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Pré-Modernismo L0146 - (Enem) Sobre a exposição de Anita Malfa�, em 1917, que muito influenciaria a Semana de Arte Moderna, Monteiro Lobato escreveu, em ar�go in�tulado Paranoia ou Mis�ficação: Há duas espécies de ar�stas. Uma composta dos que veem as coisas e em consequência fazem arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a concre�zação das emoções esté�cas, os processos clássicos dos grandes mestres. (...) A outra espécie é formada dos que veem anormalmente a natureza e a interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica das escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. (...). Estas considerações são provocadas pela exposição da sra. Malfa�, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma a�tude esté�ca forçada no sen�do das extravagâncias de Picasso & cia. O Diário de São Paulo, dez./1917. Em qual das obras a seguir iden�fica-se o es�lo de Anita Malfa� cri�cado por Monteiro Lobato no ar�go? 1@professorferretto @prof_ferretto a) b) c) d) e) L0143 - (Ufrn) Considere o seguinte trecho do conto “O fisco (conto de Natal)”, publicado em 1921 e integrante do livro Negrinha, de Monteiro Lobato: Súbito, viu um homem de boné caminhando para o seu lado. Olhou-lhe para as bo�nas. Sujas. Viria engraxar, com certeza – e o coração bateu-lhe apressado, no tumulto delicioso da estreia. Encarou o homem já a cinco passos e sorriu com infinita ternura nos olhos, num agradecimento antecipado em que havia tesouros de gra�dão. Mas em vez de espichar o pé, o homem rosnou aquela terrível interpelação inicial: – Então, cachorrinho, que é da licença? (LOBATO, Monteiro. Negrinha. São Paulo: Globo, 2008, p. 71) O trecho em destaque apresenta um episódio ocorrido em um parque. No contexto da narra�va, a cena ilustra: a) um confronto entre a autoridade cons�tuída e o menino que insiste na desobediência à lei. b) um encontro amigável entre o menino engraxate e um cliente. c) uma conversa amistosa entre as personagens, de posições sociais dis�ntas. d) uma relação de desigualdade entre as personagens, determinada pela força repressiva. L0145 - (Uff) A DESCOBERTA DA AMÉRICA E A BARBÁRIE DOS CIVILIZADOS – A conquista da América pelos europeus foi uma tragédia sangrenta. A ferro e fogo! Era a divisa dos cris�anizadores. Mataram à vontade, destruíram tudo e levaram todo ouro que havia. 2@professorferretto @prof_ferretto Outro espanhol, de nome Pizarro, fez no Peru coisa idên�ca com os incas, um povo de civilização muito adiantada que lá exis�a. Pizarro chegou e disse ao imperador inca que o papa havia dado aquele país aos espanhóis e ele viera tomar conta. O imperador inca, que não sabia quem era o papa, ficou de boca aberta, e muito naturalmente não se submeteu. Então Pizarro, bem armado de canhões conquistou e saqueou o Peru. – Mas que diferença há, vovó, entre estes homens e aquele Á�la ou aquele Gengis-Cã que marchou para o ocidente com os terríveis tártaros, matando, arrasando e saqueando tudo? – A diferença única é que a história é escrita pelos ocidentais e por isso torcida a nosso favor. Vem daí considerarmos como feras aos tártaros de Gengis-Cã e como heróis com monumentos em toda parte, aos célebres “conquistadores” brancos. A verdade, porém, manda dizer que tanto uns como outros nunca passaram de monstros feitos da mesmíssima massa, na mesmíssima forma. Gengis-Cã construiu pirâmides enormes com cabeças cortadas aos prisioneiros. Vasco da Gama encontrou na Índia vários navios árabes carregados de arroz, aprisionou-os, cortou as orelhas e as mãos de oitocentos homens da equipagem e depois queimou os pobres mu�lados dentro dos seus navios. Monteiro Lobato, História do mundo para crianças. Capítulo LX Monteiro Lobato narra a história das civilizações sob um ponto de vista crí�co contrário à tradição ocidental, evidenciando as diferenças de comportamento entre as civilizações. Assinale a opção que exemplifica a disparidade das visões no encontro histórico de civilizações diferentes. a) Para os que chegavam, o mundo em que entravam era a arena de seus ganhos, em ouro e glórias. Para os índios que ali estavam, nus na praia, o mundo era um luxo de se viver. Este foi o efeito do encontro fatal que ali se dera. Ao longo das praias brasileiras de 1500, se defrontaram, pasmos de se verem uns aos outros tais quais eram, a selvageria e a civilização. Suas concepções, não só diferentes mas opostas, do mundo, da vida, da morte, do amor, se chocaram cruamente. – (Darcy Ribeiro, O povo brasileiro) b) – Cá no asfalto, lixam-se para os índios. Tem tudo a ver. Aquele sujeito de bigode, sentado ali, tem tudo a ver. Pois se não conseguimos respeitar a integridade deles, estamos ameaçados. Ninguém exerce, impunemente, a violência. É como cuspir para cima. Se estamos destruindo os índios, é porque nossa brutalidade chegou a um nível perigoso para nós próprios. – (Noel Nutels, apud Hélio Pellegrino, Lucidez embriagada) c) Deitado na esteira, de boca para cima, o sacerdote Jaguar de Yucatán escutou a mensagem dos deuses. Eles falaram através do telhado, montados sobre sua casa, em um idioma que ninguém entendia. Chilan Balam, que era boca dos deuses, recordou o que ainda não �nha acontecido: - Dispersados serão pelo mundo as mulheres que cantam e os homens que cantam e todos os que cantam... – (Eduardo Galeano, Nascimentos) d) Pioneiros da conquista do trópico para a civilização, �veram os