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Ana Paula Mussi Szabo Cherobim Normas e práticas de contabilidade do setor público NO RM AS E P RÁ TI CA S DE C ON TA BI LI DA DE D O SE TO R PÚ BL IC O A Série Universitária foi desenvolvida pelo Senac São Paulo com o intuito de preparar profissionais para o mercado de trabalho. Os títulos abrangem diversas áreas, abordando desde conhecimentos teóricos e práticos adequados às exigências profissionais até a formação ética e sólida. Normas e práticas de contabilidade do setor público vem trazer mais luz ao processo de gestão pública e visa a auxiliar os atuais gestores e os pretendentes a participar da administração pública, por meio da aprovação em concursos. O livro aborda diferentes aspectos e especificidades da contabilidade pública, desde a normatização contábil até as práticas de transparência e governança. Também são discutidos e detalhados os procedimentos contábeis patrimoniais e específicos, as modalidades de licitações (incluindo a migração da tradicional Lei no 8.666 para a legislação aprovada em 2021), as normas e padronizações, a auditoria e controladoria e a função dos tribunais de contas. Por fim, a obra trata ainda da metodologia Coso, do balanço social e da Lei de Responsabilidade Fiscal. SÉRIE UNIVERSITÁRIA M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira - CRB 8a/4771) Cherobim, Ana Paula Mussi Szabo Normas e práticas de contabilidade do setor público / Ana Paula Mussi Szabo Cherobim. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2022. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-65-5536-975-5 (ePub/2022) e-ISBN 978-65-5536-976-2 (PDF/2022) 1. Contabilidade 2. Normas contábeis 3. Práticas contábeis 4. Gestão pública 5. Administração pública 4. Finanças públicas – Brasil 5. Responsabilidade fiscal l. Título. lI. Série 22-1435t CDD – 657.7 352.43 BISAC BUS001050 BUS079000 Índice para catálogo sistemático 1. Contabilidade : Normas contábeis 657.7 2. Administração Pública : Contabilidade 352.43 NORMAS E PRÁTICAS DE CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO Ana Paula Mussi Szabo Cherobim M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho Coordenação Editorial/Prospecção Dolores Crisci Manzano Ricardo Diana Administrativo grupoedsadministrativo@sp.senac.br Comercial comercial@editorasenacsp.com.br Acompanhamento Pedagógico Otacília Pereira da Paz Designer Educacional Priscila Cristina do Nascimento Revisão Técnica Priscilla Silva Silvestrin Preparação e Revisão de Texto Amanda Andrade Projeto Gráfico Alexandre Lemes da Silva Emília Corrêa Abreu Capa Antonio Carlos De Angelis Editoração Eletrônica Cristiane Marinho de Souza Ilustrações Cristiane Marinho de Souza Imagens Adobe Stock Photos E-book Rodolfo Santana Proibida a reprodução sem autorização expressa. Todos os direitos desta edição reservados à Editora Senac São Paulo Rua 24 de Maio, 208 – 3o andar Centro – CEP 01041-000 – São Paulo – SP Caixa Postal 1120 – CEP 01032-970 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 E-mail: editora@sp.senac.br Home page: http://www.livrariasenac.com.br © Editora Senac São Paulo, 2021 Sumário M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas, 7 1 A normatização contábil – NBC TSP – estrutura conceitual, 9 2 Função da auditoria no setor público, 22 3 Accountabillity – instrumentalização do controle social, 26 Considerações finais, 28 Referências, 29 Capítulo 2 Procedimentos contábeis patrimoniais, 31 1 Estoques, 32 2 Ativo imobilizado, 33 3 Bens de uso comum, 35 4 Ativo intangível, 36 5 Depreciação, exaustão e amortização, 38 6 Reavaliação, 39 7 Testes de recuperabilidade e reversão, 41 8 Receita de transação sem contraprestação, 43 9 Provisões e passivos contingentes, 43 10 Dívida pública, dívida ativa e precatórios, 45 Considerações finais, 48 Referências, 49 Capítulo 3 Procedimentos contábeis específicos, 51 1 Fundeb, 52 2 Concessões de serviços públicos, 53 3 Operações de crédito, 55 4 Regime próprio de previdência social, 56 5 Dívida ativa, 59 6 Precatórios em regime especial, 61 7 Consórcios públicos, 61 Considerações finais, 62 Referências, 63 Capítulo 4 Licitações, 67 1 Dever de licitar, 69 2 Modalidades de licitação, 71 3 A nova lei de licitações: peculiaridades e prazo de transição, 82 Considerações finais, 86 Referências, 87 Capítulo 5 Auditoria governamental e a sociedade, 89 1 NBASP – Nível 1: princípios basilares e pré-requisitos para o funcionamento dos tribunais de contas brasileiros, 90 2 NBASP – Nível 2: princípios fundamentais de auditoria do setor público, 100 3 NBASP – Nível 3: requisitos mandatórios para auditorias do setor público, 110 Considerações finais, 112 Referências, 113 6 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Capítulo 6 Tribunais de contas, 115 1 Tribunal de Contas da União, 116 2 Tribunais de Contas Estaduais, 118 3 As funções do auditor e o controle social, 121 Considerações finais, 124 Referências, 125 Capítulo 7 Committe of sponsoring organizations of the treadway commission (Coso), 127 1 O que é Coso?, 129 2 Quais os critérios do Coso?, 132 3 Vantagens da adoção do Coso por parte da administração, 135 Considerações finais, 