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Prédio Caixão - Edifício Gregório Bezerra dezembro/2015 
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ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - Edição nº 10 Vol. 01/ 2015 dezembro/2015 
 
Prédio Caixão - Edifício Gregório Bezerra 
 
Adilson de Oliveira Castello Branco 
castellobranco.acb@gmail.com 
Gestão de Obras e Qualidade na Construção Civil 
Instituto de Pós Graduação e Graduação – IPOG 
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Geilma Lima Vieira 
Recife-PE, 09/06/2015 
 
Resumo 
 O sistema construtivo “Prédio Caixão” popularmente conhecido na Região 
Metropolitana do Recife – RMR, por não possuir pilotis e assemelhar-se a uma 
grande caixa apoiada no terreno apresentou diversas anomalias, devido a erros na 
construção, falta de manutenção e alteração do projeto inicial, levando ao 
desmoronamento de alguns edifícios com vítimas fatais e com desocupações de 
outros por não apresentar estabilidade estrutural. Estima-se que mais de 5.000 
prédios deste tipo tenham sido construídos na RMR. Com o tempo apresentaram 
problemas patológicos de origens diversas, culminando com o colapso de alguns 
prédios. Seguindo recomendações do Ministério Público, com início em agosto de 
2008, 4426 prédios foram investigados pelo convênio ITEP/CAIXA/Prefeituras 
apresentando como resultado 226 edifícios com alto risco de desmoronamento. Este 
trabalho tem como objetivo analisar alguns aspectos de avaliação das estruturas 
edificadas neste tipo de sistema construtivo e baseia-se nos relatórios desta 
investigação. A recuperação de um desses edifícios é o objetivo deste trabalho que 
acompanhou a investigação das causas, solução dos problemas, projetos de 
recuperação estrutural, execução da obra e entrega do prédio com estabilidade 
estrutural aos moradores. 
 
Palavras Chaves: Prédio Caixão. Anomalias. Recuperação. Edifício Gregório Bezerra 
 
1. Introdução 
A alvenaria surgiu há milhares de anos como sistema construtivo empírico 
concebido de forma primitiva através de empilhamento de fragmentos de rocha. 
Evoluiu depois para elevações de pedra cantaria, tijolos de argila prensados, tijolos 
de argila vazados e cozidos e blocos de concreto. 
A alvenaria estrutural também se desenvolveu empiricamente através do 
empilhamento dos seus elementos, tijolos ou pedras, rejuntados ou não, de forma a 
cumprir suas funções estruturais e não apenas de vedação. 
Devido a grande quantidade de obras populares na década de 1990 e início dos anos 
2000 na RMR, a construção civil iniciou um tipo de obra que consistia na utilização 
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de alvenaria não só de elemento de vedação, mas também como estrutura de 
sustentação do edifício, reduzindo os custos e o tempo de execução das obras. 
A utilização de tijolos não próprios para a função estrutural teve como 
consequência sucessivos acidentes na construção civil com vítimas fatais, exigindo 
a criação da ABNT NBR 15812:2010 que normatizou este tipo de construção. 
O objetivo deste trabalho é alertar ao uso de técnicas inovadoras sem a devida 
normatização das mesmas, as consequências de não seguir as especificações dos 
projetos na intenção de redução dos custos e agilidade da obra, os custos para 
recuperá-la e os danos físicos e morais causados. 
 
2. Conceito 
Blocos de edifícios com quatro pavimentos (térreo mais três andares), por ser este o 
número máximo de pavimentos sem o uso de elevadores, geralmente com quatro 
apartamentos por pavimento, assemelhando-se a uma grande caixa apoiada no 
terreno ficou localmente conhecido na Região Metropolitana de Recife – RMR 
como “Prédio Caixão”. 
A técnica de construção adotada é denominada alvenaria resistente, constituída por 
tijolos cerâmicos e, não blocos cerâmicos como normatizado, vazados assentados 
com os furos na horizontal. Os pavimentos são intercalados com laje pré moldada 
ou moldada in loco e em todos os casos, escada moldada no local em concreto 
armado ou pré moldada, com a caixa de escada aporticada ou apoiada sobre painéis 
de alvenaria resistente, servindo assim como apoio para o reservatório superior. 
A diferença entre alvenaria resistente e alvenaria estrutural é que este último 
processo é de dimensionamento e construção com uso de elementos de suporte 
específicos para atender não apenas cargas calculadas, mas também visando a 
durabilidade da edificação através de um elevado coeficiente de segurança, ou seja, 
são devidamente normatizadas; enquanto na alvenaria resistente, as estruturas são 
dimensionadas com base em cálculos, embora também científicos mais simples 
com o uso de elemento de suporte em tijolos cerâmicos comuns, ou seja, são 
dimensionadas e construídas empiricamente. Na época que iniciou este tipo de 
construção não havia normatização para o mesmo, diferente da alvenaria estrutural, 
cuja norma ABNT NBR 15812:2010 orienta a construção da mesma. Ambos os 
processos construtivos utilizam as paredes como estrutura com a função de resistir 
às cargas verticais e laterais atuantes, porém, como foi dito, na época das 
construções com alvenaria resistente não havia norma específica, por isso foram 
construídos empiricamente não atendendo as normas atuais, além do fato de não ser 
difundido esta nova técnica, muitos moradores retiraram paredes com função 
estrutural nas reformas dos seus apartamentos, contribuindo assim para a 
instabilidade de todo o edifício. 
 
