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Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 
Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br 
 
 
BIBLIOTECA PARA O CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR 
 
 
Selecionamos para você uma série de artigos, livros e endereços na Internet 
onde poderão ser realizadas consultas e encontradas as referências necessárias 
para a realização de seus trabalhos científicos, bem como, uma lista de sugestões 
de temas para futuras pesquisas na área. 
Primeiramente, relacionamos sites de primeira ordem, como: 
www.scielo.br 
www.anped.org.br 
www.dominiopublico.gov.br 
 
 
SUGESTÕES DE TEMAS 
1. PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR 
2. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO BRASIL; 
3. EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR; 
4. OS CAMPOS DE ABORDAGEM; 
5. A ESCOLA, MATERIAIS, RECURSOS, ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS; 
6. A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA. 
7. NOÇÕES BÁSICAS DE ANATOMIA E FILOSOFIA HUMANA 
8. ORGANIZAÇÃO DO CORPO HUMANO; 
9. NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO; 
10. PROCESSOS VITAIS; 
11. HOMEOSTASE; 
12. O NÍVEL DOS SISTEMAS; 
13. TERMOS ANATÔMICOS; 
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14. PLANOS, LINHAS E SEÇÕES; 
15. SISTEMA ÓSSEO OU ESQUELÉTICO; 
16. COMPOSIÇÃO DOS OSSOS; 
17. FUNÇÃO DOS OSSOS E SISTEMA ESQUELÉTICO; 
18. ESTRUTURA DO OSSO; 
19. ARTICULAÇÕES; 
20. SISTEMA MUSCULAR; 
21. FISIOLOGIA HUMANA; 
22. DIGESTÃO; 
23. EXCREÇÃO; 
24. RESPIRAÇÃO; 
25. CIRCULAÇÃO; 
26. CONCEITOS ESSENCIAIS DA FISIOLOGIA PARA CUIDADOS 
INTENSIVOS EM URGÊNCIA E EMERGÊNCIA. 
27. CINESIOLOGIA E CINEANTROPOMETRIA 
28. EVOLUÇÃO DA BIOMETRIA E USO ATUAL PELA EDUCAÇÃO FÍSICA; 
29. AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA; 
30. DEFINIÇÃO, CONCEITOS E BREVE HISTÓRIA; 
31. TESTAR, MEDIR, AVALIAR; 
32. QUALIDADE X VALIDAÇÃO; 
33. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL; 
34. ÍNDICES DERIVADOS DE MEDIDAS; 
35. ÍNDICES DERIVADOS DAS CIRCUNFERÊNCIAS; 
36. ÍNDICES DERIVADAS DAS MEDIDAS DAS DOBRAS CUTÂNEAS; 
37. CONCEITO E APLICAÇÃO; 
38. EVOLUÇÃO HISTÓRICA; 
39. BIOMECÂNICA; 
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40. PRINCÍPIOS DA BIOMECÂNICA; 
41. MÚSCULOS X ARTICULAÇÕES; 
42. CINESIOLOGIA DA MASTIGAÇÃO; 
43. OSTEOLOGIA E ARTROLOGIA; 
44. CINESIOLOGIA DA MARCHA; 
45. CINEANTROPOMETRIA; 
46. MÉTODO CINEANTROPOMÉTRICO. 
47. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 
48. FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO FOCANDO NA ESTRUTURA DO NOSSO 
SISTEMA EDUCACIONAL; 
49. FILOSÓFICOS; 
50. HISTÓRICOS; 
51. SOCIOECONÔMICOS; 
52. ÉTICO-POLÍTICOS; 
53. A DISCIPLINA “ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO ENSINO”; 
54. NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO E LEGISLAÇÃO – DO DIREITO PÚBLICO 
AO DIREITO EDUCACIONAL – APROXIMANDO DO TEMA; 
55. ORIGEM: PERÍODO PÓS-GOLPE MILITAR DE 1964; 
56. TENDÊNCIAS ATUAIS; 
57. NOSSAS LEIS DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO; 
58. LDB LEI Nº 4024 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1961; 
59. LDB LEI Nº 5692 DE 11 DE AGOSTO DE 1971; 
60. LDB LEI Nº 9394 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996; 
61. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO SISTEMA EDUCACIONAL 
BRASILEIRO – LEI Nº 9394/96; 
62. ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NACIONAL – ARTS. 8º AO 20; 
63. A EDUCAÇÃO BÁSICA; 
64. OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO – ARTS. 61 A 67; 
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65. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – LEI Nº 13.005 DE 25 DE JUNHO DE 
2014. 
66. METODOLOGIA DOS ESPORTES COLETIVOS I (VÔLEI E BASQUETE) 
67. O VOLEIBOL; 
68. FUNDAMENTOS DO VOLEIBOL; 
69. POSTURA BÁSICA OU POSIÇÃO DE EXPECTATIVA; 
70. O TOQUE POR CIMA; 
71. MANCHETE; 
72. SAQUE; 
73. RECEPÇÃO; 
74. LEVANTAMENTO; 
75. ATAQUE OU CORTADA; 
76. BLOQUEIO; 
77. DEFESA; 
78. ORGANIZAÇÃO DIDÁTICA DO PROCESSO ENSINO/APRENDIZAGEM DO 
VOLEIBOL; 
79. SUGESTÕES DE ATIVIDADES PRÁTICAS; 
80. O BASQUETEBOL; 
81. ASPECTOS HISTÓRICOS; 
82. A QUADRA; 
83. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO JOGO DE BASQUETEBOL; 
84. FUNDAMENTOS DO BASQUETEBOL; 
85. MANEJO DE BOLA; 
86. CONTROLE DE CORPO; 
87. DRIBLE; 
88. PASSE; 
89. ARREMESSO; 
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90. REBOTE; 
91. ORGANIZAÇÃO DIDÁTICA DO PROCESSO ENSINO/APRENDIZAGEM DO 
BASQUETEBOL; 
92. METODOLOGIA DOS ESPORTES COLETIVOS II (HANDBOL, FUTSAL E 
FUTEBOL) 
93. O HANDEBOL; 
94. FUNDAMENTOS DO HANDEBOL; 
95. O ATAQUE E A DEFESA NO HANDEBOL; 
96. ASPECTOS METODOLÓGICOS DO HANDEBOL; 
97. O FUTSAL; 
98. OS FUNDAMENTOS DO FUTSAL; 
99. ASPECTOS METODOLÓGICOS DO FUTSAL; 
100. O FUTEBOL; 
101. OS FUNDAMENTOS DO FUTEBOL; 
102. ASPECTOS METODOLÓGICOS DO FUTEBOL. 
103. NUTRIÇÃO DESPORTIVA 
104. NOÇÕES BÁSICAS DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO; 
105. OS MACRONUTRIENTES; 
106. OS MICRONUTRIENTES; 
107. DESIDRATAÇÃO E REHIDRATAÇÃO; 
108. ERGOGÊNICA NUTRICIONAL E METABOLISMO; 
109. DISTÚRBIOS ALIMENTARES EM ATLETAS; 
110. ESTRATÉGIAS DE NUTRIÇÃO PARA TREINAMENTO E 
COMPETIÇÃO. 
111. METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR 
112. PROFESSORES E ALUNOS; 
113. ÉTICA E DIVERSIDADE; 
114. PLANEJAMENTO; 
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115. TÉCNICAS DE ENSINO; 
116. APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS E PROBLEMAS - PBL; 
117. AVALIAÇÃO EDUCACIONAL E INSTITUCIONAL. 
118. O DIAGNÓSTICO: JOGOS, TESTES E PROVAS 
119. ANAMNESE; 
120. O DIAGNÓSTICO PELA ÓTICA DE ALÍCIA FERNANDES; 
121. AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA DINÂMICA – APPD; 
122. JOGOS, TESTES E PROVAS. 
123. CRIANDO ESPAÇOS PARA EDUCAR. 
124. PROFISSIONAIS ABERTOS PARA A EDUCAÇÃO DO FUTURO. 
125. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 
126. FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO FOCANDO NA ESTRUTURA DO 
NOSSO SISTEMA EDUCACIONAL; FILOSÓFICOS; HISTÓRICOS; 
SOCIOECONÔMICOS; ÉTICO-POLÍTICOS; 
127. A DISCIPLINA “ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO ENSINO”; 
128. NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO E LEGISLAÇÃO – DO DIREITO 
PÚBLICO AO DIREITO EDUCACIONAL – APROXIMANDO DO TEMA; 
129. TENDÊNCIAS ATUAIS; 
130. NOSSAS LEIS DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO; LDB LEI 
Nº 4024 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1961; LDB LEI Nº 5692 DE 11 DE 
AGOSTO DE 1971; LDB LEI Nº 9394 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996; 
131. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO SISTEMA EDUCACIONAL 
BRASILEIRO – LEI Nº 9394/96; 
132. ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NACIONAL – ARTS. 8º AO 20; 
133. A EDUCAÇÃO BÁSICA; 
134. OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO – ARTS. 61 A 67; 
135. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – LEI Nº 13.005 DE 25 DE 
JUNHO DE 2014. 
136. OS PILARES E OS FUNDAMENTOS ESTRUTURANTES DA 
EDUCAÇÃO; 
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137. OS QUATRO PILARES DE JAQUES DELORS E AS IMPLICAÇÕES 
PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA; 
138. OS FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO; 
139. A INSTITUIÇÃO ESCOLAR; 
140. CURRÍCULOS E PROGRAMAS 
141. OS FUNDAMENTOS DO CURRÍCULO; 
142. CURRÍCULO, HISTÓRICO E A ABORDAGEM SOCIAL; 
143. AS PERSPECTIVAS E ELABORAÇÃO DO PROCESSO 
CURRICULAR PAUTADO NOS PROGRAMAS EDUCACIONAIS; 
144. O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CURRÍCULO; 
145. OBJETIVOS E PROPÓSITOS PARA O CURRÍCULO: UMA 
DISCUSSÃO NECESSÁRIA. 
146. MULTICULTURALISMO: DEFINIÇÕES E SURGIMENTO; 
147. CURRÍCULO, ETNIA E DIVERSIDADE CULTURAL; 
148. BEHAVIORISMO: CONTRIBUIÇÕES ESSENCIAIS; 
149. PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO; 
150. O DESENVOLVIMENTO DO ESTUDANTE; 
151. CONCEPÇÃO INATISTA X CONCEPÇÃO AMBIENTALISTA;152. PIAGET E A APRENDIZAGEM; 
153. ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO; 
154. PIAGET E A APRENDIZAGEM; 
155. VYGOTSKY E A APRENDIZAGEM; 
156. FASES DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL DE FREUD E 
IMPLICAÇÕES NA APRENDIZAGEM; 
157. PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM; 
158. APRENDIZAGEM E PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM; 
159. PROCESSOS PSICOLÓGICOS DO ESTUDANTE E A 
APRENDIZAGEM; 
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160. TEORIAS DA APRENDIZAGEM: APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS 
(PIAGET E VYGOTSKY) X APRENDIZAGEM DE ADULTOS (KNOWLES); 
161. AFETIVIDADE, AUTOESTIMA, RELAÇÕES INTERPESSOAIS E 
APRENDIZAGEM; 
162. DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM; HABILIDADES 
METALINGUÍSTICAS. 
163. FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL 
164. A EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL 
165. EDUCAÇÃO ESPECIAL – UM DIREITO ASSEGURADO 
166. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 
167. CONCEPÇÃO DE INCLUSÃO 
168. A ORGANIZAÇÃO DA ESCOLA INCLUSIVA 
169. A INCLUSÃO DOS ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS À 
SALA DE AULA 
170. OS DESAFIOS NAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS 
171. EDUCAÇÃO ESPECIAL E OS DIFERENTES TIPOS DE 
NECESSIDADES ESPECIAIS 
172. EDUCAÇÃO ESPECIAL: CONCEITOS E DEFINIÇÕES 
173. A EDUCAÇÃO ESPECIAL: DOS PRIMÓRDIOS AO SÉCULO XXI 
174. PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS: CLASSIFICAÇÃO 
E CARACTERIZAÇÃO 
175. AS DIFERENTES NECESSIDADES ESPECIAIS 
176. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E OS RECURSOS 
EDUCACIONAIS ESPECIAIS 
177. MODELOS CONCEITUAIS PARA INCAPACIDADE; 
178. A DIREÇÃO DO OLHAR E A VISÃO DAS POSSIBILIDADES 
179. PRÁTICAS EDUCATIVAS: perspectivas que se abrem para a 
educação especial 
180. PARADIGMAS DA RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM AS PESSOAS 
COM DEFICIÊNCIA 
181. APRENDIZAGEM E INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO 
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182. PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM: aplicações na escola 
183. APRENDIZAGEM ESCOLAR E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO 
184. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALA 
INCLUSIVA 
185. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: concepções de professores e diretores 
186. REPERCUSSÕES DA PROPOSTA DE "EDUCAÇÃO INCLUSIVA" A 
PARTIR DO DISCURSO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL 
DA REDE PÚBLICA 
187. A EDUCAÇÃO FÍSICA PERANTE A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: 
reflexões conceptuais e metodológicas 
188. POLÍTICAS EDUCACIONAIS EA FORMAÇÃO DE PROFESSORES 
PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL 
189. POLÍTICAS EDUCACIONAIS EA FORMAÇÃO DE PROFESSORES 
PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL 
190. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um estudo na área da educação física 
191. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: redefinindo a educação especial 
192. DA EDUCAÇÃO SEGREGADA À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: uma breve 
reflexão sobre os paradigmas educacionais no contexto da educação especial 
brasileira 
193. A FINALIDADE DA EDUCAÇÃO ESPECIAL, MORMENTE NO SEU 
EXCESSO DE ESPECIALIZAÇÃO 
194. INCLUSÃO ESCOLAR: concepções de professores e alunos da 
educação regular e especial 
195. O NORMAL E O PATOLÓGICO 
196. EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL E PROCESSOS DE 
EXCLUSÃO 
197. POLÍTICAS EDUCACIONAIS E EDUCAÇÃO ESPECIAL 
198. A NOVA LDB E AS NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
199. PRÁTICAS EDUCATIVAS: perspectivas que se abrem para a 
educação especial 
200. ATUAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO ITINERANTE FACE À 
INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM BAIXA VISÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
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201. A FONOAUDIOLOGIA NA RELAÇÃO ENTRE ESCOLAS 
REGULARES DE ENSINO FUNDAMENTAL E ESCOLAS DE EDUCAÇÃO 
ESPECIAL NO PROCESSO DE INCLUSÃO 
202. CONCEPÇÕES DA PROFESSORA ACERCA DO ABUSO SEXUAL 
INFANTIL 
203. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 
204. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA O 
DEFICIENTE INTELECTUAL 
205. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NAS 
ESCOLAS REGULARES 
206. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E AS 
PRÁTICAS EDUCATIVAS: a escola e a constituição do sujeito simbólico 
207. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA O 
DEFICIENTE INTELECTUAL EM SEU ASPECTO COMPLEMENTAR: uma 
análise da legislação 
208. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NAS ESCOLAS 
E A DIREÇÃO DO OLHAR: visão das possibilidades 
209. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E AS 
PRÁTICAS EDUCATIVAS: perspectivas que se abrem para a educação 
especial 
210. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE 
AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
211. A INTERAÇÃO SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO DE RELAÇÕES 
INTERPESSOAIS DO DEFICIENTE EM AMBIENTE INTEGRADO 
212. PARADIGMAS DA RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM AS PESSOAS 
COM DEFICIÊNCIA 
213. ESTUDO DESCRITIVO DA INTERAÇÃO PROFESSORA - ALUNO EM 
UMA CLASSE DE ALFABETIZAÇÃO EM DIFERENTES MOMENTOS DO 
ANO LETIVO. 
214. A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: contribuições 
para uma reflexão sobre o tema 
215. A INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO EM CLASSE INCLUSIVA: um 
estudo exploratório com criança autista 
216. ESTUDO DESCRITIVO DA INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: uma 
abordagem individualizada 
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217. A INDIVIDUALIDADE PARA – SI: contribuição a uma teoria histórico-
social da formação do indivíduo 
218. ANÁLISE FUNCIONAL DA INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: um 
exercício de identificação de controle recíprocos 
219. PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM: aplicações na escola 
220. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO, AUTISMO E 
INTEGRAÇÃO 
221. A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: contribuições 
para uma reflexão sobre o tema 
222. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO, A 
APRENDIZAGEM ESCOLAR E A CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO 
223. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALA 
INCLUSIVA DE O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 
224. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: concepções de 
professores e diretores 
225. REPERCUSSÕES DA PROPOSTA DE "EDUCAÇÃO INCLUSIVA" A 
PARTIR DO DISCURSO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL 
DA REDE PÚBLICA 
226. POLÍTICAS EDUCACIONAIS E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES 
PARA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 
227. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um estudo na área da educação física 
228. CAMINHOS PEDAGÓGICOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
229. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: redefinindo a 
educação especial 
230. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE 
AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
231. DEZ IDÉIAS (MAL) FEITAS SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
232. DA EDUCAÇÃO SEGREGADA À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: uma breve 
reflexão sobre os paradigmas educacionais no contexto da educação especial 
brasileira 
233. A FINALIDADE DA EDUCAÇÃO ESPECIAL, MORMENTE NO SEU 
EXCESSO DE ESPECIALIZAÇÃO 
234. INCLUSÃO ESCOLAR: concepções de professores e alunos da 
educação regular e especial 
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235. O NORMAL E O PATOLÓGICO 
236. EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL E PROCESSOS DE 
EXCLUSÃO 
237. POLÍTICAS EDUCACIONAIS E O ATENDIMENTO EDUCACIONAL 
ESPECIALIZADO 
238. A NOVA LDB E AS NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
239. PRÁTICAS EDUCATIVAS: perspectivas que se abrem para a 
educação especial 
240. ATUAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO ITINERANTE FACE À 
INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM BAIXA VISÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
241. A FONOAUDIOLOGIA NA RELAÇÃO ENTRE ESCOLAS 
REGULARES DE ENSINO FUNDAMENTAL E ESCOLAS DE EDUCAÇÃO 
ESPECIAL NO PROCESSO DE INCLUSÃO 
242. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NAS ESCOLAS 
DE ENSINO REGULAR 
243. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: uma análise sobre 
as salas de recursos multifuncionais 
244.ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: uma análise sobre 
as salas de recursos multifuncionais para alunos com surdez 
 
