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Professor(a) Me. Stella Furlanetto de Mattos Cunha
SERVIÇOS 
REGISTRADORES
E NOTARIAIS
2024 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2024. Os autores. Copyright C Edição 2024 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
 DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
 DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
 DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
 DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
 COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
 COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Caroline da Silva Marques 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Louise Ribeiro 
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 Vinicius Rovedo Bratfisch
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Carlos Firmino de Oliveira
 Hugo Batalhoti Morangueira
 Giovane Jasper 
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 Thassiane da Silva Jacinto
 FICHA CATALOGRÁFICA
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
 C972s Cunha, Stella Furlanetto de Mattos
 Serviços registradores notariais / Stella Furlanetto de Mattos
 Cunha. Paranavaí: EduFatecie, 2024.
 103 p.: il. Color.
 ISBN n 978-65-87911-72-4
 1. Direito notarial e registral. 2. Direito - Brasil. I. Centro
 Universitário UniFatecie. II.Núcleo de Educação a Distância.
 III. Título. 
 
 CDD: 23. ed. 341.411
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas do banco de imagens 
Shutterstock .
WW
3
AUTORA
Professor(a) Me. Stella Furlanetto de Mattos Cunha
• Mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Título 
de mestre reconhecido no Brasil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). 
• Especialista em Direito e Processo do Trabalho (UNIDERP)
• MBA em Gestão Internacional Executiva pela Faculdade de Direito Damásio de 
Jesus.
• Advogada inscrita na OAB/PR sob o número 47.543.
• Bacharel em Direito (UEL). 
• Docente do curso de Direito da UniCesumar/Campus Londrina
• Professora de pós-graduação
• Assessora de Juiz de Direito Substituto do Foro Central da Comarca da Região 
Metropolitana de Londrina.
Ampla experiência na docência de ensino superior. Exerci a função de gestora por 6 
anos do Damásio Educacional em Apucarana (PR) e Arapongas (PR), o que me trouxe vasto 
conhecimento sobre concursos públicos e Exame da OAB. Como coordenadora do Curso 
de Direito desenvolvi um excelente trabalho na gestão do curso e sobretudo proporcionando 
aos alunos atividade extracurriculares das mais diversas modalidades, tais como: congressos 
jurídicos, juris simulados, visitas técnicas, aulas inaugurais, dentre outras. Como advogada exerci 
minhas atividades pautada na ética, respeitando meus deveres e prerrogativas profissionais.
Informações e contato:
 Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/4543383923754259 
Professor(a) Me.
Stella Furlanetto de
Mattos Cunha
http://lattes.cnpq.br/4543383923754259
4
APRESENTAÇÃO
Seja muito bem-vindo(a)!
Prezado(a) aluno(a), o primeiro passo foi dado! Você optou por estudar o conteúdo 
da disciplina Serviços Registradores e Notariais, com isso iniciaremos uma grande jornada 
que trilharemos juntos a partir de agora. Proponho, junto com você, construir nosso 
conhecimento sobre a natureza e finalidade dos serviços notariais e registrais, com análises 
das suas atribuições e competências, perpassando pelos direitos e deveres previstos na 
legislação, culminando com análise da responsabilidade civil e criminal.
Na Unidade I faremos um breve histórico e estudaremos os conceitos e definições 
de serviços notariais e de registros. Em seguida, aprenderemos sobre o ingresso nas 
atividades notariais e registrais e legislações que regem a atuação. Finalizaremos esta 
primeira etapa com o estudo dos princípios gerais e específicos que regem as atividades 
notariais e registrais. Essa noção é necessária para que possamos trabalhar a segunda 
unidade da apostila, que versará sobre as atribuições dos notários e registradores.
Na Unidade II serão abordados temas como conceitos e atribuições dos tabeliães 
de notas, o estudo das atribuições e competências dos tabeliães de registro de contratos 
marítimos e dos tabeliães de protesto de título e por derradeiro a análise das atribuições e 
competências dos oficiais de registro de distribuição e oficiais dos demais registros legais.
Já na Unidade III ingressaremos na matéria que identifica os prepostos, as 
incompatibilidades e impedimentos. Ultrapassada esta fase, o objeto de estudo será os 
direitos e deveres dos notários e dos oficiais de registro e, por fim, as infrações disciplinares 
e penalidades administrativas que os notários e oficiais de registros estão submetidos.
Para concluir, chegamos na linha final da nossa trajetória, a Unidade IV, e nos cabe 
estudar a responsabilidade civil e penal dos serventuários, inclusive analisando o Código 
Penal e a fiscalização dos serviços notariais e registrais pelo Poder Judiciário.
Aproveito para reforçar o convite a você, para juntos percorrermos esta jornada de 
conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abordados em nosso 
material. Espero contribuir para seu crescimento pessoal e profissional.
Estarei à disposição pelos meios digitais e físicos existentes. Fique à vontade para 
fazer uso dos canais de comunicação disponíveis, inclusive pelas redes sociais.
 
Muito obrigada e bons estudos!
5
SUMÁRIO
Responsabilidade civil e criminal dos 
notários e registrais
Direitos e deveres dos notários e registrais
Atribuições e competências 
Dos Serviços Notariais e de Registros 
Professor(a) Me. Stella Furlanetto de Mattos Cunha
DOS SERVIÇOS 
NOTARIAIS E 
DE REGISTROS 1UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
7
Plano de Estudos
• Breve histórico, conceitos e definições de serviços notariais e dedistância superior a trinta 
quilômetros do cartório, neste sentido prevê o art. 50 da Lei n.º 8.935 de 1994.
Em ordem de aplicação que deve fazer registro de nascimentos são: o pai e a 
mãe, diante da falta ou impedimento de um dos pais, o outro deverá fazê-lo no prazo de 45 
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
44
(quarenta e cinco) dias do nascimento. Se houver o impedimento de ambos, o parente mais 
próximo e que já tenha alcançado a maioridade ficará responsável por realizar a declaração 
de nascimento. Por fim, se a criança não tiver parentes ou estes estejam impedidos de 
realizar a declaração, os administradores de hospitais, médicos ou parteiras assumem esta 
responsabilidade. Ou ainda, o legislador também permite que a declaração seja feita por 
qualquer pessoa idônea da casa onde ocorreu o parto. 
Ao final, na ausência ou impossibilidade de todos os anteriores, determina que 
as pessoas encarregadas da guarda do menor se responsabilizem por sua declaração de 
nascimento, este é o teor do art. 52 da Lei n.º 8.935 de 1994.
A legislação autoriza àqueles que sejam menores de 21 anos e maiores de 18 anos 
a requererem o próprio registro de nascimento, caso este ainda não tenha ocorrido, art. 50, 
§3°, Lei n.º 8.934 de 1994.
Para o registro de nascimento deve-se apresentar os documentos de identificação 
do requerente (CPF e Carteira de Identidade), a Declaração de Nascido Vivo, em que 
constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato.
Sobre os prazos para a declaração de nascimento, nada impede que este ocorra após 
as previsões legais, porém o registro deve ser feito no local de residência do interessado.
O registro de casamento demanda a habilitação dos noivos ao casamento, 
devendo apresentar uma série de documentos ao registro civil de pessoas naturais. 
Avançando esta fase, o oficial de registro determina a divulgação do casamento em um 
local da própria serventia e na imprensa local, abrindo vista dos autos ao Ministério Público 
para manifestar-se sobre o pedido e ao qual a lei autoriza exigir a apresentação de qualquer 
documento que considerar necessário.
O Ministério Público, por sua vez, poderá impugnar o pedido ou a documentação 
entregue, hipótese em que os autos serão encaminhados ao juiz, para que este decida se o 
casal está ou não habilitado ao casamento. Se não houver qualquer impugnação, inclusive 
do Ministério Público em até 15 dias contados da fixação do edital, a serventia certificará 
que o casal está habilitado a se casar. O mesmo ocorre se as impugnações foram rejeitadas.
Por outro lado, segundo o teor do art. 67, § 5º, da Lei n.º 6.015 de 1973, ocorrendo a 
apresentação de impedimento, o oficial dará ciência ao casal para que em 3 dias indiquem 
as provas que pretendem produzir, e após 10 dias, ocorrerá a produção de provas pelos 
oponentes e pelos nubentes. Após oitiva do Ministério Público, em 5 dias, o juiz, em igual 
prazo, decidirá sobre a procedência ou não do impedimento, ou causa suspensiva.
Você sabia que o casamento religioso tem efeitos civis? 
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
45
FIGURA 7: EFEITO CIVIL DO CASAMENTO RELIGIOSO
Fonte: a autora.
Como visto, o casamento religioso tem efeito na esfera cível, para tanto o casamento 
precisa ser registrado no cartório competente, desde que após 30 dias contados de sua 
realização, qualquer interessado apresente o termo do casamento religioso ao cartório 
que expediu a certidão de habilitação, e observadas as demais regras estabelecidas na 
Lei n.º 6.015 de 1973.
Neste contexto, é relevante saber que a Constituição Federal reconheceu a união 
estável como entidade familiar, determinando que a lei facilite sua conversão em casamento, 
assim reza o art. 226, §3º.
Ultrapassados os atos do nascimento e casamento, iniciaremos o estudo sobre o 
registro de óbito, o qual que deve ocorrer em até 24 horas do falecimento, no cartório de 
registro civil da localidade onde o indivíduo falecer, salvo exceções legalmente previstas1. 
Assim como no nascimento, o legislador determinou, na Lei n.º 6.015 de 1973, uma 
série de pessoas obrigadas a realizar o registro do óbito, conforme demonstrado:
FIGURA 8: SUJEITOS COMPETENTES PARA SOLICITAR O REGISTRO DE ÓBITO
Fonte: a autora.
4. Art. 78 da Lei n. 6.015 de 1973 - Na impossibilidade de ser feito o registro dentro de 24 (vinte e quatro) horas do 
falecimento, pela distância ou qualquer outro motivo relevante, o assento será lavrado depois, com a maior urgência, e 
dentro dos prazos fixados no artigo 50. 
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
46
Sabe-se que aquele que for realizar o registro do óbito deve levar o documento 
de identidade, o atestado de óbito, e os documentos pessoais do falecido (Carteira de 
Identidade, CPF, certidão de casamento, título de eleitor e tantos quantos forem os 
documentos disponíveis). O sepultamento somente será autorizado após a apresentação
da certidão de óbito. 
No que diz respeito aos atos praticados pelos registros de pessoas naturais, restou 
estabelecido na Constituição Federal, art. 5°, LXXVI, a gratuidade do registro de nascimento 
e óbito para os reconhecidamente pobres. Neste mesmo sentido, a Lei 9.534/97 alterou a 
redação do art. 30 da Lei n.º 6.015/1973 e do artigo 45 da Lei 8.935/1994, incluindo no 
rol de gratuidade não só o registro de nascimento e óbito, como também a emissão das 
primeiras certidões respectivas, alargando o alcance desta norma a todos os cidadãos.
3.2 Registro Civil de Pessoas Jurídicas
Compete aos oficiais do Registro Civil de Pessoas Jurídicas: registrar os atos 
constitutivos ou estatutos das associações, das organizações religiosas, dos sindicatos e 
das fundações, exceto as de direito público; registrar os contratos das sociedades simples, 
sociedades empresárias, bem como cooperativas; matricular jornais e demais publicações 
periódicas, oficinas impressoras, empresa de radiodifusão; averbar, nas respectivas 
inscrições e matrículas, todas as alterações supervenientes e fornecer certidões dos atos 
praticados. Tais atribuições estão previstas no art. 114 da Lei 6.015/1973.
FIGURA 9: ATRIBUIÇÕES DO REGISTRO CIVIL DE PESSOAS JURÍDICAS
Fonte: a autora.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
47
As sociedades simples são registradas no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, ao 
passo que as sociedades empresárias devem ser registradas nas Juntas Comerciais.
Segundo o art. 967, do Código Civil, “é obrigatória a inscrição do empresário no Registro 
Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”.
Ainda, sobre o registro empresarial, que deve ser feito no Registro Público de 
Empresas Mercantis, deve obedecer às formalidades previstas no art. 968, do Código Civil, 
conforme citado: 
A inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha:
I - o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime 
de bens;
II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa, que poderá ser substituída 
pela assinatura autenticada com certificação digital ou meio equivalente que 
comprove a sua autenticidade, ressalvado o disposto no inciso I do § 1 o do 
art. 4 o da Lei Complementar n.º 123, de 14 de dezembro de 2006; (Redação 
dada pela Lei Complementar n.º 147, de 2014)
III - o capital;
IV - o objeto e a sede da empresa.
Destaca-se o § 1º do artigo supracitado, ao dizer que “a inscrição será tomada por 
termo no livro próprio do Registro Público de Empresas Mercantis, e obedecerá a número 
de ordem contínuo para todos os empresários inscritos” e à margem da inscrição, e com as 
mesmas formalidades, serão averbadas quaisquer modificações nela ocorrentes.
Ao receber um ato constitutivo de qualquer pessoa jurídica, o oficial registrador 
deve verificar se estão presentes as seguintes informações, nos termos do art. 120 da Lei 
n.º 6.015/1973:
a) Denominação, fundo social, se houver, fins e a sede da associação ou 
fundação, e o tempode sua duração;
b) O modo como se administra e representa a sociedade, ativa e passivamente, 
judicial e extrajudicialmente;
c) Se o estatuto, o contrato ou o compromisso é reformável, no tocante à 
administração, e de que modo;
d) Se os membros respondem ou não, subsidiariamente, pelas obrigações 
sociais;
e) As condições de extinção da pessoa jurídica e, nesse caso, o destino do seu 
patrimônio;
f) Os nomes dos fundadores ou instituidores e dos membros da diretoria, 
provisória ou definitiva, com indicação da nacionalidade, estado civil e profissão 
de cada um, bem como o nome e residência do apresentante dos exemplares.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art4%C2%A71i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art4%C2%A71i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art4%C2%A71i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art4%C2%A71i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art4%C2%A71i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art4%C2%A71i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art4%C2%A71i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp147.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp147.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp147.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp147.htm#art9
48
Após o registro da pessoa jurídica no cartório, alguns efeitos são decorrentes, quais 
sejam: efeitos pessoais, a pessoa jurídica assume personalidade própria, não se confundindo 
com seus sócios, ou associados, ou membros, etc.; efeitos patrimoniais, a pessoa jurídica 
dispõe de patrimônio próprio, que não se confunde com o patrimônio de seus integrantes, 
exceto em caso de desconsideração da personalidade jurídica, nos termos do art. 50 do 
Código Civil2; efeitos obrigacionais, a pessoa jurídica assume diretamente as obrigações 
por ela contraídas e, por último, efeitos processuais, os atos praticados pela pessoa jurídica 
ensejam a propositura de ação em face dela própria.
Por fim, imprescindível que se sabia que a exigência do registro da garantia, 
publicidade e eficácia aos atos jurídicos da empresa, além de possibilitar conhecer as 
empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento, de acordo com a Lei n.º 8.935/1994, 
que trata do Registro Público de Empresas Mercantis.
3.3 Registro de Títulos e Documentos
O Registro de Títulos e Documentos tem por finalidade conservar documentos e 
provar sua existência ou das obrigações nele contidas (RODRIGUES, 2014, p. 113).
Neste sentido, aduz o art. 127, da Lei n.º 6.015/1973, que na serventia de registro 
de títulos e documentos será feita a transcrição:
I - dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais 
de qualquer valor;
II - do penhor comum sobre coisas móveis;
III - da caução de títulos de crédito pessoal e da dívida pública federal, 
estadual ou municipal, ou de Bolsa ao portador;
IV - do contrato de penhor de animais, não compreendido nas disposições 
do art. 10 da Lei n.º 492, de 30-8-1934;
V - do contrato de parceria agrícola ou pecuária;
VI - do mandado judicial de renovação do contrato de arrendamento para sua 
vigência, quer entre as partes contratantes, quer em face de terceiros (art. 19, 
§ 2º do Decreto n.º 24.150, de 20-4-1934);
VII - facultativo, de quaisquer documentos, para sua conservação.
Cumpre frisar que o oficial do Cartório de Títulos e Documentos não será responsável 
pelos vícios porventura encontrados no documento registrado, respondendo somente se 
agir com má-fé para a prática do ato ou se o vício for apurado no processo de registro. 
Cabe também ao oficial recusar o registro de documento que não cumprir as formalidades 
legais, lembrando que não cabe dirimir conflitos entre as partes de um documento levado 
5. Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, 
pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-
la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de 
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1930-1949/L0492.htm#art10
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1930-1949/L0492.htm#art10
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1930-1949/L0492.htm#art10
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24150.htm#art19%C2%A72
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24150.htm#art19%C2%A72
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24150.htm#art19%C2%A72
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24150.htm#art19%C2%A72
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a registro, devendo os interessados buscarem a solução na via judicial ou qualquer outro 
meio de solução de conflitos.
Para finalizar, dentre as inúmeras atribuições sobre transcrição de títulos e 
documentos, destacamos as notificações extrajudiciais, através da qual permite o envio de 
uma carta a determinada pessoa para que esta tome conhecimento de algum fato ou para 
reforçar alguma obrigação por esta assumida, requerendo providências.
3.4 Registro de Imóveis
O Registro de Imóveis possui como finalidade o registro e o arquivamento do histórico 
completo do imóvel, abordando todas as informações da propriedade, de maneira autêntica 
e segura. Inclusive cabe a esta serventia transmitir informações sobre a propriedade 
imobiliária a quem requerer. Sua função é registrar, anotar, publicar atos de aquisição e 
transmissão da propriedade imóvel, bem como os ônus reais porventura incidentes.
Nessa temática, oportuno mencionar que os registros de imóveis possuem limitação 
territorial para atuar, registrando somente os atos praticados naquele determinado território. 
Atenção! A escritura de imóvel pode ser lavrada em qualquer outra serventia, até 
mesmo de outro estado, mas o registro dessa escritura está restrito ao cartório de imóveis 
que atende por aquela determinada região. 
Sendo assim, localizar uma determinada escritura torna-se relativamente fácil, já 
que ao saber a localização de um determinado imóvel, bastará procurar o registo de imóvel 
responsável por aquela localidade. 
Para facilitar a compreensão, vamos apontar algumas atribuições do registro de 
imóveis: realizar a matrícula, o registro e averbações de atos que tenham relação com 
imóveis, atos cujo objeto seja compra, a venda, doação, loteamento, permuta, benfeitorias, 
usucapião, hipoteca, penhora e outros contratos. Assim como as certidões informativas 
relacionadas a imóveis com quinzenária, vintenária, trintenária, dominial, de ônus reais, 
de inteiro teor do imóvel, dentre outras, são obtidas através de solicitação no cartório de 
imóveis. Reitera-se que além das funções de registro, o cartório, também possuem a função 
informativa sobre a situação dos imóveis localizados dentro do território pelo qual responde.
O registro da escritura pública de imóvel é o ato pelo qual o comprador torna-se 
proprietário do imóvel perante a sociedade. Para tanto, ele deve dirigir-se ao cartório de 
imóveis onde o imóvel está matriculado, e pedir o registro da sua escritura. Embora a 
escritura pública garanta ao adquirente os direitos sobre o bem que era do vendedor, apenas 
após o registro da escritura, a propriedade é transferida definitivamente para o adquirente.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
50
Por sua vez, a matrícula é o ato que define individualmente o imóvel, sua detalhada 
descrição e localização geográfica. Na matrícula reflete o histórico do imóvel onde se 
descrevem todas as transações relativas ao imóvel, alienações, doações, hipotecas, formal 
de partilha, penhora, etc. Será na matrícula que serão efetuados os atos de registro e 
averbação referentes aoimóvel. Cada imóvel terá matrícula própria, que será aberta por 
ocasião do primeiro registro. A matrícula segue o número de ordem, que seguirá ao infinito.
Na matrícula do imóvel serão registrados os atos translativos ou declaratórios da 
propriedade imóvel e os constitutivos de direitos reais, ou seja, atos que resultarão na 
mudança do proprietário (Ex.: compra e venda, formal de partilha, doação, etc.) ou vão 
constituir ônus para o imóvel (Ex.: alienação fiduciária em garantia de coisa imóvel, penhora, 
arresto, etc.). O art. 167, inciso I, da Lei n.º 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) indica os 
atos que devem ser registrados na matrícula do imóvel.
No art. 167, inciso II, da Lei n.º 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) indica os 
atos que devem ser averbados na matrícula do imóvel, lembrando que é um rol apenas 
exemplificativo, exemplo: alteração do nome por casamento, as sentenças de separação 
judicial, de divórcio, e de nulidade ou anulação de casamento, contrato de locação, para os 
fins de exercício de direito de preferência, etc.
1. No endereço eletrônico informado você terá a oportunidade de sanar algumas dúvidas sobre o 
funcionamento de um Tabelionato de Notas no Brasil com o entrevistado Diego Machado, Tabelião de Notas 
e de Protesto. 
