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Curso de Discursivas – PC-SC (RODADA 3) Prof. Bruno Zanotti 
@delegadobrunozanotti (instagram) 
 
www.brunozanotti.com.br // curso@brunozanotti.com.br 
 
 
GOVERNO DO ESTADO 
SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA 
POLÍCIA CIVIL 
 
 
CONCURSO PÚBLICO 
 
PROVA DISCURSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL 
 
 Você recebeu este caderno contendo um tema de peça prática a ser desenvolvido e 3 
questões discursivas. 
 Confira seus dados impressos na capa deste caderno. 
 Quando for permitido abrir o caderno, verifique se está completo ou se apresenta 
imperfeições. Caso haja algum problema, informe ao fiscal da sala. 
 Assine apenas no local indicado; qualquer identificação ou marca feita pelo candidato no 
corpo deste caderno, que possa permitir sua identificação, acarretará a atribuição de nota 
zero à prova. 
 É vedado, em qualquer parte do material recebido, o uso de corretor de texto, de caneta 
marca-texto ou de qualquer outro material similar. 
 Redija as respostas e o texto definitivos com caneta de tinta exigida no edital. Os 
rascunhos não serão considerados na correção. A ilegibilidade da letra acarretará prejuízo 
à nota do candidato. 
 Ao sair, você entregará ao fiscal este caderno. 
 Até que você saia do prédio, todas as proibições e orientações continuam válidas. 
 
AGUARDE A ORDEM DO FISCAL PARA ABRIR ESTE CADERNO. 
 
 
 
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PEÇA PRÁTICA 
 
A Polícia Civil da capital de Santa Catarina investiga um grupo de empresários, donos de 
destilarias, locais onde são produzidas as cachaças para venda na região sul do país. As 
dívidas com o Estado de Santa Catarina pelo não pagamento do ICMS ultrapassa um 
milhão de reais. 
De acordo com investigação feita nos últimos meses, verificou-se que tal cenário teve 
início durante a pandemia, uma vez que os lucros diminuíram e houve a decisão conjunta 
dos empresários em não mais pagarem os valores relativos ao ICMS. 
A Receita Estadual descobriu a sonegação este ano e encaminhou à polícia civil cópia do 
procedimento, deflagrando a mencionada investigação. As duas investigações correm 
em conjunto. O grupo empresarial é formado por três empresas (empresas A, B e C), 
todas vinculadas ao mesmo escritório de advocacia, com procuração apresentada para 
acesso ao inquérito policial. 
Existe uma interceptação telefônica em curso, devidamente autorizada judicialmente, 
em face de vários alvos das mencionadas empresas, que já perdura por quase 2 meses 
e somente terá seu fim daqui a 10 dias. Dentre as medidas tomadas no curso da 
investigação criminal, ratificadas após as informações coletadas no âmbito da 
interceptação, houve uma grande operação de busca e apreensão nas residências e nas 
empresas, além da efetivação de medida de sequestro de uma grande área com galpões 
que fora adquirida com proveitos decorrentes da operações criminosas das três 
empresas. 
O avanço da investigação desencadeou a retirada de certos documentos contábeis das 
empresas, comprovadores de todas as transações efetuadas e com potencialidade de 
aumento dos valores devidos ao Governo, os quais não foram localizados pela polícia. 
Esses documentos, contudo, foram entregues ao advogado com pedido de guarda em 
seu escritório. Tal informação foi colhida na interceptação telefônica, momento em que 
o advogado se colocou à disposição para ajudar, por ser o escritório de advocacia 
protegido pela inviolabilidade, desde que os valores do contrato de prestação de serviços 
advocatícios fossem majorados. 
Nesta semana, as empresas tentaram renegociar a dívida com a Receita Estadual, 
apresentando novos cálculos e solicitando a exclusão da multa. A negociação, contudo, 
não logrou êxito. Com a negociação em andamento, o advogado protocolou um Habeas 
Corpus a fim de trancar a investigação criminal, o qual já foi indeferido pelo magistrado. 
Por fim, questionado pelo Delegado de Polícia, o advogado respondeu desconhecer 
outros documentos contábeis das empresas além daqueles já apreendidos pela polícia. 
Na qualidade do Delegado de Polícia responsável pelas atividades de Polícia Judiciária 
que preside o inquérito policial, redija a medida cautelar adequada à continuidade das 
investigações. Fundamente e motive. 
 
 
NÃO ASSINE ESTA FOLHA 
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PONTUAÇÃO 
 
Quesito Critério Sua nota e 
pontuação 
prevista 
 O que a pontuação 
possui 
Endereçamento Vara/Comarca (1,0) - Endereçamento 
Preâmbulo Nome da peça e 
a estruturação 
do preâmbulo 
 
 (3,0) - A Polícia Civil do Estado... (1,0) 
- Referência ao IP instaurado (1,0) 
- Representação por busca e 
apreensão em escritório de 
advocacia (1,0) 
Fundamento 
Legal 
 
 (3,0) - Previsões legais específicas da peça 
(art. 5°, inciso XI, e art. 144, §4°, 
ambos da Constituição Federal; pelo 
art. 240, §1º, e art. 242, todos do 
Código de Processo Penal; e pelo art. 
2°, §1°, da Lei n° 12.830/2013) 
Fatos Narrativa sucinta 
dos fatos 
 (2,0) - Narrar de forma objetiva e sucinta 
os fatos mais relevantes que 
ocorreram. 
Fundamentação - Tipificação das 
condutas 
- Requisitos de 
cabimento e 
requisitos 
cautelares da 
medida 
 (13,0) - Tipificação (art. 2º, II, da Lei nº 
8137/90, + crime de lavagem de 
capitais, nos termos do art. 1º, §1º, 
I, da Lei nº 9613/98) e sonegação de 
documento probatório (art. 356 do 
Código Penal) 5,0) 
 
- Requisitos específicos desta 
cautelar (8,0 pontos): 
• Auxílio do advogado no 
crime 
• Real necessidade de 
cumprimento da busca em 
escritório de advocacia 
• fumus comissi 
delicti (indícios de autoria 
e materialidade do 
advogado) 
• art. 240, § 1º, “e”, do 
Código de Processo Penal 
ou outro com 
fundamento 
Pedido Especificação do 
pedido 
 
 
 (7,0) - busca e apreensão no escritório + 
documentos contábeis + indicação 
do endereço do alvo (3,0) 
- sem oitiva do investigado ou 
representante legal (1,0) 
- notificação da OAB (2,0) 
- Oitiva do MP (1,0) 
Chancela final Local e data (1,0) - Local e data 
Erros de Português (-0,25 cada, até 
o limite de 20 pontos) 
 
 
TOTAL (30,0) 
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 OBS 1: Em nenhum momento a questão informa que as empresas estão 
com dívidas e que o pagamento decorreu de dificuldade financeira das 
empresas. Foi somente informado que “o lucro diminuiu”. Não presuma 
fatos!!!! 
 
