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Home / Conteúdos / Reabilitação após lesão do ligamento cruzado anterior: estratégias de �sioterapia
Reabilitação após lesão do ligamento cruzado anterior: estratégias de
fisioterapia
TD
Thiago Dipp
16 de Mai, 2024 • 24 min de leitura
Fisioterapia Fisioterapia Fisioterapia traumato-ortopédica
A cada ano, aproximadamente sete milhões de estudantes do ensino médio participam de equipes de diferentes modalidades esportivas, dos quais 3–11%
seguem adiante e ingressam em equipes universitárias. Infelizmente, as lesões são comuns entre esses jovens atletas. As lesões da articulação do joelho são
as mais frequentes, totalizando de 10 a 25% de todas as lesões relacionadas a esportes. As práticas esportivas que envolvem saltos, pivôs ou mudanças de
direção apresentam maior risco de sofrer lesões graves no joelho, incluindo rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA). 
Anualmente, estima-se que ocorram 250.000 lesões relacionadas ao LCA nos Estados Unidos, resultando em aproximadamente 100.000 cirurgias de
reconstrução. Além disso, mulheres apresentam até 8 vezes mais probabilidade de ter uma lesão de LCA quando comparados aos homens. Certas
características como o ângulo aumentado do quadríceps e uma inclinação posterior aumentada do planalto tibial podem gerar maior estresse na articulação
e predispor a lesões no LCA. Atletas do sexo feminino que aterrissam com os joelhos em �exão inadequada, em valgo e rotação externa aumentada têm um
risco maior de lesão no ACL. 
Essas lesões graves no joelho podem causar instabilidade, danos aos meniscos ou cartilagem, necessidade de cirurgia reconstrutiva e até osteoartrite
precoce. Na população de crianças e adolescentes, houve um aumento na prevalência de lesões do LCA nos últimos vinte anos. 
Durante o período de 1994 a 2006, houve um aumento em mais de 400% nas cirurgias de reconstrução do LCA em jovens menores de 15 anos. Uma das
hipóteses que os pro�ssionais levantam é o aumento no número de jovens atletas, com 38 milhões participando de esportes organizados durante o período
de 2009 a 2010.
Algumas características anatômicas da articulação podem ser desfavoráveis às mulheres, como a superfície intercondilar em formato de A mais estreita.
Após a reconstrução do LCA, atletas do sexo feminino têm maior probabilidade de romper o ACL contralateral em comparação com atletas do sexo
masculino. No entanto, homens e mulheres têm igual probabilidade de romper o joelho reconstruído. 
Pacientes com ruptura aguda do LCA geralmente apresentam grande derrame articular, instabilidade, diminuição da amplitude de movimento e dor ao
suportar peso após uma lesão aguda por torção do joelho. Pacientes com rupturas crônicas do LCA podem experimentar instabilidade periódica no joelho e
dor generalizada no joelho, especialmente com movimentos de corte ou pivô.
Fases da reabilitação após lesão do ligamento cruzado anterior
Para muitos pro�ssionais, a reabilitação para a reconstrução do LCA pode ser dividida em dois momentos: pré-operatória e pós-operatória. 
Contudo, muitos pro�ssionais não costumam prescrever a reabilitação no período pré-operatório, também conhecida como pré-reabilitação. A reabilitação
pré-operatória pode melhorar a força do quadríceps pós-operatória, a amplitude de movimento do joelho e pode diminuir o tempo para retornar ao esporte,
além de educar o paciente sobre o curso da reabilitação pós-operatória. 
No entanto, exercícios não supervisionados no período pós-operatório podem ser orientados para pacientes que não podem arcar com a reabilitação
supervisionada, que têm acesso reduzido à �sioterapia ou têm alta motivação e estão comprometidos em realizar sua reabilitação de forma autônoma após
a reconstrução do LCA. 
Independentemente disso, os pacientes devem ter seus programas prescritos individualmente e ser monitorados quanto à execução do protocolo de
reabilitação, garantindo a progressão sem eventos adversos. 
A duração do protocolo de reabilitação é especí�ca para cada indivíduo e depende de alguns fatores: 
o paciente ser capaz de retornar com segurança às atividades no mesmo nível pré-lesão sem eventos adversos; 
clareza nos critérios para a progressão na reabilitação;
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https://artmed.com.br/conteudos
https://artmed.com.br/autores/thiago-dipp
e questões especí�cas do procedimento, como o tempo para a restauração articular e cicatrização do enxerto.
