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Brazilian Journal of Development 
ISSN: 2525-8761 
57210 
 
 
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.6, p. 57210-57231 jun. 2021 
 
Os Dilemas Éticos que o Profissional Enfermeiro Enfrenta em seu 
Cotidiano no Atendimento ao Cliente 
 
The Ethical Dilemmas that the Professional Nurse Faces in his Daily 
Life in Customer Service 
 
DOI:10.34117/bjdv7n6-226 
 
Recebimento dos originais: 07/05/2021 
Aceitação para publicação: 10/06/2021 
 
Bianca Flor Mendes 
Graduanda de Enfermagem pelo Instituto Taubaté de Ensino Superior - ITES 
Instituição: Instituto Taubaté de Ensino Superior - ITES Endereço: Av. Dom Pedro I, 
3575, Bairro Jardim Eulália - Taubaté, São Paulo, CEP:12090-000 
E-mail: biancaflormendes@hotmail.com 
 
Rosana Maria Faria Vador 
Mestre em Engenharia Biomédica, pela Universidade Camilo Castelo Branco 
(UNICASTELO) 
Instituição: Instituto Taubaté de Ensino Superior - ITES 
Endereço: Av.Dom Pedro I, 3575, Bairro Jardim Eulália - Taubaté, São Paulo, 
CEP:12090-000 
E-mail: rosanavador@gmail.com 
 
Fabíola Vieira Cunha 
Doutora em Enfermagem pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) 
Instituição: Instituto Taubaté de Ensino Superior - ITES 
Endereço: Av. Dom Pedro I, 3575, Bairro Jardim Eulália - Taubaté, São Paulo, 
CEP:12090-000 
E-mail: fabiolavcunha19972@gmail.com 
 
Fátima Aparecida Ferreira Barbosa 
Especialista em Gerontologia e Família (UNIVAP) 
Instituição: Instituto Taubaté de Ensino Superior - ITES 
Endereço: Av. Dom Pedro I, 3575, Bairro Jardim Eulália - Taubaté, São Paulo, 
CEP:12090-000 
E-mail: fatima.barbosa@gmail.com 
 
RESUMO 
A Ética está presente em todos os campos e áreas. O profissional enfermeiro acaba que 
lidando com dilemas que envolvem o campo da ética o tempo todo, e suas decisões e 
condutas devem ser pautadas e baseadas em princípios e códigos éticos que servem para 
nortear a atuação de profissional de enfermagem. Aprender e conhecer o Código de Ética 
dos Profissionais de Enfermagem – CEPE é de imprescindível, pois nele inclui princípios, 
direitos, responsabilidades, deveres e proibições pertinentes a condutas éticas dos 
profissionais de enfermagem. O presente trabalho de pesquisa pretende refletir sobre os 
dilemas éticos que os profissionais enfermeiros enfrentam em seu cotidiano no a 
atendimento ao cliente. Logo de início o trabalho de pesquisa vem refletir quais são as 
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razões que levam o profissional enfermeiro agir de forma antiética: seria a falta de 
conhecimento do CEPE; excesso de trabalho; falta de capacitação técnica; ausência de 
uma formação continuada para os profissionais enfermeiros; estresse da profissão; 
desvalorização do profissional etc. A pesquisa pretende se aprofundar em vários teóricos 
da área de saúde que abordam esse tema, e demonstrar o quanto é importante esse 
conhecimento na preparação e formação de um profissional enfermeiro. Conclui-se que 
considerando o processo de construção e estruturação da presente pesquisa, percebe-se 
que a Ética é uma área do conhecimento importantíssima para a atuação do profissional 
enfermeiro diante dos dilemas, desafios e conflitos que enfrenta diariamente no exercício 
de seu ofício. 
 
Palavras-chaves: Dilemas Éticos, Profissional Enfermeiro. 
 
ABSTRACT 
Ethics is present in all fields and areas. The nurse professional ends up dealing with 
dilemmas that involve the field of ethics all the time, and his decisions and conduct must 
be guided and based on principles and ethical codes that serve to guide the performance 
of nursing professionals. Learning and knowing the Code of Ethics for Nursing 
Professionals - CEPE is essential, as it includes principles, rights, responsibilities, duties 
and prohibitions relevant to the ethical conduct of nursing professionals. The present 
research work intends to reflect on the ethical dilemmas that professional nurses face in 
their daily lives in customer service. Right from the start, the research work reflects what 
are the reasons that lead the professional nurse to act in an unethical way: it would be the 
lack of knowledge of CEPE; excess of work; lack of technical training; absence of 
continuing training for professional nurses; profession stress; devaluation of the 
professional etc. The research intends to deepen in several health theorists that approach 
this theme, and demonstrate how important this knowledge is in the preparation and 
training of a professional nurse. It is concluded that considering the process of 
construction and structuring of this research, it is perceived that Ethics is an area of 
knowledge that is extremely important for the performance of professional nurses in the 
face of the dilemmas, challenges and conflicts that they face daily in the exercise of their 
profession. 
 
