Prévia do material em texto
Aula Prática Compactação O ensaio de laboratório geralmente empregado para determinar o peso específico seco máximo de compactação e o teor de umidade ótimo é chamado Ensaio de Compactação Proctor (Proctor, 1933). wd 1 S wG G s ws d 1 2 ENSAIO PROCTOR NORMAL MOLDE: Volume = 944 cm3 (1/30 ft3) Diâmetro = 101,6 mm (4 in) SOQUETE Massa = 2,5 kg (5,5 lb) Queda = 30,5 cm (12 in) O molde é preso a uma chapa de apoio na parte inferior e uma a uma extensão ou colar no topo. O solo é misturado com várias quantidades de água e, depois, compactado em três camadas iguais por um soquete, que golpeia 26 vezes cada camada. 3 4 PREPARAÇÃO DE AMOSTRAS PARA ENSAIOS DE COMPACTAÇÃO (NBR – 6457) Podem ser utilizados três processos para a preparação das amostras para os ensaios de compactação: • preparação com secagem prévia até a umidade higroscópica • preparação a 5% abaixo da umidade ótima presumível • preparação a 3% acima da umidade ótima presumível 5 6 Preparação com secagem prévia até a umidade higroscópica A amostra deve ser seca ao ar, até próximo da umidade higroscópica. A seguir, os torrões devem ser desmanchados, evitando-se que se quebrem os grãos do solo, e a mostra homogeneizada Com o auxílio do repartidor de amostras, ou pelo quarteamento, reduzir a quantidade de material até se obter uma amostra representativa em quantidade suficiente para a realização do ensaio Passar a amostra na peneira de 4,8 mm. Se na peneira de 4,8 mm for retido parte do material, passar a amostra na peneira de 19,1 mm, a fim de desmanchar os torrões eventualmente ainda existentes, sem forçar exageradamente, de forma a evitar a quebra de grãos. Após o peneiramento, deve ser seguido o procedimento da Tabela 1 As quantidades de amostra a serem tomadas são indicadas na Tabela 2 7 Peneira (mm) Material retido (% em peso) Cilindro a ser utilizado no ensaio Observação 4,8 Menor que 7 Grande ou pequeno Desprezar o material retido 19,1 Menor que 10 Grande Desprezar o material retido 19,1 Maior que 10 Grande Ver nota (*) 19,1 Maior que 30 - Recomenda-se não ensaiar de acordo com o método de ensaio de compactação Tabela 1 – Procedimento após peneiramento Nota (*): Passar o material na peneira de 19,1 mm através da de 76,2 mm e desprezar o material retido nesta última. Substituir o material retido na peneira de 19,1 mm e que passe na de 76,2 mm por igual quantidade de material retido na peneira de 4,8 mm e que passe na de 19,1 mm. 8 Ensaio de compactação A amostra preparada passa integralmente na peneira (mm) Cilindro a ser utilizado no ensaio Quantidade de amostra (em massa seca) a ser tomada (kg) Com reuso de material 4,8 Pequeno Grande 3 7 19,1 Grande 7 Sem reuso de material 4,8 Pequeno Grande 15 35 19,1 grande 35 Tabela 2 – Quantidade de amostra a ser tomada 9 Preparação a 5% abaixo da umidade ótima presumível A amostra, enviada ao laboratório, convenientemente embalada a fim de se evitar perda de umidade, deve ser seca ao ar até atingir umidade da ordem de 5% abaixo da umidade ótima presumível. Caso a umidade do material esteja abaixo do referido valor, acrescentar água ao mesmo, até que se atinja a condição mencionada. Feito isso, procede-se como descrito no item anterior 10 Preparação a 3% acima da umidade ótima presumível A amostra, enviada ao laboratório, convenientemente embalada a fim de se evitar perda de umidade, deve ser seca ao ar até atingir umidade da ordem de 3% acima da umidade ótima presumível. Feito isso, procede-se como descrito na Preparação com secagem prévia. As quantidades de amostra a serem tomadas são indicadas na Tabela 2, para ensaio sem reuso do material. Nota: Excluem-se do processo descrito na Preparação a 5% abaixo da umidade ótima presumível os materiais com umidade natural inferior a 3% acima da umidade ótima presumível. 