portugueses, nessa proeza, sua maior missão histórica. E sem embargo de tudo quanto se possa alegar contra sua obra, forçoso é reconhecer que foram não somente os portadores efe�vos como os portadores naturais dessa missão. – (Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil) e) Neste final de século fala-se muito em crise de iden�dade do sujeito. O homem da sociedade moderna �nha uma iden�dade bem definida e localizada no mundo social e cultural. Mas uma mudança estrutural está fragmentando e deslocando as iden�dades culturais de classe, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade. – (Stuart Hall, A iden�dade cultural na pós-modernidade) L0144 - (Uepa) Texto I MEC quer rever veto a livro de Monteiro Lobato O ministro da Educação, Fernando Haddad, pedirá que (sic) o CNE (Conselho Nacional de Educação) reveja o 3@professorferretto @prof_ferretto parecer que recomendou restrições à distribuição do livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, em escolas públicas. O Conselho de Educação quer vetar livro de Monteiro Lobato em escolas. Como revelou a Folha, o conselho sugeriu que a obra não seja distribuída pelo governo ou, caso isso seja feito, que contenha uma “nota explica�va”, devido a um suposto teor racista. Haddad disse ter recebido diversas reclamações de educadores e especialistas contra a decisão do CNE. “Foram muitas manifestações para que o MEC afaste qualquer hipótese de censura a qualquer obra”, afirmou. Ele disse não ver racismo na obra, mas ainda assim não descartou o contexto em que determinada obra foi escrita quando isso for considerado necessário. Para o ministro, qualquer que seja a decisão do CNE, ela deverá valer para todos os livros e não para apenas um específico. (PINHO, Angela. In: h�p://www.substan�voplural.com.br/monteiro-lobato-e- a-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em 09/09/2011) Texto II Monteiro Lobato e a proibição da “Caçada de Pedrinho” Meus amigos e amigas, Estou muito preocupado com essa proibição ao livro “Caçadas de Pedrinho”, escrito por Monteiro Lobato em 1933. Estou aqui com as obras completas do Lobato e já consultei o seu grande biógrafo Edgard Cavalheiro e não vejo razão para essa proibição. Aprendi a gostar de ler com Monteiro Lobato. Li o D. Quixote das Crianças do Lobato e nunca mais deixei de ler a grande obra prima de Cervantes. Vasculhei o céu com Lobato numa “Viagem ao Céu”. Li sobre o explorador Hans Staden e me encantei com Os Doze Trabalhos de Hércules recontado por esse grande escritor e editor. Monteiro Lobato reinventou o Brasil. Emalguns aspectos inventou-o. Foi um grande nacionalista e lutou pelo nosso petróleo e recursos minerais. Foi um grande editor quando no Brasil quase não havia editoras. Um grande tradutor que lutou incansavelmente pelo Brasil. As Aventuras do Picapau Amarelo foram transportadas para a televisão e ainda hoje encantam gerações de todas as idades. Com relação à obra proibida “Caçadas do Pedrinho”, e a jus�fica�va das palavras preconceituosas e estereo�pas “trepar” e “negra”, que não ajudariam na educação com base “nos estudos atuais e crí�cos que discutem a presença de estereó�pos raciais na literatura“ acho a jus�fica�va sem propósito e um grave atentado contra a livre expressão e ao fazer literário e ar�s�co. Por isso mesmo meus protestos contra essa agressão a um dos mais cria�vos e nacionalistas escritores do Brasil. Urubu é negro, macaco trepa; assim como tem gente negra e que trepa. Não vejo razão para colocar a obra num índex proibi�vo. E são negros os olhos da minha amada. Cacemos Pedrinho! Vou fazer a minha perna de pau e colocar sebo para a onça não pegar. (MATA, João da. In: h�p://www.substan�voplural.com.br/monteiro-lobato- ea-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em 09/09/2011) No Texto II, a frase que revela uma opinião do autor sobre a proibição do livro de Monteiro Lobato “Caçadas de Pedrinho" é: a) estou muito preocupado com essa proibição ao livro “Caçadas de Pedrinho”. b) foi um grande nacionalista e lutou pelo nosso petróleo e recursos minerais. c) a noite é negra sem luar e ninguém pode mudar a natureza. d) um grave atentado contra a livre expressão e ao fazer literário e ar�s�co. e) vou fazer a minha perna de pau e colocar sebo para a onça não pegar. L0148 - (Ufrgs) Leia o soneto Psicologia de um vencido, de Augusto dos Anjos, e o poema Pneumotórax, de Manuel Bandeira. Psicologia de um vencido Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e ru�lância Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há-de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra! Pneumotórax Febre, hemop�se, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que poda ter sido e não foi. 4@professorferretto @prof_ferretto Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três... trinta e três... trinta e três... — Respire. — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar umtango argen�no. Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre os poemas. (__) Os dois poemas tratam do problema da finitude do corpo, corroído por doenças, u�lizando um vocabulário técnico, pouco comum à poesia. (__) O soneto de Augusto dos Anjos apresenta as energias do universo, que se associam para formar o “Eu”, e não conseguem evitar a decomposição do corpo. (__) O poema de Manuel Bandeira mostra a fragilidade do corpo, encarada de forma irônica, sem o tom grave de conspiração encontrado em Augusto dos Anjos. (__) Os dois poemas evidenciam o des�no implacável da destruição do homem desde que nasce, marcado pela presença dos vermes. a) V - F - V - V. b) F - V - F - F. c) V - V - V - F. d) F - F - V - V. e) V - F - F - V. L0139 - (Mackenzie) “O planalto central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em 1escarpas inteiriças, altas e abruptas. Assoberba os mares; e desata-se em chapadões nivelados pelos visos das cordilheiras marí�mas, distendidas do Rio Grande a Minas. 2Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de al�tude, ao mesmo tempo que descamba para a costa oriental em andares, ou repe�dos socalcos, que o despem da primi�va grandeza afastando-o consideravelmente para o interior. De sorte que quem o contorna, seguindo para o norte, observa notáveis mudanças de relevos: a princípio o traço con�nuo e dominante das montanhas, precintando-o, com destaque saliente, sobre a linha projetante das praias, depois, no segmento de orla marí�ma entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, um aparelho litoral revolto, feito da envergadura desar�culada das serras, riçado de cumeadas e corroído de angras, e escancelando-se em baías, e repar�ndo-se em ilhas, e desagregando-se em recifes desnudos, à maneira de escombros do conflito secular que ali se trava entre os mares e a terra; em seguida, transposto o 15º paralelo, a atenuação de todos os acidentes — serranias que se arredondam e suavizam as linhas dos taludes, fracionadas em morros de encostas indis�ntas no horizonte que se amplia; até que em plena faixa costeira da Bahia, o olhar, livre dos anteparos de serras que até lá o repulsam e abreviam, se dilata em cheio para o ocidente, mergulhando no âmago da terra amplíssima lentamente emergindo num ondear longínquo de chapadas... Este facies geográfico resume a morfogenia do grande maciço con�nental.” Euclides da Cunha, Os Sertões. Assinale a alterna�va INCORRETA sobre o contexto histórico e literário da prosa pré-modernista a que pertence o fragmento de Os Sertões. a) Os prosadores pré-modernistas produziram uma literatura problema�zadora da realidade brasileira de sua época. b) Entre os temas pré-modernistas, está o subdesenvolvimento do sertão nordes�no. c) A inves�gação social presente na prosa pré-modernista colabora para o aprofundamento do sen�mento ufanista nacional. d) A prosa da época é marcada por obras de análise e interpretação social significa�vas para a literatura brasileira. e) O pré-modernismo antecipou formal ou tema�camente prá�cas e ideias que foram desenvolvidas pelos modernistas. L0289 - (Unesp) Leia o texto extraído da primeira parte, in�tulada “A terra”, da obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A obra resultou da cobertura jornalís�ca da Guerra de Canudos, realizada por Euclides da Cunha para o jornal O Estado de S. Paulo de agosto a outubro de 1897, e foi publicada apenas em 1902. Percorrendo certa vez, nos fins de setembro [de 1897], as cercanias de Canudos, fugindo à monotonia de um canhoneio1 frouxo de �ros espaçados e soturnos, encontramos, no descer de uma encosta, anfiteatro irregular, onde as colinas se dispunham circulando um vale único. Pequenos arbustos, icozeiros2 virentes viçando em tufos intermeados de palmatórias3 de flores ru�lantes, davam ao lugar a aparência exata de algum velho jardim em abandono. Ao lado uma árvore única, uma quixabeira alta, sobranceando a vegetação franzina. O sol poente desatava, longa, a sua sombra pelo chão e protegido por ela – braços largamente abertos, face volvida para os céus – um soldado descansava. Descansava... havia três meses. 5@professorferretto @prof_ferretto Morrera no assalto de 18 de julho [de 1897]. A coronha da Mannlicher4 estrondada, o cinturão e o boné jogados a uma banda, e a farda em �ras, diziam que sucumbira em luta corpo a corpo com adversário possante. Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada que lhe sulcara a fronte, manchada de uma escara preta. E ao enterrarem-se, dias depois, os mortos, não fora percebido. Não compar�ra, por isto, a vala comum de menos de um côvado de fundo em que eram jogados, formando pela úl�ma vez juntos, os companheiros aba�dos na batalha. O des�no que o removera do lar desprotegido fizera-lhe afinal uma concessão: livrara-o da promiscuidade lúgubre de um fosso repugnante; e deixara-o ali há três meses – braços largamente abertos, rosto voltado para os céus, para os sóis ardentes, para os luares claros, para as estrelas fulgurantes... E estava intacto. Murchara apenas. Mumificara conservando os traços fisionômicos, de modo a incu�r a ilusão exata de um lutador cansado,retemperando-se em tranquilo sono, à sombra daquela árvore benfazeja. Nem um verme – o mais vulgar dos trágicos analistas da matéria – lhe maculara os tecidos. Volvia ao turbilhão da vida sem decomposição repugnante, numa exaustão impercep�vel. Era um aparelho revelando de modo absoluto, mas suges�vo, a secura extrema dos ares. (Os sertões, 2016.) 1 canhoneio: descarga de canhões. 2 icozeiro: arbusto de folhas coriáceas, flores de tom verde-pálido e frutos bacáceos. 3 palmatória: planta da família das cactáceas, de flores amarelo-esverdeadas, com a parte inferior vermelha, ou róseas, e bagas vermelhas. 4 Mannlicher: rifle projetado por Ferdinand Ri�er von Mannlicher. A linguagem do texto pode ser caracterizada como a) erudita e lacônica. b) rebuscada e técnica. c) coloquial e prolixa. d) subje�va e informal. e) hermé�ca e impessoal. L0151 - (Enem) Texto 1 O Morcego Meia-noite. Ao meu quarto me recolho. Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede: Na bruta ardência orgânica da sede, Morde-me a goela ígneo e escaldante molho. “Vou mandar levantar outra parede...” Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede! Pego de um pau. Esforços faço. Chego A tocá-lo. Minh’alma se concentra. Que ventre produziu tão feio parto?! A Consciência Humana é este morcego! Por mais que a gente faça, à noite, ele entra Impercep�velmente em nosso quarto! ANJOS, A. Obra completa.Rio de Janeiro: Aguilar, 1994. Texto 2 O lugar-comum em que se converteu a imagem de um poeta doen�o, com o gosto do macabro e do horroroso, dificulta que se veja, na obra de Augusto dos Anjos, o olhar clínico, o comportamento analí�co, até mesmo certa frieza, certa impessoalidade cien�fica. CUNHA, F. Roman�smo e modernidade na poesia.Rio de Janeiro: Cátedra, 1988 (adaptado). Em consonância com os comentários do texto 2 acerca da poé�ca de Augusto dos Anjos, o poema O morcego apresenta-se, enquanto percepção do mundo, como forma esté�ca capaz de a) reencantar a vida pelo mistério com que os fatos banais são reves�dos na poesia. b) expressar o caráter doen�o da sociedade moderna por meio do gosto pelo macabro. c) representar realis�camente as dificuldades do co�diano sem associá-lo a reflexões de cunho existencial. d) abordar dilemas humanos universais a par�r de um ponto de vista distanciado e analí�co acerca do co�diano. e) conseguir a atenção do leitor pela inclusão de elementos das histórias de horror e suspense na estrutura lírica da poesia. L0138 - (Acafe) Em relação às escolas literárias, marque com V as afirmações verdadeiras e com F as falsas. (__) O Pré-Modernismo é um período de transição para o Modernismo, representado no Brasil pelos escritores Euclides da Cunha (autor de Os Sertões), Lima Barreto (autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma), Graça Aranha (autor de Canaã), entre outros. (__) O Movimento Antropofágico foi uma corrente de vanguarda que marca a primeira fase da era modernista da literatura brasileira em 1922. Liderado por Mário de Andrade (1893-1945) e pela pintora Anita Malfa� (1889- 1964), a finalidade principal era remodelar a cultura nacional. (__) O Tropicalismo é um movimento cultural do fim da década de 60 que revoluciona a música popular 6@professorferretto @prof_ferretto brasileira. É iniciado no lançamento das músicas “Alegria, Alegria” de Caetano Veloso e “Domingo no Parque” de Gilberto Gil, no Fes�val de MPB da TV Record em 1967. Representa também uma certa ruptura com o intelectualismo da Bossa Nova e um reflexo da resistência à censura e à repressão, agravada após o AI-5 (1968). (__) Tomás Antônio Gonzaga escreveu poesias líricas, �picas do Barroco. Fez uso de linguagem rebuscada e trabalhada ao extremo, usando muitos recursos es�lís�cos, figuras de linguagem e sintaxe: hipérboles, metáforas, an�teses e paradoxos. (__) O Roman�smo brasileiro caracteriza-se, em sua primeira fase, pelo indianismo e pelo nacionalismo, de que serve de exemplo a citação a seguir, extraída do romance Canção do Exílio, de Casimiro de Abreu: “Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta.” A sequência correta, de cima para baixo, é: a) F - V - F - V - V. b) V - F - V - F - F. c) F - F - V - V - F. d) V - V - F - F - V. L0141 - (Enem) A nossa emo�vidade literária só se interessa pelos populares do sertão, unicamente porque são pitorescos e talvez não se possa verificar a verdade de suas criações. No mais é uma con�nuação do exame de português, uma retórica mais di�cil, a se desenvolver por este tema sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de Botafogo em Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico. O comendador seu pai não quer porque o tal Dr. Frederico, apesar de doutor, não tem emprego. Dulce vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à mulher do ministro, an�ga aluna do colégio, que arranja um emprego para o rapaz. Está acabada a história. É preciso não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai tem dinheiro, fazenda ou engenho, mas não pode dar uma mesada grande. Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o tema de seu ciclo literário. BARRETO, L. Vida e morte de MJ Gonzaga de Sá. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10 ago. 2017. Situado num momento de transição, Lima Barreto produziu uma literatura renovadora em diversos aspectos. No fragmento, esse viés se fundamenta na a) releitura da importância do regionalismo. b) ironia ao folhe�m da tradição român�ca. c) desconstrução da formalidade parnasiana. d) quebra da padronização do gênero narra�vo. e) rejeição à classificação dos es�los de época. L0140 - (Enem) Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante con�ngência de sofrer con�nuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramá�cos, não se entendem no tocante à correção grama�cal, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma – usando do direito que lhe confere a Cons�tuição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro. BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 26 jun. 2012 Nessa pe�ção da pitoresca personagem do romance de Lima Barreto, o uso da norma-padrão jus�fica-se pela a) situação social de enunciação representada. b) divergência teórica entre gramá�cos e literatos. c) pouca representa�vidade