Link I: https://abre.ai/k0pn
2. Fazer a leitura da Lei n.º 11.441, de 4 de janeiro de 2007, que altera os dispositivos da Lei 
no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, possibilitando a realização de inventário, 
partilha, separação consensual e divórcio consensual por via administrativa.
Link II: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11441.htm
Link I Link II
SAIBA
MAIS
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
https://abre.ai/k0pn
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11441.htm
51
1. Qual o papel dos cartórios no efetivo cumprimento dos contratos no País?
Este questionamento foi feito em entrevista à Revista Cartórios com Você, da advogada Ludmilla 
Rocha Ribeiro, cujo tema era “Os cartórios são um dos pilares da segurança jurídica no Brasil”.
2. Qual a importância da participação dos cartórios no combate à corrupção e à lavagem de 
dinheiro no Brasil? Sobre o tema extremamente relevante, Roberto Leonel, ex-presidente do Coaf entre 
janeiro e agosto de 2019, fala sobre os principais aspectos relacionados ao combate à lavagem de dinheiro 
no Brasil.
Ambos os temas poderão ser encontrados no seguinte endereço eletrônico:
Link: https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2020/03/Revista-Carto%CC%81rios-
com-Voce%CC%82-Edic%CC%A7a%CC%83o-19-1.pdf-1.pdf
3. Quais as cautelas devem ser adotadas para a realização da compra e venda de um imóvel?
Fonte: Ferri (s.d.). 
REFLITA
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2020/03/Revista-Carto%CC%81rios-com-Voce%CC%82-Edic%CC%A7a%CC%83o-19-1.pdf-1.pdf
https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2020/03/Revista-Carto%CC%81rios-com-Voce%CC%82-Edic%CC%A7a%CC%83o-19-1.pdf-1.pdf
52
Nesta Unidade dedicamos nosso tempo para estudar as atribuições e competências 
dos serviços notariais e registrais.
Você, caro(a) aluno(a), já possui conhecimento técnico para sanar eventuais 
dúvidas do cotidiano, tais como: esclarecer como registrar uma criança e emitir sua certidão 
de nascimento, como e qual a importância de se registrar um contrato particular de compra 
e venda de móvel, o trâmite para se registrar um ato constitutivo de uma empresa. Sabe 
também que é possível realizar um divórcio extrajudicial através de escritura pública, além 
de outros atos notariais e registrais inerente à vida civil, como procuração, reconhecimento 
de firma, autenticação de cópias, etc.
Importante saber que serviços não são acumuláveis, isto é, cada uma das atividades 
deve ser exercida separadamente, com titular próprio, entretanto o parágrafo único do artigo 
26 da Lei 8.935/1994 permite excepcionalmente acumulação dos serviços em municípios 
com quantidade de habitantes muito baixa.
No contexto das atribuições vimos as dos notários e tabeliães de notas, em seguida 
tratamos os tabeliães e oficiais de registro de contrato marítimos e para finalizar o item 2 
estudamos a serventia de protesto de títulos.
Por fim, os oficiais de registro de distribuição foram mencionados e de maneira 
exemplificativa abordamos as atividades praticadas pelo Registro Civil de Pessoas Naturais, 
Registro Civil de Pessoas Jurídicas, Registro de Títulos de Documentos e Registro de Imóveis.
Resumidamente, depreende-se do conteúdo que os serviços notariais e registrais 
garantem a eficácia, autenticidade e segurança jurídica, indispensáveis a inúmeras relações 
jurídicas, viabilizando se o convívio pacífico em sociedade, finalidade do Direito
CONSIDERAÇÕES FINAIS
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
53
Com o objetivo de complementar a aprofundar alguns temas relevantes, seguem 
alguns textos para leitura:
01. Pequena propriedade rural é impenhorável mesmo quando a família 
possui outros bens.
Fonte: https://www.conjur.com.br/2020-dez-21/propriedade-rural-impenhoravel-
mesmo-familia-outros-bens?fbclid=IwAR2lLGyqWlyKRM1PV2AXE6bLaKrzjUUAgSdmy1
fB_y3TwdJEdJAPu8A_ILg
02. O que é evicção e sua relação com a fraude no Direito Imobiliário.
O texto fala sobre nas compras de imóveis muitas pessoas não se atentarem aos 
possíveis riscos a que estão sujeitas e até mesmo de ter o negócio jurídico invalidado, por isso é 
necessário prestar atenção nessas hipóteses de fraude: venda por um preço abaixo do valor do 
mercado; transmissão gratuita de bens; transmissão onerosa desses bens; perdão de dívidas 
por parte do devedor a pessoas que também deviam a ele; e a antecipação de pagamento de 
dívida não vencida feita a um dos credores em detrimento dos demais.
Fonte: https://www.irib.org.br/noticias/detalhes/artigo-undefined-jornal-jurid-o-que-
e-eviccao-e-sua-relacao-com-a-fraude-no-direito-imobiliario
LEITURA COMPLEMENTAR
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
https://www.conjur.com.br/2020-dez-21/propriedade-rural-impenhoravel-mesmo-familia-outros-bens?fbclid=IwAR2lLGyqWlyKRM1PV2AXE6bLaKrzjUUAgSdmy1fB_y3TwdJEdJAPu8A_ILg
https://www.conjur.com.br/2020-dez-21/propriedade-rural-impenhoravel-mesmo-familia-outros-bens?fbclid=IwAR2lLGyqWlyKRM1PV2AXE6bLaKrzjUUAgSdmy1fB_y3TwdJEdJAPu8A_ILg
https://www.conjur.com.br/2020-dez-21/propriedade-rural-impenhoravel-mesmo-familia-outros-bens?fbclid=IwAR2lLGyqWlyKRM1PV2AXE6bLaKrzjUUAgSdmy1fB_y3TwdJEdJAPu8A_ILg
https://www.irib.org.br/noticias/detalhes/artigo-undefined-jornal-jurid-o-que-e-eviccao-e-sua-relacao-com-a-fraude-no-direito-imobiliario
https://www.irib.org.br/noticias/detalhes/artigo-undefined-jornal-jurid-o-que-e-eviccao-e-sua-relacao-com-a-fraude-no-direito-imobiliario
54
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Meus 533 Filhos
• Ano: 2011
• Sinopse: David já passou dos 40 anos de idade, mas ainda 
leva a vida de um jovem inconsequente. Quando ele começa uma 
complicada relação com a policial Valerie, ela engravida de David. 
Logo, ele se lembra de seu passado, quando vendia esperma 
para clínicas de fertilidade. Buscando mais informações sobre 
essa época, ele descobre que é pai de 533 crianças, e que 142 
delas entraram com um processo na justiça para descobrir o pai 
biológico, registrado com o pseudônimo Starbuck.
LIVRO
• Título: Tratado de Registros Públicos e Direito Notarial.
• Autor: Marcelo Rodrigues
• Editora: Juspodivm
• Sinopse: A 3ª edição conserva os predicados que alçaram o 
sucesso das edições anteriores: profundidade jurídica nos variados 
temas do universo registral e notarial – conhecido e experimentado por 
poucos e, em igual medida, capaz de despertar crescente interesse 
da comunidade jurídica –, aliado a um estilo de escrita claro e objetivo, 
mas que, por vezes, não impediu a adoção de algum lirismo, a despeito 
da natural complexidade e higidez da matéria, altamente técnica e 
especializada. A visão doutrinária éenriquecida pela análise crítica da 
legislação e de julgados do Superior Tribunal de Justiça e de vários 
Tribunais de Justiça, facilitando a compreensão de seu alcance e 
aplicação em situações vivenciadas no cotidiano forense. A estrutura 
da obra é preservada, dado acompanhar o desenvolvimento lógico 
do estudo das matérias e atribuições que permeiam as atividades 
desempenhadas pelo extrajudicial, sua crescente importância no 
ordenamento jurídico, em testemunho de sua aparente redescoberta 
pelo legislador e operadores do direito.
Esta edição vem atualizada até a MP 992, de 16/7/20, que introduz 
nova modalidade de alienação fiduciária de imóveis, dita, sem apuro 
técnico, compartilhada e, a esta altura, pelo último provimento editado 
pela Corregedoria Nacional, de número 107, de 24/6/20. Neste 
passo, é introduzida em seu conteúdo a análise dos mais importantes 
provimentos editados, em alguns casos, em ritmo árduo, pelo 
referido órgão correicional, em todas as atividades reguladas pela 
Lei 8.935/1994, dado revelar-se inteiramente contraindicado ignorar 
a eficácia e profundidade das variadas disposições contidas em tais 
normativas administrativas, no âmbito do extrajudicial
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
Professor(a) Me. Stella Furlanetto de Mattos Cunha
DIREITOS E 
DEVERES DOS 
NOTÁRIOS E 
REGISTRAIS3UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
56
Plano de Estudos
• Dos prepostos
• Da incompatibilidade e impedimento
• Dos direitos e deveres dos notários e dos oficiais de registro
• Das infrações disciplinares, dos procedimentos e das penalidades administrativas
Objetivos da Aprendizagem
• Identificar os prepostos.
• Compreender as hipóteses de incompatibilidade e impedimento.
• Estudar os direitos e deveres dos notários e dos oficiais de registro.
• Aplicar o conhecimento sobre as infrações administrativas e suas penalidades 
ao procedimento administrativo.
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
57
Na Unidade III prosseguiremos com o estudo relacionado ao preposto, 
impedimento, incompatibilidade, direitos, deveres e infrações administrativas com suas 
respectivas penalidades.
Nesta oportunidade, exploraremos alguns temas que buscam solucionar a seguinte 
situação-problema: imagine que você foi aprovado no concurso público para delegação da 
atividade registral e em razão do volume de serviços, você decidiu contratar uma pessoa 
para lhe auxiliar. Diante dos fatos narrados, pergunta-se: a pessoa contratada poderá 
compartilhar a função para a qual você estudou tantos anos para ser titular? Qual relação 
jurídica haverá entre a serventia e o(a) contratado(a)? É possível contratar um parente? Qual 
ou quais funções a pessoa contratada poderá exercer? Tais perguntas serão respondidas 
no decorrer da Unidade.
Ademais, direitos e deveres dos notários e registradores serão analisados, sobretudo 
a independência no exercício de suas atribuições e a gestão de documentos. 
Em seguida, será objeto de estudo: as infrações disciplinares sujeitam o titular da 
serventia e as penas previstas no artigo 32, da Lei n. 8.935/1994, quais sejam: repreensão; 
multa; suspensão por noventa dias, prorrogável por mais trinta; e perda da delegação a ser 
imposta pelo Poder Judiciário, pois, afinal, é ele o titular do poder disciplinar, já que está na 
condição de delegatário de sua função.
INTRODUÇÃO
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
58
A palavra vem do latim praepositus, de praeponere, que é aquele posto adiante ou 
à frente, ou seja, o preposto é o representante, é a pessoa que representa outra.
O art. 20 da Lei n.º 8.935/1994 afirma que “os notários e os oficiais de registro 
poderão, para o desempenho de suas funções, contratar escreventes, dentre eles 
escolhendo os substitutos, e auxiliares como empregados, com remuneração livremente 
ajustada e sob o regime da legislação do trabalho”.
Nas palavras de Walter Ceneviva (2008, p. 166) os escreventes e auxiliares são 
prepostos do delegado, ou seja, “são empregados e representantes deste na realização 
dos serviços internos e externos da serventia, atuando por conta, e em nome dele, durante 
toda a vigência do contrato de trabalho”.
Observa-se no caput do art. 20 o verbo “poderão”, ou seja, o delegado, analisando 
suas necessidades pessoais compatível com o exercício do serviço, escolherá prepostos 
e, neste sentido, nos ensina Walter Ceneviva (2008, p. 168) que a atribuição das funções e 
a remuneração dos prepostos são submetidos a dois requisitos:
a) a responsabilidade e o critério são do delegado do Poder Público;
b) devem ter como objetivo essencial a obtenção de melhor qualidade no 
serviço oferecido ao público.
Sendo assim, a independência do serventuário também fica demonstrada pela livre 
escolha de seus empregados e seus respectivos salários.
DOS PREPOSTOS1
TÓPICO
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
59DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
Empregado que não seja escrevente ou auxiliar distingue-se dos demais, por não 
ter a qualidade de preposto do serventuário.
O parágrafo 1º do art. 20 da Lei n.º 8.935/1994 prevê que “em cada serviço notarial 
ou de registro haverá tantos substitutos, escreventes e auxiliares quantos forem necessários, 
a critério de cada notário ou oficial de registro”. Observe que é uma liberalidade do titular da 
serventia realizar a gestão das contratações e respectivas nomeações.
Neste contexto, os serviços notariais e de registro são considerados “núcleo de 
trabalho autônomo, não confundível com qualquer outro, com possibilidades e necessidades 
individuadas” (CENEVIVA, 2008, p. 177). 
Importante dizer que cabe ao titular analisar o serviço necessário para prestar à sua 
clientela e a responsabilidade pelo custeio.
Uma vez feita a escolha dos substitutos, os notariais e os oficiais deverão encaminhar 
ao juiz competente os seus nomes, assim reza o § 2º do art. 20 da Lei n.º 8.935/1994.
Sobre a disposição legal citada, é relevante o conhecimento de que a nomeação do 
substituto não comporta subdelegação, pois tais substitutos possuem apenas a qualidade 
de prepostos.
O § 3º do art. 20 da Lei n.º 8.935/1994 estabelece que “os escreventes poderão praticar 
somente os atos que o notário ou o oficial de registro autorizar” e o § 4º do mesmo artigo 
autoriza os substitutos a praticar todos os atos que lhe sejam próprios, exceto nos tabelionatos 
de notas, lavrar testamentos, simultaneamente com o notário ou o oficial de registro.
Ocorre que o notário ou o oficial de registro deve indicar precisamente quais as 
funções cabíveis a cada substituto.
Observe que o legislador utiliza no §4º da expressão “ato próprio” que consiste nos 
atos “que o oficial será autorizado por lei a desenvolver na serventia que lhe foi atribuída” 
(CENEVIVA, 2008, p. 178). 
Ainda sobre o tema, merece destaque o § 5º do art. 20 da Lei n.º 8.935/1994, que, 
por sua vez, afirma “dentre os substitutos, um deles será designado pelo notário ou oficial de 
registro para responder pelo respectivo serviço nas ausências e nos impedimentos do titular”.
Claro que cabe ao agente delegatário contratar e, neste sentido, devemos falar de 
um vínculo jurídico de relação de trabalho que se aplica à Consolidação das Leis Trabalhistas 
(CLT). Concluímos, então, que haverá uma relação de emprego entre o titular da serventia 
e os contratados, desde que respeitados os requisitos configuradores de tal relação, os 
quais serão mencionados nos parágrafos que seguem.
60DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
Caro(a) aluno(a), nas próximas linhas dedicaremos nosso estudo a alguns conceitos 
extremamente relevantes, quais sejam (CENEVIVA, 2008, p. 168):
a) Escrevente: é o empregado com capacitação técnica para o serviço, habilitado 
nos ofícios de registro, a examinar títulos, a autorizar assentamentos ou devolvê-
los ao interessado, com exigências legais, dar busca e promover ou certificar 
assentamentos,existências.
b) Escrevente substituto: é o emprego com capacitação técnica plena, a 
critério do titular, habilitado a práticas, simultaneamente com o titular, todos os 
atos da atividade de tabelião ou os relacionados à lei dos registros públicos e 
demais legislação extraordinária. No mínimo, um escrevente substituto deverá 
ter designação expressa, informada ao juízo competente, para substituir o titular 
em suas ausências e impedimentos. Importante dizer que a nomeação dispensa 
a autorização judicial, mas, na prática, comunica a designação que fizer, afinal 
a serventia não pode permanecer desprovida de alguém responsável pela 
condução dos serviços.
c) Escrevente auxiliar: caracteriza os demais empregados dessa categoria, 
que não se confundem com os auxiliares, podem praticar todos os atos próprios 
do delegado registrado, para cujo cumprimento foram designados.
d) Auxiliar: é o empregado, com relação submetida à legislação trabalhista, 
contratado para serviços gerais, com ou sem capacitação técnica específica para 
a função registral ou notarial, cumprindo as tarefas que lhe foram designadas 
pelo titular ou pelo escrevente substituto, sob cuja ordem de trabalho. Auxiliar 
ajuda os escreventes e escreventes substitutos.
Feita estas considerações, conclui-se que toda pessoa que trabalha na serventia 
presume-se ter relação empregatícia, ainda que não formalmente registrada. Nesta hipótese 
cabe ao titular produzir prova em contrário sobre a relação de emprego.
Para tanto, não podemos deixar de abordar que relação de trabalho e relação de 
emprego não são expressões sinônimas, sob o ponto de vista técnico. A primeira é gênero 
da qual a segunda é espécie. 
Maurício Godinho Delgado (2015, p. 299) explica que a relação de emprego “é 
apenas uma das modalidades específicas de relação de trabalho juridicamente configuradas”, 
corresponde a um tipo legal próprio e específico, inconfundível com as demais modalidades 
de relação de trabalho ora vigorantes. Afinal, para configurar uma relação de emprego é 
necessário que sejam identificados os seguintes elementos fático-jurídicos: a) prestação de 
trabalho por pessoa física a um tomador qualquer; b) prestação efetuada com pessoalidade 
61DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
pelo trabalhador; c) também efetuada com não eventualidade; d) efetuada ainda sob 
subordinação ao tomador dos serviços; e) prestação de trabalho efetuada com onerosidade.
Uma vez configurada a relação de emprego, segundo as condições fáticas do 
trabalho realizado, aplica-se a legislação específica, denominada Consolidação das Leis 
Trabalhistas e toda a base principiológica e doutrinária do Direito do Trabalho.
O Direito do trabalho é um ramo especializado do Direito e, por sua vez, é 
constitucionalizado, ou seja, possui previsão no texto Constitucional no art. 7º, que elenca 
diversos direitos trabalhistas, que, por óbvio, se aplica aos contratados pelo titular da 
serventia, nos termos expostos.
Caminhando para o final deste tema, é imprescindível citar o art. 21, da Lei n.º 8.935/94:
O gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços notariais e de 
registro é da responsabilidade exclusiva do respectivo titular, inclusive no que 
diz respeito às despesas de custeio, investimento e pessoal, cabendo-lhe 
estabelecer normas, condições e obrigações relativas à atribuição de funções 
e de remuneração de seus prepostos de modo a obter a melhor qualidade na 
prestação dos serviços.
Denota-se da leitura do excerto a expressão gerenciamento “que indica o controle 
e a orientação de todo o trabalho da serventia, definindo as prioridades sobre o melhor 
modo de cumprimento de suas atribuições legais, sem interferência externas”, enquanto 
gerenciamento administrativo “refere ao controle dos bens e do pessoal, de modo a 
atingir as finalidades notariais e registrais” (CENEVIVA, 2008, p. 180).
62
As hipóteses de impedimento estão no art. 27, e os casos de incompatibilidade 
estão no art. 25 da Lei n.º 8.935/94.
Sobre o tema, Walter Ceneviva (2008, p. 218), nos ensina que:
• Incompatibilidade “designa a inviabilidade do servidor ou agente público de 
conciliar direitos e deveres atribuídos por lei a duas ou mais funções”.
• Impedimento “indica, genericamente, a proibição da prática de ato jurídico 
determinado”. Especificamente, apresenta-se como a causa pela qual o 
exercício da atividade notarial ou registral é obstáculo para o exercício de outras, 
relacionadas em lei.
A Lei aponta que a atividade notarial e registral é incompatível com o exercício:
01. Da advocacia.
02. Da intermediação de seus serviços.
03. De qualquer cargo, emprego ou função pública, ainda que em comissão.
Nesses casos, a lei proíbe, em caráter absoluto, ao titular a nomeação, o exercício, 
ainda que suspenso por licença ou afastamento sem vencimentos, ou o comissionamento 
para qualquer cargo, função ou emprego público (CENEVIVA, 2008, p. 218).
Incompatível “indica a impossibilidade de conciliação entre a atividade profissional 
do notário e do registrador e o cumprimento de qualquer dos direitos e deveres inerentes às 
funções ou profissões enumeradas no artigo” (CENEVIVA, 2008, p. 197). 
DA INCOMPATIBILIDADE
E IMPEDIMENTO2
TÓPICO
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
63DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
Sobre a advocacia, o art. 133 da Constituição Federal diz que “o advogado é 
indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações 
no exercício da profissão, nos limites da lei”. Porém, o exercício da advocacia e a atividade 
notarial e registral não poderá ser exercida concomitantemente, e não deve haver 
intermediação de serviços. 
A Lei n.º 8.906/1994, que dispõe sobre o estatuto da advocacia e a ordem dos advogados 
do Brasil, precisamente em seu artigo 34, inc. III, estabelece que constitui infração disciplinar 
valer-se de agenciador de causas, mediante participação nos honorários a receber.
