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0 ECONOMIA APLICADA PROF: DR. RENATO ELIAS FONTES UFLA - 2012 1 SUMÁRIO 1.1 INTRODUÇÃO ......................................................... 03 1.1 Conceito ..................................................................... 03 1.2 Histórico da Economia ........................................... 03 1.3 Microeconomia e Macroeconomia ............................ 04 1.4 Noções fundamentais de economia ......................... 05 2. SISTEMA ECONÔMICO ........................................ 19 2.1 Conceito ...................................................................... 19 2.2 Formas de Organização da Atividade Econômica .... 19 2.3 Fluxo Econômico ....................................................... 20 2.4 Agentes Econômicos ................................................ 22 3. MODELO DE MERCADO ......................................... 28 3.1 Demanda e Oferta ..................................................... 28 3.2 Mercados .................................................................... 30 4. PRINCÍPIOS DA TEORIA DA PRODUÇÃO ........... 33 4.1 Conceito ...................................................................... 33 4.2 Função e Fatores de Produção.................................. 34 4.3 Economias de Escala .............................................. 40 5. CUSTO DE PRODUÇÃO ........................................... 43 5.1 Conceito e Objetivos ............................................... 43 5.2 Prazos ........................................................................ 44 5.3 Classificação dos custos ........................................ 44 5.4 Recursos Fixos e Recursos Variáveis ...................... 47 5.5 Planilhas do Custo de Produção .............................. 49 6. ANÁLISE ECONÔMICA SIMPLIFICADA .............. 57 6.1 Conceitos ................................................................ 57 2 6.2Situações de Análise econômica da atividade produtiva. 59 6.3 Ponto de Nivelamento, Resíduo e Cobertura ............. 61 7. COMERCIALIZAÇÃO ............................................. 64 7.1 Introdução ................................................................... 64 7.2 Sistema de Comercialização ....................................... 65 7. 3 Canais, Fluxos e Margens De Comercialização ........ 70 7.4 Mercado Derivativo Agropecuário ............................. 73 7.4.1 Mercado Futuro ................................................... 74 7.4.2 Mercado De Opções ................................................ 85 7.4.3 Mercado a Termo - Cédula de Produto Rural (CPR)... 91 8. ENFOQUE MACROECONÔMICO ............................. 114 8.1 Introdução ................................................................. 114 8.2 Contas Nacionais ......................................................... 114 8.3 Estrutura do Balanço de Pagamentos ......................... 128 8.4 Políticas Macroeconômicas ........................................ 128 8.5.Globalização ............................................................... 132 9. GLOSSÁRIO ................................................................. 142 10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA .............................. 148 3 1. INTRODUÇÃO À ECONOMIA 1.1 Conceito É uma ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas. Em qualquer sociedade, os recursos ou fatores de produção são escassos; contudo as necessidades humanas são ilimitadas, e sempre se renovam. Isso obriga a sociedade a escolher entre alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva aos vários grupos da sociedade. Com isto, por mais rica que a sociedade seja, os fatores de produção serão sempre escassos para efetivar a fabricação de todos os bens e serviços que essa mesma sociedade deseja. Ela terá que efetuar escolhas sobre quais os bens e serviços deverão ser produzidos, da mesma forma que os homens, contanto com os salários de determinado valor, não pode naturalmente consumir todos os bens e serviços que deseja, devendo escolher entre eles quais poderão adquirir e que estejam ao alcance de sua renda. Portanto, a ciência econômica é aquela que estuda a escassez ou que estuda o uso dos recursos escassos na produção de bens alternativos. 1.2 Histórico da Economia As primeiras manifestações do pensamento econômico surgiram na antiguidade As questões econômicas têm preocupado muitos intelectuais ao longo dos séculos. Na antiga Grécia, Aristóteles e Platão dissertaram sobre os problemas relativos à riqueza, à propriedade e ao comércio. Durante a Idade Média, 4 predominaram as idéias da Igreja Católica Apostólica Romana e foi imposto o direito canônico, que condenava a usura (contrato de empréstimo com pagamento de juros) e considerava o comércio uma atividade inferior à agricultura. Como ciência moderna independente da filosofia e da política, destaca-se a publicação da obra An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations (1776; Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações), do filósofo e economista escocês Adam Smith. O mercantilismo e as especulações dos fisiocratas precederam a economia clássica. Essa parte dos escritos de Smith é desenvolvida na obra dos economistas do século XIX, como Thomas Robert Malthus e David Ricardo, e culmina com a síntese de John Stuart Mill. Estes aceitaram a lei de Say sobre os mercados, fundada pelo economista Jean Baptiste Say. Nela, o autor sustenta que o risco de um desemprego maciço em uma economia competitiva é desprezível, porque a oferta cria sua própria demanda, limitada pela quantidade de mão-de-obra e os recursos naturais disponíveis para produzir, não podendo, portanto, haver nem superprodução nem desemprego. Cada aumento da produção aumenta os salários e as demais receitas necessárias para a compra dessa quantidade adicional produzida. A oposição à escola do pensamento clássico veio dos primeiros autores socialistas do século XIX, como Claude Henri de Rouvroy, conde de Saint-Simon, e do utópico Robert Owen. Porém, foi Karl Marx o autor das teorias econômicas socialistas mais importantes. 5 Na década de 1870, aparece a escola neoclássica, que introduz na teoria clássica as novas produções do pensamento econômico, principalmente os marginalistas, como William Stanley Jevons, Léon Walras e Karl Menger. O economista Alfred Marshall, em sua obra-prima, Principles of Economics (1890; Princípios de economia), explicava a demanda a partir do princípio da utilidade marginal e a oferta, a partir do custo marginal (custo de produção da última unidade). John Maynard Keynes, defensor da economia neoclássica até a década de 1930, analisou a Grande Depressão em sua obra The General Theory of Employment, Interest and Money (1936; Teoria geral do emprego, do juro e da moeda), em que formulou as bases da teoria que, mais tarde, seria chamada de keynesiana ou keynesianismo. Tanto a teoria neoclássica dos preços como a teoria keynesiana da receita tem sido desenvolvida de forma analítica por matemáticos, utilizando técnicas de cálculo, álgebra linear e outras sofisticadas técnicas da análise quantitativa. Na especialidade denominada econometria, a ciência econômica se une com a matemática e a estatística. 1.3 Microeconomia e Macroeconomia A microeconomia ocupa-se da analise do comportamento das unidades econômicas, como famílias, ou consumidores, e as empresas. Estuda também os mercados onde operam os demandantes e ofertantes de bens e serviços. A perspectivano País com poupanças públicas e privadas, o segundo é feito no País com poupanças pertencentes a estrangeiros. Ligação entre Poupança e Investimento Dentro da economia as pessoas que poupam não são as mesmas que investem. Os poupadores são os que fazem “economias”. A conversão da poupança em investimento é feita por um sujeito econômico especial: o Empresário. Como a poupança e o investimento não são feitos pelas mesmas pessoas, a relação entre poupança e investimento pode encontrar-se em três situações: poupança maior que o investimento (deflação); poupança menor que o investimento (inflação); poupança igual ao investimento (equilíbrio econômico). Para corrigir tal situação o governo pode lançar impostos para absorver poupança excedente, empreender novas obras públicas, financiar investimentos a juros baixos, etc. Formação de Capital nos Diferentes Países A formação de capital é uma preocupação permanente dos governos, quer na sua forma direta ou indireta. Pela grandeza do capital pode-se medir a grandeza social, política e econômica de uma nação. 50 Formação de capital no país pobre Círculo vicioso enfrentado pelo país pobre: para investir precisa poupar, precisa de sobras, pobre não tem sobras e sem sobras não se investe, não investindo não produz, não produzindo continua pobre. Qual a saída? a) Auxílio Externo (Empréstimos, doações, Empresas Estrangeiras); e b) Sem Auxílio Externo (Aperfeiçoamento da agropecuária, Aumento da exportação, obtendo divisa). Formação do capital no país em desenvolvimento Os países em desenvolvimento já possuem alguns recursos internos, fortunas particulares, recursos arrecadados pelo governo. O seu desenvolvimento se dá através de recursos internos, de particulares e do próprio governo para a formação da bens de consumo e de capital, e também com empréstimos de governo para governo com o objetivo de acelerar o desenvolvimento. Já possuem poupança para investimentos dentro do próprio país, em quantidades suficientes sob todas as formas. O excesso de poupança dos indivíduos, empresas e governo são colocados no estrangeiro sob a forma de empréstimos. Tecnologia e Capacidade Empresarial Nos dias de hoje acrescenta-se a tecnologia e a capacidade empresarial como recursos necessários à produção. Tecnologia Conhecimento humano aplicado à produção. Alguns autores consideram a tecnologia como uma mercadoria: tem preço, pode ser adquirida e também se 51 torna absoluta. As nações subdesenvolvidas são potencialmente compradores de tecnologias originais das nações desenvolvidas. Royalities: Valores pagos ao detentor de uma marca, patente, processo de produção, produto ou obra original, pelos direitos de sua exploração comercial. Os detentores recebem porcentagem das vendas dos produtos fabricados. Inovação (Tecnologia) de Processo: Atinge o processo de fabricação, sem mudanças nas características do produto. Diminuição no tempo de fabricação do produto, redução no número de operações, racionalização no uso de matérias primas, etc... Inovação (Tecnologia) de Produto: Caracteriza uma inovação que leva a um produto novo, isto é, que apresentará certas peculiaridades que qualificarão um produto diferente daquele anteriormente oferecido. Capacidade Empresarial Cabe ao empresário explorar uma invenção ou introduzir uma inovação de produto ou de processo, de abrir nova frente de oferta de bens e de serviços, novas utilidades para produtos conhecidos, reativação e reorganização de industrias, etc. O tipo empresarial é definido pela reunião de aptidões presentes em uma pequena parcela da população, que levam à descoberta de oportunidades de investimento, ao financiamento da operação, à obtenção e utilização mais adequada dos recursos e à organização e coordenação das operações da forma eficiente. 4.3 Economias de Escala A longo prazo a empresa é capaz de ajustar-se totalmente a mudanças de circunstâncias, da forma que não existem fatores fixos. A empresa em cada nível de 52 produção procura alcançar o método produtivo com menor custo total, através da alocação ótima dos fatores produtivos. A economia de escala ocorre em uma empresa quando os fatores produtivos estão sendo alocados de maneira eficiente. Isso decorre do uso racional destes fatores, que faz com que os custos médios decresçam, à medida que a produção aumenta, até uma certa quantidade de produto produzida. As principais maneiras de se obter a economia de escala é através da especialização e divisão do trabalho, de uma melhor utilização da tecnologia e ainda pela redução nos preços de compra dos insumos, adquiridos em grande quantidade. Economias de escala (Segundo Alfred Marshall), esta expressão “economias de escala” é usada para designar as vantagens econômicas da grande empresa, ou da “produção em massa”. Estas vantagens pode ser internas ou externas à empresa: - Economias Internas: as principais vantagens da grande empresa são as seguintes: *Técnicas: Aperfeiçoamento de tecnologia da divisão do trabalho. Uso e aperfeiçoamento de máquinas e ferramentas. Dedicação às pesquisas e invenções. *Financeiras: Grande facilidade de obtenção de crédito ou financiamento, em virtude de seu patrimônio em volume de atividade. Receitas e lucros gerando grandes investimentos (Autofinanciamento). *De mercado: 53 Produção em massa e baixo custo. Vendas a preço mais baixo. Grandes compradoras de matérias-primas à preços mais baixos. Economias Externas: são as vantagens que as grandes empresas irradiam sobre toda parte da atividade econômica da nação. A grande empresa provoca o aparecimento de outras empresas ou atividades. A função dessas empresas criadas seria: favorecer “insumos”para grandes empresas; atender as necessidades futuras que o produto da grande empresa faz aparecer. Deseconomia Externa: o funcionamento da grande empresa pode trazer prejuízos à natureza e a sociedade, assim: as intensas explorações no setor primário provocam o esgotamento das fontes de produção (solo, subsolo, fauna, flora); o funcionamento de grandes unidades do setor secundário traz a poluição da atmosfera e dos cursos e lençóis de água, sem falar em outros inconvenientes aos grupos humanos. Nada, porém, é insolúvel. Externalidades: são os efeitos vantajosos e os efeitos prejudiciais das grandes empresas sobre a natureza e sobre as pessoas 54 0 Agricultura / grãos - 04/12/2011 Custo de produção e falta de mão de obra encarecem o agronegócio Diretor técnico da Informa Economics FNP diz que o setor precisará vencer dois grandes desafios para o futuro - por Viviane Taguchi Custo de produção e escassez de mão-de-obra são desafios maiores que produzir uma safra maior A escassez de mão de obra especializada no campo deve ser a responsável por elevar os custos de produção agrícola no Brasil nos próximos anos. A afirmação é do diretor técnico da Informa Economics FNP, de São Paulo, José Vicente Ferraz. Ele diz que o alto preço dos insumos também continuarão pesando sobre o setor por pelo menos dois anos. "Teremos grandes desafios pela frente: lidar com a falta de mão-de-obra especializada no campo e os altos custos de produção", afirma. Segundo Ferraz, existe uma série de fatores que estão, a cada safra, elevando o custo de produção. São eles o crescente uso de tecnologia - o que inclui insumos e máquinas - e a mecanização, além da escassez de mão-de-obra. Ele diz que na safra 2011/2012, este custo sofreu uma elevação de 10% em relação à safra anterior e que, na safra futura (2012/2013), há uma expectativa de uma alta maior. A demanda por alimentos estimulou a produção nacional de grãos,que atingiu 147 milhões de toneladas nesta safra, mas também onerou o custo. "Os elevados preços das commodities no cenário mundial, pelo menos até o agravamento da crise da zona do euro, estimularam o aumento da área plantada para várias culturas (no Brasil). No entanto, verificamos que o custo de produção em geral estão mais altos", afirmou Ferraz, que é engenheiro agrônomo. "Em 2011, tivemos uma venda maior de fertilizantes e os preços destes produtos subiram cerca de 30% entre 2010 e este ano, a mão-de-obra também encareceu significativamente o setor", diz. Além da elevação de preços dos insumos agrícolas, a mecanização e a tecnologia necessária para elevar a produtividade no campo onerou o setor. Segundo Jacqueline Bierhalls, a necessidade de produzir mais, e em duas safras, exigiu mais tecnificação. "Então, foi necessário que o produtor comprasse mais insumos, mais máquinas e equipamentos avançados", explica. A mão de obra ajudará a encarecer mais o setor nos próximos anos, acreditam os consultores. Isso porque a mecanização, necessária por conta da preservação ambiental e aumento de produtividade, alidada à elevação de renda do brasileiro, não está promovendo o desemprego, mas um êxodo rural. "No setor de cana, por exemplo, achávamos que a mecanização ia gerar um índice de desemprego elevado, mas não foi isso que aconteceu", diz Maurício Mendes, presidente da consultoria. "Também achamos que esta mão-de-obra iria migrar para o setor da citricultura e novamente, nos enganamos. Este pessoal foi absorvido por setores urbanos, como a construção civil", afirma. Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI282561-18078,00- CUSTO+DE+PRODUCAO+E+FALTA+DE+MAO+DE+OBRA+ENCARECEM+O+AGRONEGOCIO.html 55 5. CUSTO DE PRODUÇÃO Os empresários rurais de todas as atividades agropecuárias precisam ser cada vez mais profissionais, competitivos e eficientes, pois no contexto atual, as condições de riscos e incertezas na atividade agropecuária são acentuadas, cabendo ao empresário, considerar cada vez mais a utilização do gerenciamento da sua empresa produtora de leite, tomando decisões baseadas em informações técnicas, econômicas e mercadológicas. Uma dessas informações, o custo de produção, é uma das principais ferramentas que servem como parâmetro e auxiliam o empresário na sua tomada de decisão, pois, vários fatores contribuem para a formação do custo de produção, o que certamente vai definir o sucesso ou não da empresa na exploração de determinada atividade. A estruturação teórica está baseada nos conceitos e princípios da teoria do custo e da produção. Para maiores detalhes, este referencial teórico está fundamentado em leituras complementares à teoria da produção e dos custos, referenciadas em autores como, Fontes (2001), Crepaldi (2002), Marion (1996), Reis e Guimarães (1986), Leftwich (1991), Ferguson (1996), Varian (1994), Valle (1987), Nicholson (1998), Reis (1999), UFLA (1999b) e Troster e Morcillo (1999). 5.1 Conceito e Objetivos O custo de produção é conceituado como a soma de valores de todos os recursos (insumos) e operações (serviços) utilizados no processo produtivo de certa atividade. Para a estimação dos custos de produção, considera-se todo o processo e insumos envolvidos na produção de certa atividade, mais o custo alternativo do uso dos recursos, dentro de certo prazo 56 suficiente para que se obtenham os resultados em forma de produto final. O custo de produção possibilita mensurar a racionalidade dos fatores de produção é o custo de produção, subsidiando o gerenciador na tomada de decisões referentes ao planejamento e à execução de atividades, advindos das informações obtidas pela elaboração do custo. Com isso, o empresário rural saberá o que produzir, como produzir, quanto produzir e por quanto poderá vender o seu produto, visando obter os melhores resultados econômicos possíveis para a sua firma. Os estudos sobre os custos de produção são importantes para o fornecimento de subsídios para o uso mais racional dos fatores produtivos, favorecendo o aumento da renda do produtor rural. As estimativas de custo de produção servem também para o governo elaborar políticas agrícolas, estabelecendo preços mínimos, subsídios e linhas de créditos; e, para as entidades de classe, serve como parâmetro para a reivindicação de melhorias de preço do produto e isenção de impostos, como também ao planejamento da atuação para favorecer os produtores rurais. Recomenda-se que o modelo e os procedimentos para o cálculo do custo de produção devem ser explicitados com a máxima clareza, para que se possa realizar estimativas comparativas entre custos de produção feitos em épocas e locais diferentes. 5.2 Prazos Quando se analisam esses custos, deve-se ressaltar o prazo, período gasto para a produção de certa atividade agrícola e ainda dissociar o curto e o longo prazo. Tais prazos são mais para efeito de planejamento 57 e referem-se ao horizonte de tempo sobre o qual a firma pretende expandir. O curto prazo é o tempo mínimo necessário para completar o ciclo de produção, sendo caracterizado como o período entre a aplicação dos recursos e a resposta dos mesmos em forma de produto; é o período de uma safra ou ciclo. Quando se considera o longo prazo, identifica-se um período em que as aplicações dos recursos utilizados demoram mais do que uma safra (ciclo) para se fazer a sua reposição. No curto prazo, os recursos utilizados nas firmas são classificados em fixos e variáveis, no longo prazo, todos os recursos são variáveis. 5.3 Classificação dos custos Para a realização do custo de produção é necessária a conceituação de alguns custos, componentes que formam o custo de produção. O rateio consiste na distribuição do valor de um recurso fixo para as diferentes atividades agrícolas que são desenvolvidas na empresa agrícola, desde que este recurso não seja específico para a atividade. Para o cálculo do rateio, pode-se utilizar diversas maneiras, tais como, rateio proporcional ao tempo de utilização de máquinas, benfeitorias e equipamentos; a participação de receita; a área ocupada por cada atividade no total da propriedade. O prazo utilizado na atividade leiteira é de um mês. Os custos fixos (CF) são aqueles correspondentes aos insumos que têm duração superior ao curto prazo. Sua renovação se dá a longo prazo, uma vez que não se incorporam totalmente ao produto a curto prazo, fazendo-o em tantos ciclos produtivos quanto o permitir sua vida útil. Constitui-se em recursos que dificilmente 58 serão alterados a curto prazo e independem da variação do volume produzido. Por outro lado existem os custos variáveis (CV) que se referem aos recursos com duração inferior ou igual ao curto prazo, no qual se incorporam totalmente ao produto, sendo a sua recomposição feita a cada ciclo do processo produtivo. Podem provocar alterações quantitativas e qualitativas no produto dentro do ciclo, sendo facilmente alteráveis. A soma dos custos fixos e variáveis representa o custo total (CT) que corresponde a todos os custos durante o ciclo de produção da atividade agrícola, para produzir certa quantidade do produto. Outra classificação, importante para a análise, divide-se em custo alternativo ou de oportunidade e custo operacional (Cop) e para facilitar as análises em termos unitários, apuram-se os custos médios. O custo alternativo é definido como sendo o retorno que o capital utilizado na atividade agrícola estaria proporcionando se fosse aplicado na melhor das outras alternativas, seja ela agrícola, monetária ou financeira. Sua análise, através de comparações com alternativas de uso do capital, permite verificar a viabilidade econômica da atividade em questão. O indicador maiscomum para a obtenção do custo alternativo é a utilização de uma taxa de juros. O custo operacional (Cop) é o custo de todos os insumos que exigem desembolso monetário por parte da empresa para a sua recomposição, incluindo as depreciações dos recursos fixos e gastos com insumos e mão-de-obra. Somando-se o custo operacional ao custo alternativo, obtém-se o custo econômico. O custo operacional é dividido em custo operacional fixo (CopF), composto pelas depreciações e custo operacional variável (CopV), constituído pelos 59 desembolsos. O custo operacional total (CopT) é a soma do custo operacional fixo total (CopFT) e operacional variável total (CopVT). A finalidade dos custos operacionais na análise é a opção de decisão em casos em que os retornos financeiros sejam inferiores ao de outra alternativa, representada pelos custos de oportunidade. Neste sentido, ainda podem fazer importantes interpretações com base neste tipo de custo. O custo médio (CMe) é encontrado quando se divide o custo desejado pela quantidade (q) do produto agrícola produzido naquele ciclo estudado. É importante para se realizar as análises em termos unitários comparando-se com os preços do bem. Para o procedimento de estimativa do custo de produção, utilizam-se o cálculo da depreciação e do custo alternativo, além da definição de algumas variáveis básicas para os cálculos necessários. A depreciação (D) é o custo necessário para substituir os bens de capital quando tornados inúteis, seja pelo desgaste físico ou econômico. O método mais utilizado é o linear, que pode ser mensurado pela expressão: sendo Vn (valor novo) o valor do recurso, como se fosse adquirido naquele momento; Vr (valor residual) o valor de revenda ou valor final do bem, após ser utilizado de forma racional na atividade; e Vu (vida útil) o período em anos (meses) que determinado bem é utilizado na atividade produtiva. Para o cálculo do custo alternativo fixo (CAfixo) podem-se considerar as seguintes expressões: sendo I a idade média de uso do bem. , - u rn V VV D juros, de taxa. ou juros, de taxa.. - usadofixo n u u fixo VCA V V IV CA (1) (2) (3) 60 Recomenda-se a utilização da primeira expressão, quando os bens são recentemente adquiridos e utilizados no ciclo atual, pois o empresário rural conhece todas as informações necessárias e poderá fazer um acompanhamento de toda a sua vida útil. A segunda expressão é recomendada para os bens que já foram adquiridos há mais tempo e já vêm sendo utilizados na atividade leiteira em outros ciclos passados, pois não é necessário o conhecimento das variáveis da primeira expressão. De uma forma simplificada, pode também usar a seguinte expressão: ou seja, considera-se o CAfixo como se a idade de uso dos recursos fixos fosse 50% da vida útil (Vu), que resulta na metade do valor do bem novo (Vn) multiplicado pela taxa de juros. Essa expressão é utilizada devido à heterogeneidade das informações existentes. Para o cálculo do custo alternativo variável (CAvar) pode-se usar a seguinte expressão: sendo que Vgasto é o desembolso financeiro realizado pelo produtor, para adquirir insumos e serviços necessários para a produção agrícola. 5.4 Recursos Fixos e Recursos Variáveis O custo de cada recurso fixo é calculado somando-se a depreciação e o custo alternativo do recurso. As variáveis e a forma de operacionalização utilizadas na exploração leiteira são: juros, de taxa. 2 n fixo V CA (4) (5) juros, de taxa.var VgastoCA 61 TERRA: a terra não deprecia, pois é considerado que o empresário adota um manejo de solo adequado, repondo à terra todos os elementos químicos retirados pela exploração, através das adubações e são realizadas práticas conservacionistas, que mantêm as suas características. O valor considerado é o seu custo alternativo, baseado no aluguel da terra explorada. O aluguel normalmente considerado é um litro de leite/ha/dia. BENFEITORIAS: valor correspondente a sua respectiva depreciação anual, multiplicado pelo índice de rateio, caso a empresa agropecuária explore outra atividade agrícola. São consideradas as benfeitorias que participam direta ou indiretamente na produção de leite. São exemplos de benfeitorias: casa sede, casa de colono, sala de ordenha, free stal, cercas, curral, galpão de máquinas e implementos, tulha, depósito de insumos e ferramentas. Para o cálculo da depreciação considera a vida útil de trinta anos. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS: são computados à depreciação anual de trator, veículos e implementos agrícolas, sendo que, se estes recursos fossem utilizados na produção de outra cultura, a depreciação sofre o processo rateio. Para o sistema de ordenhadeira, tanque, resfriador e demais máquinas e equipamentos próprias da atividade leiteira anual, a depreciação é incorporada integralmente, pois são recursos específicos da atividade leiteira. Considera-se quinze anos de vida útil para o cálculo da depreciação. PLANTEL: representa a depreciação dos animais produtivos e em fase de gestação, desde que não haja reposição destes animais por suas crias. Considera-se sete anos de vida útil do animal a partir do primeiro ano de produção do animal. 62 CAPINEIRA: representa a depreciação das formações vegetais que transformarão em alimentos que tem duração superior ao curto prazo. O tempo de vida útil vai variar de acordo a formação vegetal. IMPOSTOS: Caso a empresa explore outra atividade agrícola, usa-se o índice de rateio, mas sendo somente a atividade leiteira este deve ser incorporado de forma total, tendo como vida útil de um ano. FERRAMENTARIA: são os gastos realizados com aquisição de balaio, peneira, enxada, serrote, rastelo, corda, brincos, balde e etc. Pare este itens é considerado como vida útil dois anos. CUSTO ALTERNATIVO: calculado a taxa de 6% a.a. ou (0,5% a.m.) para cada uma das categorias de recursos do custo fixo. Essa taxa é próxima à uma remuneração mínima obtida no mercado financeiro, sendo que a poupança é remunerada mensalmente pela variação da taxa referencial mais 0,5%. Normalmente é escolhido este percentual devido a sua constância de valor, mesmo sendo o mínimo encontrado no mercado, mas que possibilita uma melhor operacionalização. O custo de cada recurso variável é calculado pelo desembolso realizado para aquisição de produtos e serviços somado ao custo alternativo. Os recursos variáveis e a forma de operacionalização utilizadas são: MÃO DE OBRA: é computada a mão de obra utilizada em todas as fases da produção, podendo classifica-la de diversas formas como, permanente, técnica, gerencial, temporária. Deve acrescentar também o desembolso com os encargos sociais e benefícios. ALIMENTAÇÃO: corresponde aos gastos com aquisição de ração, milho, premix, aditivos, farelo de soja, suplemento e etc. SANIDADE: compreendem aos gastos realizados na prevenção e combate a doenças do plantel, 63 como vacinas, remédios, álcool, iodo, seringas, exames clínicos, vermífugos e etc. REPRODUÇÃO: são computados os gastos com semem, pipetas, luvas. CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO: compreende os gastos com material de limpeza, pinturas, consertos de benfeitorias, máquinas e equipamentos que propiciam uma maior vida útil. DESPESAS GERAIS: compreende os gastos com energia elétrica, telefone, material de escritório, combustíveis, serviços de terceiros, frete e etc. CUSTO ALTERNATIVO: calculado a taxa de 6% a.a. ou (0,5% a.m.) para cada um dos recursos variáveis empregados no processo produtivo do leite. Esta taxa é usada pelas mesmas razões explicitadas para os custos fixos. 