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Curso de Discursivas – PC-SC (RODADA 2) Prof. Bruno Zanotti 
@delegadobrunozanotti (instagram) 
 
www.brunozanotti.com.br // curso@brunozanotti.com.br 
 
 
GOVERNO DO ESTADO 
SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA 
POLÍCIA CIVIL 
 
 
CONCURSO PÚBLICO 
 
PROVA DISCURSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL 
 
 Você recebeu este caderno contendo um tema de peça prática a ser desenvolvido e 3 
questões discursivas. 
 Confira seus dados impressos na capa deste caderno. 
 Quando for permitido abrir o caderno, verifique se está completo ou se apresenta 
imperfeições. Caso haja algum problema, informe ao fiscal da sala. 
 Assine apenas no local indicado; qualquer identificação ou marca feita pelo candidato no 
corpo deste caderno, que possa permitir sua identificação, acarretará a atribuição de nota 
zero à prova. 
 É vedado, em qualquer parte do material recebido, o uso de corretor de texto, de caneta 
marca-texto ou de qualquer outro material similar. 
 Redija as respostas e o texto definitivos com caneta de tinta exigida no edital. Os 
rascunhos não serão considerados na correção. A ilegibilidade da letra acarretará prejuízo 
à nota do candidato. 
 Ao sair, você entregará ao fiscal este caderno. 
 Até que você saia do prédio, todas as proibições e orientações continuam válidas. 
 
AGUARDE A ORDEM DO FISCAL PARA ABRIR ESTE CADERNO. 
 
 
 
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PEÇA PRÁTICA 
 
ANDERSON CASSAPA é prefeito em Município do interior de Santa Catarina, eleito após 
apertado processo eleitoral. Historicamente, já existiram procedimentos, todos 
atualmente arquivados, envolvendo estelionato e corrupção de Anderson em coautoria 
com o antigo prefeito. 
De início, alguns meses após empossado como prefeito, começaram a aparecer algumas 
denúncias anônimas, relatando a exigência de valores em dinheiro como condição para 
nomeação de servidores comissionados que fossem indicados por outros partidos 
políticos que não aquele com o qual o prefeito possui vínculo. 
Após análise preliminar feita pelo setor de investigação, verificou-se que as informações 
eram verídicas e duas testemunhas ratificaram os termos das denúncias anônimas, 
ambas pertencentes a partidos políticos que tiveram que pagar os valores exigidos. Ainda 
de acordo com as testemunhas, os valores eram pagos em uma conta do próprio 
prefeito. Foram entregues documentos dos depósitos feitos, comprovando as transações 
bancárias. Ato seguinte, o inquérito policial foi devidamente instaurado. 
O vice-prefeito, após intimado, relatou conhecer a atuação criminosa do prefeito, bem 
como informou não concordar com o que ocorria no Município. Informou, ainda, que só 
compôs chapa com o prefeito em razão de acordo partidário. Por outro lado, em seu 
interrogatório, o prefeito negou a ocorrência de qualquer crime em sua gestão. 
Dois presidentes de partidos políticos contrários ao prefeito compareceram na Delegacia 
de Polícia e apresentaram uma gravação ambiental, ocorrida ontem, que comprova que 
o prefeito continua exigindo os valores a fim de subsidiar reformas em andamento em 
vários imóveis privados ainda não identificados, e tal cenário ocorre mesmo com o 
prefeito sabendo da investigação criminal em andamento. Eles informaram, ainda, que 
o vice-prefeito não está inserido na empreitada criminosa, ao contrário, eles indicaram 
que o vice-prefeito tenta com a Câmara dos Vereadores a retirada do Prefeito, 
procedimento que ainda está em seu passo inicial. 
O setor de investigação ratificou todas as informações, bem como indicou duas novas 
testemunhas para serem ouvidas na próxima semana. Ademais, em relatório 
investigativo, os valores pagos estão em R$ 84.500,00. Não foram localizados elementos 
informativos que indiquem a participação de outras pessoas no caso. 
Na qualidade do Delegado de Polícia responsável pelas atividades de Polícia Judiciária 
que preside o inquérito policial, redija a medida cautelar adequada à continuidade das 
investigações. Fundamente e motive. 
 
 
 
 
 
NÃO ASSINE ESTA FOLHA 
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PONTUAÇÃO 
 
Quesito Critério Sua nota e 
pontuação 
prevista 
 O que a pontuação 
possui 
Endereçamento Vara/Comarca (1,0) - Endereçamento 
Preâmbulo Nome da peça e 
a estruturação 
do preâmbulo 
 
 (3,0) - A Polícia Civil do Estado... (1,0) 
- Referência ao IP instaurado (1,0) 
- Representação por medida 
cautelar diversa de prisão + 
sequestro (1,0) 
Fundamento 
Legal 
 
 (2,0) - Previsões legais específicas da peça 
(art. 5º, LXI, art. 144, §4°, da CF, pelo 
art. 2°, §1°, da Lei n° 12.830/2013, 
art. 282, §2º, do CPP, pelo art. 132 
do CPP 
Fatos Narrativa sucinta 
dos fatos 
 (2,0) - Narrar de forma objetiva e sucinta 
os fatos mais relevantes que 
ocorreram. 
Fundamentação - Tipificação das 
condutas 
- Requisitos de 
cabimento e 
requisitos 
cautelares da 
medida 
 (14,0) - crime de concussão (art. 316 do 
CPP) + causa de aumento (ocupante 
de função de direção da 
administração direta) (2,0) 
 
- Requisitos específicos desta 
cautelar (8,0 pontos): 
• Crime previsto com pena 
restritiva de liberdade 
• fumus comissi delicti 
• periculum in mora 
(necessidade + 
adequação) 
• suficiência das medidas 
cautelares diversas de 
prisão 
 
- Requisitos do sequestro: (4,0 
pontos) 
• Periculum in mora 
• Origem ilícita 
Pedido Especificação do 
pedido 
 
 
 (7,0) - Medidas cautelares diversas da 
prisão + nome do alvo + indicação de 
3 medidas (3,0) 
- sequestro em conta + valor (2,0) 
- Oitiva do MP (1,0) 
- ausência de manifestação da parte 
contrária – caso urgente (1,0) 
Chancela final Local e data (1,0) - Local e data 
Erros de Português (-0,25 cada, até 
o limite de 20 pontos) 
 
 
TOTAL (30,0) 
 
