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Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial AULA 1: Noções de Direito Processual Penal Conceito e Finalidades O Direito Processual Penal é o conjunto de princípios e regras que disciplinam a apuração de um fato delituoso e a aplicação da lei penal. O Estado tem o poder-dever de punir aqueles que praticam delitos. Esse poder-dever, de início, é impessoal, pois destina-se à coletividade. No momento em que alguém pratica um delito, nasce para o Estado o direito de puni-lo com uma sanção, sendo que o acusado poderá exercer seu direito de defesa. Esse confronto entre o direito de punir do Estado e o direito de defesa do indivíduo chama-se lide penal, que será solucionada por meio do processo penal. Vamos fazer um paralelo com uma partida de futebol. A partida em si seria o confronto entre o Estado e o réu (o processo). As regras em que o jogo se desenvolve seriam semelhantes ao Direito Processual Penal. No futebol, o regulamento prevê uma ordem para que as coisas aconteçam, pois isso gera previsibilidade, segurança. Com essa mesma finalidade, o processo penal também tem um conjunto de regras estipulando a ordem com que as coisas devem acontecer no processo. A isso chamamos de procedimento ou rito. O Art. 394 do CPP divide o procedimento comum em ordinário, sumário e sumaríssimo. A regra será a aplicação do procedimento comum, salvo exceção expressa pela lei (art. 394, §2º do CPP). O processo penal adotará o procedimento ordinário quando o delito apurado tiver pena máxima igual ou superior a quatro anos (Art. 394, §1º, I do CPP). Esse procedimento também poderá ser usado de forma subsidiária aos demais procedimentos quando houver alguma omissão a suprir (Art. 394, §5º do CPP). Adotaremos o processo sumário quando tivermos por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a quatro anos de pena privativa de liberdade (Art. 394, §1º, II do CPP). Usaremos do rito sumaríssimo quando o processo versar sobre delitos de menor potencial ofensivo (Art. 394, §1º, III do CPP), que hoje correspondem àqueles menos graves, ou seja, com pena máxima não superior a dois anos (Art. 61 da Lei 9.099/95). Sistemas Processuais: Inquisitivo e Acusatório Sistemas Processuais: Inquisitivo e Acusatório Tem-se por sistema inquisitivo aquele em que as atividades de investigar, acusar e julgar alguém por um delito estão concentradas nas mãos de apenas uma pessoa e não há simpatia por direitos e garantias processuais como contraditório e ampla defesa. Usando uma comparação, seria como o jogador de futebol que bate o escanteio, cabeceia, faz o gol e ainda apita o jogo. Esse sistema foi adotado pelo Direito Canônico a partir do Século XIII. Com a Revolução Francesa, o Iluminismo defendeu a necessidade de divisão das tarefas de investigar, acusar e julgar sujeitos processuais distintos, assegurando-se uma decisão imparcial e com respeito aos direitos e garantias fundamentais. Eis o sistema acusatório. A fase pré-processual ou de investigações preliminares é normalmente representada pelo inquérito policial. Nela, há um predomínio do sistema inquisitivo, pois a autoridade policial conduz o inquérito e o relata, sendo que o grau existente de ampla defesa e contraditório é mínimo (art. 14, do CPP). Já na fase processual, uma vez proposta a ação penal, tem-se o predomínio do sistema acusatório, com divisão de atribuições e observância de contraditório e ampla defesa. O Direito Processual Penal e a Constituição Federal o sistema de garantias no qual o juiz atua como garantidor dos direitos do acusado possui cinco princípios básicos. É sobre esses princípios que vamos falar a seguir. Princípio acusatório Embora não haja previsão expressa da análise conjunta da Constituição Federal (Art. 5º, incisos LV, LIV, LVII, art. 93, IX e art. 129, I da CF), conclui-se que o sistema processual adotado deve ser o acusatório: aquele em que as funções de investigar, acusar, defender e julgar estão divididas a pessoas diferentes, e não concentradas nas mãos de apenas um dos sujeitos processuais. A decorrência da adoção do sistema acusatório é que a produção de provas no processo penal incumbe às partes, e não ao juiz, garantindo-se uma postura imparcial deste. Voltando ao nosso jogo de futebol, é a vedação de o árbitro substituir-se ao jogador de um dos times, favorecendo-o. Presunção de inocência (ou um dever de tratamento) É a regra do Art. 5º, LVII da CF, a famosa presunção de inocência. Por ela, ninguém deve ser tratado como culpado até que haja uma sentença condenando-a de forma definitiva (esgotando-se todas as possibilidades de recurso contra a condenação). É uma regra de tratamento (ninguém pode ser tratado como culpado antes), de prova (se sou presumido inocente, cabe a quem acusa provar a minha culpa) e de julgamento (o juiz só pode condenar alguém se tiver a certeza da culpa; na dúvida, deve absolvê-lo na forma do Art. 386, VII do CPP). Contraditório e ampla defesa A ampla defesa é o direito de defender-se da acusação, que contempla a autodefesa (realizada pelo próprio acusado no interrogatório) e a defesa técnica (aquela feita por advogado ou defensor público), sendo que está sempre deverá existir, mesmo que o acusado não queira. Já o contraditório é o instrumento de exercício do direito de defesa, que se materializa pelo direito de ter plena ciência da acusação contra ele, da possibilidade de contradizê-la (dar a sua versão sobre o fato) e de influenciar o juiz (produzir prova do que está dizendo); Motivação das decisões judiciais Consagrado no Art. 93, IX da CF, prevê que todas as decisões do Poder Judiciário devem ser fundamentadas. Ou seja, deve o juiz deixar claras as razões pelas quais está tomando determinada decisão (indicando as provas e os fatos provados ou não e as respectivas repercussões jurídicas), seja absolvendo ou condenando. Isso deve acontecer principalmente quando for condenar alguém, pois a motivação é a maneira pela qual a sociedade e o réu podem avaliar se concordam ou não com a decisão. A ausência dessa motivação torna a decisão nula; Princípio do juiz natural (jurisdicionalidade) É a garantia de que a lide penal seja julgada por um juiz (e não por outro órgão alheio ao Poder Judiciário) natural, imparcial e guardião dos direitos e garantias fundamentais. Juiz natural é aquele designado pela lei previamente, antes da prática do fato delituoso. Imparcial é o juiz que não tem preferências por nenhuma das partes, e sim pelo resultado justo. Por fim, a atuação desse juiz deve ser em total respeito aos direitos e garantias fundamentais, pois os fins não devem justificar os meios. Princípios processuais aplicáveis à segurança privada princípios como o da publicidade, da busca da verdade, da inadmissibilidade das provas ilícitas, do nemo tenetur se detegere e o da proporcionalidade devem guiar você na sua futura profissão. Sistema acusatório e presunção de inocência Sabendo que não cabe ao juiz a produção de provas, você, na qualidade de gestor de segurança privada, deve atentar para o fato de que toda acusação contra alguém precisa vir acompanhada de provas. Ademais, é preciso cautela para que as pessoas sejam tratadas de início como inocentes, ou seja, com dignidade e respeito aos direitos fundamentais, mesmo em situação de um flagrante delito, evitando-se o uso desnecessário da força. Princípio da publicidade Deve-se atentar para o fato de que todos os julgamentos do Poder Judiciário serão públicos, podendo a lei limitar a presença em caso de prejuízo à intimidade do interessado (art. 93, IX, da CF). Este princípio mostra o respeito que o Estado deve ter para com a intimidade das pessoas, que apenas encontra ressalva quando existe interesse público na informação. Assim, também deve se pautar o gestor de segurança, preservando a intimidade das pessoas quando não existir interesse público relevante naquela situação. Busca da verdade Não pode ocorrer a qualquer custo a busca pela verdade, porque os fins não justificam os meios. Por isso proíbe-se o uso de provas ilícitas, ou seja, aquelas obtidas com violaçãocautelar Relaxamento de prisão ilegal Tem natureza de garantia ao réu, tendo em vista que teve a liberdade de locomoção constrangida. Não tem natureza de medida cautelar, ao contrário da liberdade provisória. Um interessante exemplo, baseado na CF, é o inciso LXXVIII. Este ressalta o direito à duração razoável do processo. Sendo o prazo excedido, deve haver o relaxamento da prisão. Habeas corpus É um remédio constitucional previsto na CF, no artigo 5º, inciso LXVIII. É previsto no Capítulo X do CPP, que versa sobre o habeas corpus e seu processo. É uma ação que serve para prevenir ou anular alguma prisão arbitrária. Serve para alguém que sofra ou se sinta ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder. É uma ação gratuita. É necessário ressaltar que o habeas corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa e não há a necessidade de advogado, mas é importante ter um para que não haja desfavorecimentos ao constrangido. as expressões violência e coação, que são necessárias como uma das modalidades para a concessão do habeas corpus. · Violência Tem a ver com a violência física ou material, a vis corporalis. Seria, por exemplo, a agressão física ou o emprego de força que faça a pessoa não ter liberdade para se mexer. · Coação Tem a ver com violência moral, a vis compulsiva. Seria, por exemplo, consequência de ameaça ou intimidação. O habeas corpus pode ser apresentado de duas formas, habeas corpus preventivo e habeas corpus liberatório. · Habeas corpus preventivo – tem como objetivo antever o constrangimento ilegal e evitar uma ameaça à liberdade de locomoção. · Habeas corpus liberatório – tem como objetivo afastar o constrangimento ilegal que já tenha ocorrido em detrimento da liberdade de locomoção. A ausência de precisa indicação de atos concretos e específicos, por parte da autoridade apontada como coatora, que revelem prática atual ou iminente de comportamento abusivo ou de conduta revestida de ilicitude, inviabiliza, processualmente, a impetração do writ of habeas corpus.” Um caso interessante e recente foi o habeas corpus impetrado pelo promotor de justiça do Rio Grande do Norte, Wendell Bethoven. O objetivo do promotor era que fosse concedido habeas corpus para os casos hipotéticos de policiais que pudessem responder criminalmente por não prender manifestantes por descumprirem as recentes normas de isolamento social por causa da pandemia do coronavírus. PERGUNTAS: Em relação à fiança e à concessão de liberdade provisória, assinale a alternativa correta. Julgar-se-á quebrada a fiança quando o acusado descumprir medida cautelar imposta cumulativamente com a fiança. · De acordo com o art. 341, inciso III, do CPP, um dos motivos para quebramento da fiança é descumprir a medida cautelar imposta cumulativamente com a fiança. A respeito da prisão ilegal, assinale a alternativa correta. A ilegalidade da prisão pode ocorrer antes, durante ou após a lavratura do auto de prisão em flagrante. · As ilegalidades inerentes à prisão em flagrante podem ocorrer durante e após a lavratura do auto de prisão em flagrante (arts. 304 a 309 do CPP) e também antes da lavratura ou no ato da prisão em flagrante, devendo ser analisado o art. 302 do CPP, quando há inexistência da prisão em flagrante. obre o habeas corpus no processo penal, assinale a alternativa INCORRETA. Compete apenas aos tribunais colegiados a expedição, de ofício de ordem de habeas corpus, quando se certificarem de que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal. · Segundo o art. 654, § 2º, do CPP, os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas corpus quando, no curso de processo, verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal. AULA 7: Organização Judiciaria do Poder Judiciário, do Ministério Público e os Auxiliares da Justiça Sujeitos da relação processual Em resumo, é um laço entre partes/ órgãos/ pessoas que se inicia com uma pretensão punitiva. A parte autora oferece a chamada peça acusatória (queixa-crime ou denúncia) e, a partir daí, exige que haja uma prestação jurisdicional do Estado. Essa relação processual pode vir a demorar bastante. Enquanto isso, alguns sujeitos acessórios são chamados para prestar esclarecimentos. Há, pelo menos, a existência de três sujeitos processuais: as partes (demandante e demandado) que compõem a relação material e o juiz (imparcial). Os agentes podem ser principais ou acessórios. São principais, uma vez que muito importantes para manter a relação jurídica processual, ou acessórios quando — ao contrário — não fazem diferença se estiverem ali ou não. · Sujeitos principais Ministério Público ou o ofendido, juiz, autor e acusado. A presença dessas figuras é vital para a manutenção da relação jurídica. · Sujeitos acessórios Também chamados de colaterais; terceiros interessados ou não, que estão ligados ao processo Poder Judiciário Em resumo, o poder Legislativo seria aquele através do qual se delibera sobre a construção e mudança das leis e fiscalização do poder Executivo. Seria através dele que caberia a administração do Estado: execução de leis, administração dos interesses sociais da coletividade etc. E, por fim, a função do poder Judiciário seria julgar, interpretar e aplicar as leis caso a caso. Nenhum dos poderes deveria se sobrepor ao outro. Atualmente, o que se observa é o contrário: é possível identificar uma mistura entre eles. É claro que cada um tem sua função específica, mas eles podem acabar atingindo a função do outro. São órgãos do poder Judiciário: · I - O Conselho Nacional de Justiça; · II - O Superior Tribunal de Justiça; · III - O Tribunal Superior do Trabalho; · IV - Os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; · V - Os Tribunais e Juízes do Trabalho; · VI - Os Tribunais e Juízes Eleitorais; · VII - os Tribunais e Juízes Militares; · VIII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. Organograma do Poder Judiciário O poder Judiciário é dividido entre o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho, o Tribunal Superior Eleitoral e o Superior Tribunal Militar. Temos ainda o Conselho Nacional de Justiça, que tem atribuições administrativas. Supremo Tribunal Federal Disposto na Seção II da Constituição Federal, entre os Artigos 101 a 103, ao Supremo Tribunal Federal compete o ato de processar e julgar originariamente diversas hipóteses como as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público. Também cabe julgar outras hipóteses assinaladas pelo Artigo 102 da Constituição Federal. Inserido no âmbito do poder Judiciário, é o seu órgão máximo, composto por 11 ministros, escolhidos entre brasileiros natos com mais de 35 anos e menos de 65 anos de idade com notável saber jurídico e reputação ilibada. Estes ministros serão nomeados pelo Presidente da República (Art. 101 da CF). É dividido em duas turmas, com cinco integrantes cada, e o plenário, composto pelos onze Ministros. De acordo com o próprio site do Supremo Tribunal Federal, uma das suas principais funções é a de julgar a ação direta de inconstitucionalidade (é uma ação com o objetivo de examinar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual). Também tem a função de julgar habeas corpus, do qual tratamos na aula passada, habeas data, mandado de segurança e mandado de injunção. Estes devem ser decididos pelos Tribunais Superiores, ou seja, em uma única instância. