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Medicina de Ruminantes Data: 27/09/2024 Aluna: Scarlett Sampaio. Professora: Ticianna Conceição. Sistema Tegumentar Ruminantes PELE: · Proteção; · Termorregulação; · Impermeabilidade. Espessura e coloração. PELOS: · Proteção mecânica; · Isolante térmico. Glândulas cutâneas. FUNÇÕES DA PELE · Proteção contra perdas: impede a perda de água, eletrólitos e macromoléculas; · Proteção contra injúrias externas: químicas, físicas ou microbiológicas (MICROBIOTA); · Produção de estruturas queratinizadas (pelos, unhas e a camada córnea); · Flexibilidade: capacidade de realizar diferentes movimentos; · Secreção: as glândulas sudoríparas e sebáceas apresentam diferentes funções ligadas à manutenção e à lubrificação do recobrimento piloso, termorregulação e determinação de odores; · Termorregulação: pela sustentação do manto piloso, regulação dos vasos sanguíneos e da função glandular. REVISÃO ANATÔMICA · A pele se insere ou dá continuidade às mucosas em todos os orifícios do organismo (digestivo, respiratório, ocular e urogenital); · A espessura da pele decresce ventralmente: mais espessa nas regiões cervical dorsal, torácica dorsal, cefálica e base da cauda; mais delgada nas regiões das orelhas, axilar, inguinal e perianal. · OVINOS 2,6mm / CAPRINOS 2,9mm / EQUINOS 3,8mm / BOVINOS 6mm. · A superfície cutânea dos mamíferos é, de maneira geral, levemente ácida; · nos bovinos pH aproximadamente 5,5. ESTRUTURA DA PELE · EPIDERME - CAMADAS CELULARES E QUERATINIZAÇÃO. · DERME - GRUPOS CELULARES, COLÁGENO E MUCOPOLISSACARÍDEO. · HIPODERME - SUBCUTÂNEO CAMADA DELGADA TECIDO ADIPOSO E VASOS. A pele consiste em três camadas: epiderme, derme e hipoderme (subcutânea). · Camada basal: mais interna, onde os queratinócitos são formados. · Camada espinhosa: Os queratinócitos produzem queratina (fibras de proteína) e se tornam fusiformes. · Camada granular: as células produzem grânulos duros e à medida que eles empurram para cima, estes grânulos se transformam em queratina e lipídios epidérmicos. · Camada lúcida: As células são bem comprimidas, aplainadas e não se distinguem umas das outras. · Camada córnea: mais externa com uma média de 20 subcamadas de células mortas aplainadas dependendo de onde seja a pele do corpo. Estas células mortas se desprendem regularmente num processo conhecido por descamação. A camada córnea também abriga os poros das glândulas sudoríparas e as aberturas das glândulas sebáceas. (A camada mais externa de pele é conhecida como camada córnea e é onde as células mortas são regularmente depositadas). EPIDERME · Essa porção é conhecida como camada de revestimento: · Principal componente é o QUERATINÓCITO, conhecido como queratina que são cerca de 95% da estrutura da epiderme e se renovam constantemente (cerca de 30 dias); · A queratina proporciona proteção, permeabilidade e firmeza a pele; · Não possui vascularização própria, seus nutrientes vêm dos capilares dérmicos, por isso, encontra-se firmemente ligado a derme. DERME · Composta principalmente de elastina e colágeno; · responsável pela sustentação da epiderme e participa dos processos fisiológicos e patológicos da pele; · Fornecem nutrientes e oxigênio para a pele; · Nessa porção estão presentes os anexos cutâneos: pelo, camada córnea poros, papilas dérmicas. · Os anexos cutâneos incluem: os pelos, cabelos, músculo eretor do pelo, unhas, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. HIPODERME · Também conhecida como tela subcutânea; · Formada principalmente de adipócitos; · Possui variadas funções, como armazenamento de reserva energética, absorve choques e isolante térmico. ➡️A pele é o espelho da saúde! Doenças infecciosas, doenças, nutricionais, doenças