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1 TEORIAS DA ARTE 2 Sumário TEORIAS DA ARTE 1 NOSSA HISTÓRIA 3 INTRODUÇÃO 4 O que é arte 6 Arte na Pré-História 7 A Arte Mesopotâmica 11 A Arte Egípcia 12 A Arte Persa 14 A Arte Grega 17 A Arte Romana 18 A Arte Bizantina 21 Arte Cristã Primitiva – A fase oficial 23 Arte cristã primitiva: a fase catacumbária 25 Arte Gótica 27 Os vitrais góticos 32 O gótico alemão 34 Artistas do Renascimento 35 A Arte e Michelangelo 38 Arte barroca 42 A Arte Barroca na pintura 45 Rococó 49 Artistas da Arte Moderna 51 Surrealismo 56 Teoria da arte 58 CONCLUSÃO 62 REFERENCIAS 63 file:///C:/Users/CLIENTE/Downloads/TEORIAS%20DA%20ARTE.docx%23_Toc111707771 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 INTRODUÇÃO A História da Arte acompanha todo o desenvolvimento da história da humanidade. E isso pode ser visto desde a arte rupestre até os nossos dias. A Arte é muito vasta e complexa, pois acompanha todo o desenvolvimento do ser humano. Sendo assim, ela está dividida em vários períodos, nos quais se verificam as variadas formas de produção artística de inúmeras civilizações ao longo da história humana. Alguns historiadores entendem que a História da Arte, desde a Pré História até os nossos dias, traduz a própria história da humanidade, isto é, revela o processo de autocompreensão humana. Um dos temas iniciais em história da arte, por exemplo, é “A Arte na Pré- História”, período no qual podem ser colhidas informações sobre os sistemas simbólicos desenvolvidos pelos homens primitivos, suas técnicas (como a arte rupestre) e os principais lugares do mundo onde esse tipo de arte pode ser encontrado atualmente. Não podemos deixar de falar também sobre a arte desenvolvida pelas grandes civilizações da Antiguidade no Ocidente e no Oriente Médio, como a arte da Mesopotâmia, a arte do Egito Antigo, a Arte Persa, a Arte Grega, a Arte Romana, a Arte Bizantina e a Arte Cristã Primitiva, essa última divide-se entre a fase da produção artística oficial e a produção nas catacumbas romanas. Seguindo cronologicamente, temos a arte no período da Idade Média, com temas como a Arte Gótica, que pode ser esmiuçada no estudo dos vitrais góticos e na especificidade do gótico alemão, além das catedrais medievais e as técnicas de pinturas que estabeleceram as bases para os artistas do Renascimento. Entre os artistas do Renascimento, destacam-se os italianos, como Michelangelo. Além disso, temos ainda a fase pós-renascentista, destacando- se a arte barroca (em especial, a pintura barroca — em que foram empregadas com maestria as técnicas de luz e sombra —) e a variação do mesmo período, conhecida como Rococó. https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-pre-historia.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-pre-historia.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-pre-historia.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-arte-rupestre.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-arte-rupestre.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-mesopotamica.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-mesopotamica.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-egipcia.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-persa.htm https://brasilescola.uol.com.br/artes/a-arte-grega.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-romana.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-bizantina.htm https://brasilescola.uol.com.br/artes/arte-crista-primitiva-1.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-crista.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-gotica.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/os-vitrais-goticos.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-gotica2.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/artistas-renascimento-italiano.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arte-michelangelo.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/barroco.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-arte-barroca-na-pintura.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/rococo.htm 5 Outros temas também estão inseridos no campo da História da Arte, como aqueles dos séculos XVIII e XIX, isto é, o Romantismo, o Simbolismo e o Impressionismo; bem como os temas relacionados com a arte moderna, ou seja, a arte de vanguarda do século XX, sendo o surrealismo um dos exemplos prementes. https://brasilescola.uol.com.br/literatura/artistas-da-arte-moderna.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/surrealismo.htm 6 O que é arte A palavra arte tem origem do termo latino, ars, que significa técnica ou habilidade. De acordo com o dicionário Michaelis, a arte é definida como “atividade que supõe a criação de obras de caráter estético, centradas na produção de um ideal de beleza e harmonia ou na expressão da subjetividade humana”. Apesar disso, a definição do que é arte é uma tarefa extremamente complexa por se tratar de um conceito muito abstrato. Isso porque o entendimento do que é arte e do que não é arte sofreu grandes transformações ao longo do tempo. Além do fato de que a ideia de arte pode ser bastante diferente, dependendo da cultura em que se faz esse debate. Sendo assim, entre os especialistas e estudiosos da área, existe uma grande discussão a respeito de uma definição do conceito de arte. Mesmo não existindo um consenso entre os especialistas da área, algumas considerações podem nos ajudar a ter um horizonte sobre o que é arte. A arte é uma forma como o homem expressa os seus sentimentos, pensamentos e convicções. Além disso, pode ser entendida como o resultado de uma habilidade que resulta em uma obra com valor estético utilizada como expressão de alguma ideia ou sentimento. Na visão contemporânea, podem ser classificados como formas de arte: a escultura, a pintura, a fotografia, a música, o teatro, o cinema, a literatura, a dança etc. https://brasilescola.uol.com.br/artes/escultura.htm https://brasilescola.uol.com.br/artes/musica.htm https://brasilescola.uol.com.br/literatura https://brasilescola.uol.com.br/artes/danca.htm 7 Arte na Pré-História A arte na Pré-História foi produzida, principalmente, durante os períodos Paleolítico e Neolítico. Destacam-se as pinturas rupestres e as construções megalíticas. Quando se fala em arte na Pré-História, estamos falando da produção vista como artística na Pré-História, isto é, durante os períodos Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais. Em geral, compreende pinturas realizadas em cavernas, gravuras esculpidas em rochas, esculturas, estatuetas etc. Para facilitar sua compreensão a respeito do assunto, é importante considerarmos que os três períodos citados e que são considerados como parte da Pré-História são:que retratavam o conformismo de uma sociedade considerada imutável. Assim sendo, utilizava em suas obras não somente óleo sobre tela, mas também processos de gravura que aprendera na Rússia, tais como a litogravura e a zincografia, os quais conferiam à sua arte um caráter puramente versátil. 54 Atingido por um ataque fulminante, veio a falecer. Contudo, sua vasta obra permaneceu viva, por meio de um acervo com 2500 obras, local onde funciona uma Biblioteca organizada por sua mulher – escritora e tradutora. Milton Dacosta Milton Dacosta nasceu em 1915, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, e faleceu em 1988, na cidade do Rio de Janeiro. Aos 14 anos conheceu Augusto Hantz, um professor alemão com quem teve as primeiras aulas de desenho, matriculando- se no ano seguinte na Escola de Belas Artes, frequentando o curso livre ministrado por Augusto José Marques Júnior. Em 1936, após realizar uma mostra individual, Dacosta se sentiu motivado a se inscrever no Salão Nacional de Belas Artes. Ao expor seus trabalhos, recebeu menção honrosa, ganhando medalha de bronze e prata. Em 1944 recebeu o cobiçado prêmio de uma viagem ao exterior, viajando em 1945 para os Estados Unidos ao lado da pintora Djanira, e de lá seguiu para Paris, onde permaneceu por dois anos. A pintura desse artista, evoluída aos poucos, atingiu grandes patamares. Primeiramente se identificou com o Impressionismo, indo sequencialmente para o Expressionismo, Cubismo, Concretismo, e voltando para o Cubismo novamente, por opção definitiva. Casou-se em 1949 com a também pintora Maria Leontina, cuja união perdurou por 37 anos. Juntos participaram de Bienais, viajaram para o exterior para cursos de aperfeiçoamento, e juntos cresceram na missão de tornar o mundo ainda mais belo por meio de seus trabalhos. Anita Malfatti Anita Catarina Malfatti nasceu em 2 de dezembro de 1889, em São Paulo. Filha de Samuel Malfatti e de Elisabete, era pintora, desenhista e falava vários idiomas, o que lhe rendia uma habilidade cultural vasta. Chegando a Berlim, em setembro de 1910, começou a tomar aulas particulares no ateliê de Fritz Burger, matriculando-se um ano depois na Academia Real de Belas- 55 Artes. Em 1916 retornou ao Brasil, já com 27 anos, disposta a expressar toda sua arte, especialmente voltada para o Expressionismo. Assim, por meio de influências de seus amigos modernistas, em especial por Di Cavalcanti, Anita decidiu locar uma das dependências do Mappin Stores e realizar uma única apresentação de seus trabalhos, em 12 de dezembro de 1917. O que não sabia era que o destino, de forma irônica, lhe reservara um grande infortúnio. Monteiro Lobato, por meio de seu artigo Paranoia ou mistificação, criticou a duras penas o trabalho da artista. Tal intento não era destinado a ela em especial, mas aos modernistas propriamente ditos. O fato lhe abalou profundamente e a fez carregar pelo resto de sua vida um sentimento de total descontentamento frente às coisas que a rodeavam. Seu primeiro instinto foi o de abandonar de vez a arte, contudo passou a tomar aulas com o mestre Pedro Alexandrino, fato que lhes concedeu uma proveitosa e duradoura amizade. Motivada por amigos, resolveu participar da Semana de Arte Moderna de 1922 e, no ano seguinte, viajou para Paris, munida de uma bolsa de estudos, onde encontrou Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Vitor Brecheret e Di Cavalcanti. Retornou depois de algum tempo ao solo brasileiro, já com a confiança recuperada, no entanto não estava mais disposta em se aventurar em novas “investidas culturais”. Anita veio a falecer em 6 de novembro de 1964 em Diadema, estado de São Paulo, local em que morava com sua irmã Georgina, em uma chácara. Semana de Arte Moderna – Um dos principais eventos da história da arte no Brasil 56 Surrealismo O surrealismo constituiu uma profunda ruptura nas artes no início do século XX. O