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HELMINTOS Prof. Dr. Victor M. Reis Tebaldi Filo Platyhelminthes (Platýs = chato; helmintos = verme) Caracterizam-se pela ausência do exo ou endoesqueleto; são achatados dorsoventralmente, sem celoma, com ou sem tubo digestivo, sem ânus, sem aparelho circulatório, sem aparelho respiratório, sistema excretor protonefrídico, com tecido conjuntivo enchendo os espaços entre os órgãos. Com simetria bilateral. Podem ser de vida livre, ecto ou endoparasitos. Seus representantes estão distribuídos pelas classes: I- Turbelaria II- Trematoda III- Cestoda Interessam-nos as classes Cestoda e Trematoda. Classe Trematoda Habitualmente, são achatados dorsoventralmente, às vezes recurvados, com face ventral côncava, de contorno oval ou alongado; outras vezes parecem volumosos, com extremidade posterior alongada e anterior afilada e truncada (cortada), ou globulosos e recurvados dorsoventralmente. A forma típica é a de folha. Ex.: Schistosoma mansoni e Fasciola hepatica. Classe Cestoda • Apresenta-se com três regiões distintas: ✓ Escólex, região anterior, na qual encontram-se os órgãos de fixação; ✓ Colo ou pescoço, suporta o escólex e é o elemento de ligação com o estróbilo. Possui células em constante divisão (originam os proglotes). ✓ Estróbilo, nitidamente segmentado, formado pelos proglotes jovens e maduros. Possuem os aparelhos genitais masculino e feminino. Esta classe compreende duas subclasses: Cestodaria e Eucestoda, esta última com várias ordens, das quais interessam-nos Pseudophyllidea e Cyclophillidea, por incluírem espécies parasitas do homem. Ex.: Taenia solium, T. saginata, Echinococcus granulosus, Hymenolepis nana, H. diminuta, etc. Echinococcus granulosusHymenolepis nana ❖ Schistosoma mansoni Morfologia Deve ser estudada nas várias fases que podem ser encontradas em seu ciclo evolutivo: adulto (macho e fêmea), ovo, miracídio, esporocisto e cercária. Ovo Miracídio Cercária Esporocisto Homem com ascite (barriga d’água) Dermatite cercariana Hábitat • Os vermes adultos vivem no sistema porta; quando os esquistossômulos atingem o fígado, migram para o sistema porta, onde sofrem maturação sexual → ovoposição, dentro dos ramos terminais da veia mesentérica inferior, principalmente ao nível da parede intestinal. Sistema porta-hepático Fonte: PINTO et al. (2011). Transmissão • As cercárias penetram a pele íntegra do homem, mais frequentemente nos pés e pernas (áreas do corpo que ficam em > contato com águas contaminadas). • Cercárias são vistas em maior quantidade e com maior atividade entre 10 e 16 h, quando a luz solar e o calor são mais intensos. • Os locais de transmissão: valas de irrigação de horta, açudes (reservatórios de água e local de brincadeiras de crianças), pequenos córregos onde as lavadeiras e crianças costumam ir. OVOS ALCANÇAM A ÁGUA → LIBERAÇÃO DO MIRACÍDIO → MIRACÍDIOS PENETRAM EM MOLUSCOS VETORES → ESPOROCISTO → CERCÁRIAS → ÁGUA. Ciclo Biológico Caramujos transmissores • Os moluscos pertencem à subclasse Pulmonata, ordem Basommatophora, família Planorbidae e gênero Biomphalaria. • Brasil → dez espécies pertencentes ao gênero Biomphalaria: Biomphalaria glabrata, B. tenagophila, B. straminea, B. amazonica, B. peregrina, B. intermedia, B. schrammi, B. occidentalis, B. oligozoa e B. kuhniana. Destas espécies, somente as três primeiras foram encontradas eliminando cercarias em condições naturais e a B. amazonica e a B. peregrina foram infectadas em condições de laboratório, podendo, portanto, ser consideradas hospedeiras em potencial. Patogenia • Ligada a fatores como: cepa do parasito, carga parasitária adquirida, idade, estado nutricional e resposta imunológica da pessoa. • Alguns trabalhos verificaram correlação direta entre carga parasitária (estimada pela contagem de ovos por grama de fezes) e a sintomatologia. • Em população com a média do número de ovos nas fezes muito elevada, é mais freqüente a forma hepatoesplênica e as formas pulmonares. As alterações cutâneas (dermatites) e hepáticas são grandemente