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Sistema Notarial 
e Registral 
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Tercius Zychan de Moraes
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
O Notário e o Registrador
• Quem são os Notários e os Registradores;
• Ata Notarial;
• Delegação do Notário e do Registrador;
• Das Incompatibilidades e dos Impedimentos 
dos Notários e Registradores;
• Expediente das Serventias.
• Entender quem são os Agentes delegados que podem exercer, de modo privado, os Servi-
ços Públicos extrajudiciais nas Serventias;
• Apreciar o que vem a ser uma Ata Notarial e sua distinção com relação às Escrituras Públicas;
• Veremos as questões afetas às incompatibilidades e aos impedimentos para o exercício 
das atividades delegadas nas Serventias, bem como os dias e horários que elas devem 
fi car à disposição dos interessados.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
O Notário e o Registrador
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE O Notário e o Registrador
Quem são os Notários e os Registradores
Com relação às Serventias tratadas na Constituição Federal, em seu Artigo 236, 
cujas atividades são reguladas pela Lei n. 8.935, de 18 de novembro de 1994, 
denominada “Lei dos Serviços Notariais e de Cartório”, ou “Lei dos Cartórios”, tra-
taremos, nesta aula, da questão que envolve os agentes delegados que respondem 
por elas, ou seja, os Notários e os Registradores.
Como foi atribuída a designação de Notário ou Registrador, segundo nosso Sis-
tema Jurídico?
Em uma breve resposta, pode-se afirmar que o Legislador atribuiu a cada um des-
ses Agentes delegados uma série de competências, em razão dos serviços prestados.
Assim, em razão do objeto dos serviços, a Norma distribuiu as competências em 
que se enquadram os Notários e os Registradores.
Tanto os Serviços Notariais quanto os Registrais, segundo a Legislação em vigor, 
são dotados de objetividade jurídica, que configura um propósito muito comum, 
o qual é plenamente perceptível ao observarmos o disposto no Artigo 1º da Lei 
n. 8.935/94:
Art. 1º Serviços notoriais e de registro são os de organizaçãp técnica e 
administrativa destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segu-
rança e eficácia dos atos jurídicos.
As denominações atuais dadas aos Agentes delegados são completamente dife-
rentes pela qual eles são conhecidos popularmente.
Esses dois sujeitos exercem atividades cuja relevância é fundamental, já que os 
Serviços Públicos que prestam possuem natureza extrajudicial e de cunho social.
Desse modo, o Notário é o popularmente tratado como “Tabelião”; já no que 
concerne o Registrador, ele é chamado de “Oficial de Registro”.
Uma questão importante, antes de prosseguirmos, é identificar que tanto os No-
tários quanto os Registradores são particulares, profissionais do Direito que atuam 
por delegação, como trata o Artigo 3º da Lei nº 8935/94:
Art. 3º Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são pro-
fissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício 
da atividade notorial e de registro.
Com relação ao que vem a ser delegação, apreciemos as palavras de Marçal Justen 
Filho, que nos oferece uma visão muito precisa sobre esse instituto do Direito:
Não se trata de transferir a competência propriamente dita (o que não é 
juridicamente possível), mas atribuir a um sujeito privado o exercício de 
poderes específicos e determinados. Essa categoria abrange a concessão 
de serviço público [...]. (JUSTEN FILHO, 2018, E-book, cap. 8)
8
9
No que concerne à delegação dos Serviços Públicos Notariais e Registrais, é re-
levante reconhecermos que possuem características próprias, definidas a partir de 
nossa Constituição, em seu Artigo 236, em que se destaca a natureza privada da 
delegação, bem como a realização de Concurso Público, preceito necessário para 
que ela ocorra:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter 
privado, por delegação do Poder Público. 
(...)
§ 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso 
público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia 
fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por 
mais de seis meses.
 Pode-se afirmar que os Notários e Registradores atuam em nome próprio, mas 
se submetem ao Princípio da Legalidade, ou seja, devem reverência aos comandos 
impositivos da Norma, assim como qualquer integrante da Administração Pública, 
situação diferente a de um particular, que pode fazer tudo que a Lei não o proíba, 
ou seja, quem é oriundo da Administração somente deverá atuar pautado no estrito 
cumprimento da Norma Jurídica que disciplina sua atividade e conduta.