 
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OBS: Sobre a incidência da causa de aumento no Chefe do Executivo: 
Ementa: INQUÉRITO. PENAL. PROCESSUAL PENAL. CRIMES DE PECULATO E DISPENSA 
ILEGAL DE LICITAÇÃO. PRESCRIÇÃO DO DELITO DEFINIDO NO ART. 89 DA LEI 8.666/93. 
ART. 312 DO CÓDIGO PENAL. CRIME PRATICADO POR GOVERNADOR DE ESTADO. 
CAUSA DE AUMENTO DO ART. 327, § 2º, DO CÓDIGO PENAL. INCIDÊNCIA. CHEFE DO 
PODER EXECUTIVO EXERCE FUNÇÃO DE DIREÇÃO. QUESTÃO PREJUDICIAL 
REJEITADA. DENÚNCIA. INDÍCIOS DE AUTORIA E MATERIALIDADE. 
SUPERFATURAMENTO DE PREÇOS DE EQUIPAMENTOS E MATERIAIS ADQUIRIDOS 
MEDIANTE DISPENSA DE LICITAÇÃO. LAUDO PERICIAL E RESULTADO DE AUDITORIA 
QUE INDICAM A EXISTÊNCIA DO PREJUÍZO. DENÚNCIA RECEBIDA. 1. O Governador do 
Estado, nas hipóteses em que comete o delito de peculato, incide na causa de aumento de pena 
prevista no art. 327, §2º, do Código Penal, porquanto o Chefe do Poder Executivo, consoante a 
Constituição Federal, exerce o cargo de direção da Administração Pública, exegese que não 
configura analogia in malam partem, tampouco interpretação extensiva da norma penal, mas, 
antes, compreensiva do texto. 2. “A exclusão, do âmbito normativo da alusão da regra penal 
a 'função de direção', da chefia do Poder Executivo, briga com o próprio texto 
constitucional, quando nele, no art. 84, II, se atribui ao Presidente da República o exercício, 
com o auxílio dos Ministros de Estado, da direção superior da Administração Pública, que, 
obviamente, faz doexercício da Presidência da República e, portanto, do exercício do 
Poder Executivo dos Estados e dos Municípios, o desempenho de uma 'função de 
direção'" (INQ. 1.769/DF, Rel. Min. Carlos Velloso, Pleno, DJ 03.06.2005, excerto do voto 
proferido pelo Ministro Sepúlveda Pertence no leading case sobre a matéria). 
Consectariamente, não é possível excluir da expressão "função de direção de órgão da 
administração direta" o detentor do cargo de Governador do Estado, cuja função não é 
somente política, mas também executiva, de dirigir a administração pública estadual. 3. 
As expressões "cargo em comissão" e "função de direção ou assessoramento" são 
distintas, incluindo-se, nesta última expressão, todos os servidores públicos a cujo cargo 
seja atribuída a função de chefia como dever de ofício. 4. Os indícios materiais patentes nos 
autos, no sentido de que o denunciado, juntamente com outros acusados em relação aos quais 
o feito foi desmembrado, dispensou licitação referente a Convênio por ele celebrado com o 
Ministério da Saúde, praticando, em tese, crime de peculato, por meio do superfaturamento dos 
preços de equipamentos e materiais adquiridos, recomendam o recebimento da denúncia, posto 
apta a peça acusatória inicial. 5. Extinção da punibilidade do crime de dispensa ilegal de licitação 
(art. 89 da Lei 8.666/93), tendo em vista a prescrição. 6. Denúncia recebida quanto ao crime de 
peculato. 
(Inq 2606, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 04/09/2014, ACÓRDÃO 
ELETRÔNICO DJe-222 DIVULG 11-11-2014 PUBLIC 12-11-2014 REPUBLICAÇÃO: DJe-236 
DIVULG 01-12-2014 PUBLIC 02-12-2014) 
 
 
VERSÃO 1: 
 
 
 
Excelentíssimo Desembargador da ____ Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de 
Santa Catarina. 
 
Ref. Inquérito Policial nº. 
 
A Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, por meio do seu Delegado de Polícia, ao final 
assinado, no uso de suas atribuições, que lhe são conferidas, dentre outros dispositivos, pelo art. 
144, §4°, da Constituição Federal, pelo art. 2°, §1°, da Lei n° 12.830/2013, pelo art. 282, §2º, 
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do Código de Processo Penal, pelo art. 132 do Código de Processo Penal, vem, respeitosamente, 
à presença de Vossa Excelência, representar por medidas cautelares diversas da prisão 
abaixo arroladas, bem como pela medida assecuratória do sequestro, pelos fundamentos de 
fato e de direito que a seguir passa a expor. 
 
1. Dos fatos 
 
O Prefeito de um Município do interior de Santa Catarina exige valores em dinheiro como 
condição para nomeação de servidores comissionados que fossem indicados por outros partidos 
políticos que não aquele com o qual o prefeito possui vínculo. Tal cenário perdura até a presente 
data e está comprovado por testemunhas, bem como foram entregues documentos de depósitos, 
comprovando as transações bancárias. 
 
2. Do Direito 
 
Em relação ao direito, tem-se o crime de concussão, previsto no art. 316 do CPP, uma vez 
que o prefeito exige para si vantagem indevida em razão da função. Tem-se a incidência da causa 
de aumento em razão de o prefeito ser ocupante de função de direção da administração direta, 
consoante art. 327, §2º, do Código Penal. 
Observe que se trata de crime punido com restrição de liberdade, de modo que a medida 
cautelar requerida é cabível, nos termos do art. 283, §1º, do Código de Processo Penal. 
Os requisitos cautelares da medida cautelar diversa de prisão igualmente encontram-se 
satisfeitos. 
O fumus comissi delicti se verifica pela narração dos fatos e do que foi exposto até aqui, 
estando caracterizados a prova da materialidade e os indícios de autoria do crime cometido pelo 
prefeito Anderson Cassapa. De forma mais específica, os indícios de autoria e materialidade estão 
evidenciados pelas testemunhas, relatórios de investigação e documentos acostados ao 
procedimento. 
O periculum in mora deve ser mais bem trabalhado à luz da comprovação da necessidade 
e da adequação das medidas restritivas de direito, consoante disposto no art. 282 do Código de 
Processo Penal. As medidas são necessárias para evitar a reiteração criminosa. Tem-se, também, 
a adequação das medidas em razão da gravidade do crime por se tratar pessoa central na gestão. 
Esses requisitos, junto com a fundamentação acima apresentada, afastam o cabimento de 
uma medida restritiva de liberdade por ser essa uma medida excessiva. Afinal, o seu afastamento 
do cargo é suficiente para cessar o crime em andamento e reestabelecer a normalidade, até 
porque o vice-prefeito não compactua com a atuação criminosa. 
No que diz respeito à medida cautelar do sequestro, o periculum in mora está evidente em 
razão do atual gasto dos valores com obras em imóveis privados. Ademais, nos termos do art. 
126 do Código de Processo Penal, os valores na conta do prefeito são de origem ilícita. 
 
3. Dos Pedidos 
 
Em razão de tudo o que foi exposto nos fundamentos de fato e de direito, esta autoridade 
policial representa pela decretação das seguintes medidas cautelares diversas da prisão em 
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face do Prefeito Anderson Cassapa, previstas no art. 319 do Código de Processo Penal, por serem 
adequadas e necessárias ao caso concreto: 
• Suspensão do exercício da função pública de prefeito; 
• Proibição de acessar a prefeitura, salvo com autorização judicial; 
• Instauração de monitoramento eletrônico de Anderson Cassapa. 
Ademais, esta autoridade policial representa também pelo sequestro no valor de R$ 
84.500,00 na conta ______, de Anderson Cassapa, consoante documentos apresentados, com o 
a consequente bloqueio dos valores em conta corrente por meio do sistema SISBAJUD. 
Ressalta-se a necessidade de ser oportunizada a prévia manifestação do Ministério Público. 
Por fim, proceda-se sem a oitiva do investigado ou seu representante legal, nos termos do 
art. 282, § 3º, do Código de Processo Penal, haja vista se tratar de caso urgente em razão da 
reiteração delitiva em curso. 
Nesses termos, postula deferimento. 
 
Local e data. 
Delegado de Polícia 
 
 
VERSÃO 2: Em razão do espaço curto para a resposta (60 linhas), pode-
se mostrar interessante um texto corrido, sem a delimitação visual dos 
espaços. Destacarei em AMARELO as diferenças redacionais. 
 
 
 
 
 
Excelentíssimo Desembargador da ____ Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de 
Santa Catarina. 
 
Ref. Inquérito Policial nº. 
 
A Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, por meio do seu Delegado de Polícia, ao final 
assinado, no uso de suas atribuições, que lhe são conferidas, dentre outros dispositivos, pelo art. 
144, §4°, da Constituição Federal, pelo art. 2°, §1°, da Lei n° 12.830/2013, pelo art. 282, §2º, 
do Código de Processo Penal, pelo art. 132 do Código de Processo Penal, vem, respeitosamente, 
à presença de Vossa Excelência, representar por medidas cautelares diversas da prisão 
abaixo arroladas, bem como pela medida assecuratória do sequestro, pelos fundamentos de 
fato e de direito que a seguir passa a expor. 
 
No que diz respeito aos fatos, o Prefeito de um Município do interior de Santa Catarina 
exige valores em dinheiro como condição para nomeação de servidores comissionados que 
fossem indicados por outros partidos políticos que não aquele com o qual o prefeito possui 
vínculo. Tal cenário perdura até a presente data e está comprovado por testemunhas, bem como 
foram entregues documentos de depósitos, comprovando as transações bancárias. 
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Em relação ao direito, tem-se o crime de concussão, previsto no art. 316 do CPP, uma vez 
que o prefeito exige para si vantagem indevida em razão da função. Tem-se a incidência da causa 
de aumento em razão de o prefeito ser ocupante de função de direção da administração direta, 
consoante art. 327, §2º, do Código Penal. 
Observe que se trata de crime punido com restrição de liberdade, de modo que a medida 
cautelar requerida é cabível, nos termos do art. 283, §1º, do Código de Processo Penal. 
Os requisitos cautelares da medida cautelar diversa de prisão igualmente encontram-se 
satisfeitos. 
O fumus comissi delicti se verifica pela narração dos fatos e do que foi exposto até aqui, 
estando caracterizados a prova da materialidade e os indícios de autoria do crime cometido pelo 
prefeito Anderson Cassapa. De forma mais específica, os indícios de autoria e materialidade estão 
evidenciados pelas testemunhas, relatórios de investigação e documentos acostados ao 
procedimento. 
O periculum in mora deve ser mais bem trabalhado à luz da comprovação da necessidade 
e da adequação das medidas restritivas de direito, consoante disposto no art. 282 do Código de 
Processo Penal. As medidas são necessárias para evitar a reiteração criminosa. Tem-se, também, 
a adequação das medidas em razão da gravidade do crime por se tratar pessoa central na gestão. 
Esses requisitos, junto com a fundamentação acima apresentada, afastam o cabimento de 
uma medida restritiva de liberdade por ser essa uma medida excessiva. Afinal, o seu afastamento 
do cargo é suficiente para cessar o crime em andamento e reestabelecer a normalidade, até 
porque o vice-prefeito não compactua com a atuação criminosa. 
No que diz respeito à medida cautelar do sequestro, o periculum in mora está evidente em 
razão do atual gasto dos valores com obras em imóveis privados. Ademais, nos termos do art. 
126 do Código de Processo Penal, os valores na conta do prefeito são de origem ilícita. 
Em razão de tudo o que foi exposto nos fundamentos de fato e de direito, esta autoridade 
policial representa pela decretação das seguintes medidas cautelares diversas da prisão em 
face do Prefeito Anderson Cassapa, previstas no art. 319 do Código de Processo Penal, por serem 
adequadas e necessárias ao caso concreto: 
• Suspensão do exercício da função pública de prefeito; 
• Proibição de acessar a prefeitura, salvo com autorização judicial; 
• Instauração de monitoramento eletrônico de Anderson Cassapa. 
Ademais, esta autoridade policial representa também pelo sequestro no valor de R$ 
84.500,00 na conta ______, de Anderson Cassapa, consoante documentos apresentados, com o 
a consequente bloqueio dos valores em conta corrente por meio do sistema SISBAJUD. 
Ressalta-se a necessidade de ser oportunizada a prévia manifestação do Ministério Público. 
Por fim, proceda-se sem a oitiva do investigado ou seu representante legal, nos termos do 
art. 282, § 3º, do Código de Processo Penal, haja vista se tratar de caso urgente em razão da 
reiteração delitiva em curso. 
Nesses termos, postula deferimento. 
 
Local e data. 
Delegado de Polícia 
 
 
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QUESTÃO DISCURSIVA 1 
(DIREITO PENAL/PROCESSUAL) 
 
A Delegacia de Homicídios de Balneário Camboriú – SC recebeu a informação, através de 
denúncia anônima, que havia um homem morto no quintal de uma casa localizada na Rua D2 
em Praia Central. O Delegado responsável pelo caso se dirigiu até o local informado, e realmente 
constatou que havia um homem morto, aparentemente esgorjado, na área externa da casa. 
Muitos curiosos estavam dentro do quintal onde o corpo se localizava e também dentro da casa, 
que aparentava estar abandonada. Sendo assim, o Delegado providenciou a retirada dos 
curiosos do local do crime, o isolamento da área, e também a preservação do estado das coisas 
e objetos que ali se encontravam, até a chegada dos peritos criminais. Foram colhidos 
depoimentos de pessoas que ali se encontravam. Assim que os peritos chegaram, verificaram 
que muitos objetos foram modificados de lugar, e que o corpo da vítima não deveria estar 
naquele lugar e naquela posição, pois ele foi mexido. Desta forma, o Perito oficial informou ao 
Delegado da impossibilidade da perícia do local e do corpo. Ademais, disse ao delegado que 
“provavelmente se tratava de um suicídio e que os populares devem ter mexido no corpo”. O 
Delegado indagou se não iriam tirar fotos do corpo da vítima, dos objetos e do local do crime, 
mas nada foi feito, apenas recolheram o corpo encontrado, apreenderam objetos que ali 
estavam, e transportaram para Instituto Médico Legal. 
 
Diante do caso narrado acima, e das mudanças trazidas pelo “pacote anticrime” no Código de 
Processo Penal, responda: 
a) O que é a cadeia de custódia? Quais são as suas etapas? [valor: 2,00 pontos] 
b) Qual etapa da cadeia de custódia não foi atendida e observada pelos Peritos quando 
indagados pelo Delegado de Polícia? Conceitue tal etapa. [valor: 4,00 pontos] 
c) Conforme jurisprudência do STJ, a quebra da cadeia de custódia importa na 
inadmissibilidade ou nulidade da prova? Justifique. [valor: 4,00 pontos] 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS: 
 
Conceito de cadeia de custódia (1,0 pontos) 
10 etapas (1,0 pontos) 
 
Etapa da fixação + conceito (4,0 pontos) 
Quebra da cadeia de custódia (4,0 pontos) 
Português (0,2 por erro) 
NOTA FINAL 
 
 
 
MATERIAL DE LEITURA E/OU JULGADOS SOBRE O TEMA: 
 
