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Conteudista: Prof. Dr. Edgar Silva Gomes
Revisão Textual: Prof.ª Esp. Márcia Ota
 
Objetivo da Unidade:
Estudar os governos de Jânio Quadros e João Goulart e a crescente insatisfação
das elites com as políticas econômicas; o governo de João Goulart a tentativa de
uma reforma política.
˭ Contextualização
˭ Material Teórico
˭ Material Complementar
˭ Referências
O Ocaso da Democracia: os Governos de Jânio
Quadros e João Goulart
Refletindo o passado pelas ações do presente! Eu, como pesquisador, costumo dizer que “A
política não é inocente”. Desde o invento de Gutenberg, a leitura se tornou um hábito muito
mais corriqueiro e não monopolizado pela elite, mas como “todos” nós sabemos, a Mídia no
Brasil é dominada por um grupo restrito de milionários, que também influenciam na política.
Portanto, vou fazer um acréscimo ao meu bordão, “A política não é inocente: e a mídia nas mãos
da elite manipula e aliena quem não procura meios alternativos à 'Grande Imprensa' para se
informar”, como veremos nesta Unidade: “O Ocaso da Democracia: Os Governos de Jânio
Quadros e João Goulart”, a mídia teve uma grande influência na instalação da “Ditadura
Empresarial Civil Militar no Brasil”.
Sendo assim, para nossa contextualização, não basta dizer que a mídia, a qual caracterizo
deforma geral como “Grande Imprensa”, continua tendo suas preferências partidárias,
escondida atrás de uma suposta imparcialidade da Imprensa. Vamos contextualizar esses
argumentos com o artigo publicado no “Observatório da Imprensa” sob o título: “Imprensa &
Jornalismo: O Discurso Maniqueísta” por Luciano Martins Costa de 26 de janeiro de 2015.
Outra boa matéria atual e que cita os governos de Jânio Quadros e João Goulart, do jornal
espanhol El País faz uma interrogação à entrevista de Serra ao “O Globo” da família Marinho,
acostumada ao poder e não satisfeita com as contrariedades sofridas nos últimos anos vem
atacando o governo da presidente Dilma, principalmente, após a proposta do governo de
regulamentação da mídia brasileira, toda ela nas mãos de políticos de diversos partidos e sem
representação social; El País, Opinião, Juan Arias, 30/01/2015.
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˭ Contextualização
O Discurso Maniqueísta 
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ACESSE
Serra Assegura que Dilma Não Acabará o Mandato. É Crível?  
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ACESSE
Fotos estampadas em jornais de todo o mundo sugeriram que líderes mundiais estavam à frente
da marcha em Paris. Mas eles, na verdade, estavam em outra rua, isolados e protegidos por
seguranças. (Fonte: Pragmatismo Político)
Leitura
https://www.observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/o_discurso_maniqueista/
https://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/30/opinion/1422647442_830138.html
Figura 1 
Fonte: Reprodução
Introdução
O período que antecede o Golpe de 64 foi bastante conturbado. Nas eleições, houve a candidatura
de três presidenciáveis: o militar Henrique Lott e os ex-governadores de São Paulo, Adhemar de
Barros Filho e Jânio da Silva Quadros. O voto direto foi garantido para todos os brasileiros com
mais de 18 anos e alfabetizados. O cargo de vice-presidente tinha votação em separado.
Jânio Quadros, com uma carreira política meteórica, foi o “queridinho” da ABI que criou um
movimento pró-Jânio, o MPJQ, no ano de 1959. Adhemar de Barros estava concorrendo ao cargo
de presidente da República pela segunda vez e conseguiu apenas o terceiro lugar nas duas
eleições.
O candidato da “situação” era o general Lott, pouco carismático, que não conseguiu derrotara
“vassourinha” anticorrupção de Jânio Quadros e saiu vitorioso com mais de 48% dos votos
validos. Jânio atropelou Adhemar de Barros, o “bom de voto”, e o candidato da situação, mas
para decepção dos seus eleitores renunciou apenas sete meses, após assumir a presidência no
Planalto Central do país, sendo o primeiro presidente a governar direto de Brasília-DF.
O vice-presidente eleito foi o getulista João Goulart; quando recebeu a notícia da renúncia de
Jânio, estava em viagem à China. Pelo regulamento da constituição de 1946, sua posse seria
automática, mas os Ministros Militares de Jânio tentaram impedir a posse.
Desse modo, Brizola articulou com alguns militares, e, após alguns acertos e com a mudança do
regime de presidencialista para parlamentarista, Jango assumiu o cargo, com um remendo de
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˭ Material Teórico
última hora por imposição militar. O mandato foi todo pontuado por muitas tensões, mas está é
uma história que veremos no desenrolar desta Unidade...
Jânio Quadros: e o Governo que Não Foi...
O curto governo de Jânio Quadros foi marcado por contradições e curiosidades. As eleições
presidenciais de 1960 foram o marco inicial da associação entre eleições e televisão na
campanha presidencial com a inserção de um comercial de vinte e três segundos na TV, em que
um casal com um filho reclamava da carestia e aparecia uma foto do candidato no final.
Jânio governou o país pela primeira vez do Planalto Central, Brasília foi efetivamente ocupada
pela máquina administrativa do governo federal em seu governo. Além disso, JK inaugurou
Brasília no dia 21 de abril de 1960, mas não se transferiu para Brasília.
Vídeo 
Propaganda Comercial Brasil Ano 1960 Jânio Quadros
PROPAGANDA COMERCIAL BRASIL BRAZIL ANO 1960 JANIO QU…
https://www.youtube.com/watch?v=GdPtbvMh4jQ
Rui Felten, para o site do PDT gaúcho, em sua curta apreciação sobre o governo de Jânio Quadros
nos apresenta como ele diz “um homem de hábitos um tanto esquisitos. Costumava guardar
sanduíches de mortadela nos bolsos e sujava o paletó de talco para parecer caspa. Dizia que isso
o tornava alguém mais comum e o aproximava dos pobres”.
Entre as esquisitices oficiais, as proibições mais clássicas são: a rinha de galo e corrida de
cavalos em dias úteis; o uso de maiô nos concursos de misses e nas praias, além de ter vetado a
transmissão televisiva do concurso; proibiu o lança perfume nos carnavais, mas regularizou o
jogo de carteado.
O cineasta Silvio Tendler chegou a comentar, segundo Felten, que, ao se eleger um estadista, o
país ganhou um “delegado de costumes”, e aí mora outra contradição para quem vigiava tanto o
comportamento alheio, notabilizou-se por abusar da bebida.
Sua promessa de campanha, notabilizada pela “vassourinha” contra a corrupção e a imoralidade
surtiu o efeito desejado. Então, Jânio se elegeu, aos quarenta e quatro anos de idade, com uma
votação recorde em eleições presidenciais no país; foram 5,6 milhões de votos,
percentualmente, essa fatia representou 48,27% dos votos válidos. Como estadista, suas
contradições não eram menores do que como “delegado de costumes”, anticomunista
declarado, Jânio condecorou o comunista Che Guevara, com a maior honraria concedida pelo
Estado brasileiro, que é a medalha da “Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul”.
Figura 2 
Fonte: Reprodução
Este tipo de “santinho”, em formato de selo, era vendido nas ruas pelos cabos eleitorais do
candidato e a renda dessas vendas utilizada no financiamento da campanha do candidato. Este,
especificamente, de Jânio da Silva Quadros, foi utilizado em sua campanha eleitoral, quando foi
eleito a presidente da República, em 3 de outubro de 1960, com 5.636.623 votos.
