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Pré-Modernismo
L0146 - (Enem)
Sobre a exposição de Anita Malfa�, em 1917, que muito
influenciaria a Semana de Arte Moderna, Monteiro
Lobato escreveu, em ar�go in�tulado Paranoia ou
Mis�ficação:
 
 Há duas espécies de ar�stas. Uma composta dos
que veem as coisas e em consequência fazem arte pura,
guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a
concre�zação das emoções esté�cas, os processos
clássicos dos grandes mestres. (...) A outra espécie é
formada dos que veem anormalmente a natureza e a
interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão
estrábica das escolas rebeldes, surgidas cá e lá como
furúnculos da cultura excessiva. (...). Estas considerações
são provocadas pela exposição da sra. Malfa�, onde se
notam acentuadíssimas tendências para uma a�tude
esté�ca forçada no sen�do das extravagâncias de Picasso
& cia.
O Diário de São Paulo, dez./1917.
 
Em qual das obras a seguir iden�fica-se o es�lo de Anita
Malfa� cri�cado por Monteiro Lobato no ar�go? 
1@professorferretto @prof_ferretto
a)
b)
c)
d)
e)
L0143 - (Ufrn)
Considere o seguinte trecho do conto “O fisco (conto de
Natal)”, publicado em 1921 e integrante do
livro Negrinha, de Monteiro Lobato:
 
Súbito, viu um homem de boné caminhando para o seu
lado. Olhou-lhe para as bo�nas. Sujas. Viria engraxar,
com certeza – e o coração bateu-lhe apressado, no
tumulto delicioso da estreia. Encarou o homem já a cinco
passos e sorriu com infinita ternura nos olhos, num
agradecimento antecipado em que havia tesouros de
gra�dão. 
Mas em vez de espichar o pé, o homem rosnou aquela
terrível interpelação inicial: 
– Então, cachorrinho, que é da licença? 
(LOBATO, Monteiro. Negrinha. São Paulo: Globo, 2008, p.
71) 
 
O trecho em destaque apresenta um episódio ocorrido
em um parque. No contexto da narra�va, a cena ilustra: 
a) um confronto entre a autoridade cons�tuída e o
menino que insiste na desobediência à lei. 
b) um encontro amigável entre o menino engraxate e um
cliente. 
c) uma conversa amistosa entre as personagens, de
posições sociais dis�ntas. 
d) uma relação de desigualdade entre as personagens,
determinada pela força repressiva. 
L0145 - (Uff)
A DESCOBERTA DA AMÉRICA E A BARBÁRIE DOS
CIVILIZADOS
 
– A conquista da América pelos europeus foi uma
tragédia sangrenta. A ferro e fogo! Era a divisa dos
cris�anizadores. Mataram à vontade, destruíram tudo e
levaram todo ouro que havia.
2@professorferretto @prof_ferretto
Outro espanhol, de nome Pizarro, fez no Peru coisa
idên�ca com os incas, um povo de civilização muito
adiantada que lá exis�a. Pizarro chegou e disse ao
imperador inca que o papa havia dado aquele país aos
espanhóis e ele viera tomar conta. O imperador inca, que
não sabia quem era o papa, ficou de boca aberta, e muito
naturalmente não se submeteu. Então Pizarro, bem
armado de canhões conquistou e saqueou o Peru.
– Mas que diferença há, vovó, entre estes homens e
aquele Á�la ou aquele Gengis-Cã que marchou para o
ocidente com os terríveis tártaros, matando, arrasando e
saqueando tudo?
– A diferença única é que a história é escrita pelos
ocidentais e por isso torcida a nosso favor.
Vem daí considerarmos como feras aos tártaros de
Gengis-Cã e como heróis com monumentos em toda
parte, aos célebres “conquistadores” brancos. A verdade,
porém, manda dizer que tanto uns como outros nunca
passaram de monstros feitos da mesmíssima massa, na
mesmíssima forma. Gengis-Cã construiu pirâmides
enormes com cabeças cortadas aos prisioneiros. Vasco da
Gama encontrou na Índia vários navios árabes carregados
de arroz, aprisionou-os, cortou as orelhas e as mãos de
oitocentos homens da equipagem e depois queimou os
pobres mu�lados dentro dos seus navios.
Monteiro Lobato, História do mundo para crianças.
Capítulo LX
 
Monteiro Lobato narra a história das civilizações sob um
ponto de vista crí�co contrário à tradição ocidental,
evidenciando as diferenças de comportamento entre as
civilizações.
Assinale a opção que exemplifica a disparidade das visões
no encontro histórico de civilizações diferentes. 
a) Para os que chegavam, o mundo em que entravam era
a arena de seus ganhos, em ouro e glórias. Para os
índios que ali estavam, nus na praia, o mundo era um
luxo de se viver. Este foi o efeito do encontro fatal que
ali se dera. Ao longo das praias brasileiras de 1500, se
defrontaram, pasmos de se verem uns aos outros tais
quais eram, a selvageria e a civilização. Suas
concepções, não só diferentes mas opostas, do
mundo, da vida, da morte, do amor, se chocaram
cruamente. – (Darcy Ribeiro, O povo brasileiro) 
b) – Cá no asfalto, lixam-se para os índios. Tem tudo a
ver. Aquele sujeito de bigode, sentado ali, tem tudo a
ver. Pois se não conseguimos respeitar a integridade
deles, estamos ameaçados. Ninguém exerce,
impunemente, a violência. É como cuspir para cima.
Se estamos destruindo os índios, é porque nossa
brutalidade chegou a um nível perigoso para nós
próprios. – (Noel Nutels, apud Hélio
Pellegrino, Lucidez embriagada) 
c) Deitado na esteira,
de boca para cima,
o sacerdote Jaguar
de Yucatán
escutou a
mensagem dos
deuses. Eles
falaram através do
telhado, montados
sobre sua casa, em
um idioma que
ninguém entendia.
Chilan
Balam, que
era boca
dos
deuses,
recordou o
que ainda
não �nha
acontecido:
- Dispersados serão
pelo mundo as
mulheres que cantam e
os homens que cantam
e todos os que
cantam... – (Eduardo
Galeano, Nascimentos) 
d) Pioneiros da conquista do trópico para a civilização,
�veram os portugueses, nessa proeza, sua maior
missão histórica. E sem embargo de tudo quanto se
possa alegar contra sua obra, forçoso é reconhecer
que foram não somente os portadores efe�vos como
os portadores naturais dessa missão. – (Sérgio
Buarque de Holanda, Raízes do Brasil) 
e) Neste final de século fala-se muito em crise de
iden�dade do sujeito. O homem da sociedade
moderna �nha uma iden�dade bem definida e
localizada no mundo social e cultural. Mas uma
mudança estrutural está fragmentando e deslocando
as iden�dades culturais de classe, sexualidade, etnia,
raça e nacionalidade. – (Stuart Hall, A iden�dade
cultural na pós-modernidade) 
L0144 - (Uepa)
Texto I
 
