, que é o choque no paciente queimado que acontece na primeira fase da resposta fisiológica, que eu já falei, que é composto pela hipovolemia, baixo débito cardíaco e alta resistência vascular periférica, acontece por causa da liberação dos mediadores inflamatórios que a gente já comentei também, e isso vai desenvolver um processo de disfunção circulatória. Esse processo leva a uma perfusão tecidual deficiente, o que vai causar acidose lática e posteriormente disfunção de múltiplos órgãos e sistemas. Então, esse tópico de reanimação volêmica inicial no burn shock tem como objetivo recuperar a volemia e o desempenho cardíaco, e manter a perfusão tecidual normal. Nesse slide tem uma ilustração da fórmula de Parkland para a reanimação volêmica inicial que defendiam a utilização de Ringer lactato durante as primeiras 24 horas depois do trauma térmico e uso de colóides, como albumina, só no segundo dia. O uso de fórmulas de reanimação volêmica é bom porque facilita o atendimento por equipes sem muita experiência com casos de queimadura grave, e facilita o atendimento também em locais que não existe um suporte estrutural complexo para atender esses pacientes graves. Mas são apontados alguns contrapontos, e o uso das fórmulas não é um consenso. 1. Muitos pacientes têm uma boa evolução, como previsto pela fórmula, com um débito urinário okay, mas ainda continuam em estado de hipoperfusão tecidual, com nível alto de lactato. 2. Outro ponto, é que em pacientes que tiveram lesão inalatória ou traumas múltiplos podem precisar de maior quantidade de volume do que o que a fórmula prevê. 3. A maioria das fórmulas diz que tem que ser feita a utilização de cristaloides durante as primeiras 24h de reanimação volêmica, porque durante esse período a permeabilidade na microcirculação estaria muito aumentada, então a infusão de colóide nessa fase iniciação aumentaria muito a pressão oncótica no interstício, o que causaria agravamento dos edemas. Então, o que que acontece? O consenso que existe é que a reanimação volêmica, segundo a literatura da USP, não apresenta evidências científicas robustas, o consenso é que a utilização das fórmulas de reanimação volêmica no queimado grande tem como único objetivo uma estimativa inicial do volume a ser administrado nas primeiras 24 horas. Lesão Inalatória Sobre esse tópico, o conceito, segundo a literatura, diz que lesão inalatória é um termo usado para definir lesões causadas pelo contato do sistema respiratório com gases aquecidos, fumaça ou compostos químicos irritantes ou tóxicos. Essa injúria é responsável por um impacto forte nos números da morbimortalidade do queimado grave. O diagnóstico de lesão inalatória é feito de maneira clínica e exame físico, e são confirmados por métodos diagnósticos, como a broncoscopia. Na broncoscopia das vias aéreas superiores e de traqueia os sinais mais sugestivos de lesões inalatórias são a presença de edema e eritema (Rubor causado por vasodilatação), ulcerações nas vias aéreas inferiores ou presença de fuligem na árvore traqueobrônquica. A identificação de pacientes com edemas grandes na região supraglótica e consequentemente risco elevado de obstrução súbita das vias aéreas superiores é uma indicação de intubação precoce, como é mostrado nessa imagem do slide. Em todos os pacientes com suspeita de lesão inalatória se tem que fazer a dosagem de carboxiemoglobina, por conta da possibilidade de intoxicação por monóxido de carbono e cianeto. O monóxido de carbono causa hipoxemia com manifestações principalmente no SNC enquanto o cianeto causa inibição da fosforilação oxidativa mitocondrial, o que faz as células trabalharem de forma anaeróbica, causando uma acidose metabólica grave. Tratamento Clínico O tratamento desses pacientes é principalmente baseado no suporte até que o sistema respiratório do paciente esteja recuperado. Se tem que administrar oxigênio úmido aos pacientes, principalmente os que tiverem suspeita de