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Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. UNIDADE III CONTROLADORIA X CONTROLE INTERNO X AUDITORIA Prof.ª Me. Tayrine Rodrigues Munhoz Prof.ª Me. Thais Caetano Roth OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Caro(a) acadêmico(a), esta unidade tem como objetivo estudar o controle interno nas organizações, entender a relação entre auditoria interna e controladoria, compreender o papel da controladoria no processo de gestão das empresas e, por fim, verificar qual o limite de atuação da controladoria na adoção de medidas corretivas segundo alguns estudiosos. Plano de estudo Serão abordados os seguintes tópicos: 1. Controle Interno 2. Auditoria Interna 3. Papel da controladoria no processo de gestão 4. A controladoria no processo de adoção de medidas corretivas Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONVERSA INICIAL Com a ocorrência de diversas fraudes dentro das organizações que poderiam, até mesmo, comprometer seu patrimônio, o controle interno passou a ser algo indispensável e sua existência remete-se a maior confiança aos usuários externos e internos (MAIA et al., 2005). Na unidade anterior vimos que algumas funções do profissional responsável pela área de controladoria de uma organização estão relacionadas com controle interno. De acordo Mosimann e Fisch (2009, p. 93), alguns dos itens que o controller precisa desempenhar são os seguintes: reforço do controle interno por meio da autoridade interna e proteção dos ativos da empresa. No mesmo sentido de confiabilidade de dados, tem-se a auditoria interna. Este departamento da empresa auxilia a controladoria e do ponto de vista contábil pode ser considerada uma atividade da própria controladoria (BORINELLI, 2006). Entretanto, deve-se observar a segregação de funções. Com a geração de informações, a controladoria desenvolve um papel importante dentro da gestão das organizações, levando relatórios que são imprescindíveis no momento da tomada de decisão e auxiliando os gestores no desenvolvimento de medidas corretivas, com intuito de fornecer maior credibilidade dos dados apresentados. Como foi explicado brevemente na introdução, trataremos desses assuntos no decorrer dessa unidade! Esperamos que consiga aprofundar cada vez mais nessa área importante para as organizações. Bons estudos! Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 1 CONTROLE INTERNO Em conjunto com o desenvolvimento e sucesso de qualquer empreendimento está o controle permanente do negócio (OLIVEIRA; PEREZ JUNIOR; SILVA, 2008). Administrar alicerça-se em contínua vigilância e constante correção de rota, a fim de evitar prejuízos consumados em função da negligência no controle das operações da empresa. O controle deve ser uma preocupação contínua dos responsáveis pelas metas organizacionais, visto que a gerência sabe que nenhum planejamento ou coordenação, por melhores que sejam, podem assegurar que os objetivos pretendidos serão atingidos. O ambiente dos negócios é complexo e escorregadio, cheio de imprevistos que nunca se deixam antever por inteiro nas fases de planejamento ou de coordenação. Desta forma, a realização de um controle sistemático contribui para o alcance da excelência no desempenhar das rotinas organizacionais. Segundo Imoniana e Nohara (2005), o controle é um elemento chave das funções administrativas de uma entidade, uma vez que possibilita a constante ponderação acerca do alcance dos objetivos estratégicos e operacionais. Considerando o ambiente incerto em que as organizações se encontram, o controle torna-se um grande aliado do processo decisório, ligando o planejamento à execução e fornecendo feedback para realinhamento das metas. Para Borinelli (2006), o controle interno é responsável por estabelecer mecanismos que monitorem as atividades a fim de proteger e salvaguardar os interesses da entidade. De acordo com Floriano e Lozeckyi (2008), o controle interno está intimamente relacionado às demais funções do processo decisório, interagindo diretamente com o planejamento, organização e direção das atividades de maneira que se possa mensurar mais precisamente o desempenhar de cada atividade, comparando-as com as metas estabelecidas. O controle tem uma importante função, pois, uma vez implantado, permite identificar barreiras que estejam impedindo os objetivos estratégicos de serem Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. alcançados. Os controles podem ser classificados como dependentes ou independentes, além disso, ambos podem ser mecânicos ou computadorizados (IMONIANA; NOHARA, 2005). Quadro 1 - Controles Dependentes e Controles Independentes CONTROLES DEPENDENTES CONTROLES INDEPENDENTES Utilizados