Mas Jânio começou seu governo vinculado aos patrocinadores de sua campanha eleitoral, o
capital externo e os latifundiários, que o haviam apoiado, “algumas medidas econômicas
contribuíram para elevar o custo de vida, ao mesmo tempo [em] que amarrava os salários e
procurava anestesiar o povo com medidas de pura e farisaica índole moralizante”, como nos
exemplos citados anteriormente: proibição de rinha de galo, uso de biquíni nas praias, entre
outras perfumarias que não condiziam com o cargo que ocupava.
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ACESSE
Mas quem é e de onde vem este político quase caricato? Jânio Quadros nasceu no estado do Mato
Grosso, na cidade de Campo Grande no ano de 1917, hoje atual capital do estado do Mato
Grosso
do Sul, mas mudou-se, muito cedo, com os pais, Gabriel Quadros, médico e engenheiro
agrônomo, e a mãe dona Leonor da Silva Quadros, para a cidade de Curitiba, capital paranaense,
na qual iniciou seus estudos em colégios públicos, com a mudança para São Paulo. Ele concluiu
seus estudos no Colégio Arquidiocesano Marista, graduando-se advogado pela Faculdade de
direito da Universidade de São Paulo.
Livro 
Sociedade Brasileira: uma História 
AQUINO, R. S. L. Sociedade brasileira: uma história. 4 ed. Rio de Janeiro:
Record, p. 621, 2005.
Leitura 
Populismo
https://www.infoescola.com/politica/populismo/
Jânio exerceu a profissão de advogado até ingressar numa meteórica carreira política, cumpriu o
mandato de vereador na capital paulista pelo Partido Democrata Cristão na legislatura 1948-
1950, foi deputado estadual e líder de sua bancada durante os anos de 1951-1953, prefeito da
capital paulista em 1953-1954 pela coligação PDC-PSB. Eleito governador de São Paulo no ano de
1954 pelo PTN, procurou projetar sua imagem nacionalmente, após sua curta passagem pela
prefeitura, onde deixaria sua marca.
Em seu governo, São Paulo foi um dos estados que mais se favoreceu com a política de
industrialização e concentração de crédito do governo federal de JK para tirar o país do
subdesenvolvimento em que estava imerso, mas isso não foi suficiente para Jânio se alinhar à
política de JK, permanecendo aliado à oposição udenista.
No período do governo janista, o estado de São Paulo favorecido pelas políticas econômicas de
JK, como já dissemos, teve uma elevação considerável no recebimento de tributos, conseguindo
diminuir o déficit público herdado de antecessores no cargo.
“Assumiu a prefeitura aos 36 anos e um dos seus primeiros atos foi promover
demissões em massa de funcionários, iniciando uma cruzada moralizadora que
marcou sua gestão. Em 1954, desincompatibilizou-se do cargo para candidatar-se
a governador do estado de São Paulo. Vencendo as eleições, foi empossado
governador em 31 de janeiro de 1955. Desde o início do seu governo, procurou
ampliar seu espaço político no nível nacional, estabelecendo contatos com o
presidente João Café Filho. A aproximação entre ambos criou condições mais
propícias para o governo paulista realizar um trabalho de recuperação financeira
do estado.”
Era preciso ousar e JK ousou ao anunciar seu programa de governo – 50 anos de progresso em 5
anos de realizações, com pleno respeito às instituições democráticas. O Plano de Metas
mencionava cinco setores  básicos da economia, abrangendo várias metas cada um, para os
quais os investimentos públicos e privados deveriam ser canalizados. Os setores que mais
receberam foram energia, transportes e indústria de base, num total de 93% dos recursos
alocados. Esse percentual demonstra por si só que os outros dois setores incluídos no plano,
alimentação e educação, não mereceram o mesmo tratamento dos primeiros.
A campanha presidencial de Jânio Quadros se iniciou no ano de 1959, após se desvincular do
governo paulista (1955-1959) e receber o apoio de um grupo da capital federal, que se intitulou
Movimento Popular Jânio Quadros.
Jânio Quadros apareceu, no cenário nacional, com possibilidades de ser um líder carismático.
Segundo Skidmore, “a atração de Jânio baseava-se na sua imagem como o ‘antipolítico’, o
amador honesto que oferecia a possibilidade de uma transformação radical em relação aos
detentores do antigo estilo” capaz de se adaptar ao novo estilo de um país moderno e urbano.
Ainda de acordo esse mesmo autor, após governar São Paulo, o estado que representava o novo
Brasil, “parecendo querer salientar seu desprezo pelos rótulos partidários, elegeu-se Deputado
“A campanha para sucessão presidencial de 1960 foi realizada em um quadro
alterado pelas transformações econômicas e sociais ocorridas durante o governo
de Kubitscheck, cuja política desenvolvimentista provocou um grande crescimento
das cidades. No dia 20 de abril de 1959, um grupo reuniu-se na Associação
Brasileira de Imprensa (ABI) no Rio de Janeiro e fundou o Movimento Popular
Jânio Quadros (MPJQ), lançando nessa ocasião a candidatura do ex-governador de
São Paulo à presidência, Jânio venceu as eleições de 3 de outubro de 1960. No
mesmo pleito, João Goulart foi eleito vice-presidente.”
Federal como candidato do PTB no Estado vizinho, o Paraná em 1958, no entanto, sua meta era a
presidência e nunca apareceu no Congresso”.
Desde 1946, o direito ao voto (direto) nas eleições era restrito apenas aos analfabetos e menores
de dezoito anos. As eleições para presidente e vice-presidente se davam de forma separada.
Assim, o militar Henrique Teixeira Lott, candidato governista, ex-ministro que garantiu a posse
de JK, filiado inicialmente ao Partido Social democrático (PSD), recebeu o apoio de uma coalizão
de partidos da base do governo, como por exemplo, o Partido Social Trabalhista (PST), o Partido
Republicano Trabalhista (PRT), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Uma característica marcante das eleições pré-internet, e pré-horário eleitoral gratuito, foram
os jingles, músicas simples e marcantes, que tentavam imprimir uma marca ao candidato, para
que este fosse lembrado pelos seus eleitores na hora da votação.
O candidato governista tinha o seguinte jingle: “De Leste a Oeste, de sul a norte, na terra
brasileira, é uma bandeira, o marechal Teixeira Lott”, seu vice-presidente João Goulart também
tinha seu jingle: “Na hora de votar, o meu Rio Grande vai jangar, é Jango, é Jango, é Jango, pra
vice-presidente, nossa gente vai jangar, é Jango, Jango, é o João Goulart”. Esse jingle, em sua
versão nacional, aparecia como “o brasileiro vai votar” e variava de estado para estado da
federação. Desse modo, João Goulart foi o vice-presidente eleito.
Outro candidato na disputa presidencial, Adhemar Pereira de Barros, famoso por receber grande
quantidade de votos nas eleições que havia participado, defendeu o PSP e não fez coligações para
a disputa nacional. 
Adhemar era o então prefeito da capital do estado mais rico do país, São Paulo, estado pelo qual
já havia sido eleito governador, antes de Jânio Quadros. Seu jingle era “Desta vez, vamos com
Adhemar” repetido à exaustão, o jingle era bem simples, talvez para facilitar a memorização da
letra fácil pelo povo simples. Jânio Quadros não era o único candidato a exibir um símbolo na
campanha, a vassoura, Lott tinha uma espada e Adhemar de Barros, um trevo como símbolos de
campanha.