influenciadas pela resposta imune frente aos antígenos dos esquistossômulos e dos ovos. Sintomas • A penetração da cercária na pele causa dermatite cercariana, sendo comum ocorrer eritema, urticária (dermatite cercariana) e prurido ou pápulas na pele no local penetrado, que duram alguns dias. http://pt.wikipedia.org/wiki/Eritema http://pt.wikipedia.org/wiki/Urtic%C3%A1ria http://pt.wikipedia.org/wiki/Dermatite Período de Incubação e Sintomas • O período de incubação é de dois meses. • Na fase inicial ou aguda a disseminação das larvas pelo sangue e a passagem pelos pulmões e depois pelo fígado ativa o sistema imune surgindo febre, mal estar, cefaleias, astenia, dor abdominal, diarreia sanguinolenta, dispneia, hemoptise, artralgias, linfonodomegalia e esplenomegalia, um conjunto de sintomas conhecido por síndrome de Katayama. • Nas análises sanguíneas há eosinofilia (aumento dos eosinófilos, células do sistema imunitário antiparasitas). A produção de anticorpos pode levar à formação de complexos que causam danos nos rins. Estes sintomas podem ceder espontaneamente ou podem nem sequer surgir, mas a doença silenciosa continua. http://pt.wikipedia.org/wiki/Febre http://pt.wikipedia.org/wiki/Cefal%C3%A9ia http://pt.wikipedia.org/wiki/Astenia http://pt.wikipedia.org/wiki/Dor_abdominal http://pt.wikipedia.org/wiki/Diarreia http://pt.wikipedia.org/wiki/Dispn%C3%A9ia http://pt.wikipedia.org/wiki/Hemoptise http://pt.wikipedia.org/wiki/Artralgia http://pt.wikipedia.org/wiki/Linfonodomegalia http://pt.wikipedia.org/wiki/Esplenomegalia http://pt.wikipedia.org/wiki/Eosinofilia http://pt.wikipedia.org/wiki/Eosin%C3%B3filo http://pt.wikipedia.org/wiki/Anticorpo http://pt.wikipedia.org/wiki/Rim Sintomas • Os sintomas crônicos são quase todos devidos à produção de ovos imunogénicos. Estes são destrutivos por si mesmos, com o seus espinhos e enzimas, mas é a inflamação com que o sistema imune lhes reage que causa os maiores danos. • Os sintomas desta fase crônica resumem-se a hepatopatias/enteropatias com hepatomegalia, diarreia e patologias urinárias como disúria/hematúria, nefropatias, cancro da bexiga. http://pt.wikipedia.org/wiki/Inflama%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Hepatopatia http://pt.wikipedia.org/wiki/Hepatomegalia http://pt.wikipedia.org/wiki/Diarreia http://pt.wikipedia.org/wiki/Dis%C3%BAria http://pt.wikipedia.org/wiki/Hemat%C3%BAria http://pt.wikipedia.org/wiki/Nefropatia http://pt.wikipedia.org/wiki/Bexiga Profilaxia - Tratamento da população infectada; - Educação sanitária e saneamento básico; - Combate aos caramujos transmissores. ❖ Fasciola hepatica • A F. hepatica (Lineu, 1758) é um parasito de canais biliares de ovinos, bovinos, caprinos, suínos e vários mamíferos silvestres. É encontrada em quase todos os países do mundo, nas áreas úmidas, alagadiças ou sujeitas a inundações periódicas. • Ocasionalmente, pode parasitar o homem e, no BR, já foram assinalados numerosos casos. Hábitat • Normalmente, a F. hepatica é encontrada no interior da vesícula e canais biliares mais calibrosos de seus hospedeiros usuais; no homem, que não é o seu hospedeiro habitual, a F. hepatica pode ser encontrada nas vias biliares, como também nos alvéolos pulmonares, e esporadicamente em outros locais. Ciclo biológico • Heteroxênico • Hosp. Intermediário - no Brasil, são caramujos principalmente das espécies Pseudosuccinea columella e Limneae viatrix. • Os vermes adultos põem ovos operculados que, com a bile, passam para o intestino, de onde são eliminados com as fezes. • Os ovos possuem uma massa de células que, encontrando condições favoráveis de temperatura (25-30°C), umidade e ausência de putrefação, dão origem a um miracídio. Passar para o esquema.... • Miracídio em contato com a água sai do ovo ---- nada até encontrar um molusco– Lymnaea – para completar o ciclo ---- penetrando no molusco, cada miracídio forma um esporocisto, que dá origem a várias (5 a 8) rédias. • Cada molusco libera diariamente uma média de seis a oito cercárias, durante cerca de três meses. • O homem (ou