surrealismo foi um movimento artístico que surgiu na Europa, cujo marco inicial foi o Manifesto Surrealista de André Breton, publicado em 1924. O surrealismo criticou a racionalidade burguesa em favor do maravilhoso, do fantástico e dos sonhos, abarcando uma grande quantidade de artistas, entre eles, podemos citar: na literatura, André Breton, Louis Aragon, Philippe Soupault e outros; nas artes plásticas, Joán Miró, Max Ernst, Salvador Dalí e outros; na fotografia, Man Ray, Dora Maar e Brasaï; e, no cinema, Luís Buñuel. Nas palavras de Breton, um dos objetivos do surrealismo era "resolver a contradição até agora vigente entre sonho e realidade pela criação de uma realidade absoluta, uma suprarrealidade". Essa perspectiva levou esses artistas a buscarem inspiração na obra do psicanalista Sigmund Freud, trazendo para a arte o irracional, o inconsciente, explorando o imaginário e os impulsos ocultos da mente. Nesse sentido, algumas técnicas de produção artística adotadas foram a escrita e a pintura automática, pois seriam formas de transcrição imediata do inconsciente, buscando assim driblar os controles conscientes do artista, com a liberação das imagens que lhes surgiam à mente e de seus impulsos primitivos. Escultura de Joan Miró exposta em parque de Barcelona, cidade com várias obras do artista** 57 Outra técnica utilizada foi a de colagens, em que imagens eram reunidas aleatoriamente e ao acaso, criando uma justaposição de objetos desconexos e associações que à primeira vista pareciam impossíveis. Esse método foi inspirado na frase do Conde de Lautréamont: '"Belo como o encontro casual entre uma máquina de costura e um guarda-chuva numa mesa de dissecção". No aspecto político, o caráter revolucionário e subversivo da proposta surrealista aproximou alguns artistas de grupos políticos de linhagem marxista, como André Breton, quando se alinhou ao trotskismo. Por outro lado, alguns se mantiveram numa esfera mais conservadora, como Salvador Dalí. Selo estampando obra de Max Ernest. *** Salvador Dalí foi um dos maiores nomes do surrealismo nas artes plásticas. Detalhe de uma de suas obras no Museu Dalí em Figueras, Espanha.* 58 Teoria da arte O filósofo Locke, no século XVI, já sabia que os objetos nos enviam sinais físicos ordenados de tal forma que o nosso cérebro pode identificá-los e gerar as idéias em nossa mente. Porém tudo indica que ele desconhecia que, no processo do conhecimento o mesmo se dá com o sentimento. Como sabe hoje o leitor que lê revistas e assiste a informativos da TV, o nosso cérebro gera a química responsável por nossos sentimentos em todas as sua variações. Em outras palavras, as coisas nos enviam os sinais (acústicos, óticos, visuais, odoríferos, tácteis) com os quais nós as identificamos (formulamos conceitos), e que também provocam no cérebro a alteração fisiológica geradora dos sentimentos que lhes correspondem – são belas e prazerosas, ou feias e insuportáveis. Entre esses sentimentos estão o prazer e a emoção do êxtase. Para compreender a Arte, a apreciação do belo, o papel do artista, e o próprio teatro, precisamos examinar o que são esses sinais que o mundo externo nos envia e que permitem a conceituação das coisas e o despertar de nossos sentimentos.* 59 Locke ensaiou a tese de que seriam corpúsculos, e de suas idéias desenvolveu-se a teoria corpuscular da luz. Mas a ação é menos direta e muito mais sutil, quando se trata do sentimento. Alguns outros filósofos no século XIX postularam a existência de conceitos não conscientes, vinculados a idéias conscientes. Estas vinculações explicam comportamentos do indivíduo incompreensíveis quando examinados apenas em relação às idéias de que ele está consciente. No campo da Arte Publicitária é a chamada “influência subliminar”, causada por uma variedade de sinais dos quais o indivíduo não tem consciência, mas que são reais e despertam nelesentimentos que dirigem seu comportamento no sentido desejado pelo publicitário sem que ele se dê conta dessa manipulação. A psicologia da arte sempre esteve consciente da existência de vetores físicos de ação subconsciente no processo da criação artística. Por exemplo, em um quadro, quanto maior a representação de profundidade em relação ao plano frontal, maior o sentimento de curiosidade e de interesse pela intimidade despertado no espectador. Linhas angulosas, linhas verticais, linhas horizontais e linhas sinuosas, e também a posição dos objetos e suas cores, as freqüências e as proporções, têm influência micro-fisiológica na mente do observador, geralmente sem que ele se aperceba disto. Recentemente se cogitou nos meios científicos que a simetria dos traços fisionômicos é responsável pela beleza facial, e que também a constante de Fibonacci deve ter alguma influência estética importante. Embora esteja consagrada na Psicologia a teoria do Estímulo-Resposta (S-R) de Skinner, será fácil para o leitor verificar que os sinais que as coisas nos mandam não são estímulos. Eles não têm a capacidade de excitar, mas sim a capacidade de aplacar uma excitação, às vezes indefinida, às vezes muito específica. O que possivelmente fazem é alterar o fluxo energético (calorias? micro-cargas elétricas?) entre as configurações associativas no circuito neurológico. Com isto, criam-se "compensações" equilibradoras dessa energia, como já teorizava Freud, buscando explicar alguns postulados da Psicanálise. Parece então que a mente necessita a todo instante de objetos de conhecimento cujos sinais provoquem uma redistribuição de seus elementos de potência, para aplacar uma excitação deflagrada por um significado. 60 Uma alteração fisiológica, inclusive a artificialmente provocada, faz o pensamento criar idealmente um objeto ou uma ação compensadores, questão que é abordada em minha página A ilusão das fórmulas comportamentais. Quando a pessoa simplesmente decide ir ao teatro, algo nela requer que busque esse entretenimento. Diante de cada coisa a pessoa desenvolve um sentimento de interesse, de indiferença ou de repulsa. O processo é bastante claro com a música, por exemplo. Os sinais musicais (melodia, ritmo, etc.) levam a pessoa a diferentes atitudes e valorizações. Eles modificam as condições fisiológicas por meio do impacto das ondas sonoras e neste sentido trabalham como uma droga estimulante ou paralisante. É sabido que as melodias com muitos bemóis são tristes, e as que têm muitos sustenidos são alegres. A música "romântica", as marchas militares, os hinos cívicos e religiosos, criam fisiologias geradoras de sentimentos específicos, independentemente da presença de valores concretos correspondentes. Ao afetar estruturas e mudar a fisiologia na mente, a música faz o indivíduo procurar objetos de afeição, torna o sujeito "romântico", ou dá-lhe brios, o silencia em atitude de respeito, etc. Os efeitos estéticos relacionados às linhas, às proporções, a métrica na poesia, o modo como a música ganha melodia e o fato mesmo de estar estruturada em semitons, estão a nos dar pistas a respeito das estruturas genéticas receptivas das matrizes associativas, que devem ter certas constantes físicas a serem procuradas. Seria importantíssimo para as artes identificá-las e precisá-las cientificamente. Como expressão abstrata, Tema é a proposição que direciona e empresta unidade ideológica ou estética a uma forma de expressão. O teatro, por exemplo, é a obra de arte complexa que busca mostrar o belo na convergência de várias formas de expressão artística reunidas por um tema (O cinema acrescenta a essa complexidade mais outra forma: a fotografia). Em cada caso, o espetáculo somente ganha sentido se tiver um tema. À luz da neurofisiologia, o tema - ao estruturar o espetáculo no sentido de um conceito ou significado inteligível -, ele reflete como a estrutura associativa da mente pode ser satisfeita em sua carência de equilíbrio. Ele conduz o espectador a encontrar, pela reflexão, O tema é a proposta ao espectador de um significado que lhe vai dar o sentimento de que precisa para o estado de satisfação e bem estar em relação a uma idéia desequilibradora em sua mente. Ou 61 pode mesmo lhe oferecer, em lugar da proposta à reflexão, uma solução já pronta para esse desequilíbrio. O leitor sabe muito bem que uma experiência desagradável sofrida por um indivíduo com respeito a uma dada circunstância ou objeto, influirá nos seus sentimentos futuros. Isto mostra que aquela experiência deixou arquivada uma configuração associativa que permite a esse indivíduo reconhecer o objeto e voltar a sentir a respeito dele o mesmo sentimento que teve em outro momento. Os sentimentos variam em função da experiência anterior e da carência presente. Como nem a experiência tornada subconsciente nem a condição fisiológica do momento podem ser predeterminadas, o que agrada a uns pode não agradar a outros; o que parece belo para uns pode parecer feio para outros, e então nenhum objeto pode ser belo por si mesmo. Duas pessoas identificam (conceito) um carro de cor amarela, mas uma delas gosta (sentimento) do modelo do carro ou da cor amarela, e a outra não. No entanto, uma certa unanimidade no juízo estético não fica afastada. O cérebro tem áreas em que um aprendizado evolutivo criou padrões comuns a todo ser humano. Existem, assim, padrões de receptividade e reação fisiológica no cérebro que são basicamente comuns a todas as pessoas. Resulta disto uma aparente universalidade de valores nos aspectos gerais do que seja o belo e o feio, nos objetos de desejo, nas expressões e impressões artísticas em geral, que respondem pela universalidade de certos parâmetros nos sentimentos estéticos. O universal, no juízo estético, decorre tão somente da generalidade das matrizes emocionais orgânicas próprias do homem, de sua quase total universalidade genética. Mas, ainda assim, se pode afirmar que os sinais são, em geral, universais na conceituação (iluminam o mesmo significado para todos na identificação e nomeação das coisas), mas são sempre particulares quanto aos sentimentos que ensejam, universais quando objeto de conceituações e particulares ao conduzirem para o objeto um sentimento particular e pessoal 62 CONCLUSÃO Podemos então dizer que a Arte é a disciplina que se ocupa do fenômeno envolvido no conhecimento em relação ao sentimento do belo, e das regras e relações às quais este fenômeno está subordinado. A arte do artista consiste em criar e explorar objetos ricos em infra- sinalisadores estéticos e o artista, portanto, é aquele que se propõe, através de tentativas de manipulação de materiais, a gerar tanto em si mesmo, o criador, quanto no outro, o espectador, sentimentos de prazer e de excelência na apreciação de sua