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1 
(Mat. 06. DIPP – 5º/6º Per. Dir. – Prof. Léo Bifano – 2024) 
ESBOÇO HITÓRICO DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 
Leia a lei: Arts. 1º, 4º, 5º, 12, 13, 14 e 222 da CRFB; Lei nº 12.376/2010; Lei nº 
9.747/94; artigos 13, 21 a 41 e 960 a 965 do Código de Processo Civil (Lei nº 
13.150/2015); e Lei de Migração - Lei nº 13.445/2017. 
 
Na Antiguidade não existiram normas de DIPr., porque o estrangeiro era considerado 
inimigo. Não tinha ele direitos, não podendo o mais das vezes nem mesmo casar, herdar, contratar 
ou praticar o comércio. 
Grécia: 
Chamado “meteco”, o estrangeiro pagava uma taxa especial e podia exercer atividades 
comerciais, inclusive com judicatura própria, a “polemarca”, para proteger sua família e seus bens. 
Surge o “próxeno”, que orienta o estrangeiro em negócios e interesses. Aparece a “asília”, tratado 
entre as cidades, origem dos atuais tratados de DIP. 
Roma: 
O peregrino, com certos direitos no jus gentium, passa a contar com seu pretor peregrino. 
Com a invasão dos bárbaros, passaram a viver no mesmo território, pessoas de diferentes línguas e 
origens, surgindo a personalidade das leis: na solução da lide o julgador aplica a lei de cada um (visi-
godo, lombardo, romano, etc.). 
Feudalismo: 
Retorna a territorialidade das leis, que no feudo é absoluta. O feudalismo não se firma 
nas cidades do norte da Itália. 
Glosadores e escolas estatuárias: 
Irnerius (1100) estuda direito romano na Escola de Bolonha e coloca notas lineares ou 
marginais (glosas) no Digesto. Surge a escola dos glosadores, que busca nas leis romanas o que exis-
tia sobre estrangeiro. No séc. XIV aparece Bartolo, o pai do DIPr: é a escola dos pós-glosadores, com 
comentários próprios sobre as glosas, criando um direito novo. 
Soluções para os conflitos: 
Bens imóveis: lei da localização da coisa. 
Sucessão: domicílio do falecido. 
Contratos: lugar da celebração. 
Delitos: lei do lugar do ato. 
 
Escolas estatuárias: 
Francesa: estatutos reais e pessoais – D’Argentré. 
Holandesa: critério absoluto de territorialidade de todos os estatutos. 
Alemã: pequena contribuição – estatutos reais, pessoais e mistos. 
 
Codificação e doutrinas modernas: 
No século XIX surgem os grandes códigos: Código Civil da França (1804) e Código Civil 
do Chile (1855), com regras sobre o estrangeiro. 
Doutrinas modernas: 
Joseph Story: EUA, 1834, escreveu Conflict of Laws. Equidade dos conflitos de leis e criou 
a expressão direito internacional privado. Critério da busca da boa justiça na aplicação do direito 
estrangeiro. 
 
 
2 
Friedrick Carl Von Savigny: Berlim, 1839, escreveu Sistema de Direito Romano Atual. 
Aventa a mesma solução para o conflito de leis entre os diferentes povos. Defende o domicílio como 
o principal elemento de conexão. 
Pasquale Mancini: Itália. Propõe a nacionalidade como elemento de conexão. 
 
DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO NO BRASIL 
Primeiros tempos: 
Vigoraram no Brasil, do Descobrimento à Independência, as Ordenações Afonsinas, Ma-
nuelinas e Filipinas, que privilegiavam, em matéria de conflitos de leis no espaço, o locus regit ac-
tum (o lugar determina o ato). 
Teixeira de Freitas - Notável influência na codificação do direito sul-americano (Código 
Civil argentino). Escreveu Esboço do Código Civil do Império, em 1860. Seguidor de Savigny. Defen-
deu o domicílio como o principal elemento de conexão. 
Pimenta Bueno - Escreveu importante obra sobre Direito Internacional Privado. Defen-
deu a nacionalidade como elemento de conexão. 
Outros tratadistas - Clóvis Beviláqua (Princípios de Direito Internacional Privado e prin-
cipal autor do Código Civil Brasileiro de 1916), Eduardo Espínola, Pontes de Miranda, Haroldo Val-
ladão, Oscar Tenório, Amílcar de Castro, Osíris Rocha, Agenor Pereira de Andrade, Luiz Ivani Amo-
rim Araújo, Jacob Dolinger e Irineu Strenger, entre outros. 
 