Jânio Quadros, como vimos acima, foi apoiado pela ABI que formou o grupo MPJQ, esse viés
populista era acompanhado pelo indefectível jingle:
Esse jingle aliado à fama de combatente da corrupção “grudou” na cabeça das pessoas, junto
com seu jeito bonachão, foi a fórmula da vitória. Jânio iníciou a campanha “nânico” filiado ao
PTN e com o apoio do seu antigo partido, o PDC, foi ganhando adesões de outros partidos como,
por exemplo, o PR e o PL, partidos da República e Libertador.
Finalmente, seu antigo apoiador, a UDN aderiu a sua campanha, os udenistas viam em Jânio uma
boa possibilidade de se ligar ao poder e Carlos Lacerda fez um apelo de “aliança com o povo”.
Essa foi uma fórmula para evitar mais uma derrota dos liberais da UDN contra a “oligarquia do
poder” que estava instalada na administração de JK.
Jânio Quadros, um outsider partidário, colocava-se de forma ambígua em relação a Vargas, não
se aliava às forças de oposição ao getulismo, mas também não aderia ao estilo do ex-presidente
e a seus seguidores. Essa característica para Skidmore é uma complicação que acompanhava a
carreira política do novo presidente da República.
Ao contrário do carismático Jânio, o candidato governista Lott era “um candidato fraco, sem
experiência política e sem nenhum charme pessoal – um fato que a antiga linha do PSD e PTB,
assim como a dos intelectuais nacionalistas, logo verificaram”.
O candidato vencedor “prometia uma democracia honesta e digna, mas também comprometia a
assegurar
uma rápida taxa de desenvolvimento econômico que atingiria setores anteriormente
“Varre, varre, varre, varre; Varre, varre, vassourinha; Varre, varre a bandalheira;
Que o povo já está cansado; De sofrer desta maneira; Jânio Quadros é esperança;
Desse povo abandonado.”
negligenciados, como a agricultura, educação e saúde”, assegurou também um rígido controle
da inflação, que, no último governo, assombrava a população.
Tudo isso Jânio prometia em seus discursos e comícios, que foram muitos – esse artifício de
campanha também foi realizado por todos os candidatos – um país independente e soberano,
não excluindo a fórmula neoliberal,  assegurava os investimentos estrangeiros e não fez plano
de metas como no governo JK, o nacionalismo também não era meta de Jânio, hipótese
confirmada em um discurso depois de eleito.
Para Aquino, o discurso de Jânio Quadros sinalizava para uma política internacional
independente, livre de amarras da Guerra Fria e do alinhamento automático com a política
Americana. Com esse discurso, o governo iniciava sua política internacional, buscando reatar as
relações com os países socialistas como, por exemplo, a China e a União Soviética, além de ter
enviado uma missão diplomática para a ex-Alemanha Oriental, a diplomacia brasileira também
rompia com diretrizes anteriores como, por exemplo, apoiar a admissão da China na ONU.
“Atravessamos horas das mais conturbadas que a humanidade já conheceu. O
colonialismo agoniza, envergonhado de si mesmo (...) ao Brasil cabe estender as
mãos a esse mundo jovem, compreendendo-lhes os excessos ou desvios
ocasionais (...) compreender significa auxiliar no que for possível e no que for
preciso (...) abrimos nossos braços a todos os países do continente. Abrimo-lo,
também, às velhas coletividades europeias e asiáticas, sem prevenções político-
filosóficas (...) os nossos portos agasalharão os que conosco queiram comerciar
(...) Temos plena consciência da nossa pujança para que nos arreceemos de tratar
com quem quer que seja (Discurso, 1 de fevereiro de 1961, Programa a Voz do
Brasil ao vivo).”
A Guerra Fria, que teve seu início logo após a Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da
União Soviética (1991) é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e
conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, disputando a hegemonia
política, econômica e militar no mundo. É chamada “fria” porque não houve uma guerra direta
entre as superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear.
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Leitura 
Guerra Fria
“Contudo, a recepção calorosa a Fidel Castro e a condecoração de Iuri Gagárin,
astronauta soviético, de Ernesto Che Guevara e de integrantes de missão soviética
em visita ao Brasil foram atos concretos desencadeadores de crescente oposição
interna. Violentos pronunciamentos de civis, militares e eclesiásticos
assemelhavam-se à verdadeira cruzada anticomunista (...) Jânio foi então
convidado a optar claramente por um dos dois blocos. Sofreu nesse sentido
pressão de diplomatas norte-americanos, devido a sua resistência em apoiar o
bloqueio a Cuba. Essa posição chegou a envenenar as relações com os Estados
Unidos.”
https://www.sohistoria.com.br/ef2/guerrafria/
ACESSE
Ao contrário da independência que propagava na política externa, o governo de Jânio adotou
uma posição de submissão às diretrizes do Fundo Monetário Internacional (FMI), na política
interna, para Aquino, a indicação dessa submissão está no fato da indicação de Clemente
Mariani, político baiano, defensor dos capitalistas brasileiros e estrangeiros, no comando do
Ministério da fazenda.
A desvalorização da moeda brasileira, que passou de 90 para 200 cruzeiros em relação à moeda
americana, reduziu as reservas governamentais, restringiu o crédito e o estímulo à exportação,
além de conter os salários. Todas essas medidas visavam o controle da inflação, segundo
diretrizes monetaristas do FMI, “mesmo nos primeiros meses de governo persistia a impressão
de que a verdadeira diretriz de sua gestão ainda não havia sido definida (...) qualidade equívoca
ou ambígua da Presidência (...) aspectos com o quais concordavam seus críticos”.
Mais uma vez em seu governo, Jânio Quadros descontentava mais um segmento da população
brasileira, embora estivesse agradando os círculos financeiros internacionais, que favoreceu
acordos de refinanciamento da dívida externa brasileira com banqueiros norte-americanos, o
governo continuou cedendo à pressão neoliberal que determinava a total liberação do câmbio,
obedecida pela instrução n. 208 do SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito). Houve o
aumento do pão e dos transportes, causado pelo corte dos subsídios para o petróleo e o trigo, a
impopularidade do governo de Jânio quadros só aumentava com tantas medidas impopulares.
O aspecto interessante para o capitalismo internacional, mas não para a população foi que a
austeridade aplicada nos primeiros meses de governo propiciou no mês de junho (1961) uma
“vitória” para o governo brasileiro na negociação com os credores estrangeiros; se é que
podemos chamar de vitória o endividamento do país!
Com isso, o Brasil conseguiu novo empréstimo, o montante bateu na casa dos 2 bilhões de
dólares, “incluindo 300 milhões para novos financiamentos, juntamente com a consolidação e
extensão da grande dívida, a curto prazo, com os Estados Unidos e os bancos europeus (o clube
https://www.sohistoria.com.br/ef2/guerrafria/
de Haia)”. Esse “sucesso” foi mais um esforço do governo Kennedy para cooptar Jânio Quadros
para o lado americano do que méritos da política de austeridade do governo brasileiro.
No plano político interno, o presidente não contava com uma base de apoio à sua administração
heterodoxa, “O PSD e o PTB dominavam o Congresso. Lacerda passara para a oposição,
martelando suas críticas a Jânio com a mesma veemência com que o apoiara (...) o presidente
agia praticamente sem consultar a liderança udenista no Congresso”.
Outro motivo de desconfiança da direita brasileira era a “simpatia” do presidente pela reforma
agrária. Afinal de contas, no ano anterior, Jânio visitou Cuba e expressou certa simpatia ao
governo de Fidel, o qual era um fantasma para os anticomunistas brasileiros. Salienta-se que a
situação estava ficando insustentável para a maneira independente dos partidos que Jânio estava
acostumado a governar.
