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CAPÍTULO 5 A curva do tempo: as transformações na economia e na sociedade do Estado do Brasil no século XVIII
Antonio Carlos Jucá de Sampaio
O descobrimento do ouro e seu impacto na economia colonial
O descobrimento do ouro em Minas Gerais não foi um evento acidental, mas o resultado de esforços sistemáticos e planejados por parte das coroas portuguesa e espanhola. Desde o século XVI, essas coroas, incluindo a espanhola durante o período filipino, enviaram expedições ao interior das suas possessões americanas com o objetivo de encontrar metais preciosos. A crença na presença desses metais era alimentada tanto pela experiência adquirida na América Espanhola quanto por relatos e mitos que circulavam na colônia, que falavam de riquezas como montanhas de prata e a famosa "Sabarabuçu" ou a serra de esmeraldas.
As expedições mineradoras no Brasil durante o final do século XVI e início do século XVII. Ele destaca que, apesar de muitas dessas expedições terem falhado, houve algumas descobertas de ouro, como as encontradas pelos paulistas em Paranaguá nas décadas de 1560 e 1570. Essas descobertas incentivaram a corte de Madri a recriar a “Repartição Sul” sob a liderança de Dom Francisco de Sousa (1608-1612) para explorar e intensificar a mineração, imitando o modelo de exploração da América Espanhola com a utilização de grandes contingentes de indígenas. No entanto, Sampaio observa que o projeto não teve sucesso e acabou resultando mais na captura de indígenas do que na real exploração mineradora. Ele argumenta que, mesmo quando a mineração ocorreu, seu impacto na economia colonial foi muito limitado, especialmente no nível local. Em resumo, o autor quer explicar que, apesar das tentativas e das descobertas iniciais, a mineração no Brasil durante esse período teve um impacto econômico pequeno e enfrentou grandes dificuldades.
Apesar dos fracassos anteriores nas buscas por ouro e prata no Brasil, o desejo de encontrar riquezas como o "Eldorado" continuou intenso. Após a Restauração de 1640, que marcou a volta da independência de Portugal em relação à Espanha, a escassez de metais preciosos tanto na colônia quanto em Portugal incentivou novas tentativas de exploração. Sampaio menciona que a Repartição Sul foi reinstalada em 1658 sob a liderança de Salvador Correia de Sá, mas também falhou em encontrar grandes depósitos de metais preciosos. Em 1671, uma nova tentativa foi feita com o governador-geral Afonso Furtado de Mendonça, que recebeu ordens para buscar novas minas, mas novamente sem sucesso. Esses repetidos insucessos contribuíram para a fundação da Colônia do Sacramento em 1680, como uma estratégia para obter prata através do comércio com Buenos Aires. O autor destaca que a fundação da Colônia do Sacramento foi uma forma alternativa de acesso à prata espanhola, especialmente quando as esperanças de encontrar minas no Brasil se esgotaram. Portanto, o parágrafo ilustra como a busca por riquezas impulsionou novas estratégias e empreendimentos, mesmo diante de fracassos contínuos.
Embora a fundação da Colônia do Sacramento não tenha cessado a busca por metais preciosos, a Coroa portuguesa interrompeu suas expedições diretas para tal fim. Em vez disso, incentivou os paulistas a continuar a procura por ouro oferecendo privilégios para aqueles que encontrassem depósitos minerais. Essa política persistente foi fundamental para a descoberta de ouro no final do século XVII na região que viria a ser chamada "Minas Gerais", marcando o início do século XVIII na América portuguesa.
Os múltiplos impactos do ouro: produção aurífera, circuitos mercantis e reorganização colonial
Para entender as transformações causadas pela produção de ouro, é necessário distinguir entre os impactos diretos e os indiretos dessa atividade na economia e na sociedade coloniais, sendo que os impactos indiretos variam ao longo do tempo e do espaço.