FUNDAMENTOS DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 
- A DENOMINAÇÃO - 
A princípio, uma curiosidade cerca o direito internacional privado, em decorrência da 
noção de que não há um direito internacional privado propriamente dito internacional; sua denomi-
nação sofre ardorosas críticas. Primeiro, por ser um direito nacional, criado por um Estado, conside-
rando que sua principal fonte é a legislação interna de cada país, constituindo disciplina jurídica com 
finalidade de ser aplicada internacionalmente, visando disciplinar o conflito de leis e determinando 
qual o ordenamento jurídico aplicável, quando há mais de um ordenamento estatal em condições de 
ser aplicado ao caso concreto. E ainda, sendo ramo jurídico regente de interesses de pessoas priva-
das, sejam físicas ou jurídicas, pode afetar interesses do Estado, precisamente quando este se apre-
senta apenas como membro da sociedade internacional e não na plenitude de sua figura soberana. 
A despeito disso, todos os sistemas jurídicos nacionais contêm mecanismos para solução 
de conflito de leis e conflitos de jurisdições, justamente um dos objetos do direito internacional pri-
vado, assumindo aspecto de relevo na elaboração dos contratos internacionais, na forma de cláusu-
las, senão indispensáveis, certamente de facilitação no seu manuseio. 
 
O OBJETO 
O principal objeto do Direito Internacional Privado é o concurso de leis no espaço, de 
modo a solucionar o aparente confronto e apontar qual o ordenamento jurídico que incidirá sobre 
determinada relação jurídica de direito privado com conexão internacional. 
Todavia, a doutrina brasileira, seguindo a tradição da corrente francesa, aponta outros 
objetos que também fazem parte do estudo do Direito Internacional Privado, tais como a naciona-
 
 
3 
lidade, a condição jurídica do estrangeiro, o concurso de jurisdição e a cooperação jurídica 
internacional. 
“O Direito Internacional Privado, ao trabalhar com o conflito das leis - inegavelmente o 
campo mais amplo e importante de seu objeto – há de criar regras para orientar o Juiz sobre a esco-
lha da lei a ser aplicada. O conflito entre as legislações permanece, mas a situação concreta é resolvi-
da mediante a aplicação de uma das leis, escolhida de acordo com as regras fixadas, seja pelo legisla-
dor, seja pela Doutrina ou pela Jurisprudência”. O que salta aos olhos é a visão de que o direito in-
ternacional privado não é o direito material que toca a solução dos conflitos, mas, sim, quem indica-
rá qual ordenamento jurídico será o adequado para fazê-lo – esta disciplina jurídica exerce uma fun-
ção metalinguística em face do direito material (seja civil, empresarial, criminal ou outro) aplicável 
ao caso concreto multiconectado, no caso, a dois ou mais ordenamentos jurídicos. 
“No dizer expressivo de Pontes de Miranda o direito privado nacional, quando tem de ser 
obedecido ou aplicar-se fora das fronteiras, e o direito privado estrangeiro, quando se obedece ou 
aplica dentro do território nacional, constituem conteúdo de certas regras de obediência e de aplica-
ção, ao conjunto das quais se deu o nome de direito internacional privado”. 
 