Na condição de Agentes delegados, mas prestadores de Serviços Públicos cuja 
natureza é de alta relevância social, o Artigo 236 da Constituição Federal de 1988 
trata, ainda, da Responsabilidade Civil e Criminal dos Notários e dos Registradores, 
bem como atribuiu ao Poder Judiciário a competência de fiscalização das atividades 
desempenhadas nas Serventias (Cartórios).
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter 
privado, por delegação do Poder Público. 
§ 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e cri-
minal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá 
a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.
Com relação à qualidade de agente delegado do Poder Público, apreciemos tre-
cho do julgamento de Recurso Extraordinário, em sede de repercussão geral, que 
reconhece a natureza de “Agente Público Delegado” dos Notários e Registradores:
[...] consoante expressa determinação constitucional, o ingresso na ati-
vidade notarial e de registro depende de concurso público, e os atos de 
seus agentes estão sujeitos à fiscalização estatal (CF/1988, art. 236). Se-
gundo o ministro Fux, não obstante os serviços notariais e de registro 
sejam exercidos em caráter privado, por delegação do poder público, a 
responsabilidade civil desses agentes públicos está disciplinada, de forma 
expressa, em norma de eficácia limitada, na qual definida a competên-
cia do legislador ordinário para regular a matéria (CF/1988, art. 236, 
§ 1º) [...]. (RECURSO EXTRAORDINÁRIOnº RE 842846 -SC – Relator 
Ministro Luiz Fux)
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UNIDADE O Notário e o Registrador
É importante, tanto por parte da Doutrina quanto da Jurisprudência, o reconhe-
cimento da condição de Agente Público por Delegação aos responsáveis pelas Ser-
ventias, vez que essa condição reflete no emprego de diversos institutos do Direito.
No campo da Doutrina, a esse respeito, Maria Sylvia Zanella Di Pietro é uma 
excelente referência: “[...] agente público é toda pessoa física que presta serviços ao 
Estado e às pessoas jurídicas da administração pública indireta (DI PIETRO, 2008, 
p. 485)”.
Quanto ao tema, é importante dar destaque ao que dispõe o já referenciado Ar-
tigo 3º da Lei nº 8935/94, ao abordar que os Notários e os Registradores são, no 
exercício de sua atividade delegada, dotados de boa-fé.
No tocante a essa “boa-fé”, pode-se dizer que ela é fundamental para o que se 
pretende com o exercício das atividades delegadas, ou seja, promover segurança 
jurídica dos atos praticados, dando a eles um relevante valor social.
Quanto ao que vem a ser essa nominada “fé-pública”, busquemos seu entendi-
mento, de modo preciso.
Ao falarmos de “fé”, podemos adotar o sentido de que estamos acreditando em 
algo que é verdadeiro, e agir na conformidade dessa certeza. Quando associamos 
a essa palavra a adjetivação “pública”, agregamos o entendimento de que existe 
uma presunção de veracidade dos atos que são oriundos do Poder Público, sendo 
permitida a discordância. Entretanto, caberá o “ônus da prova”, a quem desperta 
a alegação. 
Diante desse entendimento, podemos afirmar que “fé-pública” se trata da crença 
de veracidade que um ato oriundo do Poder Público possui, ainda que seja originá-
rio de um particular agindo por delegação.
Complementemos esse entendimento com o que assevera Claudio Martins, ao 
tratar da “fé-pública” dos Notários:
[...] a fé pública atribuída pela lei aos atos praticados pelo notário não 
desvirtua a essência do instituto notarial, mas, antes, empresta-lhe maior 
conteúdo de garantia e segurança, para que a lei da vontade ou do con-
trato ampare e respalde o interesse social que se tem em mira resguardar. 
(MARTINS, 1974, p. 91)
Com relação aos Notários, parte de sua atividade é materializada pela denomi-
nada “Ata Notarial”, a qual descreve fatos relevantes para as partes, que também 
podem merecer destaque para o direito e que é elaborada em livro próprio.
Quanto aos Registradores, também chamados de Oficiais de Registro, eles têm 
a delegação estatal para constituir e declarar que determinados Fatos jurídicos rele-
vantes têm por origem certos Atos jurídicos elevados à condição da verdade, sendo 
certificados em Escrituras Públicas ou em qualquer instrumento particular.