animal) infecta-se ao beber água ou comer verdura (agrião etc.) com metacercárias. Estas desencistam-se no intestino delgado, perfuram a parede do mesmo, caem na cavidade peritoneal, perfuram a cápsula hepática (ou cápsula de Glisson) e começam a migrar pelo parênquima hepático. Dois meses depois estão nos ductos biliares. Transmissão • Processa-se através da ingestão de água e verduras, contaminadas com metacercárias. • Os animais se infectam bebendo água e ingerindo alimentos (capins, gravetos etc.) contaminados com metacercárias. Patogenia • A fasciolose é um processo inflamatório crônico do fígado e ductos biliares. É mais grave nos animais, onde “a migração simultânea de grande quantidade de formas imaturas pelo fígado causa hepatite traumática e hemorragias”. Além disso, provocaria uma séria perda de peso, diminuição da produção de leite e, mesmo morte dos animais. Fêmeas grávidas ingerindo metacercárias podem ter seus fetos infectados. • No homem, por não ser o hospedeiro normal do parasito, o número de formas presentes costuma não ser elevado. Ainda assim podemos constatar alterações orgânicas provocadas pelo helminto. Essas lesões são de dois tipos: a) lesões provocadas pela migração de formas imaturas no parênquima hepático; b) lesões ocasionadas pelo verme adulto nas vias biliares. Profilaxia A profilaxia da fasciolose humana depende primariamente do controle dessa helmintose entre os animais domésticos. Para atingir tal objetivo, as medidas fundamentais são: ➢ Destruição dos caramujos; ➢ Tratamento em massa dos animais; ➢ Isolamento de pastos úmidos; ➢ Proteção do homem. Nas áreas sujeitas, recomenda-se: ➢ Não beber água proveniente de alagadiços ou córregos, e sim filtrada ou de cisterna bem construída; ➢ Não plantar agrião em área que possa ser contaminada por fezes de ruminantes (como esterco, ou acidentalmente); ➢ Não consumir agrião proveniente de zonas em que essa helmintose animal tiver prevalência alta. ❖ Teníase e Cisticercose Na família Taeniidae, dois cestódeos importantes que tem o homem como hospedeiro definitivo e obrigatório são: a Taenia saginata e a Taenia solium, popularmente conhecidas como solitárias. Hospedeiros intermediários são o bovino e o suíno, onde causam a cisticercose ou “canjiquinha”. Morfologia • Vermes adultos: A T. saginata e a T. solium Linnaeus, 1758 (Cestoda, Taeniidae) são divididas morfologicamente em escólex ou cabeça, colo ou pescoço e estróbilo ou corpo. ✓ T. solium – até 3 metros ( 800 a 1000 proglotes; 80.000 ovos por proglote) ✓ T. saginata – até 8 metros (mais de 1000 proglotes; até 160.000 ovos por proglote) • Escólex: É um órgão adaptado para a fixação do cestódeo na mucosa do intestino delgado. Apresenta quatro ventosas formadas de tecido muscular, arredondadas e proeminentes. • Colo: Está situado imediatamente abaixo do escólex; não tem segmentação, mas suas células estão em constante atividade reprodutora, dando origem as proglotes jovens. • Estróbilo: É o corpo do helminto, formado pela união de proglotes ou proglótides (anéis), podendo ter de oitocentas a mil e atingir três metros na T. solium ou ter mais de mil proglotes e atingir até oito metros na T. saginata. • Ovos: Microscopicamente, é impossível diferenciar os ovos das duas tênias. Eles são esféricos e medem 30 m de diâmetro; são constituídos por uma cutícula protetora denominada embrióforo, que é formado por blocos piramidais de quitina, unidos entre si por uma substância (provavelmente protéica) cimentante. Dentro do embrióforo, encontramos a oncosfera ou embrião hexacanto com dupla membrana e três pares de acúleos. • Cisticercos: O Cysticercus cellulosae, larva da T. solium é constituído de escólex com quatro ventosas, rostelo, colo e uma vesícula membranosa contendo líquido em seu interior. O Cysticercus bovis é a larva da T. saginata, apresenta a mesma morfologia do C. cellulosae, diferindo apenas pela ausência do rostelo. Estas larvas podem atingir até doze milímetros de comprimento, após quatro meses de infecção. Habitat • Tanto a T. solium como a