142 Referências, 142 Capítulo 8 Transparência no setor público, 145 1 O que é balanço social?, 147 2 Lei de Responsabilidade Fiscal, 161 Considerações finais, 167 Referências, 168 Sobre a autora, 171 7 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas Os registros contábeis foram originalmente criados para controlar o uso de recursos e a evolução patrimonial da organização pública ou privada: empresas, entidadessem fins lucrativos e governos em seus diferentes níveis. O conteúdo desse livro se concentra na contabilidade pública, mais especificamente no detalhamento das normas e na fun- ção social desse tipo de contabilidade. Este capítulo trata das normas contábeis para os diferentes agentes do setor público, da transparência dos registros contábeis do setor pú- blico e das formas de acompanhamento e controle dessas atividades. Nos oito capítulos deste livro, também serão abordados: os pro- cedimentos contábeis patrimoniais, relativos à contabilidade geral do 8 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .setor público, tema do segundo capítulo; os procedimentos contábeis específicos, relacionados ao Fundeb, concessão de serviços públicos e outras especificidades da gestão pública, assunto do terceiro capítulo; no quarto capítulo, serão estudadas as licitações; no quinto capítulo, o tema será a auditoria governamental à luz das normas e da sociedade; os tribunais de contas serão objeto do sexto capítulo; o sétimo capítu- lo tratará do Committee of sponsoring organizations of the treadway comission (Coso); por fim, o oitavo capítulo abordará o balanço social. O texto, os casos e os exercícios foram baseados nas normas brasi- leiras de contabilidade – técnicas do setor público (NBC TSP). O conteúdo desse livro é apresentado pressupondo que o aluno já tenha estudado orçamento e custos na administração pública. A com- preensão do texto será mais fácil se o estudante souber como está es- truturada a administração pública e seus princípios constitucionais, ou seja, já conhecer a esfera de atuação de cada agente público e tiver no- ções do funcionamento administrativo das diferentes esferas do setor público, movimentação e registros de recursos humanos, financeiros e patrimoniais. Assim, o estudo desse livro será facilitado se o leitor estiver familiarizado com os sistemas públicos de orçamento e contabilidade, com a classificação das receitas e despesas públicas e com os relatórios contábeis, a escrituração e o plano de contas do setor público. Esse conhecimento é necessário para dar seguimento ao estudo da contabilidade pública de forma aprofundada. PARA PENSAR O dinheiro gasto pelo governo, em suas diferentes esferas, vem da arre- cadação de tributos – ou seja, os recursos vêm da população. Ao pagar impostos, taxas e contribuições de melhoria, as pessoas transferem parte da sua renda para o governo e esperam retorno desses recursos, afinal, deixam de gastar de acordo com seu livre arbítrio. Por isso, esse dinheiro é tratado como “recursos públicos” e é natural pedir explicações sobre seu uso. 9Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O dinheiro não é do governo; ele está com o governo por delegação da população. O uso desse recurso e a prestação de contas das diferentes destina- ções demandam algum tipo de organização: não é apenas uma ques- tão de prestação de contas, mas de acompanhamento da gestão públi- ca. A contabilidade é a ciência do controle e da prestação de contas no uso de recursos, portanto, o ramo da contabilidade pública é o suporte teórico e prático para aprimorar a gestão pública. Nesse livro, o foco de estudo são os recursos públicos; portanto, estu- dam-se as leis, normas e orientações relativas ao uso desses recursos nas diferentes esferas de governo. 1 A normatização contábil – NBC TSP – estrutura conceitual As normas brasileiras de contabilidade (NBC) visam a contemplar a complexidade das transações e das variações patrimoniais das enti- dades; pautam-se na legislação e contemplam a contabilidade privada e pública. Para o setor público, somam-se as técnicas do setor público (TSP). As NBC TSP visam a fundamentar a elaboração dos relatórios contábeis de propósito geral (RCPG) das entidades do setor público. Essa normatização faz parte de conjunto mais amplo de normas contábeis, desenvolvidas para sistematizar os registros contábeis e a transparência da informação de toda e qualquer entidade. PARA SABER MAIS Você poderá encontrar facilmente a relação de normas profissionais, gerais e também as normas do setor público na página do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). 10 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Para esse livro, interessam as NBC TSP desenvolvidas especifica- mente para as entidades do setor público, nas mais diferentes esferas de governo e características de atuação. O principal objetivo das NBC TSP é facilitar a elaboração, leitura e compreensão da realidade patrimonial do governo, dos orçamentos pú- blicos e do acompanhamento das receitas e despesas públicas. Essa análise é feita por meio dos RCPGs das entidades do setor público. 