Prévia do material em texto
FORÇA PENAL NACIONAL: emprego e atuação MÓDULO 2 Da legalidade do emprego da FORÇA EXPEDIENTE BY NC ND Todo o conteúdo do curso Força Penal Nacional: emprego e atuação, da Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo federal — 2023, está licenciado sob a Licença Pública Creative Commons Atribuição — Não Comercial — Sem Derivações 4.0 Internacional. Para visualizar uma cópia desta licença, acesse: https://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR. GOVERNO FEDERAL Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Vice-Presidente da República Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho Ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino de Castro e Costa Secretário da Secretaria Nacional de Políticas Penais – SENAPPEN Rafael Velasco Brandani Diretora da Escola Nacional de Serviços Penais – ESPEN Stephane Silva de Araújo Chefe da Divisão de Educação a Distância Haynara Jocely Lima de Almeida Equipe ESPEN PRONASCI Ademir Santos da Silva Diógenes Gonçalves Bem Eberson Trindade Rodrigues Leonardo Conceição Cruz Maria de Fátima de Souza Moreno UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Coordenação Geral Luciano Patrício Souza de Castro Financeiro Fernando Machado Wolf Consultoria Técnica EaD Giovana Schuelter Coordenação de Produção Francielli Schuelter Coordenação de AVEA Andreia Mara Fiala Revisão Textual Supervisão: Cleusa Iracema Pereira Raimundo Victor Rocha Freire Silva Vivianne Oliveira Rodrigues Design Instrucional Supervisão: Milene Silva de Castro Joyce Regina Borges Julia Dias Lopes Larissa Usanovich de Menezes Design Gráfico Supervisão: Mary Vonni Meürer de Lima Cleber da Luz Monteiro Giovana Aparecida dos Santos Guilherme Comerão Stecca Almeida Julia Morato Leite Lucas Nicole Alves Guglielmetti Renata Cristina Gonçalves Sonia Trois Tiago Augusto Paiva Programação Supervisão: Alexandre Dal Fabbro Luan Rodrigo Silva Costa Luiz Eduardo Pizzinatto Audiovisual Supervisão: Rafael Poletto Dutra Angie Luiza Moreira de Oliveira Arthur Pereira Neves Daniele de Castro Dilney Carvalho da Silva Kimberly Araujo Lazzarin Marcelo Vinícius Netto Spillere Marília Gabriela Salomao Dauer Rodrigo Humaitá Witte Apresentação Áureo Mafra de Moraes Conteúdo Cristiano Cruz Carneiro https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR A Secretaria Nacional de Políticas Penais submeterá à análise do Minis- tério da Justiça e Segurança Pública uma portaria destinada a regula- mentar a atuação da Força Penal Nacional, definida como um programa de ações conjuntas e integradas entre a União e os estados, firmado mediante convênio e instituído em caráter episódico e planejado, para execução de atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio do sistema penitenciário brasileiro. Preliminarmente, cumpre esclarecer que a Força Penal Nacional, adequando-se às diretrizes atuais, surge com o intuito de transpor a antiga Força-Tarefa de Intervenção Penal (FTIP), estabelecida por meio da Portaria nº 65, de 25 de janeiro de 2019, consagrando-se como um grande programa de cooperação voltado ao apoio mútuo entre a União e os estados em todas as esferas da execução penal, sendo a intervenção na crise penitenciária apenas uma das vertentes da ação. A Força Penal Nacional, portanto, objetiva reunir os melhores profissionais na atuação penal para, em uma visão holística do sistema e durante o tempo determinado em ato normativo, auxiliar os estados nas esferas administrativas, gerenciais e assistenciais, compreendendo o apoio nas áreas de Direção de unidades penais, reabilitação, aquisições e logística, segurança e disciplina, entre outras. Por fim, tendo como base as ações de cooperação outrora realizadas pela Secretaria Nacional de Políticas Penais que obtiveram não só resultados expressivos na redução do índice de criminalidade violenta nos estados como também a modernização e estruturação de unidades penitenci- árias, faz-se necessário regulamentar, de forma expressiva e detalhada, a novel Força Penal Nacional, propiciando sua ampliação e legitimidade. ESCLARECIMENTO Força Penal Nacional (FOPEN) A partir de 1º de janeiro de 2023, o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) passou a ser denominado Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), instituída pelo Art. 59 da Medida Provisória nº 1.154; porém, devido ao fato de o material deste curso ter sido produzido antes da vigência da referida medida provisória, há conteúdos em que a atual SENAPPEN é mencionada como DEPEN. É possível, ainda, que outros órgãos gover- namentais federais citados nos materiais, como ministérios, secretarias e departamentos, disponham de uma nova estrutura regimental e uma nova nomenclatura e sejam mencionados de maneira diferente da atual. ESCLARECIMENTO SUMÁRIO Apresentação ................................................................................................................................................6 Objetivos do módulo 7 Unidade 1: A previsão legal para o emprego da FORÇA ...................9 Unidade 2: Operação Phoenix .............................................................................................13 2.1 Gabinete de Crise 14 2.2 Ações mitigadoras 15 2.3 Importância da pronta resposta 16 Unidade 3: O conceito de convênio de cooperação ..............................19 3.1 Convênio de Cooperação Federativa 21 Síntese do Módulo ..............................................................................................................................30 Referências .................................................................................................................................................... 