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EDUCAÇÃO INFANTIL NO 
CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 8 – O 
PLANEJAMENTO NA 
EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
Olá! 
Na aula de hoje te convidamos a refletir sobre a ação de planejar na 
educação infantil, que deve viabilizar aprendizagens de significado profundo para 
as crianças, nas quais elas tenham a oportunidade de fazer descobertas e ampliar 
seus conhecimentos. Quando bem elaborada, proporciona tanto às crianças quanto 
aos educadores a dinâmica da ação e da reflexão. 
Também serão abordados os princípios da documentação pedagógica, 
enfatizando sua função vital e sua significância na educação infantil. Serão 
examinados os registros de observação, com sua variada gama de aplicações e 
sua importância no aprimoramento do trabalho do educador. 
Por fim, abordaremos sobre avaliação na educação infantil, em que seu 
objetivo principal é orientar a continuidade da ação pedagógica, considerando a 
individualidade da criança e seu desenvolvimento. Em outras palavras, as práticas 
de avaliação permitem ao professor avaliar o progresso das crianças e, com base 
nisso, sugerir as modificações necessárias. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
8 O PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
O ato de planejado é baseado na natureza humana, envolvendo a reflexão 
sobre a realização de algo possível e viável. Quando o indivíduo considera “o que 
fazer”, o planejamento se torna uma necessidade evidente e justificável por si só 
(OLIVEIRA, SOUSA e TARGINO, 2013). Esse processo de planejamento tem sua 
origem nas necessidades e prioridades que emergem em nossa vida cotidiana. 
Portanto, para a compreensão da realidade há princípios para a identificação e análise 
dessas necessidades, orientando o planejamento subsequente. 
Na escola, a situação não difere. A atividade educativa implica em ter um 
propósito claro, e o planejamento se apresenta como uma ferramenta poderosa no 
contexto de sistematização, estruturação e coordenação dessa atividade. Como um 
procedimento, requer que se leve em consideração, durante a sua concepção, desde 
o plano pedagógico da instituição de ensino até o plano de ação do docente. Só dessa 
maneira é viável contribuir para o processo de desenvolvimento infantil e a expansão 
das aptidões físicas, intelectuais, emocionais, morais e artísticas das crianças. 
Para Bassedas, Huguet e Solé (2007), muitos acadêmicos concordam em 
identificar uma etapa anterior ao ato de ensinar, conhecida como "pré-ativa", 
desenhada pela preparação do que será posteriormente aplicada na sala de aula. 
Essa fase pré-ativa pode ser interpretada como o período de preparação, organização 
e planejamento. A sua sequência envolve a formulação de estratégias, a elaboração 
do plano e a avaliação da implementação. A prática educacional deve ser direcionada 
para promover o desenvolvimento global dos alunos, utilizando elementos 
relacionados ao processo de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, esperamos que 
a elaboração do planejamento seja uma ferramenta de reflexão, abrindo caminhos 
para mudanças significativas. 
Sem importar qual nomenclatura que lhe é atribuída, uma atividade de 
planejamento apoia o educador na reavaliação de suas abordagens. O planejamento 
é o contexto no qual as atividades diárias (como as rotinas) adquirem importância, 
permitindo que todos alcancem os resultados desejados. Ao examinarmos de forma 
crítica os caminhos já percorridos, torna-se possível guiar e reorientar todo o 
procedimento. 
 
