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Tópicos Especiais em Designer de Moda – Cultura Brasileira mod. 2 Ares de Modernidade na Cultura no Brasil
Introdução
Nesta Unidade, abordaremos a trajetória da cultura brasileira principalmente após os anos 1930 e destacaremos aspectos relevantes do Brasil no período e as influências estrangeiras sobre as culturas do país. O foco principal aqui é o período historicamente definido como Era Vargas.
O texto trata dos principais aspectos da sociedade brasileira entre 1930 e 1945 e os conteúdos remetem à expansão das cidades brasileiras e da cultura de massa, principalmente rádio e cinema. Você pode – e deve – buscar referências para melhor compreender a época. Para isso, além de se dedicar ao conteúdo teórico, é necessário buscar compreender as questões que mobilizaram a sociedade brasileira, como a ascensão do totalitarismo na Europa e sua relação com a Ditadura Vargas.
Cultura e comunicação serão temas fortemente ligados a partir desse período, no qual vão se configurar algumas das principais características das relações culturais e comunicacionais, muitas delas presentes até os nossos dias.
O filme Olga, por exemplo, trata de algumas das questões centrais da Era Vargas – combate ao comunismo, práticas ditatoriais e relações com o totalitarismo europeu – e pode ser um interessante ponto de partida.
Pesquise e conheça a história da cultura do Brasil em um período fundamental para a formação do país e até hoje referência em muitas de nossas ações.
Contextualizando o Período
O Brasil desta primeira década do século XXI tem significativas semelhanças com a sociedade brasileira do início do século XX. Alguns dos comportamentos hoje dominantes, hábitos e práticas sociais, políticas e culturais do nosso tempo são herança do que a história tem configurado como Era Vargas, pela longa presença de Getúlio Vargas na presidência da República (1930-1945).
A expansão da população urbana e da comunicação de massa e o uso da comunicação com viés ideológico estão entre os fatores que analisaremos.
Olhemos para o passado recente com os olhos no futuro: observemos a partir do texto a permanência na cultura e na política de práticas que, de geração a geração, acompanham nossas vidas em nossos modos de ser como cidadãos brasileiros.
O passado não é algo morto no qual estão fatos isolados, mas algo presente em nossa sociedade. Mesmo quando determinado comportamento ou valor é superado, é importante acompanharmos a História: como a sociedade o incorporou e quais fatores levaram à sua superação?
UNIDADE
Ares de Modernidade na Cultura no Brasil
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A Cultura tem tempo e lugar, é vivida em contextos definidos, influencia e é influenciada por eles. A decisão de abordarmos a situação das culturas brasileiras nestas décadas deve-se não apenas a uma cronologia com um fim em si mesma, mas à identificação de traços de permanência de valores tradicionais em um ambiente de profundas modificações no campo da cultura, da política e da organização da sociedade brasileira, que construíra até o século XIX uma história da cultura na qual tinham grande importância o catolicismo, as relações com a corte portuguesa e as relações sociais marcadas pela violência contra negros, índios e pobres em geral.
Os valores tradicionais das culturas brasileiras permaneceriam dominantes; porém, seriam confrontados, em pleno século XX, com os “ares de modernidade” que trariam inovações para o cotidiano de parte dos brasileiros. O contexto do novo século exigiria a superação de hábitos e costumes tradicionais e os analistas da cultura iniciariam um debate que acompanharia todo o século XX na tentativa de compreender a gênese dessa cultura.
Temas como influência da miscigenação e a existência do “brasileiro cordial”, descrito e mitificado em obras das culturas brasileiras, seriam abordados por intelectuais e pesquisadores das nascentes instituições de ensino e pesquisa.
Os estudos divulgados procuravam apresentar, a partir de perspectivas teóricas diversas, as trajetórias que possibilitaram a convivência dos diferentes segmentos da sociedade e sua importância para a configuração das culturas no país.
Depois de identificar a figura do “brasileiro cordial” e indicar relações entre as classes sociais e raças em estudos hoje “clássicos” da Sociologia brasileira, autores passam a afirmar que muitos desses aspectos teriam desaparecido com o processo de urbanização do país, acelerado a partir de 1930.
