Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

0 
 
 
 
 
ECONOMIA 
APLICADA 
PROF: DR. RENATO ELIAS FONTES 
UFLA - 2012 
 
1 
 
SUMÁRIO 
1.1 INTRODUÇÃO ......................................................... 03 
1.1 Conceito ..................................................................... 03 
1.2 Histórico da Economia ........................................... 03 
1.3 Microeconomia e Macroeconomia ............................ 04 
1.4 Noções fundamentais de economia ......................... 05 
2. SISTEMA ECONÔMICO ........................................ 19 
2.1 Conceito ...................................................................... 19 
2.2 Formas de Organização da Atividade Econômica .... 19 
2.3 Fluxo Econômico ....................................................... 20 
2.4 Agentes Econômicos ................................................ 22 
3. MODELO DE MERCADO ......................................... 28 
3.1 Demanda e Oferta ..................................................... 28 
3.2 Mercados .................................................................... 30 
4. PRINCÍPIOS DA TEORIA DA PRODUÇÃO ........... 33 
4.1 Conceito ...................................................................... 33 
4.2 Função e Fatores de Produção.................................. 34 
4.3 Economias de Escala .............................................. 40 
5. CUSTO DE PRODUÇÃO ........................................... 43 
5.1 Conceito e Objetivos ............................................... 43 
5.2 Prazos ........................................................................ 44 
5.3 Classificação dos custos ........................................ 44 
5.4 Recursos Fixos e Recursos Variáveis ...................... 47 
5.5 Planilhas do Custo de Produção .............................. 49 
6. ANÁLISE ECONÔMICA SIMPLIFICADA .............. 57 
6.1 Conceitos ................................................................ 57 
2 
 
6.2Situações de Análise econômica da atividade produtiva. 59 
6.3 Ponto de Nivelamento, Resíduo e Cobertura ............. 61 
7. COMERCIALIZAÇÃO ............................................. 64 
7.1 Introdução ................................................................... 64 
7.2 Sistema de Comercialização ....................................... 65 
7. 3 Canais, Fluxos e Margens De Comercialização ........ 70 
7.4 Mercado Derivativo Agropecuário ............................. 73 
7.4.1 Mercado Futuro ................................................... 74 
7.4.2 Mercado De Opções ................................................ 85 
7.4.3 Mercado a Termo - Cédula de Produto Rural (CPR)... 91 
8. ENFOQUE MACROECONÔMICO ............................. 114 
8.1 Introdução ................................................................. 114 
8.2 Contas Nacionais ......................................................... 114 
8.3 Estrutura do Balanço de Pagamentos ......................... 128 
8.4 Políticas Macroeconômicas ........................................ 128 
8.5.Globalização ............................................................... 132 
9. GLOSSÁRIO ................................................................. 142 
10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA .............................. 148 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
1. INTRODUÇÃO À ECONOMIA 
 
1.1 Conceito 
 É uma ciência social que estuda como o 
indivíduo e a sociedade decidem empregar recursos 
produtivos escassos na produção de bens e serviços, de 
modo a distribuí-los entre as pessoas e grupos da 
sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas. 
Em qualquer sociedade, os recursos ou fatores de 
produção são escassos; contudo as necessidades 
humanas são ilimitadas, e sempre se renovam. Isso 
obriga a sociedade a escolher entre alternativas de 
produção e de distribuição dos resultados da atividade 
produtiva aos vários grupos da sociedade. 
 Com isto, por mais rica que a sociedade seja, os 
fatores de produção serão sempre escassos para efetivar 
a fabricação de todos os bens e serviços que essa mesma 
sociedade deseja. Ela terá que efetuar escolhas sobre 
quais os bens e serviços deverão ser produzidos, da 
mesma forma que os homens, contanto com os salários 
de determinado valor, não pode naturalmente consumir 
todos os bens e serviços que deseja, devendo escolher 
entre eles quais poderão adquirir e que estejam ao 
alcance de sua renda. Portanto, a ciência econômica é 
aquela que estuda a escassez ou que estuda o uso dos 
recursos escassos na produção de bens alternativos. 
 
1.2 Histórico da Economia 
 
 As primeiras manifestações do pensamento 
econômico surgiram na antiguidade As questões 
econômicas têm preocupado muitos intelectuais ao 
longo dos séculos. Na antiga Grécia, Aristóteles e Platão 
dissertaram sobre os problemas relativos à riqueza, à 
propriedade e ao comércio. Durante a Idade Média, 
4 
 
predominaram as idéias da Igreja Católica Apostólica 
Romana e foi imposto o direito canônico, que 
condenava a usura (contrato de empréstimo com 
pagamento de juros) e considerava o comércio uma 
atividade inferior à agricultura. 
 Como ciência moderna independente da 
filosofia e da política, destaca-se a publicação da obra 
An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of 
Nations (1776; Uma investigação sobre a natureza e as 
causas da riqueza das nações), do filósofo e economista 
escocês Adam Smith. 
 O mercantilismo e as especulações dos 
fisiocratas precederam a economia clássica. Essa parte 
dos escritos de Smith é desenvolvida na obra dos 
economistas do século XIX, como Thomas Robert 
Malthus e David Ricardo, e culmina com a síntese de 
John Stuart Mill. 
 Estes aceitaram a lei de Say sobre os mercados, 
fundada pelo economista Jean Baptiste Say. Nela, o 
autor sustenta que o risco de um desemprego maciço em 
uma economia competitiva é desprezível, porque a 
oferta cria sua própria demanda, limitada pela 
quantidade de mão-de-obra e os recursos naturais 
disponíveis para produzir, não podendo, portanto, haver 
nem superprodução nem desemprego. Cada aumento da 
produção aumenta os salários e as demais receitas 
necessárias para a compra dessa quantidade adicional 
produzida. 
 A oposição à escola do pensamento clássico 
veio dos primeiros autores socialistas do século XIX, 
como Claude Henri de Rouvroy, conde de Saint-Simon, 
e do utópico Robert Owen. Porém, foi Karl Marx o 
autor das teorias econômicas socialistas mais 
importantes. 
5 
 
 Na década de 1870, aparece a escola 
neoclássica, que introduz na teoria clássica as novas 
produções do pensamento econômico, principalmente os 
marginalistas, como William Stanley Jevons, Léon 
Walras e Karl Menger. O economista Alfred Marshall, 
em sua obra-prima, Principles of Economics (1890; 
Princípios de economia), explicava a demanda a partir 
do princípio da utilidade marginal e a oferta, a partir do 
custo marginal (custo de produção da última unidade). 
 John Maynard Keynes, defensor da economia 
neoclássica até a década de 1930, analisou a Grande 
Depressão em sua obra The General Theory of 
Employment, Interest and Money (1936; Teoria geral do 
emprego, do juro e da moeda), em que formulou as 
bases da teoria que, mais tarde, seria chamada de 
keynesiana ou keynesianismo. Tanto a teoria 
neoclássica dos preços como a teoria keynesiana da 
receita tem sido desenvolvida de forma analítica por 
matemáticos, utilizando técnicas de cálculo, álgebra 
linear e outras sofisticadas técnicas da análise 
quantitativa. Na especialidade denominada econometria, 
a ciência econômica se une com a matemática e a 
estatística. 
 
1.3 Microeconomia e Macroeconomia 
 
 A microeconomia ocupa-se da analise do 
comportamento das unidades econômicas, como 
famílias, ou consumidores, e as empresas. Estuda 
também os mercados onde operam os demandantes e 
ofertantes de bens e serviços. A perspectivano País 
com poupanças públicas e privadas, o segundo é feito 
no País com poupanças pertencentes a estrangeiros. 
 
Ligação entre Poupança e Investimento 
 Dentro da economia as pessoas que poupam não 
são as mesmas que investem. Os poupadores são os que 
fazem “economias”. A conversão da poupança em 
investimento é feita por um sujeito econômico especial: 
o Empresário. 
 Como a poupança e o investimento não são 
feitos pelas mesmas pessoas, a relação entre poupança e 
investimento pode encontrar-se em três situações: 
 poupança maior que o investimento (deflação); 
 poupança menor que o investimento (inflação); 
 poupança igual ao investimento (equilíbrio 
econômico). 
 Para corrigir tal situação o governo pode lançar 
impostos para absorver poupança excedente, 
empreender novas obras públicas, financiar 
investimentos a juros baixos, etc. 
Formação de Capital nos Diferentes Países 
 A formação de capital é uma preocupação 
permanente dos governos, quer na sua forma direta ou 
indireta. Pela grandeza do capital pode-se medir a 
grandeza social, política e econômica de uma nação. 
50 
 
Formação de capital no país pobre 
 Círculo vicioso enfrentado pelo país pobre: para 
investir precisa poupar, precisa de sobras, pobre não tem 
sobras e sem sobras não se investe, não investindo não 
produz, não produzindo continua pobre. Qual a saída? 
a) Auxílio Externo (Empréstimos, doações, Empresas 
Estrangeiras); e 
b) Sem Auxílio Externo (Aperfeiçoamento da 
agropecuária, Aumento da exportação, obtendo divisa). 
 
Formação do capital no país em desenvolvimento 
 Os países em desenvolvimento já possuem 
alguns recursos internos, fortunas particulares, recursos 
arrecadados pelo governo. 
 O seu desenvolvimento se dá através de 
recursos internos, de particulares e do próprio governo 
para a formação da bens de consumo e de capital, e 
também com empréstimos de governo para governo 
com o objetivo de acelerar o desenvolvimento. 
 Já possuem poupança para investimentos dentro 
do próprio país, em quantidades suficientes sob todas as 
formas. 
 O excesso de poupança dos indivíduos, 
empresas e governo são colocados no estrangeiro sob a 
forma de empréstimos. 
 
Tecnologia e Capacidade Empresarial 
 Nos dias de hoje acrescenta-se a tecnologia e a 
capacidade empresarial como recursos necessários à 
produção. 
 
Tecnologia 
 Conhecimento humano aplicado à produção. 
Alguns autores consideram a tecnologia como uma 
mercadoria: tem preço, pode ser adquirida e também se 
51 
 
torna absoluta. As nações subdesenvolvidas são 
potencialmente compradores de tecnologias originais 
das nações desenvolvidas. 
Royalities: Valores pagos ao detentor de uma marca, 
patente, processo de produção, produto ou obra original, 
pelos direitos de sua exploração comercial. Os 
detentores recebem porcentagem das vendas dos 
produtos fabricados. 
Inovação (Tecnologia) de Processo: Atinge o processo 
de fabricação, sem mudanças nas características do 
produto. Diminuição no tempo de fabricação do 
produto, redução no número de operações, 
racionalização no uso de matérias primas, etc... 
Inovação (Tecnologia) de Produto: Caracteriza uma 
inovação que leva a um produto novo, isto é, que 
apresentará certas peculiaridades que qualificarão um 
produto diferente daquele anteriormente oferecido. 
 
Capacidade Empresarial 
 Cabe ao empresário explorar uma invenção ou 
introduzir uma inovação de produto ou de processo, de 
abrir nova frente de oferta de bens e de serviços, novas 
utilidades para produtos conhecidos, reativação e 
reorganização de industrias, etc. 
 O tipo empresarial é definido pela reunião de 
aptidões presentes em uma pequena parcela da 
população, que levam à descoberta de oportunidades de 
investimento, ao financiamento da operação, à obtenção 
e utilização mais adequada dos recursos e à organização 
e coordenação das operações da forma eficiente. 
 
4.3 Economias de Escala 
 A longo prazo a empresa é capaz de ajustar-se 
totalmente a mudanças de circunstâncias, da forma que 
não existem fatores fixos. A empresa em cada nível de 
52 
 
produção procura alcançar o método produtivo com 
menor custo total, através da alocação ótima dos fatores 
produtivos. 
 A economia de escala ocorre em uma empresa 
quando os fatores produtivos estão sendo alocados de 
maneira eficiente. Isso decorre do uso racional destes 
fatores, que faz com que os custos médios decresçam, à 
medida que a produção aumenta, até uma certa 
quantidade de produto produzida. As principais 
maneiras de se obter a economia de escala é através da 
especialização e divisão do trabalho, de uma melhor 
utilização da tecnologia e ainda pela redução nos preços 
de compra dos insumos, adquiridos em grande 
quantidade. 
 Economias de escala (Segundo Alfred 
Marshall), esta expressão “economias de escala” é usada 
para designar as vantagens econômicas da grande 
empresa, ou da “produção em massa”. Estas vantagens 
pode ser internas ou externas à empresa: 
- Economias Internas: as principais vantagens da grande 
empresa são as seguintes: 
 *Técnicas: 
 Aperfeiçoamento de tecnologia da divisão do 
trabalho. 
 Uso e aperfeiçoamento de máquinas e 
ferramentas. 
 Dedicação às pesquisas e invenções. 
 
 *Financeiras: 
 Grande facilidade de obtenção de crédito ou 
financiamento, em virtude de seu patrimônio 
em volume de atividade. 
 Receitas e lucros gerando grandes 
investimentos (Autofinanciamento). 
 *De mercado: 
53 
 
 Produção em massa e baixo custo. 
 Vendas a preço mais baixo. 
 Grandes compradoras de matérias-primas à 
preços mais baixos. 
 Economias Externas: são as vantagens que as 
grandes empresas irradiam sobre toda parte da 
atividade econômica da nação. A grande 
empresa provoca o aparecimento de outras 
empresas ou atividades. A função dessas 
empresas criadas seria: favorecer 
“insumos”para grandes empresas; atender as 
necessidades futuras que o produto da grande 
empresa faz aparecer. 
 Deseconomia Externa: o funcionamento da 
grande empresa pode trazer prejuízos à natureza 
e a sociedade, assim: as intensas explorações no 
setor primário provocam o esgotamento das 
fontes de produção (solo, subsolo, fauna, flora); 
o funcionamento de grandes unidades do setor 
secundário traz a poluição da atmosfera e dos 
cursos e lençóis de água, sem falar em outros 
inconvenientes aos grupos humanos. Nada, 
porém, é insolúvel. 
 Externalidades: são os efeitos vantajosos e os 
efeitos prejudiciais das grandes empresas sobre 
a natureza e sobre as pessoas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
 
 
0 
 
Agricultura / grãos - 04/12/2011 
Custo de produção e falta de mão de obra encarecem o agronegócio 
 
Diretor técnico da Informa Economics FNP diz que o setor precisará vencer dois grandes desafios para o 
futuro - por Viviane Taguchi 
 
Custo de produção e escassez de mão-de-obra são desafios 
maiores que produzir uma safra maior 
A escassez de mão de obra especializada 
no campo deve ser a responsável por elevar 
os custos de produção agrícola no Brasil 
nos próximos anos. A afirmação é do 
diretor técnico da Informa Economics 
FNP, de São Paulo, José Vicente Ferraz. 
Ele diz que o alto preço dos insumos 
também continuarão pesando sobre o setor 
por pelo menos dois anos. "Teremos 
grandes desafios pela frente: lidar com a 
falta de mão-de-obra especializada no 
campo e os altos custos de produção", 
afirma. 
 Segundo Ferraz, existe uma série de fatores que estão, a cada safra, elevando o custo de 
produção. São eles o crescente uso de tecnologia - o que inclui insumos e máquinas - e a 
mecanização, além da escassez de mão-de-obra. Ele diz que na safra 2011/2012, este custo 
sofreu uma elevação de 10% em relação à safra anterior e que, na safra futura (2012/2013), há 
uma expectativa de uma alta maior. 
A demanda por alimentos estimulou a produção nacional de grãos,que atingiu 147 milhões 
de toneladas nesta safra, mas também onerou o custo. "Os elevados preços das commodities no 
cenário mundial, pelo menos até o agravamento da crise da zona do euro, estimularam o 
aumento da área plantada para várias culturas (no Brasil). No entanto, verificamos que o custo 
de produção em geral estão mais altos", afirmou Ferraz, que é engenheiro agrônomo. "Em 2011, 
tivemos uma venda maior de fertilizantes e os preços destes produtos subiram cerca de 30% 
entre 2010 e este ano, a mão-de-obra também encareceu significativamente o setor", diz. 
Além da elevação de preços dos insumos agrícolas, a mecanização e a tecnologia necessária 
para elevar a produtividade no campo onerou o setor. Segundo Jacqueline Bierhalls, a 
necessidade de produzir mais, e em duas safras, exigiu mais tecnificação. "Então, foi necessário 
que o produtor comprasse mais insumos, mais máquinas e equipamentos avançados", explica. 
A mão de obra ajudará a encarecer mais o setor nos próximos anos, acreditam os consultores. 
Isso porque a mecanização, necessária por conta da preservação ambiental e aumento de 
produtividade, alidada à elevação de renda do brasileiro, não está promovendo o desemprego, 
mas um êxodo rural. "No setor de cana, por exemplo, achávamos que a mecanização ia gerar 
um índice de desemprego elevado, mas não foi isso que aconteceu", diz Maurício Mendes, 
presidente da consultoria. "Também achamos que esta mão-de-obra iria migrar para o setor da 
citricultura e novamente, nos enganamos. Este pessoal foi absorvido por setores urbanos, como 
a construção civil", afirma. 
Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI282561-18078,00-
CUSTO+DE+PRODUCAO+E+FALTA+DE+MAO+DE+OBRA+ENCARECEM+O+AGRONEGOCIO.html 
55 
 
5. CUSTO DE PRODUÇÃO 
 
 Os empresários rurais de todas as atividades 
agropecuárias precisam ser cada vez mais profissionais, 
competitivos e eficientes, pois no contexto atual, as 
condições de riscos e incertezas na atividade 
agropecuária são acentuadas, cabendo ao empresário, 
considerar cada vez mais a utilização do gerenciamento 
da sua empresa produtora de leite, tomando decisões 
baseadas em informações técnicas, econômicas e 
mercadológicas. Uma dessas informações, o custo de 
produção, é uma das principais ferramentas que servem 
como parâmetro e auxiliam o empresário na sua tomada 
de decisão, pois, vários fatores contribuem para a 
formação do custo de produção, o que certamente vai 
definir o sucesso ou não da empresa na exploração de 
determinada atividade. 
 A estruturação teórica está baseada nos 
conceitos e princípios da teoria do custo e da produção. 
Para maiores detalhes, este referencial teórico está 
fundamentado em leituras complementares à teoria da 
produção e dos custos, referenciadas em autores como, 
Fontes (2001), Crepaldi (2002), Marion (1996), Reis e 
Guimarães (1986), Leftwich (1991), Ferguson (1996), 
Varian (1994), Valle (1987), Nicholson (1998), Reis 
(1999), UFLA (1999b) e Troster e Morcillo (1999). 
 
5.1 Conceito e Objetivos 
 O custo de produção é conceituado como a 
soma de valores de todos os recursos (insumos) e 
operações (serviços) utilizados no processo produtivo de 
certa atividade. Para a estimação dos custos de 
produção, considera-se todo o processo e insumos 
envolvidos na produção de certa atividade, mais o custo 
alternativo do uso dos recursos, dentro de certo prazo 
56 
 
suficiente para que se obtenham os resultados em forma 
de produto final. 
 O custo de produção possibilita mensurar a 
racionalidade dos fatores de produção é o custo de 
produção, subsidiando o gerenciador na tomada de 
decisões referentes ao planejamento e à execução de 
atividades, advindos das informações obtidas pela 
elaboração do custo. 
 Com isso, o empresário rural saberá o que 
produzir, como produzir, quanto produzir e por quanto 
poderá vender o seu produto, visando obter os melhores 
resultados econômicos possíveis para a sua firma. Os 
estudos sobre os custos de produção são importantes 
para o fornecimento de subsídios para o uso mais 
racional dos fatores produtivos, favorecendo o aumento 
da renda do produtor rural. 
 As estimativas de custo de produção servem 
também para o governo elaborar políticas agrícolas, 
estabelecendo preços mínimos, subsídios e linhas de 
créditos; e, para as entidades de classe, serve como 
parâmetro para a reivindicação de melhorias de preço do 
produto e isenção de impostos, como também ao 
planejamento da atuação para favorecer os produtores 
rurais. 
 Recomenda-se que o modelo e os 
procedimentos para o cálculo do custo de produção 
devem ser explicitados com a máxima clareza, para que 
se possa realizar estimativas comparativas entre custos 
de produção feitos em épocas e locais diferentes. 
 
5.2 Prazos 
 Quando se analisam esses custos, deve-se 
ressaltar o prazo, período gasto para a produção de certa 
atividade agrícola e ainda dissociar o curto e o longo 
prazo. Tais prazos são mais para efeito de planejamento 
57 
 
e referem-se ao horizonte de tempo sobre o qual a firma 
pretende expandir. 
 O curto prazo é o tempo mínimo necessário para 
completar o ciclo de produção, sendo caracterizado 
como o período entre a aplicação dos recursos e a 
resposta dos mesmos em forma de produto; é o período 
de uma safra ou ciclo. Quando se considera o longo 
prazo, identifica-se um período em que as aplicações 
dos recursos utilizados demoram mais do que uma safra 
(ciclo) para se fazer a sua reposição. No curto prazo, os 
recursos utilizados nas firmas são classificados em fixos 
e variáveis, no longo prazo, todos os recursos são 
variáveis. 
 
5.3 Classificação dos custos 
 Para a realização do custo de produção é 
necessária a conceituação de alguns custos, 
componentes que formam o custo de produção. 
 O rateio consiste na distribuição do valor de um 
recurso fixo para as diferentes atividades agrícolas que 
são desenvolvidas na empresa agrícola, desde que este 
recurso não seja específico para a atividade. Para o 
cálculo do rateio, pode-se utilizar diversas maneiras, tais 
como, rateio proporcional ao tempo de utilização de 
máquinas, benfeitorias e equipamentos; a participação 
de receita; a área ocupada por cada atividade no total da 
propriedade. O prazo utilizado na atividade leiteira é de 
um mês. 
 
Os custos fixos (CF) são aqueles correspondentes aos 
insumos que têm duração superior ao curto prazo. Sua 
renovação se dá a longo prazo, uma vez que não se 
incorporam totalmente ao produto a curto prazo, 
fazendo-o em tantos ciclos produtivos quanto o permitir 
sua vida útil. Constitui-se em recursos que dificilmente 
58 
 
serão alterados a curto prazo e independem da variação 
do volume produzido. 
 Por outro lado existem os custos variáveis 
(CV) que se referem aos recursos com duração inferior 
ou igual ao curto prazo, no qual se incorporam 
totalmente ao produto, sendo a sua recomposição feita a 
cada ciclo do processo produtivo. Podem provocar 
alterações quantitativas e qualitativas no produto dentro 
do ciclo, sendo facilmente alteráveis. 
 A soma dos custos fixos e variáveis representa o 
custo total (CT) que corresponde a todos os custos 
durante o ciclo de produção da atividade agrícola, para 
produzir certa quantidade do produto. Outra 
classificação, importante para a análise, divide-se em 
custo alternativo ou de oportunidade e custo operacional 
(Cop) e para facilitar as análises em termos unitários, 
apuram-se os custos médios. 
 O custo alternativo é definido como sendo o 
retorno que o capital utilizado na atividade agrícola 
estaria proporcionando se fosse aplicado na melhor das 
outras alternativas, seja ela agrícola, monetária ou 
financeira. Sua análise, através de comparações com 
alternativas de uso do capital, permite verificar a 
viabilidade econômica da atividade em questão. O 
indicador maiscomum para a obtenção do custo 
alternativo é a utilização de uma taxa de juros. 
 O custo operacional (Cop) é o custo de todos 
os insumos que exigem desembolso monetário por parte 
da empresa para a sua recomposição, incluindo as 
depreciações dos recursos fixos e gastos com insumos e 
mão-de-obra. Somando-se o custo operacional ao custo 
alternativo, obtém-se o custo econômico. 
 O custo operacional é dividido em custo 
operacional fixo (CopF), composto pelas depreciações 
e custo operacional variável (CopV), constituído pelos 
59 
 
desembolsos. O custo operacional total (CopT) é a 
soma do custo operacional fixo total (CopFT) e 
operacional variável total (CopVT). A finalidade dos 
custos operacionais na análise é a opção de decisão em 
casos em que os retornos financeiros sejam inferiores ao 
de outra alternativa, representada pelos custos de 
oportunidade. Neste sentido, ainda podem fazer 
importantes interpretações com base neste tipo de custo. 
 O custo médio (CMe) é encontrado quando se 
divide o custo desejado pela quantidade (q) do produto 
agrícola produzido naquele ciclo estudado. É importante 
para se realizar as análises em termos unitários 
comparando-se com os preços do bem. 
 Para o procedimento de estimativa do custo de 
produção, utilizam-se o cálculo da depreciação e do 
custo alternativo, além da definição de algumas 
variáveis básicas para os cálculos necessários. 
 A depreciação (D) é o custo necessário para 
substituir os bens de capital quando tornados inúteis, 
seja pelo desgaste físico ou econômico. O método mais 
utilizado é o linear, que pode ser mensurado pela 
expressão: 
 
sendo Vn (valor novo) o valor do recurso, como se fosse 
adquirido naquele momento; Vr (valor residual) o valor 
de revenda ou valor final do bem, após ser utilizado de 
forma racional na atividade; e Vu (vida útil) o período 
em anos (meses) que determinado bem é utilizado na 
atividade produtiva. 
 Para o cálculo do custo alternativo fixo 
(CAfixo) podem-se considerar as seguintes expressões: 
 
sendo I a idade média de uso do bem. 
,
-
u
rn
V
VV
D 
juros, de taxa.
ou juros, de taxa..
-
usadofixo
n
u
u
fixo
VCA
V
V
IV
CA


(1) 
(2) 
(3) 
60 
 
 Recomenda-se a utilização da primeira 
expressão, quando os bens são recentemente adquiridos 
e utilizados no ciclo atual, pois o empresário rural 
conhece todas as informações necessárias e poderá fazer 
um acompanhamento de toda a sua vida útil. A segunda 
expressão é recomendada para os bens que já foram 
adquiridos há mais tempo e já vêm sendo utilizados na 
atividade leiteira em outros ciclos passados, pois não é 
necessário o conhecimento das variáveis da primeira 
expressão. De uma forma simplificada, pode também 
usar a seguinte expressão: 
 
ou seja, considera-se o CAfixo como se a idade de uso 
dos recursos fixos fosse 50% da vida útil (Vu), que 
resulta na metade do valor do bem novo (Vn) 
multiplicado pela taxa de juros. Essa expressão é 
utilizada devido à heterogeneidade das informações 
existentes. 
 Para o cálculo do custo alternativo variável 
(CAvar) pode-se usar a seguinte expressão: 
 
sendo que Vgasto é o desembolso financeiro realizado 
pelo produtor, para adquirir insumos e serviços 
necessários para a produção agrícola. 
 
5.4 Recursos Fixos e Recursos Variáveis 
 O custo de cada recurso fixo é calculado 
somando-se a depreciação e o custo alternativo do 
recurso. As variáveis e a forma de operacionalização 
utilizadas na exploração leiteira são: 
juros, de taxa.
2
n
fixo
V
CA  (4) 
(5) juros, de taxa.var VgastoCA 
61 
 
 TERRA: a terra não deprecia, pois é 
considerado que o empresário adota um manejo de solo 
adequado, repondo à terra todos os elementos químicos 
retirados pela exploração, através das adubações e são 
realizadas práticas conservacionistas, que mantêm as 
suas características. O valor considerado é o seu custo 
alternativo, baseado no aluguel da terra explorada. O 
aluguel normalmente considerado é um litro de 
leite/ha/dia. 
 BENFEITORIAS: valor correspondente a sua 
respectiva depreciação anual, multiplicado pelo índice 
de rateio, caso a empresa agropecuária explore outra 
atividade agrícola. São consideradas as benfeitorias que 
participam direta ou indiretamente na produção de leite. 
São exemplos de benfeitorias: casa sede, casa de colono, 
sala de ordenha, free stal, cercas, curral, galpão de 
máquinas e implementos, tulha, depósito de insumos e 
ferramentas. Para o cálculo da depreciação considera a 
vida útil de trinta anos. 
 MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS: são 
computados à depreciação anual de trator, veículos e 
implementos agrícolas, sendo que, se estes recursos 
fossem utilizados na produção de outra cultura, a 
depreciação sofre o processo rateio. Para o sistema de 
ordenhadeira, tanque, resfriador e demais máquinas e 
equipamentos próprias da atividade leiteira anual, a 
depreciação é incorporada integralmente, pois são 
recursos específicos da atividade leiteira. Considera-se 
quinze anos de vida útil para o cálculo da depreciação. 
 PLANTEL: representa a depreciação dos 
animais produtivos e em fase de gestação, desde que 
não haja reposição destes animais por suas crias. 
Considera-se sete anos de vida útil do animal a partir do 
primeiro ano de produção do animal. 
62 
 
 CAPINEIRA: representa a depreciação das 
formações vegetais que transformarão em alimentos que 
tem duração superior ao curto prazo. O tempo de vida 
útil vai variar de acordo a formação vegetal. 
 IMPOSTOS: Caso a empresa explore outra 
atividade agrícola, usa-se o índice de rateio, mas sendo 
somente a atividade leiteira este deve ser incorporado de 
forma total, tendo como vida útil de um ano. 
 FERRAMENTARIA: são os gastos realizados 
com aquisição de balaio, peneira, enxada, serrote, 
rastelo, corda, brincos, balde e etc. Pare este itens é 
considerado como vida útil dois anos. 
 CUSTO ALTERNATIVO: calculado a taxa de 
6% a.a. ou (0,5% a.m.) para cada uma das categorias de 
recursos do custo fixo. Essa taxa é próxima à uma 
remuneração mínima obtida no mercado financeiro, 
sendo que a poupança é remunerada mensalmente pela 
variação da taxa referencial mais 0,5%. Normalmente é 
escolhido este percentual devido a sua constância de 
valor, mesmo sendo o mínimo encontrado no mercado, 
mas que possibilita uma melhor operacionalização. 
 O custo de cada recurso variável é calculado 
pelo desembolso realizado para aquisição de produtos e 
serviços somado ao custo alternativo. Os recursos 
variáveis e a forma de operacionalização utilizadas são: 
 MÃO DE OBRA: é computada a mão de obra 
utilizada em todas as fases da produção, podendo 
classifica-la de diversas formas como, permanente, 
técnica, gerencial, temporária. Deve acrescentar também 
o desembolso com os encargos sociais e benefícios. 
 ALIMENTAÇÃO: corresponde aos gastos com 
aquisição de ração, milho, premix, aditivos, farelo de 
soja, suplemento e etc. 
 SANIDADE: compreendem aos gastos 
realizados na prevenção e combate a doenças do plantel, 
63 
 
como vacinas, remédios, álcool, iodo, seringas, exames 
clínicos, vermífugos e etc. 
 REPRODUÇÃO: são computados os gastos 
com semem, pipetas, luvas. 
 CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO: 
compreende os gastos com material de limpeza, 
pinturas, consertos de benfeitorias, máquinas e 
equipamentos que propiciam uma maior vida útil. 
 DESPESAS GERAIS: compreende os gastos 
com energia elétrica, telefone, material de escritório, 
combustíveis, serviços de terceiros, frete e etc. 
 CUSTO ALTERNATIVO: calculado a taxa de 
6% a.a. ou (0,5% a.m.) para cada um dos recursos 
variáveis empregados no processo produtivo do leite. 
Esta taxa é usada pelas mesmas razões explicitadas para 
os custos fixos. 
 
5.5 Planilhas do Custo de Produção 
 O desenvolvimento do custo de produção 
depende fundamentalmente da forma de como são 
coletadostratado os dados. Para isto é necessário uma 
prática padrão que vai otimizar e facilitará esta coleta e 
o tratamento dos dados. Esta operação deve ser 
realizada, utilizando o procedimento de descrição 
detalhada, tratamento das variáveis e com a conclusão 
geral dos custos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
6. ANÁLISE ECONÔMICA SIMPLIFICADA 
 
 Os resultados das condições de mercado e 
rendimento da empresa agrícola (ou atividade 
produtiva) são medidos pelo preço do produto ou pela 
receita média (RMe). A RMe pode ser considerada o 
preço do produto mais o valor médio das vendas de 
produtos secundários (subprodutos). Comparando-se a 
receita média ou preço com os custos totais médios 
obtém-se a análise econômica da atividade em questão 
por unidade produtiva (ou saca produzida). 
 Os custos servem para verificar se e como os 
recursos empregados, em um processo de produção, 
estão sendo remunerados, possibilitando também 
verificar como está a rentabilidade da atividade em 
questão, comparada a outras alternativas de emprego do 
tempo e capital. Para isso, pode ser usado um modelo de 
análise que constata se o empreendimento está operando 
com lucro. 
 
6.1 Conceitos 
 O lucro supernormal (LSN) é uma situação em 
que a atividade está obtendo retornos maiores que as 
melhores alternativas possíveis de emprego do capital, 
indicando que a empresa pode expandir a médio ou 
longo prazo. Ocorre quando a receita média ou o preço 
é maior que o custo total médio. 
 O lucro supernormal também é denominado 
lucro econômico. Em se tratando de lucro normal (LN), 
sugere-se que a atividade está obtendo retornos iguais 
aos que seriam obtidos nas melhores alternativas 
possíveis de emprego dos recursos. Significa 
estabilidade, mantendo assim o nível de produção a 
curto e longo prazos; essa situação é obtida quando a 
receita média ou preço for igual ao custo total médio. O 
65 
 
lucro normal é o próprio custo alternativo ou de 
oportunidade. 
 No caso em que o preço do produto ou a receita 
média da atividade não cobrir os custos totais médios, 
pode-se utilizar o custo operacional para análise da 
rentabilidade do empreendimento, utilizando-se assim o 
conceito de resíduo (RS). Se a renda média ou o preço 
for maior que o custo operacional total médio, a 
atividade apresenta resíduo positivo. Ainda se trata de 
um retorno, mesmo que inferior aos possíveis de se 
obter em outras melhores alternativas. Indica que a 
empresa está cobrindo todos os custos operacionais, 
fixos e variáveis, mas rendendo menos que o valor 
alternativo (ou de oportunidade). 
 