5.5 Planilhas do Custo de Produção O desenvolvimento do custo de produção depende fundamentalmente da forma de como são coletadostratado os dados. Para isto é necessário uma prática padrão que vai otimizar e facilitará esta coleta e o tratamento dos dados. Esta operação deve ser realizada, utilizando o procedimento de descrição detalhada, tratamento das variáveis e com a conclusão geral dos custos. 64 6. ANÁLISE ECONÔMICA SIMPLIFICADA Os resultados das condições de mercado e rendimento da empresa agrícola (ou atividade produtiva) são medidos pelo preço do produto ou pela receita média (RMe). A RMe pode ser considerada o preço do produto mais o valor médio das vendas de produtos secundários (subprodutos). Comparando-se a receita média ou preço com os custos totais médios obtém-se a análise econômica da atividade em questão por unidade produtiva (ou saca produzida). Os custos servem para verificar se e como os recursos empregados, em um processo de produção, estão sendo remunerados, possibilitando também verificar como está a rentabilidade da atividade em questão, comparada a outras alternativas de emprego do tempo e capital. Para isso, pode ser usado um modelo de análise que constata se o empreendimento está operando com lucro. 6.1 Conceitos O lucro supernormal (LSN) é uma situação em que a atividade está obtendo retornos maiores que as melhores alternativas possíveis de emprego do capital, indicando que a empresa pode expandir a médio ou longo prazo. Ocorre quando a receita média ou o preço é maior que o custo total médio. O lucro supernormal também é denominado lucro econômico. Em se tratando de lucro normal (LN), sugere-se que a atividade está obtendo retornos iguais aos que seriam obtidos nas melhores alternativas possíveis de emprego dos recursos. Significa estabilidade, mantendo assim o nível de produção a curto e longo prazos; essa situação é obtida quando a receita média ou preço for igual ao custo total médio. O 65 lucro normal é o próprio custo alternativo ou de oportunidade. No caso em que o preço do produto ou a receita média da atividade não cobrir os custos totais médios, pode-se utilizar o custo operacional para análise da rentabilidade do empreendimento, utilizando-se assim o conceito de resíduo (RS). Se a renda média ou o preço for maior que o custo operacional total médio, a atividade apresenta resíduo positivo. Ainda se trata de um retorno, mesmo que inferior aos possíveis de se obter em outras melhores alternativas. Indica que a empresa está cobrindo todos os custos operacionais, fixos e variáveis, mas rendendo menos que o valor alternativo (ou de oportunidade). Caso o preço seja igual ao custo operacional total médio, o resíduo é nulo. Neste caso, a atividade cobre todos os custos operacionais, mas não proporciona a remuneração do capital empatado na atividade. Uma atividade nesta situação não pode sustentar-se por muito tempo. Se o preço é menor que o custo operacional total médio, mas ainda superior ao custo operacional variável médio, a atividade está cobrindo todos os custos operacionais variáveis (as despesas de giro) e somente parte do operacional fixo (depreciações). Nesta situação, o empreendimento pode sustentar-se só no curto prazo, não levando em conta a remuneração do capital e a reposição de parte dos recursos fixos. É um processo de descapitalização. Se o preço é igual ao custo operacional variável médio, a atividade cobre as despesas de custeio com recursos variáveis, sustentando-se por pouco tempo, tendendo a mudar de ramo se a situação assim permanecer. 66 Sendo o preço menor do que o custo operacional variável médio, então a atividade para cobrir as despesas de custeio com recursos variáveis, as quais são obrigatórias no curto prazo, terá de injetar recursos de outras fontes, o que se trata de subsídio à atividade. O ponto de nivelamento (qn) e de resíduo (qr) indica o nível de produção no qual uma atividade tem seu custo total (ou operacional total) igual à sua receita total. Ele mostra o nível mínimo de produção além do qual a atividade daria lucro econômico (ou resíduo positivo). O ponto de nivelamento, em que se encontra o lucro normal, é a posição cuja a receita total é igual ao custo total (RT = CT). O ponto de resíduo é encontrado onde o resíduo é nulo e neste ponto, a receita total é igual ao custo operacional total (RT = CopT). As estimativas de qn e qr permitem uma avaliação da situação presente estudada, com possíveis situações de otimização ou as possibilidades de se chegar a elas. Também é possível identificar a produção de cobertura, que indica a quantidade produzida para cobrir todos os custos. Tem-se produção de cobertura total (pct) quando a produção total cobre todos os custos e produção de cobertura operacional (pcop), cujos os custos operacionais são cobertos pela produção total. 6.2 Situações de Análise econômica da atividade produtiva Ao se fazer a análise econômica da atividade produtiva, pode-se encontrar diversas condições, dependendo da posição do preço (ou receita média) em relação aos custos, e cada qual sugerindo uma particular interpretação. Esta análise apresenta ao empresário um diagnóstico do comportamento econômico/financeiro da produção no mês, baseado na remuneração obtida, na 67 cobertura dos recursos de curto (custos variáveis) e longo (custos fixos) prazos e na comparação entre a remuneração obtida pela atividade produtiva e àquela que seria proporcionada pelas outras alternativas (custos alternativos). Assim, as condições básicas representadas podem ser descritas: FIGURA 1- Situações de análise econômica da atividade produtiva. FONTE: UFLA (1999b). Situação 1 corresponde ao lucro supernormal (RMe > CTMe), em que se paga todos os recursos aplicados na atividade econômica e proporciona um lucro adicional, superior ao de outras alternativas de mercado consideradas no estudo. A tendência a médio e longo prazos é de expansão e a entrada de novas empresas para a atividade, atraindo investimentos competitivos. O lucro normal (RMe = CTMe) é representado pela situação 2, uma vez que todos os recursos aplicados na atividade em questão são ressarcidos. A remuneração é igual a de outras alternativas (custo de oportunidade 68 considerados) e por isso se diz que o lucro é normal. Seria o que o empresário receberia se aplicasse os recursos (insumos e serviços) na alternativa considerada, por exemplo, o valor com base na taxa de juros e aluguel da terra estipulados para o cálculo do rendimento alternativo. A atividade permanece sem expansão mas também sem retração e a tendência a curto e longo prazos é de equilíbrio. O resíduo positivo (CTMe > RMe > CopTMe) compreende a situação 3a, que paga todos os recursos aplicados na atividade (RMe > CopTMe). A remuneração é menor que a de outras atividades (custo de oportunidade); neste caso, o empresário estaria diante de uma situação em que a atividade está rendendo menos do que os juros considerados e aluguel da terra, ou outra base de cálculo para custo alternativo. A tendência é de permanecer na atividade, mas a longo prazo poderia buscar outras melhores alternativas de aplicação do capital. A situação 3b ocorre quando há resíduo nulo (RMe = CopTMe). Nesse caso pagam-se todos os recursos de produção (RMe = CopTMe), mas não há remuneração alternativa, ou seja, a atividade deixa de ganhar o equivalente ao custo alternativo. A tendência é de permanecer na atividade, mas poderia abandoná-la se os resultados não melhorarem. O resíduo negativo com cobertura de parte do custo fixo (CopTMe>RMe>CopVMe) é demonstrado pela situação 3c, onde os recursos variáveis e parte dos fixos são pagos (CopTMe > RMe > CopVMe). A tendência a médio e longo prazo é retrair e sair da atividade. A situação 3d ocorre quando oresíduo é negativo e sem cobertura dos recursos fixos (RMe = 69 CopVMe), pois pagam-se somente os recursos variáveis (RMe = CopVMe). A tendência é sair da atividade. O resíduo negativo, sem cobrir os recursos variáveis ou capital de giro (RMeprincipais. Políticas governamentais É importante reconhecer que decisões governamentais podem afetar os preços. Aliás, poucos fatores são mais importantes, por exemplo, que base monetária e nível global de taxas de juros, que são bastante influenciadas por medidas tomadas pelo Banco Central. Adicionalmente, legislação e regulamentação podem influenciar os preços através de programas como subsídios a mercadorias produzidas no mercado interno ou tarifas de importação. As decisões governamentais, obviamente, determinam os níveis globais de empréstimos por ele tomados e, portanto, podem afetar moeda e juros. O setor agrícola é particularmente afetado por decisões governamentais. Mudanças em oferta e demanda nos últimos anos têm chamado a atenção do mercado para as políticas de suporte de preços e incentivos, como subsídios à exportação. Os objetivos globais de medidas do governo para os mercados agrícolas são a estabilização de preços, a garantia de ofertas adequadas, a manutenção de exportações e o fornecimento de renda economicamente aceitável aos produtores locais. O conhecimento geral de programas agrícolas, e do quanto as decisões do governo afetaram os preços de commodities no passado, proporciona uma visão do 76 impacto potencial da legislação agrícola ou de mudanças nas políticas de preços das principais commodities negociadas em bolsa. Política de crédito As políticas de crédito sempre tiveram por objetivo o fomento à produção, fornecendo aos produtores empréstimos para pagamento dos recursos variáveis de produção, adiantando-lhes parte do valor da safra futura. O montante do empréstimo concedido depende do grau tecnológico, avaliado pela produtividade e do tamanho da unidade de produção. Seus parâmetros são baseados em levantamentos de custos realizados por instituições. Os recursos oriundos dessa política viabilizam uma parcela considerável da produção de alimentos, por parte daqueles produtores que têm acesso ao crédito e produzem com objetivo mais comercial. Política de garantia de preços mínimos (Pgpm) A Pgpm consiste em se estabelecer na entressafra os preços mínimos dos produtos que irão vigorar na próxima safra. Os preços são estabelecidos com base em estudos da CONAB e outros órgãos e aprovados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Nesse processo são considerados tanto critérios técnicos, estimativas de custos e comportamento de preços no mercado, como a dotação orçamentária do País, que limita os recursos destinados ao crédito e à comercialização da safra. Uma vez que a garantia de preço depende das compras e do financiamento do governo, a sua utilização fica mais sujeita ao montante dos recursos orçamentários do que aos critérios técnicos. O preço definido como mínimo possui um sistema estabelecido de correção. 77 O objetivo da Pgpm é garantir o custeio, ou seja, os custos variáveis, permitindo a permanência do produtor na atividade a curto e médio prazos. Não é pretensão dessa política remunerar todos os fatores de produção, fixos e variáveis, mas sim permitir, em caso de preços muito baixos no mercado, a sustentação da safra, evitando maiores prejuízos aos produtores, dando- lhes oportunidade para saldar seus compromissos mais urgentes. Política de estoques reguladores Os estoques definidos através das políticas de financiamento serão liberados à medida que forem sendo demandados, a preços compatíveis com os custos incorridos até a presente data, incluindo os custos de armazenamento. A liberação é feita quando o preço de mercado atinge o chamado “preço de intervenção”, estimado com base nos custos de comercialização (armazenamento) nos padrões de variação do preço de mercado e na correção monetária. O ideal é que essas liberações fossem evitadas, uma vez que inicializada revela problemas na comercialização privada, que deveriam ter sido sanados diretamente nas instituições de mercado. A liberação deveria dar-se somente em épocas de escassez e quando não houvesse oferta da iniciativa privada, ou esta estivesse deliberadamente especulando, com o intuito de aumento de preço. O mecanismo de liberação de estoques impede maiores acréscimos dos preços no mercado, promovendo sua maior estabilidade e conseqüentemente proporcionando a oportunidade de aquisição do produto, por parte de que precisa. Tal mecanismo visa também estimula a venda dos estoques privados, regularizando a oferta, ocasião que o governo deve interromper a liberação. 78 O processo de liberação dos estoques do governo, em geral, é por concorrência pública, através de bolsas de mercadorias e por meio de programas de assistência do próprio governo. Estes não têm efeito sobre o mercado. A utilização de ações conjuntas das Pgpm e dos estoques reguladores tem como objetivo evitar menores preços na safra, garantindo a produção e a formação de estoques, evitando também a existência de maiores preços na entressafra, além de garantir e estimular o abastecimento. A política mais recente de estocagem prevê dois conceitos para os estoques do governo. Estoques estratégicos, que têm a função de regular preços e somente será liberado para essa finalidade; e, estoque regulador, que tem a incumbência de suprir eventuais faltas de produto no mercado e em programas do governo. O clima e o desenvolvimento da safra Climas adversos podem causar impactos significativos sobre a produção e o preço de commodities. A estiagem é sempre citada como uma consideração climática importante. Os invernos rigorosos e as geadas também afetam significativamente as plantações. O desenvolvimento da safra também pode ser ameaçado por pragas, favorecidas tanto por temperaturas frias e secas quanto quentes e úmidas. Doenças que afetam a pecuária não apenas empurram os preços para cima, como também podem influenciar adversamente a demanda por rações e proteínas, caso os rebanhos sejam seriamente atingidos. O tempo adverso e o desenvolvimento da safra em importantes regiões mundiais de produção podem 79 afetar os preços de commodities bem antes de quaisquer quebras reais de safra. Às vezes, esses fatores são inicialmente negligenciados ou considerados de pouca importância. A inflação A inflação é, às vezes, descrita como muito dinheiro para pouco produto. O nível global de preços aumenta porque há muitos consumidores competindo pela aquisição de uma quantidade limitada de mercadorias. À medida que escasseia uma fonte de produtos, os consumidores passam a procurar por outra, assim como a buscar commodities substitutas. Conforme os fornecedores vêem seus custos crescer, acabam por aumentar seus preços, embora seus produtos possam não estar diretamente relacionados à alta de preços original. Esse efeito é estendido aos trabalhadores, que vêem o aumento de seu custo de vida e insistem em aumentos salariais, os quais, por sua vez, elevam o custo de produção. Todos esses fatores conduzem os preços da economia a uma espiral, com todos eles subindo. Taxa de câmbio Deve-se ressaltar que alterações nas taxas de câmbio afetam os preços das commodities, uma vez que mudanças no câmbio incidem sobre as perspectivas de exportações e importações para todas as commodities, além de influenciar na formação dos preços dos insumos importados que são cotados em moeda estrangeira. Formação do preço das commodities Uma das características importantes dos mercados perfeitamente competitivos é a ausência de poder de mercado, isto é, compradores e vendedores aceitam o preço livremente definido pelas forças de 80 oferta e demanda. Vários fatores influenciam na definição de preços, sendo os mais importantes a porcentagem que cada um dos agentes detêm no mercado, o grau de homogeneidade do produtoe a possibilidade de novas empresas competirem pela compra do mesmo. Normalmente produtores agropecuários possuem pouco poder de negociação, vendendo commodities em mercados de pouca concorrência entre compradores. Em geral, os preços são determinados pelas empresas compradoras, respeitando-se os limites impostos por outros concorrentes. A negociação através de lotes maiores pode alterar as condições de mercado por que diminui os custos de transação para os compradores e conseqüentemente pode proporcionar melhores preços aos produtores e/ou suas cooperativas. Deve-se ressaltar que o embate entre as forças do mercado é dinâmico, podendo-se alterar de acordo com a época do ano, condições de transporte, impostos, entre outros. Lei da oferta e demanda A circulação é a passagem dos bens econômicos de umas para outras pessoas. Umas pessoas procuram adquirir, demandam; outras produzem, ofertam. A circulação se faz pela demanda e oferta. Chama-se demanda ou procura e quantidade de um bem ou serviço se deseja adquirir, a certo preço. É a necessidade econômica, armada de um poder de compra. A oferta é a quantidade de bens que se propõe vender, o preço dado. A demanda dependa da renda, só demanda (procura comprar) quem tem recursos (dinheiro). É a necessidade solvável. A necessidade sem recursos não demanda, é insolvável. A economia nacional deve atender tanto às necessidades solváveis, como às 81 necessidades insolváveis. A oferta, também, depende da renda. País de alta renda é população que compra muito. Nesse país, é preciso produzir muito. Produzindo-se muito, é preciso ampliar as empresas, e com isso se pagam mais rendas. A demanda, a oferta e a renda, como se vê, relacionam-se entre si. A demanda é causada pela renda. A oferta é suscitada pela demanda. A oferta cria rendas, pois paga para produzir os bens que são ofertados. A formação do preço da commodity é definida pela interação da oferta e da demanda, pois a demanda é a quantidade procurada por um bem ou serviço e varia inversamente ao seu preço. Preços e quantidades caminham em sentido contrario. A oferta é a quantidade oferecida de um bem ou serviço e varia diretamente com o seu preço. Preços e quantidades caminham no mesmo sentido. Normalmente em commodities agropecuárias a tendência de crescimento ou queda da demanda é pouco volátil, o que faz com que esta seja bastante previsível e suas alterações no curto prazo e não traz grandes impactos na formação dos preços. Sendo assim a formação de preços das commodities agropecuárias é bastante influenciada pela oferta da própria ou outra commodity concorrente. Variáveis oriundas da formação do clima, taxa de cambio, políticas governamentais e preços defasados vão orientar a ação na produção e oferta da commodity. 7. 3 Canais, Fluxos e Margens De Comercialização Canal de comercialização pode ser conceituado como o "caminho" percorrido pelo produto desde que sai da unidade de produção agrícola até chegar ao consumidor. É a relação de todas as 82 instituições de mercado numa certa linha: produtor- consumidor. Ao se descrever um canal, pode-se enriquecê-lo acrescentando-lhe as funções desenvolvidas por cada uma das instituições envolvidas e o número destas. O fluxo de comercialização pode ser conceituado como o esquema geral de todos os possíveis canais estruturados de forma agregada, segundo o grupo de instituições. Margem de comercialização pode ser conceituada como a parcela do valor final do produto que fica no sistema de comercialização, nas mãos dos intermediários para remunerar seus serviços e insumos, exceto a matéria-prima. A margem de comercialização pode ser enfocada de várias formas, dependendo dos objetivos e da profundidade do conhecimento que se pretendem. A margem então pode ser: Margem absoluta e relativa Margem absoluta se refere à margem em valores monetários e pode ser considerada também como o custo bruto da comercialização e pode ser obtida pela subtração do valor de venda para o de compra, em certa instituição ou nível de mercado. Margem relativa é a margem absoluta expressa como percentagem do preço final do produto. Esta forma de apresentação da margem é útil no sentido de facilitar a comparação das margens dos diversos produtos, em diversos mercados e em diversos tempos. Margem bruta e líquida A margem bruta é a margem conforme conceituada como margem absoluta, sem considerar os 83 custos da execução dos serviços da comercialização. A margem líquida é a margem bruta subtraída dos custos de execução dos serviços. Na obtenção da margem líquida, é necessária uma análise dos custos das atividades comercializadoras ou dos serviços do intermediário. Margem institucional e margem funcional Margem institucional se refere à margem recebida pela instituição intermediária, podendo ser considerada como unidade isolada (uma certa firma) ou agregada em nível como atacado e varejo. Margem funcional se refere à margem da função executada; sendo assim, é o próprio custo da função, em termos absolutos, ou este custo em relação ao preço final do bem, se se considerar a margem relativa. Participação do produtor É a parcela do valor final do produto que o produtor recebe para cobrir seus custos e lucros. Neste caso se trata do preço recebido pelo produtor em termos absolutos, ou porcentagem deste em relação ao preço de varejo do produto, se considerada a participação relativa. Utilidades das Margens de Comercialização Como a margem de comercialização pode servir de instrumento de análise da eficiência do mercado? Que informações se podem tirar da margem? i) Análise comparativa das margens Fundamentado, no próprio conceito de margem de comercialização, ela mostra a parte do dispêndio (custo de vida) do consumidor que se destina a cobrir os custos das funções de comercialização e a proporcionar os ganhos (lucros) do setor. 84 Ao se comparar a participação do produtor agrícola com a margem de comercialização de cada uma das demais instituições de mercado e apurando o valor em utilidades acrescentadas pela produção agrícola e pela função de comercialização da instituição, pode-se ter uma "idéia" da eficiência da comercialização, que pode ser alta se o serviço da comercialização representa muitas utilidades e a margem é relativamente baixa ou vice-versa. Esta análise pode servir também, como elemento de identificação de comando de cadeia associando margem alta e eficiência com prestígio e poder de mercado. Complementando esta análise com a de fluxo de comercialização, pode-se avançar na identificação deste comando, aproximando-se mais do comandante. Outro aspecto é comparar as margens de comercialização de produtos e mercados diferentes e verificar elementos diferenciais ou de semelhanças entre eles. ii) Comportamento de margem em relação ao tempo Com relação ao comportamento da margem, serão investigadas a sazonalidade e a tendência, acompanhadas por exemplos para apoiar as descrições metodológicas. É interessante conhecer a sazonalidade de margem que mostra o seu comportamento nos diversos meses do ano. Por este instrumento podem-se conhecer as épocas do ano em que as margens são mais "apertadas", e as épocas em que são mais "folgadas". Isto serve de base para planejamentos de produção, em busca de épocas mais favoráveis de mercado. Em geral, nos meses de safra, há uma tendência da participação do produtor ficar mais "apertada" e a margem de comercialização mais "folgada" ; ocorre o inverso na entressafra. 85 Markup Markup é um conceito de margem, em que a base é sempre o preço de compra em cada nível ou instituição de mercado. Neste caso, o que se objetiva é verificar o acréscimodo preço em cada "ponto" do mercado, em relação a seu preço de compra. O Markup pode ser estimado de forma muito simples: a) O Markup absoluto(MkA) é a diferença do preço de venda do produto(Pvd), para o preço de aquisição (Paq) em unidades equivalentes(MkA=Pvd- Paq), o que é a própria margem absoluta ou custo de comercialização da firma em questão; b) o Markup relativo é o Markup absoluto, expresso como porcentagem do preço de aquisição MkR = Paq MkA *100, que avalia o percentual de acréscimo a este. A utilidade do markup é verificar a política do intermediário quanto à forma de eles estabelecerem o preço. A política pode ser de markup fixo, quando se estabelece um percentual fixo de ganho sobre o preço de compra. Neste caso, com o passar dos tempos, mesmo que se alterem os preços de compra, esta percentagem não varia. A outra política usada é a de markup variável, quando o comerciante estabelece um valor monetário que deseja receber acima do preço de compra. Neste caso, se o preço de compra varia, a margem percentual tende a variar também. Em geral, quanto mais imperfeito seja o mercado, maiores são as facilidades da firma, individualmente, em estabelecer sua política de Markup, ou alterá-la, se assim lhe interessar. Pode-se, assim, levantar hipóteses sobre se que o Markup fixo está mais associado a mercados mais imperfeitos, que permitem à 86 firma maior condição de estabelecer um ganho econômico e alterar com mais facilidades seus preços para mantê-lo. Este elemento constitui-se em mais um fator de identificação de comando de cadeia, quando revela a existência de firma com alto poder de estabelecer sua própria política de markup. O Markup variável poderia estar mais associado a mercados mais competitivos, onde a autonomia da firma sobre os preços é mais fraca e ela não os altera com facilidade; assim, sua margem percentual se torna mais flutuante, dependente das variações nos preços. Isto pode também, estar associado à ausência de comandos de cadeia. Elasticidade de transmissão de preços As alterações de preços em função de mudanças nas condições de oferta e procura (choque de mercado) são transmitidas do nível que sofreu diretamente o choque, para os demais níveis da cadeia. Assim, uma mudança na produção agropecuária (choque de produção), provoca mudança de preço a nível local, que, por sua vez, pode alterar os preços a níveis de atacado e varejo. Raciocínio idêntico se aplica a respeito de choque, em qualquer nível, com efeitos sobre os demais, inclusive mercado externo. 7.4 Mercado Derivativo Agropecuário São os mercados que derivam do mercado físico ou primário, caracterizando-se pela transação de contratos em substituição ao produto físico de um vendedor para um comprador. O empresário rural vende uma quantidade de contratos de commodities agrícolas, para os compradores interessados em comprar estes contratos. Portanto há apenas transações de documentos entre os vendedores e compradores. Os mercados derivativos são 87 compostos pelo mercado futuro, mercado de opções e pelo mercado a termo, representado pela cédula do produto rural (CPR). Existem vários fatores que afetam os preços das commodities coletivamente ou através do efeito substitutivo, tanto no mercado físico como no mercado derivativo, tais como políticas governamentais, situação econômica, informações especulativas, clima, ataques de pragas e doenças, produção e consumo mundial da commodity e a quantidade estocada deste. Estes fatores vão influenciar os preços das commodities, pois são os que interferem na oferta e demanda do produto, provocando as oscilações dos preços. 7.4.1 Mercado Futuro Desenvolvimento das bolsas O acordo feito por Jacob para obter o direito de se casar com Raquel, é visto por muitos como um contrato de opção, ou seja o mercado derivativo já existia em 350 A.C. Conforme Thales of Miletus: “Deduzindo através do seu conhecimento das estrelas, que haveria uma boa colheita de azeitona, enquanto ainda era Inverno e ele tinha algum dinheiro que podia dispor, usou-o para pagar um adiantamento em todas as prensas de azeitona, de Miletus e Chios, assegurando assim o seu aluguel. Isto só lhe custou uma soma pequena, visto que não havia mais interessados. Então o tempo da colheita da azeitona chegou, e como houve pedidos urgente e simultâneos de prensas de azeitona, ele alugou-as ao preço que quis pedir.” Thales previu uma colheita abundante para a próxima estação da azeitona. Em vez de especular o preço da azeitona, decidiu reservar os lagares com antecedência. Com um pequeno capital ele assegurou o 88 aluguel dos lagares. Na altura da colheita caso esta fosse abundante, pagava o resto do aluguel e tinha onde fazer o azeite, caso fosse fraca, perdia o deposito entretanto feito. Século XII Era usual entre os vendedores europeus, durante as feiras comerciais, assinarem contratos, prometendo a entrega futura das mercadorias por eles vendidas. Estes acordos contratuais, possuíam regras formalizadas e modos de conduta. O acordo consistia em trocar bens, num futuro, se baseado na inspeção de amostras. Século XV Formas primitivas de derivados eram extremamente utilizadas na atividade do comercio marítimo, devido ao seu alto risco. Os riscos eram transferidos dos proprietários para os financiadores e diversificados em empréstimos chamados “bottomry”. Estes, só tinham que ser reembolsados caso o navio voltasse. Mais tarde, estes empréstimos evoluíram para o seguro marítimo. Século XVII Data de 1600, o primeiro mercado de futuros organizado, tendo surgido no Japão. Neste altura os senhores feudais recebiam rendas das suas propriedades na forma de uma fração da colheita. Estas rendas estavam sujeitas a flutuações irregulares em função da estação do ano, dos fatores climáticos e dos desastres naturais, assim como do preço do mercado de arroz , enquanto que as necessidades da vida na corte imperial obrigavam os senhores a ter dinheiro liquido disponível a todo o momento. Durante este período, tornou-se freqüente enviar aos armazéns das cidades o arroz excedente da colheita, que ficava assim disponível para satisfazer as necessidades de liquidez a curto prazo. O passo seguinte 89 consistia em emitir recibos contra o arroz depositado nos armazéns (rurais e das cidades), dando assim mais liquidez às reservas de arroz. Estes recibos podiam ser comprados e vendidos, tendo grande aceitação como forma de divisa. Até 1730, o Mercado de arroz de Dojima era oficialmente designado como cho-ai-mai (Mercado de arroz a prazo) e apresentava as características de um autêntico mercado de futuros moderno. - Contratos de duração limitada; - Todos os contratos de certa duração estavam estandardizados; - A qualidade de arroz permitida em cada período era acordada anteriormente; - Não era permitido manter uma posição até ao contrato do período seguinte; - Todas as transações deviam ser liquidadas através de uma câmara de compensação (“clearinghouse”); - Todos os participantes no mercado estavam obrigados a estabelecer linhas de crédito com a câmara de compensação da sua preferência. (Castro, 1993) Os futuros e as opções (chamadas então de “time bargains” ou “windhandel” devido aos compradores e vendedores nunca verem fisicamente os bens que estavam a negociar) eram negociados na Amsterdan Bouse, desde a sua criação em 1611, para mercadorias, obrigações do governo e ações. Entre 1634 e 1637 altura da chamada “Tulipa Mania” na Holanda, muitas fortunas foram perdidas devido ao aumento especulativo dos futuros de tulipa. (Davies,2000) Século XIX Em meados deste século, surgiram os mercados de futuros de Nova York e Chicago, que se mantêm em atividade até hoje, sendoos principais mercados de futuros do mundo. No século 19 era para Chicago que 90 afluíam as culturas do mid-west americano. As dificuldades ao nível dos meios de comunicação e de armazenagem das mercadorias, tornavam aquela cidade caótica. Por esse motivo, a partir de 1833, vários agricultores começaram a efetuar contratos para entrega diferida de mercadoria. A existência de flutuações violentas nos preços dos cereais acompanhada de alguns não cumprimentos nos contratos de entrega diferida, levou a que 84 agricultores e comerciantes de Chicago se organizarem, criando em 1848, uma bolsa de mercadorias, a Chicago Board of Trade. Esta bolsa tinha como objetivo formalizar os contratos para entrega deferida mercadorias e providenciar facilidades para um melhor funcionamento dos contratos à vista. Em 1865, esta bolsa toma medidas com vista à estandardização de uma forma oficial os contratos e introduz um sistema de margens com vista a eliminar o problema dos risco de crédito. Em 1870 foi fundada a New York Cotton Exchange, tendo-se seguido em 1872 a Butter and Cheese Exchange of New York. Posteriormente, em 1874, a Chicago Produce Exchange, começou a transacionar no mercado da manteiga, ovos e produtos avícolas. Nos anos vinte, surgiu o Capper-Tincher Act (Futuros de Grão), que foi o primeiro regulamento a surgir no mercado de futuros. Pressões políticas levaram naquela época o Commodity Exchange Act a proscrever opções em mercadorias. Na realidade, permaneceu como principal ferramenta regularizadora, até aos anos setenta, quando a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) foi criada, sendo uma agencia governamental independente passou a regulamentar a negociação de contratos futuros e de opções. 