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Ministério PúblicoO Ministério Público ocupa um papel muito importante no sistema processual penal acusatório. É uma ampliação dos poderes do Estado, pois deve-se impedir — entre outras circunstâncias — a vingança originada pelos conflitos sociais que sempre costumam ocorrer. Apesar de ser inserido no sistema processual penal acusatório, não é um órgão acusatório, mas sim um órgão legitimado para a acusação. O objetivo é a defesa da ordem jurídica na sociedade, dos interesses sociais e individuais. O órgão ministerial segue alguns princípios. Os principais, de acordo com o Artigo 127, §1º da Constituição Federal são a independência, a unidade e a indivisibilidade. · Unidade Significa que, embora composto por vários integrantes (Promotores de Justiça ou Procurador da República), todos fazem parte de uma mesma instituição, o Ministério Público. · Indivisibilidade É uma decorrência da unidade, de sorte que cada um dos integrantes do Ministério Público tem legitimidade por falar em nome da instituição Ministério Público, representando-a de forma indivisível. · Independência O membro do Ministério Público em sua atuação não está subordinado a nenhum outro órgão, nem mesmo ao Chefe da Instituição (Procurador-Geral de Justiça no âmbito Estadual ou Procurador-Geral da República no federal), devendo apenas observar o que determina a Constituição e as leis para aquela situação que está analisando. As funções institucionais do Ministério Público estão elencadas no Artigo 129 da Constituição Federal. Uma delas é (inciso IX): exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. Esse artigo traz à interpretação da lei que o Ministério Público tem um rol bem amplo de atividades que pode exercer, uma vez que ele não é taxativo Natureza da Função do Ministério Público · O Ministério Público pertence ao poder Judiciário; · É considerado parte comum, e aí fica a questão: seria, então, de acordo com o pensamento dessa teoria, considerado um sujeito acessório e podendo ser descartado? · Não se encaixaria na divisão tripartite dos poderes; · Sua atividade instrumental se equipara ao magistrado e se assemelha aos poucos às partes privadas. Organograma do Ministério Público São diversas as carreiras na área do Direito. A licença da OAB não é necessária para muitas atividades judiciárias, pois na maioria é necessário ser aprovado em concurso público, como por exemplo, a carreira de juiz. · Para seguir a carreira de juiz, é necessário passar em concurso público, ter nacionalidade brasileira, ter aptidão física e mental para o exercício do cargo, ter até 65 anos de idade até a data da inscrição definitiva etc. · Promotor de justiça: ser brasileiro, apresentar comprovada idoneidade moral nos âmbitos pessoal, profissional e familiar, estar no exercício dos direitos políticos etc.; Procurador geral do Estado, procurador regional do município e procurador do trabalho: dentre outras características, deve estar em gozo com os direitos políticos e ser bacharel em Direito; · Procurador federal: ter licença da OAB, ter exercido atividade jurídica por, pelo menos dois anos, ser brasileiro nato ou naturalizado etc.; · Defensor público: ter nacionalidade brasileira ou portuguesa, estar em dia com as obrigações eleitorais, ter exercido atividade jurídica por pelo menos três anos até a data da posse etc.; · Delegado de Polícia Civil: trabalha em torno de 36h semanais. É necessário ter nacionalidade brasileira ou portuguesa, estar quite com as obrigações eleitorais, ter pelo menos 18 anos até a data da posse, apresentar certidões negativas de antecedentes criminais, entre outros; · Advogado da União: ter nacionalidade brasileira ou portuguesa, estar no gozo dos direitos políticos, ter a licença da OAB e, além de todas as outras condições, cumprir com as determinações do edital. Auxiliares da Justiça Os auxiliares da justiça são responsáveis pela realização de tarefas técnicas ou administrativas. Também são responsáveis pelo bom andamento da justiça. Entre eles, encontram-se os escreventes, analistas, oficiais de justiça, peritos, intérpretes. Nos termos do Art. 274 do Código de Processo Penal, estendem-se aos serventuários e funcionários da justiça, no que for aplicável, a suspeição dos juízes, cujas hipóteses estão previstas no Art. 254 do mesmo Código. O Código de Processo Penal também estabelece regras para a atuação dos peritos e intérpretes, tendo em vista a relevância da função desempenhada por eles, de cunho essencialmente técnico. Há necessidade de um perito no processo quando a solução de uma questão depender de conhecimentos técnicos de outras áreas de conhecimento que não o Direito (ex.: medicina, engenharia, física etc.). O perito pode ser oficial ou nomeado pelo juiz. Oficial é aquele pertencente aos quadros do Estado, enquanto o outro é pessoa com conhecimento técnico na matéria, que vem a ser nomeado pelo magistrado, na falta daquele. Qualquer um deles está sujeito à disciplina judiciária, ou seja, cumprir fielmente seu encargo, nos termos do Art. 275 do CPP. Principais Entendem-se aqueles cuja ausência torna impossível a existência ou a complementação da relação jurídica processual Acessórios São aqueles que, não sendo indispensáveis à existência da relação processual, nela intervêm de alguma forma. Os principais são o juiz, o autor (que pode ser o Ministério Público ou o ofendido) e o acusado. Os acessórios ou colaterais são o assistente, os auxiliares da justiça e os terceiros, interessados ou não, que atuam no processo. PEGUNTAS Assinale a alternativa correta quanto ao tema do Poder Judiciário: O juiz não pode se eximir de despachar ou sentenciar casos do caso concreto, bem como não pode julgar extra ou ultra petita. · O juiz não pode deixar de julgar algum caso, ainda que a lei não traga, explicitamente, uma solução. Ademais, ele deve se limitar a julgar e interpretar aquilo de que trata o processo e a liderança. De acordo com o material estudado sobre o Ministério Público, marque a alternativa incorreta: O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República, com mandato de dois anos, sendo vedada a recondução, assim como ocorre com cada Ministério Público do Estado. · O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República, nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira, maiores de 35 anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução. Segundo o Art. 128, §1º da CRFB, no âmbito dos Estados-membros, cada Ministério Público do Estado tem como chefe o Procurador-Geral de Justiça, escolhido dentre os integrantes da carreira, para mandato de dois anos, e é permitida uma recondução. Considere as afirmativas a seguir, referentes aos auxiliares da Justiça: O oficial tem várias atribuições, dentre elas realizar citações e intimações. Não poderão ser peritos os que tiverem opinado antes sobre o objeto da perícia. O intérprete é pessoa idônea que traduzirá o texto, documento, figura ou outro meio passível de interpretação que está redigido em língua estrangeira. · As afirmativas I, II e III estão corretas, segundo a lei e o entendimento doutrinário. O Art. 143 do CPC traz a incumbência do oficial de justiça, como apresenta a afirmativa I; o Art. 279, inciso II do CPP traz esse impedimento aos peritos, e a afirmativa III está de acordo com o entendimento de Mirabette (2008, p. 710), que entende ser o intérprete a pessoa que traduz para outrem — no caso autoridade policial ou judiciária e partes — o conteúdo de um escrito redigido em língua estrangeira. AULA 8: Provas no Processo Penal - Teoria geral e espécies. Atos processuais Das provas no processo penal - Teoria Geral das Provas termo da palavra prova é originário do latim, probatio, que se refere a ensaio, verificação, exame, razão, confirmação, sendo que deste deriva-se o verbo de provar, probare, quesignifica reconhecer por experiência, aprovar, estar satisfeito com algo. Portanto, prova é a reunião de indícios que possam levar ao conhecimento do juiz acerca de determinado fato e, como ratifica Aury Lopes Jr. (2019), o processo penal e a prova integram o que se chama de modos de construção do convencimento do julgador, que formará sua convicção e legitimará o poder contido na sentença. Meios de prova e de obtenção de prova Meios de prova são os instrumentos que demonstram um fato (documento, testemunha, perícia). Já meios de obtenção de provas são instrumentos que auxiliam chegar-se à prova. Não é a prova em si, mas meios que facilitam a sua obtenção. Traz como exemplos a delação premiada, buscas e apreensões e interceptações telefônicas. Perícia consiste no exame realizado por profissionais com conhecimentos técnicos, tanto na fase de inquérito policial quanto no processo penal, a qualquer dia e horário, observando o prazo de dez dias para a elaboração do laudo O juiz não está vinculado ao laudo elaborado pelos peritos, podendo julgar contrariamente às suas conclusões, desde que o faça de forma fundamentada. O CPP institui alguns requisitos para que seja feita a perícia, como ser realizada por um perito oficial, portador de diploma de curso superior. Entretanto Caso não haja perito oficial, será elaborada a perícia por duas pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior e, de preferência, com habilitação na área em que for realizado o exame. Uma espécie de prova pericial é o exame de corpo de delito, indispensável nas infrações que deixam vestígios, não podendo supri-lo nem mesmo a confissão do acusado, se não for possível a realização do exame, por terem desaparecido os vestígios do crime, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. Testemunhas São terceiros à relação processual, que narram fatos de que tenham conhecimento acerca do objeto do processo para auxiliar o convencimento do juiz. Há, de acordo com o CPP, a proibição do depoimento de algumas pessoas, e são essas as que devem guardar sigilo em razão de função, ministério, ofício ou profissão, salvo se, desobrigadas pelo interessado, quiserem dar seu depoimento. Algumas características compõem a prova testemunhal. São elas: · A oralidade, em que o depoimento é oral, não pode ser trazido por escrito. · A objetividade, pois a testemunha deve responder o que sabe a respeito dos fatos, sendo vedado emitir sua opinião a respeito. Documentos consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares, sendo instrumento o documento constituído especificamente para servir de prova para o ato ali representado, como por exemplo a procuração. documento é qualquer manifestação materializada, por meio de grafia, de símbolos, de desenhos e que seja uma forma ou expressão de comunicação possível à compreensão de seu conteúdo. Porém, a vedação à apresentação de material jornalístico ou de mídia, no procedimento do Tribunal do Júri, é de grande relevância para o autor, pois não é efetivamente considerado um documento. Interrogatório consiste no ato em que o acusado é ouvido sobre a imputação que foi dirigida a ele, levando elemento de convicção ao julgador. Ademais, é considerado também meio de defesa do acusado, pois o interrogatório é o último ato da audiência de instrução, cabendo ao acusado escolher a estratégia de autodefesa que melhor consulte aos seus interesses. O acusado deverá ser interrogado sempre na presença de seu defensor. Antes do interrogatório, o juiz deve assegurar o direito de entrevista reservada com seu defensor. Se ele não tiver um, deve ser nomeado um defensor público, ainda que só para acompanhar o ato. Uma grande inovação acerca do tema é que, em caráter excepcional, poderá o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou por requerimento das partes, realizar o interrogatório do réu preso por videoconferência, desde que seja necessário para atender à finalidade de prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante o deslocamento; viabilizar a participação do réu no referido ato processual Confissão Modalidade de prova, prevista nos Art. 197 a 200 do CPP, em que o réu pode confessar a autoria ou não dos crimes imputados a ele. Pode ser feita