 
 
 
 
ARTIGOS PARA LEITURA, ANÁLISE E UTILIZAÇÃO COMO 
FONTE OU REFERÊNCIA. 
 
 
Cadernos CEDES 
versão On-line ISSN 1678-7110 
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Cad. CEDES v.19 n.48 Campinas ago. 1999 
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32621999000100003 
 
INÍCIO E FIM DO SÉCULO XX: maneiras de fazer educação 
física na escola 
Tarcísio Mauro Vago* 
 
RESUMO: Neste texto problematiza-se o enraizamento escolar da educação física, cotejando-
se dois momentos históricos importantes da educação: um em Minas Gerais (a reforma do 
ensino de 1906) e o outro no Brasil (os novos ordenamentos legais). Ancorado em 
procedimentos da história cultural da educação, indica-se que a educação física, no princípio 
do século XX, foi inicialmente representada como recurso de regeneração da raça e de 
preparação para o trabalho, contribuindo para o projeto social republicano. Ao final do século, 
novas maneiras de representar a educação e a sociedade colocam desafios para a permanência 
da educação física nas práticas escolares, e neste artigo defende-se sua inserção como área do 
conhecimento responsável pela escolarização da cultura corporal de movimento. 
 
Palavras-chave: Educação, escola, ensino, cultura escolar, educação física. 
Aparecimento de uma cultura escolar e enraizamento da educação física 
A presença da educação física nas práticas escolares, no Brasil, remonta ao século XIX, e 
desde então ela experimenta um processo permanente de enraizamento escolar. Para discutir o 
momento inicial desse processo, tomarei como referência a reforma do ensino promovida no 
estado de Minas Gerais, em 19061, que repercutiu e ampliou um movimento de afirmação 
social da escola, levando à conformação e à organização de uma primeira cultura escolar na 
capital e em todo o estado de Minas Gerais. 
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Essa nova cultura escolar substituiu paulatinamente o modelo escolar até então existente, 
baseado em escolas isoladas, de turma única, dirigidas por um professor remunerado pelo 
Estado ou por particulares, funcionando na sua própria casa, em igrejas ou em sala por ele 
alugada ou cedida pelos poderes públicos ou mesmo por pessoa física. Com elas, não se 
pretendia mais que instruir as crianças pobres nas primeiras letras e nas quatro operações - ler, 
escrever e contar constituíam suas únicas finalidades. Nelas, a cultura escolar confundia-se 
com a cultura da população, e o conhecimento escolarizado era o conhecimento do próprio 
mestre, sem ambições de mudar hábitos, comportamentos e valores das crianças.2 
De fato, os muitos problemas vividos nas décadas seguintes à Proclamação da República 
fortaleceram a crença de intelectuais e políticos republicanos mineiros de que a construção de 
uma nação e um Estado prósperos dependia, em grande parte, da tríade "educação intellectual, 
moral e physica" do povo. As escolas isoladas foram criticadas como inoperantes, precárias, 
regidas por mestres ignorantes; sem controle do Estado, não estariam em condições de 
realizar essa tríade. Elas deveriam ser uma "excepção condenada ao desaparecimento".3 Um 
novo modelo escolar deveria então ser implantado, com o qual pretendia-se muito mais que 
apenas instruir as crianças: era preciso educá-las nas boas maneiras e dar-lhes uma profissão. 
À escola, agora, caberia a missão de operar "uma verdadeira revolução nos costumes, sob o 
ponto de vista moral, attingindo os beneficios della a propria vida economica", pois, "teremos 
em vez de um exercito de analphabetos a povoarem as officinas, um pessoal operario 
sufficientemente preparado para exercitar os seus misteres com intelligencia e 
aptidão". Desejava-se que esse operariado alfabetizado oferecesse "garantias de economia e 
incremento" à indústria que se tentava organizar em Minas e no país.4 A escola, então, 
provocaria nas crianças uma mudança de sensibilidade, de linguagem, de comportamentos e 
mesmo de perspectivas pessoais. Ora, essa é uma nova representação que vai sendo 
consolidada em torno do lugar da escola nas práticas sociais. De fato, nesse momento, a 
escola é considerada um instrumento central para a superação da grave crise que o regime 
republicano experimentava e da qual Minas Gerais não escapara. A inserção do Brasil e do 
estado de Minas em um mundo moderno, que se tornava complexo e se industrializava, 
dependeria de instruir e educar o povo, tido e havido por analfabeto, doente e despreparado 
para as novas formas de trabalho industrial, organizado sob a lógica capitalista de produção. 
A afirmação dessa nova representação sobre a escola significou, ao mesmo tempo, uma 
tentativa de desqualificar ou, ainda, de subestimar o conhecimento e o saber de que as 
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crianças eram portadoras, aprendidos em práticas culturais realizadas em outros tempos e 
espaços sociais, como a casa, a rua, a relação precoce com pequenos trabalhos. Com efeito, 
esse saber não interessava à escola e deveria ser substituído. Ela mesma seria o locus do saber 
legitimado e autorizado como necessário à prosperidade da nação, em face dos desafios 
postos pela complexidade social. 
Com essa reforma, o sistema público de educação primária de Minas Gerais experimenta 
então um processo de racionalização que visava dar conta de suas tarefas cada vez mais 
amplas e complexas, tendo "como finalidade última racionalizar o conjunto do social" (Faria 
Filho 1995, p. 96). O advento desse novo molde escolar tem em vista responder à expectativa 
de formar aqueles que seriam os cidadãos republicanos - civilizados, de maneiras amaciadas, 
disciplinados, sadios e trabalhadores ordeiros -, que assim poderiam contribuir para o 
desejado progresso social. 
No cerne, como alvo para o qual convergiriam os dispositivos dessa nova cultura escolar, 
estava o corpo das crianças: a organização da cultura escolar deveria cultivar um corpo belo, 
forte, saudável, higiênico, ativo, ordeiro, racional, em contraposição àquele considerado feio, 
fraco, doente, sujo e preguiçoso. Para essa "educação physica" das crianças, em sentido 
alargado, muitos dispositivos foram mobilizados. 
O primeiro deles foi a construção de prédios próprios para as escolas, imponentes, majestosos, 
higiênicos e assépticos — os grupos escolares, considerados templos do saber. Com tais 
monumentos e a organização de sua cultura, a escola passava gradativamente "dos pardieiros 
aos Palácios".5 Na cultura escolar que se afirmava, pretendia-se que o cultivo do corpo 
começasse já na arquitetura do prédio: os espaços deveriam ser eles mesmos educativos.6 
Nesses templos, haveria uma organização minuciosa dos tempos7 como garantia para a 
realização de vasto programa escolar capaz daquela "revolução de costumes". Os grupos 
escolares seriam providos de "livros didacticos, mobilia e todo o material de ensino pratico e 
intuitivo", dispositivos constitutivos de uma cultura escolar até então inusitada. 
A propósito do programa para o ensino primário, dele faziam parte as cadeiras de "Leitura, 
Escripta, Lingua Patria, Arithmetica, Geographia, Historia do Brasil, Instrucção Moral e 
Civica, Geometria e Desenho, Historia Natural, Physica e Hygiene, Trabalhos Manuaes e 
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Exercicios Physicos". Esses eram os saberes que aquela culturaescolar que se afirmava estava 
autorizada a praticar. 
De várias maneiras busca-se implantar uma racionalidade no corpo das crianças, para atingir o 
objetivo desejado de transmutar crianças indigentes em cidadãos republicanos. Um exemplo é 
a cadeira de "Hygiene". Para a execução de seu programa, o professorado era instruído a dar 
noções gerais que facilitassem "aos alumnos o conhecimento do corpo humano", aproveitando 
tudo que pudesse para "ministrar-lhes noções precisas para a conservação da saúde e seu bem 
estar physico, ensinando-lhes cuidar da sua própria pessoa". Dentre os temas previstos 
constavam tópicos como a necessidade do banho e do asseio do vestuário; necessidade da boa 
mastigação e regularidade das refeições; cuidados com os dentes, com os cabelos e as mãos; 
nutrição e respiração; asseio do corpo; saneamento das casas; alimentação, vestuário e higiene 
da habitação; efeitos do fumo e do álcool no organismo humano. 
A imposição do ensino da letra vertical à criança, na cadeira de "Escripta", com a qual 
pretendia-se educar as suas mãos, é outro exemplo. Esse tipo de letra foi considerado "facil, 
rapido, economico e hygienico", sendo que, para aprendê-la, os alunos deveriam ficar na 
seguinte posição: 
tronco erecto com o peito de frente para a carteira, sem tocal-a, e os pés bem assentados no 
soalho. — O assento deve ter altura de modo que ambos os ante-braços fiquem em nivel, 
descançando metade do comprimento delles sobre a carteira. — O papel será collocado em 
posição vertical, formando angulo recto com a borda da carteira. 
Para educar as mãos, existia ainda a cadeira de "Trabalhos Manuaes", e nesse exemplo a 
seguir podem ser observadas significativas diferenças no tratamento dado ao corpo dos 
meninos e ao corpo das meninas. Elas deveriam ser acostumadas "desde o primeiro dia, com 
os utensilios do trabalho domestico, ensinando-lhes sómente o que for util e pratico", ao passo 
que os meninos deveriam ser habituados "ao exercicio do trabalho methodico, familiarizando-
os ainda com peças e instrumentos de que tenham de fazer uso". 
A cadeira de "Exercicios Physicos" foi mais um dos dispositivos para o cultivo do corpo na 
escola, isto é, para uma ampla e profunda "educação physica" das crianças. Com efeito, foi 
nessa cultura escolar que essa cadeira foi inserida pela primeira vez nos programas de ensino 
primário, em Minas Gerais - era o momento inicial de seu enraizamento escolar. 
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A reforma de 1906 realmente obrigou a presença dos "Exercicios Physicos" no programa. Ela 
prescrevia: "Não se descuide desta parte da educação das creanças na escola". Passa a circular 
a representação de que a inserção dessa cadeira no programa da escola primária era necessária 
porque de tais exercícios dependia "o desenvolvimento physico dos futuros cidadãos". 
Observe-se que uma preocupação com o aperfeiçoamento e o fortalecimento físico racional e 
sistemático ficava evidente. 
Há, ainda, uma outra consideração de central importância: a de que muitas daquelas crianças 
não teriam "em suas casas os meios e a occasião dos exercícios que a escola lhes pode 
proporcionar". Afirmava-se assim a escola como o lugar por excelência para a realização das 
práticas corporais que concorreriam para o desenvolvimento físico das crianças. Somente a 
escola poderia lhes proporcionar tal desenvolvimento. Considerou-se que em suas casas, e 
certamente nas ruas, não havia "os meios e a occasião" para tanto. As práticas corporais que 
elas realizavam nesses lugares não podiam lhes garantir isso, e daí resulta a defesa de que o 
Estado deveria regular e manter na escola um programa racional de educação do corpo das 
crianças 
No texto da reforma de 1906 há indícios que permitem vincular o enraizamento escolar da 
cadeira de "Exercicios Physicos" nos programas escolares de Minas Gerais ao debate sobre a 
formação racial brasileira. Com efeito, naquele período, várias estratégias são defendidas 
(muitas postas em prática) para conseguir a desejada regeneração e o aperfeiçoamento da 
raça, como políticas de saneamento, de combate a epidemias tropicais, de higiene e do 
desenvolvimento de projetos eugênicos (inclusive a defesa da esterilização dos considerados 
não-regeneráveis, como os deficientes, loucos, epilépticos, delinqüentes, dentre outros).8 Ora, 
se a desejada raça brasileira estava em estado de permanente formação como se acreditava, as 
estratégias para a sua regeneração deveriam se estender também às escolas, principalmente 
àquelas freqüentadas por crianças economicamente desfavorecidas. A escolarização dos 
"Exercicios Physicos", em Minas Gerais, naquele momento deu-se em grande medida sob o 
primado da regeneração da raça, que circulava no país. 
Os programas eram distintos para meninos e meninas. Para eles, a prática central eram as 
variações de marchas militares, que deveriam ser executadas observando-se "estrictamente as 
regras militares." Já para as meninas, prescrevia-se brincar em liberdade no pátio e realizar 
exercícios de "extensão e flexão de musculos", executados metodicamente "à sombra".9 