Keywords: Ethical dilemmas, Professional Nurse. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
GERMANO RM (2013) acredita que a maneira ética de se pensar envolve uma 
problemática contínua que obriga o ser humano a refletir constantemente sobre seus atos 
e ações, na área de saúde o profissional de enfermagem assim como todos os outros 
profissionais se deparam incessantemente com dilemas éticos, o profissional enfermeiro 
(no qual está sendo debruçada esta pesquisa) deve estar bem preparado para agir diante 
desses dilemas, o erro e a falha numa atitude de um profissional enfermeiro pode ocorrer, 
pois é um agir humano e o ser humano está sujeito a erros, mas quando se trata de saúde 
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o profissional de enfermagem deve ter sua atenção e consciência ética mais que redobrada 
e preparada para que erros sejam quase que nulos. 
Desta maneira, GERMANO RM (2013) acredita que pensar e agir por meio da 
ética é uma condição estruturante, que atua na humanização e enobrecimento da própria 
profissão, dando sentido às ações dos profissionais, portanto é imprescindível que o 
profissional enfermeiro esteja sempre familiarizado com os princípios éticos que servem 
para nortear sua ação. 
A origem dos problemas éticos pode ter como princípio a formação moral dos 
profissionais de enfermagem como também pela falta de uma continuidade na formação 
desses profissionais, por isso é importante que se estabeleça uma formação continuada a 
esses profissionais de saúde. O desgaste físico e emocional, o excesso de trabalho, falta 
de estrutura e de um ambiente adequado para exercer um trabalho digno e eficiente 
também conduzem o profissional de enfermagem ao erro, pois se o local não apresenta 
uma estrutura física e um ambiente organizado, acaba que afetando a conduta ética do 
local de trabalho e no atendimento ao cliente, portanto, o trabalho de pesquisa também 
trará a luz essa reflexão, pois sabe-se que situações como essas não são casos presentes 
em alguns hospitais, pode-se notar através da mídia que ora ou outra passam em seus 
telejornais matérias relacionadas a questões éticas que envolvem o trabalho do 
profissional de enfermagem (Germano RM, 2013). 
Durante o desenvolvimento desse trabalho de pesquisa trataremos também de 
algumas dentre várias situações que desmotivam e influenciam no comportamento do 
profissional enfermeiro e que estão diretamente ligados a questões éticas profissionais no 
que tange a direitos e deveres assegurados por lei (Gelain I, 1992). 
As leis e os códigos de ética são importantes instrumentos de reflexão que iram 
nortear a atuação do profissional enfermeiro, elas estão estritamente relacionadas à 
qualidade dos serviços prestados pelos profissionais da área. Este trabalho de pesquisa irá 
tratar de algumas dessas leis e códigos de ética. 
 
2 REVISÃOBIBLIOGRÁFICA 
2.1 O SIGNIFICADO DO ÊTHOS EDA CONSCIÊNCIA ÉTICA 
 O “êthos” compreende, segundo HÃRING (1972) os comportamentos que 
caracterizam uma cultura, um grupo social, uma categoria profissional, enquanto faz uso 
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de valores e de uma escala deles. Assim, fala-se em “êthos” dos advogados, dos médicos 
e assim por diante(Gelain I, 1992). 
 De acordo com ARANGUREN (1972), “êthos” provém do grego, significando 
caráter, costume e possui dois termos para isto: costume, que é representado por “êthos” 
e caráter, por “êthos”. De acordo com o mesmo autor, na caracterização dos aspectos 
éticos, é necessário dar primazia ao termo “êthos”, pois define o homem no seu modo de 
ser ético, como realidade ética (Gelain I, 1992). 
 Com base nessas definições podemos refletir que o “êthos” busca compreender os 
costumes, hábitos, as tradições de um grupo, e caracterizar o “êthos” é uma forma de 
descrever o modo de ser ético e a definição da personalidade ética desse grupo. Já a 
consciência ética, é a voz interna, o julgar interiormente dos atos humanos. Revela-se 
como o produto de valores éticos, das crenças, das convicções filosóficas e religiosas e 
mantém estrita relação com a obrigatoriedade ética (Heidemann M, et al, 2009). 
 Considera-se como aspecto existencial, a essência, o prático, o emergente do 
diaadia profissional e particular dos comportamentos éticos de uma categoria. 
(Heidemann M, et al, 2009). 
 Neste trabalho de pesquisa, irei abordar situações éticas do diaadia do profissional 
de enfermagem que envolvem a relação entre os dois aspectos, o formal e o existencial, 
tendo como perspectiva compreender e entender o “êthos”, a consciência ética na 
existência profissional do enfermeiro, no qual descreverá o seu perfil ético (Heidemann 
M, et al, 2009). 
 