dentro ou fora do interrogatório, sendo o juiz obrigado a informar sobre o seu direito a permanecer calado. Por fim, a confissão é também retratável, isto é, o acusado pode voltar atrás/ arrepender-se na sua admissão de culpa, e divisível: dentro do livre convencimento do juiz, ele poderá valer-se apenas de parte da confissão. A confissão não é tida como prova de valor absoluto; portanto, deve ser avaliada em conjunto com os demais elementos de prova do processo, verificando-se sua compatibilidade ou concordância com eles. Reconhecimento de pessoas e coisas trata-se de mero procedimento que tende à identificação de pessoas, de alguma maneira envolvidas no delito, e de coisas, cuja prova da existência e individualização seja relevante para a apuração das responsabilidades. O CPP prevê essa modalidade nos Art. 226 a 228 (exemplos: reconhecer o autor de um crime, a arma utilizada etc.). Uma observação a ser feita é acerca do reconhecimento de pessoas, que deverá ser feito de maneira sigilosa, ou seja, aquele que será reconhecido é impedido de ver aquele que reconhece. Acareação É uma prática processual em que são colocadas duas ou mais pessoas, frente a frente, para esclarecerem divergências relevantes em suas declarações. (MILANEZ, 2016). Esse ato é previsto nos Art. 229 e 230 do CPP. A regra prevê a admissibilidade da acareação tanto no curso do processo como em sede de inquérito policial e pode ser realizada entre acusados, entre testemunhas, entre vítimas e até entre o acusado e as testemunhas, quando se sabe que um não tem qualquer compromisso com a verdade. É preciso que as declarações e testemunhos já tenham sido prestadas; caso contrário não haveria a possibilidade de verificar ponto conflitante entre elas. Busca e apreensão Está prevista no Art. 240 do CPP e é um meio de prova diferente dos demais apresentados. Trata-se de medida de natureza cautelar, para resguardar material probatório, coisa, animais e até pessoas que não estejam ao alcance espontâneo da Justiça. Somente quando estiverem presentes elementos quanto à urgência e à necessidade da medida é que se poderá conceder a busca e apreensão, tanto na fase de investigação como no curso da ação penal. A busca pode ser domiciliar, realizada em residência ou qualquer local não aberto ao público ou pessoal. Para sua realização, em geral, é necessário o mandado, expedido pela autoridade competente, determinado, especificando o máximo possível onde será realizado, por ser uma medida que vai de encontro a uma garantia constitucional. Ônus da prova · A corrente minoritária aponta que o ônus da prova é exclusivo da acusação · A corrente majoritária distribui o ônus da prova entre a acusação e a defesa no processo penal. O ônus da prova da acusação dispõe que cabe à acusação provar tanto a existência do fato típico quanto provar a autoria ou participação do agente no fato criminoso. O ônus da prova da defesa dispõe sobre provar os fatos modificativos, impeditivos e extintivos do autor, como regra geral do processo. Prova emprestada É um meio de prova que se entende ser aquela obtida a partir de outra, originariamente produzida em processo diverso. (LOPES JR., 2019) Ou seja, é utilizar a prova em um processo distinto daquele em que foi produzida. Para que seja admissível, é preciso que haja as mesmas partes em ambos os processos, o mesmo fato probatório, o respeito à norma que rege a produção probatória e que tenha sido observado também o contraditório. Apesar de divergência na doutrina, o Superior Tribunal de Justiça entende que inexiste nulidade processual caso a defesa tenha concordado com a produção da prova emprestada. Dos atos processuais Ato processual é toda conduta dos sujeitosdo processo que tenha por efeito a criação, modificação ou extinção de situações jurídicas. É praticado por juízes, auxiliares e pelas partes para dar andamento ao processo. PERGUNTAS: Dispõe o Art. 5.º, inc. LVI da Constituição Federal que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”. Trata-se do princípio da vedação das provas ilícitas, invocado no Art. 157 do Código de Processo Penal. É quase unânime na doutrina e na jurisprudência o entendimento que não admite a utilização no processo penal da prova favorável ao acusado se colhida com infringência a direitos fundamentais seus ou de terceiros. · Segundo alguns doutrinadores, como Ada Pellegrini e Magalhães Gomes Filho, o princípio da proporcionalidade é manifestado na posição praticamente unânime que reconhece a possibilidade de utilização, no processo penal, da prova favorável ao acusado, ainda que colhida com infringência a direitos fundamentais seus ou de terceiros. Acerca do exame de corpo de delito e perícias em geral, assinale a alternativa correta: Não sendo possível realizar o exame de corpo de delito, por haver desaparecido os vestígios, tal prova poderá ser suprida pela prova testemunhal. · Segundo o Art. 167 do CPP, quando não é possível o exame de corpo de delito, por haver desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. No tocante aos atos processuais em geral, é incorreto afirmar: O juiz, ao proferir sentença condenatória, fixará valor máximo para a reparação dos danos causados pela infração, considerados os prejuízos sofridos pelo ofendido. · Conforme Art. 387, inciso IV do CPP, o juiz, ao proferir sentença condenatória, fixará valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. AULA 9: Organização Policial Segurança Pública na Constituição Federal É preservada através dos órgãos da Polícia Federal, polícias Rodoviária e Ferroviária Federal, Civis, Militares e Corpos de Bombeiros militares e Polícias Penais Federal, Estaduais e Distrital. os órgãos de defesa da segurança pública, por meio da Constituição Federal (CF) de 1988, tiveram uma dupla finalidade: Órgãos Responsáveis pela Segurança Pública O primeiro órgão a ser analisado é a Polícia Federal, previsto no §1º do Art. 144 da CF, que é subordinado ao Ministério da Justiça, organizado e mantido pela União. Dedica-se exclusivamente a: · Apurar infrações penais que irão contra os interesses da União, bem como infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional; · Prevenir e reprimir o tráfico ilícito de drogas afins, o contrabando e o descaminho; · Exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; · Exercer as funções de polícia judiciária da União. O segundo órgão, previsto no §2º do Art. 144 da CF, é a Polícia Rodoviária Federal, que também é mantido pela União, responsável pelo patrulhamento ostensivo das estradas federais brasileiras, com o objetivo de fiscalizar o tráfego nas rodovias e evitar crimes de trânsito. O terceiro órgão, conforme §3º do Artigo 144 da CF, é a Polícia Ferroviária Federal, semelhante à rodoviária, porém, no âmbito das ferrovias, compete à Polícia Ferroviária Federal a função de patrulhamento das ferrovias federais na prevenção de acidentes e em toda a malha ferroviária do país. No §4°, tem-se a função da Polícia Civil, dirigida por delegados de polícia, que em síntese faz o papel da polícia judiciária, que é o da investigação de delitos, registrando Boletins de Ocorrência, elaborando o inquérito policial e cumprindo decisões judiciais, como mandados de prisão. O §5º traz a figura da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. A função da PM é proteger o cidadão, a sociedade e os bens públicos, diminuindo conflitos e garantindo a segurança para a população. O Corpo de Bombeiros tem a função de executar atividades de defesa civil, ou seja, atos realizados após desastres, para que as consequências não sejam tão graves. Recentemente, a EC 104/2019 determinou, no §5º, que cabe às Polícias Penais a vigilância, ordem e segurança dos estabelecimentos penais. Outro órgão responsável pela segurança pública é a Guarda Municipal, prevista no §8º. Tem caráter civil e a função preventiva de proteção de bens, serviços e instalações. A lei prevê que os municípios têm essa competência, ressalvada a competência da União e Estados. A Polícia Penal é um órgão recentemente inserido no §5º-A do Artigo 144 da CF pela EC 104/2019. Ministério da Justiça e a Secretaria Nacional de Segurança Pública Para que suas atribuições sejam plenamente satisfeitas, foram criadas algumas secretarias, dentre elas a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). A ela compete: · Coordenar as Forças de segurança Pública; · Assessorar o Ministro de Estado na definição, implementação e acompanhamento da Política Nacional de Segurança Pública e dos Programas Federais de Prevenção Social e Controle da Violência e Criminalidade; · Planejar e acompanhar a implementação de programas do Governo Federal para a área de segurança pública; · Elaborar propostas de legislação e regulamentação em assuntos de segurança pública, referentes aos setores público e privado; · Realizar e fomentar estudos e pesquisas voltados para a redução da criminalidade e da violência, dentre outras funções. Existem situações em que “as polícias são formalmente subordinadas aos Secretários de Segurança Pública. Em outras situações, os comandantes e chefes de polícia possuem as mesmas prerrogativas dos secretários. Estas diferenças acabam por repercutir na capacidade destas secretarias de elaborar e implantar políticas públicas de segurança”. (TRINDADE, 2015, p. 608) Polícia Judiciária e Polícia Administrativa A polícia brasileira desempenha dois papéis: judiciário e preventivo. A polícia judiciária é encarregada da investigação preliminar, sendo desempenhada nos Estados pela Polícia Civil e, no âmbito federal, pela Polícia Federal. Em regra, a atuação de cada polícia tende a limitar-se ao âmbito de atuação da respectiva Justiça (Federal ou Estadual), mas nada impede que o contrário possa acontecer. (LOPES JR., 2019) A polícia preventiva ou ostensiva, chamada de polícia administrativa, é levada a cabo pelas Polícias Militares dos Estados, que, como regra, não possuem atribuição para realizar a investigação preliminar. O CPP remete à competência para a investigação da existência dos crimes comuns, em geral, a alguns órgãos, qual seja, polícia judiciária. Para Pacelli, (2019) essa autoridade não deveria ser chamada assim, visto que o juiz não investiga nem aproveita o material colhido por ela para o exercício de sua função jurisdicional. A fase de investigação, em regra, é promovida pela polícia judiciária e tem natureza administrativa, sendo realizada antes de a ação penal ser promovida. Então, tem-se a polícia administrativa, cuja natureza é preventiva do ilícito penal e possui uma característica ostensiva, como a Polícia Militar, Federal e o Corpo de Bombeiros Militar. A Polícia Rodoviária Federal é também uma polícia administrativa, ao prevenir acidentes. Nos Estados e Distrito Federal, corresponde à Polícia Civil, enquanto a Polícia Federal é exclusiva da União. Vale ressaltar que a Polícia Civil é subordinada aos governadores dos Estados e do Distrito Federal, e a Federal, ao Presidente da República, ou seja, ambas ao Poder Executivo. Há ainda uma visão de parte da doutrina em que as polícias investigativa e judiciária não se confundem. Caberia à polícia investigativa reunir elementos de informação a respeito de materialidade ou autoria de crimes, ou seja, apurar. Já à polícia judiciária caberia o auxílio ao Poder Judiciário no cumprimento de ordens e diligências. · Polícia Civil (Art. 144, §4º da CF) Em resumo, é encarregada da investigação preliminar de crimes no âmbito estadual, exceto os militares, colhendo depoimentos, responsáveis por realizar as perícias, bem como garantir o cumprimento de mandados judiciais, como busca e apreensão, prisão etc. Essapolícia também tem a função de autorizar a realização de grandes eventos e fiscalizar atividades comerciais locais. É comandada pelo delegado geral, que tem a função de supervisionar, coordenar e planejar as atividades policiais e conduzir as investigações, solicitar medidas protetivas ao juiz e administrar as delegacias. Alguns dos requisitos para a investidura no cargo são formação em Direito, ter realizado concurso público e ter vasto conhecimento da área policial e judicial. · Polícia Federal (Art. 144, §1º da CF) Encarregada da investigação preliminar no âmbito federal, atendendo aos interesses da União com o objetivo de apurar crimes e infrações penais cometidas contra a União e também suas empresas públicas, repressão ao tráfico de drogas, contrabando e descaminho em nível nacional. Ademais, atua como polícia judiciária da União, ou seja, investiga crimes e colhe provas que serão usadas em processos na Justiça Federal. Cabe ressaltar que a Polícia Federal, segundo o Art. 144, §1º, inciso III da CF, poderá exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras, ou seja, é o agente oficial nessas atribuições. Seu trabalho tem semelhanças com o da Polícia Civil, porém esta última possui atribuição em crimes locais. É comandada pelo Ministro da Justiça, indicado pelo Presidente da República. PERGUNTAS: Acerca da segurança pública, assinale a alternativa incorreta: Os municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à apuração de infrações penais, exceto as militares. · De acordo com o art. 144, § 8º da CRFB, os municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei. Marque a alternativa correta acerca dos órgãos de segurança pública: A polícia judiciária tem por função principal a repressão de infrações penais por meio da apuração criminal. · De acordo com o Art. 129 da CRFB/88, a responsabilidade pela segurança pública não é uma atribuição constitucional do MP. Além disso, no que tange às funções da Polícia Federal, também está incluída a função de polícia administrativa (Art. 144, §1º, III CRFB/88). A segurança pública é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através