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FLUIDOS 
BIOLÓGICOS 
Samantha Brum Leite 
Análise microscópica 
da urina
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar os parâmetros de análise microscópica da urina.
 � Descrever o método de análise e o significado clínico dos elementos 
que integram a sedimentoscopia urinária.
 � Realizar a correlação clínico-laboratorial dos parâmetros que integram 
a sedimentoscopia urinária.
Introdução
Neste capítulo, você vai estudar a importância da sedimentoscopia uri-
nária, visto que consiste em uma etapa complementar às análises física 
e química da urina. Com os resultados, é possível determinar a condi-
ção clínica do paciente, além disso, a identificação dos elementos na 
microscopia nem sempre está associada a alguma alteração das etapas 
anteriores, o que ratifica a sua relevância. Para isso, o processamento da 
amostra deve ser realizado corretamente, a fim de que o sedimento seja 
representativo da condição do paciente.
Pela microscopia, é possível identificar células epiteliais, hemácias, 
leucócitos, cilindros, cristais, microrganismos e vários outros elementos 
de caráter patológico ou não. A sua importância clínica está associada à 
quantidade presente e a outros elementos que possam estar relacionados, 
de modo que o diagnóstico de várias condições clínicas é realizado pelo 
conjunto de informações das análises química e microscópica da urina 
que compõem um perfil característico.
É importante que os profissionais saibam realizar corretamente todas 
as etapas de processamento, identificação e contagem celular. Para isso, 
recursos como microscopia de contraste de fase e microscopia por luz 
polarizada agregam confiabilidade à análise do sedimento. Mesmo com 
a automação, o conhecimento dos profissionais da área é indispensável.
A análise microscópica e seus parâmetros
A análise do sedimento urinário só foi possível com o advento do microscópio, 
o qual não se sabe exatamente quando foi criado e quem o inventou. No entanto, 
acredita-se que foi desenvolvido entre os anos de 1550 e 1590. Apesar de ter 
sido inventado no século XVI, foi apenas séculos mais tarde, em 1844, que o 
médico Golding Bird demonstrou a importância de se analisar o sedimento 
urinário por microscopia. No Brasil, apenas no século XX, com Sylvio Soares 
de Almeida, que o exame do sedimento urinário foi reconhecido. 
Atualmente, a microscopia do sedimento urinário faz parte do exame de 
urina de rotina, sendo que a automação já faz parte da realidade de muitos 
laboratórios. Além disso, evoluiu com o uso da microscopia por contraste de 
fase e por luz polarizada. Os elementos que são identificados na microscopia 
são células que podem ser epiteliais ou sanguíneas, cilindros, cristais, lipídios, 
microrganismos e contaminantes. Eles podem estar presentes tanto em con-
dições normais quanto em condições patológicas e com significado clínico.
A urina pode apresentar diferentes tipos de células, as quais podem ter 
significado clínico conforme a quantidade presente e a origem da região do 
trato urinário. As células epiteliais podem se apresentar nas formas descritas 
a seguir.
 � Células epiteliais escamosas: são oriundas das camadas superficiais 
do revestimento vaginal, da uretra feminina e das porções inferiores 
da uretra masculina. São as maiores células presentes no sedimento 
(diâmetro de 17 a 118 µM), são achatadas e apresentam morfologia 
com citoplasma abundante e irregular, com núcleo pequeno e central. 
Podem ser encontradas em abundância e muitas vezes são observados 
apenas os núcleos livres em decorrência da citólise pela ação dos bacilos 
de Döderlein. Em mulheres, a quantidade é considerada normal na 
microscopia até seis células por campo.
 � Células epiteliais transicionais: podem ser denominadas de células 
uroteliais, pois são oriundas do uroepitélio e podem ser localizadas 
desde a porção do interior dos rins (cálices renais) até a bexiga, nas 
mulheres, e até a uretra proximal, nos homens. Essas células estão 
presentes por todo o revestimento do uroepitélio, no entanto, as cé-
lulas que são comumente observadas no sedimento são decorrentes 
Análise microscópica da urina2
das camadas superficiais, quando comparadas às camadas profundas. 