MEC quer rever veto a livro de Monteiro Lobato
 
O ministro da Educação, Fernando Haddad, pedirá que
(sic) o CNE (Conselho Nacional de Educação) reveja o
3@professorferretto @prof_ferretto
parecer que recomendou restrições à distribuição do
livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, em
escolas públicas. O Conselho de Educação quer vetar livro
de Monteiro Lobato em escolas.
Como revelou a Folha, o conselho sugeriu que a obra não
seja distribuída pelo governo ou, caso isso seja feito, que
contenha uma “nota explica�va”, devido a um suposto
teor racista.
Haddad disse ter recebido diversas reclamações de
educadores e especialistas contra a decisão do CNE.
“Foram muitas manifestações para que o MEC afaste
qualquer hipótese de censura a qualquer obra”, afirmou.
Ele disse não ver racismo na obra, mas ainda assim não
descartou o contexto em que determinada obra foi
escrita quando isso for considerado necessário. Para o
ministro, qualquer que seja a decisão do CNE, ela deverá
valer para todos os livros e não para apenas um
específico.
(PINHO, Angela. In:
h�p://www.substan�voplural.com.br/monteiro-lobato-e-
a-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em
09/09/2011)
 
Texto II
 
Monteiro Lobato e a proibição da “Caçada de Pedrinho”
 
Meus amigos e amigas,
Estou muito preocupado com essa proibição ao livro
“Caçadas de Pedrinho”, escrito por Monteiro Lobato em
1933. Estou aqui com as obras completas do Lobato e já
consultei o seu grande biógrafo Edgard Cavalheiro e não
vejo razão para essa proibição. Aprendi a gostar de ler
com Monteiro Lobato. Li o D. Quixote das Crianças do
Lobato e nunca mais deixei de ler a grande obra prima de
Cervantes. Vasculhei o céu com Lobato numa “Viagem ao
Céu”. Li sobre o explorador Hans Staden e me encantei
com Os Doze Trabalhos de Hércules recontado por esse
grande escritor e editor.
Monteiro Lobato reinventou o Brasil. Emalguns aspectos
inventou-o. Foi um grande nacionalista e lutou pelo
nosso petróleo e recursos minerais. Foi um grande editor
quando no Brasil quase não havia editoras. Um grande
tradutor que lutou incansavelmente pelo Brasil. As
Aventuras do Picapau Amarelo foram transportadas para
a televisão e ainda hoje encantam gerações de todas as
idades. 
Com relação à obra proibida “Caçadas do Pedrinho”, e a
jus�fica�va das palavras preconceituosas e estereo�pas
“trepar” e “negra”, que não ajudariam na educação com
base “nos estudos atuais e crí�cos que discutem a
presença de estereó�pos raciais na literatura“ acho a
jus�fica�va sem propósito e um grave atentado contra a
livre expressão e ao fazer literário e ar�s�co.
Por isso mesmo meus protestos contra essa agressão a
um dos mais cria�vos e nacionalistas escritores do Brasil.
Urubu é negro, macaco trepa; assim como tem gente
negra e que trepa. Não vejo razão para colocar a obra
num índex proibi�vo. E são negros os olhos da minha
amada. Cacemos Pedrinho! Vou fazer a minha perna de
pau e colocar sebo para a onça não pegar.
(MATA, João da. In:
h�p://www.substan�voplural.com.br/monteiro-lobato-
ea-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em
09/09/2011)
 
No Texto II, a frase que revela uma opinião do autor
sobre a proibição do livro de Monteiro Lobato “Caçadas
de Pedrinho" é: 
a) estou muito preocupado com essa proibição ao livro
“Caçadas de Pedrinho”. 
b) foi um grande nacionalista e lutou pelo nosso petróleo
e recursos minerais. 
c) a noite é negra sem luar e ninguém pode mudar a
natureza. 
d) um grave atentado contra a livre expressão e ao fazer
literário e ar�s�co. 
e) vou fazer a minha perna de pau e colocar sebo para a
onça não pegar. 
L0148 - (Ufrgs)
Leia o soneto Psicologia de um vencido, de Augusto dos
Anjos, e o poema Pneumotórax, de Manuel Bandeira.
 
Psicologia de um vencido 
Eu, filho do carbono e do amoníaco, 
Monstro de escuridão e ru�lância 
Sofro, desde a epigênese da infância, 
A influência má dos signos do zodíaco. 
Profundissimamente hipocondríaco, 
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
 
Já o verme — este operário das ruínas — 
Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra! 
 
Pneumotórax 
Febre, hemop�se, dispneia e suores noturnos. 
A vida inteira que poda ter sido e não foi. 
4@professorferretto @prof_ferretto
Tosse, tosse, tosse. 
Mandou chamar o médico: 
— Diga trinta e três. 
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três... 
— Respire. 
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o
pulmão direito infiltrado. 
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? 
— Não. A única coisa a fazer é tocar umtango argen�no.
 