Caso o preço seja igual ao custo operacional total 
médio, o resíduo é nulo. Neste caso, a atividade cobre 
todos os custos operacionais, mas não proporciona a 
remuneração do capital empatado na atividade. Uma 
atividade nesta situação não pode sustentar-se por muito 
tempo. 
 Se o preço é menor que o custo operacional 
total médio, mas ainda superior ao custo operacional 
variável médio, a atividade está cobrindo todos os 
custos operacionais variáveis (as despesas de giro) e 
somente parte do operacional fixo (depreciações). Nesta 
situação, o empreendimento pode sustentar-se só no 
curto prazo, não levando em conta a remuneração do 
capital e a reposição de parte dos recursos fixos. É um 
processo de descapitalização. 
 Se o preço é igual ao custo operacional variável 
médio, a atividade cobre as despesas de custeio com 
recursos variáveis, sustentando-se por pouco tempo, 
tendendo a mudar de ramo se a situação assim 
permanecer. 
66 
 
 Sendo o preço menor do que o custo 
operacional variável médio, então a atividade para 
cobrir as despesas de custeio com recursos variáveis, as 
quais são obrigatórias no curto prazo, terá de injetar 
recursos de outras fontes, o que se trata de subsídio à 
atividade. 
 O ponto de nivelamento (qn) e de resíduo (qr) 
indica o nível de produção no qual uma atividade tem 
seu custo total (ou operacional total) igual à sua receita 
total. Ele mostra o nível mínimo de produção além do 
qual a atividade daria lucro econômico (ou resíduo 
positivo). O ponto de nivelamento, em que se encontra o 
lucro normal, é a posição cuja a receita total é igual ao 
custo total (RT = CT). O ponto de resíduo é encontrado 
onde o resíduo é nulo e neste ponto, a receita total é 
igual ao custo operacional total (RT = CopT). As 
estimativas de qn e qr permitem uma avaliação da 
situação presente estudada, com possíveis situações de 
otimização ou as possibilidades de se chegar a elas. 
 Também é possível identificar a produção de 
cobertura, que indica a quantidade produzida para cobrir 
todos os custos. Tem-se produção de cobertura total (pct) 
quando a produção total cobre todos os custos e 
produção de cobertura operacional (pcop), cujos os 
custos operacionais são cobertos pela produção total. 
 
6.2 Situações de Análise econômica da atividade 
produtiva 
 Ao se fazer a análise econômica da atividade 
produtiva, pode-se encontrar diversas condições, 
dependendo da posição do preço (ou receita média) em 
relação aos custos, e cada qual sugerindo uma particular 
interpretação. Esta análise apresenta ao empresário um 
diagnóstico do comportamento econômico/financeiro da 
produção no mês, baseado na remuneração obtida, na 
67 
 
cobertura dos recursos de curto (custos variáveis) e 
longo (custos fixos) prazos e na comparação entre a 
remuneração obtida pela atividade produtiva e àquela 
que seria proporcionada pelas outras alternativas (custos 
alternativos). 
 Assim, as condições básicas representadas 
podem ser descritas: 
 
FIGURA 1- Situações de análise econômica da atividade 
produtiva. 
FONTE: UFLA (1999b). 
 
 Situação 1 corresponde ao lucro supernormal 
(RMe > CTMe), em que se paga todos os recursos 
aplicados na atividade econômica e proporciona um 
lucro adicional, superior ao de outras alternativas de 
mercado consideradas no estudo. A tendência a médio e 
longo prazos é de expansão e a entrada de novas 
empresas para a atividade, atraindo investimentos 
competitivos. 
 O lucro normal (RMe = CTMe) é representado 
pela situação 2, uma vez que todos os recursos aplicados 
na atividade em questão são ressarcidos. A remuneração 
é igual a de outras alternativas (custo de oportunidade 
 
68 
 
considerados) e por isso se diz que o lucro é normal. 
Seria o que o empresário receberia se aplicasse os 
recursos (insumos e serviços) na alternativa 
considerada, por exemplo, o valor com base na taxa de 
juros e aluguel da terra estipulados para o cálculo do 
rendimento alternativo. A atividade permanece sem 
expansão mas também sem retração e a tendência a 
curto e longo prazos é de equilíbrio. 
 O resíduo positivo (CTMe > RMe > CopTMe) 
compreende a situação 3a, que paga todos os recursos 
aplicados na atividade (RMe > CopTMe). A 
remuneração é menor que a de outras atividades (custo 
de oportunidade); neste caso, o empresário estaria diante 
de uma situação em que a atividade está rendendo 
menos do que os juros considerados e aluguel da terra, 
ou outra base de cálculo para custo alternativo. A 
tendência é de permanecer na atividade, mas a longo 
prazo poderia buscar outras melhores alternativas de 
aplicação do capital. 
 A situação 3b ocorre quando há resíduo nulo 
(RMe = CopTMe). Nesse caso pagam-se todos os 
recursos de produção (RMe = CopTMe), mas não há 
remuneração alternativa, ou seja, a atividade deixa de 
ganhar o equivalente ao custo alternativo. A tendência é 
de permanecer na atividade, mas poderia abandoná-la se 
os resultados não melhorarem. 
 O resíduo negativo com cobertura de parte do 
custo fixo (CopTMe>RMe>CopVMe) é demonstrado 
pela situação 3c, onde os recursos variáveis e parte dos 
fixos são pagos (CopTMe > RMe > CopVMe). A 
tendência a médio e longo prazo é retrair e sair da 
atividade. 
 A situação 3d ocorre quando oresíduo é 
negativo e sem cobertura dos recursos fixos (RMe = 
69 
 
CopVMe), pois pagam-se somente os recursos variáveis 
(RMe = CopVMe). A tendência é sair da atividade. 
 O resíduo negativo, sem cobrir os recursos 
variáveis ou capital de giro (RMeprincipais. 
 
Políticas governamentais 
 É importante reconhecer que decisões 
governamentais podem afetar os preços. Aliás, poucos 
fatores são mais importantes, por exemplo, que base 
monetária e nível global de taxas de juros, que são 
bastante influenciadas por medidas tomadas pelo Banco 
Central. Adicionalmente, legislação e regulamentação 
podem influenciar os preços através de programas como 
subsídios a mercadorias produzidas no mercado interno 
ou tarifas de importação. As decisões governamentais, 
obviamente, determinam os níveis globais de 
empréstimos por ele tomados e, portanto, podem afetar 
moeda e juros. 
 O setor agrícola é particularmente afetado por 
decisões governamentais. Mudanças em oferta e 
demanda nos últimos anos têm chamado a atenção do 
mercado para as políticas de suporte de preços e 
incentivos, como subsídios à exportação. 
 Os objetivos globais de medidas do governo 
para os mercados agrícolas são a estabilização de 
preços, a garantia de ofertas adequadas, a manutenção 
de exportações e o fornecimento de renda 
economicamente aceitável aos produtores locais. O 
conhecimento geral de programas agrícolas, e do quanto 
as decisões do governo afetaram os preços de 
commodities no passado, proporciona uma visão do 
76 
 
impacto potencial da legislação agrícola ou de 
mudanças nas políticas de preços das principais 
commodities negociadas em bolsa. 
 
Política de crédito 
 As políticas de crédito sempre tiveram por 
objetivo o fomento à produção, fornecendo aos 
produtores empréstimos para pagamento dos recursos 
variáveis de produção, adiantando-lhes parte do valor da 
safra futura. O montante do empréstimo concedido 
depende do grau tecnológico, avaliado pela 
produtividade e do tamanho da unidade de produção. 
Seus parâmetros são baseados em levantamentos de 
custos realizados por instituições. Os recursos oriundos 
dessa política viabilizam uma parcela considerável da 
produção de alimentos, por parte daqueles produtores 
que têm acesso ao crédito e produzem com objetivo 
mais comercial. 
 
Política de garantia de preços mínimos (Pgpm) 
 A Pgpm consiste em se estabelecer na 
entressafra os preços mínimos dos produtos que irão 
vigorar na próxima safra. Os preços são estabelecidos 
com base em estudos da CONAB e outros órgãos e 
aprovados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). 
Nesse processo são considerados tanto critérios 
técnicos, estimativas de custos e comportamento de 
preços no mercado, como a dotação orçamentária do 
País, que limita os recursos destinados ao crédito e à 
comercialização da safra. Uma vez que a garantia de 
preço depende das compras e do financiamento do 
governo, a sua utilização fica mais sujeita ao montante 
dos recursos orçamentários do que aos critérios 
técnicos. O preço definido como mínimo possui um 
sistema estabelecido de correção. 
77 
 
 O objetivo da Pgpm é garantir o custeio, ou 
seja, os custos variáveis, permitindo a permanência do 
produtor na atividade a curto e médio prazos. Não é 
pretensão dessa política remunerar todos os fatores de 
produção, fixos e variáveis, mas sim permitir, em caso 
de preços muito baixos no mercado, a sustentação da 
safra, evitando maiores prejuízos aos produtores, dando-
lhes oportunidade para saldar seus compromissos mais 
urgentes. 
Política de estoques reguladores 
 Os estoques definidos através das políticas de 
financiamento serão liberados à medida que forem 
sendo demandados, a preços compatíveis com os custos 
incorridos até a presente data, incluindo os custos de 
armazenamento. A liberação é feita quando o preço de 
mercado atinge o chamado “preço de intervenção”, 
estimado com base nos custos de comercialização 
(armazenamento) nos padrões de variação do preço de 
mercado e na correção monetária. O ideal é que essas 
liberações fossem evitadas, uma vez que inicializada 
revela problemas na comercialização privada, que 
deveriam ter sido sanados diretamente nas instituições 
de mercado. A liberação deveria dar-se somente em 
épocas de escassez e quando não houvesse oferta da 
iniciativa privada, ou esta estivesse deliberadamente 
especulando, com o intuito de aumento de preço. 
 O mecanismo de liberação de estoques impede 
maiores acréscimos dos preços no mercado, 
promovendo sua maior estabilidade e conseqüentemente 
proporcionando a oportunidade de aquisição do produto, 
por parte de que precisa. Tal mecanismo visa também 
estimula a venda dos estoques privados, regularizando a 
oferta, ocasião que o governo deve interromper a 
liberação. 
78 
 
 O processo de liberação dos estoques do 
governo, em geral, é por concorrência pública, através 
de bolsas de mercadorias e por meio de programas de 
assistência do próprio governo. Estes não têm efeito 
sobre o mercado. 
 A utilização de ações conjuntas das Pgpm e dos 
estoques reguladores tem como objetivo evitar menores 
preços na safra, garantindo a produção e a formação de 
estoques, evitando também a existência de maiores 
preços na entressafra, além de garantir e estimular o 
abastecimento. 
 A política mais recente de estocagem prevê dois 
conceitos para os estoques do governo. Estoques 
estratégicos, que têm a função de regular preços e 
somente será liberado para essa finalidade; e, estoque 
regulador, que tem a incumbência de suprir eventuais 
faltas de produto no mercado e em programas do 
governo. 
 
O clima e o desenvolvimento da safra 
 Climas adversos podem causar impactos 
significativos sobre a produção e o preço de 
commodities. A estiagem é sempre citada como uma 
consideração climática importante. Os invernos 
rigorosos e as geadas também afetam significativamente 
as plantações. 
 O desenvolvimento da safra também pode ser 
ameaçado por pragas, favorecidas tanto por 
temperaturas frias e secas quanto quentes e úmidas. 
Doenças que afetam a pecuária não apenas empurram os 
preços para cima, como também podem influenciar 
adversamente a demanda por rações e proteínas, caso os 
rebanhos sejam seriamente atingidos. 
 O tempo adverso e o desenvolvimento da safra 
em importantes regiões mundiais de produção podem 
79 
 
afetar os preços de commodities bem antes de quaisquer 
quebras reais de safra. Às vezes, esses fatores são 
inicialmente negligenciados ou considerados de pouca 
importância. 
 
A inflação 
 A inflação é, às vezes, descrita como muito 
dinheiro para pouco produto. O nível global de preços 
aumenta porque há muitos consumidores competindo 
pela aquisição de uma quantidade limitada de 
mercadorias. À medida que escasseia uma fonte de 
produtos, os consumidores passam a procurar por outra, 
assim como a buscar commodities substitutas. Conforme 
os fornecedores vêem seus custos crescer, acabam por 
aumentar seus preços, embora seus produtos possam 
não estar diretamente relacionados à alta de preços 
original. Esse efeito é estendido aos trabalhadores, que 
vêem o aumento de seu custo de vida e insistem em 
aumentos salariais, os quais, por sua vez, elevam o custo 
de produção. Todos esses fatores conduzem os preços 
da economia a uma espiral, com todos eles subindo. 
 
Taxa de câmbio 
 Deve-se ressaltar que alterações nas taxas de 
câmbio afetam os preços das commodities, uma vez que 
mudanças no câmbio incidem sobre as perspectivas de 
exportações e importações para todas as commodities, 
além de influenciar na formação dos preços dos insumos 
importados que são cotados em moeda estrangeira. 
 
Formação do preço das commodities 
 Uma das características importantes dos 
mercados perfeitamente competitivos é a ausência de 
poder de mercado, isto é, compradores e vendedores 
aceitam o preço livremente definido pelas forças de 
80 
 
oferta e demanda. Vários fatores influenciam na 
definição de preços, sendo os mais importantes a 
porcentagem que cada um dos agentes detêm no 
mercado, o grau de homogeneidade do produtoe a 
possibilidade de novas empresas competirem pela 
compra do mesmo. 
 Normalmente produtores agropecuários 
possuem pouco poder de negociação, vendendo 
commodities em mercados de pouca concorrência entre 
compradores. Em geral, os preços são determinados 
pelas empresas compradoras, respeitando-se os limites 
impostos por outros concorrentes. A negociação através 
de lotes maiores pode alterar as condições de mercado 
por que diminui os custos de transação para os 
compradores e conseqüentemente pode proporcionar 
melhores preços aos produtores e/ou suas cooperativas. 
Deve-se ressaltar que o embate entre as forças do 
mercado é dinâmico, podendo-se alterar de acordo com 
a época do ano, condições de transporte, impostos, entre 
outros. 
 
Lei da oferta e demanda 
 A circulação é a passagem dos bens econômicos 
de umas para outras pessoas. Umas pessoas procuram 
adquirir, demandam; outras produzem, ofertam. A 
circulação se faz pela demanda e oferta. Chama-se 
demanda ou procura e quantidade de um bem ou serviço 
se deseja adquirir, a certo preço. É a necessidade 
econômica, armada de um poder de compra. A oferta é a 
quantidade de bens que se propõe vender, o preço dado. 
 A demanda dependa da renda, só demanda 
(procura comprar) quem tem recursos (dinheiro). É a 
necessidade solvável. A necessidade sem recursos não 
demanda, é insolvável. A economia nacional deve 
atender tanto às necessidades solváveis, como às 
81 
 
necessidades insolváveis. A oferta, também, depende da 
renda. País de alta renda é população que compra muito. 
Nesse país, é preciso produzir muito. Produzindo-se 
muito, é preciso ampliar as empresas, e com isso se 
pagam mais rendas. 
 A demanda, a oferta e a renda, como se vê, 
relacionam-se entre si. A demanda é causada pela renda. 
A oferta é suscitada pela demanda. A oferta cria rendas, 
pois paga para produzir os bens que são ofertados. 
 A formação do preço da commodity é definida 
pela interação da oferta e da demanda, pois a demanda é 
a quantidade procurada por um bem ou serviço e varia 
inversamente ao seu preço. Preços e quantidades 
caminham em sentido contrario. A oferta é a quantidade 
oferecida de um bem ou serviço e varia diretamente 
com o seu preço. Preços e quantidades caminham no 
mesmo sentido. 
 
 Normalmente em commodities agropecuárias a 
tendência de crescimento ou queda da demanda é pouco 
volátil, o que faz com que esta seja bastante previsível e 
suas alterações no curto prazo e não traz grandes 
impactos na formação dos preços. 
 Sendo assim a formação de preços das 
commodities agropecuárias é bastante influenciada pela 
oferta da própria ou outra commodity concorrente. 
Variáveis oriundas da formação do clima, taxa de 
cambio, políticas governamentais e preços defasados 
vão orientar a ação na produção e oferta da commodity. 
 
7. 3 Canais, Fluxos e Margens De Comercialização 
 Canal de comercialização pode ser 
conceituado como o "caminho" percorrido pelo produto 
desde que sai da unidade de produção agrícola até 
chegar ao consumidor. É a relação de todas as 
82 
 
instituições de mercado numa certa linha: produtor-
consumidor. Ao se descrever um canal, pode-se 
enriquecê-lo acrescentando-lhe as funções 
desenvolvidas por cada uma das instituições envolvidas 
e o número destas. 
 O fluxo de comercialização pode ser 
conceituado como o esquema geral de todos os 
possíveis canais estruturados de forma agregada, 
segundo o grupo de instituições. 
 Margem de comercialização pode ser 
conceituada como a parcela do valor final do produto 
que fica no sistema de comercialização, nas mãos dos 
intermediários para remunerar seus serviços e insumos, 
exceto a matéria-prima. A margem de comercialização 
pode ser enfocada de várias formas, dependendo dos 
objetivos e da profundidade do conhecimento que se 
pretendem. A margem então pode ser: 
 
Margem absoluta e relativa 
 Margem absoluta se refere à margem em 
valores monetários e pode ser considerada também 
como o custo bruto da comercialização e pode ser 
obtida pela subtração do valor de venda para o de 
compra, em certa instituição ou nível de mercado. 
 Margem relativa é a margem absoluta expressa 
como percentagem do preço final do produto. Esta 
forma de apresentação da margem é útil no sentido de 
facilitar a comparação das margens dos diversos 
produtos, em diversos mercados e em diversos tempos. 
 
 
 
Margem bruta e líquida 
 A margem bruta é a margem conforme 
conceituada como margem absoluta, sem considerar os 
83 
 
custos da execução dos serviços da comercialização. A 
margem líquida é a margem bruta subtraída dos custos 
de execução dos serviços. Na obtenção da margem 
líquida, é necessária uma análise dos custos das 
atividades comercializadoras ou dos serviços do 
intermediário. 
 
Margem institucional e margem funcional 
 Margem institucional se refere à margem 
recebida pela instituição intermediária, podendo ser 
considerada como unidade isolada (uma certa firma) ou 
agregada em nível como atacado e varejo. Margem 
funcional se refere à margem da função executada; 
sendo assim, é o próprio custo da função, em termos 
absolutos, ou este custo em relação ao preço final do 
bem, se se considerar a margem relativa. 
 
Participação do produtor 
 É a parcela do valor final do produto que o 
produtor recebe para cobrir seus custos e lucros. Neste 
caso se trata do preço recebido pelo produtor em termos 
absolutos, ou porcentagem deste em relação ao preço de 
varejo do produto, se considerada a participação 
relativa. 
 
Utilidades das Margens de Comercialização 
 Como a margem de comercialização pode servir 
de instrumento de análise da eficiência do mercado? 
Que informações se podem tirar da margem? 
 i) Análise comparativa das margens 
 Fundamentado, no próprio conceito de margem 
de comercialização, ela mostra a parte do dispêndio 
(custo de vida) do consumidor que se destina a cobrir os 
custos das funções de comercialização e a proporcionar 
os ganhos (lucros) do setor. 
84 
 
 Ao se comparar a participação do produtor 
agrícola com a margem de comercialização de cada uma 
das demais instituições de mercado e apurando o valor 
em utilidades acrescentadas pela produção agrícola e 
pela função de comercialização da instituição, pode-se 
ter uma "idéia" da eficiência da comercialização, que 
pode ser alta se o serviço da comercialização representa 
muitas utilidades e a margem é relativamente baixa ou 
vice-versa. Esta análise pode servir também, como 
elemento de identificação de comando de cadeia 
associando margem alta e eficiência com prestígio e 
poder de mercado. Complementando esta análise com a 
de fluxo de comercialização, pode-se avançar na 
identificação deste comando, aproximando-se mais do 
comandante. 
 Outro aspecto é comparar as margens de 
comercialização de produtos e mercados diferentes e 
verificar elementos diferenciais ou de semelhanças entre 
eles. 
 ii) Comportamento de margem em relação ao 
tempo 
 Com relação ao comportamento da margem, 
serão investigadas a sazonalidade e a tendência, 
acompanhadas por exemplos para apoiar as descrições 
metodológicas. É interessante conhecer a sazonalidade 
de margem que mostra o seu comportamento nos 
diversos meses do ano. Por este instrumento podem-se 
conhecer as épocas do ano em que as margens são mais 
"apertadas", e as épocas em que são mais "folgadas". 
Isto serve de base para planejamentos de produção, em 
busca de épocas mais favoráveis de mercado. 
 Em geral, nos meses de safra, há uma tendência 
da participação do produtor ficar mais "apertada" e a 
margem de comercialização mais "folgada" ; ocorre o 
inverso na entressafra. 
85 
 
 
Markup 
 Markup é um conceito de margem, em que a 
base é sempre o preço de compra em cada nível ou 
instituição de mercado. Neste caso, o que se objetiva é 
verificar o acréscimodo preço em cada "ponto" do 
mercado, em relação a seu preço de compra. 
 O Markup pode ser estimado de forma muito 
simples: a) O Markup absoluto(MkA) é a diferença do 
preço de venda do produto(Pvd), para o preço de 
aquisição (Paq) em unidades equivalentes(MkA=Pvd-
Paq), o que é a própria margem absoluta ou custo de 
comercialização da firma em questão; b) o Markup 
relativo é o Markup absoluto, expresso como 
porcentagem do preço de aquisição 
MkR = 
Paq
MkA
 *100, que avalia o percentual de 
acréscimo a este. 
 A utilidade do markup é verificar a política do 
intermediário quanto à forma de eles estabelecerem o 
preço. A política pode ser de markup fixo, quando se 
estabelece um percentual fixo de ganho sobre o preço de 
compra. Neste caso, com o passar dos tempos, mesmo 
que se alterem os preços de compra, esta percentagem 
não varia. A outra política usada é a de markup 
variável, quando o comerciante estabelece um valor 
monetário que deseja receber acima do preço de 
compra. Neste caso, se o preço de compra varia, a 
margem percentual tende a variar também. 
 Em geral, quanto mais imperfeito seja o 
mercado, maiores são as facilidades da firma, 
individualmente, em estabelecer sua política de Markup, 
ou alterá-la, se assim lhe interessar. Pode-se, assim, 
levantar hipóteses sobre se que o Markup fixo está mais 
associado a mercados mais imperfeitos, que permitem à 
86 
 
firma maior condição de estabelecer um ganho 
econômico e alterar com mais facilidades seus preços 
para mantê-lo. Este elemento constitui-se em mais um 
fator de identificação de comando de cadeia, quando 
revela a existência de firma com alto poder de 
estabelecer sua própria política de markup. O Markup 
variável poderia estar mais associado a mercados mais 
competitivos, onde a autonomia da firma sobre os 
preços é mais fraca e ela não os altera com facilidade; 
assim, sua margem percentual se torna mais flutuante, 
dependente das variações nos preços. Isto pode também, 
estar associado à ausência de comandos de cadeia. 
 
Elasticidade de transmissão de preços 
 As alterações de preços em função de mudanças 
nas condições de oferta e procura (choque de mercado) 
são transmitidas do nível que sofreu diretamente o 
choque, para os demais níveis da cadeia. Assim, uma 
mudança na produção agropecuária (choque de 
produção), provoca mudança de preço a nível local, que, 
por sua vez, pode alterar os preços a níveis de atacado e 
varejo. Raciocínio idêntico se aplica a respeito de 
choque, em qualquer nível, com efeitos sobre os demais, 
inclusive mercado externo. 
 
7.4 Mercado Derivativo Agropecuário 
 São os mercados que derivam do mercado físico 
ou primário, caracterizando-se pela transação de 
contratos em substituição ao produto físico de um 
vendedor para um comprador. 
 O empresário rural vende uma quantidade de 
contratos de commodities agrícolas, para os 
compradores interessados em comprar estes contratos. 
Portanto há apenas transações de documentos entre os 
vendedores e compradores. Os mercados derivativos são 
87 
 
compostos pelo mercado futuro, mercado de opções e 
pelo mercado a termo, representado pela cédula do 
produto rural (CPR). 
 Existem vários fatores que afetam os preços das 
commodities coletivamente ou através do efeito 
substitutivo, tanto no mercado físico como no mercado 
derivativo, tais como políticas governamentais, situação 
econômica, informações especulativas, clima, ataques 
de pragas e doenças, produção e consumo mundial da 
commodity e a quantidade estocada deste. Estes fatores 
vão influenciar os preços das commodities, pois são os 
que interferem na oferta e demanda do produto, 
provocando as oscilações dos preços. 
 
7.4.1 Mercado Futuro 
Desenvolvimento das bolsas 
 O acordo feito por Jacob para obter o direito de 
se casar com Raquel, é visto por muitos como um 
contrato de opção, ou seja o mercado derivativo já 
existia em 350 A.C. 
Conforme Thales of Miletus: 
“Deduzindo através do seu conhecimento das estrelas, 
que haveria uma boa colheita de azeitona, enquanto 
ainda era Inverno e ele tinha algum dinheiro que podia 
dispor, usou-o para pagar um adiantamento em todas as 
prensas de azeitona, de Miletus e Chios, assegurando 
assim o seu aluguel. Isto só lhe custou uma soma 
pequena, visto que não havia mais interessados. Então o 
tempo da colheita da azeitona chegou, e como houve 
pedidos urgente e simultâneos de prensas de azeitona, 
ele alugou-as ao preço que quis pedir.” 
 Thales previu uma colheita abundante para a 
próxima estação da azeitona. Em vez de especular o 
preço da azeitona, decidiu reservar os lagares com 
antecedência. Com um pequeno capital ele assegurou o 
88 
 
aluguel dos lagares. Na altura da colheita caso esta fosse 
abundante, pagava o resto do aluguel e tinha onde fazer 
o azeite, caso fosse fraca, perdia o deposito entretanto 
feito. 
Século XII 
 Era usual entre os vendedores europeus, durante 
as feiras comerciais, assinarem contratos, prometendo a 
entrega futura das mercadorias por eles vendidas. Estes 
acordos contratuais, possuíam regras formalizadas e 
modos de conduta. O acordo consistia em trocar bens, 
num futuro, se baseado na inspeção de amostras. 
Século XV 
 Formas primitivas de derivados eram 
extremamente utilizadas na atividade do comercio 
marítimo, devido ao seu alto risco. Os riscos eram 
transferidos dos proprietários para os financiadores e 
diversificados em empréstimos chamados “bottomry”. 
Estes, só tinham que ser reembolsados caso o navio 
voltasse. Mais tarde, estes empréstimos evoluíram para 
o seguro marítimo. 
Século XVII 
 Data de 1600, o primeiro mercado de futuros 
organizado, tendo surgido no Japão. Neste altura os 
senhores feudais recebiam rendas das suas propriedades 
na forma de uma fração da colheita. Estas rendas 
estavam sujeitas a flutuações irregulares em função da 
estação do ano, dos fatores climáticos e dos desastres 
naturais, assim como do preço do mercado de arroz , 
enquanto que as necessidades da vida na corte imperial 
obrigavam os senhores a ter dinheiro liquido disponível 
a todo o momento. 
 Durante este período, tornou-se freqüente enviar 
aos armazéns das cidades o arroz excedente da colheita, 
que ficava assim disponível para satisfazer as 
necessidades de liquidez a curto prazo. O passo seguinte 
89 
 
consistia em emitir recibos contra o arroz depositado 
nos armazéns (rurais e das cidades), dando assim mais 
liquidez às reservas de arroz. Estes recibos podiam ser 
comprados e vendidos, tendo grande aceitação como 
forma de divisa. 
 Até 1730, o Mercado de arroz de Dojima era 
oficialmente designado como cho-ai-mai (Mercado de 
arroz a prazo) e apresentava as características de um 
autêntico mercado de futuros moderno. 
- Contratos de duração limitada; 
- Todos os contratos de certa duração estavam 
estandardizados; 
- A qualidade de arroz permitida em cada período era 
acordada anteriormente; 
- Não era permitido manter uma posição até ao contrato 
do período seguinte; 
- Todas as transações deviam ser liquidadas através de 
uma câmara de compensação (“clearinghouse”); 
- Todos os participantes no mercado estavam obrigados 
a estabelecer linhas de crédito com a câmara de 
compensação da sua preferência. (Castro, 1993) 
 Os futuros e as opções (chamadas então de 
“time bargains” ou “windhandel” devido aos 
compradores e vendedores nunca verem fisicamente os 
bens que estavam a negociar) eram negociados na 
Amsterdan Bouse, desde a sua criação em 1611, para 
mercadorias, obrigações do governo e ações. Entre 1634 
e 1637 altura da chamada “Tulipa Mania” na Holanda, 
muitas fortunas foram perdidas devido ao aumento 
especulativo dos futuros de tulipa. (Davies,2000) 
Século XIX 
 Em meados deste século, surgiram os mercados 
de futuros de Nova York e Chicago, que se mantêm em 
atividade até hoje, sendoos principais mercados de 
futuros do mundo. No século 19 era para Chicago que 
90 
 
afluíam as culturas do mid-west americano. As 
dificuldades ao nível dos meios de comunicação e de 
armazenagem das mercadorias, tornavam aquela cidade 
caótica. Por esse motivo, a partir de 1833, vários 
agricultores começaram a efetuar contratos para entrega 
diferida de mercadoria. 
 A existência de flutuações violentas nos preços 
dos cereais acompanhada de alguns não cumprimentos 
nos contratos de entrega diferida, levou a que 84 
agricultores e comerciantes de Chicago se organizarem, 
criando em 1848, uma bolsa de mercadorias, a Chicago 
Board of Trade. Esta bolsa tinha como objetivo 
formalizar os contratos para entrega deferida 
mercadorias e providenciar facilidades para um melhor 
funcionamento dos contratos à vista. 
 Em 1865, esta bolsa toma medidas com vista à 
estandardização de uma forma oficial os contratos e 
introduz um sistema de margens com vista a eliminar o 
problema dos risco de crédito. Em 1870 foi fundada a 
New York Cotton Exchange, tendo-se seguido em 1872 
a Butter and Cheese Exchange of New York. 
Posteriormente, em 1874, a Chicago Produce Exchange, 
começou a transacionar no mercado da manteiga, ovos e 
produtos avícolas. 
 Nos anos vinte, surgiu o Capper-Tincher Act 
(Futuros de Grão), que foi o primeiro regulamento a 
surgir no mercado de futuros. Pressões políticas levaram 
naquela época o Commodity Exchange Act a proscrever 
opções em mercadorias. Na realidade, permaneceu 
como principal ferramenta regularizadora, até aos anos 
setenta, quando a Commodity Futures Trading 
Commission (CFTC) foi criada, sendo uma agencia 
governamental independente passou a regulamentar a 
negociação de contratos futuros e de opções. 
91 
 
 Preocupações sobre risco da contra-parte, a 
procura de segurança que tinham vindo e cresceu 
naquele momento, levaram à criação de novo marco no 
mundo financeiro, com a criação no dia 4 de Janeiro de 
1926 da Board of Trade Clearing House (Câmara de 
Compensação de Comércio), outro passo para 
estabelecer a respeitabilidade por futuros. 
 A Grande Depressão teve consequências 
nefastas nas bolsas. Em 1933 a National Metals 
Exchange, a Rubber Exchange of New York, a National 
Raw Silk Exchange e a New Raw Hide Exchange 
fundiram-se e formaram a Commodity Exchange, que 
passou a ser conhecida como Comex. No entanto, o 
ouro, um dos produtos pelo qual o Comex é hoje mais 
conhecido, não era um dos artigos comercializados. 
Durante a Depressão, foi declarada ilegal aos 
americanos a posse de ouro, mantendo-se estas 
restrições em vigor até 21 de Dezembro de 1974. 
 
Importância no Brasil 
 Empresários paulistas, ligados à exportação, ao 
comércio e à agricultura, criaram, em 26 de outubro de 
1917, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo (BMSP). 
Primeira no Brasil a introduzir operações a termo, a 
BMSP alcançou, ao longo dos anos, rica tradição na 
negociação de contratos agropecuários, particularmente 
café, boi gordo e algodão. 
 Em julho de 1985, surge a Bolsa Mercantil & de 
Futuros, a BM&F. Seus pregões começam a funcionar 
em 31 de janeiro de 1986. Em pouco tempo, ela 
conquista posição invejável entre suas congêneres, ao 
oferecer à negociação produtos financeiros em diversas 
modalidades operacionais. 
 Em 9 de maio de 1991, BM&F e BMSP 
fecharam acordo para unir suas atividades operacionais, 
92 
 
aliando a tradição de uma ao dinamismo da outra. 
Surgiu então a Bolsa de Mercadorias & Futuros, 
mantendo a sigla BM&F. A Bolsa de Mercadorias & 
Futuros (BM&F), situada em São Paulo, é, atualmente, 
a mais importante do Brasil. Principalmente, devido à 
sua fusão com a Bolsa de Mercadorias de São Paulo 
(BMSP) e com a Bolsa Brasileira de Futuros (BBF), 
propiciando o fortalecimento do mercado nacional de 
commodities e consolidando a BM&F como o maior 
centro de negociação de derivativos do Mercosul. 
 
