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Resumo – Psicanálise 
Melanie Klein 
 
Klein coloca a técnica do brincar como equivalente à associação livre. 
A criança sofre e não sabe expressar; exprime o sofrimento no brincar, e o 
analista o ajuda a nomear. Ao interpretar não apenas as palavras, mas também as 
atividades da criança com o brinquedo, Klein aplicou um princípio básico à mente 
da criança, cujo brincar e atividades variadas, na verdade, todos os seus 
comportamentos são modos de se expressar, o que nós adultos expressamos 
predominantemente por meio de palavras. 
Klein ficou convicta de que a precondição para psicanálise de criança é de 
compreender e interpretar as fantasias, sentimentos, ansiedades, experiências 
expressas no brincar, ou se as atividades do brincar estão inibidas, as causas da 
inibição. 
Duas etapas importantes: a análise de Erich e a mudança para Berlim. 
Matriz do pensamento Kleniano: o brincar e a análise infantil como 
fundamentos legítimos da clínica. 
Klein privilegiava a expressão pessoal e a observação clínica. 
Obra fundamentada na descrição do funcionamento mental de bebês e 
crianças. 
Enfatiza a relação com os objetos; o que a pulsão faz com o objeto. 
Para Klein, existe diferença entre criança (fase do desenvolvimento; 
temporário) e o infantil (atemporal; experiência que se tem como criança e não 
passa na fase adulta, molda o psiquismo). 
Klein defendia a ideia de que o Complexo de Édipo tinha início antes do 
que Freud imaginava. Diz que começaria bem mais cedo, durante o desmame. O 
bebê já se encontra exposto a muitos impulsos sádicos e sexuais. 
Tendências edipianas de início se expressam sob a forma de impulsos orais 
e anais. No final da fase oral, a criança deseja destruir o objeto libidinal (o seio), 
mordendo-o e devorando-o (relação de voracidade). Já na fase anal, a sensação de 
prazer vem da excreção e retenção das fezes. 
A criança percebe que as excreções que ela faz produz um efeito na 
realidade. A frustração do treinamento de higiene funciona como castração. A 
castração acontece também nos pais. 
A autora reitera que as tendências edipianas são liberadas como 
consequência da frustração da criança com o desmame, que se manifesta no final 
do primeiro ano de vida da criança, reforçada também pelas frustrações anais 
sofridos durante o treinamento de hábitos de higiene. Desse modo, o complexo 
tem início nas "fases pré-genitais do desenvolvimento”. 
Nesse sentido o pensamento da autora considera que o processo inicial das 
tendências edípicas, provocam importante ansiedade em decorrência das fantasias 
de ataques contra o corpo da mãe que faz surgir uma imago de uma mãe hostil 
que desmembra e castra. 
*Édipo se trata de quem faz o quê, de quem desempenha cada papel. 
Superego arcaico: medo da criança de ser retalhada pelo objeto. 
A sensação de poder sobre o ambiente que surge com o controle dos 
esfíncteres representa outro elemento sádico. Esses impulsos, inicialmente, 
encontram-se voltados para o corpo da mãe. 
Neste período, ocorrem dois traumas severos, que caminham em direção a 
um afastamento da mãe: a frustração de seus desejos orais e a frustração dos 
prazeres anais. Portanto, desde o início, os desejos edipianos ficam associados ao 
medo de castração e aos sentimentos de culpa (castigo/punição). 
O sentimento de culpa é o resultado da introjeção dos objetos amorosos 
edipianos e é produto da formação do superego. A autora conclui que a estrutura 
do superego das crianças pequenas é formada a partir das primeiras identificações 
com os pais. 
Para Klein, as frustrações orais e anais formam o protótipo de todas as 
frustrações posteriores para o resto da vida, estão associadas à punição e dão 
origem à ansiedade. 
Assim como na associação livre, o brincar revela o conteúdo latente. 