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes
afirmações sobre os poemas.
 
(__) Os dois poemas tratam do problema da finitude do
corpo, corroído por doenças, u�lizando um vocabulário
técnico, pouco comum à poesia.
(__) O soneto de Augusto dos Anjos apresenta as
energias do universo, que se associam para formar o
“Eu”, e não conseguem evitar a decomposição do corpo. 
(__) O poema de Manuel Bandeira mostra a fragilidade
do corpo, encarada de forma irônica, sem o tom grave de
conspiração encontrado em Augusto dos Anjos. 
(__) Os dois poemas evidenciam o des�no
implacável da destruição do homem desde que nasce,
marcado pela presença dos vermes. 
a) V - F - V - V. 
b) F - V - F - F. 
c) V - V - V - F. 
d) F - F - V - V. 
e) V - F - F - V. 
L0139 - (Mackenzie)
“O planalto central do Brasil desce, nos litorais
do Sul, em 1escarpas inteiriças, altas e abruptas.
Assoberba os mares; e desata-se em chapadões
nivelados pelos visos das cordilheiras marí�mas,
distendidas do Rio Grande a Minas. 2Mas ao derivar para
as terras setentrionais diminui gradualmente de al�tude,
ao mesmo tempo que descamba para a costa oriental em
andares, ou repe�dos socalcos, que o despem da
primi�va grandeza afastando-o consideravelmente para o
interior.
De sorte que quem o contorna, seguindo para o
norte, observa notáveis mudanças de relevos: a princípio
o traço con�nuo e dominante das montanhas,
precintando-o, com destaque saliente, sobre a linha
projetante das praias, depois, no segmento de orla
marí�ma entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, um
aparelho litoral revolto, feito da envergadura
desar�culada das serras, riçado de cumeadas e corroído
de angras, e escancelando-se em baías, e repar�ndo-se
em ilhas, e desagregando-se em recifes desnudos, à
maneira de escombros do conflito secular que ali se trava
entre os mares e a terra; em seguida, transposto o 15º
paralelo, a atenuação de todos os acidentes — serranias
que se arredondam e suavizam as linhas dos taludes,
fracionadas em morros de encostas indis�ntas no
horizonte que se amplia; até que em plena faixa costeira
da Bahia, o olhar, livre dos anteparos de serras que até lá
o repulsam e abreviam, se dilata em cheio para o
ocidente, mergulhando no âmago da terra amplíssima
lentamente emergindo num ondear longínquo de
chapadas...
Este facies geográfico resume a morfogenia do
grande maciço con�nental.”
Euclides da Cunha, Os Sertões.
 
Assinale a alterna�va INCORRETA sobre o contexto
histórico e literário da prosa pré-modernista a que
pertence o fragmento de Os Sertões. 
a) Os prosadores pré-modernistas produziram uma
literatura problema�zadora da realidade brasileira de
sua época. 
b) Entre os temas pré-modernistas, está o
subdesenvolvimento do sertão nordes�no. 
c) A inves�gação social presente na prosa pré-modernista
colabora para o aprofundamento do sen�mento
ufanista nacional. 
d) A prosa da época é marcada por obras de análise e
interpretação social significa�vas para a literatura
brasileira. 
e) O pré-modernismo antecipou formal ou
tema�camente prá�cas e ideias que foram
desenvolvidas pelos modernistas. 
L0289 - (Unesp)
Leia o texto extraído da primeira parte, in�tulada “A
terra”, da obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A obra
resultou da cobertura jornalís�ca da Guerra de Canudos,
realizada por Euclides da Cunha para o jornal O Estado de
S. Paulo de agosto a outubro de 1897, e foi publicada
apenas em 1902.
Percorrendo certa vez, nos fins de setembro [de
1897], as cercanias de Canudos, fugindo à monotonia de
um canhoneio1 frouxo de �ros espaçados e soturnos,
encontramos, no descer de uma encosta, anfiteatro
irregular, onde as colinas se dispunham circulando um
vale único. Pequenos arbustos, icozeiros2 virentes
viçando em tufos intermeados de palmatórias3 de flores
ru�lantes, davam ao lugar a aparência exata de algum
velho jardim em abandono. Ao lado uma árvore única,
uma quixabeira alta, sobranceando a vegetação franzina.
O sol poente desatava, longa, a sua sombra pelo
chão e protegido por ela – braços largamente abertos,
face volvida para os céus – um soldado descansava.
Descansava... havia três meses.
5@professorferretto @prof_ferretto
Morrera no assalto de 18 de julho [de 1897]. A
coronha da Mannlicher4 estrondada, o cinturão e o boné
jogados a uma banda, e a farda em �ras, diziam que
sucumbira em luta corpo a corpo com adversário
possante. Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada
que lhe sulcara a fronte, manchada de uma escara preta.
E ao enterrarem-se, dias depois, os mortos, não fora
percebido. Não compar�ra, por isto, a vala comum de
menos de um côvado de fundo em que eram jogados,
formando pela úl�ma vez juntos, os companheiros
aba�dos na batalha. O des�no que o removera do lar
desprotegido fizera-lhe afinal uma concessão: livrara-o da
promiscuidade lúgubre de um fosso repugnante; e
deixara-o ali há três meses – braços largamente abertos,
rosto voltado para os céus, para os sóis ardentes, para os
luares claros, para as estrelas fulgurantes...
E estava intacto. Murchara apenas. Mumificara
conservando os traços fisionômicos, de modo a incu�r a
ilusão exata de um lutador cansado,retemperando-se em
tranquilo sono, à sombra daquela árvore benfazeja. Nem
um verme – o mais vulgar dos trágicos analistas da
matéria – lhe maculara os tecidos. Volvia ao turbilhão da
vida sem decomposição repugnante, numa exaustão
impercep�vel. Era um aparelho revelando de modo
absoluto, mas suges�vo, a secura extrema dos ares.
(Os sertões, 2016.)
1 canhoneio: descarga de canhões.
2 icozeiro: arbusto de folhas coriáceas, flores de tom
verde-pálido e frutos bacáceos.
3 palmatória: planta da família das cactáceas, de flores
amarelo-esverdeadas, com a parte inferior vermelha, ou
róseas, e bagas vermelhas.
4 Mannlicher: rifle projetado por Ferdinand Ri�er von
Mannlicher.
 