 
 
O planejamento na educação infantil é uma prática que não está restrita a 
nenhum nível de ensino em particular. Isso é evidenciado pelas Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Educação Infantil, conforme previsto em seu artigo 3º, que diz: 
O currículo da Educação Infantil deve contemplar o conjunto de práticas que 
buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os 
conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, 
científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de 
crianças de 0 a 5 anos [...] (BRASIL, 2010). 
Desta forma, o ato de planejar na educação infantil é uma tarefa que exige 
organização, dedicação, adaptabilidade e uma capacidade reforçada de observação 
por parte dos profissionais. Deve-se levar em consideração as características 
individuais, necessidades e interesses das crianças. O planejamento desempenha um 
papel orientador no processo educacional, especificamente como um guia para a ação 
do professor. Em outras palavras, o docente atua como um estrategista que analisa a 
situação atual, reflete sobre ela e métodos de ação antecipados para atingir 
determinados objetivos. Nas palavras de Bassedas, Huguet e Solé (2007, p. 133): 
[...] se admitirmos que as finalidades da educação — favorecer o 
desenvolvimento do aluno em todas as suas capacidades — alcançam-se 
mediante o trabalho que se realiza em torno dos conteúdos que fazem parte 
do currículo, é inegável que a análise e a tomada de decisões sobre o 
planejamento constituem um elemento indispensável para assegurar a 
coerência entre o que se pretende e o que se sucede na sala de aula. 
Levar em conta o planejamento da educação infantil é uma maneira de garantir 
a otimização do potencial das crianças, proporcionando-lhes oportunidades para se 
envolverem em brincadeiras, experimentações e aprendizagem. Nessa perspectiva, 
ao elaborar um plano, o professor deve garantir que a criança tenha a chance de 
alcançar seu pleno desenvolvimento. 
Independentemente da complexidade que possa envolver um planejamento, 
ele é um elemento essencial em todos os níveis de ensino. Através dele, estabelecem-
se objetivos para garantir a entrega de um ensino de alta qualidade, comprometido 
com a aprendizagem e a promoção de uma formação democrática (BASSEDAS, 
HUGUET e SOLÉ, 2007). 
 
 
 
8.1 Tipos de planejamento na educação infantil 
Na rotina da educação infantil, o planejamento deve ser encarado como um 
processo de reflexão. Ele vai além de um formulário simples a ser preenchido; é uma 
abordagem que abrange todas as ações e situações que envolvem crianças e 
professores no dia a dia do trabalho pedagógico. Conforme apontado por Ostetto 
(2012), existem cinco categorias de planejamento, que são: o planejamento baseado 
em listas de atividades, o planejamento direcionado para dados comemorativos, o 
planejamento relacionado a áreas de desenvolvimento, o planejamento associado a 
áreas de conhecimento e o planejamento temático. Além disso, Barbosa (2009), 
acrescenta dois à lista: o planejamento de controle social e o planejamento centrado 
nas linguagens. A seguir, exploraremos com mais detalhes cada uma dessas 
abordagens: 
Planejamento que se fundamenta em listas de atividades: também referido como 
“hora da atividade”, se apoia na criação de listas de tarefas a serem realizadas. Nessa 
abordagem, a ênfase está em preencher espaços entre diferentes momentos da 
rotina. Nesse contexto, a criança assume um papel passivo, sem que suas 
particularidades ou necessidades específicas sejam consideradas. 
Planejamento centrado em atividades comemorativas: é orientado pelo 
calendário, observando dados considerados significativos para os adultos, como o 
Carnaval, o Dia de Tiradentes, o Dia do índio, entre outros. Esse tipo de planejamento, 
caracterizado por "episódios isolados" conforme descrito por Ostetto (2012), 
apresenta conteúdos fragmentados e, muitas vezes, simplistas. Isso acaba por 
promover a massificação e a redução da profundidade do conhecimento, além de 
negligenciar e subestimar as necessidades e habilidades das crianças. 
Planejamento fundamentado em áreas de desenvolvimento: a ênfase está no 
crescimento da criança, considerando, períodos da psicologia do desenvolvimento, 
com destaque para as esferas motora, afetiva, social e cognitiva. No entanto, 
consoante asobservações de Ostetto (2012), embora essa abordagem priorize 
algumas áreas do conhecimento, acaba por negligenciar outras. Além disso, esse tipo 
de planejamento cuida de uma continuidade e é isolado, sem integração com aspectos 
relacionados aos demais níveis educacionais. 
 