Acima, reportagem da Folha de São Paulo e o bilhete de renúncia Jânio Quadros que diz:
“Na noite de 24 de agosto de 1961, Lacerda – que tinha sido eleito governador da
Guanabara – fez um discurso, transmitido pelo rádio, denunciando uma tentativa
de golpe janista articulado pelo ministro da Justiça Oscar Pedroso Horta.
Estranhamente, teria sido convidado a aderir a ele. Pedroso Horta negou a
acusação. Logo no dia seguinte, Jânio renunciou à presidência da República,
comunicando a decisão ao Congresso Nacional.”
Figura 3 
Fonte: Reprodução
Figura 4 
Fonte: Reprodução
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ACESSE
João Goulart: é Crime Contrariar as Elites no Brasil
Leitura 
Carta de Renúncia de Jânio Quadros (1961)
“Ao Congresso Nacional
Nesta data e por este instrumento, deixando com o Ministro da Justiça, as razões
do meu ato, renuncio ao mandato de Presidente da República.
Brasília, 25/08/1961.”
“Durante os cinco meses que transcorreram entre janeiro e junho de 1963, o
conflito político continuou a polarizar-se em torno dos extremos. A partir de 1945,
a política nacional, que fora em grande parte o jogo particular de uma elite restrita,
http://quehistoriaemdoc.blogspot.com/2009/07/carta-de-renuncia-de-janio-quadros-1961.html
Abrindo aspas para citar a oportuna frase Karl Marx, “a história se repete, a primeira vez como
tragédia e a segunda como farsa”, na análise crítica de Skidmore citada anteriormente, havia um
perigoso jogo de interesses naquele contexto e para defender seu status quo, a elite arrastou
o
país para um “Colapso Democrático (1963-1964)”.
Diante desse contexto, os brasileiros das classes média e baixa da população sofreram as
consequências, mas a elite parece não ter aprendido a lição, estamos revivendo o mesmo
pesadelo com as constantes manipulações da “Grande Imprensa”.
- SKIDMORE, 1969, p. 308
começou a ser invadida por líderes populistas. O êxito de Adhemar de Barros,
Getúlio Vargas, Jânio Quadros, João Goulart e Leonel Brizola fundamentou-se
numa participação popular cada vez maior, apesar de mal organizada, na política.
Embora as classes sociais tivessem consciência apenas de maneira ocasional e
incompleta de seu papel político, os apelos diretos aos interesses classistas e
setoriais tornaram-se mais frequentes (...) o rápido aumento do número de
eleitores e a crescente participação política diminuíram o raio de ação das
operações da elite.”
“A grande imprensa, como o próprio nome sugere, trata-se de um termo utilizado
para definir veículos de comunicação de amplo alcance e audiência. Na prática,
refere-se à mídia de massa.
A expressão é utilizada para designar os maiores meios de comunicação. Isso
inclui, mídia impressa, redes de televisão, estações de rádio e mídias online.
Para entender o que se passava no Brasil, é preciso sinalizar as disputas políticas internacionais
na década de 1960, que eram frutos do pós-guerra (1945). Afinal, o ano de 1961 foi bastante
conturbado na política brasileira!
Segundo Aquino, no Brasil, houve “o colapso do populismo” no governo de João Goulart, na
década de 1960, a Guerra Fria arrefeceu, mas isso não significou a oposição capitalismo versus
comunismo. No mundo comunista, aconteceu a ruptura entre a China e a União Soviética, e,
consequentemente, a formação de dois blocos comunistas cada qual com sua visão de como se
chegar ao socialismo. 
A França derrotada na Guerra da Argélia (1962) desatrelou sua política externa das diretrizes
capitalistas dos norte-americanos. Com isso, ocorreu também uma ruptura no mundo
capitalista. 
A França presidida pelo general Charles De Gaulle retirou-se da OTAN (Organização do Tratado
do Atlântico Norte) e da já extinta OTASE (Organização do Tratado do Sudeste Asiático), para ter
mais autonomia de barganhar com outros mercados externos, para além dos aliados restritos
aos tratados de cooperação de defesa.
Os países do continente americano se prenderam ainda mais às diretrizes neoliberais dos norte-
americanos com a eleição do presidente americano John F. Kennedy no ano de 1961 que por
meio de recursos financeiros impôs aos países da América Latina fortes amarras à sua política.
- Fonte: https://bit.ly/3Uz9SBF
Contudo, não há, ainda, uma regra ou critério definido entre entidades,
pesquisadores e players do setor para um veículo ser definido dessa forma.
Mesmo com o avanço tecnológico e a chegada de outros canais de comunicação em
massa, os tradicionais veículos da grande imprensa destacam-se até hoje. Isso
porque essas empresas registram notável penetração junto à população.”
https://bit.ly/3Uz9SBF
O “apoio” financeiro e o treinamento dos exércitos dados à América Latina trouxeram
consequências drásticas para a região, entre elas a enxurrada de uma ditadura que visava uma
luta insana contra o comunismo e a defesa da ideologia capitalista dos Estados Unidos.
Neste contexto, desenvolveu-se e teve fim o último governo democrático no Brasil, na década de
1960, antes do Golpe Militar. A desconfiança foi a tônica do governo de João Goulart desde a sua
posse até o último dia com o Golpe Militar (apoiado por empresários, como as Comissões da
Verdade nos mostram na atualidade).    
Havia no país um clima de tensão com a atitude do ex-presidente, primeiro pela incredulidade
com que foi recebida a renúncia de Jânio Quadros, e, depois, a tentativa de violação da carta
constitucional que garantia posse automática ao vice-presidente no caso de cargo vacante,
setores militares desconfiavam da suposta tendência comunista de Jango, devido ao seu apego a
setores do sindicalismo brasileiro (AQUINO, 2005, p. 252-366), mas
Neste ínterim, Ranieri Mazzilli, presidente da câmara dos Deputados, assumiu provisoriamente
a presidência da república. João Goulart estava em viagem de visita à China e aproveitando a
oportunidade de perpetrar um golpe, os Ministros Militares de Jânio Quadros tentaram impedir
- SKIDMORE, 1969, p. 253
“A Constituição de 1946 não deixava dúvidas sobre o procedimento a seguir no
caso de vagar a presidência. O artigo 79 declarava simplesmente que o vice-
presidente substitui o Presidente. Apesar desta clara disposição, o problema da
posse de Goulart levantou imediatamente um violento debate. Somente após uma
crise de dez dias, incluindo a ameaça de uma guerra civil e de uma emenda
constitucional, estabelecendo um governo parlamentarista, instalou-se o vice-
presidente no palácio presidencial.”
o regresso do futuro presidente, alegando motivos de “segurança nacional”. Faziam parte do
ministério: General Odílio Denys, da Guerra; Almirante Sílvio Heck, da Marinha e o Brigadeiro
Grün Moss, da Aeronáutica. 
A atitude dos Ministros Militares não era unanimidade, no III Exército, situado no Rio Grande do
Sul, o comandante, general Machado Lopes, declarou seu apoio à posse de João Goulart.
Outro importante ator dessa movimentação pró-Jango foi Leonel Brizola que promoveu
manifestações em Porto Alegre. Os manifestantes foram ameaçados pelo Ministro da Marinha
que prometeu enviar navios de guerra para o Sul, mas Leonel Brizola respondeu que afundaria os
navios. A solução foi um remendo mal feito à carta Constituinte.
A preocupação dos militares fundamentava-se não propriamente na pessoa de Jango, mas nas
articulações políticas dos novos atores sociais que foram se mobilizando a partir da década de
1950. 