A morfologia celular da camada mais profunda caracteriza-se com um 
formato ovoide ou cuboide, com núcleo central ou periférico, com um 
ou dois nucléolos e um citoplasma fino. Apresentam diâmetro entre 
10,7 a 38 µM, enquanto que as células das camadas mais superficiais 
têm formato arredondado ou ovalado, com núcleo redondo ou oval, 
central ou levemente excêntrico. Apresenta granulosidade no citoplasma, 
os quais são escassos em torno do núcleo e abundantes na periferia. 
Apresentam diâmetro entre 17 a 43 µM. Pode ser considerada normal 
a quantidade de até três células por campo.
 � Células epiteliais tubulares renais: são oriundas dos diferentes seg-
mentos dos túbulos renais, sendo mais comuns as da porção proximal, 
as quais apresentam formato redondo, oval ou retangular, com núcleo 
redondo central ou localizado excentricamente no citoplasma, com 
um ou dois nucléolos e citoplasma granular. Seu tamanho varia de 9 a 
25 µM, sendo considerada normal a quantidade de apenas uma célula 
por campo.
Observe a Figura 1 a seguir.
Figura 1 (a) Células epiteliais transicionais por microscopia de campo claro, (b) células 
epiteliais escamosas por microscopia de contraste de fase e (c) células epiteliais tubulares 
renais por microscopia de contraste de fase. 
Fonte: Adaptada de Mundt e Shanahan (2012), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina 
Laboratorial (2017) e Reilly Jr. e Perazella (2015).
(a) (b) (c)
3Análise microscópica da urina
 � Células decoy: são células epiteliais tubulares renais e outras células 
uroepiteliais que apresentam alterações relacionadas à infecção viral 
pelo poliomavírus BK (BKV). Nessas células, alterações morfológicas 
são observadas, tais como:
 ■ aumento nuclear, com decorrente deslocamento do núcleo para a 
periferia celular;
 ■ marginalização da cromatina em razão da aglutinação da cromatina 
ao longo da membrana nuclear;
 ■ presença de padrões anormais na cromatina, com a presença de 
grânulos grosseiros com tamanho e formato variáveis;
 ■ inclusão de um único corpo nuclear rodeado por um halo periférico;
 ■ ocorrência de vesículas citoplasmáticas. 
Dentre as alterações, apenas a inclusão de corpo nuclear é considerada rara, 
as demais consistem em alterações comuns de serem observadas. Além disso, 
pode haver a presença das células sanguíneas oriundas do sangue periférico, 
como mostrado a seguir.
 � Leucócitos: são majoritariamente neutrófilos, que se caracterizam como 
células esféricas, núcleo lobulado com grânulos e diâmetro de 7 a 15 µM. 
Quando presente em quantidade elevada na urina, denomina-se como 
piúria. Em mulheres são considerados normais até cinco leucócitos por 
campo, enquanto nos homens, até dois leucócitos por campo. 
 � Eosinófilos: apresentam morfologia com núcleo bilobar e presença de 
grânulos bem definidos que ocupam todo o citoplasma. Requer o uso de 
colorações para ser identificado na urina. Quando presente em grande 
quantidade na urina, caracteriza-se como eosinofilúria.
 � Linfócitos: são células pequenas, arredondadas com núcleo grande 
e citoplasma com delimitação fina. Quando presente em quantidade 
elevada na urina, denomina-se como linfocitúria.
 � Macrófagos: são células redondas de aspecto variável, com um ou mais 
núcleos centrais ou periféricos, com diâmetro de 13 a 95 µM. É possível 
que o(s) núcleo(s) não esteja(m) visível(is) em função da presença dos 
grânulos ou vacúolos presentes no citoplasma.
 � Corpo graxo oval ou corpos gordurosos ovais: podem ser macrófagos 
gordurosos ou células dos túbulos renais que fagocitaram colesterol 
ou triglicérides livres e que apresentam citoplasma rico em gotículas 
de lipídios. 
Análise microscópica da urina4
 � Hemácias: podem ser oriundasdesde o glomérulo até a uretra, mas pode 
ser decorrente de contaminação menstrual. Consistem em células em 
formato de discos bicôncavos e lisos com diâmetro de 4 a 10 µM e não 
apresentam núcleo. Em sua morfologia usual, podem ser denominadas 
de hemácias isomórficas. Sua morfologia é influenciada por mudanças 
osmóticas. É considerada normal a quantidade de até duas hemácias por 
campo. Podem se apresentar na forma de hemácias crenadas e hemácias 
“fantasmas” em função da alta concentração e elevada diluição da 
amostra, respectivamente. 