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3. Histórico 
Em 1997 o Edif. Aquarela em Jaboatão dos Guararapes/PE afundou como corpo 
rígido, sendo demolido posteriormente; em 1999 em Olinda/PE o Edf. Éricka, 
prédio com quatro pavimentos desabou sem registro de fissuras, deixando 05 
(cinco) mortos e vários feridos; também em Olinda no mesmo ano o Conjunto 
Enseada de Serrambi (Bloco B) desabou deixando sete mortos e onze feridos; bem 
como em 2001 o Edf. Ijuí em Jaboatão dos Guararapes/PE desabou afundando 
como corpo rígido na parte posterior, todos desabaram sem apresentar fissuras que 
indicasse algum risco. 
Segundo Romilde Oliveira no artigo do Jornal do IAB em fev./2001 afirma que “a 
supressão de cintas e pilaretes, associada à utilização de lajes nervuradas e 
fundação não aterrada, ocasiona a ruína brusca, sem aviso prévio. Nos acidentes 
ocorridos, constatou-se que os colapsos se deram a partir das paredes de fundação, 
situadas entre as sapatas corridas de concreto armado e o nível do pavimento térreo, 
os denominados embasamentos”. 
O engenheiro civil e professor aposentado da UFPE Joaquim Correia explicou que 
a ocorrência de tantos problemas no Recife e na RMR se deve a uma parte da 
edificação chamada de embasamento. “Essa parte se refere à fundação do prédio até 
o piso do térreo. São cerca de 70 centímetros de alvenaria. Todos os problemas com 
prédios-caixão tiveram origem no embasamento”, esclareceu. Assim, uma possível 
solução para os desastres com esse tipo de construção é a manutenção constante e 
especializada das bases do prédio. 
Abaixo alguns acidentes em alvenaria resistente dos edifícios da RMR: 
1977 – Edifício Giselle em Jaboatão dos Guararapes desabou; 
1992 – Edifício Baronati em Olinda ruiu parcialmente durante a construção; 
1994 – Conjunto Residencial Bosque das Madeiras, no bairro do Engenho do Meio 
em Recife ruiu na fase de construção; 
1996 – Edifício Nossa Senhora da Conceição, no bairro de Piedade em Jaboatão 
dos Guararapes ruiu parcialmente; 
1997 – Edifício Aquarela, no bairro de Piedade em Jaboatão dos Guararapes 
afundou como corpo rígido, sendo demolido posteriormente; 
1999 – Edifício Éricka, no bairro Jardim Fragoso em Olinda desabou bruscamente 
sem registro de fissuras causando vítimas fatais; 
1999 – Conjunto Enseada de Serrambi a menos de 500 metros do Edifício Éricka 
desabou 45 dias após, os doisempreendimento deixou sete mortos e 11 feridos; 
2001 – Edifício Ijuí, no bairro de Candeias em Jaboatão dos Guararapes desabou 
afundando como corpo rígido na parte posterior; 
2007 – Edifício Sevilha, no bairro de piedade em Jaboatão dos Guararapes desabou 
sendo demolido posteriormente. 
2009 – Conjunto Muribeca parte do Bloco 155 ruiu; 
2010 – Residencial Boa Viagem um dos prédios com risco foi demolido. 
 
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 Foto 1 – Desabamento dos edifícios Éricka (esquerda) e Enseada de Serrambi (direita) 
 
Os acidentes relacionados acima tiveram repercussão nacional fizeram com que o 
Ministério Público Federal e Estadual entrasse com uma ação conjunta na Justiça 
Federal, em 2005, proibindo que as prefeituras da RMR concedessem licença para 
construção de prédios de alvenaria resistente até que se adequassem à legislação e 
às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 
Isto fez com que uma ação conjunta do Governo do Estado, Municípios e diversas 
entidades envolvidas fizessem um mapeamento de risco em todos os edifícios com 
esta concepção de construção, bem como propor alternativas para eliminação dos 
riscos. 
O primeiro a fazer um levantamento da situação de riscos dos prédios caixão na 
RMR – região Metropolitana do Recife foi o ITEP – Instituto de Tecnologia de 
Pernambuco, associação sem fins lucrativos equipada com laboratórios para ensaios 
de materiais da construção civil. 
O quadro da Figura 1 abaixo apresenta um resumo da situação de risco levantado 
pelo ITEP confirmando a grande quantidade de edifícios com riscos alto e muito 
alto, sendo então o primeiro documento oficial das condições dos prédios tipo 
caixão construído até o momento. 
 