intoxicação por monóxido de carbono, e em pacientes com suspeita de intoxicação por cianeto, se tem que administrar a hidroxicobalamina, porque ela se liga ao cianeto e forma a cianocobalamina e essa é eliminada pela urina. Alguns pacientes precisam de intubação e as indicações são estado mental alterado, iminência de obstrução das vias aéreas superiores por edema e insuficiência respiratória. Como, provavelmente, a intoxicação causa lesões graves no epitélio, é preciso que seja feita fisioterapia respiratória para que a capacidade ventilatória melhore. Em alguns casos, a broncoscopia também tem que ser feita de maneira com fim de tratamento mesmo, fazendo uma limpeza nos brônquios distais. Algumas lesões podem causar broncoespasmo, por causa da traqueobronquite, nesse caso se usa fenoterol ou salbutamol, para causar uma broncodilatação e melhorar assim a complacência respiratória e facilitar o fluxo de ar. Em algumas situações o paciente não responde a essa conduta, daí nesse caso específico se usa corticóide por um curto período de tempo, porque caso contrário a imunossupressão causada pelo corticóide pode dificultar o processo de cicatrização das lesões. Os antibióticos também têm que ser administrados só em casos que já se tem confirmado infecção pulmonar, aí sim se faz o uso, de maneira profilática não se faz nesses pacientes. Suporte Ventilatório Bom, nessa questão, acho que é só para indicar que o paciente quando tem necessidade de ventilação mecânica, se deve utilizar uma estratégia ventilatória protetora obrigatoriamente. Daí, é preconizado, de acordo com a literatura da USP, o método de pressão de platô menor que 30cmH2O e volume corrente baixo com Vt de 4 a 6 mL/Kg de peso. A Pressão positiva expiratória final tem que ser colocada numa pressão suficiente para manter os alvéolos abertos, evitando que eles fiquem abrindo e fechando. Trauma Elétrico e Rabdomiólise Bom, as lesões de trauma elétrico podem ser leves, desde uma extensão de um ponto até necrose extensa de todas as estruturas de uma área do corpo. O que acontece é que essas lesões extensas se comportam como síndrome do esmagamento, e os músculos que sofrem lesões podem levar à rabdomiólise. Em um indivíduo com esse tipo de trauma, quando a corrente elétrica passa pelos tecidos, pode ocorrer lesão do tecido tanto por liberação de calor no local quanto pela destruição das membranas celulares por eletroporação, que é o aumento da permeabilidade da célula. A gravidade da lesão vai ser definida pela voltagem (tensão), a amperagem e pelo tipo de corrente, se é alternada e contínua, e por que? Porque a corrente alternada produz um tipo de contratura que mantém a vítima presa ao condutor elétrico e pode levar rápido a uma parada cardiorrespiratória, por isso é considerada a mais perigosa. Enquanto a corrente contínua causa uma contratura muscular que afasta a vítima do condutor, o que interrompe o circuito. Já dentro das características de tensão, ou voltagem, as correntes acima de 1000 V. que são as correntes de alta voltagem são as causas mais comuns de queimadura extensa e causam grande necrose local, elas também podem causas depressão do centro respiratório e como consequência parada respiratória. Enquanto as correntes de baixa tensão causam queimaduras menos extensas, mas podem matar porque causam fibrilação ventricular. Tá, e o que a rabdomiólise tem a ver com isso? É que a rabdomiólise é a destruição do tecido muscular esquelético que pode acontecer em algumas situações, mas é comum a relação dela com traumas elétricos, porque quando a corrente elétrica passa a gente tem a destruição das células musculares, daí a o conteúdo intracelular é liberado na corrente sanguínea e isso pode trazer alguns problemas grave, como por exemplo quando a mioglobina vai ser filtrada no glomérulo e chega nos túbulos causa toxicidade nas células renais, causando necrose tubular, e como consequência disso insuficiência renal aguda (IRA). Terapia Nutricional Logo depois do trauma do pacientequeimado ele começa a ter alterações metabólicas, como eu cheguei a comentar, e isso causa perda de massa magra e força muscular, daí desencadeia diante disso uma desnutrição e deficiência do sistema imune. Além disso, o paciente cria resistência à insulina e também tem hiperglicemia. Como a taxa metabólica varia de paciente para paciente, é preciso que seja feita uma avaliação individualizada em relação às necessidades nutricionais. Então pra facilitar se faz uma estimativa da necessidade calórica do paciente de acordo com a extensão da SCQ e a idade. E a fórmula mais comum é a Fórmula de Curreri. Que seria o peso do paciente multiplicado por 25, esse resultado se somaria à porcentagem, em porcentagem mesmo, de SCQ multiplicado por 40, e o resultado é dado em Kcal/dia. Analgesia e Sedação Controlar a dor dos pacientes queimados não tem a ver só com trazer conforto pro paciente, mas também porque tem um impacto direto na sobrevida desses pacientes e também na reabilitação. Os opióides ainda são mais usados, mesmo com os efeitos adversos que podem vir a acontecer, e o padrão ouro ainda é a morfina. Existem outros analgésicos também similares, que podem ser usados, mas a eficácia deles no quesito alívio é sempre feita em relação à morfina e existe inclusive uma tabela do Gutstein, que o Emergência da USP trás também, no qual ele mostra alguns exemplos, como codeína, tramadol, o famoso tramal, e oxicodona, sendo que a potência analgésica da morfina é considerada 1, enquanto oxicodona seria de ⅙ a 1/10, tramadol com potência de ⅙ a 1/10 também e oxicodona com potência de 1 a 2, tendo um efeito analgésico até mais forte do que a morfina por exemplo. Não se usa AINEs ou AINH, por causa do risco alto de disfunção renal e sangramento digestivo. Além disso, como a dor é meio foda para vítimas desse tipo de trauma, são usadas algumas medicações adjuvantes que potencializam o efeito analgésico, daí alguns exemplos são gabapentina, que é um anticonvulsionante análogo de GABA e que também ajuda a combater o prurido que é bem comum no paciente queimado e causa bastante desconforto, e a amitriptilina, que é um medicamento antidepressivo que também é usado pra enurese noturna em alguns casos. Em alguns casos de muita ansiedade também são usados benzodiazepínicos para diminuir o desconforto, só que não tem propriedade analgésica, mas ainda assim é importante usar quando for necessário pro melhor conforto do paciente. Controle de Infecção e Terapia Antimicrobiana É importante que se faça controle da infecção e a terapia antimicrobiana porque 85% dos óbitos no tratamento de pacientes queimados são por infecção. Então, primeiro é importante que seja sempre feita uma higienização dedicada tanto do profissional quanto do paciente. Principalmente porque o paciente queimado perde a barreira mecânica já de cara quando sofre esse tipo de lesão, então fica mais fácil a entrada de microorganismos, sem falar na imunodepressão que também acontece pela liberação de citocinas, tudo isso somado aos procedimentos invasivos, como os cateteres, sonda e ventilação mecânica é um prato cheio para infecções. Então, é importante manter esse paciente sob vigilância constante. Na lesão infectada a gente consegue ver macroscopicamente mesmo que o aspecto muda, então fica visível o exsudato purulento, petéquias e celulite na área ao redor da queimadura. Daí se faz a biópsia para confirmação e quando não for possível, os achados clínicos associados a uma piora da leucocitose são suficientes para o diagnóstico. Daí a terapia antimicrobiana profilática não se faz, acho que eu já cheguei a comentar isso mais cedo, porque não se tem registro de que isso realmente é significativo e além disso cria bactérias multirresistentes, então não se faz mesmo. A única exceção é quando houver cirurgia de desbridamento e enxerto e isso só no perioperatório e por no máximo 24h.