dentro do processo produtivo, impactando as transações financeiras. Utilizados em rotinas administrativas, não impactam as transações financeiras. Devem ser realizados antes da execução das tarefas. Devem ser utilizados durante a execução das tarefas. Ignorá-los poderia travar o fluxo do trabalho. Ignorá-los poderia causar o fracasso do trabalho. Sua utilização resulta em prevenção e identificação de falhas no processo, a fim de corrigi-los. Sua utilização resulta em identificação de falhas no processo, a fim de aprimorá-los. Fonte: elaborado pelo autor, 2016 Quando os controles dependentes ou independentes são manuais, são implantados utilizando procedimentos ou normas documentadas de alguma forma, como regimentos, manuais, entre outros. Já quando são sistêmicos, utilizam-se do próprio sistema da organização para implementar e controlar, além daqueles utilizados manualmente (IMONIANA; NOHARA, 2005). Passando para uma vertente mais específica de controle, temos o controle interno, que para Lunkes et al. (2011), trata-se de um dos preceitos que compõe as funções de controladoria e que corrobora com o controller no desempenhar de uma função de gestor da informação. O controle interno pode assumir diversos papéis no ambiente organizacional, além de assegurar que as metas e objetivos macros sejam alcançados, pode, por exemplo, ser utilizado como um balizador formal de leis, normas e procedimentos internos, exercendo um poder coercitivo sobre as rotinas organizacionais. De acordo com Maia et al. (2005), a notória ocorrência de escândalos e fraudes em demonstrações financeiras de organizações americanas, tornou-se fator Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. primordial a inserção de controles internos nas rotinas corporativas. Para os autores, a existência dos controles internos causa uma sensação de confiança e tem um efeito positivo aos olhos dos acionistas e outros interessados. Para Floriano e Lozeckyi (2008), o controle interno tem um poder de prevenção junto aos processos organizacionais, podendo inclusive detectar irregularidades, desde que uma vez aplicados sejam continuamente monitorados, de modo que proporcionem o atingimento dos interesses da entidade. Os controles internos são mecanismos adotados pelas organizações que quando aplicados têm um efeito positivo no sentido de minimizar os riscos dos negócios, orientar e informar os diversos níveis de gestão, como supervisores, gerentes e alta administração, se os processos estão caminhando no rumo para que foram projetados (IMONIANA; NOHARA, 2005). Para Borinelli (2006, p.175), a função de controle interno compreende um conjunto de atividades, métodos, medidas, diretrizes,procedimentos e instrumentos adotados para dirigir, restringir, vigiar, fiscalizar, governar e conferir as atividades organizacionais, com vistas ao atendimento dos seguintes propósitos: i) proteger o patrimônio organizacional, ou seja, salvaguardar os interesses da entidade; ii) conferir precisão, confiabilidade e fidedignidade aos dados e relatórios contábeis, econômicos e financeiros, sejam divisionais ou corporativos; iii) encorajar e estimular a obediência e aderência às diretrizes e políticas internas; iv) obter conformidade e aderência com as leis e regulamentos (compilance); v) promover e estimular a eficiência e eficácia das operações; vi) prover segurança que os objetivos específicos da entidade serão alcançados. O Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO, 2013) estrutura o controle interno em cinco componentes que atuam de forma integrada. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Quadro 2 – Componente do Controle Interno COMPONENTE CONCEITO Ambiente de Controle O ambiente de controle é um conjunto de normas, processos e estruturas que fornecem a base para a condução do controle interno por toda a organização. Avaliação de Riscos A avaliação de riscos envolve um processo dinâmico e iterativo para identificar e avaliar os riscos à realização dos objetivos. A avaliação de riscos estabelece a base para determinar a maneira como os riscos serão gerenciados. Atividades de Controle Atividades de controle são ações estabelecidas por meio de políticas e procedimentos que ajudam a garantir o cumprimento das diretrizes determinadas pela administração para mitigar os riscos à realização dos objetivos. As atividades de controle são desempenhadas em todos os níveis da entidade, em vários estágios dentro dos processos corporativos e no ambiente tecnológico. Informação e Comunicação A informação é necessária para que a entidade cumpra responsabilidades de controle interno a fim de apoiar a realização de seus objetivos. A comunicação é o processo contínuo e interativo de