O tratamento do primeiro paciente de Klein foi em casa, com seus 
brinquedos. Utilizou exploração do inconsciente, transferência e associação livre 
(através do brincar). 
Para Klein, para realizar a psicanálise de uma criança, é necessário entender 
e interpretar. 
Se o brincar está inibido, deve-se buscar as causas. 
Klein concluiu que a psicanálise não deveria ser realizada na casa da 
criança, pois esse espaço representava uma atitude ambivalente da criança e uma 
atmosfera hostil ao tratamento. A situação transferencial só poderia ser 
estabelecida e mantida se a psicanálise for realizada fora da casa do paciente, para 
que ele possa superar suas resistências e se expressar livremente. 
Segundo a autora, é essencial serem brinquedos pequenos, porque seu 
número e variedade permitem à criança uma maior amplitude para se expressar. 
Os equipamentos de brincar de cada criança são guardados e trancados em 
uma gaveta particular e ela assim sabe que seus brinquedos e seu brincar com eles 
são apenas conhecidos por ela e o analista. 
Segundo Klein, a criança muitas vezes assume o papel do adulto, 
expressando assim não apenas seu desejo de reverter os papéis, mas também 
demonstrando como se sente em relação a seus pais ou outras pessoas de 
autoridade (como se comportam em relação a ela ou deveriam comportar-se). 
Às vezes a criança dá vazão à sua agressividade, sendo, no papel dos pais, 
sádica em relação à criança, representada pelo analista. É essencial permitir que a 
criança expresse sua agressividade. 
Sentimentos de culpa podem seguir-se logo após a criança ter quebrado um 
brinquedo. Esta culpa refere-se não apenas ao estrago real produzido, mas ao que 
o brinquedo representa no inconsciente da criança. Por exemplo: sentimento de 
culpa por ter quebrado um boneco que representava inconscientemente um irmão 
ou um pai, a interpretação tem que lidar com níveis mais profundos. 
A partir deste comportamento da criança para com o analista, ela pode 
mostrar não apenas a culpa, mas também a ansiedade persecutória como 
consequência de seus impulsos destrutivos. 
Klein lembra que é necessário manter e delimitar o limite desses impulsos 
(não se deve bater no analista). Essa atitude protege tanto o analista como a 
análise, evitando culpas e ansiedades persecutórias excessivas e desnecessárias. 
A atitude da criança para com o brinquedo que ela danificou é muito 
reveladora. Um dia a criança pode procurar pelo brinquedo danificado em sua 
caixa, isto sugere que foram analisadas algumas defesas importantes, diminuindo 
assim os sentimentos persecutórios e tornando possível que os sentimentos de 
culpa sejam vivenciados. Sugere também mudanças na relação da criança com o 
elemento representado pelo brinquedo. 
A ansiedade persecutória diminuiu juntamente com o sentimento de culpa, 
aparecendo o desejo de fazer a reparação. Essas mudanças são importantes para a 
formação do caráter e para as relações de objeto, assim como para a estabilidade 
mental. 
Por exemplo, muitas vezes a criança deixa de lado o boneco danificado 
(representação de figura afetiva significativa, um irmão) demonstrando certa 
persecutoriedade de que a pessoa atacada tenha se tornado um retaliador, a culpa 
e depressão em excesso podem reforçar também o sentimento persecutório. E, o 
sentimento de perseguição pode ser tão forte que encobre os de culpa e depressão, 
que por sua vez, quando despertados pela percepção do dano produzido resultam 
em melhora. Quando isso acontece, percebemos melhora na relação com irmão, 
os sentimentos de culpa, depressão, o desejo de fazer reparações e o sentimento 
de amor que estava prejudicado pela ansiedade voltam a primeiro plano. 
Quando a criança quebrar um brinquedo dentro do consultório, não se deve 
consertá-lo ou jogá-lo fora. Caso a criança volte a procurá-lo, com o desejo de 
reparação, deve-se reparar o brinquedo junto a ela. 