A passagem das comunidades para as sociedades de massas e da comunicação comunitária para a de massas estaria na origem das intensas mudanças nas manifestações culturais observadas a partir de então.
As palavras moderno, modernização e modernidade invadiriam os debates, opondo o antigo e o novo, o arcaico e o moderno, como repercussão do ambiente moderno vivido em países europeus.
A Semana de Arte Moderna de 1922 reflete, no campo das artes, o contexto da época, trazendo para o Brasil o espírito das vanguardas europeias.
Movimento de Arte Moderna
A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal em São Paulo, em fevereiro de 1922. Essa semana de artes trouxe novidades ao mundo artístico brasileiro da época, embora influenciada por movimentos de arte europeia, buscando dar a tônica, com uma visão brasileira, às artes plásticas, à pintura, literatura, música, ao desenho etc. Contou com nomes como Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Villa-Lobos, entre outros.
Figura 1 – Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo
Fonte: Wikimedia Commons
Em meio à industrialização principalmente da região Sudeste, à ampliação do acesso à educação formal e à mudança no papel da mulher na sociedade, entre outros fatores, o Brasil entrava no mundo moderno mantendo muitos dos elementos do mundo antigo, e assim permaneceria por muito tempo.
Um olhar retrospectivo revela a convivência entre os antigos valores e os novos, trazidos pelos ventos de modernidade vindos da Europa e dos EUA. Nas grandes cidades, conviviam tecnocratas e aspirantes à burocracia de Estado e à indústria cultural que se formava, políticos e empresários, dando formas à cultura política patrimonialista que nos anos seguintes revelaria muito do que somos.
No campo político, o populismo em ascensão passava a ser o principal opositor da política tradicional desenvolvida na primeira República.
Cultura e Política no Estado Novo
No campo político, o getulismo marcaria profundamente a sociedade, reforçan- do aspectos da tradição caudilhesca de nossa cultura: o Presidente Getúlio Vargas, “pai dos pobres”, entraria para a história ao se apresentar à sociedade como líder capaz de apaziguar interesses antagônicos, constituindo-se simbolicamente como “salvador da pátria”.
À frente do Estado brasileiro, entre 1930 e 1945 e, posteriormente, entre 1951 e 1954, Getúlio Vargas tornou-se principal referência para a constituição de uma cultura política populista, ocupando o imaginário de uma população que mal se familiarizara com os valores do Brasil República.
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Um povo miscigenado, oriundo de diversas partes do mundo e que intensificava um processo de migração do campo para a cidade, buscava construir símbolos e representações de sua identidade.
O seu governo na época buscava criar a ideia de um só povo e uma só cultura elegendo alguns símbolos ditos nacionais – a feijoada, o futebol – como exemplos dessa identidade nacional. Vargas era nacionalista e tinha a ideia de buscar essa identidade nacional com a junção de brancos, negros e indígenas, o que foi um marco de seu governo.
Foi no governo Vargas que pela primeira vez um presidente visitou uma área indígena formalmente. Em 1934, criou-se o Dia do Índio e em 1938 foi lançada a marcha para o Oeste do Brasil com intuito de integração do índio à cultura nacional.
Cabe ressaltar que a expressão índio é muito genérica, mas foi e vem sendo usada para caracterizar diversos grupos indígenas, de modo a torná-los mais homogêneos, quando, na realidade, compreendemdiversos povos e culturas inseridos no território brasileiro.
Em relação aos negros, tratou-se de al- gumas manifestações culturais considera- das mais comuns entre os negros e, nes- se período, o samba carioca foi elevado à samba nacional, difundido e abraçado como parte da cultura nacional. A figura de Carmen Miranda como símbolo de bra- silidade também foi muito difundida nessa época, bem como a de Villa-Lobos, com uma música genuinamente brasileira, que trazia sons do imaginário brasileiro e ser- via como propaganda do governo.
No caso de Carmen Miranda, tornou-se ícone das marchinhas e do samba cario- ca, divulgados na rádio, em revistas como
O Cruzeiro, discos e cinema, já que essa acabou indo para Hollywood.