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7 Conceito 
Nos termos previstos no art. 6º do CPP, logo que tiver conhecimento da prática da 
infração penal, a autoridade policial deverá (inciso VII) determinar, se for caso, que se 
proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias. 
O exame de corpo de delito é considerado um dos principais instrumentos para a 
comprovação da materialidade do delito ou de alguma das qualificadoras do crime, sendo 
obrigatório quando a infração deixar vestígios, não podendo supri-lo a confissão do acusado 
(art. 158 do CPP). Nesse contexto se apresenta a cadeia de custódia, a qual tem por finalidade 
garantir a legitimidade do vestígio e a legalidade da prova pericial. 
Nos termos do art. 158-A do Código de Processual Penal, considera-se cadeia de 
custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a 
história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua 
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte. 
Nessa linha, como bem coloca Geraldo Prado,1 a cadeia de custódia se apresenta como 
relevante instrumento para “assegurar a integridade dos elementos probatórios”, de modo 
a garantir a “rastreabilidade probatória”2 do vestígio. 
Observe que, até 2019, o tema possuía uma lacuna no direito brasileiro, sem tratamento 
legal específico, cenário que foi alterado em razão da inserção do art. 158-A e seguintes ao 
Código de Processo Penal pela Lei nº 13.964/19. Esse marco legislativo possui relevância, 
pois, de acordo com o STJ,3 “não é possível se falar em quebra da cadeia de custódia, por 
inobservância de dispositivos legais que não existiam à época”. 
7.2. Procedimento da cadeia de custódia 
Nos termos do art. 158-A, § 1º, do CPP, o início da cadeia de custódia dá-se com a 
preservação do local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja 
detectada a existência de vestígio. E o primeiro agente público que reconhecerum elemento 
como de potencial interesse para a produção da prova pericial fica responsável por sua 
preservação, devendo assegurar a integridade do local em que ele for localizado e informar 
o respectivo órgão para dar continuidade ao procedimento da cadeia de custódia. 
Uma vez identificado o vestígio de interesse criminal, fica proibida a entrada em locais 
isolados bem como a remoção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação 
por parte do perito responsável, sendo tipificada como fraude processual a sua realização. 
O art. 158-B do CPP regulamentou em detalhes a cadeia de rastreabilidade do vestígio, 
a qual é composta pelas seguintes etapas: 
I – reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse para a 
 
1. PRADO, Geraldo. Prova Penal e Sistema de Controles Epistêmicos: a quebra da cadeia de custódia das provas 
obtidas por meios ocultos. São Paulo: Marcial Pons, 2014, p. 80. 
 
2. EDINGER, Carlos. Cadeia De Custódia, Rastreabilidade Probatória. Revista Brasileira de Ciências Criminais, v. 
120, p. 237-257, mai.-jun./2016. 
 
3. RHC 141.981/RR, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 
23/03/2021. 
 
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produção da prova pericial; 
II – isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e preservar o 
ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de crime; 
III – fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime ou no 
corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada por fotografias, 
filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo pericial produzido pelo 
perito responsável pelo atendimento; 
IV – coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial, respeitando suas 
características e natureza; 
V – acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é embalado 
de forma individualizada, de acordo com suas características físicas, químicas e biológicas, 
para posterior análise, com anotação da data, hora e nome de quem realizou a coleta e o 
acondicionamento; 
VI – transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as condições 
adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo a garantir a 
manutenção de suas características originais, bem como o controle de sua posse; 
VII – recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser 
documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de procedimento e 
unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de quem transportou o 
vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do vestígio, protocolo, assinatura 
e identificação de quem o recebeu; 
VIII – processamento: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com a 
metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fim de se obter 
o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido por perito; 
IX – armazenamento: procedimento referente à guarda, em condições adequadas, do 
material a ser processado, guardado para realização de contraperícia, descartado ou 
transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente; 
X – descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a legislação 
vigente e, quando pertinente, mediante autorização judicial. 
A inobservância deste caminho acarreta quebra da cadeia de custódia e a potencial 
ilicitude da prova. Mas o não cumprimento dos dispositivos legais é capaz de acarretar 
automaticamente a inadmissibilidade da respectiva prova? 
De acordo com o STJ,4 “a violação da cadeia de custódia traçada pelo Código de Processo 
Penal deve ser sopesada pelo magistrado sentenciante com os demais elementos produzidos 
na investigação para aferir se, ao fim e ao cabo, a prova deve ser considerada confiável”. 
Trata-se, portanto, de uma nulidade relativa. No julgado, o ministro Rogerio Schietti afastou 
a tese de que a quebra da cadeia de custódia da prova gere, de forma automática e 
irremediável, a inadmissibilidade ou nulidade da prova, tal como defende parte da doutrina. 
Essa interpretação precisou ser feita pelo STJ porque o CPP, apesar de ser exaustivo na 
forma como as provas devem ser custodiadas e periciadas (artigos 158-A a 158-F), não 
dispôs sobre as consequências jurídicas da quebra dessa cadeia ou do descumprimento de 
um desses dispositivos legais. 
 
 
 
4. HC 653.515, Rel. Ministro Rogerio Schietti, julgado em 26/11/2021. 
 
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“Se é certo que, por um lado, o legislador trouxe, nos arts. 158-A a 158-F do CPP, 
determinações extremamente detalhadas de como se deve preservar a cadeia de 
custódia da prova, também é certo que, por outro, quedou-se silente em relação 
aos critérios objetivos para definir quando ocorre a quebra da cadeia de custódia 
e quais as consequências jurídicas, para o processo penal, dessa quebra ou do 
descumprimento de um desses dispositivos legais. 
Respeitando aqueles que defendem a tese de que a violação da cadeia de 
custódia implica, de plano e por si só, a inadmissibilidade ou a nulidade da prova, 
de modo a atrair as regras de exclusão da prova ilícita, parece ser mais adequada 
aquela posição que sustenta que as irregularidades constantes da cadeia de 
custódia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos 
produzidos na instrução, a fim de aferir se a prova é confiável. Assim, à míngua 
de outras provas capazes de dar sustentação à acusação, deve a pretensão ser 
julgada improcedente, por insuficiência probatória, e o réu ser absolvido. 
As irregularidades constantes da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo 
magistrado com todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a 
prova é confiável. STJ. 6ª Turma. HC 653515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. 
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 23/11/2021 (Info 720).” 
 
MATERIAL BÔNUS: 
 
Cadeia de Custódia e a Prova Digital 
O STJ reconhece a volatilidade intrínseca dos dados armazenados digitalmente, mas 
reconhece, igualmente, a existência de técnicas e procedimentos a serem adotados para 
verificar se alguma informação foi alterada, suprimida ou adicionada após a coleta inicial 
das fontes de prova pela polícia. 
De acordo com o STJ,5 o policial responsável deverá utilizar técnicas específicas para 
manuseio desses dados e exemplifica com o seguinte procedimento: 
• copiar integralmente (bit a bit) o conteúdo do dispositivo, gerando uma imagem dos 
dados: um arquivo que espelha e representa fielmente o conteúdo original; 
• aplicar uma técnica de algoritmo hash, em que é possível obter uma assinatura 
única para cada arquivo – uma espécie de impressão digital ou DNA, por assim 
dizer, do arquivo. Esse código hash gerado da imagem teria um valor diferente caso 
um único bit de informação fosse alterado em alguma etapa da investigação. 
 
5. Inf. 763 STJ, segredo de justiça, 07/02/2023. 
 
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Mesmo alterações pontuais e mínimas no arquivo resultariam numa hash totalmente 
diferente, pelo que se denominaem tecnologia da informação de efeito avalanche. Desse 
modo, comparando as hashes calculadas nos momentos da coleta e da perícia (ou de sua 
repetição em juízo), é possível detectar se o conteúdo extraído do dispositivo foi alterado, 
minimamente que seja. Não havendo alteração (isto é, permanecendo íntegro o corpo de 
delito), as hashes serão idênticas, o que permite atestar com elevadíssimo grau de 
confiabilidade que a fonte de prova permaneceu intacta. 
Inexistindo algum procedimento de registro e segurança da informação digital (teste de 
confiabilidade), fica caracterizada a quebra da cadeia de custódia da prova digital. O STJ ficou 
a seguinte tese para esse cenário: “São inadmissíveis as provas digitais sem registro 
documental acerca dos procedimentos adotados pela polícia para a preservação da 
integridade, autenticidade e confiabilidade dos elementos informáticos.” 
 