Conceitos e funcionamento 
 São aqueles mercados que propiciam a 
transação de contratos, nos quais compradores e 
vendedores definem acordos de realização de negócios 
futuros de produtos específicos a preços 
preestabelecidos. O intuito na realização de negócios a 
futuro é a redução de riscos advindos de flutuações de 
preços que, no caso do setor agrícola, são bastante 
acentuados. 
 No Brasil as negociações no mercado futuro de 
commodities ocorre na Bolsa de Mercadorias e Futuros 
(BM&F) localizada em São Paulo, SP. A BM&F é uma 
associação de corretoras, sem finalidade lucrativa, 
organizada para proporcionar a seus membros as 
facilidades necessárias para realização de negócios a 
futuro. 
Participantes do mercado futuro 
 Os principais agentes envolvidos com os 
mercados futuros são os vendedores, os compradores, os 
especuladores, os corretores e os operadores. 
Vendedores (Short): são representados pelos 
detentores do produto físico como, por exemplo, os 
empresários rurais e suas cooperativas, que vêem no 
mercado futuro a possibilidade de garantia quanto a uma 
93 
 
redução no preço do produto na data de sua 
comercialização. 
 
Compradores (Long): compreendem aqueles que 
necessitarão do produto em uma data futura 
(exportadores, aviários, etc.) e, conseqüentemente, 
buscam se assegurar de uma eventual elevação nos 
preços do produto. Esses dois agentes constituem os 
chamados hedgers e são os responsáveis primários pela 
existência dos mercados futuros. 
 
Investidores (Especuladores): são os participantes que 
provêm liquidez a este mercado, isto é, proporcionam 
condições de entrada e saída por parte dos hedgers 
quando lhes convier. Esta condição é básica à existência 
dos mercados futuros, uma vez que a ausência de 
liquidez acarreta um “aprisionamento” do participante. 
 
Corretores e os operadores: constituem a ligação entre 
os hedgers, sendo de fundamental importância no 
processo. Os corretores compreendem empresas que são 
detentoras de cotas da bolsa, que permitem a estas 
operarem no mercado. Os operadores são os 
responsáveis pela efetivação das operações. 
 
 
 
Funcionamento básico do mercado futuro 
 O fluxo normal de negociação é inicializado a 
partir de ordens de compra e venda proferidas pelos 
compradores e vendedores aos corretores, as quais são 
repassadas automaticamente aos operadores de pregão 
que efetuarão a negociação. Os especuladores 
participam deste processo ora comprando ora vendendo 
94 
 
contratos. A escolha está associada à visualização de 
alterações nos preços que lhes proporcionarão ganhos. 
 Todas as transações de futuros precisam ser 
realizadas em pregão na Bolsa de Mercadorias e Futuros 
(BM&F), obedecendo às rígidas regras de controle, 
transparência e ajustes financeiros. As atividades 
realizadas pela BM&F, no que tange à formação de 
preço dos produtos, restringem-se ao fornecimento de 
um local com infra-estrutura, facilitando a efetivação 
dos negócios. Existe ainda uma Câmara de 
Compensação (Clearing House), que constitui-se em um 
órgão interno à BM&F, responsável pelo registro das 
operações e controle de posições, compensação de 
ajustes diários, liquidação financeira e física dos 
negócios e administração de garantias. 
 Os mercados futuros devem ser entendidos de 
maneira integrada ao mercado físico, pois fazem parte 
de um processo que engloba a produção, 
processamento, comercialização, consumo e 
financiamento desse processo. A bolsa não é, portanto, 
o local onde os preços se formam, mas um local onde os 
preços se manifestam. Nesse sentido, a bolsa constitui-
se apenas de um local onde os corretores se reúnem para 
fechar negócios, representando a vontade de 
compradores e vendedores que estabelecem, por meio 
de livre negociação, um preço futuro. 
 O entendimento dos princípios econômicos visa 
mostrar que os mercados futuros não são jogos 
inventados por algumas pessoas, mas uma necessidadedos agentes econômicos, decorrente do 
desenvolvimento do comércio e das finanças. O risco do 
preço na bolsa é transferido entre agentes com base nas 
expectativas sobre as relações entre os preços a vista e 
futuro e sobre a oferta e demanda futura de uma 
95 
 
mercadoria. Os principais requisitos para que um 
produto possa ser negociado em bolsa, são: 
a) homogeneidade do produto, ou seja, um contrato 
deve ser igual a outro, podendo ser intercambiável; 
b) a mercadoria deve ser susceptível de padronização e 
classificação, para que possa ser homogênea; 
c) deve existir uma elevada oferta e demanda do 
produto e inexistência de grandes concentrações no 
mercado; 
d) não deve haver interferências do governo ou de 
monopólios, o fluxo de oferta para o mercado deve ser 
livre; 
e) a oferta e demanda do produto devem ser incertas, 
pois dessa forma o preço flutuará e, portanto, existirá 
risco; e, 
f) o produto não pode ser muito perecível pois o 
mercado negocia muitos meses adiante e a mercadoria 
precisa ser armazenada por um determinado período. 
 Os vencimentos dos contratos futuros são 
definidos em função dos principais meses de safra e 
entressafra do produto a ser negociado em bolsa, e 
normalmente não são estabelecidos todos os meses do 
ano para que haja concentração de liquidez e tempo para 
programar entregas. 
 O preço de abertura é o primeiro negócio 
fechado em pregão. O mínimo e o máximo são 
divulgados para que o mercado conheça a oscilação do 
preço do dia. Por exemplo, é muito importante saber se 
o preço de fechamento está mais próximo do preço 
máximo ou do mínimo, pois pode indicar tendência de 
alta ou de baixa no dia seguinte. 
 O preço de ajuste é importante, pois com base 
nele que se ajustam todas as posições do mercado. Esse 
mecanismo visa reduzir a inadimplência e proporcionar 
96 
 
a entrada e saída dos participantes ao mercado quando 
assim o desejarem. 
 Para que o participante do mercado futuro possa 
usufruir dos benefícios a que este se propõe, é 
necessário o conhecimento de algumas informações 
como formas de liquidação dos contratos, margem de 
garantia, ajustes diários, base local e risco de base, razão 
ótima de hedging e custos da operação. 
 
Estratégias De Mercado 
Arbitragem 
 A arbitragem, ou seja, a compra e a revenda 
simultânea do mesmo objeto de uma commodity em 
mercados diferentes, tem importante função nos 
mercados de derivativos. Quando há discrepância 
temporária entre os preços futuro e a vista, operadores 
profissionais e outros comprarão o mercado de preço 
menor e, simultaneamente, venderão o maior, para 
realizar um lucro sem risco. Essa estratégia garante os 
preços a futuro e a vista fiquem alinhados um com o 
outro. Assim, se qualquer um dos preços perder a 
sintonia com o valor justo de mercado, a arbitragem fará 
com que volte a paridade. Ela também garante que os 
futuros sejam um hedge adequado para posições a vista. 
 
Spread 
 Um spread é a compra de uma posição a futuro 
ou em opções e a venda simultânea de um contrato 
futuro ou de opções correspondente. Ele é usado quando 
a diferença de preços entre contratos comprados e 
vendidos é considerada fora de sintonia. As posições de 
spread são consideradas menos arriscadas que as 
posições a futuro. Os spreads a futuro podem ser 
divididos em quatro amplas categorias. Embora os 
operadores possam combinar os diferentes tipos, os 
97 
 
riscos de posições combinadas podem ser analisados 
pela decomposição dos tipos a seguir: 
 
Spreads intramercados 
 Um spread intramercado, também denominado 
de spread entre vencimentos, abrange uma posição 
comprada num vencimento, contra uma posição vendida 
em outro vencimento da mesma commodity, na mesma 
bolsa. O preço do spread é cotado como: 
Preço do Spread = Preço do Futuro Próximo – Preço do 
Futuro Distante 
 É convenção chamar de comprador de spread a 
pessoa que compra o contrato mais próximo e vende o 
mais distante. A combinação de uma posição comprada 
no vencimento curto com uma posição vendida no 
vencimento longo é, às vezes, denominada de spread de 
alta. O detentor de um spread de alta espera que os 
preços subam, com o preço do contrato mais próximo 
aumentando mais rapidamente que o do contrato mais 
distante. De forma contrária, diz-se que o vendedor de 
spread , vendido no curto e comprado no longo, executa 
um spread de baixa, esperando que os preços recuem, 
com o contrato mais próximo caindo mais rapidamente 
que o mais distante. 
 
Spreads entre mercados 
 Spread entre mercados consiste de uma posição 
comprada numa bolsa e de uma posição vendida em 
outra, na mesma commodity ou em outra estreitamente 
correlacionada. Esse tipo de spread caracterizam-se 
como os mais difíceis de serem executados, uma vez 
que exigem a realização de cada transação em bolsas 
diferentes. 
 
98 
 
Spreads entre commodities 
 Spread entre commodities é formado por uma 
posição comprada numa commodity e de uma posição 
vendida em outra commodity, que esteja 
economicamente relacionada à primeira. Esse spread 
está mais associado aos mercados financeiros como 
notas do Tesouro, moeda e taxas de juros. 
 
Spreads entre uma commodity e seus subprodutos 
 Spreads dessa natureza englobam uma posição 
comprada numa commodity contra posições vendidas 
numa quantidade equivalente de produtos derivados da 
commodity, ou vice-versa. Um exemplo bastante 
difundido é o chamado crush de soja, que envolve uma 
posição comprada em grãos de soja contra posições 
vendidas em seus derivados – farelo e óleo. 
 
Liquidação De Contratos Futuros 
 As formas usuais de liquidação dos contratos 
compreendem a inversão de posição, a entrega física do 
produto e a liquidação financeira. 
 
Inversão de posição 
 Pode ocorrer tanto em contratos regidos por 
entrega física quanto por liquidação financeira e 
corresponde a compradores e vendedores inverterem 
suas posições no mercado futuro antes do vencimento 
do contrato, isto é, se um hedger fez um contrato de 
venda, ele simplesmente adquire um contrato de compra 
para o mesmo vencimento, zerando sua posição e saindo 
do mercado. Por outro lado, se ele tiver um contrato de 
compra, vendendo um contrato equivalente ele zera sua 
posição e sai do mercado. 
 
Entrega física 
99 
 
 Consiste basicamente do vendedor, na data de 
vencimento do contrato, colocar o produto negociado, à 
disposição do comprador, em um local devidamente 
credenciado pela BM&F. 
 
Liquidação financeira 
 Os contratos negociados são invertidos 
automaticamente pela BM&F na data de expiração do 
contrato. Para isso é utilizado um indicador do preço da 
commodity. Atualmente, o único contrato regido pela 
liquidação financeira é o de boi gordo. Os demais 
possuem como premissa a entrega física. 
 
Análise De Mercado 
Análise fundamentalista 
 Embora existam diversos fatores que causam 
mudanças nos preços, qualquer explicação valida acaba 
direcionando para alterações na oferta ou na procura. O 
propósito da análise fundamentalista de mercados 
futuros é deduzir a trajetória futura de preços, com base 
na compreensão dos fatores de oferta e procura que os 
afetam. Apesar da previsão de mudanças na oferta 
futura de algumas commodities ser mais fácil do que a 
de alterações na demanda futura, os dois fatores são de 
igual importância na determinação de preços. Dessa 
forma, todos os elementos relevantes devem ser 
considerados. 
 Ha muitos e vários tipos distintos de análise 
fundamentalista e os diferentes analistas enfatizem 
diferentes fundamentos, é preciso sempre questionar a 
forma pela qual determinado indicador de mercado 
realmente afeta a oferta ou a procura de uma 
commodity, moeda, título ou outro ativo em questão. 
Através de estudos e observações cuidadosas, pode-se 
rapidamente aprender a reconhecer os fatores que 
100 
 
parecemmicroeconômica considera a atuação das diferentes 
unidades econômicas como se fossem unidades 
individuais. A microeconomia é aquela parte da teoria 
econômica que estuda o comportamento das unidades, 
6 
 
tais como os consumidores, as industrias e as empresas, 
e suas inter-relações. 
 A macroeconomia, pelo contrario, ocupa-se do 
comportamento global do sistema econômico refletido 
em um número reduzido de variáveis, como produto 
total de uma economia, o emprego, o investimento, o 
consumo, o nível geral de preços, etc. Ela estuda o 
funcionamento da economia em seu conjunto. Seu 
propósito é obter uma visão simplificada da economia 
que, porem, ao mesmo tempo, permita conhecer e atuar 
sobre o nível da atividade econômica de um 
determinado país ou de um conjunto de países. 
 De qualquer forma, deve-se ressaltar que a 
microeconomia e a macroeconomia são dois ramos da 
mesma disciplina, a economia, e como tais se ocupam 
das mesmas questões, ainda que se fixem em aspectos 
distintos. 
 
1.4 Noções fundamentais de economia 
 
Necessidades Econômicas 
 Todos nós sabemos o que é precisar ou desejar 
alguma coisa: alimentos, roupas, dinheiro, ferramentas, 
viagens, etc. Essa situação humana tem o nome de 
necessidades econômicas (ou humanas). 
 Conceitualmente, necessidade econômica é o 
desejo de obter bens e serviços úteis ou ainda, o 
sentimento de privação de um bem que se tende a 
desejar. As causas das necessidades econômicas podem 
ser primarias e secundarias. 
- Primárias são as que dizem respeito às necessidades 
vitais do individuo e sem as quais ele morre (comer, 
dormir, vestir). 
7 
 
- Secundárias são aquelas referentes ao bem-estar, 
comodidade, conforto, luxo, etc., depois de satisfeitas as 
primárias. 
 Necessidade em sentido comum ou vulgar são 
as faltas ou carências importantes para a vida humana. 
Necessidade em sentido econômico possuem outros 
aspectos que as distanciam do conceito comum das 
necessidades, assim, elas podem ser: 
 Subjetivas: cada indivíduo decidirá, se tem ou não 
necessidade de algum bem econômico. 
 Imaginárias: são necessidades reais de ponto de 
vista econômico, embora não sejam do ponto de vista 
vulgar. São necessidades econômicas porque 
determinam atividades econômicas, a fim de serem 
satisfeitas. 
 Carro 2006 → compra carro 2007 
 Abstrativas:a necessidade econômica faz abstração 
de juízo moral, religioso, ético, filosófico, jurídico sobre 
a natureza ou o objeto da necessidade. O desejo de bem 
nocivos ou inúteis pode determinar atividades 
econômicas de produção, mercado, preços,consumo e 
etc. O ético e o jurídico normalizam a necessidade 
econômica. 
OBS.: A ética e o direito opinarão sobre essas diferentes 
necessidades econômicas, e determinarão que se 
reprimam ou disciplinem as que podem ser nocivas aos 
indivíduos ou a sociedade. 
 
Características das Necessidades Econômicas 
- Qualidade da necessidade: permite fazer a diferença 
entre uma necessidade e outra; individualiza cada 
necessidade permitindo sua classificação; são imitadas 
em numero, concorrem entre si, se propagam pela 
imitação, podem ser criadas pela imaginação. E.: 
comer/dormir, estudar/ tomar água, fumar/ dormir. 
8 
 
- Saciabilidade: uma necessidade é limitada, a medida 
vai sendo satisfeita pode desaparecer ou decrescer, 
apenas uma necessidade parece não ter limitação: o 
dinheiro. 
- Substituição: uma necessidade pode ser substituída 
por outra ou pode uma mesma necessidade ser satisfeita 
de formas diferentes. Ex.: Filme no cinema ou na TV; 
vinho caro/ vinho barato, etc. 
 
Classificação das Necessidades Econômicas 
- Primarias: indispensáveis à vida humana (comer, 
dormir, vestir, emprego, transporte). 
- Secundárias: referem-se ao bem estar (conforto, luxo,, 
comodidade) depois de satisfazer as Primárias 
conhecida como sociais e/ou culturais. Ultrapassam o 
mínimo indispensável à vida humana. 
- Matérias: são satisfeitas mediante o uso do bem. Ex.: 
coca-cola, carro, imóvel. 
- Imateriais: são os diversos serviços que os homens 
prestam uns aos outros. Ex.: viagens, aulas, consultas, 
corte de cabelo. 
- Individuais: são aquelas experimentadas pelo 
individuo em seu próprio ser. Ex.: comer, vestir, 
divertir, etc. 
- Coletivas: surgem porque os homens vivem em 
grupos. Ex.: familiar (educação dos filhos), necessidade 
pública (administração pública, policiamento, saúde), 
necessidades sociais (clubes recreativos). 
- Solváveis: quando tem necessidade e se pode 
satisfazê-la. 
- Insolváveis: quando tem necessidade e não se pode 
satisfazê-la. 
- De consumo: satisfazem diretamente. Ex.: cerveja, 
cigarro, alimentos, calçados e etc. 
9 
 
- De produção: bem que são utilizados na produção de 
outros bens. Ex.: aço, matéria-prima, máquinas, 
formação profissional e etc. 
 
Necessidade e Estado 
 No nosso sistema capitalista, onde prevalece o 
principio da intervenção necessária do Estado, 
observamos que: 
- Cabe ao estado providenciar para que as necessidades 
primárias sejam satisfeitas pela totalidade da população; 
- Cabe à iniciativa privada integrar-se na tarefa de 
abastecimento das necessidades primárias e 
providenciar a satisfação das necessidades secundárias; 
- Cabe ao Estado no domínio econômico e social, 
quando a iniciativa privada torna-se inoperante, 
prejudicando o desenvolvimento econômico. 
 
Dinâmica das Necessidades 
 São as necessidades que provocam as ações 
humanas, pela qual se satisfazem essas necessidades. Há 
um circuito fechado a respeito: 
 “A necessidade N gera o desejo, que provoca a 
atividade econômica A, isto é, o trabalho que procura 
obter o bem B, que por sua vez, satisfaz a necessidade 
N.” 
 Os males que impedem a dinâmica das 
necessidades são entre outros, os seguintes: a 
ignorância, a falta de liberdade, a ausência de técnicos, a 
ausência de cientistas, etc. 
 
Utilidade 
 A noção de utilidade está intimamente ligada à 
idéia de necessidade. A idéia econômica de utilidade 
difere do significado vulgar da palavra. Em sentido 
vulgar, útil é o que não prejudica. 
10 
 
 Em sentido econômico, útil é todo bem que 
satisfaz uma necessidade sem quaisquer indagações 
morais, éticas, filosóficas ou legais. É a propriedade que 
tem os bens de corresponderem à uma necessidade ou a 
um desejo humano. É a propriedade que possuem os 
bens de se tornarem aptos às nossas necessidades. 
 
Condições para um bem ser útil: 
- Existência de uma relação entre a qualidade do bem e 
uma das nossas necessidades; 
- Reconhecimento dessa relação; 
- Acessibilidade do bem. 
 Ex.: Há uma relação entre o livro de economia e 
a minha necessidade de estudar economia para a 
próxima prova; reconheço que este livro e o seu 
conteúdo são absolutamente necessários para a 
realização de uma boa prova; o livro de economia é 
acessível, isto é, ele existe na livraria e eu posso 
comprá-lo. Conclusão: o livro de economia satisfaz os 
três itens citados e portanto ele é ÚTIL. 
 
Tipos de Bens: 
- Livre: em circunstâncias normais, caracterizam-se 
pela abundância, não constituindo um problema cuja 
solução esteja no âmbito da analise econômica. Ex.: 
águas dos mares, luz solar, ar. 
- Econômico: bens escassos, cuja obtenção requer certa 
quantidade de trabalho. Compreendem duas categorias: 
Bens tangíveis e os intangíveis. 
Tangíveis: são bens materiais. Ex.: alimentos, 
vestuários, bebidas. 
Intangíveis: que não são da natureza física, são os 
serviços. Ex.: consultas, aulas, táxi, cabeleireira. 
11 
 
- Capital: são bens utilizados para a produção de outros 
bens, e por isso são também conhecidos por “bens de 
produção”. Ex.: máquinas, ferramentas, insumos. 
- Consumo: são os produtos que se destinam ao 
consumo. Subdividem em bens de consumo não 
duráveis (sua existência é limitada no tempo e 
geralmente desaparecem ao satisfazer as necessidades.causar maior impacto sobre os preços. A partir 
desses fatores, o analista deve escolher as técnicas 
analíticas apropriadas – análise de regressão, 
elasticidade de oferta e procura, etc. - para analisá-los. 
 Os preços de uma commodity podem ser 
afetados por mudanças de legislação, taxas de câmbio, 
acordos internacionais sobre commodities, políticas 
monetária e fiscal, comportamento do consumidor, 
níveis gerais de preços, etc. Assim, pode-se observar 
que qualquer fator que influencie a economia e os 
mercados pode afetar os preços de determinada 
commodity ou mercado. A questão resume-se ao grau 
com que cada variável isoladamente altera os preços. 
Portanto, o objetivo consiste em identificar e avaliar os 
fatores que, provavelmente, exercem maior influência 
sobre o preço de determinada mercadoria e 
conseqüentemente utilizá-los em suas análises. O 
analista deve iniciar com uma visão macro da economia, 
analisando fatores como nível e direção geral das taxas 
de juro e dos preços, condições da economia, comércio 
internacional, quadro político interno, entre outros. 
 O passo seguinte é analisar como a commodity 
se enquadra na industria como um todo, por exemplo, 
como é precificada e qual o seu potencial de 
substituição relativo às outras commodities. Para estudar 
café, por exemplo, parte-se do agribusiness, produtos 
competitivos (chá, refrigerante), fertilizantes, mão-de-
obra, legislação pendente que poderia afetar o 
agribusiness, etc. 
 Por fim, o analista deve examinar as condições 
básicas de mercado para a commodity em consideração. 
No caso específico de commodities agrícolas, o analista 
deve sempre ter em mente questões como: a safra e a 
entressafra; os padrões normais de comercialização e os 
canais de distribuição; as ameaças potenciais ao plantio 
101 
 
(pragas e doenças); e as informações meteorológicas. 
 
Análise técnica 
 Os analistas de mercado consideram a analise 
técnica como sendo mais arte do que ciência. Os 
resultados obtidos não são respostas ao comportamento 
incerto dos mercados de commodities, mas informações 
que fornecerão subsídio para uma maior compreensão 
da natureza e do significado dos complexos 
desenvolvimentos de mercado, fortalecendo assim a 
capacidade individual no exercício de um julgamento 
sólido para a tomada de decisão de negócios. 
 Os preços das commodities tendem a subir ou 
diminuir acompanhando tendências, sendo que essas 
persistem, criando oportunidades de lucro a longo prazo 
em função de sua duração e de sua extensão. Esse 
princípio de tendência é essencial para a abordagem 
técnica. 
 Nos mercados futuros e de opções sobre futuros, 
o analista técnico tradicional afirma que os preços 
passados dão origem aos preços correntes. Isso significa 
que um movimento anterior de preços pode e deve 
motivar um movimento subseqüente. Por exemplo, 
antes de colocar ordens de compra ou de venda, os 
operadores geralmente verificam o último preço, para 
poder tomar uma decisão e executar a operação. Em 
conseqüência, cada nova transação influenciará, até 
certo ponto, os negócios subseqüentes. 
 Alguns técnicos costumam comparar os 
mercados a uma pesquisa de opinião pública realizada 
momento a momento sobre cada commodity. Essa 
opinião agregada engloba a soma de todos os fatos, 
rumores, esperanças e medos dos especuladores, 
hedgers e outros operadores. Como resultado, se a 
maioria dos participantes acreditar que haverá uma 
102 
 
elevação de preços, a compra será mais agressiva que a 
venda, fazendo o nível de preços subir; se acreditar 
numa redução de preços, ocorrera o inverso. 
 A maioria dos analistas de mercado concorda, 
em última instância, que os preços das commodities se 
relacionam com a situação econômica e que essa relação 
se assemelha mais a um barômetro do que a um 
termômetro. Os mercados parecem experimentar 
movimentos significativos sem nenhum motivo 
fundamentalista discernível. As mudanças nos 
princípios fundamentalistas são levadas em conta pelos 
preços de mercado muito antes de se tornarem do 
conhecimento geral. 
 Os técnicos afirmam que o principal motivo dos 
fundamentalistas não conseguirem prever os preços das 
commodities com segurança é que o fator de maior 
importância, subjacente a todos os movimentos de preço 
- a psicologia humana -, não pode ser medido através da 
analise ortodoxa de oferta e procura, sendo ignorado 
quando se opera exclusivamente com base em 
estatísticas sobre a situação de consumo e produção. 
 Para determinar a atuação da maioria dos 
operadores, um técnico utiliza amplamente gráficos de 
variações de preços e outros indicadores que refletem as 
inclinações e mudanças da psicologia de mercado. Os 
métodos mais populares de elaboração de gráficos são 
os de barras; de linhas; e de velas (candle stiks). 
 
7.4.2 Mercado De Opções 
 Uma opção constitui-se no direito de comprar 
ou vender uma quantidade específica de um bem ou 
ativo a um preço determinado para exercê-lo numa data 
prefixada ou num prazo determinado até a data de 
vencimento ou expiração. 
 
103 
 
A mecânica operacional 
Participantes do mercado de opções 
 Os participantes desse mercado são definidos, 
basicamente, como nos mercados futuros. Ou seja, além 
dos hedgers, esses mercados têm também como 
participantes os especuladores e os arbitradores. 
 O hedger atua com o objetivo de se proteger de 
riscos futuros, determinados pelas variações de preço 
dos ativos possuídos. Para se proteger de uma eventual 
desvalorização dos preços, o hedger adota a estratégia 
de comprar opções de venda ou vender opções de 
compra. 
 Um especulador, por outro lado, costuma 
apostar alto no comportamento futuro dos preços dos 
ativos, proporcionando possibilidades de altos ganhos, 
ou perdas especulativas. A atuação de especulador 
contribui para a liquidez do mercado. O especulador 
encontra enorme capacidade de alavancagem para suas 
operações nesse segmento financeiro. No entanto, os 
mercados não são iguais para os especuladores. HULL 
(1998) demonstra que o ganho potencial, assim como a 
perda potencial, é muito grande nos mercados futuros. 
Contudo, no mercado de opções, a eventual perda do 
especulador é menor, limitando-se ao valor pago pela 
opção, independentemente do comportamento dos 
ativos objetos do contrato. 
 Os arbitradores têm por objetivo aproveitar 
eventuais desajustes verificados entre um mercado e 
outro, efetuando transações simultâneas e realizando 
lucros. As oportunidades de arbitragem são geralmente 
de curto prazo, pois se espera que os preços em eventual 
desajuste em dois mercados venham a se eqüivaler 
rapidamente. 
 
Posições e tipos de opções 
104 
 
 De acordo com HULL (1998), há duas pontas 
de cada contrato de opção. Numa delas está o investidor 
que assume a posição comprada (compra a opção); na 
outra está o investidor que assume a posição vendida 
(vende ou lança a opção). O lançador de uma opção 
recebe dinheiro adiantado, mas tem obrigações 
potenciais mais tarde. Seu lucro ou perda é oposto ao do 
comprador da opção. 
 O direito de comprar a um preço determinado é 
chamado call, e o de vender, de put. Portanto, para 
ambos os tipos de opções, podem ter as seguintes 
posições básicas: 
 Long call – compra de uma opção de compra 
 Short call – venda de uma opção de compra 
 Long put – compra de uma opção de venda 
 Short put – venda de uma opção de venda 
 
 Existem as opções americanas e as européias. 
No primeiro tipo, a opção pode ser exercida a qualquer 
momento entre a data inicial de negociação e a de 
vencimento. O titular tem o direito de comprar ou 
vender o ativo-objeto ao preço de exercício, tendo maior 
flexibilidade no seu contrato. Essa flexibilidade tem um 
preço: com o mesmo ativo-objeto, preço de exercício de 
vencimento e liquidez uma opção americana custará 
mais caro do que aeuropéia. A européia só pode ser 
exercida no vencimento do contrato. Nas Bolsas de 
Valores brasileiras as opções de compra de ações têm o 
estilo americano e as opções de venda são negociadas 
no estilo europeu. 
 Os contratos de opções podem ser negociados 
tanto em Bolsas, como em Balcão entre duas 
instituições financeiras ou entre uma instituição 
financeira e seus clientes. A vantagem das opções de 
balcão é de não terem padronização de datas de 
105 
 
vencimento e preços de exercícios, o que ocorre na 
Bolsa. 
 
Objetos de negociação 
 As opções são negociadas sobre ações, índices 
de ações, moedas, contratos futuros e títulos e notas do 
Tesouro. As opções em ações são negociadas sobre 
mais de 500 ações nos Estados Unidos. Um contrato dá 
ao seu titular o direito de comprar ou vender 100 ações 
por um preço de exercício especificado. Isso é 
conveniente, já que as próprias ações são negociadas em 
lotes de 100. 
 
 As opções de índice são especificadas no 
contrato a compra ou venda de 100 vezes o índice pelo 
preço de exercício determinado. A liquidação é sempre 
financeira, e não com a entrega da carteira objeto do 
índice. O pagamento se baseia no valor do índice no 
final do dia em que são emitidas as ordens de exercício. 
 Em se tratando de opções sobre futuro, o objeto 
de negociação é um contrato futuro para depois do 
vencimento da opção. As opções sobre futuro estão 
disponíveis para a maioria dos ativos-objeto de 
contratos futuros. 
 Quando o titular de um opção de compra a 
exercer, ele adquire do lançador uma posição comprada 
no contrato futuro-objeto, mais uma quantia em dinheiro 
igual ao valor da diferença entre o preço futuro e o 
preço de exercício. Quando o titular de uma opção de 
venda a exerce, ele adquire uma posição vendida no 
contrato futuro-objeto, mais uma quantia em dinheiro 
igual ao valor da diferença entre o preço de exercício e 
o preço futuro. Em ambos os casos, os contratos futuros 
têm valor zero e podem ser encerrados imediatamente. 
 
106 
 
Margens de garantia 
 Quando o investidor lança opções, ele precisa 
manter recursos numa conta de margem, para que não 
fique inadimplente no caso de a opção ser exercida. O 
tamanho da margem depende das circunstâncias. No 
caso específico do mercado de opções, apenas o 
lançador terá que exercer o depósito de margem, uma 
vez que o comprador da opção adquiriu um direito, 
podendo exercê-lo ou não, por conseqüência não terá 
risco de se tornar inadimplente. 
Opções Descobertas: Isso quer dizer que a posição de 
opções não esta combinada com a posse de ação-objeto. 
Opções Cobertas: Significa que as ações-objeto já são 
possuídas. 
 
Terminologias do mercado de opções 
As principais terminologias associadas ao mercado de 
opções são: 
Lançador É que vende a opção. Assume a 
obrigação de vender ou comprar 
determinada quantidade de ativo 
objeto, a um preço até o vencimento da 
opção, ou em uma data determinada. 
Titular É quem compra a opção. adquire os 
direitos vinculados a ela. 
Ativo-objeto Ativo a ser comprado ou vendido no 
dia de vencimento da opção. 
Dia de 
Exercício 
Dia de vencimento da opção. Titulares 
devem instruir seus corretores para 
exercer ou não a opção em tempo 
hábil. 
Day Trade Compra e venda de opções da mesma 
série, numa mesma sessão de pregão, 
na mesma bolsa 
Exercício Operação realizada no pregão, pela 
107 
 
qual o titular compra ou vende os 
ativos-objeto, ao preço de exercício. 
Fechamento Operação em que o lançador e/ou 
titular reduz ou encerra suas 
obrigações (no caso do lançador) ou 
direitos (no caso do titular), 
consistindo na realização da operação 
inversa à original. 
Lançamento Operação que origina as opções 
negociadas. 
Prazo Tempo entre o dia de lançamento e o 
dia de exercício. 
Preço de 
Exercício 
Preço pelo qual a opção será exercida. 
Prêmio Preço da opção, no lançamento ou 
durante o prazo. 
Série Opções com mesmo preço e dia de 
exercício, envolvendo o mesmo ativo-
objeto. 
Fonte: Rudge e Cavalcante (1998) 
 
Opções em mercados futuros agropecuários 
 Segundo Marques e Mello (1997), as opções 
agropecuárias são definidas apenas como contratos 
obrigatórios e legais que dão ao comprador o direito, 
mas não a obrigação, de comprar ou vender uma 
commodity em condições específicas numa bolsa, 
mediante o pagamento de um prêmio. A decisão do 
comprador de exercê-la é um direito, apenas o vendedor 
da opção é obrigado a desempenhá-la. 
 As opções são um tipo de seguro de preços na 
comercialização dos produtos agropecuários. Um 
comprador de opções limita o seu risco financeiro 
enquanto tem a possibilidade de aumentar o seu 
potencial para lucro. As opções podem ser compradas 
108 
 
com o seguro, onde se paga um prêmio para se ter uma 
garantia contra um imprevisto. 
 As opções são negociadas da mesma forma em 
que são negociados os contratos futuros, só que, 
enquanto o vendedor faz depósito de margem, isso não é 
necessário ao comprador de uma opção. O titular da 
opção salda logo no início do contrato a quantia total do 
prêmio que lhe dará o direito. O detentor da opção não 
esta sujeito, também, à cobrança dos ajustes diários 
como ocorre com o participante do mercado futuro, no 
caso de um movimento adverso dos preços. Existe 
margem para o lançador, porque o vendedor de uma 
opção sempre enfrenta a possibilidade de que a opção 
seja exercida contra ele, assim a sua conta de margem 
reflete perdas potenciais sobre a base diária. 
 O comprador e o vendedor de opções não 
precisam ficar posicionados até o vencimento das 
opções. O processo de inversão de posição, detalhado 
nos mercados futuros, também pode ser utilizado nos 
mercados de opções. Assim, o participante que tenha 
lançado uma opção, pode comprar uma opção para o 
mesmo vencimento e consequentemente sair do 
mercado. Por outro lado, o participante que tenha 
comprado uma opção pode lançar outra opção. 
 O prêmio da opção (preço da opção) é 
determinado a partir do preço atual da mercadoria, do 
preço de exercício, do tempo para o vencimento, da 
volatilidade do preço da mercadoria, da taxa de juro 
livre de risco, do custo de carregamento da mercadoria 
até o vencimento e das expectativas do mercado. 
A estrutura do prêmio 
 O ponto crucial relativo às opções refere-se ao 
modelo de cotação que melhor se adeqüe. Nesse 
sentido, as opções, como qualquer ativo, serão cotadas 
considerando-se as forças de mercado. Contudo, uma 
109 
 
vez que o prêmio da opção esta diretamente relacionado 
ao preço do ativo subjacente, é possível que sua cotação 
seja representada por uma função do preço do ativo. 
 Do ponto de vista teórico, no preço de uma 
opção (prêmio), estão embutidos dois elementos: o valor 
intrínseco e o valor temporal. 
 
