Prévia do material em texto
Questão 1 "O ponto de partida é bem simples: trata-se do suposto de que todos os motivos e impulsos humanos decorrem da atração ou repulsão causadas por determinados estímulos externos. Toda conduta deriva do princípio de autoconservação. Como se pode apreciar, o caminho escolhido por Hobbes não é empírico, embora haja certos fatos que contribuam a pôr em evidência a verdade indiscutível dos axiomas; veja- se, por exemplo, a recomendação do autor para o leitor olhar ao seu redor e, com total honestidade, para dentro de si mesmo, para, desse modo, compreender o que é, em definitiva, o estado de natureza. Na seqüência, Hobbes deduz desses axiomas o direito natural e a configuração do estado de natureza. Do direito natural é derivada a lei natural e, finalmente, ele busca, a partir daí, derivar o Estado." (POUSADELA, Inês M. O contratualismo hobbesiano: ou de como para entender do direito é necessário pensar o avesso. In: BORON, Atílio. Filosofia política moderna: de Hobbes a Marx. Buenos Aires: CLACSO, 2006.) A passagem menciona a obra e teoria de Thomas Hobbes, considerado um primeiro contratualista. Sobre a teoria de Hobbes analise as afirmativas: I -Filósofo inglês, Hobbes viveu entre o final do século XVI e um pouco da segunda metade do século XVII (1588-1679) e escreveu uma obra fundamental para entender a formação do Estado Moderno, O Leviatã, publicado em 1651. II - Hobbes afirma que, o direito de natureza, a que os autores geralmente chamam jus naturale, é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria natureza. III -O soberanos para Hobbes é uma pessoa de cujos atos uma grande multidão, mediante pactos recíprocos uns com os outros, foi instituída por cada um como autora, de modo a ela poder usar a força e os recursos de todos, da maneira que considerar conveniente, para assegurar a paz e a defesa comum. Conforme o contexto apresentado, assinale a alternativa que apresenta APENAS a sequência correta. A) I e III. B) II e III. C) III. D) I, II e III. E) I e II.Questão 2 "A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição" (Art. 18, Título III, Capítulo I, Constituição Federal do Brasil). No Federalismo, a garantia da autonomia dos entes federados é atribuída: I – Pela Constituição. II – Por portarias ministeriais. III – Por leis municipais. IV – Pelo pacto federativo. Qual alternativa aponta APENAS as afirmações corretas? A) II e IV. B) II e III. C) I. D) I e III. E) IV.Questão 3 Marco Aurélio Nogueira destaca em Verbete polis, no Dicionário de Políticas Públicas, a autonomia do demos, ou seja, a parte politicamente ativa que corresponde aos cidadãos, homens livres nascidos em Atenas, pela capacidade de modificar as leis de acordo com o contexto vivenciado. O conjunto desses cidadãos era soberano em suas decisões, e a soberania era operacionalizada em um ambiente de igualdade política, mas também de igualdade perante a lei. No que se refere à polis, podemos dizer que não havia verticalidades acentuadas como destaca Nogueira, ao contrário, o autor afirma outras características da polis. Tomando como referência as características da polis, de acordo com Nogueira, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - Se tratava de um Estado em sua concepção moderna do termo, ipsis litteris, como uma instituição apartada da sociedade. PORQUE II - Havia muitos elementos da democracia direta e o lócus privilegiado da participação política direta era a Assembleia do Povo - o corpo soberano efetivo - concretizada em praça pública, portanto, uma questão central para as democracias modernas, a saber, a relação entre representantes e representados, era secundária na democracia ateniense, isto porque não havia "especialistas" em assuntos políticos - algo muito corriqueiro na política atualmente. A respeito das asserções, assinale a alternativa correta: A) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. B) As asserções I e II são proposições falsas. C) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa. D) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I. E) A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.Questão 4 O conceito de patrimonialismo remonta a obra de Max Weber e está muito ligado aos laços coloniais brasileiros na política e nas formas de dominação que aqui se caracterizaram. Sobre o conceito na obra de Raymundo Faoro, no contexto brasileiro, avalie as afirmativas: I - RaymundoFaoro, ao recuperar os antecedentes históricos, como a formação do Estado nação português, afirma que nem mesmo Portugal teria tido um Feudalismo "autêntico", muito menos sua colônia nos trópicos. II - Raymundo Faoro, no livro, Os Donos do Poder, analisa o patrimonialismo como sendo uma estrutura de dominação típica de nosso passado colonial, que se caracterizou pela confusão entre o que é um bem público e o que é um bem privado. III - Raymundo Faoro, ao desenvolver sobre o patrimonialismo a brasileira, inaugura a formação dos partidos de massa no país, a partir de 1930. O