31 FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 6 APRESENTAÇÃO Olá, cursista! Seja bem-vindo(a) ao Módulo 2. Neste módulo, discorreremos sobre a legislação que abarca a legitimi- dade do emprego e atuação da FORÇA. Em suma, essa modalidade cooperativa, no âmbito da segurança pública, com previsão legal no art. 241 da Constituição Federal, é regulamentada e desenvolvida na forma dos Acordos ou Convênios de Cooperação Federativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), celebrados com os estados e o Distrito Federal, como preconiza a Lei n° 11.473, de 10 maio de 2007. Nesses termos, a União poderá firmar convênio com os entes federativos para executar atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Tais atividades consistem em operações conjuntas, transferências de recursos e desenvolvimento de atividades de capacitação e qualificação de profissionais, no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública, têm caráter consensual e serão desenvolvidas sob a coordenação conjunta da União e do ente convenente. A competência da cooperação é novamente ratificada com a Lei n° 13.844, de 18 de junho de 2019, que estabelece a organização básica dos órgãos da Presidência da República e dos ministérios. Dessa forma, o MJSP é responsável pela promoção da integração e cooperação entre os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais, bem como pela articulação com os órgãos e as entidades de coordenação e supervisão das atividades de segurança pública. Destarte, há ainda o Decreto n° 11.103, de 24 de junho de 2022, que garante ao Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) a coordenação das operações da FORÇA, por meio da Diretoria do Sis- tema Penitenciário Federal. Bons estudos! FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 7 Objetivos do módulo • Compreender a previsão legal para o emprego da FORÇA. • Apresentar o Decreto Presidencial n° 11.103, de 24 de junho de 2022. • Analisar os fluxos processuais,as estratégias baseadas na legalidade e os preparativos da ação. • Apresentar os Acordos ou Convênios de Cooperação Federativa cele- brados entre os estados e o Distrito Federal. UNIDADE 1 A previsão legal para o emprego da FORÇA FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 9 1. A PREVISÃO LEGAL PARA O EMPREGO DA FORÇA Foto: © [Bruno Cecim] / Ag.Para. Por força da crise instaurada no estado do Rio Grande do Norte, em 2017, com o descontrole no Complexo Penitenciário de Alcaçuz, e visando compor um contingente de policiais penais aptos a intervir em eventuais crises em apoio ao governo do estado, foi necessária a elaboração de uma portaria ministerial, em virtude do caráter emergencial, pois urgia uma resposta imediata por parte do governo federal, visto que o descontrole virou manchete em grandes veículos de comunicação e eram realizadas, diuturnamente, tomadas ao vivo da barbárie e do descontrole no Complexo Penitenciário de Alcaçuz. Foi assinada, portanto, no dia 23 de janeiro de 2017, a Portaria nº 94, inaugurando, assim, a FTIP, que dispunha sobre a for- mação da FORÇA no âmbito da Força Nacional de Segurança Pública. “O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA E CIDADANIA, no uso de suas atribuições legais e considerando o disposto na Lei nº 11.473, de 10 de maio de 2007, no Decreto nº 5.289, de 29 de novembro de 2004, na Portaria nº 178/MJ, de 4 de fevereiro de 2010; e considerando os pedidos efetuados por alguns Governadores de Estado para atuação de agentes penitenciários federais, estaduais e do Distrito Federal para controlar distúrbios episódicos nos estabelecimentos penais em seus respectivos Estados, resolve: FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 10 Art. 1º - Autorizar a formação de uma Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) no âmbito da Força Nacional de Segurança Pública, em apoio aos Governos de Estado, para situações extraor- dinárias de grave crise no sistema penitenciário. Art. 2º - A Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) será composta por agentes penitenciários federais, estaduais e do Distrito Federal, na forma dos Acordos ou Convênios de Cooperação Federativa da Força Nacional de Segurança Pública celebrados com os Estados e o Distrito Federal. Art. 3º - Compete à Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) as atividades e serviços de guarda, vigilância e custódia de presos, previstas no art. 3º, IV, da Lei nº 11.473, de 10 de maio de 2007. Art. 4º - O número de profissionais a ser disponibilizado pelo Ministério da Justiça e Cidadania obedecerá ao planejamento definido pelos entes envolvidos na operação. Art. 5º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.” (BRASIL, 2017). É importante ressaltar que essa portaria, direcionada à carreira dos policiais penais de todo o Brasil, foi um marco na segurança pública, oportunizando a participação dos estados-membros da Federação e do Distrito Federal, em auxílio mútuo, para debelar crises em estabeleci- mentos penais; fato este já engendrado em outras ocasiões por secretários de administração penitenciária, mas que não deu certo em virtude da falta de ordenamento jurídico, necessário para implementação de FORÇA dedicada a restabelecer a ordem dentro de presídios rebelados. Antes de 