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1 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................... 3 2 PROJETOS DE PAISAGISMO ............................................................ 4 3 LÂMPADAS E LUMINÁRIAS ............................................................. 23 3.1 Tipos de lâmpadas e luminárias .................................................. 23 3.2 Características luminotécnicas das lâmpadas e luminárias ........ 31 3.3 Características das lâmpadas ..................................................... 31 3.4 Características das luminárias .................................................... 36 3.5 Utilização adequada de cada lâmpada e luminária ..................... 41 3.6 Utilização de luminárias .............................................................. 43 4 EQUIPAMENTOS .............................................................................. 47 5 REFERÊNCIA.................................................................................... 50 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 PROJETOS DE PAISAGISMO O paisagismo pode atuar como elemento de transição entre os espaços privados e públicos. A forma de atuar e a responsabilidade social do trabalho do paisagista, no que tange à elaboração do projeto em si, influencia na unificação das diversas disciplinas da arquitetura e na utilização dos espaços abertos. O paisagista deve utilizar dimensões adequadas para os diferentes ambientes dos espaços públicos, considerando sempre as funções, os dimensionamentos e a distribuição do mobiliário nesses espaços, a fim de gerar vitalidade nos espaços abertos (WEIJH, 2019). O contexto do projeto de paisagismo O campo de trabalho do arquiteto é interdependente com diversos outros profissionais que complementam especificidades na tarefa de projetar, evidenciando a multidisciplinariedade que a abrange. Enquanto profissional de arquitetura, é possível se especializar na arquitetura em diversas áreas, como arquitetura de interiores, arquitetura civil, urbanismo e paisagismo, entre outras (WEIJH, 2019). Esta abrangência que envolve o trabalho do arquiteto o faz navegar em muitas escalas, ora partindo para o nível do detalhe, ora olhando a obra como um todo, sem perceber a costura entre as diferentes áreas que contemplam a elaboração do trabalho. É no refinamento simbolizado por essa costura invisível entre os diversos projetos que se situam a conceituação e as diretrizes projetuais (WEIJH, 2019). Do ponto de vista da teoria da arquitetura, o conceito do projeto e as principais diretrizes elaboradas para a composição arquitetônica da obra têm a função de costurar os trabalhos dos diferentes profissionais envolvidos de forma harmônica, evidenciando na obra a busca e a obtenção dos resultados que essas diretrizes projetuais propõem (WEIJH, 2019). 5 Em projetos de médio ou grande porte, é natural que, em um primeiro momento, a obra arquitetônica em si seja encarada como protagonista do espaço onde será instalada, porém o trabalho do arquiteto paisagista é tão importante quanto a obra de arquitetura com a qual ele trabalhará, visto que envolverá o espaço que será criado pela obra de arquitetura em si. Ou seja, ao projetar a arquitetura dos espaços abertos, o arquiteto paisagista determina diretrizes que afetarão diretamente a relação do usuário do ambiente com o espaço aberto (WEIJH, 2019). Dentre as principais diretrizes que o arquiteto paisagista poderá lançar, pode-se citar: o grau de integração entre os ambientes abertos e fechados; a condução do usuário através dos espaços abertos; a criação de espaços de permanência ou transição; a criação de visuais que gerem e afetem tanto a percepção estética do espaço quanto a sua segurança; e a utilização de elementos que proporcionem mais sustentabilidade ao projeto (WEIJH, 2019). Uma das diretrizes mais importantes na abordagem da área por parte do paisagista é a forma como ele gerenciará o grau de acesso ou privacidade das áreas abertas, tornando-as mais ou menos reservadas, públicas, semipúblicas ou privadas. A interação e a integração do espaço aberto com os espaços construídos determinam o grau de privacidade que existirá entre os espaços fechados e abertos. Além disso, a maneira como o paisagista trabalhará o ambiente gerará maior ou menor permanência nesse local, o que está diretamente relacionado às diretrizes projetuais estabelecidas no que tange ao uso de iluminação, vegetação e mobiliário, criando aquilo que os urbanistas chamam de vitalidade do espaço. Nesse sentido, em seu livro Cidades para pessoas, Jan Gehl (2015, p. 3) destaca que: “Uma característica comum de quase todas as cidades — independentemente da localização, economia e grau de desenvolvimento — é que as pessoas que ainda utilizam o espaço da cidade em grande número são cada vez mais maltratadas”, visto que os espaços públicos muitas vezes são abandonados, de modo que ficam em condições precárias, o que impede que as pessoas os utilizem (WEIJH, 2019). (Figura 1). 6 Figura 1. Praça José Vilela, Recife — Os espaços públicos sofrem com o abandono, assim como as pessoas que frequentam esses espaços. Fonte: Alexandersr/Shutterstock.com. Portanto, dentre as diretrizes a serem estabelecidas durante a elaboração de um projeto, é imprescindível considerar a manutenção do espaço aberto. Via de regra, espaços públicos abertos são de propriedade e manutenção pública, motivo pelo qual o paisagista precisa ter uma série de cuidados em seu projeto, principalmente no que tange à conservação do espaço aberto de uso comum, bem como às espécies que ele escolherá. Suas diretrizes projetuais e composições devem se utilizar ao máximo de plantas nativas que já estão plenamente adaptadas ao clima, à insolação e ao regime de chuvas do local. Nas partes do projeto que são compostas por elementos construtivos, como a iluminação e o mobiliário, deve-se optar sempre por elementos e materiais duráveis e que precisem de pouca manutenção, mas que, em caso de necessidade de substituição, sejam facilmente encontrados (WEIJH, 2019). O principal elemento do projeto de paisagismo Segundo Jan Gehl, arquiteto dinamarquês cujo trabalho se desenvolve em torno da relação das pessoas com os espaços, as atividades ao ar livre em espaços 7 públicos podem ser divididas em três categorias: atividades necessárias, atividades opcionais e atividades sociais (Figura 2) (GEHL, 1971). O autor desenvolve a conceituação de cada uma dessas classifi cações da seguinte forma: Atividades necessárias incluem aquelas que são mais ou menos compulsórias – ir àescola ou trabalho, fazer compras, esperar por um ônibus ou uma pessoa, levar recados, distribuir correspondência – em outras palavras, todas as atividades nas quais os envolvidos em maior ou menor grau são solicitados a participar. Atividades opcionais são aquelas em que quem busca participar o faz quando há um desejo em fazê-lo, quando e se o tempo e o espaço permitirem – é outra questão. [...] Atividades Sociais, são todas as atividades que são dependentes da presença de outras pessoas no espaço público (GEHL, 1971, p. 9–12). Figura 2. Melbourne, Austrália — Atividades sociais. Fonte: Veitch, Timperio e Salmon (2016, documento on-line) Considerando a forma como Jan Gehl fala a respeito das cidades, pode-se afirmar que, apesar de a cidade ser um espaço onde percebemos com maior intensidade os ambientes construídos, ou seja todas as edificações, tanto estas quanto os espaços abertos são resultado das relações humanas (WEIJH, 2019). Tanto as relações das pessoas entre si quanto as relações destas com o espaço são os principais vetores que criam a cidade e determinam os usos dos espaços. Entretanto, a forma como as pessoas utilizam o espaço é que determina 8 a qualidade, a sustentabilidade e a segurança dos ambientes abertos. Assim, considerando a forma como as pessoas vivem e as suas necessidades básicas de relacionamento com o espaço, pode-se compreender melhor os motivos pelos quais, por exemplo, uma vizinhança que está estruturada de forma a ter