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DERMATOLOGIA DE CÃES E GATOS Prof. Dr. Iago Martins Oliveira Médico Veterinário – EVZ/UFG Residência e Preceptoria em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais – HV/EVZ/UFG Pós-Graduado em Gastroenterologia Veterinária – UFAPE Intercursos SP Mestre e Doutorando em Ciência Animal – PPGCA/EVZ/UFG Membro da diretoria da Associação Brasileira de Gastroenterologia Animal - ABRAGA Professor PUC Goiás e Kura Cursos DERMATOPATIAS PARASITÁRIAS Dermatologia de cães e gatos Dermatopatias parasitárias • Demodicidose canina Dermatologia de cães e gatos • Demodex canis • Parasita do folículo piloso • Microbiota normal da pele • Transmissão no pós-natal imediato. • Doença: proliferação exagerada do ácaro • Localizada: imunodeficiência • Generalizada: defeito genético – imunidade celular (linfócitos T) • Proliferação exagerada do ácaro. Dermatologia de cães e gatos Dermatologia de cães e gatos Dermatopatias parasitárias • Demodicidose canina Dermatologia de cães e gatos • Sinais clínicos: eritema, alopecia, descamação, crostas, prurido variável (geralmente quando há piodermite secundária). • Sinais mais graves e sistêmicos na forma generalizada • Distribuição em cabeça, membros (podal) e tórax. • Linfadenopatia. • Diagnóstico: parasitológico de pele (raspado) – PROFUNDO. • Tratamento: causa de base (localizada). • Tratamento piodermite secundária – antisséptico tópico (clorexidine 2% ou peróxido de benzoíla 3,5%). Se profunda, antibiótico sistêmico. • Castração na generalizada. Dermatopatias parasitárias • Demodicidose canina Dermatologia de cães e gatos • Se antibiótico sistêmico: Cocos Gram + (cefalosporinas, aminopenicilinas, etc). • Parasiticida (específico): Ivermectina (NÃO usar em Collies e derivados). • Isoxazolinas: • Fluralaner (Bravecto). • Lotilaner (Credeli) • Afoxolaner (Nexgard). • Sarolaner (Simparic). Demodicidose canina - tratamento • Isoxazolinas • Sarolaner* ---- 2mg/kg, VO, uso mensal • Fluralaner ---- 25 a 56 mg/kg, VO, uso a cada 3 meses • Afoxolaner ---- 2,5mg/kg, VO, dias 0, 14 e 28; depois, uso mensal Dermatologia de cães e gatos • Sistêmico • Ivermectina – 0,3 a 0,6mg/kg/dia - VO • Milbemicina – 0,5 a 2mg/kg/dia - VO • Moxidectina – 0,6 mg/kg/72 horas – VO, Pour On • Doramectina – 0,6mg/kg/semana – SC • Tratar prurido com anti-histamínico e não com corticoides • Monitorar com raspado a cada 4 semanas • Interromper tratamento após cura clínica e raspado negativo Demodicidose canina - tratamento Dermatologia de cães e gatos Dermatopatias parasitárias • Escabiose canina Dermatologia de cães e gatos • Sarcoptes scabiei • Escavação superficial da pele • Produz substâncias alergênicas • Reação de hipersensibilidade • Exposição a outroscães. Zoonose Dermatopatias parasitárias • Escabiose canina Dermatologia de cães e gatos • Sinais clínicos: muito pruriginosa, pápula, alopecia, eritema, crostas. • Diferencial com dermatopatias alérgicas – DAPE, alimentar e dermatite atópica. • Diagnóstico: histórico, reflexo otopodal (sugestão). Parasitológico de pele (raspado) – SUPERFICIAL. • Tratamento: tratamento da piodermite secundária. • Parasiticida: ivermectina e isoxazolina (mesmas recomendações da demodicidose). • Controle do prurido (anti-histamínico, glicocorticoide, oclacitibib e lokivetmab). Zoonose Dermatopatias parasitárias • Escabiose felina Dermatologia de cães e gatos • Notoedris cati • Sinais clínicos • Prurido intenso • Pavilhão auricular, orelhas, cabeça, face e pescoço, membros e períneo • Espessamento cutâneo, liquenificação, alopecia, crostas,descamação • Diagnóstico: parasitológico de pele (raspado superficial). Escabiose felina - características • Pápulas nas margens da orelha • Prurido • Disseminação para região cefálica • Períneo e extremidades (hábito de se limpar) • Pele pregueada • Crosta amarelo – acinzentada • Anorexia para casos crônicos • Camas e utensílios são fonte de contaminação Dermatologia de cães e gatos Escabiose felina - características Dermatologia de cães e gatos Escabiose felina - tratamento • Tratar