obra, independentemente de qualquer fim prático que a obra possa ter. O objeto de arte é aquele cujos sinais encontram na pessoa tanto a condição biológica como a experiência indispensável a uma construção mental interna geradora do sentimento de prazer na sua contemplação. A emoção e o sentimento de excelência despertados em função dele é o sentimento estético do belo. 63 REFERENCIAS M. WEITZ: "THE ROLE OF THEORY IN AESTHETICS", EM NEIL AND RIDLEY (EDS.): THE PHILOSOPHY OF ART: READINGS ANCIENT AND MODERN (NEW YORK: MCGRAW HILL, 1995). TRADUÇÃO PORTUGUESA NA CRÍTICA. L. WITTGENSTEIN: PHILOSOPHISCHE UNTERSUCHUNGEN (SUHRKAMP: FRANKFURT, 1984), SEC. 67. N. WARBURTON: THE ART QUESTION (ROUTLEDGE: LONDON, 2002), P. 81. A MINHA EXPOSIÇÃO É TRIBUTÁRIA DESSA EXCELENTE INTRODUÇÃO. VER P. W. ALSTON: FILOSOFIA DA LINGUAGEM (ZAHAR: RIO DE JANEIRO, 1977), P. 124 SS. VER A. DANTO: THE TRANSFIGURATION OF THE COMMONPLACE (CAMBRIDGE: HARVARD UNIVERSITY PRESS, 1981).VER TAMBÉM A INTRODUÇÃO DE NOËL CARROLL: PHILOSOPHY OF ART (LONDON: ROUTLEDGE, 1999), CHAP. 1. C. BELL: ART (OXFORD: OXFORD UNIVERSITY PRESS, 1987 (1914)). G. DICKIE: ART AND THE AESTHETICS (CORNELL UNIVERSITY PRESS: ITHACA, 1974). N. WARBURTON: THE ART QUESTION, IBID. P. 102 9. L. TOLSTOY: "ON ART", IN D. E. COOPER (ED.): AESTHETICS (OXFORD: BLACKWELL, 1997), PP. 164-76. R. G. COLLINGWOOD: THE PRINCIPLES OF ART (OXFORD: OXFORD UNIVERSITY PRESS, 1974 (1938)), CAP. VII. SOBRE A TEORIA DE COLLINGWOOD, VER COLIN LYAS: AESTHETICS (LONDON: UCL, 1997). PONTOS DE VISTA SEMELHANTES FORAM 64 DESENVOLVIDOS POR BENEDETTO CROCE E SUSANNE K. LANGER. COLLINGWOOD: THE PRINCIPLES OF ART, P. 284. COLLINGWOOD: THE PRINCIPLES OF ART, P. 336. M. C. BEARDSLEY & J. HOSPERS: ESTETICA: HISTORIA Y FUNDAMENTOS (TRAD. CATEDRA: MADRID 1997), P. 143. S. K. LANGER, "A IMPORTÂNCIA CULTURAL DA ARTE", EM ENSAIOS FILOSÓFICOS (TRAD. CULTRIX: SÃO PAULO 1971), P. 90.Paleolítico: período que compreende de 2.5 milhões de anos atrás a 10.000 a.C. Neolítico: período que se estende de 10.000 a.C. até 5.000 a.C. Idade dos Metais: período que se estende de 5.000 a 3.500 a.C. Outra observação importante é que as extensões de cada período em todo o planeta são bastante distintas. Neste texto, optamos por colocar a datação clássica, mas os avanços e desenvolvimentos no estilo de vida humana foram distintos nos diferentes locais do planeta. Sendo assim, houve locais em que o avanço que caracterizou as diferenças de uma era para outra foi bastante rápido e outros em que os avanços foram lentos. A arte na Pré-História manifestou-se de diferentes formas. A intenção dessas obras é alvo de grande debate pelos especialistas. As motivações mais comumente mencionadas são que as populações pré-históricas faziam esses registros como forma de: Registrar o cotidiano apenas por registrar. Nesse caso, o registro artístico seria no sentido “a arte pela arte”. https://brasilescola.uol.com.br/historiag/pre-historia.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/paleolitico.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/neolitico.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/idade-metais.htm 8 Registrar com fins ritualísticos de criar uma conexão do homem com a natureza. De toda forma, apesar dos debates e dos avançados estudos feitos no sentido de buscar uma compreensão dessa arte, a verdade é que o entendimento real da mensagem da arte pré-histórica é quase impossível, uma vez que não conhecemos os códigos da real mensagem que os autores dessas obras desejavam transmitir, como afirma o antropólogo e arqueólogo Rodrigo Simas Aguiar. → Arte no Período Paleolítico No caso do Paleolítico, o grande destaque são as pinturas rupestres, que são as gravuras desenhadas nas paredes de cavernas. Os especialistas acreditam que as pinturas rupestres tenham surgido aproximadamente há 40 mil anos em grupos humanos que já possuíam domínio do fogo e tinham acesso a ferramentas produzidas por meio da lascagem de pedra. Essa arte, em geral, mostra o homem em meio a grandes grupos de animais, representando, principalmente, cenas de caçadas, mas também retrata outras cenas do cotidiano humano. Os especialistas falam que a arte rupestre utilizava materiais como terra, carvão, sangue, flores etc. Os principais exemplos dessa arte são encontrados na Caverna de Chauvet e Lascaux, na França, mas também estão em outros locais, como Espanha, Austrália, Argentina etc. Aqui no Brasil o grande centro de arte rupestre fica na Serra da Capivara, localizada no Piauí. A Vênus de Willendorf foi localizada na Áustria e é uma das estatuetas de Vênus mais famosas. https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-arte-rupestre.htm 9 Não há registro somente de arte rupestre no Paleolítico, pois existem também pequenas esculturas que foram produzidas nesse período. Nesse caso, o grande destaque são as estatuetas de Vênus, produzidas entre 40.000 a.C. e 10.000 a.C. Essas estatuetas conhecidas como Vênus reproduzem sempre um corpo feminino nu com formas bastante voluptuosas, destacando-se os seios grandes e os quadris largos. Essas esculturas são entendidas pelos especialistas como um registro relacionado com um culto à fertilidade, o qual pode estar associado como uma divindade conhecida como Deusa Mãe. A estatueta Vênus mais conhecida é a Vênus de Willendorf, localizada na Áustria e que tem aproximadamente 25 mil anos de existência. → Arte no Período Neolítico O período Neolítico apresenta grandes transformações e avanços em relação ao Paleolítico – embora de modo não uniforme. Esses avanços podem ser destacados, principalmente, pela sedentarização do homem por meio do domínio das técnicas agrícolas e da domesticação dos animais. Isso permitiu que o homem desenvolvesse novas ferramentas, que trouxeram melhoria para a sua vida. Um dos grandes avanços do Neolítico está relacionado com as construções, uma vez que pouco a pouco o homem foi desenvolvendo habilidades arquitetônicas. No Neolítico, destacam-se as construções megalíticas, como a de Stonehenge, na Inglaterra. 10 Esses avanços refletiram-se diretamente na construção dos monumentos megalíticos, isto é, enormes complexos feitos por um amontoado de grandes rochas. Esses monumentos são encontrados em diferentes partes do mundo e estão diretamente relacionados com a necessidade do homem de criar registros em homenagem aos seus antepassados. Podem também ter relação com a marcação do tempo ou com a observação dos astros. As estruturas megalíticas mais conhecidas são Stonehenge, na Inglaterra, e o Cromeleque dos Almendres, localizado em Portugal. Apesar disso, já foram localizadas estruturas do tipo em diferentes locais, como Irlanda, Itália, Egito, Turquia etc. Arte na Pré-História do Brasil A Serra da Capivara é um dos sítios de pintura rupestre mais famosos do Brasil. No caso do Brasil, existem algumas produções de arte pré-histórica localizadas em alguns estados, como Piauí, Paraíba, Mato Grosso e Santa Catarina. O grande destaque são as pinturas rupestres encontradas na Serra da Capivara, no estado do https://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-santuario-stonehenge.htm 11 Piauí, que abriga mais de 100 pinturas rupestres que retratam cenas de caça, guerra, sexo etc. A Arte Mesopotâmica Entendemos por povos mesopotâmicos, as civilizações que se desenvolveram na área das terras férteis localizadas entre os rios Tigre e Eufrates, denominada comumente “Mesopotâmia”. Entre eles estão os sumérios, os assírios e os babilônicos. As principais manifestações da arquitetura mesopotâmica eram os palácios, em geral muito grandiosos; como havia pouca pedra, as paredes tinham que ser grossas, pois eram feitas de tijolos. Os templos possuíam instalações completas, com aposentos para os sacerdotes e outros compartimentos. Um traço característico dessa arquitetura era o “Zigurate”, torre de vários andares, em geral sete, sobre a qual havia uma capela, usada para observar o céu. Os escultores representavam o corpo humano de forma rígida, sem expressão de movimento e sem detalhes anatômicos. Pés, mãos e braços ficavam colados ao corpo, coberto com longos mantos; os olhos eram completados com esmalte brilhante. As estátuas conservavam sempre uma postura estática ante a grandiosidade dos deuses. As figuras esculpidas em baixo-relevo se caracterizavam por um grande realismo. Na pintura, os artistas se utilizavam de cores claras e reproduziam caçadas, batalhas e cenas da vida dos reis e dos deuses. A produção de objetos de cerâmica alcançou notável desenvolvimento entre os persas, que utilizavam também tijolos esmaltados 12 Guennol Lioness(Leoa de Guennol), uma figura de calcário de 8,3 centímetros de altura esculpida há 5 mil anos na Mesopotâmia. A Arte Egípcia No Antigo Egito, a ideia de que o desenvolvimento das artes constituía um campo autônomo de sua cultura não corresponde ao espaço ocupado por esse tipo de prática. Assim como em tantos outros aspectos de sua vida, os egípcios estabeleciam uma forte aproximação de suas manifestações artísticas para com a esfera religiosa. Dessa forma, são várias as ocasiões em que percebermos que a arte dessa civilização esteve envolta por alguma concepção espiritual. A temática mortuária era de grande presença. A crença na vida após a morte motivava os egípcios a construírem tumbas, estatuetas, vasos e mastabas que representavam sua concepção do além-vida. As primeiras tumbas egípcias buscavam realizar uma reprodução fiel da residência de suas principais autoridades. Em contrapartida, as pessoas sem grande projeção eram enterradas em construções mais simples que, em certa medida, indicava o prestígio social do indivíduo. O processo de centralização política e a divinizaçãoda figura do faraó tiveram grande importância para a construção das primeiras pirâmides. Essas construções, 13 que estabelecem um importante marco na arquitetura egípcia, têm como as principais representantes as três pirâmides do deserto de Gizé, construídas pelos faraós Quóps, Quéfren e Miquerinos. Próxima a essas construções, também pode se destacar a existência da famosa esfinge do faraó Quéfren. Tendo funções para fora do simples deleite estético, a arte dos povos egípcios era bastante padronizada e não valorizava o aprimoramento técnico ou o desenvolvimento de um estilo autoral. Geralmente, as pinturas e baixos-relevos apresentavam uma mesma representação do corpo, em que o indivíduo tinha seu tronco colocado de frente e os demais membros desenhados de perfil. No estudo da arte, essa concepção ficou conhecida como a lei da frontalidade. Ao longo do Novo Império (1580 – 1085 a.C.), passados os vários momentos de instabilidade da civilização