Figura 2 – Carmen Miranda
Fonte: ana-lee.livejournal.com
Os conhecimentos e as relações familiares, suficientes para a vida em comunidades rurais, já não o são no ambiente urbano e a busca por relações que proporcionassem privilégios seria uma constante na cultura brasileira. A proteção, o apadrinhamento e a constituição do jeitinho brasileiro serão elementos que se intensificarão no período.
A figura do pai dos pobres associada à figura do Presidente Getúlio Vargas terá grande significado para esse processo. Oscilando entre imagens de ingenuidade, resistência e conformismo, a cultura brasileira dos anos 1930/1940 apresentará inovadoras interpretações do país e de seu povo.
O futebol foi outro símbolo usado como forma de identidade nacional. Como explica o pesquisador:
O futebol foi popularizado; e seus jogadores, profissionalizados pelos meios de comunicação, principalmente o rádio. O futebol estabeleceu-se como meio de integração social da população brasileira, dando-lhe uma identi- ficação de cidadania relacionada diretamente ao período Vargas. Introdu- zido no Brasil no final século XIX, o futebol não parou de crescer, mesmo com seu caráter elitista. O esporte inglês difundido inicialmente em clubes e escolas, logo propagou-se para as camadas populares, que passaram a adequar o desporto elitista a suas realidades: descalços, descamisados, em locais planos e abertos; criou uma identidade localizada, regional e nacio- nal a partir dos clubes futebolísticos (ZANELATTO, 2007, p. 7-8).
De um esporte que era elitizado, foi ganhando adeptos entre os mais pobres e entre outras classes sociais, tendo sido popularizado também a partir da rádio.
Figura 3
Fonte: Wikimedia Commons
Um país que alterava sua dinâmica ao transferir parte das atividades rurais agrícolas para as urbanas industriais fazia isso em um contexto tecnológico que acompanhava tal processo ao oferecer máquinas para a produção em série que possibilitaram, inclusive, a industrialização da cultura.
Imprensa, rádio e cinema são inovações que marcam o cenário cultural brasileiro daqueles anos, reforçando o caráter modernizador do período. Ficaria ainda para a década seguinte a inserção da televisão que, como veremos, reuniria linguagem e técnica do rádio e do cinema e configuraria um meio de comunicação de grande alcance e potencialidades.
Na organização da cultura industrial, seria adotado o modelo norte-americano, seja pelo consumo de filmes produzidos em Hollywood, seja pela presença de produtos e de agências de publicidade que passaram a veicular padrões estéticos e de consumo daquela sociedade.
Dos produtos farmacêuticos e de beleza a automóveis, cigarros e moda, o período assimila a nova dinâmica de substituição da produção artesanal pela industrial.
Figura 4
Fonte: Wikimedia Commons
É o embrião da sociedade de consumo que viria a se estabelecer totalmente no país décadas depois, levando os cidadãos a se preocuparem em obter renda para adquirir produtos e serviços que a modernidade oferecia.
A moda, por exemplo, levará a mudanças não só nos hábitos, ao profissionalizar a produção, mas também retirará da família, especialmente das mulheres, a tarefa de fazer as vestimentas, passando a comprá-las. Sai parcialmente de cena a moda caseira feita sob medida e entra a roupa produzida em série, em padrões aos quais as pessoas precisarão se adaptar.
Algumas das manifestações culturais mais criativas e que posteriormente produziriam os elementos a serem apropriados para a construção de identidades nacionais – futebol, samba e carnaval – têm no período da Ditadura Vargas grande desenvolvimento.
Atendendo a finalidades de mercado e ideológicas, tais manifestações atravessam as culturas brasileiras, da erudita à popular, fixando-se, posteriormente, como ingredientes fundamentais da cultura de massas, o que ocorre até o período atual.
A Era Vargas politizou a cultura ao controlar suas formas e produções e usá- la para fazer propaganda do Estado Novo e do populismo. A produção cultural, analisada com distanciamento no tempo, revela traços de um Brasil que entrava em uma nova fase em termos sociais e econômicos com uma cultura que insistia em difundir formatos simplórios, personagens caricatos e censura à produção verdadeiramente crítica.