todos os gatos que tem contato com o paciente • Acaricidas – até duas semanas após a cura clínica e negatividade do raspado • Amitraz a 0,025% - evitar • Ivermectina 0,3mg/kg VO, SC a cada 2 semanas • Doramectina 0,25mg/kg SC, a cada 7 dias • MOXIDECTINA + imidacloprida - ADVOCATE Dermatologia de cães e gatos DERMATOPATIAS FÚNGICAS Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose • Infecção fúngica superficial • Estruturas queratinizadas (pelo, unhas, camada córnea) • Propriedades ceratinofílicos • Microsporum spp. • M. canis (zoofílico) e M. gypseum (geofílico) • Mais comum em cães e gatos • Trichophyton spp. (maioria zoofílico) Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose • Incidência • Filhotes • Imunodeficientes • Gatos persas, Yorkshire, Jack Russell • Transmissão • Contato direto com pelos e escamas infectados • Fômites • Gatis, canis/abrigos • Carreadores assintomáticos • Solo contaminado – fungo geofílico Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose - zoonose Dr. Mauro Machado Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose – características clínicas • Localizada, multifocal ou generalizada • Prurido mínimo a discreto • Áreas anulares clássicas (1 a 4cm) expandido para a periferia • Isoladas ou múltiplas • Alopécicas • Bordas eritematosas • Descamação farinácea • Onicomicose: onicodistrofia e paroníquia (inflamação das dobras ungueais - tecido mole ao redor) Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose – características do gato • Áreas irregulares ou anulares de alopecia • Pouca evidência de inflamação • Ponte nasal, superfície convexa da orelha, margens auriculares, parte distal dos membros e cauda • Aspecto de roído de traça • Gatos de pelo longo: pelos partidos • Onicomicose: paroníquia Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose Prof. Dr. Daniel Gerardi Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose Arquivo pessoal Dermatologia de cães e gatos Dermatologia de cães e gatos Dermatologia de cães e gatos Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose - diagnóstico • Lâmpada de Wood • Fluorescência amarelo-esverdeada • Tricrograma - infiltrado de hifas • Microscopia • Investigar pelos com hifas ou artrósporos • Dificilmente fungos • Cultura fúngica • Biopsia • Corantes especiais para fungos Dermatologia de cães e gatos Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose – diagnóstico Fonte: Dra. Tânia Alkmin Beda Dermatologia de cães e gatos Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose - tratamento • Resolução espontânea • Tratamento: acelera a resolução e diminui o risco de disseminação para animais e pessoas • Corte dos pelos ao redor das lesões • Tópico • Cremes, loções e sprays: Clotrimazol 1%, Miconazol 2%, Nistatina • Xampus: miconazol 2%, miconazol 2% + clorexidine 2%, cetoconazol 20mg/g • Forma tópica preferencial; duas vezes por semana Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose – tratamento sistêmico • Ação nos esporos no folículo piloso (a terapia tópica deve ser associada) • Usar em pacientes irresponsivos da terapia tópica • Itraconazol • Persiste nos tecidos queratinizados por semanas após a interrupção • Dose: 5mg/kg, VO, a cada 12 horas; 10mg/kg, VO, a cada 24 horas • Não recomendado para gestantes e para animais com menos de 6 semanas • Efeitos adversos: • Vômitos • Lesão hepática? Dermatologia de cães e gatos Dermatofitose - monitorização • Monitorar com lâmpada de Wood • 2 a 3 culturas fúngicas negativas • Tratar animais portadores assintomáticos • Limpeza física do ambiente • Limpeza química • Hipoclorito de sódio 1:10 ou 1:32 Dermatologia de cães e gatos Malasseziose • Malassezia spp. - M. pachydermatis • Pele normal e anormal, condutos auditivos e junções mucocutânea (locais de encontro normalmente) • Hipersensibilidade ao fungo ou crescimento excessivo – dermatite Dermatologiade cães e gatos Malasseziose - fatores predisponentes • Aumento do sebo ou cerume: Doenças endócrinas (hipotireoidismo, hiperadrenoconticismo) • Inflamação crônica: Dermatite atópica, demodicose