O primeiro impacto direto foi, evidentemente, sobre os preços. As fontes coevas são unânimes em descrever o forte aumento de preços advindo com a mineração. O primeiro autor a mencionar uma alta generalizada dos preços e relacioná-la com o ouro foi Antonil, ainda no início do Setecentos. Depois de expor os elevados preços que os produtos alcançavam em Minas, ele afirmava: “E estes preços, tão altos e tão correntes nas minas, foram causa de subirem tanto os preços de todas as coisas, como se experimenta nos portos das cidades e vilas do Brasil.”
A análise dos preços durante a transição do século XVII para o XVIII confirma o aumento significativo nos preços, especialmente no caso dos escravos, que tinham um papel crucial na sociedade escravista. Ele destaca que, na Bahia, o preço dos escravos adultos aumentou em mais de 200% entre 1680 e 1720, atingindo seu valor máximo nesse período, enquanto no Rio de Janeiro, a valorização foi de 135%, o que ainda é considerável.
O mesmo ocorre com os alimentos. Em Salvador, verifica-se um aumento constante do preço da carne bovina do fim do Setecentos até meados da década de 1730,10 enquanto no mercado carioca o preço da farinha de mandioca eleva-se praticamente 200% entre 1698/1703 e 1736/1738.
O aumento nos preços durante o período de transição entre os séculos XVII e XVIII não foi um fenômeno isolado. Ele destaca que, ao analisar as transações comerciais registradas no Rio de Janeiro entre 1650 e 1750, observa-se uma mudança significativa no nível geral dos preços coloniais, com uma variação média superior a 220% entre 1690 e 1710. Embora os preços tenham flutuado ao longo do século XVIII e não tenham apresentado uma inflação contínua, eles nunca retornaram aos níveis mais baixos do século XVII.
Embora o aumento geral dos preços tenha sido significativo, ele não foi uniforme e variou consideravelmente entre diferentes tipos de bens. Enquanto os preços dos bens rurais subiram em média 202,98%, os preços dos bens urbanos aumentaram 341,33%, e os preços das embarcações e das chácaras tiveram aumentos ainda mais drásticos, de 773% e 1.183%, respectivamente. Essas variações estão relacionadas ao crescimento da cidade do Rio de Janeiro e à expansão do capital mercantil, fatores que serão discutidos mais detalhadamente em outros momentos do texto.
O século XVIII não deve ser considerado um período de inflação contínua. Embora os preços tenham aumentado significativamente nas primeiras décadas do século, eles começaram a se estabilizar ou até a diminuir posteriormente. Apesar da limitação dos dados disponíveis, parece que os preços atingiram um pico por volta da década de 1720, seguido por uma tendência de queda na década seguinte.
O comportamento dos preços da farinha de mandioca variou significativamente entre as diferentes regiões e períodos do século XVIII. Em particular, o preço da farinha de mandioca na capitania do Rio de Janeiro atingiu um pico em 1726, com um aumento superior a 320% em relação ao final do século XVII. Em contraste, em Salvador, os preços das farinhas de mandioca e de trigo diminuíram gradualmente nos últimos anos da década de 1720, tiveram uma leve alta na década seguinte e, depois, caíram novamente nas décadas de 1740 e 1750. Essa variação ilustra a falta de uniformidade nos preços e os diferentes comportamentos regionais ao longo do tempo.
O comportamento dos preços em Minas Gerais foi diferente do observado em outras regiões. A intensa demanda gerada pela presença do ouro fez com que os preços alcançassem um pico rapidamente no início do período de mineração, mas esses preços começaram a cair à medida que o abastecimento se estabilizava e a população se ajustava. Entre 1716 e 1724, os preços em Mariana caíram notavelmente, muitas vezes mais de 50%. Além disso, uma análise dos preços em Ouro Preto entre 1752 e 1778 mostra uma estabilidade geral, apesar de algumas variações de curto prazo.
Apesar das lacunas nos dados, é possível concluir que não houve um aumento contínuo e uniforme dos preços no século XVIII. Os preços variaram de acordo com as condições locais em diferentes regiões, e não se comportaram da mesma forma em todos os lugares.Além disso, ele destaca que o mercado ainda não estava suficientemente integrado para formar um mercado "nacional" que cobrisse toda a América Portuguesa ou uma parte significativa dela, o que contribui para as diferenças regionais nos preços.