OBS 2: Não existem elementos caracterizadores da ORCRIM. Pode até 
ser que, com a continuidade das investigações, seja caracterizado o 
crime, mas no momento não: 
 
Art. 1º Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os 
meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser 
aplicado. 
§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas 
estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que 
informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer 
natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores 
a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. 
 
OBS 3: Alguns julgados interessantes sobre a temática: 
 
PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. SONEGAÇÃO FISCAL (ART. 2º, II DA LEI 
8.137/90). PRETENSÃODE TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. CONDENAÇÃO. TRÂNSITO EM 
JULGADO. SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO A 
JUSTIFICAR A SUPERAÇÃO DO ÓBICE. AUSÊNCIA DE DOLO. DEVEDOR NÃO CONTUMAZ. NÃO 
RECOLHIMENTO DO TRIBUTO POR 6 MESES ALTERNADOS. PACIENTE PRIMÁRIO. ABSOLVIÇÃO 
DO PACIENTE. MEDIDA QUE SE IMPÕE. 
1. Há de se levar em consideração o dolo com a imprescindível consideração do elemento 
subjetivo especial de sonegar, qual seja, a vontade de se apropriar dos valores retidos, omitindo 
o cumprimento do dever tributário com a intenção de não os recolher. 
2. O dolo de não recolher o tributo, de maneira genérica, não seria suficiente para preencher o 
tipo subjetivo do art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990. 
3. No caso dos autos, o não pagamento do tributo por seis meses aleatórios não é circunstância 
suficiente para demonstrar a contumácia nem o dolo de apropriação. Ou seja, não se identifica, 
em tais condutas, haver sido a sonegação fiscal o recurso usado pelo empresário para financiar 
a continuidade da atividade em benefício próprio, em detrimento da arrecadação tributária. 
Ademais, trata-se de réu primário e sem antecedentes criminais. 
4. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício, a fim de absolver o paciente das 
condutas atribuídas na Ação Penal n. 900065-85.2015.8.24.0038, em trâmite na Segunda Vara 
Criminal da comarca de Joinville. 
(HC n. 569.856/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 11/10/2022, 
DJe de 14/10/2022.) 
 
 
Ementa: Direito penal. Recurso em Habeas Corpus. Não recolhimento do valor de ICMS 
cobrado do adquirente da mercadoria ou serviço. Tipicidade. 1. O contribuinte que 
deixa de recolher o valor do ICMS cobrado do adquirente da mercadoria ou serviço 
apropria-se de valor de tributo, realizando o tipo penal do art. 2º, II, da Lei nº 
8.137/1990. 2. Em primeiro lugar, uma interpretação semântica e sistemática da regra penal 
indica a adequação típica da conduta, pois a lei não faz diferenciação entre as espécies de sujeitos 
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passivos tributários, exigindo apenas a cobrança do valor do tributo seguida da falta de seu 
recolhimento aos cofres públicos. 3. Em segundo lugar, uma interpretação histórica, a partir dos 
trabalhos legislativos, demonstra a intenção do Congresso Nacional de tipificar a conduta. De 
igual modo, do ponto de vista do direito comparado, constata-se não se tratar de excentricidade 
brasileira, pois se encontram tipos penais assemelhados em países como Itália, Portugal e EUA. 
4. Em terceiro lugar, uma interpretação teleológica voltada à proteção da ordem tributária e uma 
interpretação atenta às consequências da decisão conduzem ao reconhecimento da tipicidade da 
conduta. Por um lado, a apropriação indébita do ICMS, o tributo mais sonegado do País, gera 
graves danos ao erário e à livre concorrência. Por outro lado, é virtualmente impossível que 
alguém seja preso por esse delito. 5. Impõe-se, porém, uma interpretação restritiva do tipo, de 
modo que somente se considera criminosa a inadimplência sistemática, contumaz, verdadeiro 
modus operandi do empresário, seja para enriquecimento ilícito, para lesar a concorrência ou 
para financiar as próprias atividades. 6. A caracterização do crime depende da demonstração do 
dolo de apropriação, a ser apurado a partir de circunstâncias objetivas factuais, tais como o 
inadimplemento prolongado sem tentativa de regularização dos débitos, a venda de produtos 
abaixo do preço de custo, a criação de obstáculos à fiscalização, a utilização de “laranjas” no 
quadro societário, a falta de tentativa de regularização dos débitos, o encerramento irregular das 
suas atividades, a existência de débitos inscritos em dívida ativa em valor superior ao capital 
social integralizado etc. 7. Recurso desprovido. 8. Fixação da seguinte tese: O contribuinte que 
deixa de recolher, de forma contumaz e com dolo de apropriação, o ICMS cobrado do adquirente 
da mercadoria ou serviço incide no tipo penal do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/1990. 
(RHC 163334, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 18-12-2019, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-271 DIVULG 12-11-2020 PUBLIC 13-11-2020) 
 
 
 
Art. 2° da Lei nº 8137. Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 
10.4.2000) 
I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar 
outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; 
II - deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, 
descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria 
recolher aos cofres públicos; 
III - exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer 
percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como 
incentivo fiscal; 
IV - deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou 
parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; 
V - utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito 
passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, 
fornecida à Fazenda Pública. 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. 
 
BUSCA EM ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA: Atenção para a busca e 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9964.htm#art15
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9964.htm#art15
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apreensão em escritório de advocacia: 
 
A busca e apreensão em escritório de advocacia não é vedada pelo ordenamento jurídico pátrio. 
No entanto, possui diversos requisitos, tais como: 
(a) a busca e apreensão deve decorrer de decisão judicial que demonstra 
de forma específica e fundamentada a real necessidade de ela ser 
cumprida em escritório de advocacia – nos fundamentos, cabe ao 
Delegado de Polícia indicar de forma específica e fundamentada a real 
necessidade; 
(b) a necessidade de o mandado de busca ser específico para o escritório 
de advocacia – caso haja mais de um endereço no pedido de busca, deve-
se solicitar ao juiz um mandado específico somente com o endereço do 
escritório de advocacia; 
(c) a necessidade de a busca ser acompanhada por um representante da 
OAB – no pedido, deve-se informar que a busca no escritório será 
acompanhada por representante da OAB; 
(d) a necessidade do mandado de busca ser específico em relação aos 
documentos a serem apreendidos, para que não se apreendam 
documentos relativos a pessoas que não sejam alvo da investigação – e 
isso deve ser apontado no pedido da peça. 
 
Sobre o tema, segue importante julgado do STF1: 
 
O sigilo profissional constitucionalmente determinado não exclui a possibilidade de 
cumprimento de mandado de busca e apreensão em escritório de advocacia. O local de 
trabalho do advogado, desde que este seja investigado, pode ser alvo de busca e apreensão, 
observando-se os limites impostos pela autoridade judicial. 2. Tratando-se de local onde 
existem documentos que dizem respeito a outros sujeitos não investigados, é indispensável a 
especificação do âmbito de abrangência da medida, que não poderá ser executada sobre a 
esfera de direitos de não investigados. 3. Equívoco quanto à indicação do escritório profissional 
do paciente, como seu endereço residencial, deve ser prontamente comunicado ao magistrado 
para adequação da ordem em relação às cautelas necessárias, sob pena de tornar nulas as 
provas oriundas da medida e todas as outras exclusivamentedelas decorrentes. 
 