Observe a Figura 2 a seguir.
Figura 2. (a) Leucócito por microscopia de 
campo claro e (b) hemácia por microsco-
pia de campo claro. 
 � Hemácias dismórficas: são formadas pela passagem nas fendas da 
membrana basal glomerular, formadas por lesão glomerular e pela 
passagem no sistema tubular que apresenta alterações no pH e na os-
molaridade. Assim, apresentam-se sob a forma de acantócitos e codó-
citos. Os acantócitos apresentam um formato de anel com protrusões 
celulares, enquanto os codócitos ou células em alvo apresentam uma 
área central pálida. 
5Análise microscópica da urina
Pode ser observada a presença de cilindros, os quais são elementos ex-
clusivamente renais. Apresentam forma, diâmetro e comprimento variáveis, 
assim como a sua forma em função de serem formados no interior dos túbulos 
distais. Assim, são variáveis conforme a condição do túbulo no qual é formado. 
A matriz dos cilindros é composta pela glicoproteína de Tamm-Horsfall, 
a qual é constantemente excretada pelas alças ascendente de Henle, cuja 
produção é influenciada por condições como: estase urinária, que consiste na 
diminuição do fluxo urinário; diminuição do pH; e aumento da osmolaridade 
(pela concentração de solutos e presença de constituintes iônicos ou proteicos 
anormais). Assim, todos os elementos que estiverem circulantes no interior dos 
rins podem se ligar à matriz dos cilindros, de forma que são oriundas dos rins.
Os cilindros podem ser classificados de acordo com as características 
que seguem.
 � Hialinos: são formados exclusivamente pela glicoproteína de Tamm-
-Horsfall, apresentam um baixo índice de refração, por isso devem 
ser observados em baixa luminosidade na microscopia, e são os mais 
frequentes no sedimento. São observados mais facilmente em amostras 
concentradas e ácidas. É considerada normal a quantidade de até dois 
cilindros por campo pelo aumento de 100×.
 � Hemáticos: podem ser denominados de cilindros eritrocitários. Apre-
sentam hemácias agregadas à sua matriz proteica, a qual pode ou não 
estar visível. Assim, pode ser caracterizado como cilindro hemático 
quando as hemácias estiverem degradadas, enquanto o cilindro eritro-
citário seria quando as hemácias estão íntegras. Sua coloração pode 
ser de incolor à castanha. 
 � Leucocitários: os leucócitos presentes costumam ser neutrófilos po-
limorfonucleares, os quais podem estar em pequena quantidade ou 
em várias células agregadas. É possível observar o núcleo das células 
quando ainda estão intactas, e a medida em que se desintegram passam 
a assumir aspecto granular.
 � Epiteliais: são formados a partir da descamação celular do pavimento 
dos túbulos renais e posterior inclusão na matriz proteica dos cilindros 
hialinos ou granulares. Assim, podem ser compostos por diferentes tipos 
de células, as quais podem ser observadas de forma isolada ou agrupada.
 � Granulosos: caracterizam-se pela presença de grânulos, que variam 
conforme a quantidade e o tamanho, podendo ser finos ou mais gros-
seiros. Podem ser formados a partir de:
Análise microscópica da urina6
 ■ lisossomos com proteínas ultrafiltradas que, em decorrência de um 
dano às células tubulares, caem dentro do lúmen tubular e, assim, 
se ligam à matriz proteica de Tamm-Horsfall;
 ■ degeneração de cilindros celulares.
 � Gordurosos: podem ser denominados de cilindros lipoideos, adiposos 
ou graxos. São formados pela degeneração adiposa do epitélio nos 
túbulos renais. Caracterizam-se por apresentar gotículas de gordura, 
corpos ovais gordurosos ou cristais de colesterol no seu interior, as 
quais são representativas dos elementos que estão livres no sedimento. 
