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Aula-tema 06: Preparando-se para o mercado sustentável – modelo de sustentabilidade empresarial e as competências dos profissionais da sustentabilidade.
Vimos nas aulas anteriores que o conceito de sustentabilidade está associado ao conceito de desenvolvimento sustentável, que significa atender às necessidades da geração presente sem comprometer a satisfação das necessidades das futuras gerações. A sustentabilidade baseia-se no tripé que alinha suas três dimensões: econômica, social e ambiental. Uma empresa, para ser sustentável, não deve se preocupar apenas com o retorno dos investimentos, mas deve alinhar sustentabilidade econômica aos aspectos sociais e ambientais, atendendo aos interesses de todos os stakeholders.
O modelo de sustentabilidade empresarial soma três tipos de sustentabilidade: econômica, ambiental e social. A sustentabilidade econômica considera a estratégia de negócios, os resultados financeiros, o mercado de atuação da empresa, o uso dos recursos disponíveis, interligando-se com a sustentabilidade ambiental e social. As ações de sustentabilidade ambiental relacionam-se a tecnologias limpas, reuso, reciclagem, uso sustentável dos recursos naturais, atendimento à legislação ambiental, tratamento de efluentes[1] e resíduos, produção e aplicação de produtos e serviços ecologicamente corretos e preocupação com os impactos ambientais. Práticas de sustentabilidade social estão associadas à promoção e participação da empresa em projetos de natureza social, compromisso com o desenvolvimento das pessoas e da sociedade, suporte no crescimento da comunidade e assumir a responsabilidade social. Essas três dimensões da sustentabilidade precisam estar interligadas de forma sistêmica, pois cada dimensão exerce influência sobre as demais.
Há diferentes propostas de indicadores de sustentabilidade corporativa, que são ferramentas para monitorar o desempenho relativo à sustentabilidade empresarial. São alguns indicadores: balanço social, Sustainability Index – Dow Jones, Indicadores Ethos, Índice de Sustentabilidade Empresarial ISE-Bovespa, diretrizes para relatórios de sustentabilidade da Global Report Initiative (GRI).  
Para avaliar a sustentabilidade empresarial, as empresas podem analisar o seu desempenho econômico, ambiental e social, por meio das diretrizes internacionais do Global Reporting Initiative (GRI). Na análise do desempenho econômico, observam-se os impactos da empresa sobre as condições econômicas locais, nacionais e globais. O desempenho ambiental baseia-se nos impactos da empresa sobre o patrimônio natural e os gastos com meio ambiente na produção de bens e serviços. Impactos sobre os sistemas sociais nos quais a empresa está inserida indicam o desempenho social; seus indicadores estão ligados a práticas trabalhistas, direitos humanos, sociedade e responsabilidade não só pela produção e distribuição de bens e serviços, bem como pelo desenvolvimento do atendimento pós-consumo.  
Para avaliar se o modelo de negócios estabelecido por uma organização é sustentável, não basta preparar o relatório do desempenho econômico, ambiental e social. É preciso verificar a sua sustentabilidade. Para isso, foi desenvolvida por Karl-Henrik Robert, médico oncologista, a ferramenta de abordagem científica e sistêmica chamada The Natural Step (TNS), que possibilita a verificação da contribuição da empresa direta e indiretamente sobre os seguintes pontos:
a)    aumento dos desperdícios de recursos naturais;
b)    aumento das concentrações de substâncias nocivas à saúde das pessoas;
c)    uso indiscriminado dos recursos naturais; e
d)    abuso do poder político e/ou econômico sobre a sociedade.
Somente é possível haver sustentabilidade a partir de uma visão sistêmica, assim como a empresa precisa perceber os negócios com o olhar sistêmico. Nesse sentido, o compromisso com a sustentabilidade deve ser incorporado em toda a cadeia de valor, isto é, em todo o fluxo de atividades realizadas, para satisfazer as necessidades dos clientes, envolvendo desde a fase das relações com fornecedores, passando pelos ciclos de produção, até a fase de venda, distribuição e pós-consumo. Na empresa sustentável, o foco estratégico é direcionado para a formação de uma rede de negócios interdependentes e corresponsáveis pelos impactos de suas ações sobre os recursos naturais.
A formação dessa rede de negócios pressupõe o planejamento e o controle dos impactos sobre o meio ambiente desde a concepção do produto até o descarte, reciclagem e a reintrodução na cadeia produtiva.
O desafio da sociedade é a educação de líderes da sustentabilidade, com competências para tornar a sociedade sustentável. Algumas áreas são prioritárias: fontes de produção de energia limpa e mudança climática; gestão de recursos hídricos; produção de alimentos; coleta, reciclagem e disposição de resíduos; e pobreza e justiça social.