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Ata Notarial
Como dito, a “Ata Notarial” é o meio pelo qual o Notário materializa o exercício 
de suas atividades, dando a esse instrumento a reconhecida legalidade e fé-pública.
 A elaboração da Ata fica por conta do Agente delegado, o Notário, também 
chamado de Tabelião, podendo, mediante acompanhamento dele, delegar a um 
Preposto, ou seja, ao Escrevente, a possibilidade de redigir tal documento.
 Na Ata Notarial, constam as manifestações de uma pessoa capaz, nos termos 
da Lei Civil, tendo esta por escopo descrever de maneira fiel os fatos, as coisas e 
as situações de interesse ao direito, tal como o estado das pessoas, fazendo prova 
para dar reconhecimento de sua existência.
Com relação à Ata Notarial, apreciemos as palavras de João Theodoro Silva, ao 
conceituá-la:
Ata notorial trata-se de uma das espécies do gênero instrumento público 
notorial, por cujo meio o tabelião de notas acolhe e relata, na forma legal 
adequada, fato ou fatos jurídicos que ele vê e ouve com seus próprios sen-
tidos, quer sejam fatos naturais quer sejam fatos humanos, esses últimos 
desde que não constituam negócio jurídico. (SILVA, 2010, p. 33)
O Código de Processo Civil, de 2015, tratou da Ata Notarial, deliberando sobre 
ela em seu Capítulo XXII, ao tratar “das provas”, mais precisamente na Seção de 
número III, cujo título é “Da Ata Notarial”.
Art. 384. A eistência e o modo de existir de algum fato podem ser ates-
tados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ara 
lavrada por tabelião.
Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som gravados em 
arquivos eletrônicos poderão constar da ata notorial.
Ainda com relação à At a Notarial, podemos inferir que, estando ela dotada 
de “fé-pública”, terá força de prova, podendo ser postulada em uma eventual 
demanda judicial.
Art. 405 do CPC. O documento públivo faz prova não só da sua for-
mação, mas também dos fatos que o escrivão., o chefe de secretaria, o 
tabelião ou o servidor declarar que ocorrem rm sua presença.
Nosso Código Civil de 2002, em seus Artigos 215 e 217, reconhece como ele-
mento de prova espécies documentais que são elaboradas mediante escrituração 
em Ato Notarial e, especificamente, no Artigo 217, reconhece, da mesma forma, 
as Certidões oriundas dos Registros Públicos:
Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento 
dotado de fé pública, fazendo prova plena.
11
UNIDADE O Notário e o Registrador
(...)
Art. 217. Terão a mesma força probante os traslados e as certidões, ex-
traídos por tabelião ou oficial de registro, de instrumentos ou documentos 
lançados em suas notas.
Há elementos indispensáveis, que devem ser consignados em uma Ata Notarial, 
a saber:
• Qualificação da pessoa que solicita (pessoas físicas capazes e incapazes maio-
res de dezesseis, procuradores e pessoas jurídicas);
• Comprovação da condição, a data e hora precisas da verificação dos fatos;
• O local da ocorrência dos fatos ou da constatação;
• A descrição do fato a ser descrito ou presenciado (objeto) que pode ser carac-
terizado como lícito ou ilícito, físico, eletrônico e sensorial e a finalidade do 
procedimento (intenção do solicitante);
• O notário ou seu preposto na redação do documento devem ser imparciais, 
descrevendo de maneira clara, concisa e coerente as informações transcritas 
na Ata Notorial.
Vejamos, alguns exemplos de Atas Notariais:
• Ata Notorial de Presença e Declaração;
• Ata Notorial de Verificação de Fatos na Rede de Comunicação de Computa-
dores na Internet;
• Ata Notorial de Verificação de Fatos em Diligência;
• Ata Notorial de Comparecimento e Ausência de Outrem;
• Ata Notorial de Notoriedade.
No tocante ao formalismo das Atas Notariais, a Lei n. 8.935/94 não indica 
nenhum rigor; somente devem ser seguidas as determinações quanto à forma de 
redação e de conservação dos Registros originais, podendo ser expedidas cópias, 
quando requeridas: 
Art. 6º Aos notários compete:
I - formalizar juridicamente a vontade das partes;
II - intervir nos atos e negócios jurídicos a que as partes devam ou quei-
ram dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redação ou redigindo 
os instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cópias 
fidedignas de seu conteúdo;
III - autenticar fatos.
