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ESPECTROMETRIA DE ABSORÇÃO NO INFRAVERMELHO Profa. Valéria Regina Bellotto PRINCÍPIOS DE QUÍMICA ANALÍTICA Espectrometria de Absorção no Infravermelho Introdução Princípios básicos Conceitos Instrumentação Componentes Esquemas de espectrofotômetros Instrumentos dispersivos Instrumentos com transformada de Fourier (FTIR) Espectro de absorção infravermelho Aplicações qualitativas Aplicações quantitativas Espectroscopia de absorção no infravermelho Introdução A região infravermelha do espectro eletromagnético engloba radiações cujos comprimentos de onda variam de 0,78 a 1000 µm ou números de onda que vão de 12.800 a 10 cm-1 Por este motivo, tanto as aplicações quanto a instrumentação em espectroscopia no infravermelho são divididas em: infravermelho próximo, médio e distante. Espectroscopia de absorção no infravermelho Espectro Eletromagnético – região IV Regiões no IV Fonte: SKOOG, D. A., HOLLER, F. J., NIEMAN, T. A., Princípios de Análise Instrumental . 5ª Ed. Porto Alegre, Bookman, 2002. Técnicas e aplicações variam bastante: •IV Próximo (NIR): similar aos espectrofotômetros UV-VIS, aplicado em análises quantitativas de rotina. •IV médio (MIR): instrumentos dispersivos e baseados em interferômetros com Transformada de Fourier, aplicações quali e quantitativas. • IV distante: uso limitado devido a dificuldades experimentais Absorção molecular no IV • Espectros originados por variações de energia causadas por transições moleculares de um estado vibracional ou rotacional para outro. • Transições rotacionais: quantizados com energia diminuta ( <100 cm-1) – IV distante. Ex. linhas distintas em amostras gasosas. • Transições vibracionais: quantizados para a maioria das moléculas – região IV médio (4000- 200 cm-1). Ex. Em líquidos e sólidos a rotação está restrita resultando em picos vibracionais alargados. Espectroscopia de absorção no infravermelho Absorção molecular no IV • Processo de absorção: frequências de radiação que equivalem às frequências vibracionais naturais da molécula • Para absorver radiação IV: apenas moléculas que possuem ligações que tem momento de dipolo que muda como uma função do tempo ▫ A molécula precisa sofrer variação no momento de dipolo como consequência do movimento rotacional/vibracional natural da molécula; • Apenas nessa circunstância o campo elétrico alternado da radiação pode interagir com a molécula e causar variações na amplitude de um de seus movimentos. Absorção molecular no IV • Momento de Dipolo (): determinado pela magnitude das diferenças de carga e distância entre os dois centros de carga. - Cl + H Carga parcial no átomo de cloro H – Cl Durante a vibração natural da ligação ocorre uma variação regular do resultando em um certo valor de frequência. Vibrações Moleculares • Se a frequência da radiação coincidir com a frequência vibracional natural da molécula, ocorre uma transferência de energia efetiva resultando em uma variação da amplitude da vibração molecular. Fonte: CIENFUEGOS, F.; VAITSMAN, D., Análise Instrumental . Rio de Janeiro, Editora Interciência, 2000. Absorção molecular no IV • Dipolo elétrico oscilante da ligação pode, então, acoplar-se com o campo eletromagnético da radiação incidente, que varia de forma senoidal. • Não absorvem no IV : ▫ Moléculas homonucleares – não há variação efetiva do momento dipolo (N2, Cl2, O2) ▫ Ligação simétrica que tenha grupos idênticos ou praticamente idênticos em cada ponta CH3-CC-CH3 CC CH3 CH3 CH3 CH3-CH2 Propriedades das Vibrações Moleculares A taxa das vibrações é de milhões de ciclos por segundo. Cada vibração tem uma frequência única. Estudando suas vibrações, pode-se inferir sobre a estrutura de uma molécula. A frequência das vibrações depende de: Da força da ligação química entre os átomos Da massa de cada átomo Espectroscopia de absorção no infravermelho Tipos de vibrações moleculares Espectro no IV próximo (NIR) • Sinais sobrepostos • Pouco característicos • Intensidade baixa comparada ao infravermelho médio. Fonte: SKOOG, D. A., HOLLER, F. J., NIEMAN, T. A., Princípios de Análise Instrumental . 5ª Ed. Porto Alegre, Bookman, 2002. Espectro no IV médio (MIR) • %T x número de onda (cm-1) devido à proporcionalidade com a frequência e Energia. • Alteração da escala em 2000 cm-1 – detalhamento qualitativo útil < 2000 cm-1 • Sinais bem resolvidos, alta intensidade • Caracterização de grupos funcionais Fonte: SKOOG, D. A., HOLLER, F. J., NIEMAN, T. A., Princípios de Análise Instrumental . 