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Pergunta 1 Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação CORRETA sobre o crime de sonegação fiscal, conforme estipulado no artigo 1º da Lei nº 8.137/90. Em virtude da natureza formal da conduta, considera-se que o crime se consuma no momento em que o agente presta declarações falsas às autoridades fazendárias, independentemente da discussão em andamento na esfera administrativa sobre a efetiva exigibilidade do tributo Conforme a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, o crime de sonegação fiscal só é caracterizado após o lançamento definitivo do tributo. O ato de parcelar o débito tributário pode resultar na extinção da pretensão punitiva, desde que tal parcelamento seja realizado em um momento prévio ao oferecimento da denúncia. De acordo com o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, o termo "grave dano à coletividade", para efeitos da causa majorante de pena descrita no inciso I do artigo 12 da referida lei, é aplicado apenas quando o montante total da sonegação fiscal alcança ou ultrapassa a quantia de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais). Pergunta 2 Sobre a "Lavagem de Dinheiro" de acordo com a Lei 11.613/98, qual das afirmações a seguir é CORRETA? Comete o delito de lavagem de dinheiro o funcionário público que recebe suborno e utiliza o dinheiro para adquirir um imóvel em seu próprio nome, registrando a propriedade e depositando o restante em uma aplicação financeira de sua titularidade. A lavagem de dinheiro é considerada um crime derivado ou acessório, pois exige a existência de um delito anterior. Não é admitida sua ocorrência quando o ativo financeiro provém de infração penal cometida após os atos caracterizados como lavagem. A participação na prática do crime antecedente é uma condição necessária para que o agente possa ser considerado autor do crime de lavagem. O crime de lavagem de dinheiro ocorre apenas quando o agente oculta ou dissimula a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de um dos crimes antecedentes listados na Lei. Pergunta 3 Cláudio, durante a comemoração do aniversário de 18 anos do filho Alceu, sem qualquer envolvimento pretérito com o aparato policial e judicial, permitiu que este conduzisse seu veículo automotor em via pública, mesmo sabendo que o filho não tinha habilitação legal para tanto. Cerca de 50 minutos após iniciar a condução, apesar de não ter causado qualquer acidente, Alceu é abordado por policiais militares, que o encaminham para a Delegacia ao verificarem a falta de carteira de motorista. Em sede policial, Alceu narra o ocorrido, e Cláudio, preocupado com as consequências jurídicas de seus atos, liga para o advogado da família para esclarecimentos, informando que a autoridade policial pretendia lavrar termo circunstanciado pela prática do crime de entregar veículo a pessoa não habilitada (Art. 310 da Lei nº 9.503/97, Código de Trânsito Brasileiro, cuja pena em abstrato prevista é de detenção de 06 meses a 01 ano, ou multa). Considerando apenas as informações narradas, o(a) advogado(a) de Cláudio deverá esclarecer que, de acordo com as previsões da Lei nº 9.503/97 (Código de Trânsito Brasileiro), sua conduta configura o delito imputado, na forma consumada, com natureza de crime de perigo abstrato, cabendo oferecimento de proposta de transação penal por parte do Ministério Público. configura o crime previsto no Art. 310 do CTB, na forma consumada, que independe de lesão ou perigo concreto, cabendo oferecimento de proposta de composição civil dos danos por parte do Ministério Público. não configura o crime do Art. 310 do CTB, mas mero ilícito de natureza administrativa, tendo em vista que o crime trazido pelo Código de Trânsito Brasileiro para aquele que entrega a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada é classificado como de perigo concreto. configura o crime de entrega de veículo a pessoa não habilitada, em sua modalidade tentada, tendo em vista que a punição do agente pelo crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro na modalidade consumada exige que haja resultado lesão, sendo classificado como crime de dano. Pergunta 4 Em relação à Lei nº 9.455/97 (Crimes de Tortura), qual das seguintes afirmações é correta? Se a vítima da tortura for uma criança, a Lei nº 9.455/97 deve ser afastada, e o tipo penal específico de tortura previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 233 do ECA) deve ser aplicado. O regulamento exige que o condenado inicie o cumprimento da pena em regime fechado para todos os tipos penais que abrange. A suspensão condicional do processo não é viável para nenhuma das modalidades típicas previstas na lei. A lei prevê a possibilidade de crime por omissão. Pergunta 5 Caio, primário e de bons antecedentes, sem envolvimento pretérito com o aparato policial ou judicial, foi denunciado pela suposta prática do crime de tráfico de drogas. Em sua entrevista particular com seu advogado, esclareceu que, de fato, estaria com as drogas, mas que as mesmas seriam destinadas ao seu próprio uso. Indagou, então, à sua defesa técnica sobre as consequências que poderiam advir do acolhimento pelo magistrado de sua versão a ser apresentada em interrogatório. Considerando apenas as informações expostas, o(a) advogado(a) deverá esclarecer ao seu cliente que, caso o magistrado entenda que as drogas seriam destinadas apenas ao uso de Caio, deverá o julgador condenar o réu, de