2.2 O ÊTHOS NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO NO BRASIL 
 O êthos do profissional enfermeiro está intrinsicamente ligado à sua existência, a 
sua relação com o mundo em que habita, que trabalha, que se comunica, que dialoga, que 
convive com os outros etc. Ao mesmo tempo que o homem interage com o mundo ele 
interage consigo mesmo, pois ele também faz parte deste mundo e o transforma (Gelain 
I, 1992). 
 A dimensão ética do fazer cotidiano no processo de formação do enfermeiro se 
fundamenta na conexão da ética com a educação. Tal dimensão se baseia no pensamento 
crítico, num processo de reflexão, de análise crítica da sociedade e nas relações 
socioeducativas dos sujeitos desse desenvolvimento. As questões éticas são 
intransferíveis ao processo ensino-aprendizagem e são importantes para a construção de 
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novas práticas (Ramos et al., 2011), o que fortalece a necessidade de transformação das 
ações do educando, do educador e do modelo curricular constituído (Fernandes et al., 
2008). 
O estudante em enfermagem, a partir da reflexão sobre os significados e valores 
que irão garantir suas ações, deve assumir finalidades claras na qual visa construir um 
saber prático e aliar esse saber num contexto ético, social e político. Isto requisita 
compreensão e valorização do cuidar de si, abrangendo o lado pessoal, profissional e 
coletivo (Fernandes; Freitas, 2007). É preciso preparar os enfermeiros para ações éticas 
de cuidado, zelo e disponibilidade de comunicação que se empreendam nas relações que 
terão com os clientes dos serviços de saúde (Haddad; Zoboli, 2010). 
 O profissional enfermeiro deve estabelecer ações de cuidados baseados em 
diálogo humano e na consideração individual de cada cliente. Os profissionais de 
enfermagem devem estar atentos para que não ocorra danos decorrentes de imperícia, 
negligência ou imprudência. Recomenda-se, também, a garantia da privacidade, 
confidencialidade, humanização e do respeito ao pudor em todo o ciclo vital do cliente 
(Leite; Gomes e Claudino; Santos, 2009). 
O ensino ao profissional de enfermagem deve abranger a ação educativa 
comprometida com o outro, no que se refere a seus valores e relações, ter um ethos 
pautado na reciprocidade e solidariedade e que permita a construção de condutas éticas 
nas quais o aprendiz, ao término de seu curso de graduação, aprenda a reconhecer, em 
cada ato de cuidado, as necessidades e complexidade do ser humano, isso contribui na 
aplicação dos princípios éticos que norteiam o processo de formação do enfermeiro, ou 
seja, Beneficência, Não Maleficência, Autonomia, Responsabilidade, Liberdade, 
Alteridade, Solidariedade e Justiça (GelainI, 1992). 
Engendrar práticas docentes apoiadas na implementação dos saberes da ética 
diante das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Enfermagem 
(DCENF) demanda a capacitação dos docentes e o desligamento das concepções 
tradicionais, as quais moderam a ética ao campo normativo. Os profissionais de educação 
têm de a procurar conhecimentos teóricos e metodológicos para que possam alcançar 
instrumentos para o desenvolvimento do seu trabalho. Para isso, é necessário por parte 
desses sujeitos uma seleção criteriosa, pertinente e atualizada de obras e teóricos que 
contemplem, aos acadêmicos, além dos assuntos pertinentes à deontologia e a prática 
profissional, a reflexão sistemática e baseada à realidade social (Mascarenhas; Rosa, 
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2010). Assim, os educadores são responsáveis por oferecer espaços e criar estratégias que 
gerem visibilidade à ética em todo período de formação e promovam a reflexão tendo 
como base os problemas práticos (Ramos et al., 2013). 
A partir da análise da literatura investigada, é possível concluir que o ensino da 
ética no percurso da formação do enfermeiro se fundamenta em aspectos holísticos. Os 
sujeitos envolvidos no processo de formação do enfermeiro guiado pela ética são 
influenciados por vários aspectos, a saber: modificações nas políticas regulamentadoras 
do Ensino Superior e da educação em enfermagem, além das vertiginosas mutações no 
mundo contemporâneo relacionadas à área da saúde, especificamente à enfermagem, e 
aos campos científico, universitário, trabalhista, político, econômico e sociocultural. Os 
docentes e discentes devem reconhecê-los em sua práxis educacional cotidiana e superar 
as dificuldades existentes no processo ensino-aprendizagem para que se construa uma 
harmonia entre tais aspectos (LIMA CA et al., 2013). 
Dessa forma, os futuros enfermeiros, docentes, universidades e usuários dos 
serviços de saúde poderão se beneficiar mutuamente. Segundo LIMA CA, et al (2013, 
p.1), as novas configurações no panorama da saúde no Brasil preconizam posturas 
embasadas pela ética, pois ela é primordial para a consolidação da atenção à saúde pelo 
enfermeiro, marcada por capacidades técnicas, científicas e humanas. Esse é um processo 
que se articula ao contexto de implementação das políticas públicas direcionadas à saúde 
e à formação do profissional em enfermagem a partir de valores e princípios éticos e 
morais. 
 
2.3 PRINCIPAIS DILEMAS ÉTICOS ENTRE O PROFISSIONAL ENFERMEIRO 
E O CLIENTE 
É sabido que o profissional enfermeiro é aquele que atua em linha de frente com 
o cliente, coordenando, dimensionando, liderando e realizando tarefas e atividades, 
assumindo a função como um importante cuidador. Nesse contexto, o profissional 
enfermeiro tem a importante função de compreender e administrar os conflitos e dilemas 
éticos que acontecem no cotidiano no exercício da função e colaborar para resolvê-los 
(Mattozinho FCB, Freitas GF, 2015). 
 
O trabalho de Enfermagem tem se diversificado, indo desde o cuidado, seja do 
paciente,família e da comunidade, incidindo pelas ações educativas, análises, 
administrativas, até a participação na elaboração dos planos em saúde. O 
enfermeiro tem apresentado desenvolvimento no controle das suas atividades, 
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pressagiadas tanto no Regulamento do Exercício Profissional (Lei n.7498/86) 
(BRASIL, 1986) como no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem 
(Resolução COFEN 311/07) (COFEN, 2008) (Ismael et. al., 2019), p. 1). 
 
Devido a esses avanços, os problemas éticos pertencentes às práticas do 
profissional vêm sendo mudados, sendo essencial que o profissional tome conhecimento 
de seus direitos e deveres éticos e legais, para que possa ter mais segurança em suas ações 
e, também, realizar somente as atividades e funções que lhe cabem, evitando prováveis 
complicações legais posteriores (Nora CRD, Zoboli ELCP, Vieira M. 2015). 
 Assim sendo, nossa análise se volta para os dilemas enfrentados pelo profissional 
de enfermagem ao longo do desenvolvimento de suas atividades laborativas (Mattozinho 
FCB, Freitas GF, 2015). 
 Dentre as ocorrências atitudinais encontradas, segundo os autores (Mattozinho 
FCB, Freitas GF, 2015, p. 595), podemos citar: 
• Abandono de plantão; 
• Inobservância do sigilo profissional; 
• Inobservância ao direito de autonomia; 
• Não atendimento a convocações; 
• Maus tratos; 
• Falsificação de documentos; 
• Estupro; 
• Abandono de incapaz; 
• Vilipêndio de cadáver; 
• Tráfico de entorpecentes; 
• Peculato e furto; 
• Assédio moral e insubordinação nas relações com a equipe; 
• Agressão física e verbal nas relações com usuários e familiares. 
 