O analista deve permitir à criança vivenciar suas emoções e fantasias na 
medida em que aparecem. Deve compreender a mente do paciente e comunicar a 
ele o que ocorre nela. 
O eu do bebê quando experimenta o sentimento de culpa,começa a criar as 
defesas arcaicas contra a ansiedade persecutória. 
As conexões entre consciente e inconsciente são mais próximas em crianças 
pequenas do que em adultos e as repressões infantis são menos poderosas. 
Nessa obra aparecem também as primeiras noções teóricas de maior 
alcance, como, por exemplo, a discriminação entre angústia persecutória e culpa, 
e a importância da transformação do superego arcaico em um superego 
desenvolvido, com sua forma acabada de consciência moral, capaz e tendo por 
pressuposto a capacidade de levar o outro em consideração. 
Interpretação transferencial: levar de volta suas fantasias e ansiedades 
para o lugar onde elas se originaram, ou seja, na infância e na relação com seus 
primeiros objetos. 
Para Klein, a atenção do analista deve estar centrada sobre as ansiedades da 
criança. Por meio da interpretação de seus conteúdos, é possível diminuir a 
ansiedade. Para tanto, utiliza a linguagem simbólica do brincar. 
Freud – Sonhos X Klein – Brincar da criança = ambos símbolos 
de acesso ao inconsciente. 
As relações de objeto iniciam-se quase no nascimento e surgem com a 
primeira experiência de amamentação. Desta forma, todos os aspectos da vida 
mental estão intimamente ligados a relações de objeto. 
A ansiedade depressiva surge como um resultado da síntese pelo ego dos 
aspectos bons e maus (amados e odiados) do objeto (posição depressiva). 
Esta é precedida pela Posição Esquizo-Paranóide (primeiros 3 meses de 
vida), que é caracterizada por ansiedade persecutória e processos de cisão. 
No estabelecimento de relação de objeto parcial o amor e o ódio, bem como 
os aspectos bons e maus do seio, são mantidos amplamente separados um do outro 
e na posição depressiva são unificados, pois na ansiedade depressiva, o bebê sente 
que está destruindo um objeto inteiro com sua voracidade e agressão, sente que 
esses impulsos destrutivos são dirigidos contra uma pessoa amada 
A criança possui emoções complexas e criadas através do conflito. 
Para Klein, a vida mental do bebê é influenciada pelas mais arcaicas 
emoções e fantasias inconscientes. O bebê tem um conhecimento inconsciente 
inato da existência da mãe. O bebê não espera da mãe apenas o alimento, mas 
deseja também o amor e a compreensão. 
A primeira e fundamental relação na vida do bebê é a relação com a mãe. 
Nos primeiros meses de vida a mãe representa para o bebê todo o mundo externo. 
Desta foram, tanto o que é bom quanto o que é mal vem à sua mente como 
provindos dela. 
Nesse sentido, o bebê não reconhece a existência de mais ninguém a não 
ser a de si mesmo (o seio da mãe para ele simplesmente uma parte de si mesmo – 
apenas uma sensação no início), e ele espera que todos seus desejos sejam 
satisfeitos. Ao descobrir que não pode suprir suas necessidades, põe a chorar e a 
gritar, torna-se agressivo. 
O bebê também experimenta frustração, desconforto e dor, que são 
vivenciados como perseguição. 
Deve-se considerar o desenvolvimento da criança e as atitudes dos adultos 
como resultantes da interação entre influências internas e externas. 
Ego: parte organizada do self; dirige todas as atividades e estabelece e 
mantém a relação com o mundo externo. 
Self: abrange toda a personalidade, não inclui apenas o ego, mas também a 
vida pulsional. 
Ego arcaico: cria as primeiras defesas arcaicas contra a ansiedade 
persecutória. 
