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Sistema Notarial e Registral Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Tercius Zychan de Moraes Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin O Notário e o Registrador • Quem são os Notários e os Registradores; • Ata Notarial; • Delegação do Notário e do Registrador; • Das Incompatibilidades e dos Impedimentos dos Notários e Registradores; • Expediente das Serventias. • Entender quem são os Agentes delegados que podem exercer, de modo privado, os Servi- ços Públicos extrajudiciais nas Serventias; • Apreciar o que vem a ser uma Ata Notarial e sua distinção com relação às Escrituras Públicas; • Veremos as questões afetas às incompatibilidades e aos impedimentos para o exercício das atividades delegadas nas Serventias, bem como os dias e horários que elas devem fi car à disposição dos interessados. OBJETIVOS DE APRENDIZADO O Notário e o Registrador Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE O Notário e o Registrador Quem são os Notários e os Registradores Com relação às Serventias tratadas na Constituição Federal, em seu Artigo 236, cujas atividades são reguladas pela Lei n. 8.935, de 18 de novembro de 1994, denominada “Lei dos Serviços Notariais e de Cartório”, ou “Lei dos Cartórios”, tra- taremos, nesta aula, da questão que envolve os agentes delegados que respondem por elas, ou seja, os Notários e os Registradores. Como foi atribuída a designação de Notário ou Registrador, segundo nosso Sis- tema Jurídico? Em uma breve resposta, pode-se afirmar que o Legislador atribuiu a cada um des- ses Agentes delegados uma série de competências, em razão dos serviços prestados. Assim, em razão do objeto dos serviços, a Norma distribuiu as competências em que se enquadram os Notários e os Registradores. Tanto os Serviços Notariais quanto os Registrais, segundo a Legislação em vigor, são dotados de objetividade jurídica, que configura um propósito muito comum, o qual é plenamente perceptível ao observarmos o disposto no Artigo 1º da Lei n. 8.935/94: Art. 1º Serviços notoriais e de registro são os de organizaçãp técnica e administrativa destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segu- rança e eficácia dos atos jurídicos. As denominações atuais dadas aos Agentes delegados são completamente dife- rentes pela qual eles são conhecidos popularmente. Esses dois sujeitos exercem atividades cuja relevância é fundamental, já que os Serviços Públicos que prestam possuem natureza extrajudicial e de cunho social. Desse modo, o Notário é o popularmente tratado como “Tabelião”; já no que concerne o Registrador, ele é chamado de “Oficial de Registro”. Uma questão importante, antes de prosseguirmos, é identificar que tanto os No- tários quanto os Registradores são particulares, profissionais do Direito que atuam por delegação, como trata o Artigo 3º da Lei nº 8935/94: Art. 3º Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são pro- fissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notorial e de registro. Com relação ao que vem a ser delegação, apreciemos as palavras de Marçal Justen Filho, que nos oferece uma visão muito precisa sobre esse instituto do Direito: Não se trata de transferir a competência propriamente dita (o que não é juridicamente possível), mas atribuir a um sujeito privado o exercício de poderes específicos e determinados. Essa categoria abrange a concessão de serviço público [...]. (JUSTEN FILHO, 2018, E-book, cap. 8) 8 9 No que concerne à delegação dos Serviços Públicos Notariais e Registrais, é re- levante reconhecermos que possuem características próprias, definidas a partir de nossa Constituição, em seu Artigo 236, em que se destaca a natureza privada da delegação, bem como a realização de Concurso Público, preceito necessário para que ela ocorra: Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. (...) § 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. Pode-se afirmar que os Notários e Registradores atuam em nome próprio, mas se submetem ao Princípio da Legalidade, ou seja, devem reverência aos comandos impositivos da Norma, assim como qualquer integrante da Administração Pública, situação diferente a de um particular, que pode fazer tudo que a Lei não o proíba, ou seja, quem é oriundo da Administração somente deverá atuar pautado no estrito cumprimento da Norma Jurídica que disciplina sua atividade e conduta. Na condição de Agentes delegados, mas prestadores de Serviços Públicos cuja natureza é de alta relevância social, o Artigo 236 da Constituição Federal de 1988 trata, ainda, da Responsabilidade Civil e Criminal dos Notários e dos Registradores, bem como atribuiu ao Poder Judiciário a competência de fiscalização das atividades desempenhadas nas Serventias (Cartórios). Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. § 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e cri- minal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário. Com relação à qualidade de agente delegado do Poder Público, apreciemos tre- cho do julgamento de Recurso Extraordinário, em sede de repercussão geral, que reconhece a natureza de “Agente Público Delegado” dos Notários e Registradores: [...] consoante expressa determinação constitucional, o ingresso na ati- vidade notarial e de registro depende de concurso público, e os atos de seus agentes estão sujeitos à fiscalização estatal (CF/1988, art. 236). Se- gundo o ministro Fux, não obstante os serviços notariais e de registro sejam exercidos em caráter privado, por delegação do poder público, a responsabilidade civil desses agentes públicos está disciplinada, de forma expressa, em norma de eficácia limitada, na qual definida a competên- cia do legislador ordinário para regular a matéria (CF/1988, art. 236, § 1º) [...]. (RECURSO EXTRAORDINÁRIOnº RE 842846 -SC – Relator Ministro Luiz Fux) 9 UNIDADE O Notário e o Registrador É importante, tanto por parte da Doutrina quanto da Jurisprudência, o reconhe- cimento da condição de Agente Público por Delegação aos responsáveis pelas Ser- ventias, vez que essa condição reflete no emprego de diversos institutos do Direito. No campo da Doutrina, a esse respeito, Maria Sylvia Zanella Di Pietro é uma excelente referência: “[...] agente público é toda pessoa física que presta serviços ao Estado e às pessoas jurídicas da administração pública indireta (DI PIETRO, 2008, p. 485)”. Quanto ao tema, é importante dar destaque ao que dispõe o já referenciado Ar- tigo 3º da Lei nº 8935/94, ao abordar que os Notários e os Registradores são, no exercício de sua atividade delegada, dotados de boa-fé. No tocante a essa “boa-fé”, pode-se dizer que ela é fundamental para o que se pretende com o exercício das atividades delegadas, ou seja, promover segurança jurídica dos atos praticados, dando a eles um relevante valor social. Quanto ao que vem a ser essa nominada “fé-pública”, busquemos seu entendi- mento, de modo preciso. Ao falarmos de “fé”, podemos adotar o sentido de que estamos acreditando em algo que é verdadeiro, e agir na conformidade dessa certeza. Quando associamos a essa palavra a adjetivação “pública”, agregamos o entendimento de que existe uma presunção de veracidade dos atos que são oriundos do Poder Público, sendo permitida a discordância. Entretanto, caberá o “ônus da prova”, a quem desperta a alegação. Diante desse entendimento, podemos afirmar que “fé-pública” se trata da crença de veracidade que um ato oriundo do Poder Público possui, ainda que seja originá- rio de um particular agindo por delegação. Complementemos esse entendimento com o que assevera Claudio Martins, ao tratar da “fé-pública” dos Notários: [...] a fé pública atribuída pela lei aos atos praticados pelo notário não desvirtua a essência do instituto notarial, mas, antes, empresta-lhe maior conteúdo de garantia e segurança, para que a lei da vontade ou do con- trato ampare e respalde o interesse social que se tem em mira resguardar. (MARTINS, 1974, p. 91) Com relação aos Notários, parte de sua atividade é materializada pela denomi- nada “Ata Notarial”, a qual descreve fatos relevantes para as partes, que também podem merecer destaque para o direito e que é elaborada em livro próprio. Quanto aos Registradores, também chamados de Oficiais de Registro, eles têm a delegação estatal para constituir e declarar que determinados Fatos jurídicos rele- vantes têm por origem certos Atos jurídicos elevados à condição da verdade, sendo certificados em Escrituras Públicas ou em qualquer instrumento particular. 