 
Cadeia de custódia e o "print screen” de conversas em aplicativos (Whatsapp, Telegram e 
outros) 
Em evolução jurisprudencial, o STJ passou a admitir a utilização do print screen de conversas 
de aplicativos sem que tal cenário acarrete a quebra da cadeia de custódia., desde que não 
haja qualquer indício de adulteração da prova ou da ordem cronológica da conversa: 
2. No presente caso, não foi verificada a ocorrência de quebra da cadeia de custódia, pois 
em nenhum momento foi demonstrado qualquer indício de adulteração da prova, ou de 
alteração da ordem cronológica da conversa de WhatsApp obtida através dos prints da tela 
do aparelho celular da vítima. 
3. In casu, o magistrado singular afastou a ocorrência de quaisquer elementos que 
comprovassem a alteração dos prints, entendendo que mantiveram "uma sequência lógica 
temporal", com continuidade da conversa, uma vez que "uma mensagem que aparece na 
parte de baixo de uma tela, aparece também na parte superior da tela seguinte, indicando 
que, portanto, não são trechos desconexos". 
4. O acusado, embora tenha alegado possuir contraprova, quando instado a apresentá-la, 
furtou-se de entregar o seu aparelho celular ou de exibir os prints que alegava terem sido 
adulterados, o que só reforça a legitimidade da prova. 
5. "Não se verifica a alegada 'quebra da cadeia de custódia', pois nenhum elemento veio 
aos autos a demonstrar que houve adulteração da prova, alteração na ordem cronológica 
dos diálogos ou mesmo interferência de quem quer que seja, a ponto de invalidar a 
prova".6 
Na mesma linha, o STF7 pontuou que “as declarações ofensivas à honra podem ser provadas 
por qualquer meio, como o whatsapp, sendo desnecessária a vinda aos autos de gravação 
original ou de ata notarial". 
 
6 AgRg no HC n. 752.444/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 4/10/2022, DJe 
de 10/10/2022. 
7 AO 2002, 2ª Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 02/02/2016. 
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SUGESTÂO DE RESPOSTA: 
 
De acordo com o Código de Processo Penal, cadeia de custódia é o conjunto de 
todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio 
coletado em locais e/ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de 
seu reconhecimento até o descarte, visando garantir a confiabilidade e a idoneidade da prova. 
Em síntese, busca-se assegurar a integridade dos elementos probatórios e garantir a 
rastreabilidade probatória. 
A cadeia de custódia deve observar 10 etapas, são elas: Reconhecimento, 
Isolamento, Fixação, Coleta, Acondicionamento, Transporte, Recebimento, Processamento, 
Armazenamento e Descarte. 
No caso em tela, mesmo que aparentemente o corpo da vítima e os objetos tenham 
sido mexidos, faltou os peritos observarem e realizarem a etapa da fixação, que é a descrição 
detalhada do vestígio conforme se encontra no local do crime ou no corpo de delito, e a sua 
posição na área de exames, podendo ser ilustrada por fotografias, filmagens ou croqui, sendo 
indispensável a sua descrição no laudo pericial produzido pelo perito responsável pelo 
atendimento. Sem a fixação, a cadeia de custódia pode ter sido quebrada. 
Por fim, de acordo com o atual entendimento do STJ, as irregularidades constantes 
da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos 
produzidos na instrução, de modo a aferir se a prova é confiável ou não. 
 
 
 
 
 
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QUESTÃO DISCURSIVA 2 
(DIREITO CONSTITUCIONAL) 
 
A Constituição do Estado de Santa Catarina sofreu a Emenda Constitucional de nº XZ, 
acrescentando a alínea K no artigo 75, bem como o §5º no artigo 78, conforme se demonstra 
abaixo: 
 
Art. 75. Compete ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina: 
I – processar e julgar originariamente: 
(...) 
k) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo estadual ou municipal, em face desta 
Constituição, ou de lei ou ato normativo municipal em face da Lei Orgânica respectiva; 
Art. 78. Poderão propor a ação direta de inconstitucionalidade: 
(...) 
§ 5º Declarada a inconstitucionalidade, a decisão será comunicada à Assembleia Legislativa para promover 
a suspensão da eficácia da lei, em parte ou no seu todo, quando se tratar de afronta à Constituição Estadual, 
ou a Câmara Municipal quando a afronta for a Lei Orgânica respectiva. 
 
Alguns dias depois de publicada, a Ordem dos Advogados do Brasil apresentou uma Ação Direta 
de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, tendo como objeto a mencionada 
emenda constitucional, argumento a sua inconstitucionalidade. 
Diante dos fatos narrados, redija um texto respondendo os seguintes questionamentos: 
a) A OAB tem que comprovar a pertinência temática ao propor a ADI? Quais os legitimados 
que possuem esse requisito? [valor: 2,0 pontos] 
b) Sobre a constitucionalidade da alínea “K”, em sede de controle concentrado de 
constitucionalidade, é possível que uma lei ou ato normativo municipal seja declarado 
inconstitucional por violar a Lei Orgânica Municipal? [valor: 3,0 pontos] 
c) O que pode ser utilizado como norma parâmetro para fins de controle concentrado de 
constitucionalidade estadual? [valor: 2,0 pontos] 
d) Por fim, sobre o § 5º, a alteração foi constitucional? Fundamente a sua resposta. [valor: 
3,0 pontos] 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS: 
 
OAB não precisa comprovar pertinência temática (1,0 pontos) 
3 são os legitimados com esse requisito (1,0 pontos) 
 
Alínea “K“ é inconstitucional + fundamento (3,0 pontos) 
Parâmetro: CE + normas da CF de reprodução obrigatória (2,0 pontos) 
§ 5º é inconstitucional + fundamento (3,0 pontos) 
Português (0,2 por erro) 
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NOTA FINAL 
 
 
 
MATERIAL DE LEITURA E/OU JULGADOS SOBRE O TEMA: 
 
Sobre a pertinência temática: 
Alguns dos legitimados do art. 103 da Constituição Federal somente podem apresentar 
Ação Direta de Inconstitucionalidade se comprovarem, na petição inicial, a relação de 
pertinência temática existente entre o objeto da ADI e a sua atividade. A pertinência 
temática consiste na necessidade de comprovar que o objeto da ADI tenha relação direta 
com as finalidades institucionais específicas do legitimado: 
[...] requisito da pertinência temática, que se caracteriza pela existência do nexo de 
afinidade entre os objetos institucionais da entidade queajuizou a ação direta e o conteúdo 
material dos dispositivos por ela impugnados.8 
Por exemplo, o governador pode propor ADI contra lei estadual de outro Estado 
perante o STF, exigindo-se, para tanto, a comprovação de pertinência temática, ou seja, que 
a lei a ser impugnada afete o seu Estado. Em causas tributárias, essa questão é facilmente 
verificada quando um Estado cria determinado imposto capaz de incidir em fatos geradores 
além do seu território. 
A necessidade de comprovação da pertinência temática é colocada como requisito para 
propositura da ADI de três legitimados: (a) a Mesa de Assembleia Legislativa ou da 
Câmara Legislativa do Distrito Federal, (b) o Governador de Estado ou do Distrito 
Federal e (c) a confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 
Nos casos em que a representação adequada deve ser comprovada na propositura da 
ADI, o controle da ­legitimidade deve ser feito pelo STF (controle ope iudicis). Trata-se de 
verdadeiro pré-requisito para a análise do mérito, tanto que a necessidade de esses 
legitimados provarem a pertinência temática muito se assemelha com “o estabelecimento 
de uma condição da ação – análoga, talvez, ao interesse de agir”9. Por isso, eles são 
classificados como legitimados ativos especiais, o que os diferencia dos demais, que não 
necessitam de provar a pertinência temática e que são classificados como legitimados 
ativos universais10. 
Tal condição da ação é decorrência da jurisprudência do STF, não possuindo previsão 
constitucional. Por esse motivo, Gilmar Mendes, Inocêncio Coelho e Paulo Branco11 criticam 
tal restrição ao direito de propositura da ADI, ao fundamento de não se compatibilizar com 
a natureza do controle abstrato das normas, ao mesmo tempo que cria uma injustificada 
diferença entre os legitimados, diferenciação sem respaldo Constitucional. 
 