Introjeção: significa que o mundo externo, as situações que o bebê 
atravessa e os objetos que ele encontra são levados para dentro do self, vindo a 
fazer parte da sua vida interior (incorporação), está ligada a fase sádico oral. 
Projeção: há uma capacidade na criança de atribuir a outras pessoas a sua 
volta sentimentos de diversos tipos, predominantemente o amor e ódio, está ligada 
a fase anal. É uma operação pela qual o sujeito expulsa de si e localiza no outro – 
pessoa ou coisa – qualidades, sentimentos, desejos e mesmo “objetos” que 
desconhece e recusa nele. 
O amor e ódio dirigidos à mãe, estão intimamente ligados à capacidade do 
bebê muito pequeno de projetar todas as suas emoções sobre ela, convertendo-a 
em um objeto bom, assim como um objeto mal. 
Objeto bom X Objeto Mal 
O sistema específico de fantasias que se centram no mundo interno da 
criança é de suprema importância para o desenvolvimento do ego. Os objetos 
internalizados são sentidos pelo bebezinho como tendo vida própria, em harmonia 
ou em conflito uns com os outros e com o ego, de acordo com as emoções e 
experiências do bebê. Quando o bebê sente que contém objetos bons, ele vivência 
confiança, estima e segurança. Quando sente que contém objetos maus, ele 
vivência perseguição e suspeita. 
Klein expressa com frequência que o ego, as relações de objetos, os 
impulsos libidinais e destrutivos surgem desde o nascimento. 
A introjeção e a projeção fazem parte das fantasias inconscientes do bebê, 
que operam desde o princípio e ajudam a moldar sua impressão do ambiente. 
Uma fantasia representa o conteúdo particular das necessidades ou 
sentimentos que dominam a mente no momento. As fantasias continuam ao longo 
de todo o desenvolvimento e acompanham todas as atividades. Desempenham um 
papel importante na vida mental. 
Se a mãe é assimilada ao mundo interno da criança como um objeto bom, 
um elemento de força é agregado ao ego. O ego desenvolve-se em torno desse 
objeto bom e a identificação com as características boas da mãe, toma-se a base 
para identificações benéficas posteriores. Tudo isso contribui para o 
desenvolvimento de uma personalidade estável. 
Para um bebê a distinção entre os seus estados de prazer e desprazer, entre 
os sentimentos bons e maus dentro de si, refletem-se no mundo externo e 
influência sua diferenciação entre as coisas e pessoas boas e más no mundo 
externo. A projeção é a primeira reação do bebê ao sofrimento, e provavelmente 
permanece em todos nós como reação espontânea a qualquer sentimento penoso 
ao longo de toda nossa vida. O subsequente desenvolvimento mental permite cada 
um de nós, em grau variável, controlar ou refrear essa reação primitiva e subjetiva, 
substituindo-a por outros processos mais bem adaptados à verdade e à realidade 
objetiva da situação em que nos encontramos. 
Uma forte identificação com a mãe torna fácil para a criança identificar-se 
com outras figuras amistosas. A agressividade e o ódio também se mantêm em 
atividade. 
Por meio da projeção de si mesmo para dentro de outra pessoa, ocorre uma 
identificação projetiva com esta. 
Identificação projetiva: colocar partes do self para dentro de um objeto. 
Se caracteriza por uma “evacuação” de conteúdos intoleráveis para o Eu 
atribuídos a um outro Eu/indivíduo. 
Identificação introjetiva: identificação com outra pessoa através da 
internalização de suas características, ou parte delas. 
Se a projeção é predominantemente hostil, ficam prejudicadas a empatia 
verdadeira e a capacidade de compreender os outros. O caráter da projeção é de 
grande importância em nossas relações com outras pessoas. 
Cisão: divisão do seio em um objeto bom e um objeto mal. Nos estados de 
gratificação, os sentimentos amorosos se voltam para o seio gratificador, ao passo 
que nos estados de frustração o ódio e a ansiedade persecutória se ligam ao seio 
frustrador. A cisão de objetos é responsável pela criação de objetos bons e maus, 
a cisão dos impulsos é o que separa o amor e ódio. 