CLASSE 
DE RISCO 
BLOCOS 
VISTORIADOS 
(AMOSTRAS) 
BLOCOS 
TOTAIS 
(UNIVERSO) 
MUITO 
ALTO 
89 133 
ALTO 761 1200 
MÉDIO 555 935 
BAIXO 08 08 
TOTAL 1413 2276 
 
 Figura 1 - Quadro do estudo ITEP – Situação de Risco-2008 
 
Pela Figura 1 é possível observar que dos 1413 blocos vistoriados, 850 
apresentaram risco alto a muito alto. Isso corresponde a 60% do total dos blocos 
vistoriados. Isto pode estar associado à ausência de manutenção, falhas de projetos 
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ou projetos incipientes, não adequação aos referenciais normativos e possíveis 
intervenções inadequadas por parte dos moradores. 
A Caixa Econômica Federal, em agosto 2008, instituiu um grupo de trabalho com o 
objetivo de aferir e sugerir melhorias à metodologia adotada pelo ITEP – Instituto 
de Tecnologia de Pernambuco. O Grupo de Trabalho concluiu que, embora o 
trabalho do ITEP pudesse ser melhorado e aperfeiçoado do ponto de vista 
conceitual, pois algumas informações obtidas no campo foram incorretas, seja pela 
metodologia adotada para retirada das amostras, seja pelo conceito de cargas 
adotadas, pode-se afirmar de uma maneira geral que atingiu de forma satisfatória o 
objetivo ao qual se propôs que era a hierarquização de todos os imóveis analisados, 
segundo o grau de risco ao qual estariam submetidos. 
Abaixo o quadro da Figura 2 apresenta resumo da situação de riscos levantados 
pela Caixa da RMR detalhado por regiões. 
 
RISCOS MUITO 
ALTO 
ALTO MÉDIO BAIXO 
RECIFE 133 1200 935 08 
PAULISTA 19 396 199 00 
JABOATÃO 22 523 459 00 
CAMARAGIBE 00 01 29 00 
OLINDA 52 250 200 00 
 Figura 2 - Quadro Resumo estudo Caixa – Situação de Risco-2008 
 
Pela Figura 2 é possível verificar que do total dos municípios avaliados a cidade de 
Recife apresentou a maior incidência de prédios com alto risco de acidente 
estrutural. Isso revela que grande parte das edificações construídas nesse sistema 
estrutural não estava adequada aos padrões normativos e possíveis alterações de uso 
podem agravar a situação. 
A seguir será descrito a recuperação do bloco 10 do Edif. Gregório Bezerra, 
construído pela EMPERCON – Empresa Pernambucana de Construção, que logo 
após seu Habite-se de 18/10/2004 já surgiram as primeiras reclamações dos 
moradores de falhas construtivas, sendo constatados vícios construtivos com 
evidências de riscos de desmoronamento após vistoria técnica, o mesmo foi 
desocupado imediatamente evitando assim acidentes com os moradores. Os ensaios 
laboratoriais identificaram as patologias que, em seguida foi desenvolvido o projeto 
de recuperação do edifício. Após a execução dos reparos e reforços necessários foi 
entregue aos moradores dos respectivos imóveis sem qualquer risco. 
 
4. Análise de Segurança Estrutural 
O Conjunto Residencial Gregório Bezerra é composto de 10 (dez) blocos de 
edifícios compostos de 04 (quatro) pavimentos, térreo mais três pavimentos, com 
04 (quatro) apartamentos em cada pavimento, perfazendo total de 16 (dezesseis) 
unidades habitacionais em cada bloco de edifício. Localizado na Rua Sebastião de 
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Alencastro Salazar, n.100, bairro da Várzea em Recife/PE. Cada apartamento tipo 
possui dois quartos sociais, um banheiro social, sala e cozinha com área de serviço. 
 