Outro fato desconcertante para os militares:
- FAUSTO, 2002, p. 443
“Afinal, o Congresso adotou uma solução de compromisso. O sistema de governo
passou de presidencialista a parlamentarista e João Goulart tomou posse, com
poderes diminuídos, em 7 de setembro de 1961. Desse modo, o parlamentarismo,
proposto por muitos como uma fórmula capaz de dar maior flexibilidade ao
sistema político, entrou em vigor pela porta dos fundos. Utilizando como simples
expediente para resolver uma crise, não poderia durar muito, como de fato não
durou.”
Setores da sociedade esquecidos pelos governos populistas estavam agora mais bem articulados
e reivindicando seus direitos sociais. Esses novos atores ganharam um pouco mais de
visibilidade. Entre esses atores, podemos citar os camponeses, os estudantes, os operários e a
própria igreja Católica que vinha se reestruturando internamente e fazendo mais a opção pelos
marginalizados do que defendendo sua velha tendência de se aliar às elites. 
No final da década de 1950 e início da década de 1960, esta tendência de defesa da justiça social
se aprofundou com a eleição do papa João XXIII (1958-1963). Para ter noção da importância
desse papa, ele convocou o Concílio Vaticano II contra a vontade dos cardeais da Cúria Romana.
Naquele contexto, o papa era o que está sendo o papa Francisco na atualidade, um combativo
contra as regalias das elites, inclusive dentro da própria igreja, Jango cita o papa em seus
discursos em defesa da justiça social e da revisão da carta constitucional.
- SKIDMORE, 1969, p. 258-259
“A renúncia de Jânio fora tão inesperada que apanhara desprevenidos os militares
antigetulistas (...). Unidas as Forças Armadas poderiam ter imposto uma solução
política impopular. Divididas, nunca poderiam vencer.”
“(...) a necessidade de reforma agrária: 'não creio ser chamado de subversivo pelo
fato de proclamar a necessidade de revisão da Constituição que não atende mais
aos anseios do povo. Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura
socioeconômica já superada, injusta e desumana'. Invocou a autoridade do Papa
Mas, para chegar ao ponto de fazer as propostas citadas
por Skidmore, Jango precisava ter
“plenos poderes” que só o sistema presidencialista poderia lhe dar, junto com sua bancada de
apoio político. Enquanto isso, ele governou com poderes restritos no sistema parlamentarista. O
seu primeiro gabinete foi chefiado pelo político mineiro Tancredo Neves, ex-ministro da justiça
de Getúlio Vargas (1954). O maior número de ministérios ficou nas mãos do PSD e apenas dois
com a UDN. 
Jango, em seus primeiros meses no comando do país, seguiu uma linha mais moderada,
demonstrando, inclusive, certo distanciamento dos comunistas e se aproximando da linha
“democrática” riscada pelos Estados Unidos. Então, ele visitou os norte-americanos e falou no
Congresso. 
Nessa viagem, Jango obteve recursos para ajudar os estados nordestinos. Mas procurou se
articular para antecipar o plebiscito, previsto para 1965, em que se definiria pelo voto popular o
sistema de governo do país. 
O Brasil precisava de reformas de base. Assim, para a base aliada, apenas um presidente com
plenos poderes poderia estabilizar o país. Nisso, a cúpula militar concordava e inclinava-se por
um Poder Executivo forte. 
As eleições de 1962 estavam se aproximando. Com isso, vários políticos se afastaram dos seus
cargos para concorrer às eleições estaduais e a Câmara Federal. Tancredo Neves deixou o cargo
de primeiro-ministro. Para o cargo, primeiro foi indicado e rejeitado o nome de San Tiago
Dantas, responsável pelo ministério do exterior. Santiago optou pela neutralidade no caso
cubano descontentando a direita, o Brasil não apoiou o embargo americano a Cuba. Foi, então,
indicado o nome do presidente do Senado Auro de Moura Andrade, também rejeitado.
- SKIDMORE, 1969, p. 349
João XXIII e do General MacArthur, em apoio da ideia de uma reorganização
completa da estrutura rural agrária, que tão necessária também se fazia para
'aumentar e melhorar o mercado interno'.”
A indicação de Moura Andrade provocou a primeira greve política do período. Dessa forma, foi
decretada greve geral para o dia 5 de julho com uma duração de 24 horas, reivindicando um
gabinete nacionalista. 
A paralisação afetou, sobretudo, os transportes, docas, ferrovias e refinarias da Petrobrás. No
geral, a adesão concentrou-se nas empresas estatais ou nas que estavam sob o controle do
governo.
Em várias regiões, o Exército apoiou os grevistas, no Rio de Janeiro com o oposicionista Lacerda
no governo houve ameaça de repressão à greve. O I Exército deu cobertura aos grevistas e
frustrou o governo carioca. 
No final, ocorreu a indicação do político gaúcho do PSD, Brochado da Rocha, a quem coube
propor ao Congresso a antecipação do plebiscito para o mês de janeiro de 1963. Jango conseguiu
o que queria: o sistema presidencialista. Portanto, saiu-se vencedor do plebiscito.
O presidente do Senado Auro de Moura Andrade iniciou sua carreira filiado à UDN (1947),
elegendo-se deputado estadual para a Assembleia paulista. Depois, elegeu-se deputado federal
no ano de 1950 e transferiu-se para o PDC (1952). Em 1954, ingressou no PTB e no mesmo ano
foi para o PTN, elegendo-se Senador, transferiu-se para o PSD. Em 1961, chegou à vice-
presidência do Senado, após ter sua indicação rejeitada para assumir o cargo de Primeiro-
Ministro. Além disso, elegeu presidente do Senado (1962) e foi se colocando cada vez mais na
oposição ao governo de Jango; conseguiu se reeleger nos anos de 1963 e 1964. 
No dia 19 de março de 1964, Moura Andrade participou em São Paulo da Marcha da Família com
Deus pela Liberdade e chegou a declarar, no dia 15 de março do mesmo ano, que as relações
entre o Legislativo e o Executivo estavam praticamente cortadas.
“No dia 30, após a solenidade em homenagem ao presidente organizada pelos
sargentos na sede do Automóvel Clube do Brasil, lançou um manifesto no qual
Para Skidmore, não é totalmente correto afirmar que não havia fidelidade partidária quando
Jango obteve plenos poderes no ano de 1963, apesar da instabilidade partidária de Moura
Andrade que passou do apoio à oposição ao governo de Jango, em pouco mais de dois anos.
Havia muito trânsito de um partido para o outro, mas a observação de Skidmore diz mais
respeito ao presidente, que se declarava herdeiro do “sistema” de Getúlio, e que eram os
beneficiários deste “sistema” os que primeiro haviam organizado os três maiores partidos, o
PTB, PSD e a UDN. 
Existiam também muitas coalizões para as eleições, principalmente para o Congresso; dos 409
eleitos para a Câmara dos Deputados em novembro de 1962, houve 193 eleitos em cédulas de
coalizão, “alianças estas que se fizeram com propósitos eleitorais e sem nenhuma implicação de
consciência partidária, na atividade política que se seguia às eleições” (SKIDMORE, 1969, p.
279-285).
- Fonte: https://bit.ly/3w1LyfN
fazia um apelo às forças armadas para que restabelecessem a ordem constitucional
e defendessem a democracia. No dia seguinte, Goulart foi deposto pelos militares.
Em 2 de abril, Moura Andrade declarou vaga a presidência. Ranieri Mazzilli,
presidente da Câmara dos Deputados, foi empossado interinamente no cargo, mas
o poder efetivo ficou nas mãos do Comando Supremo da Revolução, formado pelos
ministros militares que, em 9 de abril, promulgou o Ato Institucional nº 1 (AI-1).