A linguagem do texto pode ser caracterizada como
a) erudita e lacônica. 
b) rebuscada e técnica. 
c) coloquial e prolixa. 
d) subje�va e informal. 
e) hermé�ca e impessoal. 
L0151 - (Enem)
Texto 1
O Morcego
Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
“Vou mandar levantar outra parede...”
Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Impercep�velmente em nosso quarto!
ANJOS, A. Obra completa.Rio de Janeiro: Aguilar, 1994.
 
Texto 2
O lugar-comum em que se converteu a imagem de um
poeta doen�o, com o gosto do macabro e do horroroso,
dificulta que se veja, na obra de Augusto dos Anjos, o
olhar clínico, o comportamento analí�co, até mesmo
certa frieza, certa impessoalidade cien�fica.
CUNHA, F. Roman�smo e modernidade na poesia.Rio de
Janeiro: Cátedra, 1988 (adaptado).
 
Em consonância com os comentários do texto 2 acerca da
poé�ca de Augusto dos Anjos, o poema O
morcego apresenta-se, enquanto percepção do mundo,
como forma esté�ca capaz de
a) reencantar a vida pelo mistério com que os fatos
banais são reves�dos na poesia. 
b) expressar o caráter doen�o da sociedade moderna por
meio do gosto pelo macabro. 
c) representar realis�camente as dificuldades do
co�diano sem associá-lo a reflexões de cunho
existencial. 
d) abordar dilemas humanos universais a par�r de um
ponto de vista distanciado e analí�co acerca do
co�diano. 
e) conseguir a atenção do leitor pela inclusão de
elementos das histórias de horror e suspense na
estrutura lírica da poesia. 
L0138 - (Acafe)
Em relação às escolas literárias, marque com V as
afirmações verdadeiras e com F as falsas.
 
(__) O Pré-Modernismo é um período de transição para o
Modernismo, representado no Brasil pelos escritores
Euclides da Cunha (autor de Os Sertões), Lima Barreto
(autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma), Graça
Aranha (autor de Canaã), entre outros.
(__) O Movimento Antropofágico foi uma corrente de
vanguarda que marca a primeira fase da era modernista
da literatura brasileira em 1922. Liderado por Mário de
Andrade (1893-1945) e pela pintora Anita Malfa� (1889-
1964), a finalidade principal era remodelar a cultura
nacional.
(__) O Tropicalismo é um movimento cultural do fim da
década de 60 que revoluciona a música popular
6@professorferretto @prof_ferretto
brasileira. É iniciado no lançamento das músicas “Alegria,
Alegria” de Caetano Veloso e “Domingo no Parque” de
Gilberto Gil, no Fes�val de MPB da TV Record em 1967.
Representa também uma certa ruptura com o
intelectualismo da Bossa Nova e um reflexo da resistência
à censura e à repressão, agravada após o AI-5 (1968).
(__) Tomás Antônio Gonzaga escreveu poesias líricas,
�picas do Barroco. Fez uso de linguagem rebuscada e
trabalhada ao extremo, usando muitos recursos
es�lís�cos, figuras de linguagem e sintaxe: hipérboles,
metáforas, an�teses e paradoxos.
(__) O Roman�smo brasileiro caracteriza-se, em sua
primeira fase, pelo indianismo e pelo nacionalismo, de
que serve de exemplo a citação a seguir, extraída do
romance Canção do Exílio, de Casimiro de Abreu: “Rumor
suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a
virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista
perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la está um
guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau
espírito da floresta.”
 
A sequência correta, de cima para baixo, é: 
a) F - V - F - V - V. 
b) V - F - V - F - F. 
c) F - F - V - V - F. 
d) V - V - F - F - V. 
L0141 - (Enem)
A nossa emo�vidade literária só se interessa pelos
populares do sertão, unicamente porque são pitorescos e
talvez não se possa verificar a verdade de suas criações.
No mais é uma con�nuação do exame de português, uma
retórica mais di�cil, a se desenvolver por este tema
sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de Botafogo em
Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico. O
comendador seu pai não quer porque o tal Dr. Frederico,
apesar de doutor, não tem emprego. Dulce vai à
superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à mulher do
ministro, an�ga aluna do colégio, que arranja um
emprego para o rapaz. Está acabada a história. É preciso
não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai
tem dinheiro, fazenda ou engenho, mas não pode dar
uma mesada grande.
Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o
tema de seu ciclo literário.
BARRETO, L. Vida e morte de MJ Gonzaga de Sá.
Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10
ago. 2017.
 
Situado num momento de transição, Lima Barreto
produziu uma literatura renovadora em diversos
aspectos. No fragmento, esse viés se fundamenta na 
a) releitura da importância do regionalismo. 
b) ironia ao folhe�m da tradição român�ca. 
c) desconstrução da formalidade parnasiana. 
d) quebra da padronização do gênero narra�vo. 
e) rejeição à classificação dos es�los de época. 
L0140 - (Enem)
Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário
público, certo de que a língua portuguesa é emprestada
ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o
escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se
veem na humilhante con�ngência de sofrer
con�nuamente censuras ásperas dos proprietários da
língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os
autores e os escritores, com especialidade os gramá�cos,
não se entendem no tocante à correção grama�cal,
vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os
mais profundos estudiosos do nosso idioma – usando do
direito que lhe confere a Cons�tuição, vem pedir que o
Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua
oficial e nacional do povo brasileiro.
BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. Disponível
em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 26 jun.
2012
 
