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<p>PRÁTICAS CONTÁBEIS EM</p><p>LABORATÓRIO</p><p>AULA 3</p><p>Profª Adriely Camparoto Brito</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta etapa trataremos delineamentos básicos sobre os documentos</p><p>fiscais: o que são, quais os tipos, quando devem ser utilizados conforme as</p><p>operações e os principais cuidados em seu preenchimento quanto aos aspectos</p><p>fiscais e tributários. Aprenderemos também sobre as obrigações acessórias</p><p>relacionadas às declarações que devem ser entregues periodicamente conforme</p><p>as exigências de nível federal, estadual e municipal. E, complementando essa</p><p>parte de obrigações acessórias, abordaremos as principais declarações a serem</p><p>elaboradas e entregues pelos produtores rurais pessoa física.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>No seu cotidiano, as empresas desenvolvem inúmeras atividades e,</p><p>muitas delas devem ser devidamente registradas em documentos fiscais, que</p><p>podem variar conforme o tipo de operação. Esse ambiente é complexo e gera</p><p>inúmeras dúvidas aos empresários e aos colaboradores responsáveis pela parte</p><p>fiscal e contábil, principalmente quanto a correta utilização dos códigos</p><p>tributários necessários, tais como o CFOP, NCM e CST.</p><p>Nesse sentido, é fundamental que o profissional contábil possua amplo</p><p>conhecimento destes procedimentos para que possa executar e fornecer</p><p>orientações quanto a emissão dos documentos fiscais em conformidade com as</p><p>legislações pertinentes. Além disso, após o encerramento do período, tanto as</p><p>pessoas jurídicas como o produtor rural pessoa física necessitam prestar contas</p><p>ao fisco, por meio de declarações mensais e/ou anuais a serem transmitidas pelo</p><p>profissional contábil responsável. A omissão, o preenchimento incorreto ou</p><p>insuficiente de qualquer uma destas declarações pode ocasionar penalidades,</p><p>tanto para o contribuinte como para o contador, por ser o profissional com</p><p>responsabilidade técnica sobre os serviços contratados.</p><p>Bom estudo!</p><p>TEMA 1 – NOÇÕES GERAIS SOBRE DOCUMENTOS FISCAIS</p><p>Os documentos fiscais referem-se à documentação que comprovam a</p><p>realização de uma transação comercial entre as partes envolvidas: fornecedor</p><p>e cliente. São diversos os tipos de documentos fiscais existentes e variam</p><p>conforme o tipo de atividade ou operação desenvolvida.</p><p>3</p><p>Podemos visualizar alguns exemplos no Quadro 1.</p><p>Quadro 1 – Exemplos de operações comerciais e documentos fiscais respectivos</p><p>Tipo de Operação Tipo de Documento Fiscal Modelo</p><p>Venda de mercadorias</p><p>Cliente Pessoa Jurídica</p><p>Nota Fiscal Modelo 1 ou 1-A</p><p>Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) Modelo 55</p><p>Venda de mercadorias</p><p>Cliente Pessoa Física</p><p>Nota Fiscal de Venda a Consumidor Modelo 2</p><p>Nota Fiscal do Consumidor eletrônica</p><p>(NFC-e)</p><p>Modelo 65</p><p>Vendas feitas por</p><p>Produtores Rurais</p><p>Nota Fiscal de Produtor (NFP) Modelo 4</p><p>Venda de Energia</p><p>Elétrica</p><p>Nota Fiscal/Conta de Energia Elétrica Modelo 06</p><p>Serviços de</p><p>Telecomunicações</p><p>Nota Fiscal de Serviços de</p><p>Telecomunicação</p><p>Modelo 22</p><p>Serviços de</p><p>Comunicações</p><p>Nota Fiscal de Serviços de</p><p>Comunicação</p><p>Modelo 21</p><p>Transporte de Cargas Conhecimento de Transporte</p><p>Eletrônico (CT-e)</p><p>Modelo 57</p><p>Transporte de</p><p>Passageiros</p><p>Bilhete de passagem Rodoviário Modelo 13</p><p>Bilhete de Passagem Eletrônico (BP-e) Modelo 63</p><p>Prestação de Serviços</p><p>Municipais</p><p>LC 116/2003</p><p>Nota Fiscal de Serviços (NFS) ou</p><p>Nota Fiscal de Serviços Eletrônica</p><p>(NFS-e)</p><p>Modelo definido pelos</p><p>municípios</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>No Quadro 1 citamos apenas alguns modelos de documentos fiscais</p><p>definidos conforme o tipo de operação. Paralelamente a isto, observa-se, que</p><p>estas operações variam de acordo com as atividades econômicas desenvolvidas</p><p>pelas empresas (tipo de negócio). Com base nisso, para cada tipo operação</p><p>existe um modelo específico de nota fiscal a ser utilizado. É importante</p><p>esclarecer que os modelos de cada tipo de documento fiscal são definidos em</p><p>legislação e devem ser respeitados em todo o território nacional.</p><p>O Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), entre as suas mais</p><p>diversas atribuições, também é responsável pela elaboração e publicação dos</p><p>Ajustes SINIEF (Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico-</p><p>Fiscais), contendo as normatizações e especificações dos tipos de</p><p>documentos fiscais. É possível acessar todos os Ajustes SINIEF publicados,</p><p>no site do Confaz disponível em:</p><p><https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/ajustes>. Acesso em: 28 set.</p><p>2022 (Confaz, 2019).</p><p>Destacamos também que muitos modelos dos documentos fiscais estão</p><p>sendo reestruturados e substituídos por modelos eletrônicos, como o Cupom</p><p>Fiscal (ECF) versus Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica (NFC-e). Quando da</p><p>4</p><p>definição dos modelos é estabelecido um prazo limite para que os Estados façam</p><p>sua implantação, podendo assim, haver estados emitindo modelos não</p><p>eletrônicos ainda, por estar na fase de adequação.</p><p>Como são inúmeros os documentos fiscais existentes e, não se pretende</p><p>esgotar o tema, abordaremos neste item apenas três, entre os modelos mais</p><p>utilizados pelas empresas de pequeno e médio porte, sendo a NF-e; o CT-e e a</p><p>NFS-e.</p><p>1.1 Nota Fiscal Eletrônica (NF-E)</p><p>A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) é emitida em substituição à nota fiscal</p><p>modelo 1 e 1-A, que eram emitidas de forma física, por meio de blocos de notas</p><p>fiscais normalmente confeccionados em gráficas, mediante autorização</p><p>fazendária. A NF-e trata-se de um documento fiscal emitido eletronicamente</p><p>e armazenado de forma digital (arquivo em formato XML) validado</p><p>juridicamente por meio de certificação digital do emissor. Sem certificação digital</p><p>do emitente, não é possível transmitir uma NF-e (Portal da NF-e, 2019).</p><p>A inovação da nota fiscal eletrônica é a necessidade da autorização da</p><p>Secretaria de Fazenda (SEFAZ) do Estado do emitente, ou seja, o emitente</p><p>gera a NF-e, efetua sua transmissão para o webservice da SEFAZ do seu</p><p>Estado, que recebe o arquivo e faz análise de sua estrutura (layout), se atende</p><p>aos requisitos legais, estando em conformidade, é autorizada a NF-e e</p><p>disponibilizada a DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) para</p><p>impressão. Esse processo pode ser visualizado na Figura 1.</p><p>5</p><p>Figura 1 – Fluxo da emissão da NF-e</p><p>A autorização da NF-e pela SEFAZ não pode ser confundida com a</p><p>conferência de dados do preenchimento. A única verificação que a SEFAZ</p><p>realiza é em relação aos campos obrigatórios, se estão preenchidos, ou seja, se</p><p>a NF-e está correta estruturalmente. Quanto ao conteúdo informado em cada</p><p>campo, poderá ser objeto de futura fiscalização e até mesmo autuação, caso</p><p>estejam em desconformidade com as legislações fiscais e tributárias. Sendo,</p><p>portanto, responsabilidade do emitente, conhecer os requisitos legais e</p><p>preencher corretamente os campos da NF-e.</p><p>A NF-e é um arquivo XML (Extensible Markup Language - tradução:</p><p>“linguagem extensível de marcação genérica”) ou seja, um arquivo digital que</p><p>contém todas as informações da operação: dados do emitente, destinatário, tipo</p><p>de operação, produtos, valores, tributação e informações adicionais, entre</p><p>outros. Para tornar a NF-e em algo físico e possibilitar sua impressão foi</p><p>estabelecido o DANFE (Documento auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica).</p><p>É importante que seja compreendido que a NF-e é o arquivo XML e, o</p><p>DANFE é apenas o seu comprovante na versão de visualização e</p><p>impressão. Sendo fundamental, portanto, o arquivamento da via digital (arquivo</p><p>XML) das NF-e emitidas/recebidas, visto que estes são os “documentos fiscais”</p><p>válidos juridicamente. O DANFE deverá ser impresso, pois é o documento</p><p>auxiliar que acompanhará o transporte das mercadorias negociadas na NF-e,</p><p>podendo servir também como comprovante de entrega do produto (Portal da NF-</p><p>e, 2019).</p><p>Cada NF-e possui a sua chave de acesso formada por uma sequência</p><p>numérica de 44 (quarenta e quatro) caracteres, única para cada NF-e. Essa</p><p>chave, além de possibilitar identificar</p><p>Acesso em: 27 set.</p><p>2022.</p><p>PORTAL MTE. (2019). Portal do Ministério do Trabalho. Disponível em: <</p><p>http://trabalho.gov.br/portal-mte/>. Acesso em: 27 set. 2022.</p><p>PORTAL SPED RFB. (2019). Sistema Público de Escrituração Digital: MDF-</p><p>e. Disponível em: <http://sped.rfb.gov.br/pagina/show/1515>. Acesso em: 27 set.</p><p>2022.</p><p>_____. (2022). Sistema Público de Escrituração Digital: MDF-e. disponível</p><p>em: <http://sped.rfb.gov.br/pagina/show/1515>. Acesso em: 27 set. 2022.</p><p>39</p><p>RFB. (2019). Receita Federal do Brasil. Disponível em:</p><p><http://receita.economia.gov.br/>. Acesso em: 27 set. 2022.</p><p>SPED RFB. (2019). Sistema Público de Escrituração Digital. Disponível em:</p><p><http://sped.rfb.gov.br/>. Acesso em: 27 set. 2022.