CONCEITO 
O Direito Internacional Privado é o ramo do Direito interno que normatiza as relações 
jurídicas com conexão internacional, oferecendo soluções para o concurso de leis no espaço. 
A regra geral de territorialidade aduz que se aplica o direito nacional aos fatos ocorridos 
no território de determinado País. Todavia, determinados fatos dizem respeito a mais um Estado, 
gerando dúvida sobre qual ordenamento jurídico deveria incidir no caso concreto. 
Devido a globalização e ao consequente aumento das relações internacionais, é bastante 
comum a existência de situações que irradiam efeitos em mais de um ordenamento jurídico. Por 
exemplo, o contrato celebrado por partes que vivem em países diferentes, o casamento celebrado 
no exterior com cônjuges de domicílios diversos, a sucessão de bens de um estrangeiro que possuía 
imóveis no Brasil. Tais situações, em comum, um “elemento de estraneidade” ou “elementoestran-
geiro” que poderá possibilitar a aplicação de alguma norma estrangeira pelo juiz competente. 
Dizemos que nesses casos há o chamado “conflito de leis”, ou, em denominação mais 
adequada, já que existe possibilidade de várias leis serem aplicadas, o “concurso de leis”. Quando 
falamos em “concurso de leis no espaço” tratamos da possibilidade de haver incidência simultânea 
de dois ou mais ordenamentos jurídicos autônomos sobre um determinado caso que tenha conexão 
internacional, para resolver uma questão de direito. Contudo, em face da aplicação das normas in-
diretas de Direito Internacional Privado essa incidência simultânea não ocorre, porque somente um 
ordenamento jurídico restará como adequado para reger a relação. Nessas situações, é a norma de 
Direito Internacional Privado que vai definir qual o direito que deverá ser aplicado no caso concre-
to. 
A definição desta norma de Direito Internacional Privado está atrelada à identificação 
dos chamados “elementos de conexão”, que são aquelas normas que indicam qual direito que de-
ve ser aplicado ao caso para resolver o concurso de leis no espaço. Exemplos: lei do domicílio, naci-
onalidade, a lei do local onde foi constituída a obrigação, lei do foro, etc. 
Exemplifiquemos com o § 4º do art. 7º da LINDB vigente: O regime de bens, legal ou con-
vencional, (objeto de conexão) obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio, e, se este 
for diverso, a do primeiro domicílio conjugal (elemento de conexão) 
 
 
4 
Importa ressaltar que a norma de Direito Internacional Privado não resolverá a questão 
em si, mas apenas indicará qual o ordenamento jurídico que deverá ser aplicado em cada caso. As 
normas de Direito Internacional Privado são meramente indicativas, apontando qual preceito (na-
cional ou estrangeiro) será aplicado na questão que envolve conexão internacional. Por isso, tais 
regras são denominadas “normas instrumentais”, “normas de sobredireito”, “regras de cone-
xão”, ou mesmo “normas indiretas”. 
As definições de direito internacional privado estão correlacionadas ao seu objeto; desta 
feita, apontamos alguns autores: 
 
Haroldo Valladão 
É o ramo da ciência jurídica que resolve os conflitos de leis no espaço, disci-
plinado os fatos em conexão no espaço com leis divergentes e autônomas. 
Síntese de fácil compreensão, essa definição referiu-se à aplicação da lei es-
trangeira e aos conflitos desta com leis locais. Na parte referente aos conflitos 
está a opção do juiz em face do elemento de conexão, pela lei nacional, e a 
recusa à norma alienígena por ofensa â ordem pública. 
 
Oscar Tenório 
(citando Asser): 
Denominamos direito internacional privado ao conjunto de princípios que 
determinam a lei aplicável às relações jurídicas entre pessoas pertencentes a 
Estados ou Territórios diferentes, aos atos praticados em países estrangeiros 
e, em suma, a todos os casos em que devemos aplicar a lei de um Estado no 
território de outro. 
 