É uma tendência do ego infantil para cindir impulsos e objetos; há uma 
necessidade de cindir o amor do ódio. 
A autopreservação do bebê depende da sua confiança em uma mãe boa. Por 
meio da cisão o bebê preserva a sua crença em um objeto bom e em sua capacidade 
de amá-lo, sendo esta uma condição essencial para manter-se vivo. Sem esse 
sentimento, o bebê estaria exposto a um mundo inteiramente hostil que ele teme. 
O fracasso de um ego frágil pode levar a um reforço regressivo dos medos 
persecutórios, e podefortalecer a fixação para psicoses graves (esquizofrenias). 
Klein postula sobre a importância da introjeção do objeto bom, da necessidade de 
estabelecer objetos bons internos para segurança da criança em seu mundo interior 
e superação da fase depressiva. 
O superego arcaico se torna consciência moral benigna, capaz de limitar a 
insaciabilidade destrutiva e modificá-la, por meio de mecanismos sublimatórios. 
O conceito de posição compreende uma colocação perante o objeto, tem a 
ver com o lugar que ele está posicionado pelo eu. 
Posição esquizo-paranóide: impulsos destrutivos onipotentes, ansiedade 
persecutória e cisão predominam os primeiros 3 meses de vida. Objeto e ego 
divididos: seio bom X seio mal, sofre de ansiedade persecutória. Primeiras 
defesas: cisão, idealização, projeção e negação. 
Posição depressiva: entender que o eu deseja o objeto e pode perde-lo. Ex.: 
a criança se aproxima do brinquedo que quebrou. O afeto é algo que deve ser 
preservado e não devorado. Se dá pela dor e tristeza que a criança sente com a 
percepção de que sua mãe é inteira, autônoma e separada dela e pode ir embora 
quando quiser. Nesta posição a ansiedade é pelo objeto, ou seja, pelo dano 
(imaginado ou real) que o eu pode causar no objeto, essa condição gera culpa e a 
maior defesa é a reparação. 
A idealização, fragmentação, dissociações são defesas esquizoides com 
significante de cisão (divisão), uma espécie de confusão do mundo interno e 
externo. Com seu desenvolvimento, interação (interno x externo) essa cisão dos 
bom e mau formados na mente do bebê resultam em uma introjeção de um objeto 
real. 
Neste processo a idealização (superestimação do objeto) é operante e faz 
com que o objeto se torne um perseguidor aterrorizante ou um objeto ideal, por 
exemplo, o seio bom inexaurível, disponível, sempre gratificador ou o seio mau 
que envenena. 
A idealização também é uma defesa contra a ansiedade persecutória, a 
introjeção do seio bom é fundamental para a integração do bebê, ele precisa 
conservar a crença da existência e presença do seio bom, pois somente assim 
poderá sentir-se seguro com estabilidade e segurança necessárias para suportar 
frustrações e privações. “A idealização está ligada à cisão do objeto, pois os 
aspectos bons do seio são exagerados como uma salvaguarda contra o medo do 
seio perseguidor”. 
Junto a necessidade de cindir, existe desde o início da vida uma tendência 
a integração, que aumenta com o crescimento do ego. O ego da criança tem uma 
tendência inconsciente inata a integrar a si mesma e o objeto. 
Por volta do quarto mês de vida, ocorre uma mudança significativa de 
relações de afeto do bebê, ele deixa de se relacionar com o objeto parcial e passa 
a se relacionar com o objeto total (mãe). Reconhece a mãe como semelhante, 
passa então a considerá-la, demonstra preocupação, inclusive teme sua perda. Mas 
para chegar a esta integração do eu com as pulsões, o bebê passa por diversas 
ansiedades advindas das pulsões que envolvem o eu obrigando-o a se defender. 