Prêmio (P) = Valor Intrínseco (I) + Valor Temporal (T) 
 
 No mercado de opções, existem três 
terminologias básicas quando se considera um paralelo 
entre o preço do ativo e o preço de exercício da opção: 
1
a
) in the money (dentro do preço); 
2
a
) at the money (no preço); 
3
a
) out of the money (fora do preço). 
 
 A primeira indica que existe algum lucro que o 
comprador pode realizar imediatamente ao exercer a 
opção do tipo americano. O lucro é derivado da 
diferença entre o preço de mercado do ativo objeto (S) 
da opção e o preço de exercício da opção (X). Dessa 
forma, pode-se dizer que uma opção de compra esta 
dentro do preço quando o preço de mercado for maior 
do que o de exercício; e no caso de uma opção de 
venda, quando o contrário ocorrer. 
 A igualdade entre o preço de mercado e o de 
exercício determina que a opção esta no preço. E por 
fim, a opção estará fora do preço quando o seu preço no 
mercado for menor do que o de exercício, considerando 
uma call; e no caso de uma put, quando o preço de 
mercado for maior do que o de exercício. 
 
O valor intrínsecoO valor intrínseco refere-se à quantia que uma 
opção está dentro do preço, assim, uma opção 
110 
 
geralmente será vendida pelo menos ao seu valor 
intrínseco e, consequentemente, o seu preço de venda, 
na maioria das vezes, excede o seu valor intrínseco. Tal 
afirmativa é mais aceitável ao se tratar das opções 
americanas. 
 A visualização desse valor torna-se mais clara a 
partir de um exemplo. Supondo que o preço de mercado 
do ativo (S) é de US$ 140,00 e que existem abertas à 
negociação três séries de opções de compra a preços de 
exercícios (X) de US$ 100,00, US$ 140,00 e US$ 
160,00 desse ativo. Com relação aos preços das três 
séries, a primeira será maior que a segunda, que por sua 
vez será maior que a terceira. A primeira série apresenta 
valor intrínseco, ou seja, já oferece condições para o 
exercício. Assim, o preço da opção será de no mínimo 
US$ 40,00 que corresponde ao valor intrínseco naquele 
momento. 
 
O valor temporal 
 O valor temporal é a diferença entre o valor da 
opção (Prêmio) e o seu valor intrínseco num dado 
momento. O valor temporal pode ser indicado como o 
valor de uma especulação contínua sobre um 
movimento favorável nos preços do ativo subjacente. 
 A aquisição de uma opção permite a imediata 
apropriação do valor intrínseco e também a 
possibilidade de benefícios futuros através de variações 
de alta de preços, no caso de uma opção de compra. 
Considerando que as flutuações de mercado são 
fundamentais na determinação dos retornos esperados, 
têm-se que as teorias quanto à avaliação de preços das 
opções está centrada, principalmente, na determinação 
do valor temporal. 
 O preço do ativo subjacente pode mover-se, 
entre o período de negociação e o de expiração, de tal 
111 
 
forma a tornar uma opção lucrativa ou mais lucrativa, 
dependendo de sua colocação segundo sua situação. 
Considerando o exemplo anterior, e analisando o 
contrato de opções de venda, onde o preço de exercício 
é US$ 160,00 (X) e o preço de mercado do ativo é US$ 
140,00 (S), o valor intrínseco é US$ 20,00. Admitindo 
que esse contrato seja vendido a US$ 30,00, obtêm-se o 
valor temporal de US$ 10,00 a partir da diferença entre 
o valor intrínseco e o preço de venda. 
 
Prós e contras do mercado de opções 
 Todo tipo de mercado possui de forma 
intrínseca determinadas características que podem ser 
consideradas como vantajosas ou não. No caso 
específico dos mercados de opções, as vantagens que 
podem ser obtidas a partir de utilização são: 
 1) o estabelecimento de preço máximo de 
compra, mas não de preço mínimo; 
 2) a não existência de depósito de margem de 
garantia por parte do comprador; 
 3) a possibilidade de escolha entre os vários 
níveis de seguro disponibilizados. 
 Por outro lado, as desvantagens listadas são: 
 1) o custo do prêmio, que para períodos grandes 
de tempo e mercados considerados voláteis pode ser 
bastante elevado; 
 2) o período de proteção, para opções 
americanas, ser menor do que o proporcionado pelos 
mercados futuros. 
 
7.4.3 Mercado a Termo - Cédula de Produto Rural 
(CPR) 
Origens e características 
 A Cédula do Produto Rural (CPR) teve sua 
origem fortemente influenciada pela crise fiscal iniciada 
112 
 
em princípios da década de oitenta, a qual se alastra, a 
bem dizer, até os dias atuais. Um dos componentes 
dessa crise foi a redução dos recursos financeiros 
destinados ao crédito rural, obrigando os agentes 
privados a buscarem formas alternativas de 
financiamento de suas atividades. 
 O Banco do Brasil, idealizador da CPR, dada 
sua experiência em crédito rural, buscou desenvolver 
um instrumento que tivesse um status privilegiado do 
ponto de vista de sua formalização, principalmente 
constituição de garantias, e que fosse um título com 
regime de execução privilegiado, visando atrair os 
agentes financeiros para o seu aval. O surgimento desse 
título teve um verdadeiro caráter de inovação financeira, 
por permitir o comércio a termo da produção, o 
desenvolvimento de um mercado secundário, a 
conjugação com instrumentos de hedging e o alívio da 
pressão por recursos de financiamento. 
 O fato de ser um título transacionado no 
mercado durante um dado período de tempo por si só o 
caracteriza como instrumento de proteção contra riscos 
de baixa de preços. Uma vez emitida a cédula, ocorre a 
fixação do preço e, o que é fundamental, ocorre a 
disponibilização do montante de recursos financeiros ao 
emissor, caracterizando, assim, um contrato para 
entrega a termo da mercadoria, porém com acerto 
financeiro no ato de sua formalização. 
 Para Nuevo e Marques (1996), uma das 
principais vantagens da CPR, em relação aos 
instrumentos de financiamento informais como o 
contrato de soja verde e as operações “troca-troca”, 
reside na diminuição dos custos de transação, ou seja, 
nos custos de operacionalização e formalização do 
negócio, das averbações das garantias hipotecárias e 
113 
 
pignoratícias e dos custos de fiscalização das lavouras 
implantadas. 
 A CPR (Nuevo, 1996) é uma cambial, criada 
pela lei n.º 8.929, de 22/08/94, através da qual o 
emitente – produtor rural e suas associações, inclusive 
cooperativas – vende a termo sua produção 
agropecuária, recebe o valor da venda no ato da 
formalização do negócio e se compromete a entregar o 
produto vendido na quantidade, qualidade e em local e 
data estipulados no título. 
 
 A CPR pode ser emitida para validade entre as 
partes (vendedor/comprador) ou pode ser garantida por 
uma instituição financeira. Suas principais 
características são: ser título líquido e certo, transferível 
por endosso e exigível pela quantidade e qualidade do 
produto nele previsto; admitir a vinculação de garantias 
na forma cedular, livremente ajustadas entre as partes 
(hipoteca, penhor, alienação fiduciária, aval); não 
responder os endossantes pela entrega do produto, 
apenas pela existência da obrigação; responsabilizar o 
avalista do emitente pela entrega do produto; não 
admitir que o emitente invoque em seu benefício caso 
fortuito ou de força maior; constituir-se em ativo 
financeiro, durante sua existência, podendo ser 
negociada em bolsas de mercadorias ou de futuros ou, 
ainda, em mercados de balcão; necessitar registro na 
CETIP (Central de Custódia e Liquidação Financeira de 
Títulos), evitando a venda da produção em duplicidade; 
permitir, quando em cobrança, ação de execução por via 
preferencial, etc. 
 No cenário de altas taxas inflacionárias que 
vigorou por muitos anos no Brasil, a demanda dos 
produtores rurais sempre foi pela existência de 
financiamentos em equivalência-produto. A CPR 
114 
 
cumpre esse papel. É um financiamento referenciado em 
produto, possibilitando ao produtor dimensionar seus 
custos na moeda cujo domínio lhe é estritamente 
familiar. 
 Pelas evidências (negócios efetuados), a CPR, 
como produto novo, para se firmar no mercado e 
realizar seus objetivos, ainda necessitaria: 
desenvolvimento/aprimoramento de mecanismos de 
proteção (hedging, seguro etc.) e disseminação/inter-
relacionamento com os instrumentos de mercados 
futuros e de opções. Apesar de possuir como princípio o 
financiamento, a inter-relação com os demais 
instrumentos, fortalecerá a consolidação do mercado de 
derivativos agropecuários. 
 Segundo interpretações correntes, o mercado 
para absorção de CPR com entrega física seria estreito. 
Apenas se interessariam pelo produto físico os agentes 
da cadeia agroindustrial que se localizam a jusante da 
agricultura. No entanto, tais agentes esbarram na 
limitação de recursos para financiar o produto rural. A 
alternativa seria atrair para a CPR os detentores de 
poupança, que buscam opções de investimento no 
mercado. Porém, tais agentes interessam-se tão somente 
pela possibilidade de retorno que o título pode 
proporcionar, não se interessando pelo recebimento doproduto. Assim sendo, a alternativa para o 
financiamento da agricultura passaria pela emissão de 
um título que, embora representativo de produto rural, 
não exigisse a entrega/recebimento do mesmo. Essa 
alternativa seria então a CPR com liquidação financeira, 
idêntica à atual, exceto pela forma de liquidação, 
baseada em indicador, a exemplo de alguns dos 
contratos futuros disponíveis. 
 
Modalidades de CPR 
115 
 
 Atualmente, são três as modalidades de CPR 
existentes no mercado: a física, existente desde 1994; a 
financeira, que começou a operar em março de 2000; e, 
a exportação, que encontra-se em fase final de 
lançamento. 
 
Física 
 Nessa modalidade de CPR, o emitente vende 
antecipadamente sua produção, com o objetivo de 
garantia de preço. Na data de expiração do documento, 
o vendedor vai entregar o produto físico em um lugar 
estipulado, e da mesma forma o comprador irá pegar a 
mercadoria nesse local. 
 
Financeira 
 Essa modalidade define que a CPR pode ser 
liquidada a partir de um acerto financeiro em detrimento 
à entrega física do produto. Dessa forma o emitente não 
tem seu lucro fixado, por exemplo, caso o produtor 
negocie uma CPR com a saca sendo cotada a R$ 135,00 
e no dia de liquidação o café esteja cotado a R$ 
145,00/saca, ele alcançaria um lucro líquido de R$ 
10,00/saca. Tal resultado seria atingido através da 
seguinte operação: venda do produto na data de 
liquidação por R$ 145,00 e pagamento de R$ 135,00 ao 
detentor da CPR. 
 A CPR financeira, depois de dois meses de 
lançamento, já ocupava 20% dos negócios com este 
título, atingindo um montante de R$ 40 milhões em 
negócios no Banco do Brasil (Alcântara, 2000). 
 
Exportação 
 Uma vez que a CPR é restrita ao território 
nacional, o Banco do Brasil está lançando uma terceira 
modalidade do título denominada exportação. Essa irá 
116 
 
atuar como a CPR física, só que sua entrega será 
efetuada em qualquer armazém alfandegário ou porto 
seco. Como resultados de sua operacionalização espera-
se: diminuir a intermediação na negociação; favorecer a 
exportação diretamente do produtor; simplificar a 
operacionalização da exportação; e, permitir a entrada 
de compradores não residentes. O registro de exportação 
será emitido pelo Siscomex, sendo que a CPR poderá 
ser comercializada a preços FOB em território nacional, 
com a garantia do Banco do Brasil. 
 
O desenho dos contratos 
 A CPR por ser um contrato a termo exibe a 
característica de ser um título “taylor made”, ou seja, 
pode ser feita sob medida segundo a confluência dos 
interesses exibidos pelo vendedor e pelo comprador. 
Além dessa característica de ajustabilidade a cada caso, 
ela pode ser também transacionada em contratos 
padronizados. A padronização exibe a vantagem de 
extrapolar a relação particular vendedor/comprador, 
com a correspondente necessidade de, a uma dada 
mercadoria com uma dada qualidade e preço, encontrar 
um comprador exatamente com esse desejo de compra. 
 Com a padronização, os mercados podem ser 
ampliados, fugindo da relação direta 
vendedor/comprador. Com a característica que a CPR 
exibe, de agregar uma instituição financeira que garanta 
a entrega do produto, os compradores interessados na 
mercadoria podem fazer a compra de um alto grau de 
liberdade: a padronização garante a qualidade do 
produto a ser recebido e o aval da instituição financeira 
garante a entrega propriamente dita. 
 No caso da CPR, a padronização pode expandir 
os canais de absorção dos títulos, fazendo com que os 
investidores e/ou tomadores de risco se interessem pelo 
117 
 
instrumento e entrem no mercado, aumentando a 
liquidez e dando vazão à potencial oferta do título, 
permitindo ao campo o financiamento privado de suas 
necessidades. As CPRs intermediadas pelo BB, de café 
(arábica e conillon), de milho, de soja, de algodão em 
pluma, de bezerros, boi magro, novilho precoce e boi 
gordo, são todas padronizadas. 
 Nos casos de venda de CPR, muitas vezes o 
volume de produção individual não atende aos 
requerimentos mínimos para a abertura de um contrato. 
Uma possível solução seria a negociação em pool, 
coordenada, por exemplo, por cooperativas. Pela ponta 
compradora, os bancos/corretoras poderiam montar 
fundos lastreados em CPR
1
 , ativando, na outra ponta, o 
segmento de venda antecipada de produto, e a 
conseqüente formação dos fundos necessários às 
operações agrícolas. 
 Para a CPR pode acontecer o mesmo que ocorre 
com alguns contratos futuros, ou seja, alguns contratos 
pegam, outros não. Dessa forma, quando do lançamento 
de nova modalidade de CPR seria interessante 
incorporar aos estudos de viabilidade as condições 
subjacentes ao sucesso. Parece que o tamanho do 
mercado físico e seu grau de atomização seriam 
variáveis importantes. Além disso, outro item que 
parece fundamental seria a verificação de se o produto a 
ser lançado em CPR possui sinalização de preços 
futuros forte. Quanto melhor a sinalização, menores 
seriam os problemas de descolamento do preço 
praticado em relação ao preço de mercado (Base). 
 À CPR podem se aplicar, pelo menos em parte, 
os elementos considerados para o êxito de um contrato 
futuro. Segundo Working (1970), quatro condições 
 
 
118 
 
podem ser listadas para a sobrevivência e prosperidade 
de um contrato futuro: 
 1) os termos do contrato e os encargos cobrados 
devem ser tais que atraiam um número apreciável de 
operações de compra e venda; 
 2) deve existir a possibilidade de atração de 
especuladores em grau suficiente à existência de um 
mercado fluido; 
 3) negociadores da commodity devem ter razões 
para utilização do contrato futuro como substituto 
temporário para os contratos que irão formalizar mais 
tarde, no curso de suas atividades; 
 4) deve existir um adequado reconhecimento 
público quanto à utilidade econômica dos mercados 
futuros. 
 
 Uma das questões que permanece como 
importante, transcendendo à questão do aval (que 
garante ao comprador a integridade do contrato), é a 
credibilidade do instrumento enquanto representativo de 
produto físico (quando este for o caso, e não a 
liquidação financeira). Ou seja, é necessário que os 
agentes emissores não se sintam tentados a mudar de 
posição durante a vigência do contrato, acreditando que 
podem auferir maiores lucros caso o façam. A 
responsabilidade na emissão do título se traduzirá em 
taxas nulas ou insignificantes de inadimplência, 
propiciando, cada vez mais, o fortalecimento desse 
instrumento financeiro. 
 
O processo de formação de preços 
 Como decorrência da credibilidade da CPR, os 
modelos precificadores devem ser aprimorados, fazendo 
com que o risco de deslocamento entre o preço 
praticado na venda e o observado no mercado 
119 
 
disponível seja insignificante. Quanto mais a diferença 
observada se aproximar dos custos de transporte no 
tempo, maior será a credibilidade do papel. 
 
 A esse respeito, Kamara (1982) relata que para 
vários autores há uma separação entre a decisão de 
produção e as posições a futuro, indicando que o 
comportamento ótimo seria aquele que determina a 
decisão de produção com base somente nos preços dos 
insumos e nos preços correntes da commodity. Em 
outras palavras, a decisão de produção deveria se pautar, 
ao final, pela margem de lucro apurada quando se 
compra o preço futuro a ser obtido (no caso da CPR 
transportado para o valor presente) e o respectivo custo 
de produção. 
 Nuevo (1996) e Nuevo e Marques (1996) 
apresentam um modelo para balizar a tomada de decisão 
por parte de um vendedor de CPR. O modelo é 
desenvolvido para a soja e se baseia, como parâmetro 
inicial, no preço futuro obtido na Chicago Board of 
Trade, decomposto para o mercado interno 
(FOB/Paranaguá). Descontados dos custos operacionais 
e do custo de oportunidadedos recursos envolvidos, os 
valores obtidos vão pautar a decisão do produtor e terão 
que, no mínimo, cobrir seu custo de produção. 
 O custo de produção é a primeira coisa que um 
produtor deve saber antes de tomar sua decisão de 
comercialização. Esse custo envolve custos de 
processamento, armazenagem, transporte e financeiro. 
Sem um bom conhecimento desses números o produtor 
não pode calcular seu preço de nivelamento e, em 
conseqüência, não consegue avaliar as alternativas que 
se lhe apresentam. 
 Além dos custos de produção, viu-se acima que 
o ponto de partida é a utilização de um preço sinalizado 
120 
 
pelo mercado futuro da commodity. Para se participar de 
um mercado de CPR, assim como de um mercado 
futuro, é crucial o processo de descobrimento do preço 
(price discovey). Os preços agrícolas são descobertos no 
mercado através da interação dos movimentos de oferta 
e demanda. A oferta de um determinado produto é 
composta pela safra corrente prevista mais os estoques 
remanescentes de safras anteriores. A demanda, por sua 
vez, leva em conta os principais agentes consumidores 
do produto, seu nível de demanda, oferta de produtos 
substitutos, nível de renda da população, hábitos de 
consumo, preferência dos consumidores, taxa de câmbio 
etc. 
 A análise desses elementos permite tanto a 
apuração de um preço para o produto disponível quanto 
um preço de comercialização futura. É certo que o preço 
para o futuro é determinado com base nas informações 
conhecidas hoje. Porém, dadas as informações 
levantadas e o nível de expectativas, esse é o melhor 
preço hoje para o futuro. A manutenção desse preço vai 
depender obviamente dos acertos no levantamento das 
informações e da não ocorrência de fatores 
extraordinários e/ou imprevisíveis que alterem a 
trajetória dos preços. 
 Assim, a existência de um mercado futuro com 
bastante liquidez constitui-se em uma boa fonte 
sinalizadora de preços. Uma outra alternativa de 
formação de preços com transparência e razoável grau 
de ajuste é a existência da possibilidade de os preços 
serem formados através de leilões, como os leilões 
eletrônicos do Banco do Brasil que, entre outros 
produtos, têm ofertado CPRs. Tais leilões propiciaram 
uma melhora substancial dos preços de comercialização 
das commodities envolvidas, além de aumentar a 
aceitabilidade do título pelo mercado. 
121 
 
 Uma outra alternativa de formação seria 
calcular-se o custo de produção, adicionando-se uma 
faixa de variação para uma margem de lucros desejada. 
Com esses parâmetros o produtor submeteria o contrato 
a um processo de leilão e aguardaria a ação das forças 
de demanda para testar seu preço e a existência de uma 
contraparte interessada no negócio. 
 Ocorre, porém, que na agricultura o elo mais 
frágil tende a ser o produtor. Assim é que os encargos 
financeiros embutidos pelos compradores dos produtos 
na formação dos preços (deságios praticados em relação 
ao preço futuro) têm-se constituído em elemento 
inibidor à formalização de CPRs, estimulando os 
produtores a realizarem operações de custeio 
convencional. Dessa forma, a CPR estaria constituindo-
se em alternativa apenas quando escasseiam os recursos 
para financiamento tradicional. 
 
 
122 
 
 
 
Agricultura / grãos - 17/10/2011 
Feijão-de-corda tem zoneamento divulgado para a região Nordeste 
Municípios aptos e períodos mais adequados de cultivo estão indicados para cinco estados 
 
por Globo Rural On-line 
 
 
O Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento publicou no Diário 
Oficial da União desta segunda-feira 
(17/10) as condições mais favoráveis 
para o plantio de feijão caupi, o feijão-
de-corda, nos estados de Ceará, 
Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do 
Norte e Bahia. O zoneamento agrícola, 
com a lista dos municípios aptos e os 
períodos mais adequados para a 
semeadura, está nas portarias de 374 a 
378. 
O estudo de risco climático indica o melhor período para plantar determinada cultura 
em cada cidade, segundo a análise histórica do comportamento do clima. Para o feijão, a 
indicação foi realizada com base no balanço hídrico da cultura, estimado com o uso de 
variáveis climáticas, como ocorrência de chuvas, temperatura e disponibilidade de água 
no solo. 
As melhores temperaturas para o bom desenvolvimento do feijão caupi estão entre 18ºC 
e 34ºC. A cultura exige um mínimo de 300 milímetros de chuvas ao longo do ciclo. A 
falta de água perto do florescimento pode causar diminuição no crescimento vegetativo, 
limitando a produção. 
Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI210988-18079,00-
ALTA+DA+ARROBA+DO+BOI+GORDO+EM+CONSEGUE+SUPERAR+EXPRESSIVA+ELEVACAO+DOS+C
US.html 
123 
 
 
Agronegócio / Alimentos - 28/11/2011 
 
Produção integrada ganha regulamentação 
 
Além das frutas, todas as cadeias produtivas poderão receber a certificação - por Globo Rural On-line 
 
A partir de agora, os produtores de qualquer 
cadeia que optarem pela certificação de 
produção integrada já terão uma norma 
regulamentada. O Instituto Nacional de 
Metrologia, Qualidade e Tecnologia 
(Inmetro) publicou, na última sexta-feira 
(25/11), a Portaria que regulamenta o 
Programa de Avaliação da Conformidade 
da Produção Integrada para todas os 
produtos do setor agropecuário no Brasil. 
 A portaria revoga a norma que certificava frutas e engloba todos os produtos. Os agricultores 
que já eram certificados com a regra antiga terão um ano para se adequar às novas exigências. 
Algumas mudanças facilitaram o agricultor. Agora, qualquer produtor, seja pequeno ou grande, 
pode realizar a certificação em grupo. Além disso, não será mais necessário pagar pelo número 
de série emitido pelo Inmetro, prática prevista no antigo regulamento. 
Selo 
O documento é extenso e apresenta um passo a passo que o produtor deve seguir para receber a 
certificação. As etapas da avaliação da conformidade, a relação dos documentos necessários, as 
empresas certificadoras e os detalhes do selo de identificação estão na portaria. 
 Todo produto certificado pela produção integrada deverá ter um selo de identificação da 
conformidade. A presença da estampa garante que o produto é sustentável, respeita o 
trabalhador rural e é um alimento seguro. Todo o produtor é obrigado a fazer a análise de 
resíduos antes de receber o selo e chegar ao supermercado. Por isso, ao adquirir um alimento 
identificado, é certeza de possuir um produto saudável e protegido. 
Saiba mais 
A Produção Integrada Agropecuária (PI Brasil) é um sistema baseado na sustentabilidade 
ambiental, segurança alimentar, viabilidade econômica e rastreabilidade de todas as etapas 
produtivas. O programa, iniciado em 2001, prevê a inserção de tecnologias que propiciem a 
certificação e elevem a competitividade dos produtos. Além disso, diminui o emprego de 
inseticidas e fungicidas, reduz os custos de produção e o uso de fertilizantes. 
 A adesão à iniciativa é voluntária, porém, o produtor que optar pelo sistema terá de cumprir 
rigorosamente as orientações estabelecidas. O Ministério da Agricultura é responsável pela 
publicação das normas, enquanto as certificadoras acreditadas pelo Inmetro fazem as auditorias 
e emitem o selo do programa. 
Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI281403-18077,00-
PRODUCAO+INTEGRADA+GANHA+REGULAMENTACAO.html 
124 
 
 
Agronegócio / soja - 18/01/2011 
 
BM&FBovespa lança contratos de soja com liquidação financeira 
Ao dar opção à entrega física, bolsa contribui para o aumento da liquidez do grão 
 
 
por Globo Rural Online 
 
 
BM&FBovespa lançará três novos 
derivativos de commodities referenciados 
em soja na próxima semana. As 
negociações do novo contrato futuro de 
soja com liquidação financeira serão 
iniciadas no dia 27 de janeiro. O contrato 
tem como objeto de negociação a soja em 
grão a granel tipo exportação, transferidae 
comercializada no porto de Paranaguá, 
PR. Ele está autorizado para negociação a 
partir do vencimento maio de 2011 e pode 
ser negociado pelo código SFI, das 9h às 
17h. Cada contrato futuro é cotado em 
dólares norte-americanos e equivale a 450 
sacas de 60 quilos líquidos ou 27 toneladas 
métricas. A oscilação de preço máxima 
diária será de 5% para mais ou para menos, 
em relação ao preço de ajuste do dia 
anterior
Já os novos contratos de opções de compra e venda sobre futuro de soja estarão autorizados 
para negociação a partir do dia 28 de janeiro. As opções são do tipo americano e podem ser 
exercidas a qualquer momento. A unidade, o código, os horários de negociação e os 
vencimentos dos contratos de opções são os mesmos válidos para o contrato futuro. 
 Os novos contratos futuro e de opções sobre futuro de soja terão como referência o preço no 
porto de Paranaguá e serão liquidados com base no Indicador de Preços da Soja 
Esalq/BM&FBovespa. 
 
Com o lançamento, a BM&FBovespa tem como objetivo ampliar a participação de produtores, 
cooperativas, exportadores, cerealistas e outros agentes que atuam no mercado de soja. Ao 
substituir a entrega física da mercadoria pela liquidação financeira, a bolsa proporciona maior 
eficiência na comercialização do produto. Participantes como pessoas físicas, tesourarias de 
bancos, investidores estrangeiros e importadores de soja também podem contribuir para o 
aumento da liquidez dos contratos. 
Ao lado dos contratos futuros e de opções sobre futuro de etanol, milho e boi gordo, os novos 
contratos de soja completam o portfólio do segmento de derivativos de commodities da 
BM&FBovespa liquidados financeiramente. O contrato de soja com entrega física continuará 
autorizado para negociação nos ambientes eletrônicos de negociação da bolsa. 
FONTE:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI203372-18077,00-
BMFBOVESPA+LANCA+CONTRATOS+DE+SOJA+COM+LIQUIDACAO+FINANCEIRA.html 
125 
 
8. ENFOQUE MACROECONÔMICO 
 
8.1 Introdução 
A microeconomia ocupa-se da análise do 
comportamento das unidades econômicas, como 
famílias ou consumidores, e as empresas. Estuda 
também os mercados onde operam os demandantes e 
ofertantes de bens e serviços. A perspectiva 
microeconômica considera a atuação de diferentes 
unidades econômicas como se fossem individuais. A 
microeconomia é aquela parte da teoria econômica que 
estuda o comportamento das unidades, tais como os 
consumidores, as industrias e as empresas, e suas inter-
relações. 
A macroeconomia, pelo contrário, ocupa-se do 
comportamento global do sistema econômico refletido 
em número reduzido de variáveis, como Consumo, 
poupança, investimentos, políticas fiscal, monetária e 
cambial, orçamento do governo, nível geral de preços, 
emprego e desemprego, balanço de pagamentos e 
produto total de uma economia.. Ela estuda o 
funcionamento da economia em seu conjunto. Seu 
propósito é obter uma visão simplificada da economia 
que, ao mesmo tempo, permita conhecer e atuar sobre o 
nível da atividade econômica de um determinado país 
ou de um conjunto de países. 
 
8.2 Contas Nacionais 
Repartição ou Distribuição de Rendas 
 É a parte da economia que estuda a 
remuneração dos fatores de produção (natureza, 
trabalho, capital e empresas) por terem colaborado para 
a realização do produto nacional (PN). Do ponto de 
vista econômico é a remuneração dos fatores de 
produção. Do ponto de vista comum vem a ser tudo 
126 
 
aquilo que é pago ou que é recebido, sem que seja em 
pagamento de qualquer contribuição para o processo 
produtivo. 
 As quatro rendas: salários, juros, lucros e 
aluguéis. Todos os pagamentos que se fazem para obter 
a produção do produto nacional se classificam dentro de 
uma destas quatro categorias de renda. 
 O salário é a remuneração o trabalho prestado a 
um empregador, o lucro é a remuneração do empresário; 
os juros a remuneração do capital e os aluguéis a 
remuneração da propriedade alugada. 
 
Renda Nacional (RN), Distribuição Funcional, Renda 
Pessoal ou Familiar, Renda Per capita 
- Renda Nacional: É a soma de todas as rendas pagas no 
país, num dado período. 
- Renda Funcional (Fatorial): É quanto de renda que 
coube a cada um dos fatores de produção (aluguel, 
juros, lucros). 
- Renda Pessoal (Familiar): É quanto de renda que 
coube a cada indivíduo ou família. 
- Renda Per capita: É quanto de renda coube a cada 
indivíduo ou família. 
 
Rendas de Transferência 
 São aquelas pessoas que recebem receitas sem 
concorrer em nada para a execução da produção 
nacional. Exemplos: aposentados, viúvas que recebem 
pensões, desempregados que recebem auxílio 
desemprego, bolsas de estudo, etc. 
 Os recursos para o pagamento das rendas de 
transferências são oriundos de rendas verdadeiras dos 
que trabalham e recebem as citadas rendas. O Estado 
através dos impostos e das contribuições 
previdenciárias, cobradas desses recebedores, obtém os 
127 
 
recursos que transfere às pessoas que devem ser 
beneficiadas. 
 