Sobre a Lei Orgânica ser norma referência em controle e outros pontos: Informativo 1025 
Não se admite controle concentrado de constitucionalidade de leis ou atos normativos 
municipais em face da Lei Orgânica respectiva. 
 
8. Trecho do voto do Relator Ministro Celso de Mello, na ADI 4190 REF-MC, julgada em 10/3/2010. 
9. MENDES, COELHO e BRANCO, 2008, p. 1110. 
10. NOVELINO, 2008, p. 182. 
11. MENDES, COELHO e BRANCO, 2008, p. 1111. 
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É inconstitucional adoção de lei orgânica municipal como parâmetro de controle abstrato de 
constitucionalidade estadual, em face de ato normativo municipal, uma vez que a Constituição 
Federal, no art. 125, § 2º, estabelece como parâmetro apenas a constituição estadual. 
Não compete ao Poder Legislativo, de qualquer das esferas federativas, suspender a eficácia 
de lei ou ato normativo declarado inconstitucional em controle concentrado de 
constitucionalidade. 
Caso: 
Ao analisar dispositivos da Constituição do Estado de Pernambuco, o STF chegou a duas 
importantes conclusões: 
I – Não cabe controle concentrado de constitucionalidade de leis ou ato normativos municipais 
contra a Lei Orgânica respectiva. 
Em outras palavras, a Lei Orgânica do Município não é parâmetro de controle abstrato de 
constitucionalidade estadual, uma vez que a Constituição Federal, no art. 125, § 2º, estabelece 
como parâmetro apenas a Constituição Estadual. 
Assim, é inconstitucional dispositivo da Constituição estadual que afirme ser possível ajuizar ADI, 
no Tribunal de Justiça, contra lei ou ato normativo estadual ou municipal sob o argumento de 
que ele viola a Lei Orgânica do Município. 
II – Não compete ao Poder Legislativo, de qualquer das esferas federativas, suspender a eficácia 
de lei ou ato normativo declarado inconstitucional em controle concentrado de 
constitucionalidade. 
Desse modo, é inconstitucional dispositivo da Constituição estadual que afirme que, se o 
Tribunal de Justiça declarar a inconstitucionalidade de lei em ação direta de 
inconstitucionalidade (controle concentrado de constitucionalidade), ele precisará comunicar 
essa decisão à Assembleia Legislativa (se for lei estadual) ou à Câmara de Vereadores (se for lei 
municipal) a fim de que o órgão legislativo suspenda a eficácia dessa lei. STF. Plenário ADI 
5548/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 16/8/2021 (Info 1025). 
 
Sobre o parâmetro do controle concentrado de constitucionalidade estadual: 
 
O Tribunal de Justiça dispõe de competência exclusiva para efetuar o controle de 
constitucionalidade abstrato das leis e atos normativos estaduais e municipais, mas tendo 
como parâmetro exclusivo a Constituição do Estado ao qual pertence. 
Não pode, portanto, fazê-lo em face da Constituição Federal, pois isso importaria em 
usurpação da competência exclusiva do STF, de modo a caber o manejo da Reclamação 
perante este Tribunal a fim de preservação da sua competência.12 
Um questionamento aqui se faz necessário: o Tribunal de Justiça possui competência 
para fazer controle de constitucionalidade de norma prevista de forma expressa somente 
na Constituição Federal? Em outras palavras, usurpa-se a competência do STF se um 
Tribunal de Justiça julgar uma ADI tendo como referência norma constitucional prevista de 
forma expressa somente na Constituição Federal? 
 
12. RE 650898/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, 4.2.2016. 
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De acordo com a jurisprudência do STF13, “não configura a usurpação quando os 
Tribunais de Justiça analisam, em controle concentrado, a constitucionalidade de leis 
municipais e estaduais em face de normas constitucionais estaduais que reproduzem regra 
da Constituição Federal de observância obrigatória”. No caso julgado pela Rcl 19067 AgR,14 
um Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade de uma lei municipal, ao argumento 
que violava a atribuição do Congresso Nacional, sendo que tal atribuição está prevista 
exclusivamente na Constituição Federal. Contudo, as divisões de competência e atribuições 
são normas de reprodução obrigatória15 e estão previstas na Constituição Estadual, mesmo 
que de forma implícita. Em seu voto, o Ministro Luís Roberto Barroso afirmou que as normas 
de reprodução obrigatória da Constituição Federal estão necessariamente presentes nas 
Constituições Estaduais, seja de forma expressa (porque previstas expressamente nas 
Constituições Estaduais por ocasião da sua criação), seja de forma implícita (apesar de não 
previstas expressamente nas Constituições Estaduais, delas fazem parte por serem de 
reprodução obrigatória). 
 
 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 
No caso em tela, conforme jurisprudência do STF, a Ordem dos Advogados do Brasil possui 
legitimidade para a ação, não sendo necessária a comprovação da pertinência temática. Isso 
ocorre porque a necessidade de comprovação da pertinência temática é colocada como 
requisito para propositura da ADI de três legitimados, quais sejam, a Mesa de Assembleia 
Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o Governador de Estado ou do Distrito 
Federal e a confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 
Sobre a constitucionalidade da alínea “K”, em sede de controle concentrado de 
constitucionalidade, não é possível que uma lei ou ato normativo municipal seja declarado 
inconstitucional por violar a Lei Orgânica Municipal. Isso ocorre porque o controle concentrado 
de constitucionalidade estadual somente pode ter por parâmetro a Constituição Estadual e as 
normas da Constituição Federal de repetição obrigatória, uma vez que estãoimplicitamente no 
texto da Constituição Estadual. 
Por fim, não compete ao Poder Legislativo, de qualquer das esferas federativas, 
suspender a eficácia de lei ou ato normativo declarado inconstitucional em controle 
concentrado de constitucionalidade, pois viola o art. 52, X da Constituição Federal que somente 
vale para o controle difuso de constitucionalidade. 
 