Nessa pe�ção da pitoresca personagem do romance de
Lima Barreto, o uso da norma-padrão jus�fica-se pela 
a) situação social de enunciação representada. 
b) divergência teórica entre gramá�cos e literatos. 
c) pouca representa�vidade das línguas indígenas. 
d) a�tude irônica diante da língua dos colonizadores. 
e) tenta�va de solicitação do documento demandado. 
L0288 - (Unesp)
Leia o texto extraído da primeira parte, in�tulada “A
terra”, da obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A obra
resultou da cobertura jornalís�ca da Guerra de Canudos,
realizada por Euclides da Cunha para o jornal O Estado de
S. Paulo de agosto a outubro de 1897, e foi publicada
apenas em 1902.
Percorrendo certa vez, nos fins de setembro [de
1897], as cercanias de Canudos, fugindo à monotonia de
um canhoneio1 frouxo de �ros espaçados e soturnos,
encontramos, no descer de uma encosta, anfiteatro
irregular, onde as colinas se dispunham circulando um
vale único. Pequenos arbustos, icozeiros2 virentes
viçando em tufos intermeados de palmatórias3 de flores
ru�lantes, davam ao lugar a aparência exata de algum
velho jardim em abandono. Ao lado uma árvore única,
uma quixabeira alta, sobranceando a vegetação franzina.
7@professorferretto @prof_ferretto
O sol poente desatava, longa, a sua sombra pelo
chão e protegido por ela – braços largamenteabertos,
face volvida para os céus – um soldado descansava.
Descansava... havia três meses.
Morrera no assalto de 18 de julho [de 1897]. A
coronha da Mannlicher4 estrondada, o cinturão e o boné
jogados a uma banda, e a farda em �ras, diziam que
sucumbira em luta corpo a corpo com adversário
possante. Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada
que lhe sulcara a fronte, manchada de uma escara preta.
E ao enterrarem-se, dias depois, os mortos, não fora
percebido. Não compar�ra, por isto, a vala comum de
menos de um côvado de fundo em que eram jogados,
formando pela úl�ma vez juntos, os companheiros
aba�dos na batalha. O des�no que o removera do lar
desprotegido fizera-lhe afinal uma concessão: livrara-o da
promiscuidade lúgubre de um fosso repugnante; e
deixara-o ali há três meses – braços largamente abertos,
rosto voltado para os céus, para os sóis ardentes, para os
luares claros, para as estrelas fulgurantes...
E estava intacto. Murchara apenas. Mumificara
conservando os traços fisionômicos, de modo a incu�r a
ilusão exata de um lutador cansado, retemperando-se em
tranquilo sono, à sombra daquela árvore benfazeja. Nem
um verme – o mais vulgar dos trágicos analistas da
matéria – lhe maculara os tecidos. Volvia ao turbilhão da
vida sem decomposição repugnante, numa exaustão
impercep�vel. Era um aparelho revelando de modo
absoluto, mas suges�vo, a secura extrema dos ares.
(Os sertões, 2016.)
1 canhoneio: descarga de canhões.
2 icozeiro: arbusto de folhas coriáceas, flores de tom
verde-pálido e frutos bacáceos.
3 palmatória: planta da família das cactáceas, de flores
amarelo-esverdeadas, com a parte inferior vermelha, ou
róseas, e bagas vermelhas.
4 Mannlicher: rifle projetado por Ferdinand Ri�er von
Mannlicher.
 
Anteriormente ao texto transcrito, Euclides da Cunha
menciona a existência de “higrômetros inesperados e
bizarros” na paisagem. Cons�tui exemplo de higrômetro
inesperado e bizarro no texto transcrito:
a) a disposição geográfica das colinas. 
b) a ação dos vermes a decompor o cadáver. 
c) o corpo abandonado do soldado. 
d) a quixabeira solitária, cercada por vegetação franzina. 
e) a secura extrema dos ares. 
L0150 - (Unifesp)
Apóstrofe à carne
 
Quando eu pego nas carnes do meu rosto,
Pressinto o fim da orgânica batalha:
– Olhos que o húmus necrófago estraçalha,
Diafragmas, decompondo-se, ao sol-posto.
 
E o Homem – negro e heteróclito composto,
Onde a alva flama psíquica trabalha,
Desagrega-se e deixa na mortalha
O tacto, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!
 
Carne, feixe de mônadas bastardas,
Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas,
A dardejar relampejantes brilhos,
 
Dói-me ver, muito embora a alma te acenda,
Em tua podridão a herança horrenda,
Que eu tenho de deixar para os meus filhos!
(Augusto dos Anjos. Obra completa, 1994.) 
 
No plano formal, o poema é marcado por 
a) versos brancos, linguagem obscena, rupturas
sintá�cas. 
b) vocabulário seleto, rimas raras, aliterações. 
c) vocabulário an�lírico, redondilhas, assonâncias. 
d) assonâncias, versos decassílabos, versos sem rimas. 
e) versos livres, rimas intercaladas, inversões sintá�cas. 
L0142 - (Ufpr)
Considere o seguinte trecho do romance Clara dos Anjos,
de Lima Barreto: 
 
Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive
uma grande parte da população da cidade, a cuja
existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre
atrozes impostos, empregados em obras inúteis e
suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro.
(Clara dos Anjos, p. 38.)
 
Com base no trecho selecionado e na leitura integral do
romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto, assinale a
alterna�va correta. 
8@professorferretto @prof_ferretto
a) O narrador é imparcial ao descrever os cenários do
subúrbio e de outros pontos da cidade, demonstrando
neutralidade na constatação das diferenças entre as
regiões. 
b) O subúrbio é descrito ora de modo realista, ora de
modo idealizado, contribuindo para a construção de
uma visão, por vezes, roman�zada da pobreza. 
c) O narrador disseca com rigor quase sociológico os
problemas polí�cos da época, citando fatos e
personagens históricos reais que se misturam à
narra�va. 
d) O romance apresenta o ambiente do subúrbio aliando
a descrição pormenorizada do espaço �sico à
caracterização dos personagens que o habitam. 
e) Os vários bairros e personagens que estão nos
arredores da linha férrea do trem urbano são descritos
como um conjunto indiferenciado, como se cada
bairro não �vesse sua caracterís�ca própria. 
L0149 - (Enem)
Psicologia de um vencido
 
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e ru�lância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
 
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
 
Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
 
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
1994.
 