Quanto às ocorrências procedimentais, de acordo com os pesquisadores 
(Mattozinho FCB, Freitas GF, 2015, p. 595), podemos citar: 
• Imperícia; 
• Imprudência e administração de dieta enteral via parenteral, categorizadas 
como iatrogenia de ação (IA),caraterizada como iatrogenia de omissão (IO); 
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• Erro na administração de medicamentos, iatrogenia medicamentosa associada 
à negligência, imperícia ou imprudência (IM); 
• Erro na administração de hemoderivados, categorizada como iatrogenia com 
hemoderivados (IH). 
 
Sobre essa divisão realizada pelos autores entre ocorrências atitudinais e 
procedimentais, percebemos que uma dessas tem uma dessas características específicas. 
As primeiras tratam de ações relacionadas ao contexto de práticas relacionadas ao 
contexto geral da profissão e as ocorrências procedimentais se relacionam às ações 
específicas da profissão. 
 
2.4 PRINCÍPIOS ÉTICOS QUE NORTEIAM A CONDUTA PROFISSIONAL DO 
ENFERMEIRO 
No que se refere a ética profissional, existem indicações dos princípios que tem 
por objetivo nortear a conduta profissional, para que seja garantida o cumprimento e 
prática das normas e valores estabelecidos. Nesse sentido, o Código Ética dos 
Profissionais de Enfermagem (CEPE) é um importante instrumento que congrega várias 
normas, princípios morais e do direito no que tange à profissão e a sua função como 
enfermeiro. Foi reorganizado pela Resolução COFEN 311/2007, cuja aplicabilidade se 
estende todas as relações que envolvam os profissionais registrados nos Conselhos de 
Enfermagem(Penna MH., 2015). 
Portanto, esta pesquisa tem por objetivo refletir a respeito das situações-problema 
que envolvam a ética e, consequentemente, enxergar novas possibilidades que ajudem e 
colaborem no agir do profissional enfermeiro em situações que envolvam dilemas éticos, 
levando em conta que as perspectivas da socialização das informações podem contribuir 
para melhoria e aperfeiçoamento das ações preventivas e educativas no dia a dia do 
trabalho dos profissionais de enfermagem. (Penna MH., 2013) 
O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (CEPE) é um documento que 
reúne os princípios fundamentais para a conduta profissional de Enfermeiros, Técnicos 
de Enfermagem, Auxiliares de Enfermagem, Obstetrizes e Parteiras e Atendentes de 
Enfermagem. Aprovada e editada pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), a 
resolução com a versão mais recente do CEPE foi publicada no Diário Oficial da União 
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no dia 6 de novembro de 2017, entrando em vigor 120 dias após sua publicação (SOUSA, 
2019). 
A resolução reúne os direitos, os deveres, as proibições e as infrações e 
penalidades a serem apreendidas, observadas e executadas durante o exercício da 
profissão. As citações abaixo apresentaram alguns dos principais pontos dispostos no 
novo CEPE. 
 
2.4.1 Direitos 
Segundo os artigos I e II da Resolução COFEN Nº 564/2017: 
 
Art. I. Exercer a Enfermagem com liberdade, segurança técnica, científica e 
ambiental, autonomia, e ser tratado sem discriminação de qualquer natureza, 
segundo os princípios e pressupostos legais, éticos e dos direitos humanos. 
Art. II. Exercer atividades em locais de trabalho livre de riscos e danos e 
violências física e psicológica à saúde do trabalhador, em respeito à dignidade 
humana e à proteção dos direitos dos profissionais de enfermagem. (COFEN, 
2017, on-line). 
 
Deve ser garantido ao profissional enfermeiro receber todas as informações 
necessárias para o bom exercício de sua profissão, assim como cabe a ele de recusar-se 
de dizer informações confidenciais que lhe foi dito nesta mesma circunstância. 
De acordo com a CEPE, outro direito que também é garantido ao profissional 
enfermeiro é o de negar-se caso seja exigido dele desempenhar alguma função que não 
seja de sua competência, na qual ofereça risco à sua própria segurança, ou à segurança de 
terceiros. 
 
2.4.2 Deveres 
 
O exercício da profissão de Enfermagem deve ser feito com “justiça, 
compromisso, equidade, resolutividade, dignidade, competência, 
responsabilidade, honestidade e lealdade”. As relações devem ser baseadas no 
direito, na solidariedade e no respeito às diversidades (SOUSA L, 2019, on-
line). 
 
 Caso haja alguma ação que infrinja os dispositivos éticos-legais do seu ofício, o 
profissional enfermeiro deve comunicar rapidamente ao Conselho Regional de 
Enfermagem e aos órgãos competentes. 
É importante também destacar aqui que é dever do profissional enfermeiro dar ao 
paciente todas as informações necessárias para o bom prosseguimento de sua assistência, 
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esclarecendo ao paciente seus direitos, risco e benefícios em todas as fases de sua 
assistência. 
 
O exercício da função deve ser livre de discriminações de qualquer natureza. 
O pudor, a intimidade e a privacidade da pessoa devem ser respeitados tanto 
em vida, quanto em morte e pós morte. Também cabe ao profissional respeitar 
as diretivas antecipadas tomadas pelo paciente de forma livre e esclarecida 
sobre sua saúde. As responsabilidades aceitas pelo profissional devem estar 
sempre em acordo com sua capacidade técnica, científica e legal (Concursos 
no Brasil, 2019). 
 