egípcia, observamos a elaboração de novas e belas construções. Nessa fase, destacamos a construção dos templos de Luxor e Carnac, ambos dedicados à adoração do deus Amon. No campo da arte funerária, também podemos salientar o Templo da rainha Hatshepsut e a tumba do jovem faraó Tutancâmon, localizado no Vale dos Reis. A escultura egípcia, ao longo de seu desenvolvimento, encontrou características bastante peculiares. Apesar de apresentar grande rigidez na maioria de suas obras, percebemos que as estátuas egípcias conseguiam revelar riquíssimas informações de caráter étnico, social e profissional de seus representados. No governo de Amenófis IV temos uma fase bastante distinta em que a rigidez da escultura é substituída por impressões de movimento. Passado o governo de Tutancâmon, a arte egípcia passou a ganhar forte e clara conotação política. As construções, esculturas e pinturas passaram a servir de espaço para o registro dos grandes feitos empreendidos pelos faraós. Ao fim do Império, a civilização egípcia foi alvo de sucessivas invasões estrangeiras. Com isso, a hibridação com a perspectiva estética de outros povos acabou desestabilizando a presença de uma arte típica desse povo. 14 A arte egípcia esteve fortemente influenciada pelos preceitos religiosos de sua cultura. A Arte Persa A arte persa foi a mais pura manifestação de poder do Império Persa. Representada através da construção de grandiosas estruturas arquitetônicas (palácios e túmulos), contando com luxuosas decorações construídas para a exaltação dos grandes monarcas e dos grandes chefes persas. A arte persa recebeu grande contribuição dos estilos mesopotâmicos e egípcios. A arquitetura persa teve, contudo, caráter bastante original na harmoniosa combinação dos elementos estrangeiros, no luxo da decoração e na grandiosidade das estruturas, porém não podemos considerar a arquitetura persa como uma arte popular. A arquitetura persa foi, sobretudo, uma criação dos reis para a sua própria exaltação. Um exemplo de tamanha glorificação é a cidade de Persépolis, hoje Irã, construída em 520 a.C., que foi uma das grandes capitais do Império Persa. 15 Persépolis – arquitetura imponente, trabalhada em prata e ouro. Esculturas em relevo simbolizam oferendas ao rei. A existência de cidades como Pasárgada e Susa demonstraram claramente – através dos seus imensos palácios e de seus salões magníficos sustentados por colunas de estilo extremamente original, e pelos capitéis com motivos baseados em cabeças de cavalo, águia ou touro – a arte dos grandes soberanos persas. As grandes construções continham revestimento de ladrilhos esmaltados em tonalidades vivas que geraram grande efeito ornamental. O bronze marchetado era usado nas portas. O ouro e a prata foram também cuidadosamente trabalhados. Pasárgada – Túmulo de Ciro – O primeiro Imperador da Pérsia 16 Palácio do Rei Dario I, o Grande A escultura persa era acentuadamente assíria. O mais famoso relevo é o de Behistum, rocha gigantesca de 456 metros de altura, coberta de inscrições e entalhes que narram episódios da história persa. O Monumento de Behistum Dadas as concepções religiosas do zoroastrismo (religião monoteísta fundada pelo profeta Zaratustra) não houve uma arquitetura religiosa na Pérsia, porém, em diversas partes do atual Irã, ainda são encontradas mesas de pedra chamadas de lugares de fogo que foram antigos altares do culto zoroástrico. Mais tarde, a arte persa sofreu forte influência grega, sobretudo após a conquista de Alexandre Magno, quando o rígido esquematismo das representações do corpo humano foi substituído pela liberdade plástica helênica. 17 A Arte Grega Ao falarmos sobre a arte grega, temos uma grande dificuldade comum a toda civilização que tem suas manifestações investigadas. Estando subordinada ao tempo e à cultura, a arte grega assume traços e características que variam bastante ao longo do tempo. Assim como nós, os interesses temáticos e estéticos da população grega variaram bastante com o passar dos séculos. Isso, sem contar que esse mesmo povo era formado por várias cidades-Estado e entrou em contato com outras civilizações do mundo antigo. Se pudermos destacar um aspecto que difere a arte grega das outras civilizações, devemos então explorar a questão do lugar que a arte ocupou na vida desse povo. Ao contrário de outros povos, os gregos não restringiram o desenvolvimento de sua arte a um único aspecto de suas vidas (como a religião) e nem atrelou a mesma aos interesses de um único grupo social. Entretanto, isso não quer dizer que os gregos transformaram sua arte em um âmbito autônomo e livre de influências. Umas das mais interessantes características da arte grega é a preocupação em se pensar e retratar as ações humanas. Com isso, vemos que os gregos estabelecem a exploração de temáticas que singularizam o aparecimento do homem nas artes. Ainda a esse respeito, podemos ver que a escultura e a pintura grega, por exemplo, reforçam ainda mais esse traço humanístico ao promover o desenvolvimento de técnicas que reproduziam o corpo com grande riqueza de detalhes. No âmbito das artes cênicas, os gregos fundaram gêneros que até hoje organizam as várias modalidades do teatro contemporâneo. A tragédia e a comédia aparecem como textos em que os costumes, instituições e dilemas da existência eram discutidos através da elaboração de narrativas e personagens bastante elaboradas. Tendo grande prestigio entre a população, o teatro atraía os olhares de várias pessoas que se reuniam para admirar e discutir as peças encenadas publicamente. Tão interessante como a observação da arte grega, podemos também notar que elementos estéticos criados por este povo ainda influenciam a arte 18 contemporânea. Movimentos como o Renascimento, o Iluminismo e o Classicismo tiveram grande preocupação em retomar e refletir à luz dos referenciais lançados pelos gregos. De tal forma, é inegável que o legado artístico grego ainda tenha grande utilidade para se pensar o tempo presente. A Arte Romana A arte romana teve sua maior expressão na arquitetura, através de edificações grandiosas. Os romanos preocupavam-se intensamente com aspectos voltados para a utilidade, a funcionalidade e a praticidade de suas obras artísticas. A arte romana se destacou no período que foi do século VIII a.C. ao século IV d.C. A arte da Roma Antiga foi fortemente influenciada pela cultura e pelas crenças gregas. Um exemplo disso é a própria mitologia romana, muito parecida com a mitologia grega. 19 Foi através da arquitetura que a arte romana conseguiu maior expressão e significação histórica. Suas edificações eram grandiosas, fundamentadas em bases circulares e no emprego de colunas e arcos falsos para efeito de decoração. Os aquedutos, as entradas e as muralhas ainda hoje são vistosno continente europeu, demonstrando a imponência que traduziu, através dos tempos, a grandeza do que foi a civilização romana antiga. Ponte sobre o rio Tibre, Itália Os romanos preocuparam-se com o caráter funcional e prático de sua arquitetura. Houve, por isso, uma combinação harmônica entre a beleza e a utilidade nas mais variadas edificações romanas, como: teatros, basílicas, templos religiosos, palácios, estradas e pontes que interligaram as mais diversas regiões do império, facilitando o trânsito de pessoas e o tráfego de mercadorias para outras regiões. Templo de Vesta, a deusa do fogo na mitologia romana 20 A escultura romana foi trabalhada através de retratos e estátuas, muitas vezes apresentando uma característica fúnebre. Os escultores romanos buscavam a reprodução mais fiel possível da realidade em suas obras e centravam-se nos aspectos psicológicos, ou seja, a obra evidenciava o caráter, a honra e a glória do retratado. Estátua de Augusto em Roma Coliseu: marco da arquitetura romana 21 A Arte Bizantina A arte Bizantina teve seu centro de difusão a partir da cidade de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, e desenvolveu-se a princípio incorporando características provenientes de regiões orientais, como a Ásia Menor e a Síria. 22 A aceitação do cristianismo a partir do reinado de Constantino e sua oficilização por Teodósio procuraram fazer com que a religião tivesse um importante papel como difusor didático da fé ao mesmo tempo que serviria para demonstrar a grandeza do Imperador que mantinha seu caráter sagrado e governava em nome de Deus. A tentativa de preservar o caráter universal do Império fez com que o cristianismo no oriente destacasse aspectos de outras religiões, isso explica o desenvolvimento de rituais, cânticos e basílicas. O apogeu da cultura bizantina ocorreu durante o reinado de Justiniano ( 526- 565 d.C. ), considerada como a Idade de Ouro do império. Arquitetura O grande destaque da arquitetura foi a construção de Igrejas, facilmente compreendido dado o caráter teocrático do Império Bizantino. A necessidade de construir Igrejas espaçosas e monumentais, determinou a utilização de cúpulas sustentadas por colunas, onde haviam os capitéis, trabalhados e decorados com revestimento de ouro, destacando-se a influência grega. A Igreja de Santa Sofia é o mais grandioso exemplo dessa arquitetura, onde trabalharam mais de dez mil homens durante quase seis anos. Por fora o templo era muito simples, porém internamente apresentava grande suntuosidade, utilizando-se de mosaicos com formas geométricas, de cenas do Evangelho. Na cidade italiana de Ravena, conquistada pelos bizantinos, desenvolveu-se um estilo sincrético, fundindo elementos latinos e orientais, onde se destacam as Igrejas de Santo Apolinário e São Vital, destacando-se esta última onde existe uma cúpula central sustentadas por colunas e os mosaicos como elementos decorativos. Pintura e Escultura A pintura bizantina não teve grande desenvolvimento, pois assim como a escultura sofreram forte obstáculo devido ao movimento iconoclasta . Encontramos três elementos distintos: os ícones, pinturas em painéis portáteis, com a imagem da Virgem Maria, de cristo ou de santos; as miniaturas, pinturas usadas nas ilustrações 23 dos livros, portanto vinculadas com a temática da obra; e os afrescos, técnica de pintura mural onde a tinta era aplicada no revestimento das paredes, ainda úmidos, garantindo sua fixação. Destaca-se na escultura o trabalho com o marfim, principalmente os dípticos, obra em baixo relevo, formada por dois pequenos painéis que se fecham, ou trípticos, obras semelhantes às anteriores, porém com uma parte central e duas partes laterais que se fecham. Mosaicos O Mosaico foi uma forma de expressão artística importante no Império Bizantino, principalmente durante seu apogeu, no reinado de justiniano, consistindo na formação de uma figura com pequenos pedaços de pedras colocadas sobre o cimento fresco de uma parede. A arte do mosaico serviu para retratar o Imperador ou a imperatriz, destacando-se ainda a figura dos profetas. Arte Cristã Primitiva – A fase oficial A partir de 313, a expansão do cristianismo pelo Império Romano estabeleceu outra fase no desenvolvimento das expressões artísticas ligadas a essa nova crença. De acordo com as bases fundamentais do Edito de Milão, documento oficial outorgado pelo Imperador Constantino, o cristianismo passava a ser uma religião reconhecida pelo Estado romano. Após essa determinação, as igrejas cristãs se proliferaram e abriram espaço para um novo campo de expressão para tal arte. Os primeiros templos cristãos foram visivelmente influenciados pela tradição arquitetônica dos prédios públicos romanos. Uma das maiores manifestações dessa influência é vista na utilização da palavra “basílica” para nomear as igrejas. Antes de tal acontecimento, esse mesmo nome era somente empregado para os prédios que cuidavam da administração do império. 