T. saginata, na fase adulta ou reprodutiva, vivem no intestino delgado do homem, já o C. cellulasae é encontrado no tecido subcutâneo, muscular, cardíaco, cerebral e no olho de suínos e acidentalmente no homem e cão. O C. bovis é encontrado nos tecidos dos bovinos. Ciclo Biológico Ciclo Biológico Transmissão • O homem adquire a teníase por T. saginata ingerindo carne de bovino crua ou mal cozida infectada pelo C. bovis. A teníase por T. Solium é adquirida pela ingestão de carne de suíno crua ou mal cozida infectada pelo C. cellulosae. A cisticercose humana é adquirida pela ingestão acidental de ovos viáveis da T. solium. Métodos possíveis de infecção do homem pelos ovos da T. solium: • Auto-infecção externa: o homem elimina proglotes e os ovos de sua própria tênia são levados à boca pelas mãos contaminadas ou pela coprofagia. • Auto-infecção interna: durante vômitos ou movimentos retroperistálticos do intestino, as proglotes da T. solium poderiam ir até o estômago e depois voltariam ao intestino delgado, liberando as oncosferas. • Heteroinfecção: o homem ingere, juntamente com os alimentos contaminados, os ovos da T. solium, de outro paciente. Patogenia e Sintomatologia • Devido ao longo período em que a T. saginata ou a T. solium parasita o homem, elas podem causar fenômenos tóxicos alérgicos, através de substâncias excretadas, provocar hemorragia através da fixação na mucosa, destruir o epitélio e produzir inflamação com infiltrado celular com hipo ou hipersecreção de muco. • Tonturas, astenia, apetite excessivo, náuseas, vômitos, alargamento do abdômen, dores de vários graus de intensidade em diferentes regiões do abdômen e perda de peso são alguns dos sintomas observados em decorrência da infecção. • Cisticercose ocular - o cisticerco alcança o globo ocular através dos vasos da coroide, instalando-se na retina - deslocamento da retina ou a perfuração desta, atingindo o humor vítreo. As conseqüências da cisticercose ocular são: reações inflamatórias exsudativas que promoverão opacificação do humor vítreo, sinéquias posteriores da íris, uveítes ou até panoftalmite. • Neurocisticercose – as lesões presentes nos hemisférios, ventrículos e na base do cérebro podem causar dores de cabeça com vômitos, ataques epileptiformes, desordem mental com formas de delírio, prostração, alucinações, hipertensão intracraniana. • Cisticercose cardíaca - pode resultar em palpitações e ruídos anormais ou dispneia quando os cisticercos se instalam nas válvulas. • Cisticercose muscular ou subcutânea – provoca reação local, formando uma membrana adventícia fibrosa. Com a morte do parasito, este sempre tende a calcificar-se. Quando numerosos cisticercos instalam-se em músculos esqueléticos, podem provocar dor (quer estejam calcificados ou não), especialmente quando localizados nas pernas, região lombar, nuca, etc., além da fadiga e cãibras. Profilaxia - Melhoria das condições de saneamento do meio ambiente; - Tratamento dos doentes; - Ampliação da inspeção veterinária de produtos cárneos; - Evitar o abate e consumo de produtos não inspecionados pela vigilância sanitária; - Educação em saúde com destaque para necessidade de criação de hábitos de higiene; - Conservação da carne em temperatura inferior a –15ºC durante seis dias, seu devido cozimento e o diagnóstico e tratamento da teníase humana em áreas endêmicas. ❖ Hymenolepis nana O Hymenolepis nana (Siebold, 1852) “é o menor e o mais comum dos cestódeos que ocorremno homem”. Essa espécie é também muito encontrada no íleo de ratos e camundongos de várias partes do mundo. Morfologia • Verme adulto. Mede cerca de 3 a 5 centímetros, com 100 a 200 proglotes bastante estreitas. Cada um destes possui genitália masculina e feminina. O escólex apresenta quatro ventosas e um rostro retrátil armado de ganchos. • Ovos. São quase esféricos, cerca de 40 m de diâmetro. São transparentes e incolores. Apresentam uma membrana externa delgada envolvendo um espaço claro; mais internamente apresentam outra membrana envolvendo a oncosfera. Essa membrana interna apresenta dois