A inscrição do profissional enfermeiro deve ser mantida no Conselho Regional de 
Enfermagem, assim como os dados cadastrais e as obrigações financeiras devem estar 
regularizados. Essa vinculação é de suma importância na constituição da identidade 
profissional, na compreensão dos valores que estão atrelados ao exercício da enfermagem 
e nas discussões sobre os princípios que conduzem as ações. 
 
2.4.3 Proibições 
 
O primeiro artigo do Capítulo III do CEPE informa que o profissional não deve 
executar ações que sejam contráriasao estabelecido pelo próprio Código de 
Ética e à legislação vigente referente à Enfermagem.Assim como disposto nos 
deveres, reafirma-se que o profissional está proibido de assumir a execução de 
atividades que estejam fora de sua competência ou que não ofereçam segurança 
a si mesmo ou a terceiros. Também é proibido pleitear ou aceitar empregos dos 
quais profissionais da área tenham se desligado pela necessidade do 
cumprimento do código de ética ou da legislação que rege a profissão 
(Concursos no Brasil, 2019). 
 
É ilegal fazer uso de seu cargo para adquirir qualquer tipo de benefício em troca 
de assistência profissional, assim como é proibido fazer uso de seus conhecimentos 
profissionais com a intenção de praticar atos criminosos ou contravenções. 
 
2.4.4 Penalidades 
Recusando-se de acatar ou deixar de obedecer às disposições do Código de Ética 
dos Profissionais de Enfermagem e outros códigos regionais, o profissional poderá 
receber as seguintes penalidades: Advertência Verbal, Multa, Censura, Suspensão do 
Exercício Profissional e Cassação do direito ao Exercício Profissional. 
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2.4.5 Benefícios Do Código 
Embora não seja uma tarefa fácil definir e estabelecer um conjunto de princípios 
a serem seguidos, é de extrema importância assumir a responsabilidade em benefício da 
conduta profissional de qualquer categoria. 
Pelo fato do profissional enfermeiro se ocupar de uma área que prioriza 
essencialmente o cuidado ao ser humano, tal função apresenta sempre novos fatos e 
desafios, e isso exige do profissional enfermeiro competência e conhecimento para que 
as tomadas de decisões sejam sempre tomadas de forma correta. 
 
2.5 DEONTOLOGIA EM ENFERMAGEM: CAMINHOS POSSÍVEIS PARA 
BOAS PRÁTICAS 
Uma fundamental característica que um profissional enfermeiro possui em sua 
atuação é o cuidado. Pode-se afirmar que nunca foi fácil descrever caminhos possíveis 
para tal prática de cuidado, até a formação de um conceito da enfermagem como ciência. 
Contudo, para que aconteça atividades de enfermagem que concretizem uma ação eficácia 
e de qualidade na atuação profissional, torna-se necessário subsídios e orientações que 
possam orientar e nortear os profissionais de enfermagem com base em princípios éticos 
para desempenharem de forma coesa e de qualidade o que compete como profissional de 
enfermagem(Polakiewicz R, 2019). 
O profissional enfermeiro tem como característica a caridade e a compaixão 
perante os pacientes agonizantes, contudo têm também seu triunfo devido as suas 
conquistas por direitos e por obtenção de novas aberturas no cenário diante dos demais 
profissionais de saúde. Entretanto, ainda se nota uma postura elementar no que se refere 
ao ambiente de trabalho, e a comportamentos diversos diante de vários embates éticos e 
ao ato de se posicionar em questões interpessoais (Silva TN, et al, 2018). 
Segundo Polakiewicz R (2019) “Conquanto a deontologia busque um caminho 
para o aspecto intencional do conflito, serve também para uma diretriz invisível no ato do 
fazer que já é incorporado em boas práticas de saúde”. 
Segundo a deontologia são valores universais a observar na 
relação profissional: 
• A competência e o aperfeiçoamento profissional; 
• A igualdade; 
• A verdade e a justiça; 
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• A liberdade responsável, com a capacidade de escolha, 
tendo em atenção o bem comum; 
• O altruísmo e a solidariedade. 
São princípios orientadores da atividade dos enfermeiros: 
• A excelência do exercício na profissão em geral e na relação 
com outros profissionais; 
• O respeito pelos direitos humanos na relação com os 
clientes; 
• A responsabilidade inerente ao papel assumido perante a 
sociedade (Polakiewicz R, 2019). 
 
2.5.1 O Dever Da Enfermagem Para Com A População 
O profissional enfermeiro, sendo ele responsável pela promoção da saúde da 
comunidade e na resposta adequada ao que se refere as necessidades em cuidados de 
enfermagem, acaba que assumindo o dever de: participar e ajudar na orientação da 
comunidade na busca de respostas frente aos problemas de saúde detectados; Conhecer a 
população na qual está inserida e suas necessidades; Colaborar, ajudar e contribuir como 
os outros profissionais de saúde em programas que auxiliam nas necessidades da 
comunidade (Silva et al., 2018). 
 
2.5.2 Valores Humanos Na Enfermagem 
A ação do profissional enfermeiro está atrelada a uma série de deveres que devem 
ser observados minuciosamente no sentido de se criar uma prática profissional 
efetivamente coesa com os valores e princípios éticos. Esse escopo envolve o respeito às 
opções políticas, morais e religiosas de pessoas, criando condições para o exercício do 
direito de cada pessoa. Também envolve o combate a qualquer forma de discriminação, 
respeito aos idosos e às pessoas com deficiência entre outros deveres. 
 