1.1 Estrutura normativa do setor público A estrutura normativa evoluiu ao longo dos anos, em paralelo à sua efetiva implantação nos diferentes níveis de governo. A origem do controle está na Lei no 4.320/64, que instituiu no país as normas ge- rais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. No entanto, a efetiva implantação foi lenta e não uniforme entre os entes federados, poderes da República, órgãos e empresas públicas. A Constituição Federal de 1988, por meio da Emenda Constitucional 19/1998, instituiu a obrigatoriedade de obediência ao princípio da efi- ciência na administração pública, exigência corroborada na Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa exigência é legal e aplicável a todos os servidores públicos. Além dessa legislação, contadores e agentes pú- blicos atuantes nas áreas contábeis públicas estão submetidos às nor- mas do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Por meio das NBC TSP, o CFC tem atuado para a contabilidade pública ir além do controle orçamentário e fortalecer o enfoque patrimonial e gerencial no setor público e em seu alinhamento às normas internacionais. As resoluções do CFC são mandatórias para contadores e podem ser constantemente atualizadas para manter o poder explicativo dos relatórios contábeis e a adequação à realidade do ambiente de presta- ção do serviço público. Os princípios da administração pública exigem, 11Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. das diferentes entidades do setor público, a prestação de serviços à sociedade de maneira eficiente e eficaz, por meio de planejamento, coordenação, descentralização, delegação de competência e controle. Para planejar, é necessário saber quais os recursos disponíveis e qual é a garantia de continuidade desse fluxo, em caso de serviços de presta- ção cíclica. A coordenação, descentralização e delegação precisam da informaçãosistematizada antes, durante e depois do serviço prestado. Por fim, o controle pode ser feito a partir da comparação entre os rela- tórios contábeis ao longo do tempo e entre os diferentes entes. 1.2 A estrutura conceitual A estrutura conceitual das NBC TSP cria os parâmetros para a ela- boração e a divulgação dos RCPGs. A elaboração deve ser feita no regime de competência. Essa estrutura é geral, mas pode ser alterada em determinados aspectos pontuais. Por isso, o acompanhamento das atualizações deve ser constante. É importante sempre consultar o site do CFC, para conhecer as mudanças. PARA SABER MAIS A resolução CFC 1328/11 estabelece a classificação das normas con- tábeis e sua convergência aos padrões internacionais. Estão apresentados a seguir os principais tópicos da estrutura con- ceitual em vigor no início do ano de 2021, conforme a NBC TSP Estrutura Conceitual, aprovada em 23 de setembro de 2016. 12 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1.2.1 Capítulo 1 – Função, autoridade e alcance da estrutura conceitual Estabelece a estrutura conceitual das NBC TSP e cria os parâmetros para a elaboração e a divulgação dos RCPGs de forma ampla. Outras normas mais específicas devem ser seguidas no reconhecimento, men- suração e apresentação das transações e outros eventos e atividades evidenciados nos RCPGs. Em caso de conflito de normas, prevalece a mais específica. O RCPG das entidades do setor público é elaborado para o usuário geral e não para grupos específicos de interessados. Os RCPGs tra- zem a informação de patrimônio, receitas e despesas, mesmo sendo o serviço público prestado sem objetivo de lucro. As especificidades do patrimônio, muitas vezes de difícil mensuração do valor de venda, não eximem a correta apuração de valor e variação patrimonial. Em relação ao alcance das NBC TSP (2016, item 1.8-A): São obrigadas a segui-las as entidades do setor público: os go- vernos nacionais, estaduais, distrital e municipais e seus respecti- vos poderes (abrangidos os tribunais de contas, as defensorias e o Ministério Público), órgãos, secretarias, departamentos, agências, autarquias, fundações (instituídas e mantidas pelo poder público), fundos, consórcios públicos e outras repartições públicas congê- neres das administrações direta e indireta (inclusive as empresas estatais dependentes). IMPORTANTE A aplicação das NBC TSP por entidades públicas ou mistas, incluídas as empresas estatais independentes, é facultativa ou por determinação de algum órgão regulador ou fiscalizador. 13Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Porém, a aplicação das NBC TSP é obrigatória para as empresas esta- tais dependentes, aquelas que recebem recursos financeiros do orça- mento público para seu custeio ou aumento de participação acionária. 