10 11 Ata Notarial Como dito, a “Ata Notarial” é o meio pelo qual o Notário materializa o exercício de suas atividades, dando a esse instrumento a reconhecida legalidade e fé-pública. A elaboração da Ata fica por conta do Agente delegado, o Notário, também chamado de Tabelião, podendo, mediante acompanhamento dele, delegar a um Preposto, ou seja, ao Escrevente, a possibilidade de redigir tal documento. Na Ata Notarial, constam as manifestações de uma pessoa capaz, nos termos da Lei Civil, tendo esta por escopo descrever de maneira fiel os fatos, as coisas e as situações de interesse ao direito, tal como o estado das pessoas, fazendo prova para dar reconhecimento de sua existência. Com relação à Ata Notarial, apreciemos as palavras de João Theodoro Silva, ao conceituá-la: Ata notorial trata-se de uma das espécies do gênero instrumento público notorial, por cujo meio o tabelião de notas acolhe e relata, na forma legal adequada, fato ou fatos jurídicos que ele vê e ouve com seus próprios sen- tidos, quer sejam fatos naturais quer sejam fatos humanos, esses últimos desde que não constituam negócio jurídico. (SILVA, 2010, p. 33) O Código de Processo Civil, de 2015, tratou da Ata Notarial, deliberando sobre ela em seu Capítulo XXII, ao tratar “das provas”, mais precisamente na Seção de número III, cujo título é “Da Ata Notarial”. Art. 384. A eistência e o modo de existir de algum fato podem ser ates- tados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ara lavrada por tabelião. Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos poderão constar da ata notorial. Ainda com relação à At a Notarial, podemos inferir que, estando ela dotada de “fé-pública”, terá força de prova, podendo ser postulada em uma eventual demanda judicial. Art. 405 do CPC. O documento públivo faz prova não só da sua for- mação, mas também dos fatos que o escrivão., o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorrem rm sua presença. Nosso Código Civil de 2002, em seus Artigos 215 e 217, reconhece como ele- mento de prova espécies documentais que são elaboradas mediante escrituração em Ato Notarial e, especificamente, no Artigo 217, reconhece, da mesma forma, as Certidões oriundas dos Registros Públicos: Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. 11 UNIDADE O Notário e o Registrador (...) Art. 217. Terão a mesma força probante os traslados e as certidões, ex- traídos por tabelião ou oficial de registro, de instrumentos ou documentos lançados em suas notas. Há elementos indispensáveis, que devem ser consignados em uma Ata Notarial, a saber: • Qualificação da pessoa que solicita (pessoas físicas capazes e incapazes maio- res de dezesseis, procuradores e pessoas jurídicas); • Comprovação da condição, a data e hora precisas da verificação dos fatos; • O local da ocorrência dos fatos ou da constatação; • A descrição do fato a ser descrito ou presenciado (objeto) que pode ser carac- terizado como lícito ou ilícito, físico, eletrônico e sensorial e a finalidade do procedimento (intenção do solicitante); • O notário ou seu preposto na redação do documento devem ser imparciais, descrevendo de maneira clara, concisa e coerente as informações transcritas na Ata Notorial. Vejamos, alguns exemplos de Atas Notariais: • Ata Notorial de Presença e Declaração; • Ata Notorial de Verificação de Fatos na Rede de Comunicação de Computa- dores na Internet; • Ata Notorial de Verificação de Fatos em Diligência; • Ata Notorial de Comparecimento e Ausência de Outrem; • Ata Notorial de Notoriedade. No tocante ao formalismo das Atas Notariais, a Lei n. 8.935/94 não indica nenhum rigor; somente devem ser seguidas as determinações quanto à forma de redação e de conservação dos Registros originais, podendo ser expedidas cópias, quando requeridas: Art. 6º Aos notários compete: I - formalizar juridicamente a vontade das partes; II - intervir nos atos e negócios jurídicos a que as partes devam ou quei- ram dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redação ou redigindo os instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cópias fidedignas de seu conteúdo; III - autenticar fatos. Entretanto, vale frisar que existem estados de nossa Federação que acabam por estabelecer parâmetros a serem seguidos pelos Tabeliães quanto à redação das 12 13 Atas, bem como tratam de outras questões administrativas, como a conservação em arquivo dos Atos de Lavratura. Uma questão importante com relação ao que estamos abordando e que merece esclarecimentos refere-se à diferenciação entre “Ata Notarial” e “Escritura Pública”. Inicialmente, é imperioso reconhecer que tanto a Ata Notarial como a Escritura Pública têm um ponto tangente, ou seja, em comum, já que tanto uma quanto ou- tra tem por escopo validar manifestações dos interessados, dando autenticidade a negócios ou atos relevantes para o Direito ou para as partes, ou seja, promove uma ligação entre particulares. Diante do que já abordamos, podemos compreender que as Atas Notariais pro- movem a transcrição em Livro Próprio dos fatos apresentados ao Notário, sendo que ele os transcreve na forma que os tenhaentendido. Com essa explicação, podemos deduzir que a Ata Notarial promove a autentici- dade de fatos trazidos ao Notarial, podendo estar recheados de qualquer espécie de vício que demonstre irregularidade do fato e que da Ata se faça constar. Constatemos, nas palavras de Walter Ceneviva, essa qualidade da Ata Notarial: “[...] ata notarial é registro de ato ou fato solicitado ao tabelião de notas por interes- sado, para que os transponha fielmente em palavras, indicando pessoas e ações que os caracterizam (CENEVIVA, 2002, p. 53).” Com relação à Escritura Pública, podemos afirmar que ela tem por objetivo constituir um Ato ou Negócio jurídico entre as partes, o qual gera uma relação obrigacional. O escopo da Ata Notarial é preservar fatos que podem se tornar relevantes para o Direito, dando a eles autenticidade por intermédio da transcrição do que for nar- rado ao Notário pelas partes. A competência do Tabelião para o Registro em Ata Notarial é a do domicílio da respectiva Serventia, não podendo atuar em local diverso a esse. É permitido que os interessados de outras Comarcas possam optar por realizar as Atividades Notariais em Serventia de sua preferência. Desse modo, o Tabelião não poderá se deslocar, o que não ocorre com os interessados, que irão à Serventia de seu interesse. Concernente à Escritura Pública, o Tabelião é o autor dela, sendo que as partes só o esclarecem quanto ao negócio que celebram. Assim, o tabelião deverá, por intermédio da Ata concernente àquele Registro, indicar qual a qualificação legal a ser adotada, além da forma condizente com o ato. Observe o Quadro a seguir, que procura dar a exata compreensão das diferenças relativas à Ata Notarial e à Escritura Pública: 13 UNIDADE O Notário e o Registrador Tabela 1 – Diferenças entre Ata Notorial e Escritura Pública Ata Escritura Assessoria notorial Assessoria notorial Imparcialidade Imparcialidade Fatos jurídicos Atos e negócios jurídicos Autenticatória Constitutiva Proteção de Direitos Relação jurídica Desistência da assinatura da parte: o ato é completo Desistência da assinatura da parte: o ato fica incompleto Sem juízo de valor ou opinião sobre os fatos Com juízo de valor sobre a legalidade Pode descrever fatos que contenham ilícito Não pode descrever fatos que contenham ilícito Fonte: FERREIRA; RODRIGUES, 2010, p. 114 Tanto a Ata Notarial quanto a Escritura são instrumentos de prova em juízo, demonstrando direitos ou reconhecendo obrigações. Apreciemos um bom exemplo de uma Ata Notarial, que registra uma situação jurídica de grande relevância para o Direito. Para tanto, vejamos alguns trechos de matéria jornalística veiculada pelo jornal O Estado de São Paulo, que aborda a realização de uma Ata em Cartório para dar autenticidade de uma União Estável, disponível em: http://bit.ly/2Ap5mNW Ex pl or Delegação do Notário e do Registrador Embora já tenhamos tratado do tema em outra Unidade, nesta, faremos uma discussão mais ampla de como uma Pessoa Física pode obter a delegação estatal para o desempenho de uma atividade extrajudicial. A atual Constituição de 1988 dispõe, em seu