Os líderes das empresas são os grandes responsáveis por compartilhar a visão sistêmica dos negócios voltados à sustentabilidade. Para isso, desenvolvem o "networking da sustentabilidade", ou seja, uma rede de relacionamentos na qual os participantes extrapolam os muros da empresa para engajamento nas comunidades, a fim de construir um mundo melhor e mais justo – do qual o sucesso dos negócios, em longo prazo, depende.
Para se tornar líder da sustentabilidade, sete práticas são sugeridas por Bob Willard: 1) ganhar e manter credibilidade; 2) dialogar; 3) colaborar, educar e criar networking; 4) buscar colaboradores; 5) influenciar os influenciadores; 6) utilizar iniciativas existentes e 7) elaborar um plano de oportunidades.
O líder da sustentabilidade deve apresentar competências, o que significa um conjunto de conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (querer fazer) que o direcionam ao caminho da sustentabilidade. Por isso, o líder deve ser reconhecido como especialista em sustentabilidade, líder da mudança e empreendedor. O especialista em sustentabilidadedeve entender que ecoeficiência, preservação ambiental e ação social responsável são estratégias associadas (e não aplicadas isoladamente), deve conhecer estudos e pesquisas das práticas sustentáveis no mundo acadêmico e empresarial. O líder da mudança possui visão clara do futuro e tem maturidade emocional para envolver os liderados na criação, aquisição e transferência de conhecimentos que mudam comportamentos baseados em novas ideias e conhecimentos. O empreendedor elabora propostas e faz acontecer dentro e fora da organização. É aquele que assume riscos, mobiliza atividades que impactam positivamente no meio ambiente, constrói valores e princípios voltados a uma cultura de sustentabilidade e encara a oportunidade com entusiasmo e motivação.
[1]Efluentes são substâncias líquidas ou gases produzidos por empresas e residências e que são lançados no meio ambiente. Exemplos: óleos e águas utilizados na produção e esgoto doméstico.
Aula-tema 06: Preparando-se para o Mercado Sustentável – modelo de sustentabilidade empresarial e competências dos profissionais da sustentabilidade.
Cadeia de valor – fluxo de atividades realizadas por uma empresa para satisfazer as necessidades de seus clientes; envolve desde a fase inicial de relação com fornecedores de matéria-prima, passando pelos ciclos de produção de bens e/ou serviços, até a fase final de venda e distribuição.
Cadeia produtiva – é o conjunto das etapas da produção de um produto, desde a criação até a entrega ao consumidor. Na atualidade, o conceito ganhou uma nova concepção: a cadeia produtiva sustentável é aquela na qual em cada etapa do processo produtivo existe a preocupação com o meio ambiente, por meio da introdução de inovações que visem reduzir o impacto de cada ação sobre o meio ambiente.
Competências – conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que direcionam um profissional à ação e são essenciais para o sucesso profissional e organizacional. Conhecimentos equivalem à aplicação das informações adquiridas no decorrer da existência nas escolas, cursos, universidades, organizações, na vida.Habilidade é a capacidade de realizar uma tarefa ou um conjunto de tarefas para atender aos padrões exigidos e estabelecidos. Atitude equivale aos comportamentos demonstrados diante das situações que enfrentamos no cotidiano.
Importante definição de competência é apresentada por Fleury e Fleury (2001) : “saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. Os autores explicam o significado dos verbos utilizados nessa definição:
· saber agir: saber o que e por que faz; saber julgar, escolher e decidir;
· saber mobilizar recursos: criar sinergia e mobilizar recursos e competências;
· saber comunicar: compreender, trabalhar, transmitir informações e conhecimentos;
· saber aprender: trabalhar o conhecimento e a experiência, rever modelos mentais e saber desenvolver-se;
· comprometer-se: saber empreender, assumir riscos e comprometer-se;
· saber assumir responsabilidades: ser responsável, assumindo os riscos e consequências de suas ações e sendo, por isso, reconhecido;
· ter visão estratégica: conhecer e entender o negócio da organização, o seu ambiente, identificando oportunidades e alternativas.
Desempenho social – resultados dos impactos das atividades empresariais sobre os sistemas sociais em que está inserida a empresa, tais como: práticas trabalhistas, direitos humanos, sociedade e responsabilidade pela produção de bens e/ou serviços.
Desempenho ambiental – resultados dos impactos das atividades empresariais sobre o patrimônio natural e os gastos com o meio ambiente em decorrência da produção de bens e/ou serviços.
Desempenho econômico – resultados dos impactos das atividades empresariais sobre as condições econômicas locais, nacionais e globais. Uma das finalidades de uma empresa é proporcionar retorno financeiro aos proprietários e acionistas; esse retorno é avaliado pelo desempenho econômico da empresa. 