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A diferenciação de práticas corporais para meninos e meninas expressa as representações 
sobre o corpo masculino e o feminino: para eles, exercícios viris, marchas militares; para elas, 
a delicadeza de exercícios de extensão e flexão; para ambos, uma educação racional de seus 
corpos, mas que deveria respeitar as diferençasentre eles. 
As próprias professoras de cada turma é que assumiriam a responsabilidade pela cadeira de 
"Exercicios Physicos". Era permitido, no entanto, que um instrutor militar fosse solicitado 
pela direção dos grupos para se encarregar da parte do programa relativa às evoluções 
militares para os meninos. 
Para viabilizar sua inserção no programa, foi prevista nas plantas dos grupos escolares a 
construção de "galpões que deveriam ser cobertos com telhas, sem forro de taboas e ter o chão 
ladrilhado ou cimentado sem asperezas".10 Ou seja, todas as escolas deveriam "dispor sempre 
de uma área conveniente para recreio e exercicios physicos dos alumnos". Mais tarde, essa 
área foi planejada para ser "nivelada, macadamisada, e, si possivel, asphaltada e coberta", e 
seria usada para "exercicios gymnasticos e evoluções militares".11 
Como o programa, os espaços para a ginástica também eram, nas plantas dos prédios 
escolares, separados por sexo. Revelava-se a pretensão de que meninos e meninas não 
participassem juntos das mesmas aulas, o que levaria à "construção escolar das diferenças" 
(Louro 1997). Interditar legalmente o uso comum dos espaços e a prática dos mesmos 
exercícios é, de fato, um dispositivo que visava à constituição diferenciada de corpos 
masculinos e femininos. Resta ver se as crianças não faziam usos não-autorizados dos 
exercícios e do espaço previsto. 
Eram reservados 25 minutos diários (inclusive aos sábados) aos "Exercicios Physicos", 
sempre das 11h50 às 12h15 (o horário de funcionamento dos grupos escolares era, naquele 
momento, das 10 às 14 horas). Deveriam ser realizadas, portanto, seis lições semanais, que 
totalizariam 150 minutos, sem alterações para os quatro anos do ensino primário. A sua 
posição cuidadosamente intercalada às demais cadeiras, ao longo de toda a semana, é 
reveladora da pretensão de que a cadeira de "Exercicios Physicos" assumisse um caráter de 
recurso higiênico para combater a fadiga intelectual das crianças e o tédio das práticas 
escolares vigentes. 
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Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.brAs seis lições semanais indicam que ela ocupou uma posição de destaque na grade de 
distribuição de tempo para as cadeiras, sendo menor apenas que o de aritmética, igual ao 
destinado à leitura e maior que o de todas as demais cadeiras, se tomadas isoladamente 
(inclusive língua pátria e escrita). Ora, é importante registrar que a legislação que reforma o 
ensino em Minas autoriza a inclusão dessa cadeira nas práticas dos grupos escolares de 
maneira central, não secundária.12 
Em síntese, o mesmo movimento de constituição de uma nova cultura escolar em Minas 
Gerais, no início do século XX, promoveu também a escolarização. De fato, a obrigatoriedade 
de seu ensino, a prescrição de um programa, o objetivo pretendido, a destinação do tempo e a 
previsão do espaço são indicadores da importância atribuída à cadeira de "Exercícios 
Physicos". São cuidados como esses que permitem e provocam o seu paulatino enraizamento 
escolar nas práticas dos grupos escolares em Minas Gerais, nas décadas seguintes à reforma 
de 1906. 
Retomar o momento inicial de enraizamento escolar da educação física em Minas Gerais tem 
em vista identificar aqui a sua fina sintonia com o projeto de sociedade que se queria 
implantar. Nesse projeto, os grupos escolares e a cadeira de "Exercicios Physicos" 
desempenhariam papéis preponderantes na formação dos cidadãos republicanos de corpos 
limpos e robustos. Era o início do século XX. Do início ao fim do século, um salto no 
tempo.13 
Novos modelos escolares, novas práticas de educação física 
Inúmeras outras reformas do ensino foram promovidas em Minas Gerais nesses mais de 90 
anos que nos separam daquela realizada em 1906. Mas o modelo escolar que foi então 
estruturado e legitimado manteve algumas de suas características básicas: o conhecimento 
continuou sendo repartido em disciplinas, dentre as quais algumas permaneceram, outras 
foram reorganizadas e mudaram de nome, outras foram desaparecendo;14 os tempos escolares 
permaneceram distribuídos em rígidas grades de horários, com uma visível hierarquia dos 
saberes escolares; muitos rituais escolares que instituem as relações de poder foram mantidos, 
ainda que mais sutis e dissimulados; a seriação anual com promoção mediante avaliação 
quantitativa também atravessou o século. Esses são alguns indicadores da solidez daquele 
modelo. Há também diferenças importantes, em Minas Gerais, das quais foram destacadas 
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apenas duas para exemplificar: a política de construção de suntuosos prédios para as escolas 
públicas estaduais há muito desapareceu, e houve uma permanente precarização das 
condições de trabalho docente (que não se reduz aos aviltantes salários). 
No entanto, esse modelo escolar vem sendo questionado e novas maneiras de organizar a 
escola, novas estratégias de conformação do campo escolar estão sendo propostas e 
realizadas. Não por acaso, desde 1996 novos ordenamentos legais pretendem organizar o 
campo escolar. No plano nacional, tem-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) - 
Lei nº 9.394, de 20/12/1996;15 o Ministério da Educação promoveu a elaboração e a 
distribuição dos chamados Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o ensino 
fundamental, também em 1996; e em 1998 o Conselho Nacional de Educação aprovou as 
Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental (e também as do ensino médio, 
que não serão tratadas aqui). 
A recepção e o uso desses ordenamentos nas práticas escolares certamente não são 
consensuais; ao contrário, são permeados por tensões e conflitos entre os diferentes (e muitas 
vezes opostos) interesses de ordens diversas colocados no campo da educação escolar - 
interesses econômicos, sociais, políticos, culturais. Isso certamente provoca o surgimento de 
modelos escolares diferentes, com projetos político-pedagógicos que se contrapõem. 
Aqui, duas perguntas são fundamentais. A primeira delas: se um novo modelo escolar foi 
instituído na reforma mineira de 1906 para viabilizar um determinado projeto de sociedade, 
que projeto(s) estaria(m) orientando novas maneiras de organizar a escola, ao final do século 
XX? E a segunda é derivada da primeira: a educação física permanecerá enraizada na cultura 
escolar? 
Quanto à primeira, há, com efeito, confrontos em torno da intervenção da escola nas práticas 
sociais, isto é, de sua contribuição para este ou aquele projeto de sociedade. Aqui será 
destacado, de forma sintética, aquele por mim considerado central e decisivo, que opõe dois 
primados de organização escolar que revelam também o projeto social a que se vinculam. 
O primeiro tem como orientação básica defender uma fina sintonia entre as práticas escolares 
e as necessidades e os interesses do "deus-mercado" e sua ordem econômica de matriz 
capitalista:16 o currículo, para ficar em apenas um exemplo, deve estar estruturado para 
obedecer às exigências do mercado, incluindo ou retirando disciplinas de acordo com elas. 
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Preparar alunos(as) para sua futura inserção no mundo do trabalho é o propósito (logo, 
observa-se que é um discurso muito próximo daquele contido na reforma mineira de 1906). 
Os princípios que regem o mercado - eficácia, rendimento, seleção, resultado - devem 
também orientar as práticas escolares, habituando e conformando alunos(as) e professores(as) 
a eles. É o primado de uma "pedagogia da eficiência", a "qualidade total" em educação 
escolar. Legitima-se o "deus-mercado", agora mundializado, como centro das decisões de 
todas as naturezas (incluindo a educação escolar), submetendo o Estado e as pessoas a seus 
interesses e a suas necessidades. Há que se considerar as repercussões desse confronto no 
corpo de crianças, adolescentes e professores(as). 
Oposto a esse, o segundo primado, ao qual me filio, representa e procura constituir e praticar a 
escola como lugar de transmissão e produção de cultura, tempo social para uma formação 
humana ampla, campo de construção de uma cidadania emancipada. Os seres humanos, com 
suas possibilidades e carências, seus desejos e sonhos, sujeitos produtores de cultura e capazes 
de intervenção individual e coletiva, é que devem estar no centro das práticas escolares e, 
assim, do conjunto das práticas sociais (como na definição das políticas econômicas e 
socioculturais do país). 
Os interesses em conflito na sociedade estão também presentes na escola. Ora, é justamente 
isso que a coloca como campo de intervenção social. A cultura escolar intervém em outras 
práticas culturais da sociedade da mesma forma em que sofre a sua intervenção: há entre as 
práticas escolares e as demais práticas sociais uma relação de tensão permanente - e não de 
submissão permanente.17 Certamente a problematização em torno das questões ligadas ao 
mundo do trabalho e ao próprio mercado é mais que necessária, não como obediência da 
escola a seus ditames, mas como possibilidade de intervenção social para contribuir em sua 
transformação. É o primado de uma "qualidade social" em educação18 filiado a um projeto de 
sociedade sem relações de dominação de nenhuma natureza (seja de classe, de gênero, de 
etnia ou de raça, por exemplo). 
Novas maneiras de organizar a escola (e, nelas, o enraizamento do ensino de educação física) 
estão sendo instituídas em confrontos como esses. Aqui é fundamental destacar a intervenção 
possível dos(as) professores(as) nesse processo. Como sujeitos sociais praticantes, eles(as), de 
fato, participam também da instituição e da consolidação de novas práticas escolares. Podem 
aderir aos ordenamentos e modelos que estão circulando, como podem contestá-los; podem 
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resistir e criar alternativas para eles, atuando diretamente na conformação de práticas 
escolares. O professorado não assiste (ou não deve assistir) passivamente à imposição de 
modelos escolares, que podem ser "recebidos, compreendidos e manipulados de diversas 
maneiras" (Chartier 1995, p. 184); é preciso realçar a "pluralidade dos usos e dos 
entendimentos" (ibid., p. 184) que o professorado pode fazer deles. Com efeito, "a vontade de 
inculcação de modelos culturais nunca anula o espaço próprio da sua recepção, do seu uso e 
da sua interpretação" (ibid., p. 186). Esse espaço é um campo aberto de possibilidades de 
intervenção por parte do professorado, que, ao contrário de ser subestimado, deve ser ocupado 
e potencializado. 
O censo escolar brasileiro de 1998 apontou que se aproxima de 36 milhões o número de 
alunos e alunas matriculados em escolas de ensino fundamental, dos quais mais de 32 milhões 
estão em escolas públicas (há ainda quase 7 milhões de matrículas no ensino médio, sendo 5,7 
milhões em escolas públicas). Esse dado confirma que, embora não seja o único, a escola é 
um lugar social privilegiado de (e para a) formação humana. Fazê-la diariamente tempo e 
lugar de produção de cultura - que problematiza e transforma o conhecimento já construído, 
produzindo novos conhecimentos; que quer a ciência, mas não abre mão da sabedoria; que é 
tempo de crítica, fruição, invenção e reinvenção das práticas culturais - é um desafio 
estimulante. Penso que nossas posições e práticas em relação à escola, e particularmente em 
relação ao ensino da educação física, devem estar orientadas por essa realidade. 
É nesse movimento de confrontos e tensões que discutirei a segunda pergunta: a educação 
física permanecerá enraizada nas novas maneiras de organização escolar que estão sendo 
praticadas? Depende. A LDB de 1996 estabelece a obrigatoriedade da presença da educação 
física nas práticas escolares na educação básica (educação infantil, ensino fundamental e 
médio), facultando sua presença na educação superior e nos cursos noturnos19 (restringir-me-
ei ao nível ensino fundamental). 
Essa lei não definiu critérios para a organização do seu ensino, estabelecendo que a educação 
física deve estar "integrada à proposta pedagógica da escola", ajustando-se às faixas etárias e 