A poesia de Augusto dos Anjos revela aspectos de uma
literatura de transição designada como pré-modernista. 
Com relação à poé�ca e à abordagem temá�ca presentes
no soneto, iden�ficam-se marcas dessa literatura de
transição, como 
a) a forma do soneto, os versos metrificados, a presença
de rimas e o vocabulário requintado, além do
ce�cismo, que antecipam conceitos esté�cos vigentes
no Modernismo. 
b) o empenho do eu lírico pelo resgate da poesia
simbolista, manifesta em metáforas como “Monstro
de escuridão e ru�lância” e “influência má dos signos
do zodíaco”. 
c) a seleção lexical emprestada ao cien�ficismo, como se
lê em “carbono e amoníaco”, “epigênesis da infância” e
“frialdade inorgânica”, que res�tui a visão naturalista
do homem. 
d) a manutenção de elementos formais vinculados à
esté�ca do Parnasianismo e do Simbolismo,
dimensionada pela inovação na expressividade
poé�ca, e o desconcerto existencial. 
e) a ênfase no processo de construção de uma poesia
descri�va e ao mesmo tempo filosófica, que incorpora
valores morais e cien�ficos mais tarde renovados
pelos modernistas. 
L0147 - (Mackenzie)
Poema de Finados
 
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
 
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
 
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
Manuel Bandeira
 
 
Versos a um coveiro
 
Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmé�ca hedionda dos coveiros!
 
Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!
 
Oh! Pitágoras da úl�ma aritmé�ca,
9@professorferretto @prof_ferretto
Con�nua a contar na paz ascé�ca
Dos tábidos carneiros sepulcrais
 
Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números
A tua conta não acaba mais!
Augusto dos Anjos
 
 
Vocabulário:
Carneiros – criptas, subterrâneos sepulcrais
Fúlgidos – brilhantes
Ascé�ca – próprio do asceta, de quem se entrega a
prá�cas espirituais, levando vida contempla�va
Tábitos – pobres, corruptos
Tíbias – ossos que cons�tuem a perna
Rádios – ossos que cons�tuem o antebraço
Úmeros – ossos que vão do cotovelo ao ombro
 
 
 
Pai contra mãe (fragmento)
 
Houve aqui luta, porque a escrava, gemendo, arrastava-
se a si e ao filho. 1Quem passava ou estava à porta de
uma loja, compreendia o que era e naturalmente não
acudia. Arminda ia alegando que o senhor era muito
mau, e provavelmente a cas�garia com açoutes, – cousa
que, no estado em que ela estava, seria pior de sen�r.
Com certeza, ele lhe mandaria dar açoutes.
— Você é que tem culpa. Quem lhe manda fazer filhos e
fugir depois?perguntou Cândido Neves.
2Não estava em maré de riso, por causa do filho que lá
ficara na farmácia, à espera dele. Também é certo que
não costumava dizer grandes cousas. Foi arrastando a
escrava pela Rua dos Ourives, em direção à da Alfândega,
onde residia o senhor. Na esquina desta a luta cresceu; a
escrava pôs os pés à parede, recuou com grande esforço,
inu�lmente. 3O que alcançou foi, apesar de ser a casa
próxima, gastar mais tempo em lá chegar do que devera.
Chegou, enfim, arrastada, desesperada, arquejando.
Ainda ali ajoelhou-se, mas em vão. O senhor estava em
casa, acudiu ao chamado e ao rumor.
— Aqui está a fujona, disse Cândido Neves.
— É ela mesma.
— 4Meu senhor!
— Anda, entra...
Arminda caiu no corredor. Ali mesmo o senhor da escrava
abriu a carteira e �rou os cem mil-réis de gra�ficação.
Cândido Neves guardou as duas notas de cinquenta mil-
réis, enquanto o senhor novamente dizia à escrava que
entrasse. No chão, onde jazia levada do medo e da
dor, 5e após algum tempo de luta a escrava abortou.
O fruto de algum tempo entrou sem vida neste mundo,
entre os gemidos da mãe e os gestos de desespero do
dono.
Machado de Assis 
 
A par�r dos três autores selecionados, considere as
seguintes afirmações:
 
I. Manuel Bandeira foi poeta determinante na idealização
e na organização da Semana de Arte Moderna de 1922.
II. Augusto dos Anjos, em função de sua perfeição
métrica e rítmica, é considerado um dos expoentes da
tríade parnasiana.
III. Machado de Assis abandonou a prosa român�ca para
desenvolver as digressões textuais, caracterís�ca
fundadora da prosa realista.
 
 
Assinale a alterna�va correta. 
a) Estão corretas as afirmações I e II. 
b) Estão corretas as afirmações II e III. 
c) Estão corretas as afirmações I e III. 
d) Todas as afirmações estão corretas. 
e) Nenhuma das afirmações está correta. 
L0298 - (Unesp)
Leia a crônica “A obra-prima”, de Lima Barreto, publicada
na revista Careta em 25.09.1915.
 