proporcionar, compartilhar e obter as informações necessárias. Atividades de Monitoramento Uma organização utiliza avaliações contínuas, independentes, ou uma combinação das duas, para se certificar da presença e do funcionamento de cada um dos cinco componentes de controle interno, inclusive a eficácia dos controles nos princípios relativos a cada componente. Fonte: elaborado pelo autor, 2016 Considerando os componentes apresentados, entende-se que o profissional da controladoria está diretamente ligado às atividades de controle interno, uma vez que a análise, comunicação e monitoramento dos resultados compõem o rol de ações que possibilitam ao controller maior eficiência no suporte à tomada de decisão. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Reflita A empresa que você atua possui controle interno ou auditoria interna? Se você fosse o controller dessa empresa, você modificaria algo? Indicação de leitura Autores: Clovis Luiz Padoveze Idioma: Português Editora: Cengage Learning Assunto: Administração – Contabilidade Edição: 2ª Ano: 2010 Resumo: Este livro apresenta uma visão abrangente e estruturada da atividade de Controladoria, considerando os aspectos teóricos que a fundamentam como ciência, ao mesmo tempo em que desenvolve os conceitos e as técnicas para sua aplicação. Em uma abordagem básica, seu conteúdo contempla os temas fundamentais necessários para que a Controladoria, como unidade administrativa, desenvolva seu papel dentro das entidades. Fonte: SARAIVA, 2017 2 AUDITORIA INTERNA O conceito de auditoria está relacionado ao exame sistemático onde se busca averiguar a conformidade daquilo que se audita. No Brasil, o indício mais concreto da realização de uma auditoria está datado em 1862, mas somente em 1965 tornou-se obrigatória. A obrigatoriedade da auditoria surgiu de uma melhor estruturação do mercado financeiro brasileiro, exigindo assim que as Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. informações organizacionais fossem apresentadas de forma mais transparente e confiável (RICARDINO; CARVALHO, 2004). A necessidade de uma maior dedicação por parte dos auditores deu origem às práticas de auditoria interna, visto a minuciosidade, complexidade e o domínio que algumas atividades exigiam dos auditores para emissão de um parecer (GARCIA, 2005). Desta forma, a auditoria surge no sentido de aperfeiçoar os procedimentos internos de uma instituição, prezando sempre pela integridade das informações. Devido aos novos modelos de negócio, onde a descentralização e delegação de poder são indispensáveis para tornar maleável o processo de execução das tarefas, traz à tona a necessidade da observação meticulosa dos processos internos. Sendo assim, a auditoria interna está relacionada ao papel de avaliação dos controles internos das empresas. Por essa razão, Lunkes et al. (2011) apontam que diversos autores consideram a auditoria interna como uma área relacionada ao exercer da Controladoria. A avaliação da aderência dos setores de uma organização às normas, instruções e procedimentos da empresa, traz confiabilidade aos dados utilizados pela Controladoria, que serão utilizados como fonte de relatórios informacionais aos usuários internos e externos. Por essa razão, cumprindo adequadamente sua função, a auditoria interna torna-se um poderoso instrumento de avaliação e suporte ao corpo executivo de uma determinada organização. Ao atuar de forma analítica e criteriosa, mensurando a eficiência e eficácia da performance dos diferentes mecanismos de controle interno, faz-se cada vez mais imprescindível (ALVES; TIOSSI; MILAN, 2016). A auditoria interna carrega consigo uma vertente de ação fiscalizatória, fornecendo análises, pareceres, recomendações e sugestões a respeito das rotinas, práticas e processos demandados por ela. Por meio das atividades auditadas, objetiva-se garantir a eficácia organizacional e um padrão de excelência no conduzir do dia-a-dia da entidade (GARCIA, 2005). Para Borinelli (2006), do ponto de vista contábil, a auditoria interna deve ser considerada como uma atividade de Controladoria. Porém, por se tratar de uma atividade que tem por finalidade provar os procedimentos adotados, não pode Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. ser realizada concomitantemente pelo responsável por elaborar as demonstrações financeiras. Garcia (2005) frisa que esta atividade carrega em si um peso de responsabilidade, uma vez que quando mal executada invalida as ações por ela auditada, por essa razão a escolha de quem executará a auditoria é fundamental para a sua adequada realização. Devido ao pressuposto da segregação das funções, aquele que audita não pode estar ligado àquele que é auditado (BORINELLI, 