 
 
Planejamento baseado em temas: implica a organização de uma série de atividades 
em torno de um tema escolhido. Essa abordagem abrange diversas tipologias de 
temas, incluindo temas integrados, temas geradores, centros de interesse e unidades 
de experiência. Conforme destacado por Ostetto (2012), os temas podem surgir a 
partir das sugestões das crianças ou emergir de situações vividas pelo grupo. Nessa 
abordagem, além da preocupação em abordar aspectos relacionados à realidade das 
crianças, são identificados conteúdos considerados relevantes para a aprendizagem 
dos alunos. No entanto, apesar de aparentemente consideradas como relacionadas 
com o desenvolvimento infantil, essa perspectiva muitas vezes relegada e até mesmo 
desconsidera questões relacionadas à construção do conhecimento e ao processo de 
aprendizagem. 
Planejamento por áreas de conhecimento: sustenta que a pré-escola é um 
ambiente tanto pedagógico quanto de desenvolvimento. Portanto, a pré-escola tem a 
responsabilidade de contribuir para a disseminação do conhecimento acumulado pela 
sociedade, uma vez que, durante o seu desenvolvimento, a criança vai adquirindo e 
produzindo conhecimento. Conforme observado por Barbosa (2009), esse tipo de 
planejamento é concebido a partir da estrutura das disciplinas escolares, que se 
baseia na ideia de que a função primordial da escola é transmitir conhecimento, com 
ênfase na abordagem de conteúdo. 
Planejamento direcionado para o controle social: tem como foco principal a 
supervisão das crianças e o ensino de como executar as tarefas escolares de maneira 
específica. Trata-se de uma prática que busca impor disciplina aos corpos, às mentes 
e às emoções das crianças (BARBOSA, 2009). 
Planejamento por linguagens: é uma inovação recente na educação infantil. Essa 
forma de planejamento possibilita a compreensão da multiplicidade de formas de 
expressão das crianças e das diversas linguagens que utilizam. Como destacado por 
Barbosa (2009), nesse contexto: 
As linguagens surgem no encontro de um corpo que simultaneamente 
envelhece, observa, interpreta e reflete em um mundo saturado de 
linguagens, com pessoas que imersas em linguagens, em um mundo social 
que é estruturado e dotado de significado por meio delas... (BARBOSA, 2009, 
p. 56). 
 
 
 
8.2 A Base Nacional Comum Curricular – BNCC e o planejamento na educação 
infantil 
No artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 
9.394/1996, é estipulado que os programas educacionais destinados à educação 
infantil devem possuir uma base nacional unificada. Dessa forma, em 2017, o 
Ministério da Educação propôs a Base Nacional Comum Curricular, um documento 
com caráter regulatório que estabelece o conjunto coerente e contínuo de 
conhecimentos fundamentais que todos os estudantes devem adquirir ao longo das 
diferentes fases e tipos de educação básica. 
A BNCC garante o direito à aprendizagem e ao progresso para todas as 
crianças, e estabelece uma parcela substancial de que elas devem adquirir a cada 
ano, desde a creche até o término do ensino fundamental, em todas as instituições, 
sejam elas públicas ou privadas. Este documento, dessa forma, contribui para a 
formação integral das crianças e para a edificação de uma sociedade mais equitativa, 
participativa e inclusiva. É importante notar que a abordagem de formação integral 
mencionada no documento não se refere a uma educação em período integral, mas 
sim a uma educação que abranja todos os aspectos do desenvolvimento humano, ou 
seja, as dimensões cognitiva, física, emocional, social e cultural (BRASIL, 2017). 
As competências centrais na BNCC visam garantir o progresso das crianças na 
direção de 10 (dez) habilidades gerais que representam, no contexto educacional, os 
direitos referentes ao aprendizado e desenvolvimento. Essas habilidades englobam: 
conhecimento; pensamento científico, crítico e criativo; repertório cultural; 
comunicação; cultura digital; trabalho e projeto de vida; argumentação; 
autoconhecimento e autocuidado; empatia e cooperação; responsabilidade e 
cidadania (BRASIL, 2017). 
Na educação infantil, essas competências estão ligadas aos seis direitos de 
aprendizagem e desenvolvimento. São eles: estéticos (explorar, expressar-se), éticos 
(brincar e conviver) e políticos (participar e conhecer-se). 
8.3 Registros 
Dentro dos instrumentos pedagógicos empregados na educação infantil, a 
prática de observar, documentar e ponderar são atividades intrínsecas à prática de 
 