às condições da população escolar (art. 26).20 
Sua entrada em vigor possibilitou o aparecimento de maneiras diferentes de realizar o ensino 
de educação física. A falta de critérios permitiu que se configurasse quase um "vale-tudo" em 
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sua organização escolar. Interesses econômicos têm marcado interpretações da LDB sobre a 
educação física, sobressaindo-se a idéia de redução de despesas com professores e 
materiais. Mesmo com dados precários, já é possível dizer que sua presença nas práticas 
escolares, sobretudo em escolas particulares, tem sido reduzida ao mínimo indispensável para 
configurar obediência à lei.21 
Também é possível, a meu juízo, identificar usos irresponsáveis da lei, como a 
descaracterização do ensino curricular de educação física, provocando o seu esvaziamento 
como disciplina do programa, no mesmo patamar que as demais. Exemplo disso é a sua 
transformação em lugar de treinamento esportivo, com desdobramentos que considero 
danosos a seu ensino e aos alunos, e por isso merecem atenciosa reflexão. A perda de sua 
identidade como disciplina curricular - isto é, como portadora de um conhecimento a ser 
oferecido aos alunos - é o principal deles, do qual decorre seu alijamento das discussões que 
envolvem o conjunto das práticas escolares, que inviabiliza sua participação na formação dos 
alunos - torna-se um tempo à parte, um apêndice, ou um produto que a escola oferece aos 
alunos para atraí-los. A educação física continuaria figurando no currículo da escola, 
mas desfigurada de seu caráter de área do conhecimento. 
Figurar desfigurada nas práticas escolares traz ainda um dano ao potencial educativo que boa 
parte do professorado da área vem tentando imprimir ao ensino de educação física, em que 
prevalecem e são desenvolvidos princípios de respeito à participação de todos, à corporeidade 
singular dos alunos, à busca do lúdico, por exemplo. É preocupante a desqualificação de uma 
possível intervenção de caráter amplo e educativo do ensino de educação física sobre todos 
os(as) alunos(as) em favor de uma intervenção especializada e seletiva do 
treinamento esportivo na escola, em que se privilegia sobremaneira a seleção por habilidade 
(e conseqüente exclusão), o rendimento, a competição e o resultado, mesmo em escolas (e 
ainda mais fora delas).22 
Radicalizando esse mesmo movimento de descaracterização, há iniciativas no sentido de 
aceitar que práticas corporais realizadas fora do ambiente escolar (em academias e clubes, por 
exemplo) sejam consideradas substitutas do ensino de educação física realizado na escola. 
Nesse caso, as escolas estariam desobrigando-se da tarefa de realizar o ensino de educação 
física, num movimento de terceirização de serviços. Ora, isso seria uma sentença de morte 
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para o caráter educativo da educação física como prática escolar, que no limite provocaria o 
seu desenraizamento escolar, isto é, sua exclusão do ambiente escolar. 
Esses usos economicamente interessados e irresponsáveis da lei podem ser analisados à luz 
dos primados que orientam a organização da escola, antes expostos. Pode-se perceber que eles 
aderem fortemente ao primado que vincula e submete a escola ao mercado. E aqui há ao 
menos duas possibilidades de análise. Na primeira, mais afeita às escolas particulares, mas 
possível também em escolas públicas, a presença (descaracterizada) da educação física está 
garantida quando a escola, em vez de desenvolver e praticar uma linha de pensamento, 
oferece aos alunos uma linha de produtos - a educação física é organizada para ser um desses 
produtos, repartindo-se seu conhecimento em várias modalidades de subprodutos. 
Na segunda, a presença da educação física não está garantida, podendo mesmo ser excluída 
(desenraizada) das práticas escolares. Ora, em uma escola que se orienta pelas idéias de 
eficiência, eficácia, produtividade, utilidade, não há que se perder tempo com o ensino de 
práticas corporais da cultura, como os esportes, as danças, os jogos, a ginástica. Nada disso 
interessa quando se quer organizar uma escola na qual o conhecimento que importa transmitir 
aos alunos é aquele que se considera útil ao ingresso no mercado de trabalho. E, então, o 
conhecimento oferecido na educação física não teria muito a contribuir, tornando-se assim 
descartável. Movimento oposto ao que ocorreu nos momentos iniciais de seu enraizamento 
escolar, na Europa e no Brasil, quando a educação física foi representada como fundamental 
para a preparação da mão-de-obra para o trabalho (para a sua preparação, manutenção e 
recuperação física).23 
Certamente, iniciativas bem distintas dessa também podem ser citadas. O exemplo da rede 
pública estadual de Santa Catarina é suficiente: lá, houve aumento da participação do ensino 
de educação física na distribuição dos tempos escolares, passando de duas para três aulas 
semanais. Embora somente o aumento do número de aulas não seja garantia, ampliou-se a 
oportunidade de sua intervenção na formação dos alunos. 
Dois anos depois de promulgada a LDB, o Conselho Nacional de Educação, por intermédio 
de sua Câmara de Educação Básica, instituiu, em 1998, outro dispositivo legal, as DiretrizesCurriculares Nacionais para o ensino fundamental.24 Elas contêm um "conjunto de definições 
doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos da educação básica" que são 
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também obrigatórias para "fundamentar as práticas pedagógicas das escolas" de ensino 
fundamental.25 Problematizar criticamente essas diretrizes pode contribuir para fazer avançar 
as práticas escolares de educação física, consolidando seu enraizamento escolar. 
As diretrizes confirmam a obrigatoriedade da educação física na educação básica, 
estabelecida pela LDB em 1996. O mais importante é que, a meu juízo, não dão margem para 
a descaracterização da educação física como disciplina escolar. Ao contrário, ela é definida 
como área do conhecimento
26 que integra a Base Comum Nacional do Ensino Fundamental, 
que as escolas estão obrigadas a contemplar "em sua integridade".27 Creio, pois, que as 
Diretrizes constituem um contraponto legal aos usos interessados e irresponsáveis do ensino 
de educação física, praticados sob a LDB, podendo ser uma importante ferramenta contra a 
desfiguração, o esvaziamento e o desenraizamento escolar da educação física.28 
Minha interpretação é de que para obedecer ao conjunto de definições legais que emergem da 
LDB e das Diretrizes Curriculares Nacionais, respeitando-o e praticando-o, as escolas de 
ensino fundamental públicas e particulares, de todo o território nacional, estão obrigadas a 
incluir o ensino de educação física, oferecendo-lhe tratamento curricular sob os mesmos 
critérios respeitados para as demais áreas do conhecimento. Não parece ser outra a exigência 
da quarta diretriz aprovada: "Em todas as escolas, deverá ser garantida a igualdade de acesso 
dos alunos a uma Base Nacional Comum, de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da 
ação pedagógica na diversidade nacional".29 
Ora, poderia essa diretriz ser respeitada e praticada com a educação física sendo realizada de 
maneira descaracterizada, desfigurada, ou terceirizada? Parece-me não haver dúvida quanto à 
exigência de ela ser tratada como área do conhecimento e, nessa condição, pertence ao 
ambiente escolar - a escola é o lugar de sua realização. 
Ademais, a mesma diretriz exige que todas (todas!) as áreas do conhecimento estejam 
articuladas em torno de um paradigma curricular estabelecido pelo Conselho Nacional de 
Educação para nortear o ensino fundamental - é o paradigma da "Vida Cidadã", com oito 
temáticas de referência: saúde, sexualidade, vida familiar e social, meio ambiente, trabalho, 
ciência e tecnologia, cultura e diferentes linguagens. Na organização e na realização de seu 
ensino, cada área do conhecimento (e também o diálogo entre elas) deve problematizar esses 
temas, para que "atendam ao direito de alunos e professores terem acesso a conteúdos 
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mínimos de conhecimentos e valores". Assim também para a educação física. Isso é 
fundamental, segue prescrito na quarta Diretriz, para "a organização, o desenvolvimento e a 
avaliação das Propostas Pedagógicas das Escolas", como estabelecido na LDB, às quais a 
educação física deve estar integrada.30 
Para retomar o confronto antes citado, é interessante como nas Diretrizes há uma crítica ao 
primado de organização escolar submetido aos ditames do mercado e, ao mesmo tempo, uma 
compreensão da presença da escola nas práticas sociais mais próxima do primado da 
qualidade social: 
O modelo que despreza as possibilidades afetivas, lúdicas e estéticas de entender o mundo 
tornou-se hegemônico, submergindo no utilitarismo que transforma tudo em mercadoria. Em 
nome da velocidade e do tipo de mercadoria, criaram-se critérios para eleger valores que 
devem ser aceitos como indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade. O ponto de 
encontro tem sido a acumulação e não a reflexão e a interação, visando à transformação da 
vida para melhor. O núcleo da aprendizagem terminaria sendo apenas a criação de rituais de 
passagem e de hierarquia, contrapondo-se, inclusive, à concepção abrangente de educação 
explicitada nos arts. 205 e 206 da Constituição Federal. 
As Diretrizes Curriculares Nacionais podem constituir uma possibilidade de ampliar o 
primado da educação voltado para as necessidades dos seres humanos, alargando trilhas que 
muitos já vinham explorando no ensino de educação física. O paradigma curricular da vida 
cidadã, que as Diretrizes indicam, certamente deve ser criticamente problematizado, e aqui 
recoloco perguntas já apresentadas em outro texto:31 O que seria uma "vida cidadã"? Que 
projeto histórico de organização social propõe condições socioculturais e econômicas para 
sustentá-la: aquele que se submete às leis do "deus-mercado" ou o que está sensível e aberto 
às demandas sociais dos seres humanos? Que políticas públicas podem favorecê-la? Quem 
está de fato interessado em construí-la em nosso país? 
No espaço próprio de nossa recepção, é fundamental debater perguntas como essas, para 
atribuir àquele paradigma os sentidos que julgamos necessários para tomá-lo como norteador 
das nossas práticas escolares. 
Se no início do século XX a educação física enraizou-se nas escolas de Minas Gerais como 
recurso higiênico, de regeneração da raça, de preparação para o trabalho, ao final do século e 
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nas circunstâncias colocadas no presente, sua permanência nas práticas escolares ou, ao 
contrário, o seu desenraizamento estão visceralmente vinculados à idéia de ampliar ou reduzir 
a escola como lugar de (e para a) cidadania emancipada. 
Nesse movimento, políticas de educação e de educação física são formuladas, práticas 
escolares são construídas e realizadas, opções são feitas. Em todas, há possibilidades de 
intervenção. Então... 
Creio que em todos esses âmbitos devemos insistir na defesa (e na prática) de um 
enraizamento escolar da educação física na cultura escolar como uma área do conhecimento 
responsável pela problematização e pela prática da cultura corporal de movimentos produzida 
pelos seres humanos - e a escola foi e é um dos lugares dessa produção. No entanto, a cultura 
corporal não se esgota no já existente, aceito e praticado. E então a educação física pode ser 
também tempo e lugar de investigação e problematização da história de alunos e alunas 
encarnados e presentes na escola, que revela o conhecimento sobre as práticas corporais da 
cultura de que são portadores(as); de invenção de outras maneiras de fazer os esportes, as 
danças, a ginástica, os jogos, as lutas, os brinquedos, as brincadeiras; de questionamento dos 
padrões éticos e estéticos construídos culturalmente para a realização dessas e de outras 
práticas corporais; de realização do princípio de que os alunos e as alunas podem (e devem) se 
colocar à disposição de si mesmos quando partilham, fruem, usufruem, criam e recriam as 
práticas corporais da cultura; de garantia do direito de todos(as) participarem, sem exclusão 
por nenhum motivo; de respeito à corporeidade singular a cada um, construída em sua história 
de vida. 
Enfim, mais do que nunca, é preciso praticar a educação física como tempo e lugar de afirmar 
e reafirmar a vida como ato de resistência e de criação. 
 