 
 Foto 2 – Conjunto Residencial Gregório Bezerra Bloco 9 a direita e bloco 10 ao fundo 
 
A Foto 2 acima mostra parte do Conjunto Residencial Gregório Bezerra, na direita 
o Bloco 9 e ao fundo o Bloco 10 próximo à quadra esportiva, após sua recuperação. 
Construído em 2004 pela EMPERCON – Empresa Pernambucana de Construção ao 
custo de R$ 3.549.769,41 utilizando alvenaria resistente, ou seja, alvenaria com 
função estrutural. Todos os Blocos de edifícios foram utilizados na alvenaria blocos 
de concreto com função estrutural, exceto o Bloco 10 que fora construído com 
blocos de concreto nos 1º e 2º pavimentos e com tijolos cerâmicos nos 3º e 4º 
pavimentos. Não foram utilizados blocos cerâmicos normatizados para alvenaria 
estrutural e sim tijolos cerâmicos de vedação. Evidente que estes tijolos apresentam 
resistência menor que os blocos cerâmicos, não podendo ser usados com função 
estrutural, por consequente não resistiram aos esforços apresentando trincas de 
grandes proporções nos últimos pavimentos. 
Logo após a sua ocupação, em 2006, os moradores reclamavam de falhas 
construtivas, como trincas, fissuras, janelas e portas com dificuldades para 
movimentar, etc. Após vistoria técnica e a realização de alguns ensaios laboratoriais 
foram constatados as falhas de construção, sendo recomendada a desocupação 
imediata por apresentar risco de desmoronamento. 
Abaixo está descrito algumas etapas dos ensaios realizados: 
 
a) Retirada dos testemunhos (paredinhas ou prismas contrafinados) através de 
equipamento apropriados (serra circular com disco duplo diamantado), nas 
dimensões de 50 x 50 cm, de forma que as amostras sejam extraídas sem 
danos e com bordas perfeitamente planas; 
b) Transporte apropriado das amostras para laboratórios específicos para 
execução dos ensaios de resistência a compressão; 
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c) Verificação da influência de vazamentos de esgoto, infiltrações por 
capilaridade, infiltrações nas fachadas, vazamentos nos telhados, calhas, 
reservatórios d’água, etc.; 
d) Investigação das fundações, sua integridade e compatibilidade com a 
edificação executada; 
e) Conferência dos cálculos estruturais, verificação da disposição e bitola das 
armações no concreto por meios de ensaios não destrutivos. 
 
Por não possuir norma específica para análise de segurança estrutural em 
edificações de alvenaria resistente na época da construção (2004) foram adotadasas 
recomendações da ABNT NBR 15812:2010 Alvenaria Estrutural – blocos 
cerâmicos, por ser a mais próxima da tipologia de construção, e a ABNT NBR 
8681:2003 – Ações e segurança de estrutura – procedimentos. 
Quanto às fissuras/trincas nas alvenarias foi adotada a seguinte classificação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3 - Classificação das fissuras/trincas 
 
As sobrecargas nas lajes de piso e cobertura foram consideradas de acordo com a 
ABNT NBR 6120:80 e a carga da caixa d’água superior foi acrescida ao peso 
próprio e distribuída na área da laje da coberta correspondente à área de fundo da 
caixa d’água. 
Assim, as tensões máximas solicitantes obtidas na análise numérica com os 
coeficientes de segurança de norma, quando comparadas com as resistências 
características das amostras ensaiadas possibilitam determinar as paredes que 
necessitam de reforço para aumentar a capacidade resistente e as paredes que 
necessitam combater o colapso progressivo. 
As vistorias técnicas e os ensaios realizados nas alvenarias do Bloco 10 constatou 
um elevado grau de risco de desmoronamento, pois apresentava significativo grau 
de deterioração nas alvenarias do 3° e 4° pavimentos. 
Os danos devem-se a ocorrência de EPU (Expansão por umidade) com perda da 
característica cerâmica dos blocos de alvenaria, ocasionados por exposição à 
umidade em elementos mal cozidos, constituindo-se vício de construção. 
Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre, “vícios construtivos ou vícios de 
construção em uma obra de engenharia são defeitos oriundos da concepção ou 
elaboração dos projetos e seus elementos técnicos, de má execução da construção, 
ou ainda, da má qualidade da escolha dos materiais tornando-a, no todo, ou em 
parte, imprópria par o fim a que se destina ou reduzindo o seu valor patrimonial”. 
ANOMALIAS ABERTURAS (mm) 
Fissuras Até 0,5 
Trincas De 0,5 a 1,5 
Rachaduras De 1,5 a 5,0 
Fenda De 5,0 a 10,0 
Brecha Acima de 10 
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Especificamente o Bloco 10 do conjunto residencial apresentava desintegração dos 
blocos cerâmicos nos 3º e 4º pavimentos com marcas de escorrimento 
avermelhadas pela face detrás da tinta da fachada, ou seja, os tijolos cerâmicos 
estavam entrando em estado liquefeitos quando em contato com a água da chuva. 
Esse tipo de manifestação patológica é caracterizado pelo aumento das dimensões 
do corpo cerâmico devido à absorção de água. A modificação ocorre lentamente e é 
relativamente pequena, mas leva ao aparecimento de fissuras nos elementos de 
alvenaria, a desintegração gradativa dos blocos cerâmicos e à consequente 
diminuição da resistência e demais características, não atendendo às capacidades de 
cargas da elaboração do projeto, comprometendo a estabilidade do imóvel ao longo 
do tempo. 
Visualmente e comprovados através dos ensaios verificou-se que os tijolos 
utilizados na execução das alvenarias não atendiam as funções a que foram 
construídas, ou seja, de suporte não só do seu peso próprio, mas também de suporte 
de toda estrutura, havia então o risco de desabamento por perda do apoio da laje de 
cobertura e colapso progressivo sobre as demais lajes. Em 29 de julho de 2010 os 
moradores foram retirados do edifício para início dos serviços de reparo e 
eliminação do risco de desabamento. 
 