Marco Aurélio de Jesus, dono de um grande talento
e senhor de um sólido saber, resolveu certa vez escrever
uma obra sobre filologia.
Seria, certo, a obra-prima ansiosamente esperada e
que daria ao espírito inculto dos brasileiros as noções
exatas da língua portuguesa. Trabalhou durante três
anos, com esforço e sabiamente. Tinha preparado o seu
livro que viria trazer à confusão, à dificuldade de hoje, o
saber de amanhã. Era uma obra-prima pelas
generalizações e pelos exemplos.
A quem dedicá-la? Como dedicá-la? E o prefácio?
E Marco Aurélio resolve meditar. Ao fim de igual
tempo havia resolvido o di�cil problema.
A obra seria, segundo o velho hábito, precedida de
“duas palavras ao leitor” e levaria, como demonstração
de sua submissão intelectual, uma dedicatória.
Mas “duas palavras”, quando seriam centenas as
que escreveria? Não. E Marco Aurélio contou as “duas
palavras” uma a uma. Eram duzentas e uma e, em um
lance único, genial, destacou em relevo, ao alto da página
“duzentas e uma palavras ao leitor”.
E a dedicatória? A dedicatória, como todas as
dedicatórias, seria a “pálida homenagem” de seu talento
ao espírito amigo que lhe ensinara a pensar…
Mas “pálida homenagem”… Professor, autor de um
livro de filologia, cair na vulgaridade da expressão
10@professorferretto @prof_ferretto
comum: “pálida homenagem”? Não. E pensou. E de sua
grave meditação, de seu profundo pensamento, saiu a
frase límpida, a grande frase que definia a sua ideia da
expressão e, num gesto, sulcou o alto da página de oferta
com a frase sublime: “lívida homenagem do autor”…
Está aí como um grande gramá�co faz uma obra-
prima. Leiam-na e verão como a coisa é bela.
(Sá�ras e outras subversões, 2016.)
 
O cronista traça um retrato do gramá�co Marco Aurélio,
evidenciando, sobretudo, a sua
a) ambiguidade. 
b) informalidade. 
c) concisão. 
d) afetação. 
e) me�culosidade. 
L0366 - (Enem PPL)
A nossa emo�vidade literária só se interessa pelos
populares do sertão, unicamente porque são pitorescos e
talvez não se possa verificar a verdade de suas criações.
No mais é uma con�nuação do exame de português, uma
retórica mais di�cil, a se desenvolver por este tema
sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de Botafogo em
Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico. O
comendador seu pai não quer porque o tal Dr. Frederico,
apesar de doutor, não tem emprego. Dulce vai à
superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à mulher do
ministro, an�ga aluna do colégio, que arranja um
emprego para o rapaz. Está acabada a história. É preciso
não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai
tem dinheiro, fazenda ou engenho, mas não pode dar
uma mesada grande.
Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o
tema de seu ciclo literário.
BARRETO, L. Vida e morte de MJ Gonzaga de Sá.
Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10
ago. 2017.
 
Situado num momento de transição, Lima Barreto
produziu uma literatura renovadora em diversos
aspectos. No fragmento, esse viés se fundamenta na
a) releitura da importância do regionalismo. 
b) ironia ao folhe�m da tradição român�ca. 
c) desconstrução da formalidade parnasiana. 
d) quebra da padronização do gênero narra�vo. 
e) rejeição à classificação dos es�los de época.
L0392 - (Enem PPL)
O grande hall do hotel estava repleto. [...] Os criados
passavam apressados, erguendo numa azáfama os pratos
de metal. Ao alto, os ven�ladores faziam um rumor de
colmeias. Senhoras e cavalheiros, perfeitamente felizes,
as senhoras quase todas com largos boás de plumas
brancas, chalravam e sorriam. Estávamos bem na bizarra
sociedade de entalhe que é o escol dos hotéis. Alta,
longa, comprida, com uma cintura de esmaltes
translúcidos e o ar empoado de uma ín�ma do general
Lafaye�e, a escritora americana cuja admiração por
Gonçalves Dias chegara a fazê-la estudar e propagar o
Brasil, mas�gava gravemente. Logo ao lado, um grupo de
engenheiros, também americanos, bebia, com
gargalhadas brutais e decerto inconvenientes,
champanhe Mumm. [...] De vez em quando parava à
porta um novo hóspede, hesitava, percorria com o olhar
a extensa fila de mesas onde o debinage se acalorava. A
um canto, Mlles. Peres, filhas de um rico
argen�no, yatch-recorderman nas horas vagas e
vendedor de gado nas outras, perlavam risadinhas de
flerte para o solitário e divino Alberto Guerra, seguro dos
seus bíceps, dos seus brilhantes e quiçá dos seus versos.
JOÃO DO RIO. Dentro da noite. São Paulo: An�qua, 2002
(fragmento).
 
Nessa descrição, o narrador traça um panorama
sociocultural das primeiras décadas do século XX. Sua
perspec�va revela uma
a) percepção irônica da importação de valores e
modismos.
b) euforia generalizada com as facilidades da
modernidade.
c) visão o�mista sobre as a�tudes da mulher
emancipada.
d) adesão propagandís�ca aos gostos burgueses e ao
luxo.
e) preocupação nacionalista com a integridade da língua.
L0393 - (Enem PPL)
O corrupião
Escaveirado corrupião idiota,
Olha a atmosfera livre, o amplo éter belo,
E a alga criptógama e a úsnea e o cogumelo, 
Que do fundo do chão todo o ano brota!
 
Mas a ânsia de alto voar, de à an�ga rota 
Voar, não tens mais! E pois, preto e amarelo, 
Pões-te a assobiar, bruto, sem cerebelo
A gargalhada da úl�ma derrota!
 
A gaiola aboliu tua vontade.
Tu nunca mais verás a liberdade!... 
Ah! Tu somente ainda és igual a mim.
 
Con�nua a comer teu milho alpiste. 
11@professorferretto @prof_ferretto
Foi este mundo que me fez tão triste, 
Foi a gaiola que te pôs assim!
ANJOS, A. Eu e outras poesias. Disponível em:
www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 30 out. 2021.
 