comércios que dão suporte às necessidades domésticas, como mercado, padaria, lavanderia, farmácia, entre outros varejos de uso cotidiano, se torna mais atraente para viver do que aqueles bairros onde os usos se encontram completamente segregados entre si (WEIJH, 2019). Ao considerar as relações entre as pessoas, os espaços públicos e os espaços privados, é possível perceber que, nas grandes cidades, o poder público já tem tomado medidas para que a vitalidade das ruas se torne constante. O plano diretor de São Paulo, por exemplo, prevê a criação de “fachadas ativas”, ou seja, grandes torres devem abrigar em seu espaço térreo usos comerciais e serviços para promover a circulação constante de pessoas (WEIJH, 2019). Sobre esta dinâmica de uso misto do espaço em uma vizinhança ou bairro, Jane Jacobs, jornalista americana engajada nas questões sociais que envolvem a produção e o uso cidade, afirma que: Usos únicos de grandes proporções nas cidades têm entre si uma característica comum. Eles formam fronteiras, e zonas de fronteira, nas cidades, geralmente criam bairros decadentes. Uma fronteira – o perímetro de um uso territorial único de grandes proporções ou expandido – forma o limite de uma área “comum” da cidade. As fronteiras são quase sempre vistas como passivas, ou pura e simplesmente como limites (JACOBS, 1960, p. 177). É nas fronteiras caracterizadas no trabalho de Jane Jacobs e no cuidado do espaço público ao qual se refere Jan Gehl que se localiza o trabalho do arquiteto paisagista. Do ponto de vista da responsabilidade social, o trabalho do paisagista é essencial, pois expressa a harmonização entre as intenções do urbanista, a função da edificação, a harmonização com as edificações do entorno e, quando for o caso, com aquelas que fazem parte da área de seu projeto (WEIJH, 2019). Enquanto o urbanista planifica a cidade, de forma a torná-la agradável ao uso, com espaços que possam ser usados pelas pessoas de forma ativa e 9 constante, tornando a cidade segura, o paisagista trabalha com os espaços abertos, guiando o usuário, criando espaços para usos ao ar livre, de forma a gerar a permanência e a vitalidade dos espaços públicos, e gerando zonas de transição de usos entre o uso público e o uso privado. O paisagista torna funcional a intenção do urbanista, e é o seu trabalho que, juntamente com os usos da região trabalhada determinados no plano de urbanismo, cria a vivacidade e a atratividade dos espaços. É o cuidado do paisagista com o levantamento do entorno de sua obra que guia o olhar do usuário do espaço para a paisagem urbana, e, considerando- se o trabalho do paisagista deste ângulo, é possível afirmar que o paisagista cria os cenários onde se discorre a vida urbana, podendo emoldurar as cenas da vida e do quotidiano das pessoas. Por outro lado, o trabalho do paisagista é silencioso frente aos objetos construídos, pois sua principal função é harmonizar os espaços abertos com os espaços construídos. Sobre as transições de uso dos diferentes espaços, Rogers e Gumuchdjian afirmam que (2017, p. 69): As cidades são uma adaptação entre direitos particulares e responsabilidades públicas. Em 1768, o arquiteto Giambattista Nolli desenhou um mapa de Roma e, ao colorir os espaços privados, ilustrou tudo o que era acessível ao cidadão. Além das passagens, ruas, praças e parques que pensamos como espaços públicos, ele também incluiu espaços semipúblicos: igrejas, termas, prefeituras e mercados. Segundo Rogers e Gumuchdjian (2017) o trabalho de Nolli mostrou em duas dimensões os espaços onde o cidadão transita livremente, porém é o espaço tridimensional das edificações que define o âmbito público, representando uma contínua e sempre mutável sequência de espaços, que é a principal característica das cidades. Nesse aspecto, vale salientar que, sobre a responsabilidade social do trabalho do arquiteto paisagista, Rogers dá ênfase à ideia de que os edifícios têm sido projetados como objetos isolados, ignorando a esfera do público na qual se localizam, uma falta grave na elaboração dos projetos, visto que os edifícios ampliam a esfera do público de várias formas, conformando a silhueta da massa edificada, marcando o horizonte da cidade e conduzindo a exploração dos lugares pelo olhar do observador. A forma como os detalhes pensados no projeto se relacionam com a escala humana tem grande impacto no cenário urbano, e “[...] o 10 menor detalhe tem efeito crucial na totalidade” (ROGERS; GUMUCHDJIAN, 2017, p. 71). O arquiteto paisagista deverá, portanto, possuir a habilidade de ver os aspectos do conjunto, de forma a definir os parâmetros e as diretrizes de seu trabalho para elaborar a “costura” entre os objetos construídos e o espaço aberto. Seu trabalho também definirá a forma como as fronteiras entre o público e o privado serão tratadas (WEIJH, 2019). Tim Waterman (2011) complementa que ter em mente as relações humanas nos espaços projetados e a forma de projetar esses espaços é determinante na criação do ambiente ideal, a fim de que as pessoas se apropriem do espaço público, considerando-o uma extensão do espaço privado de sua residência ou local de trabalho. Waterman (2011, p. 84), ao traçar um paralelo com o uso de uma roupa confortável, lembra que o arquiteto paisagista cria muito além dos lugares “[...] meramente fotogênicos ou escultóricos”, mas sim paisagens que foram criadas para serem habitadas, motivo pelo qual os trabalhos mais discretos são aqueles de maior qualidade. Corroborando com a importância do projeto de paisagismo, no sentido de se apropriar adequadamente do sítio e, de forma discreta, projetar o espaço, com base no conceito consolidado no movimento moderno da arquitetura de que “a forma segue a função”, Waterman (2011, p. 86) afirma que: Os arquitetos muitas vezes começam com uma grandiosa exploração da forma, mas os paisagistas devem observar cuidadosamente o sítio, compreender seu potencial e protegê-lo de todos os seus usos possíveis. No paisagismo quase sempre é verdade que a forma segue a função. Essa fórmula simples parece fácil de resolver, mas a paisagem apresenta possibilidades funcionais quase ilimitadas. E a complexidade das intersecções de uso é o grande desafio dos paisagistas. Os espaços de transição entre o uso público e o privadoPara compreender melhor o espaço de transição, é preciso, inicialmente, conceituar espaço público e espaço privado. Para isso, nos apoiaremos nas 11 definições dadas por Hermann Hertzberger em seu livro Lessons for students in arquitecture: Os conceitos ‘público’ e ‘privado’ podem ser interpretados como a tradução em termos espaciais dos termos ‘coletivo’ e ‘individual’. Em um senso mais absoluto você poderia dizer: ‘Publico: uma área que é acessível a todos todo o tempo: responsabilidade de manutenção é tomada coletivamente. Privado; uma área cuja acessibilidade é determinada por um pequeno grupo ou uma pessoa com responsabilidade para manter (HERTZBERGER, 2005, p. 12, tradução nossa). Hertzberger aprofunda um pouco mais a diferenciação entre os conceitos de público e privado em termos de responsabilidades diferenciadas, do ponto de vista da interferência do usuário e suas contribuições para o ambiente, afirmando que, durante o planejamento, é possível criar condições para um maior envolvimento do usuário na organização do espaço, de modo que “[...] os usuários se tornam habitantes” (HERTZBERGER, 2005, p. 28). A partir das definições e conceitos de Herman Hertzberger, pode-se afirmar que a abordagem do arquiteto dos espaços abertos é determinante na forma como o usuário do espaço se apropria deste, da mesma forma que determina o grau de privacidade do espaço e a vivacidade deste na maneira como projeta os espaços e prevê instalações para as pessoas permanecerem no ambiente aberto (WEIJH, 2019). Ainda pensando na importância da abordagem adequada do projeto dos espaços abertos, tendo em vista os espaços de transição da cidade, Gehl comunica a sua preocupação com a forma como esses espaços têm sido abordados por parte dos arquitetos: [...] os espaços de transição da