A ausência dos requisitos mencionados no parágrafo anterior torna a busca ilegal por 
configurar potencial cenário de fishing expedition, o que é vedado pelo sistema 
constitucional brasileiro, com a consequente ilegalidade das provas produzidas. Observe 
um caso analisado pelo STF2 em 2021: “a jurisprudência do STF confere interpretação 
estrita e rígida às normas que possibilitam a realização de busca e apreensão, em especial 
quando direcionadas a advogados no exercício de sua profissão. Na situação em apreço, não 
 
1. HC 91610, Relator(a): Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 8/6/2010. 
 
2 RCL 43479, Relator(a): Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 10/08/2021. 
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foram observados os requisitos legais nem as prerrogativas da advocacia, com ampla 
deflagração de medidas que objetivaram ‘pescar’ provas (fishing expedition) contra os 
advogados denunciados e possíveis novos investigados. Ressalta-se que, ao deferir a busca 
e apreensão, a autoridade reclamada não demonstrou a imprescindibilidade em concreto 
da medida para o processamento dos fatos.” 
 
Dispositivos legais regentes da busca em escritório de advocacia: 
 
Art. 7º o Estatuto: § 6o Presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime por 
parte de advogado, a autoridade judiciária competente poderá decretar a quebra da 
inviolabilidade de que trata o inciso II do caput deste artigo, em decisão motivada, expedindo 
mandado de busca e apreensão, específico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de 
representante da OAB, sendo, em qualquer hipótese, vedada a utilização dos documentos, das 
mídias e dos objetos pertencentes a clientes do advogado averiguado, bem como dos demais 
instrumentos de trabalho que contenham informações sobre clientes. (Incluído pela Lei 
nº 11.767, de 2008) 
§ 6º-A. A medida judicial cautelar que importe na violação do escritório ou do local de trabalho 
do advogado será determinada em hipótese excepcional, desde que exista fundamento em 
indício, pelo órgão acusatório. (Promulgação partes vetadas) (Incluído pela Lei nº 
14.365, de 2022) 
§ 6º-B. É vedada a determinação da medida cautelar prevista no § 6º-A deste artigo se fundada 
exclusivamente em elementos produzidos em declarações do colaborador sem confirmação por 
outros meios de prova. (Promulgação partes vetadas) (Incluído pela Lei nº 14.365, de 
2022) 
§ 6º-C. O representante da OAB referido no § 6º deste artigo tem o direito a ser respeitado pelos 
agentes responsáveis pelo cumprimento do mandado de busca e apreensão, sob pena de abuso 
de autoridade, e o dever de zelar pelo fiel cumprimento do objeto da investigação, bem como 
de impedir que documentos, mídias e objetos não relacionados à investigação, especialmente 
de outros processos do mesmo cliente ou de outros clientes que não sejam pertinentes à 
persecução penal, sejam analisados, fotografados, filmados, retirados ou apreendidos do 
escritório de advocacia. (Promulgação partes vetadas) (Incluído pela Lei nº 14.365, de 
2022) 
§ 6º-D. No caso de inviabilidade técnica quanto à segregação da documentação, da mídia ou dos 
objetos não relacionados à investigação, em razão da sua natureza ou volume, no momento da 
execução da decisão judicial de apreensão ou de retirada do material, a cadeia de custódia 
preservará o sigilo do seu conteúdo, assegurada a presença do representante da OAB, nos 
termos dos §§ 6º-F e 6º-G deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) 
§ 6º-E. Na hipótese de inobservância do § 6º-D deste artigo pelo agente público responsável 
pelo cumprimento do mandado de busca e apreensão, o representante da OAB fará o relatório 
do fato ocorrido, com a inclusão dos nomes dos servidores, dará conhecimento à autoridade 
judiciária e o encaminhará à OAB para a elaboração de notícia-crime. (Incluído pela Lei nº 
14.365, de 2022) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11767.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11767.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#promulgacao
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#promulgacao
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#promulgacao
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
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§ 6º-F. É garantido o direito de acompanhamento por representante da OAB e pelo profissional 
investigado durante a análise dos documentos e dos dispositivos de armazenamento de 
informação pertencentes a advogado, apreendidos ou interceptados, em todos os atos, para 
assegurar o cumprimento do disposto no inciso II do caput deste artigo. (Promulgação partes 
vetadas). (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) 
§ 6º-G. A autoridade responsável informará, com antecedência mínima de 24 (vinte e quatro) 
horas, à seccional da OAB a data, o horário e o local em que serão analisados os documentos e 
os equipamentos apreendidos, garantido o direito de acompanhamento, em todos os atos, pelo 
representante da OAB e pelo profissional investigado para assegurar o disposto no § 6º-C deste 
artigo. (Promulgação partes vetadas) (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) 
§ 6º-H. Em casos de urgência devidamente fundamentada pelo juiz, a análise dos documentos e 
dos equipamentos apreendidos poderá acontecer em prazo inferior a 24 (vinte e quatro) horas, 
garantido o direito de acompanhamento, em todos os atos, pelo representante da OAB e pelo 
profissional investigado para assegurar o disposto no § 6º-C deste artigo. (Promulgação partes 
vetadas) (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) 
§ 6º-I. É vedado ao advogado efetuar colaboração premiada contra quem seja ou tenha sido seu 
cliente, e a inobservância disso importará em processo disciplinar, que poderá culminar com a 
aplicação do disposto no inciso III do caput do art. 35 desta Lei, sem prejuízo das penas previstas 
no art. 154 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal). (Incluído pela 
Lei nº 14.365, de 2022) 
 
 
VERSÃO 1: 
 
 
 
Excelentíssimo Dr. Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca de Florianópolis -
SC. 
 
Ref. Inquérito Policial nº. /2023 
 
A Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, por meio do seu Delegado de Polícia, ao final 
assinado, no uso de suas atribuições que lhe são conferidas, dentre outros dispositivos, pelos art. 
5°, inciso XI, e art. 144, §4°, ambos da Constituição Federal; pelo art. 240, §1º, e art. 242, todos 
do Código de Processo Penal; e pelo art. 2°, §1°, da Lei n° 12.830/2013, representa pela busca 
e apreensão domiciliar em escritório de advocacia no endereço citado abaixo, pelos fatos 
e fundamentos que passa a expor. 
 