</p><p>40</p><p>ANEXO I: Tabela CST PIS e Cofins</p><p>CÓDIG</p><p>O</p><p>DESCRIÇÃO</p><p>01 Operação Tributável com Alíquota Básica</p><p>02 Operação Tributável com Alíquota Diferenciada</p><p>03 Operação Tributável com Alíquota por Unidade de Medida de Produto</p><p>04 Operação Tributável Monofásica - Revenda a Alíquota Zero</p><p>05 Operação Tributável por Substituição Tributária</p><p>06 Operação Tributável a Alíquota Zero</p><p>07 Operação Isenta da Contribuição</p><p>08 Operação sem Incidência da Contribuição</p><p>09 Operação com Suspensão da Contribuição</p><p>49 Outras Operações de Saída</p><p>50 Operação com Direito a Crédito - Vinculada Exclusivamente a Receita</p><p>Tributada no Mercado Interno</p><p>51 Operação com Direito a Crédito – Vinculada Exclusivamente a Receita</p><p>Não Tributada no Mercado Interno</p><p>52 Operação com Direito a Crédito - Vinculada Exclusivamente a Receita</p><p>de Exportação</p><p>53 Operação com Direito a Crédito - Vinculada a Receitas Tributadas e</p><p>Não-Tributadas no Mercado Interno</p><p>54 Operação com Direito a Crédito - Vinculada a Receitas Tributadas no</p><p>Mercado Interno e de Exportação</p><p>55 Operação com Direito a Crédito - Vinculada a Receitas Não-Tributadas</p><p>no Mercado Interno e de Exportação</p><p>56 Operação com Direito a Crédito - Vinculada a Receitas Tributadas e</p><p>Não-Tributadas no Mercado Interno, e de Exportação</p><p>60 Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada Exclusivamente</p><p>a Receita Tributada no Mercado Interno</p><p>61 Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada Exclusivamente</p><p>a Receita Não-Tributada no Mercado Interno</p><p>62 Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada Exclusivamente</p><p>a Receita de Exportação</p><p>63 Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada a Receitas</p><p>Tributadas e Não-Tributadas no Mercado Interno</p><p>64 Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada a Receitas</p><p>Tributadas no Mercado Interno e de Exportação</p><p>65 Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada a Receitas Não-</p><p>Tributadas no Mercado Interno e de Exportação</p><p>66 Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada a Receitas</p><p>Tributadas e Não-Tributadas no Mercado Interno, e de Exportação</p><p>67 Crédito Presumido - Outras Operações</p><p>70 Operação de Aquisição sem Direito a Crédito</p><p>71 Operação de Aquisição com Isenção</p><p>72 Operação de Aquisição com Suspensão</p><p>73 Operação de Aquisição a Alíquota Zero</p><p>74 Operação de Aquisição sem Incidência da Contribuição</p><p>75 Operação de Aquisição por Substituição Tributária</p><p>98 Outras Operações de Entrada</p><p>99 Outras Operações</p><p>41</p><p>ANEXO II: Tabela CST IPI</p><p>CÓDIGO DESCRIÇÃO</p><p>00 Entrada com Recuperação de Crédito</p><p>01 Entrada Tributável com Alíquota Zero</p><p>02 Entrada Isenta</p><p>03 Entrada Não-Tributada</p><p>04 Entrada Imune</p><p>05 Entrada com Suspensão</p><p>49 Outras Entradas</p><p>50 Saída Tributada</p><p>51 Saída Tributável com Alíquota Zero</p><p>52 Saída Isenta</p><p>53 Saída Não-Tributada</p><p>54 Saída Imune</p><p>55 Saída com Suspensão</p><p>99 Outras Saídas</p><p>a NF-e, permite consultar a sua situação e</p><p>validade jurídica no ambiente nacional de NF-e (Portal da Nota Fiscal</p><p>Eletrônica: “www.nfe.fazenda.gov.br”) e, também é utilizada para reimpressão</p><p>da NF-e e para importação dos seus dados nos diversos softwares contábeis e</p><p>gerenciais, na ausência do arquivo XML (Portal da NF-e, 2019).</p><p>Contribuinte gera a NF-</p><p>e e transmite para Sefaz</p><p>Sefaz recebe a NF-e,</p><p>analisa (estrutura) e</p><p>autoriza</p><p>Autorizada a NF-e é</p><p>possível imprimir o</p><p>Danfe</p><p>6</p><p>A sequência numérica da chave de acesso da NF-e é formada por dados</p><p>que permitem a identificação de informações básicas, tais como a UF, mês, ano</p><p>e CNPJ do emitente, modelo, série e situação. A chave de acesso da NF-e será</p><p>impressa no DANFE em campo específico, segregada em 11 blocos de 4</p><p>números cada, conforme demonstrado na Figura 2 e, além disso, deverá</p><p>apresentar o código de barras da respectiva chave de acesso (Portal da NF-e,</p><p>2019).</p><p>Figura 2 – DANFE - Chave de acesso</p><p>Fonte: portal da NF-e, 2019.</p><p>Considerando como exemplo a chave de acesso do Quadro 2, poderemos</p><p>observar melhor o detalhamento de sua composição.</p><p>Quadro 2 – Composição da chave de acesso de uma NF-e</p><p>Chave de acesso:</p><p>51190612345678000110550010000000011123456780</p><p>Detalhamento da composição</p><p>Quantidade</p><p>de Caracteres</p><p>Exemplo Como fica na Chave</p><p>Código da UF 2 51 (MT) 51</p><p>AAMM da emissão 4 2019 – Junho 1906</p><p>CNPJ do emitente 14 12.345.678/0001-</p><p>10</p><p>12345678000110</p><p>Modelo 2 55 (NF-e) 55</p><p>Série 3 001 001</p><p>Número da NF-e 9 1 000000001</p><p>Forma de emissão da NF-e 1 1 1</p><p>Código numérico 8 12345678 12345678</p><p>Digito verificador 1 0 0</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>Observando o Quadro 3, nota-se que a primeira informação da chave de</p><p>acesso é o código numérico que representa a UF do emitente da NF-e, esse</p><p>código não é aleatório, existe a definição de qual deve ser utilizado para cada</p><p>Estado (UF), (Portal da NF-e, 2019), conforme pode-se visualizar no Quadro 3.</p><p>7</p><p>Quadro 3 – Código numérico utilizado por UF na chave da NF-e</p><p>Código UF Código UF Código UF</p><p>11 RO 23 CE 33 RJ</p><p>12 AC 24 RN 35 SP</p><p>13 AM 25 PB 41 PR</p><p>14 RR 26 PE 42 SC</p><p>15 PA 27 AL 43 RS</p><p>16 AP 28 SE 50 MS</p><p>17 TO 29 BA 51 MT</p><p>21 MA 31 MG 52 GO</p><p>22 PI 32 ES 53 DF</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>Os demais campos que compõem a chave de acesso mostrados no</p><p>Quadro 3 são informações relacionadas ao período da emissão e dados do</p><p>emitente. Quanto ao item da forma ou tipo de emissão da NF-e, deve-se utilizar</p><p>os previstas na legislação, apresentados no Quadro 4.</p><p>Quadro 4 – Descrição da forma de emissão</p><p>Forma de Emissão Descrição</p><p>1 Emissão normal</p><p>2 Contingência FS-IA, com impressão do DANFE em formulário de</p><p>segurança</p><p>3 Contingência SCAN (Sistema de Contingência do Ambiente</p><p>Nacional)</p><p>4 Contingência DPEC (Declaração Prévia da Emissão em</p><p>Contingência)</p><p>5 Contingência FS-DA, com impressão do DANFE em formulário de</p><p>segurança</p><p>6 Contingência SVC-AN (SEFAZ Virtual de Contingência do AN)</p><p>7 Contingência SVC-RS (SEFAZ Virtual de Contingência do RS)</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>O tipo de emissão mais utilizado é o “1 - normal” e, os demais serão</p><p>utilizados em casos de problemas técnicos relacionados a falta de internet ou</p><p>falha na conexão com o webservice da Secretaria de Fazenda (SEFAZ) do</p><p>Estado do emitente, que impossibilitem a transmissão e autorização da NF-e</p><p>naquele momento. Como o processo operacional da empresa não pode parar</p><p>por falta de nota fiscal, existem as opções de emissão da NF-e em modo de</p><p>contingência. Destaca-se aqui, que ao emitir nota fiscal de contingência, após</p><p>reestabelecer a conexão com a SEFAZ, o emitente deverá transmitir a NF-e para</p><p>8</p><p>que a SEFAZ a autorize e, enfim, possa ter sua validade jurídica (Portal da NF-</p><p>e, 2019).</p><p>A NF-e é utilizada para amparar os diversos tipos de operações que</p><p>envolvam mercadorias e produtos, podendo ser:</p><p>▪ Venda de mercadorias ou produtos;</p><p>▪ Transferências entre estabelecimentos;</p><p>▪ Remessas para consertos ou garantias;</p><p>▪ Devoluções;</p><p>▪ Bonificações e brindes;</p><p>▪ Remessas para depósito ou armazém, entre outras.</p><p>Conforme expresso, existem modelos de documentos fiscais diversos e</p><p>que são específicos para determinadas operações. A seguir vamos abordar o</p><p>conhecimento de transporte.</p><p>1.2 Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-E)</p><p>O Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), modelo 57, é</p><p>utilizado para documentar as operações de transporte de cargas em qualquer</p><p>modal, seja rodoviário, aéreo, ferroviário, aquaviário ou dutoviário, municipal,</p><p>intermunicipal, interestadual e internacional. É um documento fiscal emitido e</p><p>armazenado eletronicamente, de existência apenas digital (arquivo em formato</p><p>XML), mediante a utilização de certificação digital do emitente (Portal do CT-E,</p><p>2019).</p><p>Assim como a nota fiscal eletrônica, o emitente gera e transmite o CT-e</p><p>para o webservice da SEFAZ do seu estado, que recepciona e faz a análise</p><p>estrutural do arquivo que, estando o seu layout em conformidade com a</p><p>legislação, é autorizado o CT-e. Após autorizado, a versão de visualização e</p><p>impressão do CT-e é o DACTE – Documento Auxiliar do Conhecimento de</p><p>Transporte Eletrônico, utilizado para acompanhar o transporte das cargas nele</p><p>registrada (Portal do CT-E, 2019).</p><p>O conhecimento de transporte eletrônico é o arquivo digital em formato</p><p>XML, que deve ser armazenado pelo contribuinte durante o prazo legal, pois ele</p><p>é o documento fiscal em si, enquanto o DACTE é apenas a sua versão impressa.</p><p>O CT-e também possui a sua chave de acesso que segue as mesmas regras de</p><p>9</p><p>composição da chave de acesso da NF-e, sendo uma sequência numérica de 44</p><p>caracteres (Portal do CT-E, 2019).</p><p>O Portal Nacional do CT-e está disponível no site:</p><p><http://www.cte.fazenda.gov.br/portal/>. Acesso em: 28 set. 2022, em que pode</p><p>ser encontrada toda a legislação, manuais e outros informativos a respeito do</p><p>assunto, bem como podem ser realizadas consultas das situações do CT-e</p><p>emitidos (Portal do CT-E, 2019).</p><p>As empresas que trabalham no segmento de transportes e logística, além</p><p>da CT-e precisam emitir também o MDF-e (Manifesto de Documento Fiscal</p><p>Eletrônico), que consiste em um registro de todas as notas fiscais do objeto de</p><p>uma carga a ser transportada. Raramente as transportadoras carregam uma</p><p>carga única e exclusiva de um cliente e que seja objeto de apenas uma NF-e,</p><p>sendo, portanto, muito comum que as cargas sejam compostas por mercadorias</p><p>e produtos de vários clientes e com vários documentos fiscais correspondentes.</p><p>Nesse contexto, a transportadora precisa emitir o MDF-e, para cada veículo</p><p>de transporte, informando todas as NF-e de origem da carga ora</p><p>transportada, assim como o local de origem e destino de cada uma, visto que</p><p>os locais de entrega normalmente são diferentes. Assim, conterá no MDF-e todo</p><p>o percurso a ser realizado por este veículo e os pontos de entrega de cada</p><p>encomenda (Portal Sped RFB, 2019).