 
13. Rcl 12.653 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20.06.2012. 
14. Rcl 19067 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 07/06/2016. 
15. Para se entender tal assertiva, faz-se necessário diferenciar a norma da Constituição do Estado que seja 
“norma de reprodução” da que seja “norma de imitação”. Norma de reprodução (ou norma de 
reprodução obrigatória) é conceituada como “aquela que repete na Constituição Estadual norma da 
Constituição Federal que o Estado está obrigado a observar, independentemente de sua previsão ou não na 
Constituição Estadual (ex: arts. 34, VII; 35; 145 e 150 da CF/88)”, ao passo que norma de imitação é “aquela 
que o Estado repete em sua Constituição com teor idêntico à norma da Constituição Federal, o que o faz em 
gozo de sua autonomia política, pois poderia, inclusive, não observá-la” (CUNHA JR, 2008, p. 323). 
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QUESTÃO DISCURSIVA 3 
(DIREITO ADMINISTRATIVO) 
 
Ada Maria, de 27 anos, é servidora pública de cargo exclusivamente em comissão da Delegacia 
de furtos e roubos de Navegantes, em Santa Catarina. Ela já está trabalhando nesta delegacia 
há 10 anos como assessora do Delegado titular, e descobriu faz poucas semanas que está grávida 
de sua primeira gestação. O mencionado Delegado tinha conhecimento da gestação e não ficou 
feliz com o cenário, uma vez que ela provavelmente faltaria muitos dias de trabalho na medida 
em que a sua gestação avançasse. Sendo assim, ele decidiu pela exoneração da servidora, 
fundamentando o ato que foi a pedido da servidora, mesmo sabendo que ela não havia 
solicitado a exoneração. 
 
Com base nas informações trazidas no texto, e de acordo com a Doutrina e a Jurisprudência dos 
Tribunais Superiores, em linhas gerais, a Administração Pública pode exonerar ad nutum 
servidora gestante ocupante exclusivamente de cargo em comissão? Adentrando no caso 
narrado, sobre a fundamentação do Delegado de Polícia para o ato de exoneração, discorra 
sobre a “Teoria dos motivos determinantes”, e se ela é aplicável ao caso acima, em especial para 
a servidora comissionada. [valor: 10,0 pontos] 
 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS: 
 
Administração Pública pode exonerar ad nutum gestante? 
Fundamento (5,0 ponto) 
 
Aplicação da teoria dos motivos determinantes + consequência (5,0 
pontos) 
 
Português (0,2 por erro) 
NOTA FINAL 
 
 
 
MATERIAL DE LEITURA E/OU JULGADOS SOBRE O TEMA: 
 
Artigos importantes a serem lidos sobre o tema proposto: 
Constituição Federal: 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao 
seguinte: 
(...) 
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em 
concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a 
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complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as 
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e 
exoneração; 
 
ADCT, Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 
7º, I, da Constituição: 
II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: 
b) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após 
o parto. 
 
 
Breve explicação doutrinária: 
Os cargos em comissão são aqueles de ocupação transitória na Administração Pública onde seus 
titulares são nomeados em função de uma relação de confiança existente com o gestor. Estes 
cargos são privativos de funções de chefia, direção e assessoramento. 
De acordo com o artigo 37, inciso II, da Constituição Federal, os cargos em comissão são de livre 
nomeação e exoneração: 
Para José dos Santos Carvalho Filho (2015, pg. 636): 
“A natureza desses cargos impede que os titulares adquiram estabilidade. Por outro 
lado, assim como a nomeação para ocupa-los dispensa a aprovação prévia em 
concurso público, a exoneração do titular é despida de qualquer formalidade 
especial e fica a exclusivo critério da autoridade nomeante. Por essa razão é que 
são considerados de livre nomeação e exoneração (art. 37, II, CF).” 
Por outro lado, o artigo 10, II, b, da ADCT estabelece que é vedada a dispensa sem justa causa 
da empregada gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. 
Desta forma, tanto o STF como o STJ decidiram que se aplica o disposto no artigo 10, II, b, da 
ADCT às servidoras que ocupam cargo exclusivamente em comissão, pois a proteção elencada 
na Constituição Federal deve abarcar também a servidora ocupante de cargo em comissão, bem 
como aquelas admitidas a título precário. Além disso a gestante contratada pela administração 
pública por prazo determinado ou em cargo em comissão tem direito à licença maternidade. 
Protege-se, com a norma, o próprio nascituro sendo dever do Estado zelar pelo bebê que irá 
nascer. 
Assim, a servidora gestante ocupante de cargo exclusivamente em comissão não poderá ser 
exonerada sem justa causa, sem que lhe seja assegurada a remuneração pelo período de 
estabilidade provisória, desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto. 
Por fim, a “teoria dos motivos determinantes” significa que, uma vez motivado o ato 
administrativo, a sua validade fica vinculada aos motivos expostos, para todos os efeitos 
jurídicos. Assim, se os motivos forem inexistentes ou falsos, o ato será nulo. 
Para maior compreensão, Hely Lopes Meirelles explica que, por exemplo se o superior dispensar 
um funcionário exonerável ad nutum por improbidade de procedimento, essa “improbidade” 
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passará a ser motivo determinante do ato, e sua validade e eficácia ficarão na dependência da 
efetiva existência do motivo declarado. Sendo assim, se inexistir a improbidade, o ato de 
exoneração será inválido. Logo, ao se integrar ao próprio ato, o motivo passa a fazer parte dele, 
viciando-o se for inverídico ou falso. 
 
Julgados sobre o tema proposto: 
STJ: 
CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. 
AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PREJUÍZO À DEFESA. 
INEXISTÊNCIA. DISPENSA DE SERVIDORA CONTRATADA EM CARÁTER PRECÁRIO. PERÍODO DE 
GESTAÇÃO. ARTS. 7º, XVIII, DA CF/88 E 10, II, B, DO ADCT. INDENIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. 
VALORES POSTERIORES À IMPETRAÇÃO. SÚMULAS 269 E 271 DO STF. 
1. O reconhecimento de ausência de prestação jurisdicional pressupõe a ocorrência de prejuízo 
à defesa. A assertiva, no entanto, não pode ser confundida com o mero 
inconformismo da parte com a conclusão alcançada pelo julgador, que, a despeito das teses 
aventadas, lança mão de fundamentação idônea e suficiente para a formação do seu livre 
convencimento. 
2. A jurisprudência desta Corte Superior é firme quanto à legitimidade da exoneração ad nutum 
do servidordesignado para o exercício de função pública, ante a precariedade do ato. 
3. Firmou-se a compreensão, no entanto, de que as servidoras públicas, detentoras de função 
pública designadas a título precário, possuem direito à licença-maternidade e à estabilidade 
provisória, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, consoante os termos 
dos art. 7º, XVIII, da CF/88 e art. 10, II, "b", do ADCT, sendo-lhes assegurado o direito à 
indenização correspondente às vantagens financeiras pelo período constitucional da 
estabilidade. Precedentes. 
4. Em relação a eventuais vencimentos anteriores à impetração, incidem os óbices das Súmulas 
n. 269 e 271, ambas do STF. 
5. Recurso ordinário em mandado de segurança parcialmente provido. 
(RMS 26.107/MG, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 
26/08/2014, DJe 08/09/2014) 
Fonte: Portal STJ 
 
 
 