11 ENSAIO DE COMPACTAÇÃO (NBR – 7182) APARELHAGEM • Balanças com precisão de 0,01 g e 1 g • Peneiras de 19 mm e 4,8 mm, de acordo com a NBR 5734; • Estufa capaz de manter a temperatura entre 105 ºC e 110 ºC • Cápsulas metálicas • Bandejas • Espátulas • Base rígida • Provetas • Extrator do corpo-de-prova • Régua biselada • Conchas metálicas • Papel filtro 12 • Cilindro metálico pequeno (cilindro de Proctor) – compreende o molde cilíndrico, sua base, colarinho e disco espaçador metálico com dimensões a serem respeitadas indicadas na Figura 1 COLARINHO 5 0 1 0 7 Ø100,0 ± 0,4 (A) 3 0 1 0 1 2 7 ,3 ± 0 ,3 ( A ) 7 160 1 0 3 0 BASE MOLDE CILÍNDRICO 3 VOLUME ÚTIL DO MOLDE CILÍNDRICO IGUAL A 1000 ± 10 cm³ (A) DIMENSÕES EM mm (A) DIMENSÕES ESSENCIAIS Figura 1 – Cilindro pequeno (Proctor) 13 MOLDE CILÍNDRICO 210 8 8 0 BASE 1 0 3 0 4 COLARINHO 5 0 1 0 1 0 1 7 7 ,8 Ø150.8 6 3 ,5 1 1 4 .3 ± 0 .3 ( A ) Ø152.4 ± 0.6 (A)7 DISCO ESPAÇADOR VOLUME ÚTIL DO MOLDE CILÍNDRICO IGUAL A 2085 ± 22 cm³(A) DIMENSÕES EM mm (A) DIMENSÕES ESSENCIAIS • Cilindro metálico grande (cilindro de CBR) – compreende o molde cilíndrico, sua base, colarinho e disco espaçador metálico com dimensões a serem respeitadas na Figura 2 Figura 2 – Cilindro grande (CBR) 14 3 9 0 8 8 Ø16 50,0 ± 0,5 (A) Ø 16,5 10 4 FUROS Ø 7 3 9 5 1 5 52 1,7 4 FUROS Ø 8 ANEL DE BORRACHA ESPESSURA 2 mm RECIPIENTE P/ AJUSTE DO PESO TOTAL SOQUETE: Ajustar o peso total em 2500 ± 10g (A) GUIA: Altura da queda do soquete igual a 305 ± 2 (A) DIMENSÕES EM mm (A) DIMENSÕES ESSENCIAIS • Soquete pequeno, com massa de (2500 10) g com dispositivo de controle altura de queda de (305 2) mm e dimensões a serem respeitadas indicada na Figura 3 Figura 3 – Soquete pequeno 15 • Soquete grande, com massa de (4536 10) g com dispositivo de controle altura de queda de (457 2) mm e dimensões a serem respeitadas indicadas na Figura 4 RECIPIENTE P/ AJUSTE DO PESO TOTAL ANEL DE BORRACHA ESPESSURA 3 mm 4 FUROS Ø 8 4 FUROS Ø 7 Ø 16,5 16 1.9 1 5 Ø 53 2 0 0 5 8 0 6 6 0 DIMENSÕES EM mm (A) DIMENSÕES ESSENCIAIS SOQUETE: Ajustar o peso total em 4536 ± 10g (A) GUIA: Altura da queda do soquete igual a 457 ± 2 (A) Ø 50,8 ± 0,5 (A) Figura 4 – Soquete grande 16 Cilindro Características inerentes a cada energia de compactação Energia Normal Intermediária Modificada Pequeno Soquete Pequeno Grande Grande Número de camadas 3 3 5 Número de golpes por camada 26 21 27 Grande Soquete Grande Grande Grande Número de camadas 5 5 5 Número de golpes por camada 12 26 55 Altura do disco espaçador (mm) 63,5 63,5 63,5 Tabela 3 – Energias de compactação O cilindro pequeno pode ser utilizado somente quando a amostra, após a preparação, passa integralmente na peneira de 4,80 mm. 17 EXECUÇÃO DO ENSAIO • Deve-se fixar o molde cilíndrico à sua base, acoplar o cilindro complementar e apoiar o conjunto em uma base rígida. Caso se utilize o cilindro grande, colocar o disco espaçador. Se necessário, colocar uma folha de papel filtro com diâmetro igual ao do molde utilizado, de modo a evitar a aderência do solo compactado com a superfície metálica da base ou do disco espaçador. • Na bandeja metálica, com auxílio da proveta de vidro, adicionar gradativamente água destilada ao material, e revolvê-lo continuamente, de forma a se obter teor de umidade em torno de 5% abaixo da umidade ótima presumível. Para determinados solos, a uniformização da umidade pode apresentar algumas dificuldades. Neste caso, recomenda-se que a amostra a ser ensaiada, após a adição da água e o revolvimento do material, seja colocada em saco plástico vedado e mantido em processo de cura numa câmara úmida durante 24 horas. Antes da compactação, deve-se proceder aum revolvimento adicional do material. 