Nesse soneto, a imagem e o comportamento do pássaro
são u�lizados pelo eu lírico para metaforizar o
a) sofrimento provocado pela solidão.
b) ins�nto de revolta perante as injus�ças.
c) contraste entre natureza e civilização.
d) declínio relacionado ao envelhecimento.
e) gesto de resignação ante as privações diárias.
L0405 - (Enem PPL)
Chamou-me o bragan�no e levou-me pelos
corredores e pá�os até ao hospício propriamente. Aí é
que percebi que ficava e onde, na seção, na de
indigentes,aquela em que a imagem do que a Desgraça
pode sobre a vida dos homens é mais formidável. O
mobiliário, o vestuário das camas, as camas, tudo é de
uma pobreza sem par. Sem fazer monopólio, os loucos
são da proveniência mais diversa, originando-se em geral
das camadas mais pobres da nossa gente pobre. São de
imigrantes italianos, portugueses e outros mais exó�cos,
são os negros roceiros, que teimam em dormir pelos
desvãos das janelas sobre uma esteira esmolambada e
uma manta sórdida; são copeiros, cocheiros, moços de
cavalariça, trabalhadores braçais. No meio disto, muitos
com educação, mas que a falta de recursos e proteção
a�ra naquela geena social.
BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos.
São Paulo: Cosac & Naify, 2010.
 
No relato de sua experiência no sanatório onde foi
interno, Lima Barreto expõe uma realidade social e
humana marcada pela exclusão. Em seu testemunho,
essa reclusão demarca uma 
a) medida necessária de intervenção terapêu�ca.
b) forma de punição indireta aos hábitos desregrados.
c) compensação para as desgraças dos indivíduos.
d) oportunidade de ressocialização em um novo
ambiente.
e) conveniência da invisibilidade a grupos vulneráveis e
periféricos.
L0471 - (Unesp)
Leia o texto extraído da primeira parte, in�tulada “A
terra”, da obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A obra
resultou da cobertura jornalís�ca da Guerra de Canudos,
realizada por Euclides da Cunha para o jornal O Estado de
S.Paulo de agosto a outubro de 1897, e foi publicada
apenas em 1902.
 
Percorrendo certa vez, nos fins de setembro [de
1897], as cercanias de Canudos, fugindo à monotonia de
um canhoneio1 frouxo de �ros espaçados e soturnos,
encontramos, no descer de uma encosta, anfiteatro
irregular, onde as colinas se dispunham circulando um
vale único. Pequenos arbustos, icozeiros2 virentes
viçando em tufos intermeados de palmatórias3 de flores
ru�lantes, davam ao lugar a aparência exata de algum
velho jardim em abandono. Ao lado uma árvore única,
uma quixabeira alta, sobranceando a vegetação franzina.
O sol poente desatava, longa, a sua sombra pelo chão
e protegido por ela – braços largamente abertos, face
volvida para os céus – um soldado descansava.
Descansava... havia três meses. 
Morrera no assalto de 18 de julho [de 1897]. A
coronha da Mannlicher4 estrondada, o cinturão e o boné
jogados a uma banda, e a farda em �ras, diziam que
sucumbira em luta corpo a corpo com adversário
possante. Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada
que lhe sulcara a fronte, manchada de uma escara preta.
E ao enterrarem-se, dias depois, os mortos, não fora
percebido. Não compar�ra, por isto, a vala comum de
menos de um côvado de fundo em que eram jogados,
formando pela úl�ma vez juntos, os companheiros
aba�dos na batalha. O des�no que o removera do lar
desprotegido fizera-lhe afinal uma concessão: livrara-o da
promiscuidade lúgubre de um fosso repugnante; e
deixara-o ali há três meses – braços largamente abertos,
rosto voltado para os céus, para os sóis ardentes, para os
luares claros, para as estrelas fulgurantes...
E estava intacto. Murchara apenas. Mumificara
conservando os traços fisionômicos, de modo a incu�r a
ilusão exata de um lutador cansado, retemperando-se em
tranquilo sono, à sombra daquela árvore benfazeja. Nem
um verme – o mais vulgar dos trágicos analistas da
matéria – lhe maculara os tecidos. Volvia ao turbilhão da
vida sem decomposição repugnante, numa exaustão
impercep�vel. Era um aparelho revelando de modo
absoluto, mas suges�vo, a secura extrema dos ares. 
(Os sertões, 2016.)
1 canhoneio: descarga de canhões.
2 icozeiro: arbusto de folhas coriáceas, flores de tom
verde-pálido e frutos bacáceos.
3 palmatória: planta da família das cactáceas, de flores
amarelo-esverdeadas, com a parte inferior vermelha, ou
róseas, e bagas vermelhas.
4 Mannlicher: rifle projetado por Ferdinand Ri�er von
Mannlicher.
 
Anteriormente ao texto transcrito, Euclides da Cunha
menciona a existência de “higrômetros inesperados e
12@professorferretto @prof_ferretto
bizarros” na paisagem. Cons�tui exemplo de higrômetro
inesperado e bizarro no texto transcrito:
a) a disposição geográfica das colinas . 
b) a ação dos vermes a decompor o cadáver. 
c) o corpo abandonado do soldado. 
d) a quixabeira solitária, cercada por vegetação
franzina. 
e) a secura extrema dos ares.
L0518 - (Unesp)
Trata-se de uma obra híbrida que transita entre a
literatura, a história e a ciência, ao unir a perspec�va
cien�fica, de base naturalista e evolucionista, à
construção literária, marcada pelo fatalismo trágico e por
uma visão român�ca da natureza. Seu autor recorreu a
formas de ficção, como a tragédia e a epopeia, para
compreender o horror da guerra e inserir os fatos em um
enredo capaz de ultrapassar a sua significação par�cular.
(Roberto Ventura. “Introdução”. In: Silviano San�ago
(org.). Intérpretes do Brasil, vol. 1, 2000. Adaptado.)
 
Tal comentário crí�co aplica-se à obra 
a) Capitães da Areia, de Jorge Amado. 
b) Vidas secas, de Graciliano Ramos. 
c) Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto. 
d) Os sertões, de Euclides da Cunha. 
e) Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.
13@professorferretto @prof_ferretto

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