2006). Desta forma, a hierarquia estabelecida dentro da instituição influencia na escolha daquele que desempenhará a função de auditor. Alguns autores, inclusive o Instituto Internacional de Auditores Internos (IIA, 2010) apontam que o ideal é que o auditor esteja subordinado ao conselho de administração e não à diretoria ou a presidência, a fim de preservar a imunidade e independência do mesmo. Por outro lado, existe um enfoque mais moderno dado à auditoria interna, no qual os aspectos punitivos ficam em segundo plano, dando lugar a uma visão baseada nos processos e nos riscos que envolvem o negócio, voltando-se para as práticas de governança corporativa,contribuindo de maneira mais efetiva e relevante com a organização (LÉLIS; PINHEIRO, 2012). O desempenhar da auditoria interna imputa atribuições específicas que têm por finalidade contribuir para uma performance mais íntegra e eficaz. Algumas das características desta função são independência e autonomia por parte de quem audita, visão holística e abrangente, além de uma boa percepção para identificar possíveis problemas (FRANCO; REIS, 2004). Para Lélis e Pinheiro (2012), a objetividade é uma característica primordial para um auditor e somente pode ser alcançada por meio da dedicação e zelo profissional adotados na execução do trabalho, prezando pela obediência às normas internas, regulamentos, parâmetros e metodologias pré-definidas para cada ação que será examinada. De acordo com a Internal Auditor Magazine (2007) apud Carmona (2008, p. 37), elenca algumas das principais atribuições do auditor interno, são elas: a) examinar os atos de gestão com base nos registros contábeis e na documentação comprobatória das operações, com o objetivo de verificar a Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. exatidão, a regularidade das contas e comprovar a eficiência, a eficácia e a efetividade na aplicação dos recursos disponíveis; b) verificar o cumprimento das diretrizes, normas e orientações emanadas dos órgãos internos competentes, bem como dos Planos e Programas no âmbito da Instituição; c) verificar e opinar sobre as contas dos responsáveis pela aplicação, utilização ou guarda de bens e valores e de todo aquele que der causa a perda, subtração ou dano de valores, bens e materiais de propriedade da Instituição; d) verificar a consistência e a segurança dos instrumentos de controle, guarda e conservação dos bens e valores da Instituição ou daqueles pelos quais ela seja responsável; e) examinar as licitações relativas à aquisição de bens, contratações de prestação de serviços, realização de obras e alienações, no âmbito da Instituição; f) analisar e avaliar os procedimentos contábeis utilizados, com o objetivo de opinar sobre a qualidade e fidelidade das informações prestadas; analisar e avaliar os controles internos adotados com vistas a garantir a eficiência e eficácia dos respectivos controles; g) acompanhar e avaliar as auditorias realizadas pelos órgãos de controle interno e externo, buscando soluções para as eventuais falhas, impropriedades ou irregularidades detectadas, nas unidades/setores envolvidos para saná-las; h) elaborar propostas visando ao aperfeiçoamento das normas e procedimentos de auditoria e controles adotados com o objetivo de melhor avaliar o desempenho das unidades auditadas; i) prestar assessoramento técnico ao Conselho Diretor e orientar os Órgãos e Unidades Administrativas da Instituição; j) examinar e relatar a prestação de contas anual para subsidiar o parecer conclusivo do Conselho Diretor; k) realizar auditagem obedecendo os programas de auditoria previamente elaborados; l) elaborar Relatórios de Auditoria assinalando as eventuais falhas encontradas para fornecer aos dirigentes subsídios necessários à tomada de decisões; Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. m) apresentar sugestões e colaborar na sistematização, padronização e simplificação de normas e procedimentos operacionais de interesse comum da Instituição. Com base nas atribuições expostas, entende-se que a auditoria interna está diretamente ligada à Controladoria, pois quando pautada substancialmente na análise e exame das demonstrações contábeis, trata-se de uma das formas em que a Controladoria se materializa dentro de uma organização empresária. 