cidade oferecem um sentido de organização, conforto e segurança. Reconhecemos os locais sem espaços de transição ou com espaços de transição ruins, em muitas praças, circundadas nos quatro lados por vias de tráfego intenso. Sua função é bem mais empobrecida do que o espaço urbano onde a vida é diretamente reforçada por um – ou mais de um — espaço atraente de transição (GEHL, 2015, p. 75) 12 Mas quais são os fatores decisivos em um projeto de paisagismo que determinam se o usuário do espaço irá efetivamente se apropriar deste ou não? Quais são as diretrizes de projeto que determinam esse sucesso? Além das diretrizes projetuais relacionadas com conforto e estética, um elemento fundamental é a sensação de segurança que os usuários do ambiente precisam ter para uma maior permanência no ambiente ao ar livre. O projeto de iluminação do espaço, a integração do espaço fechado com o espaço aberto e a escolha das melhores espécies vegetais para aquele projeto terão influência fundamental nesse aspecto (WEIJH, 2019). O paisagismo de espaços privados pode ser desenvolvido em ambientes residenciais ou comerciais. Nos projetos residenciais, há uma demanda maior por paisagismo em residências multifamiliares, que têm sido lançadas pelas incorporadoras com cada vez mais itens de uso comum e de lazer, como área de piscinas, quadras poliesportivas, pet place, playground, espaços para caminhada ou academias ao ar livre e espaços de reunião social, como churrasqueiras ou área aberta de festa (WEIJH, 2019). Em se tratado de ambientes comerciais ou corporativos, pode-se citar as áreas de ajardinamento tanto abertas quanto fechadas nos Shoppings Centres ou as grandes praças que integram uma área de prédios corporativos, com espaços de convivência para os funcionários (WEIJH, 2019). Quando se fala na diferenciação entre os espaços privado e público, o fator escala, no que tange ao projeto de paisagismo, é o fator determinante, e há duas escalas distintas e mais usuais que podem ser trabalhadas: uma mais aplicável aos ambientes residenciais e corporativos, e outra mais aplicável aos espaços públicos. Segundo Faria (apud VIEIRA; OLIVEIRA, 2005, p. 2), a relação entre o uso dos espaços e sua escala ocorre da seguinte forma: [...] existem duas formas de definir o paisagismo, sendo utilizadas escalas quanto à representação gráfica do projeto paisagístico. Micropaisagismo, desenvolvido em espaços pequenos, com escalas menores, podendo ser desenvolvido por apenas um profissional devido as proporções menores. Macropaisagismo, projetos paisagísticos desenvolvidos em grandes espaços, sendo eles parques, bosques e arborização urbana, estes 13 representam escalas maiores e podem ser desenvolvidos em equipe, onde envolve técnicas complexas e multidisciplinares. Quando se trata da escala de projeto de macropaisagismo, o arquiteto paisagista tem uma formação mais generalista, em virtude de conseguir gerenciar os demais técnicos em torno de seu trabalho; por exemplo, em um projeto de macropaisagismo, ele precisará de um engenheiro civil para projetar cortes de terra, taludes, instalações de irrigação, de um engenheiro florestal ou agrônomo para verificar questões relacionadas com compatibilidades de espécies entre si e com a composição de solo, etc (WEIJH, 2019). Embora um projeto paisagístico possa ser feito sem a presença de plantas, a escolha das espécies vegetais é uma etapa extremamente importante para a consolidação do projeto (TUPIASSU, 2008 apud VIEIRA; OLIVEIRA, 2015). De acordo com Tupiassu (2008) e Barbosa (2000) segundo Vieira e Oliveira (2015) a multidisciplinariedade na elaboração dos projetos é necessária, pois as espécies vegetais, quando parte do projeto, devem ser escolhidas não apenas por seus aspectos estéticos, mas também levando em consideração princípios fitotécnicos básicos para o seu manejo. O paisagismo não deve ser caracterizado como uma simples criação de jardins a partir do plantio desordenado de plantas ornamentais, pois trata-se de uma técnica artesanal unida à sensibilidade e que tem como principal intuito a reconstituição da paisagem natural dentro de um cenário que foi devastado por construções, sendo necessários conhecimentos de botânica, ecologia, variações climáticas regionais, arquitetura e agricultura (WEIJH, 2019). Open Garden — Benedito Abbud — São Paulo/SP Em cidades de porte médio ou grande, como São Paulo, há diretrizes no plano diretor que incentivam e, em alguns casos, obrigam as incorporadoras a criarem espaços públicos nos lotes de suas incorporações. Em condomínios residenciais que ocupam grandes glebas, uma estratégia comum é criar um espaço público que esteja sob a responsabilidade de manutenção do condomínio, gerando um espaço aberto que tem utilidade tanto para os condôminos quanto para os passantes (WEIJH, 2019). 14 Um exemplo desse tipo de projeto é o Open Garden, desenvolvido pelo arquiteto paisagista Benedito Abbud (Figura 3). O projeto está localizado na zona oeste da cidade de São Paulo, no bairro Vila Anastácio. Duas incorporadoras locais adquiriram grandes glebas vizinhas na região, totalizando mais de 150 mil m² . A área, situada em uma região com grandes fábricas intercaladas com região de residências unifamiliares, conta com 11 condomínios verticais multifamiliares ao longo de uma rua com mais de 1.300 metros de extensão. As duas incorporadoras, percebendo que precisariam criar atratividade para a região, contrataram Abbud para realizar a costura entre os diferentes condomínios. O resultado foi um parque linear com grande variação de dimensões e muitos usos públicos: espaço para piquenique, playground, ciclovia, academia ao ar livre, entre outros (WEIJH, 2019). (Figura 4). Figura 3. Open Garden, de Benedito Abbud, na Vila Anastácio, zona oeste de São Paulo — A relação dos condomínios residenciais com o Open Garden. As incorporadoras usam o parque linear como argumento de venda para uma região que era residencialunifamiliar e recebeu altos índices construtivos. Fonte: Benedito Abbud (2019, documento on-line). 15 Figura 4. Perspectiva da rua do Open Garden — Grandes espaços urbanos qualificados para proporcionar segurança e regeneração do espaço público. Fonte: Benedito Abbud (2019, documento on-line). Parque da Cidade — OR Realizações (Sérgio Santana e Pamela Burton and Company) — São Paulo/SP Conforme o site do arquiteto paisagista brasileiro Sérgio Santana, em relação às diretrizes projetuais que geraram esta obra, o primeiro passo foi criar um parque, que constituiria a base do projeto. Portanto, o projeto paisagístico do Parque da Cidade teve papel fundamental na criação do projeto como um todo. A intenção, com esse projeto, era de criar um espaço urbano aberto que pudesse ser utilizado por toda a população da cidade (WEIJH, 2019). Outro elemento diferencial desse projeto é a questão da certificação ambiental, que o complexo de edificações optou por adquirir. Dentre as medidas para atingir o grau de certificação desejado, foram estabelecidas diretrizes projetuais, como priorizar o uso de materiais permeáveis, estabelecendo o desafio de aproveitar toda a água utilizada nas torres, tratá-la e dar a ela uma nova utilização. Esta última diretriz gerou um elemento importante para o projeto, pois, para armazenar a água, os projetistas buscaram inspiração em um fenômeno da natureza: a formação de lagoas marginais (i.e., um tipo de corpo d’água, fenômeno 16 bastante comum em rios sinuosos). Essa ideia também tem relação direta com a proximidade com o Rio Pinheiro, visto que os paisagistas fizeram uma relação com a história da sua sinuosidade, aproveitando o desenho do rio e criando recantos interessantes com canteiros de plantas que misturam formas mais retilíneas, inspiradas pela riqueza e a diversidade das espécies da Mata Atlântica, elemento implícito também ao optar pelo uso de plantas nativas. O resultado do projeto de paisagismo foi tão positivo que transformou o conceito das demais fases do projeto, levando o paisagismo para os telhados dos outros edifícios. As Figuras 5, 6 e 7, a seguir, mostram diferentes pontos de vista desse projeto (WEIJH, 2019). Figura 5. Vista aérea parcial da área de projeto. Fonte: Conheça... (2015, documento on-line). 