Quando surge uma posição depressiva, comumente o ego já está mais 
integrado e já consegue se relacionar melhor com a mãe e, posteriormente, com 
outras pessoas completas (e não divididas). 
Na posição depressiva, a criança começa a ver o objeto como semelhante, 
o bebê teme danificá-lo, teme que o objeto ao qual depende desapareça. Nesse 
caso predomina uma relação de confiança na bondade dos objetos e o processo de 
introjeção do seio bom converte-se na fonte de segurança e bondade, durante a 
posição depressiva a ansiedade persecutória diminui. 
A integração se puder ser alcançada tem efeito de mitigar o ódio através do 
amor, e dessa forma tornar os impulsos destrutivos poderosos. 
A introjeção do objeto bom consiste na colocação para dentro do aparelho 
psíquico de todas as experiências de prazer, formando um registro dinâmico 
(constelação), isto é, de uma reserva interna de experiências de prazer e a 
segurança, aumentando a capacidade de tolerar estados transitórios de privação e 
frustração. Esse registro dinâmico de inúmeras situações de prazer (de sentir 
desejado, amado, cuidado) funciona como uma garantia de acesso ao prazer. Isso 
alimenta a esperança na criança e aumenta sua capacidade de suportar frustração, 
privações e perdas. 
Amor para Klein: medo de perder. 
É esperado a predominância da posição depressiva. Melanie Klein 
considera a elaboração da posição depressiva é o ponto mais importante do 
desenvolvimento infantil: nos casos mais bem-sucedidos, ocorre uma 
predominância da posição depressiva sobre a posição paranoide, o que significa 
ter havido uma firme introjeção do objeto bom, aspecto que será decisivo para 
determinar a capacidade de amar e de reparar. Sem isso, as defesas maníacas 
continuarão prevalecendo, e o retorno à posição paranoide será inevitável. Se uma 
criança tiver serias dificuldades para elaborar a posição depressiva, ela poderá 
apresentar distúrbios maníacos depressivos na vida adulta. 
Para autora, durante os primeiros cinco anos de desenvolvimento, ocorre 
uma alternação muito característica entre as posições esquizo-paranóide e 
depressivas (embora, ao longo da vida, sempre haja uma alternância entre as duas 
posições e isso faz parte da saúde mental). Ao longo da vida sempre haverá uma 
alternância entre as duas posições, elas coexistem a vida toda e essa interligação 
perpetua conflito pelo resto da vida. 
A elaboração bem-sucedida da posição depressiva, envolve a capacidade 
de superar a ambivalência, que nunca será eliminada. A saúde psíquica e a 
capacidade de amar depende da habilidade de suportar a ambivalência. 
“Quando o bebê alcança a posição depressiva e torna-se mais capaz de 
enfrentar a sua realidade psíquica, sente também que a “maldade” do objeto é 
devida em grande parte à sua própria agressividade e à projeção decorrente”. 
Para Freud, a criança não sente culpa, e sim medo de perder o amor dos 
pais. Superego surge após a castração. 
Já para Klein, existe um superego arcaico formado pelo sadismo infantil. 
Sustenta que as crianças menores de 3 anos já sentem culpa proveniente dos 
impulsos destrutivos, vinculada a ansiedade depressiva por ter machucado o 
objeto bom. 
A criança, no entanto, pode sentir que machucou a mãe sendo que não a 
machucou de verdade. Ela ainda não é capaz de distinguir seus impulsos dos 
efeitos que eles realmente provocam (imaginário e real). Isso se deve a sua 
onipotência dos pensamentos. 
A necessidade de reparar o objeto amado surge da culpa. 
Para Klein a culpa se acha intimamente vinculada a ansiedade depressiva e 
a tendência de fazer reparação. Entende que a essência da culpa reside no 
sentimento que o indivíduo tem, de ter danificado o objeto amado bom. 