e piodermites • Imunossupressão • Comum em cães e rara em gatos Dermatologia de cães e gatos Malasseziose - características • Cão • Localizado ou generalizado • Regiões úmidas e quentes • Interdigital, pescoço ventral, perilabial, canal auditivo, axila, inguinal e dobras cutâneas • Prurido: moderado a severo • Eritema: associado com exsudação gordurosa • Regiões intertriginosas (cheiro de “ranço”) • Paroníquia • Seborreia • Otite externa: cerúmen enegrecido Dermatologia de cães e gatos Dermatologia de cães e gatos Malasseziose - características • Cães: • Lesões crônicas – liquenificação, hiperpigmentação, hiperqueratose Prof. MSc. Daniela Fernandes Dermatologia de cães e gatos Prof. MSc. Daniela Fernandes https://www.willows.uk.net/specialist-services/pet-health-information/veterinary-dermatology/malassezia-dermatitis Malasseziose - características Dermatologia de cães e gatos https://www.zoetis.ca/conditions/dogs/dermatology/malassezia- dermatitis.aspx Malasseziose - características Dermatologia de cães e gatos Malasseziose - características Dermatologia de cães e gatos Dermatologia de cães e gatos • Gatos: • Otite com cerúmen escuro • Acne crônica (região mentoniana) • Alopecia • Eritema • Seborreia multifocal a generalizada https://www.zoetis.ca/conditions/dogs/dermatology /malassezia-dermatitis.aspx Malasseziose - características Dermatologia de cães e gatos Malasseziose - diagnóstico • Sinais clínicos: • Citologia - fita de acetato • Número exagerado de de fungos • Diagnóstico terapêutico • Cultura fúngica • Falta de padronização número de UFC considerado normal Dermatologia de cães e gatos Malasseziose - tratamento • Tratar causa primária • Tópico • Clorexidine 2% + Miconazol 2% • Xampu de clorexidine 3% - Hexadene • Xampu cetoconazol a 2% - casos mais brandos • Quadros localizados: cremes, loções • 2 a 3 vezes por semana – 2 a 4 semanas Dermatologia de cães e gatos Malasseziose - tratamento • Sistêmico • Itraconazol: 5mg/kg BID; 10mg/kg SID • Cetoconazol: 5 – 10 mg/kg SID • Período: 3-4 semanas ou até resolução Dermatologia de cães e gatos Esporotricose • Sporothrix schenckii • S. globosa • S. brasiliensis • S. mexicana • S. lurei Complexo Sporothrix Presente no solo, plantas, madeiras e restos vegetais Fonte: https://homeopatiabrasil.com.br/como-fazer-adubo-organico-com-restos-de- alimentos/. Fonte: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://ispn.org.br/site/wp-content/uploads/2018/10/BoasPraticasCascas.pdf. Fonte: https://terramagna.com.br/blog/o-que-e-solo/. Dermatologia de cães e gatos Epidemiologia • Doença ocupacional: • “Doença dos jardineiros”, exploração de madeira, mineração, médicos veterinários. • Inoculação por espinhos, mordidas, arranhões e outros ferimentos pequenos • Cosmopolita • Clima tropical e subtropical. Fonte: https://cmqv.org/esporotricose-humana-sintomas-causas-prevencao-diagnostico-e-tratamento/. Dermatologia de cães e gatos • Transmissão por meio de inoculação traumática do fungo através da pele • Cães baixo potencial zoonótico: • Poucas estruturas fúngicas nas lesões. • Gatos: • Isolamento em fragmentos de unhas e cavidades oral e nasal. • Apresentação clínica: profundidade da inoculação, o tamanho do inóculo e a condição imunológica do hospedeiro. Epidemiologia Dermatologia de cães e gatos • Felinos: • Machos – Brigas. • Hábito de enterrar dejetos e afiar garras em arvores. • Caninos: • Animais imunocomprometidos. • Proporção 1:25 (cão – gato). Fonte: https://depositphotos.com/pt/photos/gato-arranhando.html. Fonte: https://www.amah.vet/dicas-para-evitar-brigas-entre-gatos/. Epidemiologia Dermatologia de cães e gatos Microbiologia • Infecção → contato com o solo (geofílica) e/ou vegetais secos e/ou em decomposição e/ou mordedura ou arranhadura • Período pré-patente → (3 a 84 dias) média de 21 dias • Lesão pode permanecer localizada • Involuir espontaneamente. Fonte: https://www.veterinariasaudeanimal.com/post/esporotricose-um-forte-motivo-para-n%C3%A3o-deixar-seu-gato-ir-na-rua. Dermatologia de cães e gatos Fatores de risco para esporotricose • Doença