 
 
 
Beat Walter Rechsteiner 
O direito internacional privado resolve, essencialmente, conflitos de leis no 
espaço referentes ao direito privado, ou seja, determina o direito aplicável a 
uma relação jurídica de direito privado com conexão internacional. Não solu-
ciona a questão jurídica propriamente dita, indicando, tão-somente, qual di-
reito, dentre aqueles que tenham conexão com a lide sub judice, deverá ser 
aplicado pelo juiz ao caso concreto (direito internacional privado stricto sen-
su). Como a aplicação desse tipo de norma jurídica depende de normas pro-
cessuais específicas, isto é, das normas do direito processual civil internacio-
nal, considera-se que o direito internacional abrange também normas proces-
suais correspectivas na sua disciplina (direito internacional privado lato sen-
su). 
 
CONFLITOS INTERESPACIAIS 
O conflito de leis é o objeto principal do direito internacional privado, porém resta de-
terminar o seu alcance, pois, em princípio, caberia apenas aos conflitos de legislações de diferentes 
países. Desta feita, Jacob Dolinger apresenta a indagação: “Conflitos interespaciais, que abrangem 
conflitos interprovinciais, interestaduais, intercantonais, inter-regionais, metropolitano-coloniais, 
integram o Direito Internacional Privado? ”. 
Não há unanimidade na doutrina. No Brasil, Oscar Tenório sustenta que os conflitos que 
não sejam internacionais não formam objeto da nossa disciplina. Pontes de Miranda adotou a mes-
ma teoria. Para estes, resumidamente, conflitos de leis são aqueles que emanam de soberanias dife-
rentes, aí não incluídos os conflitos entre leis de regiões, cantões ou estados-membros de uma fede-
ração. 
 
 CONFLITOS INTERPESSOAIS 
Distintamente dos conflitos interespaciais, os conflitos interpessoais decorrem da con-
corrência de mais de uma legislação ao caso em concreto, não por força da localização dos partícipes 
 
 
5 
do litígio, mas em decorrência de alguma qualificação pessoal. Exemplos caracterizadores são os 
grupos, as etnias, as castas e as religiões que subsidiam determinados sistemas jurídicos. 
A questão que se apresenta é saber se o Direito Internacional Privado abrange as regras 
que regem os conflitos de leis decorrentes da variedade e diversidade de leis pessoais. Mais uma vez 
não há unanimidade na doutrina. Valemo-nos, portanto, do argumento apresentado por Jacob Dolin-
ger: 
“Arminjon foi o mais veemente defensor da integração de todos estes conflitos no Direito 
Internacional Privado (...). Todas as coletividades ou comunidades que criam e mantêm um sistema 
jurídico dentro de um determinado território ou mesmo independentemente de qualquer território 
constituem um elemento no leque de sistemas jurídicos potencialmente em conflitos jurisdicionais 
ou legislativo com os demais sistemas, e estes conflitos obedecem às normas traçadas pela ciência 
que se convencionou denominar de Direito Internacional Privado. (...) 
Temos, pois, no domínio do Direito Internacional Privado as questões de nacionalidade, 
dos direitos do estrangeiro, do conflito de leis e do conflito de jurisdições. 
E o conflito de leis abrange leis de toda natureza e de toda origem: direito privado e direi-
to público, normas estabelecidas por Estados soberanos e províncias, cantões ou estados-membros 
de uma federação, bem como regras oriundas de sistemas pessoais, como as etnias e as religiões”. 
Na imensa maioria dos casos, apenas uma ordem jurídica rege os fatos e atos jurídi-
cos em um determinado local. Por exemplo, um contrato celebrado em São Paulo, Brasil, provavel-
mente terá sido assinado por brasileiros residentes no Brasil, e seus efeitos serão produzidos 
em território brasileiro, razão pela qual ele é regido pela lei brasileira. Mas ocorre às vezes que um 
fato ou ato jurídico (no exemplo, o contrato) tem relação com mais de uma ordem jurídica. Ainda no 
mesmo exemplo, seria o caso de um contrato assinado entre um brasileiro e um escocês, ou desti-
nado a produzir efeitos no estado da Califórnia, Estados Unidos. 
Dentre estes casos, há algumas situações especiais, em que o intérprete da lei (advogado, 
juiz ou outro) depara com um fato ou ato jurídico ligado a duas ou mais ordens jurídicas autônomas 
cujas normas, aplicáveis ao caso (no exemplo, o contrato), são divergentes - um conflito de leis no 
espaço. Retomando o exemplo, um contrato assinado entre um escocês de 17 anos de idade, domici-
liado na Escócia, e um brasileiro de 18 anos é motivo de litígio em juízo no Brasil. O brasileiro, que 
deseja anular o contrato, argumenta que o escocês é menor de idade, pois a capacidade jurídi-
ca plena no Brasil começa aos 18 anos; o escocês, em sua defesa, alega que a maioridade na Escócia 
começa aos 16 anos e que é esta lei (a escocesa) que o juiz deve aplicar para determinar a sua capa-
cidade jurídica. Nestes termos, o juiz brasileiro acolherá a alegação do escocês. Por quê? 
Confrontado com um caso ligado a duas ordens jurídicas diferentes,o juiz consultará o 
DIPr brasileiro. Este, contido em grande parte na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasilei-
ro (LINDB), dispõe que a lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre a 
capacidade. Assim sendo, e considerando que o escocês do exemplo é domiciliado na Escócia, quem 
define, para o juiz brasileiro, a capacidade jurídica daquele cidadão escocês é a lei escocesa. Está 
solucionado, mediante as regras do DIPr brasileiro, um caso de conflito de leis no espaço (entre a 
brasileira e a escocesa) com que deparava um juiz brasileiro. 
 
 FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 
O Direito Internacional Privado, apesar de normatizar relações internacionais, é um di-
reito eminentemente interno, posto que produzido pelos legisladores de cada Estado, no exercício 
de sua soberania. É o ordenamento jurídico de cada país que vai prever e autorizar a utilização de 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fato_jur%C3%ADdico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_jur%C3%ADdico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_jur%C3%ADdico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Contrato
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Territ%C3%B3rio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%B3cia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Calif%C3%B3rnia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Advogado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capacidade_jur%C3%ADdica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capacidade_jur%C3%ADdica
https://pt.wikipedia.org/wiki/LICC
https://pt.wikipedia.org/wiki/LICC
https://pt.wikipedia.org/wiki/Domic%C3%ADlio
 
 
6 
alguma norma estrangeira perante um caso concreto com conexão internacional, norma esta que 
será aplicada pelo juiz nacional. É também a lei interna de casa país que escolherá quem são os na-
cionais de cada Estado, bem como qual o tratamento a ser dado aos estrangeiros no território brasi-
leiro, entre outras situações. 
Vamos a elas: 
1) LEI: 
A principal fonte de Direito Internacional Privado é a lei. No Brasil, a maior parte das re-
gras de Direito Internacional Privado relacionadas ao concurso de leis está prevista na Lei de Intro-
dução às Normas do Direito Brasileiro – LINDB (Lei nº 12.376/2010, antiga LICC), no Código de 
Processo Civil, na Lei de Arbitragem (Lei nº 9.307/96) e na Constituição Federal. As normas que 
tratam de nacionalidade e condição jurídica do estrangeiro eram previstas no Estatuto do Estran-
geiro (Lei 6.815/80), mas agora estão previstas na nova Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), na 
Lei do Refúgio (Lei nº 9.747/94) e na Constituição Federal. 
O novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) prevê em seu artigo 13 (sem cor-
respondente no código anterior) que “a jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasi-
leiras, ressalvadas as disposições específicas previstas em tratados, convenções ou acordos interna-
cionais de que o Brasil seja parte”. Além desta previsão, o novo Código de Processo Civil também 
inovou ao trazer vários dispositivos acerca dos limites da jurisdição nacional e da forma de coope-
ração jurídica internacional. 
Atenção: Impende destacar que a antiga LICC (Decreto-lei nº 4.657/1942) agora 
é denominada Lei de Introdução às normas de Direito Brasileiro – LINDB por for-
ça da Lei nº 12.376/2010, embora não tenha havido nenhuma mudança em seu 
conteúdo. Tal mudança afigura-se acertada, já que a citada Lei de Introdução, 
desde sua entrada em vigor, sempre orientou a interpretação de todas as nor-
mas do ordenamento jurídico brasileiro, e não apenas aquelas concernentes ao 
Código Civil. 
Embora seja a lei nacional a maior fonte de Direito Internacional Privado, também exis-
tem normas de Direito Internacional Privado em tratados internacionais. 
 