Artigo 236, que a delegação de Notário e do Registrador se dará por Concurso Público de provimento ou mediante remoção. Por imposição legal, o candidato a uma vaga em determinada Serventia deverá participar de Concurso Público e preencher determinados requisitos. Como Norma Regulamentadora do dispositivo Constitucional, a Lei n. 8.935/94 destaca, em seu Artigo 14, os requisitos de que deve ser dotado um candidato que deseje participar de um Concurso Público para a prestação de Serviços Públicos, por Agente privado, mediante delegação: Art. 14. A delegação para o exercício da atividade notarial e de registro depende dos seguintes requisitos: I - habilitação em concurso público de provas e títulos; II - nacionalidade brasileira; III - capacidade civil; 14 15 IV - quitação com as obrigações eleitorais e militares; V - diploma de bacharel em direito; VI - verificação de conduta condigna para o exercício da profissão. Tais concursos são promovidos pelo Poder fiscalizador das atividades extraju- diciais desenvolvidas pelas Serventias, ou seja, pelo Poder Judiciário, sendo que a Banca Examinadora será composta por um representante da Ordem dos Advoga- dos do Brasil – OAB, um do Ministério Público, de um Notário e de um Registrador. Embora a Lei determine a condição de Bacharel em Direito, o mencionado dispositivo legal cria a possibilidade de concorrerem candidatos não Bacharéis em Direito, desde que preencham o requisito, comprovado, de ter, até a primeira data de publicação do Edital, no mínimo dez anos de exercício em atividade notarial, o que enquadra os prepostos dos Notários e dos Registradores, ou seja, os Escreven- tes juramentados. Uma outra possibilidade de concorrer a uma determinada Serventia, se dá por intermédio do instituto da remoção. Dispõe a Lei n. 8.935/94, em seu Artigo 16, que as vagas em aberto nas Ser- ventias deverão ser preenchidas, na seguinte conformidade, de maneira alternada: • 2/3 – Concurso público de provas e títulos; • 1/3 – Por meio de remoção, mediante concurso de títulos. No tocante à remoção, a avaliação dos candidatos se dará por Concurso de Tí- tulos, podendo participar somente Notários ou Registradores que detenham dois anos de atividade em suas Serventias, até a data de publicação do Edital do Concur- so, o qual seguirá as regras impostas pelo respectivo Tribunal de Justiça, responsá- vel por aquela Serventia. O conceito legal do que vem a ser uma remoção, pode ser extraído do Artigo 36 do Estatuto do Servidor Público da União, Lei nº 8112, de 11 de dezembro de 1990. Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede. Por fim, os candidatos aprovados, serão classificados na forma decrescente, se- gundo o critério de avaliação ao qual forma submetidos. Das Incompatibilidades e dos Impedimentos dos Notários e Registradores No capítulo V da Lei n. 8.935/94, encontramos as deliberações quanto à in- compatibilidade e aos impedimentos para o exercício das Atividades Notariais e Registrais, mais precisamente, o tema é tratado entre os Artigos 25 a 27. 15 UNIDADE O Notário e o Registrador Com relação às incompatibilidades, elas são categóricas ao reconhecer que o exercício das Atividades Notariais e de Registradores, não podem ser prestadas em simultaneidade a: • Advocacia; • Acumulação de cargos, intermediação de serviços ou o de qualquer cargo, emprego ou função pública, ainda que em comissão. Ao tratar de cargo eletivo, a incompatibilidade se dá a partir da diplomação nesse cargo. Quanto à previsão da incompatibilidade relativa ao exercício da advocacia, refor- ça essa condição o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, Lei n. 8,906, de 4 de julho de 1994, no inciso IV de seu Artigo 28: Art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades: (...) IV - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro; Já, com relação aos impedimentos, eles estão previstos no Artigo 27 da Lei n, 8.935/94, que restringe, em certas situações, o exercício das Atividades Notariais e Registrais. Os impedimentos são de caráter pessoal, estando ligados a qualquer forma de in- teresse que o agente delegado da Serventia possa ter, de forma direta ou de seu côn- juge, bem