24 Sendo uma verdadeira homenagem à confissão cristã, essas primeiras igrejas construídas tinham um projeto arquitetônico bastante elaborado. Os recursos financeiros utilizados eram elevados, pois se tinha uma grande preocupação com a solidez da obra construída. Internamente, as primeiras basílicas cristãs eram dotadas de um grande teto segmentado em três grandes abóbodas ogivais apoiadas por ogivas menores que, por sua vez, eram sustentadas por várias colunas. Em algumas situações, por conta da falta de conhecimento do arquiteto ou pela simples contenção de despesas, algumas igrejas contaram com um projeto menos elaborado. Contudo, vemos que parte considerável dessas igrejas valorizava a concepção de espaços amplos que pudessem se adequar à congregação de vários seguidores do cristianismo. Além disso, as paredes eram ricas em pinturas que faziam referência a passagens bíblicas. As pinturas que aparecem nessa época assinalam bem o estado de hibridação cultural vivido no mundo romano. Muitas das imagens representadas no interior destas igrejas, que faziam sentido ao culto cristão, também poderiam despertar os sentidos dos seguidores das demais religiões pagãs. A representação de videiras nos arabescos das basílicas que poderia ter origem nos rituais dionisíacos, agora, no contexto cristão, fazia referência ao sagrado ritual eucarístico. Além dessa fusão, percebemos que a liberação do culto propiciou a inauguração de uma série de novos elementos que integraram a iconografia cristã. Como exemplo, podemos citar uma interessante imagem presente na Igreja de Santa Constanza. Em tal construção, podemos apreciar a imagem do Cristo em um cenário paradisíaco entregando as leis nas mãos dos apóstolos Pedro e Paulo. Ainda durante o século IV, temos que ainda destacar as ações tomadas pelo Imperador Teodósio. Por meio dos poderes a ele concedidos, este governante romano, no ano de 391, elevou o cristianismo à condição de religião oficial de todo o Império Romano. Dessa forma, podemos compreender por quais razões a pintura e a arquitetura cristã se desenvolveram tanto nesse espaço de tempo. 25 A oficialização do cristianismo inaugurou uma nova fase na arte cristã. Arte cristã primitiva: a fase catacumbária A perseguição aos cristãos no Primeiro Século culminou no desenvolvimento de expressões artísticas marcantes, configurando aquilo que chamamos de arte cristã primitiva. Após a morte de Jesus Cristo, a pregação do ideário cristão recaiu sobre os ombros dos discípulos do Primeiro Século. Em sua fase inicial, essa ação evangelizadora restringiu-se ao perímetro da região da Judeia, local onde o próprio Jesus teria realizado a grande maioria de suas pregações. Contudo, com o passar do tempo, a ação dos discípulos mostrou-seeficaz e determinou a divulgação dos valores cristãos para outras partes do Império Romano. Perseguição aos cristãos Para os dirigentes romanos, a divulgação do cristianismo era uma séria ameaça aos valores e interesses do império. A crença monoteísta era contrária ao panteão de divindades romanas, entre as quais se destacava o próprio culto ao imperador de Roma. Ao mesmo tempo, o conceito de liberdade fazia com que vários escravos não se submetessem à imposição governamental que legitimava a posição subalterna deles. https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-organizacao-social-imperio-romano.htm 26 Dessa forma, os cristãos passaram a ser perseguidos das mais variadas formas. Eram torturados publicamente, lançados ao furor de animais violentos, empalados, crucificados e, até mesmo, queimados em vida. Para redimir e orar pelos seus mártires, os cristãos passaram a enterrá-los nas chamadas catacumbas. Estas funcionavam como túmulos subterrâneos onde os cristãos poderiam entoar canções e pintar imagens que manifestavam sua confissão religiosa. Desenvolvimento das expressões artísticas Esses cantos funcionavam como orações pronunciadas em ritmo prosódico e sem nenhum tipo de instrumento musical acompanhante. Segundo alguns pesquisadores, esse tipo de canto, mais comumente conhecido como “salmodia” (em referência ao livro dos Salmos), fora trazida por São Pedro ainda nos primeiros anos da Era Cristã. Posteriormente, a música cristã seria conhecida como cantochão ou cantus planus, tendo como marca principal sua leve variação melódica. A pintura elaborada no interior das catacumbas era rodeada de uma simbologia que indicava a forte discrição do culto cristão naquele momento. O mais recorrente símbolo era o crucifixo, que rememorava a disposição de Jesus ao morrer pela salvação dos homens. A âncora significava o ideal de salvação. O peixe era bastante comum, pois a variação grega do termo (“ichtys”) era a mesma das iniciais da frase “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. O desenvolvimento desse tipo de expressão artística acabou permitindo a execução de cenas cada vez mais complexas. Algumas cenas do texto bíblico começaram a tomar conta da parede das catacumbas. Entretanto, a imagem mais representada era a do próprio Jesus Cristo. Na maioria das vezes, o exemplo maior do cristianismo era simbolizado como um pastor entre as ovelhas. Tal alegoria fazia menção à constante importância que a ação evangelizadora tinha entre os cristãos. Essa fase inicial da arte primitiva não foi dominada por algum artista específico. A maioria das representações encontradas foi executada por anônimos que desejavam expressar suas crenças. A falta de um saber técnico anterior à concepção de tais obras marcou essa fase inicial da arte cristã com formas simples e bastante grosseiras. 27 Afrescos feitos em um catacumba que ficava na Via Latina (estrada romana). Arte Gótica A Arte Gótica caracterizou-se pela arquitetura das catedrais católicas, irradiando-se para a escultura e para a pintura no final da Idade Média. A arte gótica, ou o estilo gótico, surgiu no norte de onde hoje se localiza a França, no século XII, e difundiu-se inicialmente como um estilo arquitetônico para diversas localidades da Europa até o século XV. A arte gótica é considerada como uma expressão do triunfo da Igreja Católica durante a Idade Média, já que era uma expressão artística notadamente religiosa. O estilo gótico era contraposto ao estilo arquitetônico românico, anteriormente em voga nas construções medievais, principalmente em mosteiros e basílicas. Essas construções eram caracterizadas pelos arcos de volta perfeita, redondos, e por 28 abóbodas de arestas (constituídas pela penetração de duas abóbodas) feitas em estruturas maciças e com poucos vãos. No estilo gótico, as estruturas das construções são mais leves, formadas por vãos mais amplos, cujo objetivo é conseguir uma maior luminosidade no interior das edificações, auxiliada pela utilização de janelas delicadamente trabalhadas e de vitrais em forma de rosáceas. Madonna em uma igreja, de Jan van Eyck (1390-1441). É possível perceber na tela as características internas das edificações góticas. As naves das catedrais, principais expoentes da arquitetura gótica, eram construídas em formato ogival, ação possibilitada por avanços técnicos na construção dos arcos de sustentação. Esses arcos em formato de ogivas, agulhas e capitéis, somados ao uso dos arcobotantes, possibilitaram às edificações serem mais altas, com formas arquitetônicas mais verticalizadas, indicando um direcionamento para o céu, o que caracterizava também sua perspectiva religiosa. As paredes e as colunas eram mais finas e leves, apresentando nervuras que as reforçavam. A entrada das catedrais possui três portais, ao contrário de um único 29 portal presente nas construções românicas. A grandiosidade das construções oferece ainda a impressão da pequenez do homem frente à suntuosidade das edificações. O nome gótico foi possivelmente cunhado por Giorgio Vasari (1511-1574), um dos expoentes do Renascimento, que o considerava como um estilo artístico monstruoso e bárbaro. Gótico possivelmente deriva de godos, povo bárbaro que invadiu o Império Romano no período de sua decadência. Essa perspectiva pejorativa dada à arte gótica somente seria superada no século XVIII, quando uma nova forma de olhar a arte gótica passou a ser desenvolvida na Inglaterra, irradiando-se, posteriormente, para outros países. Púlpito esculpido por Nicola Pisano em batistério da cidade de Pisa Mas o estilo gótico não se resumiu à arquitetura. Nas representações escultóricas houve também mudanças, caracterizadas principalmente com a intenção de dar vida às figuras humanas através da expressão de sentimentos. Colocadas nos pórticos das catedrais, as esculturas góticas parecem movimentar-se e olhar uma para as outras, carregando ainda símbolos que permitiam a identificação dos personagens bíblicos, por exemplo. Um dos nomes de destaque na escultura gótica foi Nicola Pisano. 