2) TRATADO INTERNACIONAL: 
De acordo com o art. 2º, inciso I, letra a, da Convenção de Viena sobre o Direito dos trata-
dos de 1969, tratado internacional significa um acordo internacional, celebrado por escrito entre 
Estados, regido pelo direito internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou 
mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica. 
Desta feita, observada a mecânica para a consecução dos tratados internacionais, interes-
sa ao âmbito do direito internacional privado a possibilidade de uniformização de normas substan-
tivas ou materiais. Neste intento, o Brasil é partícipe em várias Convenções Internacionais, dentre 
elas – a título exemplificativo: 
- Convenção de Haia sobre Nacionalidade de 1930, promulgada no Brasil pelo Decreto nº 
21.798, de 6 de novembro de 1932. 
 - Convenção sobre Condição dos Estrangeiros aprovada em Havana em 1929, promulgada no 
Brasil pelo Decreto nº 18.956, de 22 de outubro de 1929 – ainda as Convenções sobre o refugiado e so-
bre o Asilo Diplomático. 
- Convenção da ONU sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro, aprovada pelo Brasil, pelo 
Decreto nº 56.826, de 2 de setembro de 1965. 
 
 
7 
O tratado mais importante de direito internacional privado ratificado pelo Brasil foi o 
Código de Bustamante, de 20 de fevereiro de 1928, promulgado pelo Decreto nº 18.871, de 13 de 
agosto de 1929. 
 
3) CÓDIGO DE BUSTAMANTE: 
Após a fundação do Instituto Americano de direito Internacional, no ano de 1912, o dou-
tor professor cubano Antonio Sanchez de Bustamentey Sirvén (1856-1951) recebeu o encargo, na 
terceira reunião em Lima, no ano de 1924, de codificar o direito internacional privado. O projeto 
elaborado por Bustamante foi aprovado na sexta Conferência Panamericana, em Havana, no dia 13 
de fevereiro de 1928, e, em homenagem ao autor, recebeu o nome de Código de Bustamante. 
O Código foi ratificado por 15 paises sul-americanos; porém, vários paises declararam re-
serva quanto à aplicação da convenção. Ademais, o art. 7º permite aos paises contratantes determi-
narem o estatuto pessoal da pessoa física com autonomia. Significa que aos paises contratantes é 
facultado aderir livremente ao elemento de conexão do domicílio ou da nacionalidade. Bustamante 
demonstrou ser favorável a este último, posição minoritária na América Latina, prevalecendo a ado-
ção pelos Estados do princípio do domicílio. 
Na prática, o Código quase não tem aplicabilidade por ser muito abrangente, inclusive 
observando matérias que não pertencem propriamente ao direito internacional privado, como o 
direito penal internacional e a extradição. Seu conteúdo muitas vezes é vago, colaborando para que 
vários Estados tenham promovido reservas à sua aplicação. Além do que o tratado não corresponde 
às tendências modernas do direito internacional privado. 
 