17 Figura 6. Vista parcial ao nível do observador da área de projeto. Fonte: Conheça... (2015, documento on-line). Figura 7. Vista de um dos lagos. Fonte: Conheça... (2015, documento on-line). 18 O projeto do Parque da Cidade nasceu com a proposta de transformar parte de uma área degradada na capital paulista em referência de sustentabilidade e planejamento urbano, seguindo à legislação e os planos municipais estabelecidos pela Operação Urbana Água Espraiada da Prefeitura Municipal de São Paulo. O eixo principal, organizador do empreendimento, é o parque linear, de gestão privada, com 62.000m² de áreas abertas ao público em geral, dotado de infraestrutura de serviços e lazer que garantirão o fluxo constante de pessoas sete dias por semana, inclusive fora do horário comercial (CONHEÇA..., 2015, documento on- line) Outro elemento que destaca o projeto é o plantio de mais de mil árvores, com um total de 22.000 m² de áreas verdes. Os benefícios previstos pela adoção de áreas verdes são minimizar as ilhas de calor, atuar como barreiras acústicas e barreiras de ventos e favorecer a retenção de águas pluviais com os jardins de chuva e bacias estendidas (WEIJH, 2019). Dentre as principais características deste grande projeto, pode-se destacar que, além de ser o protagonista sobre o qual se desenvolveram os projetos arquitetônicos dos edifícios, a premissa projetual de incorporador sustentabilidade foi um elemento forte na elaboração das diretrizes de projeto, tanto no aspecto conceitual e estético quanto na interdependência do projeto de arquitetura com o de paisagismo, principalmente na forma como as águas servidas nas edificações foram tratadas, mas também na forma como se buscaram soluções para resolver problemas urbanos relacionados com drenagem pluvial na área de implantação do projeto (WEIJH, 2019). O paisagismo é o elemento de costura entre diferentes espaços, e, enquanto elemento unificador, precisa respeitar o conceito arquitetônico inicial lançado no projeto para melhor cumprir sua função. Apesar de remeter ao uso intensivo de vegetação, o projeto de paisagismo contempla diversos elementos construídos, bem como espaços vazios ou abertos, especialmente projetados para estimular a convivência. Elementos construídos que contemplam a arquitetura dos espaços abertos incluem pergolados, telheiros, espaços de estar e espaços de recreação permeados e unidos por caminhos revestidos de diferentes texturas de pisos combinados com vegetação (WEIJH, 2019). 19 O paisagismo também pode ter um papel essencial na sustentabilidade do projeto como espaço para utilização de espécies nativas e, consequentemente, para a preservação destas por meio do conhecimento que os usuários do ambiente têm sobre elas. As espécies nativas também reduzem problemas com demandas exageradas por regas e reposição de minerais no solo (WEIJH, 2019). Elementos construídos: mobiliário urbano, iluminação e pavimentações Na arquitetura dos espaços abertos, pode-se desenvolver uma série de projetos que, apesar de, em sua essência, advirem da necessidade e do desejo da utilização do espaço ao ar livre, seja ele público ou não, convergem para promover mais do que apenas espaços de passagem, mas sim a vivacidade dos espaços por meio da criação de uma motivação para permanência e uso desses espaços públicos (WEIJH, 2019). Nesse sentido, tanto na elaboração de um projeto de jardim privado em um ambiente corporativo como na de um residencial, ou no desenvolvimento de um trabalho em um espaço público, como uma rua, uma praça, um parque, todos esses projetos terão uma instrumentalização, que promoverá o uso do espaço e elementos de cunho funcional, a fim de que o usuário possa se apropriar do espaço aberto e permanecer nele. Os elementos que compõem os espaços abertos, além do uso da vegetação em si, são: diferentes níveis de iluminação, pisos com finalidades específicas, mobiliário (WEIJH, 2019). Dentre os autores que trabalham com espaços abertos, Juan Luís Mascaró é referência, o qual afirma, em seu livro Loteamentos urbanos, que a largura das ruas é determinada de acordo com a sua função e com a taxa de ocupação do bairro e dos lotes que são acessados pela rua projetada (MASCARÓ, 2003). O perfil da rua deve ser projetado de forma a dar vazão ao trânsito previsto naquela via, tanto de pedestres quanto de veículos, com o intuito de evitar problemas de tráfego e congestionamentos (WEIJH, 2019). 20 O autor ainda demonstra quais são os dimensionamentos ideais para espaços onde prevaleçam a circulação de pedestres e bicicletas, enfatizando que as vias de pedestres e bicicletas, bem como as de uso veicular, estão envoltas em muitas questões relacionadas com infraestrutura e tratamento da via, como cuidados com as larguras das faixas conforme os fluxos previstos para a via e com as declividades. Já a presença de mobiliário urbano, arborização e redes de infraestrutura aéreas e subterrâneas em conjunto influenciam diretamente na permanência das pessoas na rua e valorizam áreas de fluxo maior onde haja comércio, por exemplo (WEIJH, 2019). Sobre a largura das vias para pedestres, Mascaró (2003, p. 89) propõe os seguintes pré-dimensionamentos: A largura mínima recomendável para os passeios é de 2,40 m,considerando o espaço mínimo de 1,20 m para o trânsito de pedestres em duas direções, uma faixa de 0,60 m para mobiliário urbano de pequeno porte e um espaço morto de 0,60 m entre a faixa de circulação e a linha da edificação. O autor ainda recomenda que, quando estiver previsto o trânsito de deficientes físicos, deverá haver um acréscimo de largura de 20 a 30 cm ao mínimo recomendável de largura de passeios, para que o trânsito de pessoas flua com mais facilidade. Também é recomendado que se reserve um espaço de 1 m para a arborização, posteamento de rede aérea, canalização de córregos e instalações subterrâneas de infraestrutura, como água e esgoto, sempre tomando cuidado com os possíveis conflitos entre as redes subterrâneas e a arborização. Considerando todos esses elementos, que pertencem a diferentes grupos de infraestrutura e utilização do espaço de passeio, pode-se chegar a um dimensionamento ideal de passeio de cerca de 3,60 a 4,00 m de largura (WEIJH, 2019). Sobre as vias que abriguem circulação de bicicletas, o espaço ocupado pelas bicicletas no trânsito deverá ser dimensionado conforme será permitido o fluxo de bicicletas e como elas deverão conviver com os veículos automotores. Sua classificação em quatro tipos está relacionada com o fluxo da vida, motivo pelo qual, quando se trata de uma via local em que o espaço de tráfego pode ser compartilhado, o alargamento da via supre a necessidade para dar suporte ao 21 tráfego de bicicletas. Entretanto, em vias de fluxo mais acentuado, podem ser criadas ciclofaixas, isto é, “[...] faixas separadas das outras faixas de tráfego por uma linha pintada no pavimento” das ciclovias (MASCARÓ, 2003, p. 92). O tráfego entre os veículos motorizados e o de bicicletas deve ser separado por um elemento físico, como um canteiro, contendo separação de direção das bicicletas e, eventualmente, podendo ser completamente desvinculado do sistema viário existente, motivo pelo qual a recomendação geral de Mascaró (2003) é de que haja, no mínimo, um alargamento de 1,50 m para abrigar as faixas de trânsito de bicicletas (WEIJH, 2019). Para que os espaços de convivência ao ar livre se tornem espaços de permanência, portanto, é essencial que o arquiteto se preocupe com as circulações que conduzem o usuário até os espaços de estar, de modo a separar espaços de passagem de espaços de permanência, para que os usos de um não interfiram nos usos do outro (WEIJH, 2019). A Figura 8, a seguir, apresenta os dimensionamentos mínimos de espaços de circulação. Figura 8. Recomendações de pré-dimensionamento de espaços. Fonte: Mascaró (2003, p. 72) A Figura 9, a seguir, apresenta a largura mínima de um passeio. 