 
Foto 3 – Vista EPU externo Foto 4 – Vista EPU interno 
 
As fotos 3 e 4 acima mostram a situação encontrada nas fachadas do Bloco 10, 
indícios de EPU (Expansão Por Umidade) em que os tijolos se “desintegram” 
devido à umidade, os tijolos utilizados apresentavam baixa resistência por falhas na 
fabricação. 
Os vícios de construção se manifestaram no presente caso na má 
impermeabilização das paredes externas ao nível do piso térreo; na ausência ou 
inclinação invertida das calçadas de contorno do bloco de edifício; na deterioração 
dos tijolos cerâmicos das alvenarias do 3° e 4º pavimentos e das caixas de suporte 
de aparelhos de ar condicionado; na insuficiência de aderência do reboco ao 
substrato; e na excessiva distância entre telhas e rufos. 
A empresa Rincent BTP Brasil Serviços de Engenharia Ltda. foi contratada para 
determinação da expansão por umidade (EPU) no Bloco 10 do Edif. Gregório 
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Bezerra, como metodologia foi realizada ensaios de dilatometria. Esses ensaios 
foram realizados em dilatômetro da marca BP Engenharia modelo RB3020, com 
velocidade de aquecimento de 12,5ºC/min até a temperatura de 550°C, a qual foi 
mantida por duas horas, seguido de resfriamento natural até atingir a temperatura 
ambiente. O resultado da expansão é a média de três determinações, com 
aproximação de três casas decimais e expressa em percentagem (%). 
EPU total ou potencial é a EPU sofrida pela peça cerâmica desde a data da sua 
fabricação até um período de aproximadamente 30 anos de vida útil em condições 
extremamente severas, tendo-se a seguinte relação: EPU total = EPU atual + EPU 
futura, ou seja, EPU futura = EPU total – EPU atual. 
Para a determinação da EPU total ou parcial no ensaio da Dilatometria, a 
preparação das amostras segue a seguinte sequência: 
 
a) Corte de corpos de prova nas dimensões de 0,7cm x 0,7cm x 0,5cm; 
b) Ensaio de autoclavagem; 
c) Secagem em atmosfera com umidade relativa de aproximadamente 60% e 
temperatura de 22°C por cinco dias. 
 
Os ensaios de autoclavagem foram realizados no Laboratório de Resíduos da 
Unidade Acadêmica de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de 
Campina Grande - PB (UFCG) utilizando uma pressão de 0,70Mpa por um período 
de 2 horas o que corresponde a uma temperatura de 180ºC. 
As especificações relativas à EPU de blocos cerâmicos estão indicadas pela norma 
americana ASS 1226.5, 1984 – Methods of sampling and testing Clay buinding 
bricks – Methods for characteristic expansion, cujo valor máximo especificado de 
EPU é 0,3mm/m ou 0,03%, pois a Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT) não especifica EPU. 
Os resultados dos ensaios de dilatometria apresentaram média de 0,322% para EPU 
atual e 0,284% para EPU total ou potencial, resultado este que excede em muito o 
valor máximo de 0,03% especificado na norma americana. Observa-se que a EPU 
atual é mais elevada do que a EPU total ou potencial, este resultado é anômalo e 
resultante da péssima qualidade dos tijolos cerâmicos onde a presença de água na 
forma de vapor provoca a desagregação. Nos ensaios também se observou 
tendências à desagregação do tijolo cerâmico em presença de água em temperatura 
ambiente, dificultando bastante o corte dos corpos de prova para realização dos 
ensaios. 
De acordo com os resultados dos ensaios obtidos pode-se concluir: 
 
a) O valor obtido para a EPU atual das amostras é bem mais elevado do que os 
padrões normativos; 
b) A amostra apresenta tendência à desagregação em presença de água em 
temperatura ambiente bem como após a autoclavagem, o que evidencia a 
péssima qualidade da amostra analisada. 
 