</p><p>A emissão do MDF-e permite que as transportadoras possuam maior</p><p>controle sobre as cargas transportadas em cada veículo, bem como contribui</p><p>para a agilidade da fiscalização nos postos fiscais interestaduais. Sua emissão</p><p>é realizada eletronicamente, com validade jurídica garantida pela certificação</p><p>digital do emitente.</p><p>Assim como os demais documentos fiscais eletrônicos, sua existência é</p><p>apenas digital (arquivo em formato XML) e, após sua autorização é liberado o</p><p>DAMDF-e (Documento Auxiliar do Manifesto de Documentos Fiscais</p><p>Eletrônico) que deve ser impresso para acompanhar o transporte da carga</p><p>(Portal Sped RFB, 2019).</p><p>Mesmo não sendo objeto dessa etapa, precisamos informar que para as</p><p>operações de transportes intermunicipal, interestadual e internacional de</p><p>passageiros o documento fiscal utilizado deve ser o CT-e OS, modelo 67.</p><p>10</p><p>1.3 Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e)</p><p>A nota fiscal de serviços é utilizada para documentar as operações</p><p>de</p><p>prestações de serviços municipais previstas na Lei Complementar Federal</p><p>n. 116 de 31 de julho de 2003, ou seja, os serviços que serão tributados pelo</p><p>ISSQN - imposto sobre serviços de qualquer natureza (Brasil, 2003).</p><p>Como o ISSQN é de competência municipal, compete a cada município</p><p>regulamentar a forma de emissão do documento fiscal correspondente e, seus</p><p>contribuintes prestadores de serviços devem atender a estes requisitos. Em</p><p>muitos municípios do Brasil já é utilizada a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica</p><p>(NFS-e), entretanto, alguns ainda utilizam a versão em papel, que não poderá</p><p>ser recusada por tomadores de serviços de outros municípios ou estados, visto</p><p>que cada contribuinte prestador de serviços deve atender apenas a legislação</p><p>do seu município sede.</p><p>A NFS-e é um documento fiscal gerado eletronicamente, normalmente por</p><p>sistemas disponibilizados pelas próprias prefeituras municipais. Sua existência</p><p>é digital, também por meio de arquivo XML. Após sua autorização é</p><p>disponibilizada a versão de impressão no próprio sistema de emissão.</p><p>Normalmente, não necessita de certificação digital, pois as prefeituras</p><p>municipais são responsáveis por autorizar, acompanhar e fiscalizar seus</p><p>contribuintes emitentes, de modo que, somente será possível a emissão da NFS-</p><p>e pelo contribuinte que estiver regular junto ao seu município.</p><p>Destarte a isto, embora em fase de teste até a presente data (setembro</p><p>de 2022), a Receita Federal (RFB), de forma integrada com a Associação</p><p>Brasileira das Secretarias de Finanças das Capitais (ABRASF), responsável por</p><p>pesquisas e estudos voltados ao aperfeiçoamento da gestão financeira e</p><p>tributária dos municípios, cooperação estabelecida por meio do Protocolo de</p><p>Cooperação ENAT n. 02 de 2007, mantém em desenvolvimento o Projeto da</p><p>NFS-e padrão nacional, ajustado de acordo com os padrões do layout integrado</p><p>ao sistema SPED.</p><p>Assim como os demais documentos fiscais, a NFS-e atenderá os mesmos</p><p>critérios quanto a emissão, “será gerada e armazenada eletronicamente em</p><p>Ambiente Nacional pela RFB, pela prefeitura ou por outra entidade conveniada,</p><p>para documentar as operações de prestação de serviços” (Portal Sped RFB,</p><p>2022) e impressa no formato de DANFE.</p><p>11</p><p>No site da ABRASF, encontram-se publicados, layout, orientações e</p><p>documentos eletrônicos necessários para a implantação da NFS-e padrão, tais</p><p>como o Modelo conceitual, Manual de Integração, Fluxo das transações. O</p><p>projeto encontra-se em fase de testes em algumas capitais, sendo previsto a</p><p>implementação a partir de 2023. Isto posto, inicialmente a adesão pelos</p><p>municípios se dará de forma voluntária.</p><p>TEMA 2 – PRÁTICAS DE EMISSÃO E CUIDADOS COM DOCUMENTOS</p><p>FISCAIS</p><p>A emissão de documentos fiscais em uma empresa é uma atividade que</p><p>tem se tornado cada dia mais complexa e o setor ou colaborador responsável</p><p>por tal atividade necessita de conhecimentos técnicos prévios, pois são várias</p><p>as informações fiscais e tributárias que devem ser preenchidas. O</p><p>preenchimento inadequado pode ocasionar divergência na apuração dos</p><p>impostos federais e estaduais, tanto do emitente quando do destinatário e, ainda</p><p>ser objeto de fiscalizações e sanções pela incorreção. Nesse sentido, vamos</p><p>abordar os principais itens que devem ser informados ao preencher uma nota</p><p>fiscal.</p><p>2.1 Dados básicos dos documentos fiscais</p><p>Para iniciar o processo de emissão de um documento fiscal, o responsável</p><p>por tal atribuição deverá primeiramente identificar o tipo de operação a ser</p><p>realizada e o destinatário para definir o tipo de documento a ser emitido, se</p><p>será NF-e, NFC-e, CT-e, NFS-e, entre outros.</p><p>Após ter estabelecido o tipo de documento fiscal a ser emitido, deve-se</p><p>conferir no sistema de emissão própria se os dados de sua empresa (emitente)</p><p>estão corretos e devidamente atualizados. Destaca-se que, por se tratar de</p><p>dados do próprio emitente, essa conferência não precisa ser realizada</p><p>diariamente, entretanto, recomenda-se que seja feito com certa frequência, a fim</p><p>de conferir os dados com o constante na Receita Federal, na Secretaria de</p><p>Fazenda do Estado e na Prefeitura Municipal.</p><p>Quanto ao destinatário, é fundamental que os dados sejam sempre</p><p>conferidos com os órgãos, principalmente Receita Federal e Sintegra, a fim</p><p>12</p><p>de verificar a razão social, o número do CNPJ e da inscrição estadual, o</p><p>endereço e a situação (se o destinatário está ativo ou regular junto a esses</p><p>órgãos), já que existe a responsabilidade solidária entre emitente e</p><p>destinatário. Em casos de emissão de documento inidôneo ou operação</p><p>irregular, ambas as partes envolvidas serão responsabilizadas. Além disso,</p><p>fazendo a conferência dos dados, evita-se o preenchimento do documento fiscal</p><p>com dados divergentes ou desatualizados.</p><p>Além dos dados do remetente e destinatário, também é informado no</p><p>documento fiscal: a forma de pagamento; a descrição dos itens, sejam produtos</p><p>ou serviços, bem como sua quantidade, valores e tributação. Também possui</p><p>campo para as informações adicionais, destinado para informar dados</p><p>específicos de benefícios tributários ou outros que a legislação determine.</p><p>Resumindo, basicamente as informações que vão constar nos</p><p>documentos fiscais são:</p><p>• Tipo do documento fiscal;</p><p>• Descrição da operação;</p><p>• Identificação completa do emitente;</p><p>• Identificação completa do destinatário;</p><p>• Forma de pagamento;</p><p>• Itens negociados (quantidade, valores e tributação);</p><p>• Valor total da operação;</p><p>• Informações adicionais.</p><p>É importante destacar que alguns tipos específicos de documentos fiscais</p><p>podem exigir mais informações. Por exemplo, no CT-e, além dos dados acima,</p><p>será necessário informar a origem, o destino e a nota fiscal da carga a ser</p><p>transportada.</p><p>2.2 Código Fiscal de Operações (CFOP)</p><p>Uma informação importante do documento fiscal é a descrição da</p><p>operação que será complementada pelo Código Fiscal de Operações e de</p><p>Prestações de Mercadorias e Bens e da Aquisição de Serviços (CFOP).</p><p>Existe uma tabela de CFOP autorizada por órgãos como o CONFAZ, que</p><p>contém a descrição de todos os códigos existentes e válidos nacionalmente.</p><p>Sendo assim, as empresas devem utilizar e respeitar a descrição e finalidade de</p><p>13</p><p>cada código. A tabela completa pode ser acessada por meio do seguinte site</p><p>disponível em:</p><p><http://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/exibirArquivo.aspx?conteudo=q45CSx9Ej</p><p>V8=>. Acesso em: 28 set. 2022.</p><p>O CFOP, além de ser utilizado na emissão do documento fiscal, deverá</p><p>ser utilizado na escrituração desses documentos. Nesse sentido, é importante</p><p>esclarecer os tipos de operações existentes, que se dividem basicamente em:</p><p>Figura 3 – Divisão do tipo de operações</p><p>O mesmo documento fiscal será escriturado de maneira diferente pelo</p><p>emitente e pelo destinatário. Enquanto o emitente está realizando uma operação</p><p>de saída, seja de mercadorias ou serviços, ele vai entregar o objeto do</p><p>documento fiscal para seu cliente, o destinatário está adquirindo tal mercadoria</p><p>ou serviços, pois irá recebê-lo (operação de entrada).</p><p>A listagem completa de CFOP agrega códigos que iniciam com a</p><p>numeração 1, 2, 3, 5, 6 e 7, conforme podemos ver na Figura 4.</p><p>Figura 4 – Significado da numeração inicial do código CFOP</p><p>Observando a Figura 4, pode-se verificar que as operações realizadas</p><p>entre emitente e destinatário estabelecidos no mesmo estado, serão utilizados</p><p>CFOP iniciados em 1 e 5. Quando o emitente e destinatário possuírem endereço</p><p>Operações de Entrada</p><p>1. No Estado</p><p>2. Interestadual</p><p>3. Importação</p><p>Operações de Saída</p><p>5 . No Estado</p><p>6. Interestadual</p><p>7. Exportação</p><p>Operações de</p><p>Entrada (destinatário) Operações de Saída</p><p>(emitente)</p><p>14</p><p>em estados diferentes, os CFOP a serem utilizados iniciarão com 2 e 6 e, quando</p><p>estiverem estabelecidos em países diferentes, utilizarão os CFOP iniciados em</p><p>3 e 7. Apresentamos alguns exemplos de utilização do CFOP, no Quadro</p><p>5.