autor caracterizou o Brasil como uma República Democrática burguesa. Considerando o contexto apresentado, é correto APENAS o que se afirma em: A) I e III. B) II e III. C) I e II. D) I, II e III. E) III.Questão 5 Atualmente, votar para um cargo proporcional é uma tarefa simples. O eleitor precisa apenas digitar o número de seu candidato ou, caso pretenda votar na legenda, o número de seu partido. Mas existe uma série de detalhes que tornam a operação da representação proporcional mais complexa do que imagina um cidadão comum. Nas eleições proporcionais brasileiras o número mínimo de votos necessário para a composição de cada cadeira no legislativo é resultado do: A) Quociente eleitoral. B) Estatística eleitoral. C) Máximo eleitoral. D) "Boca de Urna". E) Comparativo eleitoral.Questão 6 "Chamam-se igualmente partidos as facções que dividiam as Repúblicas antigas, os clãs que se agrupavam em torno de um condottiere na Itália da renascença, os clubes onde se reuniam os deputados das assembléias revolucionárias, os comitês que preparavam as eleições censitárias das assembléias revolucionárias, bem como as vastas organizações populares que enquadram a opinião pública nas democracias modernas." (DUVERGER, Maurice. Os partidos políticos. RJ: Zahar, 1970) Sobre os partidos políticos, analise as afirmativas: I - Os partidos cumprem com duas importantes funções nos sistemas políticos contemporâneos: a primeira está relacionada à opinião pública e ao que os cientistas políticos chamam de "questionamento político". A segunda, com disputar uma concorrência eleitoral para se eleito, governar. II - Partidos políticos são a expressão de que o capitalismo é viável e desejável para a classe operária. O capitalismo se torna mais "humano" com a representatividade através da organização política em "partidos", os grandes políticos e capitalistas não visam mais o lucro no regime partidário e pluripartidário. III - Diversos partidos políticos nasceram de agremiações sindicais e operárias, cujas lutas, relacionadas à melhoria das condições de trabalho, de salário etc., levaram à formação de lideranças e grupos interessados em combater a ideologia burguesa. A estrutura desses partidos não advém da luta parlamentar, mas sim das associações e seções da base de trabalhadores que fornece lastro político às iniciativas do partido, que podem ou não se realizar na disputa eleitoral. Pelo contexto apresentado, estão corretas APENAS as que se afirmam em: A) I, II e III. B) I e II. C) I e III. D) III. E) II e III.Questão 7 "A principal contribuição que a ciência política aristotélica pode dar para a prática da política reside, portanto, na área da "legislação". É necessário compreender todo o alcance dessa afirmação, pois é de fundamental importância para a compreensãoda especificidade da Política de Aristóteles. O termo "legislação" não é usado de modo impreciso apenas como sinônimo de política. Como indicado pela distinção que faz Aristóteles no Livro VI entre prudência "legislativa" e "política", a sabedoria política ou experiência política, naquele que pode ser denominado seu sentido operacional, exige o conhecimento de uma gama de assuntos de relevância política prática. Em uma passagem da Retórica, Aristóteles identifica cinco áreas-chave da deliberação política: receitas e despesas, guerra e paz, defesa nacional, importações e exportações, e legislação. A respeito da última delas, faz a seguinte observação: "é nas leis que está a salvação da cidade. [...] Como a própria Política vai confirmar, de modo amplo, a ciência política aristotélica é, acima de tudo, a ciência dos regimes." (STRAUSS, Leo. História da Filosofia Política. RJ: Forense, 2019.) Pelos traços teóricos levantados na passagem sobre a Ciência Política de Aristóteles, avalie as afirmativas sobre sua teoria: I -Enquanto Platão se preocupa com a educação e a formação do dirigente político – o governante filósofo -, Aristóteles se interessa pela qualidade das instituições políticas (assembléias, tribunais, forma da coleta de impostos e tributos, distribuição da riqueza, organização do exército, etc.). II - Tanto Platão, quanto Aristóteles legam para as teorias políticas subsequentes duas maneiras de conceber a qualidade justa da cidade: platonicamente, essa qualidade depende das virtudes do dirigente; aristotelicamente, das virtudes das instituições. III - Para Aristóteles, determinar o que é justiça, passa por distinguir dois tipos de bens: os partilháveis e os participáveis. Os dois elementos olhados para a vida nas cidades, a justiça na cidade, a ética e o cidadão na cidade. Portanto, dois tipos de justiça política de vida na pólis: a distributiva e a participativa. Considerando o contexto apresentado, é correto APENAS o que se afirma em: A) I e II. B) III. C) I e III. D) II e III. E) I, II e III.Questão 8 Sobre a pólis e a vida política na Antiguidade Clássica, analise as afirmativas: I - Foram muitas as pólis surgidas na antiguidade, com características diversas elas se aproximavam