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Isto comprovou a necessidade de elaboração de um projeto de recuperação estrutural o 
mais breve possível devido à eminência de desmoronamento do conjunto. 
5. Soluções para Recuperação da Estabilidade Estrutural 
Após a conclusão dos ensaios e estudos técnicos elaborou-se uma relação de 
atividades para recuperação do empreendimento especificado a seguir: 
 
a) Substituição dos tijolos cerâmicos deteriorados; 
b) Execução de argamassa armada em todas as paredes externas e algumas 
internas dos 3º e 4º pavimentos; 
c) Recomposição dos rebocos mal aderidos; 
d) Revisão e correção das vergas e contra vergas;e) Correção das imperfeições dos telhados (telhas, rufos, apoios, vedação, 
etc.); 
f) Substituição das caixas pré moldadas de suporte de aparelhos de ar 
condicionado; 
g) Correção da inclinação das calçadas de contorno do bloco de edifícios. 
 
Devido à necessidade de reforço em todas as paredes externas do 3º e 4º 
pavimentos para atender as funções a que foram construídas, ou seja, de suporte 
não só do seu peso próprio, mas também da estrutura, foi elaborado um projeto para 
reforço estrutural que consistia em retirada de todo revestimento interno e externo, 
através de remoção mecânica, com método não percussivo, da argamassa de 
revestimento das paredes do 3° e 4° pavimento, deixando a alvenaria “no osso”, ou 
seja, exposta completamente sem revestimento e, a retirada da argamassa de 
revestimento de qualquer trecho do 1° e 2° pavimentos que apresentassem 
deslocamento, som cavo à percussão ou alto grau de fissuração. 
Também foi retirada a argamassa de toda extensão da fachada do 1° pavimento 
(térreo) com altura de 50 cm da laje radier (calçada) para aplicação com trincha ou 
desempenadeira da argamassa polimérica semiflexível à base de cimentos especiais, 
aditivos minerais e resinas, com função de garantir a impermeabilização das 
alvenarias estruturais quanto aos respingos das chuvas nas calçadas. 
A remoção do revestimento nos 3º e 4º pavimentos foi executada com cuidado para 
não danificar a alvenaria e no máximo em duas paredes não contíguas, as quais 
receberam, imediatamente, o revestimento estrutural, em seguida era removido o 
revestimento das paredes alternadas que não haviam sido feitas no primeiro 
momento e aplicado o revestimento estrutural nas mesmas e assim sucessivamente. 
 
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Foto 5 – Fixação da tela eletro soldada fio 3,4mm Foto 6 – Vista geral do Bloco 10 
 
Foram iniciados os serviços das alvenarias nas paredes do 3º pavimento de forma 
alternada para não comprometer a estabilidade estrutural como descrito 
anteriormente, após a remoção da argamassa de revestimento, tanto interno como 
externo, foi aplicado chapisco no traço 1:3 (cimento e areia grossa) na espessura de 
0,5 cm aditivada com resina sintética industrializada, na proporção recomendada 
pelo fabricante, para melhor aderência na alvenaria. 
Em seguida foi colocada tela metálica eletro soldada (Foto 5), com fio 3,4 mm de 
diâmetro e trama de 15 x 15 cm de cada lado da parede, utilizando espaçadores 
plásticos para sua centralização e fixadas com conectores intercalados a cada 45 
cm, tanto na horizontal, quanto na vertical, utilizando conectores “S” (tipo 
açougueiro) na ligação das telas posicionadas em cada face das paredes a ser 
reparadas, cujos furos nas alvenarias foram preenchidos com argamassa de cimento, 
cal e areia no traço 1:1:4. Antes da aplicação do novo revestimento estrutural as 
paredes foram lavadas com jatos de água e removidas as impurezas com escova de 
aço. Os tijolos deteriorados foram substituídos por concreto no traço 1:4:8, em 
seguida foi executado o chapisco no traço 1:3 (cimento e areia grossa) na espessura 
de 0,5cm aditivada com resina sintética industrializada. 
As telas foram recobertas com argamassa de cimento, cal e areia no traço 1:1: 4 na 
espessura mínima de 3 cm (Foto 7). 
 