1.2.2 Capítulo 2 – Objetivos e usuários da informação contábil de propósito geral das entidades do setor público As informações contábeis não são um fim em si mesmas; visam a esclarecer como está a evolução patrimonial do ente público, o fluxo de recursos e a eficiência do serviço prestado. Os usuários dessas informações são os gestores da própria institui- ção, outros níveis hierárquicos daquela entidade, órgãos de fomento e principalmente o público em geral. Os usuários do serviço público e os provedores de recursos são os primeiros interessados na informação contábil, sistematizada nos RCPGs, com base da NBC TSP. Nem sempre os dados patrimoniais e o fluxo de recursos de um de- terminado período, registrados nos RCPGs, refletem toda a informação necessária. Muitos serviços públicos são permanentes ou cíclicos, ou seja, a entidade deve dispor de recursos patrimoniais, instalações, má- quinas e equipamentos em bom estado de conservação e atualidade tecnológica. Essa situação patrimonial viabiliza a prestação do serviço não apenas no período em análise, mas por vários períodos seguidos. Da mesma forma, o fluxo de receitas deve estar garantido para além daquele exercício orçamentário. A isso pode-se chamar de “sustentabi- lidade financeira” da entidade. As demonstrações evidenciam a situação patrimonial e o desem- penho em um determinado intervalo de tempo, usualmente um ano; não fornecem, portanto, todas as informações necessárias para o usu- ário avaliar a garantia de continuidade de programas de longo prazo. Algumas decisões podem impactar financeiramente a entidade durante 14 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .muitos anos. Faz-se necessário, então, incluir informações financeiras prospectivas quando se trata de projetos de longo prazo e/ou de pro- gramas essenciais da entidade do setor público. O núcleo da informação contábil são as RCPGs; no entanto, são necessárias informações complementares sobre a natureza do ser- viço prestado, objetivos atingidos, equilíbrio financeiro e garantia de continuidade na prestação do serviço. Para isso, podem ser consul- tados relatórios sobre as condições econômicas atuais e futuras, as políticas governamentais atinentes ao serviço prestado e as condições orçamentárias. 1.2.3 Capítulo 3 – Características qualitativas A compreensão das informações contábeis para análise objetiva dos fatos e a consequente tomada de decisão requer rigor nos lançamen- tos, obediência à padronização, cálculos e lançamentos corretos. Mas também envolve elementos qualitativos para a contextualização dos fatos e para a compreensão dos objetivos do serviço prestado e das peculiaridades dos equipamentos e materiais utilizados, entre outras inúmeras características nem sempre passíveis de análise por meio da informação contábil. Quadro 1 – O que incluir nos RCPGs? RELATÓRIOS CONTÁBEIS DE PROPÓSITO GERAL DAS ENTIDADES DO SETOR PÚBLICO Características da informação Relevância Representação fidedigna Compreensibilidade Tempestividade Comparabilidade Verificabilidade (cont.) 15Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. RELATÓRIOS CONTÁBEIS DE PROPÓSITO GERAL DAS ENTIDADES DO SETOR PÚBLICO Limitações Materialidade Custo X Benefício Equilíbrio da informação qualitativa x quantitativa Fonte: adaptado de NBC TSP, 2016. 1.2.4 Capítulo 4 – Entidade que reporta a informação contábil Esse capítulo explica quem elabora e transmite as informações con- tábeis. Em outras palavras, apresenta o ente governamental ou outra organização, programa ou área de atividade. Essa delimitação evita a prestação pública de contas de entes não relacionados à administração pública e, por outro lado, deixa claro quais entidades devem, necessa- riamente, prestar contas à sociedade dos recursos utilizados e a con- traprestação do serviço. A principal característica aexigir a elaboração dos RCPGs é o uso de recursos da sociedade. Assim, toda entidade que capta recursos da sociedade e/ou recebe recursos públicos do orçamento da União, esta- dos ou municípios, fundos especiais e repasses de autoridades estatu- tárias, ou mesmo organismos públicos deve apresentar esse relatório. Complementarmente, projetos, convênios ou contratos muito espe- cíficos relacionados à prestação do serviço público de modo indireto podem gerar dúvidas quanto à necessidade de elaboração das RCPGs. Nesses casos, é importante analisar os instrumentos legais envolvidos e a natureza da personalidade jurídica do ente. 1.2.5 Capítulo 5 – Elementos das demonstrações contábeis Dominar a forma como a informação contábil é organizada dentro das demonstrações contábeis é uma das habilidades do gestor público 16 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .quando da prestação de contas à sociedade. Independente de toda a sua experiência prática ou conhecimento teórico da contabilidade, é re- levante destacar quais são esses elementos, ou “contas”, no jargão da prática contábil: ativo, passivo, receita, despesa, contribuição dos pro- prietários e distribuição aos proprietários. Os ativos representam o que a entidade tem para prestação do ser- viço, decorrente de atos passados. O ativo público pode ser semelhante ao das entidades privadas, como máquinas e equipamentos, mas pode ser mais complexo – por exemplo, as riquezas do subsolo ou o espec- tro eletromagnético. Os passivos são obrigações, originadas de evento anterior, e devem ser honradas, liquidadas ou extintas mediante a saída de recursos da entidade. Essas obrigações podem ser legais, vinculadas à contrapres- tação de serviço ou não. Receitas e despesas são entradas e saídas de recursos, com ou sem contraprestação. Por exemplo: programas de benefícios sociais geram passivos sem contraprestação, dentro de políticas econômicas de transferência de renda. Contribuição e distribuição aos proprietários é a movimentação de ativos e recursos capaz de alterar a estrutura patrimonial da entidade. Diferentemente das entidades privadas, não há aporte de recursos dos sócios ou distribuição de lucros – exceto nas entidades que são empre- sas públicas de capital aberto. No entanto, pode acontecer a movimen- tação de ativos entre diferentes entidades do setor público, por exem- plo, como aconteceu no caso da extinção da antiga Rede Ferroviária Federal SA (RFFSA). 17Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. NA PRÁTICA A antiga RFFSA foi extinta em 22 de janeiro de 2007, por meio da Lei no 11.483/2007. Entre outras providências, a lei transfere para a União os bens imóveis – não operacionais do patrimônio da RFFSA. Poste- riormente, o Programa de Destinação do Patrimônio da Extinta RFFSA para Apoio do Desenvolvimento Local estabeleceu as condições para a solicitação das entidades interessadas e com capacidade de absorção, incorporação, reforma, uso e manutenção dos 52 mil terrenos e edifica- ções não operacionais da antiga RFFSA, distribuídos em 19 estados e mais de mil municípios em todo o país. 1.2.6 Capítulo 6 – Reconhecimento nas demonstrações contábeis Após a identificação de qual elemento das demonstrações contá- beis está relacionado a uma determinada transação, o próximo passo é entender como os registros são feitos em cada um dos elementos. Conforme descrito na NBC TSP Estrutura Conceitual (2016, item 6.1): O reconhecimento é o processo de incorporar e de incluir um item, expresso em valores a serem demonstrados no corpo da demons- tração contábil apropriada, que satisfaça a definição de elemento e possa ser mensurado de maneira que observe as características qualitativas, levando em consideração as restrições sobre a infor- mação incluída nos RCPGs. 1.2.7 Capítulo 7 – Mensuração de ativos e passivos nas demonstrações contábeis A mensuração contábil exige atribuir valores monetários às tran- sações. Quando oriundas de contratos, notas fiscais e outros docu- mentos formais, o lançamento é feito e basta o princípio da razoabi- lidade para manter os valores dentro da realidade e moralidade. No entanto, alguns ativos usados na prestação do serviço público têm 18 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .especificidades de difícil mensuração – por exemplo, ativos de infraes- trutura, equipamentos e instalações militares, reservas de emergência de alimentos ou armamentos. A mensuração deve permitir que o usuário da informação avalie o custo dos serviços prestados, a capacidade operacional e a capacidade financeira da entidade. Assim, a mensuração dos ativos pode ser feita a partir de: custo his- tórico, valor de mercado, custo de reposição ou substituição, preço lí- quido de venda ou valor em uso. A mensuração dos passivos segue os mesmos parâmetros (custo histórico e valor de mercado), porém, difere ao permitir também a utilização de custo de cumprimento da obrigação (custo de liberação e preço presumido). Os quadros 2 e 3, transcritos da Resolução NBC TSP Estrutura Conceitual, resumem as bases de mensuração: Quadro 2 – Resumo das bases de mensuração dos ativos BASE DE MENSURAÇÃO ENTRADA OU SAÍDA OBSERVÁVEL, OU NÃO, NO MERCADO ESPECÍFICA, OU NÃO, À ENTIDADE Custo histórico Entrada Geralmente observável Específica para a entidade Valor de mercado (quando o mercado é aberto, ativo e organizado) Entrada e saída Observável Não específica para a entidade Valor de mercado (em mercado inativo) Saída Depende da técnica de atribuição de valor Depende da técnica de atribuição de valor Custo de reposição ou substituição Entrada Observável Específica para a entidade Preço líquido de venda Saída Observável Específica para a entidade Valor em uso Saída Não observável Específica para a entidade 19Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 3 – Resumo das bases de mensuração dos passivos BASE DE MENSURAÇÃO ENTRADA OU SAÍDA OBSERVÁVEL, OU NÃO, NO MERCADO ESPECÍFICA, OU NÃO, À ENTIDADE Custo histórico Entrada Geralmente observável Específica para a entidade Custo de cumprimento da obrigação Saída Não observável Específica para a entidade Valor de mercado (quando o mercado é aberto, ativo e organizado) Entrada e saída Observável Não específica para a entidade Valor de mercado (em mercado inativo) Saída Depende da técnica de atribuição de valor Depende da técnica de atribuição de valor Custo de liberação Saída Observável Específica para a entidade Preço presumido Entrada Observável Específica para a entidade 1.2.8 Capítulo 8 – Apresentação de informação no relatório contábil de propósito geral das entidadesdo setor público A forma de apresentar os RCPGs depende dos objetivos de ela- boração e de divulgação da informação contábil, das necessidades dos usuários, das características qualitativas, das restrições na infor- mação incluída nos RCPGs e da entidade que reporta a informação contábil, já estudados nos sete itens anteriores. A interrelação pode ser vista na figura 1. 