Imprensa: Cultura de Massa sem Massa
A comunicação de massa tem início no Brasil em 1808, com a chegada da Corte Portuguesa e a veiculação do primeiro jornal em solo brasileiro. Quase ao mesmo tempo, o jornalista Hypólito da Costa editava o Correio Braziliense, na Inglaterra.
A imprensa nasce como parte da estratégia do Estado e como forma de luta política de opositores do regime. Nasce sob censura e com acesso restrito a uns poucos cidadãos que reúnem as condições necessárias ao consumo.
Nas primeiras décadas do século XX, a imprensa tem circulação restrita; porém, alguns jornais e revistas consolidam sua presença, atuando nas áreas da cultura e da política das capitais e de algumas grandes cidades brasileiras.
A agenda política passa a ter um novo ator a participar do cenário, com fortes influências dos acontecimentos e práticas jornalísticas da Europa e EUA. Desde as primeiras décadas do século XX, o jornalismo no Brasil constitui importante instrumento de diálogo entre o Estado e segmentos privilegiados.
Para o campo cultural, a imprensa será importante ao estabelecer critérios para a crítica cultural e disseminação de informações acerca da agenda cultural, que incorpora inovações como o cinema e mantém a tradição de crítica literária.
A incorporação da mulher como leitora de revistas é fator relevante para o período, pois traz para o espaço público questões e personagens antes mantidos à margem. É nas revistas femininas ou com espaço para discussão de temas que seriam de interesse da mulher que muitos aspectos da modernização serão tratados, principalmente aqueles relacionados à saúde e à moda.
Cinema: Diversão Familiar Dominical
O Cinema surge como manifestação expe- rimental realizada por intelectuais e artistas. A consolidação do cinema como diversão de massas no Brasil se dá na década de 1920.
A partir de financiamento público e realiza- ção por produtores independentes, o cinema configurou-se como primeira forma de diver- são para as massas de habitantes das metró- poles do período.
A Cinédia, nos anos 1930, com filmes mu- sicais românticos no estilo hollywoodiano, e a Atlântida, nos anos 1940, com chanchadas que divertiram multidões, foram as principais referências de um cinema nacional para as massas, configurando o hábito familiar de ir
ao cinema aos domingos.	Figura 5
Fonte: Wikimedia Commons
As culturas brasileiras ofereceram à Sétima Arte personagens e situações transpostos para as telas e a visualidade de nossa cultura foi relevante para formar o público para o cinema, tanto nacional quanto estrangeiro.
A produção cinematográfica dos EUA, com sua fórmula de sucesso até hoje dominante, conseguiu nesse período superar problemas técnicos e de linguagem e ganhou a preferência do público. A produção hollywoodiana inundou, desde então, as salas de exibição, cabendo aos filmes brasileiros espaço cada vez menor.
O cinema dos EUA teria grande influência sobre a produção brasileira, por se apresentar como modelo a ser seguido em termos de linguagem e técnica. Desempenhou também o papelde disseminar a cultura dos EUA no Brasil e no mundo, fazendo com que pessoas em diversas partes do mundo conhecessem histórias e personagens da cultura daquele país, até então pouco relevantes no cenário mundial.
A trajetória errática do cinema nacional, com ciclos regionais, criação de produtoras importantes e participação estatal na organização do setor e no seu financiamento, produziriam admiráveis obras, sem, no entanto, configurar uma indústria cinematográfica capaz de oferecer um conjunto de obras que atendesse à demanda do mercado.
Em Cena a Cultura para as Massas: A Era do Rádio
O rádio, manifestação da cultura de massa e veículo de transmissão da ideologia do Estado Novo, será o responsável pela criação de hábitos de consumo de cultura pela família.
Não havia ainda no país uma indústria cultural largamente institucionalizada e o rádio foi o elemento central para a configuração do lazer como parte das atividades planejadas para o cotidiano da população.