 
Foto 7 – Parede após recuperação Foto 8 – Bloco 10 durante recuperação 
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Nas interfaces de todas as lajes/cintas com as alvenarias das fachadas foi previsto 
uma junta horizontal de movimentação perfeitamente nivelada, cuja largura de 2 cm 
e espessura de 1 cm. A extremidade inferior da junta com inclinação para fora a fim 
de não permitir acúmulo de água ou sujeira. A profundidade não pode ser maior que 
a metade da espessura do revestimento da fachada. A junta deve ser íntegra, sem 
trincas ou fraturas, coesa, com resistência mecânica adequada, isenta de 
contaminações e impregnações de qualquer natureza, como óleos, graxas, 
desmoldantes, partículas pulverulentas e desagregadas ou micro organismos 
biológicos, como mofo, fungos, etc. 
Após a conclusão da aplicação da argamassa estrutural do terceiro e quarto 
pavimento foi iniciada a recuperação das paredes do primeiro e segundo 
pavimentos. 
Nas regiões onde havia fissuras comprometedoras dos tijolos foram fixadas telas 
eletro soldadas, galvanizadas e semirrígidas, com malha de 25 x 25 mm e diâmetro 
do fio de 1,24 mm, as telas foram aplicadas sobre o Chapisco, buscando-se uma 
colocação uniforme e respeitando-se um transpasse de 0,25 m para cada lado das 
fissuras fixadas através de pinos. 
Também foram colocadas vergas e contra vergas (Figura 4) nos vão em que havia 
ausência das mesmas, excedendo 1/3 do vão ou 30 cm em cada lado, sendo de 
concreto armado de seção 9 x 10 cm com armação positiva e negativa de quatro 
barras de aço CA 50A de 5.0 mm e estribo de 5.0 mm espaçados a cada 10 cm. 
As emendas de barras por transpasse foram alternadas de forma a não haver 100% 
de emendas em uma mesma seção de concreto e respeitando-se o mínimo de 40 
vezes o diâmetro da barra de aço. 
 
 Figura 4 – Detalhes da armação das contra vergas das janelas, (*) 1/3 do vão L. 
 
Foram também recuperadas algumas paredes internas danificadas e refeitas as que 
haviam sido retiradas nas reformas dos apartamentos pelos moradores. Os pisos 
danificados foram substituídos, bem como algumas louças e todos os metais e 
conexões hidráulicas. As instalações elétricas foram revisadas com substituição de 
parte da fiação e retiradas das tubulações instaladas pelos moradores nas suas 
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reformas, onde paredes haviam sido rasgadas para colocação das mesmas. Estas 
reformas internas executadas pelos moradores contribuíram também para a 
instabilidade estrutural, os mesmos alegavam desconhecimento da existência da 
alvenaria estrutural em seus apartamentos, após a recuperação estrutural os 
moradores assinaram um termo se comprometendo a não realizar reformas em seus 
apartamentos com aberturas de vãos ou rasgos nas paredes. 
 
Foto 9 – Vista externa após recuperação Foto 10 – Detalhe da junta após recuperação 
 
Nas fotos 9 e 10 acima mostram a espessura maior da fachada do terceiro e quarto 
pavimentos após a recuperação devido ao fato da colocação da tela metálica tanto 
interna como externamente, desta forma as paredes que antes eram compostas de 
tijolos de baixa qualidade passaram a ser de concreto estrutural. Observam-se as 
juntas de dilatação entre os pavimentos, antes inexistentes. 
Após a recuperação estrutural, tanto a fachada como as paredes internas, receberam 
três demãos cruzadas de tinta acrílica impermeabilizando assim as paredes, 
ajudando na preservação das mesmas. 
O custo da recuperação do Bloco 10, cujos quantitativos foram levantados através 
do projeto de recuperação estrutural, dos projetos arquitetônicos e algumas vezes 
conferidos no local, a composição dos custos adotados pela tabela de preço SINAPI 
novembro 2011 ou por pesquisa do mercado local ficou em R$ 204.184,55 
(duzentos e quatro mil, cento e oitenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos), 
como mostra o quadro resumo da Figura 5 abaixo: 
 
DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS PREÇO (R$) 
Recuperação Estrutural 64.715,82 
Recuperação da Platibanda 1.130,20 
Caixas de Ar Condicionado 2.960,80 
Execução de calçadas 1.067,87 
Impermeabilização 5.331,73 
Substituição do madeiramento danificado do telhado 1.613,57 
Recuperação do telhado (telhas, vedações, apoios, etc.) 2.120,08 
Execução dos rufos 3.089,47 
Pintura dasfachadas e halls das escadas 14.800,27 
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Caixas de passagens e inspeção de esgoto 300,00 
Recuperação de algumas unidades habitacionais 59.935,23 
SUBTOTAL 157.065,04 
BDI (30%) 47.119,51 
TOTAL 204.184,55 
 Figura 5 – Quadro Resumo dos custos da recuperação do Bloco 10 
 
Havia a possibilidade de agravamento das manifestações patológicas ao longo do 
tempo pela não realização dos reparos necessários, aumentando a expansão por 
umidade - EPU e deterioração dos blocos constituintes das alvenarias, 
comprometendo a estrutura e estabilidade do imóvel. Por esse motivo foi priorizado 
o processo de Licitação para início dos serviços de recuperação. A falta de 
manutenção também contribuiu no agravamento das manifestações patológicas, 
hoje sendo atendida pela NBR 5674:2012 – Manutenção de edificações. 
 