mamelões claros em posições opostas, dos quais partem alguns filamentos longos. • Larva cisticercoide. É uma pequena larva, formada por um escólex invaginado e envolvido por uma membrana. Contém pequena quantidade de líquido. Mede cerca 500 micrômetros de diâmetro. Hábitat O verme adulto é encontrado no intestino delgado, principalmente íleo e jejuno do homem. Os ovos são encontrados nas fezes e a larva cisticercoide pode ser encontrada nas vilosidades intestinais do próprio homem ou na cavidade geral do inseto hospedeiro intermediário (pulgas e carunchos de cereais). Ciclo biológico Esse helminto pode apresentar dois tipos de ciclo: um, monoxênico, em que prescinde de hospedeiro intermediário, e outro, heteroxênico, em que usa hospedeiros intermediários, representados por insetos (pulgas: Xenopsylla cheopis, Ctenocephalides canis, Pulex irritans e coleópteros: Tenebrio molitor e T. obscurus). Transmissão Ingestão de ovos presentes nas mãos ou em alimentos contaminados. Nestes casos ocorrem normalmente poucas reinfecções no hospedeiro, pois a larva cisticercoide, tendo desenvolvido nas vilosidades da mucosa intestinal, confere forte imunidade ao mesmo. Por esse motivo que o parasito é mais frequente entre crianças do que adultos: estes já possuem alguma imunidade adquirida ativamente, reduzindo a chance de novas reinfecções (autocura). Patogenia • O aparecimento de perturbações está em relação com a idade do paciente e o número de vermes albergados. • Sintomas atribuídos às crianças: agitação, insônia, irritabilidade, diarreia, dor abdominal, raramente ocorrendo sintomas nervosos, dos quais os mais penosos são ataques epilépticos em formas várias, incluindo cianose, perda de consciência e convulsões. Profilaxia - Higiene individual. - Uso de privadas ou fossas. - Uso de aspirador de pó e tratamento precoce dos doentes. - Combate aos insetos de cereais (carunchos) e pulgas existentes em ambiente doméstico é medida muito útil. ❖ Echinococcus granulosus Filo: Platyhelminthes Classe: Cestoidea Ordem Cyclophyllidea Família: Teniidae Gênero: Echinococcus Espécie: E. granulosus INTRODUÇÃO • Cestódeo do intestino do cão. • Forma larval = CISTO HIDÁTICO (ocorre nos ungulados e no homem) → CÃO: EQUINOCOCOSE → HOMEM: HIDATIDOSE MORFOLOGIA • Verme adulto: 3 a 6 mm • Ovo: Nas fezes do cão Cisto hidático: (membrana adventícia, membrana anista, vesícula prolígera, membrana prolígera (germinativa), protoescólex, areia hidática). Protoescóleces Habitat • Vermes adultos: intestino delgado de cães • Cisto hidático: fígado e pulmões dos H.I. (ovinos, bovinos, suínos, caprinos, cervídeos, homem, etc.) Ciclo biológico Heteroxênico (H. D.; H. I.) TRANSMISSÃO • Equinococose no H. D. • Hidatidose no H. I. PATOGENIA - Compressão dos órgãos lesados: - Ação mecânica - Ação imunitária - Complicações DIAGNÓSTICO - Clínico - Laboratorial: • E.P.F. (cão); • Raio X e outros métodos de imagem, reações imunológicas (homem) EPIDEMIOLOGIA - Ciclo cão - ovino - cão: responsável pela manutenção da endemia - Atinge adultos (20 - 40 anos) - Maior incidência: área rural PROFILAXIA - Educação sanitária - Interrupção do ciclo evolutivo do parasito TRATAMENTO - Equinococose (cão): Tenicidas - Hidatidose (homem): * Mebendazol em doses prolongadas (cistos pequenos) * Cirurgia (cistos maiores) * Tratamento Biológico: para criar imunidade Filo Nematoda (nema = fio) ou Nemata - Animais de corpo alongado, cilíndrico e fino, com as extremidades afiladas. - A diversidade no grupo é muito grande. A maioria dos nematódeos é de vida livre, medindo entre 1 mm e 5 cm de comprimento. - São abundantes em diferentes ambientes: solos, água doce e mares. Para se ter ideia da quantidade desses indivíduos, 1 m2 de solo pode conter cerca de 3 milhões desses diminutos animais. ❖ Ascaris lumbricoides Encontrado em quase todos os países do globo, estimando-se que 30% da população mundial esteja por ele parasitados. É popularmente conhecido por lombriga, e causa a doença denominada ascaridíase ou ascaridiose. Hábitat Intestino delgado do