como de seus parentes em linha reta ou colateral, consanguíneos ou afins. Expediente das Serventias O Artigo 4º da Lei n. 8.935/94 delibera com relação ao horário de funciona- mento das Serventias, bem como trata de questões de excepcionalidade em que poderão atuar. Inicialmente, apreciemos o caput do mencionado dispositivo: Art. 4º Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo efi- ciente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juízo competen-te, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos. Como podemos apurar, o horário de funcionamento normal de uma Serventia será definido pelo juízo competente, atendendo às características locais em que ela realiza as suas atividades. 16 17 Com relação a isso, é importante que as Normas Judiciárias que tratam dessa questão produzam critérios uniformes e objetivos para determinar o horário de funcionamento em razão da demanda. O mencionado dispositivo, além da questão afeta ao horário de atendimento, delibera, também, sobre certas características a serem observadas quanto ao lo- cal em que os Serviços Públicos delegados serão prestados, devendo ser de fácil acesso, ou seja, em vias públicas dotadas de linhas de transporte coletivo, que permitam deslocamentos fáceis até a Serventia, e que possam atender ao maior número de interessados. O Artigo 4º da Lei n. 8.935/94 determina que o atendimento mínimo ao públi- co deve respeitar o limite mínimo de seis horas. Art. 4º Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo efi- ciente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juízo competen- te, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos. (...) § 2º O atendimento ao público será, no mínimo, de seis horas diárias. A norma indica a possibilidade de atendimento fora do horário delimitado, como, por exemplo, diante da necessidade de deslocamento de Tabelião para onde se encontre pessoa interessada, mas que, em virtude de enfermidade, não tenha condições de se deslocar até a Serventia. Outro exemplo é quando existe a necessidade de se fazer um testamento em vida, de pessoa que se encontra em condições de extremo risco, estando impedida de se deslocar, e de registrar ato de última vontade. Nessa situação hipotética, o Tabelião (Notário) se desloca até o local onde se encontra o interessado. 17 UNIDADE O Notário e o Registrador Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Leitura Usucapião extrajudicial – desnecessidade da ata notarial de constatação em diligência externa http://bit.ly/2ACo9pj Validade dos atos praticados fora do horário de expediente pelas Serventias extrajudiciais do estado de São Paulo http://bit.ly/2As0FTu Constituição Federal de 1988 http://bit.ly/2LuEm7t A alteração da titularidade dos Cartórios extrajudiciais e a responsabilidade trabalhista http://bit.ly/2ACoNmJ 18 19 Referências AMARAL, S. do. Falsidade Documental. São Paulo: Editora Revista dos Tribu- nais, 1989. ARAUJO, L. A. D.; NUNES JÚNIOR, V. S. Curso de Direito Constitucional. 9.ed. São Paulo: Saraiva, 2005. BASTOS, C. R. Curso de Direito Constitucional. 2.ed. São Paulo: Saraiva. 2001. BRASIL. Constituição da República Federativa do BRASIL, de 5 out. 1988. Senado Federal. Disponível em: . _______. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em: . _______. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Disponível em: . _______. Lei n. 6015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos. Disponível em: . _______. Lei n. 8935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236 da Constituição Federal, dispondo sobre Serviços Notariais e de registro. Disponível em: . CRETELLA JÚNIOR, J. Comentários à Constituição de 1988. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1993. v. IX. JUSTEN FILHO, M. Curso de Direito Administrativo. 13.ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2018 (E-Book). KELSEN, H. Teoria geral do direito e do Estado. 3.ed. Tradução de Luis Carlos Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2000. LINS, C. M. de A. A Atividade Notarial e de Registro. Companhia Mundial de Publicações, 2009. MARTINS, C. apud SANDER, T. A Atividade Notarial e sua Regulamentação. Disponível em