2.5.3 Deveres Para Com Outras Profissões 
Sendo parte da equipe de saúde, o profissional enfermeiro tem a responsável tarefa 
e o dever na sua área de competência de reconhecer seu papel diante da equipe de saúde, 
respeitar os limites impostos por cada uma das outras áreas de saúde, além de trabalhar e 
atuar em articulação e parceria com os demais profissionais de saúde. O profissional 
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enfermeiro também deve integrar a equipe de saúde, em toda e qualquer situação na qual 
lhe é confiado seu trabalho e atuação, contribuindo e colaborando com toda a 
responsabilidade para que o trabalho seja aplicado de forma coesa, visando a qualidade 
dos serviços, a prevenção das doenças, o tratamento de recuperação, e nas decisões sobre 
a promoção da saúde (Silva et al., 2018). 
 
2.5.4 Pequenas Conclusões Acerca Do Aspecto Deontológico Na Enfermagem 
 
Sobre o aspecto deontológico da categoria, pode-se destacar o estudo de Silva 
et al. (2018), que revela que há conhecimento limitado dos trabalhadores de 
enfermagem sobre seu Código de Ética Profissional e que isso promove um 
distanciamento significativo entre o trabalho efetivamente realizado e suas 
competências ético-legais. Por isso, torna-se necessário ampliar os debates 
sobre o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e sobre a 
necessidade de se orientar em boas práticas profissionais(Polakiewicz R, 
2019). 
 
É essencial que a cultura da ética se faça presente no cotidiano do profissional 
enfermeiro, sendo as normas e códigos as representações de uma compilação de leis ou 
regulamentos que guiam e norteiam as relações humanas, dando as pessoas a segurança 
de seus direitos, mas também, listando, seus deveres e obrigações. Esses deveres as vezes 
são considerados por muitos como somente moral, mas eles são valores éticos refletidos 
e pensados por teóricos e profissionais competentes que são incumbidos dessa tarefa 
árdua de estruturarem esses códigos e leis (Silva et al., 2018). 
 
