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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFACOL MEDICINA VETERINÁRIA 6º PERÍODO DISCIPLINA: DOENÇAS INFECCIOSAS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS DOCENTE: LUCIANA COUTINHO Complexo Respiratório Bovino e Actinobacilose EQUIPE: GEORGE LUCAS MIKAEL RAMOS ZOÉ LINS GIOVANNA RAMOS BRENO HENRIQUE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO, 2024 1. Conceito (agente etiológico e especificidades) 1.1. Complexo Respiratório Bovino O complexo respiratório bovino (CRB) é uma doença que afeta o trato respiratório dos bovinos e pode ser causada por agentes virais, bacterianos, parasitários ou fúngicos. É também conhecida como febre do transporte. O CRB é uma doença complexa e de grande importância econômica para a indústria pecuária. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade em criações intensivas, principalmente em animais jovens. 1.2. Actinobacilose A actinobacilose tem como agente etiológico o Actinobacillus lignieresii, um cocobacilo Gram-negativo e imóvel da família Pasteurellaceae, aeróbico e anaeróbico facultativo, em cultivo cresce bem em ágar sangue, e possui ainda, baixa resistência às condições do meio ambiente, pois, não sobrevive por mais de cinco dias em feno ou palhas. O A. Lignieresii normalmente habita as superfícies mucosas do trato digestório dos bovinos, ovinos e possivelmente dos caprinos. 2. Epidemiologia 2.1 Complexo Respiratório Bovino O Complexo Respiratório Bovino (CRB) é uma doença respiratória que afeta principalmente bezerros e novilhos, especialmente em criações intensivas e em situações de transporte, que aumentam o estresse dos animais. Ela é mais comum em climas frios e úmidos, onde as condições favorecem a ação de vírus e, depois, de bactérias, que agravam o quadro. Isso gera grandes perdas para os produtores, pois a produtividade dos animais é reduzida. Para prevenir, o foco está na vacinação, em um bom manejo, na redução do estresse e no controle da densidade dos rebanhos. 2.2 Actinobacilose Actinobacilose acomete bovinos, ovinos, equídeos, suínos e caprinos, sem distinção de idade e sexo, porém, ocorre mais frequente em bovinos, de forma esporádica e associada à ingestão de forragens de baixa qualidade. Ressaltam que áreas com deficientes de cobre está associada a aumento da incidência de actinobacilose. Os principais locais de afecção nos bovinos são a língua parcial ou totalmente e os linfonodos da cabeça e do pescoço, principalmente nos linfonodos retrofarígeos, parotídeos e submandibulares. De forma atípica ou generalizada pode acometer outros tecidos como pré-estômagos, fígado, pulmões, coração, rins, útero e pele. Enquanto em ovinos, devido forma de apreensão dos alimentos diferente dos bovinos, as lesões prevalecem nos lábios e bochechas que eventualmente pode atingir às mucosas dos ossos turbinados e aos tecidos moles da cabeça e pescoço. 3 Patogenia e sinais clínicos 3.1 Complexo Respiratório Bovino O Complexo Respiratório Bovino (CRB) é uma doença pulmonar em bovinos que acontece quando eles passam por estresse (como transporte, mudanças climáticas e superlotação), o que enfraquece sua imunidade. Isso facilita a ação de vírus, que danificam as células das vias respiratórias, criando um ambiente propício para bactérias se instalarem e piorarem a infecção. A doença começa com vírus (como IBR, BVD, e PI-3), que atacam as células respiratórias, abrindo espaço para bactérias (como Mannheimia haemolytica e Pasteurella multocida). Essas bactérias causam uma inflamação intensa, prejudicando a respiração e podendo levar a uma pneumonia severa. 3.2 Actinobacilose A infecção ocorre quando o Actinobacillus lignieresi, microrganismo comensal da cavidade oral e trato digestivo, invade os tecidos por meio de erosões ou lacerações na mucosa e na pele, produzindo reações infamatórias agudas que, por conseguinte evolui para lesões granulomatosa, gerando necrose e supuração de tecidos moles. Quando a bactéria atingir os vasos linfáticos acomete os linfonodos regionais, provocando linfadenite piogranulomatosa. Essas lesões são constantemente encontradas em linfonodos retrofaríngeos durante a fiscalização de abatedouros. Em bovinos, a infecção sucede-se, frequentemente, por meio de lesões penetrantes ou ulceradas do sulco da língua ou nas lesões penetrantes na extremidade da língua e ferimentos na superfície lateral do corpo da língua causado pelos dentes, apresentando sob a forma de glossite difusa podendo acometer toda a língua ou segmentos da mesma, posteriormente, essa inflamação é substituída por tecido fibroso, consequentemente, a musculatura da língua torna-se contraída e imóvel, prejudicando a apreensão e deglutição de alimentos. 