Teorias sobre a repartição de rendas 
 Os economistas sempre se preocupam com a 
origem e a distribuição das rendas entre os indivíduos 
de um país. Esta repartição das rendas entre os 
indivíduos é uma atividade da macroeconomia. 
 
a) Os clássicos ingleses e a repartição: 
 Adam Smith é considerado o pai da economia 
como ciência. Ele distingui a repartição sob dois 
aspectos: I) uma economia em estágio primitivo; II) 
uma economia em estágio adiantado. 
 Na economia em estágio primitivo não existem 
bens de capitais e propriedades, tudo é obtido pelo fator 
trabalho, e assim a produção total cabe toda ao trabalho. 
Cada um recebe proporcionalmente ao trabalho 
executado. 
 Na economia em estágio adiantado. A produção 
nacional é obtida por mais dois fatores de produção: a 
terra (que é privatizada) e o capital. A renda ser; a 
distribuída entre três fatores de produção:terra ( renda), 
trabalho(salários) e capital (juros e lucros). 
Usando-se mais capital, por exemplo, a renda do 
trabalho(salário) diminuirá. 
 David Ricardo conserva as três rendas de 
Adam Smith( renda da terra, salários, lucros e juros) 
mas acrescenta a “a lei dos rendimentos decrescentes”, 
isto é, se a qualidade de um ator aumentar mais do que a 
dos outros, a renda daquele tende a decrescer e as 
rendas dos outros tendem a crescer. 
 Retomando o pensamento de Malthus, Ricardo 
afirma que a população (trabalho) é a que mais cresce e 
por causa disso os salários decrescem. Os capitalistas 
128 
 
aumentando tendem também a crescer menos: é a queda 
do lucro a longo prazo. Só não aumenta a quantidade de 
terra que é inelástica por natureza e por isso, a renda da 
terra tende a crescer cada vez mais. 
 Stuart Mill diz que a taxa de salários é uma 
relação entre a população operária e a porção de capital 
destinada a paga-los, o lucro sobe quando o salário 
desce, e inversamente. A principal contribuição de 
Stuart Mill é a concepção de que as leis da repartição 
são feitas pelo homem, e não leis feitas pela natureza, e 
portanto podem ser modificadas. 
 Karl Marx afirma que só o trabalho é que cria a 
renda, tanto numa economia primitiva, como numa 
economia adiantada. Na sociedade capitalista, o regime 
assalariado permitia que o capitalista pagasse a 
trabalhador, não todo o produto do seu trabalho, mas 
apenas um salário que lhe permitisse viver 
miseravelmente e reproduzir-me. A diferença que 
existia entre o valor do produto do trabalho e o 
“quantum” de salário pago constituía a “mais valia” que 
ficaria pertencendo gratuitamente, ao capitalista. A 
“mais valia” se espalha pelas outras classes sociais que 
não à trabalhadora, sob a forma de juros, lucros e 
aluguéis. 
 Teoria Marginalista: procura fixar com 
precisão a contribuição de cada fator, para a obra da 
produção. A repartição certa é aquela que remunera 
cada fator,de acordo coma sua contribuição para a 
produção. 
 Produtividade: sob este aspecto, é a 
contribuição útil de cada fator para a elaboração dos 
produtos. A produtividade dá a medida de renda que 
toca o fator. 
 Imputação: é a determinação da contribuição 
de cada fator para uma determinada produção. Calcula-
129 
 
se o que deve ser imputado a cada fator, comparando as 
variações da quantidade do fator, com as variações da 
quantidade do produto obtido. 
 Teoria da Reprodução Jean Marchal: 
segundo o professor Jean Marchal, as teorias até agora 
elaboradas não explicam a realidade. Somente uma 
teoria sociológica da repartição pode explicar a divisão 
atual da renda nacional: a ação social e política, dos 
diversos grupos recebedores de rendas, uns contra os 
outros, é que pode explicar a atual repartição. Há seis 
rendas principais segundo J. Marchal, assim: 
 1 – o salário( renda do trabalhador não-
qualificado); 
 2 – os ordenados( renda do trabalhador 
qualificado); 
 3 – os vencimentos( renda dos servidores 
públicos); 
 3 – o lucro industrial, comercial e dos serviços; 
 5 – o lucro agrícola 
 6 – os juros( incluindo aluguéis). 
 A luta social ou política entre os grupos 
mencionados, é que determina o modo, como na 
realidade, se divide a renda nacional entre eles. A luta 
hoje, é entre os lucros X salários e vencimentos. 
 
Estudo dos salários 
 É a remuneração paga pelos serviços prestados, 
pelo trabalho, resultante de um contrato bilateral em que 
a parte assalariada esta subordinada à outra, deve ser 
pago independente dos lucros da empresa. 
1. É a remuneração do trabalho subordinado. 
2. É a renda do trabalhador subordinado, isto é, o 
trabalho prestado a um empregador. 
 
 Características essenciais: 
130 
 
- É a remuneração dos serviços prestados pelo trabalho; 
- Resulta de contrato bilateral; 
- Existe relação de subordinação; 
- Independe do lucro da empresa; 
- Subordinação do trabalhador; ela assume três aspectos: 
1. Subordinação jurídica: O empregador e o 
empregado estão vinculados, entre si, por um 
contrato de trabalho, que garante entre outras 
coisas, os interesses do empregado. 
2. Subordinação técnica: O empregado cumpriu 
ordens operacionais do empregador. 
3. Subordinação econômica: A fonte dos recursos 
do empregado é o salário pago do empregador. 
 
 Características dos salários: o salário como 
renda, tem características próprias: 
- É uma renda antecipada: a empresa paga seu salário 
antes de vender a seu produto. 
- É uma renda forfatária: é paga independente dos 
resultados financeiros da empresa e segundo 
quantidades fixadas. 
- É uma renda vital: constitui quase sempre na única 
fonte de recursos para seus titulares. 
- É uma renda da pessoa: visa a dar a cada trabalhador 
uma renda total, permitindo-lhes uma vida decente 
juntamente com a sua família e com possibilidade de 
progresso. 
 Tudo isso é conseguido através da ação do 
sindicato, da participação dos lucros da empresa e pela 
ação social do Estado. 
 
 Classificação dos salários: 
Os salários podem ser classificados de diversos pontos 
de vista: 
1) Quanto á origem: 
131 
 
 Salário-Renda 
-Salário individual:Recebido pelo trabalhador; 
-Salário coletivo:Pago ao coletivo (grupo de 
trabalhadores) por obra ou serviço (empreitada); 
-Salário tempo:Pago por hora, semana, dia; 
-Salário por tarefa ou peça:Recebe por vendas 
efetuadas; 
-Salário mínimo: Componente do custo; 
-Salário progressivo:Pago por prêmio, tem-se uma 
remuneração fixa e a outra produtividade; 
 Salário Social: 
Objetivo: complementar o salário-renda do trabalhador, 
assegurando à ele e à sua família, uma vida decente. 
Procura dar segurança econômica ao trabalhador 
cobrindo os riscos profissionais e os riscos sociais. 
a)Riscos profissionais; 
b)Riscos sociais 
2) Quanto ao valor: 
 Salário custo: é visto do lado de quem paga o 
salário; compreende além do salário redá, outros itens 
acrescidos à folha de salários, diretamente pagos pelo 
empregador (férias, contribuição à previdência, 
despesas com o seguro contra acidente de trabalho, etc). 
 Salário receita: não corresponde apenas ao 
salário renda, incluindo também, toda a composição do 
salário social (procura segurança ao cobrir os riscos 
profissionais e os riscos sociais), e ainda, toda a 
composição do salário-custo (salário-renda, férias, 
pagamentos à previdência, etc). 
3) Quanto ao pagamento: 
 Salário Nominal: diz respeito apenas a 
quantidade de dinheiro recebida pelo trabalhador em 
pagamento do seu trabalho. 
 Salário Real: expressa o poder aquisitivo da 
remuneração em dinheiro, recebida pelo empregado e 
132 
 
pagamento do seu trabalho. Mostra ainda, que o 
trabalhador pode adquirir (bens e serviços) com o 
dinheiro do seu trabalho. 
 Salário Mínimo: é a menor remuneração que se 
pode pagar ao trabalhador para garantir as exigências de 
seu mínimo vital; é regulamentado por lei, pelos 
sindicatos, ou pelo costume. 
 Salário Profissional: é a menor remuneração que 
se pode pagar ao trabalhador especializado em certas 
atividades. 
 Salário “In natura”: é o salário pago, não em 
dinheiro, mas em mercadorias. 
 
Teorias sobre a fixação dos salários: 
 Procura explicar as diferentes formas de salários 
ao longo da história. 
*A lei do bronze ou do ferro dos salários: segundo 
Lassale, Rodbertus, Marx – pensadores econômicos do 
século passado, - o salário tende a fixar-se num 
“quantum”, que apenas assegura a sobrevivência do 
trabalhador, não importando a constituição, tipo ou 
padrão da moeda. 
*A teoria do fundo do salário: em qualquer país existe 
sempre ema quantidade de capital monetário (dinheiro) 
para pagamentos de salários. Obtém-se o salário médio 
nacional, dividindo-se o capital monetário pelo número 
de trabalhadores. Se a oferta de trabalho é maior que a 
procura, então os salários baixam; se um trabalhador 
teve o seu salário aumentado, significa que o salário de 
outro foi diminuído. Para aumentar os salários de nada 
valem o aumento da produtividade, as leis do governo,a 
ação dos sindicatos. Só se consegue o aumento dos 
salários, pela diminuição da população operária. Assim 
pensavam os economistas do século passado. 
133 
 
*Teoria da produtividade do trabalho: o salário deve ser 
proporcional à contribuição do trabalhador na 
composição do Produto Nacional. Quanto mais 
produtivo o trabalhador, maior seu salário. Num grupo 
de trabalhadores iguais, o trabalhado marginal (o último 
a ser empregado com vantagem para o empregador) é 
que servirá como referência para a fixação da taxa de 
salário, a ser pago a cada um. 
*A teoria do mercado de trabalho: os níveis de 
diferentes salários são fixados pela procura e pela oferta 
de trabalho. À medida que a procura, ou a oferta, ou 
ambas, deixam de estar num mercado de concorrência 
perfeita, e não entrando num mercado de monopólio, a 
fixação dos salários será altamente influenciada por este 
fato. 
 
CONSIDERAÇÕES: 
-Salários fixados pelo governo: salário mínimo, salários 
públicos. 
-Salários fixados pelas leis da oferta e da procura: os 
restantes. 
-Oferta e procura em regime de monopólio: 
 a) se o monopólio é do trabalhador: salário alto; 
 b) se o monopólio é do empregador: salário baixo; 
 c) se há monopólio dos dois lados: salário vai para o 
lado mais forte (caso dos sindicatos fortes). 
-Oferta e procura em regime de concorrência imperfeita: 
o salário vai para o lado que mais se afaste da 
concorrência perfeita ou livre concorrência. 
-Oferta e procura em regime de livre concorrência: o 
salário é o mínimo legal, impedindo assim o seu 
aviltamento (caso dos trabalhadores não qualificados). 
-Oferta e procura do trabalho ocorrem dentro de ema 
conjuntura e sofrem influência dela: a conjuntura 
econômica de um país, influência através da oferta e da 
134 
 
procura: o desenvolvimentoeconômico, a estagnação, a 
depressão, a inflação, etc 
A participação nos lucros:a participação do trabalhador 
nos lucros da empresa é uma forma de promoção 
humana, que além de complementar o seu salário, visa 
tornar o empregado mais responsável, interessado e com 
mais iniciativa em seu próprio benefício e da empresa 
onde trabalha. 
 
Estudo do Lucro 
Conceitos: 
- É o excedente entre o custo da produção e o preço de 
venda, que é destinado ao empresário. 
- É a remuneração do empresário. 
- É remuneração específica do empresário. 
- É o crédito do empresário, no sentido que este 
empresário recebe de volta parte do capital aplicado, em 
forma de renda. 
 *O lucro é chamado de “residual” porque só é 
conhecido depois de deduzidas as remunerações pagas 
aos outros fatores da produção (salários, juros, 
aluguéis), as matérias-primas e despesas com a 
produção. 
-LUCRO BRUTO: é o que o empresário recebe sem 
distinguir o que ele recebe como lucro puro e o que ele 
recebe também como fornecedor do capital, do 
trabalhou as matéria -primas para a empresa. 
-LUCRO PURO: é o que o empresário recebe depois de 
descontado o que ele pode receber da empresa quando é 
fornecedor dos fatores terra, trabalho e capital. 
 OBS: onde não houver esse fornecimento pelo 
empresário, o lucro puro é igual ao lucro bruto. 
 
Fundamentos do lucro 
135 
 
 É a justa percepção dos lucros pelo empresário? 
Várias têm sido as respostas ao longo dos tempos, a 
favor e contra. Os socialistas acham que não é justa, 
porque nasce da exploração do capitalista sobre o 
operário. Os cooperativistas condenam os grandes 
lucros porque julgam que foram obtidos pela exploração 
do consumidor. 
 Se o empresário remunera bem seus 
empregados, não explorando, pagando-os corretamente 
de acordo com a lei, bem como a todos outros fatores de 
produção, não abusando do preço em detrimento do 
consumidor, então o que lhe toca a título de lucro é 
justo. Vários são os motivos que justificam o 
recebimento do lucro pelo empresário: 
1 – pela criatividade do empreendedor – para minimizar 
custos, o empresário cria novas técnicas de trabalho, 
novas máquinas, novas ferramentas e, principalmente, 
novos produtos à serem vendidos e que contribuem para 
o progresso da humanidade. 
2 – pelo risco que corre – se não houvesse a 
possibilidade de lucro, nenhum empreendedor iria 
empatar trabalho, capital e tempo em uma organização, 
que pode inclusive dar prejuízo. Se ele é obrigado a 
arcar com o prejuízo, também deverá ter direito a um 
possível lucro pelo empreendimento e iniciativa. 
3 – pelo trabalho de direção – um trabalho coletivo, 
organizado, dividido, racionalizado, bem dirigido 
produz muito mais que os empregados produziriam se 
trabalhassem separadamente. Num empreendimento 
econômico a direção é o fator essencial. A qualidade de 
liderança também é coisa rara, e o lucro o pagamento 
dessa realidade. 
4 – pela criação de mercados – um bom 
empreendimento, além de suprir os mercados existentes, 
faz florescer novos mercados, novas empresas e novas 
136 
 
necessidades. Essa visão que o empresário tem a 
situação e a sua colocação na prática, pode e deve ser 
estimulada pelos lucros. 
5 – pela atitude de progresso – um dos motivos do lucro 
é o sacrifício que o empresário faz, para desenvolver a 
empresa e resolver problemas, enquanto os seus 
empregados nenhuma responsabilidade tem, com a 
empresa, além de seu estrito trabalho. O bom 
empreendedor pensa, sente e age pelo progresso da 
empresa. Essa atitude só pode ser remunerada pelo 
lucro, que é o resultado econômico da ação do 
empresário. 
 
Previsão e Incerteza 
 Nos dias atuais, o planejamento é importante em 
todos os setores econômicos. 
Assim temos dois tipos de planejamento a considerar: 
1)Planejamento econômico em termos 
macroeconômicos – com a economia centralizada, 
exercia pelo governo. 
2)Planejamento econômico em termos empresariais – 
feito pelas grandes empresas, a fim de que suas 
atividades econômicas dêem a maior rentabilidade 
possível. 
 Desta forma, no planejamento econômico 
aparece a PREVISÃO. Entretanto, pode ocorrer que 
determinadas ações planejadas não tenham seus 
resultados sempre previsíveis, surgindo então, o que os 
economistas chamam de incerteza. 
 Do ponto de vista econômico, INCERTEZA 
significa aquilo que é imprevisível ou de previsão 
imperfeita. 
 A INCERTEZA ocorre quando o empresário, ao 
procurar conhecer todos os fatos e circunstâncias que 
interferem na produção e colocação de seus produtos, 
137 
 
verifica que para determinadas atitudes que tomar, não 
terá possibilidade de uma previsão perfeita, de tal modo 
que o resultado de uma ação não pode antecipadamente 
ser conhecido. 
 Teoria da incerteza (F.H.KNIGHT): “Quando 
surgir a incerteza quanto às ações a serem 
empreendidas, com possibilidades de custos inesperados 
e prejuízos, e sem possibilidades de o empresário 
prevenir contra tais riscos com seguros, ele deverá 
receber uma confirmação de tais riscos através dos 
lucros”. Assim, o lucro é a recompensa do risco, 
conforme já visto anteriormente. 
 Deduz-se pois, que quando aparece a 
INCERTEZA o preço de oferta do produto se eleva, 
porque nele está incluído a compensação pelo risco que 
o empresário corre. 
 
Estudo do juro 
Conceito: 
- É a remuneração em dinheiro, pelo uso do dinheiro 
alheio. 
- É a renda que confere aquele que empresta o seu 
dinheiro. 
 
Características: 
 Quem recebe dinheiro emprestado assume duas 
obrigações para aquele que lhe deu o dinheiro de 
empréstimo, assim: 
1. devolver o dinheiro emprestado, no final do 
prazo combinado; 
2. pagar juros, no prazo fixado, enquanto corre o 
prazo do empréstimo. 
Obs: o pagamento de juros encobre dois pagamentos: 
138 
 
a) o pagamento de um “prêmio de risco” – que pode 
variar de acordo com a segurança oferecida pelo 
mutuário e pela situação dos negócios; 
b) o pagamento de um “benefício”- haurindo pelo 
mutuário a quantia do dinheiro que recebeu emprestado 
(é o juro puro). 
 
 A soma do “juro puro” como o “prêmio do 
risco” constitui o “juro bruto”. O “juro puro” é o 
quantum que se paga a mais ao credor, além da soma 
tomada emprestada. 
 A “taxa de juros” é a relação entre um 
acréscimo e a soma de dinheiro emprestado. Se os juros 
não são pagos periodicamente, mas ao contrário, são 
incorporados ao capital emprestado, passando a render 
juros, tem-se a “capitalização de juros”. 
 
*ANATOCISMO 
 É a ocorrência de juros sobre juros; é a 
capitalização dos juros, também chamada de juros 
compostos. 
 
*LEGITIMIDADE DOS JUROS – TEORIA ANTIGAS 
 1 – Na antiguidade, as legislações proibia a 
cobrança de juros nos empréstimos. Aristóteles, filósofo 
grego, acreditava que a cobrança dos juros era um modo 
natural de aquisição de riquezas econômicas; como os 
empréstimos não eram produtivos e sim de consumo 
condenava os juros sob o ponto de vista moral e 
econômico. 
 2 – Na Idade Média S. Tomás de Aquino seguiu 
a mesma linha, combatendo a cobrança de juros, como 
usura ilícita. (Daí porque o domínio do mercado da 
moeda ficou restrito aos judeus e outros povos não 
cristãos, já que a Igreja proibia aos cristãos, tal prática). 
139 
 
 3- Mesmo após a Reforma e a Renascença, 
quando a intelectualidade começou a libertar-se da 
idéias da Idade Média, existiam ainda pensadores 
contrários à cobrança de juros, segundo a doutrina 
canônica. São exemplos mais destacados: Jean Bodin 
(séc. XVI); Porheir (séc. XVII) e Mirabeau (séc. XVIII). 
 4 – Teoria da Frutificação – Turgot, baseado no 
pensamento de Calvino, admitia os juros legítimos, 
quando o tomador empregava o dinheiro em uma 
atividade produtiva, dando resultados, dos quais o 
capitalista teria o direito de participar. 
 5 – Teoria da Produtividade – J.B. Say elaborou 
esta teoria e que foi adotada maioriados clássicos. 
Afirmava que, se o capital emprestado é aplicado à 
produção, na compra de máquinas, matérias-primas, etc, 
a empresa teve um lucro maior e sendo assim, o 
capitalista tem o direito de participar desse lucro. É 
quando o capital emprestado torna-se produtivo. 
 6 – Teoria da Abstinência (A. Smith) – Segundo 
esta teoria, os juros devem ser pagos porque 
representam uma remuneração à abstenção que o 
capitalista faz durante um certo tempo, de seu capital. O 
capital representa um poder de gozo quando é usado, 
mas quem vai usá-lo é outro e não o capitalista, 
portanto, o capitalista tem o direito à uma redistribuição 
pela sua abstinência. 
 7 – Teoria do Ágio (Von Bohm-Bawerk) – 
Defende a legitimidade dos juros, afirmando que o 
homem dá mais valor aos bens futuros. Ora,quando se 
empresta o capital, deixa-se de tê-lo no presente, para 
somente no futuro, poder dispor do mesmo. Os juros 
retribuem essa diferença de valores. 
 8 – Teoria da Exploração – Rodbertos, K. Marx, 
Laualle, concluíram que a cobrança de juros constituía 
uma espoliação do capitalista em prejuízo do tomador, 
140 
 
porque o capitalista, sem trabalhar, participava do 
rendimento do tomador (aquele que tomou dinheiro 
emprestado). 
 9 – Teoria da Recompensa pela Renúncia à 
Liquidez – J. M. Keynes afirmou que o juro é um 
fenômeno monetário, e que o objetivo de toda pessoa é 
possuir um capital que seja o mais líquido possível, 
entendendo-se por liquidez, a possibilidade do bem ser 
imediatamente trocado por qualquer outra coisa ou 
serviço. 
 O interesse por um bem de liquidez se dá 
porque a pessoa precisa de uma reserva para atender ás 
suas despesas normais ou eventuais, bem como para 
fazer a aplicação em um negócio produtivo que possa 
surgir. O dinheiro, e o bem maior liquidez. Se o 
capitalista renuncia a essa liquidez, deve ser 
remunerado, e a remuneração é o juro, que deverá ser 
pago por que for desfrutar dessa liquidez. 
 
Estudo dos aluguéis 
Conceito: 
1. É o preço que se paga pela locação de um bem, 
isto é a prestação devida pelo locatário ao 
locador, pelo uso de um bem no espaço de 
tempo. 
2. É a renda da remuneração que se paga pelo uso 
de um bem. 
3. O termo aluguel é usado em dois sentidos: 
a) Como sinônimo de locação: é o contrato pelo qual se 
cede a outrem o uso de um bem útil, e se recebe a renda 
chamada aluguel. 
b) Como preço da locação de uma propriedade: 
- locador, arrendador, senhorio ou alugador é o que dá o 
seu bem em locação; 
141 
 
- locatário, arrendatário ou inquilino é o que recebe o 
bem alheio em locação. 
 
Do ponto de vista jurídico 
 É a administração entre locação rural e locação 
não-rural, levando-se em conta a finalidade agrária das 
locações, sem atender para es suas localizações nas 
zonas urbanas, suburbanas ou rurais. 
 
Aluguel dos imóveis edificados 
 O imóvel edificado é um investimento de 
capital. Haverá edificações para o aluguel , quando este 
for superior a outros rendimentos, caso contrário, não 
haverá edificações. 
 A fixação de aluguéis pode trazer problemas 
para a economia nacional, assim: 
a) se o governo tabelar o aluguel em favor do 
consumidor, não haverá construções, nem a conservação 
de imóveis, sobrevindo a crise da habitação; 
b) se os imóveis edificados ou não, se valorizam mais 
que os outros bens, os capitais são aplicados em 
imóveis, apesar do tabelamento de aluguéis( problema 
que ocorre em épocas inflacionárias). 
 A tributação dos imóveis pode ter os mesmos 
efeitos, assim: 
a) se o aumento do imposto predial e taxa pode ser 
repassado ao inquilino e se este os suportar, a 
construção continua; 
b) se não pode ser repassado ao inquilino, o fato torna-
se mais grave que o tabelamento, porque a renda do 
locador vai diminuir. 
 
Aluguel de móveis 
 Diz respeito a locação de: 
142 
 
1)coisas duráveis de consumo (móveis, geladeiras, 
automóveis, etc) bem como a locação de 2)coisas 
duráveis de produção (máquinas, instalações completas 
para o comércio, para a indústria, para os serviços). 
 
*RENTING: locação de bem móvel que pode ser 
livremente desfeita pelo locatário a qualquer momento; 
são usos de pequena duração como ocorrem com quase 
todos os bens de consumo. 
*LEASING: locação de coisa móvel que deve durar 
pelo prazo convencionado, de uma certa duração; trata-
se geralmente, de locação de bens móveis, para a 
produção. Tem como característica uma opção de 
compra a favor do locatário; se este resolve comprar, os 
aluguéis pagos são contados como prestação do preço 
de compra. 
VANTAGENS 
 A locação das coisas móveis para as empresas 
ofereça muitas vantagens: 
 Permite a instalação de uma nova empresa, sem 
necessidade de capital para tal; 
 Livra a empresa dos inconvenientes da 
obsolescência tecnológica dos bens de 
produção. 
 Permite o uso, pelas empresas, de bens de 
produção novos ou aperfeiçoados. 
 
Comércio 
1. O comércio é a atividade econômica que consiste em 
adquirir bens dos produtores e revendê-los aos 
compradores. Une a produção ao consumo. 
2. A atividade comercial é complexa, isto é, realiza uma 
série de aos econômicos, todos eles imprescindíveis, 
tanto aos produtores como os consumidores. E pela 
143 
 
realização dessa atividade, o comércio faz jus a 
remuneração, que entra na categoria do lucro. 
3. O comércio pode ser de várias espécies: 
 *comércio externo; 
 *comércio interno; 
 *comércio por atacado; 
 *comércio varejista; 
 pequeno comércio varejista 
 grande comércio varejista 
4. O comércio é na verdade, útil. Nenhum outro agente 
econômico realiza as atividades que o comerciante 
realiza. Estas atividades são imprescindíveis e úteis à 
economia nacional. 
5. Por outro lado, a riqueza, diversificação e progresso 
das economias capitalistas são devidos, em grande 
parte, ao comerciante.O comércio é a válvula aberta aos 
que não querem ser empregados. Finalmente, a 
independência do comércio, inclusive do pequeno 
comércio varejista, tem repercussões psicológicas e 
políticas. 
 
Dinheiro - Moeda 
1. Moeda ou dinheiro é toda coisa recebida como meio 
geral de pagamento, numa sociedade humana. No curso 
de história, muita coisa tem servido de moeda: sal, gado, 
matais, papel. 
2. As principais funções da moeda são estas: mede o 
valor econômico dos bens de serviços; seve como meio 
para trocas; serve para guardar valor ou capital. 
3. Atualmente, são as seguintes espécies de moeda: a 
moeda metálica, a moeda de papel, que é moeda-papel, 
se conversível em ouro ou prata, e pape-moeda, se 
inconversível; e a moeda escritural ou bancária. 
144 
 
4. Moeda fiduciária é aquela cujo valor repousa na 
confiança; moeda manual é a que pode ser portada; 
moeda divisionária é a que serve para troco. 
5. A massa monetária é o conjunto de todas as espécies 
de dinheiro que, em momento dado, está à disposição da 
população, das empresas e do governo para os seus 
gastos. 
6. A velocidade da circulação da moeda é o maior ou 
menor número de vezes que ela é usada, por seus 
sucessivos donos, para efetuar pagamento. A velocidade 
varia, conforme a época do ano, a situação dos 
negócios, a até com o estado psicológico da população. 
7. Há dois sistemas monetários: o sistema metalista, que 
toma por base um metal nobre (ouro ou prata), podendo 
ser monometalista ou bimetalista; e o sistema 
ametalista, que tem por base o papel-moeda 
inconversível. Este é o que está em uso ultimamente. 
8. O ouro e a prata, sobretudo o primeiro, estão 
reservados, atualmente, para os pagamentos 
internacionais, já que, fora do país, não circula o 
dinheiro nacional. 
 
8.3 Estrutura do Balanço de Pagamentos 
 A balança pode estar em déficit, em superávit, 
ou em equilíbrio. A balança cuja situação indica a 
verdadeira posição do país na economia internacional é 
a balança de pagamentos, que é totalização de todasas 
balanças. 
1) Transações Correntes (conta corrente) 
 1.1 Balança Comercial 
 . Exportação (+) 
 . Importação (-) 
 1.2 Serviços 
 . Vagas internacionais (turismo, 
negócios, estudos) 
145 
 
 . Transporte 
 . Seguros 
 . Renda de Capitais (juros, dividendos, 
lucros) 
 . Serviços Diversos (despesas bancárias) 
direitos autorais, cursos, etc. 
 1.3 Transferências Unilaterais 
2) Movimento de Capitais (conta capital) 
 2.1 Investimentos (capital de risco) 
 2.2 Financiamento 
 2.3 Amortização 
 2.4 Empréstimos (CP e LP) 
 2.5 Lucro Monetário 
3) Saldo (superávit ou déficit) 
Estrutura do F.M.I. 
 
8.4 Políticas Macroeconômicas 
 
Inflação – Deflação – Desinflação 
1. A inflação é a elevação geral dos preços de todos os 
bens e serviços. Com ela, o dinheiro vai perdendo o seu 
poder aquisitivo. 
2. A inflação pode resultar da ação das principais 
causas: 
 O aumento da quantidade de dinheiro (inflação 
monetária); 
 A diminuição da oferta de bens (inflação de 
escassez da oferta); 
 A elevação dos custos de produção (inflação de 
custos); 
 Inércia inflacionária. 
A mais importante, por sua rapidez e violência, é a 
inflação monetária. 
3. O mecanismo da inflação é o seguinte: havendo mais 
dinheiro do que bens há disputa para ficar com os bens 
146 
 
insuficientemente existentes: vence a disputa quem paga 
mais. Os preços sobem. 
4. A inflação monetária aparece quando aumenta a 
quantidade de dinheiro em circulação sem que aumente 
quantidade de bens à venda. As principais causas da 
inflação monetária são as emissões de dinheiro feitas 
pelo governo para cobrir os seus déficits e o abuso do 
crédito por parte das empresas e dos indivíduos. 
5. A inflação por escassez de oferta aparece quando, por 
algum motivo, a oferta e insuficiente para atender a 
demanda. Isso ocorre quando a população aumentou e a 
produção estagnou ou não aumentou no mesmo ritmo; 
ou quando houve diminuição da oferta, por calamidades 
naturais, guerras, resolução, agitação social. 
6. Conforme a sua ação e a sua velocidade de elevação 
dos preços, a inflação pode ser reprimida, aberta ou 
galopante. 
7. A inflação tem efeitos econômicos, sociais, 
psicológicos e políticos na sociedade humana. 
8. A desinflação é a cura da inflação. Consiste em fazer 
com que a velocidade de elevação dos preços vá 
diminuindo e acaba por parar. Então, dá-se a 
estabilização dos preços. 
9. A deflação é a situação econômica caracterizada pela 
queda dos preços, a estagnação da atividade econômica, 
desemprego, falência, miséria, crise. Ninguém cura 
inflação com deflação. 
 
Crédito 
1. O crédito é a ato econômico em que a prestação 
inicial fica separada por um intervalo, maior ou menor 
de tempo de contraprestação. O crédito vai sempre 
acompanhado dos juros. Compreende tanto o 
empréstimo de dinheiro Omo a venda de bens a crédito. 
147 
 
2. O crédito pode assumir várias formas. Conforme o 
ponto de vista sob o qual seja examinado: 
 Quanto á finalidade, crédito para a produção e 
crédito para o consumo; 
 Quanto ao prazo, crédito a curto prazo, a longo 
prazo, a prazo médio; 
 Quanto aos tomadores, crédito público, crédito 
privado; 
 Quanto às garantias, crédito pessoal (aval, 
fiança) e crédito real (penhor, hipoteca). 
3. Operações de crédito são os atos pelos quais são 
concedidos os empréstimos.As principais operações de 
crédito são: 
 O empréstimo; 
 O redesconto; 
 A abertura de crédito em conta corrente. 
4. Títulos de créditos são os documentos que 
comprovam a existência do crédito e disciplinam a sua 
estrutura e obrigações. A lei diz como devem ser feitos 
os títulos de crédito. Os principais títulos de crédito são: 
a nota promissória, a duplicata, a letra de câmbio, o 
cheque, a debênture. 
5. As vendas a crédito representam um fato da mais alta 
importância para a atividade econômica do país. Se tudo 
fosse comprado à vista, a atividade econômica e a 
produção nacional seriam bem menores. 
6. Pela política de crédito, o governo cuida tanto dos 
empresários de dinheiro, como das vendas a crédito que 
são feitas no país. 
 
Banco 
1. Banco é a empresa, individual ou coletiva, que tem 
por objeto receber depósitos de dinheiro, conceder 
crédito, emitir dinheiro. Pode ter, ainda,outras 
148 
 
atividades menos importantes, relacionadas com estas 
principais. 
2. Os bancos ode ser classificados de acordo coma sua 
especialização; e sob este ponto de vista, as principais 
espécies de bancos são as seguintes: bancos de 
depósitos, bancos de negócios, banco de crédito 
especial, banco de emissão, banco central. 
3. Os bancos de depósitos são os que recebem depósitos 
dos indivíduos e das empresas, recebem e fazem 
pagamentos em nome deles e concedem crédito a curto 
prazo. Podem conceder crédito porque, como nem todos 
os depositantes retiram os seus depósitos, podem dar 
emprestado o dinheiro dos depósitos parados. De cada 
10 reais depositados, podem ser emprestados 9. É a 
moeda escritural. 
4. Os bancos de negócios são os que usam do seu capital 
ou do de seus clientes para participar de certos negócios. 
5. Os baços de créditos especializados são bancos que 
dedicam a fazer empréstimos a certas atividades 
econômicas que exigem conhecimento especial. 
6. Os bancos de emissão são os bancos que emitem 
dinheiro, isto é, moeda de papel. Antigamente, eram 
bancos particulares e emitiam até moeda metálica. Hoje 
são, sempre bancos de governo e só emitem papel-
moeda. A emissão de papel moeda pressupunha, 
sempre, a existência de encaixe metálico (ouro ou 
prata), que garantisse. Variava o entendimento a 
respeito da importância do encaixe. O papel-moeda não 
pressupõe encaixe metálico e deve ser medida a sua 
emissão segundo a necessidade da economia do país. 
7. O Banco Central é o banco do governo, o banco 
oficial. Encarrega-se e emitir dinheiro, servir de banco 
para outros bancos, servir de banco para o governo, 
aplicar e fiscalizar a política monetária e creditícia do 
governo sobre os bancos particulares. 
149 
 
 
As Relações Econômicas Internacionais 
1. Todo país mantém relações com outros países: são as 
relações internacionais. Entre elas, estão as relações 
econômicas. 
2. As relações econômicas internacionais não são só 
comerciais, de importação e exportação de mercadorias. 
Há, também, importação e exportação de serviços, de 
capitais, de doações. Por isso, não poder ser designadas 
como relações comerciais internacionais. 
3. O governo sempre está nas relações econômicas 
internacionais. Às vezes, ele mesmo importa e exporta. 
As relações econômicas internacionais assumem 
aspectos diversos, conforme o grau de desenvolvimento 
do país. 
4. As relações econômicas internacionais giram em 
torno de quatro itens principais: 
 Produtos naturais e mercadorias; 
 Serviços; 
 Capitais; 
 Doações. 
5. Várias são as causas porque os países entram em 
relações econômicas com os outros: porque não tem o 
que importam, porque no exterior é mais barato, porque 
quere atender à situação econômica interna, porque são 
dominados por outro país. 
6. Protecionismo é a dificultação ou impossibilitação de 
importações, com a finalidade de proteger a formação 
de indústrias nacionais. Livre-cambismo é a liberdade 
plena nas importações e importações. 
7. Câmbio é a permuta de moeda nacional por moeda 
estrangeira. Está conversão, para pagamento no exterior, 
pode ser feita mediante compra de ouro, de dinheiro 
estrangeiro, ou de divisas (créditos sobre o exterior em 
moeda estrangeira). Taxa de câmbio é a quantia de 
150 
 
dinheiro nacional que se deve dar por unidade de 
dinheiro estrangeiro. Na liberdade cambial. A oferta e a 
demanda de moeda é que fixam esta taxa. No controle 
cambial, o governo é que fixa este quantum para a 
conversão. 
 