3 PAPEL DA CONTROLADORIA NO PROCESSO DE GESTÃO A Controladoria está intimamente ligada ao processo de gestão, sem ele esta não teria sentido em existir. Borinelli (2006, p. 105) explica que a “Controladoria é um conjunto de conhecimentos que se constituem em bases teóricas e conceituais de ordens operacional, econômica, financeira e patrimonial, relativas ao controle do processo de gestão organizacional”. No que tange oo objeto de estudo da Controladoria, considera-se que seu foco principal é o patrimônio da entidade, uma vez que a mesma busca maximizar os resultados organizacionais por meio do suporte ao processo de gestão, através dos dados compilados e mensurados, que se convertem em informação útil para os gestores. A controladoria está voltada basicamente na assessoria à administração. Ela, enquanto área organizacional deve coordenar as informações relativas à gestão econômica. Entretanto, não pode assumir total responsabilidade pelos resultados alcançados, pois estes devem ser suportados pelos gestores, contudo, a Controladoria deve induzi-los à maximização dos resultados (DIAS, 2002). Para Catelli (2013), os gestores devem planejar de maneira cautelosa todas as ações que serão tomadas, implementar os planos e manter uma constante avaliação do desempenho atingido, comparando-o com os planos traçados. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Desta forma, o processo de gestão pode ser analiticamente estruturado em três etapas principais: i) planejamento estratégico, operacional e programação; ii) execução; e iii) controle. De acordo com Pavoveze e Benedicto (2005, p. 5), compreende-se por processo “a sucessão de estados de um sistema, que possibilita a transformação das entradas do sistema, nas saídas objetivas pelo mesmo sistema”. Sendo assim, esse processo de gestão sofrerá alterações de acordo com o modelo de gestão escolhido pela entidade, pois é ele que norteará os caminhos a serem traçados para atingir os objetivos organizacionais. Na Figura 1 é possível analisar as etapas que compõem o processo de gestão e como a Controladoria interage com ele. Figura 1 – Processo de Gestão Fonte: BIANCHI; BACKES e GIONGO, 2006 Conforme elucidado na Figura 1, o processo de gestão inicia-se no planejamento estratégico, no qual os objetivos e o rumo dos negócios serão definidos. Em um segundo momento, serão traçados os caminhos que a organização deve percorrer para alcançar seus objetivos. Na etapa de execução, são delegadas as funções para cada parte do corpo organizacional. Por fim, a etapa de controle avaliará o desempenho da execução e dará novas coordenadas caso necessário. Sendo assim, processo de gestão está envolto em uma dimensão de controle operacional que representa a sinergia entre as quatro etapas do processo. A Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. controladoria interage com o processo de gestão por meio do fornecimento de informações úteis a cada etapa. Desta forma, a manutenção de um processo de gestão integrado faz parte das atribuições da Controladoria (BIANCHI; BACKES; GIONGO, 2006). Borinelli (2006 p. 145) sintetiza em seis partes a atuação da controladoria em cada etapa do processo decisório: 1) Planejamento: estabelecimento de objetivos, metas e planos (estratégicos e operacionais); 2) Orçamento: transformações dos planos nos orçamentos operacional e financeiro; 3) Execução: implementação dos planos (realização das ações); 4) Controle: observação e mensuração do desempenho, comparação do desempenho real com o esperado e análise das variações e de suas causas; 5) Medida corretiva: sugestão, implementação e acompanhamento de medidas corretivas; 6) Avaliação de desempenhos: atribuição de conceito aos desempenhos medidos. De acordo com Oliveira, Perez Jr. e Silva (2011, p. 10), O papel da controladoria, portanto, é assessoraras diversas gestões da empresa, fornecendo mensurações das alternativas econômicas e, por meio da visão sistêmica, integrar informações e reportá-las para facilitar o processo decisório. Diante disso, o controller exerce influência na organização à medida que norteia os gestores para que mantenham sua eficácia e a da organização. Nesse sentido a controladoria tem um importante papel no desenvolvimento e implantação de sistemas de informações, pois, com base em dados do passado e do presente, deve traçar e planejar ações futuras, acompanhando as atividades operacionais e auxiliando todas as etapas do processo de gestão (DIAS, 2002). Contudo, entende-se que a Controladoria, embora desempenhe um papel determinante no processo de gestão, não tem por atribuição o planejamento de todas as diversas áreas de uma empresa, também não está obrigada a avaliar Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. e controlar, de forma exclusiva e determinante, a performance de tais áreas e nem de seus gestores (CARVALHO, 1995). Conforme Borinelli (2006), diversos autores na literatura, consideram que a Controladoria, no que tange o processo de gestão, não exerce uma função de protagonista, mas sim de apoio, através do suporte informacional. Desta forma, a controladoria deve ser parte integrante do processo de