5ª Ed. Porto Alegre, Bookman, 2002. Espectroscopia de absorção no infravermelho Espectro infravermelho do n-butanal ( n-butiraldeído) Instrumentos – Espectroscopia no IV • Espectrômetros dispersivos (espectrofotômetros) • Espectrofotômetros com transformada de Fourier (FT-IR) Espectrômetro de Infravermelho dispersivos Fonte: SILVERSTEIN, R.M., WEBSTER, F.X., Identificação Espectrométrica de Compostos Orgânicos, 8ª Ed, LTC, Rio de Janeiro, 2000. Uma amostra de referência compensa os efeitos de reflexão e dispersão devidos à célula, ao solvente e atmosfera. • Instrumentos de feixe duplo • Redes de difração para dispersar radiação • Modulador de baixa frequência: permite ao detector distinguir entre sinal da fonte e sinais de radiação espúria Espectrômetro de Infravermelho dispersivos • Espectro é registrado à medida que a frequência da radiação IV é alterada pela rotação da rede de difração – denominados espectro no domínio da frequência. • Medida de Transmitância: %T = Psolv/Pa x 100 • Feixe-duplo: elimina os efeitos interferentes de gases atmosféricos ativos (CO2 e vapor H2O) • Compartimento de amostra e referencia localizados entre a fonte e o monocromador – radiação de baixa energia – não ocorre decomposição fotoquímica. Problemas dos Espectrômetros dispersivos • Grande número de partes móveis • Baixa velocidade de varredura • Não existe referência interna • Maior chance de ocorrência de luz espúria • Aquecimento da amostra • Emissão da amostra Fonte: CIENFUEGOS, F.; VAITSMAN, D., Análise Instrumental . Rio de Janeiro, Editora Interciência, 2000. Espectrômetros com Transformada de Fourier Também se descobriu a possibilidade de se obter informações sobre a composição espectral de um feixe luminoso através do fenômeno de interferência. A transformada de Fourier de um interferograma origina o espectro correspondente. Como esta operação matemática é bastante trabalhosa, apenas com o advento de computadores rápidos e simples de usar é que as técnicas interferométricas experimentaram grande desenvolvimento, a ponto de hoje não existir mais nenhum espectrômetro dispersivo comercial para a região do infravermelho. Espectroscopia de absorção no infravermelho Instrumentos infravermelhos com transformada de Fourier (FTIR) Não apresentam nenhum elemento dispersivo e todos os comprimentos de onda são detectados e medidos simultaneamente. Em vez de um monocromador, um interferômetro é usado para produzir padrões de interferência que contêm a informação espectral do infravermelho. Usam os mesmos tipos de fontes usadas pelos equipamentos dispersivos. Transdutores : • piroelétrico- sulfato de triglicina ou • fotocondutivo - telureto de cádmio Maioria dos equipamentos de bancada é de feixe único Espectrômetros com Transformada de Fourier • Sinais no domíniodo tempo são produzidos pelo interferômetro de Michelson – modula a frequência da radiação IV • Produzem interferogramas – padrão em formas de ondas que contém todas as frequências que formam o espectro IV; • A Transformada de Fourier separa as frequências de absorções individuais contidas no interferograma produzindo um espectro virtualmente idêntico ao obtido com um espectrômetro dispersivo. • Equipamentos recentes acoplados a computador. Interferômetro de Michelson • Divisor de feixe: materiais transparentes com índice de refração que permitam que 50% da radiação seja refletida e 50% transmitida • Interferograma: gráfico da potência de saída do detector versus • Velocidade do espelho móvel deve ser constante e sua posição extremamente conhecida a cada instante • A diferença no comprimento do caminho dos dois feixes 2(M-S) é denominada retardamento ou atraso () Espectroscopia de absorção no infravermelho Interferograma obtido para o cloreto de metileno Para separa-se os comprimentos de ondas, é necessário modular-se o sinal da fonte e passá-lo pela amostra de forma que este possa ser registrado como um interferograma. Espectro de saída Espectro IV produzido pela transformada de Fourier Vantagens do Espectrômetro de Infravermelho com Transformada de Fourier (FT-IR) • Simplicidade mecânica (somente um espelho se movimenta durante as medidas) • Aumento da velocidade e da sensibilidade - um espectro em menos de 1 segundo. • Laser de He-Ne propicia um sistema de calibração interno. • Elimina a luz espúria porque cada frequência é modulada individualmente. • Provoca menor aquecimento da amostra pois ela fica longe da fonte. • Bandas de emissão não aparecem no espectro. Fonte: CIENFUEGOS, F.; VAITSMAN, D., Análise Instrumental . Rio de Janeiro, Editora