neoplásicas, toxicose química, danos causados por agentes físicos, doenças parasitárias. DERMATOFITOSE · O termo dermatofitose, apesar de não corresponder à classificação taxonômica normalmente utilizada para as micoses, relaciona-se às infecções produzidas pelos dermatófitos. · A expressão dermatófitos - um grupo de fungos patogênicos que, geralmente, em vida parasitária vive à custa de queratina da pele, pelos e unhas. Os agentes etiológicos estão distribuídos em três gêneros anamórficos (formas assexuadas): · Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton. · Em bovinos, as dermatofitoses são as principais infecções fúngicas, sendo frequente o isolamento de T. verrucosum, ocasionalmente T. mentagrophytes e em raros casos M. canis. · A dermatofitose ou tricofitose/ Tinha é uma doença cutânea altamente contagioso. · Doença de distribuição mundial, porém mais comumente encontrada em regiões tropicais (umidade e ao calor); · Podem afetar várias espécies: humanos (antropofilicos), cães, gatos, bovinos e equídeos (zoofilicos). · As dermatomicoses caracterizam-se pelo crescimento de microrganismos sobre ou no interior dos pêlos, no estrato córneo da epiderme nos folículos capilares, ou nas unhas. · A infecção não se dissemina para estruturas mais profundas da pele. · As lesões são circunscritas, esbranquiçadas, que ao raspar solta um pozinho branco, bem parecido com micose. Diferencia-se da dermatofilose, não apresenta lesões pustulares e crostosas. Dois tipos principais de crescimento: Dermatofitos ectothrix: · Caracterizados por uma invasão miceliana no exterior do pelo, com artrósporos no lado externo do fio capilar. Todos os animais. Artrósporos endotrix: · São resistentes ao meio ambiente e aos desinfetantes, permanecendo endêmicos nas criações, mesmo após um ano de vazio sanitário. · Quando os esporos fúngicos entram em contato com a pelagem, pode ou não ocorrer infecção. · Os esporos podem ser mecanicamente removidos, e incapazes de competir com a flora normal da pele; · Podem permanecer na pelagem em estado dormente até que haja condições ideais para infecção; · Problema para o homem é o fato de que os animais podem ser carreadores assintomáticos da dermatofitose; · Transmissão contato direto - de animal a animal; · Indiretamente fômites: esporas, estabulação, cercas e comedouros; · Fonte infecção - "animais portadores" (esporos podem viver sobre a pele sem causar lesões); · A suscetibilidade do animal é determinada pelo seu estado imunológico, de modo que os animais jovens são os mais suscetíveis; · Fatores que diminuam a resistência às infecções, como a má nutrição, moléstia concomitante e o uso prévio de medicamentos imunossupressores; · As lesões progridem quando há condições ambientais favoráveis ao crescimento micelial, como atmosfera quente e úmida e pH da pele ligeiramente alcalino. · A infecção é de distribuição folicular e as lesões iniciais frequentemente começam com uma erupção papular com pelos eretos; · Evoluem rapidamente para pápulas crostosas que se espalham circunferencialmente; · A lesão clássica é uma área circular de alopecia com pelos grossos na margem e quantidades variáveis de descamação - lesão seca. · A exsudação oriunda das camadas epiteliais invadidas, os restos epiteliais e as hifas produzem as crostas secas características da doença. · Eritema e hiperpigmentação; · A decomposição do tecido queratinizado provoca a quebra e queda dos pelos com zonas circulares de alopecia; · Formação de crostas pápulas, pústulas, seborreia. Sinal clínico mais consistente: · Uma ou mais manchas circulares de alopecia com formação variável de caspa; · Lesão clássica em anel com halo central sadio e pápulas foliculares finas e crostas na