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Prof. Me. Alessandro Marinelli de Oliveira
Departamento de Direito Privado - UEL
6PRI073 - EMPRESARIAL I
Introdução ao Direito Empresarial
3. Objeto do Direito Empresarial
O objeto do Direito Empresarial é, essencialmente, regular as relações entre empresários e 
dispor sobre as regras das sociedades empresariais. Isso sem perder de vista o conceito de 
Vivante, disciplinador da circulação de bens entre aqueles que os produzem e aqueles que 
os consomem. Com o CC de 2002, o objeto passou a ser mais amplo: o da teoria da 
empresa, abrangendo toda e qualquer atividade econômica.
Conforme Rubens Requião, é a lei que determina a matéria empresarial, por exemplo, a 
legislação de títulos de crédito, de propriedade industrial, bancária, concorrencial, etc.
O Direito Empresarial, em sua evolução, chegou à atualidade como uma alavanca ao 
desenvolvimento dos negócios, em razão dos instrumentos que coloca à disposição para as 
operações, atendendo, assim, as necessidades dos empresários, com suas normas e 
diversos tipos de contrato.
Introdução ao Direito Empresarial
3.1 Comércio eletrônico (e-commerce)
É o futuro do comércio. É provável que uma pesquisa de preços na internet lhe trará não só 
o menor preço, como o melhor produto. Apesar do gargalo representado pelo 
“analfabetismo digital” de uma grande parcela da população, o crescimento do número de 
internautas na última década é espantoso.
- O Brasil possui 70,6% de sua população com acesso à internet (4º no mundo);
- Os internautas chineses representam 18,5% do total de pessoas com acesso à rede no 
mundo (1º no mundo);
- Bens mais comercializados: moda e acessório (19%), cosméticos e perfumaria (18%), 
eletrodomésticos (10%), livros e revistas (9%) e informática (7%).
- Crescimento do comércio eletrônico varejista no Brasil: de 0,5 bilhão em 2001 a 41.3 
bilhões em 2015 (pesquisa eBit).
Introdução ao Direito Empresarial
3.1 Comércio eletrônico (e-commerce)
Comércio eletrônico é o conjunto de compras e vendas de mercadorias e de prestação de 
serviços por meio eletrônico, isto é, as negociações são celebradas por meio da internet ou 
outro recurso de tecnologia da informação.
É possível ocorrer a contratação de bens corpóreos/materiais – com existência e entrega 
física (utensílios domésticos, equipamentos de informática, livros etc.) e 
incorpóreos/imateriais (programas de computador, músicas, vídeos etc.), com a entrega 
por meio eletrônico, como ocorre com o download do software.
No âmbito brasileiro, o comércio eletrônico e os respectivos contratos celebrados estão 
sujeitos aos mesmos princípios e regras aplicáveis aos demais contratos celebrados no 
território nacional (CC, CDC, Lei do E-commerce). No que couber, será aplicável a LGPD 
(Lei 13.709 de 2018) e os conceitos e principiologia do Marco Civil da Internet (Lei n. 12.965 
de 2014).
Introdução ao Direito Empresarial
4. Fontes
Fontes do Direito são as maneiras pelas quais se estabelecem as regras jurídicas. Ou seja, 
onde nasce o Direito; é a origem das normas jurídicas.
No Direito Empresarial as fontes podem ser divididas em primárias e secundárias.
Fontes primárias (ou diretas): são as leis em geral, sobretudo as de conteúdo empresarial 
(leis de franquia, falimentar, de títulos de crédito), o Código Comercial (na parte não 
revogada de Direito Marítimo), o Código Civil etc. A Constituição Federal também se inclui 
dentre as fontes primárias. Tendo em vista que o contrato faz lei entre as partes (pacta sunt 
servanda), ele também é fonte de direito empresarial, bem como os títulos de crédito.
Fontes secundárias (ou indiretas): são formadas pelos princípios gerais do direito, 
analogia, equidade e principalmente usos e costumes. 
As fontes secundárias terão aplicação apenas quando houver omissão das primárias.
Introdução ao Direito Empresarial
5. Livre-iniciativa, ordem econômica e Constituição Federal
Livre-iniciativa significa liberdade de exercício de atividade econômica lícita, implicando a 
possibilidade de entrar, permanecer e sair do segmento empresarial em que se atua.
Trata-se de princípio pelo qual os agentes econômicos agem de forma livre, sem a 
intervenção direta do Estado.
