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Aula 2 Quando A Raiva se Torna um Sintoma- Treino Cognitivo de Controle da Raiva Julio Rafael vosscontato@gmail.com (11)93281-2350 about:blank OBJETIVOS O QUE É A RAIVA? RAIVA – SEU PERCURSO PSICOFISIOLÓGICO A RAIVA EXCESSIVA E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA O SER HUMANO O TREINO COGNITIVO DE CONTROLE DA RAIVA (TCCR) A presença da raiva como sintoma Transtornos de Humor (a raiva é transformada em mágoa, desalento, tem relação com tentativas de suicídio) Transtorno de Personalidade Borderline raiva inadequada ou intensa, com dificuldade de controle, demonstrações frequentes de irritação, atos agressivos). Transtorno de Deficit de Atenção (quando a pressão se torna excessiva para a pessoa). Transtorno do Estresse Agudo (surtos de irritabilidade e raiva.) Transtornos Depressivos (Aumento da irritabilidade) Transtorno Explosivo Intermitente (explosões de raiva) Transtorno de Personalidade Paranoide (percebe ataques à sua reputação que não são visíveis pelos outros e reage contra-atacando com raiva intensa.) A Raiva é boa ou ruim? A raiva em si não é uma emoção boa ou má, ela é energia, é força. Defender-se frente a insultos, injustiças, maldades. No caso de autodefesa, pode ser útil, pois fornecerá a energia, o poder para reagir de forma mais eficaz. Fomos geneticamente preparados para sentir raiva em momentos em que precisamos nos defender e neutralizar o inimigo fisicamente. Quando é frequente demais, intensa, duradoura, leva a agressão física ou verbal, perturba o trabalho ou as relações interpessoais, aí ela se torna um problema. Componentes da Reação de Raiva: São cognições Reações emocionais Reações físicas Comportamentos. Mecanismo neuropsicológico da raiva Todas as emoções são processadas pelo sistema límbico que tem como centro a amígdala. Quando a amígdala recebe uma mensagem de perigo, real ou imaginário, o organismo se altera, fica energizado por meio da transformação de proteínas e gorduras em açúcar e se torna, então, pronto para a ação de lutar ou fugir. O coração se acelera para fazer circular no corpo todos os hormônios recém-produzidos do stress e da raiva, as pupilas se dilatam, a pressão arterial aumenta, o sistema digestório é inibido. Essas mudanças tem a função de aumentar a energia e o vigor do organismo, a fim de que a pessoa possa se defender de alguma ameaça. “FIQUEI CEGO DE RAIVA” Raiva : Estado ou Traço? ESTADO TRAÇO É caracterizada pela sua curta temporalidade; como a pessoa se sente em determinado momento; Varia desde uma certa irritabilidade até a fúria; A intensidade do estado de raiva depende da percepção que a pessoa tem do evento que ela esteja vivenciando. É a tendência a perceber diversas situações como desagradáveis e frustrantes, gerando elevações mais frequentes no estado de raiva. Dois componentes: • temperamento; • sua expressão (aprendido na cultura/família). Reação da Raiva Raiva para fora: falas, expressões e ações dirigidas para outras pessoas ou objetos do meio. Exemplo: Bater ou quebrar coisas, criticar, insultar, usar de sarcasmo, ameaçar... Raiva para dentro: supressão do sentimento. Raiva que não é expressa claramente Pensamentos suicidas; Raiva no trânsito; Machucar-se por descuido ou por impulsividade; Pensamentos negativos sobre todos ao seu redor, criticar com frequência usar sarcasmo, dificuldade de relaxar competitividade excessiva dificuldade em aceitar críticas e dificuldade de aceitar a opinião dos outros e sentir que a vida é constantemente uma batalha Tipos de Pessoas com Raiva O que Suporta Tudo O Reclamador: O Debatedor: O Agressor: Pessoa que passa por humilhações e