 
 
documentação e, por extensão, ao trabalho do educador. Quando o docente realiza a 
observação e o registro do desenvolvimento educacional do aluno e, posteriormente, 
utiliza esse registro como base para ponderar e analisar suas decisões e métodos, ele 
eleva o grau de reflexão e relevância de sua atuação profissional (BARBOSA, 2009). 
Observação 
A prática de observação deve ser incorporada de maneira sistemática e 
deliberada no exercício pedagógico do educador. Essa prática exige claramente 
nossos objetivos e interesses, bem como a organização e a seleção criteriosa dos 
aspectos da rotina da criança pertinentes para serem monitorados e registrados. A 
ação de observar transcende a mera atitude de olhar superficialmente. O professor 
deve direcionar seu olhar com base em princípios e diretrizes estabelecidas em 
documentos legais. Durante a observação, é fundamental que o educador confie no 
propósito de sua ação, especialmente quando seu objetivo é estimular o progresso da 
criança. A observação deve refletir de maneira implícita os elementos que o professor 
deseja verificar, seu interesse, o método de coleta de informações e, sobretudo, a 
propósito dessa coleta. 
De acordo com Mendonça (2009), a prática de observação fornece ao professor 
a capacidade de realizar as seguintes ações: 
 Coletar informações pertinentes que, de outra maneira, não estariam 
acessíveis. 
 Descrever diversas facetas das interações humanas. 
 Monitorar e entrevistar em tempo real. 
Para viabilizar essas ações, é essencial adotar algumas atitudes: 
 Definir previamente as ações a serem observadas. 
 Selecionar as crianças que serão objeto de observação. 
 Delimitar o período e os eventos a serem oferecidos. 
Registro 
O processo de registro, enquanto uma prática de envio, encontra sua 
fundamentação no cenário legal, especificamente na Resolução nº 5 de 17 de 
 
 
 
dezembro de 2009, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação Infantil. 
A observação é um suporte valioso. Uma de suas principais finalidades consiste 
em prevenir a perda de informações relevantes, mas suas funções vão além desse 
propósito. A documentação deve ser produzida com o propósito de promover a 
reflexão sobre a intenção subjacente às ações que ocorrem no dia a dia da escola, as 
diversas situações vivenciadas e os variados diálogos que se estabelecem. Em outras 
palavras, trata-se das experiências que marcam o cotidiano das crianças na educação 
infantil. A documentação pode ser realizada de diversas formas, incluindo registros 
escritos, fotografias, gravações e filmagens. Esses registros representam uma 
ferramenta essencial para compreender o que está sendo feito e por qual motivo, 
considerando que as vivências cotidianas contribuem para a construção da história 
daquele grupo de crianças e daquele professor (MENDONÇA, 2009). 
Utilização de registros 
A utilização de registros é uma técnica pedagógica que se revela como uma 
estratégia para gerar narrativas, avaliações, interpretações e compreensão da rotina 
das crianças nas instituições de ensino infantil. Isso possibilita aidentificação de seus 
avanços e conquistas. É fundamental manter uma constante reflexão sobre como as 
crianças estão adquirindo conhecimento e se desenvolvendo, bem como sobre as 
diversas abordagens e táticas que elas empregam para demonstrar seu progresso. 
Além disso, é importante manter uma vigilância atenta em relação à maneira como 
direcionamos e criamos oportunidades para o desenvolvimento infantil. 
Gonzalez-Mena (2015) delineia várias alternativas de documentação que 
facultam ao educador conceber narrativas, avaliações, interpretações e entendimento 
das experiências diárias das crianças nas instituições de ensino infantil. As diferentes 
modalidades de documentação podem ser observadas adiante: 
Documentação anedótica: Constitui uma forma de elaborar breves descrições 
acerca de uma atividade, diálogo, música, incidente, lembrança ou algum 
acontecimento notável relacionado a uma criança. Esses registros podem se originar 
de reflexões posteriores ou ser redigidos no calor do momento. 
Documentação em tempo real: Ao contrário dos registros anedóticos, a 
documentação em tempo real apresenta-se como uma descrição minuciosa do que 
 