Entretanto, vale frisar que existem estados de nossa Federação que acabam por 
estabelecer parâmetros a serem seguidos pelos Tabeliães quanto à redação das 
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Atas, bem como tratam de outras questões administrativas, como a conservação 
em arquivo dos Atos de Lavratura.
Uma questão importante com relação ao que estamos abordando e que merece 
esclarecimentos refere-se à diferenciação entre “Ata Notarial” e “Escritura Pública”.
Inicialmente, é imperioso reconhecer que tanto a Ata Notarial como a Escritura 
Pública têm um ponto tangente, ou seja, em comum, já que tanto uma quanto ou-
tra tem por escopo validar manifestações dos interessados, dando autenticidade a 
negócios ou atos relevantes para o Direito ou para as partes, ou seja, promove uma 
ligação entre particulares.
Diante do que já abordamos, podemos compreender que as Atas Notariais pro-
movem a transcrição em Livro Próprio dos fatos apresentados ao Notário, sendo 
que ele os transcreve na forma que os tenhaentendido.
Com essa explicação, podemos deduzir que a Ata Notarial promove a autentici-
dade de fatos trazidos ao Notarial, podendo estar recheados de qualquer espécie de 
vício que demonstre irregularidade do fato e que da Ata se faça constar.
Constatemos, nas palavras de Walter Ceneviva, essa qualidade da Ata Notarial: 
“[...] ata notarial é registro de ato ou fato solicitado ao tabelião de notas por interes-
sado, para que os transponha fielmente em palavras, indicando pessoas e ações 
que os caracterizam (CENEVIVA, 2002, p. 53).”
Com relação à Escritura Pública, podemos afirmar que ela tem por objetivo 
constituir um Ato ou Negócio jurídico entre as partes, o qual gera uma relação 
obrigacional.
O escopo da Ata Notarial é preservar fatos que podem se tornar relevantes para 
o Direito, dando a eles autenticidade por intermédio da transcrição do que for nar-
rado ao Notário pelas partes.
A competência do Tabelião para o Registro em Ata Notarial é a do domicílio da 
respectiva Serventia, não podendo atuar em local diverso a esse.
É permitido que os interessados de outras Comarcas possam optar por realizar 
as Atividades Notariais em Serventia de sua preferência. Desse modo, o Tabelião 
não poderá se deslocar, o que não ocorre com os interessados, que irão à Serventia 
de seu interesse.
Concernente à Escritura Pública, o Tabelião é o autor dela, sendo que as partes 
só o esclarecem quanto ao negócio que celebram.
Assim, o tabelião deverá, por intermédio da Ata concernente àquele Registro, 
indicar qual a qualificação legal a ser adotada, além da forma condizente com o ato.
Observe o Quadro a seguir, que procura dar a exata compreensão das diferenças 
relativas à Ata Notarial e à Escritura Pública:
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UNIDADE O Notário e o Registrador
Tabela 1 – Diferenças entre Ata Notorial e Escritura Pública
Ata Escritura
Assessoria notorial Assessoria notorial
Imparcialidade Imparcialidade
Fatos jurídicos Atos e negócios jurídicos
Autenticatória Constitutiva
Proteção de Direitos Relação jurídica
Desistência da assinatura da parte: o ato é completo Desistência da assinatura da parte: o ato fica incompleto
Sem juízo de valor ou opinião sobre os fatos Com juízo de valor sobre a legalidade
Pode descrever fatos que contenham ilícito Não pode descrever fatos que contenham ilícito
Fonte: FERREIRA; RODRIGUES, 2010, p. 114
Tanto a Ata Notarial quanto a Escritura são instrumentos de prova em juízo, 
demonstrando direitos ou reconhecendo obrigações.
Apreciemos um bom exemplo de uma Ata Notarial, que registra uma situação 
jurídica de grande relevância para o Direito.
Para tanto, vejamos alguns trechos de matéria jornalística veiculada pelo jornal O Estado de 
São Paulo, que aborda a realização de uma Ata em Cartório para dar autenticidade de uma 
União Estável, disponível em: http://bit.ly/2Ap5mNW
Ex
pl
or
Delegação do Notário e do Registrador
Embora já tenhamos tratado do tema em outra Unidade, nesta, faremos uma 
discussão mais ampla de como uma Pessoa Física pode obter a delegação estatal 
para o desempenho de uma atividade extrajudicial.