22 A Figura 10, a seguir, apresenta a largura ideal de passeios. Figura 10. Largura ideal para passeios. Fonte: Mascaró (2003, p. 90). 23 3 LÂMPADAS E LUMINÁRIAS A escolha de lâmpadas e luminárias adequadas é uma das etapas mais importantes em um projeto de arquitetura, já que são esses equipamentos que serão os responsáveis por mostrar o espaço aos usuários. Atualmente, existe um grande número de opções de lâmpadas e luminárias à disposição dos arquitetos, os quais precisam saber os critérios técnicos para tomar a correta decisão sobre o tipo a ser escolhido (CASTAGNA, 2019). 3.1 Tipos de lâmpadas e luminárias O desafio de iluminar a noite esteve presente na vida dos seres humanos há quase 7 mil anos, quando os homens pré-históricos lograram controlar o fogo e produzir, ao mesmo tempo, calor e luz, demarcando, dessa maneira, o espaço onde o homem habita. Com a luz domesticada, a noite deixou de ser um território inalcançável (CASTAGNA, 2019). Durante séculos, as mais diversas civilizações trataram de tornar cada vez mais controlável a chama, chegando a avanços como os lampiões a óleo, comuns nas cidades da Revolução Industrial, no final do século XVIII. No século seguinte, a descoberta da eletricidade permitiu a invenção de dispositivos que transformam a energia elétrica em luz, possibilitando que, com o simples corte da corrente, um ambiente fique iluminado ou não (CASTAGNA, 2019). A seguir, você verá os principais tipos de lâmpadas e luminárias existentes no mercado para uso em projetos de arquitetura (CASTAGNA, 2019). Lâmpadas 24 A primeira lâmpada elétrica funcional foi criada em 1810 por Humphrey Davy, mas foi apenas no final daquele século, na década de 1880, que as lâmpadas incandescentes se tornaram comercialmente viáveis (TREGENZA; LOE, 2015). No século seguinte, atingiram uma presença considerável, tornando-se um item indispensável na vida moderna (CASTAGNA, 2019). Fonte: Vianna (2008, p. 16) 25 Ao longo do século XX, a necessidade de economia de energia levou ao desenvolvimento de lâmpadas com maior eficiência energética, ou seja, que gerassem a mesma iluminância, porém, consumindo menos energia elétrica. Na metade do século XX, após o fim da Segunda Guerra Mundial, surgiram as primeiras lâmpadas de descarga destinadas ao mercado de consumo. Essas lâmpadas assumiram uma popularidade muito grande, na segunda metade do século, na forma das lâmpadas fluorescentes tubulares e, no início do século XXI, na forma de lâmpadas fluorescentes compactas (CASTAGNA, 2019). O início do século XXI viu também a popularização de um terceiro tipo de lâmpada: os LEDs, utilizados, desde os anos 1960, em componentes eletrônicos devido ao seu baixo consumo elétrico. Nos anos 2000, lograram a capacidade de iluminar ambientes com grande economia, tornando-se, na atualidade, uma das escolhas mais populares (CASTAGNA, 2019). Na Figura 11, observe os três tipos de lâmpadas. Figura 11. Lâmpadas incandescente, fluorescente e LED. Fonte: Almeida (2015, documento on-line). Portanto, atualmente, os profissionais têm a seu dispor três tipos de lâmpadas: as incandescentes, com elevado consumo de energia, mas com uma luz 26 que é percebida como mais natural; as lâmpadas de descarga, muito utilizadas em aplicações comerciais por sua economia e distribuição uniforme de luz e, por fim, os LEDs, que ganham protagonismo por sua versatilidade e economia de energia (CASTAGNA, 2019). Luminárias As luminárias são os dispositivos que ligam as lâmpadas ao espaço construído, ou seja, além de servirem como suporte para as lâmpadas — incandescentes, de descarga ou de LED —, devem moldar a distribuição da luz no ambiente, conforme foi projetado. Peter Tregenza e David Loe (2015) elencam cinco exigências práticas para uma luminária: 1. servir como suporte de modo a proteger as lâmpadas; 2. viabilizar circuito elétrico e de controle; 3. evitar aumentos de temperatura; 4. intensificar e gerenciar a distribuição da iluminação, evitando perda de luz; 5. possibilitar manutenção e higiene das peças, caso seja necessário. Dentre essas cinco exigências, cabe destacar a quarta, que trata da modificação na distribuição de luz da lâmpada no ambiente. Diferentes tipos de luminárias, projetadas para uso em diferentes situações, possuem perfis de distribuição de luz distintos. Em algumas situações, pode ser interessante que a luz seja emitida em um ângulo de 360°, como se a luminária fosse uma esfera luminosa, permitindo a emissão da luz para todos os lados de maneira uniforme. Em outros casos, pode ser mais eficiente que a luz se concentre em apenas um ponto no espaço, como acontece com os spots de feixe estreito(CASTAGNA, 2019). Outra característica importante das luminárias é a maneira como são instaladas, pois isso pode viabilizar ou inviabilizar a especificação de uma luminária em um projeto de arquitetura de interiores. As principais categorias de luminárias 27 no que se refere à instalação são: as embutidas, nas quais grande parte do corpo da luminária ou até mesmo sua totalidade fica escondida; as sobrepostas, que são instaladas externamente; as pendentes, as quais são penduradas no teto por fios; os trilhos, elementos lineares de transmissão de energia, nos quais são plugados luminárias, e as luminárias de parede, que, como o nome diz, são instaladas nas superfícies verticais (CASTAGNA, 2019). Embutidas Geralmente, as luminárias embutidas são instaladas em ambientes com forro — de gesso, madeira ou outro material com pouca espessura — e mantêm uma borda de acabamento externa, enquanto toda a estrutura de fixação da lâmpada fica sobre o forro. A fixação é feita, comumente, utilizando presilhas com molas, que fazem pressão contra o gesso, como é ilustrado na Figura 12 (CASTAGNA, 2019). Fonte: Giedriusok/Shutterstock.com. Sobrepostas 28 Quando não é possível instalar luminárias embutidas ou se deseja um efeito arquitetônico que mostre o volume da luminária presa no teto, são utilizadas as luminárias sobrepostas, isto é, presas sob o teto, mantendo toda sua estrutura para baixo. Esse tipo de instalação é bem mais simples que as embutidas, pois não é necessário abrir o forro e a sua fixação é normalmente feita com parafusos fixados diretamente no teto, conforme o exemplo da Figura 13 (CASTAGNA, 2019). xpixel/Shutterstock.com. Pendentes Para realizar uma iluminação mais próxima do objeto iluminado, podem ser utilizados pendentes. Essas luminárias são muito comuns em mesas de jantar e reunião, pois evitam sombras sobre as mesas. Além disso, sua posição, afastada do teto, ajuda a definir espaços em projetos de interiores. Sua instalação é semelhante à das sobrepostas, com a diferença da existência de cabos de afastamento entre o teto e a luminária, como mostra a Figura 14 (CASTAGNA, 2019). 29 Gatot Adri/Shutterstock.com. Trilhos 9Air/Shutterstock.com. 30 Os trilhos são alternativas interessantes para evitar a criação de furos no forro, uma vez que esse elemento pode se conectar à rede elétrica em um ponto e se estender por grandes distâncias, que variam de 50 cm a 2 m, ao longo das quais podem ser instaladas as luminárias, como ilustra a Figura 15 (CASTAGNA, 2019). Luminárias de parede Em algumas situações, é desejável instalar elementos lumínicos nas paredes, seja para demarcar um acesso, seja para pautar uma circulação. Nesses casos, são utilizadas as luminárias de parede, que são semelhantes às luminárias de sobrepor, porém, com a diferença de serem instaladas verticalmente e, geralmente, emitirem luz para cima e para baixo, como mostra o exemplo da Figura 16 (CASTAGNA, 2019). WichitS/Shutterstock.com. A combinação da luminária certa com a lâmpada mais adequada para a situação de projeto garante que o espaço tenha maior qualidade espacial. A seguir, 31 serão apresentadas as características luminotécnicas de diferentes tipos de luminárias e lâmpadas, de maneira a esclarecer como escolher a iluminação mais adequada para um projeto (CASTAGNA, 2019). 