</p><p>Quadro 5 – Exemplo de CFOP nas operações de saída versus entrada</p><p>CFOP na Operação de Saída CFOP na Operação de Entrada</p><p>Código Descrição Código Descrição</p><p>6.102 Venda de mercadoria adquirida ou</p><p>recebida de terceiros (interestadual)</p><p>2.102 Compra para comercialização</p><p>(interestadual)</p><p>5.202 Devolução de compra para</p><p>comercialização (no estado)</p><p>1.202 Devolução de venda de mercadoria (no</p><p>estado)</p><p>6.915 Remessa de mercadoria ou bem para</p><p>conserto ou reparo (interestadual)</p><p>2.915 Entrada de mercadoria ou bem</p><p>remetido para conserto ou reparo</p><p>(interestadual)</p><p>5.933 Prestação de Serviço tributado pelo</p><p>ISSQN (no estado)</p><p>1.933 Aquisição de serviço tributado pelo</p><p>ISSQN (no estado)</p><p>5.253 Venda de energia elétrica para</p><p>estabelecimento comercial (no</p><p>estado)</p><p>1.253 Compra de energia elétrica por</p><p>estabelecimento comercial (no estado)</p><p>5.302 Prestação de serviço de comunicação</p><p>a estabelecimento industrial (no</p><p>estado)</p><p>1.302 Aquisição de serviço de comunicação</p><p>por estabelecimento industrial (no</p><p>estado)</p><p>6.353 Prestação de serviço de transporte a</p><p>estabelecimento comercial</p><p>(interestadual)</p><p>2.353 Aquisição de serviço de transporte por</p><p>estabelecimento comercial</p><p>(interestadual)</p><p>7.101 Venda da produção do</p><p>estabelecimento (internacional –</p><p>exportação)</p><p>3.101 Compra para industrialização ou</p><p>produção rural (internacional –</p><p>importação)</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>Observando o Quadro 5, no primeiro exemplo citado, o emitente do</p><p>documento fiscal estabelecido em estado diferente do destinatário, na operação</p><p>de venda de mercadoria utilizará o CFOP “6.102” e assim fará a escrituração</p><p>desse documento em seus registros fiscais (livro de registro de operações de</p><p>saída). Para o emitente do documento fiscal, a escrituração sempre manterá o</p><p>mesmo CFO informado no respectivo documento fiscal.</p><p>Já o destinatário, ao receber o documento fiscal e a mercadoria, efetuará</p><p>o registro fiscal desse documento em seu livro de registro de operações de</p><p>entrada, entretanto, não deverá ser o mesmo CFOP constante no documento</p><p>fiscal, pois é necessário analisar qual a destinação/utilização das mercadorias</p><p>adquiridas, para então efetuar o seu registro pelo CFOP adequado. Vamos</p><p>verificar um exemplo na Figura 5.</p><p>15</p><p>Figura 5 – Exemplo de opções de escrituração de um CFOP</p><p>Pode-se observar na Figura 5 que um documento fiscal emitido com o</p><p>CFOP 6.102 possui quatro opções de escrituração no registro de entrada do</p><p>destinatário, podendo ser:</p><p>Quadro 6 – Exemplo de opções de conversão de um CFOP para a escrituração</p><p>Operação de saída</p><p>(Emitente)</p><p>Possíveis operações de entrada (destinatário)</p><p>6.102</p><p>Venda de mercadoria adquirida</p><p>ou recebida de terceiros</p><p>(interestadual)</p><p>2.101 – Compra para industrialização ou produção rural</p><p>2.102 – Comprar para comercialização</p><p>2.556 – Compra de material para uso ou consumo</p><p>2.551 – Compra de bem para o ativo imobilizado</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>Não há uma regra geral para a escrituração ou conversão de CFOP,</p><p>sendo, portanto, responsabilidade do destinatário identificar qual será a</p><p>destinação dos itens adquiridos e então classificar sua escrituração e determinar</p><p>o CFOP de entrada.</p><p>Além do cuidado com o CFOP, tanto na emissão do documento fiscal</p><p>quanto em seu registro fiscal, há também a necessidade de uma atenção</p><p>especial com a codificação das mercadorias, que é o NCM.</p><p>2.3 Nomenclatura Comum do Mercosul: NCM</p><p>A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), como o próprio nome</p><p>menciona, é utilizada pelos países que são membros do Mercosul. Desde 1995,</p><p>esses países estabeleceram uma forma de harmonizar a comunicação referente</p><p>a descrição e a codificação dos produtos nos documentos fiscais.</p><p>CFOP 6.102</p><p>CFOP</p><p>2.101</p><p>CFOP</p><p>2.102</p><p>CFOP</p><p>2.556</p><p>CFOP</p><p>2.551</p><p>16</p><p>A codificação da NCM foi criada com base no SH (Sistema Harmonizado</p><p>de Designação e Codificação de Mercadorias), que é um padrão internacional.</p><p>Essa codificação serve para aproximar a comunicação no comércio, imagine se</p><p>cada empresa pudesse ser totalmente livre para informar a descrição do produto</p><p>no documento fiscal, isso poderia ocasionar muitos transtornos na identificação</p><p>dos produtos. Assim, as empresas são obrigadas a informar a NCM dos produtos</p><p>citados nos documentos fiscais, em um campo específico, ficando como dado</p><p>complementar à descrição do produto.</p><p>A NCM de cada produto/item é composta por oito dígitos que segue a</p><p>seguinte estrutura:</p><p>00 00.00.00</p><p>Essa sequência numérica tem o seu significado e indica a descrição do</p><p>produto. É formada conforme o capítulo, a posição e o item em que faz parte na</p><p>Tabela NCM em que estão reunidos todos os códigos NCM e pode ser acessada</p><p>no site disponível em:</p><p><https://investexportbrasil.dpr.gov.br/ProdutosServicos/frmPesquisaProdutosSe</p><p>rvicosFull.aspx>. Acesso em: 28 set. 2022. Recomendamos a utilização da</p><p>tabela NCM deste site, visto ser o disponibilizado pelo governo, estando sempre</p><p>atualizado. Exemplo de como ocorre a classificação dos capítulos, subcapítulos</p><p>e seções, pode ser visualizada no Quadro 11(Invest & Export Brasil, 2019).</p><p>Quadro 7 – Classificação do NCM</p><p>Classificação Composição do Código Exemplo da Tabela NCM</p><p>Capítulo 2 primeiros dígitos 01 – Animais Vivos</p><p>Posição 4 primeiros dígitos 0101 – Cavalos, asininos e muares, vivos</p><p>Subposição 5 e 6 primeiros dígitos 0101.2 – Cavalos</p><p>Item e Subitem 7º e 8ºdígitos 0101.21.00 – Reprodutores de raça apurada</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>A Tabela NCM é bastante completa, abrangendo todas as mercadorias</p><p>que possam ser informadas nos documentos fiscais, portanto, não deve ser</p><p>emitida uma nota fiscal sem informar o NCM do produto. Além disso, faz-se uma</p><p>advertência aqui, quanto a utilização correta dessa codificação, sendo total</p><p>responsabilidade do emitente informar o NCM corretamente do item no</p><p>documento fiscal.</p><p>17</p><p>Assim como existe a Tabela NCM para os produtos e mercadorias, foi</p><p>criado a Tabela NBS (Nomenclatura Brasileira de Serviços, Intangíveis e</p><p>Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio), instituída em</p><p>maio de 2012, pelo Decreto n. 7.708 de 2 de maio de 2012, contendo a</p><p>codificação para os serviços, com 27 capítulos relacionados as várias categorias</p><p>de serviços, destinada a utilização no Siscoserv (Sistema Integrado de Comércio</p><p>Exterior de Serviços Intangíveis e outras Operações que Produzam Variações</p><p>no Patrimônio) em operações de exportação. Assim, as operações de</p><p>exportação de serviços devem observar a codificação desta tabela. No mesmo</p><p>site que informamos para consultar a Tabela NCM, tem disponível a Tabela NBS</p><p>(Invest & Export Brasil, 2019).</p><p>2.3 Códigos de situação tributária</p><p>Na emissão de um documento fiscal deverão ser informados os dados</p><p>referentes à tributação dos itens que compõem a operação. É fundamental que</p><p>essas informações sejam corretas, pois serão utilizadas na apuração dos</p><p>impostos federais, estaduais e municipais, tanto do emitente quanto do</p><p>destinatário e um erro poderá ocasionar recolhimento maior ou menor que o</p><p>realmente devido, além de possíveis sanções penais pelas omissões ou</p><p>informações incorretas.</p><p>Os Códigos de Situação Tributária (CST) são as tabelas que possuem</p><p>a codificação a ser utilizada para informar a tributação dos produtos, tanto</p><p>na emissão dos documentos fiscais como no processo de escrituração fiscal para</p><p>apuração de impostos e as declarações acessórias entregues periodicamente</p><p>ao fisco.</p><p>É por meio do CST informado nos documentos fiscais e nas declarações</p><p>mensais (escrituração) que os governos realizam o acompanhamento e a</p><p>fiscalização da apuração dos impostos nas esferas federal e estadual.</p><p>Existe a definição de tabela CST para alguns dos impostos, sendo eles:</p><p>PIS, COFINS, IPI e ICMS. A codificação do CST dos tributos federais (IPI, PIS e</p><p>COFINS) é composta por dois números, enquanto a CST ICMS é composta por</p><p>três números.</p><p>18</p><p>Figura 6 – Resumo dos tipos de Códigos de</p><p>Situação Tributária existentes</p><p>É importante destacar aqui que os assuntos abordados neste tópico estão</p><p>relacionados, de modo que a combinação do tipo de operação (CFOP) e o NCM</p><p>do produto vão orientar para identificar o tipo de tributação ou não, representada</p><p>pelos CST. Nos diversos sites de consultoria tributária que disponibilizam a</p><p>opção de busca/pesquisa da tributação de um produto, é feita pelo seu NCM.</p><p>Assim, esses assuntos possuem a mesma relevância e devem ser considerados</p><p>conjuntamente, para identificar se a operação possui ou não tributação e, qual</p><p>será esta, conforme apresentado na Figura 7.</p><p>Figura 7 – Itens que definem a tributação</p><p>Os CST PIS e COFINS possuem a mesma codificação para ambas as</p><p>contribuições e são fundamentais para a apuração destes impostos. Devem ser</p><p>C</p><p>ó</p><p>d</p><p>ig</p><p>o</p><p>s</p><p>d</p><p>e</p><p>T</p><p>r</p><p>ib</p><p>u</p><p>ta</p><p>ç</p><p>ã</p><p>o CST PIS</p><p>CST COFINS</p><p>CST IPI</p><p>CST ICMS CSOSN</p><p>CFOP</p><p>NCM</p><p>CST</p><p>19</p><p>informados nos documentos fiscais, na Escrituração Fiscal Digital ICMS e IPI e</p><p>na Escrituração Fiscal Digital Contribuições.</p><p>O CST IPI é utilizado nos documentos fiscais e na Escrituração Fiscal</p><p>Digital ICMS e IPI (Imposto sobre Produto industrializado), em que ocorre a</p><p>apuração deste imposto. Inclusive empresas comerciais que não recolhem o IPI</p><p>devem informar corretamente este CST.</p><p>O CST ICMS é composto por uma sequência de três números formada a</p><p>partir de uma combinação, sendo o primeiro número equivalente à origem da</p><p>mercadoria (Tabela A) e os outros dois números representam a tributação</p><p>do ICMS (Tabela B), conforme demonstrado no Quadro 16. É importante</p><p>destacar que essa codificação será utilizada pelas empresas não tributadas pelo</p><p>regime de tributação do Simples Nacional, pois estas possuem outra codificação.