homem, principalmente jejuno e íleo. Podem ficar presos à mucosa, com auxílio de seus fortes lábios, ou migrarem pela luz intestinal. Ciclo biológico - Monoxênico. Os ovos férteis em ambiente favorável tornar-se-ão embrionados em 15 dias. A primeira larva, L1, é rabditoide e se forma dentro do ovo. Uma semana depois a L1, se transforma em L2, após nova muda transforma-se em L3 infectante (dentro do ovo) – ingestão de ovos contendo L3 - atravessam todo o trato digestório - eclosão dentro do I.D. As larvas liberadas atravessam a parede intestinal, caem nos vasos linfáticos e veias, e invadem o fígado 18-24 horas após infecção. Dois a três dias após, invadem o coração direito, através da veia inferior. Migram para os pulmões (4 a 5 dias após a infecção) e sofrem muda para L4 (8 a 9 dias após a ingestão dos ovos). Rompem os capilares e caem nos alvéolos, onde sofrem nova muda para L5. Sobem pela árvore brônquica e traqueia, chegando até a faringe. Daí podem ser expelidas por expectoração ou serem deglutidas, atravessando incólumes o estômago e fixando-se no intestino delgado, transformando-se em adulto (20-30 dias após a infecção). Em 60 dias alcançam maturidade sexual e são encontrados nas fezes do hospedeiro. Transmissão Ingestão de ovos infectantes (com L3) junto com alimentos contaminados. Poeira e insetos (moscas e baratas) são capazes de veicular mecanicamente ovos infectantes. Nota: chama-se larva rabditoide aquela que possui esôfago com duas dilatações (uma em cada extremidade) e uma constrição no meio; chama-se larva filarioide aquela que possui esôfago retilíneo. Patogenia Deve ser estudada acompanhando-se o ciclo deste helminto, ou seja, a patogenia das larvas e dos adultos. Em ambas as situações, a intensidade das alterações provocadas está diretamente relacionada com o número de formas presentes no hospedeiro. • Larvas. Em infecções pequenas, normalmente não se observa nenhuma alteração; em infecções maciças encontraremos lesões hepáticas e pulmonares. No fígado, podemos ter pequenos focos hemorrágicos e de necrose, que depois se tornam fibrosados. Nos pulmões ocorrem vários pontos hemorrágicos na passagem das larvas para os alvéolos. Há edemaciação dos alvéolos, com infiltrado parenquimatoso eosinofílico, manifestações alérgicas, febre, bronquite e pneumonia (a esse conjunto de sinais denomina- se síndrome de Löeffler). Na tosse produtiva (com muco) o catarro pode ser sanguinolento e apresentar larvas do helminto. • Vermes adultos. Em infecções pequenas – três a quatro vermes – o hospedeiro não apresenta alteração alguma. Já nas infecções médias – 30 a 40 exemplares – ou maciças – 100 ou mais vermes – podemos ter alterações graves que são as seguintes: ✓ Ação espoliadora: os vermes consomem grande parte de proteínas, carboidratos, lipídeos e vitaminas A e C, levando o paciente, principalmente crianças, à subnutrição e depauperamento físico e mental; ✓ Ação tóxica: reação entre antígenos parasitários e anticorpos alergizantes do hospedeiro, causando edema, urticária, convulsões epileptiformes, etc; ✓ Ação mecânica: causam irritaçãona parede intestinal e podem enovelar-se na luz intestinal, levando à obstrução; localizações ectópicas: nos casos de pacientes com carga parasitária grande ou nos casos em que o verme sofra alguma ação irritativa (medicamento impróprio ou em dosagem pequena), pode levar o helminto a deslocar-se de seu hábitat normal para atingir outro local. Chama-se “áscaris errático” ao verme que se localiza em hábitat anormal. As situações ectópicas que podemos encontrar são: • apêndice cecal, causando apendicite aguda; • canal colédoco, causando obstrução do mesmo; • canal de Wirsung, causando pancreatite aguda; • eliminação do verme pela boca e narinas. Profilaxia Sendo o ovo extremamente resistente aos desinfetantes usuais, e o peridomicílio funcionando como foco de ovos infectantes, as medidas que têm efeito definitivo são: - Educação sanitária; - Construção de fossas sépticas; - Tratamento em massa da população periodicamente (após exames coproscópicos), durante