As gotículas de lipídios podem se apresentar em baixa quantidade e de 
modo disperso no cilindro, até mascarar toda a matriz. A presença de 
cristais de colesterol no interior do cilindro não costuma ser comum.
 � Céreos: apresentam um alto índice de refringência, o que auxilia na 
identificação microscópica, uma vez que ele tem aspecto denso, com 
bordas recortadas e rachadas, e apresenta superfície irregular.
Ao contrário do cilindro hialino, que é composto unicamente pela proteína de Tamm-
-Horsfall e serve de base para os demais cilindros, não se sabe exatamente qual é a 
origem da matriz do cilindro céreo. 
Outros cilindros que podem ser observados são (SOCIEDADE BRASI-
LEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA E MEDICINA LABORATORIAL, 2017; 
SCHMITZ, 2012; REILLY JR; PERAZELLA, 2015; MUNDT; SHANAHAN, 
2012):
 � Cilindros com microrganismos: pode ser observada a presença de 
bactérias e leveduras na matriz proteica, de forma isolada ou concen-
trada em uma região. 
 � Cilindros com cristais e sais amorfos: podem apresentar diferentes 
tipos de cristais aderidos, sendo o mais comum o cristal de oxalato 
de cálcio seguido do cristal de fosfato amorfo. Ocorre em função da 
precipitação de sais no interior dos cilindros em formação.
7Análise microscópica da urina
 � Cilindros pigmentados por bilirrubina: qualquer cilindro hialino, 
granuloso, céreo ou celular pode ser pigmentado por bilirrubina em 
razão da elevação da bilirrubina conjugada na urina. 
 � Cilindros mistos: podem apresentar diferentes elementos em seu 
interior, caracterizando-se como cilindros hialino-granulosos (mais 
frequentes), cilindros céreo-granulosos, cilindros granuloso-celulares 
e cilindros granuloso-graxos.
 � Cilindros largos: uma vez que a morfologia dos cilindros é representa-
tiva da luz tubular, os cilindros largos estão associados a túbulos grandes 
e dilatados e apresentam fluxo urinário lento. Qualquer cilindro pode 
ser largo, mas normalmente está associado aos cilindros granulosos 
e céreos.
Os cristais são elementos comuns na urina, mas raramente apresentam 
significado clínico. Quando presentes, denominam-se como um quadro de 
cristalúria, estando presente em 8% das amostras. Podem ser formados após 
a coleta, em função da refrigeração da amostra ou em amostras deixadas em 
temperatura ambiente, acarretando variação no pH. Além disso, podem estar 
relacionados ao tipo de dieta, a qual, conforme a predisposição do indivíduo, 
pode promover a formação de cristais. Também podem representar doenças 
metabólicas ou infecciosas, sendo cristais de origem patológica. 
Para evitar a ocorrência de cristais não patológicos relacionados à conservação da 
amostra, deve-se aguardar o retorno da amostra à temperatura ambiente (18 a 22 °C) 
antes de realizar a análise do exame de urina, pois, assim, eventuais cristais não pato-
lógicos que tenham se formado são destruídos. 
Veja os cilindros na Figura 3.
Análise microscópica da urina8
Figura 3. (a) Cilindro graxo por microscopia de luz polarizada, (b) cilindro leucoci-
tário, (c) cilindro epitelial, (d) cilindro misto: granuloso na porção superior e céreo 
na porção inferior, (e) cilindro granuloso, (f) cilindro hemático e (g) cilindro hialino.
Fonte: Schmitz (2012, p. 167).
9Análise microscópica da urina
De forma geral, a formação dos cristais ocorre:
 � pelo aumento da concentração de solutos na urina, incluindo sais or-
gânicos e até mesmo medicamentos;
 � pelo aumento do pH;
 � pela diminuição da temperatura.
Normalmente, os cristais não indicam condições patológicas, no entanto, se 
a cristalúria for persistente e intensa, pode ser oriunda de alterações no meta-
bolismo do indivíduo, como hiperoxalúria, hipercalciúria ou hiperuricosúria. 
