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Resumo – Fenomenologia – NP2 
Relembrando: 
Ente: corresponde a existência concreta, ou, a realidade humana enquanto presença no 
mundo (um ente pode corresponder a uma cadeira, uma pessoa, um lápis, um livro). 
Ser: corresponde ao fundamento da existência e dos modos de existir, ser-aí (Dasein), 
ser-no-mundo, ser de possibilidades (possibilidades de viver e existir no mundo), seres do 
mundo e para o mundo, seres jogados no espaço e no tempo, têm a existência como questão. 
Ser-no-mundo: condição de estar aberto ao mundo. O homem é o ente que se interroga 
sobre o sentido do ser, mas também, sendo intencionalidade pura, constitui-se como ente 
tensionado para algo fora de si, para uma possibilidade. A existência é, nesse sentido, 
ultrapassagem, um constante lançar-se para o mundo. 
Ser-para-morte: o Dasein é, no seu modo mais primordial, ser-para-a-morte, expressão 
que aponta o seu caráter de finitude; a morte não é mais uma possibilidade que surge a partir 
do modo de ser-no-mundo, mas, contudo, a nossa possibilidade mais própria e extrema, quer 
dizer, ninguém pode experimentar a morte do outro. Compreendendo que existe no tempo, e 
que esse tempo não segue necessariamente uma sucessão, o Dasein assume seu verdadeiro ser, 
ou seja, ser para-a-morte que ao contrário do que muitas vezes teme, não é o fim de sua 
existência, mas a possibilidade de seu poder ser total. 
Dasein é entendimento de ser. O sentido é articulado na interpretação. A essência do 
Dasein é a existência. 
O homem está sempre em uma situação, lançando em um ambiente que o influencia e 
que é por ele influenciado. 
 
Ser do ente que somos está em risco constante. Posso ganhar-me ou perder-me. 
Responder ao enigma que a existência é para cada um. 
Ser é tarefa: ter-de-ser é respondido sendo, existindo. 
O Dasein é cada vez o que ele pode ser e como ele é a sua possibilidade. 
Ser-aí tem duplicidade de ente e ser. 
Mundo é tudo aquilo que ser-aí encontra cotidianamente, que o rodeia. Indica os 
contextos nos quais o existir se dá. 
Tonalidades Afetivas – modos de ser no mundo, como o ser-aí se encontra no mundo. 
Os estados de ânimo cotidianos não estão sob o controle do Dasein, eles atacam de repente, 
vêm à tona a partir do ser-no-mundo. 
Não-ser como essência da existência. O anúncio da finitude é um dos modos possíveis 
de estruturação da existência singular. 
Afetividade – formas/estados de emoções, sentimentos e paixões. O estado de angústia 
leva a própria existência – ser-aí. 
Angústia – libera o poder-ser mais próprio, mais autêntico do Dasein. Não dizendo 
nada, a angústia arranca da familiaridade cotidiana de ser-em-o-mundo, a angústia confronta o 
ser-aí com o seu ser mais próprio, ela nos revela. 
Medo – quando sinto medo, desvelo algo do interior do mundo como algo temível. No 
medo, hpa um entendimento do ente do interior do mundo – algo ameaçador – e daquele que é 
abertura, alguém ameaçado. 
Tonalidades afetivas fundamentais: angústia, tédio profundo, êxtase, terror, horror, 
retenção, pudor e admiração. 
O aparecimento do tédio revela sempre um modo de nos colocarmos diante do tempo. 
O tédio alerta para o insuportável do cotidiano, do familiar, do ser obrigado a viver, 
O temor anuncia algo ameaçador, à destruição que traz em si uma possibilidade de 
aniquilamento daquilo que se é. 
No temor experienciado de modo transtornado, acontece o contrário: na ausência de 
coragem, não enfrenta aquilo que teme. Sair do medo pelo controle e não pela coragem. 
O terapeuta em diálogo clínico precisa tomar frente à inquietação daquele eu, na 
angústia, no temor e no tédio, o procura. 