Notas 
1. Os ordenamentos legais da reforma do ensino de 1906, promovida pelo governo de João 
Pinheiro (1906-1910), incluem a Lei nº 439, de 28 de setembro de 1906, o Decreto nº 1.947, 
de 30 de setembro de 1906, a Lei nº 1.960, de 16 de dezembro de 1906, o Decreto nº 1.969, de 
3 de janeiro de 1907, consultados pararedigir este texto. 
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2. Cf. Faria Filho 1996. 
3. Cf. Arquivo Público Mineiro. Secretaria do Interior, Relatório do Secretário ao Presidente 
do Estado, 1907. 
4. Relatório de José Rangel, inspetor escolar em Juiz de Fora (MG). Cf. Arquivo Público 
Mineiro. Secretaria do Interior, Relatórios dos Grupos Escolares, 1907. 
5. Esse é o título da tese de doutorado de Luciano Mendes Faria Filho (1996). 
6. Cf. mais a respeito em Vinão Frago 1998b. 
7. Sobre a distribuição dos tempos escolares, buscou-se organizá-los para não causar fadiga 
escolar nas crianças, motivo de muitas preocupações na época. Com o desenvolvimento e a 
difusão de estudos sobre fadiga escolar, apresentados em congressos sobre higiene escolar, 
em diversos países europeus nas últimas décadas do século XIX, defendeu-se a necessidade 
de combinar e variar os exercícios de acordo com sua dificuldade, suas características e as 
faculdades requeridas, não permitindo que o cansaço e o tédio dominassem as crianças (Cf. 
Viñao Frago 1998a). 
8. Cf. Schwarcz 1995. 
9. A professora Eustáquia Salvadora de Sousa sintetiza esse programa já no título de sua tese: 
"Meninos, à marcha! Meninas, à sombra!" (Cf. Sousa 1994). 
10. Cf. Arquivo Público Mineiro. Secretaria do Interior. Relatório do Secretário do Interior ao 
Presidente do Estado, 1909. 
11. Arquivo Público Mineiro. Coleção de Leis. Regulamento do Ensino Primário de Minas 
Gerais, 1911, art. 179. 
12. Se é certamente necessário confrontar essa distribuição prevista em lei com a que era 
realizada nas práticas escolares, de toda forma não parece possível negligenciar a pretensão da 
lei na conformação do campo escolar, no tocante à cadeira de "Exercicios Physicos". 
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13. A educação física permaneceu enraizada nas diferentes culturas escolares que foram sendo 
organizadas desde a reforma de 1906, em Minas Gerais. Mas esse processo de enraizamento 
escolar não foi homogêneo, e múltiplas foram as representações produzidas acerca de sua 
intervenção na formação humana, aqui apenas citadas: educação física como domadora de 
corpos humanos; educação física como produtora de uma raça forte e enérgica; como celeiro 
de atletas; como terapia psicomotora; como aprendizagem motora; como promotora da saúde; 
como produtora e veiculadora da cultura corporal de movimentos socialmente criada. 
Algumas dessas maneiras de representar a educação física foram indicadas inicialmente em 
outro texto, escrito em parceria com a professora Eustáquia Salvadora de Sousa (cf. Sousa e 
Vago 1997a e também Vago 1997). Ao indicá-las, registro que considero necessário ampliar 
estudos que procurem pela materialidade dessas (e de outras) representações nas práticas 
escolares em instituições distintas, públicas e privadas, em todos os níveis do ensino, em 
vários estados e municípios. O enraizamento escolar de educação física é resultado do esforço 
de problematização de seu ensino que os estudantes e o professorado da área vêm realizando, 
como são indicativas a vasta produção de literatura acerca da educação física na escola; a 
organização política e científica de estudantes e professores(as); a qualificação acadêmica em 
programas de especialização, mestrado e doutorado; a publicação de periódicos; a realização 
de encontros, seminários e congressos, como os promovidos pelo Colégio Brasileiro de 
Ciências do Esporte (CBCE), exemplos de um intenso movimento para problematizar, 
produzir, ampliar e socializar o conhecimento da área. 
14. Do já citado programa de ensino prescrito pela reforma de 1906, tem-se hoje, em Minas 
Gerais, no ensino fundamental, que as cadeiras de "Leitura" e "Escripta" compõem o chamado 
Ciclo Básico de Alfabetização; "Lingua Patria" é o português; "Arithmetica" é a matemática, 
incorporando a "geometria"; "Geographia e Historia do Brasil" permanecem, estando unidas 
nas séries inicias do ensino fundamental como Estudos Sociais, e separadas nas séries finais; 
"Historia Natural Physica e Hygiene" transformou-se na disciplina de ciências no ensino 
fundamental, que se desdobra em física, química e biologia no ensino médio. "Instrucção 
Moral e Civica", "Trabalhos Manuaes" e "Desenho" desapareceram como disciplinas 
obrigatórias. E "Exercicios Physicos" é a hoje chamada educação física (em Minas Gerais, 
essa transição na denominação da área ocorreu a partir da reforma do ensino promovida pelo 
governo do estado, em 1927, consolidando-se na década de 1930). 
15. Essa LDB substitui aquela que vigorou por 25 anos, a LDB nº 5.692, de 11/8/1971. 
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16. O eufemismo "neoliberalismo" é apenas um novo nome para definir o modelo capitalista 
de produção. 
17. Cf. Chervel 1990, Nóvoa 1994, Vago 1996. 
18. Os princípios de uma pedagogia de "qualidade social" foram debatidos nos dois 
Congressos Nacionais de Educação (Coned), realizados em 1996 e 1997, na cidade de Belo 
Horizonte (MG). O tema central deste último foi "Educação, democracia e qualidade social: 
Consolidando um Plano Nacional de Educação" (previsto, aliás, pelo art. 214 da Constituição 
de 1988). Confira o documento contendo as propostas desse II Coned, 1997. 
19. Em uma interpretação possível das Diretrizes Curriculares Nacionais aprovadas pelo 
Conselho Nacional de Educação em 1998, pode-se concluir que a Diretriz nº IV permite a 
reinclusão da educação física nos cursos noturnos de ensino fundamental: ora, se ela 
prescreve que "em todas as escolas" deve ser garantido aos alunos o acesso a uma Base 
Nacional Comum, que inclui a educação física, então isso vale também para o ensino noturno. 
Afinal, não há, nas Diretrizes, discriminação de acesso diferenciado a essa base nacional em 
virtude do turno em que o aluno estuda: o direito é igual para todos. Do contrário, os alunos 
que estudam à noite estarão sendo tratados como cidadãos menores, subtraídos em seu 
direito. 
20. Sobre repercussões da LDB nº 9.394/96 no ensino de educação física, cf. Sousa e Vago 
1997. 
21. Por exemplo, uma interpretação economicamente interessada tem sido usada para inserir a 
educação física em apenas uma das três etapas da educação básica, argumentando-se que 
houve cumprimento da lei, que obriga sua presença nesse nível, mas não afirma que isso deve 
ser em todas as etapas. Isso já ocorre em escolas particulares de Belo Horizonte (MG). 
22. Não se trata aqui de ser contra a organização de práticas esportivas no ambiente escolar. 
Na escola em que atuo há um projeto intitulado "Esporte na escola", aberto à participação de 
todos os interessados, sem obrigatoriedade, sem seleção por nenhum critério e realizado em 
tempos escolares próprios, diferentes dos tempos destinados ao ensino de educação física. O 
problema está na confusão entre ensino de educação física e treinamento esportivo, cujos 
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princípios penso serem diferentes; exatamente por isso, não posso concordar com a simples 
substituição do primeiro pelo segundo. 
23. Cf. Castellani Filho 1988, Soares 1990. 
24. Parecer nº 4, de 29/1/1998, e Resolução nº 2, de 7 de abril de 1998, que instituem as 
Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental, aprovadas pela Câmara de 
Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. 
25. Sobre as repercussões das Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental, 
estabelecidas em 1998 pelo ConselhoNacional de Educação, no ensino de educação física, cf. 
Sousa e Vago 1999. 
26. Considero essa definição um avanço, porque, ao colocá-la na condição de área do 
conhecimento como as demais, o Conselho Nacional de Educação reconhece que a educação 
física tem um objeto de estudo e um conhecimento escolar próprio formulado ao redor desse 
objeto, alicerce de seu ensino na escola. Nas diretrizes consta que as áreas do conhecimento 
possuem conteúdos mínimos que se referem "às noções e conceitos essenciais sobre 
fenômenos, processos, sistemas e operações, que contribuem para a constituição de saberes, 
conhecimentos, valores e práticas sociais indispensáveis ao exercício de uma vida de 
cidadania plena". E assim deve ser com o conhecimento oferecido pela educação física. E 
ainda consta que os conteúdos mínimos de cada área já haviam sido divulgados inicialmente 
nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Os PCNs específicos para a educação física estão 
circulando pelo Brasil em dois volumes publicados pelo MEC, um para as séries iniciais e 
outro para as séries finais do ensino fundamental. Para uma crítica dos PCNs de educação 
física, cf. CBCE 1997. Sua permanência no currículo do ensino fundamental foi tomada como 
reconhecimento de sua contribuição na formação humana dos alunos. 
27. A quarta diretriz prescreve: "IV - Em todas as escolas, deverá ser garantida a igualdade de 
acesso dos alunos a uma Base Nacional Comum, de maneira a legitimar a unidade e a 
qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional; a Base Comum Nacional e sua Parte 
Diversificada deverão integrar-se em torno do paradigma curricular, que visa estabelecer a 
relação entre a Educação Fundamental e: a) a Vida Cidadã, através da articulação entre vários 
dos seus aspectos como 1. a saúde; 2. a sexualidade; 3. a vida familiar e social; 4. o meio 
ambiente; 5. o trabalho; 6. a ciência e a tecnologia; 7. a cultura; 8. as linguagens; e b) as Áreas 
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do Conhecimento de: 1. Língua Portuguesa; 2. Língua Materna (para populações indígenas e 
migrantes); 3. Matemática; 4. Ciências; 5. Geografia; 6. História; 7. Língua Estrangeira; 8. 
Educação Artística; 9. Educação Física; 10. Educação Religiosa (na forma do art. 33 da 
LDB)." 
28. Não estou aqui fazendo um discurso legalista em defesa da educação física, tampouco 
alimento ilusões de que basta ter uma lei para que a educação física esteja presente nas 
práticas escolares. No entanto, trato as leis como estratégias de conformação do campo 
escolar, e problematizá-las para identificar espaços de intervenção é uma tática que considero 
importante. Mas isso é apenas o começo. Nosso mais importante discurso é realizado nas e 
com as práticas escolares de educação física, no chão da escola. 
29. Penso que essa mesma diretriz nº IV pode constituir base legal para a reinclusão da 
educação física nos cursos noturnos de ensino fundamental: ora, se ela prescreve que "em 
todas as escolas" deve ser garantido aos alunos o acesso a uma Base Nacional Comum, que 
inclui a educação física, então isso vale também para o ensino noturno. 
30. Nas Diretrizes faz-se referência explícita aos arts. 23, 24, 25, 26, 27, 28, 32 e 33 da LDB. 
Recorde-se que é no art. 26 que está a exigência de obrigatoriedade da educação física na 
educação básica. 
31. Cf. Sousa e Vago 1999. 
 