Nem sempre as operações de reparação do objeto da criança serão na 
medida necessária e isso pode então trazer à tona as defesas maníacas contra a 
culpa (para anular a culpa). 
Defesas maníacas depressivas: liberam da culpa e do medo de ser 
aniquilado, há uma anulação do dano ao objeto. 
 Triunfo: desejo de dominar o objeto, triunfar sobre ele, desejo de 
dominar, sobrepujar o objeto. Por exemplo: A criança tem o sonho 
de crescer e ser grande igual os pais, pode ter a seguinte fantasia: 
haverá um dia que eu serei rico, poderoso e os pais se tornarão 
crianças indefesas, ou estarão velhos e pobres; 
 Desprezo: negação, nega a dependência do objeto e o despreza para 
não ficar desapontado consigo mesmo; 
 Controle onipotente: nega que danificou o objeto e nega o medo de 
ser atacado pelo objeto, nega o medo de perder o objeto bom. 
Trabalho de luto: luto não é considerado um estado patológico, sua 
duração varia das características pessoais do sujeito enlutado. 
O alheamento em relação ao mundo externo é um aspecto característico do 
processo de luto. Com o tempo, o choro e a tristeza diminuem, o sujeito se consola 
e aos poucosse reorganiza. Quanto maior o apego ao objeto perdido, maior o 
sofrimento de luto. 
A dor não deve ser negada deve ser vivenciada para suportar o luto. A 
duração do luto varia de acordo com, as características pessoais do sujeito 
enlutado, laço afetivo do sujeito com o objeto perdido e a forma como perdeu. 
Mortes traumáticas e inesperadas geralmente demoram mais para serem digeridas. 
Quando o ego percebe que o objeto não existe mais, se inicia um grande 
conflito interno. Em alguns casos, o luto pode vir a ser patológico, quando ele não 
é enfrentado de forma adequada. 
A criança deve ter introjetado o objeto bom para elaborar o luto. 
O que o maníaco depressivo e o sujeito que fracassa no trabalho de luto 
tem em comum? Para Klein, ambos não desenvolveram o estabelecimento de 
objetos bons na infância. Se um indivíduo não tem objetos bons internos, viverá 
em uma perda com desesperança e ficará propenso a desenvolver uma afecção 
psíquica, mania e depressão. 
A inveja está relacionada diretamente a um único objeto. Eu → outro, não 
envolve terceiros. A inveja implica na espoliação do objeto, pela hostilidade para 
com a pessoa invejada. 
A inveja é um fator muito importante para o solapamento das raízes dos 
sentimentos de amor e gratidão. 
Klein considera a inveja uma expressão sádico-oral (consumir o seio) e 
sádico-anal (controle excessivo dos objetos) de impulsos destrutivos. 
O ciúme é baseado na inveja, mas envolve a relação com, pelo menos, duas 
pessoas; diz respeito principalmente ao amor que o indivíduo sente como lhe 
sendo privado ou em perigo por seu rival. 
A voracidade é uma ânsia impetuosa e insaciável, que excede aquilo que o 
sujeito necessita e o que o objeto é capaz e está disposto a dar. Seu objetivo é a 
introjeção destrutiva. A nível inconsciente, a voracidade visa, primariamente, 
escavar completamente, sugar até deixar seco e devorar o seio; ou seja, seu 
objetivo é a introjeção destrutiva, ao passo que a inveja procura não apenas 
despojar dessa maneira, mas também de depositar maldade, primordialmente 
excrementos maus e partes más do self, dentro da mãe, acima de tudo dentro do 
seu seio, a fim de estragá-la e destruí-la. 
A voracidade está ligada principalmente à introjeção e a inveja à projeção. 
De acordo com Klein, o invejoso não tolera algo que o outro usufrui, pois 
não é capaz de expressar gratidão. Uma pessoa muito invejosa tende a se tornar 
insegura/desconfiada, pois a inveja impede de estabelecer relações objetais boas 
e confiáveis. A pessoa invejosa também teme a inveja dos outros. 