 
 
está ocorrendo enquanto acontece. Seu propósito é capturar com riqueza de detalhes 
a situação, permitindo que o leitor se transporte mentalmente para a cena descrita. 
Registo de episódios: Descreve uma situação desde o seu início até o seu desfecho. 
É de suma importância documentar não apenas o incidente em si, mas também os 
eventos anteriores e posteriores, com o intuito de identificar eventuais tendências ou 
padrões. 
Diários: Estes podem englobar uma ampla variedade de conteúdos, tais como 
narrativas anedóticas, descrições pormenorizadas em tempo real ou relatos de 
incidentes, além de incluir desenhos e fotografias. Essa ferramenta pode ser 
preenchida tanto pelos educadores quanto pelos pais. Normalmente, o caderno é 
entregue à criança e devolvido no dia seguinte, podendo conter anotações adicionais. 
É relevante destacar que o caderno desempenha o papel de um instrumento auxiliar 
para o professor, fornecendo informações acerca do estado de saúde e 
desenvolvimento da criança. 
Imagens, gravações e vídeos: representam registros tanto do processo quanto do 
resultado alcançado pela criança. Esse material pode ser empregado em diversas 
maneiras, como afixação em um mural, exposição aos pais e à comunidade, utilização 
como documentação escolar, entre outras. 
Checklist: Demonstram utilidade ao avaliar o avanço da criança. Aqui, são 
considerados os objetivos estabelecidos para o aprendizado e desenvolvimento na 
educação infantil, conforme definidos na Base Nacional Comum Curricular para a 
Educação Infantil. 
Mapeamento: Seu intuito é paralelo ao da lista de verificação. Tem como finalidade 
apoiar o professor na compreensão do comportamento de cada criança no ambiente. 
Pode ser aplicado em bebês ou em crianças que apresentam grande mobilidade no 
ambiente, entre outras situações possíveis. 
Amostragem temporal: Implica na coleta de amostras do comportamento de grupos 
de crianças durante um intervalo de tempo específico. Isso permite ao professor 
adquirir percepções sobre padrões tanto individuais quanto coletivos. 
Como foi ilustrado, a documentação pedagógica, enquanto um processo que 
abarca a criação, comunicação, pesquisa e disseminação de informações, constitui 
um elemento que enriquece a proposta pedagógica ao unir a reflexão à ação. Essa 
prática, quando alinhada ao planejamento e à avaliação, desempenha um papel 
 
 
 