três anos consecutivos; - Proteção dos alimentos contra poeiras e insetos. . ❖ Enterobius vermicularis • Gênero Enterobius: 17 espécies que são parasitos de vários macacos em diferentes regiões (Ásia, África, América), mas que não atingem o homem. • E. vermicularis possui distribuição geográfica mundial, mas tem incidência maior nas regiões de clima temperado. Características gerais: - Provoca parasitismo com manifestações intestinais discretas. - Prurido anal. Morfologia • Larva - Aspecto vermiforme e presença de asas cefálicas; - Tamanho: fêmeas 1cm; machos 0,3-0,5cm; • Ovo - Ovoide com uma face mais plana e outra mais abaulada. Hábitat - Machos e fêmeas vivem no ceco e apêndice. As fêmeas, repletas de ovos (cinco a 16 mil ovos), são encontradas na região perianal. - Em mulheres, às vezes pode-se encontrar esse parasito na vagina, útero e bexiga. Ciclo biológico Hospedeiro: Homem Ciclo: monoxênico • Ovos larvados são eliminados com a morte das fêmeas na região perianal, ficando aderidos à pele; • Os ovos, com larvas infectantes podem ser ingeridos diretamente pelo indivíduo infectado ou eliminados no ambiente; • Após o ovo ter sido ingerido, ocorre eclosão e a larva penetra na mucosa do intestino delgado, migrando até o ceco onde completam a maturação sexual; • Acasalamento e migração das fêmeas repletas de ovos larvados para a região perianal. - PPP: 30-60 dias. - Nutrição: euritróficos (alimentação saprozóica). - Infectividade • Ocorre heteroinfecção e autoinfecção externa; • Apesar da fêmea ter vida curta, ocorre grande produção de ovos para o ambiente; • O final da maturação depende de algumas horas (4-6) em presença de oxigênio; • Ocorre grande variação na quantidade de parasitos eliminados, devido às variações na resposta imune individual, principalmente em áreas endêmicas. Patogenia Ação mecânica • Erosão da mucosa intestinal; Ação irritativa (grande infestação) • Inflamação do tipo catarral (exsudativa mucosa); Congestão anal • Vermes fazem a escarificação da mucosa intestinal e epiderme perianal; Vaginite e cistite Sintomatologia Diarreias, dores abdominais, nervosismo, insônia, eosinofilia e anemia. Prurido anal, lesões no ânus e vagina. Diagnóstico - Anamnese pode ser sugestiva; - Visualização dos parasitos pelo paciente ou à inspeção; - Raspagem anal • Métodos de Graham ou Hall • EPF: Pouco sensível Profilaxia - A roupa de cama usada pelo hospedeiro não deve ser “sacudida” pela manhã, e sim enrolada e lavada em água fervente, diariamente; - Tratamento de todas as pessoas parasitadas da família (ou outra coletividade) e repetir o medicamento duas ou três vezes, com intervalo de 20 dias, até que nenhuma pessoa se apresente parasitada; - Corte rente das unhas, aplicação de pomada mercurial na região perianal ao deitar-se, banho de chuveiro ao levantar-se e limpeza doméstica com aspirador de pó, são medidas completamente de utilidade. ❖ Ancylostoma duodenale ❖ Necator americanus • Causam verminoses denominadas ancilostomíase (ancilostomose) ou necatoríase. Também conhecidas como “amarelão”, essas verminoses tem grande prevalência em regiões quente e úmida de solo arenoso. • Os vermes causadores dessas helmintoses tem o peridomicilio como o principal foco de contaminação da população. Isso se deve ao fato de que o único hospedeiro para esses parasitas é a espécie humana. Morfologia: - A. duodenale: machos medem de 9 a 11 mm e as fêmeas, de 10 a 13 mm. - N. americanus: machos medem de 5 a 9 mm e as fêmeas, de 9 a 11 mm. • Região anterior - cápsula bucal com dentes ou lâminas cortantes – permite a distinção entre os dois parasitas. • Região posterior - macho não apresenta a extremidade recurvada, possuindo uma bolsa copuladora bem característica dessas espécies. • Os ovos das duas espécies são muito parecidos, ovoides e a casca têm forma fina e transparente. • No interior do ovo, desenvolve-se uma larva com o tubo digestivo diferenciado em corpo, istmo e bulbo (L2, larva rabditoide). • No ambiente, ocorre a maturação para um estágio posterior, com esôfago cilíndrico