Além do aumento dos preços, a produção de ouro também aumentou a demanda por escravos. A ocupação das "Minas do Ouro" representou um dos primeiros exemplos de um "rush" migratório causado pela mineração na era moderna. Antonil relatou que, no final da primeira década do século XVIII, a população local já era de cerca de 30 mil habitantes. Embora esse número possa ser questionado, é claro que rapidamente se formou um grande mercado consumidor de mão de obra escrava no centro da América Portuguesa. Essa crescente demanda resultou em um aumento significativo no número de escravos trazidos para a região, de cerca de 11.890 por ano no final do século XVII para 20.220 na primeira metade do século XVIII, representando um aumento de 70%. Além disso, o tráfico de escravos, embora também variável, atingiu um novo patamar nesse período.
A grande expansão do comércio de escravos não foi apenas devido à demanda gerada pela mineração de ouro, mas também porque o ouro era usado nos circuitos de tráfico negreiro. Isso significa que o ouro estimulava a oferta de escravos no litoral africano. Embora outras formas de moeda também fossem utilizadas no tráfico, o ouro se tornou especialmente importante na primeira metade do século XVIII.
A importância crescente do ouro nos circuitos de tráfico de escravos, especialmente na região do Congo-Angola. Ele usa um episódio de 1735, quando o governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, convocou uma junta para discutir a continuidade das remessas de ouro, prata e dinheiro para Angola, que já haviam sido proibidas para a Costa da Mina. O governador argumentou que essas remessas equivaliam a enviar ouro e prata para reinos estrangeiros, já que em Angola apenas o cobre era aceito como moeda. Isso ilustra a relevância do ouro nas transações de tráfico de escravos e como ele influenciava a economia local e internacional.
A decisão final da junta, apesar disso, é favorável à manutenção das remessas “que lhe pediam seus constituintes das peças de ouro e prata, e dinheiro, em retorno dos seus efeitos, por este o costume que até o presente praticavam”.
Tal documento é de grande importância porque, além de mostrar a existência de uma relação direta entre Angola e Rio de Janeiro, independente de Portugal, demonstra igualmente a importância que os metais preciosos adquirem em tal comércio.
O uso do ouro brasileiro era comum não apenas na região do Congo-Angola, mas também na Costa da Mina. Ele cita um relato de 1703 do governador-geral dom Rodrigo da Costa para Lisboa, onde este declara que os moradores do Rio de Janeiro e de suas capitanias adjacentes começaram a enviar várias embarcações para resgatar escravos na Costa da Mina, algo que não faziam anteriormente. A principal forma de pagamento utilizada nessas transações era ouro em pó e em barras, destacando assim a importância do ouro brasileiro no comércio de escravos na Costa da Mina.
A informação sobre o uso do ouro brasileiro no comércio de escravos na Costa da Mina levou o rei a proibir esse comércio entre o Rio de Janeiro e a Costa da Mina em 1703. No entanto, mesmo após a proibição, o comércio continuou. Uma representação de 1704 dos oficiais da Câmara do Rio de Janeiro denunciava que o governador ficava com os melhores escravos das embarcações vindas da Costa da Mina e de São Tomé. Três décadas depois, Gomes Freire de Andrade desarticulou uma rede de contrabando de ouro para a África Ocidental, que envolvia alguns dos maiores negociantes do Rio de Janeiro. Isso demonstra a persistência e a complexidade do comércio de escravos e ouro, apesar das tentativas de regulação.
O ouro, produzido na América portuguesa, tornou-se um item crucial no comércio entre a Bahia, Pernambuco e a Costa da Mina. O ouro era frequentemente enviado misturado ao tabaco e utilizado tanto no comércio direto com reinos africanos quanto na compra de escravos de comerciantes europeus. Ele destaca as relações comerciais entre a Royal African Company e os comerciantes baianos, mostrando que o ouro se juntou a outros produtos como búzios, tabaco, aguardente e farinha de mandioca na lista de moedas de troca usadas nas transações com a África. Essa dinâmica comercial permitia que os comerciantes da América portuguesa participassem diretamente do comércio atlântico, reduzindo a dependência de Portugal e alterando as relações mercantis tradicionais.