Além de suprimir as garantias constitucionais e permitir a suspensão de direitos
políticos e a cassação de mandatos, o AI-1 fixava ainda a eleição, pelo Congresso,
para presidente e vice-presidente da República. Moura Andrade disputou a vice-
presidência, mas foi derrotado. A presidência coube ao general Humberto Castelo
Branco.”
https://bit.ly/3w1LyfN
Saiba Mais 
Parlamentarismo: caracterizado por ter todo o poder concentrado no
Parlamento, que é, de fato, o único poder, e ainda caso o governo
executivo discordar do Parlamento, a maioria dos deputados dissolve
esse governo. A Justiça não se opõe ao Parlamento, até porque, em um
sistema parlamentarista puro, a Constituição não é rígida: se uma lei
for considerada inconstitucional, o Parlamento pode alterar a
Constituição. No Reino Unido, o exemplo mais puro de
parlamentarismo, não há sequer uma Constituição escrita. 
Presidencialismo: personificado no presidente, com prazo definido,
nesse regime, há três poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário,
exercidos, respectivamente, pelo presidente da República, pelo
Parlamento (no caso do Brasil, o Congresso Nacional) e pelo Supremo
Tribunal ou Corte Suprema. Toda a concepção do presidencialismo
baseia-se na harmonia desses três poderes, sendo que nenhum pode
impor-se ao outro ou tentar superar os demais, e para manter esse
equilíbrio, há um sistema de freios e contrapesos pelo qual um poder
controla o outro e cada um depende dos outros dois. Em um regime
presidencialista, o Legislativo pode ser exercido apenas pela Câmara
dos Deputados (sistema unicameral) ou por duas casas, a Câmara e o
Senado (sistema bicameral). 
Com a vitória do presidencialismo, Jango ainda tinha um mandato à frente para cumprir e tratou
de agir da melhor forma possível para sanar os problemas da nação dentro das possibilidades
que dispunha.
Então, o presidente tratou de formar um grupo com técnicos e políticos importantes da
esquerda moderada para fazer parte de seu ministério, agora como presidente com “plenos
poderes”, como era seu desejo. 
No grupo, estava Celso Furtado, representante da nova geração de políticos que queriam
mudanças rápidas nas estruturas do país, ex-dirigente da SUDENE, era considerado pela
esquerda um tecnocrata dinâmico que se esforçava para reverter a miséria enfrentada pelo Brasil
na sua maior área de pobreza: o nordeste do país. Sua escolha para o Planejamento Econômico
era para conter a inflação e diagnosticar as prioridades econômicas. 
Para o Ministério da fazenda, foi escolhido outro representante da esquerda moderada, San
Tiago Dantas. O problema é que nenhum dos dois tecnocratas tinha uma base política forte.
Celso Furtado preferiu participar da
intelectualidade em que exercia sua influência, mas San
Tiago se filiou ao PTB mineiro e tentava angariar respeito dentro do partido, intelectual sua
inclinação do centro para a esquerda moderada poderia ter lhe sido útil nos momentos difíceis
que o governo iria enfrentar. 
Mas, nas eleições de 1962, San Tiago não se destacou eleitoralmente nem em seu estado;
portanto, não teve ascendência política sobre os caciques da política nacional e pouco pode fazer
nos momentos mais difíceis enfrentados por Jango em 1964. 
A esquerda radical estava representada no ministério de Jango na figura do político Almino
Afonso, Ministro do Trabalho, “conhecido por tolerar os esquerdistas radicais e a infiltração
comunista no movimento sindical. A presença de Almino Afonso era o indício de que Jango
pretendia praticar um duplo jogo político (...) tencionava fortalecer o poder do dispositivo
sindical” (SKIDMORE, 1969, p. 287). Seu jogo era ambicioso: pretendeu aprofundar o programa
de estabilização iniciado por Jânio em 1961 e ainda fazer um programa de “reforma de base”.
Para Skidmore, o apoio militar naquele contexto era fundamental para qualquer governo e Jango
parecia tê-lo. Com a continuidade do Ministro da Guerra, o General Amauri Kruel, em seu
primeiro gabinete, o presidente buscou formar uma base de apoio de sua confiança. Para isso,
nomeou militares pro-Jango, importantes como, por exemplo, os Generais Osvino Alves e Jair
Dantas Ribeiro, mas...
A ênfase dada por Jango às Reformas de base começou a criar incômodo nas elites, elas não
pretendiam abrir mão de seu status quo para favorecer as reformas destinadas às classes média e
baixa da população. 
Jango pretendia alcançar alguns objetivos com as reformas de base. Com a reforma agrária,
atacava o sistema arcaico do campo que impedia maior eficiência dos meios produtivos.
- SKIDMORE, 1969, p. 287-289
“O interesse de Jango pelo dispositivo sindical e pelo dispositivo militar foi
considerado pelos seus antigos inimigos como uma prova de que planejava utilizá-
los como fonte de apoio para uma manobra presidencial, tendo em vista uma
liderança de forças extracongressionais. Tal possibilidade se ocultava na
retaguarda, enquanto Jango iniciava sua experiência com a esquerda positiva (...)
desde o início de sua presidência em 1961, Jango insistia sobre a necessidade de
“reformas estruturais” no Brasil (...) tais como educação e habitação (...)
modificações do sistema fiscal e da estrutura agrária, sugeria que para realizar esta
última, necessitava de uma emenda constitucional, de vez que a constituição de
1946 exigia que a expropriação da terra fosse previamente compensada por uma
rápida e adequada indenização.”
Havia também as reformas administrativas, fiscal e financeira, entre outras, mas todas, de certa
forma, exigiriam “sacrifício” da elite, que não estava disposta a ceder.        
Ao tocar na urgência das reformas, “sob o pretexto de que os frutos do crescimento econômico
já alcançado deveriam ser distribuídos de maneira mais equitativa, tirando, assim, do setor
‘privilegiado’ seus lucros ‘antissociais’ como meio de ajudar os cidadãos menos privilegiados”
(SKIDMORE, 1969, p. 289).
Ao perceber os temores das classes privilegiadas, os opositores de direita capitalizaram esse
temor, eles que já haviam feito oposição à posse de João Goulart após a renúncia de Jânio
Quadros, passaram a conspirar para depô-lo.
San Tiago e Celso Furtado já previam as dificuldades que o Plano Trienal enfrentaria devido às
medidas impopulares que o governo deveria impor à elite como “aliviar o sacrifício aos setores
mais pobres, aumentando a tributação dos ricos. O primeiro passo foi executar uma lei de
reforma fiscal votada pelo Congresso em fins de 1962” (SKIDMORE, 1969, p. 291).
Mas o ajuste nas taxas de câmbio e o fim do subsídio à importação do trigo e do petróleo fez o
custo de vida se elevar. San Tiago recorreu aos estados Unidos para conseguir renegociar a
dívida externa, depois pretendia ir à Europa renegociar com os credores europeus e, por fim,
fechar acordos financeiros e comerciais coma União Soviética e Europa Oriental. 
Essa tática enfraqueceu o apoio da esquerda ao governo de Jango que acusou San Tiago de estar
vendendo o país aos americanos. Os nacionalistas de esquerda também acusavam o governo, na
pessoa de San Tiago, de ser fraco diante dos americanos. 
O governo chegou a pensar em romper com as ajudas externas e mobilizar os nacionalistas em
uma cruzada para vencer a crise financeira, mas, para isso, precisaria haver coesão política no
país. Além do mais, o nacionalismo brasileiro era superficial para sustentar um projeto
grandioso como o que seria necessário para tirar o país do atoleiro que estava. 
Outro risco, segundo Roberto Campos, embaixador em Washington, seria a “esquerda negativa”
de Brizola assumir o poder. O governo americano não cedia à pressão brasileira por mais crédito.