destes órgãos: Polícias Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal, Civis, Militares, Corpos de Bombeiros militares e polícias penais · de acordo com o Art. 144, CRFB/88, em que aponta os órgãos das Polícias Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal, Civis, Militares e Corpos de Bombeiros militares e Polícias Penais Federal, Estaduais e Distrital. Esse último, conforme redação dada pela Emenda Constitucional Nº 104, de 2019. AULA 10: Atividade de Polícia e Atividade de Segurança Privada Poder de Polícia Art. 78 do CTN: Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.” O artigo define o poder de polícia como atividade da administração pública, no seu parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia, quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal. É importante esclarecer que o poder de polícia é diferente de poder da polícia. O primeiro é atribuição da administração pública quando atua na fiscalização, limitação de direitos do particular, incide sobre bens e pode ser executado por vários órgãos da administração direta ou indireta. Há entendimentos de que esse poder só pode ser desenvolvido por uma pessoa jurídica de direito público. Atributos do Poder de Polícia Os atributos do poder de polícia administrativa, quanto ao seu exercício, são: a discricionariedade, a autoexecutoriedade1 e a coercibilidade2. Porém, tais atributos não estão sempre presentes na atuação do poder de polícia, como a discricionariedade, por exemplo. A discricionariedade do exercício do poder de polícia remete à liberalidade do administrador em decidir sobre a conveniência e oportunidade de agir, ou seja, de decidir acerca das circunstâncias do uso de tal prerrogativa. Finalidades do Poder de Polícia A finalidade da intervenção através do poder de polícia é a proteção dos interesses coletivos, o que remete ao próprio fundamento desse poder, ou seja, se o interesse público é o fundamento inspirador dessa atuação do Estado, há de constituir alvo dela a proteção do mesmo interesse. Desse modo, a intervenção do Estado no conteúdo dos direitos individuais somente se justifica pela finalidade que deve sempre nortear a ação dos administradores públicos, que é o interesse da coletividade. Limites do Poder de Polícia A intervenção do Estado nos direitos individuais somente se justifica ante a finalidade que deve sempre nortear a ação dos administradores públicos, qual seja, o interesse da coletividade. O interesse social em conjunto com os direitos fundamentais do indivíduo, assegurados na Constituição da República em seu Art. 5º, é o que demarca os limites do poder de polícia. (MEIRELLES, 2012 Por essa razão, mesmo que o ato de polícia seja discricionário e extenso, ele esbarra em algumas limitações impostas pela lei quanto à competência e à forma, aos motivos ou ao objeto. Isto equivale a dizer que o poder de polícia não deve ir além do necessário para a satisfação do interesse público. Logo, o limite da discricionariedade do poder de polícia é agir dentro dos limites da lei, respeitando os direitos individuais e coletivos. Uso da Força na Atividade de Polícia O uso da força no poder de polícia é uma prerrogativa de quem ocupa cargo público, de acordo com a lei, a moral, a finalidade e o interesse público. Esse uso deve, claro, ser moderado, proporcional e necessário à coerção do particular a fim de sanar a situação que ocorre. Abuso do Poder de Polícia O abuso de poder ocorre quando a autoridade, que é competente para praticar o ato de coerção, ultrapassa os limites de suas atribuições ou se desvia das finalidades administrativas que lhes são conferidas. É um ato ilícito e se apresenta ostensivo como a truculência e, por vezes, encoberto na aparência dos atos legais. Em qualquer um desses aspectos, o abuso de poder é sempre uma ilegalidade que anula o ato que o contém. O uso do poder é lícito, e o abuso é sempre ilícito. É por meio desse entendimento que todo ato abusivo é nulo, por excesso ou desvio de poder. (MEIRELLES, 2012) O abuso de poder pode se manifestar de duas maneiras: 1 Excesso de poder Caso em que o agente público atua além de sua competência legal. 2 Desvio de poder (ou finalidade) em que o agente público atua contrariamente ao interesse público, desviando-se da finalidade pública. Atividade de Polícia e Aplicabilidade na Segurança Privada A segurança privada é diferente da pública, porém, em determinado momento, no Brasil, aquela se aproximou muito desta, quando foi regulada pelo Decreto-Lei 1.034/69. Nesse contexto, não existia proibição legal de policiais exercerem atividades de vigilância, ficando livres para atuarem na vigilância de instituições financeiras, tendo as mesmas prerrogativas que os policiais. Assim, podiam realizar revistas pessoais e tantas outras características relacionadas ao poder de polícia da administração pública. Entretanto, uma lei federal revogou o decreto, estabelecendo critérios claros sobre a segurança privada. PERGUNTAS: De acordo com a Constituição Federal, a segurança pública é dever do Estado, por meio dos seguintes órgãos: Polícia Federal, que tem como uma das funções prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãospúblicos nas respectivas áreas de competência. · De acordo com o Art. 144, §1º, inciso II da CRFB/88, a segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através de órgãos como a Polícia Federal. Esta, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União, destina-se a prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. No que tange às polícias administrativa e judiciária, marque a alternativa correta: A polícia administrativa é considerada uma polícia preventiva, e a judiciária, repressiva. · Segundo entendimento doutrinário, a polícia administrativa é também chamada de polícia preventiva e tem como função evitar atos que lesionem os bens individuais e coletivos. A polícia judiciária é também chamada de polícia repressiva e tem como principal função punir quem pratica os atos infracionais. De acordo com a Lei 13.869/2019, que define os crimes de abuso de autoridade cometidos por agente público (servidor ou não) no exercício de suas funções (ou a pretexto de exercê-las), é correto afirmar que: É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território. · Conforme Art. 2º, inciso I da Lei 13.869/2019, é considerado sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreendendo, mas não se limitando, a servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas. image6.png image7.png image8.png image9.jpeg image1.png image2.png image3.png image4.png image5.pngde direitos fundamentais (art. 5º, LVI da CF). Daí por que não se pode tentar esclarecer um fato forçando-se a confissão com tortura. Essa confissão, se obtida dessa forma, é ilícita e, portanto, inválida. Princípio do nemo tenetur se detegere (ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo) É um desdobramento do famoso direito ao silêncio (art. 5º, LXIII da CF). O direito ao silêncio é a garantia que todo indivíduo tem de permanecer calado diante de uma acusação, sendo que essa postura não pode ser interpretada em seu desfavor. Não vale aqui o brocardo “quem cala consente”. Se o indivíduo pode permanecer em silêncio, como desdobramento lógico desse direito e da presunção de inocência, tem-se que ninguém também pode ser forçado a produzir prova contra si mesmo. Essa é uma importante limitação na apuração dos fatos, de sorte que você não pode obrigar ninguém a fazer prova contra ela mesma na sua atuação profissional, sob pena de essa prova ser considerada ilícita (inválida). Princípio da proporcionalidade Encontra fundamento no Art. 5º, LIV da CF, na vertente substancial. Todas as medidas estatais devem ser adequadas, necessárias e proporcionais. Adequada significa aptas a atingirem os efeitos almejados, necessária representa a única maneira que o Estado tem para conseguir aquilo. Por fim, proporcional em sentido estrito representa análise de ônus X bônus na adoção daquela medida. PERGUNTAS: Ao longo do tempo, os sistemas processuais penais tradicionalmente vêm sendo classificados como inquisitivo, acusatório e misto. A definição da classificação considera as principais características do processo penal e os princípios que o informam. Considerando as previsões constitucionais e do Código de Processo Penal, o sistema processual penal brasileiro pode ser classificado como: Acusatório, primordialmente, de modo que não pode o magistrado decretar prisão preventiva, em nenhuma fase processual, de ofício, sem representação do Ministério Público ou da autoridade policial simples. · (O sistema é o acusatório, em que há separação entre o órgão acusador e julgador, e o juiz não tem liberdade para determinar de ofício a produção de provas e não pode decretar a prisão preventiva de ofício durante as investigações, e agora nem mesmo durante o processo, de acordo com a nova lei de nº 13.964/19. Esta também deixa explícita, no CPP, a adoção do sistema acusatório) Acerca dos princípios penais constitucionais e do Direito Processual Penal à luz da CRFB, julgue os itens a seguir: São princípios processuais penais expressos na CRFB a presunção de inocência, o devido processo legal e a ampla defesa. O direito processual penal compreende o conjunto de normas jurídicas destinadas a regular o modo, os meios e os órgãos do Estado encarregados do exercício do jus puniendi. O procedimento comum é o mais aplicado no processo penal e poderá ser ordinário, sumário ou sumaríssimo. · A afirmativa está correta, pois está de acordo com o Art. 5º da CRFB, que versa sobre o direito a não ser condenado antes do trânsito em julgado de sentença penal, assim como ninguém será privado da liberdade sem o devido processo legal e o direito de defesa que o réu faz jus, exercido pelo defensor do acusado. está correta, pois traz um dos objetivos do processo penal que, através dos seus órgãos, concretizam a pretensão punitiva está correta também, de acordo com o Art. 394 do CPP. A respeito dos princípios processuais penais, é correto afirmar que: O direito ao silêncio, que está previsto na Constituição da República, de acordo com entendimento doutrinário, é um direito exercido pelo acusado de omitir-se ou permanecer em silêncio durante interrogatório. · O direito ao silêncio é garantido ao acusado, em qualquer fase da persecução penal e decorre de um princípio garantidor muito maior do nemo tenetur se detegere. O juiz, antes de iniciar a audiência, esclarece que o réu pode permanecer em silêncio e não sofrerá prejuízos por esse ato. AULA 2: Ciclo de Polícia e Ciclo de Persecução Criminal; Investigação Ciclo de Polícia e Ciclo de Persecução Criminal O Estado, para cumprir sua tarefa de reprimir a criminalidade, criou seus órgãos próprios (Art. 144 da CF). Cada um cumpre uma função específica para o combate à criminalidade. O Estado criou o Ministério Público (MP), outorgando-lhe a tarefa de propor ações penais nos casos previstos em lei. Criou também a Polícia, outorgando-lhe as funções de garantir a ordem pública e investigar os fatos tidos como criminosos. Criou ainda o Poder Judiciário para julgar, cabendo somente a ele esse poder. A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar são bons exemplos de órgãos policiais que atuam naquela fase. Há também a atuação repressiva, destinada a investigar delitos, de sorte que suas atuações ocorrem após a infração penal. A Polícia Civil e a Polícia Federal são bons exemplos desse tipo de atuação. De qualquer forma, essa divisão em ciclos é didática e pode auxiliar você na compreensão da matéria, mas lembrando que atualmente os órgãos que atuam na fase preventiva têm reservado uma parte de seus integrantes para atuar na fase repressiva e vice-versa. 