4 Diagnóstico 4.1 Complexo Respiratório Bovino O diagnóstico precoce da doença é de suma importância para barrar sua transmissão, principalmente em animais que estão aglomerados em confinamento. No entanto, a maioria das vezes esse diagnóstico é apenas visual através dos sinais clínicos e requer habilidade e experiência. É bem comum ocorrer falhas nesse tipo de diagnostico visto que os bovinos têm por natureza e instinto esconder os sinais clínicos. Então para auxiliar no diagnostico utiliza-se o exame físico, análises laboratoriais, lesões macroscópicas e microscópicas observadas na necropsia. Os sinais clínicos observados no início da doença são vagos e inespecíficos, onde se torna importante observar a mudança nos padrões comportamento. Os sinais clínicos de doença respiratória bovina normalmente se apresentam com taquipneia, emagrecimento, anorexia, focinho seco, corrimento nasal, dificuldade respiratória ao se movimentar, boca aberta e salivação excessiva. 4.2 Actinobacilose O diagnóstico clínico baseia-se nos achados clínicos descritos anteriormente e histórico do animal, bem como, no exame histopatológico da lesão. Na avaliação do material purulento, tratado com hidróxido de sódio a 5% e lavado em água destilada, constata- se a presença de estruturas semelhantes a grânulos de enxofre, patognomônicos de Actinobacillus lignieresii. Ao realizar o esfregaço do pus, verificam-se estruturas semelhantes a clavas distribuídas radialmente, com massa de bactérias no centro e presença de infiltrados de linfócitos e plasmócitos, neutrófilos, macrófagos e/ou células gigantes multinucleadas, bem como, tecido de granulação e fibrose reativa. Enquanto, no esfregaço com coloração de Gram, faz-se a pesquisa de cocobacilos gram-negativos no pus contendo grânulos. Os grânulos encontrados na actinobacilose por Actinobacillus lignieresii também são verificados em exsudato purulento dos granulomas ocasionados por Actinomyces bovis, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. No entanto, a confirmação, é tida com o isolamento e identificação de Actinobacillus lignieresii. O diagnóstico diferencial está relacionado a corpos estranhos na língua; raiva, em virtude da salivação abundante; e a tuberculose, pois, lesões pulmonares causas pelo A. lignieresii se assemelham as lesões verificadas nessa patologia, sendo dessa forma, a actinobacilose responsável pela maioria das condenações de carcaças em abatedouros. 5 Controle e profilaxia 5.1 Complexo Respiratório Bovino Para ter efetividade no controle da enfermidade é fundamental a implementação de um programa de planejamento de saúde para o rebanho. Esse programa deve buscar reduzir a exposição ao patógeno, estimular o sistema imune dos animais e reduzir os fatores de risco para disseminação da doença. As medidas preventivas devem ser adotadas tentando minimizar fatores estressantes aos animais aliados a medidas sanitárias e de higiene. O controle de trânsito de animais na propriedade, quarentena, manejo de animais que evitem a superlotação, mudanças bruscas na temperatura e ambiente onde os animais estão inseridos, vacinação dos animais contra os principais agentes causadores do CRB, são citadas como medidas efetivas para o controle da doença. 5.2 Actinobacilose Fornecimento de forragem de qualidade, evitando alimentos espinhososou grosseiros, que favorecem a lacerações na cavidade oral, tratamento e isolamento ou remoção de animais com lesões supurativas constituem as principais medidas de controle de actinobacilose, além de manter em quarentena animais providos de regiões ou propriedade com histórico da doença. 6 Referências bibliográficas (ABNT) SILVA, Yanne Aciole da; MENDONÇA, Wendel de Souza; PEREIRA, Alcir Martins; CARDOSO JUNIOR, Francisco das Chagas; FEITOSA JUNIOR, Francisco Solano; TENÓRIO, Taciana Galda da Silva. Actinobacilose bovina: Revisão. PubVet, v.10, n.4, p.123-130, 2024. Disponível em: https://www.pubvet.com.br/uploads/41961bedfbb74912a1dff2c69532dc0b.pdf. Acesso em: 22 out. 2024. ANDREAZZA, Daniele; WOUTERS, Angelica T.B.; WATANABE, Tatiane T.N.; BOABAID, Fabiana M.; WOUTERS, Flademir; SOUZA, Felipe S.; SOUZA, Suyene O.; DRIEMEIER, David. Caracterização patológica e imuno-histoquímica das lesões de actinobacilose em bovinos. PubVet, v.10, n.4, p.123-130, 2024. Disponível em: https://www.pubvet.com.br/uploads/41961bedfbb74912a1dff2c69532dc0b.pdf. Acesso em: 22 out. 2024. HEIDMANN, Maycon Junior; NASCIMENTO, Cristiano Grisi do. Complexo respiratório bovino no contexto da sanidade animal. Revista de Saúde Animal, v.15, n.3, 2024. Disponível em: https://sea.ufr.edu.br/index.php/SEA/article/view/1256. Acesso em: 24 out. 2024. image1.png image2.png