91 Preocupações sobre risco da contra-parte, a procura de segurança que tinham vindo e cresceu naquele momento, levaram à criação de novo marco no mundo financeiro, com a criação no dia 4 de Janeiro de 1926 da Board of Trade Clearing House (Câmara de Compensação de Comércio), outro passo para estabelecer a respeitabilidade por futuros. A Grande Depressão teve consequências nefastas nas bolsas. Em 1933 a National Metals Exchange, a Rubber Exchange of New York, a National Raw Silk Exchange e a New Raw Hide Exchange fundiram-se e formaram a Commodity Exchange, que passou a ser conhecida como Comex. No entanto, o ouro, um dos produtos pelo qual o Comex é hoje mais conhecido, não era um dos artigos comercializados. Durante a Depressão, foi declarada ilegal aos americanos a posse de ouro, mantendo-se estas restrições em vigor até 21 de Dezembro de 1974. Importância no Brasil Empresários paulistas, ligados à exportação, ao comércio e à agricultura, criaram, em 26 de outubro de 1917, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo (BMSP). Primeira no Brasil a introduzir operações a termo, a BMSP alcançou, ao longo dos anos, rica tradição na negociação de contratos agropecuários, particularmente café, boi gordo e algodão. Em julho de 1985, surge a Bolsa Mercantil & de Futuros, a BM&F. Seus pregões começam a funcionar em 31 de janeiro de 1986. Em pouco tempo, ela conquista posição invejável entre suas congêneres, ao oferecer à negociação produtos financeiros em diversas modalidades operacionais. Em 9 de maio de 1991, BM&F e BMSP fecharam acordo para unir suas atividades operacionais, 92 aliando a tradição de uma ao dinamismo da outra. Surgiu então a Bolsa de Mercadorias & Futuros, mantendo a sigla BM&F. A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), situada em São Paulo, é, atualmente, a mais importante do Brasil. Principalmente, devido à sua fusão com a Bolsa de Mercadorias de São Paulo (BMSP) e com a Bolsa Brasileira de Futuros (BBF), propiciando o fortalecimento do mercado nacional de commodities e consolidando a BM&F como o maior centro de negociação de derivativos do Mercosul. Conceitos e funcionamento São aqueles mercados que propiciam a transação de contratos, nos quais compradores e vendedores definem acordos de realização de negócios futuros de produtos específicos a preços preestabelecidos. O intuito na realização de negócios a futuro é a redução de riscos advindos de flutuações de preços que, no caso do setor agrícola, são bastante acentuados. No Brasil as negociações no mercado futuro de commodities ocorre na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) localizada em São Paulo, SP. A BM&F é uma associação de corretoras, sem finalidade lucrativa, organizada para proporcionar a seus membros as facilidades necessárias para realização de negócios a futuro. Participantes do mercado futuro Os principais agentes envolvidos com os mercados futuros são os vendedores, os compradores, os especuladores, os corretores e os operadores. Vendedores (Short): são representados pelos detentores do produto físico como, por exemplo, os empresários rurais e suas cooperativas, que vêem no mercado futuro a possibilidade de garantia quanto a uma 93 redução no preço do produto na data de sua comercialização. Compradores (Long): compreendem aqueles que necessitarão do produto em uma data futura (exportadores, aviários, etc.) e, conseqüentemente, buscam se assegurar de uma eventual elevação nos preços do produto. Esses dois agentes constituem os chamados hedgers e são os responsáveis primários pela existência dos mercados futuros. Investidores (Especuladores): são os participantes que provêm liquidez a este mercado, isto é, proporcionam condições de entrada e saída por parte dos hedgers quando lhes convier. Esta condição é básica à existência dos mercados futuros, uma vez que a ausência de liquidez acarreta um “aprisionamento” do participante. Corretores e os operadores: constituem a ligação entre os hedgers, sendo de fundamental importância no processo. Os corretores compreendem empresas que são detentoras de cotas da bolsa, que permitem a estas operarem no mercado. Os operadores são os responsáveis pela efetivação das operações. Funcionamento básico do mercado futuro O fluxo normal de negociação é inicializado a partir de ordens de compra e venda proferidas pelos compradores e vendedores aos corretores, as quais são repassadas automaticamente aos operadores de pregão que efetuarão a negociação. Os especuladores participam deste processo ora comprando ora vendendo 94 contratos. A escolha está associada à visualização de alterações nos preços que lhes proporcionarão ganhos. Todas as transações de futuros precisam ser realizadas em pregão na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), obedecendo às rígidas regras de controle, transparência e ajustes financeiros. As atividades realizadas pela BM&F, no que tange à formação de preço dos produtos, restringem-se ao fornecimento de um local com infra-estrutura, facilitando a efetivação dos negócios. Existe ainda uma Câmara de Compensação (Clearing House), que constitui-se em um órgão interno à BM&F, responsável pelo registro das operações e controle de posições, compensação de ajustes diários, liquidação financeira e física dos negócios e administração de garantias. Os mercados futuros devem ser entendidos de maneira integrada ao mercado físico, pois fazem parte de um processo que engloba a produção, processamento, comercialização, consumo e financiamento desse processo. A bolsa não é, portanto, o local onde os preços se formam, mas um local onde os preços se manifestam. Nesse sentido, a bolsa constitui- se apenas de um local onde os corretores se reúnem para fechar negócios, representando a vontade de compradores e vendedores que estabelecem, por meio de livre negociação, um preço futuro. O entendimento dos princípios econômicos visa mostrar que os mercados futuros não são jogos inventados por algumas pessoas, mas uma necessidadedos agentes econômicos, decorrente do desenvolvimento do comércio e das finanças. O risco do preço na bolsa é transferido entre agentes com base nas expectativas sobre as relações entre os preços a vista e futuro e sobre a oferta e demanda futura de uma 95 mercadoria. Os principais requisitos para que um produto possa ser negociado em bolsa, são: a) homogeneidade do produto, ou seja, um contrato deve ser igual a outro, podendo ser intercambiável; b) a mercadoria deve ser susceptível de padronização e classificação, para que possa ser homogênea; c) deve existir uma elevada oferta e demanda do produto e inexistência de grandes concentrações no mercado; d) não deve haver interferências do governo ou de monopólios, o fluxo de oferta para o mercado deve ser livre; e) a oferta e demanda do produto devem ser incertas, pois dessa forma o preço flutuará e, portanto, existirá risco; e, f) o produto não pode ser muito perecível pois o mercado negocia muitos meses adiante e a mercadoria precisa ser armazenada por um determinado período. Os vencimentos dos contratos futuros são definidos em função dos principais meses de safra e entressafra do produto a ser negociado em bolsa, e normalmente não são estabelecidos todos os meses do ano para que haja concentração de liquidez e tempo para programar entregas. O preço de abertura é o primeiro negócio fechado em pregão. O mínimo e o máximo são divulgados para que o mercado conheça a oscilação do preço do dia. Por exemplo, é muito importante saber se o preço de fechamento está mais próximo do preço máximo ou do mínimo, pois pode indicar tendência de alta ou de baixa no dia seguinte. O preço de ajuste é importante, pois com base nele que se ajustam todas as posições do mercado. Esse mecanismo visa reduzir a inadimplência e proporcionar 96 a entrada e saída dos participantes ao mercado quando assim o desejarem. Para que o participante do mercado futuro possa usufruir dos benefícios a que este se propõe, é necessário o conhecimento de algumas informações como formas de liquidação dos contratos, margem de garantia, ajustes diários, base local e risco de base, razão ótima de hedging e custos da operação. Estratégias De Mercado Arbitragem A arbitragem, ou seja, a compra e a revenda simultânea do mesmo objeto de uma commodity em mercados diferentes, tem importante função nos mercados de derivativos. Quando há discrepância temporária entre os preços futuro e a vista, operadores profissionais e outros comprarão o mercado de preço menor e, simultaneamente, venderão o maior, para realizar um lucro sem risco. Essa estratégia garante os preços a futuro e a vista fiquem alinhados um com o outro. Assim, se qualquer um dos preços perder a sintonia com o valor justo de mercado, a arbitragem fará com que volte a paridade. Ela também garante que os futuros sejam um hedge adequado para posições a vista. Spread Um spread é a compra de uma posição a futuro ou em opções e a venda simultânea de um contrato futuro ou de opções correspondente. Ele é usado quando a diferença de preços entre contratos comprados e vendidos é considerada fora de sintonia. As posições de spread são consideradas menos arriscadas que as posições a futuro. Os spreads a futuro podem ser divididos em quatro amplas categorias. Embora os operadores possam combinar os diferentes tipos, os 97 riscos de posições combinadas podem ser analisados pela decomposição dos tipos a seguir: Spreads intramercados Um spread intramercado, também denominado de spread entre vencimentos, abrange uma posição comprada num vencimento, contra uma posição vendida em outro vencimento da mesma commodity, na mesma bolsa. O preço do spread é cotado como: Preço do Spread = Preço do Futuro Próximo – Preço do Futuro Distante É convenção chamar de comprador de spread a pessoa que compra o contrato mais próximo e vende o mais distante. A combinação de uma posição comprada no vencimento curto com uma posição vendida no vencimento longo é, às vezes, denominada de spread de alta. O detentor de um spread de alta espera que os preços subam, com o preço do contrato mais próximo aumentando mais rapidamente que o do contrato mais distante. De forma contrária, diz-se que o vendedor de spread , vendido no curto e comprado no longo, executa um spread de baixa, esperando que os preços recuem, com o contrato mais próximo caindo mais rapidamente que o mais distante. Spreads entre mercados Spread entre mercados consiste de uma posição comprada numa bolsa e de uma posição vendida em outra, na mesma commodity ou em outra estreitamente correlacionada. Esse tipo de spread caracterizam-se como os mais difíceis de serem executados, uma vez que exigem a realização de cada transação em bolsas diferentes. 98 Spreads entre commodities Spread entre commodities é formado por uma posição comprada numa commodity e de uma posição vendida em outra commodity, que esteja economicamente relacionada à primeira. Esse spread está mais associado aos mercados financeiros como notas do Tesouro, moeda e taxas de juros. Spreads entre uma commodity e seus subprodutos Spreads dessa natureza englobam uma posição comprada numa commodity contra posições vendidas numa quantidade equivalente de produtos derivados da commodity, ou vice-versa. Um exemplo bastante difundido é o chamado crush de soja, que envolve uma posição comprada em grãos de soja contra posições vendidas em seus derivados – farelo e óleo. Liquidação De Contratos Futuros As formas usuais de liquidação dos contratos compreendem a inversão de posição, a entrega física do produto e a liquidação financeira. Inversão de posição Pode ocorrer tanto em contratos regidos por entrega física quanto por liquidação financeira e corresponde a compradores e vendedores inverterem suas posições no mercado futuro antes do vencimento do contrato, isto é, se um hedger fez um contrato de venda, ele simplesmente adquire um contrato de compra para o mesmo vencimento, zerando sua posição e saindo do mercado. Por outro lado, se ele tiver um contrato de compra, vendendo um contrato equivalente ele zera sua posição e sai do mercado. Entrega física 99 Consiste basicamente do vendedor, na data de vencimento do contrato, colocar o produto negociado, à disposição do comprador, em um local devidamente credenciado pela BM&F. Liquidação financeira Os contratos negociados são invertidos automaticamente pela BM&F na data de expiração do contrato. Para isso é utilizado um indicador do preço da commodity. Atualmente, o único contrato regido pela liquidação financeira é o de boi gordo. Os demais possuem como premissa a entrega física. Análise De Mercado Análise fundamentalista Embora existam diversos fatores que causam mudanças nos preços, qualquer explicação valida acaba direcionando para alterações na oferta ou na procura. O propósito da análise fundamentalista de mercados futuros é deduzir a trajetória futura de preços, com base na compreensão dos fatores de oferta e procura que os afetam. Apesar da previsão de mudanças na oferta futura de algumas commodities ser mais fácil do que a de alterações na demanda futura, os dois fatores são de igual importância na determinação de preços. Dessa forma, todos os elementos relevantes devem ser considerados. Ha muitos e vários tipos distintos de análise fundamentalista e os diferentes analistas enfatizem diferentes fundamentos, é preciso sempre questionar a forma pela qual determinado indicador de mercado realmente afeta a oferta ou a procura de uma commodity, moeda, título ou outro ativo em questão. Através de estudos e observações cuidadosas, pode-se rapidamente aprender a reconhecer os fatores que 100 parecemmicroeconômica considera a atuação das diferentes unidades econômicas como se fossem unidades individuais. A microeconomia é aquela parte da teoria econômica que estuda o comportamento das unidades, 6 tais como os consumidores, as industrias e as empresas, e suas inter-relações. A macroeconomia, pelo contrario, ocupa-se do comportamento global do sistema econômico refletido em um número reduzido de variáveis, como produto total de uma economia, o emprego, o investimento, o consumo, o nível geral de preços, etc. Ela estuda o funcionamento da economia em seu conjunto. Seu propósito é obter uma visão simplificada da economia que, porem, ao mesmo tempo, permita conhecer e atuar sobre o nível da atividade econômica de um determinado país ou de um conjunto de países. De qualquer forma, deve-se ressaltar que a microeconomia e a macroeconomia são dois ramos da mesma disciplina, a economia, e como tais se ocupam das mesmas questões, ainda que se fixem em aspectos distintos. 1.4 Noções fundamentais de economia Necessidades Econômicas Todos nós sabemos o que é precisar ou desejar alguma coisa: alimentos, roupas, dinheiro, ferramentas, viagens, etc. Essa situação humana tem o nome de necessidades econômicas (ou humanas). Conceitualmente, necessidade econômica é o desejo de obter bens e serviços úteis ou ainda, o sentimento de privação de um bem que se tende a desejar. As causas das necessidades econômicas podem ser primarias e secundarias. - Primárias são as que dizem respeito às necessidades vitais do individuo e sem as quais ele morre (comer, dormir, vestir). 7 - Secundárias são aquelas referentes ao bem-estar, comodidade, conforto, luxo, etc., depois de satisfeitas as primárias. Necessidade em sentido comum ou vulgar são as faltas ou carências importantes para a vida humana. Necessidade em sentido econômico possuem outros aspectos que as distanciam do conceito comum das necessidades, assim, elas podem ser: Subjetivas: cada indivíduo decidirá, se tem ou não necessidade de algum bem econômico. Imaginárias: são necessidades reais de ponto de vista econômico, embora não sejam do ponto de vista vulgar. São necessidades econômicas porque determinam atividades econômicas, a fim de serem satisfeitas. Carro 2006 → compra carro 2007 Abstrativas:a necessidade econômica faz abstração de juízo moral, religioso, ético, filosófico, jurídico sobre a natureza ou o objeto da necessidade. O desejo de bem nocivos ou inúteis pode determinar atividades econômicas de produção, mercado, preços,consumo e etc. O ético e o jurídico normalizam a necessidade econômica. OBS.: A ética e o direito opinarão sobre essas diferentes necessidades econômicas, e determinarão que se reprimam ou disciplinem as que podem ser nocivas aos indivíduos ou a sociedade. Características das Necessidades Econômicas - Qualidade da necessidade: permite fazer a diferença entre uma necessidade e outra; individualiza cada necessidade permitindo sua classificação; são imitadas em numero, concorrem entre si, se propagam pela imitação, podem ser criadas pela imaginação. E.: comer/dormir, estudar/ tomar água, fumar/ dormir. 8 - Saciabilidade: uma necessidade é limitada, a medida vai sendo satisfeita pode desaparecer ou decrescer, apenas uma necessidade parece não ter limitação: o dinheiro. - Substituição: uma necessidade pode ser substituída por outra ou pode uma mesma necessidade ser satisfeita de formas diferentes. Ex.: Filme no cinema ou na TV; vinho caro/ vinho barato, etc. Classificação das Necessidades Econômicas - Primarias: indispensáveis à vida humana (comer, dormir, vestir, emprego, transporte). - Secundárias: referem-se ao bem estar (conforto, luxo,, comodidade) depois de satisfazer as Primárias conhecida como sociais e/ou culturais. Ultrapassam o mínimo indispensável à vida humana. - Matérias: são satisfeitas mediante o uso do bem. Ex.: coca-cola, carro, imóvel. - Imateriais: são os diversos serviços que os homens prestam uns aos outros. Ex.: viagens, aulas, consultas, corte de cabelo. - Individuais: são aquelas experimentadas pelo individuo em seu próprio ser. Ex.: comer, vestir, divertir, etc. - Coletivas: surgem porque os homens vivem em grupos. Ex.: familiar (educação dos filhos), necessidade pública (administração pública, policiamento, saúde), necessidades sociais (clubes recreativos). - Solváveis: quando tem necessidade e se pode satisfazê-la. - Insolváveis: quando tem necessidade e não se pode satisfazê-la. - De consumo: satisfazem diretamente. Ex.: cerveja, cigarro, alimentos, calçados e etc. 9 - De produção: bem que são utilizados na produção de outros bens. Ex.: aço, matéria-prima, máquinas, formação profissional e etc. Necessidade e Estado No nosso sistema capitalista, onde prevalece o principio da intervenção necessária do Estado, observamos que: - Cabe ao estado providenciar para que as necessidades primárias sejam satisfeitas pela totalidade da população; - Cabe à iniciativa privada integrar-se na tarefa de abastecimento das necessidades primárias e providenciar a satisfação das necessidades secundárias; - Cabe ao Estado no domínio econômico e social, quando a iniciativa privada torna-se inoperante, prejudicando o desenvolvimento econômico. Dinâmica das Necessidades São as necessidades que provocam as ações humanas, pela qual se satisfazem essas necessidades. Há um circuito fechado a respeito: “A necessidade N gera o desejo, que provoca a atividade econômica A, isto é, o trabalho que procura obter o bem B, que por sua vez, satisfaz a necessidade N.” Os males que impedem a dinâmica das necessidades são entre outros, os seguintes: a ignorância, a falta de liberdade, a ausência de técnicos, a ausência de cientistas, etc. Utilidade A noção de utilidade está intimamente ligada à idéia de necessidade. A idéia econômica de utilidade difere do significado vulgar da palavra. Em sentido vulgar, útil é o que não prejudica. 10 Em sentido econômico, útil é todo bem que satisfaz uma necessidade sem quaisquer indagações morais, éticas, filosóficas ou legais. É a propriedade que tem os bens de corresponderem à uma necessidade ou a um desejo humano. É a propriedade que possuem os bens de se tornarem aptos às nossas necessidades. Condições para um bem ser útil: - Existência de uma relação entre a qualidade do bem e uma das nossas necessidades; - Reconhecimento dessa relação; - Acessibilidade do bem. Ex.: Há uma relação entre o livro de economia e a minha necessidade de estudar economia para a próxima prova; reconheço que este livro e o seu conteúdo são absolutamente necessários para a realização de uma boa prova; o livro de economia é acessível, isto é, ele existe na livraria e eu posso comprá-lo. Conclusão: o livro de economia satisfaz os três itens citados e portanto ele é ÚTIL. Tipos de Bens: - Livre: em circunstâncias normais, caracterizam-se pela abundância, não constituindo um problema cuja solução esteja no âmbito da analise econômica. Ex.: águas dos mares, luz solar, ar. - Econômico: bens escassos, cuja obtenção requer certa quantidade de trabalho. Compreendem duas categorias: Bens tangíveis e os intangíveis. Tangíveis: são bens materiais. Ex.: alimentos, vestuários, bebidas. Intangíveis: que não são da natureza física, são os serviços. Ex.: consultas, aulas, táxi, cabeleireira. 11 - Capital: são bens utilizados para a produção de outros bens, e por isso são também conhecidos por “bens de produção”. Ex.: máquinas, ferramentas, insumos. - Consumo: são os produtos que se destinam ao consumo. Subdividem em bens de consumo não duráveis (sua existência é limitada no tempo e geralmente desaparecem ao satisfazer as necessidades.causar maior impacto sobre os preços. A partir desses fatores, o analista deve escolher as técnicas analíticas apropriadas – análise de regressão, elasticidade de oferta e procura, etc. - para analisá-los. Os preços de uma commodity podem ser afetados por mudanças de legislação, taxas de câmbio, acordos internacionais sobre commodities, políticas monetária e fiscal, comportamento do consumidor, níveis gerais de preços, etc. Assim, pode-se observar que qualquer fator que influencie a economia e os mercados pode afetar os preços de determinada commodity ou mercado. A questão resume-se ao grau com que cada variável isoladamente altera os preços. Portanto, o objetivo consiste em identificar e avaliar os fatores que, provavelmente, exercem maior influência sobre o preço de determinada mercadoria e conseqüentemente utilizá-los em suas análises. O analista deve iniciar com uma visão macro da economia, analisando fatores como nível e direção geral das taxas de juro e dos preços, condições da economia, comércio internacional, quadro político interno, entre outros. O passo seguinte é analisar como a commodity se enquadra na industria como um todo, por exemplo, como é precificada e qual o seu potencial de substituição relativo às outras commodities. Para estudar café, por exemplo, parte-se do agribusiness, produtos competitivos (chá, refrigerante), fertilizantes, mão-de- obra, legislação pendente que poderia afetar o agribusiness, etc. Por fim, o analista deve examinar as condições básicas de mercado para a commodity em consideração. No caso específico de commodities agrícolas, o analista deve sempre ter em mente questões como: a safra e a entressafra; os padrões normais de comercialização e os canais de distribuição; as ameaças potenciais ao plantio 101 (pragas e doenças); e as informações meteorológicas. Análise técnica Os analistas de mercado consideram a analise técnica como sendo mais arte do que ciência. Os resultados obtidos não são respostas ao comportamento incerto dos mercados de commodities, mas informações que fornecerão subsídio para uma maior compreensão da natureza e do significado dos complexos desenvolvimentos de mercado, fortalecendo assim a capacidade individual no exercício de um julgamento sólido para a tomada de decisão de negócios. Os preços das commodities tendem a subir ou diminuir acompanhando tendências, sendo que essas persistem, criando oportunidades de lucro a longo prazo em função de sua duração e de sua extensão. Esse princípio de tendência é essencial para a abordagem técnica. Nos mercados futuros e de opções sobre futuros, o analista técnico tradicional afirma que os preços passados dão origem aos preços correntes. Isso significa que um movimento anterior de preços pode e deve motivar um movimento subseqüente. Por exemplo, antes de colocar ordens de compra ou de venda, os operadores geralmente verificam o último preço, para poder tomar uma decisão e executar a operação. Em conseqüência, cada nova transação influenciará, até certo ponto, os negócios subseqüentes. Alguns técnicos costumam comparar os mercados a uma pesquisa de opinião pública realizada momento a momento sobre cada commodity. Essa opinião agregada engloba a soma de todos os fatos, rumores, esperanças e medos dos especuladores, hedgers e outros operadores. Como resultado, se a maioria dos participantes acreditar que haverá uma 102 elevação de preços, a compra será mais agressiva que a venda, fazendo o nível de preços subir; se acreditar numa redução de preços, ocorrera o inverso. A maioria dos analistas de mercado concorda, em última instância, que os preços das commodities se relacionam com a situação econômica e que essa relação se assemelha mais a um barômetro do que a um termômetro. Os mercados parecem experimentar movimentos significativos sem nenhum motivo fundamentalista discernível. As mudanças nos princípios fundamentalistas são levadas em conta pelos preços de mercado muito antes de se tornarem do conhecimento geral. Os técnicos afirmam que o principal motivo dos fundamentalistas não conseguirem prever os preços das commodities com segurança é que o fator de maior importância, subjacente a todos os movimentos de preço - a psicologia humana -, não pode ser medido através da analise ortodoxa de oferta e procura, sendo ignorado quando se opera exclusivamente com base em estatísticas sobre a situação de consumo e produção. Para determinar a atuação da maioria dos operadores, um técnico utiliza amplamente gráficos de variações de preços e outros indicadores que refletem as inclinações e mudanças da psicologia de mercado. Os métodos mais populares de elaboração de gráficos são os de barras; de linhas; e de velas (candle stiks). 7.4.2 Mercado De Opções Uma opção constitui-se no direito de comprar ou vender uma quantidade específica de um bem ou ativo a um preço determinado para exercê-lo numa data prefixada ou num prazo determinado até a data de vencimento ou expiração. 