Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

FACULDADE DO MARANHÃO - FACAM
ODORICO FERNANDES DE SOUSA NETO 
ESTUDO DE CASO: Condutas de enfermagem a pacientes com DPOC
COLINAS – MA
2024
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças respiratórias crônicas são uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo e que afetam milhares de pessoas todos os anos (BRASIL, 2013). Entre essas doenças encontra-se a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a qual tem alto índice de mortalidade em todo mundo, e de acordo com Global Burden of Disease (GBD) ocupa a 4ª posição em causa de morte em toda a faixa etária no mundo, e no Brasil é considerada a 3ª causa de morte. Também, a DPOC está associada a um risco elevado de morte precoce e a perda significativa na qualidade de vida dos portadores dessa doença (GOLD, 2020).
É evidente que para se ter o diagnóstico de DPOC é preciso levar em consideração alguns aspectos: a idade acima de 40 anos, sintomas progressivos (tosse, expectoração, dispneia), exposição a fatores de risco (tabaco como principal, fogão a lenha poeiras e fumaças industriais). O diagnóstico preciso dá-se através do teste de função pulmonar, com a espirometria, pelo raio-X, exames clínicos e laboratoriais, além de acompanhamento da evolução da DPOC (ZONZIN, 2017). Vale ressaltar, que diante dos resultados dos exames, iniciará o tratamento, que poderá ser por terapia farmacológica e ou tratamento não farmacológico. Sendo que os objetivos da abordagem terapêutica, especialmente, para aliviar os sintomas, melhora a qualidade de vida, previne e trata as crises sintomáticas e reduz a mortalidade (FERNANDES, 2017).
Tendo em vista o supracitado, é importante mencionar que a equipe de enfermagem geralmente é a primeira a notar os sinais da patologia, devido ao contato direto com o paciente. Portanto, os cuidados de enfermagem são imprescindíveis para a melhora do quadro clínico e a prevenção de complicações. Nesse sentido, o presente estudo irá discutir como o enfermeiro deve realizar o atendimento ao paciente com suspeita ou diagnóstico DPOC. Visto que, as ações de enfermagem iniciam-se desde a admissão do paciente no serviço da atenção básica ou de emergência, com o intuito de diagnosticar precocemente e prestar os cuidados adequados, contribuindo significativamente com o aumento de sobrevida e qualidade de vida (QV) (FERREIRA, DE FREITAS E CAMPOS, 2019).
A enfermagem tem um papel importante no cuidado das pessoas tendo em vista uma terapia holística em todos os seus aspectos biopsicossociais. Quando se trata de cuidados de enfermagem parte da premissa de uma atividade universal e intrinsecamente preciosa. Os cuidados de enfermagem têm como objetivo promover o bem-estar físico e psicossocial, assim, visando diversas possibilidades de evidenciar o funcionamento factível dos indivíduos. Além disso, o cuidar entra na prática de ações em conjunto da equipe multidisciplinar, aplicando interações terapêuticas e promovendo a satisfação das necessidades humanas. (DOS SANTOS, 2019).
Dessa forma, a abordagem do paciente com suspeita de DPOC deve ser feita inicialmente pelo enfermeiro através da realização da anamnese. A anamnese é a entrevista inicial que o enfermeiro faz com o paciente visando levantar qualquer tipo de informação que possa contribuir para o diagnóstico e tratamento. O profissional de enfermagem deve investigar as características dos sintomas atuais: piora da falta de ar ou chiado no peito; piora da tosse, aumento da expectoração ou dor torácica; tosse com expectoração sanguinolenta, com cheiro forte, de cor amarelada ou verde; inchaço nos pés, tornozelos ou nas mãos; piora da sensação de fadiga; câimbras ou fraqueza muscular; despertar a noite com falta de ar; qualquer sintoma diferente aflitivo. (EXPEDITO, 2018).
Partindo desse pressuposto, a assistência de enfermagem deve ser sistematizada, para melhorar a qualidade do atendimento e as necessidades de cada paciente, promovendo maior segurança a partir da aplicação dos diagnósticos de enfermagem e suas necessidades para que as intervenções sejam elaboradas de maneira individual (INCHAUSPE, 2014). Desse modo, com base na fisiopatologia da DPOC e suas manifestações clínicas, os principais diagnósticos de enfermagem de acordo com a classificação da International Nursing Diagnoses Definitions and Classification (NANDA, 2021-2023). Logo a seguir, a tabela abaixo demonstrará alguns diagnósticos de enfermagem e intervenções.
M.R.S.A, 65 anos, sexo feminino, cor parda, natural e procedente de Crato-CE, estado civil casada, treze filhos, dona de casa, religião católica. Admitida no dia 29/04/2015, setor não-intensiva, sem acompanhante, com diagnóstico médico de DPOC. Paciente consciente, orientada, verbalizando e deambulando. Apresenta-se hidratada, afebril: 36.1ºc, eupneica: 19rpm, normocárdica: 61 bpm, normotensa: 100X60 mmhg com AVP (Acesso venoso periférico), no membro superior esquerdo. Está em tratamento há 5 anos, sabe que sua doença é grave, e está de certa forma conformada com sua situação. Já se acostumou com as internações, com o ambiente hospitalar, e com o tratamento. Paciente relata que fez a cirurgia de histerectomia, que é hipertensa, que teve asma com 8 anos de idade e que tem preocupação e estresse excessivo com os filhos, a qual chegou a perder 4kg. Às vezes não dorme bem à noite devido a dispneia noturna. Repousa sempre e evita esforços devido à dificuldade respiratória. Faz caminhada 1 vezes por semana. Foi tabagista, mas parou de fumar há 7 anos (desde que descobriu a doença), alimentação hipossódica preservada, ingere muitos líquidos, eliminações intestinais normais. Gosta de ir à igreja, assistir TV e conversar com os amigos, procura o médico sempre que sua situação de saúde se agrava. Queixa-se de dor torácica em região posterior e em região hemi – clavicular direita.