30 Na pintura é de se destacar as iluminuras realizadas nos manuscritos religiosos, onde mais uma vez a intenção de retratar os sentimentos humanos foi expressa. Na pintura gótica, o nome de Giotto di Bondone (1267-1337) destacou-se, apesar de o pintor italiano representar uma transição para o Renascimento, desenvolvendo novas concepções e métodos de trabalho, buscando um realismo cada vez maior. Ele pretendia transpor para seus afrescos e murais os objetivos e as concepções desenvolvidas pelos escultores góticos, em uma criação de ilusão de profundidade em uma superfície plana. Madonna entronizada com santos e virtudes, de Giotto di Bondone (1267-1337) Outro pintor de destaque foi o holandês Jan Van Eyck (1390-1441) que pretendeu registrar os aspectos da vida urbana e da nascente sociedade burguesa de sua época, buscando trabalhar também com a noção de perspectiva e com a representação dos detalhes em suas obras. A arte gótica acompanhou o período do renascimento urbano e comercial na Europa, disseminando-se com o poder econômico da nascente burguesia do continente. Não eram somente as catedrais que eram trabalhadas pelos arquitetos, escultores e pintores, mas também os edifícios seculares, não religiosos. Um exemplo foi a construção do Palácio dos Doges, iniciada, em 1309, em Veneza, no auge do 31 poder econômico da cidade portuária italiana. A partir de finais do século XV, o gótico foi sendo paulatinamente superado pelo estilo artístico desenvolvido com o Renascimento. Tela O casal Arnolfini, de Jan van Eyck (1390-1441) Catedral de Notre-Dame, um dos principais símbolos da Arte Gótica 32 Os vitrais góticos Na Baixa Idade Média, o desenvolvimento comercial europeu abriu espaço para novas possibilidadesestéticas. As igrejas, na qualidade de grande reduto de pessoas e representantes do poder clerical da época, foram tomadas por novas técnicas de construção que marcam o surgimento do estilo gótico. Em geral, as construções eram bastante ricas e detalhadas, demonstrando justamente todo o progresso técnico e material que o renascimento comercial havia proporcionado. Um dos mais marcantes elementos decorativos que aparecem nessas igrejas são os vitrais, que formavam imensas e coloridas janelas que, muitas vezes, apresentavam desenhos geométricos ou representavam um santo ou uma passagem do texto bíblico. Sobre esse aspecto, ainda vale ressaltar que os vitrais permitiam a elaboração de um vibrante jogo de luzes constituído a partir da combinação de peças de vidro das mais variadas cores. Para se obter um vitral, o artesão dessa época deveria inicialmente realizar o processo de coloração da peça de vidro. Costumeiramente, o vidro cru era misturado a outras substâncias químicas que, ainda na fase de derretimento, determinavam a obtenção de certa tonalidade. Dessa forma, a peça de vidro ainda ficava colorida sem bloquear completamente a passagem de luz pelo material. Cumprida essa primeira etapa, o vidro aquecido era moldado. Nesse processo, o artesão depositava uma pequena quantidade de vidro fundido na ponta de um tubo oco. Logo depois, ele assoprava a outra extremidade do tubo formando uma bolha de vidro modelável. A manipulação dessa bolha acontecia somente até o momento em que a bolha ganhava o formato de um cilindro. Alcançada essa etapa, era realizado um corte longitudinal nas duas extremidades do cilindro, transformando-o em um cilindro oco. Superada esses primeiros trabalhos, o cilindro oco sofria um corte e o vidro era moldado até se transformar em uma placa. Cada uma das placas era devidamente resfriada e depois recortada com a ponta de um diamante, que reproduzia o formato que o vitral deveria assumir na composição de uma imagem. Dando sequência ao 33 trabalho, o artesão fazia algumas pinturas opacas em que os traços fisionômicos da imagem a ser formada eram finalmente definidos. Finalmente, após todo o trabalho com o vidro, as pequenas placas eram encaixadas em uma estrutura metálica conhecida como “perfil de chumbo”. Unidas, as placas eram capazes de materializar grandes composições em que se reproduziam algum relato bíblico ou a imagem de um santo. Após a sua montagem, o perfil de chumbo era encaixado nas aberturas das paredes das catedrais. O requinte, a complexidade e os vários materiais que envolviam a fabricação de um vitral gótico nos mostram a consolidação de um novo ideal estético marcado pela luminosidade e a variação de tons. Somente com o intercâmbio promovido pelo comércio é que podemos imaginar a existência de um processo técnico cercado por tantas exigências. Assim, os vitrais, ao iluminarem as igrejas, também reafirmavam um novo período da história medieval. Os vitrais dão cor e vivacidade às janelas das catedrais góticas medievais. 34 O gótico alemão Mesmo contando com algumas definições mais gerais, o estilo gótico também abriu espaço para o desenvolvimento de particularidades comuns a cada uma das regiões da Europa. No século XIII, por exemplo, os alemães desenvolveram uma arte gótica constituída por muitas particularidades. Em termos gerais, vemos que o gótico alemão adentra uma complexa rede de símbolos religiosos e a construção de imagens que expressavam a devoção ao poder monárquico. Um dos mais belos exemplos desse estilo encontra-se na igreja de Santa Elizabeth, localizada na cidade de Marburgo e que teve sua construção iniciada em 1235. A planta desta igreja apresenta o formato de cruz, embora sendo o braço do coro e o transepto, de uma mesma medida. Nas extremidades dessa construção cruciforme temos formas arredondadas que fazem clara menção a uma permanência do estilo românico nesse tipo de desenho arquitetônico. Por meio desse desenho, o gótico alemão difere-se do gótico francês ao dispensar a construção de arcobotantes nas naves laterais e central. Ao mesmo tempo, apesar da construção explorar o espaço de forma bastante compactada, as linhas e expressões do edifício transmitem notável leveza, graças à exploração das linhas verticais e os rendilhados que tomam conta das janelas em forma de ogiva. Internamente, as naves apresentam a mesma altura. Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;) No campo da literatura, o estilo gótico alemão está manifestado na produção do chamado Codex Manesse, um manuscrito do século XIV produzido em homenagem a Venceslau II, rei da Boemia. Nela, encontramos um conjunto de 138 iluminuras que representam os autores da obra e diferentes cavaleiros. A presença de diversos brasões confere a centralidade da obra em explorar o mundo nobiliárquico, que também aparece nos poemas e canções de amor do texto. 35 O gótico alemão manifestado na literatura e na arquitetura do período medieval Artistas do Renascimento Durante o século XIV ocorreu o Renascimento Cultural e Artístico nas cidades italianas, movimento inspirado na Antiguidade Clássica (Grécia e Roma). A Europa no século XI passou pelo chamado renascimento comercial e urbano, fato que levou a grandes transformações sociais e urbanas. A partir do século XII, as cidades italianas, principalmente, iniciaram um lento e prolongado processo de transformações culturais. No século XIII ocorreu uma alteração na intuição e sensibilidade artística, fruto de uma revalorização cultural da Antiguidade Clássica (Grécia e Roma). Nesse período, valorizou-se o racionalismo (capacidade de reflexão do ser humano), o espírito crítico e o naturalismo (valorização da natureza). O renascimento cultural e artístico, ocorrido no século XVI, aconteceu primeiramente nas cidades italianas; posteriormente, o movimento alcançou várias partes do continente europeu. 36 O Renascimento modificou as formas de produção das artes. Na Idade Média valorizavam-se obras religiosas, geralmente abordadas em um plano (reto). Nas artes (pinturas e esculturas), os artistas do Renascimento basearam-se na observação do mundo e nos princípios matemáticos e racionais como: harmonia, equilíbrio e perspectiva (fundo). Os principais artistas renascentistas italianos foram Leonardo da Vinci (1452-1519), Michelangelo Buonarroti (1475-1564) e Rafael Sanzio (1483- 1520). Leonardo da Vinci não foi somente representante das artes plásticas (pintor e escultor), mas também estudou música, arquitetura, engenharia, foi inventor e filósofo. Suas obras de arte baseavam-se nas pinturas científicas a partir de minuciosas observações da natureza – essa abordagem científica está presente nas seguintes obras: “Última Ceia” (Santa Ceia) e “A Gioconda” (ou Monalisa). Considerado o maior escultor renascentista italiano, Michelangelo praticou também a pintura e a arquitetura. Suas pinturas divergiram da grande maioria dos pintores renascentistas (temas da natureza), pois se pautou em temas religiosos, tanto que sua maior obra de arte foi a pintura na abóboda (forma arqueada de arquitetura) da Capela Sistina. Nela, o artista retratou a história bíblica do Gênesis e o Juízo Final. Outro artista renascentista que ficou bastante conhecido na história foi Rafael Sanzio. Suas obras se destacaram pela pintura de diversas madonas (pinturas que representaram a mãe de Jesus) e quase todas as suas obras decoram atualmente salas do Vaticano (estado pontifício católico). Na arquitetura, destacou-se Fillipo Brunelleschi (1377-1446). Suas principais obras foram o projeto da cúpula da Catedral de Santa Maria del Friore e o Palácio de Pitti, ambos em Florença. Outro grande arquiteto renascentista foi o italiano Donato Bramante (1444- 1514). Sua principal realização arquitetônica foi o plano para a reconstruçãoda Catedral de São Pedro no Vaticano. Nesse projeto, Bramante concebeu um edifício de planta no formato de uma cruz grega com uma grande cúpula sobre o cruzeiro. Com a morte do arquiteto, as obras tiveram uma modificação do plano inicial. 37 Pinturas de artistas renascentistas 38 Os princípios racionais e matemáticos prevaleceram nas pinturas renascentistas. A Arte e Michelangelo Até o final da Idade Média a Igreja dominava a produção do conhecimento, e Deus era o centro do universo. Com o desenvolvimento econômico, social e político, surgiu um grupo de intelectuais interessados em combater a ordem e a hierarquia do mundo medieval, influenciando não só a vida social da época, mas também a arte, visto que, esta reflete a realidade histórica, pois o artista manifesta em suas obras a moral e a ética de seu mundo. Buscando compreender os fatores políticos – religiosos que influenciaram a arte renascentista manifestada por Michelangelo, bem como a contribuição para a formação cultural da sociedade, é através da avaliação da origem passada para os 39 dias de hoje, e de análise bibliográfica, que apresentamos o período de transição da Idade Média para a Idade Moderna, apontando a nova concepção de vida que surgiu com a Renascença. A transição do convencionalismo católico para a ideologia humanista, onde o homem era visto com ser dotado de liberdade e capacidade individual gerou um conflito político cultural transmitindo à humanidade outro tipo de conhecimento, além de uma nova estrutura social. MICHELANGELO, ARTE COMO UMA REPRESENTAÇÃO CULTURAL Complexa em sua totalidade, a arte manifesta-se na humanidade de várias formas, sendo conceituada de diversas maneiras. Presente ao longo da história, diverge conforme a época e tendência, não deixando de ser uma expressão pessoal do artista, uma manifestação social, o significado de uma cultura. Considerada instrumento de divulgação e esplendor, até hoje, ela