Então, a situação no país se tornava mais crítica, a inflação não arrefecia, o governo era
duramente criticado. San Tiago deixou o Ministério da Fazenda e assumiu o posto o ex-
governador de São Paulo Carvalho Pinto, uma figura conservadora. 
A inflação estava corroendo os salários, a proposta de aumento enviada ao Congresso pelo
governo não satisfazia os militares, “em fins de maio, um grupo de oficiais enviou a Jango uma
mensagem minuciosa, protestando contra o baixo nível dos vencimentos dos oficiais (...) um
segundo tenente do Exército recebia somente o mesmo que um ajudante de cozinha da
Marinha” (SKIDMORE, 1969, p. 296). Em comício, um sargento atacou o FMI e as forças
imperialistas que impediam o desenvolvimento do país e as “reformas de base”. 
O general Osvino Alves de inclinação esquerdista não disfarçava seu apreço pelos estudantes da
UNE e pelos sindicalistas como, por exemplo, Dante Pelacani. O ministro da Guerra mantinha
uma posição centrista, ordenando que o militar que se expôs no comício fosse castigado de
acordo com a disciplina militar, mas o general Osvino se opôs à ordem de seu colega. 
Havia profundo desacordo entre os oficiais, colocando Jango em situação delicada. O governo
enfrentava problemas de todas as ordens: institucionais, político, social e econômico.
“O plano econômico dependia da colaboração dos setores que dispunham de voz na
sociedade. Essa colaboração mais uma vez faltou. Os beneficiários da inflação não
tinham interesse no êxito das medidas; os inimigos de Jango desejavam a ruína do
governo e o golpe; o movimento operário se recusava a aceitar restrições aos
salários; a esquerda via o dedo do imperialismo por toda parte. Os credores
externos mostravam-se reticentes (...) No campo, os proprietários rurais que
encaravam a reforma agrária como uma catástrofe pessoal começaram a se armar
(...) por outro lado, o movimento das Ligas [camponesas], a sindicalização rural e a
invasão de terras ganharam ímpeto. A opção por iniciativas à margem da
legalidade se reforçou (...) A esquerda do PTB, com Brizola à frente, queixava-se
A situação estava cada vez mais crítica, não havia consenso entre os vários seguimentos da
sociedade para fazer as reformas necessárias para se estabilizar política e economicamente o
país; os golpistas de direita ganhavam corpo.
Leonel Brizola assumiu o controle da rádio Mayrink no Rio de janeiro em 1963 e lançou o
semanário “o Panfleto” a fim de organizar grupos de resistência por todo o país na tentativa de
evitar um golpe da direita, tentou também auxiliar o governo a convocar uma assembleia
constituinte e a fazer a moratória da dívida externa. 
A tentativa de se resolver os conflitos de forma democrática foi ficando cada vez mais de
escanteio. Entre os militares, crescia a oposição ao Jango, fortalecendo os partidários de uma
“intervenção defensiva” contra as imposições do governo. Engrossava a fileira dos
descontentes o chefe do Estado Maior do Exército, o general Castelo Branco. 
Existiu uma conspiração de sargentos contra
a decisão do STF que proibiu a eleição de
sargentos. Jango começou a tomar medidas de exceção, após uma rebelião no campo, tentou
decretar estado de sítio por trinta dias, a medida desagradou a direita e a esquerda. 
Houve uma grande greve operária em São Paulo, em outubro de 1963, que reivindicava aumentos
salariais e não estava atrelada a motivos exclusivamente políticos.
Após alguns dias de paralisação, os operários alcançaram 80% de aumento salarial, mas não
conseguiram unificar os futuros acordos salariais por meio de negociações entre a
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria e a FIESP. O aumento rapidamente
desfeito pela inflação foi capitalizado pelos partidários de um golpe; essa seria a prova de que
Jango estaria levando o Brasil para o precipício. 
- FAUSTO, 2002, p. 456-457
das vacilações de Jango na área das reformas sociais e das relações com o
imperialismo.”
No início de 1964, buscando apoio entre os sindicalistas e os militares, Jango passou a
“governar” por decreto e por intermédio desse mecanismo tentou realizar as reformas de base. 
Outra tentativa de demonstração de força do governo foi reunir grandes multidões em atos para
anunciar as reformas. O primeiro grande ato marcado para o dia 13 de março de 1964 que passou
para a história como “Comício da Central”, realizada na Praça da República, em frente à estação
de trens Central do Brasil no Rio de Janeiro reuniu cerca de 150 mil pessoas, sob a proteção do I
Exército para ouvirem os discursos de Brizola e Jango.
Jango anunciou, nesse comício, a desapropriação das refinarias de petróleo que não estavam
sob o controle da Petrobrás e a desapropriação de terras que estivessem subutilizadas para fazer
reforma agrária. Havia, ainda, no pacote de reforma, uma menção à reforma urbana, ao voto dos
analfabetos, à mudança nos impostos e direito ao voto aos quadros inferiores das forças
Armadas. 
Desde o início de seu governo, Jango enfrentou grande oposição dos anti-getulistas
tradicionais, “chocados com a súbita renúncia de Jânio em 1961, mas impossibilitados de
impedir a posse de Jango (...) caíram num desespero que lembrava seu mal-estar após a eleição
de Juscelino em outubro de 1955” (SKIDMORE, 1969, p. 274). Havia também uma forte
movimentação das elites por meio da imprensa que pedia a intervenção dos Militares, isso
quando não estavam diretamente ligados aos militares anti-Jango.
“Em princípio de 1962, estes líderes anti-Jango começaram a conspirar para
derrubar o presidente. Entre os militares eram representados, por exemplo, pelo
antigo Ministro da Guerra Denys e pelo antigo ministro da Marinha, Heck, assim
como generais tais como Cordeiro de Farias e Nelson Melo. Seu principal chefe
civil era Júlio de Mesquita Filho, proprietário do influente jornal O Estado de São
Paulo. Em 1961, estes conspiradores já trocavam ideias quanto à natureza do
regime “discricionário” que seria necessário implantar após derrubar Jango. Os
radicais anti-Jango tinham uma conhecida reserva de doutrinas antidemocráticas
Desde o governo democrático de Getúlio (1951), os Estados Unidos se incomodavam com a
insistência da política nacionalista de parte dos políticos brasileiros instalados principalmente
na PSD e no PTB. Mesmo com Jânio Quadros no poder, a tendência nacionalista não desapareceu
do quadro governista, sem contar que a política janista não era totalmente atrelada aos
interesses das grandes empresas norte-americanas, Jânio se abriu ao mundo comunista
comandado pela União Soviética e China. O governo dos getulistas JK e Jango foi sabotado desde
o início pelos militares e pela elite anticomunista brasileira. 
Os militares já estavam bastante fortalecidos desde o final da Segunda Guerra, os grupos se
dividiam entre oficiais nacionalistas, partidários do monopólio de exploração do petróleo e o
grupo de oficiais treinados pelos norte-americanos, que advogavam a livre iniciativa econômica
e a defesa da instalação de multinacionais no país. Esse último grupo prevaleceu dentro das
Forças Armadas se aliando à UDN. 
Segundo Fabio Konder Comparato, “o suicídio de Getúlio foi, na verdade, um golpe de mestre,
que adiou por dez anos a mudança do regime político (...). Embora derrotadas pelo inesperado
golpe do suicídio, as Forças Armadas permaneceram em estado de constante agitação”
(COMPARATO, 2014, p. 14).
Houve a tentativa de golpe dos militares antes da posse de JK, graças à intervenção do general
Lott, o presidente assumiu legitimamente seu cargo. Uma vez empossado, Juscelino tomou a
resolução de organizar o indispensável apoio militar em torno do seu governo. 