imediato, pelo crime de porte de drogas para consumo próprio, aplicando o instituto da emendatio libelli. reconhecer que não foi praticado o crime de tráfico de drogas e encaminhar os autos ao Ministério Público para analisar proposta de suspensão condicional do processo, mas não transação penal, diante do procedimento especial previsto na Lei de Drogas. condenar o réu, de imediato, pelo crime de porte de drogas para consumo próprio, aplicando o instituto da mutatio libelli. reconhecer que não foi praticado o crime de tráfico de drogas e encaminhar os autos ao Ministério Público para analisar eventual proposta de transação penal. Pergunta 6 Em relação às provas no processo penal, identifique a alternativa CORRETA: O Superior Tribunal de Justiça, em decisões reiteradas, estabeleceu a necessidade de perícia para a caracterização da qualificadora do rompimento do obstáculo no crime de furto, exceto quando não houver vestígios, caso em que a prova testemunhal pode ser usada para suprir a falta de perícia. A Lei nº 9.034/95, que trata das Organizações Criminosas, exige autorização judicial para a formação de provas por meio de captação e interceptação ambiental de sinais eletromagnéticos, óticos e acústicos. O princípio constitucional que proíbe a admissão de provas ilícitas tem o propósito de desencorajar que agentes públicos violem os direitos das pessoas para obter evidências de um delito. Portanto, não é considerada prova ilícita a obtenção de um documento por um particular na residência do investigado. No entanto, o autor da subtração do documento pode estar sujeito às penalidades legais. Na ausência de um perito oficial, o laudo que constata a natureza e a quantidade de drogas, conforme previsto na Lei nº 11.343/2006, é válido apenas se assinado por uma pessoa idônea, portadora de diploma de curso superior. Pergunta 7 Pela letra da Lei de Crimes Hediondos, é certo dizer que a conjunção carnal havida entre menor de 12 anos e seu namorado de 30 anos, sem violência física e grave ameaça: Configura, como todos contra os costumes, crime hediondo, o que por si só impõe a decretação de prisão preventiva; por coerência, a prisão decorrente da pena imposta seria mesmo cumprida em regime fechado. Configuracrime assemelhado a hediondo, não permite a lei a concessão de liberdade provisória. Não é dito crime elencado como hediondo; a pena dele decorrente pode ser estabelecida em regime inicial semi-aberto e com possibilidade de progressão. Não há falar em estupro; trata-se de mera sedução. Pergunta 8 Caio, funcionário público, Antônio, empresário, Ricardo, comerciante, e Vitor, adolescente, de forma recorrente se reúnem, de maneira estruturalmente ordenada e com clara divisão de tarefas, inclusive Antônio figurando como líder, com o objetivo de organizarem a prática de diversos delitos de falsidade ideológica de documento particular (Art. 299 do CP: pena: 01 a 03 anos de reclusão e multa). Apesar de o objetivo ser a falsificação de documentos particulares, Caio utilizava-se da sua função pública para obter as informações a serem inseridas de forma falsa na documentação. Descobertos os fatos, Caio, Ricardo e Antônio foram denunciados, devidamente processados e condenados como incursos nas sanções do Art. 2º da Lei nº 12.850/13 (constituir organização criminosa), sendo reconhecidas as causas de aumento em razão do envolvimento de funcionário público e em razão do envolvimento de adolescente. A Antônio foi, ainda, agravada a pena diante da posição de liderança. Constituído nos autos apenas para defesa dos interesses de Antônio, o advogado, em sede de recurso, sob o ponto de vista técnico, de acordo com as previsões legais, deverá requerer desclassificação para o crime de associação criminosa, previsto no Código Penal (antigo bando ou quadrilha). afastamento da causa de aumento em razão do envolvimento de adolescente, diante da ausência de previsão legal. afastamento da causa de aumento em razão da presença de funcionário público, tendo em vista que Antônio não é funcionário público e nem equiparado, devendo a majorante ser restrita a Caio. afastamento da agravante, pelo fato de Antônio ser o comandante da organização criminosa, uma vez que tal incremento da pena não está previsto na Lei nº 12.850/13. Pergunta 9 Como forma de evitar a ocorrência de violação de Direitos Humanos em estabelecimentos prisionais, o Brasil ratificou, em 2007, o Protocolo Facultativo à Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. Tal protocolo estabelece que cada Estado-Parte deverá designar ou manter, em nível doméstico, um ou mais mecanismos preventivos nacionais. Por meio da Lei nº 12.847/13, o Brasil pretendeu atender à exigência do Protocolo, ao criar o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. Quanto ao meio proposto tanto pelo Protocolo quanto pela Lei para alcançar a finalidade almejada, assinale a afirmativa correta. Medidas legislativas de parlamentares que integrem o Mecanismo. Mutirões judiciais. Sistema de visitas regulares de seus membros. Criação e fortalecimento de defensorias públicas. Pergunta 10 Não se classifica como crime hediondo, de acordo com a Lei nº 8.072/90, o roubo em que: Se caracteriza pela ocorrência de lesão corporal grave como circunstância qualificadora. Contempla o envolvimento de duas ou mais pessoas como circunstância agravante. Inclui o uso de arma de fogo como circunstância agravante. Envolve a restrição da liberdade da vítima como circunstância agravante.