O legislador também diz ser incompatível as atividades notariais e registrais 
e qualquer cargo, emprego ou função públicos, ainda que em comissão. Ao falar em 
cargo, emprego e função pública, necessário se faz resgatar alguns conceitos do Direito 
Administrativo e, para isso, citaremos as palavras de Maria Sylvia Di Pietro (2018):
a) os servidores estatutários, sujeitos ao regime estatutário e ocupantes de 
cargos públicos;
b) os empregados públicos, contratados sob o regime da legislação trabalhista e 
ocupantes de emprego público;
c) os servidores temporários, contratados por tempo determinado para atender à 
necessidade temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX, da Constituição); 
eles exercem função, sem estarem vinculados a cargo ou emprego público.
A expressão “emprego público” é utilizada como sinônimo de cargo público, a fim de 
designar uma unidade de atribuições, distinguindo-se uma da outra pelo tipo de vínculo que 
liga o servidor ao Estado. O ocupante de emprego público tem um vínculo contratual, sob a 
regência da CLT, enquanto o ocupante do cargo público tem um vínculo estatutário, regido 
pelo Estatuto dos Funcionários Públicos que, na União, está contido na lei que instituiu o 
regime jurídico único (Lei n.º 8.112/90) (PIETRO, 2018).
Enquanto função pública tem um conceito residual como sendo um conjunto de 
atribuições às quais não corresponde um cargo ou emprego (PIETRO, 2018).
Ainda falando sobre incompatibilidade, o § 2º do art. 25 da Lei n.º 8.935/94 cita que 
a diplomação, na hipótese de mandato eletivo, e a posse, nos demais casos, implicará no 
afastamento da atividade. 
Entende-se por diplomação “a formalização da conquista do mandato eletivo”, em 
conformidade com a lei eleitora, “pela entrega do diploma, que assim o caracteriza como 
representante do povo em face da comunidade que o escolheu” (CENEVIVA, 2008, p. 200) 
64DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
e posse indica aassunção de cargo ou função pública, marcando a vontade de iniciar o 
exercício da atividade funcional (CENEVIVA, 2008, p. 201).
Já o impedimento está relacionado à vedação ao titular de praticar, pessoalmente, 
qualquer ato/exercício:
I) De seu interesse.
II) Ou de interesse de seu cônjuge, ou companheiro.
III) Ou de parentes, na linha reta, ou na colateral, consanguíneos ou afins, até o 
terceiro grau.
O titular estará impedido de realizar a atividade notarial conflitante enquanto persistir 
o motivo gerador, “podendo atingir todos os atos inerentes à função, ou obstar alguns atos, 
porém, permitindo outros” (CENEVIVA, 2008, p. 218).
Segue um mapa mental extraído do Colégio Notarial do Brasil, seção de São Paulo, 
para esclarecer o grau de parentesco que configura impedimento.
FIGURA 1: GRAU DE PARENTESCO
Fonte: Ferreira (2019).
O legislador nos explica que apenas obsta a atuação pessoal na serventia da qual o 
titular é delegado, inclusive “inexiste fé pública no ato que o notário ou registrador pratique 
em seu próprio benefício” (CENEVIVA, 2008, p. 213). 
65DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
Outro assunto relevante sobre a limitação exposta no art. 27 é que se refere 
exclusivamente ao titular, não sendo aplicada ao seu substituto, nem aos demais escreventes 
e auxiliares.
Além das hipóteses de impedimento e incompatibilidade, o art. 26 da Lei n.º 
8.935/94, prevê os casos em que os serviços notarias e registrais não poderão ser exercidos 
concomitantemente, ou seja, não são acumuláveis. Senão vejamos:
 
Art. 26. Não são acumuláveis os serviços enumerados no art. 5º1.
Parágrafo único. Poderão, contudo, ser acumulados nos Municípios que não 
comportarem, em razão do volume dos serviços ou da receita, a instalação 
de mais de um dos serviços.
É sabido, conforme depreende do artigo citado, que o titular de serviço notarial 
ou de registro não pode acumular a delegação com cargo, ou função em outra serventia 
registral, ou notarial.
1. Art. 5º Os titulares de serviços notariais e de registro são os: I - tabeliães de notas; II - tabeliães e oficiais de registro 
de contratos marítimos; III - tabeliães de protesto de títulos; IV - oficiais de registro de imóveis; V - oficiais de registro de 
títulos e documentos e civis das pessoas jurídicas; VI - oficiais de registro civis das pessoas naturais e de interdições e 
tutelas; VII - oficiais de registro de distribuição.
66
O titular da serventia possui alguns direitos e deveres inerentes à delegação da 
atividade notarial e registral, que a Lei 8.935/1994 tratou de especificar nos artigos 28 a 
30, sem, contudo, afastar outros constitucionais e legais inerentes a qualquer agente ou 
servidor público, como o direito de petição ao devido processo legal, à aposentadoria e à 
licença ou afastamento.
FIGURA 2: DIREITOS DOS NOTÁRIOS E OFICIAIS DE REGISTRO
Fonte: a autora.
Assim como o art. 28 estabelece alguns direitos, o art. 29 foi elaborado no sentido de 
complementar este primeiro, acrescentando o seguinte: o notário e o registrado têm direito 
de exercer opção, nos casos de desmembramento ou desdobramento de sua serventia e 
também podem organizar associações ou sindicatos de classe e deles participar. Sobre os 
assuntos abordados no parágrafo anterior, sabe-se que desmembramento corresponde a 
DOS DIREITOS E DEVERES 
DOS NOTÁRIOS E DOS 
OFICIAIS DE REGISTRO3
TÓPICO
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
67DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
uma nova serventia criada quando a comarca é dividida e desdobramento ocorrerá quando 
se cria nova serventia da mesma espécie na comarca (CENEVIVA, 2008, p. 203). 
Ademais, os delegados são classificados como integrantes de uma categoria 
econômica, diante da categoria profissional, na qual se enquadram os empregados.
Caro(a) aluno(a), ultrapassamos mais uma etapa dos nossos estudos, agora 
chegou a hora de analisarmos os deveres dos notários e dos oficiais de registro, segundo 
o art. 30 da Lei n.º 8.935/1994. São eles:
FIGURA 3: DEVERES DOS NOTÁRIOS E DOS OFICIAIS DE REGISTRO
Fonte: a autora.
Sobre o inciso primeiro, quando se pensa em livros físicos, é importante que o 
titular da serventia se preocupe com a instalação física, que disponha de acesso fácil, 
aeração adequada, umidade tolerável para a preservação do papel e protegido contra 
danos previsíveis, tais como fogo, inundação e ações delituosas.
Atualmente, diante do avanço da tecnologia, fala-se em gestão eletrônica destes 
documentos.
Quando o inciso II cita a expressão “parte”, entende-se por “pessoa natural que, a 
título próprio ou representando o interessado, comparece à serventia para a prática de ato 
que a lei atribui a esta, para obter informação ou certidão, ou solicitar a prestação de serviço 
da competência do titular” (CENEVIVA, 2008, p. 217). 
Já no inciso III, quando se fala em “requisitar” compreende-se o ato de pedir 
com força de autoridade, advinda do judiciário ou do executivo, ou legislativo, enquanto 
exercentes da função administrativa.
68DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
FIGURA 4: DEVERES DOS NOTÁRIOS E DOS OFICIAIS DE REGISTRO
Fonte: a autora.
 O inciso IV relaciona-se com o inciso I, já estudado, apenas com a observação de 
que além dos livros e papéis próprios do ofício dos notários e registradores, também devem 
ser arquivados todo o conjunto normativo que orienta a sua atividade. 
O inciso V pretende que o delegado tenha uma conduta pautada na ética e não 
somente na lei e que suas atividades sejam exercidas com particular cuidado perante a 
comunidade (CENEVIVA, 2008). O sigilo mencionado no inciso VI poderá ser quebrado 
mediante determinação de ordem judicial. “A divulgação do segredo constitui abuso de 
direito, enquanto conduta injurídica, ofensiva da lei e dos preceitos éticos da correspondente 
profissão” (CENEVIVA, 2008, p. 220). 
FIGURA 5: DEVERES DOS NOTÁRIOS E DOS OFICIAIS DE REGISTRO
Fonte: a autora.
O exercido profissional dos delegados deve ser transparente, no sentido de dar 
total publicidade aos prazos de atendimento e cobrança das custas.
Sobre os incisos citados, nos valeremos dos ensinamentos de Walter Ceneviva 
(2008, p. 48):
a) Dar ao público fácil e pleno conhecimento dos custos a serem 
desembolsados pelos atos praticados;
b) Independentemente desse conhecimento, taxá-los de modo compatível 
com as tabelas;
69DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
c) Contra qualquer pagamento, seja a que título for, emitir correspondente 
recibo ou dar indicação da destinação dos valores recebidos.
FIGURA 6: DEVERES DOS NOTÁRIOS E DOS OFICIAIS DE REGISTRO
Fonte: a autora.
Já o inc. XI nos transmite a ideia de que o delegado não é agente fiscal e, portanto, 
não é habilitado a avaliar substancialmente o tributo devido, cabe apenas exigir da parte 
o documento expedido pelo órgão federal, estadual ou municipal que tenha competência 
para tanto.
Mais uma vez o inc. XII pretende destacar a importância dos notários e registradores 
agir com transparência e publicidade. Sobre a solicitação de pessoas legalmente habilitadas 
podemos enumerar: os peritos, os advogados e os diretamente interessados.
O encaminhamento tratado no inc. XIII é dever do titular, que não pode se recursar 
a cumprir e nem tampouco retardar a providência.
E, por fim, o inc. XIV, ao citar “normas técnicas” buscou dizer que são aquelas 
“atinentes aos atos do ofício notarial ou registral”. Lembrando que o juiz competente será 
indicado na lei estadual.
70
Os notários e registradores são profissionais do direito, delegatários de uma função 
pública, que exercem a busca da tutela pública de interesses privados e que têm por fim 
alcançar o interesse público da segurança jurídica.
A complexidade das relações jurídicas e a relevância dos efeitos da atuação dos 
notários e registradores nos direitos e interesses de terceiros impõem a estes profissionaisconhecimento jurídico o suficiente para fundamentar os seus atos na solução prática dos 
casos concretos.
Destaca-se que a atividade desenvolvida pelos titulares das serventias de notas e 
registro equipare-se a uma atividade empresarial, porém, está sujeita a um regime de direito 
público e, portanto, os referidos agentes públicos também se sujeitam ao regime disciplinar 
público. Desta forma, podem praticar infrações administrativas, e consequentemente serão 
submetidos ao devido processo legal e às penalidades previstas em lei.
O art. 31 da Lei n.º 8.935/1994 estabelece as infrações disciplinares que sujeitam 
os notários e os oficiais de registro:
FIGURA 7: INFRAÇÕES DISCIPLINARES
Fonte: a autora.
DAS INFRAÇÕES DISCIPLINARES, 
DOS PROCEDIMENTOS E DAS 
PENALIDADES ADMINISTRATIVAS4
TÓPICO
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
71DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
Em contrapartida, o cometimento das infrações disciplinares citadas submete o 
titular da serventia às penas previstas no artigo 32, da Lei n.º 8.935/1994, assegurado o 
direito à ampla defesa:
FIGURA 8: PENALIDADES
Fonte: a autora.
As referidas penas serão aplicadas pelo juízo competente, conforme a gravidade 
do ato1, respeitando a previsão legal do art. 33 da Lei n.º 8.935/1994:
I - a de repreensão, no caso de falta leve;
II - a de multa, em caso de reincidência ou de infração que não configure falta 
mais grave;
III - a de suspensão, em caso de reiterado descumprimento dos deveres ou 
de falta grave.
Em resumo, no caso de falta leve, deve ser aplicada a pena de repreensão (art. 
33, I). Diante de reincidência de ilícitos leves ou, então, na prática de infração que não 
configure falta mais grave, a pena prevista é a de multa (inc. II). A pena de suspensão é 
aplicada no caso de reiterado descumprimento dos deveres ou de falta grave (inc. III). Por 
fim, na gradação das sanções, a hipótese de aplicação da pena de perda da delegação, a 
mais severa das penalidades, não é disciplinada pela Lei dos Cartórios, acarretando uma 
lacuna normativa legal federal.
Diante desta lacuna, leis estaduais regulamentam a pena de perda da delegação, 
seguem dois exemplos:
I. No Estado do Paraná existe a Lei Estadual n.º 14.277/2003, que traz em seu 
art. 196, IV as seguintes hipóteses para aplicação da pena de perda da delegação:
Art. 196. São cabíveis penas disciplinares de:
[…]
V - perda da delegação nos casos de:
a) crimes contra a administração pública;
b) abandono da serventia por mais de trinta (30) dias;
c) transgressão dolosa a proibição legal de natureza grave.
2. Art. 34 da Lei n. 8.935/1994 - As penas serão impostas pelo juízo competente, independentemente da ordem de gradação, 
conforme a gravidade do fato.
72DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
II. No Estado do Piauí, por sua vez, verifica-se a existência da Lei Complementar 
Estadual n.º 234/2018 que aponta as seguintes hipóteses de perda da delegação:
Art. 39. A perda da delegação, decorrente de processo administrativo, 
ocorrerá nos seguintes casos:
I - violação das proibições contidas nos incisos XII a XVII do art. 30;
II - a cobrança indevida ou excessiva de emolumentos, ainda que sob a 
alegação de urgência;
III - rasurar, fraudar ou inserir dados e informações falsas em ato notarial ou 
de registro;
IV - omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades, inclusive 
fazendárias;
V - fraudar a fiscalização do Poder Judiciário ou de autoridades fazendárias, 
inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, 
em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
VI - falsificar, no todo ou em parte, documento público ou particular;
VII - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou 
qualquer outro documento relativo à operação tributável;
VIII - tenham praticado atos ilícitos visando frustrar a publicidade, autenticidade, 
segurança e eficácia dos atos jurídicos;
IX - descumprimento, comprovado, da gratuidade estabelecida na Lei no 
9.534, de 1997;
X - a conduta atentatória às instituições notariais e de registro;
XI - demonstrem não possuir idoneidade para desempenhar a atividade 
notarial e de registro.
Parágrafo único. Quando a inflação for punível com a perda da delegação, 
o juízo competente solicitará, previamente, a suspensão do notário ou oficial 
de registro.
O art. 35 da Lei n.º 8.935/1994 reza que a perda da delegação dependerá: a) 
de sentença judicial transitada em julgado; ou b) de decisão decorrente de processo 
administrativo instaurado pelo juízo competente, assegurado amplo direito de defesa.
Ademais, quando o fato configurar a perda da delegação, o juiz competente 
designará um interventor nomeado, que intervirá provisoriamente se o titular for afastado 
por motivos disciplinares. Até que um novo titular seja nomeado, o substituto mais antigo 
tem direito de ser designado para responder pelo expediente, este é o teor do art. 39.
Conforme mencionado, o titular do serviço poderá ser suspenso preventivamente e 
o prazo de suspensão será de 90 dias, prorrogável por mais 30 dias.
Enquanto estiver afastado, o titular receberá metade da renda líquida da serventia; 
outra metade será depositada em conta bancária especial, com correção monetária, esta é 
a previsão do § 2º do art. 36 da Lei n.º 8.935/1994.
Se o titular for absolvido, receberá o montante dessa conta; e se for condenado, 
caberá esse montante ao interventor.
73
Seguem dois temas relevantes com o respectivo endereço eletrônico dos artigos. Leitura valiosa!
a) Cartórios de fachada ludibriam o consumidor com cobranças astronômicas.
b) Cartórios de Notas ganham relevo no contexto da regularização fundiária no Brasil.
Fonte: https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2022/01/Cartorios-Com-Voce-11.pdf
SAIBA
MAIS
“Os Cartórios Extrajudiciais prestam um serviço extremamente importante para a população e 
para a sociedade, sua atividade está correlacionada, em última análise, à segurança jurídica”.
Fonte: Leonel (2018).
REFLITA
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2022/01/Cartorios-Com-Voce-11.pdf
74
Veja, caro(a) aluno(a), concluímos o estudo da Unidade III. Quanto conhecimento 
adquirido sobre o universo dos serviços notariais e registrais.
Nesta Unidade tivemos a oportunidade de entender que os notários e os oficiais de 
registro possuem independência na gestão de sua serventia. Dentre inúmeras atribuições 
próprias de um titular desta função delegada, também da função de contratar escreventes, 
substitutos e auxiliares, a fim de colaborarem na prestação do serviço.
Em seguida, vimos as hipóteses de impedimento e incompatibilidades, destacando 
a proibição do exercício da advocacia e a vedação da prática de atos exercidos pelo titular, 
a fim de atingir algum interesse pessoal ou de parentes.
Já no item 3, o estudo foi sobre os direitos e deveres dos notários e dos oficiais de 
registro, dando ênfase às obrigações inerentes ao titular. 
Para concluir, fora feito uma análise das infrações disciplinares e das penalidades 
decorrentes, afinal as serventias notariais e registrais são consideradas a principal instituição 
no que tange a garantia de veracidade e confiabilidade do que é informado, por meio dos 
documentos que são obtidos no local e, portanto, a responsabilidade de seus titulares 
sempre deverá ser colocada em pauta.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
75
Caro(a) aluno(a), para complementar os seus estudos, sugiro a leitura de dois 
textos abaixo indicados:
a) TJ/SP: a responsabilidade disciplinar administrativa do notário ou do registrador 
não pode prescindir da verificação de conduta dolosa, ou culposa do imputado.
Fonte: https://abre.ai/k0sE
b) A competência para criação e extinção de serviços notariais e de registros e 
para provimento desses serviços.
Fonte: https://www.irib.org.br/obras/a-competencia-para-criacao-e-extincao-de-servicos-notariais-e-de-registros-e-para-provimento-desses-servicos
LEITURA COMPLEMENTAR
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
https://abre.ai/k0sE
https://www.irib.org.br/obras/a-competencia-para-criacao-e-extincao-de-servicos-notariais-e-de-registros-e-para-provimento-desses-servicos
https://www.irib.org.br/obras/a-competencia-para-criacao-e-extincao-de-servicos-notariais-e-de-registros-e-para-provimento-desses-servicos
76
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Vade Mecum Notarial e Registral – Coletânea de Leis 
para Cartórios. 
• Autor: Martha El Debs
• Editora: Juspodivm
• Sinopse: Índices Sistemático, Remissivo e Cronológico, que 
facilitam a pesquisa, Leis divididas por tipos de Cartório, Texto colorido 
para facilitar a leitura. O presente trabalho foi idealizado tomando-
se em conta a concebida necessidade de agregação das múltiplas 
normas que interessam ao Direito Notarial e de Registros Públicos, 
dada sua relevância e valia, destacada a carência de obras neste 
segmento. Compilou-se material de extensão inédita no mercado, 
com o escopo de propiciar consulta profunda, rápida e intuitiva aos 
candidatos ao concurso público de outorga de delegações de Notas e 
de Registros, bem como auxiliar nas pesquisas daqueles que militam 
na área registral - tabeliães, registradores, escreventes, advogados, 
promotores de justiça, juízes, despachantes, corretores, etc.
Nessa ordem de ideias, esta coletânea foi dividida em tópicos levando-
se em consideração a especialidade do tema, sem prejuízo de um 
índice cronológico e um índice remissivo para a busca do conteúdo. O 
primeiro diz respeito à parte geral e engloba a legislação comum a todos 
os tipos de Cartórios; a ele segue a parte especial, que alberga o corpo 
de normas de acordo com o objeto de cada Serventia especificamente 
considerada, quais sejam: Registro Civil das Pessoas Naturais, 
Registro de Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica, Registro de 
Imóveis, Tabelionato de Notas e Tabelionato de Protestos. Iniciou-se 
em seguida um capítulo que abarca toda a legislação sobre cédulas, 
letras e notas de crédito. Em caráter complementar, às Súmulas e 
os Enunciados das Jornadas de Direito Civil e Comercial atrelados 
à matéria notarial e registral, bem como Orientações sobre Práticas 
Notariais e de Registros da Escola Nacional de Direito Notarial e de 
Registros - ENNOR, os Enunciados do Colégio Notarial do Brasil - 
CFB, os Enuncia os do IBDFAM, bem como as Recomendações para 
as Câmaras Nacionais e os Conselhos Nacionais dos Notariados 
membros da União Internacional do Notariado - UINL compõem o 
último capítulo do trabalho.
Dessa forma, além da inovação de se ter anexado às leis seus 
respectivos decretos regulamentadores, os textos normativos 
trabalhados nesta obra reúnem, ainda, a Constituição Federal e 
as Leis e Decretos correlatos, Medidas Provisórias, Resoluções, 
Provimentos, Orientações e Recomendações do Conselho Nacional 
de Justiça, Instruções da Receita Federal do Brasil e Instruções 
Normativas do INCRA, Portarias, Circulares do Banco Central.