das línguas indígenas. d) a�tude irônica diante da língua dos colonizadores. e) tenta�va de solicitação do documento demandado. L0288 - (Unesp) Leia o texto extraído da primeira parte, in�tulada “A terra”, da obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A obra resultou da cobertura jornalís�ca da Guerra de Canudos, realizada por Euclides da Cunha para o jornal O Estado de S. Paulo de agosto a outubro de 1897, e foi publicada apenas em 1902. Percorrendo certa vez, nos fins de setembro [de 1897], as cercanias de Canudos, fugindo à monotonia de um canhoneio1 frouxo de �ros espaçados e soturnos, encontramos, no descer de uma encosta, anfiteatro irregular, onde as colinas se dispunham circulando um vale único. Pequenos arbustos, icozeiros2 virentes viçando em tufos intermeados de palmatórias3 de flores ru�lantes, davam ao lugar a aparência exata de algum velho jardim em abandono. Ao lado uma árvore única, uma quixabeira alta, sobranceando a vegetação franzina. 7@professorferretto @prof_ferretto O sol poente desatava, longa, a sua sombra pelo chão e protegido por ela – braços largamenteabertos, face volvida para os céus – um soldado descansava. Descansava... havia três meses. Morrera no assalto de 18 de julho [de 1897]. A coronha da Mannlicher4 estrondada, o cinturão e o boné jogados a uma banda, e a farda em �ras, diziam que sucumbira em luta corpo a corpo com adversário possante. Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada que lhe sulcara a fronte, manchada de uma escara preta. E ao enterrarem-se, dias depois, os mortos, não fora percebido. Não compar�ra, por isto, a vala comum de menos de um côvado de fundo em que eram jogados, formando pela úl�ma vez juntos, os companheiros aba�dos na batalha. O des�no que o removera do lar desprotegido fizera-lhe afinal uma concessão: livrara-o da promiscuidade lúgubre de um fosso repugnante; e deixara-o ali há três meses – braços largamente abertos, rosto voltado para os céus, para os sóis ardentes, para os luares claros, para as estrelas fulgurantes... E estava intacto. Murchara apenas. Mumificara conservando os traços fisionômicos, de modo a incu�r a ilusão exata de um lutador cansado, retemperando-se em tranquilo sono, à sombra daquela árvore benfazeja. Nem um verme – o mais vulgar dos trágicos analistas da matéria – lhe maculara os tecidos. Volvia ao turbilhão da vida sem decomposição repugnante, numa exaustão impercep�vel. Era um aparelho revelando de modo absoluto, mas suges�vo, a secura extrema dos ares. (Os sertões, 2016.) 1 canhoneio: descarga de canhões. 2 icozeiro: arbusto de folhas coriáceas, flores de tom verde-pálido e frutos bacáceos. 3 palmatória: planta da família das cactáceas, de flores amarelo-esverdeadas, com a parte inferior vermelha, ou róseas, e bagas vermelhas. 4 Mannlicher: rifle projetado por Ferdinand Ri�er von Mannlicher. Anteriormente ao texto transcrito, Euclides da Cunha menciona a existência de “higrômetros inesperados e bizarros” na paisagem. Cons�tui exemplo de higrômetro inesperado e bizarro no texto transcrito: a) a disposição geográfica das colinas. b) a ação dos vermes a decompor o cadáver. c) o corpo abandonado do soldado. d) a quixabeira solitária, cercada por vegetação franzina. e) a secura extrema dos ares. L0150 - (Unifesp) Apóstrofe à carne Quando eu pego nas carnes do meu rosto, Pressinto o fim da orgânica batalha: – Olhos que o húmus necrófago estraçalha, Diafragmas, decompondo-se, ao sol-posto. E o Homem – negro e heteróclito composto, Onde a alva flama psíquica trabalha, Desagrega-se e deixa na mortalha O tacto, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto! Carne, feixe de mônadas bastardas, Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas, A dardejar relampejantes brilhos, Dói-me ver, muito embora a alma te acenda, Em tua podridão a herança horrenda, Que eu tenho de deixar para os meus filhos! (Augusto dos Anjos. Obra completa, 1994.) No plano formal, o poema é marcado por a) versos brancos, linguagem obscena, rupturas sintá�cas. b) vocabulário seleto, rimas raras, aliterações. c) vocabulário an�lírico, redondilhas, assonâncias. d) assonâncias, versos decassílabos, versos sem rimas. e) versos livres, rimas intercaladas, inversões sintá�cas. L0142 - (Ufpr) Considere o seguinte trecho do romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto: Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro. (Clara dos Anjos, p. 38.) Com base no trecho selecionado e na leitura integral do romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto, assinale a alterna�va correta. 8@professorferretto @prof_ferretto a) O narrador é imparcial ao descrever os cenários do subúrbio e de outros pontos da cidade, demonstrando neutralidade na constatação das diferenças entre as regiões. b) O subúrbio é descrito ora de modo realista, ora de modo idealizado, contribuindo para a construção de uma visão, por vezes, roman�zada da pobreza. c) O narrador disseca com rigor quase sociológico os problemas polí�cos da época, citando fatos e personagens históricos reais que se misturam à narra�va. d) O romance apresenta o ambiente do subúrbio aliando a descrição pormenorizada do espaço �sico à caracterização dos personagens que o habitam. e) Os vários bairros e personagens que estão nos arredores da linha férrea do trem urbano são descritos como um conjunto indiferenciado, como se cada bairro não �vesse sua caracterís�ca própria. L0149 - (Enem) Psicologia de um vencido Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e ru�lância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundíssimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância… Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra! ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. A poesia de Augusto dos Anjos revela aspectos de uma literatura de transição designada como pré-modernista. Com relação à poé�ca e à abordagem temá�ca presentes no soneto, iden�ficam-se marcas dessa literatura de transição, como a) a forma do soneto, os versos metrificados, a presença de rimas e o vocabulário requintado, além do ce�cismo, que antecipam conceitos esté�cos vigentes no Modernismo. b) o empenho do eu lírico pelo resgate da poesia simbolista, manifesta em metáforas como “Monstro de escuridão e ru�lância” e “influência má dos signos do zodíaco”. c) a seleção lexical emprestada ao cien�ficismo, como se lê em “carbono e amoníaco”, “epigênesis da infância” e “frialdade inorgânica”, que res�tui a visão naturalista do homem. d) a manutenção de elementos formais vinculados à esté�ca do Parnasianismo e do Simbolismo, dimensionada pela inovação na expressividade poé�ca, e o desconcerto existencial. e) a ênfase no processo de construção de uma poesia descri�va e ao mesmo tempo filosófica, que incorpora valores morais e cien�ficos mais tarde renovados pelos modernistas. L0147 - (Mackenzie) Poema de Finados Amanhã que é dia dos mortos Vai ao cemitério. Vai E procura entre as sepulturas A sepultura de meu pai. Leva três rosas bem bonitas. Ajoelha e reza uma oração. Não pelo pai, mas pelo filho: O filho tem mais precisão. O que resta de mim na vida É a amargura do que sofri. Pois nada quero, nada espero. E em verdade estou morto ali. Manuel Bandeira Versos a um coveiro Numerar sepulturas e carneiros, Reduzir carnes podres a algarismos, Tal é, sem complicados silogismos, A aritmé�ca hedionda dos coveiros! Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros, Na progressão dos números inteiros A gênese de todos os abismos! Oh! Pitágoras da úl�ma aritmé�ca, 9@professorferretto @prof_ferretto Con�nua a contar na paz ascé�ca Dos tábidos carneiros sepulcrais Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros, Porque, infinita como os próprios números A tua conta não acaba mais! Augusto dos Anjos Vocabulário: Carneiros – criptas, subterrâneos sepulcrais Fúlgidos – brilhantes Ascé�ca – próprio do asceta, de quem se entrega a prá�cas espirituais, levando vida contempla�va Tábitos – pobres, corruptos Tíbias – ossos que cons�tuem a perna Rádios – ossos que cons�tuem o antebraço Úmeros – ossos que vão do cotovelo ao ombro Pai contra mãe (fragmento) Houve aqui luta, porque a escrava, gemendo, arrastava- se a si e ao filho. 1Quem passava ou estava à porta de uma loja, compreendia o que era e naturalmente não acudia. Arminda ia alegando que o senhor era muito mau, e provavelmente a cas�garia com açoutes, – cousa que, no estado em que ela estava, seria pior de sen�r. Com certeza, ele lhe mandaria dar açoutes. — Você é que tem culpa. Quem lhe manda fazer filhos e fugir depois?perguntou Cândido Neves. 2Não estava em maré de riso, por causa do filho que lá ficara na farmácia, à espera dele. Também é certo que não costumava dizer grandes cousas. Foi arrastando a escrava pela Rua dos Ourives, em direção à da Alfândega, onde residia o senhor. Na esquina desta a luta cresceu; a escrava pôs os pés à parede, recuou com grande esforço, inu�lmente. 3O que alcançou foi, apesar de ser a casa próxima, gastar mais tempo em lá chegar do que devera. Chegou, enfim, arrastada, desesperada, arquejando. Ainda ali ajoelhou-se, mas em vão. O senhor estava em casa, acudiu ao chamado e ao rumor. — Aqui está a fujona, disse Cândido Neves. — É ela mesma. — 4Meu senhor! — Anda, entra... Arminda caiu no corredor. Ali mesmo o senhor da escrava abriu a carteira e �rou os cem mil-réis de gra�ficação. Cândido Neves guardou as duas notas de cinquenta mil- réis, enquanto o senhor novamente dizia à escrava que entrasse. No chão, onde jazia levada do medo e da dor, 5e após algum tempo de luta a escrava abortou. O fruto de algum tempo entrou sem vida neste mundo, entre os gemidos da mãe e os gestos de desespero do dono. Machado de Assis A par�r dos três autores selecionados, considere as seguintes afirmações: I. Manuel Bandeira foi poeta determinante na idealização e na organização da Semana de Arte Moderna de 1922. II. Augusto dos Anjos, em função de sua perfeição métrica e rítmica, é considerado um dos expoentes da tríade parnasiana. III. Machado de Assis abandonou a prosa român�ca para desenvolver as digressões textuais, caracterís�ca fundadora da prosa realista. Assinale a alterna�va correta. a) Estão corretas as afirmações I e II. b) Estão corretas as afirmações II e III. c) Estão corretas as afirmações I e III. d) Todas as afirmações estão corretas. e) Nenhuma das afirmações está correta. L0298 - (Unesp) Leia a crônica “A obra-prima”, de Lima Barreto, publicada na revista Careta em 25.09.1915. Marco Aurélio de Jesus, dono de um grande talento e senhor de um sólido saber, resolveu certa vez escrever uma obra sobre filologia. Seria, certo, a obra-prima ansiosamente esperada e que daria ao espírito inculto dos brasileiros as noções exatas da língua portuguesa. Trabalhou durante três anos, com esforço e sabiamente. Tinha preparado o seu livro que viria trazer à