20 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Figura 1 – Forma de apresentação e suas influências Itens das demonstrações contábeis Elementos Localização da informação Critérios de reconhecimento Metodologia de mensuração Critérios de mensuração Itens das demonstrações contábeis Elementos Localização da informação Critérios de reconhecimento Metodologia de mensuração Critérios de mensuração Fonte: NBC TSP conceitos. IMPORTANTE A estrutura das NBC está regulamentada na Resolução CFC no 1328/11. As alterações realizadas a partir de outubro de 2018 estão normatiza- das na Resolução CFC no 1.48/18. As normas são alteradas com frequência. Especificamente em relação ao setor público, para se manter atualiza- do, acompanhe as alterações no site do CFC. 1.3 Convergência às normas internacionais No Brasil, existe esforço conjunto do governo, do CFC, das entidades empresariais e dos agentes públicos para convergir para os padrões internacionais de transparência da informação usados nas normas contábeis e de auditoria. O CFC, por meio da Resolução no 1.103, de 23 de setembro de 2007, criou o comitê gestor para a convergência de normas. 21Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Fazem parte do comitê o CFC, o Instituto de Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central do Brasil (Bacen). O objetivo é estabelecer ações para a con- vergência das normas contábeis e de auditoria no Brasil às normas in- ternacionais de auditoria e asseguração. Em nível mais detalhado, isso significa adequar os pronunciamentos de contabilidade e auditoria, edi- tados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e pelo Ibracon, às normas da Internacional Federation of Accountants (Ifac). Essa padronização está mais consolidada para as entidades do se- tor privado, em especial as empresas constituídas na forma de socie- dades anônimas e listadas em bolsa. No entanto, as entidades públicas no Brasil estão fazendo as adequações necessárias, desde 2018, por meio da atualização das NBC TSP. Em 1º de janeiro de 2021, foi revo- gada a NBC T 16.7 – Consolidação das Demonstrações Contábeis e foram aprovadas 11 novas normas, conforme quadro 4. O processo de convergência internacional prevê a adequação de to- das as NBC TSP às International public sector accounting standards (Ipsas). Quadro 4 – Normas da contabilidade pública aprovadas em 1o de janeiro de 2021 NORMAS DA CONTABILIDADE PÚBLICA APROVADAS EM 1O DE JANEIRO DE 2021 NBC TSP 16 Demonstrações Contábeis Separadas – Ipsas 34 NBC TSP 17 Demonstrações Contábeis Consolidadas – Ipsas 35 NBC TSP 18 Investimento em Coligada e em Empreendimento Controlado em Conjunto – Ipsas 36 NBC TSP 19 Acordos em Conjunto – Ipsas 37 NBC TSP 20 Divulgação de Participações em Outras Entidades – Ipsas 38 NBC TSP 21 Combinações no Setor Público – Ipsas 40 NBC TSP 22 Divulgação sobre Partes Relacionadas – Ipsas 20 (cont.) 22 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . NORMAS DA CONTABILIDADE PÚBLICA APROVADAS EM 1O DE JANEIRO DE 2021 NBC TSP 23 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro – Ipsas 3 NBC TSP 24 Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis – Ipsas 4 NBC TSP 25 Evento Subsequente – Ipsas 14 NBC TSP 26 Ativo Biológico e Produto Agrícola – Ipsas 27 Com a vigência dessas novas normas, foi revogada a NBC T 16.7 – Consolidação das Demonstrações Contábeis, instituída pela Resolução CFC no 1.134/2008. 2 Função da auditoria no setor público A auditoria é o exame detalhado e sistemático da conformidade e do desempenho de uma entidade. A auditoria contábil é realizada a partir dos demonstrativos contábeis e visa a assegurar o cumprimento das normas legais e do planejamento relativo ao uso dos recursos envolvidos. A auditoria no setor público está relacionada ao controle, um dos princípios fundamentais da administração pública, estabelecidos no Decreto-lei no 200 de 25 de fevereiro de 1967: planejamento, coordena- ção, descentralização, delegação de competência e controle. O controle das atividades da administração pública deve acontecer em todos os níveis e órgãos. Esse princípio compreende o controle, de forma hierárquica, dos chefes em relação aos seus subordinados; o controle, feito pelos órgãos, de cada sistema do exercício das ativida- des, de acordo com as normas que regulam tais atividades; e o controle do uso do dinheiro público e da guarda dos bens da União pelos órgãos dos sistemas de contabilidade e auditoria. O controle pode ser classificado de diferentes formas, apresentadas no quadro 5. 23Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 5 – Controle e suas formas de classificação QUANTO À: TIPO Órgão que exerce Administrativo Legislativo ou parlamentar Objeto Legalidade Mérito Origem e localização Interno Externo Período de realização Prévio ou preventivo Concomitante ou sucessivo Subsequente ou corretivo Fonte: Araujo e Arruda (2004, p. 13 - 14). O princípio de controle na administração pública se confunde com a fiscalização e a auditoria. Alguns autores os tratam como sinônimos, mas é possível distingui-los, conforme figura 2. Figura 2 – Controle, Fiscalização e Auditoria Fiscalização Auditoria: auditoria e inspeção Controle Fonte: adaptado de Araújo e Arruda (2004, p. 20) 24 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .O controle é mais amplo e pode ser interno ou externo. Quando ex- terno, é exercido pelo Legislativo. A fiscalização é exercida por órgãos de controle (tribunais de contas) e se materializa nas auditorias e inspeções: • As inspeções servem para dirimir dúvidas quanto à legalidade e à legitimidade dos atos administrativos. • As auditorias obtêm dados; investigam aspectos orçamentários, financeiros, patrimoniais e contábeis; e avaliam e auferem osre- sultados dos diferentes órgãos e entidades da administração di- reta, indireta e fundacional dos poderes da União. O controle externo da administração pública está previsto na Constituição Federal (CF) de 1988: Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, opera- cional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicida- de, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exer- cida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou ju- rídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária. Essa fiscalização é feita por meio do Tribunal de Contas da União (TCU) e dos 26 Tribunais de Contas Estaduais. Alguns estados criaram o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado (são três: Bahia, Goiás e Pará). Apenas os municípios de São Paulo – SP e Rio de Janeiro – RJ têm tribunal de contas próprios (TCM), porque a CF proíbe a criação de novos tribunais em seu artigo 31. 25Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. IMPORTANTE Os tribunais de contas da União, dos estados e dos municípios são os principais órgãos de controle das finanças públicas no brasil. O Instituto Rui Barbosa é responsável por estabelecer padrões de auditoria para o setor público no Brasil. Composto pelo TCU e demais tribunais de contas brasileiros, emite as normas brasileiras de auditoria do setor público (NBASP). Essas normas foram consolidadas em 2015, a partir de parâmetros internacionais estabelecidos no International Organization of Supreme Audit Institutions (Intosai – que, traduzi- do, significa Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores). Esse marco está organizado em quatro níveis; porém, no Brasil, optou-se por consolidar os dois primeiros, resultando em: • NBASP – nível 1: define os princípios basilares e os pré-requisi- tos para o funcionamento dos tribunais de contas brasileiros em suas atividades de auditoria e demais atividades de fiscalização. Fundamenta-se na norma internacional, mas faz adequações às normas de auditoria do tribunal de contas da União (NAT), às nor- mas de auditoria governamental (NAG), à associação dos mem- bros dos tribunais de contas do Brasil (Atricon) e à legislação brasileira. • NBASP – nível 2: princípios fundamentas da auditoria do setor público. É a tradução das normas internacionais, referentes ao nível três das normas internacionais das entidades fiscalizadoras (Issai). • NBASP – nível 3: normas para auditoria operacional e normas para auditoria de conformidade. 26 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 3 Accountabillity – instrumentalização do controle social A accountability é a responsabilização do indivíduo a partir do controle realizado. Para isso, são somados aos procedimentos de controle, fis- calização e auditoria os instrumentos de responsabilização do indivíduo que executou ou autorizou a ação. No setor público, existe a mesma res- ponsabilização, mas do agente público, por meio de instrumentos legais. Não existe tradução literal do termo para o português, mas ele está relacionado à responsabilidade, controle social e transparência. Muitas vezes se confunde com o termo governança. Em essência, accountability traz a responsabilidade do ato administrativo ao indiví- duo que executou ou autorizou a execução. Sua importância reside em personificar atos, usualmente atribuídos a instituições. PARA SABER MAIS As leis e instruções normativas definem, nos seus glossários, accountability como: “Obrigação dos agentes e das organizações que gerenciam recursos públicos de assumir integralmente as responsabilidades por suas de- cisões e pela prestação de contas de sua atuação de forma voluntária, inclusive sobre as consequências de seus atos e omissões.” Fonte: DOU Portaria no 5 de 18 de maio de 2020. Para o setor público, a accountability faz parte do processo de de- mocratização. Governantes e agentes públicos devem usar os recur- sos públicos conforme a lei e a vontade da população. Essa vontade é representada, no Poder Executivo, por meio da eleição do presidente, dos governadores e dos prefeitos. No âmbito do Poder Legislativo, a escolha de senadores, deputados federais, estaduais e vereadores re- flete a vontade popular. Apenas no Poder Judiciário essa escolha não é 27Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. feita de modo direto. Esses eleitos são escolhidos para exercer a função pública e criar ou revogar as leis, entre elas as do orçamento público. O controle social é entendido como a possibilidade de qualquer pes- soa ter acesso a dados e informações relacionadas às ações do go- verno, dos parlamentares e dos membros do Poder Judiciário – isso faz parte do conceito de governo aberto, que estabelece os princípios de