Fez isso definindo formatos de programas e horários fixos para sua exibição, o que adiciona à vida das pessoas a necessidade de organização para o consumo cultural, tal como foi feito pela indústria ao estabelecer
horários, locais e padrões de produtividade no mundo do trabalho.
Figura 6
Fonte: Wikimedia Commons
Das radioclubes dos primeiros anos, mantidas e realizadas pelos usuários, à propaganda do Estado Novo e à profissionalização das equipes em busca de audiência para oferecimento aos anunciantes, o sistema radiofônico rapidamente foi assimilado pela sociedade, configurando, por um lado, uma primeira estratégia de integração nacional, tema recorrente na política e na cultura brasileiras e, em outro registro, veículo para a difusão das novidades que a modernidade trazia aos brasileiros, consolidando os primeiros formatos da propaganda radiofônica – muitos deles utilizados até hoje.
Emprestando formatos da cultura popular e difundindo outros consagrados na Eu- ropa e nos EUA, o rádio constitui, no Brasil, em termos de alcance, o primeiro meio de comunicação de massas, com enormes influências sobre a cultura e a política.
Ao incluir em sua programação notícia e entretenimento, o novo meio teve a adesão das massas, formada, em sua maioria, por cidadãos que não tinham acesso à imprensa escrita, por não serem alfabetizados, e não terem condições econômicas e culturais para consumo dessa forma de comunicação de massa que era, desde o século XIX, acessível a poucos.
O rádio apresenta em sua programação informação, entretenimento e música e será grande aliado do cinema na transformação da música em produto cultural de massa. Programas de auditório foram responsáveis por consagrar um conjunto de cantores brasileiros no que posteriormente seria caracterizado como Música Popular Brasileira.
No Rio de Janeiro, principalmente, o rádio tornou-se o centro das atenções como mídia de entretenimento e alguns dos ídolos que produziu também fizeram sucesso nas telas do Cinema, associando a repercussão da música aos musicais da Cinédia.
A música dos EUA também teve espaço no rádio e foi mais um elemento de aproximação entre a cultura daquele país e a do Brasil – o que, para alguns, configura situação de imperialismo cultural e, para outros, característica das sociedades a partir do século XX, nas quais a circulação de bens e serviços é uma necessidade do sistema.
Balanço Geral: Cultura e Política na Era Vargas
Na Era Vargas, entre outras mudanças importantes, houve, no campo da Cultura, uma ação fundamental representada pela profissionalização da produção cultural no país e pela difusão da cultura dos EUA, cujos valores chegaram até os brasileiros, principalmente via cinema e música. Os valores tradicionais das culturas brasileiras viram-se confrontados pelas novidades do mundo moderno no qual o Brasil entrava.
As desigualdades em diversas áreas foram ampliadas e no campo da cultura destacam-se as manifestações populares que, no início do século XX, consolidaram a diversidade como principal elemento de nossa expressão cultural. Isso ocorre tanto nas obras quanto nos modos de ser do cidadão pobre, que convive nas grandes metrópoles com os traços da modernidade em meio à permanência ainda dominante dos valores tradicionais de culturas predominantemente rurais, católicas e pouco aderentes aos tempos da República.
Isso fez parte do projeto político dos dirigentes do Estado, que politizaram a cul- tura para que ela expressasse os valores e a ideologia por eles definidos. A criação de um órgão, o Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP, responsável pelo controle da Comunicação e da Cultura, reconhecia a importância dessas áreas para o projeto político do Estado e a necessidade de controlar e dirigir a produção nessas áreas para que elas atuassem como verdadeiros aparelhos ideológicos do estado.
Ao final do processo, em 1945, tínhamos uma novidade importante no país: a cultura de massas estava parcialmente instalada, por meio de investimentos estatais e privados e operação feita por empresas familiares.
Imprensa, rádio e cinema, essas eram as estrelas da indústria cultural dos anos 1930/1940. Com formatos e linguagens definidos, esses meios foram fortemente dirigidos para o entretenimento e para a construção de estereótipos de brasilidade e de nacionalismo. Por outro lado, foram censuradas todas as manifestações críticas em relação à ideologia do Estado ou de seus projetos.
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