é utilizada para expor ideais, influenciar a sociedade e, como meio de poder para quem a detêm. Entre os séculos XV e XVI, período de profunda transformação histórica, a valorização do homem defendida pelos humanistas se opõem aos credos da Igreja e reflete-se, de maneira nítida, como um espelho humano, os acontecimentos, nas representações artísticas. Michelangelo, um dos principais criadores Renascentistas, mostrou com clareza a fase e a fé da sociedade. A humanidade possui a necessidade de expressar seus sentimentos, idéias e sua época. A maneira mais utilizada e conhecida através dos tempos é as diferentes formas de arte, o que lhe agrega diferentes conceitos. Estabelecer uma definição absoluta é inadequado, uma vez que, classificar o belo abrange inúmeras opiniões. Sem dúvida, um dos apogeus da Arte ocorreu na Renascença com a visão sacra manifestada por Michelangelo. No inicio do século XV, os artistas passam a transmitir em suas obras uma nova concepção cultural, acompanhando o desenvolvimento econômico social e político das cidades, o contexto principal da transição da Idade Média para a Idade Moderna. Nesse crescimento, surgiu um grupo de intelectuais interessados em renovar os estudos ministrados nas Universidades 40 Medievais que privilegiavam a teologia, o direito e a medicina. Essa elite de pensadores desejava um conhecimento voltado para a poesia, a filosofia, a história, a matemática e a retórica, isto é, para aquelas disciplinas onde se valorizavam as atividades próprias do homem e o preparavam para o exercício de sua liberdade. Denominados humanistas, eles questionavam a hierarquia do mundo Medieval estabelecida até então, onde a Igreja era um monopólio, Deus o centro do universo, e o homem submisso a isso. Procuravam, reinterpretar os Evangelhos à luz dos valores da Antiguidade Clássica, exaltando o ser humano como dotado de liberdade, de vontade e de capacidade individual. Apesar da produção artística do Renascimento espelhar-se na cultura greco-romana, traduz as mudanças vividas pela sociedade moderna . Sua característica antropocêntrica, trouxe o interesse pela investigação da natureza, o culto à razão e à beleza, características da cultura greco- romana, criando as bases do Renascimento artístico e cientifico dos séculos XV e XVI. A educação passou a ter mais valorização. A burguesia, nova classe social que surgira, havia percebido a necessidade de controlar o mercado natural, principal fonte de produção e lucro. Apesar do mundo oferecer muitas riquezas, o conhecimento assumiu caráter racional a partir deste momento, e todas as informações passaram a ter propósitos lucrativos, afinal o capitalismo estava surgindo. Além do racionalismo, o individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho, trazendo a idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, sem que isto implicasse no isolamento humano, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões. A Arte Renascentista continuou cristã, porém adaptada à nova realidade moderna. Analisando as obras de Miguel Ângelo Buonarotti, percebe-se os valores estéticos culturais definidos com clareza. Baseado no equilíbrio das formas, em uma nova sociedade, utilizando a perspectiva e a proporção geométrica, destacam-se as formas que traduziam os conceitos humanistas numa poderosa expressão, exteriorizando uma renovada conquista moral. Além de fundir os valores tradicionais do classicismo com uma nova interpretação mais livre e ritmada da linguagem, as figuras se movimentam com imponente naturalidade, acentuando o aspecto dramático e cheio de força expressiva, valorizando sobretudo o homem, ou seja, uma 41 nova “monumentalidade” do ser. Em Davi (Anexo 1), a figura humana demonstra não um herói, mas sim um paladino por causa justa. Já Baco (Anexo 2,) escultura solicitada pelo Cardeal Rafaello Riario ao artista, teve origem de uma ilustração com o paradeiro desconhecido. A estátua de um Deus do vinho emana desequilíbrio e deboche, ao contrário da agonia e sofrimento da figura original. Logo, o cardeal renegou a obra. As esculturas englobam uma expressão corporal que garante o equilíbrio, revelando uma imagem humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas; e as expressões das figuras, refletem seus sentimentos. Mesmo contrariando a moral cristã da época, a inteligência mergulha livre para fecundar a beleza, o nu volta a ser utilizado refletindo o naturalismo como forma de valorizar o homem como a medida de todas as coisas. Entretanto, em Pietá , a Virgem do pintor e escultor mostra uma mulher jovem, serena, sem sofrimento, contrapondo as imagens das Santas Medievais com faces tristes. Michelangelo afirma que “ a mãe de Deus não deve chorar como uma mãe terrena ”. Questiona-se portanto a maneira como a Igreja apresenta a morte de Cristo, pois conforme a Bíblia, esse seria o caminho da salvação, não devendo representar sofrimento aos olhos humanos. O homem independe de Deus , apesar de, perceber- se como força inventora capaz de influir nos destinos da humanidade, descobrindo, conquistando e transformando o Universo. O povo, em sua essência, precisa se apegar e crer em algo para ter forças a superar o percurso vital da vida. A fé, ultrapassa aos anos e é subseqüente para a conquista de muitos. Até os incrédulos em Deus vivem acompanhados de seus “amuletos”. A Igreja sempre procurou dominar a sociedade, a riqueza, e durante muito tempo induziu reinos, vendeu indulgências, destorceu e desfrutou dos fatos bíblicos, a fim de conquistar seu apogeu. Um dos meios era apropriar-se do conhecimento humano como maneira de apoderar-se do pensamento. O inculto, crê facilmente, uma vez que não artifícios para contestar os absurdos sacros. A evolução do saber influenciou os pensadoresna busca à verdade. Os Humanistas, defensores da importância do ser como forma de existir, aos poucos, no período Renascentista, foram conquistando seu espaço. No entanto, uma das formas para Igreja não perder 42 seus fiéis, foi contratar e aceitar as novas imagens Santas desenvolvidas por Michelangelo. Arte barroca Na trajetória da arte barroca, devemos considerar o papel exercido pela Igreja, preocupada naquele momento em frear os avanços do protestantismo e da renascença. O caráter transitório que marcou os primeiros tempos do período moderno é alvo de um amplo estudo que se esforça em considerar as permanências e https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/o-que-modernidade.htm 43 transformações experimentadas nesse período. A expansão marítima, o Renascimento, a descoberta do Novo Mundo, as novas religiões protestantes, a consolidação do poder monárquico integraram uma gama de acontecimentos complexos que reverberaram nas diversas instâncias de ordem social, política e econômica. Mudanças na esfera artística após o Renascimento Na esfera artística, houve a ascensão de novos padrões estéticos que procuravam superar todo aquele rigor proveniente dos princípios de simetria e equilíbrio valorizados pelo Renascimento. Entre outras mudanças, houve o surgimento de pinturas e esculturas marcadas por formas retorcidas e tensas. A preocupação em reforçar o racionalismo e equilibrá-lo com as emoções perdeu campo para uma arte mais emotiva e cotidiana. Características da arte barroca Foi nessa tendência que a arte barroca ganhou espaço e passou a inaugurar um novo período na arte europeia, que já havia experimentado os valores estabelecidos pela renascença. Na chamada arte barroca, notamos uma preocupação menor com as formas e as linhas utilizadas na criação de uma pintura ou escultura. A valorização das cores e a contraposição de luzes e sombras tinham grande importância na demonstração dos gestos e estados de espírito do homem. Na trajetória do barroco, também devemos contabilizar o papel exercido pela Igreja, preocupada naquele momento em frear os avanços do protestantismo e da renascença. O enfraquecimento do poder católico promoveu a disseminação dessa arte sinuosa e dramática utilizada como meio de reafirmação dos valores cristãos por meio de imagens que pretendiam causar impacto semelhante ao das esculturas. Não por acaso, o barroco nasceu na Itália, centro do poder católico, e ganhou igual força entre os países ibéricos. A história e atributos de santos e mártires católicos foram representados com bastante frequência na pintura, nas esculturas e construções do período. Os elementos eram dispostos de uma maneira pouco assimétrica, assumindo na maioria das vezes uma organização diagonal. Paralelamente, podemos também destacar um https://brasilescola.uol.com.br/historiag/expansao-maritima-europeia.htm https://brasilescola.uol.com.br/religiao/protestantismo.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/renascimento.htm 44 tipo de realismo que tentava captar situações cotidianas vividas por pessoas simples, propondo um contraste à reprodução das autoridades monárquicas que se firmavam na época. Obras importantes do Barroco Na pintura barroca, podemos destacar algumas importantes obras, como “Cristo em Casa de Marta e Maria” (1578), do pintor italiano Tintoretto; “Deposição de Cristo” (1602), de Michelangelo Merisi da Caravaggio; “Espólio” (1579), do pintor espanhol El Greco; “A Lição de Anatomia do Doutor Tulp” (1632), do artista holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn; e “Moça com brinco de pérola” (1665), do pintor Johannes Vermeer. Na escultura e na arquitetura, também possuímos um grande acervo de obras barrocas. Damos especial destaque a obras como “Êxtase de Santa Teresa” (1645 – 1652), do escultor italiano Gian Lorenzo Bernini; a “Igreja de Santa Maria della Pace” (1656 – 1657), projetada por Pietro de Cortona; e “San Carlo alle Quattro Fontane”, do construtor italiano Francesco Borromini. A valorização das luzes, movimentos e santos: pontos fundamentais da arte barroca. 