3.2 Características luminotécnicas das lâmpadas e luminárias Um dos aspectos mais importantes dos elementos de iluminação de um ambiente, tanto as lâmpadas quanto as luminárias, são as suas características luminotécnicas, ou seja, como a luz é emitida e transmitida para o ambiente por meio desses artefatos. O uso da lâmpada correta sem a luminária adequada pode estragar o efeito desejado. Portanto, é necessário conhecer o tipo de luz emitida pelas lâmpadas e os dispositivos de controle ótico existentes nas luminárias para que a escolha seja certeira (CASTAGNA, 2019). 3.3 Características das lâmpadas As lâmpadas, fontes primárias construídas para emitir radiação ótica visível (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS — ABNT, 1991), emitem luz com características distintas, como, por exemplo, a cor, que pode tender para azul, amarelo ou vermelho, alterando a capacidade de reproduzir fielmente os tons dos objetos iluminados. Além disso, outros fatores, como custo ou durabilidade, podem levar à escolha de diferentes tipos de lâmpadas com características luminotécnicas semelhantes. A seguir, serão apresentadas as principais características dos tipos mais comuns de lâmpadas. Lâmpadas incandescentes 32 O funcionamento da lâmpada incandescente é relativamente simples: um filamento metálico no interior do bulbo transparente é aquecido por uma corrente elétrica até o ponto de se tornar incandescente. Para evitar que o filamento derreta com a alta temperatura, é preciso utilizar um material com ponto de fusão elevado, sendo, atualmente, o tungstênio o mais utilizado. A Figura 17 ilustra exemplos desse tipo de lâmpada (CASTAGNA, 2019). Anthony Feoutis/Shutterstock.com. As lâmpadas incandescentes, em condições normais, emitem luz a uma temperatura relativamente baixa, de 2.800 K, gerando uma luz amarelada. O índice de reprodução de cores (IRC) dessas lâmpadas, no entanto, é excelente, atingindo o nível 100. Algumas das características desse tipo de lâmpada são (TREGENZA; LOE, 2015): • custo inicial baixo; • vida curta (em geral, 1.000 h nas comuns e 2.000 h nas de tungstênio e halogênio); 33 • baixa eficácia luminosa (12 lm/W nas comuns e 20 lm/W nas de tungstênio e halogênio); • boa reprodução de cores (CRI 100); • temperatura de cor entre 2.700 K e 3.000 K; „ não exigem circuito de controle elétrico, apenas um transformador para as de baixa voltagem. • Lâmpadas de descarga O funcionamento das lâmpadas de descarga é bem diferente das lâmpadas incandescentes. Ao invés de aquecer um filamento até que ele fique incandescente, nas lâmpadas de descarga, é o gás existente dentro de tubos que emite a luz. Para gerar a luminosidade, as lâmpadas de descarga contam com eletrodos nas extremidades dos tubos que, com a aplicação de alta voltagem, ionizam o gás, gerando a luz. A Figura 18 traz um exemplo de lâmpada fluorescente compacta com eletrodos em sua base (CASTAGNA, 2019). 34 New Africa/Shutterstock.com. Para evitar que a reação elétrica saia de controle, são necessários dispositivos eletrônicos de controle das descargas elétricas, que, após a aplicação da alta voltagem inicial, mantêm uma descarga elétrica constante apenas para manter a lâmpada emitindo luz. As primeiras lâmpadas desse tipo possuíam IRC muito ruim, distorcendo as cores nos ambientes. No entanto, os avanços na tecnologia permitiram melhorar essa característica. O Quadro 2 apresenta as características atuais das lâmpadas de descarga (CASTAGNA, 2019). Quadro 2. Características das lâmpadas de descarga Fluorescentes (a vapor de mercúrio sob baixa pressão) • Durabilidade moderada(10.000 h, conforme o tipo). • Boa eficácia luminosa (20 a 96 lm/W, conforme o tipo). • Boa reprodução de cores (CRI 50 a 95). • Variedade de temperaturas de cor disponíveis (CCT 2.700 a 6.500 K). • Equipamento de controle elétrico necessário (em alguns tipos de lâmpadas fluorescentes compactas, vem embutido). Lâmpadas de descarga sob alta pressão • Custo médio a alto. • Eficácia luminosa média a alta (33 a 57 lm/W, sob alta pressão de mercúrio; 60 a 90 lm/W, halogeneto metálico; 40 a 140 lm/W, sob alta pressão de sódio). • Reprodução de cores razoável a boa (CRI 19 a 90, conforme o tipo; temperatura de cor varia com o tipo). • Equipamento de controle elétrico necessário. Fonte: Adaptado de Trangenza (2015). Lâmpadas de LED As lâmpadas de LED são as que possuem tecnologia mais avançada entre as atualmente disponíveis comercialmente. Sua eletroluminescência ocorre “[...] quando os elétrons são reposicionados em uma junção entre dois materiais 35 semicondutores. Depois de aplicada uma corrente elétrica, a radiação é emitida a partir dessa junção” (TREGENZA; LOE, 2015, p. 47). Segundo Mariângela Moura (2015, p. 48), as lâmpadas de LED têm uma característica única quando comparadas aos demais tipos. Nos LEDs, “[...] a transformação da energia elétrica em energia luminosa é feita na matéria”, sendo um exemplo de iluminação em estado sólido. Ou seja, ao invés de aquecer um filamento ou ativar um gás, nessas lâmpadas, a luz é feita pela ativação de um material sólido. A Figura 19 ilustra a composição de uma lâmpada de LED. Fonte: Adaptada de Tregenza e Loe (2015). Conforme a ilustração, é possível observar como o chip do LED, onde ocorre a reação lumínica, é uma parte bem pequena da composição. A luz emitida por essa reação elétrica precisa ser tratada para ser percebida como branca. Para isso, existem dois métodos, conforme narram Tregenza e Loe (2015, p. 47): “[...] a primeira consiste na acomodação de LEDs em um único invólucro onde terão seus raios mesclados; a segunda se dá por meio da aplicação de um revestimento de fósforo no LED com produção de raios ultravioleta”. As principais características das lâmpadas de LED são listadas a seguir (TREGENZA; LOE, 2015). 36 • São comercializadas por preços mais altos em relação a outros tipos de lâmpada, porém, essa diferença vem diminuindo. • Sua luminosidade é inferior a de outras lâmpadas, mas esse fator também está se alterando. • Possuem uma longa vida útil, em torno de 70.000 h, tendo a luminosidade diminuída com o tempo, ao invés de apagarem totalmente. • Há disponibilidade de peças de tamanhos extremamente reduzidos. • A reprodução de cores é razoável. • Apresentam sensibilidade em relação à temperatura, possuindo luz fria, porém, produzindo alto calor. • Acendem rapidamente. • Necessitam de circuito elétrico na instalação. Conforme demonstrado, existem três tipos principais de lâmpadas disponíveis comercialmente para uso em projetos de luminotécnica, cada um com suas características específicas e adequadas para situações distintas de projeto. A seguir, será demonstrado como a combinação entre lâmpadas e luminárias pode gerar efeitos lumínicos nos projetos (CASTAGNA, 2019). 3.4 Características das luminárias Grande parte das luminárias utiliza dispositivos de controle ótico para produzir a distribuição de luz desejada para um fim específico, conforme o que foi projetado. Segundo a norma NBR 5461 (ABNT, 1991), as luminárias devem distribuir, filtrar e modificar a luz emitida por uma ou mais lâmpadas. Uma luminária para escritório, por exemplo, deve distribuir a luz de maneira uniforme sobre as mesas das pessoas que estão trabalhando, enquanto em museus, normalmente, são utilizadas luminárias que concentram o feixe luminoso sobre as obras de arte. 37 A seguir, serão explorados os dispositivos de controle ótico presentes em luminárias para as mais diversas aplicações, segundo a conceituação apresentada por Tregenza e Loe (2015). Obstrução A obstrução se dá por meio de um dispositivo que utiliza máscaras para controlar a luz, ou seja, utiliza um anteparo físico que permite que a luz passe somente pelo ângulo desejado, como, por exemplo, as luminárias de cabeceira, nas quais as lâmpadas ficam enclausuradas dentro de um copo metálico que bloqueia a luz lateral. A Figura 20 ilustra como ocorre a obstrução (CASTAGNA, 2019). Transmissão difusa Na transmissão difusa, é utilizado um material translúcido para que o feixe de luz concentrado se distribua em todas as direções. Esse dispositivo gera o efeito de aumento do tamanho aparente da fonte de luz, uma vez que, para o observador, 38 existe a impressão de que todo o material difuso está emitindo luz, conforme exemplifica a Figura 21 (CASTAGNA, 2019). Reflexão especular A reflexão especular trata do uso de superfícies especulares que causam a reflexão da luz em um ângulo igual ao de incidência da luz. Esse dispositivo é muito utilizado em superfícies curvas, nas quais pode ser obtido o efeito de focalização, em que o feixe lumínico é concentrado em um ponto, como mostra a Figura 22 (CASTAGNA, 2019). 