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
https://www.editorajuspodivm.com.br/autores/detalhe/342
https://www.editorajuspodivm.com.br/juspodivm
77
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Altos Negócios
• Ano: 2020
• Sinopse: Baseado em um caso real, Viktor (David Kross) desiste 
de ganhar dinheiro da forma correta e então começa a entrar no 
mundo da falsificação, onde acaba conhecendo Gerry (Frederick 
Lau), um homem que o influencia a se aprofundar nesse mundo, 
virando então parceiros no ramo dos golpes imobiliários. Desta 
parceria eles vão atrás de Nicole (Janina Uhse) a chave que faltava 
para que começassem a lucrar com os golpes, vivendo uma vida 
de luxo em meio a drogas, prostituição e fraudes.
DIREITOS E DEVERES DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 3
Professor(a) Me. Stella Furlanetto de Mattos Cunha
RESPONSABILIDADE
CIVIL E CRIMINAL
DOS NOTÁRIOS E 
REGISTRAIS4UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
79
Plano de Estudos
• Responsabilidade Civil
• Responsabilidade Penal
• Crimes praticados por funcionários públicos contra a administração: art. 312 ao 
art. 321 do Código Penal.
• Crimes praticados por funcionários públicos contra a administração: art. 322 ao 
art. 326 do Código Penal e Fiscalização pelo Poder Judiciário
Objetivos da Aprendizagem
• Identificar os elementos que configuram a responsabilidade civil.
• Compreender a responsabilidade penal.
• Estudar os crimes praticados por funcionários públicos contra a administração. 
• Aplicar o conhecimento das condutas delituosas às situações concretas.
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
80
A Unidade IV tem como objeto de estudo as responsabilidades dos titulares das 
serventias registrais e notariais, nomeadamente a responsabilidade civil e a penal.
A Constituição Federal, no § 1º, do art. 236, tratou da responsabilidade civil e criminal 
dos serventuários e estabeleceu que o legislador infraconstitucional deve regulamentar 
ambas as responsabilidades.
Iniciaremos pela responsabilidade civil, que decorre de um dano patrimonial e/ou 
moral e que busca a reparação pecuniária à vítima. Com relação ao tema discorreremos 
sobre a responsabilidade civil objetiva e subjetiva e avançaremos com o estudo da legislação 
específica, a fim de compreender qual deverá ser aplicada ao caso concreto.
Em seguida, percorreremos o fantástico mundo do Direito Penal e para tanto 
começaremos pelo art. 24, da Lei n.º 8.935/94, que regulamenta a responsabilidade penal 
dos notários e registradores.
Quando falamos em responsabilidade penal é importante que o(a) aluno(a) entenda 
que quando o indivíduo pratica uma conduta delituosa que viola a norma penal, surge para 
o Estado o jus puniendi, que consiste no direito de punir.
Neste sentido, surge a noção da sanção penal, que, por sua vez, é o meio pelo qual 
o Estado exerce o seu direito de punir, respeitando, obviamente, o devido processo legal. 
Ademais, cumpre ressaltar que cabe ao Poder Judiciário dos respectivos estados 
fiscalizar os serviços notariais e de registro.
Feita estas considerações, finalizaremos a presente unidade sendo conduzidos à 
leitura e compreensão do Código Penal, especificamente sobre os crimes praticados por 
funcionários públicos contra a administração, do art. 312 ao art. 321.
INTRODUÇÃO
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
81
A palavra responsabilidade vem do verbo grego respondere, de spondeo, o que 
pode ser traduzido como garantir, responder por alguém, prometer. Sendo assim, temos 
que, o responsável é aquele que responde pelos danos causados a outrem. O termo 
responsabilidade serve para indicar a situação daquele que, por qualquer título, deve arcar 
com a consequência de um fato danoso.
Para falarmos da responsabilidade dos oficiais de registro e tabeliães, precisamos 
entender que ela há de ser verificada sob diferentes esferas, como destaca Walter Ceneviva 
(2014): responsabilidade trabalhista, referente à relação de emprego com seus escreventes 
e auxiliares; tributária, inerente ao dever de fiscalizar o recolhimento dos impostos incidentes 
sobre os atos que praticam, e dos encargos fiscais que lhes incumba satisfazer pessoalmente; 
administrativa, uma vez que, como agentes públicos, estão sujeitos à fiscalização do Poder 
Judiciário; e também responsabilidade civil e criminal.
A responsabilidade civil é de ordem patrimonial e decorre do artigo 186 do Código Civil1, 
o qual consagra a seguinte regra: todo aquele que causa dano a outrem é obrigado a repará-lo.
A responsabilidade civil está relacionada ao descumprimento de obrigações 
contratuais ou extracontratuais que causam dano a alguém. Não está relacionada 
propriamente com o Direito Registral ou Notarial, e sim ao Direito Civil, como citado 
no parágrafo anterior. Verifica-se que a responsabilidade civil pode decorrer de um 
inadimplementoobrigacional (conforme artigos 389, 390 e 391 do Código Civil), da prática 
de ato ilícito (artigo 186 do Código Civil) ou do abuso de direito (artigo 187 do Código Civil).
1. Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, 
ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
RESPONSABILIDADE CIVIL1
TÓPICO
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
82RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Nas palavras de Maria Sylvia Di Pietro (2018), verifica-se que, para configurar-se o 
ilícito civil, conforme prevê o art. 186, do Código Civil, exigem-se:
a) ação ou omissão antijurídica; também chamado por alguns autores de conduta, 
elemento primário é a conduta humana, comportamento voluntário do agente 
materializada por meio da sua ação ou omissão;
b) culpa ou dolo; com relação a este elemento, às vezes de difícil comprovação, a lei 
admite alguns casos de responsabilidade objetiva (sem culpa) e também de culpa 
presumida; uma e outra constituem exceções à regra geral de responsabilidade 
subjetiva, somente sendo cabíveis diante de norma legal expressa;
c) relação de causalidade entre a ação ou omissão e o dano verificado; também 
denominado de nexo de causalidade que consiste no estabelecimento da relação 
entre a conduta do agente e o resultado. Assim, além da relação entre conduta 
e dano, esse último deve ter causado um dano à outra que necessite de ser 
reparado via pena pecuniária;
d) ocorrência de um dano material ou moral.
A responsabilidade civil pode ser dividida em responsabilidade contratual e 
extracontratual e responsabilidade subjetiva e objetiva.
A contratual está associada à existência de um contrato celebrado entre as partes, sendo 
a reparação fruto do descumprimento das exigências legais do contrato. Já a extracontratual 
consiste na reparação de dano clássico, sem a existência de um contrato prévio.
A responsabilidade subjetiva está associada à ideia da culpa lato sensu, que 
engloba ato culposo (culpa stricto sensu), ou seja, que deriva da negligência, imprudência, 
imperícia e o ato doloso (tem a intenção de causar o dano). 
Já na objetiva, o ato praticado pelo agente está diretamente relacionado ao dano 
causado. Isso quer dizer que o elemento volitivo não está presente, ou seja, não se verifica 
a culpa do agente. 
A responsabilidade civil objetiva fundamenta-se na teoria do risco, segundo essa 
teoria, aquele que, através de sua atividade, cria risco de dano para terceiros deve ser 
obrigado a repará-lo, ainda que sua atividade e seu comportamento sejam isentos de culpa.
Sobre a aplicação da responsabilidade civil objetiva ou subjetiva dos delegatários, 
a Lei n. 8.935/1994, em seu art. 22, destaca a subjetiva, nos seguintes termos: 
 
Os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os 
prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos 
substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o 
direito de regresso (grifo nosso).
83RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Reitera-se que a responsabilidade dos titulares é subjetiva, uma vez que é 
necessário apurar a culpa ou o dolo na atitude danosa. Se a conduta foi praticada por algum 
preposto, o titular responderá, podendo exercer seu direito de regresso em face daquele 
que praticou o ato.
Embora o art. 37, § 6º, da Constituição Federal preveja a responsabilidade objetiva 
das pessoas jurídicas de direito público ou privado prestadoras de serviços públicos, 
assegurando o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa, a 
Lei n. 13.286/2016 alterou a redação do artigo 22 da Lei n. 8.935/1994, consolidando o 
entendimento de que a responsabilidade dos notários e registradores é subjetiva, por 
depender de apuração de dolo ou culpa.
Justifica-se, dentre outras teses, que a pacificação da matéria sobre a subjetividade 
da responsabilidade civil, pois os serviços notariais e registrais são serviços públicos, 
prestados por pessoas físicas por meio de delegação, o que, em tese, sustentaria a não 
aplicação do dispositivo constitucional supracitado, que se refere a pessoas jurídicas 
prestadoras de serviços públicos.
Em suma, podemos dizer que a responsabilidade civil tem três dimensões, são elas:
a) Reparação: a finalidade máxima da responsabilidade consiste no ressarcimento 
do dano sofrido pela parte, buscando a reconstituição do status quo ante.
b) Prevenção do dano: todos os contratos e relações devem se basear no 
princípio de não lesar a outra parte, sendo que cabe ao judiciário, de acordo 
com seus instrumentos e medidas, prevenir qualquer dano de forma prévia. Um 
exemplo consiste em uma medida liminar que resguarda o direito à indenização 
a um agente, bloqueando os bens do responsável pela reparação.
c) Punição e os punitives damages: aquele que deu causa a um dano deverá 
repará-lo, sendo que a medida da indenização equivale à medida da ofensa, o 
que consiste na punição. Já os punitives damages têm origem na doutrina norte-
americana, e consistem em uma parcela adicional de condenação, visando a um 
desestímulo à infração civil.
Por fim, devemos retomar o conceito da figura do interventor, o qual diante do 
afastamento disciplinar do titular e de seu substituto, como penalidade, será nomeado pelo 
juízo competente para assumir a serventia, em uma situação provisória, cuja nomeação se 
dará em conformidade com as normas estaduais. 
Reitera-se que não se trata, contudo, de uma delegação. O interventor será um 
agente estatal com vínculo exclusivo com o Poder Público que o nomeia, razão pela qual 
ele não pode ser responsabilizado diretamente pelos atos praticados durante a intervenção 
(CENEVIVA, 2014, p. 199). Isto é, o interventor tem responsabilidade subjetiva e indireta, 
ou seja, o lesado entra contra o Poder Público e este terá direito de regresso contra ele no 
caso de culpa ou dolo. Enquanto, no caso do delegatário, a responsabilidade é subjetiva e 
direta, sendo admitido ao lesado pleitear a responsabilidade diretamente contra ele.
84
RESPONSABILIDADE PENAL2
TÓPICO
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Sobre a responsabilidade penal, dispõe a Lei n. 8.935/1994, no art. 24, que “a 
responsabilidade criminal será individualizada, aplicando-se, no que couber, a legislação 
relativa aos crimes contra a administração pública”.
O parágrafo único do mencionado artigo afirma que “a individualização prevista no 
caput não exime os notários e os oficiais de registro de sua responsabilidade civil”, tema 
estudado anteriormente.
Outra importante definição está no artigo 23, da Lei n. 8.935/1994, que reforça a 
independência da responsabilidade civil e da criminal, ao dispor que “a responsabilidade 
civil independe da criminal”, em consonância com o art. 935, do Código Civil, que por sua 
vez prevê “a responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar 
mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se 
acharem decididas no juízo criminal”.
Importante destacar que o art. 327 do Código Penal equipara os tabeliães e oficiais 
de registro a funcionários públicos, para fins penais, o que importa dizer que os titulares 
podem vir a praticar crimes contra a administração pública (arts. 312 a 326, do Código 
Penal) e infrações previstas em legislação complementar.
É o caso, por exemplo, da Lei n. 6.766/1979, que, ao dispor sobre parcelamento 
do solo urbano, criou tipos penais para aquele titular que preste serviços relacionados a 
loteamentos ou desmembramentos irregulares.
Antes de iniciarmos o estudo sobre os ilícitos penais, importante mencionar o amplo 
conceito de funcionário público para fins penais, com previsão no caput do art. 327 do Código 
85RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Penaldo seguinte modo: “considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, 
embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública”. No 
parágrafo primeiro do mesmo artigo há um conceito daqueles que são equiparados a funcionário 
público, neste sentido: equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função 
em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou 
conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. 
Vale esclarecer também que quando falamos de crimes contra a administração 
pública praticados pelos notários, registradores e seus empregados, o sujeito ativo é o 
servidor público (são a este equiparados para fins penais). Já o sujeito passivo é o Estado 
ou a entidade de direito público, sendo o particular, eventualmente, quando é prejudicado 
diretamente pela prática do crime (CENEVIVA, 2014, p. 2016).
Por fim, conclui-se que a responsabilidade civil, também denominada de 
patrimonial, tem como finalidade reprimir o dano, o prejuízo, o desfalque, o desequilíbrio ou 
descompensação do patrimônio de alguém. 
Por sua vez, a responsabilidade penal também envolve um dano que atinge a paz 
social, mas que, em alguns casos, atinge um só indivíduo. Sendo assim, a ação repressiva 
tem por objetivo combater o dano causado ao particular, enquanto membro da comunidade, 
levando em consideração a imputabilidade do agente e da antissocialidade de seu ato 
(CRETELLA JÚNIOR, 2002, p. 10).
86
CRIMES PRATICADOS POR 
FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS 
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO: ART. 
312 AO ART. 321 DO CÓDIGO PENAL3
TÓPICO
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
No capítulo I do Título XI do Código Penal estão previstos os crimes praticados por 
funcionários públicos contra a Administração Pública, nosso objeto de estudo será do art. 
312 a 326 do Código Penal.
Cumpre primeiramente saber que os crimes funcionais são classificados em 
próprios e impróprios, o primeiro são aqueles em que a função pública do agente é elemento 
essencial do crime, de maneira que a ausência desta característica torna o fato atípico, 
enquanto o segundo são aqueles que, na ausência da condição de funcionário público, não 
torna o fato atípico, uma vez que poderá constituir outro crime.
Feita estas considerações, iniciaremos nosso estudo pelo ilícito denominada 
PECULATO, previsto no art. 312, com o seguinte teor “apropriar-se o funcionário público 
de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse 
em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio” com previsão de pena de 
reclusão, de dois a doze anos, e multa.
Observa-se que neste tipo penal tutela-se o patrimônio da administração pública 
e sua moralidade, o sujeito ativo somente por ser o funcionário público e equiparados, por 
configurar crime próprio. E o sujeito passivo será o Estado e eventualmente o particular, 
conforme abordado na seção 2.
Exige-se o dolo para configurar a conduta, ou seja, a vontade livre e consciente 
de apropriar-se da coisa móvel, pública ou particular ou desviá-la em proveito próprio ou 
alheio. Admite-se a tentativa.
87RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
O parágrafo primeiro do referido artigo prevê o PECULATO-FURTO, cujo tipo penal 
é o seguinte: se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, 
o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se 
de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
Ato contínuo, o parágrafo segundo nos traz o PECULATO CULPOSO, afirmando 
que se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem se submeterá a 
uma pena de detenção, de três meses a um ano. Destaca-se que somente haverá a 
modalidade culposa, se o crime doloso cometido por terceiro se consumar, pois não se 
admite tentativa de crime culposo.
Sabe-se que é possível extinguir punibilidade ou diminuir pena no peculato culposo, 
segundo o § 3º, se houver a reparação do dano, diante da precedência de sentença 
irrecorrível, extingue a punibilidade e se a reparação do dano for posterior, reduz de metade 
a pena imposta.
No art. 313 do Código Penal o legislador nos trouxe o PECULATO MEDIANTE ERRO 
DE OUTREM que consiste em “apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício 
do cargo, recebeu por erro de outrem”, cuja pena é de reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
Para configurar crime, é necessário que a entrega do bem tenha sido feita ao sujeito em razão 
do cargo que desempenha, junto a administração, e que o erro deve ser espontâneo, e ter 
relação com o seu exercício. No tipo penal também se protege o patrimônio da administração 
pública e sua respectiva moralidade. Exige-se a conduta dolosa e a tentativa é admitida.
Vimos no decorrer da presente apostila que um dos devedores dos notários e 
registradores é fazer a gestão e exercer a tutela sobre os livros obrigatórios e demais documentos 
inerentes ao exercício da atividade. Neste contexto, destaca-se o art. 314 do Código Penal:
FIGURA 1: CRIME EM ESPÉCIE
Fonte: a autora.
88RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Em seguida, o art. 315 do Código Penal que prevê como conduta criminosa o 
emprego irregular de verbas ou rendas públicas e, assim como os demais tipos penais 
estudados até agora, tutela-se o patrimônio e a moralidade da administração pública. Trata-
se de um crime próprio e deve ser identificada a vontade livre e consciente de cometer a 
conduta descrita no tipo penal, ou seja, o agente deve agir com dolo. A tentativa também 
é admitida nesta hipótese. É importante saber que o emprego irregular não pode ser de 
dinheiro e sim de verba ou de renda, pois o desvio de dinheiro constitui crime de peculato. 
FIGURA 2: CRIME EM ESPÉCIE
Fonte: a autora.
Depreende-se do art. 316 do Código Penal que o agente se vale da autoridade 
que possui por ocupar uma função pública e incute o tema na vítima para obter vantagens 
indevidas. Nota-se que a conduta tipificada é a de exigir vantagem indevida em razão da 
função, não bastando que o sujeito ativo faça um simples pedido ou solicitação de vantagem. 
O legislador dispõe que deve o agente possuir o poder de fazer cumprir a exigência. No 
crime em estudo, tutela-se a administração pública, é um crime próprio doloso e a tentativa 
é admitida, exceto se a exigência for oral.
FIGURA 3: CRIME EM ESPÉCIE
Fonte: a autora.
89RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Não podemos deixar de falar do crime previsto no art. 317 do Código Penal 
denominado CORRUPÇÃO PASSIVA, vejamos:
Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda 
que fora da função, ou antes, de assumi-la, mas em razão dela, vantagem 
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada 
pela Lei n.º 10.763, de 12.11.2003)
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em consequência da vantagem ou 
promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício, 
ou o pratica infringindo dever funcional.
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com 
infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Denomina-se corrupção passiva, pois o funcionário público é corrompido, pois 
aceitou vantagem indevida, oferecida por um particular. No referido tipo penal, a proteção é 
do patrimônio da administração pública e da moralidade administrativa. A conduta deve ser 
dolosa, e a tentativa somente poderá ocorrer se a exigência não for oral. O parágrafo primeiro 
estabelece causa de aumento de pena e, no parágrafo segundo, a forma privilegiada do crime.
O CONTRABANDO ou DESCAMINHO, com previsão legal no art. 318 do Código 
Penal,registros.
• Ingresso nas atividades notariais e registrais e legislações que regem a atuação.
• Princípios gerais e específicos que regem as atividades notariais e registrais.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar o sistema registral brasileiro.
• Conhecer a forma de ingresso nas atividades notariais e de registro.
• Entender a aplicação dos princípios constitucionais e específicos que regem as 
atividades notariais e registrais.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
8
INTRODUÇÃO
Na Unidade I desta apostila nos dedicaremos ao estudo introdutório sobre os 
serviços notariais e registrais. Convido você, caro(a) aluno(a), a se debruçar sobre este 
material e desvendar as peculiaridades destes serviços que fazem parte do nosso dia a dia, 
inclusive desde o nosso nascimento até o nosso óbito, através das respectivas certidões.
O estudo iniciará por um breve histórico e, em seguida, conceitos e definições 
serão explorados para que possamos dominar e consequentemente utilizar os termos 
tecnicamente corretos.
Ato contínuo, serão analisadas as regras para ingressar nas atividades notariais e 
registrais, assim como exploraremos o universo das leis que serão aplicadas neste contexto.
Por fim, finalizaremos a Unidade I estudando os princípios gerais e específicos 
aplicados às serventias.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
9
1.1 Evolução Histórica das Atividades Notariais e Registrais
As atividades notariais e registrais evoluíram com a sociedade, oferecendo 
segurança jurídica e ganhando importância social. Sabe-se que aos notários e registradores 
foi confiada a prática e formalização de atos jurídicos extrajudiciais, sem a intervenção do 
Poder Judiciário. 
No Brasil, o registro imobiliário teve início após o ano de 1500, com o descobrimento, 
e em momento posterior com a instituição das sesmarias. Uma vez implantado o sistema 
semestral, foram concedidas terras aos donatários, autorizando-os, a subdivisão de suas 
terras em áreas menores.
A maioria das referidas transferências de terras ocorriam de maneira informal, 
acarretando situações possessórias informais diante da inexistência de registros fidedignos 
a respeito da propriedade ou de posse.
Diante desta informalidade houve a necessidade da descriminação das terras no 
País, a qual fora realizada pela Igreja Católica através da confecção de um inventário em 
forma de registro de terras de suas freguesias.
Nosso sistema de registro imobiliário surgiu em 1864, e produzia atos de efeito 
apenas declarativos, em 1890 surgiu o primeiro sistema que produzia atos com efeito 
constitutivo, denominado, o Torrens, que era, entretanto, de caráter facultativo. Já a partir 
do Código Civil, de 1916, o país adotou um Sistema Registral MISTO (produzia atos com 
efeitos constitutivo e declarativo), de caráter universal e obrigatório e atualmente o Código 
Civil manteve esse último sistema.