Pode-se dizer que a pessoa muito invejosa é insaciável, que nunca pode ser 
satisfeita porque sua inveja brota de dentro. O invejoso não sabe lidar com o bom 
do outro e precisa destruí-lo. 
Dentre as defesas mais empregadas contra a inveja, se destacam: a 
idealização, o invejoso tende a idealizar a tal forma a pessoa que se inveja, que a 
distância é tão grande que nenhuma comparação é possível; a desvalorização de 
si, faz parecer não possuir algo a oferecer, aumentando a distância de si mesmo e 
a pessoa invejada; provocar inveja em outrem ou evitar situações que provoquem 
rivalidade e inveja; desprezo, depreciar aquilo que inveja. 
Um dos principais derivados da capacidade de amar é o sentimento de 
gratidão. A gratidão é essencial à construção da relação com o objeto bom e é 
também o fundamento da apreciação do que há de bom nos outros e em si mesmo. 
A gratidão tem suas raízes no estágio mais inicial da infância. 
“O bebê só pode sentir satisfação completa se a capacidade de amar é 
suficientemente desenvolvida; e é a satisfação que forma a base da gratidão” 
Quanto mais se experiencia a gratificação proporcionada pelo seio, são 
sentidas satisfações e a gratidão, por conseguinte, o desejo de retribuir o prazer 
forma a capacidade de reparação. A criança investe no mundo externo, desse 
modo ele ama e protege, dando base a confiança em sua própria bondade. 
Quando a gratidão pode ser vivenciada, ela age como uma força motora 
para fazer reparações. Nas pessoas em que esse sentimento não se acha 
suficientemente estabelecido, acessos de generosidade são muitas vezes seguidos 
por uma necessidade exagerada de reconhecimento e, consequentemente, por 
ansiedade persecutória. 
A transferência é um fenômeno que pode ser percebido no cotidiano. 
A transferência é um fenômeno psíquico em que todas as fantasias, 
ansiedades e defesas que compõem o mundo interno são expressas nas situações 
vividas no cotidiano. O indivíduo traz para cada nova relação que estabelece ou 
cada nova situação que vive, toda sua história, seus objetos internos, seus medos 
e esperanças e transfere-as para a situação atual. 
A fantasia é considerada o substrato da vida mental, elas representam 
também as ansiedades e defesas, que são outros conceitos a serem abordados. O 
paciente está fadado a lidar com conflitos e ansiedades, revividos na relação com 
o analista, empregando os mesmos métodos a que recorreu no passado. Isto quer 
dizer que ele se afasta do analista como tentou se afastar de seus objetos primários; 
tenta cindir a relação com eles, mantendo-os como figuras boas ou más; deflete 
alguns dos sentimentos e atitudes vividos em relação ao analista para outras 
pessoas em sua vida cotidiana, e isto é parte da situação transferencial. 
Embora a transferência não seja específica da relação analítica, ela é 
incrementada nesta relação. 
O analista pode representar o superego, as partes do self e até mesmo 
objetos do paciente. Para Klein, o essencial na transferência não reside na relação 
entre passado e presente, mas sim na relação existente entre mundo interno e 
externo. 
Na relação entre paciente e analista se reproduz a ansiedade persecutória e 
depressiva. 
Os objetos internalizados são, então, expressos na relação que o paciente 
estabelece com o analista. Uma vez que a internalização se faz em um contexto 
de ambivalência entre amor e ódio, as relações objetais são carregadas destes 
sentimentos. Derivam-se daí os conceitos de transferência positiva e negativa. 
A transferência é assim uma via privilegiada de acesso ao inconsciente, uma 
vez que revela toda a dinâmica psíquica do paciente. Já que se trata de um 
fenômeno tão importante para o conhecimento do paciente, resta saber como 
trabalhar com ele, tornando-o veículo terapêutico.

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