A importância da história de vida do paciente: o diagnóstico deve levar em conta a 
história de vida do paciente e os fatores que levaram o indivíduo a experienciar o adoecimento. 
É preciso ater-se, sobretudo, ao que significa ser homem. 
Os sintomas devem ser entendidos em sua tonalidade, como uma forma de existência e 
do estar-no-mundo. 
Três tipos de experiência no mudo: 
1. Unwelt – o mundo de contato com os outros; 
2. Mitwelt – o mundo dos inter-relacionamentos, do ser-com-outros; 
3. Eigenwelt – nosso mundo próprio, a percepção que temos de nós mesmos, do nosso 
corpo. 
Na análise fenomenológica do sonho, é preciso ater-se ao conteúdo manifesto do sonho, 
uma vez que esse conteúdo manifesto nos ensina a reconhecer o estreito parentesco original 
entre o sentimento e a imagem, o humor suscitado e as imagens das quais o espírito está repleto. 
É o tema que o Dasein se dá no sonho que é importante, não o que ele simboliza. É 
o conteúdo desse drama, dessa ação que é o sonho, que constitui seu elemento decisivo. 
O sonho é uma modalidade particular do ser humano, não é um domínio particular 
separado do estado de vigília, mas uma modalidade particular do ser-no-mundo. 
Bisnwanger foi o primeiro a orientar a pesquisa psicopatológica na direção de uma 
apreensão global do mundo do sujeito enquanto forma simbólica. 
Husserl e Heidegger propõem uma compreensão da existência humana que não parte da 
distinção entre corpo e alma, mas da existência em si mesma. 
Para Binswanger, a resposta sobre o que somos deve ser buscada mais do lado da poesia, 
do mito e do sonho do que do lado da ciência e da filosofia. 
A quem sou não se oferece abertamente à vista, se esconde sob mil formas e não pode 
ser reduzido ao corpo individual e à sua forma exterior. 
O caráter não localizável de nossa “presença”, de nosso Dasein, nos autoriza a nos 
reconhecer a nós mesmos nos outros entes e a nos identificar na recitação poética. 
Merdard Boss: 
 Inaugura seu debate com a psicossomática: questiona o modelo científico-natural de 
interpretação do adoecimento humano, propondo que questões “psicológicas” se 
manifestam corporeamente. 
 Estabelece que para compreender o sofrimento de alguém que adoece, não basta 
entender os mecanismos fisiológicos desse adoecimento. 
Fundamentando-se na compreensão de que homem é ser-no-mundo, Boss entende a 
fratura do osso como quebra de possibilidades existenciais, sendo o homem histórico-
temporal, algumas possibilidades existenciais podem ficar para trás e nunca mais serem 
resgatadas. Não é possível, portanto, cindir a existência humana em aspectos biológicos e 
psicológicos. 
Doença não é apenas um adoecimento biológico, corpóreo, mas sim existencial, o 
qual interrompe possibilidades e limita projetos. Por isso, a necessidade de ser compreender 
o sentido do adoecer humano. Ser-doente como possibilidade existencial. 
O corpo é um existencial do Dasein, um modo de ser-no-mundo. 
Para Boss, adoecer aparece como modificações da estrutura do ser-no-mundo 
saudável. 
O processo psicoterapêutico é um processo de libertação, que tem como 
objetivo resgatar a liberdade essencial do Dasein que se encontra limitado. 
Psicoterapia é um processo de desocultação dos imperativos aprisionantes, que 
frequentemente impedem a apropriação de possibilidades existenciais. 
Na psicoterapia, a fala é reveladora dos modos de ser-no-mundo e dos 
pressupostos de “como se deve ser”, a fim de recuperar a liberdade de ser. 
Boss propõe como regra fundamental a associação livre, que possibilita ao processo 
de autodescobrimento psicoterapêutico chegar a um estar-aberto ao próprio ser e suas 
possibilidades. 
Com a culpa, ficamos em dívida com nosso próprio ser, e entramos num processo 
que Boss chamou de curto-circuito. 