39 Reflexão difusa Ao contrário da reflexão especular, na qual a luz é refletida em um ângulo igual ao de incidência, na reflexão difusa, a luz é refletida de maneira difusa, criando um feixe de luz homogeneamente distribuído no espaço, o que transmite a impressão de luminância constante de todos os pontos de vista, conforme a Figura 23 (CASTAGNA, 2019). Ângulo de reflexão 40 Refração Refração é o efeito pelo qual “[...] a direção do raio de luz se altera na junção de dois meios transparentes” (TREGENZA; LOE, 2015, p. 52). Ou seja, a luz penetra um material transparente e, ao sair dele, tem sua direção alterada. Esse dispositivo pode ser utilizado com lentes refratoras, que projetam a luz em direções específicas, como é ilustrado na Figura 24 (CASTAGNA, 2019). 41 A utilização desses dispositivos de controle ótico garante que as luminárias respondam positivamente às necessidades do projeto, seja de distribuir a luz homogeneamente no espaço, seja de concentrar os feixes de luz em pontos determinados. A escolha de luminárias e lâmpadas inadequadas pode tornar um projeto de arquitetura de interiores muito desconfortável. Para garantir a especificação correta das luminárias e lâmpadas adequadas — uma decisão muito importante durante o projeto — é necessário compreender alguns critérios que serão apresentados a seguir (CASTAGNA, 2019). 3.5 Utilização adequada de cada lâmpada e luminária A escolha correta de luminárias e lâmpadas contribui para a qualidade do espaço construído, podendo melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas que utilizam esse espaço. Para que a escolha das lâmpadas e luminárias seja feita de maneira consciente, devem ser seguidos alguns critérios qualitativos. Para isso, ao longo dos anos, foram elaboradas tabelas que comparam os diferentes produtos disponíveis no mercado (CASTAGNA, 2019). Utilização de lâmpadas Conforme foi apresentado, existem três categorias básicas de lâmpadas disponíveis no mercado, cada qual com suas características específicas quanto à economia de energia, às dimensões e ao processo de emissão de luz. No entanto, dentre todas as opções de lâmpadas disponíveis em lojas especializadas, é possível utilizar quatro critérios simples para checar se o produto terá uma performancesatisfatória no projeto (CASTAGNA, 2019). Eficácia luminosa: trata da eficiência energética da lâmpada, ou seja, quantos lúmens (lm) — medida de quantidade de luz — a lâmpada pode emitir por watt (W) de energia elétrica consumida. Quanto maior o valor, mais eficiente é a 42 lâmpada. Essa característica pode, como afirma Mariângela Moura (2015), ser aplicada a lâmpadas, luminárias ou ao conjunto completo do sistema de iluminação. Durabilidade: corresponde ao número de horas que a lâmpada pode ficar acesa. Índice de reprodução de cor: é calculado a partir de medições de oito cores pastéis padronizadas pelo Comitê Internacional de Iluminação (TREGENZA; LOE, 2015). A medição é realizada por meio de um equipamento chamado espectrofotômetro, em um processo no qual a cor de uma superfície é medida sob a iluminação da lâmpada testada. Moura (2015) ressalta que a capacidade de reproduzir cores não está ligada à temperatura de cor da fonte luminosa, já que, segundo a autora, os objetos podem aparentar “[...] tonalidade branca quando são iluminados por lâmpada fluorescente e tonalidade mais amarelada quando iluminados por lâmpada de incandescência” (MOURA, 2015, p. 27). O Comitê Internacional de Iluminação estipula quatro categorias de reprodução de cores, conforme é demonstrado no Quadro 3. Quadro 3. Índice de reprodução de cores Índice de reprodução de cores Próximo à reprodução de cor exata Rα ≥ 100 Reprodução de cores de alta qualidade Rα ≥ 90 Reprodução de cores de boa qualidade Rα ≥ 80 Reprodução de cores de baixa qualidade Rα ≥ 79 Fonte: Adaptado de Tregenza e Loe (2015). A ABNT (1991, apud MAGGI, 2013, documento on-line) define o IRC como a medição quantitativa do “[...] grau de aproximação entre a cor psicofísica de um objeto iluminado pelo iluminante sob ensaio e a do mesmo objeto iluminado pelo 43 iluminante de referência”. Ou seja, é a distinção entre a cor medida quando iluminada por uma lâmpada de controle e pela lâmpada que se testa. Segundo Moura (2015), a luz utilizada como referência é muito próxima à luz produzida pelo sol em um dia de verão ao meio-dia. Cor da luz: por último, as lâmpadas podem ser classificadas quanto à cor da luz que emitem. Essa medição é feita em escala Kelvin e acaba confundindo muitas pessoas, uma vez que as luzes quentes, mais próximas do amarelo, possuem temperaturas de cor mais baixas, como mostra o Quadro 4. A autora defende que esse atributo está ligado “[...] com a sensação de conforto que uma lâmpada proporciona em um determinado ambiente” (MOURA, 2015, p. 26) Quadro 4. Cor da luz. Temperatura da cor correlata Cor quente Até 3.300 K Cor média Entre 3.300 e 5.300 K Cor fria Acima de 5.300 K Fonte: Adaptado de Tregenza e Loe (2015). Todos esses fatores devem ser levados em consideração na hora de escolher a lâmpada, para que a luz seja percebida no espaço que está sendo projetado conforme o desejado. Um restaurante, por exemplo, deve ter uma ótima reprodução de cores e, normalmente, opta-se por cores quentes, permitindo que os clientes vejam todas as cores da refeição e se sintam confortáveis e relaxados. Um escritório, por outro lado, pode ter luz de temperatura média ou fria, uma vez que esse tipo de luz mantém o ser humano mais alerta (CASTAGNA, 2019). 3.6 Utilização de luminárias Para a escolha de luminárias, podem ser utilizados os critérios que serão apresentados a seguir. 44 Desempenho fotométrico: dado geralmente fornecido em duas medidas — o fluxo luminoso e a distribuição de intensidade luminosa. O primeiro trata da proporção da luz da lâmpada que sai da luminária e é expresso em porcentagem ou fração. Ou seja, se uma lâmpada que emite 100 lm é instalada em uma luminária com fluxo luminoso de 75%, apenas 75 lm saem da luminária. O fluxo luminoso está diretamente ligado à eficiência da luminária e, para ser eficiente, a luminária deve ter o fluxo luminoso o mais alto possível, significando que a energia elétrica utilizada para gerar a luz na lâmpada não será desperdiçada. A Figura 25 ilustra o processo de fluxo luminoso (CASTAGNA, 2019). Já a distribuição de intensidade luminosa é apresentada em forma de um gráfico que descreve o padrão de luz emergente de uma luminária. A Figura 26 exemplifica a distribuição de intensidade luminosa de uma lâmpada incandescente instalada sem nenhum anteparo, na qual a luz é emitida, em sua maior parte, para baixo, mas também existe alguma quantidade de luminosidade emitida para cima da lâmpada (CASTAGNA, 2019). 45 Controle elétrico: para que as lâmpadas dentro das luminárias possam emitir luz, é preciso que exista corrente elétrica passando por elas. Para isso, as luminárias devem apresentar algum tipo de controle elétrico que regule a quantidade de eletricidade que passa pela lâmpada, fazendo com que ela tenha a performance esperada. Existe ainda a possibilidade de utilizar o controle elétrico para efeitos arquitetônicos. Trata-se da utilização da dimerização, sistema pelo qual a corrente elétrica é reduzida ou aumentada conforme a necessidade lumínica do usuário, ajustando, dessa forma, a intensidade da luz emitida. Antigamente, os dimmers só eram utilizados nas lâmpadas incandescentes, mas, atualmente, com os avanços tecnológicos, já existem lâmpadas de LED que podem ser controladas por dimerização (CASTAGNA, 2019). Condicionantes ambientais: as luminárias devem proteger a lâmpada e demais componentes elétricos dos fatores ambientais, como chuva, vento e temperaturas extremas. Uma luminária que ficará exposta à chuva, por exemplo, precisa ter resistência à água (CASTAGNA, 2019). 