gestão, juntamente com as outras funções organizacionais. Kanitz (1976) apud Dias (2002, p. 24) apresenta as funções da controladoria no suporte ao processo de gestão: a) Informação: capacidade de conhecer todos os sistemas e subsistemas que compõem os processos da organização, do contábil ao financeiro; b) Motivação: capacidade de prever o efeito de novos sistemas de controle sobre os comportamentos dos funcionários, podendo motivá-los ou desanimá- los; c) Coordenação: centraliza todas as informações e com isso é capaz de detectar eventuais inconsistências dentro da empresa, assessorando a direção e sugerindo soluções; d) Avaliação: interpreta e avalia os fatos, identifica quais são os pontos que precisam ser corrigidos; e) Planejamento: determina se os planos e os objetivos são consistentes, viáveis, aceitáveis e coordenados; f) Acompanhamento: acompanha a evolução dos planos traçados e interfere nos mesmos caso estejam com falhas. Conforme as funções descritas por Kanitz, é possível perceber que a controladoria é uma peça fundamental para o bom andamento dos negócios, principalmente no que diz respeito às decisões tomadas. Contudo, para Borinelli (2006), a Controladoria não dirige o processo de gestão, mas serve para manter informado aquele que toma as decisões, desta forma ela assume um papel máximo de coordenadora do processo decisório. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Indicação de leitura CONTROLADORIA: UM ENFOQUE NA EFICÁCIA ORGANIZACIONAL Autores: Auster Moreira Nascimento e Luciane Reginato Idioma: Português Editora: Atlas Editora Assunto: Administração – Contabilidade Edição: 1ª Ano de publicação: 2007 Resumo: Este livro apresenta um material completo sobre controladoria, reunindo textos que objetivam a reflexão e o desenvolvimento de modelos teóricos e empíricos de gestão. Os organizadores procuraram abarcar os principais assuntos de interesse no âmbito dos negócios empresariais, tratando-os sob a perspectiva do processo de gestão, abrangendo todas as fases do planejamento, incluindo a sua execução e seu controle, bem como o processo de avaliação de desempenho econômico e de gestores, e outros instrumentos que visam a facilitar aos administradores meios que viabilizem a continuidade da organização. Fonte: SARAIVA, 2017 4 A CONTROLADORIA NO PROCESSO DE ADOÇÃO DE MEDIDAS CORRETIVAS O processo de gestão é composto por diversas etapas e a adoção de medidas corretivas trata-se de uma das mais importantes etapas deste processo. Ela se materializa por meio do controle, pois o objetivo final do controle é verificar se as diretrizes traçadas estão sendo cumpridas, caso contrário, medidas corretivas devem ser elencadas para que o planejamento inicial seja alcançado. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Assumindo que a principal função atribuída ao controle é garantir que o plano de ação seja alcançado genuinamente, o controle em conjunto com a execução, é imprescindível para que, diante de um desvio, medidas corretivas sejam adotadas a fim de reposicionar as ações e converter os caminhos rumo aos objetivos anteriormente designados (BORINELLI, 2006). Desta forma, não faz sentindo a existência de um controle se ele não possibilitar à organização a alternativa de correção dos caminhos percorridos. Para Floriano e Lozeckyi (2008), é um mecanismo definido com base em resultados que se espera alcançar, em que padrões de comparação são estabelecidos para permitir a tomada de ação corretiva diante de um desvio. As etapas do controle formam uma sinergia perfeita, pois uma etapa depende da outra e essa interdependência demonstra um movimento cíclico o qual inicia-se com o planejamento de todos objetivos e metas e finaliza através da aplicação de medidas corretivas que estão sempre voltadas à melhoria dos processos organizacionais, retornando a um novo planejamento (DIAS, 2002). O controle só se torna eficaz na medida em que suas informações são fornecidas em tempo hábil para que medidas corretivas sejam tomadas. Desta maneira, a organização pode avaliar e comunicar as deficiências encontradas em tempo adequado para que os responsáveis pelo processo decisório possam tomar decisões em conjunto com a alta administração (COSO, 2013). Para Dias (2002, p. 41) “[...] o controle é uma das funções essenciais para a gestão de um negócio, é um processo de medida de valor que é concluído com a medida corretiva, interferindo assim no planejamento, para que as ações possam ser redirecionadas ao objetivo desejado”. Antunes e Martins (2007) complementam que, para que haja um monitoramento das práticas organizacionais e para a adoção de medidas corretivas, os gestores devem ter o máximo conhecimento possível do negócio, para