2017, um servidor da carreira penal somente poderia laborar no Departamento Penitenciário Nacional por meio de livre nomeação e exoneração em cargo comissionado e, em alguns casos, cedido como órgão congênere, por força da transferência de cônjuge, no âmbito federal, para manutenção da unicidade familiar. FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 11 A mais recente portaria da FTIP é a nº 65, de 25 de janeiro de 2019: “Art. 5º - A FTIP contará com uma Coordenação Institucional que será res- ponsável pelo planejamento, articulação, gestão e ação. Parágrafo único. Outras Coordenações poderão ser criadas por meio de Portaria do Diretor Geral do Departamento Penitenciário Nacional, conforme a necessidade do caso concreto. Art. 6º - As Secretarias Estaduais responsáveis pela gestão prisional poderão subdelegar à Coordenação Institucional a gestão da unidade prisional objeto da intervenção, pelo período em que perdurar a ação. Art. 7º - Fica subdelegada ao Diretor-Geral do Departamento Penitenciário Nacional a competência de designar e dispensar os servidores res- ponsáveis pelas Coordenações previstas no art. 5º desta Portaria.” (BRASIL, 2019a). Nessa senda, uma nova minuta de portaria, mais robusta, foi elaborada na esfera da Diretoria do Sistema Penitenciário Federal, prestes a ser finalizada e seguir o fluxo processual e, após anuência da Diretoria Geral do DEPEN, foi encaminhada ao Gabinete do Ministro da Justiça e Segu- rança Pública para apreciação e posterior publicação. UNIDADE 2 Operação Phoenix FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 13 2. OPERAÇÃO PHOENIX A Operação Phoenix no cenário prisional merece destaque, pois serviu como ponto de partida para o desenvolvimento de várias ações de segurança, aliadas às ações de assistências aos apenados dentro de uma unidade prisional, bem como pelo trabalho em sinergia, pela primeira vez, de servidores prisionais federais, distritais e estaduais. Para tanto, foi necessária a construção de um ordenamento jurídico para pro- piciar a atuação de servidores em unidade federativa adversa da sua lotação quanto à legalidade das ações desenvolvidas pelos servidores mobilizados. A legitimidade da ação ocorreu seguindo o fluxo à época, visto que, por ser a primeira, carecia de diretrizes bem delineadas. Não obstante, foi realizado um trabalho de excelência por parte dos agentes federais de execução penal, sendo deslocados servidores das quatro unidades federais com grande conhecimento em intervenção tática. O suporte logístico (viaturas, armamentos letais e menos letais, material administrativo) ficou sob a responsabilidade da Penitenciária Federal de Mossoró (RN), sendo o primeiro a chegar no local de crise, e, em ato contínuo, iniciaram-se as tratativas para buscar instalações compatíveis para aco- modar os diversos materiais utilizados na retomada e os servidores responsáveis por gerir esses insumos. Veja a seguir o fluxo processual da operação. Fluxo processual da operação Pedido do governador Ministério da Justiça e Segurança Pública Departamento Penitenciário Nacional Diretoria do Sistema Penitenciário Federal Pedido de cooperação das unidades federativas Mobilização da equipe de intervenção Intervenção na crise FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 14 2.1 Gabinete de Crise Outro fato que merece destaque é a criação do Gabinete de Crise. O Gabinete de Crise é onde se reúnem as autoridades pertencentes ao rol da segurança pública capazes de atuar em sinergia, no teatro de ope- rações, em conjunto com a FORÇA. Além dos componentes de órgãos fiscalizadores e outros atores que atuam de forma direta/indireta nas cercanias da unidade, contando inclusive com apoio aéreo (se necessário). Essas ações orquestradas tornaram-se essenciais para debelar a crise no mais rápido espaço de tempo, minimizando os efeitos causados pela reto- mada de controle. Tais reuniões aconteceram em dois dias, nos quais ficou acertado o dia da retomada de controle e o deflagar da Operação Phoenix (começando pela Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, pavilhão 4), bem como foram alinhadas todas as fases da operação até o controle absoluto do complexo penitenciário. Um dia antes da entrada na unidade, realizou-se um briefing, a base do planejamento operacional, reunindo todos os envolvidos na ação, as informações sobre o objetivo e os recursos utilizados para atingi-los. Desse modo, o plano de ação leva em conta o históricoda unidade, os problemas encontrados, a organização do contingente empregado, o consumo do material empregado, o controle hidráulico e elétrico, as posições geográficas de interesses (envelopamento da unidade) e as limitações, como acessos e locais a serem percorridos e possíveis barreiras construídas. Gabinete de Crise – Alcaçuz. Foto: DEPEN/arquivo. FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 15 Para o briefing ficar mais completo, ainda podem ser acrescentados outros itens como: análise macroambiente (apoio aéreo), o consumo, estratégias para otimizar o desempenho das ações, análise de matriz SWOT e diagnóstico completo, caso haja tempo hábil para tais medidas. QR CODE Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou tablet) no QR Code ao lado para assistir ao vídeo sobre o Gabinete de Crise, ou acesse o link: https://youtu.be/gWQlS0HnbzM. 