Apesar desse empenho em articular seu governo com os interesses das Forças Armadas, o
governo de JK não conseguiu afastar a ameaça militar de seu governo. Em 1956 e 1959, por
exemplo, oficiais da Aeronáutica declararam-se em estado de insurreição contra o presidente,
respectivamente em Jacareacanga (PA) e Aragarças (GO). 
- SKIDMORE, 1969, p. 274 
às quais recorrer. Como haviam alegado em 1950 e em 1955, pretendiam que não
se podia confiar no eleitorado brasileiro.”
JK só não sucumbiu ao Golpe, “Graças, porém, às suas iniciativas ousadas, como a construção
de Brasília e a criação de grandes facilidades para a instalação de uma indústria automobilística
no território nacional, Juscelino conquistou integral apoio do empresariado” (COMPARATO,
2014, p. 15).
No governo de João Goulart, houve um elemento novo, os arranjos costumeiros entre a elite e a
classe política estavam cada vez mais difíceis de acontecer, a velha política do “toma-lá-dá-cá”
estava na geladeira, um dos motivos era o fantasma do comunismo e a pressão do governo
norte-americano.
- COMPARATO, 2014, p. 16-17
“Na gênese do golpe de Estado de 1964, encontramos a profunda cisão lavrada
entre os dois grupos que sempre compuseram a oligarquia brasileira: os agentes
políticos e a classe dos grandes proprietários e empresários. Até então, os conflitos
entre ambos eram sempre resolvidos por meio de arranjos conciliatórios, segundo
a velha tradição brasileira. (...) A principal razão para tanto foi o agravamento do
confronto político entre esquerda e direita no mundo todo, no contexto da Guerra
Fria. (...) Deve-se notar, aliás, que naquela época, boa parte das nossas classes
médias havia abandonado sua tradicional colocação à direita do espectro político,
passando a apoiar as chamadas “reformas de base” do governo João Goulart: a
reforma agrária, a bancária, a tributária e a política de repúdio ao capital
estrangeiro. (...) Era natural, nessas circunstâncias, que os grandes proprietários e
empresários, nacionais e estrangeiros, temessem pelo seu futuro em nosso país e
se voltassem, agora decididamente, para o lado das Forças Armadas, a fim de que
estas depusessem os governantes em exercício, substituindo-os por outros,
associados aos potentados privados, segundo a velha herança histórica.”
Finalmente, as Forças Armadas, amparadas ideologicamente pela “Grande Imprensa” e pelo
empresariado brasileiro, com a retaguarda norte-americana chegava ao poder, “Uma vez
perpetrado o golpe de estado, manifestaram-se desde logo a favor dele a Igreja Católica e várias
entidades de prestígio da sociedade civil, como a Ordem dos Advogados do Brasil”. 
Ironia do destino é que, depois, essas duas instituições lutaram com todas as forças para
desinstalar do poder os militares que haviam apoiado no início. O empresariado, mais por
motivos econômicos do que humanitários, também, colocou-se contra a Ditadura que tinha
financiado. Após o fim da Guerra Fria, os norte-americanos deixaram de impor regimes
autoritários na América Latina, alardeando sua hipócrita defesa da “democracia made in USA”. 
O embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon, desde o início da década de 1960, ajudou a
criar no país entidades de propaganda política para militares e empresários serem doutrinados
como, por exemplo, o IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais) e o
IBAD (Instituto
Brasileiro de Ação Democrática). Esses institutos foram replicados por todo território nacional a
fim de divulgar a propaganda ideológica do regime autoritário e a constante denúncia do perigo
“vermelho”. 
Após a instalação do Golpe, outro mecanismo de alienação foi utilizado pela Ditadura para
desqualificar os adversários do ideário liberal e promover, portanto, o capitalismo, o aliado da
vez foi o Sistema Globo de Comunicações, 
“[que fez] a propaganda ideológica do regime autoritário, com a constante
denúncia do perigo comunista e a difusão sistemática, embora sempre encoberta,
dos méritos do sistema capitalista. Os chefes militares decidiram, para tanto, fixar
sua escolha no Sistema Globo de Comunicações. Em 1969, ele possuía três
emissoras (Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte). Quatro anos depois, em
1973, já contava com nada menos do que onze. A dominação empresarial do
sistema de comunicações de massa continuou a subsistir, uma vez encerrado o
Finalizando, a presidência foi declarada vaga no dia 2 de abril de 1964 pelo presidente do senado
Moura Andrade. Importante ressaltar que Boris Fausto acredita que Jango e a cúpula que o
apoiavam não tinham uma visão clara do contexto. Com o apoio de alguns chefes Militares,
acreditaram que estes representavam a maioria, pois o Exército era partidário das reformas
propostas pelo seu governo. Conheciam a existência de “golpistas”, mas também achavam que
poderiam ser controlados pela intervenção dos quadros inferiores. 
Apesar da maioria do oficialato não ser partidário da quebra da ordem constitucional, muitos
acreditaram que a quebra seria um bem para o país contra o perigo comunista que estava se
achegando ao comando do país. Sendo assim, “a perda da legitimidade de Jango, a seguida
quebra da disciplina, a aproximação entre inferiores das Forças Armadas e trabalhadores
organizados acabou por levar os moderados (...) a engrossar a conspiração” (FAUSTO, 2002, p.
461-462).
- COMPARATO, 2014, p. 17-18
regime autoritário, e persiste até hoje. A Constituição Federal de 1988 dispõe, em
seu art. 220, § 5º, que ‘os meios de comunicação social não podem, direta ou
indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio’. Mas até o momento em que
escrevo estas linhas – mais de um quarto de século depois de promulgada a
Constituição em vigor – esse dispositivo constitucional, como vários outros do
mesmo capítulo, permanece ineficaz por falta de regulamentação legal.”
Figura 5 – Marcha da família com Deus pela liberdade 
Fonte: Reprodução
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Vídeos  
Renúncia de Jânio Quadros – 30 Anos Depois 
Assista de forma crítica, lembrando-se sempre que mesmo os documentários são obras de
ficção e carregam em si intenções e ideologias de quem os produziu, assim como a própria
história que nos foi deixada como legado pelos nossos antepassados.
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˭ Material Complementar
Renúncia de Jânio Quadros - 30 Anos Depois
https://www.youtube.com/watch?v=-CyN1DWa8V0
De Jânio Quadros a João Goulart 
Assista de forma crítica, lembrando-se sempre que mesmo os documentários são obras de
ficção e carregam em si intenções e ideologias de quem os produziu, assim como a própria
história que nos foi deixada como legado pelos nossos antepassados.
  Leitura  
Leia a Íntegra da Entrevista Inédita de Jango ao Historiador
John Dulles
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ACESSE
De Janio Quadros a João Goulart
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/04/1434746-leia-a-integra-da-entrevista-inedita-de-jango-ao-historiador-john-dulles.shtml
https://www.youtube.com/watch?v=t1vnTyrxW3M
AQUINO, R. S. L. Sociedade brasileira: uma história. 4 ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
BIBLIOTECA Nacional. Jânio da Silva Quadros. Disponível em:
. Acesso em: 13/04/2023.
CARVALHO, L. M. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Globo, 1998.
COMPARATO, F. K. Compreensão histórica do regime empresarial-militar brasileiro, São
Leopoldo (RS), Unisinos, Cadernos IHU Ideias, ano 12, n. 205, v. 12, 2014.
CPDOC/FGV. Auro de Moura Andrade. Disponível em:
. Acesso em: 13/04/2023.
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