103 A mecânica operacional Participantes do mercado de opções Os participantes desse mercado são definidos, basicamente, como nos mercados futuros. Ou seja, além dos hedgers, esses mercados têm também como participantes os especuladores e os arbitradores. O hedger atua com o objetivo de se proteger de riscos futuros, determinados pelas variações de preço dos ativos possuídos. Para se proteger de uma eventual desvalorização dos preços, o hedger adota a estratégia de comprar opções de venda ou vender opções de compra. Um especulador, por outro lado, costuma apostar alto no comportamento futuro dos preços dos ativos, proporcionando possibilidades de altos ganhos, ou perdas especulativas. A atuação de especulador contribui para a liquidez do mercado. O especulador encontra enorme capacidade de alavancagem para suas operações nesse segmento financeiro. No entanto, os mercados não são iguais para os especuladores. HULL (1998) demonstra que o ganho potencial, assim como a perda potencial, é muito grande nos mercados futuros. Contudo, no mercado de opções, a eventual perda do especulador é menor, limitando-se ao valor pago pela opção, independentemente do comportamento dos ativos objetos do contrato. Os arbitradores têm por objetivo aproveitar eventuais desajustes verificados entre um mercado e outro, efetuando transações simultâneas e realizando lucros. As oportunidades de arbitragem são geralmente de curto prazo, pois se espera que os preços em eventual desajuste em dois mercados venham a se eqüivaler rapidamente. Posições e tipos de opções 104 De acordo com HULL (1998), há duas pontas de cada contrato de opção. Numa delas está o investidor que assume a posição comprada (compra a opção); na outra está o investidor que assume a posição vendida (vende ou lança a opção). O lançador de uma opção recebe dinheiro adiantado, mas tem obrigações potenciais mais tarde. Seu lucro ou perda é oposto ao do comprador da opção. O direito de comprar a um preço determinado é chamado call, e o de vender, de put. Portanto, para ambos os tipos de opções, podem ter as seguintes posições básicas: Long call – compra de uma opção de compra Short call – venda de uma opção de compra Long put – compra de uma opção de venda Short put – venda de uma opção de venda Existem as opções americanas e as européias. No primeiro tipo, a opção pode ser exercida a qualquer momento entre a data inicial de negociação e a de vencimento. O titular tem o direito de comprar ou vender o ativo-objeto ao preço de exercício, tendo maior flexibilidade no seu contrato. Essa flexibilidade tem um preço: com o mesmo ativo-objeto, preço de exercício de vencimento e liquidez uma opção americana custará mais caro do que aeuropéia. A européia só pode ser exercida no vencimento do contrato. Nas Bolsas de Valores brasileiras as opções de compra de ações têm o estilo americano e as opções de venda são negociadas no estilo europeu. Os contratos de opções podem ser negociados tanto em Bolsas, como em Balcão entre duas instituições financeiras ou entre uma instituição financeira e seus clientes. A vantagem das opções de balcão é de não terem padronização de datas de 105 vencimento e preços de exercícios, o que ocorre na Bolsa. Objetos de negociação As opções são negociadas sobre ações, índices de ações, moedas, contratos futuros e títulos e notas do Tesouro. As opções em ações são negociadas sobre mais de 500 ações nos Estados Unidos. Um contrato dá ao seu titular o direito de comprar ou vender 100 ações por um preço de exercício especificado. Isso é conveniente, já que as próprias ações são negociadas em lotes de 100. As opções de índice são especificadas no contrato a compra ou venda de 100 vezes o índice pelo preço de exercício determinado. A liquidação é sempre financeira, e não com a entrega da carteira objeto do índice. O pagamento se baseia no valor do índice no final do dia em que são emitidas as ordens de exercício. Em se tratando de opções sobre futuro, o objeto de negociação é um contrato futuro para depois do vencimento da opção. As opções sobre futuro estão disponíveis para a maioria dos ativos-objeto de contratos futuros. Quando o titular de um opção de compra a exercer, ele adquire do lançador uma posição comprada no contrato futuro-objeto, mais uma quantia em dinheiro igual ao valor da diferença entre o preço futuro e o preço de exercício. Quando o titular de uma opção de venda a exerce, ele adquire uma posição vendida no contrato futuro-objeto, mais uma quantia em dinheiro igual ao valor da diferença entre o preço de exercício e o preço futuro. Em ambos os casos, os contratos futuros têm valor zero e podem ser encerrados imediatamente. 106 Margens de garantia Quando o investidor lança opções, ele precisa manter recursos numa conta de margem, para que não fique inadimplente no caso de a opção ser exercida. O tamanho da margem depende das circunstâncias. No caso específico do mercado de opções, apenas o lançador terá que exercer o depósito de margem, uma vez que o comprador da opção adquiriu um direito, podendo exercê-lo ou não, por conseqüência não terá risco de se tornar inadimplente. Opções Descobertas: Isso quer dizer que a posição de opções não esta combinada com a posse de ação-objeto. Opções Cobertas: Significa que as ações-objeto já são possuídas. Terminologias do mercado de opções As principais terminologias associadas ao mercado de opções são: Lançador É que vende a opção. Assume a obrigação de vender ou comprar determinada quantidade de ativo objeto, a um preço até o vencimento da opção, ou em uma data determinada. Titular É quem compra a opção. adquire os direitos vinculados a ela. Ativo-objeto Ativo a ser comprado ou vendido no dia de vencimento da opção. Dia de Exercício Dia de vencimento da opção. Titulares devem instruir seus corretores para exercer ou não a opção em tempo hábil. Day Trade Compra e venda de opções da mesma série, numa mesma sessão de pregão, na mesma bolsa Exercício Operação realizada no pregão, pela 107 qual o titular compra ou vende os ativos-objeto, ao preço de exercício. Fechamento Operação em que o lançador e/ou titular reduz ou encerra suas obrigações (no caso do lançador) ou direitos (no caso do titular), consistindo na realização da operação inversa à original. Lançamento Operação que origina as opções negociadas. Prazo Tempo entre o dia de lançamento e o dia de exercício. Preço de Exercício Preço pelo qual a opção será exercida. Prêmio Preço da opção, no lançamento ou durante o prazo. Série Opções com mesmo preço e dia de exercício, envolvendo o mesmo ativo- objeto. Fonte: Rudge e Cavalcante (1998) Opções em mercados futuros agropecuários Segundo Marques e Mello (1997), as opções agropecuárias são definidas apenas como contratos obrigatórios e legais que dão ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender uma commodity em condições específicas numa bolsa, mediante o pagamento de um prêmio. A decisão do comprador de exercê-la é um direito, apenas o vendedor da opção é obrigado a desempenhá-la. As opções são um tipo de seguro de preços na comercialização dos produtos agropecuários. Um comprador de opções limita o seu risco financeiro enquanto tem a possibilidade de aumentar o seu potencial para lucro. As opções podem ser compradas 108 com o seguro, onde se paga um prêmio para se ter uma garantia contra um imprevisto. As opções são negociadas da mesma forma em que são negociados os contratos futuros, só que, enquanto o vendedor faz depósito de margem, isso não é necessário ao comprador de uma opção. O titular da opção salda logo no início do contrato a quantia total do prêmio que lhe dará o direito. O detentor da opção não esta sujeito, também, à cobrança dos ajustes diários como ocorre com o participante do mercado futuro, no caso de um movimento adverso dos preços. Existe margem para o lançador, porque o vendedor de uma opção sempre enfrenta a possibilidade de que a opção seja exercida contra ele, assim a sua conta de margem reflete perdas potenciais sobre a base diária. O comprador e o vendedor de opções não precisam ficar posicionados até o vencimento das opções. O processo de inversão de posição, detalhado nos mercados futuros, também pode ser utilizado nos mercados de opções. Assim, o participante que tenha lançado uma opção, pode comprar uma opção para o mesmo vencimento e consequentemente sair do mercado. Por outro lado, o participante que tenha comprado uma opção pode lançar outra opção. O prêmio da opção (preço da opção) é determinado a partir do preço atual da mercadoria, do preço de exercício, do tempo para o vencimento, da volatilidade do preço da mercadoria, da taxa de juro livre de risco, do custo de carregamento da mercadoria até o vencimento e das expectativas do mercado. A estrutura do prêmio O ponto crucial relativo às opções refere-se ao modelo de cotação que melhor se adeqüe. Nesse sentido, as opções, como qualquer ativo, serão cotadas considerando-se as forças de mercado. Contudo, uma 109 vez que o prêmio da opção esta diretamente relacionado ao preço do ativo subjacente, é possível que sua cotação seja representada por uma função do preço do ativo. Do ponto de vista teórico, no preço de uma opção (prêmio), estão embutidos dois elementos: o valor intrínseco e o valor temporal. Prêmio (P) = Valor Intrínseco (I) + Valor Temporal (T) No mercado de opções, existem três terminologias básicas quando se considera um paralelo entre o preço do ativo e o preço de exercício da opção: 1 a ) in the money (dentro do preço); 2 a ) at the money (no preço); 3 a ) out of the money (fora do preço). A primeira indica que existe algum lucro que o comprador pode realizar imediatamente ao exercer a opção do tipo americano. O lucro é derivado da diferença entre o preço de mercado do ativo objeto (S) da opção e o preço de exercício da opção (X). Dessa forma, pode-se dizer que uma opção de compra esta dentro do preço quando o preço de mercado for maior do que o de exercício; e no caso de uma opção de venda, quando o contrário ocorrer. A igualdade entre o preço de mercado e o de exercício determina que a opção esta no preço. E por fim, a opção estará fora do preço quando o seu preço no mercado for menor do que o de exercício, considerando uma call; e no caso de uma put, quando o preço de mercado for maior do que o de exercício. O valor intrínsecoO valor intrínseco refere-se à quantia que uma opção está dentro do preço, assim, uma opção 110 geralmente será vendida pelo menos ao seu valor intrínseco e, consequentemente, o seu preço de venda, na maioria das vezes, excede o seu valor intrínseco. Tal afirmativa é mais aceitável ao se tratar das opções americanas. A visualização desse valor torna-se mais clara a partir de um exemplo. Supondo que o preço de mercado do ativo (S) é de US$ 140,00 e que existem abertas à negociação três séries de opções de compra a preços de exercícios (X) de US$ 100,00, US$ 140,00 e US$ 160,00 desse ativo. Com relação aos preços das três séries, a primeira será maior que a segunda, que por sua vez será maior que a terceira. A primeira série apresenta valor intrínseco, ou seja, já oferece condições para o exercício. Assim, o preço da opção será de no mínimo US$ 40,00 que corresponde ao valor intrínseco naquele momento. O valor temporal O valor temporal é a diferença entre o valor da opção (Prêmio) e o seu valor intrínseco num dado momento. O valor temporal pode ser indicado como o valor de uma especulação contínua sobre um movimento favorável nos preços do ativo subjacente. A aquisição de uma opção permite a imediata apropriação do valor intrínseco e também a possibilidade de benefícios futuros através de variações de alta de preços, no caso de uma opção de compra. Considerando que as flutuações de mercado são fundamentais na determinação dos retornos esperados, têm-se que as teorias quanto à avaliação de preços das opções está centrada, principalmente, na determinação do valor temporal. O preço do ativo subjacente pode mover-se, entre o período de negociação e o de expiração, de tal 111 forma a tornar uma opção lucrativa ou mais lucrativa, dependendo de sua colocação segundo sua situação. Considerando o exemplo anterior, e analisando o contrato de opções de venda, onde o preço de exercício é US$ 160,00 (X) e o preço de mercado do ativo é US$ 140,00 (S), o valor intrínseco é US$ 20,00. Admitindo que esse contrato seja vendido a US$ 30,00, obtêm-se o valor temporal de US$ 10,00 a partir da diferença entre o valor intrínseco e o preço de venda. Prós e contras do mercado de opções Todo tipo de mercado possui de forma intrínseca determinadas características que podem ser consideradas como vantajosas ou não. No caso específico dos mercados de opções, as vantagens que podem ser obtidas a partir de utilização são: 1) o estabelecimento de preço máximo de compra, mas não de preço mínimo; 2) a não existência de depósito de margem de garantia por parte do comprador; 3) a possibilidade de escolha entre os vários níveis de seguro disponibilizados. Por outro lado, as desvantagens listadas são: 1) o custo do prêmio, que para períodos grandes de tempo e mercados considerados voláteis pode ser bastante elevado; 2) o período de proteção, para opções americanas, ser menor do que o proporcionado pelos mercados futuros. 7.4.3 Mercado a Termo - Cédula de Produto Rural (CPR) Origens e características A Cédula do Produto Rural (CPR) teve sua origem fortemente influenciada pela crise fiscal iniciada 112 em princípios da década de oitenta, a qual se alastra, a bem dizer, até os dias atuais. Um dos componentes dessa crise foi a redução dos recursos financeiros destinados ao crédito rural, obrigando os agentes privados a buscarem formas alternativas de financiamento de suas atividades. O Banco do Brasil, idealizador da CPR, dada sua experiência em crédito rural, buscou desenvolver um instrumento que tivesse um status privilegiado do ponto de vista de sua formalização, principalmente constituição de garantias, e que fosse um título com regime de execução privilegiado, visando atrair os agentes financeiros para o seu aval. O surgimento desse título teve um verdadeiro caráter de inovação financeira, por permitir o comércio a termo da produção, o desenvolvimento de um mercado secundário, a conjugação com instrumentos de hedging e o alívio da pressão por recursos de financiamento. O fato de ser um título transacionado no mercado durante um dado período de tempo por si só o caracteriza como instrumento de proteção contra riscos de baixa de preços. Uma vez emitida a cédula, ocorre a fixação do preço e, o que é fundamental, ocorre a disponibilização do montante de recursos financeiros ao emissor, caracterizando, assim, um contrato para entrega a termo da mercadoria, porém com acerto financeiro no ato de sua formalização. Para Nuevo e Marques (1996), uma das principais vantagens da CPR, em relação aos instrumentos de financiamento informais como o contrato de soja verde e as operações “troca-troca”, reside na diminuição dos custos de transação, ou seja, nos custos de operacionalização e formalização do negócio, das averbações das garantias hipotecárias e 113 pignoratícias e dos custos de fiscalização das lavouras implantadas. A CPR (Nuevo, 1996) é uma cambial, criada pela lei n.º 8.929, de 22/08/94, através da qual o emitente – produtor rural e suas associações, inclusive cooperativas – vende a termo sua produção agropecuária, recebe o valor da venda no ato da formalização do negócio e se compromete a entregar o produto vendido na quantidade, qualidade e em local e data estipulados no título. A CPR pode ser emitida para validade entre as partes (vendedor/comprador) ou pode ser garantida por uma instituição financeira. Suas principais características são: ser título líquido e certo, transferível por endosso e exigível pela quantidade e qualidade do produto nele previsto; admitir a vinculação de garantias na forma cedular, livremente ajustadas entre as partes (hipoteca, penhor, alienação fiduciária, aval); não responder os endossantes pela entrega do produto, apenas pela existência da obrigação; responsabilizar o avalista do emitente pela entrega do produto; não admitir que o emitente invoque em seu benefício caso fortuito ou de força maior; constituir-se em ativo financeiro, durante sua existência, podendo ser negociada em bolsas de mercadorias ou de futuros ou, ainda, em mercados de balcão; necessitar registro na CETIP (Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos), evitando a venda da produção em duplicidade; permitir, quando em cobrança, ação de execução por via preferencial, etc. No cenário de altas taxas inflacionárias que vigorou por muitos anos no Brasil, a demanda dos produtores rurais sempre foi pela existência de financiamentos em equivalência-produto. A CPR 114 cumpre esse papel. É um financiamento referenciado em produto, possibilitando ao produtor dimensionar seus custos na moeda cujo domínio lhe é estritamente familiar. Pelas evidências (negócios efetuados), a CPR, como produto novo, para se firmar no mercado e realizar seus objetivos, ainda necessitaria: desenvolvimento/aprimoramento de mecanismos de proteção (hedging, seguro etc.) e disseminação/inter- relacionamento com os instrumentos de mercados futuros e de opções. Apesar de possuir como princípio o financiamento, a inter-relação com os demais instrumentos, fortalecerá a consolidação do mercado de derivativos agropecuários. Segundo interpretações correntes, o mercado para absorção de CPR com entrega física seria estreito. Apenas se interessariam pelo produto físico os agentes da cadeia agroindustrial que se localizam a jusante da agricultura. No entanto, tais agentes esbarram na limitação de recursos para financiar o produto rural. A alternativa seria atrair para a CPR os detentores de poupança, que buscam opções de investimento no mercado. Porém, tais agentes interessam-se tão somente pela possibilidade de retorno que o título pode proporcionar, não se interessando pelo recebimento doproduto. Assim sendo, a alternativa para o financiamento da agricultura passaria pela emissão de um título que, embora representativo de produto rural, não exigisse a entrega/recebimento do mesmo. Essa alternativa seria então a CPR com liquidação financeira, idêntica à atual, exceto pela forma de liquidação, baseada em indicador, a exemplo de alguns dos contratos futuros disponíveis. Modalidades de CPR 115 Atualmente, são três as modalidades de CPR existentes no mercado: a física, existente desde 1994; a financeira, que começou a operar em março de 2000; e, a exportação, que encontra-se em fase final de lançamento. Física Nessa modalidade de CPR, o emitente vende antecipadamente sua produção, com o objetivo de garantia de preço. Na data de expiração do documento, o vendedor vai entregar o produto físico em um lugar estipulado, e da mesma forma o comprador irá pegar a mercadoria nesse local. Financeira Essa modalidade define que a CPR pode ser liquidada a partir de um acerto financeiro em detrimento à entrega física do produto. Dessa forma o emitente não tem seu lucro fixado, por exemplo, caso o produtor negocie uma CPR com a saca sendo cotada a R$ 135,00 e no dia de liquidação o café esteja cotado a R$ 145,00/saca, ele alcançaria um lucro líquido de R$ 10,00/saca. Tal resultado seria atingido através da seguinte operação: venda do produto na data de liquidação por R$ 145,00 e pagamento de R$ 135,00 ao detentor da CPR. A CPR financeira, depois de dois meses de lançamento, já ocupava 20% dos negócios com este título, atingindo um montante de R$ 40 milhões em negócios no Banco do Brasil (Alcântara, 2000). Exportação Uma vez que a CPR é restrita ao território nacional, o Banco do Brasil está lançando uma terceira modalidade do título denominada exportação. Essa irá 116 atuar como a CPR física, só que sua entrega será efetuada em qualquer armazém alfandegário ou porto seco. Como resultados de sua operacionalização espera- se: diminuir a intermediação na negociação; favorecer a exportação diretamente do produtor; simplificar a operacionalização da exportação; e, permitir a entrada de compradores não residentes. O registro de exportação será emitido pelo Siscomex, sendo que a CPR poderá ser comercializada a preços FOB em território nacional, com a garantia do Banco do Brasil. O desenho dos contratos A CPR por ser um contrato a termo exibe a característica de ser um título “taylor made”, ou seja, pode ser feita sob medida segundo a confluência dos interesses exibidos pelo vendedor e pelo comprador. Além dessa característica de ajustabilidade a cada caso, ela pode ser também transacionada em contratos padronizados. A padronização exibe a vantagem de extrapolar a relação particular vendedor/comprador, com a correspondente necessidade de, a uma dada mercadoria com uma dada qualidade e preço, encontrar um comprador exatamente com esse desejo de compra. Com a padronização, os mercados podem ser ampliados, fugindo da relação direta vendedor/comprador. Com a característica que a CPR exibe, de agregar uma instituição financeira que garanta a entrega do produto, os compradores interessados na mercadoria podem fazer a compra de um alto grau de liberdade: a padronização garante a qualidade do produto a ser recebido e o aval da instituição financeira garante a entrega propriamente dita. No caso da CPR, a padronização pode expandir os canais de absorção dos títulos, fazendo com que os investidores e/ou tomadores de risco se interessem pelo 117 instrumento e entrem no mercado, aumentando a liquidez e dando vazão à potencial oferta do título, permitindo ao campo o financiamento privado de suas necessidades. As CPRs intermediadas pelo BB, de café (arábica e conillon), de milho, de soja, de algodão em pluma, de bezerros, boi magro, novilho precoce e boi gordo, são todas padronizadas. Nos casos de venda de CPR, muitas vezes o volume de produção individual não atende aos requerimentos mínimos para a abertura de um contrato. Uma possível solução seria a negociação em pool, coordenada, por exemplo, por cooperativas. Pela ponta compradora, os bancos/corretoras poderiam montar fundos lastreados em CPR 1 , ativando, na outra ponta, o segmento de venda antecipada de produto, e a conseqüente formação dos fundos necessários às operações agrícolas. Para a CPR pode acontecer o mesmo que ocorre com alguns contratos futuros, ou seja, alguns contratos pegam, outros não. Dessa forma, quando do lançamento de nova modalidade de CPR seria interessante incorporar aos estudos de viabilidade as condições subjacentes ao sucesso. Parece que o tamanho do mercado físico e seu grau de atomização seriam variáveis importantes. Além disso, outro item que parece fundamental seria a verificação de se o produto a ser lançado em CPR possui sinalização de preços futuros forte. Quanto melhor a sinalização, menores seriam os problemas de descolamento do preço praticado em relação ao preço de mercado (Base). À CPR podem se aplicar, pelo menos em parte, os elementos considerados para o êxito de um contrato futuro. Segundo Working (1970), quatro condições 118 podem ser listadas para a sobrevivência e prosperidade de um contrato futuro: 1) os termos do contrato e os encargos cobrados devem ser tais que atraiam um número apreciável de operações de compra e venda; 2) deve existir a possibilidade de atração de especuladores em grau suficiente à existência de um mercado fluido; 3) negociadores da commodity devem ter razões para utilização do contrato futuro como substituto temporário para os contratos que irão formalizar mais tarde, no curso de suas atividades; 4) deve existir um adequado reconhecimento público quanto à utilidade econômica dos mercados futuros. Uma das questões que permanece como importante, transcendendo à questão do aval (que garante ao comprador a integridade do contrato), é a credibilidade do instrumento enquanto representativo de produto físico (quando este for o caso, e não a liquidação financeira). Ou seja, é necessário que os agentes emissores não se sintam tentados a mudar de posição durante a vigência do contrato, acreditando que podem auferir maiores lucros caso o façam. A responsabilidade na emissão do título se traduzirá em taxas nulas ou insignificantes de inadimplência, propiciando, cada vez mais, o fortalecimento desse instrumento financeiro. O processo de formação de preços Como decorrência da credibilidade da CPR, os modelos precificadores devem ser aprimorados, fazendo com que o risco de deslocamento entre o preço praticado na venda e o observado no mercado 119 disponível seja insignificante. Quanto mais a diferença observada se aproximar dos custos de transporte no tempo, maior será a credibilidade do papel. A esse respeito, Kamara (1982) relata que para vários autores há uma separação entre a decisão de produção e as posições a futuro, indicando que o comportamento ótimo seria aquele que determina a decisão de produção com base somente nos preços dos insumos e nos preços correntes da commodity. Em outras palavras, a decisão de produção deveria se pautar, ao final, pela margem de lucro apurada quando se compra o preço futuro a ser obtido (no caso da CPR transportado para o valor presente) e o respectivo custo de produção. Nuevo (1996) e Nuevo e Marques (1996) apresentam um modelo para balizar a tomada de decisão por parte de um vendedor de CPR. O modelo é desenvolvido para a soja e se baseia, como parâmetro inicial, no preço futuro obtido na Chicago Board of Trade, decomposto para o mercado interno (FOB/Paranaguá). Descontados dos custos operacionais e do custo de oportunidadedos recursos envolvidos, os valores obtidos vão pautar a decisão do produtor e terão que, no mínimo, cobrir seu custo de produção. O custo de produção é a primeira coisa que um produtor deve saber antes de tomar sua decisão de comercialização. Esse custo envolve custos de processamento, armazenagem, transporte e financeiro. Sem um bom conhecimento desses números o produtor não pode calcular seu preço de nivelamento e, em conseqüência, não consegue avaliar as alternativas que se lhe apresentam. Além dos custos de produção, viu-se acima que o ponto de partida é a utilização de um preço sinalizado 120 pelo mercado futuro da commodity. Para se participar de um mercado de CPR, assim como de um mercado futuro, é crucial o processo de descobrimento do preço (price discovey). Os preços agrícolas são descobertos no mercado através da interação dos movimentos de oferta e demanda. A oferta de um determinado produto é composta pela safra corrente prevista mais os estoques remanescentes de safras anteriores. A demanda, por sua vez, leva em conta os principais agentes consumidores do produto, seu nível de demanda, oferta de produtos substitutos, nível de renda da população, hábitos de consumo, preferência dos consumidores, taxa de câmbio etc. A análise desses elementos permite tanto a apuração de um preço para o produto disponível quanto um preço de comercialização futura. É certo que o preço para o futuro é determinado com base nas informações conhecidas hoje. Porém, dadas as informações levantadas e o nível de expectativas, esse é o melhor preço hoje para o futuro. A manutenção desse preço vai depender obviamente dos acertos no levantamento das informações e da não ocorrência de fatores extraordinários e/ou imprevisíveis que alterem a trajetória dos preços. Assim, a existência de um mercado futuro com bastante liquidez constitui-se em uma boa fonte sinalizadora de preços. Uma outra alternativa de formação de preços com transparência e razoável grau de ajuste é a existência da possibilidade de os preços serem formados através de leilões, como os leilões eletrônicos do Banco do Brasil que, entre outros produtos, têm ofertado CPRs. Tais leilões propiciaram uma melhora substancial dos preços de comercialização das commodities envolvidas, além de aumentar a aceitabilidade do título pelo mercado. 121 Uma outra alternativa de formação seria calcular-se o custo de produção, adicionando-se uma faixa de variação para uma margem de lucros desejada. Com esses parâmetros o produtor submeteria o contrato a um processo de leilão e aguardaria a ação das forças de demanda para testar seu preço e a existência de uma contraparte interessada no negócio. Ocorre, porém, que na agricultura o elo mais frágil tende a ser o produtor. Assim é que os encargos financeiros embutidos pelos compradores dos produtos na formação dos preços (deságios praticados em relação ao preço futuro) têm-se constituído em elemento inibidor à formalização de CPRs, estimulando os produtores a realizarem operações de custeio convencional. Dessa forma, a CPR estaria constituindo- se em alternativa apenas quando escasseiam os recursos para financiamento tradicional. 122 Agricultura / grãos - 17/10/2011 Feijão-de-corda tem zoneamento divulgado para a região Nordeste Municípios aptos e períodos mais adequados de cultivo estão indicados para cinco estados por Globo Rural On-line O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou no Diário Oficial da União desta segunda-feira (17/10) as condições mais favoráveis para o plantio de feijão caupi, o feijão- de-corda, nos estados de Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. O zoneamento agrícola, com a lista dos municípios aptos e os períodos mais adequados para a semeadura, está nas portarias de 374 a 378. O estudo de risco climático indica o melhor período para plantar determinada cultura em cada cidade, segundo a análise histórica do comportamento do clima. Para o feijão, a indicação foi realizada com base no balanço hídrico da cultura, estimado com o uso de variáveis climáticas, como ocorrência de chuvas, temperatura e disponibilidade de água no solo. As melhores temperaturas para o bom desenvolvimento do feijão caupi estão entre 18ºC e 34ºC. A cultura exige um mínimo de 300 milímetros de chuvas ao longo do ciclo. A falta de água perto do florescimento pode causar diminuição no crescimento vegetativo, limitando a produção. Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI210988-18079,00- ALTA+DA+ARROBA+DO+BOI+GORDO+EM+CONSEGUE+SUPERAR+EXPRESSIVA+ELEVACAO+DOS+C US.html 123 Agronegócio / Alimentos - 28/11/2011 Produção integrada ganha regulamentação Além das frutas, todas as cadeias produtivas poderão receber a certificação - por Globo Rural On-line A partir de agora, os produtores de qualquer cadeia que optarem pela certificação de produção integrada já terão uma norma regulamentada. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicou, na última sexta-feira (25/11), a Portaria que regulamenta o Programa de Avaliação da Conformidade da Produção Integrada para todas os produtos do setor agropecuário no Brasil. A portaria revoga a norma que certificava frutas e engloba todos os produtos. Os agricultores que já eram certificados com a regra antiga terão um ano para se adequar às novas exigências. Algumas mudanças facilitaram o agricultor. Agora, qualquer produtor, seja pequeno ou grande, pode realizar a certificação em grupo. Além disso, não será mais necessário pagar pelo número de série emitido pelo Inmetro, prática prevista no antigo regulamento. Selo O documento é extenso e apresenta um passo a passo que o produtor deve seguir para receber a certificação. As etapas da avaliação da conformidade, a relação dos documentos necessários, as empresas certificadoras e os detalhes do selo de identificação estão na portaria. Todo produto certificado pela produção integrada deverá ter um selo de identificação da conformidade. A presença da estampa garante que o produto é sustentável, respeita o trabalhador rural e é um alimento seguro. Todo o produtor é obrigado a fazer a análise de resíduos antes de receber o selo e chegar ao supermercado. Por isso, ao adquirir um alimento identificado, é certeza de possuir um produto saudável e protegido. Saiba mais A Produção Integrada Agropecuária (PI Brasil) é um sistema baseado na sustentabilidade ambiental, segurança alimentar, viabilidade econômica e rastreabilidade de todas as etapas produtivas. O programa, iniciado em 2001, prevê a inserção de tecnologias que propiciem a certificação e elevem a competitividade dos produtos. Além disso, diminui o emprego de inseticidas e fungicidas, reduz os custos de produção e o uso de fertilizantes. A adesão à iniciativa é voluntária, porém, o produtor que optar pelo sistema terá de cumprir rigorosamente as orientações estabelecidas. O Ministério da Agricultura é responsável pela publicação das normas, enquanto as certificadoras acreditadas pelo Inmetro fazem as auditorias e emitem o selo do programa. Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI281403-18077,00- PRODUCAO+INTEGRADA+GANHA+REGULAMENTACAO.html 124 Agronegócio / soja - 18/01/2011 BM&FBovespa lança contratos de soja com liquidação financeira Ao dar opção à entrega física, bolsa contribui para o aumento da liquidez do grão por Globo Rural Online BM&FBovespa lançará três novos derivativos de commodities referenciados em soja na próxima semana. As negociações do novo contrato futuro de soja com liquidação financeira serão iniciadas no dia 27 de janeiro. O contrato tem como objeto de negociação a soja em grão a granel tipo exportação, transferidae comercializada no porto de Paranaguá, PR. Ele está autorizado para negociação a partir do vencimento maio de 2011 e pode ser negociado pelo código SFI, das 9h às 17h. Cada contrato futuro é cotado em dólares norte-americanos e equivale a 450 sacas de 60 quilos líquidos ou 27 toneladas métricas. A oscilação de preço máxima diária será de 5% para mais ou para menos, em relação ao preço de ajuste do dia anterior Já os novos contratos de opções de compra e venda sobre futuro de soja estarão autorizados para negociação a partir do dia 28 de janeiro. As opções são do tipo americano e podem ser exercidas a qualquer momento. A unidade, o código, os horários de negociação e os vencimentos dos contratos de opções são os mesmos válidos para o contrato futuro. Os novos contratos futuro e de opções sobre futuro de soja terão como referência o preço no porto de Paranaguá e serão liquidados com base no Indicador de Preços da Soja Esalq/BM&FBovespa. Com o lançamento, a BM&FBovespa tem como objetivo ampliar a participação de produtores, cooperativas, exportadores, cerealistas e outros agentes que atuam no mercado de soja. Ao substituir a entrega física da mercadoria pela liquidação financeira, a bolsa proporciona maior eficiência na comercialização do produto. Participantes como pessoas físicas, tesourarias de bancos, investidores estrangeiros e importadores de soja também podem contribuir para o aumento da liquidez dos contratos. Ao lado dos contratos futuros e de opções sobre futuro de etanol, milho e boi gordo, os novos contratos de soja completam o portfólio do segmento de derivativos de commodities da BM&FBovespa liquidados financeiramente. O contrato de soja com entrega física continuará autorizado para negociação nos ambientes eletrônicos de negociação da bolsa. FONTE:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI203372-18077,00- BMFBOVESPA+LANCA+CONTRATOS+DE+SOJA+COM+LIQUIDACAO+FINANCEIRA.html 125 8. ENFOQUE MACROECONÔMICO 8.1 Introdução A microeconomia ocupa-se da análise do comportamento das unidades econômicas, como famílias ou consumidores, e as empresas. Estuda também os mercados onde operam os demandantes e ofertantes de bens e serviços. A perspectiva microeconômica considera a atuação de diferentes unidades econômicas como se fossem individuais. A microeconomia é aquela parte da teoria econômica que estuda o comportamento das unidades, tais como os consumidores, as industrias e as empresas, e suas inter- relações. A macroeconomia, pelo contrário, ocupa-se do comportamento global do sistema econômico refletido em número reduzido de variáveis, como Consumo, poupança, investimentos, políticas fiscal, monetária e cambial, orçamento do governo, nível geral de preços, emprego e desemprego, balanço de pagamentos e produto total de uma economia.. Ela estuda o funcionamento da economia em seu conjunto. Seu propósito é obter uma visão simplificada da economia que, ao mesmo tempo, permita conhecer e atuar sobre o nível da atividade econômica de um determinado país ou de um conjunto de países. 8.2 Contas Nacionais Repartição ou Distribuição de Rendas É a parte da economia que estuda a remuneração dos fatores de produção (natureza, trabalho, capital e empresas) por terem colaborado para a realização do produto nacional (PN). Do ponto de vista econômico é a remuneração dos fatores de produção. Do ponto de vista comum vem a ser tudo 126 aquilo que é pago ou que é recebido, sem que seja em pagamento de qualquer contribuição para o processo produtivo. As quatro rendas: salários, juros, lucros e aluguéis. Todos os pagamentos que se fazem para obter a produção do produto nacional se classificam dentro de uma destas quatro categorias de renda. O salário é a remuneração o trabalho prestado a um empregador, o lucro é a remuneração do empresário; os juros a remuneração do capital e os aluguéis a remuneração da propriedade alugada. Renda Nacional (RN), Distribuição Funcional, Renda Pessoal ou Familiar, Renda Per capita - Renda Nacional: É a soma de todas as rendas pagas no país, num dado período. - Renda Funcional (Fatorial): É quanto de renda que coube a cada um dos fatores de produção (aluguel, juros, lucros). - Renda Pessoal (Familiar): É quanto de renda que coube a cada indivíduo ou família. - Renda Per capita: É quanto de renda coube a cada indivíduo ou família. Rendas de Transferência São aquelas pessoas que recebem receitas sem concorrer em nada para a execução da produção nacional. Exemplos: aposentados, viúvas que recebem pensões, desempregados que recebem auxílio desemprego, bolsas de estudo, etc. Os recursos para o pagamento das rendas de transferências são oriundos de rendas verdadeiras dos que trabalham e recebem as citadas rendas. O Estado através dos impostos e das contribuições previdenciárias, cobradas desses recebedores, obtém os 127 recursos que transfere às pessoas que devem ser beneficiadas. Teorias sobre a repartição de rendas Os economistas sempre se preocupam com a origem e a distribuição das rendas entre os indivíduos de um país. Esta repartição das rendas entre os indivíduos é uma atividade da macroeconomia. a) Os clássicos ingleses e a repartição: Adam Smith é considerado o pai da economia como ciência. Ele distingui a repartição sob dois aspectos: I) uma economia em estágio primitivo; II) uma economia em estágio adiantado. Na economia em estágio primitivo não existem bens de capitais e propriedades, tudo é obtido pelo fator trabalho, e assim a produção total cabe toda ao trabalho. Cada um recebe proporcionalmente ao trabalho executado. Na economia em estágio adiantado. A produção nacional é obtida por mais dois fatores de produção: a terra (que é privatizada) e o capital. A renda ser; a distribuída entre três fatores de produção:terra ( renda), trabalho(salários) e capital (juros e lucros). Usando-se mais capital, por exemplo, a renda do trabalho(salário) diminuirá. David Ricardo conserva as três rendas de Adam Smith( renda da terra, salários, lucros e juros) mas acrescenta a “a lei dos rendimentos decrescentes”, isto é, se a qualidade de um ator aumentar mais do que a dos outros, a renda daquele tende a decrescer e as rendas dos outros tendem a crescer. Retomando o pensamento de Malthus, Ricardo afirma que a população (trabalho) é a que mais cresce e por causa disso os salários decrescem. Os capitalistas 128 aumentando tendem também a crescer menos: é a queda do lucro a longo prazo. Só não aumenta a quantidade de terra que é inelástica por natureza e por isso, a renda da terra tende a crescer cada vez mais. Stuart Mill diz que a taxa de salários é uma relação entre a população operária e a porção de capital destinada a paga-los, o lucro sobe quando o salário desce, e inversamente. A principal contribuição de Stuart Mill é a concepção de que as leis da repartição são feitas pelo homem, e não leis feitas pela natureza, e portanto podem ser modificadas. Karl Marx afirma que só o trabalho é que cria a renda, tanto numa economia primitiva, como numa economia adiantada. Na sociedade capitalista, o regime assalariado permitia que o capitalista pagasse a trabalhador, não todo o produto do seu trabalho, mas apenas um salário que lhe permitisse viver miseravelmente e reproduzir-me. A diferença que existia entre o valor do produto do trabalho e o “quantum” de salário pago constituía a “mais valia” que ficaria pertencendo gratuitamente, ao capitalista. A “mais valia” se espalha pelas outras classes sociais que não à trabalhadora, sob a forma de juros, lucros e aluguéis. Teoria Marginalista: procura fixar com precisão a contribuição de cada fator, para a obra da produção. A repartição certa é aquela que remunera cada fator,de acordo coma sua contribuição para a produção. Produtividade: sob este aspecto, é a contribuição útil de cada fator para a elaboração dos produtos. A produtividade dá a medida de renda que toca o fator. Imputação: é a determinação da contribuição de cada fator para uma determinada produção. Calcula- 129 se o que deve ser imputado a cada fator, comparando as variações da quantidade do fator, com as variações da quantidade do produto obtido. Teoria da Reprodução Jean Marchal: segundo o professor Jean Marchal, as teorias até agora elaboradas não explicam a realidade. Somente uma teoria sociológica da repartição pode explicar a divisão atual da renda nacional: a ação social e política, dos diversos grupos recebedores de rendas, uns contra os outros, é que pode explicar a atual repartição. Há seis rendas principais segundo J. Marchal, assim: 1 – o salário( renda do trabalhador não- qualificado); 2 – os ordenados( renda do trabalhador qualificado); 3 – os vencimentos( renda dos servidores públicos); 3 – o lucro industrial, comercial e dos serviços; 5 – o lucro agrícola 6 – os juros( incluindo aluguéis). A luta social ou política entre os grupos mencionados, é que determina o modo, como na realidade, se divide a renda nacional entre eles. A luta hoje, é entre os lucros X salários e vencimentos. Estudo dos salários É a remuneração paga pelos serviços prestados, pelo trabalho, resultante de um contrato bilateral em que a parte assalariada esta subordinada à outra, deve ser pago independente dos lucros da empresa. 1. É a remuneração do trabalho subordinado. 2. É a renda do trabalhador subordinado, isto é, o trabalho prestado a um empregador. Características essenciais: 130 - É a remuneração dos serviços prestados pelo trabalho; - Resulta de contrato bilateral; - Existe relação de subordinação; - Independe do lucro da empresa; - Subordinação do trabalhador; ela assume três aspectos: 1. Subordinação jurídica: O empregador e o empregado estão vinculados, entre si, por um contrato de trabalho, que garante entre outras coisas, os interesses do empregado. 2. Subordinação técnica: O empregado cumpriu ordens operacionais do empregador. 3. Subordinação econômica: A fonte dos recursos do empregado é o salário pago do empregador. Características dos salários: o salário como renda, tem características próprias: - É uma renda antecipada: a empresa paga seu salário antes de vender a seu produto. - É uma renda forfatária: é paga independente dos resultados financeiros da empresa e segundo quantidades fixadas. - É uma renda vital: constitui quase sempre na única fonte de recursos para seus titulares. - É uma renda da pessoa: visa a dar a cada trabalhador uma renda total, permitindo-lhes uma vida decente juntamente com a sua família e com possibilidade de progresso. Tudo isso é conseguido através da ação do sindicato, da participação dos lucros da empresa e pela ação social do Estado. Classificação dos salários: Os salários podem ser classificados de diversos pontos de vista: 1) Quanto á origem: 131 Salário-Renda -Salário individual:Recebido pelo trabalhador; -Salário coletivo:Pago ao coletivo (grupo de trabalhadores) por obra ou serviço (empreitada); -Salário tempo:Pago por hora, semana, dia; -Salário por tarefa ou peça:Recebe por vendas efetuadas; -Salário mínimo: Componente do custo; -Salário progressivo:Pago por prêmio, tem-se uma remuneração fixa e a outra produtividade; Salário Social: Objetivo: complementar o salário-renda do trabalhador, assegurando à ele e à sua família, uma vida decente. Procura dar segurança econômica ao trabalhador cobrindo os riscos profissionais e os riscos sociais. a)Riscos profissionais; b)Riscos sociais 2) Quanto ao valor: Salário custo: é visto do lado de quem paga o salário; compreende além do salário redá, outros itens acrescidos à folha de salários, diretamente pagos pelo empregador (férias, contribuição à previdência, despesas com o seguro contra acidente de trabalho, etc). Salário receita: não corresponde apenas ao salário renda, incluindo também, toda a composição do salário social (procura segurança ao cobrir os riscos profissionais e os riscos sociais), e ainda, toda a composição do salário-custo (salário-renda, férias, pagamentos à previdência, etc). 3) Quanto ao pagamento: Salário Nominal: diz respeito apenas a quantidade de dinheiro recebida pelo trabalhador em pagamento do seu trabalho. Salário Real: expressa o poder aquisitivo da remuneração em dinheiro, recebida pelo empregado e 132 pagamento do seu trabalho. Mostra ainda, que o trabalhador pode adquirir (bens e serviços) com o dinheiro do seu trabalho. Salário Mínimo: é a menor remuneração que se pode pagar ao trabalhador para garantir as exigências de seu mínimo vital; é regulamentado por lei, pelos sindicatos, ou pelo costume. Salário Profissional: é a menor remuneração que se pode pagar ao trabalhador especializado em certas atividades. Salário “In natura”: é o salário pago, não em dinheiro, mas em mercadorias. Teorias sobre a fixação dos salários: Procura explicar as diferentes formas de salários ao longo da história. *A lei do bronze ou do ferro dos salários: segundo Lassale, Rodbertus, Marx – pensadores econômicos do século passado, - o salário tende a fixar-se num “quantum”, que apenas assegura a sobrevivência do trabalhador, não importando a constituição, tipo ou padrão da moeda. *A teoria do fundo do salário: em qualquer país existe sempre ema quantidade de capital monetário (dinheiro) para pagamentos de salários. Obtém-se o salário médio nacional, dividindo-se o capital monetário pelo número de trabalhadores. Se a oferta de trabalho é maior que a procura, então os salários baixam; se um trabalhador teve o seu salário aumentado, significa que o salário de outro foi diminuído. Para aumentar os salários de nada valem o aumento da produtividade, as leis do governo,a ação dos sindicatos. Só se consegue o aumento dos salários, pela diminuição da população operária. Assim pensavam os economistas do século passado. 133 *Teoria da produtividade do trabalho: o salário deve ser proporcional à contribuição do trabalhador na composição do Produto Nacional. Quanto mais produtivo o trabalhador, maior seu salário. Num grupo de trabalhadores iguais, o trabalhado marginal (o último a ser empregado com vantagem para o empregador) é que servirá como referência para a fixação da taxa de salário, a ser pago a cada um. *A teoria do mercado de trabalho: os níveis de diferentes salários são fixados pela procura e pela oferta de trabalho. À medida que a procura, ou a oferta, ou ambas, deixam de estar num mercado de concorrência perfeita, e não entrando num mercado de monopólio, a fixação dos salários será altamente influenciada por este fato. CONSIDERAÇÕES: -Salários fixados pelo governo: salário mínimo, salários públicos. -Salários fixados pelas leis da oferta e da procura: os restantes. -Oferta e procura em regime de monopólio: a) se o monopólio é do trabalhador: salário alto; b) se o monopólio é do empregador: salário baixo; c) se há monopólio dos dois lados: salário vai para o lado mais forte (caso dos sindicatos fortes). -Oferta e procura em regime de concorrência imperfeita: o salário vai para o lado que mais se afaste da concorrência perfeita ou livre concorrência. -Oferta e procura em regime de livre concorrência: o salário é o mínimo legal, impedindo assim o seu aviltamento (caso dos trabalhadores não qualificados). -Oferta e procura do trabalho ocorrem dentro de ema conjuntura e sofrem influência dela: a conjuntura econômica de um país, influência através da oferta e da 134 procura: o desenvolvimentoeconômico, a estagnação, a depressão, a inflação, etc A participação nos lucros:a participação do trabalhador nos lucros da empresa é uma forma de promoção humana, que além de complementar o seu salário, visa tornar o empregado mais responsável, interessado e com mais iniciativa em seu próprio benefício e da empresa onde trabalha. Estudo do Lucro Conceitos: - É o excedente entre o custo da produção e o preço de venda, que é destinado ao empresário. - É a remuneração do empresário. - É remuneração específica do empresário. - É o crédito do empresário, no sentido que este empresário recebe de volta parte do capital aplicado, em forma de renda. *O lucro é chamado de “residual” porque só é conhecido depois de deduzidas as remunerações pagas aos outros fatores da produção (salários, juros, aluguéis), as matérias-primas e despesas com a produção. -LUCRO BRUTO: é o que o empresário recebe sem distinguir o que ele recebe como lucro puro e o que ele recebe também como fornecedor do capital, do trabalhou as matéria -primas para a empresa. -LUCRO PURO: é o que o empresário recebe depois de descontado o que ele pode receber da empresa quando é fornecedor dos fatores terra, trabalho e capital. OBS: onde não houver esse fornecimento pelo empresário, o lucro puro é igual ao lucro bruto. Fundamentos do lucro 135 É a justa percepção dos lucros pelo empresário? Várias têm sido as respostas ao longo dos tempos, a favor e contra. Os socialistas acham que não é justa, porque nasce da exploração do capitalista sobre o operário. Os cooperativistas condenam os grandes lucros porque julgam que foram obtidos pela exploração do consumidor. Se o empresário remunera bem seus empregados, não explorando, pagando-os corretamente de acordo com a lei, bem como a todos outros fatores de produção, não abusando do preço em detrimento do consumidor, então o que lhe toca a título de lucro é justo. Vários são os motivos que justificam o recebimento do lucro pelo empresário: 1 – pela criatividade do empreendedor – para minimizar custos, o empresário cria novas técnicas de trabalho, novas máquinas, novas ferramentas e, principalmente, novos produtos à serem vendidos e que contribuem para o progresso da humanidade. 2 – pelo risco que corre – se não houvesse a possibilidade de lucro, nenhum empreendedor iria empatar trabalho, capital e tempo em uma organização, que pode inclusive dar prejuízo. Se ele é obrigado a arcar com o prejuízo, também deverá ter direito a um possível lucro pelo empreendimento e iniciativa. 3 – pelo trabalho de direção – um trabalho coletivo, organizado, dividido, racionalizado, bem dirigido produz muito mais que os empregados produziriam se trabalhassem separadamente. Num empreendimento econômico a direção é o fator essencial. A qualidade de liderança também é coisa rara, e o lucro o pagamento dessa realidade. 4 – pela criação de mercados – um bom empreendimento, além de suprir os mercados existentes, faz florescer novos mercados, novas empresas e novas 136 necessidades. Essa visão que o empresário tem a situação e a sua colocação na prática, pode e deve ser estimulada pelos lucros. 5 – pela atitude de progresso – um dos motivos do lucro é o sacrifício que o empresário faz, para desenvolver a empresa e resolver problemas, enquanto os seus empregados nenhuma responsabilidade tem, com a empresa, além de seu estrito trabalho. O bom empreendedor pensa, sente e age pelo progresso da empresa. Essa atitude só pode ser remunerada pelo lucro, que é o resultado econômico da ação do empresário. Previsão e Incerteza Nos dias atuais, o planejamento é importante em todos os setores econômicos. Assim temos dois tipos de planejamento a considerar: 1)Planejamento econômico em termos macroeconômicos – com a economia centralizada, exercia pelo governo. 2)Planejamento econômico em termos empresariais – feito pelas grandes empresas, a fim de que suas atividades econômicas dêem a maior rentabilidade possível. Desta forma, no planejamento econômico aparece a PREVISÃO. Entretanto, pode ocorrer que determinadas ações planejadas não tenham seus resultados sempre previsíveis, surgindo então, o que os economistas chamam de incerteza. Do ponto de vista econômico, INCERTEZA significa aquilo que é imprevisível ou de previsão imperfeita. A INCERTEZA ocorre quando o empresário, ao procurar conhecer todos os fatos e circunstâncias que interferem na produção e colocação de seus produtos, 137 verifica que para determinadas atitudes que tomar, não terá possibilidade de uma previsão perfeita, de tal modo que o resultado de uma ação não pode antecipadamente ser conhecido. Teoria da incerteza (F.H.KNIGHT): “Quando surgir a incerteza quanto às ações a serem empreendidas, com possibilidades de custos inesperados e prejuízos, e sem possibilidades de o empresário prevenir contra tais riscos com seguros, ele deverá receber uma confirmação de tais riscos através dos lucros”. Assim, o lucro é a recompensa do risco, conforme já visto anteriormente. Deduz-se pois, que quando aparece a INCERTEZA o preço de oferta do produto se eleva, porque nele está incluído a compensação pelo risco que o empresário corre. Estudo do juro Conceito: - É a remuneração em dinheiro, pelo uso do dinheiro alheio. - É a renda que confere aquele que empresta o seu dinheiro. Características: Quem recebe dinheiro emprestado assume duas obrigações para aquele que lhe deu o dinheiro de empréstimo, assim: 1. devolver o dinheiro emprestado, no final do prazo combinado; 2. pagar juros, no prazo fixado, enquanto corre o prazo do empréstimo. Obs: o pagamento de juros encobre dois pagamentos: 138 a) o pagamento de um “prêmio de risco” – que pode variar de acordo com a segurança oferecida pelo mutuário e pela situação dos negócios; b) o pagamento de um “benefício”- haurindo pelo mutuário a quantia do dinheiro que recebeu emprestado (é o juro puro). A soma do “juro puro” como o “prêmio do risco” constitui o “juro bruto”. O “juro puro” é o quantum que se paga a mais ao credor, além da soma tomada emprestada. A “taxa de juros” é a relação entre um acréscimo e a soma de dinheiro emprestado. Se os juros não são pagos periodicamente, mas ao contrário, são incorporados ao capital emprestado, passando a render juros, tem-se a “capitalização de juros”. *ANATOCISMO É a ocorrência de juros sobre juros; é a capitalização dos juros, também chamada de juros compostos. *LEGITIMIDADE DOS JUROS – TEORIA ANTIGAS 1 – Na antiguidade, as legislações proibia a cobrança de juros nos empréstimos. Aristóteles, filósofo grego, acreditava que a cobrança dos juros era um modo natural de aquisição de riquezas econômicas; como os empréstimos não eram produtivos e sim de consumo condenava os juros sob o ponto de vista moral e econômico. 2 – Na Idade Média S. Tomás de Aquino seguiu a mesma linha, combatendo a cobrança de juros, como usura ilícita. (Daí porque o domínio do mercado da moeda ficou restrito aos judeus e outros povos não cristãos, já que a Igreja proibia aos cristãos, tal prática). 139 3- Mesmo após a Reforma e a Renascença, quando a intelectualidade começou a libertar-se da idéias da Idade Média, existiam ainda pensadores contrários à cobrança de juros, segundo a doutrina canônica. São exemplos mais destacados: Jean Bodin (séc. XVI); Porheir (séc. XVII) e Mirabeau (séc. XVIII). 4 – Teoria da Frutificação – Turgot, baseado no pensamento de Calvino, admitia os juros legítimos, quando o tomador empregava o dinheiro em uma atividade produtiva, dando resultados, dos quais o capitalista teria o direito de participar. 5 – Teoria da Produtividade – J.B. Say elaborou esta teoria e que foi adotada maioriados clássicos. Afirmava que, se o capital emprestado é aplicado à produção, na compra de máquinas, matérias-primas, etc, a empresa teve um lucro maior e sendo assim, o capitalista tem o direito de participar desse lucro. É quando o capital emprestado torna-se produtivo. 6 – Teoria da Abstinência (A. Smith) – Segundo esta teoria, os juros devem ser pagos porque representam uma remuneração à abstenção que o capitalista faz durante um certo tempo, de seu capital. O capital representa um poder de gozo quando é usado, mas quem vai usá-lo é outro e não o capitalista, portanto, o capitalista tem o direito à uma redistribuição pela sua abstinência. 7 – Teoria do Ágio (Von Bohm-Bawerk) – Defende a legitimidade dos juros, afirmando que o homem dá mais valor aos bens futuros. Ora,quando se empresta o capital, deixa-se de tê-lo no presente, para somente no futuro, poder dispor do mesmo. Os juros retribuem essa diferença de valores. 8 – Teoria da Exploração – Rodbertos, K. Marx, Laualle, concluíram que a cobrança de juros constituía uma espoliação do capitalista em prejuízo do tomador, 140 porque o capitalista, sem trabalhar, participava do rendimento do tomador (aquele que tomou dinheiro emprestado). 9 – Teoria da Recompensa pela Renúncia à Liquidez – J. M. Keynes afirmou que o juro é um fenômeno monetário, e que o objetivo de toda pessoa é possuir um capital que seja o mais líquido possível, entendendo-se por liquidez, a possibilidade do bem ser imediatamente trocado por qualquer outra coisa ou serviço. O interesse por um bem de liquidez se dá porque a pessoa precisa de uma reserva para atender ás suas despesas normais ou eventuais, bem como para fazer a aplicação em um negócio produtivo que possa surgir. O dinheiro, e o bem maior liquidez. Se o capitalista renuncia a essa liquidez, deve ser remunerado, e a remuneração é o juro, que deverá ser pago por que for desfrutar dessa liquidez. Estudo dos aluguéis Conceito: 1. É o preço que se paga pela locação de um bem, isto é a prestação devida pelo locatário ao locador, pelo uso de um bem no espaço de tempo. 2. É a renda da remuneração que se paga pelo uso de um bem. 3. O termo aluguel é usado em dois sentidos: a) Como sinônimo de locação: é o contrato pelo qual se cede a outrem o uso de um bem útil, e se recebe a renda chamada aluguel. b) Como preço da locação de uma propriedade: - locador, arrendador, senhorio ou alugador é o que dá o seu bem em locação; 141 - locatário, arrendatário ou inquilino é o que recebe o bem alheio em locação. Do ponto de vista jurídico É a administração entre locação rural e locação não-rural, levando-se em conta a finalidade agrária das locações, sem atender para es suas localizações nas zonas urbanas, suburbanas ou rurais. Aluguel dos imóveis edificados O imóvel edificado é um investimento de capital. Haverá edificações para o aluguel , quando este for superior a outros rendimentos, caso contrário, não haverá edificações. A fixação de aluguéis pode trazer problemas para a economia nacional, assim: a) se o governo tabelar o aluguel em favor do consumidor, não haverá construções, nem a conservação de imóveis, sobrevindo a crise da habitação; b) se os imóveis edificados ou não, se valorizam mais que os outros bens, os capitais são aplicados em imóveis, apesar do tabelamento de aluguéis( problema que ocorre em épocas inflacionárias). A tributação dos imóveis pode ter os mesmos efeitos, assim: a) se o aumento do imposto predial e taxa pode ser repassado ao inquilino e se este os suportar, a construção continua; b) se não pode ser repassado ao inquilino, o fato torna- se mais grave que o tabelamento, porque a renda do locador vai diminuir. Aluguel de móveis Diz respeito a locação de: 142 1)coisas duráveis de consumo (móveis, geladeiras, automóveis, etc) bem como a locação de 2)coisas duráveis de produção (máquinas, instalações completas para o comércio, para a indústria, para os serviços). *RENTING: locação de bem móvel que pode ser livremente desfeita pelo locatário a qualquer momento; são usos de pequena duração como ocorrem com quase todos os bens de consumo. *LEASING: locação de coisa móvel que deve durar pelo prazo convencionado, de uma certa duração; trata- se geralmente, de locação de bens móveis, para a produção. Tem como característica uma opção de compra a favor do locatário; se este resolve comprar, os aluguéis pagos são contados como prestação do preço de compra. VANTAGENS A locação das coisas móveis para as empresas ofereça muitas vantagens: Permite a instalação de uma nova empresa, sem necessidade de capital para tal; Livra a empresa dos inconvenientes da obsolescência tecnológica dos bens de produção. Permite o uso, pelas empresas, de bens de produção novos ou aperfeiçoados. Comércio 1. O comércio é a atividade econômica que consiste em adquirir bens dos produtores e revendê-los aos compradores. Une a produção ao consumo. 2. A atividade comercial é complexa, isto é, realiza uma série de aos econômicos, todos eles imprescindíveis, tanto aos produtores como os consumidores. E pela 143 realização dessa atividade, o comércio faz jus a remuneração, que entra na categoria do lucro. 3. O comércio pode ser de várias espécies: *comércio externo; *comércio interno; *comércio por atacado; *comércio varejista; pequeno comércio varejista grande comércio varejista 4. O comércio é na verdade, útil. Nenhum outro agente econômico realiza as atividades que o comerciante realiza. Estas atividades são imprescindíveis e úteis à economia nacional. 5. Por outro lado, a riqueza, diversificação e progresso das economias capitalistas são devidos, em grande parte, ao comerciante.O comércio é a válvula aberta aos que não querem ser empregados. Finalmente, a independência do comércio, inclusive do pequeno comércio varejista, tem repercussões psicológicas e políticas. Dinheiro - Moeda 1. Moeda ou dinheiro é toda coisa recebida como meio geral de pagamento, numa sociedade humana. No curso de história, muita coisa tem servido de moeda: sal, gado, matais, papel. 