BREVE HISTÓRICO, CONCEITOS 
E DEFINIÇÕES DE SERVIÇOS 
NOTARIAIS E DE REGISTROS1
TÓPICO
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
10
Ademais, os registros de batismos, casamentos e óbitos eram realizados pela Igreja 
Católica.
Os cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais no Brasil formalizaram-se com o 
advento da República (1889) e a separação entre Estado e Igreja, até então, os nascimentos, 
casamentos e óbitos eram registrados pelas paróquias, conforme mencionado.
O casamento civil foi iniciado no Brasil só no final do século XIX, com a Proclamação 
da República. Antes disso, só havia casamento religioso.
Sobre o exercício da atividade notarial e registral, deve-se refletir o quanto se 
evoluiu e ainda evolui a fim de acompanhar a demanda dos atos da sociedade moderna.
Neste contexto, o legislador vem reconhecendo e dando espaço às serventias 
extrajudiciais para formalizarem atos que até então eram possíveis somente pela via judicial.
1.2 Conceitos e Definições de Serviços Notariais e de Registros.
Iniciaremos nossos estudos valendo-nos do dispositivo constitucional vigente que 
determina as regras basilares do Direito Notarial e Registral. Vejamos:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, 
por delegação do poder público.
§ 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal 
dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a 
fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.
§ 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos 
relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro.
§ 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso 
público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique 
vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de 
seis meses.
Como se depreende do artigo em comento, a atividade registral e notarial constitui 
um serviço tipicamente público que é delegado a um particular.
Inclusive, como bem lembrado por Demétrios Emiliasi (2008), o termo “cartório” 
deixa de existir e foi substituído pela expressão serviço notarial e de registro, como se 
constata no art. 236, supracitado.
Desde já, é importante identificarmos que serviço notarial envolve redigir, formalizar 
e autenticar, extrajudicialmente e com fé pública, atos e fatos jurídicos de quem os solicita. 
Sendo assim, cabe ao tabelião ratificar a vontade das partes em seus negócios jurídicos em 
detrimento da lei. A atividade notarial autentica fatos, recebe a declaração de vontade das 
pessoas, dando-lhe forma legal, quer para validade, quer para autenticidade.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
11
Já os serviços de registros consubstanciam no assentamento de títulos de interesse 
privado ou público, para oponibilidade a terceiros. Acarretando efeitos constitutivos, 
comprobatórios e publicitários, ou seja, inscreve os atos e fatos jurídicos da vida civil da pessoa.
As atribuições dos notários (ou tabeliães) estão dispostas nos artigos 6º e 11 da Lei 
8.935/1994, as quais serão objeto de estudo na Unidade II.
Além do art. 236 da Constituição Federal de 1988, outros artigos da mesma lei 
indicam as atividades notariais e registrais, tais como: art. 5º, inciso XXXIII, há a menção ao 
direito à informação (regulamentado posteriormente pela Lei 12.527/2011); o inciso XXXIV, 
alínea b, do mesmo artigo trata do direito à obtenção de certidões, independentemente do 
pagamento de taxas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse 
pessoal e o art. 19, por sua vez, dispõe sobre a proibição de Estados, Distrito Federal e 
Municípios recusarem fé aos documentos públicos.
Nessa linha de raciocínio, os serviços notariais e registrais são os de organização 
técnica e administrativa destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segurança e 
eficácia dos atos jurídicos, conforme disposto no art. 1º da Lei 8.935/19941.
As atividades notariais são praticadas pelos denominados tabeliães (ou notários), 
que são aqueles aprovados em concurso de provas e títulos para ingresso nos Cartórios 
de Notas, Cartórios de Protestos de Títulos e Cartórios de Registro de Contratos Marítimos.
Já as atividades registrais, como o próprio nome indica, são praticadas pelos oficiais 
de registro (ou registradores), ou seja, aqueles aprovados em concurso de provas e títulos 
para ingresso nos Cartórios de Registro de Imóveis, Registro de Títulos e Documentos, 
Registro Civil de Pessoas Jurídicas, Registro Civil de Pessoas Físicas, Registro de Contratos 
Marítimos, Registro de Interdição e Tutela e o Registro de Distribuição.
Observe que o Registro de Contratos Marítimos foi citado dentre aqueles que conferem 
ao seu titular a denominação de tabelião, bem como dentre aqueles que conferem ao seu 
titular o nome de oficial de registro. Isso ocorre, pois esse tipo de serventia tem competência 
própria do notário, como, por exemplo, o reconhecimento de firmas,conforme demonstrado a seguir, tem por finalidade punir o funcionário público que, 
infringe o dever que lhe é imposto e facilita a realização do contrabando ou do descaminho, 
praticados por particulares.
FIGURA 4: CRIME EM ESPÉCIE
Fonte: a autora.
A PREVARICAÇÃO, disposta no art. 319 do Código Penal, consiste em retardar ou 
deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de 
lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal, com previsão de pena de detenção de 
três meses a um ano, e multa.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.763.htm#art2art317
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.763.htm#art2art317
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.763.htm#art2art317
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.763.htm#art2art317
90RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Da leitura anterior, constata-se que o sujeito ativo viola dever funcional para 
satisfazer interesse pessoal, ainda que não seja pecuniário, pois, se for, estaremos diante 
do crime de corrupção passiva.
O objetivo é tutelar o interesse da administração pública, classifica-se como crime 
próprio, exige-se o dolo na conduta e a tentativa é admitida, exceto nos casos em que a 
conduta for omissiva.
O art. 320 do Código Penal trata de um tipo penal que pretende proteger a 
administração pública, consiste em um crime próprio. O elemento subjetivo exigido para a 
configuração da conduta é o dolo. E a consumação do crime ocorre com a simples omissão, 
por isso não se admite a tentativa.
FIGURA 6: CRIME EM ESPÉCIE
Fonte: a autora.
Para finalizarmos a seção 3 da Unidade IV, abordaremos o art. 321 do Código Penal 
com o crime chamado ADVOCACIA ADMINISTRATIVA, que consiste em “patrocinar, direta ou 
indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de 
funcionário”, com pena de detenção, de um a três meses, ou multa e ainda se o interesse for 
ilegítimo a pena de detenção poderá ser de três meses a um ano, além da multa.
O legislador pretendeu tutelar os interesses da administração pública, assim como 
sua moralidade. Somente funcionários públicos e as pessoas equiparadas legalmente 
podem praticar o crime, sem prejuízo da possibilidade do concurso de pessoas. O 
elemento subjetivo é a conduta dolosa e, por se tratar de um crime formal, o qual ocorre 
independentemente da obtenção do resultado, não se admite tentativa. O parágrafo único 
prevê a forma qualificada.
91
CRIMES PRATICADOS POR 
FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CONTRA A 
ADMINISTRAÇÃO: ART. 322 AO ART. 326 
DO CÓDIGO PENAL E FISCALIZAÇÃO 
PELO PODER JUDICIÁRIO
4
TÓPICO
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Prezado(a) aluno(a), estamos caminhando para o final da nossa jornada. Esta é a 
última sessão da Unidade IV e, com ela, concluiremos nossos estudos sobre os serviços 
notariais e registrais. Mas não se esqueça, o estudo não acaba aqui, teremos várias atividades 
de aprendizagem, além dos diversos textos sugeridos, como leitura complementar. 
Dando continuidade ao estudo da responsabilidade penal, seguiremos atrelados ao 
Código Penal. Primeiramente o art. 322 que trata da violência arbitrária, que consiste em 
qualquer modalidade desde que a violência praticada seja injustificada.
FIGURA 7: CRIME EM ESPÉCIE
Fonte: a autora
O art. 323 do Código Penal fala do ABANDONO DE FUNÇÃO, com o seguinte teor:
92RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Importante salientar sobre o tipo penal tratado que não se admite a equiparação 
do funcionário público do art. 327 do Código Penal e, independentemente de haver ou não 
dano para a Administração, a conduta se consuma com o abandono. Sendo assim, o tipo 
se trata de crime de perigo.
Vimos na Unidade I os critérios para ocupar a função de notário e de oficial de registro, 
também vimos as infrações administrativas e as penalidades decorrentes, diante destes 
estudos prévios cita-se abaixo para melhor compreensão o crime EXERCÍCIO FUNCIONAL 
ILEGALMENTE ANTECIPADO OU PROLONGADO, com previsão no art. 324 do Código Penal.
FIGURA 8: CRIME EM ESPÉCIE
Fonte: a autora
O crime chamado VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL, com previsão no art. 325 
do Código Penal, consiste em “revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que 
deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação”, com pena de detenção, de seis 
meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.
O legislado no parágrafo primeiro do art. 325 do Código Penal afirma que incorre 
nas mesmas penas supracitadas, aquele que:
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de 
senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a 
sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; 
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. 
93RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
§ 2.º Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública, ou a 
outrem: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
 
O art. 326 do Código Penal que estabelece tipo penal VIOLAÇÃO DO SIGILO 
DE PROPOSTA DE CONCORRENTE foi tacitamente revogado pelo art. 94 da Lei n.º 
8.666/1993, que assim prevê: “devassar o sigilo de proposta apresentada em procedimento 
licitatório, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo”, com pena de detenção, de 2 
(dois) a 3 (três) anos, e multa.
Feitas as considerações sobre as responsabilidades, nos cabe analisar o poder de 
fiscalizar a prestação dos serviços registrais e notariais.
 Já foi fruto do nosso estudo que os titulares dos serviços notariais e registrais têm 
independência para a organização e a administração dos serviços que lhes forem delegados, 
não havendo a intervenção do Poder Delegante nesse sentido, porém há a fiscalização do 
Poder Judiciário para exame constante da legalidade dos seus atos (CENEVIVA, 2014).
O texto constitucional estabelece, expressamente, em seu art. 236, § 1º, que os serviços 
notariais e de registro serão fiscalizados pelo Poder Judiciário. Confira: “[…] lei regulará as 
atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e 
de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário”.
O legislador infraconstitucional, através da Lei n. 8.935/1994, dispõe da seguinte forma:
Art. 37. A fiscalização judiciária dos atos notariais e de registro, mencionados 
nos arts. 6º a 13, será exercida pelo juízo competente, assim definido na 
órbita estadual e do Distrito Federal, sempre que necessário, ou mediante 
representação de qualquer interessado, quando da inobservância de 
obrigação legal por parte de notário ou de oficial de registro, ou de 
seus prepostos. Parágrafo único. Quando, em autos ou papéis de 
que conhecer, o Juiz verificar a existência de crime de ação pública, 
remeterá ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários 
ao oferecimento da denúncia. (grifo nosso)
Art. 38. O juízo competente zelará para que os serviços notariais e de 
registro sejam prestados com rapidez, qualidade satisfatória e de modo 
eficiente, podendo sugerir à autoridade competente a elaboração de planos 
de adequada e melhor prestação desses serviços, observados, também, 
critérios populacionais e socioeconômicos, publicados regularmente pela 
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 
Nota-se que o legislador ordinário atribuiu ao juiz corregedor amplos poderes para 
proceder à aplicação das penalidades previstas em lei (repreensão, multa,suspensão e perda 
da delegação), respeitando a gravidade do ato praticado pelo notário ou oficial de registro, e 
sobretudo garantido a efetividade dos princípios do contraditório e da ampla defesa.
94RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
Depreende-se da leitura do art. 38 que cabe ao magistrado orientar os delegados/
titulares, propor soluções alternativas, acolher reclamações, fazer constante verificação 
pessoal das condutas dos profissionais fiscalizados, sugerir à Corregedoria-Geral 
providências que visem à melhoria de resolução, assim como pressupõe a possibilidade de 
instaurar processos administrativos quando for necessário (CENEVIVA, 2014).
Nesse contexto, devemos nos remeter ao art. 30, inciso XIV, da Lei n. 8.935/1994, que 
estabelece o dever dos titulares de respeitar as normas técnicas estabelecidas pelas autoridades 
judiciais (do juízo competente) (CENEVIVA, 2014), o que está relacionado à normatização 
definida pelas Corregedorias Gerais da Justiça, vinculadas aos Tribunais de Justiça Estaduais.
Cabe ao Poder Judiciário, por exemplo, a competência para fixar os dias e horários 
de funcionamento dos serviços (art. 4º, da Lei n. 8.935/1994), a realização dos concursos 
(art. 15, da Lei n. 8.935/1994), o exercício do poder disciplinar (art. 34, da Lei n. 8.935/1994) 
e estabelece normas gerais para a fiscalização dos atos (arts. 37 e 38, da Lei n. 8.935/1994).
Por fim, nos resta consignar que o controle exercido pelo poder judiciário não lhe 
confere atuação absoluta ao ponto de invadir a gestão administrativa do serviço notarial e/ou 
registral. Neste ponto prevalece a independência na adoção de providências administrativas 
que entender necessárias para o bom funcionamento do cartório.
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“Não restam dúvidas de que a virtualização dos serviços notariais e de registro poderão se 
perpetuar daqui para frente” (Presidente do Sinoreg-ES, Márcio Valory).
Sobre a citação, proponho as seguintes reflexões: com o término da pandemia, as significativas 
alterações nas rotinas das serventias permanecerão? O acesso aos serviços virtuais atinge a grande maioria 
da população? Será que a virtualização não restringe o acesso do cidadão hipossuficiente? 
Fonte: a autora.
REFLITA
Caro(a) aluno(a), a seguir faço sugestão de dois textos, o primeiro sobre a responsabilidade civil dos 
notários e registradores, a fim de complementar o estudo realizado na seção 1 desta apostila, e o segundo, um 
texto recente sobre a suspensão do envio de informações de registro de imóveis a centrais eletrônicas
Link I: https://irirgs.org.br/2019/12/09/artigo-responsabilidade-civil-dos-notarios-e-registradores-
mais-uma-hipotese-de-responsabilidade-civil-do-estado-por-luciana-oltramari-velasques/
Link II: https://www.jota.info/tributos-e-empresas/regulacao/a-tradicao-cartorial-brasileira-na-era-
dos-dados-pessoais
Link I Link II
SAIBA
MAIS
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
https://irirgs.org.br/2019/12/09/artigo-responsabilidade-civil-dos-notarios-e-registradores-mais-uma-hipotese-de-responsabilidade-civil-do-estado-por-luciana-oltramari-velasques/
https://irirgs.org.br/2019/12/09/artigo-responsabilidade-civil-dos-notarios-e-registradores-mais-uma-hipotese-de-responsabilidade-civil-do-estado-por-luciana-oltramari-velasques/
https://www.jota.info/tributos-e-empresas/regulacao/a-tradicao-cartorial-brasileira-na-era-dos-dados-pessoais
https://www.jota.info/tributos-e-empresas/regulacao/a-tradicao-cartorial-brasileira-na-era-dos-dados-pessoais
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Vimos que as atividades notariais e de registro são funções delegadas pelo Estado 
e constituem instrumento de fé pública. A atividade notarial está associada à concretização 
de negócios e contratos, já a atividade de registro complementa aquela, pois está pautada 
na publicidade, dada a terceiros e ao Estado, dos fatos e atos da vida social, que, por 
consequência, são geradores de direitos e obrigações.
Os titulares dos referidos serviços, direta ou indiretamente, podem ser 
responsabilizados nas esferas cíveis e criminais. Para que seja configurada a 
responsabilidade civil é certo que devemos estar diante de uma conduta lesiva, nexo causal, 
dano e o elemento subjetivo, qual seja, dolo ou culpa. 
A responsabilidade penal inicia com a prática da conduta, ação ou omissão, 
consciente e voluntária e para fins penais, os notários e registradores são tratados como 
funcionários públicos, inclusive esta nomenclatura é utilizada pelo Código Penal. 
Diante de todo o exposto, merece destaque o fato de que as responsabilidades 
civis e penal são independentes, de modo que a absolvição criminal do agente notarial e de 
registro não implica sua absolvição cível.
Também não se pode esquecer que os notários e oficiais de registro possuem 
autonomia administrativa e financeira. Na medida em que o Estado delega a função pública 
para aquele que cumpre a exigência legal, este a exercerá por sua conta e risco, recebendo 
a contraprestação denominada emolumentos.
Sendo assim, a prestação de serviço defeituosa pode acarretar responsabilidade 
funcional, civil e penal direta dos serventuários, respondendo o Estado somente 
subsidiariamente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
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Seguem dois textos que vale a pena fazer e leitura para complementar e aprofundar 
os temas tratados nesta apostila. E o que tornará mais interessante a leitura é analisar as 
situações fáticas reais e a teoria abordada no material.
01. Operação contra fraude em cartório que causou prejuízo de R$ 10 milhões prende 
cinco pessoas no oeste do Paraná. Disponível em: https://g1.globo.com/pr/oeste-
sudoeste/noticia/2020/10/01/policia-civil-mira-ex-funcionarios-de-cartorio-suspeitos-
fraudar-documentos-e-causar-prejuizo-de-r-10-milhoes-no-oeste-do-parana.ghtml
02. Breves considerações sobre o provimento n.º. 63 do CNJ relativamente 
ao reconhecimento voluntário e a averbação da paternidade e maternidade 
socioafetiva e a crescente desjudicialização. Disponível em: http://rdn.cnbsp.org.
br/index.php/direitonotarial/article/view/5/2
LEITURA COMPLEMENTAR
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2020/10/01/policia-civil-mira-ex-funcionarios-de-cartorio-suspeitos-fraudar-documentos-e-causar-prejuizo-de-r-10-milhoes-no-oeste-do-parana.ghtml
https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2020/10/01/policia-civil-mira-ex-funcionarios-de-cartorio-suspeitos-fraudar-documentos-e-causar-prejuizo-de-r-10-milhoes-no-oeste-do-parana.ghtml
https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2020/10/01/policia-civil-mira-ex-funcionarios-de-cartorio-suspeitos-fraudar-documentos-e-causar-prejuizo-de-r-10-milhoes-no-oeste-do-parana.ghtml
http://rdn.cnbsp.org.br/index.php/direitonotarial/article/view/5/2
http://rdn.cnbsp.org.br/index.php/direitonotarial/article/view/5/2
98
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Amor Sem Escalas
• Ano: 2009
• Sinopse: Ryan Bingham (George Clooney) tem por função 
demitir pessoas. Por estar acostumado com o desespero e a 
angústia alheios, ele mesmo se tornou uma pessoa fria. Além 
disto, Ryan adora seu trabalho. Ele sempre usa um terno e 
carrega uma maleta, viajando para diversos cantos do país. 
Até que seu chefe contrata a arrogante Natalie Keener (Anna 
Kendrick), que desenvolveu um sistema de videoconferência 
onde as pessoas poderão ser demitidas sem que seja necessário 
deixar o escritório. Este sistema, caso seja implementado, põe 
em risco o emprego de Ryan. Ele passa então a tentar convencê-
la do erro que é sua implementação, viajando com Anna para 
mostrar a realidade de seu trabalho. Observação: Este filme foi 
sugerido pela Especialista Thais Ribeiro, que idealizou a Inspire 
Qualidade, ela comenta que o filme mostra para os líderes o 
conflito de gerência tradicional e gerência nova, que salta das 
escolas de negócios transformandoas relações. Por isso é um 
filme muito interessante na visão da gestão de equipes mais 
humanizado dentro do Cartório.
LIVRO
• Título: Manual Dos Notários E Dos Registradores 
• Autores: Denise Heuseler; Gisele Leite; José Domingues Filho; 
Mario do Carmo Ricalde. 
• Editora: Contemplar
• Sinopse: O presente Manual dos Notários e Registradores, 
em sua segunda edição, vem, em bom momento, promover 
comentários didáticos nutridos da melhor doutrina contemporânea 
e a jurisprudência atualizada e inclusive em atenção às leis 13.489, 
13.484, 13.465, 13.286 e, por fim, do Código de Processo Civil 
vigente, a Lei 13.105/2015 já contendo as alterações trazidas 
pela Lei 13.256/20. Pela união feliz desses renomados autores 
e autoras, o presente manual se revela em ser uma essencial 
ferramenta para profissionais e estudantes da Ciência do Direito, 
resultando numa preciosa contribuição para o aperfeiçoamento do 
mundo jurídico, capaz de erigir o Estado Democrático de Direito 
e, finalmente, ter um Brasil, mais justo, mais solidário e igualitário.
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DOS NOTÁRIOS E REGISTRAISUNIDADE 4
https://www.inspirequalidade.com.br/author/thais/
99
CONCLUSÃO GERAL
Olá! Chegamos ao fim do nosso material e, consequentemente, das nossas 
aulas.
Vimos que a atividade notarial e registral constitui um serviço tipicamente público 
delegado pelo Estado ao particular. Não podemos esquecer que os notários e registradores 
são dotados de fé pública e que a Constituição Federal de 1988 exigiu expressamente que 
o ingresso na carreira registral e notarial deveria se dar por meio de concurso de provas e 
títulos, vedando a transmissão das serventias de pais para filhos.