e sem bulbo (L3, larva filarioide). Ovos: em média 60X40 m Larva rabditoide Larva filarioide Ciclo Biológico: Monoxênico TRANSMISSÃO: • Via oral • Via transcutânea PATOGENIA E PATOLOGIA: • Etiologia primária: • Etiologia secundária: - Lesões traumáticas - Alterações pulmonares - Sintomas abdominais - Anemia DIAGNÓSTICO: • Clínico • Laboratorial EPIDEMIOLOGIA: • Ocorre em crianças acima de 6 anos, adolescentes e adultos. • Solo arenoso, umidade e temperatura favorecem desenvolvimento do estágio de vida livre. • Distribuição geográfica preferencial: locais temperados e tropicais. PROFILAXIA: - Saneamento, educação sanitária, suplementação alimentar, uso de anti- helmínticos, produção de vacina. TRATAMENTO: • Pamoato de pirantel, Mebendazol, Albendazol • Alimentação suplementar • Sulfato ferroso ❖ Trichuris trichiura (tricuríase) A tricuríase é uma doença infecciosa parasitária cosmopolita. Na grande maioria dos casos, o parasitismo é silencioso. Mas os pacientes que, em vista de suas condições físicas ou das condições de vida, contraem elevado número de vermes passam a sofrer de perturbações intestinais, cuja gravidade chega até a provocar a morte. MORFOLOGIA • Adultos: medem de 3 a 5 cm de comprimento, os machos são menores que as fêmeas, boca localizada na extremidade anterior, consiste em uma abertura simples e desprovida de lábios, seguida por um esôfago bastante longo e delgado, que ocupa 2/3 do comprimento total do verme. ✓ Região anterior afilada e a posterior alargada, lembrando um chicote. ✓ Machos menores que as fêmeas. • Ovos: 50 a 55 µm de comprimento por 22 a 23 µm de largura, forma de um barril alongado, com poros salientes e transparentes em ambas as extremidades. CICLO BIOLÓGICO (monoxenênico) • As condições ambientais favorecem o desenvolvimento de larvas infectantes no interior do ovo de T. trichiura. Quando ingeridos, os ovos embrionados liberam as larvas, que saem pelas suas extremidades. • Diferentemente de A. lumbricoides, as larvas de T. trichiura não realizam o ciclo de Loss, permanecendo por alguns dias na mucosa duodenal e migrando, posteriormente, para a região cecal, onde completam o ciclo. • Por volta de 70 a 90 dias da ingestão dos ovos embrionados, começam a aparecer ovos nas fezes. TRANSMISSÃO • Os ovos liberados nas fezes contaminam o ambiente em locais sem saneamento básico. Os ovos são resistentes às condições ambientais, podem ser disseminados pelo vento ou pela água e contaminam os alimentos e são ingeridos pelo hospedeiro. • Os ovos podem ainda ser disseminados por moscas domésticas, poeira, etc. PATOGENIA • A gravidade da infecção depende da carga parasitária, da idade e do estado nutricional dos hospedeiros – em geral, crianças.• Em infecções maciças, há intensa irritação intestinal que pode levar à exteriorização do reto (prolapso retal). A grande maioria dos indivíduos é assintomática. • O quadro clínico dos sintomáticos é representado por dores abdominais, perda de apetite, desnutrição, insônia, nervosismo e retardamento no desenvolvimento físico. PROFILAXIA • Educação sanitária, saneamento básico e medidas complementares. • Tratamento das pessoas infectadas, com ou sem sintomas, pois podem funcionar como fonte de contaminação do peridomicílio. 1. Esquematize com legendas explicativas o ciclo de vida do trematódeo que provoca a esquistossomose no ser humano. Cite o nome desse parasita e escreva quais são as principais medidas profiláticas para se evitar essa parasitose. 2. Esquematize com legendas explicativas o ciclo de vida da Taenia solium e escreva quais são as principais medidas profiláticas para combater essa parasitose. BIBLIOGRAFIA: • MOLINARO, E.; CAPUTO, L.; AMENDOEIRA, R. Conceitos e métodos para formação de profissionais em laboratório de saúde. Rio de Janeiro: EPSJVC; IOC, 2012. • NEVES, David Pereira et al. Parasitologia humana. 11.ed. São Paulo: Atheneu, 2010. • PINTO, C.J.C.; GRISARD, E.C.; ISHIDA, M.M.I. Parasitologia. Florianópolis: CCB/EAD/UFSC, 2011. 136 p. il. 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