periferia; · Sinais e sintomas são altamente variáveis e dependem da interação hospedeiro - fungo e grau da inflamação; · O prurido geralmente é mínimo ou ausente, é comum a invasão bacteriana secundária dos folículos pilosos. · As lesões localizam-se com maior frequência na cabeça (ao redor dos olhos e comissuras labiais), orelhas, pescoço, dorso e extremidades. · (Inicia-se com à urticária, com os pelos nas regiões afetadas permanecendo eretos - transudação até a superfície - evoluem para áreas definidamente demarcadas de perda de pelos, descamação e formação de crostas.) Diagnóstico: · O diagnóstico baseia-se na evidênciada infectividade, na aparência das lesões características e na presença de micélios ou esporos do fungo; · O diagnóstico definitivo - método mais comumente empregado e mais confiável é o uso de culturas fúngicas; · Pelos quebrados na periferia das lesões são muito satisfatórios para tal finalidade (uso luva); · Grandes crostas e/ou áreas de separação deverão ser evitadas; · Resultados podem demorar de 1 a 4 semanas é aconselhável começar o tratamento previamente; raspados de pele para a pesquisa de esporos ou micélios através da microscopia direta ou cultura fúngica; · Raspados de pele devem ser feitos após desengordurá-la com éter ou álcool, caso tenham sido feitos curativos com substâncias gordurosas (evitar contaminantes). TRATAMENTO: · O tratamento mais utilizado são os tratamentos tópicos; · As crostas devem ser removidas por meio de raspagem ou de uma escova de fios delicados, e o medicamento aplicado com a escova ou friccionando-o vigorosamente sobre o local; · Solução fraca de iodo, unguento de mercúrio amoniacal a 10% e soluções contendo compostos quaternários de amônia (1:200 até 1: 10000); · Soluções de sulfato de cobre 1 a 3%, violeta genciana a 1% e ácido salicílico em álcool a 5% também podem ser utilizados para banho dos animais; · Tratar um rebanho infectado, o itraconazol, 5 a 10 mg/Kg VO uma vez ao dia durante 15 dias. É necessário terapia tópica simultânea com cal sulfurada; · Tratamento sistêmico com antifúngicos e fungistáticos para lesões generalizadas. · Griseofulvina (50 mg/ Kg VO uma vez ao dia) ou itraconazol (5 - 10 mg/Kg VO uma vez ao dia) são eficazes, mas caras. · Controle- isolamento dos animais doentes ou suspeitos e desinfecção de materiais e instalações usadas para os animais acometidos. · Cuidado com as pessoas que estão submetidas ao contato com os cavalos contaminados (equipamentos de segurança). Prevenção: · Fornecer uma dieta adequada aos animais de acordo suas exigências; · de vitaminas A Suplementação DE, devido em épocas de seca os fenos possuírem um número menor destas vitaminas; · Banhos após atividades que provocam sudorese, assim como deixarem os animais secarem ao sol; · Manter materiais individuais para cada animal, escovas, mantas, selas, cabeçadas, em caso de uso coletivo é recomendado a desinfecção destes materiais; · limpeza e a desinfecção dos estábulos com um detergente comercial ou com solução de 2,5 a 5% de desinfetante fenólico ou hipoclorito de sódio a 0,25%. DERMATOFILOSE Dermatofilose também "estreptotricose"; conhecida como Doença infectocontagiosa, causada pelo agente Dermatophilus congolensis; · Também conhecida como a doença do “mal das chuvas” (Tem esse nome pois o excesso de água lava a pele, retirando a camada protetora de cera produzida pelas glândulas sebáceas. A cera atua como uma barreira de entrada de bactérias. A pele muito úmida, fica sujeita a traumas, muitas vezes, impossíveis de serem vistos a olho nu.) · Doença é caracterizada por uma dermatite exsudativa e proliferativa, podendo apresentar-se sob a forma aguda ou crônica; · Ocorre geralmente sob a forma de surtos; · Dermatite