Ao estudar as atribuições e competências dos serviços notariais e registrais 
concluímos que os serviços não são acumuláveis, ou seja, cada uma das atividades deve 
ser exercida separadamente, com titular próprio, entretanto o parágrafo único do artigo 26 
da Lei 8.935/1994, permite excepcionalmente acumulação dos serviços em municípios com 
quantidade de habitantes muito baixa.
Aprendemos que os notários e os oficiais de registro possuem independência 
na gestão de sua serventia, inclusive a de contratar escreventes, substitutos e auxiliares 
a fim de colaborarem na prestação do serviço. Vimos as hipóteses de impedimento e 
incompatibilidades e estudamos os direitos e deveres dos notários e dos oficiais de registro, 
dando ênfase às obrigações inerentes ao titular. 
Para finalizar o conteúdo programático da presente disciplina, concluímos que 
os atos praticados pelos notários e oficiais de registros podem causar dano a terceiro e 
inclusive o se o desvio pode configurar crime, impondo-lhes a responsabilidade civil e penal 
pela conduta praticada. Ademais, existem infrações disciplinares e penalidades decorrentes 
na esfera administrativa.
Resta saber se os serviços notariais e registrais garantem a eficácia, autenticidade 
e segurança jurídica, indispensáveis a inúmeras relações jurídicas, viabilizando a finalidade 
do Direito, qual seja o convívio pacífico em sociedade.
Espero, sinceramente, que você tenha aprendido, compreendido e absorvido as 
informações que lhe foram passadas. Sugiro que leia novamente o material, para fixar bem 
o conteúdo presente. 
No mais, quero dizer que foi um prazer participar da sua formação! Reitero que 
estou à sua disposição nos diversos canais de comunicação existentes. Não tenha receio, 
entre em contato!
100
REFERÊNCIAS
BEZERRA, Frederico Costa. Comentários sobre a pena de perda da delegação ao 
Notário e ao Registrador. 2019. Disponível em: https://conteudojuridico.com.br/consulta/
artigos/53242/comentrios-sobre-a-pena-de-perda-da-delegao-ao-notrio-e-ao-registrador. 
Acesso em: 01 jan. 2021.
BRAGA, Marcelo. Cartórios: a importância e a evolução histórica. 2016. Disponível 
em:https://marceloadvbh.jusbrasil.com.br/artigos/390657528/cartorios-a-importancia-e-a-
evolucao-historica. Acesso em: 03 dez 2020.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada em 5 
de outubro de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 03 dez. 2020.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada em 5 
de outubro de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 28 dez. 2020.
BRASIL. Decreto Lei 5.452, de 01 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis 
do Trabalho. Brasília, 1943. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/
del5452.htm. Acesso em: 28 dez. 2020.
BRASIL. Decreto Lei n.º 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal. Brasília, 
1940. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.
htm. Acesso em: 06 dez. 2020.
BRASIL. Lei 10.169, de 29 de dezembro de 2000. Regula o § 2.º do art. 236 da Constituição 
Federal, mediante o estabelecimento de normas gerais para a fixação de emolumentos 
relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. Brasília, 2000. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10169.htm. Acesso em: 23 dez. 2020.
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/53242/comentrios-sobre-a-pena-de-perda-da-delegao-ao-notrio-e-ao-registrador
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/53242/comentrios-sobre-a-pena-de-perda-da-delegao-ao-notrio-e-ao-registrador
https://marceloadvbh.jusbrasil.com.br/artigos/390657528/cartorios-a-importancia-e-a-evolucao-historica
https://marceloadvbh.jusbrasil.com.br/artigos/390657528/cartorios-a-importancia-e-a-evolucao-historica
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art236%C2%A72
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art236%C2%A72
101
BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Brasília, 2002. Disponível 
em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 17 
dez. 2020.
BRASIL. Lei 11.441, de 04 de janeiro de 2007. Altera dispositivos da Lei no 5.869, de 11 
de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, possibilitando a realização de inventário, 
partilha, separação consensual e divórcio consensual por via administrativa. http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11441.htm. Acesso em: 23 dez. 2020.
BRASIL. Lei 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, 2015. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. 
Acesso em: 17 dez. 2020.
BRASIL. Lei 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos, e dá 
outras providências. Brasília, 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L6015compilada.htm. Acesso em: 03 dez. 2020.
BRASIL. Lei 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do 
Adolescente e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/l8069.htm. Acesso em: 23 dez. 2020.
BRASIL. Lei 8.935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236, CF, e dispõe 
sobre serviços notariais e registrais. Brasília, 1994. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/L8935.htm. Acesso em: 03 dez. 2020.
BRASIL. Lei 8.935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236, CF, e dispõe 
sobre serviços notariais e registrais. Brasília, 1994. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/L8935.htm. Acesso em: 28 dez. 2020.
BRASIL. Lei 9.492, de 10 de setembro de 1997. Define competência, regulamenta os 
serviços concernentes ao protesto de títulos e outros documentos de dívida e dá outras 
providências. Brasília, 1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9492.
htm. Acesso em: 17 dez. 2020.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm102
BRASIL. Lei n.º 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da 
Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e 
dá outras providências. Brasília, 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/l8666cons.htm. Acesso em: 06 dez. 2020.
CENEVIVA, Walter. Lei dos notários e dos registradores comentada. 9. ed. São Paulo: 
Editora Saraiva, 2014.
CENEVIVA, Walter. Lei dos notários e dos registradores comentada. 6. ed. São Paulo: 
Editora Saraiva, 2008.
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2002.
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2015. 
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Mogi Editora, 2008. 
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em:https://drpalomaferreira.jusbrasil.com.br/artigos/679573705/mapa-do-parentesco. 
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https://www.1rilondrina.com.br/ri/artigos/cautelas-juridicas-para-a-compra-de-imovel-urbano#:~:text=A compra de um im%C3%B3vel,os detalhes atinentes %C3%A0 seguran%C3%A7a
https://www.1rilondrina.com.br/ri/artigos/cautelas-juridicas-para-a-compra-de-imovel-urbano#:~:text=A compra de um im%C3%B3vel,os detalhes atinentes %C3%A0 seguran%C3%A7a
https://www.1rilondrina.com.br/ri/artigos/cautelas-juridicas-para-a-compra-de-imovel-urbano#:~:text=A compra de um im%C3%B3vel,os detalhes atinentes %C3%A0 seguran%C3%A7a
103
de-fachada-ludibriam-o-consumidor-com-cobrancas-astronomicas/. Acesso em: 01 jan. 
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PAIVA, João Pedro Lamana. História do Sistema Registral Brasileiro. 2016. Disponível: 
em: https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento/patrimonio-da-uniao/
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Disponível em: http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/
doc_biblioteca/bibli_servicos_produtos/bibli_boletim/bibli_bol_2006/RDImob_n.81.16.PDF. 
Acesso em: 01 jan. 2021.
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Paulo: Atlas, 2014.
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importancia-da-atividade-notarial-e-registral-por-francielli-schmoller-e-fabrisia-franzoi/. 
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VASCONCELOS, Julenildo Nunes; CRUZ, Antônio Augusto Rodrigues Cruz. Direito 
Notarial. Teoria e Prática. São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 2000. 
ZONTA, FÁBIO. Dos princípios de regência dos serviços notariais e de registro. 2014. 
Disponível em:https://www.tabelionatofischer.not.br/noticias/area-notarial/dos-principios-
de-regencia-dos-servicos-notariais-e-de-registro-fabio-zonta-2. Acesso em: 17 dez. 2020.
https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento/patrimonio-da-uniao/programa-de-modernizacao/linha-do-tempo/arquivos-e-publicacoes/historia-do-sistema-registral-brasileiro.pdf/view
https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento/patrimonio-da-uniao/programa-de-modernizacao/linha-do-tempo/arquivos-e-publicacoes/historia-do-sistema-registral-brasileiro.pdf/view
https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento/patrimonio-da-uniao/programa-de-modernizacao/linha-do-tempo/arquivos-e-publicacoes/historia-do-sistema-registral-brasileiro.pdf/view
http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_servicos_produtos/bibli_boletim/bibli_bol_2006/RDImob_n.81.16.PDF
http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_servicos_produtos/bibli_boletim/bibli_bol_2006/RDImob_n.81.16.PDF
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	Unidade 4 - 2024
	Site UniFatecie 3: 
	Botão 19: 
	Botão 18: 
	Botão 17: 
	Botão 16:art. 10, III da Lei 8.935/94, 
e atividades de registro, art. 10, II da Lei 8.935/94, típicas dos oficiais de registro.
Não se esqueça de que tanto os tabeliães quanto os oficiais de registro podem ter 
ingressado, respectivamente, na atividade notarial e registral na vigência da lei anterior, que 
dispensava a aprovação em concurso de provas e títulos para o exercício dessas funções.
Embora tabeliães e registradores exerçam uma função delegada pelo Poder 
Público, adotamos o entendimento de que eles não são considerados servidores públicos. 
1. Regulamenta o art. 236 da Constituição Federal, dispondo sobre serviços notariais e de registro. (Lei dos cartórios). Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8935.htm. Acesso em: 16 dez. 2020.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art236
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8935.htm
12
Este entendimento é pautado por dois argumentos, o primeiro é pelo fato de que a prática 
do serviço notarial e registral não é paga ao titular da serventia pelo Estado, como ocorre na 
relação entre este e os servidores públicos e o outro fundamento para o desenquadramento 
dos delegatários enquanto servidores públicos é a existência de autonomia técnica e 
administrativa, destinada a garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos 
atos jurídicos (BRASIL, 1994, art. 1º). O pagamento se dá por meio de emolumentos que, 
segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal, são considerados taxas, ou seja, 
constituem espécie tributária, e, portanto, são pagos por aquele que requerer a prestação 
do serviço cartorial.
Por fim, importante reforçar as definições preceituadas no art. 236, da Constituição 
Federal (1988), quais sejam:
• Os serviços notariais e registrais possuem caráter privado.
• São delegados pelo Poder Público.
• A disciplina do exercício dessas atividades é dada por lei federal, a Lei 
8.935/1994.
• A remuneração por tais serviços se dá por meio de cobrança de emolumentos, 
que são disciplinados por lei federal, a Lei 10.169/2000.
• O ingresso na atividade notarial e registral se dá por concurso público.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
13
A Carta Magna inovou ao determinar que o ingresso na carreira registral e notarial 
deve acontecer por meio de concurso de provas e títulos, vedando a transmissão das 
serventias de pais para filhos. Assim, aquele que for aprovado no concurso público terá 
direito ao ingresso na carreira de registrador ou tabelião. 
Nos termos dos art. 14, da Lei n.º 8.935/1994, a delegação do exercício da atividade 
notarial e registral somente será deferida àquele que atender os seguintes requisitos:
a) Ter obtido habilitação em concurso público de provas e títulos.
b) Possuir nacionalidade brasileira.
c) Possuir capacidade civil.
d) Estar quite com as obrigações eleitorais e militares.
e) Possuir diploma de bacharel em Direito.
f) Se não for bacharel em Direito, poderá lhe ser delegado, desde que tenha 
completado, até a data da primeira publicação do edital do concurso de provas e 
títulos, dez anos de exercício em serviço notarial ou de registro.
g) Possuir, que possa ser verificada, a conduta condigna para o exercício da 
profissão.
Já o art. 15, da Lei n.º 8.935/1994, prevê que os concursos serão realizados pelo 
Poder Judiciário, com a participação, em todas as suas fases, da Ordem dos Advogados do 
Brasil, do Ministério Público, de um notário e de um registrador, cujos critérios de avaliação 
e seleção serão publicados por edital.
INGRESSO NAS ATIVIDADES 
NOTARIAIS E REGISTRAIS E 
LEGISLAÇÕES QUE REGEM 
A ATUAÇÃO
2
TÓPICO
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
14
As vagas divulgadas no edital serão preenchidas, em dois terços, por concurso 
público de provas e títulos, as quais serão destinadas às pessoas que preencham os 
requisitos mencionados. E um terço será preenchido por meio de remoção, mediante 
concurso de provas e títulos, cujos critérios e normas serão definidos por legislação estadual, 
conforme art. 16, da Lei n.º 8.935/1994, para as quais somente serão admitidos titulares 
que exerçam a atividade por mais de dois anos. Ressalta-se que, no caso de remoção, a lei 
fala em concurso de títulos, mas, em regra, as legislações estaduais exigem a realização 
do concurso de provas e títulos.
O profissional que vier a receber a delegação da atividade notarial é o titular que 
recebe a denominação de notário (ou tabelião) e oficial de registro (ou registrador), a 
depender da atividade que prestará, conforme define os arts. 3º e 5º, da Lei n.º 8.935/1994:
Art. 3º Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são profissionais 
do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade 
notarial e de registro.
[…]
Art. 5º Os titulares de serviços notariais e de registro são os:
I - tabeliães de notas;
II - tabeliães e oficiais de registro de contratos marítimos;
III - tabeliães de protesto de títulos;
IV - oficiais de registro de imóveis;
V - oficiais de registro de títulos e documentos e civis das pessoas jurídicas;
VI - oficiais de registro civis das pessoas naturais e de interdições e tutelas;
VII - oficiais de registro de distribuição (BRASIL, 1994, art. 5º).
Os delegatários possuem independência, ainda que relativa, pois se submetem à 
disciplina e normas ditadas pelo Poder delegante, neste sentido prevê o art. 21, da Lei n.º 
8.935/1994: 
Art. 21. O gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços notariais e 
de registro é da responsabilidade exclusiva do respectivo titular, inclusive no 
que diz respeito às despesas de custeio, investimento e pessoal, cabendo-lhe 
estabelecer normas, condições e obrigações relativas à atribuição de funções 
e de remuneração de seus prepostos de modo a obter a melhor qualidade na 
prestação dos serviços.
Vale destacar que a independência dos titulares das serventias é vista sob dois 
prismas: no tocante à organização administrativa, em que a independência é ampla; e no 
tocante à técnica, observa-se a delimitação do exercício da função registral ou notarial, pois 
estará atrelada ao princípio da legalidade, ou seja, pode agir em conformidade com todos 
os instrumentos legislativos e normativos (leis, provimentos, instruções normativas, etc.).
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
15
Destaca-se, ainda, que os titulares têm liberdade de escolher quem serão os escreventes, 
escrevente substituto e auxiliares, como empregados na serventia, a serem contratados sob o 
regime das leis trabalhistas, cuja remuneração será negociada pelo próprio titular.
Sendo assim, cabe ao titular organizar a estrutura técnica e de pessoal de sua 
serventia, o que representa, inclusive, a possibilidade de contratação de outras pessoas 
para prestar os serviços. Afinal, raramente, o titular conseguirá prestar todos os serviços 
sozinhos, por este motivo a própria da Lei 8.935/1994, em seu art. 20, permite aos notários 
(ou tabeliães) e oficiais (ou registradores) contratarem pessoas que possam desempenhar 
suas próprias atividades ou lhes auxiliarem.
Walter Ceneviva (2014) ensina que:
• Escrevente é o empregado com capacitação técnica para desempenhar o 
serviço registral ou notarial. Nos ofícios de registro, eles serão habilitados para 
examinar títulos, autorizar o assentamento ou devolvê-los ao interessado (quem 
o apresentou na serventia), com exigência legal, realizar buscas de documentos 
registrados na serventia, promover ou certificar assentamentos existentes. Nos 
tabelionatos, estarão habilitados para a lavratura de instrumentos próprios dessas 
serventias, conforme designação do próprio titular.
• Escrevente substituto é o empregado com capacitação técnica plena, a 
critério do oficial, habilitado a, com ele, praticar, simultaneamente, todos os atos 
da atividade notarial e registral.
• Auxiliar é o empregado, também submetidoà legislação trabalhista, que ajuda 
os escreventes e escreventes substitutos para desempenhar serviços gerais, com 
ou sem capacitação técnica específica para os serviços registrais ou notariais, 
cumprindo as tarefas que lhe forem designadas pelo titular ou pelo escrevente 
substituto, ficando a eles subordinado.
• Empregados, no sentido lato, serão todos aqueles que forem contratados para 
prestar serviço na serventia. Mas, além dos auxiliares e escreventes, o titular pode 
contratar pessoas para o desempenho de atividades correlacionadas – como 
para serviço técnico de informática, segurança, manutenção de equipamentos, 
limpeza, advogados para assessoria jurídica, entre outros –, com eles mantendo 
relação empregatícia ou não.
2.1 O Escrevente Substituto
Sabe-se que o escrevente substituto é o único capaz de realizar os mesmos atos 
que o próprio titular, a lei inclusive determina que este deve designar expressamente um 
deles para que, a todo tempo, possa substituí-lo em suas ausências e impedimentos, 
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
16
devendo, quando isso acontecer, dar ciência ao juízo competente. Afinal, a atividade jamais 
deve ficar sem alguém capacitado e legitimado para prestá-la.
Esclarece-se que embora o § 4º do art. 20 vede ao substituto lavrar testamento, o 
art. 1.864, inciso I, do Código Civil passou a permiti-lo.
Alguns pontos relevantes merecem ser destacados, o primeiro refere-se que a 
designação de um escrevente substituto não configura uma subdelegação, caracterizando-
se apenas como preposto do titular da serventia, que recebe uma forma imprópria de 
transmissão de competência do delegado substituto, de modo que o substituto atua por 
conta e risco do delegado (CENEVIVA, 2014). 
O segundo ponto a ser tratado diz respeito ao caso de afastamento disciplinar do 
titular e de seu substituto, como penalidade, surgindo, então, a figura do interventor, que é 
aquele que será nomeado pelo juízo competente para assumir a serventia, em uma situação 
provisória, cuja nomeação se dará em conformidade com as normas estaduais. Não se trata, 
contudo, de uma delegação: o interventor será um agente estatal com vínculo exclusivo 
com o Poder Público que o nomeia, razão pela qual ele não pode ser responsabilizado 
diretamente pelos atos praticados durante a intervenção (CENEVIVA, 2014).
O interventor tem responsabilidade subjetiva e indireta, ou seja, o lesado entra 
contra o Poder Público e este terá direito de regresso contra ele no caso de culpa ou dolo. 
Enquanto no caso do delegatário a responsabilidade é subjetiva e direta, sendo admitido ao 
lesado pleitear a responsabilidade diretamente contra ele.
Nessas situações, deve-se atentar para o teor do art. 39, § 2º da Lei n.º 8.935/1994, 
que estabelece: “extinta a delegação a notário ou a oficial de registro, a autoridade 
competente declarará vago o respectivo serviço, designará o substituto mais antigo para 
responder pelo expediente e abrirá concurso”.
Ainda, quando o § 5º, do art. 20, da Lei n.º 8.935/1994 fala em ausências do titular, 
considera-se como os períodos de férias, licenças ou as ocasionais, quando não possa estar 
presente na serventia. Já quando o mesmo dispositivo fala em impedimentos, considera-se 
como obstáculos legais temporários para o exercício da delegação, tema que será tratado 
oportunamente.
2.2 Legislações Pertinentes às Serventias Notarias e Registrais
No dia 5 de outubro de 1988, a Constituição Federal entrou em vigor, e, com ela, 
o art. 236. Neste momento já estava vigente e assim permanece a Lei n.º 6.015, de 31 de 
dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos. 
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
17
Em 18 de novembro de 1994 foi publicada a Lei n.º 8.935, que regulamenta o art. 
236, CF, e dispõe sobre serviços notariais e registrais. 
Além disso, a Lei n.º 10.169, de 29 de dezembro de 2000, estabelece a fixação 
de emolumentos decorrentes da prática de atos notariais e registrais, não obstante, 
cada estado-membro tenha regulamentado a cobrança dos serviços de cartório de suas 
respectivas regiões, com leis próprias.
As atividades registrais e notariais, as formas de remuneração e os emolumentos 
devem ser regulados por lei própria.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
18
De imediato, relevante compreendermos o conceito de princípio atribuído por José 
Cretella Júnior (Revista de Informação Legislativa, v. 97:7), “princípios de uma ciência são 
as proposições básicas, fundamentais, típicas que condicionam todas as estruturações 
subsequentes. Princípios, neste sentido, são os alicerces da ciência” (PIETRO, 2018, p. 131). 
3.1 Princípios Comuns aos Serviços Notariais e Registrais
Vimos no início desta apostila que os serviços notariais e registrais são um serviço 
delegado pelo Estado e, portanto, estão submetidos aos princípios previstos no art. 37, 
caput, da Constituição Federal, cujo teor é:
A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, 
ao seguinte […]. 