2. As principais funções da moeda são estas: mede o valor econômico dos bens de serviços; seve como meio para trocas; serve para guardar valor ou capital. 3. Atualmente, são as seguintes espécies de moeda: a moeda metálica, a moeda de papel, que é moeda-papel, se conversível em ouro ou prata, e pape-moeda, se inconversível; e a moeda escritural ou bancária. 144 4. Moeda fiduciária é aquela cujo valor repousa na confiança; moeda manual é a que pode ser portada; moeda divisionária é a que serve para troco. 5. A massa monetária é o conjunto de todas as espécies de dinheiro que, em momento dado, está à disposição da população, das empresas e do governo para os seus gastos. 6. A velocidade da circulação da moeda é o maior ou menor número de vezes que ela é usada, por seus sucessivos donos, para efetuar pagamento. A velocidade varia, conforme a época do ano, a situação dos negócios, a até com o estado psicológico da população. 7. Há dois sistemas monetários: o sistema metalista, que toma por base um metal nobre (ouro ou prata), podendo ser monometalista ou bimetalista; e o sistema ametalista, que tem por base o papel-moeda inconversível. Este é o que está em uso ultimamente. 8. O ouro e a prata, sobretudo o primeiro, estão reservados, atualmente, para os pagamentos internacionais, já que, fora do país, não circula o dinheiro nacional. 8.3 Estrutura do Balanço de Pagamentos A balança pode estar em déficit, em superávit, ou em equilíbrio. A balança cuja situação indica a verdadeira posição do país na economia internacional é a balança de pagamentos, que é totalização de todasas balanças. 1) Transações Correntes (conta corrente) 1.1 Balança Comercial . Exportação (+) . Importação (-) 1.2 Serviços . Vagas internacionais (turismo, negócios, estudos) 145 . Transporte . Seguros . Renda de Capitais (juros, dividendos, lucros) . Serviços Diversos (despesas bancárias) direitos autorais, cursos, etc. 1.3 Transferências Unilaterais 2) Movimento de Capitais (conta capital) 2.1 Investimentos (capital de risco) 2.2 Financiamento 2.3 Amortização 2.4 Empréstimos (CP e LP) 2.5 Lucro Monetário 3) Saldo (superávit ou déficit) Estrutura do F.M.I. 8.4 Políticas Macroeconômicas Inflação – Deflação – Desinflação 1. A inflação é a elevação geral dos preços de todos os bens e serviços. Com ela, o dinheiro vai perdendo o seu poder aquisitivo. 2. A inflação pode resultar da ação das principais causas: O aumento da quantidade de dinheiro (inflação monetária); A diminuição da oferta de bens (inflação de escassez da oferta); A elevação dos custos de produção (inflação de custos); Inércia inflacionária. A mais importante, por sua rapidez e violência, é a inflação monetária. 3. O mecanismo da inflação é o seguinte: havendo mais dinheiro do que bens há disputa para ficar com os bens 146 insuficientemente existentes: vence a disputa quem paga mais. Os preços sobem. 4. A inflação monetária aparece quando aumenta a quantidade de dinheiro em circulação sem que aumente quantidade de bens à venda. As principais causas da inflação monetária são as emissões de dinheiro feitas pelo governo para cobrir os seus déficits e o abuso do crédito por parte das empresas e dos indivíduos. 5. A inflação por escassez de oferta aparece quando, por algum motivo, a oferta e insuficiente para atender a demanda. Isso ocorre quando a população aumentou e a produção estagnou ou não aumentou no mesmo ritmo; ou quando houve diminuição da oferta, por calamidades naturais, guerras, resolução, agitação social. 6. Conforme a sua ação e a sua velocidade de elevação dos preços, a inflação pode ser reprimida, aberta ou galopante. 7. A inflação tem efeitos econômicos, sociais, psicológicos e políticos na sociedade humana. 8. A desinflação é a cura da inflação. Consiste em fazer com que a velocidade de elevação dos preços vá diminuindo e acaba por parar. Então, dá-se a estabilização dos preços. 9. A deflação é a situação econômica caracterizada pela queda dos preços, a estagnação da atividade econômica, desemprego, falência, miséria, crise. Ninguém cura inflação com deflação. Crédito 1. O crédito é a ato econômico em que a prestação inicial fica separada por um intervalo, maior ou menor de tempo de contraprestação. O crédito vai sempre acompanhado dos juros. Compreende tanto o empréstimo de dinheiro Omo a venda de bens a crédito. 147 2. O crédito pode assumir várias formas. Conforme o ponto de vista sob o qual seja examinado: Quanto á finalidade, crédito para a produção e crédito para o consumo; Quanto ao prazo, crédito a curto prazo, a longo prazo, a prazo médio; Quanto aos tomadores, crédito público, crédito privado; Quanto às garantias, crédito pessoal (aval, fiança) e crédito real (penhor, hipoteca). 3. Operações de crédito são os atos pelos quais são concedidos os empréstimos.As principais operações de crédito são: O empréstimo; O redesconto; A abertura de crédito em conta corrente. 4. Títulos de créditos são os documentos que comprovam a existência do crédito e disciplinam a sua estrutura e obrigações. A lei diz como devem ser feitos os títulos de crédito. Os principais títulos de crédito são: a nota promissória, a duplicata, a letra de câmbio, o cheque, a debênture. 5. As vendas a crédito representam um fato da mais alta importância para a atividade econômica do país. Se tudo fosse comprado à vista, a atividade econômica e a produção nacional seriam bem menores. 6. Pela política de crédito, o governo cuida tanto dos empresários de dinheiro, como das vendas a crédito que são feitas no país. Banco 1. Banco é a empresa, individual ou coletiva, que tem por objeto receber depósitos de dinheiro, conceder crédito, emitir dinheiro. Pode ter, ainda,outras 148 atividades menos importantes, relacionadas com estas principais. 2. Os bancos ode ser classificados de acordo coma sua especialização; e sob este ponto de vista, as principais espécies de bancos são as seguintes: bancos de depósitos, bancos de negócios, banco de crédito especial, banco de emissão, banco central. 3. Os bancos de depósitos são os que recebem depósitos dos indivíduos e das empresas, recebem e fazem pagamentos em nome deles e concedem crédito a curto prazo. Podem conceder crédito porque, como nem todos os depositantes retiram os seus depósitos, podem dar emprestado o dinheiro dos depósitos parados. De cada 10 reais depositados, podem ser emprestados 9. É a moeda escritural. 4. Os bancos de negócios são os que usam do seu capital ou do de seus clientes para participar de certos negócios. 5. Os baços de créditos especializados são bancos que dedicam a fazer empréstimos a certas atividades econômicas que exigem conhecimento especial. 6. Os bancos de emissão são os bancos que emitem dinheiro, isto é, moeda de papel. Antigamente, eram bancos particulares e emitiam até moeda metálica. Hoje são, sempre bancos de governo e só emitem papel- moeda. A emissão de papel moeda pressupunha, sempre, a existência de encaixe metálico (ouro ou prata), que garantisse. Variava o entendimento a respeito da importância do encaixe. O papel-moeda não pressupõe encaixe metálico e deve ser medida a sua emissão segundo a necessidade da economia do país. 7. O Banco Central é o banco do governo, o banco oficial. Encarrega-se e emitir dinheiro, servir de banco para outros bancos, servir de banco para o governo, aplicar e fiscalizar a política monetária e creditícia do governo sobre os bancos particulares. 149 As Relações Econômicas Internacionais 1. Todo país mantém relações com outros países: são as relações internacionais. Entre elas, estão as relações econômicas. 2. As relações econômicas internacionais não são só comerciais, de importação e exportação de mercadorias. Há, também, importação e exportação de serviços, de capitais, de doações. Por isso, não poder ser designadas como relações comerciais internacionais. 3. O governo sempre está nas relações econômicas internacionais. Às vezes, ele mesmo importa e exporta. As relações econômicas internacionais assumem aspectos diversos, conforme o grau de desenvolvimento do país. 4. As relações econômicas internacionais giram em torno de quatro itens principais: Produtos naturais e mercadorias; Serviços; Capitais; Doações. 5. Várias são as causas porque os países entram em relações econômicas com os outros: porque não tem o que importam, porque no exterior é mais barato, porque quere atender à situação econômica interna, porque são dominados por outro país. 6. Protecionismo é a dificultação ou impossibilitação de importações, com a finalidade de proteger a formação de indústrias nacionais. Livre-cambismo é a liberdade plena nas importações e importações. 7. Câmbio é a permuta de moeda nacional por moeda estrangeira. Está conversão, para pagamento no exterior, pode ser feita mediante compra de ouro, de dinheiro estrangeiro, ou de divisas (créditos sobre o exterior em moeda estrangeira). Taxa de câmbio é a quantia de 150 dinheiro nacional que se deve dar por unidade de dinheiro estrangeiro. Na liberdade cambial. A oferta e a demanda de moeda é que fixam esta taxa. No controle cambial, o governo é que fixa este quantum para a conversão. 8.5.Globalização Pode-se dizer que é um processoEx.: alimento, cigarro) e bens de consumo duráveis (utilização prolongada. Ex.: geladeira, carro). - Intermediários: requerem transformação antes de se converterem num bem de consumo ou de capital. Ex.: aço, cimento, cal. - Finais: satisfazem necessidades de consumo ou de investimentos, sem exigir mais nenhuma transformação. Ex.: computadores, móveis. - Privados: produzidos e possuídos privadamente. Ex.: moradias, carros, computadores. - Públicos (coletivos): aqueles cujo o consumo é feito simultaneamente por vários indivíduos. Ex.: praças, parques, praias. Valor Econômico É a maior ou menor estimativa que temos pelos bens. É a relação entre a utilidade percebida por um indivíduo ou grupo e a necessidade e poder de compra que possui. Atributo que dá aos bens materiais sua qualidade de bens econômicos. Teoria sobre o Valor O valor tem sido explicado à luz de inúmeras teorias, que podem ser agrupadas em dois sentidos: as objetivas e as subjetivas. As objetivas procuram as razoes do valor simplesmente por fenômenos objetivos, como por exemplo, o tempo gasto na elaboração de um bem, desligados de qualquer apreciação ou estimativas 12 individual. As subjetivas enfatizam essa estimativa individual. Todas as teorias relacionadas a seguir não são completas por si mesma, mas oferecem como subsídios à uma teoria eclética, que engloba as parcelas de verdade que as outras trazem. Teoria da Utilidade: o valor dos bens e serviços depende de sua utilidade e varia conforme esta. Como conseqüência todo bem útil teria sempre valor econômico e portanto em preço; o bem útil poderia ser trocado sempre por uma quantia maior ou menor de dinheiro. Questionamento: há coisas de máxima utilidade para o homem e que, no entanto não possuem nenhum valor econômico e, portanto preço. Teoria da Raridade: afirma que o valor das mercadorias e serviços advém da sua maior ou menor raridade, ou escassez, ou limitação. Consequência: as coisas abundantes ou de produção fácil valem pouco; as coisas de produção difícil valem muito. Teoria do Custo: esta teoria parte do “paradoxo do valor”: a) a água é útil para o homem e não apresenta nenhum valor econômico; b) o diamante, nenhuma utilidade tem para o homem e, no entanto, possui grande valor econômico. A teoria conclui: a) o valor não pode vir da utilidade senão a água o teria; b) o valor vem do custo de produção do bem. Teoria do Valor-Trabalho: o valor econômico tem como causa “o tempo de trabalho cristalizado no bem” ou ainda, o valor de um bem está na exata medida da quantidade de trabalho manual gasta em sua produção, pela verificação das horas consumidas. Se uma mercadoria pode ser trocada por outra, se uma mercadoria pode ser equivalente a outra é porque elas possuem “algo de comum”. Esse “algo comum” é o trabalho humano sem a qual nada é produzido, e que se 13 incorpora na mercadoria (é o trabalho cristalizado). Para esta teoria, o trabalho é a única “medida de valor”. Teoria Marginalista: procura explicar o valor econômico através da noção de utilidade marginal. No estudo desta teoria devemos distinguir entre: a) fundamento ou causa do valor econômico e, b) medida do valor econômico. A causa procura explicar porque os bens têm valor para o sujeito econômico. A medida procura expressar o maior ou menor valor econômico que o bem tem para o sujeito econômico. Teoria Eclética: nenhuma das teorias vistas satisfaz plenamente, por isso á apresentado um “entendimento eclético do valor”, em que as teorias entram, não como descritas, mas com o que tem de lógico e bom. Quais são os elementos que indicam então valor econômico, segundo a teoria eclética? O valor de uso, o valor de troca, o subjetivismo, a oferta e a procura, a produção limitada ou ilimitada. Preços Nas economias monetárias há um tipo de medida que intervém para analisar os bens que se deseja; serve como “medida de valor”, isto é, como a expressão do valor. Essa medida do valor toma nome de “preço”, e por ele são avaliados os bens econômicos que se pretende obter, necessariamente terá uma expressão que dê o exato alcance de sua dimensão. Não confundir preço com valor de troca. O valor de troca é uma relação que nasce quando se permuta, e o preço representa a moeda disponível para a permuta, de acordo com os padrões monetários adotados. Moeda e preço marcam toda a economia moderna e por isso são adotados universalmente. Dessa 14 presença básica, moeda e preço, surge o mercado, onde aparecem a oferta e a procura. E dentro do mercado, que não é um espaço geográfico, mas econômico, o preço é o termômetro monetário que indica a escassez e a utilidade dos bens e serviços disponíveis. Importância do preço numa economia. - São indicadores da produção e do consumo, pois tanto os vendedores como os compradores norteiam-se pelos preços que conseguem, a fim de produzir em maior ou menor quantidade ou para adquirir em maior ou menor quantidade; - Dirigem a distribuição dos recursos econômicos, incentivando ou não as atividades produtivas neste ou naquele setor, quer se apresentem com oferta mais ou menos abundante; - Concorrem para que haja a repartição da renda, pois é de se supor que as vendas cubram, pelo menos as despesas de produção e ainda permitam a remuneração do empresário, isto é, o lucro. Necessidade de Escolha e o Custo de Oportunidade Na vida somos forçados a escolher continuamente. Quando optamos por algo, temos de renunciar a outras coisas, como os recursos disponíveis são escassos, somente se pode satisfazer uma necessidade se deixa de satisfazer outra. Não há recursos materiais suficientes, trabalho e nem capital para produzir tudo o que as pessoas desejam. Por isso, é necessário escolher as diferentes opções que se apresentam. Quando decidem gastar ou produzir, governos empresas ou famílias estão renunciando a outras possibilidades. 15 - Custo de oportunidade: de um bem ou serviços é a quantidade de outros bens ou serviços que se devem renunciar para obter. - Curva ou Fronteira de Possibilidade de Produção: reflete as opções que se oferecem à sociedade e a necessidade de se escolher entre elas. Uma economia está situada sobre a fronteira de possibilidades de produção, quando todos os fatores de que dispõe a economia, estão sendo utilizados para a produção de bens e serviços. Leis Econômicas Conceitos: é a relação constante entre a causa e o efeito econômico. - São abstrações e generalizações da realidade; - São leis hipotéticas, porque só se realizam sob certas condições, previamente estabelecidas; - São leis estatísticas; - São demonstráveis matematicamente pelo calculo de probabilidade. Principais Leis Econômicas Lei dos Rendimentos Decrescentes: À medida que aumentando a quantidade de um fator variável, e permanecendo fixa a quantidade dos demais fatores, a produção, de início crescerá a taxas crescentes, a seguir após certa quantidade utilizada do fator variável, passará a crescer a taxas decrescente continuando o aumento da utilização do fator variável, a produção decrescerá. Lei do Interesse Pessoal: Conhecida também como principal Hedomestico, ou Lei do Menor Esforço, corresponde a tendência natural do homem, em procurar o máximo bem-estar com o mínimo de esforço. É aplicada na economia sobre a forma de melhor administração e organização dos meios de produção, 16 menor perda de tempo e material, maior eficiência, com menor tempo de trabalho. Lei da Livre Concorrência: Prega a liberdade individual no seu maior amplo sentido, atingindo o plano econômico (Industria, Comercio, Agricultura). É contra qualquer intervencionismo estatal. Lei das Substituições: O bem econômico de natureza semelhante pode sempre ser substituídoeconômico e social que estabelece uma integração entre os países e as pessoas do mundo todo. Através deste processo, as pessoas, os governos e as empresas trocam idéias, realizam transações financeiras e comerciais e espalham aspectos culturais pelos quatro cantos do planeta. Origens da Globalização e suas Características Muitos historiadores afirmam que este processo teve início nos séculos XV e XVI com as Grandes Navegações e Descobertas Marítimas. Neste contexto histórico, o homem europeu entrou em contato com povos de outros continentes, estabelecendo relações comerciais e culturais. Porém, a globalização efetivou- se no final do século XX, logo após a queda do socialismo no leste europeu e na União Soviética. Com os mercados internos saturados, muitas empresas multinacionais buscaram conquistar novos mercados consumidores, principalmente dos países recém saídos do socialismo. A concorrência fez com que as empresas utilizassem cada vez mais recursos tecnológicos para baratear os preços e também para estabelecerem contatos comerciais e financeiros de forma rápida e eficiente. Neste contexto, entra a utilização da Internet, das redes de computadores, dos meios de comunicação via satélite etc. Uma outra característica importante da globalização é a busca pelo barateamento do processo http://www.suapesquisa.com/grandesnavegacoes http://www.suapesquisa.com/grandesnavegacoes http://www.suapesquisa.com/geografia/socialismo 151 produtivo pelas indústrias. Muitas delas, produzem suas mercadorias em vários países com o objetivo de reduzir os custos. Optam por países onde a mão-de-obra, a matéria-prima e a energia são mais baratas. Um tênis, por exemplo, pode ser projetado nos Estados Unidos, produzido na China, utilizado matéria-prima do Brasil, e comercializado em diversos países do mundo. Para facilitar as relações econômicas, as instituições financeiras (bancos, casas de câmbio, financeiras) criaram um sistema rápido e eficiente para favorecer a transferência de capital. Investimentos, pagamentos e transferências bancárias podem ser feitas em questões de segundos através da Internet ou de telefone celular. Blocos Econômicos e Globalização Dentro deste processo econômico, muitos países juntaram-se e formaram blocos econômicos, cujo objetivo principal é aumentar as relações comerciais entre os membros. Neste contexto, surgiram a União Européia, o Mercosul, o Nafta, o Pacto Andino entre outros. Estes blocos se fortalecem cada vez mais e já se relacionam entre si. Desta forma, cada país, ao fazer parte de um bloco econômico, consegue mais força nas relações comerciais internacionais. ALCA - Acordo de Livre Comércio das Américas A ALCA surge em 1994 com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os 34 países americanos (exceto Cuba). O prazo mínimo para a sua formação é de 7 anos, quando poderá transformar-se em um dos maiores blocos comerciais do mundo. Com o PIB total de 12,5 trilhões de dólares (maior que o da União Européia - U.E.), os países da ALCA somam uma população de 790 milhões de http://www.suapesquisa.com/paises/china http://www.suapesquisa.com/internet http://www.suapesquisa.com/blocoseconomicos http://www.suapesquisa.com/uniaoeuropeia http://www.suapesquisa.com/uniaoeuropeia http://www.suapesquisa.com/mercosul 152 habitantes, o dobro da registrada na U.E. Na prática, sua formação significa abortar os projetos de expansão do MERCOSUL e estender o NAFTA para o restante das Américas. Os EUA são os maiores interessados em fechar o acordo. O país participa de vários blocos comerciais e registrou em 2000 um déficit comercial de quase 480 bilhões de dólares. Precisa, portanto, exportar mais para gerar saldo em sua balança comercial. Com uma área livre de impostos de importação, os norte-americanos poderiam suprir as demais nações da América com suas mercadorias. Em maio de 2002, é aprovado nos EUA o fast- track, que permite que o presidente do país possa negociar acordos comerciais, permitindo ao Congresso apenas aprovar ou não os acordos, sem fazer qualquer tipo de emenda ou modificação no texto original. A criação do fast-track está ajudando os EUA a agilizar a implementação da ALCA. A grande preocupação da comunidade latino- americana, que gera a maioria das reclamações por parte dos críticos à formação do bloco, assim como a preocupação por parte dos governos dos países que irão fazer parte da ALCA, diz respeito as barreiras não- tarifárias (leis antidumping, cotas de importação e normas sanitárias) que são aplicadas pelos EUA. Apesar da livre circulação de mercadorias, essas barreiras continuariam a dificultar a entrada de produtos provenientes da América Latina naquele mercado. APEC - Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico A APEC, Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, foi criada no ano de 1989 na Austrália, como um fórum de conversação entre os países membros da 153 ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e seis parceiros econômicos da região do Pacífico, como EUA e Japão. Porém, apenas no ano de 1994 adquiriu características de um bloco econômico na Conferência de Seattle, quando os membros se comprometeram a transformar o Pacífico em uma área de livre comércio. A criação da APEC surgiu em decorrência de um intenso desenvolvimento econômico ocorrido na região da Ásia e do Pacífico, propiciando um abertura de mercado entre 20 países mais Hong Kong (China), além da transformação da área do sudeste asiático em uma área de livre comércio nos anos que antecederam a criação da APEC, causando um grande impacto na economia mundial. Um aspecto estratégico da aliança, é aproximar a economia norte-americana dos países do Pacífico, a para contrabalançar com as economias do Japão e de Hong Kong. Entre os aspectos positivos da criação da APEC estão o desenvolvimento das economias dos países membros que expandiram seus mercados, sendo que hoje em dia, além de produzirem sua mercadoria, correspondem a 46% das exportações mundiais, além da aproximação entre a economia norte americana e os países do Pacífico e o crescimento da Austrália como exportadora de matérias primas para outros países membros do bloco. Como aspectos negativos, pode-se salientar que um dos maiores problemas da APEC, senão o maior é a grande dificuldade em coincidir os diferentes interesses dos países membros e daqueles que estão ligados ao bloco, como Peru, Nova Zelândia, Filipinas e Canadá. Além disso, o bloco tem pouco valor em relação a Organização Mundial do Comércio, mesmo sendo 154 responsável por grande movimentação no comércio mundial. Países Membros: os países membros da APEC são: Austrália, Brunei, Canadá, Indonésia, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coréia do Sul, Tailândia, Estados Unidos, China, Hong Kong, Taiwan, México, Papua, Nova Guiné e Chile. Relação com o Brasil: a relação da APEC com o Brasil não é muito direta ou explícita, porém alguns países membros da APEC, também fariam parte da ALCA, caso seja realmente formada, além de uma reunião que foi criada pelos membros do Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico que discutiu a globalização e durou sete dias, na qual o Brasil foi um dos temas junto com outros países da América Latina, discutindo-se a relação entre os países. O bloco está dividido quanto a questão do petróleo, pois vários de seus membros são produtores e estão satisfeitos com a alta nos preços, em quanto aqueles que precisam comprar o petróleo brigam para que o preço diminua. CEI - Comunidade dos Estados Independentes A CEI é uma organização criada em 1991 que integra 12 das 15 repúblicas que formavam a URSS. Ficam de fora apenas os três Estados bálticos: Estônia, Letônia e Lituânia.Sediada em Minsk, capital de Belarus, organiza-se em uma confederação de Estados, preservando a soberania de cada um. Sua estrutura abriga dois conselhos: um formado pelos chefes de Estados, e outro pelos chefes de Governo, que se encontram de três em três meses. No ato de criação, a comunidade prevê a centralização das Forças Armadas e o uso de uma moeda comum: o Rublo. Na prática, porém, as ex- 155 repúblicas não chegam a um consenso sobre integração político-econômica. Somente em 1997 todos os membros, exceto a Geórgia, assinam um acordo para estabelecer uma união alfandegária e dobrar o comércio interno até o ano de 2000. MERCOSUL - Mercado Comum do Sul Criado em 1991, o MERCOSUL é composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, países sul- americanos que adotam políticas de integração econômica e aduaneira. A origem do MERCOSUL está nos acordos comerciais entre Brasil e Argentina elaborados em meados dos anos 80. A partir do início da década de 90, o ingresso do Paraguai e do Uruguai torna a proposta de integração mais abrangente. Em 1995 instala-se uma zona de livre comércio. Cerca de 90% das mercadorias fabricadas nos países-membros podem ser comercializadas internamente sem tarifa de importação. Alguns setores, porém, mantém barreiras tarifárias temporárias, que deverão ser reduzidas gradualmente. Além da extinção de tarifas internas, o MERCOSUL estipula a união aduaneira, com a padronização das tarifas externas para diversos itens. Ou seja: os países-membro comprometem-se a manter a mesma alíquota de importação para determinados produtos. Os países-membro totalizam uma população de 206 milhões de habitantes e um PIB de 1,1 trilhão de dólares. A sede do MERCOSUL se alterna entre as capitais desses países. Segundo cláusula de 1996 só integram o MERCOSUL nações com instituições políticas democráticas. Chile e Bolívia são membros associados, assinando tratado para a formação 156 de zona de livre comércio, mas não entram na união aduaneira. U. E. - União Européia Conhecido inicialmente como Comunidade Econômica Européia (CEE), o bloco econômico formado por 15 países da Europa Ocidental passa formalmente a ser chamada de UNIÃO EUROPÉIA (EU) em 1993, quando o Tratado de Maastricht entra em vigor. É o segundo maior bloco econômico do mundo em termos de PIB, com uma população de 374 milhões de pessoas. Histórico: 1951 - Criada a Comunidade Européia do Carvão e do Aço; 1957 - Tratado de Roma (Comunidade Econômica Européia - Europa dos 6); 1992 - Consolidação do Mercado Comum Europeu (eliminação das barreiras alfandegárias); 1993 - Entra em vigor o Tratado de Maastricht (Holanda), assinado em 1991; Membros: França, Itália, Luxemburgo, Holanda, Bélgica, Alemanha (1957), Dinamarca, Irlanda, Reino Unido (1973), Grécia, Espanha, Portugal (1981/1986), Áustria, Suécia e Finlândia. Em 2004 ocorreu o ingresso de mais 10 países: Letônia, Estônia, Lituânia, Eslovênia, República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Hungria, Malta e Chipre. NAFTA - Acordo de Livre Comércio da América do Norte O NAFTA é um instrumento de integração entre a economia dos EUA, do Canadá e do México. O primeiro passo para sua criação é o tratado de livre 157 comércio assinado por norte-americanos e canadenses em 1988, ao qual os mexicanos aderem em 1992. A ratificação do NAFTA, em 1993, vem para consolidar o intenso comércio regional já existente na América do Norte e para enfrentar a concorrência representada pela União Européia. Entra em vigor em 1994, estabelecendo o prazo de 15 anos para a total eliminação das barreiras alfandegárias entre os três países. Seu mais importante resultado até hoje é a ajuda financeira prestada pelos EUA ao México durante a crise cambial de 1994, que teve grande repercussão na economia global. G – 7 - Grupo dos 7 O G-7 é formado pelos 7 países mais industrializados do mundo e tem como objetivo coordenar a política econômica e monetária mundial. Em reunião realizada em 1997, em Denver (EUA), a Federação Russa é admitida como país-membro, mas não participa das discussões econômicas. O G-7 realiza três encontros anuais, sendo o mais importante a reunião de chefes de governo e de Estado, quando os dirigentes assinam um documento final que deve nortear as ações dos países membros. O grupo nasce em 1975 da iniciativa do então primeiro-ministro alemão Helmut Schmidt e do presidente francês Valéry Giscard d'Estaign. Eles reúnem-se com líderes dos EUA, do Japão e da Grã-Bretanha para discutir a situação da política econômica internacional. A partir dos anos 80, esses países passam a discutir também temas gerais, como drogas, democracia e corrupção. Com a admissão da Itália e Canadá, passa a ser chamado de Grupo dos Sete. O presidente russo Boris Ieltsin participa como convidado especial da reunião do G-7 desde 1992. A oficialização da entrada da Federação Russa pelo presidente dos EUA, Bill 158 Clinton, é uma resposta ao fato de Ieltsin ter aceitado o ingresso dos países da ex-URSS na OTAN OMC - Organização Mundial do Comércio Com sede em Genebra, na Suíça , a OMC visa promover e regular o comércio entre as nações. É criada em 1995, em substituição ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que já realizara várias rodadas de negociação multilaterais para a redução de barreiras comerciais. Em 1998, a OMC conta com 132 membros. Em 2002, a China, que possui a maior população do planeta e o 6º maior PIB mundial, ingressa na OMC, o que implicaria na aplicação das regras mundiais do comércio internacional com a China. ONU - Organização das Nações Unidas A ONU é o organismo internacional que surge no final da II Guerra Mundial em substituição à Liga das Nações. Tem como objetivos manter a paz, defender os direitos humanos e as liberdades fundamentais e promover o desenvolvimento dos países em escala mundial. Sua primeira carta é assinada em junho de 1945, por 50 países, em San Francisco, nos EUA. Atualmente, a ONU é integrada por 185 dos 192 Estados do mundo. Nos últimos anos enfrenta uma crise financeira e política. Vários países-membro têm atrasado o pagamento das contribuições acumulando uma dívida total de US$2,5 bilhões, dos quais US$1,5 bilhão só dos EUA, o maior devedor. A crise política está relacionada à necessidade de redefinição de seu papel no mundo pós-guerra Fria. Em 1997, um plano de reforma apresentado pela Secretaria Geral da entidade propõe a redução radical do número de departamentos, funcionários e funções da organização. O objetivo é concentrar suas atividades nos 159 processos de paz e no desenvolvimento geral das nações. O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 países-membro, sendo que 5 são membros permanentes com direito a veto (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e Inglaterra) e 10 são membros temporários com mandato de 2 anos. Estuda-se a possibilidade da criação de mais vagas permanentes, além do fim do veto. 160 Agronegócio / aves - 23/02/2011 Avicultura brasileira comemora fim de dumping ucraniano Ucrânia oficializou a decisão de não aplicar medida contra importação de cortes de frango do Brasil por Globo Rural Online A União Brasileira de Avicultura (Ubabef) recebeu nesta quarta-feira (23/02) um comunicado da embaixada do Brasil na Ucrânia, informando que a Comissão Interministerial do Comércio Exterior daquele país oficializou a decisão de não aplicar medida antidumping contra a importação de cortes de frango brasileiro. O Brasil em 2007 exportava 10 mil toneladas de carne de frango. Com as restrições impostas houve uma queda para 248 toneladas em 2010. “A decisão irá incrementar as exportações para o país, que é um importante mercado comprador. Porém,devido às restrições, reduziu as encomendas nos últimos anos. Vamos iniciar imediatamente tratativas com os importadores para que, o mais rapidamente possível, voltemos a bons índices de exportação para aquele país”, afirmou Francisco Turra, presidente executivo da Ubabef. FONTE:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI21361518077,00AVICULTURA+BRASI LEIRA+COMEMORA+FIM+DE+DUMPING+UCRANIANO.html 161 Notícia retirada do portal www.economia.ig.com.br Agronegócio / mercado - 18/08/2011 Carnes e grãos interrompem queda do IGP-10, diz FGV Preços de commodities agrícolas tem variado conforme problemas climáticos e procura especulativa por Agência Estado Algodão foi uma das commodities que continuouu em baixa em agosto, junto com milho e café Carnes e grãos mais caros no atacado levaram ao fim da deflação no Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), que passou de -0,12% para 0,20% de julho para agosto. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, no período houve fim de queda de preços em bovinos (de -1,43% para 2,26%); aves (de -1,42% para 6,53%); suínos (de -10,97% para 17,52%) e em soja (de -1,03% para 2,60%) no setor atacadista. Mas o especialista fez uma ressalva. Segundo ele, não é possível dizer que esteja ocorrendo um movimento de alta de preços generalizada dentro das commodities agropecuárias no atacado. Entre exemplos de commodities agrícolas ainda em baixa em agosto estão algodão (-3,44%); milho (-1,07%) e café (-3,09%). Na prática, os preços dos itens têm caído e subido de acordo com as suas próprias evoluções de oferta e demanda, que variam conforme fatores como problemas climáticos e procura especulativa. "O que podemos dizer é que no IGP-10 de agosto os aumentos de preços ficaram concentradas em commodities de maior peso no cálculo da inflação atacadista e não em todas as commodities agropecuárias", avaliou Quadros. FONTE:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI258558 18077,00CARNES+E+GRAOS+INTERROMPEM+QUEDA+DO+IGP+DIZ+FGV.html 162 Dólar deve continuar em queda, dizem analistas Especialistas descartam ataque especulativo e apontam excesso de liquidez internacional; entenda por que a moeda americana se desvalorizou mais de 8% desde janeiro Pedro Carvalho e Danielle Brant, iG São Paulo | 01/03/2012 05:55 Foto: Getty ImagesAmpliar Desvalorização do dólar preocupa Banco Central, que tenta conter a queda da moeda Nos últimos dias, o mercado financeiro tem acompanhado uma queda-de-braço. De um lado, o Banco Central brasileiro luta para manter o dólar no patamar de R$ 1,70. Do outro, uma enxurrada de moeda estrangeira entra no País, forçando seu preço para baixo. O resultado? Desde janeiro, o preço da moeda já recuou 8,19% frente ao real. - LEIA TAMBÉM: Bolsa foi a melhor aplicação de fevereiro Para os analistas, a tendência, pelo menos no curto prazo, é o dólar continuar se depreciando. "A moeda americana pode atingir o patamar de R$ 1,65", acredita o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho. Para ele, essa dinâmica reflete um misto de movimentos especulativos com a valorização natural do real, após anos de reformas fiscais e tributárias realizadas pelo governo brasileiro. “O Brasil é um polo de atração para os investidores, que buscam ganhar com moedas de emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno”, afirma o economista. Dentro desse grupo, o Brasil é visto como um “porto seguro”, com boas reservas cambiais e baixa relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB). Mais: Investimento dos países do euro no Brasil cresce 120% em 2011 A desvalorização da moeda americana também foi influenciada pela melhora do humor do mercado, graças a sinais positivos vindos da Europa. Por isso, na opinião dos economistas, a moeda americana está longe de voltar a se valorizar ante ao real. “A tendência ainda é de baixa do dólar. O Banco Central vai continuar absorvendo esses dólares, não para mudar a tendência, mas para estancar a queda”, diz José Carlos Amado, operador de câmbio da Renascença Corretora. Nos últimos dias, o Banco Central tem ido ao mercado fazer operações de compra de dólares e swap reverso, para segurar o câmbio. "Além disso, já circulam notícias de que a autoridade monetária prepara novas medidas cambiais”, afirmava Amado. (Atualização: nesta quinta-feira, o Governo aumentou o IOF para conter a queda do dólar) Fonte:http://economia.ig.com.br/mercados/dolar-deve-continuar-em-queda-dizem- analistas/n1597658321727.html 163 9. GLOSSÁRIO 1. Administração: é um processo em que se combinam os recursos escassos para obtenção de objetivos, normalmente o lucro. 2. Análise econômica: é o processo pelo qual pode-se conhecer os resultados financeiros da atividade. Esse resultado pode ser lucro, prejuízo ou resultado nulo. 3. Antieconômica: é uma situação na qual a empresa não está remunerando os recursos nela investidos. 4. Benfeitorias: diz respeito à parte da infra-estrutura necessária para a implantação da atividade, relacionada à construção civil. Ex: Estábulos, galpões, sala de ordenha etc. 5. Capital fixo: é o capital investido em recursos que duram mais que o ciclo de produção. Ex: benfeitorias, máquinas, equipamentos, animais de produção, reprodutores etc. 6. Capital: são os recursos financeiros utilizados no processo de produção. 7. Ciclo produtivo: corresponde ao período em que se empregam os re-cursos e se tem a resposta a esses em forma de produto. 8. Curto prazo: é o mínimo tempo necessário para que um ciclo produtivo se complete, isto é, o período entre o emprego dos recursos e a resposta a esses em forma de produto. 164 9. Custo de Produção: é todo e qualquer sacrifício feito para produzir determinado produto ou serviço, desde que seja possível atribuir um valor monetário a esse sacrifício. 10. Custo unitário ou médio: custo de uma unidade de produto. No caso em questão, custo de uma arroba de carne. 11. Custos controláveis: são os custos sobre os quais o gerente (administrador) tem completa responsabilidade. 12. Custos fixos: são aqueles custos cujo total não varia proporcionalmente ao volume de produção, tendo duração superior a curto prazo; portanto, sua renovação acontece a longo prazo. 13. Custos variáveis: são aqueles custos que variam proporcionalmente ao volume produzido. Têm duração inferior ou igual ao curto prazo, sendo, portanto, sua recomposição feita a cada ciclo produtivo. 14. Depreciação: as benfeitorias, máquinas, equipamentos, animais destinados à reprodução e serviços, dentre outros bens, estão sujeitos a desgastes físicos ou até mesmo correm o risco de ficarem ultrapassados com o passar do tempo. A depreciação representa a parcela que a empresa deverá reservar no período, para substituir o bem em questão, no final de sua vida útil. 15. Descapitalização: situação em que o empresário não está conseguindo recuperar o capital investido na 165 atividade. Permanecendo nessa situação, a empresa tende a desativar o empreendimento. 16. Desembolso: é o pagamento da compra de um bem ou serviço. 17. Despesas diversas: são consideradas despesas diversas aqueles itens que não se enquadram nos grupos: mão-de-obra; alimentação; sanidade; reprodução; ordenha e impostos. Exemplos de itens considerados como despesas diversas: brincos para identificação, cama para free stall, combustível, etc. 18. Despesas operacionais: são aquelas despesas que efetivamente provocam um desembolso em dinheiro. 19. Despesas: em contabilidade, despesas são gastos (ou sacrifícios econômicos) que provocam redução do patrimônio. Ex: impostos, comissão de vendas, etc. Neste trabalho, não estamos diferenciando custo de despesa. Portanto, despesassão gastos relacionados com a produção de bens ou serviços. 20. Dispêndio: é o mesmo que desembolso. 21. Empresa rural: organização econômica e social que, reunindo terra, capital, trabalho e direção, se propõe a produzir bens ou serviços na expectativa de lucros. 22. Empresário rural: pessoa responsável por tomar decisões, tanto no que diz respeito aos aspectos internos da empresa rural (Ex: tecnologia a ser adotada), como nos aspectos externos (Ex: em que mercado o produto deverá ser vendido). Utiliza instrumentos 166 administrativos já conhecidos, evitando agir só na intuição. 23. Esforços gerenciais: são ações administrativas que visam a melhorar o desempenho da atividade. 24. Esforços tecnológicos: utilização de técnicas modernas visando a melhorar o desempenho da atividade. 25. Gastos: (sacrifício econômico) compromisso financeiro assumido por uma empresa na aquisição de bens ou serviços. 26. Impostos: valores que devem ser recolhidos ao fisco. Podem variar ou não com o volume produzido. Neste trabalho, estamos alocando no item impostos somente aqueles independentes do volume da produção. Ex: IPVA e ITR 27. Indicadores de eficiência econômica: são indicadores que medem a desenvoltura da atividade, financeiramente, auxiliando o empresário na tomada de decisão. 28. Insumos: são os recursos materiais (ingredientes) utilizados no processo de produção. Ex: rações, medicamentos, sal etc. 29. Longo prazo: é o prazo que envolve dois ou mais ciclos produtivos. 30. Lucro: situação na qual as receitas totais são maiores que os custos totais. 167 31. Mão-de-obra familiar: trabalho realizado por membros da família, normalmente não dispondo de um salário definido nem de desembolso. 32. Margem bruta: é uma medida de resultado econômico obtida da seguinte maneira: margem bruta = receita bruta - custos operacionais efetivos (aqueles custos que necessitaram efetivamente de desembolso em dinheiro). 33. Margem líquida: é uma medida de resultado econômico obtida da seguinte maneira: margem líquida = receita bruta - custos operacionais totais. 34. Orçamento: no trabalho em questão, orçamento diz respeito aos valores necessários para construir benfeitorias e/ou adquirir máquinas, equipa-mentos ou veículos. 35. Ponto de equilíbrio: é o volume de produção na qual as receitas totais se igualam aos custos totais. Nessa situação, o lucro é nulo, e baseando-se nesse nível de produção, a atividade passa a dar lucro. 36. Pontos de estrangulamento: são pontos no processo de produção que impedem a empresa de obter resultados satisfatórios. 37. Prejuízo: situação na qual as receitas totais são menores do que os custos totais. Se a empresa persistir nessa situação por vários períodos, ela tende a desaparecer. 168 38. Rateamento (rateio): representa a alocação (distribuição) dos custos indiretos aos produtos em fabricação, segundo critérios racionais. 39. Receita bruta: no trabalho em questão, é o mesmo que receita total da atividade. 40. Receitas totais: representam o resultado total da atividade em valores monetários. Devem ser consideradas tanto as receitas com os produtos, como as dos subprodutos. 41. Receitas: representa o resultado da atividade em valores monetários. 42. Remuneração da terra: representa o rendimento que o recurso aplicado em terra estaria remunerando a empresa, se utilizado em outra atividade. Um critério bastante utilizado para a remuneração do fator de produção terra é o valor do arrendamento praticado na região onde está localizada a propriedade. 43. Remuneração do capital de giro: refere-se ao valor que o empresário receberia se esses recursos estivessem aplicados em outra atividade. Normalmente o critério utilizado é a remuneração da poupança. Neste trabalho, consideramos apenas 50% do valor do capital de giro utilizado, uma vez que esses recursos não são utilizados de uma vez só, mas ao longo do ciclo de produção. 44. Remuneração do capital investido: refere-se ao valor que o empresário receberia se esses recursos estivessem aplicados em outra atividade. Normalmente o critério utilizado é a remuneração da poupança. 169 45. Remuneração do empresário: é a remuneração destinada ao empresário rural, estipulada para o gerenciamento da atividade. Conhecida também como pró-labore. 46. Rentabilidade: de modo mais amplo, representa o lucro. Pode ser uma medida absoluta, como também um índice ou indicador. Ex: O lucro foi de X reais ou o lucro foi igual a 8% do capital aplicado, investido ou empatado. 47. Resultado: é a diferença entre receitas totais e os custos totais. O resultado pode ser de lucro, prejuízo ou resultado nulo. 48. Serviços: são as operações (trabalho) utilizadas no processo de produção. Ex: manutenção de cercas, reparos, transportes etc. 49. Sistema de produção de gado de corte: diferentes formas de se produzir o gado de corte. Ex: sistema intensivo, semi-intensivo ou extensivo. 50. Valor atual: representa o valor do bem naquele dado momento. No caso de considerarmos o valor atual para calcular a depreciação, teremos que considerar os anos restantes como vida útil. 51. Valor de sucata: representa o valor do bem depreciado no final de sua vida útil. 52. Vida útil: é a estimativa do período de duração do bem. Normalmente é estipulado em anos. 170 10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA AGUIAR, D. R. D. Mercados futuros como instrumentos de comercialização agrícola no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL, 37., 1999, Foz do Iguaçu - PR. Anais ... 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Um alto nível de emprego A importância da manutenção de um elevado nível de emprego destacou-se mais durante a Grande Depressão dos anos 30, quando muitos países não alcançaram este objetivo. Durante a forte contração da economia entre 1929 e 1933, o produto total dos Estados Unidos caiu 30%, por exemplo, e os gastos com as novas instalações e equipamentos diminuíram em quase 80%. Enquanto a situação econômica piorava, mais e mais trabalhadores perdiam seus empregos. Em 1933, 25% da força de trabalho estava desempregado e o problema não foi resolvido de imediato. A queda até o 17 fundo da Depressão durou quase quatro anos e o processo de recuperação até altos níveis de emprego foi ainda mais demorado. Foi só no inicio dos anos 40, quando a produção de material bélico aumentou vertiginosamente, que muitos dos americanos desempregados conseguiram encontrar trabalho. Uma depressão existe quando a taxa de desemprego permanece alta durante um longo período. O termos desempregado de aplica àquelas pessoas que estão dispostas a trabalhar e tem a capacidade necessária, mas não encontram emprego. Assim, um estudante universitário de tempo integral não se classifica como desempregado; o trabalho imediato dele é o de se educar, não de encontrar emprego. Da mesma maneira, um aposentado de setenta anos de idade seria excluído das estatísticas de desemprego. Os indivíduos que se encontram na cadeia ou em instituições para doentes mentais também não são contados, porque não poderiam comparecer ao trabalho. Uma pessoa está desempregada se ela é qualificada e, embora procurando não encontra um emprego. A taxa de desemprego se calcula como uma porcentagem do total da população economicamente ativa, ou seja, a soma dos indivíduos empregados e desempregados. (As estatísticas de população economicamente ativa e desemprego são calculadas em função da definição tradicional de “empregos”. Assim, uma mulher que fica em casa e cuida de seus próprios filhos, não sta na “força de trabalho” nem “empregada”, embora, certamente, trabalhe). No Brasil, as informações anuais sobre o número de desempregados só começaram a ser coletadas a partir de 1967, quando a primeira pesquisa nacional de amostra a domicilio (PNDA) foi realizada. 18 A nossa economia não sofreu tanto como a dos paises industrializados, o nível de produção industrial caiu levemente de 1929 a 1930 recuperando-se em 1931. esse fato explica porque não houve a rigor, preocupação com o desemprego conjuntural (próprio das flutuações cíclicas no nível da atividade econômica) como seria de esperar se houvesse desemprego estrutural (próprio do descompasso entre o numero dos novos trabalhadores que ingressam no mercado e o número de empregos criados). B. Estabilidade de Preços O desemprego corresponde a uma perda pura e simples; a sociedade perde os bens que os desempregados poderiam ter produzido. O problema com a inflação não é tão obvio. Quando o preço aumenta, alguém ganha e alguém perde. O comprador tem que pagar mais, há um ganho equivalente para o vendedor. Quando os produtores vêem o preço dos bens que produzem subindo, acham que esses aumentos são perfeitamente justos, normais ou razoáveis. Quando o consumidor descobre o aumento no preço do bem que compra, acha que este aumento demonstra a cobiça dos vendedores. A dupla natureza de aumentos de preço é – um ganho para o vendedor, uma perda para o consumidor – dificulta a avaliação do perigo da inflação. Diz-se que um pouco de inflação facilita a redução do nível de desemprego. Outros dizem que políticas inflacionarias não elevam o nível de emprego, e que conduzem à uma inflação descontrolada. Uma hiperinflação destrói rapidamente o poder de compra do dinheiro; todos desejam gastar o dinheiro o quanto antes, enquanto ainda podem trocá-lo por coisas de real valor. Uma hiperinflação ocorre durante ou pouco depois de conflitos bélicos que causam um aumento, em 19 disparada, das compras governamentais. Problemas de hiperinflação tiveram o sul dos Estados Unidos durante a Guerra Civil (Secessão), Alemanha (1923) onde US$ 1,00 = 4 trilhões de marcos e outras. A inflação prejudicam os que vivem de renda fixa e as pessoas que pouparam quantias fixas de dinheiro para a sua aposentadoria ou para eventualidades (acidentes, doenças graves, etc.).Mas outros ganham com a inflação: os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres. A inflação pode induzir à especulação improdutiva (as pessoas, por exemplo, compram imóveis para vendê-los com lucro). A inflação pode levar a mais erros econômicos. Para tomar decisões certas, as pessoas devem ter uma imagem acurada da conjuntura nacional. Quando os preços sobem rapidamente a imagem da conjuntura fica fora de foco e perde clareza. C. Eficiência A economia pode apresentar um mau desempenho mesmo com bem baixas de desemprego e de inflação. A meta par o máximo esforço produtivo é a eficiência (produtividade). Podemos dois tipos de eficiência: * Eficiência técnica: Ex.: o fabricante A produziu 50 bicicletas usando 30 homens e 12 máquinas; o fabricante B produziu as mesmas 50 bicicletas usando 25 máquinas e 8 máquinas. Diz-se então que o produtor B foi mais eficiente que A; em outras palavras B usou racionalmente o seu equipamento. * Eficiência Alocativa: é a combinação inteligente de um conjunto de bens. Ex.: na produção de trigo devemos empregar muitos homens e poucas máquinas ou muitas máquinas e poucos homens? D. Uma Distribuição Eqüitativa da Renda 20 A economia brasileira cresce, mais ainda assim muitas pessoas continuam vivendo miseravelmente, não podendo adquirir alimentos, roupas, moradia, etc. por que alguns têm muito e muitos têm pouco? Há um consenso de que a sociedade é responsável pela ajuda a essas pessoas menos privilegiadas. Não existe uma concordância de opiniões no sentido de que devemos ter uma igualdade completa de renda como meta; a distribuição “melhor” de renda é mal definida. Devido às obvias complicações, a pobreza é difícil de ser definida em termos monetários. Devemos considerar em primeiro lugar que nem todos têm as mesmas necessidades: os doentes precisam mais de cuidados médicos, as famílias grandes precisam de alimentos, roupas, etc. os que moram na cidade gastam mais em necessidades básicas (custos mais altos de alimentos e de habitação) que os que moram na zona rural, onde cada família pode produzir parte de seu sustento. Não existe uma medida simples e única para definir uma “linha de pobreza” que marcaria o limite entre as famílias pobre e não pobres. Um dos processos mais eficazes de combater a pobreza é a de aumentar a produção geral. “A maré alta levanta todos os barcos”. Um aumento generalizado de rendas por toda a economia faz com que a renda das pessoas com menos recursos também seja aumentada. Outro processo para se combater a pobreza é pela “Redistribuição de Renda”. Sabemos que a feitura do produto nacional, provoca a distribuição primaria das rendas, isto é, os pagamentos feitos aos fatores de produção através dos salários, juros, lucros e aluguéis. Essa distribuição primária não livra o país dos problemas da pobreza,insuficiência das rendas, das desigualdades das rendas e da insegurança econômica. 21 A redistribuição da renda elimina a pobreza, a renda insuficiente, proporciona segurança econômica às pessoas, influi no funcionamento de economia nacional, encorajando uma “demanda agregada” que por sua vez faz com que funcione com equilíbrio e em expansão a economia nacional. Os meios de distribuição de rendas: Através da receita pública: impostos – o Estado exigindo impostos maiores dos que têm bastante para pagar, até isentando os economicamente fracos está procurando diminuir distancia entre as rendas dos ricos e dos pobres. Um dos meios mais eficientes é o imposto de renda. Através da Despesa Pública: se as desigualdades sociais começam a diminuir com a arrecadação de impostos, o processo de diminuição das distâncias entre ricos e pobre continua com a aplicação do dinheiro público, que poderá ser feito dentre as seguintes modalidades: Obras e serviços públicos (quando o Estado constrói estradas, ruas, grupos escolares, ginásios, creches, asilos, etc. Assim o faz, não pensando em beneficiar os ricos, mas sim dar aos mais necessitados as possibilidades de usufruir de certos bens e serviços, no mesmo pé de igualdade com a elite. Os bens e serviços públicos, dentro das suas finalidades, podem ser gozados por todos os cidadãos, ricos ou pobres); Subscritos, auxílios ou subvenções (o Estado distribui gratuitamente, subsídios a certas empresas para que possam colocar seus produtos no mercado a preços ao alcance dos consumidores mais pobre, ou concede auxílios e 22 subvenções para entidades filantrópicas e beneficentes a fim de que essas possam atender a uma faixa da população mais miserável); Autarquia e outros órgãos de finalidades sociais (existem certos órgãos, os quais sob a forma de empresas públicas, de departamentos públicos ou autarquias, têm a principal finalidade de assistir socialmente a determinada faixa da sociedade;assim são, por exemplo, os órgãos da previdência social); Aplicação em atividade produtiva (se em determinada região do país houver desemprego ou subemprego, o Estado, ao invés de dispender determinada importância para ajudar os desempregados a se manterem, empregará o dinheiro na construção de uma obra, em que haja criação de novos empregos. Dessa forma resolve o problema do desemprego e faz aparecer uma nova obra pública que também irá beneficiar a muitas pessoas. Outras vezes, em forma de sociedade de economia mista, na qual detém o controle acionário, o Estado pode explorar determinado setor de atividade, que crie novos empregos. É o caso da PETROBRÁS, Cia. Vale do Rio Doce, etc. Com os investimentos pelo Estado, crescem os empregos e os salários. Com os novos empregos e salários, cresce a demanda dos bens de consumo). Através da Fixação de Preços: o equilíbrio social também pode ser conseguido com a fixação de preços máximos e mínimos, conforme o caso, como quando o governo faz tabelamento de alugueis, fixando preços máximos de locação para beneficiar o inquilino 23 considerado economicamente mais fraco que o proprietário do imóvel; fixação de preços máximos para gêneros de primeira necessidade, objetivando-se também proteger as classes com menos recursos. Existe ainda, a fixação de preços mínimos como acontece com os salários, e os preços agrícolas. Os preços agrícolas são tabelados num mínimo para ajudar o lavrador que não dispõe de meios de enfrentar o jogo comercial dos compradores de seus produtos. E. O crescimento Em uma economia com desemprego em massa, pode-se aumentar o produto ao dar trabalho aos desempregados. Mas há que considerar que existe um limite na quantidade que pode ser produzida com a força de trabalho, terra, fabricas e equipamentos; aumentar o produto além desse limite, exigirá um aumento dos recursos disponíveis (mais fabricas, maquinas, novos tipos de maquinas mais produtivas ou nova organização da produção). Quando os economistas falam de crescimento, querem dizer um aumento da produção resultante de avanços tecnológicos ou de incrementos nos recursos. As vantagens do crescimento são óbvias. Se a economia cresce, nossa renda será maior no futuro. O aumento, em parte, da produção pode ser utilizado para beneficiar os pobres da população sem reduzir a renda absoluta dos ricos. Embora o crescimento tenha vantagens evidentes, ele tem um “custo”. Se desejamos crescer mais rapidamente, uma parcela maior da produção corrente terá que ser constituída de maquinas e portanto, menos bens de consumo serão produzidos. Somente no futuro, quando novas maquinas começarem a funcionar, produzirão mais bens de consumo 24 (vestuário, rádios, comidas enlatadas, etc.). Mas hoje, o consumo irá sofrer em termos de produção. Níveis mais altos de produção usam quantias crescentes de matérias-primas. Uma taxa moderada de crescimento pode possibilitar a conservação de recursos e assim servir melhor aos interesses das gerações futuras. Taxas muito altas de crescimento podem danificar o meio ambiente. Se o objetivo é produzir mais aço e automóveis, pode ser que, por isso, se dê pouca atenção à fumaça das usinas de aço ou aos efeitos do automóvel na qualidade do ar que respiramos. Em vista do exposto, fica difícil especificar-se a meta de crescimento em termos quantitativos. Uma taxa de crescimento em termos quantitativos de 4% ao ano não é claramente melhor que uma taxa de 3%. F. Redução da Poluição Queremos produzir mais e melhor, mas devemos fazê-lo sem degradar o meio ambiente (evitar poluição sonora, visual; evitar a poluição de rios, mares, lagos; evitar a poluição do ar, ...). G. Liberdade Econômica É o direito de os indivíduos escolherem suas profissões, fazerem contratos e gastarem sua renda como desejam, ... H. Segurança Econômica O individuo deve ser livre do espectro de uma doença grave ou de outra desgraça qualquer que possa colocá-lo em uma situação desesperadora (perda de emprego, impossibilidade de educar os filhos, perda da aposentadoria, incerteza do futuro, etc.). 25 2. SISTEMA ECONÔMICO 2.1 Conceito Sistema Econômico um conjunto de relações técnicas básicas e institucionais que caracterizam a organização econômica de uma sociedade. Essas relações condicionam o sentido geral das decisões fundamentais que se tomam em toda sociedade e os ramos predominantes de sua atividade. O dilema provocado pelo confronto entre os recursos escassos e necessidades ilimitadas implica na existência de três questões fundamentais: 1º O que e quanto produzir? 2º Como Produzir? 3º Para quem produzir? 2.2 Formas de Organização da Atividade Econômica Sistemas de Livre iniciativa empresarial (capitalismo puro): impera a propriedade privada dos meios de produção, ao lado de decisão sobre o que e quanto produzir fundamentadas no mercado e nos preços. As atividades econômicas são dirigidas e controladas unicamente por empresas privadas, que competem entre si. As empresas estariam dispostas a oferecer seus produtos à medida que houvesse probabilidades efetivas de obtenção de lucros. A intervenção do Estado é considerada perturbadora e prejudicial. Sistemas de planificação central da economia (socialismo): as respostas às questões básicas (o que, como, quanto) competem ao Estado, que se encarrega de direcionar, controlar processo produtivo, através de empresas públicas, com base no interesse 26 coletivo. A meta não é o lucro e sim o bem estar geral. Todos os meios de produção seriam socializados, isto é, de propriedade coletiva, administrada pelo Estado. Sistemas mistos: existe a coexistência entre o setor público e o privado. Muitos aspectos da economiasão controlados pelo Estado (Leis, Decretos, Regulamentos, Criação de Empresas, Subsídios, Créditos, Incentivos Fiscais) além de se encarregar de proporcionar alimentos, ensino, assistência jurídica, às camadas inferiores de renda. O “como produzir” se dá na Iniciativa Privada. 