Técnicas e exercícios de �sioterapia
Os protocolos de reabilitação para o LCA apresentam variações, havendo pouco consenso entre os pro�ssionais. No entanto, ao longo da última década,
houve um movimento em direção a protocolos mais acelerados e personalizados, abandonando os antigos protocolos conservadores e padronizados. 
Atualmente, os protocolos variam em duração e modalidade e consideram as preferências especí�cas de cada paciente. Estudos anteriores
demonstraram que o aumento na amplitude de movimento previamente a cirurgia reduz o risco de artro�brose, que é uma das complicações pós-
operatórias mais comuns. Além disso, uma redução de 20% ou mais na força do quadríceps é preditor de dé�cit de força em até dois anos após a
reconstrução do LCA. Portanto, como parte do protocolo pré-operatório, é recomendada a avaliação da ADM e força da musculatura do quadríceps. 
Da mesma forma, sugere-se a medida da força dos músculos isquiotibiais, embora não haja recomendação especí�ca na literatura. Estudos indicam que a
força dos músculos isquiotibiais na perna que sofreu a cirurgia permanece reduzida em comparação com a perna não operada até dois anos após a
reconstrução do ligamento. Nesse caso, o �sioterapeuta é a referência para a realização da avaliação. 
Outras medidas como a educação do paciente sobre o procedimento cirúrgico, uso de muletas, exercícios no pós-cirúrgico imediato e o processo/tempo de
reabilitação são informações importantes e necessárias para o paciente.  Os achados do exame físico e a história do paciente são su�cientes para
diagnosticar o joelho com lesão no LCA. No entanto, exames de imagens, como a ressonância magnética, continuam sendo importantes na avaliação e
planejamento cirúrgico do joelho lesionado. 
A decisão de realizar a reconstrução do LCA deve considerar o nível de atividade do paciente e de prática da modalidade esportiva, grau de instabilidade e se
houve envolvimento do menisco. O tratamento conservador normalmente é a opção de escolha em idosos e para pessoas com nível de atividade física
menor, em que o tratamento envolve o uso de órteses e modi�cação/adaptação da atividade. Embora os métodos de reabilitação tenham evoluído
signi�cativamente, os objetivos dos protocolos de reconstrução do LCA permanecem praticamente inalterados ao longo do tempo, com foco principal na
amplitude de movimento do joelho, na força e estabilidade articular. 
Os estudos mostraram que a força do quadríceps após a reconstrução do LCA é determinante para a estabilidade dinâmica e fator protetor para a
osteoartrite. Quanto à mobilização passiva, não há vantagem para o alívio da dor, amplitude de movimento ou redução no edema quando comparado a
movimentação ativa. 
A crioterapia pode ser aplicada por ser de baixo custo, fácil de usar, apresenta alto nível de satisfação por parte dos pacientes e raramente está associada a
eventos adversos, sendo assim justi�cada na fase inicial do tratamento pós-operatório após a reconstrução do LCA. 
No entanto, os pacientes devem ser instruídos sobre a aplicação segura de gelo para evitar lesões. A crioterapia compressiva, se disponível, pode ser mais
e�caz do que a crioterapia isolada. As diretrizes orientam quanto à sobrecarga precoce, mobilização imediata, progressãonas atividades, sem e com carga,
na busca pela extensão total do joelho. 
O uso de estimulação neuromuscular elétrica (NMES), restrição do �uxo sanguíneo, suporte psicossocial e condicionamento precoce da extremidade
inferior contralateral são algumas das modalidades recentes e promissoras na reabilitação pós-reconstrução do LCA que estão se tornando cada vez mais
populares. 
Recomenda-se uso de estimulação neuromuscular elétrica (NMES) na fase muito inicial após a cirurgia para estimular a ativação muscular ou minimizar a
atro�a por desuso esperada. Na fase inicial, o NMES pode ser utilizado durante atividades funcionais para facilitar ainda mais o ganho de força. A NMES no
pós-operatório de reconstrução do LCA tem demonstrado ser efetivo na preservação e aumento da força do quadríceps através do recrutamento das �bras
tipo II. Quando somado a exercícios ativos, pode aumentar em até 70% a força muscular em relação ao membro não lesionado após dois meses da cirurgia. 