Para ajudar o aluno a memorizar esses princípios que estão expressos no texto 
constitucional, utilizamos o seguinte macete:
• L - Legalidade
• I - Impessoalidade
• M - Moralidade
• P - Publicidade
• E - Eficiência
PRINCÍPIOS GERAIS E ESPECÍFICOS 
QUE REGEM AS ATIVIDADES 
NOTARIAIS E REGISTRAIS3
TÓPICO
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
19
O princípio da legalidade, juntamente com o de controle da Administração pelo 
Poder Judiciário, nasceu com o Estado de Direito e constitui uma das principais garantias 
de respeito aos direitos individuais. Isso porque a lei, ao mesmo tempo, em que os define, 
estabelece também os limites da atuação administrativa que tenha por objeto a restrição ao 
exercício de tais direitos em benefício da coletividade (PIETRO, 2018). 
Ao estudarmos este princípio, se necessário faz distinguir o critério da não 
contradição à lei, aplicado ao âmbito privado, segundo o qual o particular pode tudo, salvo 
o que está proibido na lei. Pode fazer tudo o que a lei não proíbe, vigora o princípio da 
autonomia da vontade. 
Já, sob o ponto de vista do direito público, que inclui, neste caso, a função delegada 
das serventias, adota-se o critério da subordinação da lei, ou seja, só pode fazer o que a lei 
determina, deve haver previsão legal que autorize a atuação dos serventuários.
Segundo o princípio da impessoalidade, vedam-se discriminações gratuitas, 
exige-se posição neutra em relação aos administrados, sem finalidades particulares. Nos 
explica Maria Sylvia Di Pietro (2018, p. 136) que o referido princípio exige “objetividade no 
atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades”.
No tocante ao princípio da publicidade, reflete a ideia da transparência dos atos 
e informações, também está atrelado ao direito à obtenção de informações de interesse 
particular ou da coletividade armazenadas em bancos de dados da Administração (art. 37, 
parágrafo terceiro, II, CF).
Todavia, a publicidade não é um direito absoluto, pois tem exceções em se tratando 
de tutelas de direito de família e de incapazes (tutela reservada a intimidade), que tem por 
escopo proteger a dignidade humana (art. 1º, inciso III, da CF), a intimidade (art. incisos X 
e LX e art. 93, inciso IX, todos da CF) ou o interesse social (art. 5º, inciso LX, da CF), há 
restrição ou mitigação da ampla publicidade, ocorrendo sigilo profissional.
O princípio da publicidade deve se harmonizar com o princípio da intimidade, neste 
sentido, as certidões de registro civil das pessoas naturais, não poderão mencionar a 
circunstância de a filiação ser legítima, ou não, exceto por determinação do Poder Judiciário. 
Sobre o tema, o Art. 45 da Lei n.º 6.015/73 dispõe:
A certidão relativa aonascimento de filho legitimado por subsequente 
matrimônio deverá ser fornecida sem o teor da declaração ou averbação a 
esse respeito, como se fosse legítimo; na certidão de casamento também 
será omitida a referência àquele filho, salvo havendo, em qualquer dos 
casos, determinação judicial, deferida em favor de quem demonstre legítimo 
interesse em obtê-la. 
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
20
Veda-se também ao oficial mencionar, na certidão, sobre eventuais averbações 
no registro, quando houver menção da existência de sentença concessiva de alteração 
de nome, em decorrência de fundada coação ou ameaça, decorrente de colaboração com 
apuração de crime (art. 57, parágrafo 7º, da Lei n.º 6.015/73). E, finalmente, também não 
é permitido ao oficial fornecer certidão que conste quaisquer indícios de vínculo de adoção 
(Art. 47, da Lei n.º 8.069/90). 
Em contrapartida, não se aplica o sigilo profissional, quando o ato for escrituras de 
separações e divórcio, de pessoas capazes e concordes, que não possuam filhos menores 
ou incapazes, lavradas perante Tabelião de Notas (Lei n.º 11.441/2007)1. 
Ainda nesta temática, o princípio da eficiência exprime de prestação de serviços 
de qualidade, controle de gastos, otimização das atividades administrativas e, por fim, o 
princípio da moralidade nos remete a padrões éticos, decore e boa-fé no desempenho 
das funções delegadas pelo Estado. Em resumo, sempre que em matéria administrativa 
se verificar que o comportamento do agente delegado ou do administrado que com ela 
se relaciona juridicamente, embora em consonância com a lei, ofende a moral, os bons 
costumes, as regras de boa administração, os princípios de justiça e de equidade, a ideia 
comum de honestidade, haverá ofensa ao princípio da moralidade administrativa.
3.2 Princípios Específicos aos Serviços Notariais e Registrais
Caro(a) leitor(a), é preciso ressaltar que a atividade notarial e registral possui seus 
princípios específicos, dentre os quais destacamos o princípio da fé pública, da publicidade, 
da autenticidade, da segurança, da eficácia dos atos e o princípio da legalidade. Neste 
ponto, cabe recordarmos que os princípios da publicidade e da legalidade foram objeto 
de estudo do item 3.1.
O princípio da fé pública decorre da convicção do notário sobre certo fato ou 
situação jurídica. Significa que o notário ou o registrador são autoridades da sociedade que 
visam garantir a certeza e autenticidade naquilo que exara.
Especificamente sobre a fé pública registral, nos ensinam Julenildo Vasconcelos 
e Antônio Cruz (2000, p. 5) que “estende a todas as relações jurídicas passíveis de 
registro, respondendo positivamente à existência dos direitos reais ali estabelecidos, ou 
negativamente, se houver direitos reais inscritos que proíbam a disponibilidade”.
2. O Art. 42 da resolução 35 do CNJ diz: “Não há sigilo nas escrituras públicas de separação e divórcio consensuais”. 
Neste caso, não há incidência do artigo 155, inciso II, do CPC, pois é princípio de direito notarial, que todos os atos e 
negócios jurídicos lavrados no Serviço Notarial sejam públicos, somente ocorrendo restrição pela lei quando a defesa da 
intimidade ou o interesse social exigirem (Art. 5º, inciso LX, da CF), não ocorrendo, neste caso em questão, a restrição da 
publicidade, em decorrência do consenso das partes, não se aplicando os efeitos do artigo 155, inciso II, do CPC.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
21
 Depreende-se do princípio da autenticidade que sobre um determinado 
documento paira a presunção relativa de regularidade e veracidade. Quando se fala em 
presunção relativa, é importante que o(a) aluno(a) saiba que, neste caso, cabe prova em 
contrário produzida perante o judiciário com o objetivo de demonstrar a irregularidade ou 
o vício insanável, buscando invalidade o documento dotado de fé pública. A autenticidade 
deriva da intervenção notarial e registral que em decorrência da fé pública atesta a certeza 
de um ato ou negócio jurídico expresso em um documento.
Neste sentido, sobre a competência do notário em dar autenticidade no ato notarial 
dispõe a Lei 8.935/94:
 
Art. 6º Aos notários compete: I - formalizar juridicamente a vontade das 
partes; II - intervir nos atos e negócios jurídicos a que as partes devam ou 
queiram dar forma legal, ou autenticidade, autorizando a redação ou redigindo 
os instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cópias 
fidedignas de seu conteúdo; III - autenticar fatos”. 
O princípio da segurança jurídica na seara das serventias notariais e registrais 
pretende demonstrar que o notário e o registrador têm o dever de atuar de forma prudente, 
de modo a optar e pautar esta atuação sob o prisma da legalidade, segurança e da 
razoabilidade. 
Tais profissionais são detentores da fé pública (Art. 3º, da Lei n.º 8.935/94) e, 
portanto, devem zelar pela segurança jurídica dos atos e negócios jurídicos que intervêm. 
Neste sentido, Fábio Zonta (2014, online) diz:
O notário e registrador atuam como guardião do direito e do sistema de 
registros públicos, nas incumbências de garantir estabilidade e segurança 
jurídica nas transações sociais, em áreas de direito de família, sucessores, 
das coisas, contratos, restrições urbanísticas, agrárias, ambientais, controle 
e fiscalizador de interesses tributários, restrição da aquisição da propriedade 
rural por estrangeiros, restrição de aquisição de imóveis rurais situados na 
faixa de fronteira, verifica a capacidade dos contratantes e a validade dos 
atos dispositivos, etc. 
Sobre o prisma da segurança jurídica, entende-se que o notário atua de forma a 
coordenar, conservar e dar publicidade aos atos e negócios jurídicos de sua competência, 
enquanto o serviço registral tem por objetivo atuar de forma segura, preventiva e independente 
no procedimento de qualificação do título (ZONTA, 2014).
Afinal, sem essa segurança que deriva da atuação do registrador, os negócios 
imobiliários estariam sujeitos a fraudes, prejuízos, decepções e irreparáveis danos daqueles 
que dele se valessem. Sendo assim, a segurança e a relação de confiança transmitida pelo 
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
22
registro é que possibilitam a estabilidade das relações entre os participantes dos múltiplos 
negócios realizados nessa área. 
Em relação ao princípio da eficácia, o(a) aluno(a) deve entender que este deriva da 
autenticidade dos documentos, atestada pelo notário ou registrador, o que os tornam aptos 
a produzir efeitos não somente perante os sujeitos, mas também em relação a terceiros, no 
que diz respeito a existência do ato ou negócio jurídico. Reitera-se que, em virtude da fé 
pública notarial e registral que atestou a autenticidade de um documento, o torna apto de 
provar os fatos nele narrados.
Neste sentido, reza o art. 405, do Código de Processo Civil, “o documento público 
faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de 
secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença”.
“A norma visa preservar o interesse do recém-nascido”.
Corregedor da Justiça do Paraná, desembargador Luiz Cezar Nicolau, explica as razões que 
levaram a Corregedoria do Estado a publicar uma normativa sobre intersexo.
Sobre o tema deixo aqui uma recomendação de leitura de um texto contido no seguinte endereço 
eletrônico:
Fonte: https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2016/11/CcV-21-4.pdf.
REFLITA
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2016/11/CcV-21-4.pdf
23
1. Você sabia que a sua herança pode contribuir para um mundo melhor? Ao fazer um testamento 
público, você tem a opção de deixar um legado de qualquer valor para ajudar quem necessita. Pesquise mais 
sobre o projeto denominado Legado Solidário. Seguem dois links, o primeiro especificamente sobre o referido 
projeto e o segundo do colégio notarial do Brasil,que trata do conceito e modalidades de testamentos. 
Link I: http://www.legadosolidario.com.br/
Link II: https://www.cnbsp.org.br/index.php?pG=X19wYWdpbmFz&idPagina=60016
2. Em razão da urgência trazida pela pandemia do novo coronavírus, as Corregedorias de 
alguns estados brasileiros começaram a regulamentar a prática de atos notariais em meios eletrônicos. Tais 
soluções, porém, além dos limites de territorialidade, nasciam também com data para terminar, até que não 
fossem mais necessárias após o fim do isolamento social. “O e-Notariado garante eficiência e segurança 
jurídica aos cidadãos brasileiros no meio digital”, Provimento n.º 100, de 26 de maio de 2020. Saiba mais 
sobre este tema e outros extremamente relevantes dispostos na revista Cartórios com Você.
Link: https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2016/11/CcV-21-4.pdf
Link I
SAIBA
MAIS
Link II
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
http://www.legadosolidario.com.br/
https://www.cnbsp.org.br/index.php?pG=X19wYWdpbmFz&idPagina=60016
https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2016/11/CcV-21-4.pdf
24
Nesta unidade aprendemos a origem histórica dos serviços notariais e registrais no 
Brasil, e vimos que a Igreja teve um papel fundamental no desempenho dos referidos serviços.
Vimos que a atividade notarial e registral constitui um serviço tipicamente 
público delegado pelo Estado ao particular. As atividades notariais são praticadas pelos 
denominados tabeliães (ou notários), já as atividades registrais, como o próprio nome 
indica, são praticadas pelos oficiais de registro (ou registradores).
O texto constitucional de 1988 exigiu expressamente que o ingresso na carreira 
registral e notarial deveria se dar por meio de concurso de provas e títulos, vedando a 
transmissão das serventias de pais para filhos até então praticada. 
Restou demonstrado que os princípios expressos no caput, do art. 37, da Constituição 
Federal, nomeadamente, legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, 
são aplicados aos serviços notariais e registrais.
Por fim, destacamos dentre inúmeros princípios específicos o princípio da fé pública, 
da publicidade, da autenticidade, da segurança jurídica e da eficácia dos atos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
25
Com o objetivo de despertar ainda mais o interesse pelo estudo da disciplina 
serviços registradores e notariais deixo algumas indicações de leitura:
01. STF deve retomar votação sobre uniões estáveis simultâneas nesta sexta-
feira (11). Disponível em: https://www.ibdfam.org.br/noticias/8039/STF+deve+re
tomar+vota%C3%A7%C3%A3o+sobre+uni%C3%B5es+est%C3%A1veis+simult
%C3%A2neas+nesta+sexta-feira+%2811%29. Acesso:17 dez. 2020.
02. STJ: Imóvel de família oferecido como caução em contrato de locação 
é impenhorável. Disponível em: https://www.portaldori.com.br/2020/12/07/
stj-imovel-de-familia-oferecido-como-caucao-em-contrato-de-locacao-e-
impenhoravel/. Acesso: 17 dez. 2020.
03. Cartório do AGRO. Segurança Jurídica e Crédito Rural. Disponível em: https://
www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2016/11/CcV-21-4.pdf. Acesso: 17 
dez. 2020.
LEITURA COMPLEMENTAR
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
https://www.ibdfam.org.br/noticias/8039/STF+deve+retomar+vota%C3%A7%C3%A3o+sobre+uni%C3%B5es+est%C3%A1veis+simult%C3%A2neas+nesta+sexta-feira+%2811%29
https://www.ibdfam.org.br/noticias/8039/STF+deve+retomar+vota%C3%A7%C3%A3o+sobre+uni%C3%B5es+est%C3%A1veis+simult%C3%A2neas+nesta+sexta-feira+%2811%29
https://www.ibdfam.org.br/noticias/8039/STF+deve+retomar+vota%C3%A7%C3%A3o+sobre+uni%C3%B5es+est%C3%A1veis+simult%C3%A2neas+nesta+sexta-feira+%2811%29
https://www.portaldori.com.br/2020/12/07/stj-imovel-de-familia-oferecido-como-caucao-em-contrato-de-locacao-e-impenhoravel/
https://www.portaldori.com.br/2020/12/07/stj-imovel-de-familia-oferecido-como-caucao-em-contrato-de-locacao-e-impenhoravel/
https://www.portaldori.com.br/2020/12/07/stj-imovel-de-familia-oferecido-como-caucao-em-contrato-de-locacao-e-impenhoravel/
https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2016/11/CcV-21-4.pdf
https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2016/11/CcV-21-4.pdf
26
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Lei dos Notários e dos Registradores
• Autor: Walter Ceneviva
• Editora: Saraiva
• Sinopse: Este livro revela-se um prático instrumento de trabalho, 
examinando cada artigo da Lei n.º 8. 935/94, que, ao regulamentar 
o art. 236 da Constituição Federal, introduziu extensas e profundas 
modificações na legislação ordinária anterior. Na análise de 
cada dispositivo, define o conceito envolvido e os efeitos das 
normas no dia-a-dia da atividade profissional dos notários e dos 
registradores, acrescentando, quando necessário, críticas à lei. 
Trata, entre outros aspectos, do concurso de ingresso, da extinção 
e da perda da delegação e da responsabilidade dos tabeliães e 
dos oficiais de registro.
FILME/VÍDEO
• Título: MILK – A VOZ DA IGUALDADE
• Ano: 2008
• Sinopse: Início dos anos 70. Harvey Milk (Sean Penn) é um 
nova-iorquino que, para mudar de vida, decidiu morar com seu 
namorado Scott (James Franco) em San Francisco, onde abriram 
uma pequena loja de revelação fotográfica. Disposto a enfrentar 
a violência e o preconceito da época, Milk busca direitos iguais 
e oportunidades para todos, sem discriminação sexual. Com 
a colaboração de amigos e voluntários (não necessariamente 
homossexuais), Milk entra numa intensa batalha política e consegue 
ser eleito para o Quadro de Supervisor da cidade de San Francisco 
em 1977, tornando-se o primeiro gay assumido a alcançar um 
cargo público de importância nos Estados Unidos.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
27
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: DESPEDIDAS
• Ano: 2008
• Sinopse: Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) tem o sonho 
de tocar violoncelo profissionalmente. Para tanto se endivida e 
compra um instrumento, conseguindo emprego em uma orquestra. 
O pequeno público que comparece às apresentações faz com 
que a orquestra seja dissolvida. Sem ter como pagar, ele devolve 
o instrumento e decide morar com sua esposa Mika (Ryoko 
Yoshiyuki), em sua cidade natal. Em busca de emprego, ele se 
candidata a uma vaga bem remunerada sem saber qual será sua 
função. Após ser contratado, descobre que será assistente de um 
agente funerário, o que significa que terá que manipular pessoas 
mortas. De início Daigo tem nojo da situação, mas a aceita devido 
ao dinheiro. Apesar disto, esconde o novo trabalho da esposa. Aos 
poucos ele passa a compreender melhor a tarefa de preparar o 
corpo de uma pessoa morta para que tenha uma despedida digna.
DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTROS UNIDADE 1
Professor(a) Me. Stella Furlanetto de Mattos Cunha
ATRIBUIÇÕES E 
COMPETÊNCIAS 2UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
29
Plano de Estudos
• Conceitos e atribuições dos tabeliães de notas.
• Estudo das atribuições e competências dos tabeliães de registro de contratos 
marítimos e dos tabeliães de protesto de título.
• Análise das atribuições e competências dos oficiais de registro de distribuição e 
oficiais dos demais registros legais.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar as competências e atribuições das serventias 
extrajudiciais.
• Compreender tecnicamente as denominações utilizadas pelo legislador: 
tabeliães e oficiais.
• Estudar as atribuições dos notários e tabeliães de notas, nomeadamente as 
autenticações, reconhecimento de firma, procuração, escritura pública, ata 
notarial e testamento público.
• Compreender a atuação dos tabeliães e oficiais de registro de contratos 
marítimos e o protesto como um dos principais atos realizados pelo cartório de 
protesto de títulos.
• Identificar as atribuições dos oficiais de registro de distribuição e conhecer os 
principais atos praticados pelo Registro Civil de Pessoas Naturais: Registro Civil 
de Pessoas Jurídicas: Registro de Títulos de Documentos, Registro de Imóveis
ATRIBUIÇÕESE COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
30
A Unidade II da presente apostila tem por objetivo estudar as atribuições e 
competências dos titulares dos serviços notariais e registrais.
Iniciaremos nossa jornada com os notários e os tabeliães de notas, momento em 
que nos depararemos com atos que fazem parte do nosso cotidiano, tais como autenticação, 
reconhecimento de firma, procuração, escritura pública, ata notarial e testamentos públicos.
Em seguida, o objeto de estudo será o tabelião e oficial de registro de contratos 
marítimos e sobretudo os tabeliães de protesto de títulos, momento em que aprofundaremos 
os estudos sobre o instituto denominado: protesto.
Por fim, veremos as atribuições dos oficiais de registro de distribuição e concluiremos 
nossa trajetória do fantástico mundo das serventias extrajudiciais, nos debruçando sobre as 
previsões legais do Registro Civil de Pessoas Naturais, Registro Civil de Pessoas Jurídicas, 
Registro de Títulos de Documentos e Registro de Imóveis.
Lhe convido a enfrentar este desafio, e saiba que a leitura do material e demais 
textos complementares sugeridos no decorrer desta unidade lhe ajudarão a conhecer e 
interpretar a prática registral e notarial.
INTRODUÇÃO
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
31
Primeiramente é oportuno esclarecer que a palavra cartório, no presente material, 
será utilizada com o intuito de identificar o local, o espaço físico, onde se prestam os 
serviços notariais e registrais, denominado genericamente de serventia extrajudicial. 
Ademais, conforme a especialidade da referida serventia, nos depararemos com outras 
nomenclaturas, tais como: Tabelionato de Notas, Tabelionato de Protesto de Títulos, 
Registro de Imóveis, Registro de Títulos e Documentos e Civil das Pessoas Jurídicas e 
Registro Civil das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas.
Conforme abordado na Unidade I, reitera-se que os serviços extrajudiciais são 
exercidos por titulares denominados de tabeliães ou notários e registradores, previamente 
aprovado em concurso específico de provas e títulos. Os oficiais de registro e notas 
desempenham suas funções em caráter privado e pessoal, por delegação do Poder Público. 
O artigo 5º da Lei n.º 8.935/1994 define quais são os titulares de serviços notariais 
e de registro, vejamos:
TABELA 1: TITULARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS E REGISTRAIS
Fonte: a autora.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS 
DOS NOTÁRIOS E DOS TABELIÃES 
DE NOTAS1
TÓPICO
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
32
Titular é a pessoa nomeada para ocupar um cargo ou uma função determinada, a 
tabela supracitada utiliza de maneira diversificada a nomenclatura, ou seja:
FIGURA 1: NOMENCLATURA PARA O TABELIONATO DE NOTAS E
TÍTULOS E PROTESTOS 
Fonte: a autora.
FIGURA 2: NOMENCLATURA DOS OFICIAIS DE REGISTROS 
Fonte: a autora.