A atual Constituição de 1988 dispõe, em seu Artigo 236, que a delegação de Notário 
e do Registrador se dará por Concurso Público de provimento ou mediante remoção.
Por imposição legal, o candidato a uma vaga em determinada Serventia deverá 
participar de Concurso Público e preencher determinados requisitos.
Como Norma Regulamentadora do dispositivo Constitucional, a Lei n. 8.935/94 
destaca, em seu Artigo 14, os requisitos de que deve ser dotado um candidato que 
deseje participar de um Concurso Público para a prestação de Serviços Públicos, 
por Agente privado, mediante delegação:
Art. 14. A delegação para o exercício da atividade notarial e de registro 
depende dos seguintes requisitos:
I - habilitação em concurso público de provas e títulos;
II - nacionalidade brasileira;
III - capacidade civil;
14
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IV - quitação com as obrigações eleitorais e militares;
V - diploma de bacharel em direito;
VI - verificação de conduta condigna para o exercício da profissão.
Tais concursos são promovidos pelo Poder fiscalizador das atividades extraju-
diciais desenvolvidas pelas Serventias, ou seja, pelo Poder Judiciário, sendo que a 
Banca Examinadora será composta por um representante da Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – OAB, um do Ministério Público, de um Notário e de um Registrador.
Embora a Lei determine a condição de Bacharel em Direito, o mencionado 
dispositivo legal cria a possibilidade de concorrerem candidatos não Bacharéis em 
Direito, desde que preencham o requisito, comprovado, de ter, até a primeira data 
de publicação do Edital, no mínimo dez anos de exercício em atividade notarial, o 
que enquadra os prepostos dos Notários e dos Registradores, ou seja, os Escreven-
tes juramentados.
Uma outra possibilidade de concorrer a uma determinada Serventia, se dá por 
intermédio do instituto da remoção.
Dispõe a Lei n. 8.935/94, em seu Artigo 16, que as vagas em aberto nas Ser-
ventias deverão ser preenchidas, na seguinte conformidade, de maneira alternada:
• 2/3 – Concurso público de provas e títulos;
• 1/3 – Por meio de remoção, mediante concurso de títulos.
No tocante à remoção, a avaliação dos candidatos se dará por Concurso de Tí-
tulos, podendo participar somente Notários ou Registradores que detenham dois 
anos de atividade em suas Serventias, até a data de publicação do Edital do Concur-
so, o qual seguirá as regras impostas pelo respectivo Tribunal de Justiça, responsá-
vel por aquela Serventia.
O conceito legal do que vem a ser uma remoção, pode ser extraído do Artigo 36 
do Estatuto do Servidor Público da União, Lei nº 8112, de 11 de dezembro de 1990.
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, 
no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.
Por fim, os candidatos aprovados, serão classificados na forma decrescente, se-
gundo o critério de avaliação ao qual forma submetidos.
Das Incompatibilidades e dos 
Impedimentos dos Notários e Registradores
No capítulo V da Lei n. 8.935/94, encontramos as deliberações quanto à in-
compatibilidade e aos impedimentos para o exercício das Atividades Notariais e 
Registrais, mais precisamente, o tema é tratado entre os Artigos 25 a 27.
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UNIDADE O Notário e o Registrador
Com relação às incompatibilidades, elas são categóricas ao reconhecer que o 
exercício das Atividades Notariais e de Registradores, não podem ser prestadas em 
simultaneidade a:
• Advocacia;
• Acumulação de cargos, intermediação de serviços ou o de qualquer cargo, 
emprego ou função pública, ainda que em comissão.
Ao tratar de cargo eletivo, a incompatibilidade se dá a partir da diplomação 
nesse cargo.
Quanto à previsão da incompatibilidade relativa ao exercício da advocacia, refor-
ça essa condição o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, Lei n. 8,906, de 
4 de julho de 1994, no inciso IV de seu Artigo 28:
Art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as 
seguintes atividades:
(...)
IV - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente 
a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais 
e de registro;
Já, com relação aos impedimentos, eles estão previstos no Artigo 27 da Lei n, 
8.935/94, que restringe, em certas situações, o exercício das Atividades Notariais 
e Registrais.