2.2 Ações mitigadoras O escopo das ações segue todos os princípios da legalidade concernentes aos direitos humanos, em consonância com a Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso XLIX, assegurando ao preso o respeito à integri- dade física e moral. A carta consigna ainda que ninguém será submetido à tortura e nem a tratamentos desumano ou degradante (art. 5º, III), bem como, após a retomada do controle, é assegurado o que preconiza a Lei nº 7.210/1984, em seu Capítulo II: assistência ao preso, determinando que o recluso tenha direito a: alimentação, vestuário, instalações higiênicas, atendimentos de saúde – médico, odontológico e farmacêutico –, assistência jurídica, educacional, social e religiosa, acompanhamento ao egresso e assistência à família. Em cumprimento ao Decreto nº 11.348, de 1º de janeiro de 2023, cabe à SENAPPEN exercer as suas competências estabelecidas nos art. 71 e art. 72 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 – Lei de Execução Penal – e, especificamente: “V – colaborar, técnica e financeiramente, com os entes federativos quanto: a) à implementação de políticas de educação, saúde, trabalho, assis- tência social, cultural, religiosa, jurídica e respeito à diversidade e às questões de gênero, para promoção de direitos das pessoas privadas de liberdade e dos egressos do sistema prisional.” (BRASIL, 2022). https://youtu.be/gWQlS0HnbzM FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 16 Conforme supracitado, foi necessário incluir, para o sucesso da missão, além das ações de segurança, outras ações concomitantes ao longo do período de emprego da FORÇA, em decorrência do dano causado ao patrimônio público na rebelião. A Defensoria sem Fronteiras é composta de defensores públicos estaduais e federais, em caráter voluntário, e tem o objetivo de promover o atendimento concentrado de pessoas presas em caráter definitivo ou provisório em unidades federativas específicas, adotando as medidas judiciais e administrativas cabíveis para a garantia de seus direitos. SAIBA MAIS Leia o Decreto n° 11.348 na íntegra, disponível em: http://www.pla- nalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/D11348.htm. 2.3 Importância da pronta resposta Importante referir que hoje possuímos uma FORÇA em sobreaviso, mobilizada na unidade do Sistema Penitenciário Nacional, localizada em Porto Velho (RO), classificável na modalidade preventiva, devido à neces- sidade de descentralizar o contingente mobilizado para a Região Norte. Onde pudemos aferir que se deu 60% do emprego da FORÇA nos úl- timos cinco anos, o que evidencia a necessidade de ações voltadas para treinamento, alinhamento de procedimentos de segurança e rotinas administrativas específicas, bem como a possibilidade de se instruir os Ação de cidadania com ações de saúde, emissão de documentação pessoal básica. Assistência religiosa. Levantamento de demanda educacional e profissional, e reorganização de fluxos de atendimentos das assistências. Estabelecimento de assistência jurídica, por intermédio de ação do programa Defensoria sem Fronteiras (DSF). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/D11348.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/D11348.htm FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 17 operadores em diferentes biomas e com técnicas e táticas necessárias para enfrentar as peculiaridades encontradas nos locais de funcionamento de uma penitenciária federal e que facilmente podem ser remodeladas para quaisquer sistemas estaduais. Penitenciária Federal de Porto Velho. Foto: DEPEN/arquivo. O intuito da formação da FORÇA de pronto emprego, em caso de eclodir uma rebelião em alguma unidade da Federação, baseia-se no tempo de resposta de uma tropa em sobreaviso, que, alinhada e treinada, em um local estratégico, desloca-se até o local da crise de forma mais rápida e eficiente, em torno de aproximadamente três dias em aeronave ins- titucional, otimizando, assim, o tempo de avaliar a crise e de adentrar a unidade rebelada e, portanto, amenizando os danos ao patrimônio público, haja vista que o tempo necessário hoje para agrupar servi- dores estaduais e enviar ao local da crise gira em torno de 8 a 10 dias, a depender da localidade da crise. UNIDADE 3 O conceito de convênio de cooperação FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 19 3. O CONCEITO DE CONVÊNIO DE COOPERAÇÃO O “convênio”, segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2001, p. 284), é uma forma de ajuste entre o poder público e as entidades pú- blicas ou privadas para a realização de objetivos de interesse comum, mediante mútua colaboração. Com uma definição bastante próxima, Meirelles (2008, p. 412) postula que os convênios administrativos são acordos firmados por entidades públicas de qualquer espécie, ou entre estas e organizações particulares, para realização de objetivos de interesse comum entre os partícipes. Sendo assim, Pedro Durão (2007) caracteriza os convênios como atos complexos e o faz seguindo os preceitos de Manoel Ribeiro, de quem cita a seguinte definição: “ato complexo é aquele que há fusão de vontades de órgãos da mesma entidade ou de entes diferentes, com unidade de con- teúdo e de fim. [...] a questão é de que as vontades se unifiquem, fundidas num ato único” (RIBEIRO apud DURÃO, 2007, p. 98). Visto tudo isso, o convênio pode ser caracterizado como mecanismo de cooperação, tanto vertical quanto horizontal, dos entes federados. Nesta mesma linha, o Decreto nº 6.170, de 25 de julho de 2007, que regulamenta as normas relativas às transferências de recursos da União mediante convênios e contratos de repasse, em seu artigo 