A isso também se denomina economia de mercado e neoliberalismo, em que a maior parte 
da atividade econômica (comércio, indústria e prestação de serviços) é gerada pela 
iniciativa privada, ficando o Poder Público com a função de regulamentar e fiscalizar, bom 
como a de promover áreas essenciais, como, por exemplo, energia, educação, saúde, 
segurança.
De forma diversa, economia de estado se dá quando o Estado é o protagonista da 
economia por desenvolver, ele próprio o comércio, a indústria e a prestação de serviços. 
Introdução ao Direito Empresarial
5. Livre-iniciativa, ordem econômica e Constituição Federal
A Constituição Federal de 1.988, art. 1º, IV, assegurou à livre-iniciativa, haja vista sua 
relevância, o status de fundamento para o Estado Democrático de Direito, ao lado de outros, 
como soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, o pluralismo político e os 
valores sociais do trabalho.
Além disso, o texto constitucional ao tratar da ordem econômica expressa no seu art. 170 
que ela está fundada na livre-iniciativa e na valoração do trabalho humano.
Para tanto, deverão ser observados, entre outros, os seguintes princípios: livre 
concorrência, defesa do consumidor, tratamento favorecido para as empresas de pequeno 
porte, defesa do meio ambiente, propriedade privada, função social da propriedade.
A Lei 13.874/2019 (Declaração de Direitos de Liberdade Econômica) visou dar maior 
efetividade ao contido na norma constitucional
Empresário
1. Conceito
Empresário é aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a 
produção ou a circulação de bens ou de serviços, de acordo com o caput art. 966 do CC.
O empresário é um ativador do sistema econômico. Ele é o elo (intermediário) entre os 
capitalistas (que têm capital disponível), os trabalhadores (que oferecem a mão de obra) e 
os consumidores (que buscam produtos e serviços).
O conceito compreende a figura do empresário individual (PF) e da sociedade empresária
(PJ), que também pode ser chamado empresário coletivo.
A ME (microempresa), a EPP (empresa de pequeno porte) e o MEI (microempreendedor 
individual), o empresário rural e o empresário irregular não são enquadráveis perfeitamente 
como espécies de empresários, uma vez que estas figuras podem se encaixar como 
empresário individual ou sociedade empresária.
Empresário
2. Caracterização
Para melhor entender o conceito de empresário, bem como analisar os elementos que o 
caracterizam (atividade econômica, profissionalidade e produção ou circulação de bens ou 
de serviços), seguir-se-á um estudo dividido em cinco grupos:
1º O exercício de uma atividade;
2º a natureza econômica da atividade;
3º a organização da atividade;
4º a profissionalidade no exercício de tal atividade;
5º a finalidade da produção ou da circulação de bens ou de serviços.
Empresário
2. Caracterização
Atividade é o conjunto de atos coordenados (e.g. linhas de produção) para alcançar um fim 
comum, o que também se denomina “empresa”.
Atividade (que pode envolver atos jurídicos e atos materiais) pressupõe a habilidade do 
sujeito que a exerce ou a organiza, assumindo o seu risco econômico.
É o empresário (às vezes, com a ajuda de auxiliares) quem exerce a empresa, ou seja, 
quem exerce a atividade, pois, no âmbito dos negócios, atividade é sinônimo de empresa. 
Ele coordena os atos de formam a atividade (e.g. uma confecção).
Econômica é a atividade que cria riqueza por meio de produção ou circulação de bens e de 
serviços. Tem como fim o lucro (ainda que experimente prejuízos/risco de perda de capital).
Se o lucro for meio (e. g. associação, fundação), não é atividade econômica.
Empresário
2. Caracterização
Organização- o empresário é quem organiza a atividade.Ele combina os fatores de 
produção de forma organizada.
Os fatores de produção são: 1) natureza (matéria prima/insumos); 2) capital (recursos 
financeiros, bens móveis ou imóveis); 3) trabalho (mão de obra) e 4) tecnologia (técnica 
para o desenvolvimento de uma atividade);
Assumindo o risco inerente a toda atividade econômica, combinando os fatores de 
produção, o empresário cria riqueza e atende às necessidades do mercado.
A organização da atividade pressupõe um estabelecimento (art. 1.142, CC). 
Estabelecimento é o complexo de bens para o exercício da atividade e, na maioria das 
vezes, inclui um ponto físico, mas não necessariamente.
Empresário
2. Caracterização
Profissionalidade- significa que o empresário é um profissional/expert naquele ofício; faz 
do exercício da atividade econômica a sua profissão. A profissionalidade do empresário 
pressupõe:
1) Habitualidade (continuidade; atuação continua do empresário no negócio);
2) Pessoalidade (o empresário é quem está à frente do negócio, diretamente ou por meio 
de contratados que o representam);
3) Especialidade (o empresário é quem detém as informações a respeito do negócio, o 
conhecimento técnico).