45 A Arte Barroca na pintura A arte Barroca na pintura imperou no século XVII. Esse período registrava um momento de transição espiritual na cultura ocidental, pois vigoravam dois padrões de ver o mundo: o paganismo e o sensualismo do Renascimento, e a permanência dos aspectos religiosos que faziam lembrar o teocentrismo. Em um tempo de infindáveis questionamentos sobre as visões teocêntricas e antropocêntricas, nasceu e desenvolveu o Barroco. O gosto pela Arte Barroca veio temperado pela aproximação de realidades opostas, pelo conflito e pelas contradições violentas que estavam diretamente ligadas ao contexto da época, ou seja, a visão de mundo do homem do século XVII. O Barroco surgiu na Itália e aproveitou de alguns, mas fortes, elementos da Renascença, transformando-os. O Barroco foi um movimento que apresentou especificidades complexas e de difícil compreensão, como a oposição do mundo material com o espiritual. Nessa complexibilidade, a personalidade enérgica dos artistas do momento foi um grande diferencial dentro desse estilo que contava com ideias abertas à abstração e ao subjetivo. Para provocar o apreciador da obra barroca, o artista usava de um sensualismo exacerbado e da idealização amorosa que abusava da verossimilhança das cenas retratadas do cotidiano, dos temas religiosos e das cenas mitológicas. A arte barroca trabalhava o arranjo dos elementos dos quadros, que quase sempre formavam uma combinação diagonal. As cenas representadas eram envoltas em definida oposição do claro-escuro, contavam com a força das cores quentes, da gradação da claridade, todos esses elementos reforçavam a expressão de sentimento das obras que quase falavam aos seus interlocutores. O tema da pintura barroca foi sempre realista, mas a realidade que servia de ponto de partida para o pintor não era só a da nobreza, do clero e da burguesia, mas também a realidade da vida simples dos trabalhadores, camponeses. Para o artista barroco, a harmonia da obra esteve sempre em comunhão com tudo que estava ali expresso na sua produção. O conjunto harmonioso da obra era o essencial. A harmonia individual da obra era deixada em segundo plano. Existe, nesse sentido, a explicação da valorização da unidade que está ligada à arquitetura, 46 esculturas e pintura. O ideal das construções Barrocas passou a ser o da união desses elementos, que passaram a dialogar harmonicamente para o bem da obra. Alguns artistas do Barroco na Europa e suas respectivas obras: A intensidades das cores quentes - “Vênus e Adônis”. Peter Paul Rubens (1577-1640) Espanha A verticalidade da Pintura “São Pedro e São Paulo”. El Greco (1541-1614) - Espanha 47 A emoção por meio da gradação da claridade - "O Sacrifício de Abraão". Rembrandt van Rijn (1606-1669) Os rostos da nacionalidade espanhola “Dama com leque”. Diego Velásquez (1599- 1660) – Espanha 48 A beleza delicada da vida cotidiana “A rendeira”. Vermeer (1632-1675) A intensidade da luz e do calor “A Ascensão”. Tintoretto (1515-1549) - Itália A arte Barroca foi impactante, pois expressou as ideias e os sentimentos do artista do século XVII. Seus temas geraram encantamento, o apelo visual das obras Barrocas era muito forte e real, com isso suas construções combinaram para expressar uma nova concepção de mundo. 49 Vocação de São Mateus - Caravaggio (1571-1610) – Itália Rococó O estilo rococó aparece na Europa do século XVIII e, tendo a França como seu principal precursor, se espalha em vários países do Velho Mundo e alcança algumas regiões das Américas, como o Brasil. Para muitos historiadores da arte, o rococó pode ser visto como um desdobramento do barroco em que vários artistas passam a valorizar o uso delinhas em formato de concha e a função decorativa que a arte poderia exercer. A expressão “rococó” tem origem na palavra francesa rocaille, que designava comumente uma maneira de se decorar os jardins através do uso de rochas e conchas. Chegando ao século XIX, o estilo rococó passa a ser utilizado também para definir outras manifestações desenvolvidas nos campos da arquitetura e das artes ornamentais. No ano de 1943, graças à pesquisa de Fiske Kimball, esse movimento deixa de ser visto como uma variante do barroco para assumir características próprias. 50 Em geral, a substituição das cores vibrantes do barroco por tons rosa, verde- claro, estabelecem uma primeira diferenciação entre os dois estilos. Além disso, a originalidade do rococó é conferida no abandono das linhas retorcidas e pela utilização de linhas e formas mais leves e delicadas. Do ponto de vista histórico, essa transformação indicava o interesse burguês em alcançar o prazer e a graciosidade nas várias obras que eram encomendadas à classe artística da época. A primeira fase do rococó, compreendida entre 1690 e 1730, procura se afastar dos preceitos estéticos predominantes no reinado do rei Luís XIV para introduzir o uso de linhas soltas e curvas flexíveis. Nessa época podemos destacar os relevos e gravuras do artista Jean Beráin, os quadros de Jean-Antoine Watteau (1684 - 1721) e os projetos decorativos de Pierre Lepautre (1660 - 1744). De 1730 a 1770, o rococó amadurece com o surgimento de outros artistas que remodelam as casas da nobreza e da alta burguesia francesa. Nessa fase podemos destacar os trabalhos de Jacques de Lajoue II (1687 - 1761), Juste Aurèle Meissonnier (1695 - 1750) e Nicolas Pineau (1684 - 1754). Esse último artista se destaca pelo projeto de decoração do Hôtel Soubise, marcado por quadros, linhas, guirlandas, curvas e espelhos que tomam o olhar do observador em meio a tantos detalhes. A relação do rococó com a burguesia também pode ser vista em boa parte dos quadros que definem esse tipo de arte. Ao contrário da forte religiosidade barroca, a pintura desse estilo valoriza a representação de ambientes luxuosos, parques, jardins e temáticas de cunho mundano. As personagens populares perdem espaço para a representação dos membros da aristocracia. A jovialidade e a edificação do prazer, o tédio e a melancolia são os estados emocionais que geralmente contextualizam os quadros do rococó. A disseminação do rococó pela Europa foi responsável por variações que fugiram da tendência aristocrática que predominou neste estilo. Ao alcançar países como Portugal e Espanha, o rococó penetra a esfera religiosa. No que diz respeito à arquitetura, esse estilo não teve tanta predominância na França, mas vivenciou manifestações mais intensas na Baviera e em Portugal. No Brasil, o rococó teve sua presença no mobiliário do século XVIII e foi corriqueiramente chamado de “estilo Dom João V”. 51 O divertimento de jovens burgueses no jardim: um traço característico do estilo rococó Artistas da Arte Moderna Falar sobre os artistas da Arte Moderna significa falar sobre o maior evento que marcou a história da arte brasileira. Tal evento, conhecido como a Semana de Arte Moderna, ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922. Partindo dessa data (1922), começamos a compreender os reais propósitos firmados mediante o histórico acontecimento. Afinal, por que 1922? Essa é a data em que o Brasil comemorou seu primeiro centenário da Independência, embora essa independência em nada tenha transformado os planos político, econômico ou cultural. Dessa forma, desde o período que antecedeu a Semana de 1922, conhecido como Pré-Modernismo, houve uma reação por parte da classe artística em revelar um Brasil visto sob o plano real, longe do idealismo pregado pela era romântica. Um Brasil dos marginalizados, indo desde o sertão nordestino até os subúrbios cariocas. Não por acaso, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, entre outros, souberam expressar sua insatisfação mediante as mazelas que corrompiam a sociedade daquela época – de um lado o progresso industrial oriundo da expansão do capitalismo, de outro a massa dos excluídos, formada pela classe operária que, cada vez mais organizada, realizava intensas greves. 52 Nesse clima de euforia, imbuídos no propósito de operar mudanças, sobretudo influenciados pelos movimentos vanguardistas, é que os artistas expressaram seus posicionamentos ideológicos por meio de suas criações, seja na pintura, música, escultura, literatura, entre outras formas de arte. Nesse sentido, vejamos os dados biográficos inerentes a alguns deles, a começar por: Di Cavalcanti Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, filho de Frederico Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Rosalia de Sena, nasceu em 1897, no Rio de Janeiro, e faleceu em 1976 naquela mesma cidade. Seu talento artístico começara em 1908, em São Cristóvão, bairro de classe média para o qual a família se mudara. Anos mais tarde, em 1914, iniciou sua carreira de caricaturista. Em 1916, matriculou-se na escola Livre de Direito, mudando-se para São Paulo e levando consigo uma carta de Olavo Bilac para o jornalista Nestor Rangel Pestana, crítico de arte do Estadão. Com isso, empregou-se como arquivista no jornal O Estado de São Paulo. Di Cavalcanti foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna, participando da criação dos catálogos e dos programas, além de ter exposto doze pinturas. Entre sua vasta obra, podemos citar: Viagem da Minha Vida – O Testamento da Alvorada (1955) e Reminiscências Líricas de um Perfeito Carioca (1964). Ilustrou numerosos livros, entre os quais: Carnaval, de Manuel Bandeira, 1919; Losango Cáqui, de Mario de Andrade, 1926; A Noite na Taverna e Macário, de Alvares de Azevedo, 1941; etc. Executou murais em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo e editou álbuns de gravuras, tais como Lapa, xilogravuras, 1956; Cinco Serigrafias, 1969 e Sete Flores, com texto de Carlos Drummond de Andrade, 1969. 53 Ismael Nery Ismael Nery nasceu em Belém do Pará em 1900 e faleceu em 1934 na cidade do Rio de Janeiro. Esse artista não defendia a ideia de nacionalidade como os artistas de sua época; ao contrário, estendia sua expressão artística em seu sentido mais amplo, entrelaçando todas as correntes de pensamento. Sua carreira como pintor não lhe rendeu o merecido reconhecimento por parte do público, uma vez que não chegou a vender mais que uma centena de quadros, expostos somente em dois eventos. Ao contrário de sua produção enquanto desenhista, que, segundo a opinião de especialistas, era melhor que sua pintura. Costuma-se dividir a obra desse nobre artista em três vertentes: a expressionista, indo de 1922 a 1923; a cubista, de 1924 a 1927, sob forte influência de Pablo Picasso; e a Surrealista, demarcada de 1927 a 1934, sua fase mais importante e promissora. Lasar Segal Lasar Segal nasceu em 21 de julho de 1891, na cidade de Vilna, capital da Lituânia. Faleceu em 2 de agosto de 1957 na cidade de São Paulo, deixando um vasto acervo que enfatiza não somente a beleza, mas sobretudo a miséria que presenciara durante toda sua jornada. Para Segal a pintura estática não lhe satisfazia, haja vista que nela era preciso fazer algumas distorções de modo a retratar a realidade – propósito esse que o levou a aproximar-se do Expressionismo. Depois de rápida estada na Holanda, partiu para o Brasil, onde organizou duas exposições: uma em São Paulo e outra em Campinas. Mais que um pintor, considerado também como um verdadeiro sociólogo, Lasar Segal tinha obsessão pelo ser humano e, por meio dos pincéis, retratou os problemas brasileiros, revelados por cenas familiares, dando ênfase ao interior pobre das casas, bem como aos rostos sofridos de seus habitantes. Cenas essas