 
1. Dos fatos 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#promulgacaohttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#promulgacao
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#promulgacao
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#promulgacao
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art154
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14365.htm#art2
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Trata-se de grupo de empresas com dívidas de mais de um milhão de reais com o Estado 
de Santa Catarina em razão do não pagamento do ICMS. Verificou-se que tal cenário teve início 
durante a pandemia, uma vez que os lucros diminuíram. 
Está em curso uma interceptação telefônica, com elementos importante para a 
investigação. Houve busca e apreensão e medida de sequestro, essa última, inclusive, incidiu em 
uma grande área com galpões que fora adquirida com proveitos decorrentes da operações 
criminosas das três empresas, daí a ocorrência do crime de lavagem de capitais. 
Ademais, o avanço da investigação desencadeou a retirada de certos documentos das 
empresas, comprovadores de todas as transações efetuadas e com potencialidade de aumento 
dos valores devidos ao Governo, os quais estão sendo ocultos pelo advogado em cenário 
incompatível com os preceitos éticos do Estatuto da OAB. 
 
2. Do Direito 
 
Em relação caso narrado, tem-se o crime previsto no art. 2º, II, da Lei nº 8137/90, uma 
vez que as empresas deixaram de recolher, no prazo legal, o valor do ICMS. Tem-se, ainda, o 
crime de lavagem de capitais, nos termos do art. 1º, §1º, I, da Lei nº 9.613/98. 
Existem indícios de autoria e prova da materialidade de auxílio do advogado na empreitada 
criminosa, consoante interceptação telefônica em andamento, já que ele oculta documento 
inerente à investigação em seu escritório de advocacia, mesmo após questionado pelo Delegado 
de Polícia, cometendo o crime de sonegação de documento probatório, previsto no art. 356 do 
Código Penal. 
A busca em escritório de advocacia é admitida, tanto pelo art. 7º, § 6º, do Estatuto da 
OAB, quanto pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, desde que preenchidos certos 
requisitos, o que ocorre no presente caso. Há de se pontuar que existe a real necessidade do 
cumprimento da busca e apreensão no escritório de advocacia, uma vez que ali estão ocultos os 
documento de interesse da investigação. 
Considerando a equiparação legal e jurisprudencial do escritório à casa para fins de 
inviolabilidade, no presente caso, a busca só poderá ser realizada em local onde, provavelmente, 
encontram-se os objetos necessários à prova de infração ou para colher qualquer elemento de 
convicção, mediante decisão judicial, devidamente fundamentada, nos termos do art. 5º, XI, da 
Constituição Federal. Desse modo, o presente caso amolda-se ao art. 240, § 1º, “e”, do Código 
de Processo Penal. 
 
 
 
3. Dos Pedidos 
 
 
Ante o exposto, esta autoridade policial representa pela busca e apreensão domiciliar 
no escritório de advocacia, sem a oitiva do investigado ou seu representante legal, na 
Av.___________, endereço que consta da representação juntada ao procedimento, a fim de 
localizar e apreender especialmente documentos contábeis relativos à investigação em curso, em 
especial aqueles capazes de comprovar todas as transações efetuadas pelas empresas, com 
mandado específico e pormenorizado para o alvo, nos termos do art. 7º, § 6º, do Estatuto da 
OAB. 
 
A autoridade policial que esta subscreve informa, desde já, que a OAB será notificada para 
que acompanhe, por meio de um representante, o cumprimento da presente diligência. 
 
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Ademais, seja possibilitada a competente manifestação do membro do Ministério Público 
para que ratifique os inúmeros indícios aqui informados, nos termos do art. 7º, § 6º-A, do Estatuto 
da OAB. 
 
Local e data. 
Delegado de Polícia 
 
 
VERSÃO 2: Em razão do espaço curto para a resposta (60 linhas), pode-
se mostrar interessante um texto corrido, sem a delimitação visual dos 
espaços. Destacarei em AMARELO as diferenças redacionais. 
 
 
 
 
Excelentíssimo Dr. Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca de Florianópolis -
SC. 
 
Ref. Inquérito Policial nº. /2023 
 
A Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, por meio do seu Delegado de Polícia, ao final 
assinado, no uso de suas atribuições que lhe são conferidas, dentre outros dispositivos, pelos art. 
5°, inciso XI, e art. 144, §4°, ambos da Constituição Federal; pelo art. 240, §1º, e art. 242, todos 
do Código de Processo Penal; e pelo art. 2°, §1°, da Lei n° 12.830/2013, representa pela busca 
e apreensão domiciliar em escritório de advocacia no endereço citado abaixo, pelos fatos 
e fundamentos que passa a expor. 
 
Em relação aos fatos, trata-se de grupo de empresas com dívidas de mais de um milhão 
de reais com o Estado de Santa Catarina em razão do não pagamento do ICMS. Verificou-se que 
tal cenário teve início durante a pandemia, uma vez que os lucros diminuíram. 
Está em curso uma interceptação telefônica, com elementos importante para a 
investigação. Houve busca e apreensão e medida de sequestro, essa última, inclusive, incidiu em 
uma grande área com galpões que fora adquirida com proveitos decorrentes da operações 
criminosas das três empresas, daí a ocorrência do crime de lavagem de capitais. 
Ademais, o avanço da investigação desencadeou a retirada de certos documentos das 
empresas, comprovadores de todas as transações efetuadas e com potencialidade de aumento 
dos valores devidos ao Governo, os quais estão sendo ocultos pelo advogado em cenário 
incompatível com os preceitos éticos do Estatuto da OAB. 
Em relação ao direito, sobre o caso narrado, tem-se o crime previsto no art. 2º, II, da Lei 
nº 8137/90, uma vez que as empresas deixaram de recolher, no prazo legal, o valor do ICMS. 
Tem-se, ainda, o crime de lavagem de capitais, nos termos do art. 1º, §1º, I, da Lei nº 9613/98. 
Existem indícios de autoria e prova da materialidade de auxílio do advogado na empreitada 
criminosa, consoante interceptação telefônica em andamento, já que ele oculta documento 
inerente à investigação em seu escritório de advocacia, mesmo após questionado pelo Delegado 
de Polícia, cometendo o crime de sonegação de documento probatório, previsto no art. 356 do 
Código Penal. 
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A busca em escritório de advocacia é admitida, tanto pelo art. 7º, § 6º, do Estatuto da 
OAB, quanto pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, desde que preenchidos certos 
requisitos, o que ocorre no presente caso. Há de se pontuar que existe a real necessidade do 
cumprimento da busca e apreensão no escritório de advocacia, uma vez que ali estão ocultos os 
documento de interesse da investigação. 
Considerando a equiparação legal e jurisprudencial do escritório à casa para fins de 
inviolabilidade, no presente caso, a busca só poderá ser realizada em local onde, provavelmente, 
encontram-se os objetos necessáriosà prova de infração ou para colher qualquer elemento de 
convicção, mediante decisão judicial, devidamente fundamentada, nos termos do art. 5º, XI, da 
Constituição Federal. Desse modo, o presente caso amolda-se ao art. 240, § 1º, “e”, do Código 
de Processo Penal. 
 