1º, § 1º, inciso I, define o termo: “I - convênio - acordo, ajuste ou qualquer outro instrumento que discipline a transferência de recursos financeiros de dotações con- signadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União e tenha como partícipe, de um lado, órgão ou entidade da administração pública federal, direta ou indireta, e, de outro lado, órgão ou entidade da administração pública estadual, distrital ou municipal, direta ou indireta, ou ainda, entidades privadas sem fins lucrativos, visando a execução de programa de governo, envolvendo a realização de projeto, atividade, serviço, aquisição de bens ou evento de interesse recíproco, em regime de mútua cooperação.” (BRASIL, 2007). FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 20 Visto isso, de forma geral, o convênio é um instrumento através do qual o setor público busca estabelecer relação de cooperação com outras orga- nizações públicas ou privadas, em que ambas as vontades são recíprocas. Isso favorece, portanto, a descentralização de suas ações e o atendimento a toda população de forma mais efetiva. Convênio Ministério da Justiça e Segurança Pública Convênio de Cooperação Federativa Regime de mútua cooperação Finalidade de interessepúblico Isto é, o convênio é um instrumento que apoia a descentralização e a redistribuição das atividades governamentais entre os entes nacionais, conferindo, ao setor público, capacidade necessária para o atendimento, mais localizado, de seu fim último: o interesse público, a partir do acordo com outras entidades públicas ou privadas. Sendo assim, Meirelles (2008) justifica o seu surgimento: “E assim se faz porque, em muitos casos, já não basta a só modificação instrumental da prestação do serviço na área de responsabilidade de um ente federativo. Necessárias se tornam a sua ampliação territo- rial e a colaboração a conjugação de recursos técnicos e financeiros FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 21 de outros entes ou de particulares interessados na sua realização. Desse modo, conseguem-se executar serviços de alto custo que ja- mais estariam ao alcance de uma Administração menos abastada.” (MEIRELLES, 2008, p. 377). 3.1 Convênio de Cooperação Federativa Apresentaremos agora os termos mais significativos do Convênio de Co- operação Federativa que, entre si, celebram a União e as unidades federa- tivas para estruturar a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e a FORÇA, objetivando a execução de atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. 1 2 3 O objeto do convênio tem como escopo operações conjuntas, promoção de projetos, programas e projetos do governo federal, visando o desenvolvimento de atividades de treinamento e capacitação de servidores penais federais, estaduais e distritais, estruturando, dessa forma, a FORÇA e outros partícipes. Termos iniciais do convênio Objeto O contingente mobilizado pela FORÇA poderá ser empregado em apoio administrativo, capacitação e emprego operacional, junto às unidades federativas e aos órgãos públicos federais (presídios federais), no prosseguimento de suas atividades, regulado por legislação própria e em situações extraordinárias, quando a unidade requerente não obtiver êxitos nas suas tentativas de resolução. Finalidade Quando solicitada a FORÇA, poderá ser empregado em todo o território nacional, apoiando órgãos federais ou as unidades federativas, conforme a Lei nº 11.473/2007, o Decreto nº 5.289/2004 e a Portaria/MJSP nº 3.383/2013. Emprego SAIBA MAIS Leia a Portaria/MJSP nº 3.383/2013 na íntegra, disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/1021. https://dspace.mj.gov.br/handle/1/1021 FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 22 3.1.1 Composição do contingente As unidades federativas que encaminharem servidores por meio da Cooperação Federativa pelo período de 12 meses, de forma contínua, receberão bens previstos nos termos do acordo. A unidade federativa disponibilizará o efetivo mínimo de 10 profissionais, por período deter- minado, quando provocada. Quando mobilizados, os servidores serão coordenados pelo Minis- tério da Justiça enquanto perdurar a mobilização, permanecendo no quadro funcional de seus órgãos de origem, bem como farão jus ao recebimento de diárias a serem pagas na forma prevista no art. 6° da Lei n° 11.473, de 10 de maio de 2007. 3.1.2 Solicitação e autorização A FORÇA poderá ser empregada, por determinação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em qualquer parte do território nacional, nos termos da legislação em vigor, conforme os seguintes quesitos. Quesitos para emprego da FORÇA Nas avaliações técnicas para emprego, prorrogação e desmobilização da FORÇA, serão consideradas as necessidades de preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio propostas e implementadas pela unidade federativa solicitante. 5 Adesão da unidade federativa solicitante ao convênio, com ciência do cumprimento de suas cláusulas.1 Nota técnica redigida pelo DEPEN, que observará a legalidade, oportunidade, conveniência e viabilidade.2 Em caso de anuência, o MJSP publicará portaria autorizando o emprego pelo prazo máximo de 90 dias prorrogáveis com a confecção de nova nota técnica. 3 Em caso de desmobilização antecipada, mediante análise técnica do setor responsável, por cessar os motivos que acarretaram a mobilização, a FORÇA será interrompida independente do término do prazo de vigência da portaria. 