Para a diferenciação dos cristais, uma forma de reconhecê-los é pelo pH no 
qualsão formados. Os cristais não patológicos que podem ser formados são:
 � Cristal de oxalato de cálcio: pH ideale ocorre após a análise física 
e química da amostra. Desse modo, após a avaliação dos parâmetros químicos 
da amostra pelas tiras reativas, seja de forma manual, seja automatizada, ela 
deverá ser processada para a análise microscópica. Logo, após essa etapa, a 
amostra deverá ser processada de modo a obter o sedimento urinário, pois é 
esse o material que será analisado. Ele é obtido por meio do processo de cen-
trifugação, o qual consiste em um processo físico de separação, em que uma 
amostra é submetida a uma força centrífuga, a fim de promover a separação 
dos componentes por meio da sedimentação dos elementos de diferentes 
densidades. 
A recomendação é de que uma amostra de 10 ml seja centrifugada por 
10 minutos, a 400 g, o que representa uma velocidade entre 1.500 a 2.000 rpm. 
A velocidade é variável em função do tamanho do rotor da centrífuga utilizada. 
Amostras com volumes menores são aceitas em situações especiais (a serem 
avaliadas), como pacientes pediátricos. 
Análise microscópica da urina14
Para análise em microscópio óptico, alguns cuidados devem ser observa-
dos, tais como a análise em luz de baixa intensidade, visto que muitos dos 
elementos apresentam um baixo índice de refringência, sendo semelhantes ao 
índice de refringência da urina, e são incolores. Deve ser analisado sob dois 
aumentos: aumento de 100× para verificar a homogeneidade e distribuição 
dos elementos presentes no sedimento e no aumento de 400× para realizar a 
identificação e contagem das células e demais estruturas.
A seguir, vemos as principais instruções para análise manual do sedimento 
urinário.
1. Centrifugar a amostra (10 ml) de 1.500 a 2.000 rpm por 10 minutos.
2. Retirar 9,5 ml do sobrenadante, com cuidado para não ressuspender o 
sedimento, deixando um volume de 0,50 ml no tubo e utilizando um 
sistema a vácuo para aspirar líquidos.
3. Ressuspender o sedimento utilizando uma pipeta Pasteur.
4. Transferir 50 µl (utilizando pipeta calibrada) da suspensão do sedimento, 
entre lâmina e lamínula.
5. Realizar avaliação em 20 campos microscópicos, em luz baixa.
6. Calcular a média e expressar os resultados de acordo com o número 
de elementos por campo.
Campo de pequeno aumento (100×) é indicado para a análise de cilindros, enquanto 
o campo de grande aumento (400×) é indicado para a análise de hemácias, leucócitos 
e células epiteliais.
A análise usual é realizada por microscopia de campo claro, a qual repre-
senta o uso do microscópio óptico básico, sendo observados os elementos em 
tons escuros sob um fundo claro. Para auxiliar na discriminação e diferenciação 
dos elementos, pode-se empregar o uso da microscopia de contraste de fase e 
por luz polarizada. Uma das vantagens do uso dessas microscopias especiais 
é que permite visualizar o mesmo campo microscópico, independentemente 
do recurso utilizado. A microscopia de contraste de fase converte a diferença 
do índice de refração dos elementos que não são vistos com facilidade, desse 
modo, as diferenças de intensidade se tornam visíveis e produzem um contraste. 
15Análise microscópica da urina
Ocorre com o uso de um adaptador no microscópio óptico de campo claro 
que permite esse uso, por meio de objetivas com lentes de contraste de fase e 
um condensador próprio. Para isso, anéis de fase concêntricos são colocados 
no condensador e na objetiva. Exemplo de análise a ser favorecida com o uso 
da luz polarizada: identificação de células decoy.
A seguir, veremos instruções para o uso da microscopia de fase.
1. Focalizar uma amostra no microscópio de campo claro.
2. Escolher um anel de condensador de pequeno aumento.
3. Selecionar a objetiva com o anel correspondente.
4. Remover uma ocular e inserir a ocular de ajuste.
5. Observar os anéis iluminados e os escuros.
6. Centralizar o anel de luz do condensador sobre o anel escuro da objetiva, 
com os parafusos de ajuste.