Interciência, 2000. Instrumentação – Fontes de IV • As fontes de infravermelho consistem em um sólido inerte que é aquecido eletricamente a uma temperatura entre 1000 a 1800ºC. • Fonte de Nernst – óxido de terras raras em formato de um cilindro • Fonte Globar – pequena barra de carbeto de silício • Fonte de Filamento Incandescente – espiral de níquel – cromo • Arco de Mercúrio – tubo de quartzo encapsulado contendo vapor de mercúrio • Lâmpada de Filamento de Tungstênio (NIR) Espectroscopia de absorção no infravermelho Detectores - Transdutores Na espectrometria de infravermelho são usados os detectores térmicos - os fótons desta frequência não possuem energia para produzir fotoemissão. Instrumentação – Transdutores para IV • Transdutores piroelétricos: folhas de monocristais de materiais piroelétricos (isolantes – materiais dielétricos com propriedades térmicas e elétricas) ▫ Sulfato de Triglicina (DTGS). Detector mais comum em FTIR, opera a temperatura ambiente. A polarização deste cristal é dependente da temperatura, e a sua variação com a temperatura é chamada efeito piroelétrico. • Transdutores fotocondutores: absorção de radiação promove elétrons não-condutores de valência a um estado condutor, decrescendo a resistência elétrica do semicondutor. ▫ Telureto de cádmio e mercúrio (DMCT). Maior sensibilidade e velocidade de detecção. Opera à temperatura do nitrogênio líquido. Aplicações da Espectrofotometria no IV • Espectrometria de Absorção (MIR) • Espectrometria de Reflexão (MIR) ▫ Reflexão difusa – DRIFTS ▫ Reflectância total atenuada - ATR Espectrometria de absorção no MIR • Preparo de amostra: parte mais difícil e demorada ▫ Gases: célula cilíndrica evacuada dotada de janelas apropriadas – cm até 10m (células compactas com superfícies internas refletoras) ▫ Soluções: concentração conhecida (calibração externa), limitada a disponibilidade de solventes transparentes na região Solventes: água e alcoóis são pouco usados pois absorvem fortemente e também atacam os haletos de metais alcalinos usados na fabricação das janelas de células Transparência de solventes Fonte: SKOOG, D. A., HOLLER, F. J., NIEMAN, T. A., Princípios de Análise Instrumental . 5ª Ed. Porto Alegre, Bookman, 2002. Nenhum solvente é transparente em toda a região do infravermelho médio Espectrometria de absorção no MIR • Sólidos: dispersão da amostra sólida em matriz sólida ▫ Dispersões – usada quando sólidos não são solúveis em solvente transparente ou não podem ser pastilhados Pulveriza-se a amostra (2 a 5 mg) na presença de uma ou duas gotas de um óleo de hidrocarboneto pesado (Nujol) ou polímero halogenado (Fluorolube) ▫ Pastilhamento – poucos miligramas da amostra são misturados com KBr e prensada, formando um disco se tornam transparentes ou translúcidos quando pressão suficiente é aplicada ao material finamente pulverizado 1 mg de amostra em 100 mg KBr prensada em molde entre 10.000 a 15.000 libras/polegada2 problemas com água retida, a vácuo para remoção do ar Espectrometria de absorção no MIR Prensa hidráulica Acessório para medidas de transmitância em pastilhas Espectroscopia de absorção no infravermelho Aplicações qualitativas A principal é a identificação de compostos orgânicos. Região de frequência de grupo - 3.600 cm-1 a 1200 cm-1 Espectroscopia de absorção no infravermelho Espectro infravermelho do n-butanal ( n-butiraldeído) Espectroscopia de absorção no infravermelho Cada espécie molecular, com exceção das moléculas quirais no estado cristalino, apresenta um espectro de infravermelho de absorção que é único Região de Fingerprint – entre 1200 cm-1 e 600 cm-1 Espectroscopia de absorção no infravermelho Aplicações quantitativas Particularmente na análise de misturas de substâncias orgânicas muito semelhantes. Poluentes atmosféricos determinados empregando-se espectroscopia de IV Análise Quantitativa Calibração univariada Calibração Multivariada (Quimiometria) Método da linha de base: supõe-se que a transmitância do solvente permaneça constante, ou pelo menos, varie linearmente entre os ombros do picos de absorção Bibliografia SKOOG, D.A; LEARY, J.J. Principles of Instrumental Analysis. 4 th edition. Fort Worth:Saunders College Publishing,1992. SKOOG, D.A.; WEST, D.M.; HOLLER, F.J.. Fundamentals of Analytical Chemistry. 7 th Edition. Fort Worth:Saunders College Publishing., 1996. SKOOG, D.A.; WEST, D.M.; HOLLER, F.J.; CROUCH, S.R.. Fundamentos de Química Analítica. Tradução da 8ª edição norte- americana. São Paulo:Thomson Learning., 2006. Espectroscopia de absorção no infravermelho