injustiças e não toma nenhuma atitude. Tem dores de estômago tensão muscular e insônia. Tudo sai errado em sua vida e não assume a responsabilidade de tomar a direção dos eventos e resolver os problemas. É sempre culpa dos outros. Sente-se desamparado. Sua passividade o impede de assumir a liderança de sua vida e sua reclamação constante serve para alimentar a sensação de que a vida é injusta. Não respeita os direitos dos outros nem as opiniões contrárias às suas. A raiva está por trás de seu comportamento debatedor Aquele que utiliza a violência física quando perde o controle. Xinga, humilha e finalmente agride, sem ou com pouca provocação. Briga e agride quando se sente frustrado. DISTORÇÕES COMUNS Leitura mental – "Eu nem perguntei por que ele estava zangado comigo, eu já sabia, já saí discutindo” Pensamento tudo ou nada – “Se não é meu amigo é meu inimigo!” Supergeneralização – “Sou muito azarado, sempre encontro gente lenta”. Catastrofização – “é terrível que minha namorada tenha viajado sem mim!” Personalização – “Se a empresa não fechar este contrato é culpa minha” TCCR - Treino Cognitivo de Controle da Raiva. TRATAMENTO O Treino Cognitivo da Raiva (TCCR) OBJETIVOS: Desenvolver a habilidade de distinguir quando a raiva é JUSTA e ÚTIL ou quando é EXCESSIVA, INJUSTA, OU INADEQUADA. A) Identificar cognições, perceber as sensações físicas e emocionais que antecedem a expressão da raiva B) Utilizar a reestruturação cognitiva e a parada de pensamento, a fim de mudar as cognições que acompanham a reação de raiva. Respiração profunda e relaxamento para redução da excitabilidade fisiológica; C) “Ação Responsável”, ou seja, emissão de um comportamento que resolva a situação de forma adequada; D) Autorreforço pelo controle da raiva quando isso tiver ocorrido PASSO 1 Relato de algum episódio de expressão da raiva do qual não gostou. Como se sente ao expressar a raiva do modo que geralmente o faz? Que consequências tem para si mesmo e para os outros? Por que quer mudar? Por que está preocupado com a raiva? Cite algo que perdeu por causa do modo de expressar a raiva. A raiva causa estresse? Como isso ocorre? Tenho direito de ter raiva? Por que se preocupar com a raiva? Tarefa de casa: Anotar quantas vezes sentiu raiva durante a semana. PASSO 2 Discutir a tarefa de casa; registrar para comparação futura. Questionar se após ouvir o que foi discutido na sessão anterior se fez algo diferente. Perguntas a responder: Quando a sua raiva é válida? – É sempre válida. É seu direito. Valide sua raiva. Não a critique, não se culpabilize, não finja que ela não está aí. Mas cuidado com o que faz com ela. Quando a sua raiva é inútil? Pergunte a si mesmo: “Minha raiva está me ajudando nesta situação?” Quando a sua raiva é justa? Quando não envolve distorção cognitiva e está no seu direito de contestar injustiças, maustratos etc. Minha raiva está direcionada a alguém que propositadamente e sem necessidade agiu de forma cruel, rude ou agressiva comigo?” PASSO 2 Discutir as seguintes declarações: “Se quiser ter prazer por um minuto, vingue-se, se quiser ter paz por toda a vida, aprenda a perdoar”. “Não vou ficar à mercê de qualquer tolo que resolva me provocar” “Quem tem o controle das emoções tem o poder” “Que triste que esta pessoa esteja tão fora de si”. Exercício: Mencionar dois modos típicos de expressar sua raiva e pensar em alternativas mais eficazes. PASSO 3 Levantamento de eventos eliciadores da raiva Como eu pensaria se fosse com ele? Exercícios de respiração profunda Tarefa de casa: Manter o registro do sentimento de raiva e dos comportamentos subsequentes. VÍDEO: RESPIRAÇÃO CONSCIENTE. PASSO 4 Rever os registros Avaliação