Ecoeficiência – conceito desenvolvido em 1992 pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), para medir a eficiência quanto aos impactos da atividade empresarial no meio ambiente, aliada à prosperidade econômica e à melhoria na qualidade de vida.
Empreendedor da sustentabilidade – profissional que elabora e faz acontecer dentro e fora da organização, assumindo riscos, mobilizando atividades rumo à sustentabilidade, construindo valores e princípios voltados a uma cultura de sustentabilidade, não somente na empresa, mas na sociedade como um todo.
Especialista em sustentabilidade – profissional especializado em assuntos de sustentabilidade, que conhece estudos e resultados de pesquisas sustentáveis no mundo empresarial e acadêmico e que entende que preservação ambiental e ação social responsável são estratégias interligadas.
Global Reporting Initiative (GRI) – é uma grande rede global que tem como objetivo orientar as organizações na busca do desenvolvimento sustentável. A GRI sugere diretrizes internacionais para que empresas elaborem relatórios de desenvolvimento econômico, social e ambiental.
Indicadores de sustentabilidade corporativa – ferramentas para monitorar o desempenho relativo à sustentabilidade empresarial. São alguns indicadores: balanço social, Sustainability Index – Dow Jones, Indicadores Ethos, Índice de Sustentabilidade Empresarial ISE-Bovespa, diretrizes para relatórios de sustentabilidade da Global Report Initiative (GRI). 
Líder da mudança – uma das competências do líder da sustentabilidade, que tem como características a visão clara do futuro e a maturidade emocional para envolver os liderados na criação, aquisição e transferência de conhecimentos que mudam comportamentos baseados em novas ideias e conhecimentos.
Líder da sustentabilidade – profissional com competências para encorajar pessoas e conduzi-las para tornar sustentável a sociedade. Nas organizações, esse profissional pode receber títulos de presidente, gerente, gestor, líder, supervisor, dependendo da cultura de gestão de pessoas.
Networking da sustentabilidade – rede de relacionamentos em que os participantes extrapolam os muros da organização para engajamento nas comunidades rumo à sustentabilidade.
Stakeholders – termo criado por Edward Freeman, que significa todas as pessoas ou grupos que mantêm relação de influência com as organizações, podendo interferir e receber os impactos das ações organizacionais. São considerados stakeholders internos os empregados; stakeholders externos: comunidade, investidores, órgãos não-governamentais e públicos, reguladores, imprensa e as futuras gerações; stakeholders da cadeia de valor: fornecedores e clientes.
Sustentabilidade – característica de um processo ou sistema que permite a continuidade de sua existência, por longo período. É sinônimo de durabilidade e continuidade. Quando o assunto é o meio ambiente, refere-se à continuidade da sobrevivência no planeta Terra.
Sustentabilidade Empresarial – capacidade de uma empresa de adotar medidas para um desenvolvimento sustentável, tanto para o presente como para o futuro.
Sustentabilidade econômica – capacidade da empresa de considerar a estratégia de negócios, resultados financeiros, mercado de atuação, alocação de recursos disponíveis e gestão eficiente de recursos e fluxo do investimento público e privado, interligando-os à sustentabilidade ambiental e social.
Sustentabilidade social – capacidade da empresa de preocupar-se com o bem-estar e a condição de vida das pessoas, igualdade na distribuição da renda, melhoria da qualidade de vida e, consequentemente. dos aspectos culturais da população, interligando-os à sustentabilidade econômica e ambiental. Está associada também com a promoção e participação da empresa em projetos de natureza social, compromisso com o desenvolvimento das pessoas e da sociedade, suporte no crescimento da comunidade e assumir a responsabilidade social corporativa.
Sustentabilidade ambiental – capacidade da empresa de preocupar-se com os impactos de sua ação sobre o meio ambiente, por meio do desenvolvimento de tecnologias limpas, reciclagem, uso sustentável dos recursos naturais, atendimento à legislação de meio ambiente, tratamento de efluentes e resíduos e aplicação de produtos e/ou serviços ecologicamente corretos. Refere-se à preocupação com os impactos ambientais e interliga-se à sustentabilidade econômica e social.
The Natural Step (TNS) – ferramenta científica para análise e tomada de decisão visando à sustentabilidade; é uma avaliação sistêmica da dinâmica econômica, ambiental e social. A partir da análise da situação atual, essa ferramenta auxilia no planejamento futuro para a sustentabilidade. O Brasil é um dos países que adota essa ferramenta.
FLEURY, Maria Tereza Leme; FLEURY, Afonso. Construindo o conceito de competência. RAC, edição especial, 2001, pp. 186-196.

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