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM DE NANDA E INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM
Troca de gases prejudicada evidenciada por dispneia, relacionado ao desequilíbrio na relação obstrução das vias áreas.
Realizar exame físico do sistema respiratório e determinar a frequência e a profundidade das respirações, a utilização dos músculos acessórios, presença ou não de cianose, com auscultar os sons respiratórios e avaliar a presença de ruídos adventícios. Monitorar e registrar a saturação constantemente, a fim de regular o mecanismo de oferta, caso for necessário oxigenioterapia.
Fadiga relacionada, aumento do esforço físico, sintomas depressivos e ansiedade caracterizada pela dificuldade em manter a rotina normal.
Orientá-lo sobre realizar pequenos esforços durante o dia a dia. Encaminhar o portado de DPOC para aconselhamento psicológico
Desobstrução Ineficaz da Via Aérea relacionado a incapacidade para eliminar secreções ou obstruções do trato respiratório, evidenciada pela fisiopatologia da DPOC.
Encaminhar o paciente para um especialista, o qual irá avaliar o caso e determinar qual será a melhor conduta. Realizar oxigenioterapia caso necessário.
Mobilidade Física Prejudicada evidenciada pela dispneia ao esforço, relacionado à intolerância à atividade.
Orientá-lo sobre realizar pequenos esforços durante o dia a dia. Estimular o autocuidado, para que o paciente consiga realizar a atividades diárias.
Baixa autoestima situacional relacionada à subestima na capacidade de lidar com o sentimento de solidão e inutilidades, evidenciado por mudanças no papel social e queda na qualidade de vida.
Orientar a família sobre a importância de momentos de diálogos, monitoramento das mudanças do dia a dia e no nível de orientação, observando qualquer alteração em seu fluxo.
Ansiedade relacionada à diminuição da produtividade, dispneia, angústia, insegurança, humor irritável, evidenciado por mudanças no seu cotidiano por causa da DPOC.
Oferecer segurança ao portador quanto a verbalização das suas instâncias emocionais, através do olhar holístico e escuta ativa sem julgamentos, sempre que manter contato com o paciente
É indiscutível que a família por ser um importantepilar de apoio deve aceitar a doença, pois só assim facilitará o tratamento, apesar de que os cuidados não se direcionam apenas a enfermagem, mas ao meio familiar. Sabe-se que o enfermeiro será o porta voz da intervenção do paciente, entretanto, são os familiares que irão transmitir um melhor afeto e conforto nos piores momentos (SCHMITT, 2019) 
O enfermeiro, do mesmo modo, tem como sua totalidade uma assistência que vise a qualidade e o bem-estar do paciente, considerando a autonomia, protagonismo e corresponsabilidade dos sujeitos envolvidos no processo do cuidado. O profissional é responsável pela assistência integral e um olhar holístico para o paciente com DPOC, e usar técnicas e decisões sem afetar negativamente a qualidade de vida. Diante disso, o papel do enfermeiro é prestar atendimento de maneira integralizada como preconiza os princípios do SUS, realizar escuta qualificada, esclarecer dúvidas a respeito da doença, orientar o paciente e família sobre a importância do tratamento para prevenir complicações, acionar a equipe multidisciplinar, ouvir as queixas e traçar intervenções que melhorem a qualidade de vida. (DOS SANTOS, 2019)
BRASIL, Ministério a saúde. Protocolo Clinico e Diretrizes Terapêuticas-Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Brasília: MS, 2013.
EXPEDITO, AMANDA et al. Cuidados de enfermagem na perspectiva de pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica. ANAIS DA IV SEMANA DE ENFERMAGEM DAS FACULDADES SÃO JOSÉ. Rio de janeiro, 2018.
FERNANDES, Frederico León Arrabal et al. Recomendações para o tratamento farmacológico do DPOC: perguntas e respostas. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 43, p. 290-301, 2017.
FERREIRA, Maria Denislane Temóteo; DE FREITAS MANIVA, Samia Jardelle Costa; CAMPOS, Regina Kelly Guimarães Gomes. Dificuldade pulmonar obstrutiva crônica: um estudo reflexivo sobre a importância do papel do enfermeiro. mostra interdisciplinar do curso de enfermagem, 2019.
GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease). Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease, 2020.
INCHAUSPE, Juciane Aparecida Furlan et al. Estudos sobre os diagnósticos de enfermagem em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica. Revista de Saúde Dom Alberto, v. 1, n. 3, p. 29-44, 2014
NANDA, HERDMANT, T. Heathe; KAMITSEERV, Shigenk. Diagnóstico de enfermagem do NANDA. 12º Ed. Porto Alegre: Artmed, 2021.
SANTOS, Dara Barbosa dos et al. Cuidados de enfermagem à pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica–DPOC. Mostra Interdisciplinar do curso de Enfermagem, 2019.
SCHMITT, Carolina et al. Funcionalidade da família no cotidiano de pacientes acometidos de doença pulmonar obstrutiva crônica. Anais do Salão de Ensino e de Extensão, p. 23, 2019.
ZONZIN, Gilmar Alves et al. O que é importante para o Diagnóstico da DPOC? Pulmão RJ, v. 26, n. 1, p. 5-14, 2017.

Mais conteúdos dessa disciplina