7. Recolocar as oculares.
A microscopia por luz polarizada se baseia na propriedade de os elementos 
birrefringentes permitirem que a luz seja dividida em dois raios opostos, 
facilitando a sua visualização. O uso de um polarizador permite que a luz 
vibre no mesmo plano ou na mesma direção, produzindo um padrão de cores 
nos cristais e lipídios com essa propriedade. Para isso, utilizam-se dois filtros, 
um polarizador e um analisador, o primeiro sobre o condensador e o segundo 
entre a objetiva e as oculares. O recurso auxilia na identificação de gotículas 
de gordura, de corpos ovais gordurosos e de cilindros lipídicos pela formação 
de Cruz de Malta e cristais de ácido úrico, oxalato de cálcio mono-hidratado 
e de fosfato de cálcio. 
Atualmente, grandes laboratórios já implementaram o uso de microscopia 
automatizada. No caso, todas as etapas relacionadas ao processo de preparo da 
amostra, como homogeneização e centrifugação, são realizadas pelo próprio 
equipamento. Assim, a identificação dos elementos é baseada no uso de cito-
metria de fluxo, com liberação de alertas pelo equipamento para a presença 
de elementos de significado clínico. A confirmação deve ser realizada por 
microscopia manual, mas também pode ser revisto na tela do equipamento, 
pelo analisador.
A análise automatizada permite uma melhor padronização do preparo da 
amostra em função da redução da variabilidade do analista e aumento da preci-
são e reprodutibilidade da análise. A automação não dispensa a necessidade de 
profissionais treinados e capacitados, visto que a confirmação dos resultados 
Análise microscópica da urina16
depende do analista. No entanto, melhora e otimiza o fluxo de trabalho e 
dispensa a necessidade do uso de materiais como lâminas e lamínulas. 
Outro recurso que pode auxiliar na identificação dos elementos é a co-
loração. Ela aumenta a visibilidade dos elementos presentes, ao delimitar 
as estruturas e promover um contraste entre as cores do núcleo e do cito-
plasma, alterando, com isso, o índice de refringência. O corante utilizado é o 
Sternheimer-Malbin, e de forma mais específica pode se utilizar Oil-Red ou 
Sudan III para a visualização dos elementos lipídicos, uma vez que pigmenta 
tais elementos de alaranjado a avermelhado. Para destacar os eosinófilos, 
podem-se utilizar as colorações de May-Grünwald-Giemsa, Wright ou Hansel, 
que apresentam maior sensibilidade e coram os grânulos do citoplasma de 
cor-de-rosa (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA E 
MEDICINA LABORATORIAL, 2017). 
Significado clínico dos elementos presentes na 
microscopia
Há diversos elementos identificáveis por microscopia do sedimento urinário. 
Alguns deles podem não apresentar caráter patológico, no entanto, conforme 
a quantidade, podem ter significado clínico relacionado e, conforme os outros 
elementos presentes, podem caracterizar os perfis laboratoriais de algumas 
doenças. Por isso, a identificação e a quantificação correta dos elementos 
são tão importantes (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍ-
NICA E MEDICINA LABORATORIAL, 2017; SCHMITZ, 2012; REILLY 
JR; PERAZELLA, 2015; MUNDT; SHANAHAN, 2012; STRASINGER; 
DI LORENZO, 2009).
 � Células epiteliais escamosas: resultam da descamação normal do 
epitélio, normalmente está presente por problemas associados à má 
coleta (falta de higiene do local e coleta não realizada pelo jato médio). 
 � Células epiteliais transicionais: representam dano nas camadas pro-
fundas do uroepitélio, como urolitíase (conhecida como pedra/cálculo 
nos rins), câncer de bexiga ou hidronefrose (representa acúmulo de urina 
em um dos ureteres). E estão presentes em pacientes com cateter na 
bexiga por tempo prolongado e são comuns em indivíduos com cistite.
 � Células epiteliais tubulares renais: representam um dano tubular ou 
necrose tubular aguda em casos de rejeição ao enxerto renal, intoxica-
ção nefrotóxica, doenças glomerulares em razão de dano tubular por 
inflamação ou proteinúria.
17Análise microscópica da urina
 � Células decoy: é um marcador de reativação do poliomavírus BK e 
auxilia no diagnóstico de nefropatia junto comaumento do nível de 
BKV-DNA e de creatinina sérica. A confirmação de nefropatia por BKV 
requer biopsia renal. Em pacientes transplantados renais e pacientes 
imunocomprometidos/imunossuprimidos, essas células podem ser 
identificadas com maior frequência. 