Toda atividade negocial é de risco, então, poder-se-ia dizer que o empresário é um 
profissional em correr riscos.
Empresário
2. Caracterização
Produção ou circulação de bens ou de serviços – para compreender melhore este ponto, 
ele será dividido em quatro possibilidades:
1) Produzir bens: é sinônimo de fabricar, industrializar, produzir mercadorias. É acrescentar 
valor a elas por meio de processo de transformação, como ocorre em fábrica de 
sapatos, padarias, metalúrgicas, montadoras de veículos;
2) Produzir serviços: é prestar serviços, como acontece com bancos, seguradoras, 
locadoras, lavanderias, encanadoras; Trata-se de prestação de serviços em geral, 
exceto os de caráter intelectual;
3) Circular bens: é adquirir bens para revendê-los (em regra, sem transformá-los). É quem 
compra no atacado para revender no varejo (loja de sapatos, roupas, cosméticos);
4) Circular serviços: é realizar a intermediação entre o cliente e o fornecedor do serviço a 
ser prestado
Empresário
3. Conceito de Empresa e de Mercado
Empresa é um negócio econômico que se apresenta de diversas maneiras (Asquini). Pode ser 
entendida em quatro perfis (teoria poliédrica): 
1) Objetivo – a empresa significa patrimônio, ou melhor, estabelecimento, enquanto conjunto de 
bens destinados ao exercício da empresa (art. 1.142, CC);
2) Subjetivo – a empresa é entendida como sujeito de direitos, no caso o empresário, individual, 
ou sociedade empresária, que possui personalidade jurídica, com a capacidade de adquirir 
direitos e contrair obrigações (arts. 966 e 981, CC);
3) Corporativo – a empresa significa uma instituição, como um conjunto de pessoas (empresário, 
empregados, colaboradores) em razão de um objetivo comum;
4) Funcional (dinâmico) – a empresa significa atividade empresarial, sendo uma organização 
produtiva a partir da coordenação pelo empresário dos fatores de produção (capital, trabalho, 
matéria-prima e tecnologia) para alcançar a sua finalidade (que é o lucro).
Empresário
3. Conceito de Empresa e de Mercado
Durante o exposto, pode-se dizer que, a princípio, a palavra empresa significa atividades 
que por sua vez é exercida pelo empresário. Essa atividade é o conjunto de atos 
coordenados pelo empresário. Mas, modernamente, a expressão empresa, como atividade 
econômica, contempla a soma de todos os perfis apontados por Alberto Asquini.
Para Ronaldo H Coese a empresa é um feixe de contratos (nexo de contratos) 
coordenados pelo empresário ao estabelecer relações com fornecedores, empregados e 
clientes, visando a oferta de produtos e serviços nos mercados.
Por mercado, entenda-se o local onde agentes econômicos (empresas, consumidores etc.) 
operam como vendedores ou compradores, efetuando a troca de bens e serviços por 
unidades monetárias ou outros bens e serviços.
O mercado facilita o encontro desses operadores, diminuindo os custos de transação, ou 
seja, as despesas para concretizar o negócio.
Empresário
4. Empresa e Atividade Empresarial
O conceito de atividade empresarial está diretamente relacionado com o conceito de empresário, 
previsto no art. 966 do CC. A atividade desenvolvida pelo empresário é empresarial, pois é 
exercida profissionalmente na busca de lucro.
Pode-se dizer que a atividade é uma organização profissional para produção ou circulação de 
bens ou de serviços com a finalidade de lucro.
A princípio, a empresa pode ter natureza civil ou comercial. As atividades intelectuais e rurais e as 
cooperativas podem ser tidas como exemplos da natureza civil da atividade.
A indústria, o comércio e a prestação de serviços têm natureza empresarial.
O empresário goza de alguns direitos, com a possibilidade de requerer: a recuperação judicial 
ou extrajudicial, a autofalência, a falência de outro empresário, com base em título extrajudicial, a 
utilização de livros como prova judicial em seu favor, sendo sociedade empresária, a depender do 
seu tipo, haverá a separação patrimonial e limitação de responsabilidades 
BIBLIOGRAFIA
TEIXEIRA, Tarcisio. Direito Empresarial Sistematizado, 11ª ed., São Paulo, 
SaraivaJur: 2023, pp. 8 a 26.

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