Sente-se culpado aquele que não deixa possibilidades existenciais se darem. Ao 
lançarmo-nos em possibilidades e deixamos outras para trás. 
Os sentimentos de culpa surgem pelo fixar-se no passado, no que deveria ter sido. 
Esses sentimentos de culpa atrofiam a existência. São provenientes de proibições e 
limitações frequentemente associados a moralidade. São exigências e regras que reduzem e 
mutilam as possibilidades de viver. 
A superação da culpa se dá pelo apropriar-se da essência humana como 
possibilidade,assumindo o passado como já acontecido, sobre o qual o futuro se abre. 
No processo terapêutico daseinanalítico, o daseinanalista reconhece na relação 
do paciente com o analista o motor do processo de libertação. 
Os sonhos têm espaço privilegiado, pois são reveladores das possibilidades 
existenciais que uma existência singular está incapaz de se apropriar em sua vida desperta. 
O adoecimento existencial é compreendido pela daseinsanálise de Boss como uma 
restrição nas possibilidades de ser e na capacidade de superar essa restrição, sendo que 
o ser-no-mundo é a abertura na qual os fenômenos se dão. Os aspectos “corporais” e 
“mentais” se fundem, pois, toda restrição afeta o todo da existência. 
Ao daseisanalista interessa conhecer os incidentes biográficos motivadores que 
levaram o ser-no-mundo a restringir suas possibilidades. 
A existência é considerada como tríplice abertura de mundo a coisas, a outros e a si 
mesmo. 
Compreensão e ação clínica na perspectiva fenomenológica-existencial: 
compreender o sentido da escuta clínica como ação. 
Há o caráter de “indeterminação” na existência humana (Dasein). 
Contexto da prática clínica – espaço diante do qual o existir do paciente pode 
revelar-se. 
Compreensão do existir do paciente - elemento central 
Poder da angústia no interior da estrutura do ser-aí. Tédio profundo – ausência de 
sentido existencial se demonstrando. 
No contexto da prática clínica, a contribuição da fenomenologia deve ser entendida 
antes como uma postura do terapeuta e como uma espécie de pano de fundo diante do qual 
o existir do paciente pode revelar-se como fenômeno. 
A necessidade de deixar que a coisa se mostre, deixá-la ser tal como ela é, e isso 
implica um ater-se, um demorar-se junto aquilo que está diante de si, abrindo-se a 
possibilidade de compreendê-la fenomenologicamente. 
Na prática clínica fenomenológica, a compreensão e a possibilidade do agir 
estão relacionadas entre si de modo indissociável. 
O foco do olhar da prática do terapeuta é para pensar os desdobramentos da 
compreensão e da ação para o paciente, isto é, como esses desdobramentos são 
experienciados pelo paciente, a compreensão do existir do paciente. 
Dasein é existência enquanto fenômeno temporal e abertura que nós somos na 
condição de ser-no-mundo. 
Ser-aí denomina o modo de ser do humano e tem a estrutura de ser-no-mundo. O 
ser-aí habita o mundo no qual existe e não há existência sem mundo nem mundo sem 
existência. 
O encontro de um ser-aí com o outro se estabelece como um aí compartilhado de 
um ser-aí com o outro, no acontecer da prática clínica, abre-se um aí compartilhado entre 
terapeuta e paciente. Na relação terapêutica, cria-se um lugar aberto de manifestação e de 
compreensão em que paciente e terapeuta se comportam e podem ser tocados pelo que vem 
ao encontro nesse aí, esse “aí terapêutico” para compreensão do modo de ser do paciente. 
Compreender o modo de ser do outro, na prática clínica, depende muito de uma 
escuta aberta para o que se mostra no dizer do outro, essa escuta aberta é uma espécie 
de escuta contemplativa que não se lança ao encontro do fenômeno, mas se coloca na 
vizinhança daquilo que se pretende ser dito e se permite ser atingida pela fala do que é 
manifesto. Somente em posição de escuta atenta o mostrar-se do modo de ser do paciente 
pode atingir o terapeuta (e também o próprio paciente) pela compreensão. 