FIGURA 3: NOMENCLATURA DOS TITULARES DAS SERVENTIAS DE
REGISTRO DE CONTRATOS MARÍTIMOS
Fonte: a autora.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
33
Caro(a) aluno(a), preste muita atenção, incluem-se na denominação tabelião de 
notas apenas os exercentes das atividades caracterizadas nos arts. 6º e 7º, citados a seguir. 
Ainda sobre a utilização correta dos termos segundo seu significado técnico, é 
importante dizer que embora as expressões atribuição e competência sejam utilizadas 
comumente como sinônimos, não devem ser assim interpretadas. Nestes termos, 
“atribuição consiste na outorga de faculdade e poderes específicos, a profissionais certos 
e determinados, para a prática de atos indicados em lei”. Já competência “caracteriza o 
poder de agir, sua extensão e seus limites, previsto por lei, para o exercente da delegação” 
(CENEVIVA, 2008, p. 45). 
Conforme a legislação citada, compete aos NOTÁRIOS1:
TABELA 2: COMPETÊNCIAS DOS NOTÁRIOS
Fonte: a autora.
Nos ensinam Vasconcelos e Cruz (2000, p. 24) que o notário “ao praticar os atos 
e negócios jurídicos notariais, colabora com as partes e as assessora, dirigindo-as e 
recolhendo a determinação de suas vontades, aprovando-as ou sancionando-as”.
Aos tabeliães de notas, conforme preveem os artigos 6º e 7º da Lei n.º 8.935/1994, 
cabe formalizar juridicamente a vontade das partes; intervir nos atos e negócios jurídicos a 
que as partes devam ou queiram dar forma legal, ou autenticidade, autorizando a redação ou 
redigindo os instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cópias fidedignas 
de seu conteúdo; autenticar fatos; lavrar escrituras e procurações públicas; lavrar testamentos 
públicos e aprovar os cerrados; lavrar atas notariais; reconhecer firmas e autenticar cópias.
Aos tabeliães de notas compete, com EXCLUSIVIDADE2:
1. Art. 6º da Lei n.º 8.935/1994.
2. Art. 7º da Lei n.º 8.935/1994.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
34
FIGURA 4: ATRIBUIÇÕES DOS TABELIÃES DE NOTAS
Fonte: a autora.
Depreende-se do texto que os atos praticados no Tabelionato de Notas são: 
autenticações, reconhecimentos de firmas, procurações públicas, escrituras públicas, 
tais como: pacto antenupcial, união estável, dependência econômica, emancipação, 
reconhecimento de filho, testamentos, inventário e partilhas, separações, divórcios e 
reconciliações, ata notarial e usucapião.
Cabem às partes escolherem o Tabelião de Notas, qualquer que seja o domicílio 
das partes ou o local de situação de bens.
Dentre inúmeras atribuições do tabelião de notas, elencaremos aquelas consideradas 
mais relevantes sob o ponto de vista prático.
Iniciaremos pela autenticação, que consiste na declaração do tabelião de que o 
documento apresentado e sua cópia não possuem diferença. Por essa razão, o interessado 
deve sempre levar o documento original ao cartório.
Em seguida, relevante é o estudo sobre reconhecimento de firma, o qual pode 
ser por semelhança ou por autenticidade. O reconhecimento de firma por semelhança 
é aquele por meio do qual o tabelião afirma que a assinatura que lhe foi apresentada é 
semelhante àquela que consta do cartão de assinatura registrado nos arquivos da serventia
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
35
O reconhecimento de firma por autenticidade é aquele em que o Tabelião 
presencia a assinatura sendo feita e, por esse motivo, lhe possibilita atestar sua autoria, 
mediante a correta identificação. Esse tipo de reconhecimento é obrigatório para alguns 
tipos de negócio jurídico, como na transferência de veículos e de pontuação em prontuário 
por infração de trânsito. Vale ressaltar que o reconhecimento de firma por autenticidade não 
obriga a parte a efetuar o cartão de assinatura. 
Já a procuração é o instrumento que documenta a outorga de poderes de 
representação, ou seja, onde consta que determinada pessoa atribui poderes a outrem 
para atuar em seu nome. Os documentos necessários para sua lavratura são: 
• Pessoa física: o interessado em nomear um procurador deverá apresentar os 
documentos pessoais originais (RG e CPF). 
• Pessoa jurídica: o interessado em nomear um procurador deverá apresentar o 
contrato social original, ou sua cópia autenticada, bem como de suas alterações, 
ata de nomeação da diretoria, CNPJ, além do RG e CPF originais do representante 
que irá assinar o documento. Em qualquer caso, é necessária a informação 
dos dados de qualificação pessoal do procurador (nome, RG, CPF, estado civil, 
profissão e endereço), preferencialmente com apresentação dos documentos 
originais para a conferência. Contudo, caso o Tabelião entenda necessário, 
poderá exigir outros documentos para a lavratura do ato.
As procurações que podem ser dadas pelas partes são: 
• Procuração ad juditia: é aquela outorgada para o advogado realizar atos na 
seara judicial. 
• Procuração ad negotia: é a que confere amplos e especiais poderes a 
parte para gerir e administrar interesses do outorgante, desde que envolvam, 
diretamente, transmissão de patrimônio.
• Procuração para outras finalidades: é a que confere poderes gerais de 
administração de interesses do outorgante, e que não envolvam, diretamente, 
transmissãopatrimonial. 
• Procuração em causa própria: é a outorgada no interesse do próprio 
mandatário. A finalidade é o mandante ceder os direitos ou prometer transferir 
os seus bens para o mandatário, o qual agirá em nome do primeiro. O bem, 
entretanto, continua sendo do mandatário. 
Também cabe aos Tabelionatos de Notas lavrarem escrituras públicas, lembrando 
que qualquer contrato pode ser lavrado por escritura. Porém, alguns atos dependem de 
forma pública para terem validade jurídica, quais sejam: compra e venda, ou qualquer outra 
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
36
forma de transmissão de bens imóveis de valor superior a 30 salários mínimos (Art. 108 do 
Código Civil), Pacto antenupcial (Art. 1.653 do Código Civil), Cessão de direitos hereditários 
(Art. 1.793), quando há previsão contratual (Art. 109 do Código Civil), emancipação (Art. 
5°, parágrafo único, I, do Código Civil), Instituição de Bem de Família (Art. 1.711 do Código 
Civil), renúncia sobre bens imóveis (Art. 108 do Código Civil), inventário (Art. 610 do novo 
CPC), partilha (Art. 610 do novo CPC), separação consensual e divórcio consensual (art. 
733 do novo CPC), Usucapião (Art. 1071 do novo CPC).
Em todos os atos notariais é obrigatória a apresentação dos documentos de 
identificação pessoal dos interessados (RG, CPF, para fins fiscais, e certidão de casamento 
atualizada, com eventuais averbações, quando for o caso). Também serão necessários 
para lavrar a escritura pública os documentos relativos ao objeto do negócio jurídico, tais 
como certidão da matrícula do imóvel, carnê de IPTU, dentre outros. Sugere-se que procure 
um cartório de notas, a fim de que o Tabelião indique, diante dos negócios jurídicos a serem 
realizados, os documentos cujas exibições são necessárias.
A ata notarial é de competência do Tabelião de Notas; sua lavratura consiste em 
um documento que atesta a existência de um fato ou situação, cujo contexto seja importante 
registrar para momento futuro. Como exemplo podemos citar: perpetuar conteúdo de páginas 
da internet; comprovar presença de pessoas em certos lugares; extrair certidão via internet; 
atestar estado de imóveis no início ou fim de locação; comprovar entrega de documentos 
ou coisas; atestar apelido ou profissão de pessoa; certificar declarações prestadas.
Por fim, o testamento público é o ato pelo qual a pessoa declara a sua vontade ao 
tabelião, para produzir efeitos após a sua morte. É um importante instrumento para prevenir 
contendas entre herdeiros e pode ser alterado ou revogado a qualquer tempo pelo testador.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
37
Segundo o artigo 10º da Lei n.º 8.935/1994, tabeliães e oficiais de registro de 
contratos marítimos possuem como atribuições: lavrar os atos, contratos e instrumentos 
relativos a transações de embarcações a que as partes devam ou queiram dar forma legal 
à escritura pública.
FIGURA 5: ATRIBUIÇÕES DOS TABELIÃES E OFICIAIS DE REGISTRO
DE CONTRATOS MARÍTIMOS
Fonte: a autora.
O contrato de hipoteca naval se consubstancia na escritura pública, poder ser 
lavrada em qualquer tabelião de notas, na comarca onde não houver serventuário privativo 
de contratos marítimos (Lei n.º 2.580/1954, art. 94).
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS 
DOS TABELIÃES E OFICIAIS 
DE REGISTRO DE CONTRATOS 
MARÍTIMOS E DOS TABELIÃES DE 
PROTESTO DE TÍTULO
2
TÓPICO
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
38
Cabe ao tabelião e oficial de contratos de registro, de contratos marítimos, lavrar 
os instrumentos públicos necessários para registro de direitos reais e de outros ônus 
pertinentes à embarcação e, quando for o caso, referente ao armador1.
Sobre o reconhecimento de firmas em documentos destinados ao direito marítimo, 
segue a mesma regra do reconhecimento em geral, salvo para contratos de seguros 
marítimos em que este reconhecimento não se exige. 
Resta saber também que o oficial é obrigado a expedir certidões, independentemente 
de ordem judicial.
O artigo 11 da Lei n.º 8.935/1994 expõe quais as competências dos Tabeliães de 
protesto de títulos, veja: protocolar os documentos de dívida, para prova do descumprimento 
da obrigação; intimar os devedores dos títulos para aceitá-los, devolvê-los ou pagá-los, sob pena 
de protesto; receber o pagamento dos títulos protocolados, dando quitação; lavrar o protesto, 
registrando o ato em livro próprio, em microfilme ou sob outra forma de documentação; acatar 
o pedido de desistência do protesto formulado pelo apresentante; averbar o cancelamento do 
protesto, as alterações necessárias para atualização dos registros efetuados e expedir certidões 
de atos e documentos que constem de seus registros e papéis.
FIGURA 6: ATRIBUIÇÕES DOS TABELIÃES DE PROTESTO DE TÍTULOS
Fonte: a autora.
3. “Pessoa física ou jurídica que, em seu nome e responsabilidade, apresta a embarcação a ser utilizada, pondo-a ou não a navegar 
por sua conta. Incluem aqueles que tenham exclusivo controle da expedição, sob qualquer modalidade de cessão, embora recebam 
a embarcação aparelhada e tripulada, desde que possuam sobre ela poder de administração” (CENEVIVA, 2008, p. 81).
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
39
A Lei Federal 9.492 de 1997 define competência, regulamenta os serviços concernentes 
ao protesto de títulos e outros documentos de dívida e dá outras providências, trazendo para o 
cenário jurídico a forma de publicizar a falta de cumprimento da obrigação pelo devedor.
Um dos principais atos praticados na seara do cartório de protesto de títulos é justamente 
o protesto, ato formal que se destina a comprovar a inadimplência de uma determinada pessoa, 
física ou jurídica, quando esta for devedora de um título de crédito (como cheque, duplicata, nota 
promissória, etc.) ou de outro documento de dívida protestável. Serve também para determinar 
uma data de vencimento, quando o título não trouxer expresso. 
Sendo assim, protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência 
e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida, 
conforme prevê o artigo 1º da Lei Federal 9.492 de 1997.
Com o protesto pode-se atingir duas finalidades: a primeira é provar publicamente 
o atraso do devedor; a segunda função é resguardar o direito ao crédito.
Somente o tabelião e seus prepostos podem lavrar o protesto. O Tabelião de 
Protesto é uma pessoa investida nesse cargo em virtude de delegação do Poder Público.
Ao examinar um título distribuído para seu cartório, o tabelião deverá tão somente 
fazer a verificação dos aspectos formais do título, como, por exemplo, a presença de 
todos os seus requisitos essenciais, a clareza nas informações, ausência de rasuras, 
preenchimento correto, datas de emissão e vencimento devidamente corretas, assinaturas, 
etc. Não cabe ao Tabelião adentrar ao mérito pelo qual o título foi emitido, nem tampouco 
verificará prescrição (perda do direito de ação que assegura o exercício do direito de crédito) 
ou decadência (perda do próprio direito de crédito). 
O protesto do título leva à inclusão do nome do devedor em cadastros de 
inadimplentes (negativação), mas não garante que a dívida será paga. 
Sobre quais documento, podem ser protestados, temos a sentença civil condenatória 
ao pagamento de quantia certa, desde que exibida certidão judicial e provado o trânsito em 
julgado, nota promissória, letra de câmbio, duplicata, cheque, os demais títulos de crédito 
e os outros títulos extrajudiciais que, documentando obrigação líquida, certa e exigível, têm 
força executiva (artigo 585 do Código de Processo Civil).
Em 2012 foi publicada a Lei n.º 12.767, incluindo um parágrafo único ao art. 1º da 
Lei n.º 9.492/97 e permitindo, expressamente, o protesto de certidões da dívida ativa, que 
assim dispõe: “Art. 1º […] Parágrafo único, incluem-se entre os títulos sujeitos a protesto as 
certidões de dívida ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das 
respectivas autarquiase fundações públicas”. 
Os títulos que, protocolizados, apresentem irregularidades formais não serão 
protestados. 
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
40
O saldo restante de um título que foi parcialmente pago pode ser protestado e para 
protestar o credor deve levar ao Tabelionato de Protesto de Títulos do lugar do pagamento 
ou do indicado para o aceite. Contudo, tratando-se de cheque, o protesto também poderá 
ser lavrado e registrado no lugar do domicílio do emitente. Se houver mais de um Tabelionato 
de Protesto de Títulos na localidade, o título será previamente distribuído por meio de um 
serviço de distribuição informatizado, instalado e mantido pelos próprios Tabelionatos. 
Já o protesto especial para fins falimentares deve ser realizado no Tabelionato de 
Protesto de Títulos do domicílio do principal estabelecimento do devedor, ainda que outro 
seja o lugar de pagamento. 
Importante saber que o Tabelião pode recusar o protesto de título mediante 
justificativa por escrito, citando as irregularidades formais constatadas, inclusive para que 
submeta o exame da recusa, por meio de eventual suscitação de dúvida, ao Juiz Corregedor 
A intimação do devedor deve ser expedida assim que protocolizado o título ou 
documento da dívida, considerando-se cumprida quando comprovada a entrega no 
endereço fornecido pelo apresentante. Por isso, sugere-se que o apresentante verifique o 
endereço correto no qual o devedor deverá ser intimado antes de levar o título a protesto.
Excepcionalmente, a intimação do devedor será feita por edital, afinal deverão ser 
esgotadas todos os meios possíveis de localização do devedor.
Uma vez recebida a intimação, o devedor pode quitar a dívida no próprio Tabelionato 
ou fazer o pagamento no banco que está indicado no boleto recebido. Sobre o prazo para o 
pagamento da dívida, conta-se três dias úteis contados da protocolização do título ou documento 
da dívida, excluindo-se o dia da apresentação (protocolização) e excluindo-se o do vencimento. 
Se a intimação do devedor ocorrer no último dia do prazo ou além dele, o prazo será prorrogado 
até o encerramento do expediente ao público no primeiro dia útil subsequente.
Se porventura o pagamento não for realizado no prazo de três dias úteis, após a 
notificação do devedor, o protesto será lavrado, registrado e comunicado aos órgãos de 
proteção ao crédito (SERASA, por exemplo), salvo se, antes disso, o título for retirado pelo 
apresentante ou o protesto for sustado mediante ordem judicial.
Para contagem do prazo, considera-se não útil o dia em que não houver expediente 
para o público ou aquele dia em que este não obedecer ao horário normal.
Há algumas hipóteses em que o protesto não será efetivado, cita-se:
• se for verificada qualquer irregularidade formal após a protocolização do título; 
• se o apresentante desistir do protesto; 
• se o título for pago em cartório; 
• no caso de sustação, por ordem judicial. 
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
41
Juridicamente falando, extremamente relevante sabermos quais os efeitos 
do protesto, além dos seus efeitos relativos à comprovação da inadimplência e do 
descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida: 
a) garantir ao endossatário o direito de regresso contra o endossante e os seus 
avalistas; 
b) caracterizar o estado de falência do devedor sujeito à legislação falimentar; 
c) fixar o termo inicial da incidência dos juros moratórios, salvo se outro mais 
favorável ao credor também decorrer da lei (artigo 397 do Código Civil); 
d) interromper a prescrição da dívida, salvo se antes já interrompida por outra 
causa (artigo 202 do Código Civil);
e) gerar o abalo na credibilidade do devedor, cuja idoneidade econômica 
é afetada, dificultando, por exemplo, o acesso a crédito e, particularmente, a 
financiamentos; 
f) prevenir possíveis conflitos judiciais entre credor e devedor. 
Por fim, qualquer pessoa maior de idade pode requerer o cancelamento do protesto, 
ainda que não seja o credor ou o devedor, basta procurar o credor e quitar a dívida, mediante 
recebimento do instrumento de protesto e do título. Ou, então, pedir uma carta de anuência 
ao cancelamento com firma reconhecida. Na hipótese de protesto indevido, sempre será 
possível buscar o cancelamento por meio da via judicial. Ressalta-se que a comunicação 
do cancelamento do protesto às entidades de proteção ao crédito (SCPC e Serasa), após o 
cancelamento efetivo, será feita pelo próprio Tabelião de Protesto de Títulos.
Ainda neste contexto, um documento relevante denomina-se certidão de protesto, 
que serve para saber se existem ou não protestos em nome da pessoa física, ou jurídica 
pesquisada, podendo ser solicitada por qualquer pessoa. Também serve para verificar a 
idoneidade econômica da pessoa física ou jurídica.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
42
Aos oficiais de registro de distribuição, conforme artigo 13 da Lei n.º 8.935/1994, 
cabe proceder à distribuição equitativa pelos serviços de mesma natureza, registrando os 
atos praticados, ou registrar as comunicações recebidas dos órgãos e serviços competentes; 
efetuar as averbações e os cancelamentos de sua competência e expedir certidões de atos 
e documentos que constem de seus registros e papéis.
TABELA 3: ATRIBUIÇÕES DOS OFICIAIS DE REGISTRO DE DISTRIBUIÇÃO
Fonte: a autora.
As atribuições e competências comuns aos oficiais de registro são regidas pela 
Lei n.º 6.015/1973. Optamos, por tratar de forma exemplificativa, as atividades praticadas 
por cada uma das serventias registrais, sem qualquer intenção de esgotar o tema, 
conforme exposto a seguir: 
a) Registro Civil de Pessoas Naturais: registram o nascimento, o casamento 
e o óbito, as emancipações, as interdições, dentre outros. Os casamentos civis 
ocorrem nessas serventias. Essa serventia é ainda competente para registrar as 
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS 
DO OFICIAIS DE REGISTRO DE 
DISTRIBUIÇÃO E OFICIAIS DOS 
DEMAIS REGISTROS LEGAIS
3
TÓPICO
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS UNIDADE 2
43
interdições e tutelas, emitindo certidões indicando se a pessoa pesquisada tem 
um tutor (caso seja menor) ou está interditada (caso seja maior).
b) Registro Civil de Pessoas Jurídicas: registram os atos constitutivos das 
sociedades não empresárias, fundações, partidos políticos, dentre outros.
c) Registro de Títulos de Documentos: registram o penhor comum, entregam 
notificações extrajudiciais por meio de um oficial, dentre outras atividades.
d) Registro de Imóveis: registram a transmissão de propriedade de bens 
imóveis, bem como o pacto antenupcial, dentre outros.
3.1 Registro Civil de Pessoas Naturais
No Registro Civil das Pessoas Naturais serão registrados:
a) Os nascimentos;
b) Os casamentos e a conversão da união estável em casamento;
c) Os óbitos;
d) As emancipações por outorga dos pais ou por sentença do juiz;
e) As interdições por incapacidade absoluta ou relativa;
f) As sentenças declaratórias de ausência e as de morte presumida;
g) As opções de nacionalidade;
h) As sentenças que deferirem adoção de m menores;
Dada a relevância das atribuições da serventia de registro civil das pessoas 
naturais, o legislador dispõe no art. 44, § 2º, da Lei n.º 8.935 de 1994, que deve haver no 
mínimo por município, excepcionando assim a regra que permite a extinção dos registros e 
tabelionatos de determinados municípios para os quais não haja candidatos interessados 
em assumir a serventia.
Já nos municípios maiores, o legislador autorizou a instalação de um Registro Civil 
de Pessoas Naturais por distrito a fim de atender a demanda.
Dentre os atos previstos no rol das atribuições faremos sucintos comentários sobre 
o nascimento, o casamento e o óbito.
O registro do nascimento ocorrido em território nacional deve se dar no local do 
parto ou de residência dos pais, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, podendo este ser 
ampliado para até três meses para os lugares que estejam a uma