Ante o exposto, esta autoridade policial representa pela busca e apreensão domiciliar 
no escritório de advocacia, sem a oitiva do investigado ou seu representante legal, na 
Av.___________, endereço que consta da representação juntada ao procedimento, a fim de 
localizar e apreender especialmente documentos contábeis relativos à investigação em curso, em 
especial aqueles capazes de comprovar todas as transações efetuadas pelas empresas, com 
mandado específico e pormenorizado para o alvo, nos termos do art. 7º, § 6º, do Estatuto da 
OAB. 
 
A autoridade policial que esta subscreve informa, desde já, que a OAB será notificada para 
que acompanhe, por meio de um representante, o cumprimento da presente diligência. 
 
Ademais, seja possibilitada a competente manifestação do membro do Ministério Público 
para que ratifique os inúmeros indícios aqui informados, nos termos do art. 7º, § 6º-A, do Estatuto 
da OAB. 
 
Local e data. 
Delegado de Polícia 
 
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QUESTÃO DISCURSIVA 1 
(DIREITO PENAL/PROCESSUAL) 
 
Luana, de 12 anos, brincava com suas amigas num balanço perto de sua casa, quando 
escorregou, caiu e bateu a cabeça no chão. Desacordada e com um grande corte na parte frontal 
da cabeça, a menina foi levado para o pronto-socorro do Hospital Estadual dos acidentados de 
Criciúma - SC. Lá no Hospital, a criança precisou passar por uma cirurgia de urgência por causa 
do traumatismo craniano. Durante o procedimento cirúrgico, com a menina ainda viva, a equipe 
médica (2 médicos e 1 enfermeira), retirou os 2 (dois) rins e o fígado da criança, que veio a 
falecer por tal motivo. Os órgãos foram retirados visando o comércio ilegal, já que a equipe 
médica foi estruturalmente ordenada e criada para tal fim de acordo com a investigação criminal 
em andamento. 
Diante do caso narrado acima, à luz da doutrina e da jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal, qual crime a equipe médica cometeu diante do resultado morte da criança? Qual é o 
bem jurídico tutelado pelo crime? [valor: 4,00 pontos] Ademais, qual é o Juízo competente para 
o julgamento do caso narrado? [valor: 3,00 pontos] Por fim, a equipe médica pode ser 
considerada uma Organização criminosa para efeitos legais? [valor: 3,00 pontos] As respostas 
devem ser fundamentadas. 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS: 
 
Crime - remoção ilegal de órgãos com resultado morte (2,0 pontos) 
Bem jurídico tutelado (2,0 pontos) 
 
Juízo competente – juiz singular, afastado o júri (4,0 pontos) 
Não pode ser ORCRIM + fundamento (4,0 pontos) 
Português (0,2 por erro) 
NOTA FINAL 
 
 
 
MATERIAL DE LEITURA E/OU JULGADOS SOBRE O TEMA: 
 
Artigos importantes a serem lidos sobre o tema proposto: 
Código Penal: 
Art. 121. Matar alguém: 
Pena - reclusão, de seis a vinte anos. 
Caso de diminuição de pena 
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou 
moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação 
da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. 
Homicídio qualificado 
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§ 2º Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 
II - por motivo fútil; 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio 
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que 
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; 
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro 
crime: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Incluído pela Lei nº 
13.104, de 2015) 
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição 
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, 
no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, 
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: 
(Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015) 
VIII - (VETADO): 
VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido: (Incluído pela Lei 
nº 13.964, de 2019) (Vigência) 
Homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos (Incluído pela Lei nº 14.344, de 
2022) Vigência 
IX - contra menor de 14 (quatorze) anos: (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) 
Vigência Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
 
Constituição Federal de 1988: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: 
XXXVIII - e reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, 
assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
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d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; 
 
Código de Processo Penal: 
Art. 74. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de 
organização judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri. 
§ 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, 
§§ 1º e 2º, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, 
consumados ou tentados. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) 
Lei 9.434/19 – Lei de transplantes: 
Art. 14. Remover tecidos, órgãos ou partes do corpo de pessoa ou cadáver, em 
desacordo com as disposições desta Lei: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, de 100 a 360 dias-multa. 
§ 1.º Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa ou por 
outro motivo torpe: 
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa, de 100 a 150 dias-multa. 
§ 2.º Se o crime é praticado em pessoa viva, e resulta para o ofendido: 
I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; 
II - perigo de vida; 
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
IV - aceleração de parto: 
Pena - reclusão, de três a dez anos, e multa, de 100 a 200 dias-multa 
§ 3.º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta para o ofendido: 
I - Incapacidade para o trabalho; 
II - Enfermidade incurável ; 
III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função; 
IV - deformidade permanente; 
V - aborto: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos, e multa, de 150 a 300 dias-multa. 
§ 4.º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta morte: 
Pena - reclusão, de oito a vinte anos, e multa de 200 a 360 dias-multa. 
 
Lei de Organizações Criminosas: 
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Art. 1º Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, 
os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatase o procedimento 
criminal a ser aplicado. 
§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais 
pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda 
que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem 
de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas 
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter 
transnacional. 
(Grifo nosso) 
 
Julgado sobre o tema proposto: 
Caso: 
1ª Turma do STF afasta competência do Júri em crime de remoção ilegal de órgãos com morte 
(Informativo 1030): 
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) afastou a competência do Tribunal do Júri 
para julgar crime de remoção ilegal de órgãos com resultado morte. Em decisão majoritária, 
nesta terça-feira (14), os ministros deram provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 1313494, 
interposto pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), com repercussão geral 
reconhecida, e restabeleceram sentença condenatória contra três médicos da Santa Casa de 
Misericórdia de Poços de Caldas (MG). 
Comércio ilegal: 
Após cair de uma altura de 10 metros, um menino de 10 anos foi levado à Santa Casa, e, durante 
cirurgia, com ele ainda vivo, foram retirados seus dois rins, visando ao comércio ilegal de órgãos. 
Os médicos foram denunciados pela suposta prática de crime de remoção ilegal de órgãos, 
previsto na Lei de Transplantes (Lei 9.434/19, artigo 14, parágrafo 4º), em razão do suposto 
homicídio da criança. 
Crime contra a vida: 
A Justiça de 1ª instância os condenou, mas, ao analisar recurso da defesa, o Tribunal de Justiça 
do Estado de Minas Gerais (TJ-MG) declarou a nulidade da sentença. Segundo o TJ, os fatos 
indicariam a prática de crime doloso contra a vida, de competência do Tribunal do Júri, motivo 
pelo qual determinou, de ofício, a remessa do processo ao Júri. 
No RE, o MP-MG sustentou que os médicos prestavam atendimento negligente ou aceleravam 
a morte de pacientes a fim de remover seus órgãos para transplantá-los em terceiros, em 
desacordo com a lei. Com fundamento em violação ao princípio constitucional da dignidade da 
pessoa humana, pediu ao Supremo o restabelecimento da sentença condenatória. 
Morte como consequência: 
Segundo a defesa dos médicos, a matéria diz respeito à classificação jurídica dos fatos - se crime 
de remoção ilegal de órgãos (Lei de Transplantes) ou homicídio doloso, sendo necessária 
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interpretação de lei infraconstitucional. Eles alegavam que, no caso, a morte não é meio, mas 
consequência direta e certa da extração de órgãos vitais, e a competência seria do Tribunal do 
Júri. 
Organização criminosa: 
Na qualidade de fiscal da lei, o subprocurador-geral da República Alcides Martins defendeu o 
provimento do RE. De acordo com ele, os médicos integrariam organização criminosa com a 
finalidade de traficar órgãos humanos captados por meio de condutas (não atendimento e 
negligência de cuidados básicos) que aceleravam a morte de pacientes para abastecer a rede de 
tráfico. Segundo Martins, a morte seria o desdobramento da continuidade delitiva. 
 