</p><p>Quadro 14 –Tabela de origem da mercadoria e Tributação pelo ICMS = CST</p><p>ICMS</p><p>ORIGEM DA MERCADORIA (A)</p><p>+</p><p>TRIBUTAÇÃO PELO ICMS (B)</p><p>CÓDIGO DESCRIÇÃO CÓDIGO DESCRIÇÃO</p><p>0 Nacional, exceto as indicadas nos</p><p>códigos 3, 4, 5 e 8</p><p>00 Tributada integralmente</p><p>1 Estrangeira – importação direta,</p><p>exceto a indicada no código 6</p><p>10 Tributada e com cobrança do</p><p>ICMS por substituição tributária</p><p>2 Estrangeira – adquirida no mercado</p><p>interno, exceto a indicada no código</p><p>7</p><p>20 Com redução de base de</p><p>cálculo</p><p>3</p><p>Nacional – mercadoria ou bem com</p><p>Conteúdo de Importação superior a</p><p>40% e inferior ou igual a 70%;</p><p>30 Isenta ou não tributada e com</p><p>cobrança do ICMS por</p><p>substituição tributária</p><p>4</p><p>Nacional – cuja produção tenha sido</p><p>feita em conformidade com os</p><p>processos produtivos básicos de que</p><p>tratam o Decreto-lei n° 288/67 e as</p><p>Leis n 8.428/91, 8.397/91,</p><p>10.176/2001 e 11.484/2007;</p><p>40 Isenta</p><p>41 Não tributada</p><p>50 Suspensão</p><p>5</p><p>Nacional – mercadoria ou bem com</p><p>Conteúdo de Importação inferior ou</p><p>igual a 40% (quarenta por cento);</p><p>51 Diferimento</p><p>6</p><p>Estrangeira – importação direta, sem</p><p>similar nacional, constante em lista</p><p>de Resolução CAMEX e gás natural;</p><p>60 ICMS cobrado anteriormente</p><p>por substituição tributária</p><p>7</p><p>Estrangeira – adquirida no mercado</p><p>interno, sem similar nacional,</p><p>constante em lista de Resolução</p><p>CAMEX e gás natural;</p><p>70 Com redução de base de</p><p>cálculo e cobrança do ICMS</p><p>por substituição tributária</p><p>8</p><p>Nacional – mercadoria ou bem com</p><p>Conteúdo de Importação superior a</p><p>70% (setenta por cento).</p><p>90 Outras</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>Por exemplo, quando for utilizado o CST “060” significa que sua origem é</p><p>totalmente nacional (0) e com ICMS cobrado por substituição tributária em</p><p>20</p><p>operação anterior (60), assim 0 + 60 = “060”. Essa codificação é encontrada no</p><p>Convênio ICMS s/nº de 15 de dezembro de 1970, do Confaz (Confaz, 1970).</p><p>Para as empresas optantes pelo regime de tributação do Simples</p><p>Nacional, a codificação da tributação do ICMS é determinada pela Tabela</p><p>CSOSN (Código de Situação da Operação do Simples Nacional). Para essas</p><p>empresas, a codificação é diferenciada devido à tributação e a forma de</p><p>apuração do ICMS ocorrerem também de maneira diferenciada e, em alguns</p><p>casos, é apurado e recolhido juntamente no imposto Simples Nacional.</p><p>A codificação CSOSN é formada por uma sequência numérica de três</p><p>dígitos, conforme apresenta no quadro 8.</p><p>Quadro 8 –Tabela de CSOSN</p><p>CÓDIGO DESCRIÇÃO</p><p>101 Tributada pelo Simples Nacional com permissão de crédito de ICMS</p><p>102 Tributada pelo Simples Nacional sem permissão de crédito</p><p>103 Isenção de ICMS no Simples Nacional na faixa de receita bruta</p><p>201 Tributada pelo Simples Nacional com permissão de crédito e cobrança do ICMS por ST</p><p>202 Tributada pelo Simples Nacional sem permissão de crédito e com cobrança do ICMS por</p><p>ST</p><p>203 Isenção do ICMS no Simples Nacional para faixa de receita bruta e cobrança de ICMS por</p><p>ST</p><p>300 Imune de ICMS</p><p>400 Não tributada pelo Simples Nacional</p><p>500 ICMS cobrado anteriormente por ST ou por antecipação</p><p>900 Outros (operações que não se enquadram nos códigos anteriores)</p><p>Fonte: Brito, 2022.</p><p>Vale destacar que no mercado várias empresas negociam entre si e é</p><p>comum a negociação entre empresas de regimes tributários diferentes.</p><p>Conforme já explicado, o emitente de um documento fiscal realizará sua emissão</p><p>respeitando o seu regime tributário e, o destinatário ao receber este documento</p><p>fiscal, deverá fazer sua análise e conversão dos códigos tributários para o seu</p><p>regime de tributação, no momento da escrituração fiscal. Na internet é possível</p><p>encontrar inúmeras tabelas de conversão, entretanto, recomenda-se que cada</p><p>situação seja analisada individualmente devido às particularidades de cada</p><p>estado.</p><p>É importante esclarecer que a tributação do ICMS é de competência</p><p>estadual, assim, cada estado estabelece as formas de apuração, bases de</p><p>cálculos, alíquotas, benefícios, entre outros. Nesse contexto é fundamental</p><p>conhecer bem a legislação estadual para poder identificar a forma de</p><p>apuração do ICMS e então conseguir utilizar de forma correta os CST ICMS</p><p>ou CSOSN, tanto na emissão dos documentos fiscais quanto em suas</p><p>21</p><p>escriturações. As empresas devem se atentar ao regime tributário federal e ao</p><p>regime tributário estadual para utilizar corretamente o CST ICMS ou CSOSN,</p><p>conforme sintetiza a Figura 8.</p><p>Figura 8 – Critérios para definir o CST de tributação estadual (ICMS)</p><p>Apresentaremos no Anexo I a Tabela CST PIS e CST COFINS juntos por</p><p>serem utilizados os mesmos códigos para ambas as contribuições e, no Anexo</p><p>II a Tabela CST IPI.</p><p>Após efetuar as escriturações das operações fiscais, financeiras,</p><p>patrimoniais e contábeis, deve-se proceder com a elaboração e transmissão das</p><p>obrigações acessórias (declarações), que detalharemos no item seguinte.</p><p>TEMA 3 – PRINCIPAIS DECLARAÇÕES FEDERAIS DAS PESSOAS JURÍDICAS</p><p>As pessoas jurídicas possuem obrigações tributárias que precisam</p><p>cumprir, além de apurar e recolher os impostos. Algumas dessas obrigações são</p><p>as declarações exigidas pelas legislações comerciais, societária, tributária e</p><p>trabalhistas, que serão entregues aos órgãos competentes para que possam</p><p>acompanhar e fiscalizar as operações dos contribuintes.</p><p>O governo criou em 2007 o Sistema Público de Escrituração Digital</p><p>(SPED), com o objetivo de unificar a recepção, validação, armazenamento e</p><p>autenticação de livros e documentos que compõem as escriturações fiscais e</p><p>contábeis das empresas (SPED RFB, 2019). São várias as declarações que</p><p>compõem o SPED, que abordaremos melhor no item seguinte.</p><p>22</p><p>3.1 Sistema Público de Escrituração Digital - SPED</p><p>O universo de atuação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED)</p><p>envolve:</p><p>Figura 9 – Documentos fiscais versus Obrigações Acessórias</p><p>Neste item abordaremos as declarações que compõem o sistema</p><p>SPED. Todas estas serão assinadas digitalmente pela empresa, sócios e/ou</p><p>profissionais contábeis e auditores responsáveis e transmitidas por meio de um</p><p>PVA (Programa Validador e Assinador) disponibilizado pela Receita</p><p>Federal.</p><p>a) Escrituração Contábil Digital (ECD)</p><p>É a escrituração dos registros contábeis em formato digital, ao qual as</p><p>pessoas jurídicas possuem a obrigação de transmitir à Receita Federal a versão</p><p>digital dos livros:</p><p>• I - Livro diário II;</p><p>• Livro Razão III;</p><p>• Livro Balancetes diários, Balanços e fichas de lançamentos e demais</p><p>livros auxiliares (se houver).</p><p>Essa obrigatoriedade está em vigor desde 2014 (SPED RFB, 2019).</p><p>• Periodicidade: anual.</p><p>• Estão obrigadas: todas as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real,</p><p>Lucro Presumido, Imunes, Isentas, as Sociedades em Conta de</p><p>• CT-e; NF-e; NFS-e; MFD-e; NFC-e.</p><p>Documentos fiscais eletrônicos:</p><p>• ECD</p><p>• ECF</p><p>• EFD ICMS IPI</p><p>• EFD Contribuições</p><p>• EFD-Reinf</p><p>• E-Financeira</p><p>• E-social</p><p>Declarações:</p><p>23</p><p>Participação e, as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte que</p><p>receberem aporte de capital na forma prevista nos artigos 61-A a 61-D da</p><p>Lei Complementar n. 123/2006 (Investidor Anjo).</p><p>• Prazo de envio: até o último dia útil do mês de maio do ano subsequente</p><p>ao exercício encerrado e, para as empresas em situações especiais</p><p>(extinção, fusão, cisão, etc.) o prazo é o último dia útil do mês</p><p>subsequente à ocorrência do evento especial (SPED RFB, 2019).</p><p>b) Escrituração Contábil Fiscal (ECF)</p><p>É a atual declaração de imposto de renda das pessoas jurídicas,</p><p>entrou em vigor a partir do ano calendário de 2014 em substituição a DIPJ</p><p>(Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica) que está</p><p>extinta desde então.</p><p>Na ECF, as pessoas jurídicas, além de apresentar os registros contábeis,</p><p>apresentarão também a apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido</p><p>(CSLL) por meio do e-LACS (Livro Eletrônico da Apuração da Base de Cálculo</p><p>da Contribuição Social) e, a apuração do IPRJ (Imposto de Renda Pessoa</p><p>Jurídica) por meio do e-Lalur (Livro Eletrônico de Apuração do Lucro Real) e</p><p>outras fichas de informações econômicas e gerais (SPED RFB, 2019).</p><p>• Periodicidade: anual.</p><p>• Estão obrigadas: todas as pessoas jurídicas do regime de tributação do</p><p>Lucro Real, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado, Imunes e Isentas. Estando</p><p>dispensadas as empresas optantes pelo regime de tributação do Simples</p><p>Nacional, os órgãos públicos e as empresas inativas.</p><p>• Prazo de envio: até o último dia útil do mês de julho do ano subsequente</p><p>ao exercício encerrado e, para as empresas em situações especiais</p><p>(extinção, fusão, cisão etc.) o prazo é o último dia útil do terceiro mês</p><p>subsequente à ocorrência do evento especial (SPED RFB, 2019).</p><p>c) Escrituração Fiscal Digital do ICMS e IPI (EFD ICMS IPI)</p><p>Como a descrição sugere, é a escrituração digital dos registros do livro de</p><p>entradas, saídas, apurações dos impostos ICMS e IPI e outras informações</p><p>complementares.</p><p>No portal do SPED da Receita Federal está disponível o manual de</p><p>preenchimento, entretanto, como se refere a apuração do ICMS, que é de</p><p>competência estadual, deve ser observado as disposições específicas do estado</p><p>24</p><p>do contribuinte e, também deve ser observada as regulamentações do IPI, para</p><p>o preenchimento correto desta obrigatoriedade (SPED RFB, 2019).</p><p>• Periodicidade: mensal.</p><p>• Estão obrigadas: todas as pessoas jurídicas contribuintes do ICMS e do</p><p>IPI (sendo necessário observar a legislação de cada estado).