Segundo Roquinaldo Ferreira, a intensificação do contrabando em larga escala do ouro e do tabaco de alta qualidade do Brasil para a África levou os administradores portugueses a temer que Portugal estivesse perdendo seu controle sobre o comércio brasileiro.
O uso do ouro no tráfico de escravos dentro da América portuguesa provocou mudanças na importância relativa das regiões que importavam cativos. Gradualmente, o Rio de Janeiro ultrapassou a Bahia como o principal destino dos escravos provenientes da África Centro-Ocidental. Ao mesmo tempo, a Bahia continuou a dominar o tráfico com a África Ocidental. Essa dinâmica resultou em uma especialização relativa dos circuitos mercantis, embora não completamente isolados entre si.
Além de sua crescente participação no comércio de escravos em Luanda, os traficantes do Rio de Janeiro também dominaram amplamente o comércio com Benguela. Essa conexão direta com o Brasil fez de Benguela um importante ponto de embarque de cativos, destacando a influência e o controle carioca sobre esse aspecto do tráfico negreiro.
O ouro brasileiro desempenhava um papel significativo em diversos circuitos comerciais dentro do Império Português, especialmente na troca com a prata espanhola. Ele destaca que a Colônia do Sacramento era um ponto central nesse contrabando, onde o ouro do Brasil era trocado por prata espanhola. Mesmo com as reclamações dos espanhóis sobre a prata chegando a Lisboa, eles também contrabandeavam ouro brasileiro. Esse contrabando bidirecional era conhecido e tolerado até certo ponto, com recomendações para mitigar os conflitos europeus, como cunhar moedas provinciais com a prata obtida.
A Carreira da Índia, rota de navegação entre Portugal e o Oriente, foi significativamente impactada pela descoberta do ouro no Brasil. A partir do final do século XVII, muitos navios dessa rota faziam escala no Brasil, principalmente na Bahia, para complementar suas cargas com açúcar e tabaco brasileiros. Com a descoberta do ouro, essa tendência se intensificou, atraindo ainda mais navios, que trocavam o ouro por produtos orientais como porcelanas, sedas e, principalmente, têxteis indianos. Esses têxteis, por sua vez, eram enviados em grande quantidade para a África, onde eram trocados por escravos. Assim, o ouro brasileiro dinamizou e intensificou o comércio entre as várias regiões do Império Português.
No entanto, é inegável que o principal destino do ouro era o Reino de Portugal. Ou, em um sentido mais amplo, a Europa, já que o pequeno reino ibérico servia, sobretudo, como um entreposto entre mercadorias originárias de diversas partes do Velho Mundo, por um lado, e o ouro e outras mercadorias coloniais destinadas a atender à demanda continental, por outro.
Apesar da decadência do setor aurífero na segunda metade do século XVIII, o ouro brasileiro desembarcado em Portugal no século foi crucial para o reino. Esse ouro forneceu recursos suficientes para promover uma expansão mercantil significativa, sem a necessidade de expandir a produção interna. Em outras palavras, o ouro reforçou o papel de Portugal como um entreposto comercial, onde a principal conquista era a exploração e o trânsito de recursos, ao invés de uma expansão produtiva própria.
A produção de ouro proporcionou uma significativa autonomia econômica para a colônia portuguesa. O ouro, além de servir como moeda, também era uma mercadoria produzida internamente, o que ampliou as possibilidadesde relações mercantis dentro do Império. Esse duplo papel do ouro ajudou a desenvolver e expandir as relações comerciais internas, promovendo a colonização de novas áreas e criando uma nova geografia econômica que integrou melhor as diversas regiões coloniais.