18 • Após completa homogeneização do material, proceder à sua compactação, atendendo-se ao soquete, número de camadas e número de golpes por camada correspondentes à energia desejada. Os golpes do soquete devem ser aplicados perpendicularmente e distribuídos uniformemente sobre a superfície de cada camada, sendo que as alturas das camadas compactadas devem ser aproximadamente iguais. A compactação de cada camada deve ser precedida de uma ligeira escarificação da camada subjacente. • Após a compactação da última camada, retirar o cilindro complementar depois de escarificar o material em contato com a parede do mesmo, com auxílio de uma espátula. O excesso de solo compactado acima do molde deve ser removido e rasado com auxílio de uma régua biselada. Feito isso o molde cilíndrico pode ser removido de sua base e, no caso do cilindro pequeno, a outra face também deve ser rasada. 19 • A seguir, pesa-se o conjunto, com resolução de 1 g, e, por subtração do peso do molde cilíndrico, obter o peso úmido do solo compactado, Ph. • Com o auxílio do extrator, retirar o corpo-de-prova do molde e do centro do mesmo, tomar uma amostra do centro para a determinação da umidade. Caso o corpo-de-prova estiver sendo moldado para a realização de outros ensaios (CBR, compressão simples, permeabilidade), a determinação da umidade deve ser feita com uma porção da amostra remanescente na bandeja, retirada imediatamente após a compactação da segunda camada. 20 21 • Tanto para compactação com ou sem reuso de material, o primeiro corpo-de- prova deve estar com um teor de umidade em torno de 5% abaixo da umidade ótima presumível, o segundo com uma umidade 2% superior ao primeiro, e assim por diante. A compactação deve ser repetida, conforme descrito anteriormente, até se obter cinco pontos, sendo dois no ramo seco, um próximo à umidade ótima e dois no ramo úmida da curva de compactação. • Se o ensaio for realizado com reuso do material, destorroá-lo com auxílio da desempenadeira e da espátula, até que passe integralmente na peneira de 4,8mm ou na de 19mm, respectivamente, conforme a amostra, após preparada, tenha ou não passado integralmente na peneira de 4,8mm. A seguir junta-se o material assim obtido com o remanescente na bandeja e adiciona-se água destilada, revolvendo o material, de forma a incrementar o teor de umidade. 22 23 )100( 100 WV xPh d CÁLCULOS A massa específica aparente seca é calculada segundo a expressão: onde: d é a massa específica aparente seca, em g/cm³; Ph é o peso do solo compactado, em g; V é o volume do molde cilíndrico, em cm³; W é o teor de umidade do solo compactado, em %. 24 sW d SW S Recomenda-se determinar a curva de saturação (relação entre a massa específica aparente seca e o teor de umidade, para grau de saturação do solo igual a 100 %), utilizando-se a expressão: onde: d é a massa específica aparente seca, em g/cm³; S é o grau de saturação, igual a 100 %; W é o teor de umidade, arbitrado na faixa de interesse, em %; s é a massa específica dos grãos do solo, em g/cm³; w é a massa específica da água, em g/cm³ (adotar 1 g/cm³). 25 RESULTADOS Curva de compactação Utilizando-se coordenadas cartesianas normais, traça-se a curva de compactação, marcando-se no eixo das abscissas os teores de umidade e no das ordenadas as massas específicas aparentes secas correspondentes. A curva deve ter um formato aproximadamente parabólico. Recomenda-se traçar a curva de saturação no mesmo desenho da curva de compactação. Massa específica aparente seca máxima É o valor correspondente à ordenada máxima da curva de compactação, expresso com aproximação de 0,01 g/cm³. Umidade ótima É o valor da umidade correspondente, na curva de compactação, ao ponto de massa específica aparente seca máxima, expresso com aproximação de 0,1%. FRASCO DE AREIA furo do Volume furo do retirado solo do seco Peso d 26 27 MÉTODO DO FRASCO DE AREIA REFERÊNCIA: NBR 7185 /86 Aplicabilidade do método: aplica-se a solos com qualquer tipo de granulação, contendo ou não pedregulhos, que possam ser escavados com ferramentas manuais, e cujos vazios naturais sejam suficientemente pequenos para que a areia usada no ensaio neles não penetre. O material em estudo deve ser suficientemente