 
Competência do juiz singular: 
O relator, ministro Dias Toffoli, votou pela fixação da competência do juízo singular criminal. No 
seu entendimento, na tipificação do crime de remoção de órgãos, deve-se atentar para a 
finalidade da remoção. O bem jurídico a ser protegido, no caso, é a incolumidade pública, a ética 
e a moralidade no contexto da doação de órgãos e tecidos, além da preservação da integridade 
física das pessoas e do respeito à memória dos mortos. 
Seu voto foi seguido pelo ministro Alexandre Moraes e pela ministra Rosa Weber. 
Divergência: 
Ficou vencida a ministra Cármen Lúcia, que considerou que o caso diz respeito a crime doloso 
contra vida, que é de competência do Tribunal do Júri. 
Fonte: Portal do STF 
 
SUGESTÂO DE RESPOSTA: 
 
No caso narrado, pelo princípio da especialidade e de acordo com entendimento do 
Supremo Tribunal Federal (STF), a equipe médica praticou delito de remoção ilegal de órgãos 
com resultado morte (art. 14, § 4º, da Lei 9.434/), porque a finalidade era a remoção dos 
órgãos. Desta forma, hão há falar do crime de homicídio doloso (qualificado). O bem jurídico a 
ser protegido, no caso em tela, é a incolumidade pública, a ética e a moralidade no contexto da 
doação de órgãos e tecidos, além da preservação da integridade física das pessoas, e do respeito 
à memória dos mortos. 
 
Cabe ressaltar que, conforme entendimento do STF, é do juiz singular estadual (Vara 
criminal da Justiça de Santa Catarina) a competência para o processamento e julgamento do 
crime de remoção ilegal de órgãos, praticado em pessoa viva e que resulte morte, previsto na 
Lei de transplantes. Não cabe ao Tribunal do Júri tal competência, tendo em vista que o crime 
de remoção ilegal de órgãos com resultado morte não está elencado entre os crimes dolosos 
contra vida. 
 
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Por fim, a equipe médica não pode ser enquadrada como Organização Criminosa, pois ela 
acontece em razão da associação de 4 ou mais pessoas, que se ordenam de forma estruturada 
e com divisão de tarefas, ainda que de maneira informal, com objetivo de obter, de forma direta 
ou não, vantagem de qualquer natureza, pela prática de crimes cujas penas máximas sejam 
superiores a 4 anos, ou que sejam de caráter transnacional. 
 
 
 
 
 
 
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QUESTÃO DISCURSIVA 2 
(DIREITO CONSTITUCIONAL) 
 
Canotilho ensina que a questão do “método justo” em direito constitucional é um dos problemas 
mais controvertidos. Por isso, para ele, não há apenas um método de interpretação 
constitucional, podendo-se afirmar que, atualmente, a interpretação das normas 
constitucionais obtém-se a partir de um conjunto de métodos distintos, porém 
complementares. 
Diante de tais ensinamentos, Bruno, professor de Direito Constitucional da Universidade Federal 
de Santa Catarina, explicou aos seus alunos que a norma constitucional não apresenta uma 
relação de sobreposição com o texto da Constituição formal. Na verdade, resulta de um 
processo intelectivo conduzido pelo intérprete, que, sensível às peculiaridades do caso concreto 
e aos balizamentos do texto, promove a interação deste último com a realidade. 
Diante do que foi trazido pelo texto, e do exemplo de interpretação constitucional mencionado 
pelo Professor Bruno, redija um texto respondendo os seguintes questionamentos: 
a) O método de interpretação explicado pelo professor da Universidade Federal de Santa 
Catarina pode ser concebido como expressão do tópico-problemático ou hermenêutico-
concretizador? Explique cada um deles, citando seus idealizadores. [valor: 6,0 pontos] 
b) Conceitue também os métodos de interpretação científico-espiritual e normativo-
estruturante, citando seus idealizadores. [valor: 4,0 pontos] 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS: 
 
Identificação do método interpretativo (2,0 pontos) 
Método tópico-problemático: conceito + idealizador (2,0 pontos) 
Método hermenêutico-concretizador: conceito + idealizador (2,0 
pontos) 
 
Método científico espiritual: conceito + idealizador (2,0 pontos) 
Método normativo-estruturante: conceito + idealizador (2,0 pontos) 
Português (0,2 por erro) 
NOTA FINAL 
 
 
 
MATERIAL DE LEITURAE/OU JULGADOS SOBRE O TEMA: 
 
Métodos de interpretação: 
 
Método tópico-problemático: 
Idealizado por Theodor Viehweg (“Tópica e jurisprudência”), neste método, há prevalência do 
problema sobre a norma, ou seja, busca-se solucionar determinado problema por meio da 
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interpretação de norma constitucional. Este método parte das premissas seguintes: a 
interpretação constitucional tem caráter prático, pois busca resolver problemas concretos e a 
norma constitucional é aberta, de significado indeterminado (por isso, deve-se dar preferência 
à discussão do problema). 
Características: 
• Prevalência do problema sobre a norma; 
• Tópico-problemático = Theodor Viehweg 
 
Método Hermenêutico-concretizador: 
 
Idealizado por Konrad Hesse, para o autor, a leitura da Constituição inicia-se pela pré-
compreensão do seu sentido pelo intérprete, a quem cabe aplicar a norma para a resolução de 
uma situação concreta. Admite o primado da norma constitucional sobre o problema. Valoriza 
a atividade interpretativa e as circunstâncias nas quais esta se desenvolve, promovendo uma 
relação entre texto e contexto, transformando a interpretação em “movimento de ir e vir”, do 
subjetivo para o objetivo, e, deste, de volta para aquele (círculo hermenêutico). 
Características: BIZU: 
• Prevalência da norma sobre o problema; 
• Hermenêutico-concretizador = Konrad Hesse 
 
Método Científico-espiritual, Integrativo, Interpretativo Evolutivo ou Valorativo: 
 