Além do impacto direto da mineração de ouro, suas consequências também foram significativas. O ouro serviu como o principal motor econômico para a rápida ocupação das novas áreas mineradoras, que criaram um mercado consumidor em expansão. Esse mercado precisava ser abastecido com cativos e produtos de diversas origens. Como resultado, surgiram eixos mercantis específicos focados no comércio com as áreas mineradoras e sistemas agrários voltados para a produção de bens primários para essas regiões.
Os eixos mercantis surgidos devido à mineração de ouro tinham o objetivo principal de conectar as regiões mineradoras, situadas no interior do continente, com as áreas costeiras atlânticas. Cidades litorâneas como Rio de Janeiro e Salvador se destacaram como centros administrativos e econômicos importantes no início do século XVIII devido a essas conexões. O parágrafo destaca como essas cidades se beneficiaram e ganharam importância ao servir como pontos-chave nos caminhos comerciais que ligavam as minas de ouro às áreas costeiras.
Para a Bahia e Pernambuco, o "Caminho do Sertão" era uma rota importante para conectar essas regiões com as áreas mineradoras, apesar de ser mais longa do que as rotas que partiam do Rio de Janeiro. O parágrafo destaca que o Rio de Janeiro tinha dois caminhos principais para Minas: o "Caminho Velho", que passava por Paraty e a Serra do Mar até São Paulo, e o "Caminho Novo", criado para facilitar o acesso direto entre o Rio e as minas de ouro. Embora o "Caminho Novo" tenha sido criado para melhorar o acesso, o "Caminho Velho" continuou em uso durante a primeira metade do século XVIII.
A proximidade do Rio de Janeiro em relação às regiões mineradoras fez com que a cidade se tornasse o principal porto de destino do ouro. Devido a isso, o Rio de Janeiro se destacou como a cidade mais opulenta do Brasil, com um comércio intenso e diversificado, incluindo não apenas o tráfico de escravos, mas também outros setores comerciais. O crescimento econômico do Rio de Janeiro, impulsionado pela mineração, teve um impacto significativo em toda a cidade e sua economia.
O contrato da dízima da alfândega, embora não reflita com exatidão a arrecadação real, oferece uma visão aproximada do crescimento econômico do Rio de Janeiro. Os valores dos contratos, que indicam quanto os arrematantes pagavam à Coroa, podem servir como um indicador indireto do aumento da atividade econômica na cidade, incluindo o impacto da mineração.
A tabela apresentada demonstra a mudança na hierarquia dos portos brasileiros em relação ao comércio com Portugal. Até meados da década de 1720, Rio de Janeiro e Salvador eram os principais portos. No entanto, a partir da década de 1730, o porto do Rio de Janeiro começa a se destacar significativamente em relação a Salvador, consolidando-se como o porto de maior importância para o comércio com o Reino. A diferença entre o volume de comércio do Rio e o de Salvador se torna evidente na década de 1740, refletindo uma clara hierarquia entre os portos brasileiros nesse período.
Na raiz dessa ultrapassagem estava, é claro, o comércio com a região mineradora.
Os contratos das entradas para as Minas do Ouro revelam a crescente importância do Rio de Janeiro em comparação com Bahia e Pernambuco no abastecimento das regiões mineradoras. A diferença no valor dos contratos entre os caminhos do Rio de Janeiro e o caminho do sertão, utilizado por Bahia e Pernambuco, aumentou ao longo do período analisado, indicando que o Rio de Janeiro se consolidou como o principal centro abastecedor das áreas mineradoras e reforçou esse papel durante a primeira metade do século XVIII.
Nem tudo que reluz é ouro
Está clara, portanto, a importância do ouro na economia colonial setecentista. Povoador de terras, incentivador do comércio, é impossível pensar esse século sem remeter a ele.
Contudo, seria equivocado restringir nossa análise ao desejado metal amarelo. A complexidade da vida econômica não podia ser reduzida apenas ao seu resultado mais reluzente. No capítulo referente à economia da América portuguesa seiscentista já ficou clara a enorme diversidade da produção agrícola colonial antes da exploração aurífera.

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