2.3 Fluxo Econômico O funcionamento do sistema econômico caracteriza-se, de um lado, pela atividade de obtenção de recursos (ou fatores) de produção em si e, de outro, pela obtenção de recursos financeiros e sua utilização. Podemos dizer que um fluxo circular de renda se inicia com a participação de dois tipos de agentes: famílias e empresas. As famílias que são as detentoras dos fatores de produção e as empresas que utilizam, por determinado preço, seus recursos. Assim fica estabelecidos dois mercados, um de fatores de produção e outro de bens e serviços finais. 27 Figura 1. Fluxo circular de renda da economia. Se incorporarmos, na figura 1, o processo de acumulação de capitais e dos fluxos de financiamento tem-se, então, dois novos componentes: os bens destinados ao consumo e os bens destinados à acumulação. A existência de bens destinados à acumulação nos leva à necessidade da utilização dos intermediários financeiros e, com isso, surgem os mercados financeiros conforme a figura 2. 28 Figura 2. Incorporação do processo de financiamento. A necessidade da existência de bens públicos justifica a incorporação do governo ao fluxo. Pode-se dizer que o governo seria um avalista de uma ordem social, na qual ocorreriam as atividades econômicas de todos os agentes privados e até mesmo os agentes públicos com está apresentado na figura 3.; 29 Figura 3. Incorporação do governo. 2.4 Agentes Econômicos Os diferentes agentes econômicos podem ser divididos em privados e públicos. Os agentes privados básicos são as empresas e as famílias. Empresas Os fatores de produção, natureza, trabalho e capital dependem para se tornarem produtivos, de um elemento que os combine. Este fator é a empresa. As origens das empresas são encontradas nas tarefas em comum, realizadas nas sociedades primitivas. Seu surgimento com sentido econômico. 30 Porém só se dará na Idade Média, quando predominou o sistema feudalista; despontou na medida que o artesão já não tinha condições de monopolizar a produção de certos bens, tendo em vista a procura de novos mercados e o fato de não deter a matéria-prima. Quando a produção, com o advento da Revolução Industrial, tornou-se mais que suficiente para atender às necessidades locais, houve a busca de novos mercados. Com isso aperfeiçoaram-se as principiantes empresas. Neste mesmo período o capitalismo também se estruturou, surgindo a figura do empreendedor ou do empresário; aparecem a atividade que objetiva lucro, isto é, “a remuneração paga aos que correm riscos, que inovam, que modificam, que dinamizam”, com essa atividade e esse desejo de lucro, firmou-se a empresa. É a unidade de produção básica. Contrata trabalho e compra fatores com o fim de fazer e vender bens e serviços. É a unidade econômica de produção encarregada de trocar os fatores de produção (recursos naturais, trabalho e capital) para produzir bens e serviços que depois serão vendidos no mercado. Conforme sua natureza jurídica a empresa pode ser: - Individual: Trata-se de empresas que pertencem a um só indivíduo e são dirigidas por ele. (Forma mais simples de se estabelecer um negócio). - Social: A propriedade não corresponde à um só indivíduo. - Limitadas: O capital social deve estar totalmente desembolsado em um movimento de constituir a sociedade. O capital está dividido em partes iguais, chamados cotas. Nestas empresas os sócios não respondem pessoalmente a dados sociais, somente com o capital aplicado. 31 - Sociedades Anônimas ou S.As: Somente se pode ser sócio, investindo dinheiro. O capital está dividido aos acionistas (em ações). A responsabilidade dos sócios se limita ao capital aplicado. As ações são eventualmente negociadas na Bolsa. - Cooperativas: São associações criadas para satisfazer as necessidades comuns dos associados que compartilham de iguais riscos e benefícios. O financiamento das empresas pode ser por autofinanciamento - Recursos financeiros gerados pela própria empresa e ou Financiamento Externo: *Empréstimos: A Empresa recebe de imediato o total do financiamento concebido, apesar de alguns casos haver desconto dos juros. *Créditos: A empresa retira dentro do limite máximo combinado, o Capital necessário, podendo realizar várias retiradas, pagamentos, de maneira que somente pague os juros relativos ao Capital utilizado. A forma de instrumentar os créditos, é por meio de títulos. *Ações e Obrigações: (Somente S. A.). Ação. Cada ação representa uma fração da propriedade e da sociedade. Conferem direitos políticos e econômicos. São títulos de renda variável e integram capital de risco ( sofrem perdas ou redução de lucro). De modo geral, concentração de empresas é a variedade de modos que permitem a empresa aumentar o seu campo de atividade ou sua influência sobre os mercados. É uma necessidade para superar exigências e dificuldades ou suplantar e concorrência. Tipos de concentração: - Aumento do estabelecimento: Quando aumento o volume de sua atividade, quando amplia as instalações (Armazéns, Supermercados). 32 - Multiplicação de um estabelecimento: Criação de filiais na mesma cidade, no mesmo país ou fora dele. - Diversificação: A empresa cresce porque vai se dedicando há outras atividades, sem ligação uma com as outras. - Concentração Horizontal: Quando uma empresa aumenta a seu campo de atividade pelo aumento da sua produção, que continua a ser da mesma espécie; recebe também o nome de concentração por ampliação. A concentração horizontal trará, em condições normais, menores desvantagens, pois permite o aproveitamento de instalações, do bom nome da empresa, dos mesmos funcionários, etc. (Roupas femininas+ masculinas+ infantis =mesmo ramo de atividade) - Concentração Vertical: Quando uma empresa se diversifica sua produção, produzindo uma quantidade determinada de certos produtos até então não produzidos. Há portanto, uma diversificação ou uma integração, como também é denominada a concentração vertical. A concentração vertical se dá quando uma empresa que produz determinados produtos, procura concentrar cãs operações prévias ou consecutivas daqueles que são objetos principais dessa empresa. Vantagens: eliminação ou diminuição dos intermediários, tendência a emancipação, etc. (Desde a matéria prima até o final). - Por Acordo: Quando uma empresa aumenta sua influência sobre o mercado, combinando com outras empresas, formulas que eliminem a concorrência. Os acordos se tornam vantajosos e possíveis quando: Existir pequeno número de produtores; Houver certa igualdade das condições de trabalho; Existir uniformidade de produtos; Não existir produtos sucedâneos; (substituíveis); Houver espírito de associação e adesão da maioria das concorrentes. 33 Principais tipos de acordo: Cartel: É um acordo limitado, temporário, tendo por objetivo estabelecer uma uniformidade nos preços de compra das matérias-primas, nos preços de venda dos produtos sobre o volume de produção, de todos e de cada uma delas; Repartição entre eles dos mercados mundiais, nacionais, regionais e os urbanos.- Pool: Diversas empresas recolhem à uma mesma caixa a suas receitas, que depois são rateadas entre elas, de acordo com critérios previamente fixados. Consórcio: É uma associação lícita, contratual e transitória de pessoas físicas ou jurídicas, interessados na compra de determinados bens, construir uma obra pública ou realizar qualquer atividade econômica,cuja a magnitude escapa as possibilidades de cada um. Holding: Uma nova empresa adquiri a controle acionário, de outras empresas, mediante a aquisição de maioria de seu capital votante. As empresas dominadas (Subsidiárias) podem ter os mais variados objetos de negócios e suas diretorias são eleitas pela holding. Através dessa diretoria, a holding imprime sua orientação as atividades da cada uma delas. A holding não se dedica a nenhuma linha produtiva, mas apenas controla e administra as empresas dominadas. Truste: Acordo financeiro agrupando sobre uma única direção, várias empresas, que perdem sua independência financeira. Vantagens: menor custo de produção, aperfeiçoamento técnico, melhor administração, etc...Desvantagens: “boicote”, dumping, favores ilegais. Conglomerado: Caracterizado pela diversidade. Uma grande empresa adquire o controle de outras empresas e passa a dirigi-la. Tem como características: Empresas independentes operando como se fosse autônomas, ramos de negócios diferentes. 34 Famílias (Unidades Familiares) Consomem bens e serviços, e oferecem seus recursos – fundamentalmente trabalho e capital – às empresas. As famílias que pretendem maximizar a satisfação obtida no consumo são limitadas pelo orçamento que dispõem. Comportamento similar ao das famílias é dos indivíduos, grupos esportivos, culturais, associações beneficentes e religiosas, etc. A atividade econômica desses grupos atrai sujeitos com intenção mercantil ou empresarial. O Setor Público O setor público estabelece o marco jurídico - institucional e é responsável pela política econômica. Em determinados aspectos, atua também como empresário, especialmente no caso dos bens públicos. 35 Agronegócio / infraestrutura - 12/09/2011 Agronegócio gasta 13,3% da receita com logística Infraestrutra ainda é entrave para crescimento do setor por Agência Estado Em 2010, os custos com logística corresponderam a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB). As empresas brasileiras gastam 8,5% de sua receita com logística, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (12/9) pelo Instituto Ilos. No agronegócio o impacto é ainda maior, 13,3% da receita. Em 2005, os gastos com logística consumiam 7,4% da receita líquida das empresas. "Era esperado que as empresas conseguissem diminuir esses custos", disse Maurício Lima, autor do estudo e diretor de Capacitação do Instituto Ilos, durante o Fórum Internacional de Logística. "O porcentual pode parecer pouco significativo, mas é uma conta que vai direto para o resultado. Em comparação ao lucro dessas empresas, a participação é enorme". Os custos com logística corresponderam a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, o equivalente a R$ 391 bilhões. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos, o montante gasto com logística corresponde a 7,7% do PIB americano. Lima explica que a relação entre o custo da logística e o PIB costuma diminuir conforme o desenvolvimento do País. "O Brasil diminuiu um pouco essa relação, mas ela começa a esbarrar na questão da infraestrutura. O modal rodoviário ganha importância", contou. A matriz de transporte brasileira está 65% baseada no escoamento via rodovias. Nos Estados Unidos, o modal rodoviário corresponde a apenas 28,7% do transporte de produtos e mercadorias. "Se o modal de transportes do Brasil fosse igual ao dos Estados Unidos em termos de distribuição, a economia seria de R$ 90 bilhões", afirmou Lima. "Mas precisaria de anos de investimento em infraestrutura. Mesmo confrontando com a Rússia, a Índia e a China, o Brasil está muito atrás, inclusive na malha rodoviária. Temos uma infraestrutura pequena". Lima alertou que seriam necessários investimentos da ordem de 2% do PIB, cerca de R$ 70 bilhões, apenas em 2011, para atender ao aumento da demanda por transportes. "No PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) estão previstos R$ 20 bilhões (em investimentos) em infraestrutura de transporte em geral, mas na prática o governo nunca consegue gastar tudo isso, então deve ficar em R$ 16 bilhões", calculou. O estudo do Instituto Ilos foi realizado com cem das mil maiores empresas do País. FONTE:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI264407-18077,00 AGRONEGOCIO+GASTA+DA+RECEITA+COM+LOGISTICA.html 36 3. MODELO DE MERCADO A circulação é a passagem dos bens econômicos de umas para outras pessoas. Umas pessoas procuram adquirir, demandam; outras produzem, ofertam. A circulação se faz pela demanda e oferta. 3.1 Demanda e Oferta 1. Chama-se demanda ou procura e quantidade de um bem ou serviço se deseja adquirir, a certo preço. É a necessidade econômica, armada de um poder de compra. 2. Elasticidade de demanda é a variação desta, pra mais ou para menos, mais que proporcional à variação, para mais ou para menos, do preço dos bens demandados. 3. Há bens inelásticos. São aqueles cuja demanda na se altera, ou se altera pouquíssimo, qualquer que seja a variação do seu preço de venda. Há bens de demanda elástica: são aqueles cuja demanda se altera mais que proporcionalmente à variação do seu preço se venda. 4. A oferta é a quantidade de bens que se propõe vender, o preço dado. 5. A oferta, como a demanda, é também sujeita ao fenômeno da elasticidade. Todavia, há bens de oferta absolutamente inelástica: aqueles que não são possíveis de produzir. A elasticidade da oferta acontece na linha dos bens reproduzíveis. 6. O custo designa todas as despesas que se tem de pagar para produzir algum bem ou serviço. Há várias espécies de custo: custos fixos, custos variáveis, custo total, custo médio, custo marginal. 7. A demanda dependa da renda: só demanda (procura comprar) quem tem recursos (dinheiro). É a necessidade solvável. A necessidade sem recursos não demanda:é insolvável. A economia nacional deve atender tanto às 37 necessidades solváveis, como às necessidades insolváveis. 8. A oferta, também, depende da renda. País de alta renda é população que compra muito. Nesse país, é preciso produzir muito. Produzindo-se muito, é preciso ampliar as empresas, e com isso se pagam mais rendas. 9. A demanda, a oferta e a renda, como se vê, relacionam-se entre si. A demanda é causada pela renda. A oferta é suscitada pela demanda. A oferta cria rendas, pois paga para produzir os bens que são ofertados. Fenômenos de demanda São várias as causas que fazem com que a resposta da demanda não apresente, sempre, um mesmo comportamento ante a variação do preço, ou até mude embora o preço permaneça o mesmo. Rigidez ou Instabilidade: A demanda permanece a mesma, ou pouco varia quando oscilam os preços, nestes casos: A. bens de primeira necessidade; B. certos bens usados em pequenas quantidades; C. bens de luxo; D. bens psicologicamente imperiosos. Elasticidade: A demanda é elástica, no sentido técnico, nestes casos: A. bens de conforto; B. bens que têm sucedâneos próximos. Demanda Cruzada: Quando o preço de outro bem diminui, a demanda se desloca do que estava sendo comprado para o bem que barateou. Efeito-renda: Às vezes, o preço de um baixa, e a pessoa, em vez de aumentar a demanda por ele, aproveita a renda, liberada por essa baixa, para adquirir outros bens: a baixa fez com que a sua renda ficasse, 38 indiretamente, aumentada.É chamado também de “efeito-Hicks”. Elasticidade-renda: Se o sujeito passa a receber uma renda maior (por exemplo, aumento de vencimentos), ele muda a sua demanda de um bem inferior para outro de classe superior. Efeito-demonstração: Certas pessoas, quando o preço de um bem sobe, passam a comprá-lo, para dar a impressão de serem ricas. É chamado também de “efeito-Veblen”. Paradoxo de Giffen: Este economista observou que, às vezes, a alta de um certo bem leva a comprar mais dele, e não por demonstração.Efeito de previsão: Se o adquirente prevê, fundamente ou não, uma baixa ainda maior do preço, a demanda pode não aumentar, e até diminuir, se o preço baixa. O mesmo se diga quanto á previsão da elevação de preço: a demanda aumenta, embora o preço esteja firme, e força a elevação deste. Este último fenômeno é uma das principais causas de inflação, de um certo momento em diante. A demanda Efetiva: Por demanda efetiva entende-se a previsão, que o empresário antes de lançar à produção faz, a respeito do que será adquirido no futuro pelos compradores. A demanda efetiva é que leva o empresário a agir, pois sobre ela é que se formula seus planos de produção. Logo, ela influi “ex ante” na produção, no emprego, no nível de renda. É um dos dínamos que põe em movimento a economia nacional. 3.2 Mercados Chama-se mercado o conjunto de demandas e ofertas que se exercem a respeito dos bens e serviços 39 (compras e vendas). Os mercados podem ser classificados de diversas maneiras: - Quanto ao objeto (mercado de café, do trigo, de automóveis, de ações, etc). - Quanto ao âmbito (mercado regional, municipal, estadual,nacional, mundial). Mas a classificação que interessa ao economista é a que leva em consideração o número de pessoas que demandam e que ofertam. Assim temos: a) o mercado da livre concorrência, em que figura um número ilimitado de compradores e vendedores, havendo perfeita igualdade entre todos os aspectos; b) o mercado do monopólio, em que só há um vendedor, um só comprador, ou um só vendedor e comprador; c) o mercado da concorrência imperfeita, em que há poucos vendedores (oligopólio) e em que os produtos se diferenciam. A vida prática mostra que, na realidade, não existe nem o mercado da livre concorrência, nem o mercado do monopólio absolutos. O que há, com diferente dosagem de concorrência e de monopólio, dentro de certos limites, é o mercado da concorrência imperfeita. Preços 1. Preço é a expressão monetária do valor dos bens e serviços úteis. 2. O preço se forma quando se põe de acordo a demanda com a oferta. 3. Conforme o tipo de mercado, o preço pode ser mais baixo. No monopólio, tende a ser mais alto. Na livre concorrência tende a ser mais baixo. Na concorrência imperfeita, tende ao meio termo. 40 4. O governo tabela os preços de muitos bens e serviços: nos serviços públicos, na agricultura, nos salários, no comércio e na indústria. O tabelamento no caso da indústria e do comércio, é nocivo, salvo em situações de guerra ou calamidade. 5. Quando a economia nacional está em progresso, os preços tendem a baixar. Quando está em inflação, tendem a subir. Quando está em deflação, tendem desmoronar e arruinar tudo. A política econômica tem por seus objetivos manter a situação econômica no primeiro caso (inflação). 41 Cotações / mercado - 15/05/2011 Consumo de carnes bovina e de frango derrubam preço da carne suína Em São Paulo, queda da arroba da carne suína chegou a R$ 1,00 por Globo Rural Online O mercado interno de carne suína apresentou mais uma queda nesta semana. O setor foi influenciado pela queda na cotação das carnes concorrentes, como a de frango e bovina, o que acabou impactando na decisão de compra do consumidor, que geralmente opta por escolher a que tem menor valor. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Felipe Netto, houve queda no preço do quilo vivo nos estados da região Sul, em São Paulo e Mato Grosso do Sul. A análise semanal de preços realizada por SAFRAS & Mercado indicou que em São Paulo a arroba suína caiu R$ 1 nesta semana, passando de R$ 49,50 para R$ 48,50. No Mato Grosso do Sul a cotação do quilo vivo caiu R$0,10, ficando em R$ 2,10. Em Goiás, o preço ficou em R$ 2,85 o quilo vivo, mesmo valor da última semana. Em Mato Grosso o preço seguiu em R$ 2,20. Em Minas Gerais o quilo vivo seguiu em R$ 2,85. No Rio Grande do Sul o quilo vivo foi vendido a R$ 2,19 na integração, ante R$ 2,24 na semana passada. No mercado independente o preço caiu para R$ 2,24, ante R$ 2,31 na semana anterior. Em Santa Catarina o valor ficou em R$ 2,10 na integração e a R$ 2,18 no interior, quedas de dez e vinte centavos, respectivamente, ante semana passada. No Paraná, a cotação na região Oeste recuou de R$ 2,42 o quilo vivo para R$ 2,23. No Espírito Santo o quilo vivo seguiu a R$ 2,65, no Ceará a R$ 3,40 e, em Pernambuco, a R$ 3,10. O preço médio do quilo vivo da carne suína na região Centro-Sul recuou 3,71% em uma semana, passando de R$ 2,42 para R$ 2,33. No mercado externo, o fator cambial foi um pouco mais favorável, com o dólar atingindo patamares superiores a R$ 1,60. "Essa condição pode contribuir para uma melhoria no volume embarcado em maio, ainda que o setor enfrente novamente um período de embargo por parte do mercado russo", comenta Netto. Conforme ele, apesar desse impasse, a princípio as exportações não terão grande impacto, até mesmo porque na próxima semana uma missão do governo brasileiro estará na Rússia para tentar solucionar a questão. "A estratégia de alguns frigoríficos em direcionar o produto através de plantas que não tiveram interrupções nos embarques também deve fazer com que o impacto seja bastante reduzido", explica. Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI233543-18083,00- CONSUMO+DE+CARNES+BOVINA+E+DE+FRANGO+DERRUBAM+PRECO+DA+CARNE+SUINA.html 42 4. PEINCÍPIOS DA TEORIA DA PRODUÇÃO 4.1 Conceito Produzir um bem é colocar os elementos constituintes desse bem em condições tais que possam satisfazer as necessidades humanas. Produção é feitura de bens e/ou prestação de serviços úteis destinados ao consumo ou à produção de outros bens. Setores de Produção - Setor Primário: Agropecuária, pesca, extrativismo, mineração (vinculado diretamente aos recursos minerais). - Setor Secundário: Constituído pelas atividades industriais, transformam matérias primas em bens finais ou intermediários. - Setor Terciário: Integrado pelos serviços, como transporte, comércio, bancos e etc... Avaliação da Produção O produto nacional (PN) é função da atividade produtora do país. O PN se enquadra em uma das classes de bens econômicos: bens e serviços de consumo e, bens e serviços de produção. Onde se conclui que o produto nacional (PN) é igual ao consumo mais investido (PN=C+I). O PN pode ser computado: 1-“in natura” ou fisicamente; 2- em dinheiro (ao preço de custo e ao preço de venda). No cálculo do PN em dinheiro, devemos deflacionar esses preços para não confundir produção com efeitos de inflação. Produtividade É sinônimo de eficiência, que é obtida através da melhoria da qualidade dos fatores de produção, da 43 melhor organização e combinação dos fatores de produção. A produtividade é um efeito do progresso tecnológico (técnicas de produção). Causas: incentivo à instrução e à educação do povo: formação profissional e especialização do trabalho, etc... 4.2 Função e Fatores de Produção O produto nacional (PN) é feito pelos fatores de produção. Para aumentar o PN podem ser usados dois processos, que são: 1- aumentar a qualidade dos fatores de produção; 2- aumentar a produtividade dos fatores de produção. Estudo dos Fatores de Produção Recursos Naturais Os recursos naturais – o fator terra – compreendem a base de um sistema sobre a qual se assentará o capital técnico. Os recursos naturais podem ser: Renováveis: De natureza biológica, compreendem os vegetais e animais. Não Renováveis: Riquezas minerais e solo. Transformados: São os recursos transformados (Ex: Laranja). In natura: Não sofre transformação nenhuma (Venda da laranja). Durante muito tempo prevaleceu a ideia, entre os precursores da análise econômica, de que a verdadeira riqueza seria aquela resultante da utilizaçãoindireta do fator terra, a produção agrícola. Os outros bens seriam derivados de uma transformação dos produtos primários, não acrescentando, portanto, mais 44 riqueza. Este conceito modificou-se substancialmente com o avanço das tecnologias de processo e de produto. T. Processo: Mão-de-obra T. Produto: Modifica o produto em si. Espaço Econômico: é a área coberta pelas relações econômicas; as relações econômicas podem ultrapassar as fronteiras geográficas. Força do trabalho População Economicamente Ativa (PEA). É o emprego ordenado da força humana para a criação de utilidades com fins econômicos. Refere-se às faculdades físicas e intelectuais dos seres humanos que intervêm no processo produtivo. Características: É uma atividade racional (Uso da Inteligência); Possui uma finalidade econômica; Procura satisfazer as necessidades econômicas / humanas e É uma atividade (castigo). Trabalho e População A população é um conjunto de seres humanos que vivem em uma área determinada. O fator produtivo trabalho é a parte da população que desenvolve as tarefas produtivas. Eficácia do Trabalho Nacional: Causas que dão maior ou menor eficiência ao trabalho nacional: 1) número de trabalhadores, que varia com a população ativa. Esta população depende: da legislação social (aposentadoria, por exemplo); da saúde da população (condições físicas de um povo); e 45 do início da atividade produtiva (problemas de países subdesenvolvidos). 2) preparação profissional no que diz respeito ao combate da mão-de-obra desqualificada, que é a causa dos baixos salários e por conseqüência a pobreza. Causas que dificultam o aprendizado profissional: na grande indústria a divisão do trabalho exige pequeno número de operações. Impedindo muitas vezes o aprendizado; na pequena e média indústria o aprendizado é difícil pelas próprias condições da empresa; por outro lado, o empresário vê no aprendiz seu futuro concorrente e de modo geral, o aprendiz procede de família numerosa, de baixa renda, com problemas financeiros, e assim deixa o aprendizado e começa trabalhar em outra indústria. 3) o meio físico, que tem grande influência sobre a produtividade. Entre outros são fatores determinantes da eficiência do trabalho: o clima, terras férteis, riqueza natural, abundância de certos minérios... 4) instrumental de trabalho (no processo produtivo) possibilita maior rendimento com o mínimo de desgaste humano, tais como ferramentas aperfeiçoadas, máquinas adequadas, atuação do homem na produção a fim de obter o melhor resultado, (uso da tecnologia). 5) divisão do trabalho e a organização científica do trabalho, que se preocupa com a performance do homem na atividade produtiva, com a obtenção de maior capacidade para o aumento da produtividade e com o mínimo de prejuízos humanos. Os autores dividem a organização racional do trabalho em duas correntes: 46 o ponto de partida da indústria, quando procura métodos mais racionais visando o aprimoramento do trabalho dentro da empresa; o ponto de partida da ciência, que permite a ampliação de ensinamentos da psicologia e da fisiologia ao trabalho do homem, dando nascimento a fisiotécnica. (Melhor conforto para o trabalhador). Capital Todo bem destinado à produção de outro bem se classifica como recurso de capital. Por capital entende- se, portanto, a infra-estrutura produtiva (edifícios, por exemplo), as máquinas, as ferramentas. Recebem essa denominação porque, nas economias capitalistas, o capital geralmente é de propriedade privada e especialmente dos “capitalistas”. Tipos de Capital - Capital Físico ou Real *Capital Fixo: Consiste em todo tipo de investimento empregados na produção, como edifícios maquinários, duram vários ciclos de produção. *Capital circulante: Consiste nos bens em processo de preparação para e consumo, basicamente, matérias-primas e estoques. - Capital Humano: Educação, formação profissional e experiência. Em geral tudo que eleva a capacidade produtiva dos seres humanos. - Capital Financeiro: Fundos disponíveis para a compra de capital físico ou ativos financeiros *Monetários: Dinheiro, conta corrente (depósito a vista). Rende juros. *Não Monetários: Todo o dinheiro que rende juros.(Títulos de governos). 47 A formação de Capital É um fato econômico da mais alta importância para as pessoas, empresas e para o país. O capital (K) é igual a poupança (P) mais o investimento(I). K=P+I Poupança É a parte da renda que não consumimos; chama- se “economias” para muitos. Nos dias de hoje ela assume a forma monetária: guarda-se dinheiro. A poupança é feita pelas pessoas, pelas empresas, quando reservam parte se seus lucros para adquirir novos equipamentos, máquinas, etc, ou para reparar seus bens de produção. Pelo governo, quando reserva recursos para aplicar na formação do capital, diretamente ou financiando as empresas. O governo reserva parte dor tributos arrecadados, toma empréstimos internos e externos, e emite dinheiro como forma de recursos para formar poupança. As formas de poupança mais comuns são: - Poupança Livre ou Individual: Resulta da decisão ou não das pessoas pouparem. - Poupança Forçada: Pode ser feita pelas empresas e pelo governo; *Empresas = quando não distribui lucros e assim obtém recursos para expansão de suas atividades (Auto financiamento); *Governo= quando lança imposto para obter recursos para certos financiamentos ou fazendo empréstimos públicos. - Poupança Reserva: Para atender gastos eventuais, de quem poupa ou de sua família. - Poupança Criadora (Investimentos): São recursos para aumentar a renda de seu titular diretamente na produção ou emprestando esses recursos via sistema financeiros. - Poupança Interna; Realizada no país. 48 - Poupança Externa: Realizada em outro país, que está a disposição do Brasil, sob a forma de empréstimo, doações, bens de capital e de dinheiro. - Poupança Real: Constituída de bens físicos. - Poupança Monetária: Constituída de dinheiro. Poupança Nacional; Parte da renda nacional, que não foi aplicada no consumo. Renda Nacional= Consumo + Investimento Investimento É o segundo ato na formação do capital e consiste na aplicação da poupança com o fim de formar bens de produção (ferramentas, máquinas, edifícios, oficinas, matérias-primas, dinheiro, sementes, etc). Ele consiste em repor os bens que pereceram ou se estragaram durante o processo da produção e/ou e aumentar o aparelhamento produtivo. O investimento é feito pelas empresas (empresários) e pelo governo. Pelos empresários quando criam um negócio na agricultura, na indústria, porque isto implica na aquisição de bens de produção (é o investimento). Os recursos de que se servem os empresários são os do próprio empresário ou das pessoas que pouparam o do governo que financia as empresas. Pelo governo quando investe diretamente, criando uma obra pública, uma indústria ou quando investe juntamente com particulares (economia mista). Obs: nos países subdesenvolvidos o investimento oficial é grande, e é pequeno nos países desenvolvidos. Formas de Investimentos - Investimento de Infra-estrutura: Feitos pelo governo, nos setores de energia, transporte, comunicação, educação. 49 - Investimento privado e Investimento público: o primeiro é feito pelas empresas privadas, individuais ou coletivos; O segundo é realizado pelo governo. - Investimento privado protegido: Feito pelas empresas privadas com recursos do governo e com destinação certa. - Investimento induzido: Feito pelos empresários em virtude pelo aumento da procura, pelo seus produtos ou então, porque aumentaram, as rendas da empresa. - Investimento nacional e internacional: É feito