Os impedimentos são de caráter pessoal, estando ligados a qualquer forma de in-
teresse que o agente delegado da Serventia possa ter, de forma direta ou de seu côn-
juge, bem como de seus parentes em linha reta ou colateral, consanguíneos ou afins.
Expediente das Serventias
O Artigo 4º da Lei n. 8.935/94 delibera com relação ao horário de funciona-
mento das Serventias, bem como trata de questões de excepcionalidade em que 
poderão atuar.
Inicialmente, apreciemos o caput do mencionado dispositivo:
Art. 4º Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo efi-
ciente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juízo competen-te, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público 
e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos.
Como podemos apurar, o horário de funcionamento normal de uma Serventia 
será definido pelo juízo competente, atendendo às características locais em que ela 
realiza as suas atividades.
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Com relação a isso, é importante que as Normas Judiciárias que tratam dessa 
questão produzam critérios uniformes e objetivos para determinar o horário de 
funcionamento em razão da demanda.
O mencionado dispositivo, além da questão afeta ao horário de atendimento, 
delibera, também, sobre certas características a serem observadas quanto ao lo-
cal em que os Serviços Públicos delegados serão prestados, devendo ser de fácil 
acesso, ou seja, em vias públicas dotadas de linhas de transporte coletivo, que 
permitam deslocamentos fáceis até a Serventia, e que possam atender ao maior 
número de interessados.
O Artigo 4º da Lei n. 8.935/94 determina que o atendimento mínimo ao públi-
co deve respeitar o limite mínimo de seis horas.
Art. 4º Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo efi-
ciente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juízo competen-
te, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público 
e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos.
(...)
§ 2º O atendimento ao público será, no mínimo, de seis horas diárias.
A norma indica a possibilidade de atendimento fora do horário delimitado, 
como, por exemplo, diante da necessidade de deslocamento de Tabelião para onde 
se encontre pessoa interessada, mas que, em virtude de enfermidade, não tenha 
condições de se deslocar até a Serventia.
Outro exemplo é quando existe a necessidade de se fazer um testamento em 
vida, de pessoa que se encontra em condições de extremo risco, estando impedida 
de se deslocar, e de registrar ato de última vontade.
Nessa situação hipotética, o Tabelião (Notário) se desloca até o local onde se 
encontra o interessado.
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UNIDADE O Notário e o Registrador
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Usucapião extrajudicial – desnecessidade da ata notarial de constatação em diligência externa
http://bit.ly/2ACo9pj
Validade dos atos praticados fora do horário de expediente pelas Serventias extrajudiciais do estado de São Paulo
http://bit.ly/2As0FTu
Constituição Federal de 1988
http://bit.ly/2LuEm7t
A alteração da titularidade dos Cartórios extrajudiciais e a responsabilidade trabalhista
http://bit.ly/2ACoNmJ
18
19
Referências
AMARAL, S. do. Falsidade Documental. São Paulo: Editora Revista dos Tribu-
nais, 1989.
ARAUJO, L. A. D.; NUNES JÚNIOR, V. S. Curso de Direito Constitucional. 
9.ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
BASTOS, C. R. Curso de Direito Constitucional. 2.ed. São Paulo: Saraiva. 2001.
BRASIL. Constituição da República Federativa do BRASIL, de 5 out. 1988. 
Senado Federal. Disponível em: .
_______. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em: 
.
_______. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. 
Disponível em: .
_______. Lei n. 6015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos. 
Disponível em: .
_______. Lei n. 8935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236 da 
Constituição Federal, dispondo sobre Serviços Notariais e de registro. Disponível 
em: .
CRETELLA JÚNIOR, J. Comentários à Constituição de 1988. Rio de Janeiro: 
Forense Universitária, 1993. v. IX.
JUSTEN FILHO, M. Curso de Direito Administrativo. 13.ed. São Paulo: Editora 
Revista dos Tribunais, 2018 (E-Book).
KELSEN, H. Teoria geral do direito e do Estado. 3.ed. Tradução de Luis Carlos 
Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
LINS, C. M. de A. A Atividade Notarial e de Registro. Companhia Mundial de 
Publicações, 2009. 
MARTINS, C. apud SANDER, T. A Atividade Notarial e sua Regulamentação. 
Disponível em