4 ObjetivoA FORÇA poderá ser empregada mediante cinco quesitos. FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 23 3.1.3 Obrigações Para execução do convênio, os membros comprometem-se concomi- tantemente com as seguintes diretrizes. Obrigações dos membros para execução do convênio Comunicar formalmente qualquer tipo de óbice para efetivação do convênio, da mesma forma que as medidas necessárias para realização das ações firmadas no convênio. Acatar, no âmbito de suas competências, os planos de mobilização e desmobilização do efetivo disponibilizado e empregado pela FORÇA. Desenvolver a interação de capacitações, treinamentos e repassar informações que visem a: identificação, acompanhamento e avaliação de ameaças concretas ou potenciais; preservação da ordem pública; e incolumidade das pessoas e do patrimônio, objetivando a eficácia do emprego. Exercer a coordenação administrativa e operacional relacionada ao convênio, com designação de interlocutores com prerrogativa de tomada de decisão (coordenador institucional). Promover troca contínua de conhecimentos técnicos e científicos, mediante atividades de elaboração de conteúdos programáticos, treinamento e capacitação. Contribuir para realização das atividades, normas e compromissos relativos ao emprego do contingente mobilizado. 01 02 03 04 05 06 FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 24 O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por sua vez, compromete-se com os seguintes direcionamentos. 4 Proporcionar cobertura de seguro de vida, acidentes pessoais e assistência funeral aos mobilizados. 3 Fornecer atendimento de urgência, emergência e internação aos mobilizados, assistência médica durante o período necessário para reabilitação do mobilizado e, em caso de incapacidade para o serviço, providenciar a desmobilização. 2 Indicar representante da Advocacia-Geral da União local para prestação de assessoria jurídica e assessoramento necessários à atuação. 1 Avocar a responsabilidade dos atos praticados em serviço por servidores mobilizados, na esfera cível, resguardando o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Obrigações do MJSP 6 Fornecer os recursos para mobilização, desmobilização, treinamento, capacitação, emprego, aquisição e manutenção de equipamentos, armamentos, munições, veículos, embarcações e aeronaves para FORÇA. 5 Tornar público, por meio dos órgãos públicos, os planos de capacitação e treinamento, bem como de mobilização, emprego, desmobilização, desconcentração de material bélico e equipamentos em geral para a FORÇA. FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 25 Já a unidade federativa convenente compromete-se com o seguinte. Obrigações da unidade federativa Concordar que o contingente mobilizado permaneça disponibilizado pelo prazo de 90 dias, respeitadas as garantias, prerrogativas, direitos e deveres de seus integrantes. Disponibilizar instalações para atividades administrativas e operacionais, além da logística necessária para o desenvolvimento das operações integradas. Concordar com o remanejamento de seu contingente empregado de uma unidade da Federação para outra em caso de necessidade operacional. Disponibilizar um novo profissional em caso de solicitação de desmobilização de servidor, a pedido ou quando solicitado pelo estado de origem, por meio de ofício. 1 2 34 A unidade federativatambém deve: disponibilizar instrutores e coordena- dores para as instruções, as quais seguirão um programa estabelecido pelo DEPEN; viabilizar os bens adquiridos pelo MJSP cedidos ou recebidos em doação, quando solicitado, para emprego na FORÇA; e preservar os direitos, garantias e vantagens funcionais dos profissionais junto às instituições de origem, durante e após sua mobilização na FORÇA, de forma que não acarrete prejuízo de qualquer espécie na sua vida profissional. 3.1.4 Atividade correcional No período em que os servidores permanecerem mobilizados na FORÇA, estarão sujeitos às normas disciplinares de suas respectivas instituições de origem. FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 26 Os comunicados, relatos ou notícias contendo indício de desvio de conduta por parte de mobilizado que não caracterize estado de flagrante delito, passível de responsabilização administrativa e/ou criminal, ensejará Proce- dimento Apuratório de Conduta (PAC), e será apurado no âmbito do DEPEN, que poderá optar pela desmobilização imediata do profissional e posterior encaminhamento dos fatos ao seu estado de origem. Verificados indícios de crime, ocorrerá o encaminhamento do PAC para o estado de origem do servidor, para a instituição de origem do profissional, com cópia ao representante do Ministério Público da unidade federativa de origem e/ou para o representante do Ministério Público com atribuição sobre o local do fato. No cometimento de falta grave ou transgressão disciplinar, após realizada a apuração na forma do PAC, os autos serão encaminhados à instituição de origem do profissional, para adoção das medidas disciplinares cabíveis, nos termos da legislação própria, e o servidor será desmobilizado. Em caso de flagrante de crime, ocorrendo ou não a lavratura do auto de prisão em flagrante delito, presidida por autoridade de Polícia Judiciária com circunscrição no local do cometimento do delito, acarretará a ime- diata desmobilização do profissional. QR CODE Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou tablet) no QR Code ao lado para assistir a uma animação sobre desmo- bilização do servidor em caso de flagrante delito, ou acesse o link do vídeo: https://youtu.be/G4aZh7ioOY4. 