1 Polícia Administrativa: Polícia Aduaneira e Polícia Rodoviária. Tem caráter preventivo, e o objetivo é impedir a prática de atos lesivos a bens individuais e coletivos; (CAPEZ, 2019) 2 Polícia de Segurança: Polícia Militar. É uma polícia preventiva que existe para inibir a criminalidade. Tem a função precípua de evitar a ocorrência de delitos e intervir de imediato para fazer cessá-la. O policiamento ostensivo, armado, tem como uma das características marcantes a discricionariedade, ou seja, o poder de intervir no momento dos conflitos sem pedir autorização a ninguém (juiz). Quando a polícia de segurança não consegue evitar a ocorrência do delito, entra em cena a Polícia Civil, que é judiciária; 3 Polícia Judiciária: Polícia Civil e Polícia Federal. Tem a função de investigar de forma circunstanciada, esclarecendo o fato criminoso. Essa investigação é feita por inquérito policial. Conforme o caput do Art. 144 da CF, a segurança pública é dever do Estado e direito e responsabilidade de todos. Seu objetivo é preservar a ordem pública e a incolumidade (segurança) das pessoas e do patrimônio que não tangem à competência da União. Então, é necessário, antes que haja uma investigação sobre o fato, colher provas mínimas que autorizem a propositura de uma ação penal contra o suspeito e, ao fim, comprovada a culpa dele, haverá uma condenação. Esse é o chamado ciclo de persecução penal, que envolve todos os sujeitos processuais já mencionados na nossa aula anterior (autoridade policial, acusação, defensor, juiz e réu). É certo que muitas vezes a lei permite que um caso criminal seja solucionado sem observância daquele ciclo de persecução penal. Em determinados tipos de infrações penais, normalmente aqueles de menor gravidade (seja em razão da quantidade da pena ou por características do delito, por exemplo, sem violência ou grave ameaça) e quando características pessoais do suspeito permitirem (sem antecedentes criminais ou sem personalidade voltada ao crime, por exemplo), a lei admite a chamada justiça penal negociada. Ou seja, uma espécie de acordo entre o Ministério Público e o suspeito, no qual este cumpre determinadas condições e, em troca, pode deixar de ser processado (Art. 76 da Lei 9.099/95 e 28-A, §2º do CPP) ou ter seu processo suspenso com posterior extinção do direito de punir do Estado, caso o acordo seja cumprido (Art. 89 da Lei 9.099/95). Investigação Criminal e Inquérito Policial A investigação criminal pode ser entendida como um procedimento destinado ao esclarecimento de um fato criminoso, sua autoria e circunstâncias em que foi praticado. O procedimento que mais conhecemos é o inquérito policial, mas ele não é o único. A conhecida Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI também pode ser uma forma de investigação criminal quando o seu objeto for um fato criminoso, assim como um procedimento administrativo fiscal aberto para investigarsonegação fiscal e também os chamados Procedimentos de Investigação Criminal - PIC instaurados pelo MP para investigar alguns delitos. Procedimento administrativo inquisitório e preparatório consistente em um conjunto de diligências realizadas pela polícia investigativa para apuração da infração penal e de sua autoria, presidido pela autoridade policial a fim de fornecer elementos de informação para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.” - ANTUNES; MISAKA, 2020, p. 204 Desse conceito, podemos extrair as principais características do inquérito policial: Instrumental é um instrumento de investigação preliminar para esclarecer o fato criminoso e sua autoria, evitando-se também acusações infundadas (sem o mínimo de provas); Dispensável embora importante, desde que o autor da ação penal já reúna elementos de prova mínimos da existência de um delito e da sua autoria, ele não precisa se basear em um inquérito policial. Este será indispensável quando for necessário esclarecer-se o fato criminoso e sua autoria antes da propositura da ação penal; Sigiloso na forma do Art. 20 do CPP, a autoridade irá assegurar no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Muitas vezes, o sigilo é essencial para esclarecer os fatos, evitando-se por exemplo que o suspeito tome medidas para dissipar provas importantes. E quem pode ter acesso ao inquérito? Os agentes policiais que nele estão atuando, o Ministério Público e o juiz. E o suspeito? Devemos lembrar a súmula vinculante nº 14 do STF: Pelo teor da súmula, o suspeito e seu advogado podem saber o conteúdo das provas já produzidas no inquérito policial, mas não aquelas diligências que ainda estão em andamento. Isso é intuitivo, pois não teria sentido que o suspeito soubesse que seu telefone está interceptado ou que a polícia vai cumprir um mandado de busca na sua casa amanhã, por exemplo. Se o suspeito souber disso antes que ocorra, a medida pode se tornar ineficaz; Inquisitivo o inquérito é um procedimento sem o mesmo grau de contraditório e ampla defesa da ação penal. Nele não há obrigatoriedade de assistência por advogado, e o suspeito ou o advogado podem sugerir diligências (Art. 14 do CPP), ficando ao prudente arbítrio da autoridade policial aceitar ou não; Hoje há uma ressalva a isso no art. 14-A, do CPP, nos casos de inquérito policial contra agente de segurança pública com o objetivo de investigar o uso de força letal no exercício da sua profissão. Nesse caso, ele deve ser assessorado por um defensor que ele constituir ou nomeado pelo órgão a que ele pertencer; Informativo as provas colhidas no inquérito policial se prestam a formar o convencimento do Ministério Público quanto à necessidade ou não de propor uma ação penal contra o suspeito. Uma vez que não há pleno exercício do contraditório e da ampla defesa sobre aquelas provas, elas por si sós não podem basear uma futura condenação contra o réu (Art. 155 do CPP). Daí por que se diz que aquilo que foi produzido no inquérito policial são elementos de informação para o autor da ação penal, e não provas para condenação. O Art. 5º do CPP nos diz quais são as formas de se instaurar um inquérito policial, e isso tem ligação com o tipo de futura ação penal. Nos crimes de ação penal privada, a instauração depende de pedido do ofendido (Art. 5º, §5º do CPP); a autoridade policial não pode instaurar de ofício, ou seja, sem esse pedido. Já no caso de ação penal pública condicionada, na forma do Art. 5º, §4º do CPP, é preciso também a representação do ofendido ou a requisição do Ministro da Justiça em crimes desta natureza (Por exemplo: Art. 141, I e 145, § único do Código Penal). Quando o crime for de ação penal pública incondicionada, há mais liberdade para o Estado agir. O inquérito policial pode ser instaurado a pedido do juiz (Art. 5º, II do CPP), do Ministério Público (Art. 5º, II do CPP), do ofendido, de qualquer pessoa (Art. 5, §3º do CPP) ou de ofício pela autoridade policial ao tomar conhecimento de um delito cuja investigação seja de sua atribuição. Ele pode tomar conhecimento pelo auto de prisão em flagrante, boletim de ocorrência ou até por noticiários. Destaque-se que, quando o juiz ou o Ministério Público requisitam a instauração de inquérito policial, a autoridade policial deve instaurá-lo. Nos demais casos, há maior liberdade para a autoridade policial em decidir ou não pela instauração. O prazo para o encerramento do inquérito policial, por regra, será de dez dias se o suspeito estiver preso e de 30 dias se solto (Art. 10 do CPP). É possível que a autoridade policial solicite ao juiz a prorrogação do prazo de conclusão, desde que justifique as diligências que ainda faltam ser realizadas (Art. 10, §3º do CPP). Nos inquéritos da Polícia Federal, os prazos são: 15 dias para réu preso e 30 dias para solto. Cuidando-se de investigação de tráfico de drogas, o prazo é de 30 dias para réu preso e de 90 dias para suspeito solto. Em qualquer hipótese de tráfico de drogas, há possibilidade de duplicarem-se os prazos (Art. 51 da Lei 11.343/2006). Esgotadas todas as diligências investigativas ou transcorrido o prazo para conclusão do inquérito policial, a autoridade policial deve fazer um relatório de tudo (Art. 10, §1º do CPP) e encaminhar o inquérito para o Poder Judiciário, que por sua vez possibilitará ao Ministério Público a manifestação sobre ele. Nesse momento, o Ministério Público pode adotar uma das seguintes posturas: a) Requerer a realização de novas diligências, apontando-as e justificando a sua necessidade (Art. 16 do CPP); b) Oferecer a ação penal (denúncia) contra o suspeito; c) Promover o arquivamento do inquérito policial (Art. 17 do CPP). Caso o juiz concorde com o pedido de novas diligências, o inquérito retornará ao delegado para a realização delas (Art. 13, II do CPP). Se o Ministério Público oferecer a ação penal, terá início a fase processual. Já se o juiz concordar com o pedido de arquivamento do inquérito policial, este será encerrado e arquivado, apenas podendo ser reaberto se novas provas surgirem (Art. 18 do CPP). Interessante que, uma vez arquivado pela autoridade judiciária, não há recurso contra esta decisão, por exemplo; mesmo que a vítima discorde, o inquérito será arquivado. É possível também que o juiz discorde do pedido de arquivamento do inquérito policial. Aí ele aplicará o Art. 28 do CPP, remetendo o procedimento ao Procurador-Geral de Justiça (Ministério Público Estadual) ou Câmara de Coordenação e Revisão (Ministério Público Federal), que são os órgãos superiores do Ministério Público para análise da manifestação de arquivamento. Se o Procurador-Geral de Justiça ou a Câmara concordarem com o arquivamento, isso ocorrerá mesmo com a discordância do juiz. Se aqueles órgãos concordarem com o juiz, eles designarão outro membro do Ministério Público para oferecer a ação penal no lugar daquele que pediu o arquivamento. PERGUNTAS: Assinale a alternativa que apresenta uma descrição correta do inquérito policial: É presidido pelo delegado de polícia, no âmbito da Polícia Civil, e pelo delegado federal, no âmbito da Polícia Federal. · Conforme o Art. 4º do CPP, cabe ao delegado de polícia e ao delegado federal, ambos em seu âmbito, liderar o inquérito policial. Entretanto, a lei pode limitar essa atuação de acordo com o assunto ou a localização. Tício está sendo investigado pela prática do delito de roubo simples, tipificado no Artigo 157, caput do Código Penal. Concluída a investigação, o delegado titular da 41ª Delegacia Policial envia os autos ao Ministério Público, a fim de que este tome as providências que entender cabíveis. O Parquet, após a análise dos autos, decide pelo arquivamento do feito, por faltas de provas de autoria. A vítima ingressou em juízo com uma ação penal privada subsidiária da pública, que foi rejeitada pelo juiz da causa, que, no caso acima, agiu: Corretamente, já que a Lei Processual não admite a ação penal privada subsidiária da pública nos casos em que o Ministério Público não se mantém inerte.· Somente é cabível a ação penal privada subsidiária da pública nas hipóteses em que o Ministério Público fique inerte. Quando requer o arquivamento, ele não fica inerte. Daí por que incabível a ação penal privada subsidiária da pública, de acordo com Art. 29 do CPP. Sobre o inquérito policial, controle externo da atividade policial e poder investigatório do Ministério Público, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa incorreta: O membro do “Parquet”, com atuação na área de investigação criminal, pode avocar a presidência do inquérito policial, em sede de controle difuso da atividade policial. · A única autoridade apta a instaurar e presidir o inquérito policial é a autoridade policial, ou seja, o delegado de polícia (CPP, Art. 4º). Promotor não instaura, preside ou avoca inquérito policial. Quando realiza investigação criminal, o MP instaura um “procedimento investigatório criminal” (PIC), cujas diretrizes são fixadas na Resolução 181/2017 do CNMP. Lembrar: investigação criminal (gênero) não é atividade privativa da autoridade policial, mas o IP (espécie) sim. Sobre a persecução penal, assinale a alternativa incorreta: O Ministério Público não pode oferecer denúncia com base em peças de informação, mesmo se estas forem suficientes para indicar elementos de autoria e materialidade de determinado fato típico, sendo necessário requisitar a instauração de inquérito policial. · A finalidade principal do inquérito policial é a reunião de indícios de autoria e da prova de materialidade; entretanto é um procedimento totalmente dispensável. Portanto, se o Ministério Público não tem dúvidas acerca desses elementos, pode oferecer denúncia. Considere a seguinte situação: Gerson está respondendo a procedimento investigatório, conduzido por delegado de Polícia Civil. Em meio à investigação, foi decretado sigilo do inquérito policial para assegurar as investigações. Levando em conta este caso hipotético, é correto afirmar que: Ainda que tenha sido decretado o seu sigilo, o advogado poderá examinar os autos do inquérito policial. · Súmula vinculante 14-STF: é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Marque a assertiva incorreta acerca da investigação no processo penal: A condução da investigação criminal cabe ao delegado de polícia e ao promotor de justiça, que têm autoridade policial e procederão à investigação criminal por meio de inquérito policial ou, ainda, se utilizar de outro procedimento legalmente previsto, com a finalidade de apurar nas infrações penais suas circunstâncias, sua materialidade e sua autoria. · A alternativa deve ser assinalada porque, conforme o Art. 2, §1 da lei 12.830/13, é o delegado de polícia que tem autoridade policial, e não o promotor de justiça, que não é autoridade policial. Atente para a correção do que é exposto na alternativa c, pois ainda que caiba à PM a função de polícia administrativa, e, nos casos que lhe cabe a apuração de crimes militares, em diversos estados da federação existem resoluções da Secretaria de Segurança Pública autorizando a PM a proceder a realização de termos circunstanciados de ocorrência. Conforme concepção moderna, o inquérito policial: Não poderá acompanhar a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. · A depender do vício, poderá o IP acarretar a nulidade do procedimento processual. Exemplo: se uma ação penal for baseada única e exclusivamente em uma confissão que foi obtida mediante tortura. Marque a alternativa que apresenta afirmação correta sobre a investigação criminal: A inteligência tem como objetivo a produção de conhecimento e investigação criminal se orienta pelo modelo de persecução penal que encontra previsão e regulamentação em norma processual própria, portanto, a investigação criminal não se confunde com a inteligência. · Conceito trazido pela doutrina nacional de inteligência de segurança pública. Ao tomar conhecimento da prática de uma infração penal, caberá à autoridade policial: Dirigir-se ao local, onde deve providenciar para que não se alterem o estado e a conservação das coisas até a chegada dos peritos criminais. Proceder a diligências, no sentido de apurar as circunstâncias do fato criminoso e identificar a autoria provável. · A afirmativa I encontra previsão no inciso I do Art. 6º do CPP. Já a afirmativa III fala que a autoridade policial deve proceder a diligências como: apurar as circunstâncias do fato criminoso e identificar a autoria provável que são, indiretamente, as diligências que devem ser executadas pela autoridade policial. (Art. 6º, caput) AULA 3: Termo circunstanciado e os Juizados Especiais Criminais da Lei número 9.099/95 A Constituição Federal e os delitos de menor potencial ofensivo O que seria uma infração penal de menor potencial ofensivo? A Constituição Federal utilizou a expressão infração penal de menor potencial ofensivo, mas não disse o que era. Você saberia