 � Leucócitos: estão presentes em processos infecciosos e inflamatórios 
como glomerulonefrite, nefrite intersticial aguda e crônica, doença de 
rins policísticos ou distúrbios urológicos. Podem estar frequentemente 
na amostra de mulheres devido à contaminação por secreções vaginais. 
 � Eosinófilos: a eosinofilúria está associada à uma série de distúrbios, 
tais como nefrite intersticial, infecção do trato urinário, prostatite, 
glomerulonefrite extracapilar, nefrite por púrpura de Henoch-Schönlein 
e rejeição aguda de enxerto, por isso não é considerado um achado 
inespecífico. 
 � Linfócitos: a linfocitúria é considerada um marcador precoce e sensível 
de rejeição aguda em receptores de transplante renal.
 � Macrófagos: relacionados à infecção pelo poliomavírus BK em re-
ceptores de transplante renal, à pacientes com proteinúria intensa e ao 
declínio da função renal ao longo do tempo.
 � Corpo graxo oval ou corpos gordurosos ovais: estão presentes em 
pacientes com elevada proteinúria e estão associados com a diminuição 
da função renal ao longo do tempo.
 � Hemácias: hematúria prolongada pode representar doenças glomeru-
lares, problemas nos rins ou na extensão do trato urinário. 
 � Hemácias dismórficas: representam hematúria glomerular, ou seja, 
lesão glomerular.
 � Cilindro hialino: após exercício físico intenso, exposição ao calor, 
desidratação e insuficiência cardíaca congestiva. Nas doenças renais, 
está presente em 100% das glomerulonefrites e em 86% das nefrites 
intersticiais. Está associado a casos de proteinúria, pielonefrite aguda, 
doença renal crônica e nefropatia diabética.
 � Cilindro hemático: marcador específico de hematúria glomerular, 
sobretudo quando associado à presença de hemácias dismórficas. 
 � Cilindro leucocitário: principal marcador de pielonefrite quando as-
sociado à piúria. Está presente em infecções renais e em condições 
inflamatórias de origem não infecciosa, como nefrites intersticiais e 
glomerunefrites. 
Análise microscópica da urina18
 � Cilindro epitelial: está relacionado a dano tubular grave nos casos de 
necrose tubular aguda, nefrite intersticial aguda, doenças glomerulares, 
exposição a substâncias nefrotóxicas como etileno glicol e mercúrio, 
infecção por citomegalovírus ou vírus da hepatite, rejeição a transplante. 
 � Cilindro granuloso: está presente em doenças glomerulares e de origem 
tubular e na rejeição de transplante renal, assim como após exercício 
físico intenso ou durante dieta rica em carboidratos. É frequente em 
pacientes com glomerunefrite e quando associado à presença de células 
epiteliais tubulares, em pacientes com necrose tubular aguda. 
 � Cilindro gorduroso: é representativo de pacientes com proteinúria 
nefrótica, síndrome nefrótica, além de glomeruloesclerose diabética, 
nefrose lipoídica e intoxicação nefrótica por etilenoglicol ou mercúrio.
 � Cilindro céreo: está associado à doença renal crônica, sendo encontrado 
em pacientes com insuficiência renal crônica grave, amiloidose renal 
e nefropatia diabética.
 � Cilindros com microrganismos: com bactérias, são associados à 
pielonefrite, enquanto com fungos, estão presentes em pacientes com 
candidíase visceral. A presença de Cryptococcus ocorre em pacientes 
imunocomprometidos pelo vírus HIV. 
 � Cilindros largos: são indicativos de doença renal em estágio avançado.
 � Cristal de oxalato de cálcio: presente em pacientes com litíase renal e 
hiperoxalúria primária ou secundária ou ingesta abusiva de etilenoglicol.
 � Cristal de ácido úrico: está associado a pacientes com gota, em razão 
do aumento da concentração de ácido úrico no soro, além dos casos de 
nefropatia aguda por ácido úrico.
 � Cristal de urato amorfo: de forma fisiopatológica, pode estar associado 
a pacientes com desidratação e febre.