crucial na busca por uma educação de excelência destinada às crianças de 0 a 5 anos 
nas instituições de ensino infantil (GONZALEZ-MENA, 2015). 
8.4 Avaliação 
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, Brasil 
(2010), a legislação estabelece que as instituições dessa etapa devem implementar 
procedimentos de acompanhamento pedagógico e avaliação do desenvolvimento das 
crianças, sem fins de seleção ou promoção. Isso deve incluir a observação das 
atividades e interações das crianças, o uso de diversos tipos de registros, a 
continuidade dos processos de aprendizagem durante as transições, a documentação 
para informar as famílias sobre o trabalho da instituição e a proibição de retenção de 
crianças na Educação Infantil. 
No trecho da legislação, quatro termos são pertinentes às questões 
apresentadas por Gonzalez-Mena (2015): observação, registro, documentação e 
estratégias apropriadas. Através dessas quatro proposições, o educador obtém a 
capacidade de se familiarizar com o conjunto de crianças com as quais trabalha, bem 
como cada indivíduo que integra esse grupo. Em relação a esse tópico, Zabalza 
(2007) esclarece que, ao examinar o grupo infantil, o professor consegue estabelecer 
conexões com o desenvolvimento do programa ou projeto educacional, o 
funcionamento das estruturas implementadas (tais como espaços, materiais e 
experiências) e sua própria atuação. Já por meio da análise individual de cada criança, 
é possível rastrear seu progresso, colaborar na recriação dos métodos de ação, 
direcioná-la e oferecer suporte na aquisição de competências ou comportamentos 
específicos. 
Essa abordagem é viável porque, com base nas informações reunidas, é 
factível estabelecer metas e conduzir o processo de ensino e aprendizado. Afinal, um 
programa destinado à infância envolve tanto a aprendizagem quanto o 
desenvolvimento, abrangendo todos os envolvidos, ou seja, crianças e adultos, em 
igual medida (GONZALEZ-MENA, 2015). 
De acordo com Bassedas, Huguet e Solé (2007), na educação infantil, a 
avaliação permite ao professor observar o desenvolvimento e o progresso da criança. 
Essa observação, por sua vez, auxilia na elaboração de situações, relações ou 
 
 
 
atividades que, por sua vez, embasam decisões educacionais. O aspecto mais crucial 
não consiste em fazer julgamentos ou estabelecer definições definitivas, mas sim em 
sugerir hipóteses, confrontá-las com as de outros adultos que interagem com a 
criança, testá-las e ajustá-las conforme a evolução do aluno. É imperativo que os 
educadores compreendam que avaliar não implica em categorizar as crianças em um 
conjunto pré-determinado de expectativas ou normas. 
Por meio da prática da observação, registro, documentação e aplicação de 
estratégias apropriadas, os professores têm a capacidade de perceber que cada 
indivíduo trilha um caminho singular e o acompanhamento das aprendizagens é a 
única maneira de não valorizar apenas os resultados, mas também reconhecer e dar 
visibilidade a todo o percurso construído ao longo do processo de aprendizagem da 
criança. Nesse sentido, "[...] a avaliação deve primordialmente servir como uma 
ferramenta para intervir, adaptar e aprimorar nossa abordagem, o desenvolvimento e 
a aprendizagem dos alunos" (BASSEDAS; HUGUET; SOLÉ, 2007, p. 174). 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BARBOSA, M. C. S. Práticas cotidianas na educação infantil: bases para a reflexão 
sobre as orientações curriculares. Brasília: MEC, 2009. 
BASSEDAS, E.; HUGUET, T.; SOLÉ, I. Aprender e ensinar na educação infantil. 
Porto Alegre: Artmed, 2007. 
BRASIL. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases 
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 Acesso em: set. 2023. 
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacional 
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 Acesso em: set. 2023. 
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 
2017. Disponível em: Acesso em: set. 2023. 
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes 
Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC, 2010. Disponível 
em:Acesso 
em: set. 2023. 
GONZALEZ-MENA, J. Fundamentos da educação infantil: ensinando crianças em 
uma sociedade diversificada. 6. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015. 
MENDONÇA, C. N. A documentação pedagógica como processo de investigação 
e reflexão na educação infantil. 2009, 135 f. Tese (Doutorado em Educação). 
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Marília, 2009. 
OLIVEIRA, J. A. S.; SOUSA, N. J.; TARGINO, F. Planejamento na educação infantil: 
uma construção coletiva. 2013. Disponível em: Acesso em: 
set. 2023. 
OSTETTO, L. E. Planejamento na educação infantil: mais que atividade. A criança 
em foco. 5. ed. Campinas: Papirus, 2012. 
ZABALZA, M. A. Qualidade em educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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