dizer? Ela delegou ao legislador o conceito, e o Art. 61 da Lei 9.099/95 definiu infração de menor potencial ofensivo como as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, cumulada ou não com multa. As contravenções penais estão previstas no Decreto-Lei Nº 3.688/41 e são espécies do gênero delito ou infração penal. Em essência, essas contravenções não se diferem dos crimes, mas os dois não se confundem. O Art. 1º, da Lei de Introdução ao Código Penal, faz a distinção pelo tipo de pena: a contravenção penal é punida com pena de prisão simples ou de multa, ao passo que o crime é punido com pena de reclusão ou detenção, isolada ou cumulativamente, com multa. É possível que alguns delitos tenham pena máxima inferior a dois anos, mas não sejam considerados de menor potencial ofensivo pelo legislador. Exemplo Isso ocorre, por exemplo, com os crimes que envolvam violência doméstica e familiar contra a mulher, pois o Art. 41 da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) expressamente excluiu a incidência da Lei 9.099/95 àqueles delitos. Princípios reitores do Juizado Especial Criminal O Art. 2º da Lei 9.099/95 definiu os princípios que devem nortear o procedimento sumaríssimo: “o processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação”. Termo circunstanciado Nos termos do Art. 69 da Lei 9.099/95, o termo circunstanciado é mais parecido com um boletim de ocorrência. É lavrado na hora pela autoridade policial que colhe todas as versões dos envolvidos (vítima, autor do fato, testemunhas etc.), e o expediente remete ao Juizado Especial Criminal. Para que você tenha ideia dessa celeridade e simplicidade, em caso de crime de lesões corporais, a autoridade policial não precisa sequer providenciar o exame de corpo de delito da vítima. Basta que anexe um boletim médico ou documento equivalente (Art. 77, §1º da Lei 9.099/95). Pelo texto legal, a autoridade policial competente para lavrar o termo circunstanciado é o delegado de polícia. Contudo, sempre norteados pelos princípios da informalidade, celeridade e economia processual Da audiência preliminar A vontade do legislador era de que o termo circunstanciado fosse lavrado logo após a ocorrência do delito e remetido em seguida para a Justiça. Assim, no mesmo dia já seria realizada a audiência preliminar. Contudo, sabendo que muitas vezes isso não é possível, seja pelo volume de ocorrências policiais ou pela quantidade de casos para agendar audiência, o Art. 70 da Lei 9.099/95 facultou a possibilidade de agendar essa audiência para outra data próxima. A essa altura você está se perguntando: o que é essa audiência preliminar? A resposta está no Art. 72 da Lei 9.099/95. No procedimento desta lei, prestigia-se a solução consensual do caso, seja por meio de uma composição civil ou pela transação penal. Então, essa audiênciapreliminar se destina a isso: tentar uma composição civil ou uma transação penal. Composição civil Exemplo: ficou com seu carro danificado com o acidente, quebrou seu aparelho celular durante a agressão etc. Nesses casos, pensando nos interesses da vítima em ser ressarcida, a lei admite que o autor do fato e a vítima cheguem a um acordo de composição dos danos. A vantagem desse acordo para a vítima é que poderá ter seu prejuízo financeiro ressarcido, ao passo que, para o autor do fato, em determinados crimes, pode importar em cessação do direito do Estado de puni-lo (Art. 73 e 74 da Lei 9.099/95). Transação penal Não sendo possível a composição civil e não sendo o caso de arquivamento do termo circunstanciado, ainda naquela audiência preliminar, será tentada a solução consensual por meio da transação penal (Art. 76 da Lei 9.099/95). Ela é um acordo entre o órgão acusador e o réu para evitar a instauração do processo penal. Não é admitida a transação penal quando ficar comprovado que: · O autor do fato já foi condenado pela prática de crime anterior, de forma definitiva, com pena de prisão; · O autor do fato já foi beneficiado por transação penal há menos de cinco anos; · Os antecedentes, a conduta social e a personalidade do autor do fato, ou os motivos e as circunstâncias da infração penal, não recomendam a transação penal. A transação penal é um acordo; por isso, não basta ser cabível. As duas partes (autor do fato e Ministério Público) devem aceitar realizar esse acordo. Caso seja cabível a transação, mas o Ministério Público (MP) se recuse injustificadamente a oferecer a proposta, deve-se usar o Art. 28 do CPP por analogia, assim como na questão do pedido de arquivamento do inquérito policial, como você deve se recordar. A aceitação da proposta pelo autor do fato não implica confissão e não será anotada em sua ficha de antecedentes criminais, a não ser para impedir a concessão de nova transação penal no prazo de cinco anos, como vimos (Art. 76, §§4º e 6º da Lei 9.099/95). Caso o autor do fato não cumpra as condições estipuladas no acordo, ele será rescindido, e o Ministério Público irá propor a ação penal contra ele (súmula vinculante nº 35 do Supremo Tribunal Federal- STF). Se estivermos diante de um crime de ação penal privada, também é possível a transação penal; contudo quem irá propô-la é o querelante (a vítima do crime), segundo entendimento do STF (RHC 102.381/BA, Rel. Ministro Felix Fischer, quinta turma, julgado em 09/10/2018, DJe 17/10/2018). Destaque-se que o autor do fato deve estar assistido por um advogado, constituído por ele ou nomeado pelo juiz, para aceitar a proposta de transação penal, sob pena de nulidade. Fase judicial Em caso de ação penal privada, conforme previsão do Art. 77, §3º da Lei 9.099/95, quem irá oferecer a queixa-crime é a vítima, seu representante legal ou os sucessores legitimados (art. 31 do CPP). Oferecida a denúncia ou a queixa-crime, oral ou escrita, o acusado será citado e cientificado a comparecer na audiência de instrução e julgamento, devendo ele trazer suas testemunhas ou apresentar requerimento para a intimação delas no mínimo cinco dias antes da data agendada (Art. 78, §1º da Lei 9.099/95). As testemunhas indicadas pela acusação e defesa serão notificadas a comparecer na mencionada audiência. É possível que, por algum motivo justificado (necessidade de alguma diligência, algum problema no computador da sala de audiências etc.), o juiz delibere por converter os debates orais em memoriais. Nesse caso, em vez de fazer suas alegações finais de forma oral, as partes irão apresentar por escrito suas considerações. São os chamados memoriais. Em seguida, o juiz também prolatará a sentença de forma escrita. Contra a decisão do juiz que rejeita a peça acusatória (denúncia ou queixa-crime) e contra a sentença de mérito (absolvendo ou condenando), cabe recurso de apelação com prazo de dez dias a contar da intimação da decisão (Art. 82 da Lei 9.099/95). Esse recurso de apelação será julgado por uma turma composta por três juízes (Art. 82 da Lei 9.099/9 Suspensão condicional do processo A suspensão condicional do processo é o acordo entre as partes para suspender o andamento do processo, desde que o acusado cumpra determinadas condições por um período de tempo. Cumprido, haverá a extinção da punibilidade. Sendo cabível a suspensão condicional do processo, ela será proposta pelo Ministério Público nos crimes de ação penal pública e pelo querelante nos delitos de ação penal privada. As condições desse acordo estão no Art. 89, §1º da Lei 9.099/95: · 1 Reparar o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; · 2 Proibição de frequentar determinados lugares; · 3 Proibição de ausentar-se da comarca onde reside sem autorização do juiz; · 4 Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. O acusado deverá cumprir essas condições por um prazo de dois a quatro anos. Transcorrido o prazo, será extinta a punibilidade (Art. 89, §5º da Lei 9.099/95). Se, durante o prazo, houver descumprimento das condições pelo acusado, o benefício poderá ser revogado, e o processo seguirá seu curso normal (Art. 89, §§3º e 4º da Lei 9.099/95). PERGUNTAS: Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação que identifica corretamente a relação entre o procedimento sumaríssimo e a Constituição Federal: O Art. 2º da Lei 9.099/95 definiu os critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade como princípios norteadores do procedimento sumaríssimo. · A alternativa deve ser assinalada porque a Constituição Federal utilizou a expressão infração penal de menor potencial ofensivo, mas foi o legislador que estabeleceu o seu conceito, no Art. 61 da Lei 9.099/95. Também coube ao legislador a definição dos seus princípios; o Art. 2º da Lei 9.099/95 definiu assim os princípios que devem nortear o procedimento sumaríssimo: “o processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação”. Pedro, plenamente capaz, apresentou queixa-crime contra Paulo, igualmente capaz, alegando ter sido vítima de injúria. No juízo criminal, realizada audiência preliminar, não concordaram as partes em conciliar. Ato contínuo, foi oferecida representação por parte de Pedro e apresentada pelo Ministério Público proposta de transação penal, a qual foi integralmente aceita por Paulo. Assim, ante a transação penal realizada, restou Paulo obrigado a pagar o valor correspondente a uma cesta básica em favor de entidade de cunho assistencial, a ser designada pelo juízo. Considerando este caso e o que estabelece a Lei 9.099/95 em relação à transação penal no contexto do processo sumaríssimo, assinale a alternativa correta: Com transação penal e aplicação da pena restritiva de direitos imposta pelo juiz a Paulo, a mesma não importará em reincidência e não terá efeitos civis. · Segundo o Art. 76, §§ 4º e 6º da Lei 9099/95, acolhendo a proposta feita pelo MP, o juiz aplicará pena restritiva de direitos que não importará reincidência, e a imposição dessa sanção não constará de certidão de antecedentes criminais e não terá efeitos civis, cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível. Assim, a pena restritiva imposta a Paulo não gera reincidência e não terá efeitos civis de reparação do dano. Diante da ocorrência de uma infração de menor potencial ofensivo, assinale a alternativa correta para a conduta da autoridade em relação ao termo circunstanciado: A autoridade que tiver conhecimento da ocorrência do fato lavrará o auto de prisão em flagrante se presentes as circunstâncias que autorizem a prisão nos termos do Art. 302 do CPP. · Segundo a Lei 9.099/95, em seu art. 69, a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames necessários. Flávio, motorista de táxi, dirigia seuauto por via estreita, que impedia ultrapassagem de autos. Túlio, septuagenário, seguia com seu veículo à frente do de Flávio, em baixíssima velocidade, causando enorme congestionamento na via. Quando Túlio parou em semáforo, Flávio desceu de seu táxi e passou a desferir chutes e socos contra a lataria do auto de Túlio, danificando-a. Policiais se acercaram do local e detiveram Flávio, que foi conduzido à delegacia de polícia. Lá, o delegado entendeu que o crime era de dano, com pena de detenção de um a seis meses ou multa. Iniciou a lavratura do termo circunstanciado, previsto na Lei Nº 9.099/95. Ao finalizá-lo, entregou a Flávio para que assinasse o termo de comparecimento ao Juizado Especial Criminal, o que foi por ele recusado. Indique o procedimento a ser adotado: Considerando que ocorrera prisão em flagrante, ante a não assinatura do termo de comparecimento ao Jecrim, deve o delegado de polícia lavrar auto de prisão em flagrante, fixando fiança. · Praticada uma infração penal de menor potencial ofensivo, caso o infrator seja preso em flagrante, deverá ser conduzido à delegacia de polícia do local do fato, a fim de que o delegado lavre o termo circunstanciado e o infrator o assine. No entanto, caso se recuse a assinar, o delegado de polícia está autorizado a lavrar o auto de prisão em flagrante, conforme interpretação a contrario sensu do Art. 69, parágrafo único da Lei 9.099/95. De acordo com a Lei 9.099/95 e com o entendimento doutrinário e jurisprudencial dominantes, assinale a alternativa correta em relação à proposta de transação penal: É cabível nos crimes de ação penal privada, caso não haja prévia composição dos danos cíveis. · É perfeitamente possível a transação penal nos crimes de ação penal de iniciativa privada, sendo incumbência do querelante apresentar a proposta. Para que exista a transação, é necessário não ter ocorrido a prévia composição dos danos civis, situação essa que, se presente, acarretaria à renúncia ao direito de queixa crime. Considere as afirmativas abaixo em relação à fase preliminar do processo do Juizado Especial Criminal: A conciliação será conduzida pelo juiz ou por conciliador sob sua orientação. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários. · A afirmativa II está correta com base no Art. 73, que aduz: “A conciliação será conduzida pelo Juiz ou por conciliador sob sua orientação.” E a afirmativa IV está correta com base no Art. 69 da Lei 9099/95 que afirma: “A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.” Em relação aos Juizados Especiais Criminais, é correto afirmar que: Não cabe recurso especial contra decisão proferida por turma recursal, competindo a esta, porém, processar e julgar mandado de segurança contra ato de juizado especial. · Segundo a Súmula 376 do STJ: “Compete à turma recursal processar e julgar o mandado de segurança contra ato de juizado especial” e a Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. A aplicação imediata da pena restritiva de direitos ou multa, conhecida como “transação penal”, tal qual prevista no Art. 76, parágrafo 2° da Lei n° 9.099/95, não será admitida se ficar comprovado: Não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida. · Um dos requisitos subjetivos para a concessão da transação penal, conforme a lei em seu art. 76, §2º, inciso III, é não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida. Assinale a alternativa correta quanto ao procedimento no Jecrim: A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência, envolvendo infração penal de menor potencial ofensivo, lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários. · A alternativa está de acordo com o Art. 69 da Lei dos Juizados, que dispõe: “A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários”. AULA 4: Ação penal: Finalidade, classificação, titularidade e prazos Conceito de ação penal A ação penal, disposta no Título VII do Código Penal (CP) e no Título III do Código de Processo Penal (CPP), é um direito abstrato, autônomo, subjetivo e público da vítima ou do Estado-acusador de acionar o Poder Judiciário para que este se pronuncie sobre um fato delituoso. Por que direito abstrato, autônomo, subjetivo e público? Abstrato Porque o exercício da ação penal não depende da procedência ou da improcedência da pretensão acusatória. Autônomo Porque, apesar de ser atrelado ao direito material tutelado ou que se pretende tutelar, não pode se confundir com ele. Subjetivo Porque o Estado-Juiz será exigido de atividade jurisdicional concreta. Público Porque a regra é que a ação penal será pública e as exceções estarão expressas na lei (CRUZ, 2009). Finalidade da ação penal É pela ação penal que o direito penal objetivo pode ser aplicado a determinado caso concreto. E é por meio dela que o Estado-Administração exerce o direito público subjetivo ao pleitear ao Estado-Juiz a referida aplicação do direito penal objetivo. A regra geral é que a ação penal tem a utilização a cargo do Estado, com legitimação ativa deste. Também segue essa regra a fase pré-processual da persecução penal, em sua maioria, aos crimes comuns. O inquérito pode ser dispensável para a propositura da ação penal, pois é possível que a acusação utilize quaisquer outros elementos informativos. Titularidade O artigo 129, inciso I, da CF é claro: cabe exclusivamente ao Ministério Público a propositura da ação penal pública. O mesmo instrumento jurídico traz uma exceção, nos casos em que a ação penal pública não for promovida dentro do prazo legal, restando a ação privada. A titularidade da ação penal ainda é do Ministério Público, mas exige-se uma condição para o seu exercício: A representação da vítima ou de seu representante legal. Nos casos de ação penal privada, o titular da ação é o chamado querelante, que a propõe contra o suposto acusado, o querelado. Condições da ação penal · Condições genéricas da ação penal As que estão presentes em todas as ações penais. · Condições específicas da ação penal As que são exigidas em determinadas ações penais. Espécies de ação penal É comum que se faça a divisão das espécies de ação penal de acordo com a qualidade do sujeito titular. O que define a espécie é a titularidade. Seguindo essa linha de divisão, as ações penais podem ser classificadas como públicas ou privadas. De acordo com o art. 100 do CP, a regra é que a ação penal seja pública. Não será quando o dispositivo legal determinar expressamente que é privativa do ofendido. De acordo com o artigo 41 do CPP, a denúncia (nos casos de ação penal pública) ou queixa (nos casos de ação penal privada) deverá conter certos elementos: · Exposição do fato criminoso; · Qualificação do acusado com o objetivo de identificá-lo; · Classificação do crime; · Rol de testemunhas, quando for necessário. A exposição do fato criminoso deve conter todas as circunstâncias que venham a agravar ou a atenuar a pena. A classificação do crime tem a ver com a sua tipificação legal. Quando na ação penal não constar os elementos elencados anteriormente, ela se tornará inepta. Sendo assim, o juiz deve rejeitá-la de forma que, como consequência, haja coisa julgada formal. Ação penal pública Seo Ministério Público não oferecer denúncia dentro do prazo estabelecido pela lei, a ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública. Nos casos de ação penal pública, o direito de representação decai a partir do dia em que o prazo para oferecimento da denúncia se esgotou. Na realidade, a ação penal será pública quando o Estado entender que a persecução penal daqueles delitos interessa mais à sociedade do que para a vítima. E em alguns casos, quando esses interesses se equilibram, o legislador opta pela pública condicionada à representação. A ação penal pública pode ser dividida em incondicionada ou condicionada. Ação penal pública incondicionada É a regra no CP. No silêncio do legislador, presume-se que é ação penal pública incondicionada (CP, art. 100). Quando o Ministério Público promover ação independentemente da vontade do ofendido ou da interferência de terceiros, ela será classificada como ação penal pública incondicionada. Prazo da ação penal pública incondicionada Diante do disposto no artigo 46 do CPP, a denúncia deve ser oferecida pelo Ministério Público em cinco dias, no caso de o réu estar preso, ou 15 dias, no caso de o réu estar solto. Já a Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006) estabelece, em seu artigo 54, inciso III, que o prazo para o oferecimento da denúncia não varia se o réu estiver preso ou solto. Será, nos dois casos, de dez dias. Ação penal pública condicionada Quando o Ministério Público promover ação que dependa da manifestação de vontade do ofendido, do seu representante legal ou do Ministro da Justiça, ela será classificada como ação penal condicionada. Nessa ação penal, o ofendido ou seu representante legal (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão) deve fazer a representação ou, no caso de delitos contra a honra do Presidente da República, o Ministro da Justiça deve fazer a requisição ao Ministério Público do oferecimento da denúncia. É pública condicionada a ação referente ao crime que ofenda a esfera íntima do particular de forma mais prejudicial do que o interesse geral. Por isso, se condiciona à vontade do indivíduo. Há crimes em que a ação depende da representação da vítima ou de seu representante legal. São alguns deles os crimes de lesão corporal leve (CP, art. 129, caput) ou culposa (CP, art. 129, § 6º) e o crime de ameaça Essa ação pode ser dirigida a três destinatários: ao juiz, à autoridade policial ou ao representante do Ministério Público. Prazo da representação na Ação Pública condicionada à representação O direito à representação decairá se não for exercido no prazo de até 6 (seis) meses contados do dia em que o autor do crime é conhecido. Essa regra está expressa no artigo 38 do CPP. O artigo 25 do CPP prevê a retratação. Quando depara com os casos de menor de 18 anos ou sujeito possuidor de doença mental, é discutível se o prazo flui, sendo que a maioria entende que é apenas para o representante legal do agente. Princípio da legalidade ou obrigatoriedade · Esse princípio é interpretado pela leitura do artigo 24 do CPP e do artigo 129, inciso I, da Constituição da República, que estabelecem que é dever e função institucional do Ministério Público oferecer denúncia nos casos em que se encaixem a ação penal pública. · Se não estiverem presentes as condições da ação penal, o promotor deverá solicitar o arquivamento do inquérito policial ao juiz . · O Ministério Público não pode se recusar a dar início à ação penal. Sendo assim, como titular da ação, deve propô-la quando os requisitos necessários forem preenchidos. Princípio da indisponibilidade · Esse princípio pode ser interpretado à luz do artigo 24 do CPP. Quando o processo é iniciado, o Ministério Público não pode desistir dele. Tampouco poderá desistir de recurso interposto (CPP, art. 576). · Esse princípio não é usado nos crimes de menor potencial ofensivo, elencados na Lei 9.099/1995. Nesse caso, o Ministério Público pode propor ao acusado a suspensão condicional do processo, que poderá acarretar na extinção de punibilidade do agente. Princípio da investidura · Cabe aos membros do Ministério Público executar a ação penal pública por meio da denúncia. Princípio da indivisibilidade · Significa que a ação penal pública deve conseguir abarcar todos que cometeram os determinados crimes ou infrações. Não pode existir direito de escolha. Princípio da oficiosidade · Esse princípio é válido para os casos de ação penal pública incondicionada, pois os agentes da persecução penal devem agir de ofício. Como já aludido anteriormente, é nesse tipo de ação penal que não há necessidade de provocação. Princípio da oficialidade · O Estado é o responsável pelo controle da criminalidade. Logo, o que prevalece é a natureza pública. Sendo assim, os órgãos responsabilizados pelas funções da persecução penal são públicos/oficiais. Ação penal privada A ação penal será privada quando promovida mediante queixa-crime pela vítima/ofendido ou por quem tenha qualidade para ser o representante legal deste. Ela é possível pela menção expressa na lei. Senão, a regra é a ação penal pública. Ao ofendido decai o direito de queixa ou de representação se não o tiver exercido dentro do prazo de seis meses contados do dia em que o autor do crime se tornou conhecido. Nessa espécie de ação penal, o interesse do sujeito é muito afetado. Ele se torna o detentor do direito de ação, mas o Estado continua tendo o direito de punir. Até mesmo as nomenclaturas são diferentes. O titular da queixa-crime é identificado como querelante e o acusado é identificado como querelado. Alguns doutrinadores classificam a ação penal privada a partir de três espécies. Propriamente dita ou exclusivamente privada · Também chamada de comum pelo fato de que a ação penal de iniciativa privada é tradicional. A queixa-crime pode ser oferecida pelo ofendido ou seu representante legal dentro do prazo de seis meses, como nos crimes contra a honra previstos nos artigos 138 ao 140 do CP. Personalíssima · A ação penal privada é um dever-poder exercido somente pelo ofendido e facultado a ele, como no caso do artigo 236 do CP. Subsidiária da pública · De acordo com o artigo 29 do CPP, nos casos em que a ação penal deverá ser pública e o Ministério Público perder o prazo para o oferecimento da denúncia e restando inerte, o ofendido pode exercer a ação penal. Ou seja, cabe ao indivíduo oferecer a queixa subsidiária uma vez que o Ministério Público não tenha se pronunciado em relação ao caso. Prazo da ação penal privada O artigo 38 do CPP é claro quando expressamente dispõe que o direito à queixa ou à representação decairá se não for exercido no prazo de até 6 (seis) meses contados do dia em que o autor do crime é conhecido. Nos casos de ação penal privada subsidiária da pública, o prazo decairá também em 6 (seis) meses para o ofendido, porém a contagem inicia-se no dia em que se esgotar o prazo para oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público. Remonta-se ao CP, no seu artigo 107, inciso IV, para lembrar e salientar que o prazo decadencial é causa extintiva da punibilidade do agente, assim como a prescrição e a perempção. A seguir, faremos a análise de alguns princípios da ação penal privada: Princípio da oportunidade ou da conveniência Significa que o ofendido tem a liberdade de escolher se deseja ou não exercer a ação penal. É facultada a ele, dentro do prazo de seis meses, a escolha de fazer a acusação. Princípio da disponibilidade De acordo com o disposto no artigo 60 do CPP, o ofendido/a vítima pode desistir da ação, ou seja, pode renunciar ao direito de ação. Sendo assim, como consequência, considerar-se-á a ação penal perempta, caso o ofendido fique inerte. Princípio da indivisibilidade O ofendido não tem a capacidade de escolher, na hipótese de mais de um acusado, contra quem irá oferecer a queixa. PERGUNTAS: A ação penal necessita de condições e requisitos para a sua subsistência. Tais elementos estão dispostos em lei e sua ausência no caso concreto gera a extinção da demanda. Neste contexto, são condições da açãopenal: Possibilidade jurídica do pedido, interesse de agir e justa causa. · A possibilidade jurídica do pedido diz respeito à causa de pedir da ação, e esta deve estar prevista como crime para que o pedido seja procedente. O interesse de agir está relacionado à necessidade, à utilidade e à adequação: Ser indispensável a via processual para que haja o devido processo legal; deve haver motivo para a atividade jurisdicional e deve haver harmonização entre o pedido de sanção penal e a condenação aplicada. A justa causa é entendida por alguns doutrinadores como condição específica da ação penal. Em se tratando dos crimes de ação penal pública incondicionada no CPP, não vigora o princípio da: Oportunidade · Nesse princípio, o titular da ação penal (o ofendido ou seu representante legal) promovê-la-á se quiser, porque o Estado transferiu ao particular o direito de acusar, em razão da fragilidade do bem atingido, característico das ações penais privadas. Assinale a alternativa INCORRETA: A ação penal pública condicionada depende de representação da vítima (ou do seu representante legal) ou de representação do Ministro da Justiça. · Segundo estabelece o CPP: “Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo” (CPP, art. 24). AULA 5: Prisão cautelar, suas espécies, liberdade e audiência de custódia Conceito de prisão e sua finalidade Uma das finalidades da prisão é a utilização desta como sanção pela prática de um delito, que pode ser detenção, reclusão ou prisão simples. Ela deve ocorrer nos moldes do artigo 288, caput, do Código de Processo Penal (CPP). Apesar de ser usada como punição pelo cometimento de um crime, de acordo com o artigo 5º, inciso LXVI da Constituição Federal (CF), quando houver a possibilidade de liberdade provisória, ninguém será mantido na prisão. Sobre