racional mínima x avaliação racional máxima. Reações físicas – Complete a frase: "Quando estou com raiva sinto vontade de... “ “Quando estou com raiva sinto no meu corpo...” Exercício de respiração profunda e diálogo interior: “O que tenho vontade de dizer/fazer neste minuto posso fazer depois de pensar em tudo, se achar que devo”. Discutir o conceito de ação responsável.Técnica da ação responsável “Diante de uma situação difícil, questione: Vale a pena? O que é que eu vou ganhar com isto? Quais serão os benefícios e as perdas? A ação responsável é aquela que me ajuda a me sentir melhor, porque consegui reconhecer meu sentimento, usei um pensamento racional e, consequentemente, meu comportamento foi responsável. " PASSO 5 Discutir os estilos de raiva: para fora e para dentro. O que faz passar a raiva? Diálogo interno, relaxamento e respiração. Rever as 4 frases sobre a raiva Pensar na última vez que sentiu raiva... Da próxima vez que ação responsável eu posso tomar? PASSO 6 Como expressar sentimentos sem ser agressivo. Como aprenderam a expressar a raiva? Pais, professores, cônjuges.. Como evitar a armadilha da raiva? Expectativas como fontes previsíveis de raiva. A técnica do time-out (TO); isolar-se da situação que gera raiva até ter controle. Dizer para a pessoa que está lhe dando raiva: Discutir os componentes dessa frase. Exemplo: “eu” em vez de xingar; “começando a sentir raiva” está validando o sentimento; “vou sair de perto” envolve ação responsável. Saia por uma hora de perto até se acalmar. Anteriormente, explique para as pessoas mais próximas o que é o TIME-OUT; se não explicou, saia de todo modo. Não beba ou use drogas, isso só piora. Faça algo produtivo (exercício, ginástica, andar, ler etc). Use o TO como prática. PASSO 7 Como escutar o próprio corpo. Quando ele fala, ele não quer contra-argumentos, mas, sim, ações responsáveis. Diferencie o que são: frustrações, irritações, abusos e injustiças. Exercício: Fechar os olhos e pensar em alguma provocação que em geral lhe dá muita raiva. Respire fundo e relaxe. Mantenha a imagem vivida até que consiga relaxar completamente. VÍDEO: A CASA E OS HÓSPEDES( Mindfulness)\ Relaxamento Progressivo Passo 8 - Revisão 11 PASSOS PARA O CONTROLE DA RAIVA 1. Reconheça que está com raiva. 2. Aprenda a reconhecer o que dá raiva em você. 3. Aprenda a reconhecer as três etapas da raiva: pensar, sentir e agir. 4. Entenda que algo só se torna uma provocação se você achar que é. 5. Entenda que as reações físicas da raiva têm o poder de aumentá-la. 6. Compreenda que reagir agressivamente é o final de um processo, portanto, é possível controlar-se. 7. Sempre domine a raiva no início, para isso mude sua conversa consigo mesmo. Passo 8 - Revisão 8. Quando perceber que a raiva está aparecendo no seu corpo, experimente dizer para si mesmo: “Preciso tomar cuidado para não deixar a raiva me dominar”, “Não vou correr o risco de ficar doente por causa da minha raiva”, “Quem mantém a calma mantém o controle”, “Posso assumir o controle das minhas emoções”. 9. Lembre-se de respirar profundamente. 10. Tente encontrar modos de por para fora a raiva; por exemplo, faça ginástica, caminhe, dance, cante, ria, seja positivo, converse sobre ela. 11.Quando já estiver em controle da sua raiva, tente resolver a situação que o fez ficar tão aborrecido VÍDEO -FLUTUAÇÃO DE MODOS Não há nada que eu queira dizer agora que não possa dizer depois de ter pensado melhor a respeito, se achar que devo. TCCR Referências Bibliográficas LIPP, Marilda Emmanuel Novaes; MALAGRIS, Lucia Emmanoel Novaes. Treino Cognitivo do Controle da Raiva: o passo a passo do tratamento. Rio de Janeiro: Cognitiva, 2010. 144 p.