 
School roots of Physical Education 
ABSTRACT: This paper problematizes school roots of Physical Education contrasting two 
important historical events in education: educational reform in Minas Gerais in 1906 and the 
new legal regulations in Brasil. Deriving its procedures from cultural history of education, it 
shows that Physical Education in the beginning of the 20
th
century was at first represented as 
a means of regenerating the race and preparing for work, cooperating, thus, on the 
republican social project. At the end of the century, new views on education and society 
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challenge the continuance of Physical Education in school practices. This paper suggests that 
it is responsible for developing body movement culture. 
 
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* Professor de Educação Física da Escola de Ensino Fundamental do Centro Pedagógico da 
UFMG; doutorando em Educação na USP; vice-presidente do CBCE. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Revista Brasileira de Educação Especial 
Print version ISSN 1413-6538 
Rev. bras. educ. espec. vol.11 no.3 Marília Sept./Dec. 2005 
doi: 10.1590/S1413-65382005000300005 
RELATO DE PESQUISA 
INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS, COM PROPOSTA 
PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA1 
 
Simone Cerqueira da Silva2; 
Maria Salete Fábio Aranha3 
 
 
RESUMO 
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Correntes teóricas presentes na literatura científica têm demonstrado a importância 
das relações interpessoais para o processo de construção do conhecimento. É no 
contexto da interação professor e aluno que se configura a relação entre as 
necessidades educacionais dos alunos e as respostas pedagógicas a elas 
disponibilizadas, o que envolve o domínio do conhecimento pelo professor, sua 
capacitação técnico-científica, a competência de ensinar pesquisando, as 
características sócio-culturais e o perfil psicológico dos atores sociais envolvidos- 
professor e aluno. Buscando melhor compreender este universo, elaborou-se este 
estudo que teve como objetivo descrever as interações ocorridas entre uma 
professora, e seus alunos, em classes em que se propunha adotar uma prática 
pedagógica inclusiva. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, em escola 
estadual de Ensino Fundamental, no município de Bauru. O processo de coleta de 
dados se deu através do registro da realidade de sala de aula em vídeo tape. Optou-
se por este método, por permitir a recuperação posterior dos dados. A coleta se deu 
no transcorrer do 1º semestre do ano letivo de 2001. A análise fundamentou-se em 
sistema prévio de categorias, e tratou os dados quantitativa e qualitativamente. Os 
resultados demonstraram peculiaridades e diferenças nas interações da professora 
com os seus alunos, em função da presença ou ausência da deficiência. Indicaram, 
também, que a interação vem demonstrando avanços na prática educacional, no que 
diz respeito à atenção pedagógica, da professora, ao aluno com deficiência. 
Palavras-chave: educação inclusiva; interação entre professor - aluno; 
necessidades educacionais especiais. 
 