 � Cristal de fosfato triplo: está presente em 10 a 20% dos cálculos 
urinários, além de estar associado à infecção por microrganismos pro-
dutores de urease, como Proteus mirabilis, Pseudomonas aeruginosa 
e Staphylococcus epidermidis. 
 � Cristal de colesterol: presente em pacientes com síndrome nefrótica 
e nefrose lipoídica.
 � Cristal de tirosina, leucina e bilirrubina: estão relacionados de modo 
geral à doença hepática grave, sendo os de tirosina raros e presentes 
em pacientes com tirosinemia hereditária e os de leucina relacionados 
à doença hereditária do metabolismo dos aminoácidos.
19Análise microscópica da urina
Correlação clínico-laboratorial
A análise do sedimento urinário fornece uma série de informações que auxiliam 
na identificação e na avaliação da condição clínica do paciente. Além de con-
firmar os resultados da análise química, também incorpora outros dados que só 
por meio da microscopia poderiam ser identificados. Assim, informações sobre 
a condição dos rins e do trato urinário, bem como de alterações metabólicas, 
podem ser diagnosticadas. Para que os parâmetros da sedimentoscopia possam 
ser interpretados, é necessário que a presença dos elementos seja reportada 
qualitativamente e quantitativamente. Exemplo: informar o tipo de cilindro 
presente e o número de elementos por campo de pequeno aumento.
É fundamental o conhecimento do significado clínico de cada estrutura, 
visto que com essa informação, durante a análise do sedimento, o analisador 
já pode procurar por outros elementos que possam ser complementares ao 
diagnóstico. Alterações presentes na análise química da urina são um alerta 
para a associação com determinados elementos. Caso a amostra esteja com 
coloração avermelhada e com sangue positivo, na sedimentoscopia investiga-
-se a presença de hemácias e cilindros hemáticos. Na ocorrência de albumina 
positiva se analisa a presença de células tubulares renais e cilindros epiteliais 
e granulosos, enquanto na presença de nitritos deve-se procurar pela presença 
de leucócitos e bactérias. Para esterase leucocitária positiva, investiga-se a 
presença de leucócitos e cilindros leucocitários. 
Logo, um resultado é complementar ao outro quando se trata de análise 
química e microscópica da urina. Outra forma de correlacionar os resultados é 
por meio de características que são comuns a determinadas condições clínicas. 
Assim, em pacientes com síndrome nefrótica, o exame de urina apresenta 
proteinúria intensa e lipidúria. Então, os elementos que são observados são 
corpos graxos ovais, cristais de colesterol livre e cilindros gordurosos, sendo 
o uso da microscopia por luz polarizada útil para a discriminação dos com-
ponentes lipídicos. 
Informações relativas à presença de hemácias dismórficas e cilindros he-
máticos como marcadores específicos para hematúria glomerular, à presença 
de células decoy associadas, principalmente à infecção pelo poliomavírus BK, 
e à presença de células tubulares renais como indicativo de necrose tubular 
precoce auxiliam o profissional para o diagnóstico correto (SOCIEDADE 
BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA E MEDICINA LABORATO-
RIAL, 2017; SCHMITZ, 2012; REILLY JR; PERAZELLA, 2015; MUNDT; 
SHANAHAN, 2012; STRASINGER; DI LORENZO, 2009).
Análise microscópica da urina20
MUNDT, L. A.; SHANAHAN, K. Exame de urina e de fluidos corporais de Graff. 2. ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2012.
REILLY JR., R. F.; PERAZELLA, M. A. Nefrologia em 30 dias. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 
2015. (Série Lange).
SCHMITZ, P. J. Rins: uma abordagem integrada à doença. Porto Alegre: AMGH, 2012. 
(Série Lange).
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA E MEDICINA LABORATORIAL. Reco-
mendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML): 
realizações de exames em urina. Barueri, SP: Manole, 2017. Disponível em: http://www.
sbpc.org.br/publicacao-legislacao/publicacoes-tecnicas/. Acesso em: 14 out. 2019.
STRASINGER,S. K.; DI LORENZO, M. S. Urinálise e fluidos corporais. 5. ed. São Paulo: Livraria 
Médica Paulista, 2009.
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