STF: 
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E M E N T A: SERVIDORA PÚBLICA GESTANTE OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO – 
ESTABILIDADE PROVISÓRIA (ADCT/88, ART. 10, II, “b”) – CONVENÇÃO OIT Nº 103/1952 – 
INCORPORAÇÃO FORMAL AO ORDENAMENTO POSITIVO BRASILEIRO (DECRETO Nº 58.821/66) - 
PROTEÇÃO À MATERNIDADE E AO NASCITURO – DESNECESSIDADE DE PRÉVIA COMUNICAÇÃO 
DO ESTADO DE GRAVIDEZ AO ÓRGÃO PÚBLICO COMPETENTE – RECURSO DE AGRAVO 
IMPROVIDO. - O acesso da servidora pública e da trabalhadora gestantes à estabilidade 
provisória, que se qualifica como inderrogável garantia social de índole constitucional, supõe a 
mera confirmação objetiva do estado fisiológico de gravidez, independentemente, quanto a 
este, de sua prévia comunicação ao órgão estatal competente ou, quando for o caso, ao 
empregador. Doutrina. Precedentes. - As gestantes – quer se trate de servidoras públicas, quer 
se cuide de trabalhadoras, qualquer que seja o regime jurídico a elas aplicável, não importando 
se de caráter administrativo ou de natureza contratual (CLT), mesmo aquelas ocupantes de 
cargo em comissão ou exercentes de função de confiança ou, ainda, as contratadas por prazo 
determinado, inclusive na hipótese prevista no inciso IX do art. 37 da Constituição, ou admitidas 
a título precário – têm direito público subjetivo à estabilidade provisória, desde a confirmação 
do estado fisiológico de gravidez até cinco (5) meses após o parto (ADCT, art. 10, II, “b”), e, 
também, à licença-maternidade de 120 dias (CF, art. 7º, XVIII, c/c o art. 39, § 3º), sendo-lhes 
preservada, em consequência, nesse período, a integridade do vínculo jurídico que as une à 
Administração Pública ou ao empregador, sem prejuízo da integral percepção do estipêndio 
funcional ou da remuneração laboral. Doutrina. Precedentes. Convenção OIT nº 103/1952. - Se 
sobrevier, no entanto, em referido período, dispensa arbitrária ou sem justa causa de que 
resulte a extinção do vínculo jurídico- -administrativo ou da relação contratual da gestante 
(servidora pública ou trabalhadora), assistir-lhe-á o direito a uma indenização correspondente 
aos valores que receberia até cinco (5) meses após o parto, caso inocorresse tal dispensa. 
Precedentes. (RE 634093 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 
22/11/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-232 DIVULG 06-12-2011 PUBLIC 07-12-2011 RTJ VOL-
00219-01 PP-00640 RSJADV jan., 2012, p. 44-47) 
 
RE 842.844 (Tema 542): 
Direito à licença maternidade e estabilidade provisória para servidora pública contratada por 
prazo determinado ou ocupante de cargo em comissão. Gestante contratada por tempo 
determinado pela administração pública tem direito à licença-maternidade, decide STF. 
A decisão abrange também a estabilidade desde a confirmação da gravidez até cinco meses após 
o parto. 
Fatos: 
Trata-se de recurso extraordinário, com repercussão geral (Tema 542), em que o Estado de Santa 
Catarina questiona decisão do Tribunal de Justiça local, que garantiu a servidora pública 
contratada por prazo determinado os direitos à licença maternidade e à estabilidade provisória. 
No caso, uma professora em contrato temporário engravidou enquanto prestava serviços ao 
Estado de Santa Catarina. O contrato se encerrou quando ela ainda estava grávida, mas o Estado 
não garantiu a ela os direitos à licença maternidade e à estabilidade provisória. 
 
Questões Judiciais: 
Curso de Discursivas – PC-SC (RODADA 2) Prof. Bruno Zanotti 
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Servidora pública gestante, contratada por prazo determinado ou ocupante de cargo em 
comissão (do qual pode ser desligada a qualquer tempo), tem direito à licença maternidade e à 
estabilidade provisória? 
Fundamentos da decisão: 
1. A Constituição estabelece que a servidora pública gestante tem direito (i) à licença 
maternidade, sem prejuízo do emprego e do salário, com duração de 120 dias; e (ii) à 
estabilidade provisória, sendo vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa desde a 
confirmação da gravidez até 5 meses após o parto (arts. 7º, XVIII, da Constituição e arts. 10, II, b 
e 39, § 3º, do ADCT). 
 2. Esses direitos têm por objetivo proteger a maternidade e a infância (art. 6º, caput; 226, caput, 
e 227 da Constituição), pois permitem tanto a recuperação física e mental da mulher no período 
pós-parto quanto a atenção às necessidades da criança, em especial a amamentação e o tempo 
de convívio familiar essencial ao desenvolvimento infantil. 
3. A importância de proteger a mãe e a criança justifica que os direitos à licença maternidade e 
à estabilidade provisória sejam garantidos às mulheres trabalhadoras, independentemente da 
forma de contratação. Assim, esses direitos também devem ser assegurados às servidoras 
públicas gestantes contratadas por prazo determinado ou ocupantes de cargos em comissão. 
Votação e julgamento: 
Decisão unânime Voto que prevaleceu: Min. Luiz Fux (relator) 
Voto(s) divergente(s): Não há 
Resultado do julgamento: 
Em decisão unânime, o Plenário do STF decidiu que a gestante contratada pela administração 
pública por prazo determinado ou em cargo em comissão tem direito à licença maternidade e à 
estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Em voto 
que conduziu o julgamento, o relator, ministro Luiz Fux, afirmou que as garantias constitucionais 
de proteção à gestante e à criança devem prevalecer independentemente da natureza do 
vínculo empregatício, do prazo do contrato de trabalho ou da forma de provimento. Segundo o 
relator, o direito à licença maternidade tem por fundamento atender as necessidades da mulher 
e da criança no período pós-parto, inclusive garantindo a amamentação. Tese de julgamento: 
“A trabalhadora gestante tem direito ao gozo de licença-maternidade e à estabilidade 
provisória, independentemente do regime jurídico aplicável, se contratual ou administrativo, 
ainda que ocupe cargo em comissão ou seja contratada por tempo determinado.” 
Classe e Número: RE 842.844 (Tema 542 da Repercussão Geral) 
Fonte: Portal do STF 
 
 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 
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A Constituição estabelece que a servidora pública gestante tem direito à licença maternidade, 
sem prejuízo do emprego e do salário, com duração de 120 dias, e também à estabilidade 
provisória, sendo vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa desde a confirmação da 
gravidez até 5 meses após o parto. 
No caso em tela, apesar de Ada Maria ser servidora de cargo comissionado, ou seja, de livre 
nomeaçãoe exoneração, ela não poderá ser exonerada, pois os Tribunais Superiores tem o 
entendimento de que a servidora gestante tem direito ao gozo de licença-maternidade e à 
estabilidade provisória, independentemente do regime jurídico aplicável, se contratual ou 
administrativo, ainda que ocupe cargo em comissão, ou seja, contratada por tempo 
determinado. 
Importa ressaltar que as garantias constitucionais de proteção à gestante e à criança devem 
prevalecer independentemente da natureza do vínculo empregatício, do prazo do contrato de 
trabalho ou da forma de provimento. O direito à licença maternidade tem por fundamento 
atender as necessidades da mulher e da criança no período pós-parto, inclusive garantindo a 
amamentação. 
Por fim, mesmo que a Servidora Ada Maria não estivesse grávida, o ato de exoneração pelo seu 
chefe será nulo, pois a Administração, ao justificar o ato administrativo, de acordo com a teoria 
dos motivos determinantes, fica vinculada às razões ali expostas, para todos os efeitos jurídicos. 
A motivação é que legitima e confere validade ao ato discricionário, de modo que, enunciadas 
pelo agente as causas em que se pautou, mesmo que a lei não haja imposto tal dever (cargo 
demissível ad nutum), o ato só será legítimo se elas realmente tiverem ocorrido. 
Por fim, em qualquer cenário, em caso de reforma do ato ou ação judicial, a gestante será 
reintegrada aos quadros da Administração Pública.

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