8.5.Globalização 
 Pode-se dizer que é um processoEx.: alimento, cigarro) e bens de consumo duráveis 
(utilização prolongada. Ex.: geladeira, carro). 
- Intermediários: requerem transformação antes de se 
converterem num bem de consumo ou de capital. Ex.: 
aço, cimento, cal. 
- Finais: satisfazem necessidades de consumo ou de 
investimentos, sem exigir mais nenhuma transformação. 
Ex.: computadores, móveis. 
- Privados: produzidos e possuídos privadamente. Ex.: 
moradias, carros, computadores. 
- Públicos (coletivos): aqueles cujo o consumo é feito 
simultaneamente por vários indivíduos. Ex.: praças, 
parques, praias. 
 
Valor Econômico 
 É a maior ou menor estimativa que temos pelos 
bens. É a relação entre a utilidade percebida por um 
indivíduo ou grupo e a necessidade e poder de compra 
que possui. Atributo que dá aos bens materiais sua 
qualidade de bens econômicos. 
Teoria sobre o Valor 
 O valor tem sido explicado à luz de inúmeras 
teorias, que podem ser agrupadas em dois sentidos: as 
objetivas e as subjetivas. As objetivas procuram as 
razoes do valor simplesmente por fenômenos objetivos, 
como por exemplo, o tempo gasto na elaboração de um 
bem, desligados de qualquer apreciação ou estimativas 
12 
 
individual. As subjetivas enfatizam essa estimativa 
individual. 
 Todas as teorias relacionadas a seguir não são 
completas por si mesma, mas oferecem como subsídios 
à uma teoria eclética, que engloba as parcelas de 
verdade que as outras trazem. 
 Teoria da Utilidade: o valor dos bens e 
serviços depende de sua utilidade e varia conforme esta. 
Como conseqüência todo bem útil teria sempre valor 
econômico e portanto em preço; o bem útil poderia ser 
trocado sempre por uma quantia maior ou menor de 
dinheiro. Questionamento: há coisas de máxima 
utilidade para o homem e que, no entanto não possuem 
nenhum valor econômico e, portanto preço. 
 Teoria da Raridade: afirma que o valor das 
mercadorias e serviços advém da sua maior ou menor 
raridade, ou escassez, ou limitação. Consequência: as 
coisas abundantes ou de produção fácil valem pouco; as 
coisas de produção difícil valem muito. 
 Teoria do Custo: esta teoria parte do 
“paradoxo do valor”: a) a água é útil para o homem e 
não apresenta nenhum valor econômico; b) o diamante, 
nenhuma utilidade tem para o homem e, no entanto, 
possui grande valor econômico. A teoria conclui: a) o 
valor não pode vir da utilidade senão a água o teria; b) o 
valor vem do custo de produção do bem. 
Teoria do Valor-Trabalho: o valor econômico 
tem como causa “o tempo de trabalho cristalizado no 
bem” ou ainda, o valor de um bem está na exata medida 
da quantidade de trabalho manual gasta em sua 
produção, pela verificação das horas consumidas. 
Se uma mercadoria pode ser trocada por outra, se uma 
mercadoria pode ser equivalente a outra é porque elas 
possuem “algo de comum”. Esse “algo comum” é o 
trabalho humano sem a qual nada é produzido, e que se 
13 
 
incorpora na mercadoria (é o trabalho cristalizado). Para 
esta teoria, o trabalho é a única “medida de valor”. 
 Teoria Marginalista: procura explicar o valor 
econômico através da noção de utilidade marginal. No 
estudo desta teoria devemos distinguir entre: a) 
fundamento ou causa do valor econômico e, b) medida 
do valor econômico. 
A causa procura explicar porque os bens têm valor para 
o sujeito econômico. A medida procura expressar o 
maior ou menor valor econômico que o bem tem para o 
sujeito econômico. 
 Teoria Eclética: nenhuma das teorias vistas 
satisfaz plenamente, por isso á apresentado um 
“entendimento eclético do valor”, em que as teorias 
entram, não como descritas, mas com o que tem de 
lógico e bom. 
 Quais são os elementos que indicam então valor 
econômico, segundo a teoria eclética? O valor de uso, o 
valor de troca, o subjetivismo, a oferta e a procura, a 
produção limitada ou ilimitada. 
 
Preços 
 Nas economias monetárias há um tipo de 
medida que intervém para analisar os bens que se 
deseja; serve como “medida de valor”, isto é, como a 
expressão do valor. Essa medida do valor toma nome de 
“preço”, e por ele são avaliados os bens econômicos que 
se pretende obter, necessariamente terá uma expressão 
que dê o exato alcance de sua dimensão. Não confundir 
preço com valor de troca. O valor de troca é uma 
relação que nasce quando se permuta, e o preço 
representa a moeda disponível para a permuta, de 
acordo com os padrões monetários adotados. 
 Moeda e preço marcam toda a economia 
moderna e por isso são adotados universalmente. Dessa 
14 
 
presença básica, moeda e preço, surge o mercado, onde 
aparecem a oferta e a procura. E dentro do mercado, que 
não é um espaço geográfico, mas econômico, o preço é 
o termômetro monetário que indica a escassez e a 
utilidade dos bens e serviços disponíveis. Importância 
do preço numa economia. 
- São indicadores da produção e do consumo, pois tanto 
os vendedores como os compradores norteiam-se pelos 
preços que conseguem, a fim de produzir em maior ou 
menor quantidade ou para adquirir em maior ou menor 
quantidade; 
- Dirigem a distribuição dos recursos econômicos, 
incentivando ou não as atividades produtivas neste ou 
naquele setor, quer se apresentem com oferta mais ou 
menos abundante; 
- Concorrem para que haja a repartição da renda, pois é 
de se supor que as vendas cubram, pelo menos as 
despesas de produção e ainda permitam a remuneração 
do empresário, isto é, o lucro. 
 
Necessidade de Escolha e o Custo de Oportunidade 
 Na vida somos forçados a escolher 
continuamente. Quando optamos por algo, temos de 
renunciar a outras coisas, como os recursos disponíveis 
são escassos, somente se pode satisfazer uma 
necessidade se deixa de satisfazer outra. Não há 
recursos materiais suficientes, trabalho e nem capital 
para produzir tudo o que as pessoas desejam. Por isso, é 
necessário escolher as diferentes opções que se 
apresentam. 
 Quando decidem gastar ou produzir, governos 
empresas ou famílias estão renunciando a outras 
possibilidades. 
15 
 
- Custo de oportunidade: de um bem ou serviços é a 
quantidade de outros bens ou serviços que se devem 
renunciar para obter. 
- Curva ou Fronteira de Possibilidade de Produção: 
reflete as opções que se oferecem à sociedade e a 
necessidade de se escolher entre elas. Uma economia 
está situada sobre a fronteira de possibilidades de 
produção, quando todos os fatores de que dispõe a 
economia, estão sendo utilizados para a produção de 
bens e serviços. 
 
Leis Econômicas 
 Conceitos: é a relação constante entre a causa e 
o efeito econômico. 
- São abstrações e generalizações da realidade; 
- São leis hipotéticas, porque só se realizam sob certas 
condições, previamente estabelecidas; 
- São leis estatísticas; 
- São demonstráveis matematicamente pelo calculo de 
probabilidade. 
 
Principais Leis Econômicas 
 Lei dos Rendimentos Decrescentes: À medida 
que aumentando a quantidade de um fator variável, e 
permanecendo fixa a quantidade dos demais fatores, a 
produção, de início crescerá a taxas crescentes, a seguir 
após certa quantidade utilizada do fator variável, passará 
a crescer a taxas decrescente continuando o aumento da 
utilização do fator variável, a produção decrescerá. 
 Lei do Interesse Pessoal: Conhecida também 
como principal Hedomestico, ou Lei do Menor Esforço, 
corresponde a tendência natural do homem, em procurar 
o máximo bem-estar com o mínimo de esforço. É 
aplicada na economia sobre a forma de melhor 
administração e organização dos meios de produção, 
16 
 
menor perda de tempo e material, maior eficiência, com 
menor tempo de trabalho. 
 Lei da Livre Concorrência: Prega a liberdade 
individual no seu maior amplo sentido, atingindo o 
plano econômico (Industria, Comercio, Agricultura). É 
contra qualquer intervencionismo estatal. 
 Lei das Substituições: O bem econômico de 
natureza semelhante pode sempre ser substituídoeconômico e 
social que estabelece uma integração entre os países e as 
pessoas do mundo todo. Através deste processo, as 
pessoas, os governos e as empresas trocam idéias, 
realizam transações financeiras e comerciais e espalham 
aspectos culturais pelos quatro cantos do planeta. 
 
Origens da Globalização e suas Características 
 Muitos historiadores afirmam que este processo 
teve início nos séculos XV e XVI com as Grandes 
Navegações e Descobertas Marítimas. Neste contexto 
histórico, o homem europeu entrou em contato com 
povos de outros continentes, estabelecendo relações 
comerciais e culturais. Porém, a globalização efetivou-
se no final do século XX, logo após a queda do 
socialismo no leste europeu e na União Soviética. 
 Com os mercados internos saturados, muitas 
empresas multinacionais buscaram conquistar novos 
mercados consumidores, principalmente dos países 
recém saídos do socialismo. A concorrência fez com 
que as empresas utilizassem cada vez mais recursos 
tecnológicos para baratear os preços e também para 
estabelecerem contatos comerciais e financeiros de 
forma rápida e eficiente. Neste contexto, entra a 
utilização da Internet, das redes de computadores, dos 
meios de comunicação via satélite etc. 
 Uma outra característica importante da 
globalização é a busca pelo barateamento do processo 
http://www.suapesquisa.com/grandesnavegacoes
http://www.suapesquisa.com/grandesnavegacoes
http://www.suapesquisa.com/geografia/socialismo
151 
 
produtivo pelas indústrias. Muitas delas, produzem suas 
mercadorias em vários países com o objetivo de reduzir 
os custos. Optam por países onde a mão-de-obra, a 
matéria-prima e a energia são mais baratas. Um tênis, 
por exemplo, pode ser projetado nos Estados Unidos, 
produzido na China, utilizado matéria-prima do Brasil, e 
comercializado em diversos países do mundo. 
 Para facilitar as relações econômicas, as 
instituições financeiras (bancos, casas de câmbio, 
financeiras) criaram um sistema rápido e eficiente para 
favorecer a transferência de capital. Investimentos, 
pagamentos e transferências bancárias podem ser feitas 
em questões de segundos através da Internet ou de 
telefone celular. 
 
Blocos Econômicos e Globalização 
 Dentro deste processo econômico, muitos países 
juntaram-se e formaram blocos econômicos, cujo 
objetivo principal é aumentar as relações comerciais 
entre os membros. Neste contexto, surgiram a União 
Européia, o Mercosul, o Nafta, o Pacto Andino entre 
outros. Estes blocos se fortalecem cada vez mais e já se 
relacionam entre si. Desta forma, cada país, ao fazer 
parte de um bloco econômico, consegue mais força nas 
relações comerciais internacionais. 
 
ALCA - Acordo de Livre Comércio das Américas 
 A ALCA surge em 1994 com o objetivo de 
eliminar as barreiras alfandegárias entre os 34 países 
americanos (exceto Cuba). O prazo mínimo para a sua 
formação é de 7 anos, quando poderá transformar-se em 
um dos maiores blocos comerciais do mundo. 
 Com o PIB total de 12,5 trilhões de dólares 
(maior que o da União Européia - U.E.), os países da 
ALCA somam uma população de 790 milhões de 
http://www.suapesquisa.com/paises/china
http://www.suapesquisa.com/internet
http://www.suapesquisa.com/blocoseconomicos
http://www.suapesquisa.com/uniaoeuropeia
http://www.suapesquisa.com/uniaoeuropeia
http://www.suapesquisa.com/mercosul
152 
 
habitantes, o dobro da registrada na U.E. Na prática, sua 
formação significa abortar os projetos de expansão do 
MERCOSUL e estender o NAFTA para o restante das 
Américas. 
 Os EUA são os maiores interessados em fechar 
o acordo. O país participa de vários blocos comerciais e 
registrou em 2000 um déficit comercial de quase 480 
bilhões de dólares. Precisa, portanto, exportar mais para 
gerar saldo em sua balança comercial. Com uma área 
livre de impostos de importação, os norte-americanos 
poderiam suprir as demais nações da América com suas 
mercadorias. 
 Em maio de 2002, é aprovado nos EUA o fast-
track, que permite que o presidente do país possa 
negociar acordos comerciais, permitindo ao Congresso 
apenas aprovar ou não os acordos, sem fazer qualquer 
tipo de emenda ou modificação no texto original. A 
criação do fast-track está ajudando os EUA a agilizar a 
implementação da ALCA. 
 A grande preocupação da comunidade latino-
americana, que gera a maioria das reclamações por parte 
dos críticos à formação do bloco, assim como a 
preocupação por parte dos governos dos países que irão 
fazer parte da ALCA, diz respeito as barreiras não-
tarifárias (leis antidumping, cotas de importação e 
normas sanitárias) que são aplicadas pelos EUA. Apesar 
da livre circulação de mercadorias, essas barreiras 
continuariam a dificultar a entrada de produtos 
provenientes da América Latina naquele mercado. 
 
APEC - Cooperação Econômica da Ásia e do 
Pacífico 
 A APEC, Cooperação Econômica da Ásia e do 
Pacífico, foi criada no ano de 1989 na Austrália, como 
um fórum de conversação entre os países membros da 
153 
 
ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e 
seis parceiros econômicos da região do Pacífico, como 
EUA e Japão. Porém, apenas no ano de 1994 adquiriu 
características de um bloco econômico na Conferência 
de Seattle, quando os membros se comprometeram a 
transformar o Pacífico em uma área de livre comércio. 
 A criação da APEC surgiu em decorrência de 
um intenso desenvolvimento econômico ocorrido na 
região da Ásia e do Pacífico, propiciando um abertura 
de mercado entre 20 países mais Hong Kong (China), 
além da transformação da área do sudeste asiático em 
uma área de livre comércio nos anos que antecederam a 
criação da APEC, causando um grande impacto na 
economia mundial. 
 Um aspecto estratégico da aliança, é aproximar 
a economia norte-americana dos países do Pacífico, a 
para contrabalançar com as economias do Japão e de 
Hong Kong. 
 Entre os aspectos positivos da criação da APEC 
estão o desenvolvimento das economias dos países 
membros que expandiram seus mercados, sendo que 
hoje em dia, além de produzirem sua mercadoria, 
correspondem a 46% das exportações mundiais, além da 
aproximação entre a economia norte americana e os 
países do Pacífico e o crescimento da Austrália como 
exportadora de matérias primas para outros países 
membros do bloco. 
 Como aspectos negativos, pode-se salientar que 
um dos maiores problemas da APEC, senão o maior é a 
grande dificuldade em coincidir os diferentes interesses 
dos países membros e daqueles que estão ligados ao 
bloco, como Peru, Nova Zelândia, Filipinas e Canadá. 
Além disso, o bloco tem pouco valor em relação a 
Organização Mundial do Comércio, mesmo sendo 
154 
 
responsável por grande movimentação no comércio 
mundial. 
 Países Membros: os países membros da APEC 
são: Austrália, Brunei, Canadá, Indonésia, Japão, 
Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coréia do 
Sul, Tailândia, Estados Unidos, China, Hong Kong, 
Taiwan, México, Papua, Nova Guiné e Chile. 
 Relação com o Brasil: a relação da APEC com o 
Brasil não é muito direta ou explícita, porém alguns 
países membros da APEC, também fariam parte da 
ALCA, caso seja realmente formada, além de uma 
reunião que foi criada pelos membros do Foro de 
Cooperação Econômica Ásia-Pacífico que discutiu a 
globalização e durou sete dias, na qual o Brasil foi um 
dos temas junto com outros países da América Latina, 
discutindo-se a relação entre os países. 
 O bloco está dividido quanto a questão do 
petróleo, pois vários de seus membros são produtores e 
estão satisfeitos com a alta nos preços, em quanto 
aqueles que precisam comprar o petróleo brigam para 
que o preço diminua. 
 
CEI - Comunidade dos Estados Independentes 
 A CEI é uma organização criada em 1991 que 
integra 12 das 15 repúblicas que formavam a URSS. 
Ficam de fora apenas os três Estados bálticos: Estônia, 
Letônia e Lituânia.Sediada em Minsk, capital de 
Belarus, organiza-se em uma confederação de Estados, 
preservando a soberania de cada um. Sua estrutura 
abriga dois conselhos: um formado pelos chefes de 
Estados, e outro pelos chefes de Governo, que se 
encontram de três em três meses. 
 No ato de criação, a comunidade prevê a 
centralização das Forças Armadas e o uso de uma 
moeda comum: o Rublo. Na prática, porém, as ex-
155 
 
repúblicas não chegam a um consenso sobre integração 
político-econômica. Somente em 1997 todos os 
membros, exceto a Geórgia, assinam um acordo para 
estabelecer uma união alfandegária e dobrar o comércio 
interno até o ano de 2000. 
 
MERCOSUL - Mercado Comum do Sul 
 Criado em 1991, o MERCOSUL é composto 
por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, países sul-
americanos que adotam políticas de integração 
econômica e aduaneira. A origem do MERCOSUL está 
nos acordos comerciais entre Brasil e Argentina 
elaborados em meados dos anos 80. 
A partir do início da década de 90, o ingresso do 
Paraguai e do Uruguai torna a proposta de integração 
mais abrangente. Em 1995 instala-se uma zona de livre 
comércio. 
 Cerca de 90% das mercadorias fabricadas nos 
países-membros podem ser comercializadas 
internamente sem tarifa de importação. Alguns setores, 
porém, mantém barreiras tarifárias temporárias, que 
deverão ser reduzidas gradualmente. Além da extinção 
de tarifas internas, o MERCOSUL estipula a união 
aduaneira, com a padronização das tarifas externas para 
diversos itens. 
 Ou seja: os países-membro comprometem-se a 
manter a mesma alíquota de importação para 
determinados produtos. Os países-membro totalizam 
uma população de 206 milhões de habitantes e um PIB 
de 1,1 trilhão de dólares. A sede do MERCOSUL se 
alterna entre as capitais desses países. Segundo cláusula 
de 1996 só integram o MERCOSUL nações com 
instituições políticas democráticas. Chile e Bolívia são 
membros associados, assinando tratado para a formação 
156 
 
de zona de livre comércio, mas não entram na união 
aduaneira. 
 
U. E. - União Européia 
 Conhecido inicialmente como Comunidade 
Econômica Européia (CEE), o bloco econômico 
formado por 15 países da Europa Ocidental passa 
formalmente a ser chamada de UNIÃO EUROPÉIA 
(EU) em 1993, quando o Tratado de Maastricht entra 
em vigor. É o segundo maior bloco econômico do 
mundo em termos de PIB, com uma população de 374 
milhões de pessoas. 
Histórico: 
1951 - Criada a Comunidade Européia do Carvão e do 
Aço; 
1957 - Tratado de Roma (Comunidade Econômica 
Européia - Europa dos 6); 
1992 - Consolidação do Mercado Comum Europeu 
(eliminação das barreiras alfandegárias); 
1993 - Entra em vigor o Tratado de Maastricht 
(Holanda), assinado em 1991; 
Membros: França, Itália, Luxemburgo, Holanda, 
Bélgica, Alemanha (1957), Dinamarca, Irlanda, Reino 
Unido (1973), Grécia, Espanha, Portugal (1981/1986), 
Áustria, Suécia e Finlândia. 
Em 2004 ocorreu o ingresso de mais 10 países: Letônia, 
Estônia, Lituânia, Eslovênia, República Tcheca, 
Eslováquia, Polônia, Hungria, Malta e Chipre. 
 
NAFTA - Acordo de Livre Comércio da América do 
Norte 
O NAFTA é um instrumento de integração entre a 
economia dos EUA, do Canadá e do México. O 
primeiro passo para sua criação é o tratado de livre 
157 
 
comércio assinado por norte-americanos e canadenses 
em 1988, ao qual os mexicanos aderem em 1992. 
A ratificação do NAFTA, em 1993, vem para consolidar 
o intenso comércio regional já existente na América do 
Norte e para enfrentar a concorrência representada pela 
União Européia. Entra em vigor em 1994, estabelecendo 
o prazo de 15 anos para a total eliminação das barreiras 
alfandegárias entre os três países. Seu mais importante 
resultado até hoje é a ajuda financeira prestada pelos 
EUA ao México durante a crise cambial de 1994, que 
teve grande repercussão na economia global. 
 
G – 7 - Grupo dos 7 
 O G-7 é formado pelos 7 países mais 
industrializados do mundo e tem como objetivo 
coordenar a política econômica e monetária mundial. 
Em reunião realizada em 1997, em Denver (EUA), a 
Federação Russa é admitida como país-membro, mas 
não participa das discussões econômicas. O G-7 realiza 
três encontros anuais, sendo o mais importante a reunião 
de chefes de governo e de Estado, quando os dirigentes 
assinam um documento final que deve nortear as ações 
dos países membros. O grupo nasce em 1975 da 
iniciativa do então primeiro-ministro alemão Helmut 
Schmidt e do presidente francês Valéry Giscard 
d'Estaign. Eles reúnem-se com líderes dos EUA, do 
Japão e da Grã-Bretanha para discutir a situação da 
política econômica internacional. 
A partir dos anos 80, esses países passam a discutir 
também temas gerais, como drogas, democracia e 
corrupção. Com a admissão da Itália e Canadá, passa a 
ser chamado de Grupo dos Sete. O presidente russo 
Boris Ieltsin participa como convidado especial da 
reunião do G-7 desde 1992. A oficialização da entrada 
da Federação Russa pelo presidente dos EUA, Bill 
158 
 
Clinton, é uma resposta ao fato de Ieltsin ter aceitado o 
ingresso dos países da ex-URSS na OTAN 
 
OMC - Organização Mundial do Comércio 
 Com sede em Genebra, na Suíça , a OMC visa 
promover e regular o comércio entre as nações. É criada 
em 1995, em substituição ao Acordo Geral de Tarifas e 
Comércio (GATT), que já realizara várias rodadas de 
negociação multilaterais para a redução de barreiras 
comerciais. Em 1998, a OMC conta com 132 membros. 
Em 2002, a China, que possui a maior população do 
planeta e o 6º maior PIB mundial, ingressa na OMC, o 
que implicaria na aplicação das regras mundiais do 
comércio internacional com a China. 
 
ONU - Organização das Nações Unidas 
 A ONU é o organismo internacional que surge 
no final da II Guerra Mundial em substituição à Liga 
das Nações. Tem como objetivos manter a paz, defender 
os direitos humanos e as liberdades fundamentais e 
promover o desenvolvimento dos países em escala 
mundial. Sua primeira carta é assinada em junho de 
1945, por 50 países, em San Francisco, nos EUA. 
 Atualmente, a ONU é integrada por 185 dos 192 
Estados do mundo. Nos últimos anos enfrenta uma crise 
financeira e política. Vários países-membro têm 
atrasado o pagamento das contribuições acumulando 
uma dívida total de US$2,5 bilhões, dos quais US$1,5 
bilhão só dos EUA, o maior devedor. 
 A crise política está relacionada à necessidade 
de redefinição de seu papel no mundo pós-guerra Fria. 
Em 1997, um plano de reforma apresentado pela 
Secretaria Geral da entidade propõe a redução radical do 
número de departamentos, funcionários e funções da 
organização. O objetivo é concentrar suas atividades nos 
159 
 
processos de paz e no desenvolvimento geral das 
nações. 
O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 
países-membro, sendo que 5 são membros permanentes 
com direito a veto (Estados Unidos, Rússia, Reino 
Unido, França e Inglaterra) e 10 são membros 
temporários com mandato de 2 anos. Estuda-se a 
possibilidade da criação de mais vagas permanentes, 
além do fim do veto. 
 
 
 
160 
 
 
 
 
 
Agronegócio / aves - 23/02/2011 
 
Avicultura brasileira comemora fim de dumping ucraniano 
 
Ucrânia oficializou a decisão de não aplicar medida contra importação de cortes de frango do Brasil 
por Globo Rural Online 
 
A União Brasileira de Avicultura (Ubabef) recebeu nesta quarta-feira (23/02) um 
comunicado da embaixada do Brasil na Ucrânia, informando que a Comissão 
Interministerial do Comércio Exterior daquele país oficializou a decisão de não aplicar 
medida antidumping contra a importação de cortes de frango brasileiro. 
 O Brasil em 2007 exportava 10 mil toneladas de carne de frango. Com as restrições 
impostas houve uma queda para 248 toneladas em 2010. 
“A decisão irá incrementar as exportações para o país, que é um importante mercado 
comprador. Porém,devido às restrições, reduziu as encomendas nos últimos anos. 
Vamos iniciar imediatamente tratativas com os importadores para que, o mais 
rapidamente possível, voltemos a bons índices de exportação para aquele país”, afirmou 
Francisco Turra, presidente executivo da Ubabef. 
FONTE:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI21361518077,00AVICULTURA+BRASI
LEIRA+COMEMORA+FIM+DE+DUMPING+UCRANIANO.html 
161 
 
Notícia retirada do portal www.economia.ig.com.br 
Agronegócio / mercado - 18/08/2011 
 
Carnes e grãos interrompem queda do IGP-10, diz FGV 
Preços de commodities agrícolas tem variado conforme problemas climáticos e procura especulativa 
 
por Agência Estado 
 
Algodão foi uma das commodities que continuouu em baixa em agosto, junto com milho e café 
Carnes e grãos mais caros no atacado levaram ao fim da deflação no Índice Geral de 
Preços -10 (IGP-10), que passou de -0,12% para 0,20% de julho para agosto. Segundo o 
coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão 
Quadros, no período houve fim de queda de preços em bovinos (de -1,43% para 2,26%); 
aves (de -1,42% para 6,53%); suínos (de -10,97% para 17,52%) e em soja (de -1,03% 
para 2,60%) no setor atacadista. 
 Mas o especialista fez uma ressalva. Segundo ele, não é possível dizer que esteja 
ocorrendo um movimento de alta de preços generalizada dentro das commodities 
agropecuárias no atacado. Entre exemplos de commodities agrícolas ainda em baixa 
em agosto estão algodão (-3,44%); milho (-1,07%) e café (-3,09%). 
Na prática, os preços dos itens têm caído e subido de acordo com as suas próprias 
evoluções de oferta e demanda, que variam conforme fatores como problemas 
climáticos e procura especulativa. "O que podemos dizer é que no IGP-10 de agosto os 
aumentos de preços ficaram concentradas em commodities de maior peso no cálculo da 
inflação atacadista e não em todas as commodities agropecuárias", avaliou Quadros. 
FONTE:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI258558 
18077,00CARNES+E+GRAOS+INTERROMPEM+QUEDA+DO+IGP+DIZ+FGV.html 
162 
 
 
 
Dólar deve continuar em queda, dizem analistas 
Especialistas descartam ataque especulativo e apontam excesso de liquidez internacional; 
entenda por que a moeda americana se desvalorizou mais de 8% desde janeiro 
Pedro Carvalho e Danielle Brant, iG São Paulo | 01/03/2012 05:55
 
Foto: Getty ImagesAmpliar 
Desvalorização do dólar preocupa Banco Central, que tenta conter a queda da moeda 
 
Nos últimos dias, o mercado financeiro tem acompanhado uma queda-de-braço. De um lado, o 
Banco Central brasileiro luta para manter o dólar no patamar de R$ 1,70. Do outro, uma enxurrada 
de moeda estrangeira entra no País, forçando seu preço para baixo. O resultado? Desde janeiro, o 
preço da moeda já recuou 8,19% frente ao real. 
 
- LEIA TAMBÉM: Bolsa foi a melhor aplicação de fevereiro 
Para os analistas, a tendência, pelo menos no curto prazo, é o dólar continuar se depreciando. "A 
moeda americana pode atingir o patamar de R$ 1,65", acredita o economista-chefe da Prosper 
Corretora, Eduardo Velho. 
 
Para ele, essa dinâmica reflete um misto de movimentos especulativos com a valorização natural do 
real, após anos de reformas fiscais e tributárias realizadas pelo governo brasileiro. “O Brasil é um 
polo de atração para os investidores, que buscam ganhar com moedas de emergentes, como o rand 
sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno”, afirma o economista. Dentro desse grupo, o Brasil 
é visto como um “porto seguro”, com boas reservas cambiais e baixa relação entre dívida pública e 
Produto Interno Bruto (PIB). 
 
Mais: Investimento dos países do euro no Brasil cresce 120% em 2011 
A desvalorização da moeda americana também foi influenciada pela melhora do humor do mercado, 
graças a sinais positivos vindos da Europa. Por isso, na opinião dos economistas, a moeda 
americana está longe de voltar a se valorizar ante ao real. “A tendência ainda é de baixa do dólar. O 
Banco Central vai continuar absorvendo esses dólares, não para mudar a tendência, mas para 
estancar a queda”, diz José Carlos Amado, operador de câmbio da Renascença Corretora. 
Nos últimos dias, o Banco Central tem ido ao mercado fazer operações de compra de dólares e 
swap reverso, para segurar o câmbio. "Além disso, já circulam notícias de que a autoridade 
monetária prepara novas medidas cambiais”, afirmava Amado. (Atualização: nesta quinta-feira, o 
Governo aumentou o IOF para conter a queda do dólar) 
 
Fonte:http://economia.ig.com.br/mercados/dolar-deve-continuar-em-queda-dizem-
analistas/n1597658321727.html 
163 
 
 
9. GLOSSÁRIO 
 
1. Administração: é um processo em que se combinam 
os recursos escassos para obtenção de objetivos, 
normalmente o lucro. 
 
2. Análise econômica: é o processo pelo qual pode-se 
conhecer os resultados financeiros da atividade. Esse 
resultado pode ser lucro, prejuízo ou resultado nulo. 
 
3. Antieconômica: é uma situação na qual a empresa 
não está remunerando os recursos nela investidos. 
 
4. Benfeitorias: diz respeito à parte da infra-estrutura 
necessária para a implantação da atividade, relacionada 
à construção civil. Ex: Estábulos, galpões, sala de 
ordenha etc. 
 
5. Capital fixo: é o capital investido em recursos que 
duram mais que o ciclo de produção. Ex: benfeitorias, 
máquinas, equipamentos, animais de produção, 
reprodutores etc. 
 
6. Capital: são os recursos financeiros utilizados no 
processo de produção. 
 
7. Ciclo produtivo: corresponde ao período em que se 
empregam os re-cursos e se tem a resposta a esses em 
forma de produto. 
 
8. Curto prazo: é o mínimo tempo necessário para que 
um ciclo produtivo se complete, isto é, o período entre o 
emprego dos recursos e a resposta a esses em forma de 
produto. 
164 
 
 
9. Custo de Produção: é todo e qualquer sacrifício feito 
para produzir determinado produto ou serviço, desde 
que seja possível atribuir um valor monetário a esse 
sacrifício. 
 
10. Custo unitário ou médio: custo de uma unidade de 
produto. No caso em questão, custo de uma arroba de 
carne. 
 
11. Custos controláveis: são os custos sobre os quais o 
gerente (administrador) tem completa responsabilidade. 
 
12. Custos fixos: são aqueles custos cujo total não varia 
proporcionalmente ao volume de produção, tendo 
duração superior a curto prazo; portanto, sua renovação 
acontece a longo prazo. 
 
13. Custos variáveis: são aqueles custos que variam 
proporcionalmente ao volume produzido. Têm duração 
inferior ou igual ao curto prazo, sendo, portanto, sua 
recomposição feita a cada ciclo produtivo. 
 
14. Depreciação: as benfeitorias, máquinas, 
equipamentos, animais destinados 
à reprodução e serviços, dentre outros bens, estão 
sujeitos a desgastes físicos ou até mesmo correm o risco 
de ficarem ultrapassados com o passar do tempo. A 
depreciação representa a parcela que a empresa deverá 
reservar no período, para substituir o bem em questão, 
no final de sua vida útil. 
 
15. Descapitalização: situação em que o empresário não 
está conseguindo recuperar o capital investido na 
165 
 
atividade. Permanecendo nessa situação, a empresa 
tende a desativar o empreendimento. 
 