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Considerando os dados levantados a partir da presente pesquisa e sua organização, 
percebemos que a discussão sobre a ética na atuação do profissional enfermeiro bem 
como os dilemas éticos por ele enfrentados é parte de grande arcabouço de pesquisas e 
análise científica, uma vez que se trata de uma temática recorrente na produção científica 
atual e na própria movimentação do COFEN, no sentido de implementar uma ampla 
discussão sobre as possibilidades, limites, direitos e deveres deste profissional tão 
importante para a saúde no Brasil. 
Dessa forma, de acordo com GERMANO (2013), o processo ético é uma 
condicionante para a formulaçãode ações humanitárias na atuação profissional na área 
de saúde, dando sentido às ações de seus profissionais. SILVA et al. (2017) salientam a 
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relevância quanto à reflexão sobre os princípios e valores que conduzem a profissão aos 
princípios da legalidade e pleno cumprimento do dever. 
OLIVEIRA e ROSA (2015) aponta sobre os conflitos éticos e dilemas vivenciado 
pelo profissional de enfermagem em um hospital-geral, em Salvador, Bahia. As autoras 
citam esses conflitos no contexto de deficiência dos recursos humanos, físicos e materiais. 
Também citam as dificuldades da equipe cirúrgica em chegar em um consenso, as ações 
realizadas sob a tensão da unidade, o desrespeito à autonomia dos enfermeiros durante 
suas práticas. Para solucionar essa problemática, recomendam que as instituições 
invistam em infraestrutura, recursos materiais e recursos humanos nas unidades de saúde. 
Sobre o processo de discussão da Ética no campo da enfermagem, podemos 
perceber que essa temática perpassa o tempo histórico da própria constituição da profissão 
no país, passando por atualizações por meio da formação do Conselho de Ética, da ação 
profissional, da reflexão sobre a prática, da legislação em relação à profissão e o diálogo 
com outras instâncias institucionais. Todas essas ações resultam do movimento da 
coletividade dos profissionais de enfermagem no sentido de legitimarem suas ações por 
meio de princípios comuns a todos os trabalhadores da área. 
MONTEIRO MAA et al (2008) aludem à uma crise de paradigmas na profissão 
considerando as categorias de: ética, o sistema de saúde e a prática da enfermagem, ética 
e o ensino-aprendizagem na enfermagem, ética e o cuidado de enfermagem. Citam ainda 
a construção do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, que gera um novo desafio não 
somente na necessidade de uma nova equipe técnico-assistencial como também na 
reformulação do processo de trabalho, que exige uma prática ética, humana e vinculada 
ao exercício da cidadania. 
FREITAS et al (2010) realizam uma importante discussão quanto à discussão 
conceitual e prática da aplicabilidade da ética no contexto da enfermagem. Citam a 
necessidade do ser humano em ajustar-se constantemente a desafios novos que as 
transformações da ciência e da própria sociedade suscitam a cada momento. Trazem essa 
dimensão entre o que está presente nos códigos de ética e as características da sociedade 
e do tempo em que são produzidos. Nesse sentido, a liberdade e a responsabilidade são 
imperativos para a fundamentação da ética na perspectiva profissional. Quanto ao CEPE, 
os autores salientam sua centralidade na pessoa, na família e na coletividade, 
considerando uma assistência sem danos, riscos e com acessibilidade a toda a população. 
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Quanto à autonomia do profissional de enfermagem, PAGANINI MC (2011) 
demonstra os significados que o profissional atribui à experiência de tomar decisões e de 
exercer sua autonomia em situações de final de vida de pacientes internados em UTI 
adulto. Citam como desafios: o trabalho em ambiente sobre pressão atrelado aos aspectos 
clínicos do paciente, as estratégias que os enfermeiros precisam constituir para ampliar 
as possibilidades na tomada de decisões e os outros espaços que podem atuar no processo 
de final de vida, em relação ao planejamento do cuidado do paciente, no acolhimento da 
família e na interface e interação com os outros membros da equipe e da instituição. 
NUNES L (2015) também analisa essa perspectiva da atuação ética e profissional 
da enfermagem na relação com pacientes em situação crítica, o que define como cuidados 
complexos. Quanto aos dilemas enfrentados pelo profissional, a autora cita: dilemas na 
informação quanto ao diagnóstico do paciente e a atuação da família, a decisão da equipe 
médica de informar a família e não o paciente sobre seu estado de saúde, a má notícia e o 
problema da verdade sobre comunicá-la em sua totalidade ou em parte e o direito das 
pessoas à verdade. Também existem os dilemas do acompanhamento em fim de vida, 
quanto aos processos intervencionistas para garantir a permanência da vida, ainda que 
provisoriamente, o respeito pela decisão expressa pelo paciente e sua família, bem como 
outras categorias que são pormenorizadas no trabalho. Tais dilemas se apresentam como 
grandes desafios que se interseccionam à temática da atuação ético-profissional e seus 
imperativos. NASCIMENTO MG et al (2015) demonstra esses desafios a partir da 
revisão de literatura ao analisarem a interface gestão-ética. Apontam a importância do 
ensino da Ética na enfermagem e da empatia como dimensão ética indispensável ao 
exercício profissional. FONTOURA EG et al (2011) tratam sobre o processo de formação 
do enfermeiro para um agir correto, discutindo os desafios éticos da pós-modernidade, 
reforçam a importância do ensino da enfermagem e suas características, se referindo a 
importância de um novo modelo de educação profissional nessa área, se importando não 
só com as habilidades técnicas como também na constituição de uma concepção ampliada 
das necessidades de saúde. Essa premissa pressupõe a liberdade do sujeito no processo 
de formação, no estímulo ao pensamento crítico, para fazer a crítica ao texto e ao 
contexto, assim como as práticas pedagógicas e de saúde. 
 ROSENSTOCK KIV et al (2011), a partir de uma revisão integrativa, trabalham 
com a técnica da análise de conteúdo, que é composta de três etapas: pré-análise, 
exploração do material com codificação das unidades de registro e o tratamento dos 
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resultados, interpretação e categorização dos conteúdos. Nesse sentido, os autores 
analisam a produção científica sobre a temática e o contexto da ética na enfermagem, 
tratando também do contexto da pesquisa com seres humanos e os princípios que devem 
nortear essas investigações, considerando a validação dos estudos pela comunidade 
acadêmica e o respeito ao contexto de atuação do pesquisador. Nessa perspectiva, é 
importante salientar que o profissional enfermeiro além de exercer o mister de sua atuação 
e formação, também pode se constituir em pesquisador e formador de sua área no sentido 
de buscar contribuir para novas percepções de seus contextos de atuação. 
OLIVEIRA MAN e ROSA DOS (2016) buscam compreender o significado dos 
conflitos e dilemas vivenciados pelas enfermeiras em sua prática profissional no centro 
cirúrgico, citam a complexidade desse espaço, os desafios na tomada de decisão, a 
deficiência em recursos humanos. Tal pesquisa é um recorte da tese de doutorado 
realizada pelas autoras, com uma perspectiva qualitativa e inspiração fenomenológica, 
buscando o entendimento do fenômeno com base nas experiências vivenciadas pelos 
participantes. As autoras apontam a origem da fenomenologia, no início do século XX na 
Alemanha, com o filósofo Edmund Husserl. Essa corrente epistemológica busca aquilo 
que ainda não foi revelado e só é possível ser acessado a partir do ser que o vivenciou. 
Nessa perspectiva, as autoras trabalham com as enfermeiras que tiveram a experiência de 
atuar no centro cirúrgico, analisando as categorias empíricas, a ambiguidade na 
compreensão dos termos conflitos e dilemas éticos, apontando que dilema, na 
compreensão das enfermeiras, é a concretização de um conflito. Já o conflito, para as 
profissionais, é demonstrado diante de uma situação em que os sujeitos têm opiniões 
diferentes. Mesmo com a dificuldade de compreender os conflitos e dilemas éticas, as 
enfermeirastomaram decisões procurando manter o equilíbrio emocional da equipe e a 
harmonia do ambiente de trabalho. 
COSTA DVS et al (2014) se rementem em seu estudo às vivências do enfermeiro 
frente às questões bioéticas, também se referindo aos desafios da autonomia como uma 
das tensões do saber/fazer enfermagem, tratando, a partir da análise integrativa de outras 
produções acadêmicas, sobre o contexto da moral e da lei, o valor dado à conduta e ao 
conhecimento e da governabilidade de si mesmo no confronto com a técnica. Nesse 
processo a comunicação é uma preponderante para a efetiva atuação ética. NEGREIROS 
PL et al (2010) apontam que essa é uma ação da competência diária dos profissionais com 
a interação com os pacientes. Nessa perspectiva existe um êthosprofissional que direciona 
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o agir comunicativo do enfermeiro com o paciente, familiares e demais instâncias 
institucionais das equipes técnicas dos espaços de saúde. Sobre a primazia do processo 
comunicativo, SPAGNOL CA et al (2010) demonstram as fontes mais comuns que geram 
conflitos, a saber: os problemas de comunicação, a estrutura organizacional, as disputas 
de papéis, a escassez de recursos, os mal-entendidos, a falta de compromisso profissional 
dentre outras. Sobre a estratégias para resolver esses conflitos, os autores citam: a 
confrontação, tentativa de resolver os problemas por meio de uma abordagem frontal 
entre as partes envolvidas; abrandamento, que enfatiza os interesses comuns, procurando 
minimizar as diferenças entre os conflitantes; a negociação, onde cada uma das partes 
abre mão de alguma coisa, conciliando a diferença entre as partes; evitar o conflito, 
evitando polêmicas na estruturação das condições organizacionais e emocionais da 
equipe; dentre outras estratégias. Essas são ações que visam sintonizar os processos 
comunicativos e interacionais entre as partes no contexto profissional, com o objetivo de 
ressignificar o processo ético de atuação do enfermeiro. 
SAMPAIO SS e RODRIGUES FW (2014) apontam que o profissional deve 
conhecer todos os elementos necessários para o bom cumprimento de seu trabalho, desde 
as condições institucionais até as informações obtidas na relação com o usuário ou 
paciente. PEREIRA RCM e SANTOS RS (2013) analisam o contexto da bioética quanto 
aos dilemas éticos dos profissionais de enfermagem, em especial com relação aos 
processos de tanatologia, quanto à necessidade de uma atenção integral por parte desses 
profissionais aos pacientes que se encontram em tais situações, considerando os 
sentimentos de insegurança e ansiedade frente à perda da autonomia e autocuidado do 
paciente. Isso gera a necessidade de uma abordagem ética humanizada no cuidado e na 
saúde. 
DOURADO JVL et al (2020) tratam sobre as estratégias de atendimento às 
famílias e ao processo de atuação ético-profissional em enfermagem. Os autores 
trabalham sobre a importância do enfermeiro na estruturação do acesso à saúde de 
qualidade no SUS, se relacionando aos aspectos macropolíticos ao que se refere à 
resolução de conflitos. Como estratégia para a solução das problemáticas surgidas diante 
do contexto ético na profissão do enfermeiro, os autores demonstram que os profissionais 
discutem os casos em reuniões com a equipe, compartilhando as informações e buscando 
soluções coletivamente. 
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TEIXEIRA INDO et al (2010) realizaram um estudo interessante sobre a temática 
da Ética no contexto que citamos, a saber a atuação do profissional de enfermagem e seus 
dilemas e conflitos no exercício da profissão. Os autores também se remetem à 
importância da humanização, da compreensão de situações específicas, do bem-estar do 
profissional, da ética relacional, dos cuidados paliativos e da percepção da finitude, bem 
como o processo de educação e formação do profissional considerando os dilemas e 
ocorrências inerentes à atuação na área, as questões legais, que envolvem valores e 
crenças considerando a cultura de uma dada sociedade e as perspectivas das políticas de 
saúde na constituição de novas percepções éticas estruturantes do ser profissional. 
Por fim, DIAS ECS et al (2017) trazem um relato de experiência sobre a 
importância da formação do profissional de enfermagem considerando os aspectos 
acadêmicos e humanos, na formação teórica e prática, no trabalho com várias temáticas 
formativas que se interrelacionam como: saúde pública, espiritualidade e cuidado com a 
saúde, a experiência de lidar com o processo de morte, cuidados paliativos e enfermagem, 
suicídio e saúde pública, erros da enfermagem, confidencialidade e privacidade, violência 
e saúde pública, cuidado humanizado, dentre outras possibilidades de diálogo e discussão 
formativa. ISMAEL DLO et al (2019) mencionam que os problemas éticos de maior 
ocorrência estão relacionados à comunicação, especialmente relacionadas à informação 
ao paciente. Os autores apresentam o desafio de se pensar em uma formação inicial e 
continuada desse profissional, uma vez que a pós-modernidade apresenta novos 
paradigmas ao contexto da atuação do enfermeiro. 
 