imunossupressora é um fator de risco • Animais imunocomprometidos por uso de corticoides • Infecções virais, bacterianas → disseminação tegumentar ou sistêmica Prednisona Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Prednisona. Dermatologia de cães e gatos Diagnóstico diferencial • Leishmaniose • Criptococose • Abcessos bacterianos • Micobacterioses tegumentares • Granulomas • Neoplasias Arquivo pessoal, 2023. Dermatologia de cães e gatos Síndromes clínicas Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, 2023. PACIENTE FELINO RESGATADO Óbito esporotricose sistêmica – falência hepática e renal. Dermatologia de cães e gatos • Forma cutânea em cães x forma cutânea gatos • Forma linfo-cutânea • Forma disseminada: sinais sistêmicos: • Sinais extra-cutâneos – espirros, rinorreia, dispneia, linfadenomegalia, anorexia, êmese, perda de peso, diarreia, tosse, desidratação. Síndromes clínicas Dermatologia de cães e gatos Diagnóstico • Raspado com KOH 10% • Botões em forma de charuto - cães e gatos • Cultura fúngica: isolamento e identificação em 13 dias - colônias filamentosas com centro enegrecido. Fonte: https://vycma.com.br/sporothrix-schenckii/ Dermatologia de cães e gatos Vigilância epidemiológica de esporotricose em Goiás. Doença de notificação. Cultura (padrão ouro) – Gratuita! Diagnóstico Dermatologia de cães e gatos • Citologias → Exsudado, aspirado, decalque, biopsia • Colorações de Gram, Wright, Giemsa, Panótico, Azul alciano e Gomori: • Formas leveduriformes, arredondadas, ovaloides, em forma de “charuto”. • Biópsias – Histopatológico. Diagnóstico Dermatologia de cães e gatos • Teste cutâneo - Sporotrichum Skin Test • Sorologia • PCR • Diagnóstico presuntivo → correlação clínica e epidemiológica. Diagnóstico Dermatologia de cães e gatos Tratamento • Itraconazol → fármaco de escolha para o tratamento em seres humanos • Iodeto de potássio • Anfotericina B • Terbinafina • Fluconazol • Tratamento em felinos: • Efeitos adversos tóxicos. Fonte: https://pt.vecteezy.com/arte-vetorial/10313670-figado-e-embalagem-de-medicamentos-tratamento-de-orgao-interno-da-pessoa-desenho-plano-ilustracao-prevencao-de-cirrose-e-hepatite-frasco-com-pilulas-e-droga-saude-e-farmácia. Dermatologia de cães e gatos Obrigado! Prof. Dr. Iago Martins Oliveira Slide 1: DERMATOLOGIA DE CÃES E GATOS Slide 2: DERMATOPATIAS PARASITÁRIAS Slide 3: Dermatopatias parasitárias Slide 4 Slide 5 Slide 6: Dermatopatias parasitárias Slide 7: Dermatopatias parasitárias Slide 8: Demodicidose canina - tratamento Slide 9: Demodicidose canina - tratamento Slide 10: Dermatopatias parasitárias Slide 11: Dermatopatias parasitárias Slide 12: Dermatopatias parasitárias Slide 13: Escabiose felina - características Slide 14: Escabiose felina - características Slide 15: Escabiose felina - tratamento Slide 16: DERMATOPATIAS FÚNGICAS Slide 17: Dermatofitose Slide 18: Dermatofitose Slide 19: Dermatofitose - zoonose Slide 20: Dermatofitose – características clínicas Slide 21: Dermatofitose – características do gato Slide 22: Dermatofitose Slide 23: Dermatofitose Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27: Dermatofitose - diagnóstico Slide 28 Slide 29: Dermatofitose – diagnóstico Slide 30 Slide 31: Dermatofitose - tratamento Slide 32: Dermatofitose – tratamento sistêmico Slide 33: Dermatofitose - monitorização Slide 34: Malasseziose Slide 35: Malasseziose - fatores predisponentes Slide 36: Malasseziose - características Slide 37 Slide 38: Malasseziose - características Slide 39: Malasseziose- características Slide 40: Malasseziose - características Slide 41 Slide 42 Slide 43: Malasseziose - características Slide 44: Malasseziose - diagnóstico Slide 45: Malasseziose - tratamento Slide 46: Malasseziose - tratamento Slide 47: Esporotricose Slide 48: Epidemiologia Slide 49: Epidemiologia Slide 50 Slide 51: Microbiologia Slide 52: Fatores de risco para esporotricose Slide 53: Diagnóstico diferencial Slide 54 Slide 55 Slide 56: Diagnóstico Slide 57: Diagnóstico Slide 58: Diagnóstico Slide 59: Diagnóstico Slide 60: Tratamento Slide 61: Obrigado!