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Impactos das Chuvas: A Força das Águas e Seus Efeitos no Rio Grande do Sul As enchentes que aconteceram no Rio Grande do Sul, na metade do ano de 2024, foi classificada pelo governo gaúcho como sendo “a maior catástrofe climática” da história do estado. Em várias cidades, segundo IPH – Instituto de Pesquisa Hidráulica, chegou a chover em 7 dias o correspondente a 30% de todo o ano, e dados da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mostram que as chuvas levaram mais de 14 trilhões de litros de água para o lago Guaíba, elevando seu nível em 5,7 metros de altura, afetando mais de 60% do território estadual. A Defesa Civil informou que mais de 95% das cidades gaúchas foram inundadas, 478 municípios foram atingidos com enchentes, quedas de barreiras e deslizamento de terra, e cerca de 2,4 milhões de pessoas foram afetadas. Uma combinação de diversos fatores climáticos, como bloqueio atmosférico, El Niño e concentração elevada de umidade, explica os temporais que atingiram o Sul do Brasil, avalia o meteorologista Bruno Bainy, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp. Ele explica no Sul do país, o El Nino deixa o clima mais chuvoso, e aponta quatro importantes elementos para essas chuvas intensas no RS; “o escoamento atmosférico de um quilômetro e meio de altitude que vem paralelo aos Andes e que transporta umidade desde da região amazônica até o norte da Argentina e Rio Grande do Sul; a influência de áreas de baixa pressão que se desenvolveram no Sul, sejam cavados meteorológicos , sejam ciclones, que ajudam a concentrar ainda mais essa umidade e esse calor que vem do escoamento da Amazônia; a influência de ventos e jatos muito fortes, para lá de 10 km de altitude, e que favorecem a formação de nuvens pesadas e a interação disso tudo com as frentes frias que chegam ao Sul do Brasil nesta época do ano”, cita Bainy. Mas seria essa, uma tragédia anunciada? Em 2014, teve início o projeto “Brasil 2040: cenários e alternativas de adaptação à mudança do clima”, que visava apresentar um panorama do Brasil diante das possíveis mudanças climáticas. Os resultados eram alarmantes, com relatórios completos que previam o aumento de temperatura, a falta de água em algumas regiões e enchentes no Sul do Brasil. Na época, o projeto foi considerado “alarmista”. Em 2022, o ecologista e professor da UFRGS Marcelo Dutra Silva alertou para a probabilidade de uma tragédia no Rio Grande do Sul. A fala aconteceu durante audiência pública na Câmara dos Vereadores de Pelotas (RS). No discurso, ele chamava atenção sobre a mudança no padrão de chuvas no estado e questionava quais providências seriam adotadas para prevenir desastres. Ele realizou um levantamento de indicadores de temperatura e precipitação ao longo de 50 anos (1971 a 2021), e constatou a elevação nesses padrões, que levaram a verões mais quentes e invernos menos intensos. A administração do Estado, sob o comando de governador Eduardo Leite, que apesar dos alertas dos estudos, argumentou que “o governo também vivia outras agendas”. Em 2024, Leite previu um investimento de R$ 117 milhões para projetos relacionados a desastres naturais, mas o valor de fato foi de R$ 10 milhões, penas 9% do previsto. Ou seja, apesar de haver recursos financeiros, não houve investimento para evitar a catástrofe. O período de chuva e a cheia dos rios são eventos naturais do clima que não podem ser impedidos, no entanto, podem ser previstos. Dessa forma cabe ao Estado analisar e identificar os possíveis danos que serão causados, bem como tomar as medidas necessárias para evitar que ocorram. O Estado é obrigado a garantir os Direitos Sociais da população, bem como o acesso ao Saneamento Básico, o artigo 3º, inciso I, alínea d da Lei nº 11.445 /2007, em seu , define o dever estatal e também deixa claro o que é o Saneamento Básico: “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, considera-se: I - saneamento básico: conjunto de serviços, infra-estruturas e instalações operacionais de: (...) d) drenagem e manejo das águas pluviais, limpeza e fiscalização preventiva das respectivas redes urbanas: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas;” De fato, foram diversos os fatores que convergiram para causar as enchentes do Rio Grande do Sul, topografia e relevo, fatores ambientais e fatores administrativos. É necessário atitudes de políticas públicas para prevenir as enchentes, como as que incluem mapeamento das áreas de risco, desenvolvimento de infraestrutura de drenagem, sistema de alerta e monitoramento, planejamento e gestão do uso do solo, educação e conscientização da população, desocupação das áreas de risco, reflorestamento e gestão de poluição e coleta de lixo. Embora as catástrofes naturais acontecem, a verdade é que tragédias como as enchentes do Rio Grande do Sul poderiam ser evitadas a partir de decisões administrativas responsáveis. Referências: Disponível em: acessado em 20.set,2024 Disponível em: http://www.iea.usp.br/noticias/a-era-da-emergencia-climatica#:~:text=A%20trag%C3%A9dia%20do%20Rio%20Grande%20do%20Sul%20j%C3%A1%20estava%20prevista%2C%20afirmam%20especialistas,-por%20L%C3%ADvia%20Uchoa&text=A%20partir%20da%20trag%C3%A9dia%20do,o%20despreparo%20do%20governo%20brasileiro.&text=N%C3%A3o%20faltaram%20alertas%20para%20o,no%20Rio%20Grande%20do%20Sul.acessado em 20.set,2024 Disponível em: acessado em 06.out,2024 Disponível em: acessado em 06.out,2024 Disponível em: acessado em 06.out,2024 Disponível em: acessado em 06.out,2024 Disponível em: acessado em 06.out,2024 Aluna : Hilana Lima dos Santos Matrícula: 21114020033