</p><p>• Prazo de envio: até o dia 20 do mês subsequente ao mês que se refere</p><p>a declaração (SPED RFB, 2019).</p><p>d) A Escrituração Fiscal Digital Contribuições (EFD-Contribuições)</p><p>É a escrituração digital da apuração das contribuições para o PIS,</p><p>COFINS, tanto nos regimes de apuração cumulativo e não-cumulativo e, a</p><p>Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (conhecida como</p><p>desoneração da folha de pagamento). Deverão ser escriturados todos os débitos</p><p>e créditos dessas contribuições, a fim de informar ao fisco os saldos a recolher</p><p>ou a restituir, de forma centralizada na matriz, ou seja, todos os estabelecimentos</p><p>(matriz e filiais) informarão uma única EFD-Contribuições (SPED RFB, 2019).</p><p>• Periodicidade: mensal.</p><p>• Estão obrigadas: todas as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de</p><p>tributação do Lucro Real, Presumido e Arbitrado e as contribuintes da</p><p>Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta.</p><p>• Prazo de envio: até o 10º dia útil do segundo mês subsequente ao mês</p><p>que se refere a declaração (SPED RFB, 2019).</p><p>e) A Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações</p><p>Fiscais (EFD-REINF)</p><p>É a escrituração em formato digital dos rendimentos pagos e retenções</p><p>de Imposto de Renda, Contribuição Social do contribuinte, exceto as</p><p>relacionadas ao trabalho e a Contribuição Previdenciária sobre a Receita</p><p>(CPRB). Essa declaração é complementar do e-Social e objetiva substituir a</p><p>DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte) e a GFIP (Guia de</p><p>Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social). Está em vigor desde</p><p>2018.</p><p>A EFD-REINF não é entregue por meio de programa validador, mas por</p><p>meio de WebService ou diretamente pelo portal e-CAC da Receita Federal.</p><p>• Periodicidade: mensal.</p><p>25</p><p>• Estão obrigadas: todas as pessoas jurídicas que prestam ou contratam</p><p>serviços com cessão de mão de obra, que pagam rendimentos com</p><p>retenção de impostos federais (PIS, COFINS, CS e IR); pessoas jurídicas</p><p>que recolhem a CPRB, inclusive produtores rurais (PJ), empresas que</p><p>recebem ou efetuam patrocínios a associações desportivas ou promover</p><p>eventos esportivos e MEI que possuem empregados.</p><p>• Prazo de envio: até o dia 15 do mês subsequente ao que se refere a</p><p>declaração, seguindo o calendário de implantação do e-Social, conforme</p><p>cada grupo de empresas (SPED RFB, 2019).</p><p>A Escrituração Eletrônica Financeira (e-Financeira) é o registro digital</p><p>dos arquivos de cadastro, abertura, fechamento e auxiliares de todas as</p><p>operações financeiras de interesse da Receita Federal. Entrou em vigor em</p><p>substituição à DIMOF (Declaração de Informações sobre Movimentação</p><p>Financeira).</p><p>• Periodicidade: semestral.</p><p>• Estão obrigadas: pessoas jurídicas que exercem atividades de</p><p>previdência complementar; Fundos de Aposentadoria Programada</p><p>Individual (FAPI); de captação, intermediação e aplicação de recursos</p><p>próprios ou de terceiros, inclusive consórcio e sociedades seguradoras de</p><p>planos de seguro de pessoas.</p><p>• Prazo de envio: o primeiro semestre deve ser entregue até o último dia</p><p>útil do mês de agosto do mesmo ano calendário ao que se refere a</p><p>declaração e, o segundo semestre deve ser entregue até o último dia útil</p><p>do mês de fevereiro do ano seguinte ao que se refere a escrituração</p><p>(SPED RFB, 2019).</p><p>Essas são as declarações que compõem o SPED às quais as pessoas</p><p>jurídicas estão obrigadas. Quanto ao e-Social, vamos apresentar no item 3.3, em</p><p>que abordaremos as declarações trabalhistas.</p><p>3.2 Outras declarações federais</p><p>Além das declarações que compõem o Sistema Público de Escrituração</p><p>Digital, existem outras as quais as pessoas jurídicas devem atender, conforme</p><p>os requisitos estabelecidos. São elas: DCTF, DCTFWEB; PGDAS-D; DEFIS;</p><p>DASN-SIMEI.</p><p>26</p><p>A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é</p><p>uma obrigação em que os contribuintes declaram as informações a respeito dos</p><p>tributos e contribuições que ocorreram no período, detalhando valores e forma</p><p>de pagamento, se a vista ou parcelado e, se houve compensação ou suspensão</p><p>total ou parcial e os retidos, ou seja, confissão de débitos.</p><p>A DCTF abrange os impostos: IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica);</p><p>IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte); IPI (Imposto sobre Produtos</p><p>Industrializados); IOF (Imposto sobre Operações Financeiras); CSLL</p><p>(Contribuição Social sobre o Lucro Líquido); PIS/Pasep (Programa de Integração</p><p>Social e de Formação do Patrimônio do Servidos Público); COFINS</p><p>(Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social); CPMF (Contribuição</p><p>Provisória sobre Movimentação Financeira); CIDE (Contribuição de Intervenção</p><p>no Domínio Econômico), RET/Pagamento Unificado; CSRF (Contribuições</p><p>Sociais Retidas na Fonte); COSIRF (Contribuições Sociais e Imposto de Renda</p><p>Retidos na Fonte) e Contribuições Previdenciárias (RFB, 2019).</p><p>• Periodicidade: mensal.</p><p>• Estão obrigadas: todas as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real</p><p>e Lucro Presumido, inclusive as Imunes e Isentas que recolham qualquer</p><p>dos impostos citados acima, e as empresas do Simples Nacional quando</p><p>estiverem sujeitas ao recolhimento da Contribuição Previdenciária sobre</p><p>a Receita Bruta.</p><p>• Prazo de envio: até o 15º dia útil do segundo mês subsequente ao que</p><p>se refere a declaração (RFB, 2019).</p><p>A DCTFWEB (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais</p><p>Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos), difere em termos da DCTF</p><p>normal, pois está relacionada com as questões previdenciárias, de modo que</p><p>consolida as informações enviadas via e-SOCIAL e o EFD-REINF (RFB, 2022).</p><p>Após o envio e os fechamentos dos eventos, gera-se a DARF Previdenciária.</p><p>27</p><p>Figura 10 – Fluxo de informações</p><p>Fonte: Brasil, 2021.</p><p>No período de apuração em que não houver fatos geradores a declarar, a</p><p>DCTFWeb deve ser gerada com o indicativo “sem movimento”, a partir do</p><p>preenchimento e transmissão dos eventos periódicos de fechamento das</p><p>escriturações digitais (RFB, 2021).</p><p>Assim como a EFD-REINF, a DCTFWEB não é entregue por meio de</p><p>programa validador, mas por meio de WebService ou diretamente pelo portal e-</p><p>CAC da Receita Federal.</p><p>• Periodicidade:</p><p>Categoria Prazo de Apresentação</p><p>Geral - DCTFWeb Mensal Até dia 15 do mês seguinte</p><p>13º Salário - DCTFWeb Anual Até dia 20 de dezembro</p><p>Espetáculo Desportivo - DCTFWeb Diária Até 2º dia útil após evento desportivo</p><p>• Estão obrigadas: Todas as pessoas jurídicas de direito privado em geral</p><p>e as equiparadas a empresa, as unidades gestoras de orçamento,</p><p>consórcios, que contratam trabalhadores, a aquisição de produção rural</p><p>de produtor rural pessoa física, o patrocínio de equipe de futebol</p><p>profissional; ou a contratação de empresa para prestação de serviço</p><p>sujeito à retenção sociais e previdenciárias.</p><p>• Prazo de envio: até o 15º dia útil do segundo mês subsequente ao que</p><p>se refere a declaração (RFB, 2021).</p><p>A PGDAS-D é a Declaração de Apuração Mensal do Simples Nacional</p><p>feita por meio do Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples</p><p>(PGDAS) disponível no Portal do Simples Nacional. As empresas optantes por</p><p>DCTFWEB</p><p>E-Social EFD-REINF</p><p>28</p><p>este regime de tributação devem declarar mensalmente a apuração do seu</p><p>imposto, mesmo que seja de valor zero. A ausência dessa obrigação não permite</p><p>gerar a guia de recolhimento do imposto, tão pouco prosseguir a apuração dos</p><p>demais períodos enquanto houver omissão de período anterior (Portal do</p><p>Simples Nacional, 2019).</p><p>• Periodicidade: mensal.</p><p>• Estão obrigadas: todas as empresas optantes pelo regime de tributação</p><p>do Simples Nacional, com exceção dos Microempreendedores Individuais</p><p>(MEI).</p><p>• Prazo de envio: até o dia 20 do mês subsequente ao que se refere a</p><p>declaração (Portal do Simples Nacional, 2019).</p><p>Além da declaração mensal, as pessoas jurídicas optantes pelo Simples</p><p>Nacional estão obrigadas a entregar anualmente a DEFIS – Declaração de</p><p>Informações Socioeconômicas e Fiscais. Essa declaração tem o objetivo de</p><p>coletar informações financeiras, fiscais e econômicas dessas empresas,</p><p>semelhante a uma declaração de imposto de renda de pessoas jurídicas não</p><p>tributadas pelo Simples Nacional (Portal do Simples Nacional, 2019).</p><p>• Periodicidade: anual.</p><p>• Estão obrigadas: todas as pessoas jurídicas optantes pelo regime de</p><p>tributação do Simples Nacional, com exceção dos Microempreendedores</p><p>Individuais (MEI).</p><p>• Prazo de envio: até o último dia útil do mês de março do ano subsequente</p><p>ao que se refere a declaração (Portal do Simples Nacional, 2019).</p><p>A DASN-Simei (Declaração Anual do Simples Nacional para o</p><p>Microempreendedor Individual) é uma obrigação dos contribuintes MEI em</p><p>que deverão informar o total de faturamento obtido no ano calendário encerrado</p><p>e se teve ou não colaborador registrado. Com essa declaração é possível apurar</p><p>o imposto devido nos casos em que a receita declarada ultrapassar o limite</p><p>previsto (atualmente oitenta e um mil reais) (Portal do Empreendedor, 2019).</p><p>• Periodicidade: anual.</p><p>• Estão obrigados: todos os microempreendedores individuais.</p><p>• Prazo de envio: até o último dia útil do mês de maio do ano subsequente</p><p>ao que se refere a declaração (Portal do Empreendedor, 2019).</p><p>29</p><p>O objetivo desta etapa consiste em abordar as principais declarações que</p><p>as pessoas jurídicas dos diversos regimes tributários estão obrigadas. Ressalta-</p><p>se também, a existência outras declarações específicas para o ramo de</p><p>atividade, tais como a DMED (Declaração de Serviços Médicos e de Saúde), a</p><p>DIMOB (declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias) e, outras</p><p>declarações para situações específicas, como o caso da PerDcomp (Pedido</p><p>Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação).</p><p>A omissão ou a incorreção no preenchimento das declarações</p><p>citadas neste tópico e as demais previstas na legislação, geram penalidades</p><p>(normalmente multas) às pessoas jurídicas.</p><p>3.3 Declarações trabalhistas</p><p>Além das declarações fiscais, econômicas e tributárias, as organizações</p><p>precisam enviar informações relativas aos eventos trabalhistas e previdenciários.</p><p>Integrando os eventos sociais e trabalhistas do Sistema SPED, a declaração</p><p>mais importante neste segmento é o e-Social.</p><p>O e-Social (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais,</p><p>Previdenciárias e Trabalhistas) é o novo canal de comunicação dos</p><p>empregadores com o governo, com vistas a unificar as informações dos</p><p>trabalhadores, concentrando em um banco de dados único os cadastros,</p><p>vínculos, remunerações, contribuições, folha de pagamento, comunicados de</p><p>afastamentos, avisos prévios, escriturações fiscais e o FGTS (Brasil, 2022).</p><p>O envio dessa obrigação acessória se dá de forma eletrônica direto no</p><p>portal do e-Social, no site disponível em: <https://www.gov.br/esocial/pt-br>.</p><p>Acesso em: 28 set. 2022.</p><p>• Periodicidade: Mensal</p><p>• Prazo de envio: até dia 15 do mês seguinte (mensal) e até dia 20/12</p><p>(13º salário).</p><p>Importante pontuar que com a implementação do e-social, várias</p><p>declarações trabalhistas, antes enviadas aos respectivos órgãos normativos</p><p>subordinados, foram substituídas, conforme disciplinado na Portaria n.1.195, de</p><p>30 de outubro de 2019, da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho:</p><p>• CAGED - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Portaria</p><p>SEPRT n.1.127 a partir de janeiro/2020);</p><p>30</p><p>• LRE - Livro de Registro de Empregados (para os que optarem pelo</p><p>registro eletrônico);</p><p>• CTPS - Carteira de Trabalho e Previdência Social.</p><p>• RAIS - Relação Anual de Informações Sociais (a partir do ano base 2019);</p><p>• GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência</p><p>Social (em relação às Contribuições Previdenciárias);</p><p>• GPS - Guia da Previdência Social.</p><p>Isto posto, a implantação do e-Social ocorreu em fases, conforme consta</p><p>no cronograma da Figura 11. A última fase está prevista para janeiro de 2023,</p><p>com a integração dos eventos SST (referente à saúde e à segurança do</p><p>trabalhador) do grupo 4 – Órgãos Públicos e organizações internacionais.</p><p>Figura 11 – Cronograma do E-social</p><p>Fonte: Brasil, 2022.</p><p>Além do e-Social, tem-se ainda a DIRF (Declaração do Imposto de</p><p>Renda Retido na Fonte), que é uma obrigação tributária utilizada para informar</p><p>à Receita Federal a respeito das retenções de Imposto de Renda na Fonte, de</p><p>maneira detalhada, abordando os rendimentos pagos mensalmente, bem como</p><p>31</p><p>a sua natureza e, os impostos deduzidos. Estão obrigadas à sua entrega, todas</p><p>as pessoas jurídicas, independente da forma de tributação e, também</p><p>as</p><p>pessoas físicas que realizaram retenção do imposto de renda no ano calendário</p><p>objeto da declaração. Sua geração e transmissão é realizada por meio do PGD</p><p>DIRF (Programa Gerador da DIRF) (RFB, 2019).</p><p>• Periodicidade: anual.</p><p>• Prazo de envio: até o último dia útil do mês de fevereiro do ano</p><p>subsequente ao que se refere a declaração (RFB, 2019).</p><p>A Instrução normativa da Receita Federal de n.2.096/2022 determina que</p><p>as informações enviadas pela DIRF serão naturalmente substituídas pelas</p><p>informações enviadas por meio do e-Social e EFD-REINF a partir de janeiro de</p><p>2024. Isto posto, as informações referentes aos anos calendários, 2022 e 2023</p><p>serão enviados normalmente.</p><p>TEMA 4 – PRINCIPAIS DECLARAÇÕES ESTADUAIS E MUNICIPAIS DAS</p><p>PESSOAS JURÍDICAS</p><p>Em âmbito estadual, os contribuintes também precisar atender aos</p><p>dispositivos que estabelecem obrigações acessórias e declarações.</p><p>4.1 DESTDA</p><p>A Declaração de Substituição Tributária, Diferencial de Alíquota e</p><p>Antecipação (DESTDA) instituída pela Ajuste SINIEF n. 12/2015, como o</p><p>próprio nome sugere, é uma declaração em que são informados os valores de</p><p>ICMS Substituição Tributária retido, ICMS recolhido de forma antecipada e o</p><p>ICMS diferencial de alíquotas. É obrigatória aos contribuintes de ICMS e</p><p>optantes pelo regime de tributação do Simples Nacional, com exceção dos</p><p>Microempreendedores Individuais e optantes do Simples Nacional vedados de</p><p>recolher ICMS nesse regime, devido ter ultrapassado o sublimite estadual.</p><p>As pessoas jurídicas, optantes por este regime de tributação (Simples</p><p>Nacional) e que não sejam contribuintes do ICMS, ou seja, estabelecimentos</p><p>exclusivamente prestadores dos serviços previstos na LC n. 116/2003, estão</p><p>dispensados dessa obrigatoriedade, por não apurarem e recolherem o ICMS.</p><p>32</p><p>É uma obrigação acessória estabelecida nacionalmente, todavia, como se</p><p>refere ao imposto ICMS, que é de competência estadual, os Estados podem</p><p>elaborar legislações com obrigatoriedades ou dispensas. Por isso, é fundamental</p><p>que sempre seja observado a legislação do estado sede da empresa, para</p><p>conhecer as particularidades que o contribuinte está obrigado.</p><p>• Periodicidade: mensal.</p><p>• Prazo de envio: até o dia 28 do mês subsequente ao que se refere a</p><p>declaração.</p><p>Para seu preenchimento é utilizado o programa SEDIF, que gera o</p><p>arquivo para transmissão pelo TED (Transmissor Eletrônico de Documentos).</p><p>4.2 Outras declarações estaduais</p><p>Além da DESTDA, os Estados podem estabelecer outras</p><p>obrigatoriedades aos seus contribuintes, pessoas jurídicas e produtores rurais</p><p>pessoas físicas.</p><p>A Escrituração Fiscal Digital do ICMS e IPI (EFD ICMS IPI) já abordada</p><p>no item 3.1, é uma declaração que pertence ao Sistema Público de Escrituração</p><p>Digital. É obrigatória aos contribuintes desses dois impostos: ICMS e IPI. Os</p><p>contribuintes devem observar o que prevê a legislação do seu estado para saber</p><p>a respeito de sua obrigatoriedade e outras condições de seu preenchimento e</p><p>transmissão. Destaca-se que os produtores rurais pessoa física, também podem</p><p>estar obrigados à essa declaração, conforme definir seu estado, por ser um</p><p>contribuinte do ICMS.</p><p>Outra obrigação acessória existente é a GIA ICMS (Guia de Informação</p><p>e Apuração do ICMS), que consiste em uma declaração destinada a</p><p>escrituração da apuração do ICMS, em que o contribuinte declara os valores de</p><p>suas movimentações fiscais de entradas e saídas, os valores referentes ao</p><p>ICMS, creditado, debitado e devido e, ainda os benefícios obtidos. Os Estados</p><p>que utilizam essa declaração disponibilizam o programa para seu preenchimento</p><p>e geração do arquivo a ser transmitido. Destaca-se que em muitos Estados</p><p>essa obrigatoriedade foi substituída pelo EFD ICMS IPI em situações</p><p>específicas e, em alguns casos, ainda se utilizam dessa declaração, sendo</p><p>necessário conhecer a legislação estadual para obter informações sobre</p><p>obrigatoriedade e prazos de envio.</p><p>33</p><p>Outra declaração comum é o Sintegra (Sistema Integrado de</p><p>Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços),</p><p>que abrange informações de operações de entradas e saídas internas,</p><p>interestaduais e internacionais realizadas pelos contribuintes do ICMS. Sua</p><p>geração deverá ocorrer pelo sistema informatizado de registro e escrituração dos</p><p>próprios contribuintes que realizarão a validação desse arquivo por meio de um</p><p>validador e, para sua transmissão é utilizado o TED (Transmissor Eletrônico de</p><p>Documentos). Os governos disponibilizam apenas o validador e o TED. Podem</p><p>estar obrigadas à essa declaração, os contribuintes do ICMS pessoa jurídica e</p><p>pessoa física, sendo necessário conhecer a legislação do Estado sede para</p><p>obter informações sobre obrigatoriedade e prazos de envio.</p><p>O Sintegra e a GIA ICMS foram declarações criadas e utilizadas pelos</p><p>Estados muito antes do surgimento da EFD, ICMS, IPI e, em muitos casos, esta</p><p>última já substituiu as duas primeiras, entretanto, ainda é comum sua utilização.</p><p>4.3 Declarações municipais</p><p>Enquanto contribuintes municipais, as pessoas jurídicas terão obrigações</p><p>a cumprir junto ao seu município sede. Umas das obrigações principais que</p><p>abordamos anteriormente é a obtenção da inscrição municipal e do Alvará</p><p>Municipal. Para os prestadores de serviços tributados pelo ISSQN, os municípios</p><p>podem estabelecer obrigações acessórias relacionadas a apuração e</p><p>recolhimento deste imposto, que já utiliza a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica</p><p>(NFS-e) normalmente, a apuração do ISSQN já ocorre eletronicamente também,</p><p>no mesmo sistema utilizado para a emissão da nota fiscal.</p><p>Também é fundamental aos contribuintes conhecerem a legislação</p><p>municipal, para ter maior clareza quanto as obrigações que estão obrigados.</p><p>TEMA 5 – PRINCIPAIS DECLARAÇÕES DO PRODUTOR RURAL PESSOA</p><p>FÍSICA</p><p>A participação dos produtores rurais pessoa física na economia brasileira</p><p>é bastante significativa e, nos mais variados portes, desde agricultura familiar,</p><p>micro produtor à grandes produtores que até exportam sua produção. Devido ao</p><p>volume de sua movimentação, estes contribuintes possuem obrigações</p><p>acessórias específicas.</p><p>34</p><p>5.1 CAEPF</p><p>Antes de abordarmos as declarações, precisamos abordar o CAEPF</p><p>(Cadastro de Atividade Econômica da Pessoa Física), obrigatória a todas as</p><p>pessoas físicas que desenvolvem atividades econômicas de maneira autônoma.