A interpretação constitucional deve levar em consideração a compreensão da Constituição 
como uma ordem de valores e como elemento do processo de integração. O intérprete deve 
levar em consideração o sistema de valores que é subjacente ao texto constitucional, e à 
realidade da vida. Idealizado por Rudolf Smend, este método dispõe que a interpretação 
constitucional deve levar em consideração a compreensão da Constituição como uma ordem de 
valores e como elemento do processo de integração. 
Assim, a interpretação deve aprofundar-se na pesquisa do conteúdo axiológico subjacente ao 
texto, pois só o recurso à ordem de valores obriga a uma captação espiritual desse conteúdo 
axiológico último da Constituição. 
Características: 
• Considera-se o “espírito da constituição”, o sistema de valores subjacente ao texto 
constitucional 
• científico-eSpiritual = Rudolf Smend 
 
Método Normativo-estruturante ou Concretista 
 
Idealizado por Friederich Müller, este método considera que a norma jurídica é diferente do 
texto normativo: aquela é mais ampla que este, pois resulta não só da atividade legislativa, mas 
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igualmente da jurisdicional e da administrativa (o texto é apenas a ponta do iceberg, ou seja, o 
início do processo de interpretação). Assim, para se interpretar a norma, deve-se utilizar tanto 
seu texto quanto a verificação de como se dá sua aplicação à realidade social (contexto). A 
norma seria o resultado da interpretação do texto aliado ao contexto. É um método também 
concretista, diferenciando-se dele, porém, na medida em que a norma a ser concretizada não 
está inteiramente no texto, sendo o resultado entre este e a realidade. 
Características: 
• Texto da norma x Norma jurídica. A norma jurídica deve ser interpretada de acordo com 
o contexto 
• normativo-estruturante = Friederich Müller 
 
 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 
À luz do caso apresentado, o método de interpretação, explicado pelo professor, pode ser 
concebido como expressão do método concretizador. Idealizado por Konrad Hesse, parte da 
ideia de que a leitura de todo o texto e da Constituição deve se iniciar pela pré-compreensão do 
seu sentido por ser o texto dotado de uma força normativa. Por isso, admite o primado da norma 
constitucional sobre o problema (parte da norma para o problema). O método hermenêutico-
concretizador considera a interpretação constitucional como uma atividade de concretização da 
Constituição, circunstância que permite ao intérprete determinar o próprio conteúdo material 
da norma. 
 
Já no método tópico-problemático, idealizado por Theodor Viehweg, a interpretação 
constitucional leva a um processo aberto de argumentação entre os vários partícipes ou 
intérpretes, a fim de se adaptar a norma constitucional ao problema concreto para, só ao final, 
se identificar a norma adequada (parte do problema para a norma). Para este método, deve a 
interpretação partir da discussão do problema concreto que se pretende resolver para, só ao 
final, se identificar a norma adequada. 
 
Quanto ao método científico-espiritual, idealizado por Rudolf Smend, preconiza que a 
interpretação da Constituição deve considerar a ordem ou o sistema de valores subjacentes ao 
texto constitucional. A Constituição deve ser interpretada como um todo, dentro da realidade 
do Estado. 
 
Por fim, o método normativo-estruturante parte do entendimento de que existe uma relação 
necessária entre o texto e a realidade. Foi idealizado por Friederich Müller, que afirma que o 
texto é apenas a “ponta do iceberg”, não compreendendo a norma apenas o texto, mas, 
também, um pedaço da realidade social. É um método também concretista, diferenciando-se 
dele, porém, na medida em que a norma a ser concretizada não está inteiramente no texto, 
sendo o resultado entre este e a realidade. 
 
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QUESTÃO DISCURSIVA 3 
(DIREITO ADMINISTRATIVO) 
 
Durante uma operação denominada “a casa caiu”, a Polícia Civil de Araranguá - SC investigou 
Evandro Miguel (Escrivão de polícia da referida cidade) por suposto crime contra a 
Administração Pública. Sabe-se que os fatos ora investigados foram inicialmente noticiados por 
meio de denúncia anônima, e posterior investigação preliminar. Com fundamento em uma 
interceptação telefônica, e interceptação do e-mail corporativo, foram demonstrados indícios 
de que Evandro Miguel cometeu o crime de concussão. O Juízo Criminal processante, após 
solicitação, compartilhou as provas produzidas com a Procuradoria do Estado de Santa Catarina. 
Foi aberto um PAD, e ao final, Evandro Miguel recebeu a pena de demissão. O processo criminal 
deu continuidade, e tramitou até o STJ, que anulou as provas produzidas nas intercepções 
(telefônicas e do e-mail corporativo) por ausência de fundamentação para tais medidas. Diante 
da decisão do STJ, Evandro Miguel pediu revisão do PAD. 
 
Diante do caso narrado acima, e com base na jurisprudência do STJ responda: 
a) É possível a instauração de PAD com base em denúncia anônima? [valor: 2,5 pontos] 
b) No PAD, é permitida a utilização de prova emprestada, consistente na interceptação 
telefônica e do e-mail corporativo, produzida em ação penal que ainda não transitou em 
julgado? [valor: 2,5 pontos] 
c) As provas obtidas por monitoramento de e-mail funcional de servidor público 
configuram prova ilícita? [valor: 2,5 pontos] 
d) Sendo anuladas as provas produzidas no processo criminal, estas deverão ser excluídas 
do PAD mesmo quem tenham sido produzidas de forma independente? [valor: 2,5 
pontos] 
 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS: 
 
Instauração de PAD com base em denúncia anônima (2,5 pontos) 
Prova emprestada (2,5 pontos) 
Provas obtidas por monitoramento de e-mail funcional de 
servidor público configuram prova ilícita? (2,5 pontos) 
 
Exclusão das provas anuladas (2,5 pontos)Português (0,2 por erro) 
NOTA FINAL 
 
 
 
MATERIAL DE LEITURA E/OU JULGADOS SOBRE O TEMA: 
 
Súmulas sobre o tema proposto: 
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Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo 
disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados 
o contraditório e a ampla defesa. 
Súmula 611-STJ: Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação 
ou sindicância, é permitida a instauração de processo administrativo disciplinar 
com base em denúncia anônima em face do poder-dever de autotutela imposto à 
Administração. 
 