 
Foto 11 – Vista durante a pintura Foto 12 – Vista após a pintura 
 
Nas fotos 11 e 12 mostram os resultados após recuperação estrutural atendendo as 
normas ABNT NBR 15812:2010 Alvenaria Estrutural – blocos cerâmicos e a 
ABNT NBR 8681:2003 – Ações e segurança de estrutura – procedimentos. 
O valor orçado em R$ 204.184,55, com base nos preços SINAPI e nos projetos de 
recuperação para todo o Bloco 10 do Residencial Gregório Bezerra se dividido pelo 
número de apartamentos do bloco, no caso 16 (dezesseis) unidades, corresponderia 
a R$ 12.761,53 (por unidade habitacional), o que é considerado um valor 
relativamente baixo tendo como retorno a estabilidade estrutural do edifício e a 
segurança de todos os moradores. 
 
6. Conclusão 
Pode-se observar que diversos fatores contribuíram para a instabilidade estrutural 
do Edifício Gregório Bezerra, não havendo uma só causa específica, mas a soma de 
diversos fatores. 
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A construção inovadora, até então não utilizada nas obras civis no Brasil, da 
alvenaria com a função não só de vedação, mas também estrutural na sustentação 
do edifício. Por não haver norma brasileira, na época da construção, de alvenaria 
com função estrutural, apesar da existência de normas internacionais, as 
construtoras na intenção de redução de custos e agilidade da obra executaram 
empiricamente esta nova modalidade de construção, pondo em risco a estabilidade 
estrutural do empreendimento. 
Os tijolos utilizados na construção não eram apropriados para a função estrutural, 
além de não possuir resistência mínima para sustentação da estrutura, eram de 
material de péssima qualidade, onde os tijolos cerâmicos “dissolviam” em contato 
com a água, ocorrendo a Expansão por Umidade - EPU bem acima permitida pela 
norma americana, desta forma a alvenaria perde totalmente a sua função, não só de 
vedação, como também estrutural se tivesse. 
Agrava-se ao fato da falta de manutenção por parte da administração do 
condomínio que por mais de cinco anos nunca haver repintado a fachada do 
edifício, acelerando assim a deterioração da proteção da alvenaria da fachada. 
A falta de impermeabilização em todo o perímetro da fachada do térreo acima da 
calçada, também contribuiu para infiltrações e agravamento das manifestações 
patológicas. 
Os rufos mal colocados no telhado contribuíram para infiltrações na coberta e nos 
apartamentos do último pavimento. 
E talvez por falta de conhecimento ou orientação, alguns moradores efetuaram 
reformas em seus apartamentos através de rasgos nas paredes para colocação de 
eletrodutos ou retiradas de alvenaria com abertura de vãos, modificando as 
características construtivas iniciais ocasionando a perca da estabilidade estrutural. 
Vale ressaltar que a utilização de modalidade de construção inovadora só deve ser 
efetuada após normatização da mesma, ou seja, após todos os ensaios e testes 
necessários para constatação da sua estabilidade e utilização segura, evitando ações 
empíricas, com intenção de antecipar o cronograma da obra, bem como a redução 
dos custos, em que se põe em risco a segurança de todos desde os operários da 
construção da obra até os seus moradores na sua ocupação. 
A boa qualidade dos materiais utilizados na construção e a correta aplicação dos 
mesmos é fator fundamental para um bom resultado que se pretende obter através 
dos projetos e especificações. 
Não menos importante é a manutenção da qualidade alcançada na construção do 
empreendimento, além da sua valorização, proporciona vida útil mais longa, como 
também segurança a todos que utilizam a edificação. 
A conscientização de reformas indevidas, sem o acompanhamento de um 
responsável técnico, pode ocasionar a perca da estabilidade do empreendimento e 
consequentemente por em risco a segurança de todos. 
Aliado a estes fatores, o acompanhamento dos órgãos públicos responsáveis 
durante e após a construção do empreendimento, obrigando o atendimento das leis 
e normas vigentes proporciona assim o objetivo que se almeja: a segurança e o bem 
estar de todos. 
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