16. Desembolso: é o pagamento da compra de um bem 
ou serviço. 
 
17. Despesas diversas: são consideradas despesas 
diversas aqueles itens que não se enquadram nos 
grupos: mão-de-obra; alimentação; sanidade; 
reprodução; ordenha e impostos. Exemplos de itens 
considerados como despesas diversas: brincos para 
identificação, cama para free stall, combustível, etc. 
 
18. Despesas operacionais: são aquelas despesas que 
efetivamente provocam um desembolso em dinheiro. 
 
19. Despesas: em contabilidade, despesas são gastos (ou 
sacrifícios econômicos) que provocam redução do 
patrimônio. Ex: impostos, comissão de vendas, etc. 
Neste trabalho, não estamos diferenciando custo de 
despesa. Portanto, despesassão gastos relacionados com 
a produção de bens ou serviços. 
 
20. Dispêndio: é o mesmo que desembolso. 
 
21. Empresa rural: organização econômica e social que, 
reunindo terra, capital, trabalho e direção, se propõe a 
produzir bens ou serviços na expectativa de lucros. 
 
22. Empresário rural: pessoa responsável por tomar 
decisões, tanto no que diz respeito aos aspectos internos 
da empresa rural (Ex: tecnologia a ser adotada), como 
nos aspectos externos (Ex: em que mercado o produto 
deverá ser vendido). Utiliza instrumentos 
166 
 
administrativos já conhecidos, evitando agir só na 
intuição. 
 
23. Esforços gerenciais: são ações administrativas que 
visam a melhorar o desempenho da atividade. 
 
24. Esforços tecnológicos: utilização de técnicas 
modernas visando a melhorar o desempenho da 
atividade. 
 
25. Gastos: (sacrifício econômico) compromisso 
financeiro assumido por uma empresa na aquisição de 
bens ou serviços. 
 
26. Impostos: valores que devem ser recolhidos ao fisco. 
Podem variar ou não com o volume produzido. Neste 
trabalho, estamos alocando no item impostos somente 
aqueles independentes do volume da produção. Ex: 
IPVA e ITR 
 
27. Indicadores de eficiência econômica: são 
indicadores que medem a desenvoltura da atividade, 
financeiramente, auxiliando o empresário na tomada de 
decisão. 
 
28. Insumos: são os recursos materiais (ingredientes) 
utilizados no processo de produção. Ex: rações, 
medicamentos, sal etc. 
 
29. Longo prazo: é o prazo que envolve dois ou mais 
ciclos produtivos. 
 
30. Lucro: situação na qual as receitas totais são maiores 
que os custos totais. 
 
167 
 
31. Mão-de-obra familiar: trabalho realizado por 
membros da família, normalmente não dispondo de um 
salário definido nem de desembolso. 
 
32. Margem bruta: é uma medida de resultado 
econômico obtida da seguinte maneira: margem bruta = 
receita bruta - custos operacionais efetivos (aqueles 
custos que necessitaram efetivamente de desembolso em 
dinheiro). 
 
33. Margem líquida: é uma medida de resultado 
econômico obtida da seguinte maneira: margem líquida 
= receita bruta - custos operacionais totais. 
 
34. Orçamento: no trabalho em questão, orçamento diz 
respeito aos valores necessários para construir 
benfeitorias e/ou adquirir máquinas, equipa-mentos ou 
veículos. 
 
35. Ponto de equilíbrio: é o volume de produção na qual 
as receitas totais se igualam aos custos totais. Nessa 
situação, o lucro é nulo, e baseando-se nesse nível de 
produção, a atividade passa a dar lucro. 
 
36. Pontos de estrangulamento: são pontos no processo 
de produção que impedem a empresa de obter resultados 
satisfatórios. 
 
37. Prejuízo: situação na qual as receitas totais são 
menores do que os custos totais. Se a empresa persistir 
nessa situação por vários períodos, ela tende a 
desaparecer. 
 
168 
 
38. Rateamento (rateio): representa a alocação 
(distribuição) dos custos indiretos aos produtos em 
fabricação, segundo critérios racionais. 
 
39. Receita bruta: no trabalho em questão, é o mesmo 
que receita total da atividade. 
 
40. Receitas totais: representam o resultado total da 
atividade em valores monetários. Devem ser 
consideradas tanto as receitas com os produtos, como as 
dos subprodutos. 
 
41. Receitas: representa o resultado da atividade em 
valores monetários. 
 
42. Remuneração da terra: representa o rendimento que 
o recurso aplicado em terra estaria remunerando a 
empresa, se utilizado em outra atividade. Um critério 
bastante utilizado para a remuneração do fator de 
produção terra é o valor do arrendamento praticado na 
região onde está localizada a propriedade. 
 
43. Remuneração do capital de giro: refere-se ao valor 
que o empresário receberia se esses recursos estivessem 
aplicados em outra atividade. Normalmente o critério 
utilizado é a remuneração da poupança. Neste trabalho, 
consideramos apenas 50% do valor do capital de giro 
utilizado, uma vez que esses recursos não são utilizados 
de uma vez só, mas ao longo do ciclo de produção. 
 
44. Remuneração do capital investido: refere-se ao valor 
que o empresário receberia se esses recursos estivessem 
aplicados em outra atividade. Normalmente o critério 
utilizado é a remuneração da poupança. 
 
169 
 
45. Remuneração do empresário: é a remuneração 
destinada ao empresário rural, estipulada para o 
gerenciamento da atividade. Conhecida também como 
pró-labore. 
 
46. Rentabilidade: de modo mais amplo, representa o 
lucro. Pode ser uma medida absoluta, como também um 
índice ou indicador. Ex: O lucro foi de X reais ou o 
lucro foi igual a 8% do capital aplicado, investido ou 
empatado. 
 
47. Resultado: é a diferença entre receitas totais e os 
custos totais. O resultado pode ser de lucro, prejuízo ou 
resultado nulo. 
 
48. Serviços: são as operações (trabalho) utilizadas no 
processo de produção. Ex: manutenção de cercas, 
reparos, transportes etc. 
 
49. Sistema de produção de gado de corte: diferentes 
formas de se produzir o gado de corte. Ex: sistema 
intensivo, semi-intensivo ou extensivo. 
 
50. Valor atual: representa o valor do bem naquele dado 
momento. No caso de considerarmos o valor atual para 
calcular a depreciação, teremos que considerar os anos 
restantes como vida útil. 
 
51. Valor de sucata: representa o valor do bem 
depreciado no final de sua vida útil. 
 
52. Vida útil: é a estimativa do período de duração do 
bem. Normalmente é estipulado em anos. 
 
 
170 
 
10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 
 
AGUIAR, D. R. D. Mercados futuros como 
instrumentos de comercialização agrícola no Brasil. In: 
CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E 
SOCIOLOGIA RURAL, 37., 1999, Foz do Iguaçu - PR. 
Anais ... Foz do Iguaçu - PR: 1999. 46-57p. 
ANDRADE, R. G. R. de. A expansão da cafeicultura 
em Minas Gerais: da intervenção do estado a liberação 
do mercado. Belo Horizonte: 
CEDEPLAR/FACE/UFMG, 1994. 164p. (Dissertação – 
Mestrado em Economia). 
ANTUNES, M. A.; PROCIANOY, J. L. Efeitos das 
decisões de investimento das empresas sobre os preços 
de suas ações no mercado de capitais. Revista de 
Administração, São Paulo, v. 38, n. 1, p. 5-14, 
jan./fev./mar. 2003. 
ARBEX, M. A.; CARVALHO, V. D. Eficiência do 
mercado futuro de café brasileiro no período de 1992 a 
1998. Revista de Economia e Sociologia Rural, 
Brasília, v. 37, n. 1, Jan/Mar, 1999. 97-113p. 
BERNSTEIN, P. L.; DAMODARAN, A. 
Administração de investimentos. Porto Alegre: 
Bookman, 2000. 423p. 
BESSADA, O. O mercado futuro e de opções. 3ed. 
Rio de Janeiro: Record, 1995. 297p. 
BIBLIOGRAFIA: 
BILAS, R.A. Teoria da Microeconomia. Rio de Janeiro, 
Forense Universitária, 1991. 404p. 
171 
 
BODIE, Z.; KANE, A.; MARCUS, A. J. Fundamentos 
de investimentos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000. 
632p. 
BRIGHAM, E. F. Fundamentos da moderna 
administração financeira. Rio de Janeiro: Campus, 
1999. 
BRITO, A. A. de; BRITO, N. R. O. Diversificação de 
risco e choques exógenos sobre o mercado de capitais 
brasileiro. Revista de Administração, São Paulo, v. 37, 
n. 1, p. 19-28, janeiro/março 2002. 
CASSETTARI, A. Uma forma alternativa para alocação 
ótima de capital em carteiras de risco. Revista de 
Administração, São Paulo, v. 36, n. 3, p. 70-85, 
julho/setembro 2001. 
CASTRO JUNIOR, L.G. de; MARQUES, P.V. 
Impactos da liquidação financeira sobre a eficiência 
de hedging nos contratos futuros de boi gordo. 
Revista de Economia e Sociologia Rural. Brasília: 
SOBER, v.38, n.2, abr./jun. 2000. P.123-146. 
CHESNEY, M.; JÚNIOR, W. E Options listing and the 
volatility of the underlying asset: a study on the 
derivative market function. Revista de Administração, 
São Paulo, v. 36, n. 1, p. 28-32, jan./fev./mar. 1996. 
COSTA JR., N. C.; NEVES, M. B. E. das Variáveis 
fundamentalistas e os retornos das ações. In: 
ENCONTRO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE 
PÓS-GRADUAÇÃOEM ADMINISTRAÇÃO. 21, 
Anais... Foz do Iguaçu: ANPAD, 1998. 
172 
 
CREPALDI, S. A. Contabilidade rural. uma 
abordagem decisorial. 2ª ed. Atlas, 354p. 
DORNBUSH, R.; R., FISHER, S. Macroeconomia. São 
Paulo, Macron books, 1991. 930p. 
DOWNES, J.; GOODMAN, J.E. Dicionário de termos 
financeiros e de investimento. São Paulo: Nobel, 1993. 
650p. 
FERGUSON, C. E. Microeconomia. 19.ed. Rio de 
Janeiro: Forense Universitária, 1996. 610p. 
FERGUSON, C.E.Microeconomia. Rio de Janeiro. 
Forense Universitária, 1974. 6l0 p. 
FONTES, R. E. Análise econômica da cafeicultura no 
sul de Minas Gerais. Lavras: UFLA, 2001. 87p. 
(Dissertação – Mestrado em Administração Rural). 
GITMAM, L. J. Princípios de administração 
financeira. São Paulo: Harbra, 7ª ed., 1997, 841p. 
GONZALEZ, C. de R. A cédula do produto rural – 
CPR: interações com os mercados futuros e de opções. 
Piracicaba, 1999. Tese (Doutorado) – ESALQ/USP. 
HULL, J. Opções, futuros e outros derivativos. São 
Paulo: BM$F, 3
a
 ed.,1998. 609p. 
JORION, P. Value at risk. A nova fonte de referência 
para o controle do risco de mercado. São Paulo: Bolsa 
de Mercadorias & Futuros, 1998. 305p. 
173 
 
KAMARA, A. Issues in futures markets: a survey. The 
Journal of Futures Markets, v. 2, nº 3, p. 261-294, 
1982. 
LAZZARINI, S.G. Inovação e organização de bolsas 
de futuros: teoria e evidências no agribusiness 
brasileiro. FEA/USP, 1997. 216p. Dissertação 
(Mestrado). 
LEFTWICH, R. H. O sistema de preço e a alocação de 
recursos. São Paulo: Pioneira, 1991. 452p. 
LEFTWICH, R.H. O sistema de preços e a alocação de 
recursos. São Paulo, Pioneira, 1991. 452p. 
LEUTHOLD, R.M.; JUNKUS, J.C.; CORDIER, J.E. 
The theory and practice of futures markets. 
Lexington: Lexington books, 1989. 410p. 
LIMA, I. S. Contabilidade e controle de operações 
em derivativos. São Paulo: Pioneira, 1999. 141p. 
LINSMEIER, T. J.; PEARSON, N. D. Risk measuring: 
an introductions to value at risck. Office for Futures 
and Options Research Working Paper # 96-04. 44p. 
LINTZ, A. C.; RENYI, L. Estudo do comportamento de 
capital de terceiros frente a situações de risco – uma 
análise através da teoria das expectativas. In: 
ENCONTRO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE 
PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO. 22, 
Anais... Foz do Iguaçu: ANPAD, 1998. 
LUNGA, A. Eficiência econômica e custo de 
produção na cafeicultura de barra do choça, Estado 
174 
 
da Bahia. Lavras: ESAL, 1990. 56p. (Dissertação – 
Mestrado em Administração Rural). 
MANFREDO, M. R.; LEUTHOLD, R. M.. Market 
risk and the cattle feeding margin: na aplication of 
value at risk. Agribusiness, Vol. 17(3) 333-353 (2001) 
Jonh Wiley & Sons, Inc. 
MARION, J. C. Contabilidade rural. 5 ed. Atlas, 250. 
MARKOWITZ, H. “Portfolio selection.” The Journal 
of Finance. New York, v. 7, n. 1, p. 79-91, Mar. 1952. 
MARQUES, P. V.; MELO, P. C. Mercados futuros de 
commodities agropecuárias. Piracicaba: ESALQ, 
1997. 
MELLAGI FILHO, A. Mercado de commodities. São 
Paulo, Atlas, 1990. 123p. 
MOCHON, F.; TROSTER, R.L. Introdução à 
Economia. Rio de Janeiro, Makron Books, 1994, 391p. 
NICHOLSON, W. Microeconomic theory: basic 
principales and extension. Orlando: Dryden Press, 1998. 
825p. 
NUEVO, P. A. S. A cédula do produto rural (CPR) 
como alternativa para financiamento da produção 
agropecuária. Piracicaba, 1996. 106p. (Dissertação – 
Mestrado em Economia Agrária). 
NUEVO, P. A. S.; MARQUES, P. V. A cédula do 
produto rural (CPR) como alternativa para 
financiamento da produção agropecuária. 
ESALQ/USP, 1996. Mimeografado. 
175 
 
PINHO, D.B. (coord.) Manual de Economia. São Paulo, 
Saraiva, 1989. 443p. 
REIS, A. J. dos; GUIMARÃES, J. M. P. Custos de 
Produção na Agricultura. Informe Agropecuário, Belo 
Horizonte, n.143, p.15-22, nov.1986. 
REIS, R. P. Introdução à teoria econômica. Lavras: 
UFLA/FAEPE,1999. 108p. 
REIS, R.P. Introdução à Teoria Econômica. Lavras. 
ESAL/FAEPE, 1991 86p. 
ROSS, M. C.; WESTERFIELD, R.W.; JAFFE, J.F. 
Administração financeira: corporate finance. São 
Paulo: Atlas, 1995. 698p. 
ROSSETTTI, J.P. Introdução à Economia. São Paulo, 
Atlas, 1994. 810p. 
RUDGE, L. F.; CAVALCANTE, F. Mercado de 
capitais. Belo Horizonte: CNBV, 1998. 
RUFINO, J. L. dos S. Fatores controláveis que afetam 
a renda da empresa agrícola: o caso da cafeicultura no 
município de Nepomuceno-MG. Lavras: ESAL, 1977. 
87p. (Dissertação – Mestrado em Administração Rural). 
SÁ, G. T. de. Administração de investimentos: teoria 
de carteiras e gerenciamento do risco. Rio de Janeiro: 
Qualitymark Ed., 1999. 76p. 
SCHOUCHANA, F. Introdução aos mercados futuros 
e de opções agropecuários no Brasil. 2. Ed. São Paulo: 
Bolsa de Mercadorias & Futuros, 2000. 81p. 
176 
 
SECURATO, J. R. Decisões financeiras em condições 
de risco. São Paulo: Atlas, 1993. 244p. 
SHARPE, W. F. Capital asset prices: a theory of market 
equilibrium under conditions of risk. Journal of 
Finance, v.19, n.3, p.425-442, 1964. 
SILBERBERG, E. The structure of economics: a 
mathematics analisys. New York, MacGraw-Hill, 1978. 
543p. 
SILVA NETO, L. A. Derivativos: definições, emprego 
e risco. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. 298p. 
SOUZA U.J.I. de, Macroeconomia e política 
macroeconômica. Rio de Janeiro, IBMEC, 1994. 710p. 
SOUZA, R. de; GUIMARÃES, J. M. P.; MORAIS, V. 
A.; VIEIRA, G.; ANDRADE, J. G. de. A 
Administração da fazenda. 4.ed. São Paulo: Globo, 
1992. 211p. 
TEIXEIRA, M. A. Mercados futuros: fundamentos e 
características operacionais. São Paulo: Bolsa de 
Mercadorias & Futuros, 1992. 53p. 
TROSTER, R. L.; MORCILLO, F. M. Introdução à 
economia. São Paulo: Makron Books, 1999. 401p. 
TURRA, F. E. Análise de diferentes métodos de 
cálculo de custos de produção na agricultura 
brasileira. Piracicaba: ESALQ, 1990. 134p. 
(Dissertação – Mestrado em Economia Agrária). 
177 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS - UFLA. 
Como calcular o custo de produção. Lavras: 
UFLA/DAE, 1999b. 15p. (Informativo Técnico n.º 3). 
VALLE, F. Manual de contabilidade agrária: a 
produção agrária, a administração da empresa 
agrária, a contabilidade agrária. 2ª ed. São Paulo: 
Atlas, 1987. 
VARIAN, H. R. Microeconomia: princípios básicos. 
Rio de Janeiro: Campos, 1994. 710p. 
VARIAN, H.R. “Microeconomia: princípios básicos. 
Rio de Janeiro: Ed. Campus. 1994. 
WORKING, H. Futures trading and hedging. The 
American Economic Review, v. 43, nº 3, p. 314-343, 
1970.por 
outro. 
 Lei da Demanda: A quantidade procurada por 
um bem ou serviço varia inversamente ao seu preço. 
Preços e quantidades caminham em sentido contrario. 
 Lei da Oferta: A quantidade oferecida de um 
bem ou serviço varia diretamente com o seu preço. 
Preços e quantidades caminham no mesmo sentido. 
 
Metas Econômicas 
 A meta da economia é o desenvolvimento de 
melhores políticas que minimizem os problemas e 
maximizem os benefícios recebidos em troca do nosso 
esforço diário. Mais especificamente, existe um 
consenso de que devemos procurar as seguintes metas: 
A. Um alto nível de emprego 
 A importância da manutenção de um elevado 
nível de emprego destacou-se mais durante a Grande 
Depressão dos anos 30, quando muitos países não 
alcançaram este objetivo. Durante a forte contração da 
economia entre 1929 e 1933, o produto total dos 
Estados Unidos caiu 30%, por exemplo, e os gastos com 
as novas instalações e equipamentos diminuíram em 
quase 80%. 
 Enquanto a situação econômica piorava, mais e 
mais trabalhadores perdiam seus empregos. Em 1933, 
25% da força de trabalho estava desempregado e o 
problema não foi resolvido de imediato. A queda até o 
17 
 
fundo da Depressão durou quase quatro anos e o 
processo de recuperação até altos níveis de emprego foi 
ainda mais demorado. Foi só no inicio dos anos 40, 
quando a produção de material bélico aumentou 
vertiginosamente, que muitos dos americanos 
desempregados conseguiram encontrar trabalho. Uma 
depressão existe quando a taxa de desemprego 
permanece alta durante um longo período. 
 O termos desempregado de aplica àquelas 
pessoas que estão dispostas a trabalhar e tem a 
capacidade necessária, mas não encontram emprego. 
Assim, um estudante universitário de tempo integral não 
se classifica como desempregado; o trabalho imediato 
dele é o de se educar, não de encontrar emprego. Da 
mesma maneira, um aposentado de setenta anos de 
idade seria excluído das estatísticas de desemprego. Os 
indivíduos que se encontram na cadeia ou em 
instituições para doentes mentais também não são 
contados, porque não poderiam comparecer ao trabalho. 
Uma pessoa está desempregada se ela é qualificada e, 
embora procurando não encontra um emprego. 
 A taxa de desemprego se calcula como uma 
porcentagem do total da população economicamente 
ativa, ou seja, a soma dos indivíduos empregados e 
desempregados. (As estatísticas de população 
economicamente ativa e desemprego são calculadas em 
função da definição tradicional de “empregos”. Assim, 
uma mulher que fica em casa e cuida de seus próprios 
filhos, não sta na “força de trabalho” nem “empregada”, 
embora, certamente, trabalhe). 
 No Brasil, as informações anuais sobre o 
número de desempregados só começaram a ser 
coletadas a partir de 1967, quando a primeira pesquisa 
nacional de amostra a domicilio (PNDA) foi realizada. 
18 
 
 A nossa economia não sofreu tanto como a dos 
paises industrializados, o nível de produção industrial 
caiu levemente de 1929 a 1930 recuperando-se em 
1931. esse fato explica porque não houve a rigor, 
preocupação com o desemprego conjuntural (próprio 
das flutuações cíclicas no nível da atividade econômica) 
como seria de esperar se houvesse desemprego 
estrutural (próprio do descompasso entre o numero dos 
novos trabalhadores que ingressam no mercado e o 
número de empregos criados). 
B. Estabilidade de Preços 
 O desemprego corresponde a uma perda pura e 
simples; a sociedade perde os bens que os 
desempregados poderiam ter produzido. O problema 
com a inflação não é tão obvio. Quando o preço 
aumenta, alguém ganha e alguém perde. O comprador 
tem que pagar mais, há um ganho equivalente para o 
vendedor. Quando os produtores vêem o preço dos bens 
que produzem subindo, acham que esses aumentos são 
perfeitamente justos, normais ou razoáveis. Quando o 
consumidor descobre o aumento no preço do bem que 
compra, acha que este aumento demonstra a cobiça dos 
vendedores. A dupla natureza de aumentos de preço é – 
um ganho para o vendedor, uma perda para o 
consumidor – dificulta a avaliação do perigo da 
inflação. 
 Diz-se que um pouco de inflação facilita a 
redução do nível de desemprego. Outros dizem que 
políticas inflacionarias não elevam o nível de emprego, 
e que conduzem à uma inflação descontrolada. Uma 
hiperinflação destrói rapidamente o poder de compra do 
dinheiro; todos desejam gastar o dinheiro o quanto 
antes, enquanto ainda podem trocá-lo por coisas de real 
valor. Uma hiperinflação ocorre durante ou pouco 
depois de conflitos bélicos que causam um aumento, em 
19 
 
disparada, das compras governamentais. Problemas de 
hiperinflação tiveram o sul dos Estados Unidos durante 
a Guerra Civil (Secessão), Alemanha (1923) onde US$ 
1,00 = 4 trilhões de marcos e outras. 
 A inflação prejudicam os que vivem de renda 
fixa e as pessoas que pouparam quantias fixas de 
dinheiro para a sua aposentadoria ou para 
eventualidades (acidentes, doenças graves, etc.).Mas 
outros ganham com a inflação: os ricos ficam mais ricos 
e os pobres ficam mais pobres. A inflação pode induzir 
à especulação improdutiva (as pessoas, por exemplo, 
compram imóveis para vendê-los com lucro). A inflação 
pode levar a mais erros econômicos. Para tomar 
decisões certas, as pessoas devem ter uma imagem 
acurada da conjuntura nacional. Quando os preços 
sobem rapidamente a imagem da conjuntura fica fora de 
foco e perde clareza. 
C. Eficiência 
 A economia pode apresentar um mau 
desempenho mesmo com bem baixas de desemprego e 
de inflação. A meta par o máximo esforço produtivo é a 
eficiência (produtividade). Podemos dois tipos de 
eficiência: 
 * Eficiência técnica: Ex.: o fabricante A 
produziu 50 bicicletas usando 30 homens e 12 
máquinas; o fabricante B produziu as mesmas 50 
bicicletas usando 25 máquinas e 8 máquinas. Diz-se 
então que o produtor B foi mais eficiente que A; em 
outras palavras B usou racionalmente o seu 
equipamento. 
 * Eficiência Alocativa: é a combinação 
inteligente de um conjunto de bens. Ex.: na produção de 
trigo devemos empregar muitos homens e poucas 
máquinas ou muitas máquinas e poucos homens? 
D. Uma Distribuição Eqüitativa da Renda 
20 
 
 A economia brasileira cresce, mais ainda assim 
muitas pessoas continuam vivendo miseravelmente, não 
podendo adquirir alimentos, roupas, moradia, etc. por 
que alguns têm muito e muitos têm pouco? Há um 
consenso de que a sociedade é responsável pela ajuda a 
essas pessoas menos privilegiadas. Não existe uma 
concordância de opiniões no sentido de que devemos ter 
uma igualdade completa de renda como meta; a 
distribuição “melhor” de renda é mal definida. Devido 
às obvias complicações, a pobreza é difícil de ser 
definida em termos monetários. 
 Devemos considerar em primeiro lugar que nem 
todos têm as mesmas necessidades: os doentes precisam 
mais de cuidados médicos, as famílias grandes precisam 
de alimentos, roupas, etc. os que moram na cidade 
gastam mais em necessidades básicas (custos mais altos 
de alimentos e de habitação) que os que moram na zona 
rural, onde cada família pode produzir parte de seu 
sustento. Não existe uma medida simples e única para 
definir uma “linha de pobreza” que marcaria o limite 
entre as famílias pobre e não pobres. 
 Um dos processos mais eficazes de combater a 
pobreza é a de aumentar a produção geral. “A maré alta 
levanta todos os barcos”. Um aumento generalizado de 
rendas por toda a economia faz com que a renda das 
pessoas com menos recursos também seja aumentada. 
 Outro processo para se combater a pobreza é 
pela “Redistribuição de Renda”. Sabemos que a feitura 
do produto nacional, provoca a distribuição primaria das 
rendas, isto é, os pagamentos feitos aos fatores de 
produção através dos salários, juros, lucros e aluguéis. 
Essa distribuição primária não livra o país dos 
problemas da pobreza,insuficiência das rendas, das 
desigualdades das rendas e da insegurança econômica. 
21 
 
 A redistribuição da renda elimina a pobreza, a 
renda insuficiente, proporciona segurança econômica às 
pessoas, influi no funcionamento de economia nacional, 
encorajando uma “demanda agregada” que por sua vez 
faz com que funcione com equilíbrio e em expansão a 
economia nacional. 
 
Os meios de distribuição de rendas: 
 Através da receita pública: impostos – o Estado 
exigindo impostos maiores dos que têm bastante 
para pagar, até isentando os economicamente 
fracos está procurando diminuir distancia entre 
as rendas dos ricos e dos pobres. Um dos meios 
mais eficientes é o imposto de renda. 
 Através da Despesa Pública: se as 
desigualdades sociais começam a diminuir com 
a arrecadação de impostos, o processo de 
diminuição das distâncias entre ricos e pobre 
continua com a aplicação do dinheiro público, 
que poderá ser feito dentre as seguintes 
modalidades: 
 Obras e serviços públicos (quando o Estado 
constrói estradas, ruas, grupos escolares, 
ginásios, creches, asilos, etc. Assim o faz, não 
pensando em beneficiar os ricos, mas sim dar 
aos mais necessitados as possibilidades de 
usufruir de certos bens e serviços, no mesmo pé 
de igualdade com a elite. Os bens e serviços 
públicos, dentro das suas finalidades, podem ser 
gozados por todos os cidadãos, ricos ou pobres); 
 Subscritos, auxílios ou subvenções (o Estado 
distribui gratuitamente, subsídios a certas 
empresas para que possam colocar seus 
produtos no mercado a preços ao alcance dos 
consumidores mais pobre, ou concede auxílios e 
22 
 
subvenções para entidades filantrópicas e 
beneficentes a fim de que essas possam atender 
a uma faixa da população mais miserável); 
 Autarquia e outros órgãos de finalidades sociais 
(existem certos órgãos, os quais sob a forma de 
empresas públicas, de departamentos públicos 
ou autarquias, têm a principal finalidade de 
assistir socialmente a determinada faixa da 
sociedade;assim são, por exemplo, os órgãos da 
previdência social); 
 Aplicação em atividade produtiva (se em 
determinada região do país houver desemprego 
ou subemprego, o Estado, ao invés de dispender 
determinada importância para ajudar os 
desempregados a se manterem, empregará o 
dinheiro na construção de uma obra, em que 
haja criação de novos empregos. Dessa forma 
resolve o problema do desemprego e faz 
aparecer uma nova obra pública que também irá 
beneficiar a muitas pessoas. Outras vezes, em 
forma de sociedade de economia mista, na qual 
detém o controle acionário, o Estado pode 
explorar determinado setor de atividade, que 
crie novos empregos. É o caso da 
PETROBRÁS, Cia. Vale do Rio Doce, etc. 
Com os investimentos pelo Estado, crescem os 
empregos e os salários. Com os novos empregos 
e salários, cresce a demanda dos bens de 
consumo). 
 Através da Fixação de Preços: o equilíbrio 
social também pode ser conseguido com a 
fixação de preços máximos e mínimos, 
conforme o caso, como quando o governo faz 
tabelamento de alugueis, fixando preços 
máximos de locação para beneficiar o inquilino 
23 
 
considerado economicamente mais fraco que o 
proprietário do imóvel; fixação de preços 
máximos para gêneros de primeira necessidade, 
objetivando-se também proteger as classes com 
menos recursos. Existe ainda, a fixação de 
preços mínimos como acontece com os salários, 
e os preços agrícolas. Os preços agrícolas são 
tabelados num mínimo para ajudar o lavrador 
que não dispõe de meios de enfrentar o jogo 
comercial dos compradores de seus produtos. 
E. O crescimento 
 Em uma economia com desemprego em massa, 
pode-se aumentar o produto ao dar trabalho aos 
desempregados. Mas há que considerar que existe um 
limite na quantidade que pode ser produzida com a 
força de trabalho, terra, fabricas e equipamentos; 
aumentar o produto além desse limite, exigirá um 
aumento dos recursos disponíveis (mais fabricas, 
maquinas, novos tipos de maquinas mais produtivas ou 
nova organização da produção). 
 Quando os economistas falam de crescimento, 
querem dizer um aumento da produção resultante de 
avanços tecnológicos ou de incrementos nos recursos. 
 As vantagens do crescimento são óbvias. Se a 
economia cresce, nossa renda será maior no futuro. O 
aumento, em parte, da produção pode ser utilizado para 
beneficiar os pobres da população sem reduzir a renda 
absoluta dos ricos. Embora o crescimento tenha 
vantagens evidentes, ele tem um “custo”. Se desejamos 
crescer mais rapidamente, uma parcela maior da 
produção corrente terá que ser constituída de maquinas 
e portanto, menos bens de consumo serão produzidos. 
Somente no futuro, quando novas maquinas começarem 
a funcionar, produzirão mais bens de consumo 
24 
 
(vestuário, rádios, comidas enlatadas, etc.). Mas hoje, o 
consumo irá sofrer em termos de produção. 
 Níveis mais altos de produção usam quantias 
crescentes de matérias-primas. Uma taxa moderada de 
crescimento pode possibilitar a conservação de recursos 
e assim servir melhor aos interesses das gerações 
futuras. 
 Taxas muito altas de crescimento podem 
danificar o meio ambiente. Se o objetivo é produzir 
mais aço e automóveis, pode ser que, por isso, se dê 
pouca atenção à fumaça das usinas de aço ou aos efeitos 
do automóvel na qualidade do ar que respiramos. 
 Em vista do exposto, fica difícil especificar-se a 
meta de crescimento em termos quantitativos. Uma taxa 
de crescimento em termos quantitativos de 4% ao ano 
não é claramente melhor que uma taxa de 3%. 
F. Redução da Poluição 
 Queremos produzir mais e melhor, mas 
devemos fazê-lo sem degradar o meio ambiente (evitar 
poluição sonora, visual; evitar a poluição de rios, mares, 
lagos; evitar a poluição do ar, ...). 
G. Liberdade Econômica 
 É o direito de os indivíduos escolherem suas 
profissões, fazerem contratos e gastarem sua renda 
como desejam, ... 
H. Segurança Econômica 
 O individuo deve ser livre do espectro de uma 
doença grave ou de outra desgraça qualquer que possa 
colocá-lo em uma situação desesperadora (perda de 
emprego, impossibilidade de educar os filhos, perda da 
aposentadoria, incerteza do futuro, etc.). 
 
 
 
 
25 
 
2. SISTEMA ECONÔMICO 
 
2.1 Conceito 
 Sistema Econômico um conjunto de relações 
técnicas básicas e institucionais que caracterizam a 
organização econômica de uma sociedade. Essas 
relações condicionam o sentido geral das decisões 
fundamentais que se tomam em toda sociedade e os 
ramos predominantes de sua atividade. 
O dilema provocado pelo confronto entre os recursos 
escassos e necessidades ilimitadas implica na existência 
de três questões fundamentais: 
 1º O que e quanto produzir? 
 2º Como Produzir? 
 3º Para quem produzir? 
 
 
2.2 Formas de Organização da Atividade Econômica 
 Sistemas de Livre iniciativa empresarial 
(capitalismo puro): impera a propriedade privada dos 
meios de produção, ao lado de decisão sobre o que e 
quanto produzir fundamentadas no mercado e nos 
preços. As atividades econômicas são dirigidas e 
controladas unicamente por empresas privadas, que 
competem entre si. As empresas estariam dispostas a 
oferecer seus produtos à medida que houvesse 
probabilidades efetivas de obtenção de lucros. A 
intervenção do Estado é considerada perturbadora e 
prejudicial. 
 