confusão, à dificuldade de hoje, o saber de amanhã. Era uma obra-prima pelas generalizações e pelos exemplos. A quem dedicá-la? Como dedicá-la? E o prefácio? E Marco Aurélio resolve meditar. Ao fim de igual tempo havia resolvido o di�cil problema. A obra seria, segundo o velho hábito, precedida de “duas palavras ao leitor” e levaria, como demonstração de sua submissão intelectual, uma dedicatória. Mas “duas palavras”, quando seriam centenas as que escreveria? Não. E Marco Aurélio contou as “duas palavras” uma a uma. Eram duzentas e uma e, em um lance único, genial, destacou em relevo, ao alto da página “duzentas e uma palavras ao leitor”. E a dedicatória? A dedicatória, como todas as dedicatórias, seria a “pálida homenagem” de seu talento ao espírito amigo que lhe ensinara a pensar… Mas “pálida homenagem”… Professor, autor de um livro de filologia, cair na vulgaridade da expressão 10@professorferretto @prof_ferretto comum: “pálida homenagem”? Não. E pensou. E de sua grave meditação, de seu profundo pensamento, saiu a frase límpida, a grande frase que definia a sua ideia da expressão e, num gesto, sulcou o alto da página de oferta com a frase sublime: “lívida homenagem do autor”… Está aí como um grande gramá�co faz uma obra- prima. Leiam-na e verão como a coisa é bela. (Sá�ras e outras subversões, 2016.) O cronista traça um retrato do gramá�co Marco Aurélio, evidenciando, sobretudo, a sua a) ambiguidade. b) informalidade. c) concisão. d) afetação. e) me�culosidade. L0366 - (Enem PPL) A nossa emo�vidade literária só se interessa pelos populares do sertão, unicamente porque são pitorescos e talvez não se possa verificar a verdade de suas criações. No mais é uma con�nuação do exame de português, uma retórica mais di�cil, a se desenvolver por este tema sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de Botafogo em Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico. O comendador seu pai não quer porque o tal Dr. Frederico, apesar de doutor, não tem emprego. Dulce vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à mulher do ministro, an�ga aluna do colégio, que arranja um emprego para o rapaz. Está acabada a história. É preciso não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai tem dinheiro, fazenda ou engenho, mas não pode dar uma mesada grande. Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o tema de seu ciclo literário. BARRETO, L. Vida e morte de MJ Gonzaga de Sá. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10 ago. 2017. Situado num momento de transição, Lima Barreto produziu uma literatura renovadora em diversos aspectos. No fragmento, esse viés se fundamenta na a) releitura da importância do regionalismo. b) ironia ao folhe�m da tradição român�ca. c) desconstrução da formalidade parnasiana. d) quebra da padronização do gênero narra�vo. e) rejeição à classificação dos es�los de época. L0392 - (Enem PPL) O grande hall do hotel estava repleto. [...] Os criados passavam apressados, erguendo numa azáfama os pratos de metal. Ao alto, os ven�ladores faziam um rumor de colmeias. Senhoras e cavalheiros, perfeitamente felizes, as senhoras quase todas com largos boás de plumas brancas, chalravam e sorriam. Estávamos bem na bizarra sociedade de entalhe que é o escol dos hotéis. Alta, longa, comprida, com uma cintura de esmaltes translúcidos e o ar empoado de uma ín�ma do general Lafaye�e, a escritora americana cuja admiração por Gonçalves Dias chegara a fazê-la estudar e propagar o Brasil, mas�gava gravemente. Logo ao lado, um grupo de engenheiros, também americanos, bebia, com gargalhadas brutais e decerto inconvenientes, champanhe Mumm. [...] De vez em quando parava à porta um novo hóspede, hesitava, percorria com o olhar a extensa fila de mesas onde o debinage se acalorava. A um canto, Mlles. Peres, filhas de um rico argen�no, yatch-recorderman nas horas vagas e vendedor de gado nas outras, perlavam risadinhas de flerte para o solitário e divino Alberto Guerra, seguro dos seus bíceps, dos seus brilhantes e quiçá dos seus versos. JOÃO DO RIO. Dentro da noite. São Paulo: An�qua, 2002 (fragmento). Nessa descrição, o narrador traça um panorama sociocultural das primeiras décadas do século XX. Sua perspec�va revela uma a) percepção irônica da importação de valores e modismos. b) euforia generalizada com as facilidades da modernidade. c) visão o�mista sobre as a�tudes da mulher emancipada. d) adesão propagandís�ca aos gostos burgueses e ao luxo. e) preocupação nacionalista com a integridade da língua. L0393 - (Enem PPL) O corrupião Escaveirado corrupião idiota, Olha a atmosfera livre, o amplo éter belo, E a alga criptógama e a úsnea e o cogumelo, Que do fundo do chão todo o ano brota! Mas a ânsia de alto voar, de à an�ga rota Voar, não tens mais! E pois, preto e amarelo, Pões-te a assobiar, bruto, sem cerebelo A gargalhada da úl�ma derrota! A gaiola aboliu tua vontade. Tu nunca mais verás a liberdade!... Ah! Tu somente ainda és igual a mim. Con�nua a comer teu milho alpiste. 11@professorferretto @prof_ferretto Foi este mundo que me fez tão triste, Foi a gaiola que te pôs assim! ANJOS, A. Eu e outras poesias. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 30 out. 2021. Nesse soneto, a imagem e o comportamento do pássaro são u�lizados pelo eu lírico para metaforizar o a) sofrimento provocado pela solidão. b) ins�nto de revolta perante as injus�ças. c) contraste entre natureza e civilização. d) declínio relacionado ao envelhecimento. e) gesto de resignação ante as privações diárias. L0405 - (Enem PPL) Chamou-me o bragan�no e levou-me pelos corredores e pá�os até ao hospício propriamente. Aí é que percebi que ficava e onde, na seção, na de indigentes,aquela em que a imagem do que a Desgraça pode sobre a vida dos homens é mais formidável. O mobiliário, o vestuário das camas, as camas, tudo é de uma pobreza sem par. Sem fazer monopólio, os loucos são da proveniência mais diversa, originando-se em geral das camadas mais pobres da nossa gente pobre. São de imigrantes italianos, portugueses e outros mais exó�cos, são os negros roceiros, que teimam em dormir pelos desvãos das janelas sobre uma esteira esmolambada e uma manta sórdida; são copeiros, cocheiros, moços de cavalariça, trabalhadores braçais. No meio disto, muitos com educação, mas que a falta de recursos e proteção a�ra naquela geena social. BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos. São Paulo: Cosac & Naify, 2010. No relato de sua experiência no sanatório onde foi interno, Lima Barreto expõe uma realidade social e humana marcada pela exclusão. Em seu testemunho, essa reclusão demarca uma a) medida necessária de intervenção terapêu�ca. b) forma de punição indireta aos hábitos desregrados. c) compensação para as desgraças dos indivíduos. d) oportunidade de ressocialização em um novo ambiente. e) conveniência da invisibilidade a grupos vulneráveis e periféricos. L0471 - (Unesp) Leia o texto extraído da primeira parte, in�tulada “A terra”, da obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A obra resultou da cobertura jornalís�ca da Guerra de Canudos, realizada por Euclides da Cunha para o jornal O Estado de S.Paulo de agosto a outubro de 1897, e foi publicada apenas em 1902. Percorrendo certa vez, nos fins de setembro [de 1897], as cercanias de Canudos, fugindo à monotonia de um canhoneio1 frouxo de �ros espaçados e soturnos, encontramos, no descer de uma encosta, anfiteatro irregular, onde as colinas se dispunham circulando um vale único. Pequenos arbustos, icozeiros2 virentes viçando em tufos intermeados de palmatórias3 de flores ru�lantes, davam ao lugar a aparência exata de algum velho jardim em abandono. Ao lado uma árvore única, uma quixabeira alta, sobranceando a vegetação franzina. O sol poente desatava, longa, a sua sombra pelo chão e protegido por ela – braços largamente abertos, face volvida para os céus – um soldado descansava. Descansava... havia três meses. Morrera no assalto de 18 de julho [de 1897]. A coronha da Mannlicher4 estrondada, o cinturão e o boné jogados a uma banda, e a farda em �ras, diziam que sucumbira em luta corpo a corpo com adversário possante. Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada que lhe sulcara a fronte, manchada de uma escara preta. E ao enterrarem-se, dias depois, os mortos, não fora percebido. Não compar�ra, por isto, a vala comum de menos de um côvado de fundo em que eram jogados, formando pela úl�ma vez juntos, os companheiros aba�dos na batalha. O des�no que o removera do lar desprotegido fizera-lhe afinal uma concessão: livrara-o da promiscuidade lúgubre de um fosso repugnante; e deixara-o ali há três meses – braços largamente abertos, rosto voltado para os céus, para os sóis ardentes, para os luares claros, para as estrelas fulgurantes... E estava intacto. Murchara apenas. Mumificara conservando os traços fisionômicos, de modo a incu�r a ilusão exata de um lutador cansado, retemperando-se em tranquilo sono, à sombra daquela árvore benfazeja. Nem um verme – o mais vulgar dos trágicos analistas da matéria – lhe maculara os tecidos. Volvia ao turbilhão da vida sem decomposição repugnante, numa exaustão impercep�vel. Era um aparelho revelando de modo absoluto, mas suges�vo, a secura extrema dos ares. (Os sertões, 2016.) 1 canhoneio: descarga de canhões. 2 icozeiro: arbusto de folhas coriáceas, flores de tom verde-pálido e frutos bacáceos. 3 palmatória: planta da família das cactáceas, de flores amarelo-esverdeadas, com a parte inferior vermelha, ou róseas, e bagas vermelhas. 4 Mannlicher: rifle projetado por Ferdinand Ri�er von Mannlicher. Anteriormente ao texto transcrito, Euclides da Cunha menciona a existência de “higrômetros inesperados e 12@professorferretto @prof_ferretto bizarros” na paisagem. Cons�tui exemplo de higrômetro inesperado e bizarro no texto transcrito: a) a disposição geográfica das colinas . b) a ação dos vermes a decompor o cadáver. c) o corpo abandonado do soldado. d) a quixabeira solitária, cercada por vegetação franzina. e) a secura extrema dos ares. L0518 - (Unesp) Trata-se de uma obra híbrida que transita entre a literatura, a história e a ciência, ao unir a perspec�va cien�fica, de base naturalista e evolucionista, à construção literária, marcada pelo fatalismo trágico e por uma visão român�ca da natureza. Seu autor recorreu a formas de ficção, como a tragédia e a epopeia, para compreender o horror da guerra e inserir os fatos em um enredo capaz de ultrapassar a sua significação par�cular. (Roberto Ventura. “Introdução”. In: Silviano San�ago (org.). Intérpretes do Brasil, vol. 1, 2000. Adaptado.) Tal comentário crí�co aplica-se à obra a) Capitães da Areia, de Jorge Amado. b) Vidas secas, de Graciliano Ramos. c) Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto. d) Os sertões, de Euclides da Cunha. e) Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. 13@professorferretto @prof_ferretto