redirecionarem os caminhos que serão novamente percorridos. Desta forma, cabe à controladoria munir os gestores com o maior número de informações relevantes, a fim de facilitar a tomada de decisão. A organização que utiliza controles e procedimentos internos, de acordo com Nascimento e Reginato (2007, p. 115): Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. [...] pode garantir a integridade das informações sobre todos os eventos ocorridos na empresa, sendo o sistema de controles internos uma ferramenta eficaz de apoio à controladoria, proporcionando informações fidedignas, confiáveis e oportunas para apoiar os gestores no processo de gestão e tomada de decisões. Borinelli (2006, p. 168) sintetiza as funções da controladoria no processo de adoção de medidas corretivas: a) Em conjunto com as outras funções e áreas organizacionais, identificar as possíveis e necessárias medidas corretivas a serem adotadas; b) Avaliar o impacto das medidas corretivas propostas; c) Monitorar a implementação das medidas corretivas. A controladoria possui a atividade de controlar as medidas corretivas, sendo elas originadas das diversas áreas da organização. Nesse sentido, Mossiman e Fish (1999) relatam que cabe ao controller cobrar a efetiva implantação das ações corretivas e aos gestores de cada departamento cabe a delegação de ações corretivas dos desvios ocorridos na empresa. O sistema de controle interno, com planejamento,normas e manuais bem definidos, deve identificar da forma mais ágil possível, a necessidade de adoções de medidas corretivas, buscando a minimização de desperdícios e irregularidades. O processo de avaliação do sistema de controle deve ser contínuo, pois apresentando resultados insatisfatórios, se faz necessário a realização de medidas corretivas reavaliando as estratégias adotadas pela empresa. Fique por dentro As tentativas de fraudes estão em todos os locais. Leia o texto do Serasa Experian: Cerca de 4,7 mil tentativas de fraudes são aplicadas no país diariamente, revela o indicador de abril de 2016 da Serasa Experian. Fonte: NOTÍCIAS SERASA, 2017 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Indicação de leitura CONTROLADORIA Autores: Antônio Benedito Silva Oliveira Idioma: Português Editora: Saraiva Assunto: Controladoria Edição: 2ª Ano: 2014 Resumo: A controladoria possui um papel fundamental nas empresas, já que ela colabora na formação de estratégias e propõe modelos decisórios coerentes e consistentes com a missão e a visão da empresa. O livro apresenta ferramentas para a solução de problemas e aborda os assuntos básicos para uma boa atuação dos profissionais da área. Fonte: SARAIVA, 2017 Indicação de filme Lançamento: 1987 Direção: Brian De Palma Elenco: Kevin Costner, Sean Connery, Charles Martin Smith Gênero: Policial Nacionalidade: EUA Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Sinopse: Na Chicago dos anos 30, o jovem agente federal Eliot Ness (Kevin Costner) tenta acabar com o reinado de terror e corrupção instaurado pelo gângster Al Capone (Robert De Niro). Para isso, ele recruta um pequeno time de corajosos e incorruptíveis homens e conta com a ajuda do experiente policial Jim Malone (Sean Connery). Fonte: ADOROCINEMA, 2017 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONCLUSÃO No decorrer dessa unidade esperamos que você tenha compreendido alguns assuntos importantes para o desempenho da função de controller dentro das áreas de controle interno, auditoria interna, processo de gestão e adoção de medidas corretivas dentro de organizações empresariais. Muito mais que gerar informações, o profissional da controladoria deve se preocupar se essas informações são confiáveis para serem apresentadas aos gestores no momento da tomada de decisão e, nesse momento, entra o controle interno. As empresas que implantam o controle interno com planejamento, normas e manuais podem assegurar uma maior credibilidade nas suas informações. Entretanto, além de possuir o controle interno, é necessária a constante verificação da sua eficiência e agilidade em detectar fraudes e desperdícios ocorridos na organização. Cabe à controladoria o monitoramento das medidas corretivas e aos gestores a ações para implantar medidas corretivas. Somado ao controle interno, temos a auditoria interna que reforça a questão da integridade das informações, atuando de forma conjunta com a controladoria. Parabéns pela finalização de mais uma etapa desta disciplina. Na próxima unidade abordaremos questões sobre a controladoria e o planejamento estratégico. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. REFERÊNCIAS ALVES, Lucimeire; TIOSSI, Fabiano Martin; MILAN, Willyan Wilson. 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