a inviolabilidade do domicílio, pode-se citar o artigo 5º, inciso XI da CF que considera a casa do indivíduo o local que ninguém pode entrar sem o consentimento do morador, ressalvadas as exceções como o flagrante delito ou durante o dia por determinação judicial. Prisão cautelar As medidas cautelares têm como pressupostos o fumus boni iuris (denominado no processo penal como fumus comissi delicti) e o periculum in mora (denominado no processo penal como periculum libertatis). O primeiro diz respeito à prova da materialidade e indícios de autoria. O segundo diz respeito ao perigo de manter em liberdade, o risco para a sociedade de manter o infrator solto, ou seja, diz respeito à garantia da ordem no geral. seguem determinados princípios para que haja um equilíbrio entre a prisão e a ausência da sentença que condena o indivíduo. · Jurisdicionalidade e motivação A jurisdicionalidade está prevista no artigo 5º, inciso LXI, da CF. As prisões cautelares devem ser decretadas mediante ordem judicial fundamentada. No caso da prisão em flagrante, o juiz homologará ou relaxará a prisão que já tenha sido decretada sem a ordem judicial. · Contraditório Esse princípio, para ser efetivado, depende de cada situação fática e dos riscos da prisão. · Provisionalidade As prisões podem ser revogadas ou substituídas e, até mesmo, novamente decretadas. Tudo irá depender do que a situação exigir. · Excepcionalidade É associada à necessidade, à proporcionalidade e à presunção de inocência, uma vez que devem ser decretadas como caráter excepcional (decretadas apenas quando outras medidas se mostrarem insuficientes). · Proporcionalidade Deve haver um equilíbrio entre o direito à liberdade do indivíduo e a repressão dos delitos, ou seja, o juiz deve balancear a medida imposta em relação ao fato praticado. Espécies de prisão: Prisão em flagrante Disposta no artigo 5º, inciso LXI, da CF, diz respeito a um mero ato administrativo que tem como motivo o delito que acabou de ser praticado ou que está sendo praticado. Por esse motivo, a prisão do sujeito é autorizada sem que haja autorização judicial. O artigo 310 do CPP foi modificado com a entrada em vigor da Lei n. 12.403/2011. Passa a ser atribuída ao juiz a função de relaxar a prisão (que se tornou ilegal), converter a prisão em flagrante em prisão preventiva em determinadas situações e conceder a liberdade provisória independentemente de fiança. A prisão em flagrante pode ser dividida em fases: Existem algumas espécies de prisão em flagrante, são elas: Prisão temporária Deve ser decretada durante a fase preliminar das investigações pela autoridade judiciária competente em face do requerimento do Ministério Público ou da autoridade policial (Lei n. 7.960/1989, art. 2º), quando das hipóteses do artigo 1º da Lei n. 7.960/1989. Deve ser decretada de forma necessária e adequada ao que a autoridade policial aponta. Necessária No caso de estar fundamentada no periculum in mora e essencial para que o processo siga. Senão, como diz Fernando Capez, a prisão será ilegal. Adequada Pois a sua decretação não pode ser efetivada de forma que a consequência seja majorada quando essa majoração era evitável. O referido artigo 1º da Lei n. 7.960 elenca os crimes em que é possível a decretação da prisão temporária, como sequestro ou cárcere privado, ou até mesmo o tráfico de drogas. Ao ser a única espécie de prisão cautelar com prazo de término, este é de cinco dias contados da captura do agente infrator, prorrogáveis por mais cinco nos casos de extrema e comprovada necessidade. Já nos casos de crimes hediondos, a Lei n. 8.072/1990, em seu artigo 2º, §4º, determina que o prazo da prisão temporária será de trinta dias podendo ser prorrogados por mais trinta. Prisão preventiva É admitida, entre outras hipóteses do rol do artigo 313 do CPP, nos casos de crimes dolosos com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos. Pode vir a ser confundida com prisão temporária, mas são institutos com grandes diferenças. Vejamos o quadro a seguir. Prisão preventiva Prisão temporária - decretada na fase de investigação policial; - decretada na fase pré-processual; - sem prazo pré-determinado. - com prazo pré-determinado (mais de um, conforme a necessidade de cada crime). É decretada pelo juiz a requerimento do Ministério Público, a requerimento do querelante ou do assistente ou por representação da autoridade policial. Prisão domiciliar Esse instituto possibilita a substituição da prisão preventiva dos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça às vítimas que não sejam criança ou pessoa com deficiência, desde que comprovada a necessidade, nos termos dos artigos 318, 318-A, 318-B do CPP. Entre as hipóteses previstas pelo artigo, incluem-se as pessoas maiores de 80 anos de idade. A diferença entre a prisão domiciliar e o artigo 319, inciso V, do CPP é que este traz, como medida cautelar diversa da prisão, o recolhimento domiciliar noturno. O referido dispositivo foi incluído com a Lei n. 12.403 de 2011. O recolhimento domiciliar dá uma certa liberdade ao sujeito, autorizando que ele trabalhe. A prisão domiciliar é uma medida cautelar privativa de liberdade. Liberdade no processo penal A liberdade, na hipótese da prisão em flagrante, ocorre tanto no pedido de relaxamento como na liberdade provisória. Sendo a prisão legal ou ilegal, mas desnecessária. O habeas corpus também poderá ser utilizado como mecanismo de liberdade para as prisões cautelares. PERGUNTAS: Constitui hipótese que viola o princípio constitucional da presunção de inocência ou de não culpabilidade (ou garantia do estado de inocência – art. 5º, inciso LVII, CRFB): Decretação de prisão processual fundamentada na gravidade em abstrato do crime. · O STF tem reconhecido como ilegais as prisões preventivas decretadas com base na gravidade abstrata do delito, na periculosidade presumida do agente e no clamor social decorrente da prática da conduta delituosa, como se verificou no julgamento do HC n. 9S483/MT. Com relação ao cabimento das prisões domiciliar e preventiva,é correto afirmar que: A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal. · De acordo com o art. 312 do CPP, essa prisão poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. No que se refere à audiência de custódia, analise as assertivas a seguir: A autoridade judicial entrevistará a pessoa presa em flagrante devendo abster-se de formular perguntas com a finalidade de produzir prova para a investigação ou ação penal posterior. Concluída a audiência de custódia, cópia da sua ata será entregue à pessoa presa em flagrante delito, ao Defensor e ao Ministério Público, tomando-se a ciência de todos, e apenas o auto de prisão em flagrante, com antecedentes e cópia da ata, seguirá para livre distribuição. Não sendo realizada a audiência em até 24h após a prisão em flagrante, como prevista em lei, uma das hipóteses é que deverá ocorrer o relaxamento da prisão, visto que se torna ilegal. · As assertivas I e II estão de acordo com a Resolução n. 213-CNJ/2015, que aduz a audiência de custódia, que a autoridade judicial entrevistará a pessoa presa em flagrante, devendo [...] abster-se de formular perguntas com finalidade de produzir prova para a investigação ou ação penal; e seu §4º diz que “[...] concluída a audiência de custódia, cópia da sua ata será entregue à pessoa presa em flagrante delito, ao Defensor e ao Ministério Público, tomando-se a ciência de todos, e apenas o auto de prisão em flagrante, com antecedentes e cópia da ata, seguirá para livre distribuição”. A afirmativa III está relacionada ao art. 310 do CPP, que estipula um prazo para realizar a audiência de custódia. A sanção é discutida pelos doutrinadores. AULA 6: Liberdade provisória, fiança, relaxamento de prisão e habeas corpus Liberdade provisória A liberdade provisória é uma medida cautelar, fundamentada no artigo 5º, inciso LXVI, da Constituição Federal (CF). Atualmente está prevista no artigo 310, inciso III, do Código de Processo Penal (CPP). Essa medida cautelar equivale ao período em que ao sujeito é assegurado o direito de aguardar em liberdade enquanto o processo transcorre até o trânsito em julgado, quando ocorre caso de prisão em flagrante legal, mas desnecessária. De acordo com o artigo 321 do CPP, a liberdade provisória deverá ser imposta pelo juiz caso a prisão preventiva não seja autorizada se não apresentar os requisitos necessários. O capítulo que trata da liberdade provisória no CPP traz, em seus artigos 323 e 324, hipóteses segundo as quais não devem ser concedidas fianças, como no caso dos crimes de racismo (artigo 323, inciso I). A doutrina divide essa medida cautelar nas espécies obrigatória, permitida ou vedada · Obrigatória Não se sujeita a nenhuma condição, pois é um direito incondicional do acusado (direito público subjetivo da prisão preventiva). · Permitida Quando os requisitos para a decretação da prisão preventiva estão ausentes. · Vedada Essa espécie não existe, pois, se a lei proibir o juiz de conceder a liberdade provisória, ela será inconstitucional. A Lei n. 11.464/2007 trouxe uma modificação para os crimes previstos na Lei n. 8.072/1990, em seu artigo 2º, inciso II. Graças a ela, a proibição de liberdade provisória para os crimes hediondos foi revogada. A liberdade provisória é e somente pode ser concedida após ouvir o Ministério Público, pelo juiz. Assim, quando houver requerimento da referida medida cautelar, o juiz deve fundamentar o despacho que autorize a prisão preventiva para que não seja concedida a liberdade provisória. Para que a liberdade provisória seja concedida, o sujeito processado deve se comprometer assinando um termo de comparecimento a todos os atos do processo. Se ele não cumprir o acordo, a liberdade provisória pode ser revogada. Conforme o artigo 581, inciso V, do CPP, cabe recurso, em sentido estrito da decisão, despacho ou sentença que conceda, entre outras medidas, a liberdade provisória. A liberdade provisória pode vir acompanhada do pagamento de fiança ou não. Fiança Modificada com a Reforma Processual Penal de 2011, a fiança passou a ter dois campos de atuação: A fiança é considerada uma espécie de liberdade provisória que substitui a prisão em flagrante, porém, não é obrigatória para todos os casos. Pode ser concedida em qualquer fase do inquérito ou do processo no limite do trânsito em julgado. De acordo com Fernando Capez: "Consiste na prestação de uma caução de natureza real destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu ou indiciado. Não se admite a de natureza fidejussória, ou seja, mediante a apresentação de um fiador, devendo ser prestada por meio de dinheiro, joias ou qualquer objeto que tenha valor.” Para que a fiança seja concedida, o juiz deverá analisar caso a caso, identificar a sua necessidade e fundamentá-la. Será imposta se, para o processo, houver essa necessidade de garantia. É claro que, ao ser concedida, a gravidade do delito e a possibilidade econômica do agente deverão ser levadas em consideração para a sua fixação. A autoridade policial pode conceder a fiança? Sim. De acordo com o artigo 322 do CPP, é possível, nos casos em que a pena privativa de liberdade máxima não seja superior a quatro anos. Nos demais casos, apenas o juiz poderá fazê-lo. Se a autoridade policial demorar para concedê-la, o interessado pode solicitá-la ao juiz. Este pode se manifestar, de acordo com o artigo 310 do CPP, mesmo que não tenha sido solicitado. Atualmente, ele pode conceder de ofício. Quando não for a hipótese anterior, a fiança será requerida ao juiz. Este terá 48 horas para decidir. Ela poderá ser concedida até o trânsito em julgado da sentença condenatória. A fim de ser determinada, o artigo 326 do CPP traz algumas observações. Deverão ser analisadas, entre outras circunstâncias, a natureza da infração e a importância provável das custas do processo até o final do julgamento. O que acontece se a fiança for declarada sem efeito ou o réu for absolvido? De acordo com o artigo 336, devem ser devolvidos todos os valores dados como garantia. Outra situação em que os valores são devolvidos integralmente ao réu é no caso de cassação de fiança (CPP, arts. 338 e 339). Há casos em que poderá ser decretada a prisão preventiva. Modalidade de fiança Fiança por depósito É o caso do artigo 330, primeira parte do CPP: Depósito de dinheiro, pedras, objetos ou metais preciosos, títulos da dívida pública. Fiança por hipoteca Quando inscrita em primeiro lugar (CPP, art. 330, segunda parte). O artigo ainda prevê o que pode ser objeto da fiança. Quebramento da fiança A fiança será julgada quebrada nas hipóteses do artigo 341 do CPP. Uma das hipóteses é o caso de o acusado praticar nova ação penal dolosa. O artigo 343 do CPP é claro. Se houver quebramento injustificado da fiança, haverá perda da metade do valor. Caberá ao juiz decidir sobre a imposição, se for o caso, de prisão preventiva. Relaxamento de prisão O relaxamento de prisão é bastante confundido com a liberdade provisória. Porém, é uma ilegalidade que pode vir a ocorrer em qualquer tipo de prisão. O relaxamento é o reconhecimento de que aquela prisão foi ilegal. Não distante da liberdade provisória, o relaxamento de prisão é fundamentado no artigo 5º, inciso LXV da CF. Neste está estabelecido que o relaxamento se dará pela autoridade judiciária, na ocasião de prisão ilegal. Também presente no artigo 310, inciso I, do CPP, o relaxamento de prisão deve ser concedido pelo juiz de maneira fundamentada em audiência de custódia a ser realizada até 24 horas após a realização da prisão. Uma vez concedido o relaxamento da prisão ao imputado, são anulados os deveres e as obrigações deste. Sendo assim, ele fica livre. Um quadro comparativo entre dois institutos estudados nesta aula com a revogação da prisão