46 Segurança: um dos fatores de grande importância nas luminárias é a segurança. No Brasil, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige que as luminárias em cozinhas profissionais devem ser herméticas, ou seja, devem evitar que a explosão acidental de lâmpadas cause a queda de detritos, conforme a resolução que dispõe sobre o assunto: [...] a iluminação da área de preparação deve proporcionar a visualização de forma que as atividades sejam realizadas sem comprometer a higiene e as características sensoriais dos alimentos. As luminárias localizadas sobre a área de preparação dos alimentos devem ser apropriadas e estar protegidas contra explosão e quedas acidentais (ANVISA, 2004, documento on-line). Condicionantes para instalação: além dos aspectos estéticos, de segurança e ambientais, deve ser observada a possibilidade de instalação da luminária no espaço projetado. Diferentes tipos de luminárias exigem infraestruturas próprias, como reatores, fiação e controles. Além disso, deve ser observado, no caso das luminárias embutidas, se o forro ou a parede onde se planeja instalar está apto a receber tal equipamento (CASTAGNA, 2019). Manutenção: é uma informação muito importante para o cliente, uma vez que uma luminária que exija uma frequente manutenção acaba gerando custos adicionais não calculados inicialmente. Portanto, é necessário checar com o fornecedor sobre a necessidade de manutenções periódicas e formas de substituição das lâmpadas. Com base em todas as informações que foram apresentadas, torna-se possível a especificação necessária para a escolha das lâmpadas e luminárias mais adequadas para cada projeto, de modo a corresponder às necessidades dos clientes, adaptando a iluminação corretamente ao espaço projetado. Atualmente, existe no mercado uma grande gama de produtos com características técnicas e estéticas únicas, ou seja, sempre existirá uma luminária e lâmpada adequada para cada situação de projeto que possa surgir (CASTAGNA, 2019). 47 4 EQUIPAMENTOS Como paisagista, o empreendedorpode fazer uma ampla abundância de trabalhos. Alguns trabalhos são leves, por exemplo: o corte dos arbustos, já outros envolvem mudanças pesadas, tais como escavação de canais ou corte de árvores. Para ser capaz de tirar partido de todas estas oportunidades, as empresas de paisagismo precisam ter o equipamento certo para qualquer trabalho. Recordando que estas atividades são realizadas pelo jardineiro que trabalha para sua empresa de paisagismo, por isso, em função do projeto paisagístico, sua empresa deve ter o equipamento preciso para a construção do ambiente almejado (RABELO, 2014). Transporte Para fazer o transporte do material e dos equipamentos é necessário um veículo confiável. Alguns tipos de veículos, como caminhonetes, são mais apropriados para esta atividade. Em determinados casos, os veículos são precisos para outras tarefas no momento de um trabalho, fazendo com que o seu tamanho tenha uma consideração relevante. Por exemplo, pode ser preciso anexar um reboque para conduzir grandes cortadores de grama e outros equipamentos. Veículos podem ser necessários para a limpeza do espaço no qual o projeto de paisagismo será elaborado. Aparadores Pode necessitar de distintos tipos de equipamentos para plantas e paisagens diversas. Cortadores de grama são a espinha dorsal de qualquer empresa de paisagismo para conservar gramados. Cortadores transformam em tamanho e potência, a partir de cortadores manuais pequenos até cortadores de grama de auto-propulsão. Consiga o que precisa com base no escopo de sua empresa e de suas operações. Outros tipos de aparadores são precisos, contendo 48 podadores e tesouras, que são usados especialmente para manutenção de arbustos e árvores (RABELO, 2014). Outros equipamentos Assim como com o corte, o cultivo pode ser realizado em muitos níveis distintos, com diferentes tipos de equipamentos. Em jardim pequeno, ferramentas manuais, como pás, enxadas, adubadeiras, entre outros. podem ser suficientes. Em configurações grandes, equipamentos mais pesados podem ser precisos como, por exemplo um trator. É necessário avaliar as necessidades de cultivo e os equipamentos estabelecidos pelos tipos de trabalho que serão fornecidos pela empresa. Isso irá ajudá-lo a resolver se é necessário comprar ou alugar o equipamento (RABELO, 2014). Equipamentos de Segurança Acontecerá de realizar algumas atividades que o expõe a perigos físicos. Ferramentas afiadas e irregulares, produtos químicos perigosos (se o paisagista escolher por um empreendimento que vise projetos sustentáveis é melhor não usar produtos químicos dessa natureza) e detritos voando são alguns dos riscos que os paisagistas enfrentam. Por essa causa é importante comprar e conservar equipamentos de segurança, contendo luvas e roupa de proteção, para proteger o seu corpo de cortes graves. Óculos de segurança podem ser precisos para proteger seus olhos dos gases perigosos e produtos químicos. Outros equipamentos, tais como recipientes de gasolina, ferramentas manuais ergonômicas podem tornar mínimo os riscos de acidentes de trabalho (RABELO, 2014). Fonte: http://finslab.com/tipos-de-empresas/artigo-1861.html Além disso, é preciso os seguintes móveis e equipamentos para a área administrativa (escritório de projetos): http://finslab.com/tipos-de-empresas/artigo-1861.html 49 - Armário, Cadeiras, Conjunto de sofá, Estante, Frigobar, Impressora, Mesas, Microcomputador completo, Prancheta de desenho, Softwares para projeto de paisagismo e Telefone (RABELO, 2014). Equipamentos específicos para o fazer passivo ou ativo Em relação ao lazer ativo, o material preciso consiste de uma grande abundância de equipamentos e aparelhos precisos à complementação de áreas específicas para práticas esportivas ou exercício corporal (FILHOS, 2002). Em residências ou áreas públicas ou privadas, onde exista a frequência de crianças e adolescentes, reservam-se nos jardins espaços para diversão desses usuários, incluindo-se balanços, gangorras, carrossel, escorregadores e caixas de areia para as crianças pequenas, ou um campinho de futebol, com barras fixas ou móveis, para as maiores (FILHOS, 2002). Nas áreas públicas, os bancos são incluídos nas praças e jardins, mirando rotação dos usuários. Em áreas particulares, normalmente são unidos e emoldurados pelos planos de piso, compondo-se em elemento de permanência transitória ou prolongada (FILHOS, 2002). 50 5 REFERÊNCIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 5461: iluminação. Rio de Janeiro, 1991. CASTAGNA, A. C. Luminotécnica. Soluções Educacionais Integradas – SAGAH, 2019. CONHEÇA os empreendimentos onde serão instalados os vencedores do 3º Desafio de Design Odebrecht Braskem. In: ARCHDAILY. [S. l.: s. n.], 2015. Disponível em: https://www. archdaily.com.br/br/768871/conheca-os- empreendimentos-onde-serao-instalados-os- -vencedores-do-3o-desafio-de- design-odebrecht-braskem. Acesso em: 27 out. 2019. GEHL, J. Cidades para pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2015. GEHL, J. Life between buildings: using public space. Washington: Island Press, 1971. HERTZBERGER, H. Lessons for students in architecture. Rotterdam: nai010 Publishers, 2005. JACOBS, J. Morte e vida de grandes cidades. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011. JOSÉ AUGUSTO DE LIRA FILHOS. Paisagismo – Elementos de Composição Estética. Editora: Aprenda Fácil, 2002. MAGGI, T. Estudo e implementação de uma luminária de iluminação pública a base de leds. 2013. 243 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) — Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/ handle/1/8519/MAGGI,%20TIAGO.pdf?sequence=1. Acesso em: 27 nov. 2019. MASCARÓ, J. L. Loteamentos urbanos. Porto Alegre: L. 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