5 CONCLUSÃO 
 Considerando o processo de construção e estruturação da presente pesquisa, 
percebemos que a Ética é uma área do conhecimento importantíssima para a atuação do 
profissional enfermeiro diante dos dilemas, desafios e conflitos que enfrenta diariamente 
no exercício de seu ofício. A complexidade das relações humanas, da comunicação, da 
interação com outros profissionais bem como os novos paradigmas que se apresentam no 
escopo social direcionam novas perspectivas formativas, reflexivas estruturantes da 
prática profissional. 
 Compreendemos que a grande produção acadêmica relacionada à temática que 
apresentamos remonta ao próprio processo de análise e entendimento da realidade desse 
profissional tão importante para a área de saúde. De fato, a depender de sua especificidade 
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de atuação, do ambiente profissional que se encontra, se esperará uma conduta também 
específica deste operador da saúde. 
 A discussão sobre a Ética na área da enfermagem é como um quadro composto 
por muitas peças. Cada peça é a representação de uma realidade concreta específica. 
Compreendemos que a lei por meio de suas deliberações, resoluções, decretos e demais 
dispositivos legais, bem como o próprio CEPE apresenta diretrizes que guiam o trabalho 
e a atuação dos profissionais da área, porém, a vivência de cada suscita uma série de 
discussões, atitudes, procedimentos e pensamentos que são solucionados a partir da 
perspectiva da autonomia e da responsabilidade do ser profissional. 
 Nesse sentido, é necessário e relevante sempre se pensar em um profundo e 
contínuo diálogo entre a formação inicial dos enfermeiros e sua formação continuada em 
serviço, pensando-se na retomada de discussões iniciadas no começo de seus estudos com 
o diálogo proveniente de sua vivência profissional. Também é importante se pensar na 
construção da política pública da saúde, com amplas análises interdisciplinares com o 
objetivo de aprofundar a constituição de novas estruturas físicas e comportamentais a área 
de saúde com a compreensão da ampla dimensionalidade da questão ética e profissional 
no contexto de atuação da enfermagem em seus múltiplos campos de exercício do ofício 
de ser enfermeiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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