A NMES pode aumentar a circunferência muscular do quadríceps e acelerar a recuperação do membro afetado. Um ponto que deve ser considerado no uso
da estimulação elétrica é a intensidade da corrente que pode ser intolerável para os pacientes, especialmente durante certos ângulos de �exão do joelho. 
A restrição do �uxo sanguíneo é outra modalidade que está sendo utilizada durante a reabilitação para acelerar a recuperação. Duas revisões sistemáticas
recentes concluíram que há evidências do benefício do uso da restrição do �uxo sanguíneo na promoção da hipertro�a muscular, aumento da força e
redução dos níveis de dor relatados pelos pacientes, mas novos estudos deverão ser realizados para subsidiar a recomendação clínica. O treinamento de
restrição do �uxo sanguíneo com carga baixa pode ser usado, além dos cuidados padrão na fase inicial da reabilitação, para melhorar a força dos quadríceps
e dos isquiotibiais, especialmente quando os pacientes apresentam aumento da dor no joelho ou não toleram cargas elevadas na articulação do joelho. 
No entanto, os pro�ssionais devem cuidar de casos como, por exemplo, pacientes com doenças cardiovasculares, edema, irritação na pele, em que é contra-
indicado o uso. Não há recomendação do uso de agulhamento seco em pontos gatilho no músculo vasto medial na fase muito inicial da reabilitação devido ao
aumento do risco de hemorragia. A vibração de corpo inteiro pode ser utilizada como uma intervenção adicional para melhorar a força dos quadríceps e o
equilíbrio estático, mas não pode substituir a reabilitação convencional. 
Devido ao custo adicional e às complicações relatadas (como dor ou inchaço) ao usar essa intervenção, sugere-se não incluí-la no protocolo de reabilitação.
O uso de kinesio taping no pós-operatório imediato pode contribuir, juntamente ao tratamento padrão, para redução da percepção de dor e no edema. No
entanto, as evidências ainda não suportam a indicação correta do seu uso. Para início dos movimentos, deve-se começar imediatamente após a cirurgia,
levando em consideração quaisquer instruções cirúrgicas. 
A imobilização não reduz a dor e pode levar à atro�a muscular, o que retarda a recuperação da função. O suporte de peso precoce já na primeira semana
deve ser realizado de forma progressiva e controlada, conforme tolerado por cada paciente e levando em consideração quaisquer instruções cirúrgicas. 
O paciente pode iniciar exercícios de cadeia cinética aberta em uma amplitude limitada de movimento (90° a 45° de �exão do joelho) a partir da quarta
semana, após a cirurgia sem comprometer a estabilidade do joelho. Uma combinação de exercícios em cadeia cinética fechada e aberta pode levar a uma
signi�cativa melhoria na força do quadríceps e retorno mais precoce ao esporte. 
Clínicos e pacientes devem monitorar a dor anterior no joelho e ajustar a carga no joelho e a progressão do fortalecimento conforme necessário. Exercícios
isométricos para o quadríceps, incluindo contrações estáticas do quadríceps e elevações retas da perna, podem ter um pequeno efeito na recuperação mais
rápida da �exão do joelho, mas não na força do quadríceps. Eles podem ser prescritos durante as duas primeiras semanas após a cirurgia sem comprometer a
integridade do enxerto. 
O exercício de leg press pode ser iniciado na medida do padrão funcional semelhante a meio agachamento (0° a 45°) para melhorar a força do quadríceps e
do músculo isquiotibial, atividades funcionais e função subjetiva. O fortalecimento excêntrico precoce do quadríceps (entre 20° e 60° de �exão do joelho)
pode ser iniciado em até 3 semanas após a cirurgia, (cuidando das características da cirurgia). 
Sendo assim, o controle motor e o treinamento de força são partes integrantes da reabilitação e devem ser combinados no protocolo de reabilitação para
melhorar os resultados. O treinamento pliométrico e de agilidade pode melhorar ainda mais a função subjetiva e as atividades funcionais em comparação
com os cuidados habituais, sem aumento da lascidão ou dor. 
Exercícios de estabilidade do core podem melhorar os resultados funcionais e a função subjetiva do joelho e podem ser utilizados como complemento ao
protocolo de reabilitação. 