A escuta terapêutica está voltada de modo aberto e receptivo para o paciente e 
tomando-o como ponto de partida. Essa escuta é aberta na medida em que não o impede de 
ser tal como ele se mostra sendo, não se sobrepõe a ele e o deixa ser tal como ele é. 
Essa escuta sustenta e abre o convite para que o paciente possa entrar em contato 
com os sentidos desvelados de sua fala no aí compartilhado, e sustenta também que o 
paciente, dentro de seus limites, deve lidar e decidir seu existir fundamentado em si mesmo. 
A compreensão do terapeuta não se sustenta apenas no conteúdo do relato, das 
reflexões e “acontecimentos trazidos à sessão pelo paciente”, mas trata-se de uma 
escuta atenta para os sentidos que se apresentam e se ocultam nesse relato. O sentido 
desvela as próprias relações de mundo do paciente e como ele as compreende. 
O terapeuta evita substituí-lo em sua tarefa de ser, buscando liberar o paciente para 
a compreensão de si e a apropriação do seu modo de existir. A escuta terapêutica é um 
convite para a possibilidade de ele se aproximar de si mesmo para apropriar-se e lidar mais 
livremente com o próprio existir, sustentando uma postura de deixar-ser o paciente tal como 
ele é, e devolver ao outro a responsabilidade perante si mesmo. 
A questão essencial da daseinsanálise é a pergunta sobre “quem é o paciente”, 
a qual deve partir do questionamento de “como” se mostra o existir do paciente em tal 
conteúdo relatado. Esse “como” revela o modo de ser e as relações de mundo nas quais 
o paciente está inserido. 
A compreensão se mostra como um elemento central, ela sustenta a escuta atenta 
à fala e ao modo de ser do paciente, desvelado no círculo de manifestação compartilhado 
do aí terapêutico. 
Ação em Hannah Arendt – aparece como a única atividade que se exerce 
diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde a 
condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, não o homem, vivem na terra e 
habitam o mundo. 
 A ação e o discurso são os modos pelos quais os seres de manifestam uns aos outros; 
 Na ação e no discurso, os homens mostram quem são, revelam ativamente suas 
identidades pessoais e singulares, e assim apresentam-se ao mundo humano; 
 Agir é próprio do humano e significa possuir a capacidade de iniciar, inaugurar algo 
novo; 
 As ações que constituem o modo de ser de alguém apontam diretamente para aquele que 
é seu autor; 
 Ser livre e agir são uma mesma coisa para Arendt. 
Os sofrimentos suportados no trabalho por causa da arbitrariedade patronal pesam tanto 
na vida de um trabalhador quanto as privações suportadas fora do ambiente de trabalho por 
causa da insuficiência dos salários. Para Hanna Arendt, os homens são livres apenas quando 
agem. 
A daseinsanálise não oferece ao paciente uma maneira de lidar com a dor, mas 
constitui-se como um caminho para pensar o “fundamento” dessa dor e permitir o 
desvelamento de um sentido para ela, deixar que a dor fale por si mesma e desvele seu 
sentido. 
A terapia é cuidar, cuidado para que o paciente possa, na medida do possível, ganhar 
mais liberdade e assumir a própria existência. 
Um dos elementos principais do setting terapêutico é o discurso do paciente, sua 
fala não apenas verbal. No setting terapêutico a ação é a ação de pensar, que inaugura um 
modo de estar-com e de lidar com o próprio existir. 
O setting terapêutico é o espaço aberto do aí compartilhado que se constitui no deixar-
vir-ao-encontro os sentidos que sustentam o seu modo de ser, o que significa deixar-se 
interpelar pelo “ser” cotidiano do outro, desvelado na relação terapêutica. 
Na terapia daseinsanalítica, a escuta está voltada para a compreensão do sentido 
que emerge do discurso do paciente, o sentido que se mostra em seu discurso fornece a 
possibilidade de compreensão dos significados do modo de ser do paciente e de suas 
relações de mundo. O paciente tem a possibilidade de escutar os sentidos da própria dor 
e se põe em questão na dor.

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