coeso e firme para que as paredes da cavidade a ser aberta permaneçam estáveis e as operações realizadas não provoquem deformações na cavidade. Trabalho prévio no laboratório: Preparação da areia: 1. secar ao ar 2. peneirar com as peneiras 1,2 mm e 0,59 mm, recolhendo a areia entre elas 3. lavar na peneira 0,59 mm 4. secar em estufa 5. peneirar na peneira 0,59 mm 28 Determinação da massa de areia que preenche o funil e o orifício no rebaixo da bandeja: 1. Colocar sobre uma superfície plana a placa de vidro. Sobre a mesma colocar a bandeja de metal onde se encaixa o furo maior do funil; 2. pesar o conjunto frasco + funil (M1) estando o frasco cheio de areia. Colocar o conjunto frasco+funil+areia encaixado na bandeja e abrir o registro do funil, deixando a areia escoar livremente até cessar seu movimento. Fechar o registro do funil. Retirar o conjunto frasco + funil + areia restante, pesando-o [M2]. A diferença M3 = M1-M2 é a massa de areia que preencheu funil e orifício. 3. Repetir (2) várias vezes (sugere-se cinco vezes), até obter pelo menos três valores M3 que não difiram da respectiva média mais que 1% do valor da média. 4. Adotar a média dos valores M3 que atendam esta especificação (3) como peso de areia no cone . 29 Determinação da massa específica aparente da areia : 1. pesar o conjunto frasco – funil contendo a sua máxima capacidade de areia, preparada. (M4) 2. colocar o conjunto frasco + funil + areia sobre a bandeja, e esta sobre o cilindro; abrir o registro do funil deixando a areia escoar livremente até que cesse seu movimento; fechar o registro do funil; retirar o conjunto frasco + funil + areia e pesá-lo (M5); 3. A massa de areia que enche o cilindro será M6 = M4 - M5 - M3 4. repetir as operações (1) e (2) várias vezes. Compor a média dos valores M6, não aceitando valores que difiram da respectiva média mais que 1% do valor da média. 5. Calcular a massa específica aparente da areia pela fórmula: ρareia = M6 / V onde M6 é a média das massas de areia no cilindro (g); V é o volume do cilindro (cm3) 30 Determinação da massa específica (aparente) do solo no campo: 1. Limpar a superfície do terreno, tornando-a, tanto quanto possível, plana e horizontal. (usar nível de bolha); 2. Colocar a bandeja, certificando-se se há bom contacto entre esta e a superfície do terreno, e escavar com martelo e talhadeira uma cavidade cilíndrica no terreno, limitada pelo orifício central da bandeja e com profundidade até 15 cm (ou que atinja toda a espessura da camada a ser analisada. Quando a camada possuir espessura superior a 15 cm, a profundidade máxima do furo será de 15 cm). 3. Recolher todo o solo extraído da cavidade, determinar sua massa com resolução de 1g e anotar como Mh.; 4. Determinar o teor de umidade (h) do solo extraído da cavidade, conforme prescreve a NBR 6457; 5. pesar o conjunto frasco + funil + areia, obtendo sua massa (M7); 31 32 6. Ajustar o conjunto frasco + funil + areia sobre o rebaixo da bandeja. Abrir o registro do funil deixando a areia escoar livremente até cessar seu movimento no interior do frasco. Fechar o registro, retirar o conjunto frasco + funil + areia restante, pesando-o com resolução de 1 g e anotar (M8); 7. O peso de areia que preencheu a cavidade do terreno será M10 = M7-M8-M3 8. completar o frasco com areia não usada; 9. recolher a areia utilizada no furo para novo beneficiamento de laboratório. 10. A massaespecífica (aparente) seca do solo “in situ” será obtida por ρs = fc. ρ areia . Mh / M10 ou ρs = [100/(100+h)] . ρ areia . Mh / M10 onde ρs = massa específica aparente seca do solo “in situ”, em g/cm3. ρareia = peso específico aparente da areia, em g/cm3. Mh = massa do solo extraído da cavidade do terreno, em g M10 = massa da areia que preencheu a cavidade no terreno, em g h = teor de umidade do solo extraído da cavidade no terreno, em % fc = fator de correção da umidade = 100 / (100 + h) 33