A terapia aquática pode ser utilizada, além dos cuidados habituais durante a fase inicial de reabilitação, para melhorar a função subjetiva do joelho.
Recomendamos que seja iniciada de 3 a 4 semanas pós-operatório, uma vez que a ferida tenha cicatrizado completamente.
Retorno às atividades esportivas
Alguns fatores vêm sendo considerados no retorno ao esporte pelo praticante como as questões motivacionais e psicossociais. Evidências recentes
mostram que variáveis sociais e psicológicas podem explicar um atraso tanto no desempenho quanto no retorno à prática esportiva após a reconstrução do
LCA. 
O medo do movimento ou medo de nova lesão, falta de con�ança, percepção de fraqueza da musculatura do quadríceps, autopercepção baixa da função
subjetiva do joelho e baixa adesão ao tratamento pode levar ao retorno tardio, ou a falta dele, e devem ser observados no paciente no processo de
reabilitação. 
O medo, ou cinesiofobia (medo do movimento como resultado de uma sensação de susceptibilidade à dor ou medo de lesionar novamente) é um dos fatores
mais determinantes no retorno ao esporte. 
Em atletas, a incapacidade de se apresentar nos níveis atléticos anteriores, falta de apoio social, falta de identidade atlética ou pressão para retornar ao
esporte são as barreiras mais apontadas pelos estudos. A cinesiofobia no pré-operatório é um forte preditor de cinofobia pós-operatória, dados mostram
que 53% dos pacientes retornaram ao nível de atividade pré-lesão em até 4 anos após a reconstrução do LCA, e os pacientes que não retornaram ao nível
pré-lesão tinham mais medo de nova lesão. 
Em atletas de futebol americano de ensino médio e universitário, 63% e 69%, respectivamente, retornaram ao esporte, mas apenas 43% dos atletas
conseguiram retornar ao desempenho no nível pré-lesão. Outro estudo acompanhou 57.770 pacientes, em média, por 41,5 meses e demonstrou que apenas
44% dos atletas retornaram a um nível competitivo do esporte. 
Em todos os exemplos, o medo de nova lesão foi o motivo mais comum para a interrupção da participação esportiva e redução da atividade pós-operatória.
A lesão, e por consequência o procedimento cirúrgico, requer um empenho emocional e físico substancial dos atletas, o que pode resultar em alterações
psicológicas e emocionais intensas que in�uenciam o processo de reabilitação. Ainda, os estudos apontam para a in�uência dos níveis de humor e prontidão
psicológica no período pré-operatório para a cirurgia de reconstrução do LCA podem in�uenciar na adesão à �sioterapia e nos níveis de autoe�cácia dos
pacientes após o procedimento. 
Para isso, as recomendações são de que o paciente não tente dirigir antes 2 – 6 semanas (dependendo do joelho operado) e de poder acionar com segurança
o freio em uma simulação de emergência. 
Quanto à corrida,deve-se pensar:
na retomada do condicionamento cardiopulmonar e considerar a amplitude de movimento (ADM) do joelho ≥ 95%; 
ADM completa de extensão do joelho; 
ausência de efusão/traço de efusão; 
índice de simetria de membros > 80% para a força do quadríceps e de > 80% do impulso excêntrico durante o salto de contramovimento; 
corrida aquática sem dor e saltos com uma perna somente repetidos sem dor. 
Para atletas, a liberação para início do treinamento deverá ser gradual e sem dor ou inchaço e incluir:
 ADM total de joelho; 
joelho estável; f
função subjetiva do joelho normalizada e prontidão psicológica usando resultados relatados pelo paciente; 
pico de torque excêntrico dos quadríceps e isquiotibiais simétricos (especialmente para esportes de pivô de alta demanda); 
recuperação dos valores (no mínimo) pré-operatórios (se disponíveis) ou dos valores normativos de acordo com o esporte e o nível de atividade; 
estabilidade biomecânica em saltos; 
restauração de > 90% de simetria das forças de reação do solo verticais e biomecânica do joelho durante o apoio durante a corrida de alta velocidade e
mudança de direção;
completar um programa de treinamento especí�co para o esporte.
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Sobre o autor
Professor e coordenador do curso de Fisioterapia da Unisinos. Graduação em Fisioterapia pela Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ), mestre pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande
do Sul – Fundação Universitária de Cardiologia (IC/FUC) e doutor pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
TD
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