</p><p>O produtor rural, quando exerce sua atividade sem constituir pessoa jurídica, se</p><p>enquadra como pessoa física autônoma e contribuinte individual/especial do</p><p>INSS, estando assim, obrigado a realizar esse cadastro que passou a ser exigido</p><p>a partir de janeiro de 2019 (RFB, 2019).</p><p>O CAEPF é administrado pela Receita Federal do Brasil e reúne</p><p>informações das atividades econômicas que são desenvolvidas pela pessoa</p><p>física. É um cadastro simples de ser realizado que substitui a matrícula CEI</p><p>(Cadastro Específico do INSS) e é fundamental para o cumprimento de</p><p>obrigações acessórias como e-Social, nas operações realizadas que envolvam</p><p>estes contribuintes individuais (RFB, 2019).</p><p>É importante destacar que o CAEPF também será utilizado para</p><p>acompanhar as contribuições previdenciárias destes contribuintes e, no caso do</p><p>produtor rural, o Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), que a</p><p>partir de 2019 poderá ser incidente sobre a receita bruta da comercialização da</p><p>produção rural ou sobre a folha de pagamento do empregador rural (RFB, 2019).</p><p>5.2 DIRPF</p><p>A DIRPF (Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da</p><p>Pessoa Física) é a declaração obrigatória anualmente aos contribuintes pessoa</p><p>física do Imposto de Renda e o produtor rural na condição de pessoa física que</p><p>exerce atividade econômica também precisa cumprir essa obrigação.</p><p>A apuração da tributação sobre a renda gerada nas atividades rurais da</p><p>pessoa física ocorrerá na DIRPF. Essa declaração possui uma ficha específica</p><p>para o detalhamento</p><p>das atividades rurais desenvolvidas e sua tributação</p><p>poderá ocorrer de duas formas: sobre o resultado obtido no período ou no</p><p>limite de 20% da receita bruta auferida. O contribuinte poderá optar pela</p><p>opção mais vantajosa e efetuará a opção no próprio programa durante o</p><p>preenchimento da mesma e o imposto apurado deverá ser recolhido. (RFB,</p><p>2019).</p><p>35</p><p>Exclusivamente para a atividade rural, somente estão obrigados a DIRPF</p><p>os produtores rurais que ultrapassarem o limite da receita bruta isenta. Esse</p><p>limite é estabelecido anualmente pela Receita Federal e existem outras</p><p>condições que possam tornar obrigatória a entrega dessa declaração, sendo</p><p>responsabilidade do contribuinte conferir se atende algum requisito da</p><p>obrigatoriedade e, caso contrário, estará dispensado da mesma (RFB, 2019).</p><p>Aliada à DIRPF tem-se a obrigatoriedade da escrituração em Livro Caixa</p><p>para aqueles contribuintes que apresentarem a DIRPF e obtiverem receita bruta</p><p>na atividade rural superior a R$56.000,00 (cinquenta e seis mil reais). Estes</p><p>contribuintes deverão efetuar o registro em Livro Caixa por meio de sistema de</p><p>processamento eletrônico de dados numerados sequencialmente, contendo os</p><p>termos de abertura e encerramento (RFB, 2019).</p><p>Para melhorar o monitoramento e fiscalização da tributação das</p><p>atividades rurais, a Receita Federal implantou o LCDPR (Livro Caixa Digital do</p><p>Produtor Rural), obrigatório a partir do ano calendário de 2019 para os</p><p>produtores rurais que obtiverem receita bruta superior a R$3.600.000,00 (três</p><p>milhões e seiscentos mil reais), devendo ser preenchido mensalmente e será</p><p>entregue no mesmo período de entrega da DIRPF do mesmo exercício. O</p><p>contribuinte utilizará sistema de processamento de dados próprio para efetuar</p><p>esse registro e fará sua transmissão ao governo por meio do Portal E-CAC</p><p>(Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte), validando juridicamente esse</p><p>arquivo com certificação digital (RFB, 2019).</p><p>A DIRPF é de periodicidade anual, abrangendo a apuração de um ano</p><p>calendário normal (de 01 de janeiro a 31 de dezembro) e, o seu prazo de entrega</p><p>é de março até o último dia útil do mês de abril do ano subsequente ao que se</p><p>refere a declaração. A não entrega no prazo ou a entrega com incorreções gera</p><p>penalidade (multa) (RFB, 2019).</p><p>5.3 DITR</p><p>A DITR (Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural)</p><p>é uma obrigação aplicada aos proprietários, titulares de domínio útil, que</p><p>contenham a posse ou usufruto de imóveis rurais, podendo ser pessoa física ou</p><p>pessoa jurídica. Nessa declaração ocorre a apuração do imposto sobre a</p><p>propriedade territorial rural. Deve ser entregue anualmente, no prazo definido</p><p>pela Receita Federal, que normalmente é entre em meados de agosto até o</p><p>36</p><p>último dia útil do mês de setembro do mesmo ano calendário de apuração do</p><p>imposto (RFB, 2019).</p><p>Nesta declaração serão informados os dados da utilização do imóvel</p><p>abrangendo áreas produtivas, não produtivas, não utilizadas e reservas</p><p>ambientais, bem como os valores das benfeitorias realizadas. Em alguns casos</p><p>é exigido maior detalhamento da atividade exercida, seja agrícola, pecuária ou</p><p>extrativa (RFB, 2019).</p><p>Na apuração do imposto é considerado o percentual de utilização da área</p><p>e o valor da terra nua (terra sem benfeitorias). Para apuração do valor da terra</p><p>nua deve-se observar os valores estabelecidos pela Prefeitura Municipal, pois</p><p>trata-se de um imposto de competência dos municípios. Há também casos de</p><p>isenção e imunidade previstos na legislação e que deverão ser informados na</p><p>declaração para a não ocorrência de cobrança do imposto (RFB, 2019).</p><p>A não entrega da declaração no prazo ou a entrega com incorreções</p><p>ocasionará penalidades ao contribuinte. Alerta-se ainda que toda declaração</p><p>entregue ao governo poderá ser objeto de auditoria e, constatadas</p><p>irregularidades, os responsáveis serão penalizados.</p><p>É importante lembrarmos que o produtor rural pessoa física é um</p><p>contribuinte do ICMS e, além das obrigações citadas neste tópico, devem</p><p>observar a legislação do seu Estado, a fim de identificar as obrigações</p><p>acessórias que precisa cumprir, podendo estar obrigado ao EFD, ICMS, IPI, GIA,</p><p>Sintegra e outros. E, quando o produtor rural efetuar o registro dos seus</p><p>colaboradores se tornará um “empregador” que terá a obrigatoriedade de</p><p>cumprimento de obrigações acessórias trabalhistas e previdenciárias, citadas no</p><p>item 3.3 desta etapa.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Dos assuntos abordados nesta etapa, um dos mais complexos é a</p><p>aplicação dos códigos tributários, em especial os do ICMS. Nesse sentido, para</p><p>maior compreensão do tema, propõe-se que o(a) leitor(a) procure profissionais</p><p>que desenvolvam atividades no setor fiscal e que trabalhem com essa</p><p>codificação diariamente, tanto em empresas privadas ou em escritórios</p><p>prestadores de serviços contábeis, e conversem a respeito da utilização dos</p><p>códigos CST, ICMS e o CSOSN e quais critérios utilizam para a sua conversão</p><p>no momento da escrituração dos documentos fiscais de entradas. Caso não</p><p>37</p><p>conheça nenhum profissional que atua nisso, sugere-se que procure fóruns</p><p>sobre esse assunto na internet, o que também será útil e não ficará sem praticar</p><p>a atividade.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Para compreender um pouco mais sobre os documentos fiscais,</p><p>propomos que procure pelo menos três documentos fiscais, podendo ser</p><p>aqueles do dia a dia, seu, dos familiares e até de amigos e identifique:</p><p>• O CFOP utilizado;</p><p>• O NCM dos produtos e sua descrição;</p><p>• Códigos de Situação Tributária (CST).</p><p>Após identificar, pede-se que: I) pesquise na internet o significado do</p><p>código NCM utilizado, conferindo se é compatível com a descrição do produto</p><p>contido no documento fiscal; II) realize uma comparação das informações com o</p><p>conteúdo desta etapa e verifique se está de acordo com os dados utilizados.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta etapa abordamos tópicos bastante relevantes ao operacional das</p><p>empresas de todos os portes. Podemos perceber que a emissão dos</p><p>documentos fiscais é uma atividade repleta de complexidade devido às diversas</p><p>informações referentes à tributação dos produtos e a utilização de modo correto</p><p>dos códigos específicos. As declarações as quais estão sujeitas as pessoas</p><p>jurídicas e o produtor rural pessoa física não são poucas e exigem conhecimento</p><p>prévio e muita atenção dos profissionais responsáveis por seu preenchimento e</p><p>transmissão.</p><p>Destacamos também que sempre devem ser consultadas as legislações</p><p>municipais, estaduais e federais para que o contribuinte possa atender as</p><p>obrigações tributárias de maneira adequada.</p><p>38</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Lei Complementar Federal n.116, de 31 de julho de 2003. Dispõe</p><p>sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos</p><p>Municípios de do Distrito Federal e, dá outras providências. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp116.htm>. Acesso em: 27 set.</p><p>2022.</p><p>CONFAZ, 1970. Convênio S/N, de 15 de dezembro de 1970. Disponível em:</p><p><https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/ajustes/sinief/cvsn_70?utm_sour</p><p>ce=blog&utm_campaign=rc_blogpost>. Acesso em: 27 set. 2022.</p><p>INVEST & EXPORT BRASIL. (2019). Codificação de Produtos e Serviços</p><p>(NCM/NBS). Disponível em:</p><p><https://investexportbrasil.dpr.gov.br/ProdutosServicos/frmPesquisaProdutosSe</p><p>rvicosFull.aspx>. Acesso em: 27 set. 2022.</p><p>PORTAL DA NF-e. (2019). Nota Fiscal Eletrônica. Disponível em: <</p><p>http://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/principal.aspx>. Acesso em: 27 set. 2022.</p><p>PORTAL DO CT-e. (2019). Conhecimento de Transporte Eletrônico.</p><p>Disponível em: <http://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/principal.aspx>. Acesso</p><p>em: 27 set. 2022.</p><p>PORTAL DO EMPREENDEDOR. (2019). Portal do Empreendedor Individual</p><p>– MEI. Disponível em: < http://www.portaldoempreendedor.gov.br/>. Acesso em:</p><p>27 set. 2022.</p><p>PORTAL DO SIMPLES NACIONAL. (2019). Simples Nacional. Disponível</p><p>em:<http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/>.</p>