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A urbanização brasileira ocorreu de forma desigual, de modo que poucas cidades acabaram concentrando a maior parte da população e da riqueza. De acordo com o Censo 2010, a região Sudeste é a mais urbanizada do Brasil, com um grau de urbanização de 92,9%, seguida pelas regiões Centro-Oeste (88,8%) e Sul (84,9%), enquanto as regiões Norte (73,5%) e Nordeste (73,1%) ainda possuem cerca de 1/4 de seus habitantes residindo no campo. Brasil: índice de urbanização por região (%) Região 1950 1970 2000 2010 Sudeste 44,5 72,7 90,5 92,9% Centro- -Oeste 24,4 48,0 86,7 88,8% Sul 29,5 44,3 80,5 84,9% Norte 31,5 45,1 69,7 73,5% Nordeste 26,4 41,8 69,0 73,1% Brasil 36,2 55,9 81,2 84,4% IBGE. Estatísticas históricas do Brasil: séries econômicas, demográficas e sociais de 1550 a 1988. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. A região Sudeste possui a maior proporção de população urbana em decorrência de fatores que remontam ao período de ocupação do território e que contribuíram para o maior desenvolvimento econômico e urbano da região. O Centro-Oeste ocupa a segunda posição devido, principalmente, à Revolução Verde e à expansão agrícola, que figura como o motivo principal das migrações em direção às cidades, graças ao desemprego oriundo da mecanização do campo. A urbanização nessa área, portanto, é desvinculada do processo de industrialização. O Nordeste é a região que possui a menor proporção de população residindo nas áreas urbanas, com taxas próximas às verificadas no Norte. Isso se deve, sobretudo, ao grande número de pessoas que vivem no campo desenvolvendo atividades voltadas para a subsistência, em pequenas propriedades denominadas minifúndios. No Sul e no Sudeste, a rede urbana foi bem elaborada, refletindo o dinamismo e o maior desenvolvimento industrial, que lhes asseguraram uma rede urbana mais intensa e complexa. A rede urbana do Nordeste foi desenvolvida baseando-se nas atividades econômicas mais concentradas na Zona da Mata, sub-região situada no litoral, onde se localizam as principais cidades (como Recife e Salvador), as grandes indústrias, as melhores rodovias, os maiores aeroportos, os portos e as principais atividades terciárias. Já no Norte e no Centro-Oeste, a rede urbana ainda é mais desarticulada, contando com uma pequena malha de transportes, poucas cidades de relevância nacional e baixa concentração urbana ou industrial. OS AGLOMERADOS URBANOS NO BRASIL A preocupação com o planejamento em âmbito local, por parte da instância federal, pode ser considerada inédita, apesar de, no passado, terem existido episódios isolados de planejamento integrado. A iniciativa resultou de um debate público, ocorrido principalmente na esfera acadêmica, que estimulou o desenvolvimento do planejamento urbano no país e uma mudança de sua conceituação teórica. Tal percurso se inicia com a definição, na Constituição de 1988, da função social da propriedade privada urbana e com a promulgação, em 2001, do Estatuto das Cidades, que determina, por exemplo, que todas as cidades com mais de 20 mil habitantes necessariamente possuam planos diretores até o ano de 2006, embora hoje saibamos que tal fato não se concretizou. Um trabalho realizado em 1999 pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para estudar o tamanho do Brasil realmente urbano, concluiu que existiam no país 12 aglomerações metropolitanas, onde residiam 33,8% da população, 37 aglomerações não metropolitanas (13,4%) e 77 núcleos com mais de 100 mil habitantes (9,5%). Esses centros urbanos totalizavam 455 municípios (8,2% do total), que somavam 96,3 milhões de pessoas (57% da população). Havia também 4 485 municípios (81,4%) que eram essencialmente rurais, onde viviam 30% dos brasileiros. Os 567 núcleos restantes, com 13% da população, estavam no meio-termo (nem totalmente urbanos, nem totalmente rurais). PRINCIPAIS TENDÊNCIAS DA URBANIZAÇÃO BRASILEIRA Desmetropolização Durante décadas, as migrações inter-regionais foram predominantes no Brasil, destacando-se a migração dos nordestinos em direção ao Sudeste do país. Nesse contexto, o crescimento das grandes cidades dessa região conduziram a um processo de metropolização, expandindo a população do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, o Censo 2010 aferiu a tendência de crescimento das cidades médias como sendo um dos principais fatores responsáveis pela atração de imigrantes, o que ajuda a explicar o saldo migratório negativo de algumas regiões metropolitanas do país, principalmente da Região Metropolitana de São Paulo. Ainda de acordo com o IBGE, apesar da continuidade dos fluxos migratórios inter-regionais, o volume das migrações entre as regiões brasileiras tem diminuído nos últimos anos. Urbanização Brasileira G EO G R A FI A 75Bernoulli Sistema de Ensino