4) JURISPRUDÊNCIA: 
A jurisprudência é reconhecida como fonte do direito internacional privado, principal-
mente nos países europeus, onde, inegavelmente, é intensa a circulação de bens, pessoas e serviços, 
obrigando os tribunais a se depararem frequentemente com conflitos de direito privado com cone-
xão internacional, em que dois ou mais ordenamentos jurídicos encontram-se coarctados. 
 Segundo Jean Schapira, antes as lacunas da lei, a obra jurisprudencial é imensa, cobrindo 
a totalidade da vida negocial internacional. Os tribunais nacionais europeus, portanto, têm rica ex-
periência em matéria de solução de conflitos de jurisdições, de conflitos de leis e em decisões sobre 
nacionalidade e sobre direitos do estrangeiro. 
Segundo Jacob Dolinger, “no Brasil, como nos demais, paises sul-americanos, é muito re-
duzida a atividade internacional, tanto no campo das relações de família como nas relações contra-
tuais, civis e comercias. Daí a escassez da produção jurisprudencial, fenômeno este que faz atribuir à 
doutrina um papel de importância maior do que o prevalecente no continente europeu. A jurispru-
dência brasileira se limita praticamente a decisões sobre homologação de sentenças estrangeiras e 
‘exequatur’ em cartas rogatórias, matérias atinentes ao direito processual internacional, a processosde expulsão e de extradição, sujeitos ao Estatuto do Estrangeiro e ao direito penal internacional e a 
decisão no campo fiscal de caráter internacional. Raras as questões em que nossas cortes têm opor-
tunidades de aplicar direito estrangeiro”. 
 
5) DOUTRINA: 
A doutrina é também fonte reconhecida do direito internacional privado, tendo em muito 
influenciado a evolução da disciplina. O seu grande mérito é ter elaborado um sistema de regras ju-
rídicas constitutivas da parte geral do direito internacional privado – são regras, a maioria não escri-
tas, que fundamentam as decisões dos tribunais. 
 
 
8 
Constitui exemplo doutrinário a teoria das qualificações - desenvolvidas por Etienne Bar-
tin (1860-2948) Franz Kahn (1861-1904) -, que diz: quando surgir qualquer dificuldade referente à 
qualificação em relação a uma causa de direito privado com conexão internacional, o juiz consultará 
diretamente as fontes doutrinárias. 
A qualificação é um processo técnico-jurídico sempre presente no direito, pelo qual se 
classificam ordenadamente os fatos da vida relativamente às instituições criadas pela lei ou pelo 
costume, a fim de bem enquadrar as primeiras nas segundas, encontrando-se assim a solução mais 
adequada e apropriada para os diversos conflitos que ocorrem nas relações humanas. (...) temos o 
fato e dispomos da norma jurídica. Para enquadrar o fato na norma, há que se ter claramente enten-
dido aquele e bem delineado este. O fato e a norma, a vida e a lei, ambos exigem classificação ou ca-
racterização, enfim qualificação. Se isto é importante no direito em geral, torna-se ainda mais neces-
sário no direito internacional privado, onde se procura ligar o fato ou ato a determinado sistema 
jurídico, e para esta operação é preciso qualificação, saber-se-á se a ela constitui uma situação ine-
rente ao estatuto pessoal do agente de direito, se trata de uma situação de natureza contratual subs-
tancial, se versa sobre uma questão de forma do ato, se estamos diante de um problema sucessório e 
assim por diante. Uma vez efetuada a qualificação em uma ou outra dessas categorias, recorrer-se-á 
à regra de conexão correspondente e aplicar-se-á o direito de um ou outro sistema jurídico”. 
 
6) COSTUME: 
O direito costumeiro é reconhecido como fonte de direito internacional privado. Contudo, 
o valor que lhe é atribuído como fonte de direito na ordem jurídica interna varia nos diferentes Es-
tados. No Brasil, o art. 4º da “LINDB” prevê a hipótese de “quando a lei for omissa, juiz decidirá o 
caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito”; isto é, só se aplica em 
caso de falta ou omissão da lei. 
Por outro lado, o direito costumeiro internacional – é fonte também no direito internaci-
onal público – vem perdendo a importância de outrora como fonte do direito, embora desempenhe 
papel mais significativo do que o direito costumeiro interno. Em suma, para parte da doutrina, al-
guns princípios gerais, como origem no direito costumeiro, integram o direito internacional privado; 
contudo, não são considerados como regras claras. Ex.: lex rei sitae (onde a coisa se encontra), lex 
fori, locus regit actum, (o lugar determina o ato), etc.

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