1 INTRODUÇÃO 
O tema da educação inclusiva tem despertado, no meio educacional, angústias e 
entusiasmos. A mudança de um sistema educacional, que se caracterizou 
tradicionalmente por ser excludente e segregatório, para um sistema educacional 
que se comprometa efetivamente a responder, com qualidade e eficiência, às 
necessidades educacionais de todos, inclusive às dos alunos que apresentam 
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necessidades educacionais especiais, exige um processo complexo de 
transformação, tanto do pensar educacional, como da prática cotidiana de ensino. 
Todo processo de transformação dessa natureza constitui uma mudança de 
paradigma, o que, geralmente provoca nas pessoas diversas reações, dentre as 
quais ansiedade, medo, rejeição, resistência, interesse, entusiasmo. Geralmente, 
constata-se que inicialmente as pessoas começam a mudar o discurso na direção do 
politicamente esperado e considerado correto, mantendo, entretanto, padrão de 
comportamento semelhante ao já conhecido. 
No caso do tema aqui focalizado, o paradigma da construção de sistemas 
educacionais inclusivos, em desenvolvimento, requer relações interpessoais que 
sejam eficientemente acolhedoras para todos, ou seja, que atendam às 
necessidades educacionais de todos, inclusive dos que apresentam necessidades 
educacionais especiais. 
Para Leontiev (1978, p. 272), a educação é o processo que possibilita a formação do 
indivíduo através de sua apropriação dos resultantes da história social e sua 
conseqüente objetivação nessa história. 
Nesse sentido, tem-se que é pela educação que o indivíduo se apropria das 
características do gênero humano. Características que, segundo Duarte (1993, p. 
40), foram criadas e desenvolvidas ao longo do processo de objetivação, gerado, a 
partir da apropriação da natureza pelo homem. 
O processo educativo formal, conforme aponta Boneti (1997), ocorre dentro de um 
espaço real de ação e interação, para enriquecimento da identidade sócio-cultural 
dos que dele participam, espaço esse chamado escola. 
Para Saviani (1991), a função da escola é estender, a todos os seus alunos, o 
conhecimento elaborado e sistematizado, fundamental para que as pessoas tenham 
maior liberdade de ação pela assimilação e internalização do conhecimento, a partir 
do processo de ensino e de aprendizagem. 
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Considerando não somente os conteúdos acadêmicos, Mello (1997) diz, ainda, que 
cabe à escola a função de estabelecer padrões de convivência social. 
Neste momento histórico da realidade brasileira, o que se espera é o avanço na 
direção da construção de um sistema educacional que cumpra efetivamente com o 
proposto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), favorecendo a 
formação de cidadãos críticos e responsáveis, possibilitando o acesso ao saber 
científico e à sua utilização crítica e funcional rotineira, e desta forma, atuando na 
construção de uma sociedade mais igualitária e humana. 
É no espaço da relação entre professor e aluno que a formação do cidadão se 
realiza, efetivando a missão maior da educação. 
Diversos autores têm demonstrado a importância das relações entre o professor e o 
aluno para o processo de desenvolvimento e de aprendizagem desse aluno. 
Para Hinde (1979), uma relação implica em algum tipo de interação intermitente 
entre duas pessoas, envolvendo intercâmbios durante um período estendido no 
tempo, tendo as mesmas, algum grau de mutualidade, de modo que o 
comportamento de uma leva em consideraçãoo comportamento da outra. 
Vygotsky (1994) propõe que as funções psicológicas superiores originam-se das 
relações reais entre indivíduos humanos, já que no decurso do desenvolvimento, as 
atividades são inicialmente coletivas / sociais (interpsíquicas) para depois se 
tornarem atividades individuais / propriedades internas do pensamento. 
Tomando como pressupostos os conteúdos propostos pelos autores acima citados, 
entende-se as interações e a relação entre o professor e seus alunos variáveis 
essenciais no processo bi-direcional de construção da aprendizagem e do 
desenvolvimento humano. 
Salvador (1994), referindo-se ao contexto da sala de aula, destaca que a unidade 
básica de análise deixa de ser a atividade individual do aluno e passa a ser a 
atividade articulada e conjunta do aluno e do professor em torno da realização de 
tarefas escolares. Constata-se, então, que os sujeitos, professor e aluno, são os 
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atores dessa entrelaçada teia de relações que permeia a instituição escolar e que se 
apresenta como o fio da meada do processo educacional. 
Para Aranha e Laranjeira (1995, p.9) 
[...] é preciso estabelecer, sob novas bases, a relação entre o professor e o aluno, de 
modo que se repense ambos os papéis, refletindo sobre a bi-direcionalidade e a 
interdependência que configuram as relações pessoais, para que nos fiquem claras 
as suas conseqüências. 
Os estudos sobre a relação entre professor e aluno nem sempre foram tratados a 
partir do princípio da reciprocidade, da mutualidade e bi-direcionalidade. 
Carvalho (1986) também se dedicou à análise da literatura sobre a relação entre 
professor e aluno, e constatou que todos os trabalhos enfatizavam que o professor 
era o elemento que mais falava, e o comportamento do aluno influenciava de 
maneira diversificada o comportamento do professor. 
Por outro lado, posteriormente, Machado (1987) considerou que as pesquisas não 
privilegiavam a influência do aluno, realçando somente o poder que o professor tinha 
sobre ele, e que, embora os conceitos de interação e reciprocidade fossem referidos, 
havia uma certa inconsistência aí embutida. 
Em 1990, Gil revisou diferentes pesquisas realizadas sobre as relações entre 
professor e aluno, e verificou a existência de dois grandes grupos de trabalhos que 
se distinguem pela ênfase dada ora ao rendimento do aluno, e ora às características 
da interação entre professor e aluno. A autora ainda enfatiza que, embora tais 
estudos considerassem a interação entre professor e aluno como objeto de estudo, a 
maioria tratava apenas da influência do comportamento verbal do professor sobre o 
aluno. 
A consideração da relação enquanto sistema requer um deslocamento de foco de 
análise, na direção de um olhar bi-direcional, no qual o aluno influencia o processo 
de ensino e é por este influenciado. O professor deixa de ser o único responsável 
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pelos resultados alcançados no processo de ensino e de aprendizagem, e constata-
se que o que o aluno faz, exerce influência sobre a ação do professor. 
Faz-se necessário salientar aqui o deslocamento do foco de análise, deixando de 
centrar-se no sujeito, unilateral, para centrar-se na relação, contexto bi-direcional e 
multideterminado. 
Conforme a literatura citada, são escassos os estudos que consideram o fator da 
mútua determinação entre professor e aluno. Faz-se necessário então, compreender 
como funciona e quais são os papéis desempenhados nessa relação. 
No que se refere ao seu funcionamento, Aranha e Laranjeira (1995) mencionam que 
a relação entre o professor e o aluno está configurada por uma assimetria, tanto no 
que se refere ao nível de escolaridade, quanto à experiência de vida, habilidades 
sociais e complexidade intelectual. Diferenças essas, que pontuam os diferentes 
papéis que ambos exercem. 
Quanto ao papel do professor, as autoras consideram que um professor, para 
cumprir o seu papel pedagógico, precisa ser um profissional-cidadão, capaz do uso 
do exercício da consciência crítica e do domínio efetivo do saber que socializa na 
escola. 
É fato que o modo de ser do professor, seu jeito de pensar, agir e sentir repercutirá 
no comportamento dos alunos, bem como a imagem e a concepção que o aluno tem 
do professor irá interferir na ação do professor. 
A exigência de educação continuada vem se acentuando desde 1996, com a 
promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que reconhece a 
diversidade no contexto escolar. 
A construção de uma sociedade inclusiva é de fundamental importância para o 
desenvolvimento e a manutenção de um estado democrático. 
No âmbito da educação, a opção política pela construção de um sistema educacional 
inclusivo vem coroar um movimento para assegurar a todos os cidadãos, inclusive 
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aos com deficiência, a possibilidade de aprender a administrar a convivência digna e 
respeitosa numa sociedade complexa e diversificada (ARANHA, 2002). 
A escola se torna inclusiva à medida que reconhece a diversidade que constitui seu 
alunado e a ela responde com eficiência pedagógica. Para responder às 
necessidades educacionais de cada aluno, condição essencial na prática 
educacional inclusiva, há que se adequar os diferentes elementos curriculares, de 
forma a atender as peculiaridades de cada um e de todos os alunos. Há que se 
flexibilizar o ensino, adotando-se estratégias diferenciadas e adequando a ação 
educativa às maneiras peculiares dos alunos aprenderem, sempre considerando que 
o processo de ensino e de aprendizagem pressupõe atender à diversificação de 
necessidades dos alunos na escola (BRASIL, 1999). 
A educação para todos implica, portanto, um sistema educacional que reconhece, 
respeita e responde, com eficiência pedagógica, a cada aluno que nele se encontra 
inserido. 
A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de 
ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis de escolarização. 
Responsável especialmente pelo segmento populacional que apresenta 
necessidades educacionais especiais, deve tanto atender necessidades específicas 
e peculiares do aluno, como também oferecer suporte técnico-científico ao professor 
da classe regular que o atende. 
Pensar na Educação Inclusiva como uma possibilidade de construção de uma sala 
de aula melhor, na qual alunos e professores sintam-se motivados a aprender juntos 
e respeitados nas suas individualidades, parece que realmente pode vir a ser um 
progresso na história da educação brasileira. 
No processo de construção de uma classe inclusiva, as relações entre professor e 
aluno surgem como elemento de fundamental importância, já que é no contexto das 
relações que o respeito e a atenção pedagógica flexível e individualizada vão se 
efetivar. 
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Sabe-se que desde que o movimento pela construção de sistemas educacionais 
inclusivos foi se fortalecendo, inclusive amparado legalmente, alunos com deficiência 
começaram a ser matriculados e a freqüentar classes regulares no ensino comum. A 
inserção destes alunos nas classes regulares, entretanto, não garantem, por si só, 
uma prática inclusiva de ensino. 
Assim, entende-se importante investigar como estão se dando as relações nesse 
contexto. Existe diferença na relação entre professor e aluno, quando o aluno temou 
não uma deficiência? As características dessas relações afetam o processo de 
ensino e de aprendizagem? 
O estudo dos aspectos acima apontados não se mostrou freqüente na literatura 
científica pesquisada, já que não se constatou nenhuma publicação realizada no 
período de 1990 a 2001, em pesquisa bibliográfica realizada em 34 periódicos, 4.697 
artigos (SILVA, 2003). 
Em 2002, Braga (2002) investigou as interações sociais entre uma professora não 
especialista e um aluno autista, em ambiente regular considerado inclusivo. A autora 
utilizou o recurso da filmagem, usando uma filmadora assentada em tripé, com o foco 
direcionado diretamente sobre o aluno autista. Para a análise dos dados, a autora 
utilizou um sistema de categorias, adaptação de sistema desenvolvido por Aranha 
(1991). As conclusões obtidas pela autora confirmaram alguns dados já comentados 
anteriormente e elucidaram outros, até então não apontados pela literatura. 
A autora confirmou que a professora foi quem manteve o controle do início das 
interações, e que muitas das iniciativas do aluno autista sugeriram a intenção de 
obter aproximação, atenção e reconhecimento da professora. 
Na década de 80, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), estudando sobre a relação 
entre o professor e seus alunos, apontaram que o professor iniciava mais interações 
com os estudantes que tinham dificuldade de aprendizagem do que com os alunos 
que obtinham média, mas que esse início de conversação se referia à falta de 
atenção ou infração de regras por esses alunos. 
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Confirmando esses apontamentos, Siperstein e Goding (1985) ao estudarem a 
interação entre o professor e seus alunos, deficientes e não deficientes, mostraram 
que as iniciativas e respostas dos professores, para os estudantes com deficiência, 
foram mais negativas e corretivas do que com os estudantes sem deficiência. 
No ano posterior, Slate e Saudargas (1986) evidenciaram que os estudantes com 
dificuldade de aprendizado recebiam mais contatos individualizados com o professor, 
mas esses contatos diziam respeito ao seu engajamento em outras atividades, 
diferentes da atividade didática; logo, o tempo das atividades acadêmicas com os 
alunos com deficiência não era significativo, ao contrário do tempo despendido com 
os alunos que obtinham média. 
Tais estudos indicam as problemáticas vivenciadas no contexto de sala de aula, 
especialmente nas relações entre alunos e professor, e o quanto essas relações 
podem prejudicar ou impedir a eficiência do funcionamento que se almeja na 
educação inclusiva. 
A partir da preocupação com o discurso inclusivo que tem permeado o debate social 
e acadêmico, entendendo a relação entre o professor e o aluno como uma 
importante via de mediação da construção do conhecimento e da aprendizagem e 
norteadas pelos resultados acima expostos de poucos estudos realizados acerca 
dessa temática, elaborou-se este estudo, tendo por objetivo caracterizar a relação 
entre professora e alunos, em uma sala de aula institucionalmente considerada 
inclusiva, em unidade escolar da rede pública de ensino, no Estado de São Paulo. 
2 MÉTODO 
Foram participantes deste estudo 2 professoras e seus respectivos alunos. A 
professora A, que lecionava na turma A, tinha, em sala de aula, 7 alunos do sexo 
masculino e 14 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 8 a 13 anos. A 
professora B, que lecionava na turma B, tinha, em sala de aula, 12 alunos do sexo 
masculino e 15 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 9 a 17 anos. 
Na turma A, 2 alunos tinham deficiência mental e na turma B, 3 alunos tinham 
deficiência, sendo: 1 com deficiência mental, 1 com deficiência mental e física e 1 
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com deficiência auditiva e física. Os demais alunos não apresentavam indicação nem 
diagnóstico formal de deficiência. 
Os dados foram coletados em 2 salas de aula, ambas pertencentes a uma escola 
estadual de ensino fundamental, em bairro residencial da cidade de Bauru, interior do 
estado de São Paulo. 
Para a coleta dos dados, empregou-se, uma filmadora da marca Panasonic, modelo 
RJ 27. Optou-se pela filmagem em VT, já que esta estratégia de coleta de dados 
permite sua recuperação seqüencial, quantas vezes for necessária, para a efetivação 
da análise. 
As filmagens foram realizadas no transcorrer do 1º semestre de um ano letivo. Foi 
necessário efetuar várias sessões de filmagem até que os participantes se 
habituassem com a presença da câmera e da pesquisadora, deixando de a elas 
responder. 
Os dias para a filmagem foram sorteados, de modo que a professora não sabia em 
qual dia e horário a pesquisadora compareceria à sala de aula. 
Definiu-se como interação "uma verbalização ou ação motora de um sujeito dirigida 
clara e diretamente a outro, seguida de verbalização ou de ação motora deste para o 
primeiro" (HINDE, 1979; CARVALHO, 1986; ARANHA, 1991). Considerou-se, um 
episódio um conjunto de interações que tratam de um mesmo assunto, o que passou 
a ser a unidade de análise (ARANHA, 1991). 
A partir dessa definição, a análise dos dados percorreu 6 diferentes passos. 
1 Elaboração de um sistema de categorias. Para descrever o contexto interativo 
entre professor e alunos, foi necessário assistir à filmagem inúmeras vezes, bem 
como considerar o que a literatura apresentava a respeito dessa temática, para, 
então, criar as categorias que permitissem a obtenção da resposta pretendida no 
objetivo do estudo. Assim sendo, chegou-se à constituição de um sistema de 
categorias: quem inicia, quem responde, como inicia, como responde, conteúdo, 
situação em que ocorre, orientação, quem interrompe e como interrompe. 
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2 Elaboração das planilhas de registro. A fim de obter dados suficientes para 
descrever a interação entre professor e alunos, foi necessária a construção de 
planilhas de registro que tivessem campos para a descrição dos dados quanto ao 
conteúdo da interação, bem como quanto à qualidade da interação. Assim, as 
planilhas foram construídas de modo que nelas fosse possível registrar O QUE os 
sujeitos estão fazendo juntos e COMO o faziam juntos (HINDE, 1979). 
3 Equalização temporal dos dados. Considerando que o tempo de filmagem diferiu 
de sessão para sessão, optou-se por adotar, como material para análise, o conteúdo 
coletado num período de tempo correspondente ao da sessão de menor duração. 
Buscou-se, assim, garantir, através do controle da variável tempo, a igualdade de 
oportunidades para ocorrência das interações. Assim, foi analisado o material 
coletado nos 10 primeiros minutos de cada sessão de coleta, na turma A, e nos 15 
primeiros minutos de cada sessão na turma B. 
4 Classificação dos episódios, nas categorias que constituíram o sistema de análise. 
À medida que se foi efetivando sua classificação, percebeu-se necessário 
acrescentar e/ou retirar algumas categorias, para que se pudesse realmente 
representar o conjunto de interações. 
5 Participação de consultores na classificação das unidades de análise. Eles foram 
orientados pela pesquisadora sobre como deveriam proceder para classificar os 
episódios constantes da sessão de filmagem sorteada, bem como foram dadas as 
devidas instruções para preenchimento das planilhas de registro. O índice de 
concordância entre a pesquisadora e o consultor 1, bem como entre a pesquisadora 
e o consultor 2, foi de 50%, mostrando-se abaixo do índice pretendido (85%). A partir 
disto, o sistemafoi revisto, focalizando especialmente as categorias que 
apresentavam maior índice de discordância (conteúdo, como inicia e como 
interrompe), reorganizando-as e tornando-as mais claras e objetivas. Posteriormente, 
solicitou-se aos mesmos consultores que classificassem novamente os episódios. Os 
índices de concordância, nessa segunda etapa, alcançaram o índice 100%, o que 
indica que o sistema alcançou o nível desejado de clareza e objetividade. 
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6 Tratamento quantitativo e qualitativo dos dados. Finda a fase de classificação dos 
episódios, desenvolveu-se tratamento matemático, calculando-se as freqüências 
absolutas e as relativas dos dados constantes de cada categoria. Após o tratamento 
matemático, desenvolveu-se análise qualitativa, buscando-se a compreensão do 
significado dos dados obtidos. 
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
TURMA A 
A tabela 1 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos 
ocorridos a cada sessão. Estes ocorreram entre as díades professora (P) e alunos 
não deficientes (A), professora (P) e alunos com deficiência mental (DM), professora 
(P) e grupo (G), alunos não deficientes (A) e professora (P), e alunos com deficiência 
mental (DM) e professora (P). Na tabela 3 encontram-se os dados obtidos, 
lembrando que a primeira letra indica o sujeito que iniciou a interação. 
 
 
 