superficial bacteriana hiperplástica ou exsudativa; · Zoonose; · (A principal espécie é a Bacteria Dermatophilus congolensis, sendo gram positiva e agente etiológico dermatofilose. · Bacilo Gram positivo, aeróbio ou anaeróbio facultativo do grupo dos actinomicetos, flagelado (motilidade); · Na microscopia comum, são visualizados como cadeias de cocos; · A pele sadia normalmente não é invadida. · O Agente é oportunista está presente na pele integra, penetrando e colonizando a epiderme mediante condições predisponentes, como alta umidade e traumas; · As causas são diversas, mas ocorrem durante os períodos chuvosos, onde os animais têm acesso a uma vegetação grosseira. Capins do tipo braquiarão, que apresentam um porte mais alto, são responsáveis por alta infestação de carrapatos e por moscas, levando a imunodepressão dos bovinos. · Ela pode atingir qualquer lugar, mas, geralmente acomete a região da cabeça, barbela e do pescoço. · Lesões mecânicas e químicas no tecido epitelial; · Desnutrição e imunossupressão; · Parasitismo (carrapatos). · Animais enfermos são reservatórios; · Transmitida pelo contato direto entre animais (pele); · Transmitida por contato direto com crostas do ambiente e fômites contaminados; · Transmitida por contato indireto através de artrópodes, especialmente os carrapatos. · O microrganismo persiste em crostas secas, podendo sobreviver por mais de 42 meses no ambiente. · Acomete os bovinos, ovinos e equinos de ambos os sexos, e em qualquer idade, além de suínos, caninos e felinos ocasionalmente. Sequência de eventos chave: · Pequenos traumas na epiderme causados por picadas de insetos e espinhos permitem o estabelecimento de pequenos focos de infecção; · As ceramidases, proteases e fosfolipases sintetizadas pela bactéria auxiliam na penetração da epiderme, rompimento de membranas celulares, aquisição de nutrientes e inativação da resposta imune; · A formação de crostas é causada por repetidos ciclos de invasão da epiderme, multiplicação bacteriana profunda na epiderme, rápida infiltração por neutrófilos e regeneração da epiderme; · As crostas com D. congolensis atuam como fonte de infeção para novas infecções - chuvas fortes disseminam os cocos e os zoósporos; · Geralmente, essas lesões regridem espontaneamente dentro de duas a três semanas (boa parte dos animais conseguem produzir anticorpos); · Nos casos de infecção crônica, estas lesões podem durar meses. · Bezerros mais fracos, a doença se alastra, ficam prostados e pode levar a morte. · Patogenia: bactéria penetra na pele - resulta em um processo inflamatório agudo - acúmulo de exsudato, pelos e fragmentos, dando origem as crostas. · Típica lesão aparece como uma área de pelos emaranhados ou vêlo que pode, às vezes, ser destacado junto com uma crosta úmida e deixar uma área exsudativa vermelha; · Inicialmente ocorre a formação de pequenas pápulas úmidas em pequeno número que se disseminam por diversas áreas do corpo; · Lesões tornam-se cobertas com crostas secas e duras com tufos de pelos (pincel); · As lesões podem se estender e cobrir todo o corpo, especialmente a região do dorsolateral dos animais afetados, bem como a região perineal, membros inferiores, cauda, boca e orelhas, assemelhando-se a papilomas; Diagnóstico: · é realizado pela observação das lesões e histórico: Observação microscópica do agente etiológico em crostas de lesões; · Confirmação exames laboratoriais - cultura, raspados e biópsias da região abaixo da crosta da lesão, hemograma; · PCR / sorologia; · Se o exame de raspado cutâneo der negativo, realiza-se o raspado das lesões crostosas para exame histopatológico. Tratamento: · O tratamento tópico isoladamente não é recomendado, pois os medicamentos não penetram