por terem "uma organização política e militar própria, eram autônomas e autossuficientes, o que lhes possibilitava serem independentes umas das outras. II - A vida política na pólis grega do período que vai do século V ao IV a.C. é o mesmo das cidades e dos espaços urbanos da nossa sociedade capitalista. A única diferença da antiguidade e da vida política na antiguidade para a era contemporânea é que hoje não temos mais a política de poder. III -Raiz de inúmeros conceitos e palavras, a expressão pólis remete de forma imediata à ideia de cidade, não somente no sentido urbano e espacial, mas sobretudo no sentido de comunidade organizada, de comunidade política, na qual os cidadãos são os personagens centrais. Pelo contexto apresentado, estão corretas APENAS as que se afirmam em: A) III. B) I e II. C) I e III. D) I, II e III. E) II e III.Questão 9 O poder para Karl Marx (1818-1883), teórico alemão que desenvolveu o método de análise do materialismo histórico e dialético, está na classe social. Dentro do assunto, analise as afirmativas. I -A classe social, para Karl Marx, é entendida na dialética entre o lugar que os indivíduos ocupam na cadeia produtiva e também nos espaços jurídicos, políticos e ideológicos. II -As instituições na análise de Marx, não têm poder por si; elas são a materialização do poder de classe e, por isso, se tornam centros de poder. III -O Estado é o centro do exercício do poder político, entende-se que a autonomia relativa das instituições estatais não se deve ao poder próprio, mas à sua relação com as classes sociais. Dentro do contexto apresentado, estão corretas APENAS as que se afirmam em: A) I e II. B) I, II e III. C) III. D) I e III. E) II e III.Questão 10 Sobre o sufrágio universal, analise as afirmativas em quais correspondem ao processo de politização que o sufrágio acarretou após as revoluções modernas. I - O movimento das sufragistas inglesas se iniciou em 1910. Dividido a respeito do sufrágio feminino o Gabinete inglês deixou a Câmara a decisão sobre a medida. II - No Brasil, os argumentos ressaltam o papel da mulher como mãe e procuram dar destaque para o prejuízo que a família sofreria se a mulher conseguisse participar do mundo político. III - O sufrágio universal é fundamental por perceber a restrição censitária da maioria despossuída nos últimos séculos e por reconhecer o papel que as minorias e a classe trabalhadora exerce nas democracias capitalistas. Considerando o contexto apresentado, é correto APENAS o que se afirma em: A) II e III. B) III. C) I e III. D) I e II. E) I, II e III.Questão 11 Sobre a gênese do Estado moderno, parte de um tipo específico de Feudalismo, que se localiza na substituição por parte do poder régio de uma classe dirigente monárquica por outra classe vinda de grupos étnicos germânicos. Tendo em vista tal escopo, escolha a opção mais adequada em se tratando da localização do Feudalismo em uma linearidade histórica: A) O Feudalismo ocidental não se originou da relação entre o poder régio e os grupos étnico germânicos. B) O Feudalismo europeu-ocidental não é importante do ponto de vista da instauração de novas formas de organização do poder, pois não se alicerçou em monarquias. C) Podemos dizer que apenas os Feudalismos chinês, indiano e otomano têm relações feudais, portanto, os relativos aos grupos étnicos germânicos têm uma importância histórica reduzida. D) Apesar de ter havido muitos tipos de Feudalismo, é o de ocorrência ocidental, de incorporação de povos germânicos, que mais nos ajuda a entender o Absolutismo. E) Do ponto de vista da Ciência Política, não vale a pena tentar localizar o Feudalismo em uma linearidade histórica, pois sua ocorrência foi demasiada pontual e homogênea.Questão 12 "Também na tradição libertária encontra-se a obra de um jovem filósofo francês, La Boétie, escrita no século XVI, depois da derrota popular contra os exércitos e fiscais do rei, que vinham cobrar um novo imposto sobre o sal. La Boétie indaga como é possível que burgos inteiros, cidades inteiras, nações inteiras se submetam à vontade de um só, em geral o mais covarde e temeroso de todos. De onde um só tira o poder para esmagar todos os outros?" (CHAUI, M. Convite à Filosofia. SP: Ática, 2000.) A passagem remete à obra de Étienne de La Boétie, Discurso da servidão voluntária, onde debate sobre o poder no contexto de formação do Estado moderno ainda incipiente. Sobre essa obra e as ideias do autor, analise as afirmativas: I -La Boétie mostra que não é por medo que obedecemos à vontade de um só, mas porque desejamos a tirania. II -Ao trocar o direito à liberdade pelo desejo de posses, aceitamos algo terrível: a servidão voluntária segundo La Boétie. III -Não somos obrigados a obedecer ao tirano e aos seus representantes, mas desejamos voluntariamente servi-los porque deles esperamos bens e a garantia de nossas posses segundo o autor. Pelo contexto apresentado, estão corretas APENAS as que se afirmam em: A) I e III. B) I e II. C) III. D) II e III. E) I, II e III.