 Sistemas de planificação central da 
economia (socialismo): as respostas às questões básicas 
(o que, como, quanto) competem ao Estado, que se 
encarrega de direcionar, controlar processo produtivo, 
através de empresas públicas, com base no interesse 
26 
 
coletivo. A meta não é o lucro e sim o bem estar geral. 
Todos os meios de produção seriam socializados, isto é, 
de propriedade coletiva, administrada pelo Estado. 
 
 Sistemas mistos: existe a coexistência entre o 
setor público e o privado. Muitos aspectos da economiasão controlados pelo Estado (Leis, Decretos, 
Regulamentos, Criação de Empresas, Subsídios, 
Créditos, Incentivos Fiscais) além de se encarregar de 
proporcionar alimentos, ensino, assistência jurídica, às 
camadas inferiores de renda. O “como produzir” se dá 
na Iniciativa Privada. 
 
2.3 Fluxo Econômico 
 O funcionamento do sistema econômico 
caracteriza-se, de um lado, pela atividade de obtenção 
de recursos (ou fatores) de produção em si e, de outro, 
pela obtenção de recursos financeiros e sua utilização. 
Podemos dizer que um fluxo circular de renda se inicia 
com a participação de dois tipos de agentes: famílias e 
empresas. As famílias que são as detentoras dos fatores 
de produção e as empresas que utilizam, por 
determinado preço, seus recursos. Assim fica 
estabelecidos dois mercados, um de fatores de produção 
e outro de bens e serviços finais. 
 
27 
 
Figura 1. Fluxo circular de renda da economia. 
 
Se incorporarmos, na figura 1, o processo de 
acumulação de capitais e dos fluxos de financiamento 
tem-se, então, dois novos componentes: os bens 
destinados ao consumo e os bens destinados à 
acumulação. 
A existência de bens destinados à acumulação nos leva 
à necessidade da utilização dos intermediários 
financeiros e, com isso, surgem os mercados financeiros 
conforme a figura 2. 
 
28 
 
Figura 2. Incorporação do processo de financiamento. 
 
A necessidade da existência de bens públicos justifica a 
incorporação do governo ao fluxo. Pode-se dizer que o 
governo seria um avalista de uma ordem social, na qual 
ocorreriam as atividades econômicas de todos os 
agentes privados e até mesmo os agentes públicos com 
está apresentado na figura 3.; 
29 
 
Figura 3. Incorporação do governo. 
 
2.4 Agentes Econômicos 
 Os diferentes agentes econômicos podem ser 
divididos em privados e públicos. Os agentes privados 
básicos são as empresas e as famílias. 
 
Empresas 
 Os fatores de produção, natureza, trabalho e 
capital dependem para se tornarem produtivos, de um 
elemento que os combine. Este fator é a empresa. As 
origens das empresas são encontradas nas tarefas em 
comum, realizadas nas sociedades primitivas. Seu 
surgimento com sentido econômico. 
30 
 
 Porém só se dará na Idade Média, quando 
predominou o sistema feudalista; despontou na medida 
que o artesão já não tinha condições de monopolizar a 
produção de certos bens, tendo em vista a procura de 
novos mercados e o fato de não deter a matéria-prima. 
Quando a produção, com o advento da Revolução 
Industrial, tornou-se mais que suficiente para atender às 
necessidades locais, houve a busca de novos mercados. 
Com isso aperfeiçoaram-se as principiantes empresas. 
 Neste mesmo período o capitalismo também se 
estruturou, surgindo a figura do empreendedor ou do 
empresário; aparecem a atividade que objetiva lucro, 
isto é, “a remuneração paga aos que correm riscos, que 
inovam, que modificam, que dinamizam”, com essa 
atividade e esse desejo de lucro, firmou-se a empresa. 
 É a unidade de produção básica. Contrata 
trabalho e compra fatores com o fim de fazer e vender 
bens e serviços. É a unidade econômica de produção 
encarregada de trocar os fatores de produção (recursos 
naturais, trabalho e capital) para produzir bens e 
serviços que depois serão vendidos no mercado. 
 
 Conforme sua natureza jurídica a empresa pode 
ser: 
- Individual: Trata-se de empresas que pertencem a um 
só indivíduo e são dirigidas por ele. (Forma mais 
simples de se estabelecer um negócio). 
- Social: A propriedade não corresponde à um só 
indivíduo. 
- Limitadas: O capital social deve estar totalmente 
desembolsado em um movimento de constituir a 
sociedade. O capital está dividido em partes iguais, 
chamados cotas. Nestas empresas os sócios não 
respondem pessoalmente a dados sociais, somente com 
o capital aplicado. 
31 
 
- Sociedades Anônimas ou S.As: Somente se pode ser 
sócio, investindo dinheiro. O capital está dividido aos 
acionistas (em ações). A responsabilidade dos sócios se 
limita ao capital aplicado. As ações são eventualmente 
negociadas na Bolsa. 
- Cooperativas: São associações criadas para satisfazer 
as necessidades comuns dos associados que 
compartilham de iguais riscos e benefícios. 
 
 O financiamento das empresas pode ser por 
autofinanciamento - Recursos financeiros gerados pela 
própria empresa e ou Financiamento Externo: 
 *Empréstimos: A Empresa recebe de imediato o 
total do financiamento concebido, apesar de alguns 
casos haver desconto dos juros. 
 *Créditos: A empresa retira dentro do limite 
máximo combinado, o Capital necessário, podendo 
realizar várias retiradas, pagamentos, de maneira que 
somente pague os juros relativos ao Capital utilizado. A 
forma de instrumentar os créditos, é por meio de títulos. 
 *Ações e Obrigações: (Somente S. A.). Ação. 
Cada ação representa uma fração da propriedade e da 
sociedade. Conferem direitos políticos e econômicos. 
São títulos de renda variável e integram capital de risco 
( sofrem perdas ou redução de lucro). 
 De modo geral, concentração de empresas é a 
variedade de modos que permitem a empresa aumentar 
o seu campo de atividade ou sua influência sobre os 
mercados. É uma necessidade para superar exigências e 
dificuldades ou suplantar e concorrência. 
 
Tipos de concentração: 
- Aumento do estabelecimento: Quando aumento o 
volume de sua atividade, quando amplia as instalações 
(Armazéns, Supermercados). 
32 
 
- Multiplicação de um estabelecimento: Criação de 
filiais na mesma cidade, no mesmo país ou fora dele. 
- Diversificação: A empresa cresce porque vai se 
dedicando há outras atividades, sem ligação uma com as 
outras. 
- Concentração Horizontal: Quando uma empresa 
aumenta a seu campo de atividade pelo aumento da sua 
produção, que continua a ser da mesma espécie; recebe 
também o nome de concentração por ampliação. A 
concentração horizontal trará, em condições normais, 
menores desvantagens, pois permite o aproveitamento 
de instalações, do bom nome da empresa, dos mesmos 
funcionários, etc. (Roupas femininas+ masculinas+ 
infantis =mesmo ramo de atividade) 
- Concentração Vertical: Quando uma empresa se 
diversifica sua produção, produzindo uma quantidade 
determinada de certos produtos até então não 
produzidos. Há portanto, uma diversificação ou uma 
integração, como também é denominada a concentração 
vertical. A concentração vertical se dá quando uma 
empresa que produz determinados produtos, procura 
concentrar cãs operações prévias ou consecutivas 
daqueles que são objetos principais dessa empresa. 
Vantagens: eliminação ou diminuição dos 
intermediários, tendência a emancipação, etc. (Desde a 
matéria prima até o final). 
- Por Acordo: Quando uma empresa aumenta sua 
influência sobre o mercado, combinando com outras 
empresas, formulas que eliminem a concorrência. Os 
acordos se tornam vantajosos e possíveis quando: 
Existir pequeno número de produtores; Houver certa 
igualdade das condições de trabalho; Existir 
uniformidade de produtos; Não existir produtos 
sucedâneos; (substituíveis); Houver espírito de 
associação e adesão da maioria das concorrentes. 
33 
 
 Principais tipos de acordo: 
 Cartel: É um acordo limitado, temporário, 
tendo por objetivo estabelecer uma uniformidade nos 
preços de compra das matérias-primas, nos preços de 
venda dos produtos sobre o volume de produção, de 
todos e de cada uma delas; Repartição entre eles dos 
mercados mundiais, nacionais, regionais e os urbanos.-
Pool: Diversas empresas recolhem à uma mesma caixa a 
suas receitas, que depois são rateadas entre elas, de 
acordo com critérios previamente fixados. 
 Consórcio: É uma associação lícita, contratual e 
transitória de pessoas físicas ou jurídicas, interessados 
na compra de determinados bens, construir uma obra 
pública ou realizar qualquer atividade econômica,cuja a 
magnitude escapa as possibilidades de cada um. 
 Holding: Uma nova empresa adquiri a controle 
acionário, de outras empresas, mediante a aquisição de 
maioria de seu capital votante. As empresas dominadas 
(Subsidiárias) podem ter os mais variados objetos de 
negócios e suas diretorias são eleitas pela holding. 
Através dessa diretoria, a holding imprime sua 
orientação as atividades da cada uma delas. A holding 
não se dedica a nenhuma linha produtiva, mas apenas 
controla e administra as empresas dominadas. 
 Truste: Acordo financeiro agrupando sobre 
uma única direção, várias empresas, que perdem sua 
independência financeira. Vantagens: menor custo de 
produção, aperfeiçoamento técnico, melhor 
administração, etc...Desvantagens: “boicote”, dumping, 
favores ilegais. 
 Conglomerado: Caracterizado pela 
diversidade. Uma grande empresa adquire o controle de 
outras empresas e passa a dirigi-la. Tem como 
características: Empresas independentes operando como 
se fosse autônomas, ramos de negócios diferentes. 
34 
 
Famílias (Unidades Familiares) 
 Consomem bens e serviços, e oferecem seus 
recursos – fundamentalmente trabalho e capital – às 
empresas. As famílias que pretendem maximizar a 
satisfação obtida no consumo são limitadas pelo 
orçamento que dispõem. 
 Comportamento similar ao das famílias é dos 
indivíduos, grupos esportivos, culturais, associações 
beneficentes e religiosas, etc. A atividade econômica 
desses grupos atrai sujeitos com intenção mercantil ou 
empresarial. 
 
O Setor Público 
 O setor público estabelece o marco jurídico - 
institucional e é responsável pela política econômica. 
Em determinados aspectos, atua também como 
empresário, especialmente no caso dos bens públicos. 
 
35 
 
 
Agronegócio / infraestrutura - 12/09/2011 
 
Agronegócio gasta 13,3% da receita com logística 
 
Infraestrutra ainda é entrave para crescimento do setor 
por Agência Estado 
 
Em 2010, os custos com logística corresponderam a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB). 
As empresas brasileiras gastam 8,5% de sua receita com logística, segundo pesquisa divulgada 
nesta segunda-feira (12/9) pelo Instituto Ilos. No agronegócio o impacto é ainda maior, 13,3% 
da receita. Em 2005, os gastos com logística consumiam 7,4% da receita líquida das empresas. 
"Era esperado que as empresas conseguissem diminuir esses custos", disse Maurício Lima, 
autor do estudo e diretor de Capacitação do Instituto Ilos, durante o Fórum Internacional de 
Logística. "O porcentual pode parecer pouco significativo, mas é uma conta que vai direto para 
o resultado. Em comparação ao lucro dessas empresas, a participação é enorme". 
Os custos com logística corresponderam a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, o 
equivalente a R$ 391 bilhões. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos, o montante 
gasto com logística corresponde a 7,7% do PIB americano. 
Lima explica que a relação entre o custo da logística e o PIB costuma diminuir conforme o 
desenvolvimento do País. "O Brasil diminuiu um pouco essa relação, mas ela começa a esbarrar 
na questão da infraestrutura. O modal rodoviário ganha importância", contou. 
A matriz de transporte brasileira está 65% baseada no escoamento via rodovias. Nos Estados 
Unidos, o modal rodoviário corresponde a apenas 28,7% do transporte de produtos e 
mercadorias. "Se o modal de transportes do Brasil fosse igual ao dos Estados Unidos em termos 
de distribuição, a economia seria de R$ 90 bilhões", afirmou Lima. "Mas precisaria de anos de 
investimento em infraestrutura. Mesmo confrontando com a Rússia, a Índia e a China, o Brasil 
está muito atrás, inclusive na malha rodoviária. Temos uma infraestrutura pequena". 
Lima alertou que seriam necessários investimentos da ordem de 2% do PIB, cerca de R$ 70 
bilhões, apenas em 2011, para atender ao aumento da demanda por transportes. "No PAC 
(Programa de Aceleração do Crescimento) estão previstos R$ 20 bilhões (em investimentos) 
em infraestrutura de transporte em geral, mas na prática o governo nunca consegue gastar tudo 
isso, então deve ficar em R$ 16 bilhões", calculou. 
O estudo do Instituto Ilos foi realizado com cem das mil maiores empresas do País. 
FONTE:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI264407-18077,00 
AGRONEGOCIO+GASTA+DA+RECEITA+COM+LOGISTICA.html 
36 
 
3. MODELO DE MERCADO 
 
 A circulação é a passagem dos bens econômicos 
de umas para outras pessoas. Umas pessoas procuram 
adquirir, demandam; outras produzem, ofertam. A 
circulação se faz pela demanda e oferta. 
 
3.1 Demanda e Oferta 
1. Chama-se demanda ou procura e quantidade de um 
bem ou serviço se deseja adquirir, a certo preço. É a 
necessidade econômica, armada de um poder de 
compra. 
2. Elasticidade de demanda é a variação desta, pra mais 
ou para menos, mais que proporcional à variação, para 
mais ou para menos, do preço dos bens demandados. 
3. Há bens inelásticos. São aqueles cuja demanda na se 
altera, ou se altera pouquíssimo, qualquer que seja a 
variação do seu preço de venda. Há bens de demanda 
elástica: são aqueles cuja demanda se altera mais que 
proporcionalmente à variação do seu preço se venda. 
4. A oferta é a quantidade de bens que se propõe vender, 
o preço dado. 
5. A oferta, como a demanda, é também sujeita ao 
fenômeno da elasticidade. Todavia, há bens de oferta 
absolutamente inelástica: aqueles que não são possíveis 
de produzir. A elasticidade da oferta acontece na linha 
dos bens reproduzíveis. 
6. O custo designa todas as despesas que se tem de 
pagar para produzir algum bem ou serviço. Há várias 
espécies de custo: custos fixos, custos variáveis, custo 
total, custo médio, custo marginal. 
7. A demanda dependa da renda: só demanda (procura 
comprar) quem tem recursos (dinheiro). É a necessidade 
solvável. A necessidade sem recursos não demanda:é 
insolvável. A economia nacional deve atender tanto às 
37 
 
necessidades solváveis, como às necessidades 
insolváveis. 
8. A oferta, também, depende da renda. País de alta 
renda é população que compra muito. Nesse país, é 
preciso produzir muito. Produzindo-se muito, é preciso 
ampliar as empresas, e com isso se pagam mais rendas. 
9. A demanda, a oferta e a renda, como se vê, 
relacionam-se entre si. A demanda é causada pela renda. 
A oferta é suscitada pela demanda. A oferta cria rendas, 
pois paga para produzir os bens que são ofertados. 
 
Fenômenos de demanda 
 São várias as causas que fazem com que a 
resposta da demanda não apresente, sempre, um mesmo 
comportamento ante a variação do preço, ou até mude 
embora o preço permaneça o mesmo. 
Rigidez ou Instabilidade: A demanda permanece a 
mesma, ou pouco varia quando oscilam os preços, 
nestes casos: 
A. bens de primeira necessidade; 
B. certos bens usados em pequenas quantidades; 
C. bens de luxo; 
D. bens psicologicamente imperiosos. 
Elasticidade: A demanda é elástica, no sentido técnico, 
nestes casos: 
A. bens de conforto; 
B. bens que têm sucedâneos próximos. 
Demanda Cruzada: Quando o preço de outro bem 
diminui, a demanda se desloca do que estava sendo 
comprado para o bem que barateou. 
Efeito-renda: Às vezes, o preço de um baixa, e a 
pessoa, em vez de aumentar a demanda por ele, 
aproveita a renda, liberada por essa baixa, para adquirir 
outros bens: a baixa fez com que a sua renda ficasse, 
38 
 
indiretamente, aumentada.É chamado também de 
“efeito-Hicks”. 
Elasticidade-renda: Se o sujeito passa a receber uma 
renda maior (por exemplo, aumento de vencimentos), 
ele muda a sua demanda de um bem inferior para outro 
de classe superior. 
Efeito-demonstração: Certas pessoas, quando o preço 
de um bem sobe, passam a comprá-lo, para dar a 
impressão de serem ricas. É chamado também de 
“efeito-Veblen”. 
Paradoxo de Giffen: Este economista observou que, às 
vezes, a alta de um certo bem leva a comprar mais dele, 
e não por demonstração.Efeito de previsão: Se o adquirente prevê, fundamente 
ou não, uma baixa ainda maior do preço, a demanda 
pode não aumentar, e até diminuir, se o preço baixa. O 
mesmo se diga quanto á previsão da elevação de preço: 
a demanda aumenta, embora o preço esteja firme, e 
força a elevação deste. Este último fenômeno é uma das 
principais causas de inflação, de um certo momento em 
diante. 
A demanda Efetiva: Por demanda efetiva entende-se a 
previsão, que o empresário antes de lançar à produção 
faz, a respeito do que será adquirido no futuro pelos 
compradores. A demanda efetiva é que leva o 
empresário a agir, pois sobre ela é que se 
formula seus planos de produção. Logo, ela influi “ex 
ante” na produção, no emprego, no nível de renda. É um 
dos dínamos que põe em movimento a economia 
nacional. 
 
3.2 Mercados 
 Chama-se mercado o conjunto de demandas e 
ofertas que se exercem a respeito dos bens e serviços 
39 
 
(compras e vendas). Os mercados podem ser 
classificados de diversas maneiras: 
 - Quanto ao objeto (mercado de café, do trigo, 
de automóveis, de ações, etc). 
 - Quanto ao âmbito (mercado regional, 
municipal, estadual,nacional, mundial). 
 Mas a classificação que interessa ao economista 
é a que leva em consideração o número de pessoas que 
demandam e que ofertam. Assim temos: 
a) o mercado da livre concorrência, em que figura um 
número ilimitado de compradores e vendedores, 
havendo perfeita igualdade entre todos os aspectos; 
b) o mercado do monopólio, em que só há um 
vendedor, um só comprador, ou um só vendedor e 
comprador; 
c) o mercado da concorrência imperfeita, em que há 
poucos vendedores (oligopólio) e em que os produtos se 
diferenciam. 
 A vida prática mostra que, na realidade, não 
existe nem o mercado da livre concorrência, nem o 
mercado do monopólio absolutos. O que há, com 
diferente dosagem de concorrência e de monopólio, 
dentro de certos limites, é o mercado da concorrência 
imperfeita. 
 
Preços 
1. Preço é a expressão monetária do valor dos bens e 
serviços úteis. 
2. O preço se forma quando se põe de acordo a demanda 
com a oferta. 
3. Conforme o tipo de mercado, o preço pode ser mais 
baixo. No monopólio, tende a ser mais alto. Na livre 
concorrência tende a ser mais baixo. Na concorrência 
imperfeita, tende ao meio termo. 
40 
 
4. O governo tabela os preços de muitos bens e serviços: 
nos serviços públicos, na agricultura, nos salários, no 
comércio e na indústria. O tabelamento no caso da 
indústria e do comércio, é nocivo, salvo em situações de 
guerra ou calamidade. 
5. Quando a economia nacional está em progresso, os 
preços tendem a baixar. Quando está em inflação, 
tendem a subir. Quando está em deflação, tendem 
desmoronar e arruinar tudo. 
A política econômica tem por seus objetivos manter a 
situação econômica no primeiro caso (inflação). 
 
 
 
41 
 
 
Cotações / mercado - 15/05/2011 
 
Consumo de carnes bovina e de frango derrubam preço da carne suína 
 
Em São Paulo, queda da arroba da carne suína chegou a R$ 1,00 
por Globo Rural Online 
 
O mercado interno de carne suína apresentou mais uma queda nesta semana. O setor foi 
influenciado pela queda na cotação das carnes concorrentes, como a de frango e bovina, o que 
acabou impactando na decisão de compra do consumidor, que geralmente opta por escolher a 
que tem menor valor. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Felipe Netto, houve queda 
no preço do quilo vivo nos estados da região Sul, em São Paulo e Mato Grosso do Sul. 
A análise semanal de preços realizada por SAFRAS & Mercado indicou que em São Paulo a 
arroba suína caiu R$ 1 nesta semana, passando de R$ 49,50 para R$ 48,50. No Mato Grosso do 
Sul a cotação do quilo vivo caiu R$0,10, ficando em R$ 2,10. Em Goiás, o preço ficou em R$ 
2,85 o quilo vivo, mesmo valor da última semana. Em Mato Grosso o preço seguiu em R$ 2,20. 
Em Minas Gerais o quilo vivo seguiu em R$ 2,85. 
No Rio Grande do Sul o quilo vivo foi vendido a R$ 2,19 na integração, ante R$ 2,24 na semana 
passada. No mercado independente o preço caiu para R$ 2,24, ante R$ 2,31 na semana anterior. 
Em Santa Catarina o valor ficou em R$ 2,10 na integração e a R$ 2,18 no interior, quedas de 
dez e vinte centavos, respectivamente, ante semana passada. No Paraná, a cotação na região 
Oeste recuou de R$ 2,42 o quilo vivo para R$ 2,23. No Espírito Santo o quilo vivo seguiu a R$ 
2,65, no Ceará a R$ 3,40 e, em Pernambuco, a R$ 3,10. O preço médio do quilo vivo da carne 
suína na região Centro-Sul recuou 3,71% em uma semana, passando de R$ 2,42 para R$ 2,33. 
No mercado externo, o fator cambial foi um pouco mais favorável, com o dólar atingindo 
patamares superiores a R$ 1,60. "Essa condição pode contribuir para uma melhoria no volume 
embarcado em maio, ainda que o setor enfrente novamente um período de embargo por parte do 
mercado russo", comenta Netto. 
Conforme ele, apesar desse impasse, a princípio as exportações não terão grande impacto, até 
mesmo porque na próxima semana uma missão do governo brasileiro estará na Rússia para 
tentar solucionar a questão. "A estratégia de alguns frigoríficos em direcionar o produto através 
de plantas que não tiveram interrupções nos embarques também deve fazer com que o impacto 
seja bastante reduzido", explica. 
Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI233543-18083,00-
CONSUMO+DE+CARNES+BOVINA+E+DE+FRANGO+DERRUBAM+PRECO+DA+CARNE+SUINA.html 
42 
 
4. PEINCÍPIOS DA TEORIA DA PRODUÇÃO 
 
4.1 Conceito 
 Produzir um bem é colocar os elementos 
constituintes desse bem em condições tais que possam 
satisfazer as necessidades humanas. Produção é feitura 
de bens e/ou prestação de serviços úteis destinados ao 
consumo ou à produção de outros bens. 
 
Setores de Produção 
- Setor Primário: Agropecuária, pesca, extrativismo, 
mineração (vinculado diretamente aos recursos 
minerais). 
- Setor Secundário: Constituído pelas atividades 
industriais, transformam matérias primas em bens finais 
ou intermediários. 
- Setor Terciário: Integrado pelos serviços, como 
transporte, comércio, bancos e etc... 
 
Avaliação da Produção 
 O produto nacional (PN) é função da atividade 
produtora do país. O PN se enquadra em uma das 
classes de bens econômicos: bens e serviços de 
consumo e, bens e serviços de produção. Onde se 
conclui que o produto nacional (PN) é igual ao consumo 
mais investido (PN=C+I). O PN pode ser computado: 
1-“in natura” ou fisicamente; 
2- em dinheiro (ao preço de custo e ao preço de venda). 
 No cálculo do PN em dinheiro, devemos 
deflacionar esses preços para não confundir produção 
com efeitos de inflação. 
 
Produtividade 
 É sinônimo de eficiência, que é obtida através 
da melhoria da qualidade dos fatores de produção, da 
43 
 
melhor organização e combinação dos fatores de 
produção. 
 A produtividade é um efeito do progresso 
tecnológico (técnicas de produção). Causas: incentivo à 
instrução e à educação do povo: formação profissional e 
especialização do trabalho, etc... 
 
4.2 Função e Fatores de Produção 
 O produto nacional (PN) é feito pelos fatores de 
produção. Para aumentar o PN podem ser usados dois 
processos, que são: 
1- aumentar a qualidade dos fatores de produção; 
2- aumentar a produtividade dos fatores de produção. 
 
Estudo dos Fatores de Produção 
Recursos Naturais 
 Os recursos naturais – o fator terra – 
compreendem a base de um sistema sobre a qual se 
assentará o capital técnico. Os recursos naturais podem 
ser: 
 Renováveis: De natureza biológica, 
compreendem os vegetais e animais. 
 Não Renováveis: Riquezas minerais e solo. 
 Transformados: São os recursos transformados 
(Ex: Laranja). 
 In natura: Não sofre transformação nenhuma 
(Venda da laranja). 
 
 Durante muito tempo prevaleceu a ideia, entre 
os precursores da análise econômica, de que a 
verdadeira riqueza seria aquela resultante da utilizaçãoindireta do fator terra, a produção agrícola. Os outros 
bens seriam derivados de uma transformação dos 
produtos primários, não acrescentando, portanto, mais 
44 
 
riqueza. Este conceito modificou-se substancialmente 
com o avanço das tecnologias de processo e de produto. 
 T. Processo: Mão-de-obra 
 T. Produto: Modifica o produto em si. 
 Espaço Econômico: é a área coberta pelas 
relações econômicas; as relações econômicas podem 
ultrapassar as fronteiras geográficas. 
 
Força do trabalho 
 População Economicamente Ativa (PEA). É o 
emprego ordenado da força humana para a criação de 
utilidades com fins econômicos. Refere-se às faculdades 
físicas e intelectuais dos seres humanos que intervêm no 
processo produtivo. Características: 
 É uma atividade racional (Uso da Inteligência); 
Possui uma finalidade econômica; Procura satisfazer as 
necessidades econômicas / humanas e É uma atividade 
(castigo). 
 
Trabalho e População 
 A população é um conjunto de seres humanos 
que vivem em uma área determinada. O fator produtivo 
trabalho é a parte da população que desenvolve as 
tarefas produtivas. 
 
Eficácia do Trabalho Nacional: 
 Causas que dão maior ou menor eficiência ao 
trabalho nacional: 
1) número de trabalhadores, que varia com a população 
ativa. Esta população depende: 
 da legislação social (aposentadoria, por 
exemplo); 
 da saúde da população (condições físicas de um 
povo); e 
45 
 
 do início da atividade produtiva (problemas de 
países subdesenvolvidos). 
2) preparação profissional no que diz respeito ao 
combate da mão-de-obra desqualificada, que é a causa 
dos baixos salários e por conseqüência a pobreza. 
Causas que dificultam o aprendizado profissional: 
 na grande indústria a divisão do trabalho exige 
pequeno número de operações. Impedindo 
muitas vezes o aprendizado; 
 na pequena e média indústria o aprendizado é 
difícil pelas próprias condições da empresa; por 
outro lado, o empresário vê no aprendiz seu 
futuro concorrente e 
 de modo geral, o aprendiz procede de família 
numerosa, de baixa renda, com problemas 
financeiros, e assim deixa o aprendizado e 
começa trabalhar em outra indústria. 
3) o meio físico, que tem grande influência sobre a 
produtividade. Entre outros são fatores determinantes da 
eficiência do trabalho: 
 o clima, terras férteis, riqueza natural, 
abundância de certos minérios... 
4) instrumental de trabalho (no processo produtivo) 
possibilita maior rendimento com o mínimo de desgaste 
humano, tais como ferramentas aperfeiçoadas, máquinas 
adequadas, atuação do homem na produção a fim de 
obter o melhor resultado, (uso da tecnologia). 
5) divisão do trabalho e a organização científica do 
trabalho, que se preocupa com a performance do 
homem na atividade produtiva, com a obtenção de 
maior capacidade para o aumento da produtividade e 
com o mínimo de prejuízos humanos. Os autores 
dividem a organização racional do trabalho em duas 
correntes: 
 
46 
 
 o ponto de partida da indústria, quando procura 
métodos mais racionais visando o 
aprimoramento do trabalho dentro da empresa; 
 o ponto de partida da ciência, que permite a 
ampliação de ensinamentos da psicologia e da 
fisiologia ao trabalho do homem, dando 
nascimento a fisiotécnica. (Melhor conforto 
para o trabalhador). 
 
Capital 
 Todo bem destinado à produção de outro bem se 
classifica como recurso de capital. Por capital entende-
se, portanto, a infra-estrutura produtiva (edifícios, por 
exemplo), as máquinas, as ferramentas. Recebem essa 
denominação porque, nas economias capitalistas, o 
capital geralmente é de propriedade privada e 
especialmente dos “capitalistas”. 
 
Tipos de Capital 
- Capital Físico ou Real 
 *Capital Fixo: Consiste em todo tipo de 
investimento empregados na produção, como edifícios 
maquinários, duram vários ciclos de produção. 
 *Capital circulante: Consiste nos bens em 
processo de preparação para e consumo, basicamente, 
matérias-primas e estoques. 
- Capital Humano: Educação, formação profissional e 
experiência. Em geral tudo que eleva a capacidade 
produtiva dos seres humanos. 
- Capital Financeiro: Fundos disponíveis para a 
compra de capital físico ou ativos financeiros 
 *Monetários: Dinheiro, conta corrente (depósito 
a vista). Rende juros. 
 *Não Monetários: Todo o dinheiro que rende 
juros.(Títulos de governos). 
47 
 
 A formação de Capital É um fato econômico da 
mais alta importância para as pessoas, empresas e para o 
país. O capital (K) é igual a poupança (P) mais o 
investimento(I). K=P+I 
 
Poupança 
 É a parte da renda que não consumimos; chama-
se “economias” para muitos. Nos dias de hoje ela 
assume a forma monetária: guarda-se dinheiro. 
 A poupança é feita pelas pessoas, pelas 
empresas, quando reservam parte se seus lucros para 
adquirir novos equipamentos, máquinas, etc, ou para 
reparar seus bens de produção. Pelo governo, quando 
reserva recursos para aplicar na formação do capital, 
diretamente ou financiando as empresas. 
 O governo reserva parte dor tributos 
arrecadados, toma empréstimos internos e externos, e 
emite dinheiro como forma de recursos para formar 
poupança. As formas de poupança mais comuns são: 
- Poupança Livre ou Individual: Resulta da decisão ou 
não das pessoas pouparem. 
- Poupança Forçada: Pode ser feita pelas empresas e 
pelo governo; 
 *Empresas = quando não distribui lucros e 
assim obtém recursos para expansão de suas 
atividades (Auto financiamento); 
 *Governo= quando lança imposto para obter 
recursos para certos financiamentos ou fazendo 
empréstimos públicos. 
- Poupança Reserva: Para atender gastos eventuais, de 
quem poupa ou de sua família. 
- Poupança Criadora (Investimentos): São recursos para 
aumentar a renda de seu titular diretamente na produção 
ou emprestando esses recursos via sistema financeiros. 
- Poupança Interna; Realizada no país. 
48 
 
- Poupança Externa: Realizada em outro país, que está a 
disposição do Brasil, sob a forma de empréstimo, 
doações, bens de capital e de dinheiro. 
- Poupança Real: Constituída de bens físicos. 
- Poupança Monetária: Constituída de dinheiro. 
Poupança Nacional; Parte da renda nacional, que não foi 
aplicada no consumo. 
 Renda Nacional= Consumo + Investimento 
 
Investimento 
 É o segundo ato na formação do capital e 
consiste na aplicação da poupança com o fim de formar 
bens de produção (ferramentas, máquinas, edifícios, 
oficinas, matérias-primas, dinheiro, sementes, etc). Ele 
consiste em repor os bens que pereceram ou se 
estragaram durante o processo da produção e/ou e 
aumentar o aparelhamento produtivo. O investimento 
é feito pelas empresas (empresários) e pelo governo. 
Pelos empresários quando criam um negócio na 
agricultura, na indústria, porque isto implica na 
aquisição de bens de produção (é o investimento). Os 
recursos de que se servem os empresários são os do 
próprio empresário ou das pessoas que pouparam o do 
governo que financia as empresas. 
 Pelo governo quando investe diretamente, 
criando uma obra pública, uma indústria ou quando 
investe juntamente com particulares (economia mista). 
Obs: nos países subdesenvolvidos o investimento oficial 
é grande, e é pequeno nos países desenvolvidos. 
 
Formas de Investimentos 
- Investimento de Infra-estrutura: Feitos pelo governo, 
nos setores de energia, transporte, comunicação, 
educação. 
49 
 
- Investimento privado e Investimento público: o 
primeiro é feito pelas empresas privadas, individuais ou 
coletivos; O segundo é realizado pelo governo. 
- Investimento privado protegido: Feito pelas empresas 
privadas com recursos do governo e com destinação 
certa. 
- Investimento induzido: Feito pelos empresários em 
virtude pelo aumento da procura, pelo seus produtos ou 
então, porque aumentaram, as rendas da empresa. 
- Investimento nacional e internacional: É feito

Mais conteúdos dessa disciplina