nas camadas mais profundas da pele. · Banhos de imersão ou aspersão com sulfato se zinco ou de cobre (concentração de 0,2% a 0,5%) associado a antibioticoterapia sistêmica (casos graves e generalizados); · A aplicação de penicilina e estreptomicina administradas diariamente (penicilina na dose de 5.000 Ui/kg e estreptomicina na dose de 5 mg/ kg) durante cinco dias; · Quatro aplicações oxitetraciclina por via intramuscular, na dose de 20 mg/kg de peso vivo, a cada 48 horas. · O método mais eficaz para controlar a dermatofilose é controle do carrapato; · Redução de outros ectoparasitas (insetos voadores); · Banhos acaricidas reduzem a carga total de ectoparasitas e a duração dos ciclos de parasitismo; · A drenagem, limpeza e recarga de banheiro de imersão contaminados; · Destruição de implementos e fômites contaminados; · O uso de sulfato de alumínio e potássio e sulfato de alumínio em banheiros de imersão demonstram ser um método útil de controle da doença; · A eliminação de portadores crônicos e substituição por raças mais resistentes aos carrapatos ou animais geneticamente mais resistentes. LINFADENITE CASEOSA · Linfadenite caseosa ou "mal - do- caroço"; · É uma enfermidadecontagiosa, cuja característica mais importante é a presença de granulomas cutâneos e viscerais. · Causada por uma bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis; · Bactéria é Gram+, não formadora de esporos e intracelular facultativa, organismos em forma de cocobacilos, plemórficos e imóveis. · Localiza-se: linfonodos; · forma: superficial e visceral; · (A forma disseminada visceral é uma das causas da síndrome da ovelha magra, levando a prejuízos pela intensa redução da produção e morte do animal.) · Acomete principalmente ovinos e caprinos, ocasionalmente bovinos e equinos e raramente o homem; · Zoonose ocupacional de criadores e profissionais ligados à criação; · Caracterizada pela abscedação dos linfonodos; · As principais fontes de infecção são os animais infectados, com ou sem sinais clínicos; · Contaminam solo, água, alimentos, pastagens e instalações com secreções nasais, fezes e pus de abscessos drenados espontaneamente; · Animais infectados que não apresentam sinais clínicos da doença podem eliminar a bactéria pela via respiratória. Gera: · Redução na produção de carne e leite; · Depreciação da lã; · Retardo no desenvolvimento dos animais; · Gastos com tratamento e honorários veterinários; · Deficiências nos índices reprodutivos do rebanho; · Condenação de carcaças; · Descarte precoce e morte ocasional de animais. Transmissão: · Agente é eliminado com o exsudato purulento dos abscessos, pode infectar outros caprinos através de ferimentos na pele (70% da penetração é cutânea) ou pela ingestão de água e alimentos contaminados. · Contato direto ou indireto; · Através da pele intacta, ou de ferimentos em contato com pus de abscessos de animais doentes; · Materiais utilizados no manejo dos animais como na castração, drenagem de abscessos, brincagem e cura do umbigo; · Vetores, como insetos e moscas, devem ser considerados. Características: · Microrganismos cosmopolitas, encontrados predominantemente no solo, na pele, ou mucosas dos animais; · Ao abrigo da luz solar direta pode manter-se viável por longos períodos no ambiente e em secreções purulentas por 6 a 12 meses; · Contaminações experimentais de solo e fômites constataram que a bactéria sobrevive nestes locais por até oito meses sob várias condições de temperatura; · Manter viável por 3 semanas na palha, 2 meses no feno, 4 meses em galpões de tosquia e mais de 8 meses no solo; · Após a entrada no hospedeiro, que geralmente ocorre através de mucosas (oral, nasal e ocular) ou feridas na pele; · Dissemina-se livremente ou dentro