3.1.5 Desmobilização do profissional O profissional poderá ser desmobilizado nas seguintes hipóteses, entre outras: • No interesse da administração pública federal • A pedido do profissional • A pedido da unidade federativa convenente a qual pertence o profissional • Para fins de tratamento de saúde https://youtu.be/G4aZh7ioOY4 FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 27 • Para responder a processo penal ou procedimento administrativo disciplinar • Por insuficiência técnica A desmobilização por solicitação da unidade federativa ou a pedido do profissional será formalizada mediante documento formal ou por meio de ofício ao DEPEN, que, nos casos de desmobilização, notificará a ins- tituição de origem para que disponibilize outro servidor em tempo hábil. Já a desmobilização para fins de tratamento de saúde, em caso de lesão ou doença não vinculada à atuação em razão da função ou serviço, será precedida de procedimento administrativo próprio, com o apoio de avaliação médica. Nas hipóteses de lesão ou aquisição de doença, ou referente a qualquer ato vinculado à função inerente à segurança pública, apurada em procedi- mento administrativo, o profissional permanecerá mobilizado enquanto perdurar o atendimento nos casos de urgência, emergência e internação. Estando impossibilitado de executar a atividade-fim, o profissional será desmobilizado e a União arcará com o ônus de seu tratamento até a sua reabilitação, devendo submetê-lo à junta médica oficial da União durante o tratamento e também 30 dias após o término deste. O profissional que necessitar de tratamento médico eventual permane- cerá mobilizado, desde que o tratamento não impeça o exercício regular de suas atividades. Os profissionais desmobilizados antes de completar o período de mo- bilização deverão ser substituídos no prazo de 30 dias, a contar da data de apresentação do profissional na instituição de origem. Repasses, prazos e comunicações O presente convênio ainda não estabelece a forma de doação de recursos materiais para os estados que disponibilizam servidores para a FORÇA, a falta dessa previsão será corrigida com um novo convênio de cooperação. Repasses Prazo de vigência Comunicações O prazo de vigência do convênio é de cinco anos, contados a partir da sua publicação, podendo ser prorrogado por iguais e sucessivos períodos. As comunicações relativas ao convênio serão consideradas como regularmente feitas entre os membros, por correspondência eletrônica, carta protocolada, telegrama ou via protocolo físico e/ou virtual. FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 28 3.1.6 Anexos do convênio Encontraremos nos anexos do convênio o Plano de Trabalho da FORÇA em síntese, os integrantes da força e a necessidade de capacitação e treinamento, fundamentação legal, ações de desenvolvimento e obje- tivos (metas e resultados). PODCAST O Plano de Trabalho tem por objeto a cooperação federativa para permitir a prestação de serviços, em caráter excepcional e voluntário, a estruturação e emprego da Força-Tarefa de Inter- venção Penitenciária (FTIP), operações conjuntas, desenvolvi- mento de programas e projetos do governo federal, desenvolvi- mento de atividades de treinamento e capacitação, mobilização, emprego e desmobilização dos profissionais estaduais, federais e do Distrito Federal, destinados a atuar na FTIP, bem como profissionais dos órgãos de segurança pública da União. O DEPEN consubstanciará e coordenará a cessão de efetivo, com- posto por servidores federais, estaduais e do Distrito Federal, des- tinados a atuar na FTIP, bem como a respectiva transferência de capacitação e treinamento dos profissionais que atuam nos sis- temas estaduais da unidade federativa conveniada com a União, quando mobilizados. Sobre as ações de desenvolvimento, o Convênio discorre que o contingente de profissionais será cedido mediante convocação e sob a coordenação do DEPEN, tendo como efetivo mínimo dez servidores, a serem disponibilizados pela unidade federativa conveniada com a União. A mobilização e desmobilização do efetivo cedido se dará à critério do DEPEN, de forma gradual, à medida que a ordem e a segurança do estabelecimento penal forem restabelecidas. A unidade federativa disponibilizará a infraestrutura necessária à instalação da base administrativa da operação, bem como alojamento, veículos e alimentação aos integrantes da FORÇA que atuarão no controle do estabelecimento penal, além de acesso aos sistemas de informações relacionados à identificação da população carcerária da unidade federativa. FORÇA PENAL NACIONAL: EMPREGO E ATUAÇÃO MÓDULO 2 | Da legalidade do emprego da FORÇA 29 Para finalizar, o convênio levanta metas e resultados a serem alcançados. Metas e resultados Reinstaurar a ordem e a segurança interna das instalações de estabelecimentos prisionais.1 Colaborar com a Secretaria de Justiça e Cidadania, responsável pela administração do sistema penitenciário e com os órgãos de segurança pública locais. 2 Apoiar os órgãos competentes na preservação da integridade de todos os envolvidos.3 Objetivo Metas e resultados a serem alcançados Insta salientar que, com o término da vigência da maioria dos convê- nios no ano 2022, os convênios foram prorrogados até junho de 2023, porém foram elaboradas minutas de novos convênios, especificando como será feito o repasse de materiais aos estados que mantiverem, de forma ininterrupta, pelo prazo de um ano, policiais penais mobilizados na FORÇA. Veja agora a síntese do módulo. 