liberdade de acesso às ações e aos dados dos governantes. A CF estabelece a obrigatoriedade da prestação de informações pelos entes públicos no artigo 70 (conforme apresentado no item “A função da au- ditoria no setor público”). A Lei de Acesso à Informação Pública (Lei no 12.527/2011) especi- fica quem deve e como deve prestar contas. Estão obrigados a prestar contas: os órgãos públicos integrantes da administração direta dos po- deres Executivo, Legislativo (incluindo as Cortes de Contas) e Judiciário e do Ministério Público. Além desses, as autarquias, as fundações pú- blicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e de- mais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, esta- dos, Distrito Federal e municípios também têm essa obrigação. A prestação de contas deve abranger os meios físicos e virtuais, por meio da criação de sistemas de informação, com amplo acesso e da- dos fidedignos. A lei estabelece ainda como caracterizar as informações sigilosas e para quem elas podem ser divulgadas. Estão inclusas nesse sigilo as questões de segurança nacional, de segurança de autoridades e de privacidade do indivíduo. PARA SABER MAIS No Brasil, diferentes portais da internet disponibilizam informações sobre o uso do dinheiro público e o acompanhamento das ações dos diferentes entes públicos. 28 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Para saber mais sobre o uso dos recursos públicos nos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), no Senado Federal, na Câmara dos Deputados, Tribunal de Contas da Uniãoe no Ministério Público Fede- ral, acesse a página do Tribunal de Contas da União: https://portal.tcu. gov.br/inicio/. Para saber mais sobre qualquer assunto do governo federal, acesse o Portal Brasileiro de Dados Abertos: https://dados.gov.br/. Considerações finais Este capítulo tratou da NBC TSP, de auditoria e de accountability. As NBC TSP visam a fundamentar a elaboração dos RCPGs. Fazem parte do conjunto de normas contábeis (NBCs) e estão conceituadas na NBC TSP Estrutura Conceitual. A auditoria constitui os procedimentos de avaliação do uso dos recursos em relação à sua economicidade, eficiência e eficácia. A au- ditoria do setor público avalia o uso dos recursos públicos em todas as entidades que, de alguma forma, recebem, utilizam ou arrecadam recursos públicos. Quem controla? O Poder Legislativo, por meio do tribunais de con- tas. Como controla? Utilizando os padrões de auditoria estabelecidos pelo Instituto Rui Barbosa. Como são estabelecidos esses parâmetros? Alinham-se as NBC TSP às Ipsas. Quando controla? A cada exercício fiscal e mediante solicitação ou denúncia. A accountability é a responsabilização do indivíduo a partir do con- trole realizado. No setor público, acontece a mesma responsabilização, mas do agente público, por meio de instrumentos legais. Esses temas são a base para aprofundar o estudo da contabilidade pública. 29Normas contábeis, accountabillity e auditoria públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências ARAUJO, Inaldo; ARRUDA, Daniel. Contabilidade pública: da teoria à prática. São Paulo: Saraiva, 2004. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 22. mar. 2021. BRASIL. Decreto-lei no 200 de 25 de fevereiro de 1967. Dispõe sobre a or- ganização da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0200.htm. Acesso em: 22 mar. 2021. BRASIL. Emenda Constitucional no 19, de 4 de junho de 1998. Modifica o re- gime e dispõe sobre princípios e normas da Administração Pública, servido- res e agentes políticos, controle de despesas e finanças públicas e custeio de atividade a cargo do Distrito Federal e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc19.htm. Acesso em: 22 mar. 2021. BRASIL. Lei no 11.483, de 31 de maio de 2007. Dispõe sobre a revitalização do setor ferroviário, altera dispositivos da Lei 10.233, de 5 de junho de 2001, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2007-2010/2007/Lei/L11483.htm. Acesso em: 22 mar. 2021. BRASIL. Lei no 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a infor- mações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 22 mar. 2021. BRASIL. Portaria no 5, de 18 de maio de 2020. Aprova o referencial técnico da ativi- dade de auditoria interna governamental do Ministério Público da União. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-5-de-18-de-maio-de-2020- 257604525#:~:text=As%20diretrizes%20para%20o%20exerc%C3%ADcio, eficaz%20e%20efetiva%20dos%20recursos. Acesso em: 22 mar. 2021. 30 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Resolução CFC 1103, de 28 de setembro de 2007. Cria o Comitê Gestor da Convergência no Brasil, e dá ou- tras providências. Disponível em: http://www.normaslegais.com.br/legislacao/ resolucaocfc1103_2007.htm. Acesso em: 22 mar. 2021. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Resolução CFC 1328, de 22 de março de 2011. Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Disponível em: https://www1.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codi- go=2011/001328. Acesso em: 22 mar. 2021. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). 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