de macrófagos, principalmente via linfática aferente, para linfonodos regionais e órgãos internos; · Este processo depende da capacidade do agente de infectar macrófagos, resistir aos fagolisossomos e matar células, liberando novas bactérias e provocando áreas de necrose. · Virulência - fosfolipase D - atua sobre o endotélio vascular, aumentando a permeabilidade e contribuindo para a disseminação do patógeno do local da infecção primária para os linfonodos, determinando necrose dérmica, agregação plaquetária e, em casos graves, falência renal. · Forma superficial - linfonodos submandibular, parotídeo, pré- escapular, subilíaco, poplíteo e supramamário; · Forma visceral abscessos em órgãos internos (pulmão, fígado, rins, útero, baço e linfonodos profundos como mediastinal, bronquial). · Abscessos profundos - perda de peso e debilidade (síndrome da ovelha magra). · Os abscessos maduros se rompem através de fistulas, liberando descargas purulentas (verde esbranquiçado); · Os abscessos geralmente são recidivos, meses ou anos mais tarde, pela falha do animal em eliminar infecção. Diagnóstico: · Histórico e sinais clínicos; · Cultivo e isolamento são necessários para identificação do agente causador; · Punção aspirativa e excisão (tricotomia e rígida antissepsia); · Necropsia - abscessos em vísceras (figado, pulmão, intestino, rim, linfonodos e outros tecidos); · A identificação da bactéria se dá pelo cultivo e confirmação através de provas bioquímicas (padrão ouro); · Teste sorológico, ELISA, estudos de prevalência; Tratamento: · Drenagem com posterior limpeza e cauterização química, preferencialmente com tintura de iodo a 10%; · Extirpação dos linfonodos superficiais acometidos; · A drenagem do abscesso deve ser feita com cuidado para não contaminar o ambiente, com a desinfecção do material cirúrgico antes e após o procedimento e todo material descartável deve ser incinerado e enterrado; · Antibioticoterapia, contudo, a mesma não é eficaz (formação biofilme/ intracelular); · A ineficácia do tratamento e seu alto custo inviabilizam este tipo de procedimento quando utilizado no rebanho. Programa de controle: · Inspeção clínica e testes sorológicos periódicos do rebanho e de animais recém adquiridos ou retornados à propriedade; · Segregação e descarte daqueles com sinais clínicos ou sorologicamente positivos. · Uma vez infectado, o animal não consegue eliminar a bactéria. · Utilização de cercas de arame liso, presença de cochos e instalações sem extremidades cortantes; · Desinfecção de equipamentos cirúrgicos, de brincagem e tosquia; · Uso sistemático de agulhas descartáveis individuais e efetivo controle de insetos. · Vacina (proteção parcial × vírus vivos atenuado). Animais não vacinados: 1° dose 30 dias de vida / repetir com um mês. · Fêmeas gestantes vacinar no terço final de gestação / revacinar cordeiras após o Desmame. PAPILOMATOSE · Doença de distribuição mundial; · Papilomatose é causada pelo vírus do gênero Papilomavírus; · Pertencente à família Papillomaviridae; · Descritos em diversas espécies de animais como os bovinos, equinos, caprinos, ovinos, caninos, raramente nos felinos e nos humanos; · O papiloma vírus é caracterizado por seis tipos virais (BPV1 a BPV6) onde os mesmos se dividem em dois subgrupos relacionados a área onde ocasiona a lesão. · O período de incubação varia de dois a seis meses - dependente do tipo, da dose viral, da rota de contaminação e, logicamente, da imunidade do hospedeiro. Os vírus são ainda divididos em dois grupos antigenicamente diferentes: grupo A (tipos 1, 2 e 5) - fibropapilomas. grupo B (tipos 3,4 e 6) - papilomas epiteliais. TIPOS VIRAIS E LOCALIZAÇÕES PREFERÊNCIAS: · BPV-1: Tetos, úbere, neoplasia na bexiga, genital. · BPV-2: Neoplasia na bexiga, tetos, úbere. · BPV-3: Tetos, úbere. · BPV-4: Tetos, úbere, trato gastrointestinal. · BPV-5: Genital. · BPV-6: Genital. Transmissão: · Transmissão direta de animal para animal - moscas, carrapatos, cercas, cochos de alimentação, cochos d'água, cordas e equipamentos; · Animais jovens são mais susceptíveis, todavia todas as faixas etárias podem ser atingidas; · A raça holandesa apresenta uma maior predisposição às verrucoses; · Deficiência do estado imune favorece o aparecimento do quadro; · Sistema de criação - animais juntos; · Métodos de identificação - material contaminado. · Lesão inicial na pele do animal a ser contaminado (trauma, ectoparasitas, raios ultravioletas do sol). · O vírus normalmente penetra na pele; replicando seu genoma nas camadas da granulosa e espinhosa, Causa crescimento excessivo e exofítico, formando uma lesão verrucosa. · A proliferação papilomatosa contém tecidos epiteliais e mesenquimais, e define-se então em papiloma ou fibropapiloma. · Formato típico de couve-flor, com inserção ampla, com aspecto pedunculado e consistência firme. · Observa-se também papilomas duros atípicos com formato achatados, planos e de bordas regulares. · As verrugas variam de tamanho e número; · A coloração varia do negro ao branco acinzentado; · O pescoço, cabeça, periferia dos olhos e tetos são, geralmente, as áreas mais afetadas; · Podem ainda, localizar-se na boca, língua e esôfago (timpanismo crônico); · Região genital e bexiga (causando hematúria crônica); · Infecções secundárias podem advir sob a forma de micoses, miíases e infecções bacterianas. · O aspecto da lesão já leva ao diagnóstico da doença. Nos casos onde é necessário a identificação do agente etiológico, deve-se fazer uma imunofluorescência direta.TRATAMENTO: Os melhores tratamentos para papilomatose bovina são: · Retirada cirúrgica e cauterização das lesões com nitrato de prata; · Vacina autógena (caráter curativo); · Auto-hemoterapia; · A questão do tratamento da lesão é muito polêmica, justamente por se tratar de uma doença autolimitante; · Alguns animais apresentam ótimos resultados e outros, não tem efeito. Controle: · Não adquirir animais com papilomas; · Manejar animais afetados separado / controle de moscas; · Desinfecção de agulhas, seringas e materiais utilizados. MIÍASES: Lesões com as larvas nos tecidos superficiais dos hospedeiros: Gera: · Grandes perdas; · Redução da produtividade; · Lesões no couro e mutilações; · Gastos com medicamentos utilizados no seu controle; · Perda de animais: · Desvalorização do couro, em consequência da presença de grandes áreas perfuradas, que correspondem às regiões onde ocorreram as lesões. · Miíases: definidas como infestações dos tecidos humanos ou de animais por larvas de dípteros. · Classificadas de acordo com relacionamento larva hospedeiro: · Obrigatórias, facultativas e pseudomiíases. · Primária e secundária - tecido vivo x tecidos necrosados COCHLIOMYIA HOMINIVORAX = MIÍASE CUTÂNEA PRIMÁRIA DERMATOBIA HOMINIS = MIÍASE FURUNCULOSA. · Miíase facultativa - são larvas de vida livre, que geralmente crescem na matéria orgânica decomposição e ocasionalmente necrosados (mortos) de animais vivos. · podem desenvolver-se em tecidos · Pseudomiíases: ocorrem acidentalmente pelos hospedeiros quando ovos ou larvas de moscas são ingeridas · Obrigatórias - as larvas desenvolvem-se exclusivamente em tecidos vivos e dependem de hospedeiros para que seu ciclo de vida se complete. · As miíases provocadas por larvas de Cochliomyia hominivorax e Dermatobia hominis enquadram-se nesse último grupo, sendo denominadas vulgarmente de "bicheira" e · "berne". · Bicheiras - dezenas de larvas; · Dermatobioses ou berne - apenas 1 larva. A mosca