30 SÍNTESE DO MÓDULO Neste módulo proporcionamos elementos para você entendercomo funcionam os fluxos processuais desde o início da crise instaurada até a indicação do estado para a mobilização do servidor escolhido para compor a FORÇA ou dar prosseguimento ao seu emprego. Você finalizou o Módulo 2! No próximo módulo você entenderá um pouco mais sobre o processo de emprego, Plano de Trabalho e Plano de Ação da FORÇA. REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira). BRASIL. Decreto-Lei nº 5.289, de 29 de novembro de 2004. Disciplina a organização e o funcionamento da administração pública federal, para desenvolvimento do programa de cooperação federativa denominado Força Nacional de Segurança Pública, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2004. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5289.htm. Acesso em: 22 nov. 2004. BRASIL. Decreto nº 6.170, de 25 de julho de 2007. Dispõe sobre as normas relativas às transferências de recursos da União mediante con- vênios e contratos de repasse, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2007. Disponível em: https://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6170.htm. Acesso em: 28 nov. 2022. BRASIL. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. Lei de Execução Penal. Brasília, DF: Presidência da República, 1984. Disponível em: https://le- gislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=7210&ano=1984&a- to=c6fUTUU9EeBpWT4ac. Acesso em: 22 nov. 2022. BRASIL. Lei nº 11.473, de 10 de maio de 2007. Dispõe sobre cooperação federativa no âmbito da segurança pública e revoga a Lei nº 10.277, de 10 de setembro de 2001. Brasília, DF: Presidência da República, 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11473.htm. Acesso em: 22 nov. 2022. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Gabinete do Ministro. Portaria nº 178, de 4 de fevereiro de 2010. Brasília, DF: MJSP, 2010. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/1027. Acesso em: 22 nov. 2022. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5289.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5289.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6170.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6170.htm https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=7210&ano=1984&ato=c6fUTUU9EeBpWT4ac https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=7210&ano=1984&ato=c6fUTUU9EeBpWT4ac https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=7210&ano=1984&ato=c6fUTUU9EeBpWT4ac http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11473.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11473.htm https://dspace.mj.gov.br/handle/1/1027 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Gabinete do Ministro. Portaria nº 3.383, de 24 de outubro de 2013. Brasília, DF: MJSP, 2013. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/1021. Acesso em: 22 nov. 2022. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Gabinete do Ministro. Portaria nº 94 de 24 de janeiro de 2017. Brasília, DF: MJSP, 2017. Dispo- nível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/1251. Acesso em: 22 nov. 2022. BRASIL. Lei nº 13.844, de 18 de junho de 2019. Estabelece a organi- zação básica dos órgãos da Presidência da República e dos Ministérios; altera as Leis nos 13.334, de 13 de setembro de 2016, 9.069, de 29 de junho de 1995, 11.457, de 16 de março de 2007, 9.984, de 17 de julho de 2000, 9.433, de 8 de janeiro de 1997, 8.001, de 13 de março de 1990, 11.952, de 25 de junho de 2009, 10.559, de 13 de novembro de 2002, 11.440, de 29 de dezembro de 2006, 9.613, de 3 de março de 1998, 11.473, de 10 de maio de 2007, e 13.346, de 10 de outubro de 2016; e revoga dispositivos das Leis nos 10.233, de 5 de junho de 2001, e 11.284, de 2 de março de 2006, e a Lei nº 13.502, de 1º de novembro de 2017. Brasília, DF: Presidência da República, 2019. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/l13844.htm. Acesso em: 22 nov. 2022. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Gabinete do Ministro. Portaria nº 65, de 25 de janeiro de 2019. Brasília, DF: MJSP, 2019. Dispo- nível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/659. Acesso em: 22 nov. 2022. BRASIL. Decreto-lei nº 11.103, de 24 de junho de 2022. Aprova a Estru- tura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança do Ministério da Justiça e Segurança Pública e remaneja e transforma cargos em comissão e funções de confiança. Brasília, DF: Presidência da República, 2022. Disponível em: https:// dspace.mj.gov.br/handle/1/7071. Acesso em: 22 nov. 2022. DI PIETRO, M. S. Z. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2001. https://dspace.mj.gov.br/handle/1/1021 https://dspace.mj.gov.br/handle/1/1251 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/l13844.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/l13844.htm https://dspace.mj.gov.br/handle/1/659 https://dspace.mj.gov.br/handle/1/7071 https://dspace.mj.gov.br/handle/1/7071 REFERÊNCIAS DURÃO, P. Convênios e Consórcios Públicos. 2. ed. Curitiba: Januá, 2007. MEIRELLES, H. L. Direito Administrativo Brasileiro. 34. ed. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2008. Apresentação Objetivos do módulo 2. Operação Phoenix 2.1 Gabinete de Crise 2.2 Ações mitigadoras 2.3 Importância da pronta resposta 3. O conceito de convênio de cooperação 3.1 Convênio de Cooperação Federativa Síntese do módulo Referências