Breve explicação doutrinária: 
Denúncia anônima: Trata-se de notícia crime não qualificada quanto à origem (notitia 
criminis inqualificada), ou seja, inexiste a identificação do responsável por aquela informação de 
suposta prática criminosa. Por isso, vulgarmente chamada de “denúncia anônima” ou delação 
apócrifa. É normalmente realizada por meio dos sistemas de “disque-denúncia” dos órgãos de 
investigação preliminar. 
Conforme jurisprudência do STJ, é possível instaurar processo administrativo disciplinar com 
base em “denúncia anônima”, mas antes, a autoridade deverá realizar uma investigação 
preliminar ou sindicância para averiguar o conteúdo e confirmar se a “denúncia anônima” possui 
um mínimo de plausibilidade probatória. 
Prova emprestada: Em regra, a prova que será utilizada pelas partes e pelo juiz no processo é 
produzida dentro do próprio processo. No entanto, é possível que uma prova que foi produzida 
em um processo seja levada (“transportada”) para ser utilizada em outro processo. A isso a 
doutrina chama de “prova emprestada”. 
“Prova emprestada é a prova de um fato, produzida em um processo, seja por documentos, 
testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame pericial, que é trasladada para outro 
processo sob a forma documental.” (DIDIER JR. Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, 
Rafael. Curso de Direito Processual Civil. Vol. 2. Salvador: Juspodivm, 2013, p. 52). 
A utilização de prova já produzida em outro processo responde aos anseios de economia 
processual, dispensando a produção de prova já existente, e também da busca da verdade 
possível, em especial quando é impossível produzir novamente a prova. 
 
Jurisprudências sobre o tema proposto: 
A jurisprudência do STJ e do STF são firmes no sentido de que é admitida a 
utilização no processo administrativo de “prova emprestada” do inquérito policial 
ou do processo penal, desde que autorizada pelo juízo criminal e respeitados o 
contraditório e a ampla defesa (STJ. 1ª Seção. MS 17.472/DF, Rel. Min. Arnaldo 
Esteves Lima, julgado em 13/6/2012). 
É possível a utilização, em processo administrativo disciplinar, de prova 
emprestada validamente produzida em processo criminal, independentemente do 
trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Isso porque, em regra, o 
resultado da sentença proferida no processo criminal não repercute na instância 
administrativa, tendo em vista a independência existente entre as instâncias (STJ. 
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2ª Turma. RMS 33.628-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 2/4/2013. 
Info 521). 
A prova colhida mediante autorização judicial e para fins de investigação ou 
processo criminal pode ser utilizada para instruir procedimento administrativo 
punitivo. Assim, é possível que as provas provenientes de interceptações 
telefônicas autorizadas judicialmente em processo criminal sejam emprestadas 
para o processo administrativo disciplinar. STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. 
Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 
9/8/2016 (Info 834). 
As informações obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de servidor 
público não configuram prova ilícita quando relacionadas com aspectos “não 
pessoais” e de interesse da Administração Pública e da própria coletividade, 
especialmente quando exista, nas disposições normativas acerca do seu uso, 
expressa menção da sua destinação somente para assuntos e matérias afetas ao 
serviço, bem como advertência sobre monitoramento e acesso ao conteúdo das 
comunicações dos usuários para cumprir disposições legais ou instruir 
procedimento administrativo. STJ. 2ª Turma RMS 48665-SP, Rel. Min. Og 
Fernandes, julgado em 15/9/2015 (Info 576). 
A decisão que determina exclusão de elementos probatórios obtidos mediante o 
acesso ao e-mail funcional de servidor investigado não contamina a legalidade da 
utilização de provas produzidas de forma independente por comissão disciplinar de 
PAD, em observância à teoria da fonte independente e da descoberta inevitável da 
prova. STJ. 3ª Seção. AgRg na Rcl 42292-DF, Rel. Min. Olindo Menezes 
(Desembargador convocado do TRF 1ª Região), julgado em 24/08/2022 (Info 747). 
Fonte: Dizer o Direito 
 
Julgado sobre o tema proposto: 
Informativo 747 – STJ: 
Tese Jurídica Simplificada 
De acordo com a teoria da fonte independente e da descoberta inevitável da prova, 
a decisão que exclui provas obtidas por acesso a e-mail funcional de servidor, não 
torna ilegal o uso de provas produzidas de forma independente por comissão 
disciplinar do processo administrativo. 
Tese Jurídica Oficial 
A decisão que determina exclusão de elementos probatórios obtidos mediante o 
acesso ao e-mail funcional de servidor investigado não contamina a legalidade da 
utilização de provas produzidas de forma independente por comissão disciplinar de 
PAD, em observância à teoria da fonte independente e da descoberta inevitável da 
prova. 
Resumo Oficial 
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Inicialmente, anota-se que, nos termos em que fora julgado o RHC 120.939/SP, não 
se delimitou o alcance da declaração de ilicitude dos e-mails pertencentes a 
servidor, se apenas o pessoal ou também o funcional. 
"O reconhecimento de nulidades no curso do processo penal reclama uma efetiva 
demonstração do prejuízo à parte, sem a qual prevalecerá o princípio da 
instrumentalidade das formas positivado pelo art. 563 do CPP (pas de nullité sans 
grief)" (AgRg no HC n. 727.803/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, 
julgado em 17/05/2022, DJe de 20/05/2022). 
Se, no caso concreto, há menções à participação do servidor no âmbito da 
Operação "Porto Seguro", mesmo antes da prolação da decisão reclamada, 
sustentando-se, ainda, que "o acesso ao correio eletrônico institucional do 
reclamante não foi obtido pela Comissão Processante como decorrente das 
medidas cautelares deferidas no bojo de inquérito policial, mas sim por meio de 
prova produzida na esfera estritamente administrativa", não há falar-se em 
prejuízo. Tanto que "mesmo após ser dado cumprimento à decisão do Superior 
Tribunal de Justiça, com extração dos autos das provas declaradas ilícitas, 
remanesce conjunto probatório robusto apto a legitimar a manutenção da 
penalidade" (demissão). 
Além disso, não há nenhum impedimento, ou se contesta, a legalidade da utilização 
das provas produzidas de forma independente pela comissão disciplinar no PAD, 
uma vez que o âmbito decisório foi, tão somente, a exclusão dos e-
mails pertencentes ao agravado, tanto os de cunho pessoal como os funcionais. 
Dizendo de outra forma, não há nenhuma objeção à utilização das demais provas 
colhidas de maneira independente no processo administrativo citado. 
(Fonte: PortalSTJ) 
Fonte: Portal do STF 
 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 
De acordo com súmula do STJ, é possível a instauração de PAD com base em 
denúncia anônima, desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou 
sindicância, em face do poder-dever de autotutela da Administração Pública. 
No que diz respeito à utilização de prova emprestada no PAD, tema sumulado pelo 
STJ, desde que haja autorização pelo juízo criminal e respeitados o contraditório e a ampla 
defesa, é perfeitamente possível a sua utilização, independentemente do trânsito em julgado 
da sentença penal condenatória. 
Cabe ressaltar que as provas obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de 
servidor público não configuram prova ilícita quando relacionadas com aspectos “não pessoais” 
e de interesse da Administração Pública e da própria coletividade. 
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Por último, sendo anuladas as provas produzidas no processo criminal que foram 
emprestadas, estas deverão ser excluídas do PAD, desde que tais provas não sejam produzidas 
de forma independente pela comissão disciplinar responsável, em observância à teoria da fonte 
independente e da descoberta inevitável da prova, pois, desta forma, não contaminaria a 
legalidade da utilização de tais provas no PAD.

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