C. hominivorax : · é conhecida vulgarmente por mosca-varejeira; · Miíases cutâneas - regiões tropicais e subtropicais do mundo (natural das Américas): · Provoca lesões em animais domésticos, selvagens, animais de estimação e eventualmente, no homem. · As formas adultas possuem aparelho bucal lambedor (8 a 10 mm comprimento); · Coloração verde ou azul metálica e três listras negras longitudinais no tórax. · As fêmeas têm capacidade de vôo de até 200 km durante toda sua vida; · Cada mosca tem postura 390 a 2.800 ovos produzidos durante o período de vida fértil; · Realizam a postura nos bordos de ferimentos (atraídas por sangue e pús); Ciclo: · Período de incubação dos ovos varia de 11 a 21 horas; · Larvas recém-eclodidas penetram nos tecidos dos quais se alimentam, conservando os espiráculos voltados para o exterior; · Todo o ciclo larval (L1, L2 e L3) se dá entre 4 e 8 dias; · Após esse período as larvas se desprendem do hospedeiro e caem no solo para pupar; · O período pupal é de sete dias, em média, no verão e até dois meses no inverno; · As fêmeas iniciam a postura 5 a 10 dias após haverem emergido do pupário. Moscas de D. hominis: · São moscas relativamente grandes (15 mm de comprimento); · Longevidade de 3 a 19 dias; · O aparelho bucal é do tipo vestigial (afuncional) - não se alimentam; · Abdome é de cor azul metálica, o tórax é castanho escuro e a cabeça e as patas são amareladas; · Raramente vistos na natureza ou mesmo perto dos hospedeiros, mantendo-se protegidos pela vegetação próxima aos pastos; · Copulam nas primeiras 24 horas após a emergência do pupário; · Realizam postura no abdome de moscas de outras espécies que atuam como vetores de seus ovos (moscas foréticas). Ciclo: · Mosca foréticas: TRANSPORTAM OVOS DA D.HOMINIS; · Mosca doméstica (musca domestica), a mosca-dos-estábulos (stomoxys calcitrans), a mosca-dos-chifres (haematobia irritans) e outros dípteros, como mosquitos e mutucas; · Postura de 30 a 700 ovos produzidos durante o período de vida fértil – depositado no abdômen transportador; · Incubação de ovos - em média de 6 dias; · a infestação ocorre quando os insetos vetores pousam no corpo deste animal; · O calor emanado na pele e a liberação de gás carbônico dos bovinos – estimulam eclosão dos ovos; Sinais: · Lesão pela presença de larva; · Secreção serosanguinolenta e fétida; · Animais inquietos e isolados; · Infecção secundária. Tratamento: · Tópico: retirada e curetagem; · Repelentes e pomadas cicatrizantes; · Quimioterápicos estão as substâncias chamadas: abamectinas, ivermectinas, moxidectinas, doramectinas. · Controle de mosca. Fonte: · Práticas de manejo predispõe ao aparecimento das bicheiras, embora as larvas possam se instalar em pele íntegra; · Os bezerros recém-nascidos podem se infestar por larvas quando o cordão umbilical não for devidamente desinfetado e desidratado com solução alcoólica de iodo; · Ferimentos produzidos com arame farpado; · Lesões vulvares em fêmeas durante o parto; · Erupção de dentes. Controle e prevenção: · Utilização de inseticidas - principal método de controle da infestação; · A prevenção deve ser feita em épocas específicas, que correspondam aos períodos de maior exposição a infestações; · Feridas cirúrgicas devem ser evitadas nos meses mais quentes, quando as populações de moscas são maiores; · Evitar que sejam produzidas feridas (geralmente por castração ou descorna) durante os meses quentes e úmidos; · Lesões devem ser submetidas a processo de limpeza diária e protegidas com repelentes, para evitar a instalação de larvas da mosca; · Tratamento adequado do umbigo, com soluções alcoólicas de iodo. image6.jpg image7.jpg image8.png image9.jpg image10.jpg image1.jpg image2.jpg image3.jpg image4.jpg image5.jpg