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Colégio Estadual Sagrada Família Trabalho de Leitura Livro: Auto da Compadecida Autor: Ariano Suassuna Alunas: Jheneffer n° Luanna n° 13 Maria Fernanda n° Mirian n° Turma: 9°A Auto da Compadecida – Ariano Suassuna A peça teatral Auto da Compadecida é a obra mais famosa do professor e dramaturgo Ariano Suassuna. Redigida pelo ensaísta em 1955, ao auge dos seus 28 anos, contém três atos e, por ser retratada no nordeste brasileiro, engloba elementos da tradição da literatura de cordel, comédia, barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Esse trabalho ganhou destaque em 1957, quando foi encenado no Rio de Janeiro, e em 1967, quando foi considerado por Sábato Magaldi, crítico teatral, o texto mais popular do moderno teatro brasileiro. A peça é narrada por um palhaço porque, como a peça é escrita para ser encenada em forma de teatro de rua, esse atua como um apresentador, entrando e saindo da trama e conversando com o público. O enredo e o primeiro ato têm início com o falecimento do cachorro da esposa do padeiro. Durante a vida do animal, a mulher, Dorinha (interpretada por Denise Fraga no longa-metragem de 2000), tenta convencer o padre João a benzê-lo de quaisquer formas que fossem. Os empregados do padeiro Enrico (Diogo Vilela), João Grilo (Matheus Nachtergale) e Chicó (Selton Mello), antes da então morte do cão, também tentam conseguir a benção da figura religiosa – de nada adiantou, porém, pois o bicho acabou morrendo sem ser benzido. A moça, enlutada pela perda repentina de seu animal, não se conformava com a ideia de um enterro simples. Convencida de que o cachorro merecia uma despedida digna, ela se rendeu novamente à esperteza de João Grilo e Chicó para que a ajudassem a convencer o padre a realizar um velório cortês. Grilo engana o padre, dizendo-lhe que o cachorro possuía um testamento e que lhe deixara dez contos de réis e três para o sacristão, se o enterro fosse realizado em latim. Depois de alguma hesitação, o padre fecha negócio com João Grilo, se importando apenas com o punhado de moedas prometidas. No segundo ato, quando o bispo aparece, fica atônito com a situação. Velar um cachorro, em latim, ainda por cima, era o mais puro sacrilégio. O rapaz inventa que, na verdade, seis contos iriam para a arquidiocese e apenas quatro para paróquia, de forma que nenhum problema pesasse para o bispo. A seguir da alegórica desordem que foi o velório, os dois companheiros tramam entre si uma maneira de tirar proveito da história. Precavendo-se contra um possível fracasso do plano inicial, João Grilo instruiu Chicó a inserir moedas no interior de um gato e a ocultar uma bexiga contendo sangue sob a camisa do animal. Com a intenção de lucrar com a perda do animal de estimação da mulher do padeiro, João Grilo, cúmplice de Chicó, vendeu-lhe o gato que "descomia" dinheiro, no qual haviam inserido moedas. Entretanto, quando o padeiro descobriu a farsa, dirigiu-se à igreja com o intuito de confrontar Grilo. Nesse momento, a igreja se encontrava repleta de pessoas, pois João Grilo se preparava para entregar o dinheiro prometido ao padre, ao bispo e ao sacristão. De repente, tiros são ouvidos do lado de fora antes do cangaceiro Severino e seu ajudante adentrarem a igreja. O criminoso, então, rouba todo o dinheiro envolvido e mata os três funcionários da igreja – o bispo, o padre e o sacristão – e o padeiro e sua mulher. Quando o assassino começa a se preparar para abater João Grilo, ele e seu melhor amigo encontram uma única saída: sua astúcia natural. Chicó dá uma gaita supostamente abençoada por padrinho padre Cícero que detinha o poder de ressuscitar as pessoas e que poderiam doar ao cangaceiro e seu companheiro caso lhe poupassem a vida. Os bandidos, como esperado, não acreditam na farsa, mas a dupla arquiteta uma simples demonstração; João Grilo dá uma facada na bolsa de sangue que estava com Chicó, de modo que o líquido jorrasse assim que ela fosse rompida. O bando acredita que Chicó de fato estava morto, mas Grilo começa a tocar a gaita benzida e o falso finado começa a levantar e a dançar no ritmo da música. Para a infelicidade dos parceiros, entretanto, a artimanha dos dois é desmentida quando Severino ordena que seu companheiro atire nele para que o cangaceiro possa se encontrar com padre Cícero e voltar. O capanga, então, obedece e atira, mas a gaita não faz seu serviço. Grilo e Chicó avançam no bandido, que é esfaqueado. Ainda assim, o ferido consegue matar João Grilo antes que esse e seu melhor amigo fugissem com o dinheiro do finado cangaceiro. No início do terceiro e último ato, todos se encontram no céu para que Jesus realizasse o juízo final. Satã (na obra, referido como “diabo”, inicialmente, depois, “encourado”) e Jesus apresentam as acusações e as defesas das almas, enquanto Nossa Senhora, a Compadecida, intercede por cada uma delas. Os que foram julgados como sem redenção – o bispo, o padre, o sacristão, o padeiro e a mulher – foram enviados ao purgatório, enquanto os cangaceiros, inesperadamente, são inocentados e mandados diretamente para o paraíso. A esse respeito, a Compadecida afirma que os dois eram naturalmente puros, mas foram corrompidos pelo sistema. João Grilo, por sua vez, retorna ao respectivo corpo. Grilo, ao voltar, se depara com Chicó o enterrando. Assustado com a ressurreição milagrosa, ele o tira da cova, fazendo o amigo se levantar, recuperando-se da surpresa. Depois de convencer Chicó de que estava vivo, os dois, animados, começam a fazer planos para gastar o dinheiro que ganharam do sepultamento. No entanto, Chicó se lembra da promessa que fez a Nossa Senhora: se João sobrevivesse, ele doaria todo o dinheiro para a Igreja. Como o renascimento de João era um milagre inegável, a promessa feita à Compadecida precisava ser cumprida. Após um momento de hesitação, os dois amigos decidem realizar a doação prometida. No cenário apresentado pelo auto, podemos constatar uma desigualdade social alarmante, com a presença de seca, fome e miséria que afligem duramente a população. Os trabalhadores são explorados pelos coronéis, que detêm o poder e exacerbam essa situação através da opressão. Na visão de Ariano Suassuna, a inteligência é retratada como o único recurso que o povo oprimido possui. A habilidade de sobreviver, resistir e lutar contra a opressão é uma demonstração da inteligência presente.