 
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A maioria das interações ocorridas na turma A foi iniciada por alunos não deficientes 
e dirigidas para a professora (55%). A professora, por sua vez, iniciou 42% dos 
episódios. 
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Os resultados constatados neste estudo diferem dos de Bertoldo (1985), que afirmou 
que mesmo quando os alunos participam muito em sala de aula, a participação da 
professora como iniciadora dos contatos é maior. 
Esta característica pode ser indicativa de que a professora desta turma permitiu, aos 
alunos, espaço para sua maior participação no processo de ensino e de 
aprendizagem. 
Com relação ao aluno com deficiência mental, este iniciou 3% dos episódios 
interativos ocorridos com a professora. 
Tais resultados mostraram-se consistentes com os de Macintosh et al. (1993), nos 
quais os alunos com dificuldades de aprendizagem interagiam em taxas inferiores a 
dos demais alunos. Este autor aponta ainda que a falta de individualização no ensino 
poderia estar determinando a menor participação do aluno com dificuldades, o que 
também pode ser verdadeiro neste estudo. 
Por outro lado, Braga (2002), em estudo que investigou a interação entre a 
professora e um aluno autista, em sala inclusiva, constatou que o aluno autista 
iniciou mais contatos, com a professora, que o aluno não autista. Faz-se necessário, 
porém salientar que este dado parece ter ocorrido, nesse estudo, em função da 
sistemática de registro utilizada, que focalizava constantemente o aluno autista e não 
o aluno não autista. 
A professora se dirigiu ao aluno com deficiência nas sessões 1, 3, 4, 5, 8 e 9. As 
sessões 1, 4, 5, e 9 foram aquelas nas quais a professora mais freqüentemente se 
dirigiu a ele, iniciando interação. Em ordem decrescente, constata-se que as 
iniciativas da professora, para interagir com esses alunos, ocorreram nas seguintes 
freqüências: 61% (1), 42% (9), 31% (4), 28% (5), 14% (3), 5%(8). 
Por sua vez, o aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a 
professora, nas sessões 3,4,5,8 e 9, ou seja, na maioria das sessões em que esta 
também a ele se dirigiu. 
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Nas sessões 2, 6, e 7 a professora não iniciou contato com o aluno com deficiência 
nenhuma vez e ele também não iniciou contato com a professora nas sessões 1, 2, 
6, e 7. 
Considerando que, embora a professora não tenha interagido com os alunos com 
deficiência em 3 sessões, a mesma apresentou o maior número de iniciativas com o 
aluno com deficiência e isto pode, nessas sessões, tê-lo motivado a também tomar 
iniciativas de interação, no contexto da mútua determinação. Por outro lado, o fato do 
aluno com deficiência tomar iniciativas pode, também, ter motivado a professora a 
estabelecer contato interativo com ele. 
Isto parece vir ao encontro do que Carvalho (1986) constatou em estudo que 
focalizou alunos não deficientes, no qual pôde demonstrar que o comportamento 
destes alunos influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor e 
que a responsividade do professor era função do grau de participação destes alunos. 
Esta influência também foi evidenciada por Gil (1991), quando afirmou que a 
participação dos alunos indicava uma relação de dependência com as ações da 
professora. Da mesma forma, Macintosh et al. (1993), referindo-se à baixa interação 
entre o professor e o aluno, comentou que o professor raramente interagia com o 
aluno com dificuldade de aprendizagem, padrão reproduzido também pelo aluno. 
Já com os alunos não deficientes, a professora iniciou contatos interativos em todas 
as sessões. Isto pode se explicar pelo número de alunos não deficientes na sala de 
aula, que excede, em muito, o número de alunos com deficiência, e do tempo de 
coleta que se mostra reduzido, quando comparado com o tempo total de aula diária. 
Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com 
deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de 
episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno não deficiente, pelo 
número de alunos não deficientes nela presentes, e o número de episódios 
ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno com deficiência, pelo número 
de alunos com deficiência, que estavam presentes na sessão. Com estes cálculos, a 
tabela 2 apresenta os índices obtidos. 
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Este padrão reproduz o que Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Slate e Saudargas 
(1986) descreveram: que a professora iniciava mais interações com os alunos que 
tinham dificuldades de aprendizagem, do que com os demais alunos da sala de aula, 
mesmo tratando-se de conteúdo para discriminar, repreender e punir estes alunos. 
Por outro lado, esses índices contradizem o que foi posteriormente constatado por 
Macintosh et al. (1993), pois os autores concluíram que o professor raramente 
manifestou interação com os alunos com dificuldade de aprendizagem. 
É interessante lembrar que estes resultados referem-se exclusivamente às sessões 
de coleta de dados, não sendo possível generalizá-los para todos os momentos da 
sala de aula. Assim, estes e os demais resultados dizem respeito a uma amostra, 
limitada, de como são as interações entre professor e alunos nesta turma. 
Na tabela 3 os episódios são classificados por sessão, segundo os conteúdos: 
indeterminado (IND), solicitação de atenção (SAT), solicitação de informação (SIN), 
prestação de informação (PIN), solicitação de ação (SAC), solicitação de objeto 
(SOB), oferecimento de objeto (OOB), repreensão (REP), ensino (ENS), elogio 
(ENS). 
De todos os episódios ocorridos entre o aluno com deficiência mental - e a 
professora, 54% deles foram solicitação de atenção, distribuídos em 4 das 5 sessões 
em que o aluno com deficiência mental iniciou contatos com a professora.Foi na 
sessão 9 que ocorreram os conteúdos prestação de informação, solicitação de 
informação e ensino. Isto pode ter ocorrido dada a natureza da atividade 
desenvolvida nesta sessão, a saber, exercícios de Língua Portuguesa. Há ainda que 
se ressaltar que 100% das situações nas quais se constatou estes conteúdos 
ocorreram nos momentos em que a professora circulava pela sala de aula. 
O conteúdo elogio esteve presente em 27% dos episódios, e o conteúdo ensino em 
outros 27%. Já o conteúdo repreensão ocorreu uma única vez na sessão 5, 
representando 9% dos episódios. 
Diante desses dados, tem-se que entre o aluno com deficiência mental e a 
professora, as interações eram, predominantemente de solicitação de atenção, de 
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elogio e de ensino, o que difere substancialmente do constante na literatura, que diz 
que o professor, ao interagir com o aluno com deficiência, o faz, para repreender 
(DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e 
SAUDARGAS, 1986). 
Entre a professora e o aluno com deficiência mental, o conteúdo ensino esteve 
presente em 57% dos episódios e ocorreu em 4 das 6 sessões em que esta díade 
interagiu. O conteúdo solicitação de informação foi identificado em 32% dos 
episódios e esteve presente em todas as sessões. Já o conteúdo elogio foi 
identificado em 14% dos episódios, e ocorreu em 3 das 6 sessões. 
Diante desses dados, tem-se que entre a professora e o aluno com deficiência 
mental, as interações eram, predominantemente, de ensino, de solicitação de 
informação e de elogio. 
Comparando os resultados obtidos entre as díades professora e o aluno com 
deficiência mental (quando a professora inicia a interação) e entre o aluno com 
deficiência mental e a professora (quando o aluno inicia a interação), tem-se que o 
aluno com deficiência, ao iniciar os episódios, utiliza com mais freqüência o conteúdo 
solicitação de atenção e o professor, ao iniciar os episódios, utiliza mais 
freqüentemente o conteúdo ensino. 
Estes conteúdos não surpreendem, já que são os exigidos pelos papéis 
complementares que os diferentes sujeitos desempenham na sala de aula. 
Os conteúdos ensino e elogio são freqüentes, independentemente de quem inicia a 
interação, e o conteúdo solicitação de atenção é característico somente quando o 
aluno inicia com o professor. Já o conteúdo solicitação de informação aparece 
preferencialmente quando o professor inicia com o aluno. 
Estes dados mostram que a prática de ensino dessa professora é freqüente com os 
alunos com deficiência e que estes também a ela se dirigem para tratar as dúvidas 
que têm sobre o que está sendo ensinado. Aliado a isto, os elogios da professora 
para estes alunos ocorrem tanto quando ela, como quando eles iniciam a interação. 
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Comparando os índices das interações entre a professora e o aluno com deficiência 
mental e a professora e o aluno não deficiente, nota-se que o conteúdo ensino 
predomina em todas as iniciativas, o que parece ser positivo para todos os alunos, 
mas a professora solicita ação e repreende predominantemente aos alunos sem 
deficiência. O conteúdo elogio, por outro lado, apareceu em interações tanto com os 
alunos sem deficiência, quanto aos com deficiência mental, sendo, entretanto mais 
praticado com estes últimos. 
Nota-se, portanto, que com os alunos com deficiência mental as interações mais 
freqüentes são as que elogiam, as menos repreensivas e com menor freqüência de 
solicitação de ações do que com alunos não deficientes. Assim, a professora pede 
menos ações para os alunos com deficiência mental, elogia-os mais e os repreende 
menos. 
Esses dados mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado. 
Siperstein e Goding (1985) afirmam que as iniciativas e respostas do professor 
dirigidas ao aluno com deficiência eram mais negativas e corretivas do que com os 
estudantes não deficientes. 
Dorval, Mckinney e Feagans (1982) igualmente observaram que as interações do 
professor dirigidas aos alunos com dificuldade de aprendizagem referiam-se à falta 
de atenção ou à infração de regras (por esses alunos). 
Em se tratando de interações entre o professor e o aluno autista, Braga (2002) 
constatou conteúdos de repreensão, solicitação de informações, solicitação de 
ações, ensino e oferecimento de informações. Os conteúdos de ensino, solicitação 
de informação e mesmo o de repreensão, que foi inferior aos demais, coincidem com 
os identificados neste estudo, mas o conteúdo de solicitação de ação diverge com o 
que foi identificado, pois não houve solicitação de ação ao aluno com deficiência. 
Os dados obtidos neste estudo, quando comparados com os constantes da literatura, 
mostram um movimento na direção de maior responsividade da parte da professora, 
para os alunos com deficiência. Além disso, mostra que o conteúdo parece ser mais 
positivo, de natureza reforçadora. 
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Isto pode sugerir uma mudança, ainda que incipiente, no padrão interativo entre 
professor e alunos, nos últimos anos. 
TURMA B 
Considerando os episódios em vista de quem inicia e de quem responde, a tabela 4 
mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos constatados 
entre os sujeitos que interagiram em cada sessão. Estes ocorreram entre as díades: 
professora (P) e aluno não deficiente (A); professora (P) e aluno com deficiência 
mental (DM), professora (P) e grupo (G); aluno não deficiente (A) e professora (P), 
aluno com deficiência mental (DM) e professora (P), professora (P) e aluno com 
deficiência auditiva e física (DAF), professora (P) e aluno com deficiência mental e 
física (DMF), aluno com deficiência mental e física (DMF) e professora (P) e aluno 
com deficiência auditiva e física (DAF) e professora (P). A primeira letra indica o 
sujeito que iniciou. 
 
 
 
50% dos episódios interativos foram iniciados por alunos não deficientes, 46% foram 
iniciados pela professora e 4% dos episódios foram iniciados pelos alunos com 
deficiência. 
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Todos os episódios iniciados pelos alunos não deficientes e pelos alunos com 
deficiência foram dirigidos para a professora. 
Dos episódios iniciados pela professora, 46% foram dirigidos para os alunos não 
deficientes, 8% dirigidos para o aluno com deficiência mental, 14% dirigidos para o 
aluno com deficiência mental e física e 32% dirigidos para o grupo com um todo. 
Estes resultados mostram-se semelhantes aos da turma A, uma vez que foram 
também alunos não deficientes que iniciaram a maioria dos episódios. Entretanto, na 
turma A, estes alunos iniciaram mais episódios (55%) do que na turma B (50%). 
O fato de alunos não deficientes terem iniciado mais interações com a professora na 
turma A, pode-se atribuir às idades destes alunos, que são inferiores aos da turma B. 
Estes se mostram mais inquietos e falantes, solicitando a todo o momento contato 
com a professora. 
Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com 
deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de 
episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno não deficiente 
(A), pelo número de alunos não deficiente (A) nela presentes, e o número de 
episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno com deficiência(DM e DMF), pelo número de alunos com deficiência (DM e DMF), que estavam 
presentes na sessão, conforme apresentado na tabela 5. 
 
 
 
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A professora se dirigiu ao aluno com deficiência mental nas sessões 3, 4, 5, e 6; ao 
aluno com deficiência mental e física nas sessões 4, 5 e 6, e não se dirigiu ao aluno 
com deficiência auditiva e física. A sessão 5 foi aquela na qual a professora mais se 
dirigiu aos alunos com deficiência mental e aos alunos com deficiência mental e 
física, iniciando contatos interativos. 
O aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas 
sessões 2, 3, 5 e 6, e o aluno com deficiência mental e física unicamente na sessão 
4. Considerando-se esses dados, observa-se que a iniciação de contatos da 
professora com esses alunos pode ter alguma influência nas respostas dirigidas a 
ela. 
Da mesma forma que no estudo da turma A, quando a professora inicia contato com 
o aluno com deficiência mental, este tende também a iniciar contatos com ela. 
Não diferiram os conteúdos das atividades realizadas, na turma B, com os alunos 
não deficientes e com os alunos com deficiência. 
Comparando estes dados com os resultados obtidos com a turma A, observa-se que 
na turma A os conteúdos diferiram, quando se comparam as atividades realizadas 
com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. 
Entretanto, os resultados da turma A e B coincidem, à medida que caracterizam 
interações voltadas para o ensino e para a prestação de informação, e não somente 
para a repreensão e advertências aos alunos com deficiência. Sendo assim, os 
resultados de ambas as turmas mostram-se divergentes com o que a literatura tem 
mencionado, conforme discutido anteriormente, na turma A. 
A orientação das atividades ocorridas na turma A e na turma B, mostram-se 
diferentes. Na turma A, conforme mencionado, a orientação não voltada para a tarefa 
ocorreu somente com os alunos não deficientes; já nesta turma, ocorreu tanto com 
os alunos não deficientes, quanto com os alunos com deficiência mental. 
Os resultados da turma B, da mesma forma que o constatado na turma A, diferem 
dos obtidos nos estudos de Bertoldo (1985), Carvalho (1986), e Braga (2002). 
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Considerando que estes autores constataram que as interações que os alunos 
iniciam com a professora são freqüentemente voltadas para atividades não 
relacionadas à tarefa escolar, pode-se formular a hipótese de que, neste estudo, os 
episódios iniciados pelos alunos tenham sido preferencialmente voltados para a 
tarefa, devido à falta de oportunidades oferecidas para que tivesse sido o contrário, 
podendo estar relacionados com a atitude pedagógica da professora em sala de 
aula, especialmente a da turma A. 
Os resultados mostraram, em ambas as turmas, as seguintes tendências: 
• O número de episódios interativos não parece ser função do número de alunos 
presentes na sala de aula, tampouco dos dias da semana; 
• É o aluno não deficiente quem mais inicia episódios interativos dirigidos para a 
professora; 
• As iniciativas de interação da professora, dirigidas aos alunos com deficiência, 
parecem ter influência na freqüência das interações destes alunos com ela e vice-
versa; 
• A comunicação verbal e visual é a mais utilizada para iniciar, responder e 
interromper os episódios interativos; 
• São os alunos não deficientes os que mais respondem a interação através da 
comunicação visual e gestual; 
• A maioria das interações é de conteúdo ensino e prestação de informação; 
• As atividades voltadas para a tarefa são mais freqüentes do que as não voltadas 
para a tarefa, tanto quando a professora inicia o episódio, como quando o aluno 
inicia o episódio; 
• A professora é quem predominantemente interrompe os episódios interativos, 
independentemente de quem inicia; 
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• A professora predominantemente inicia mais episódios interativos com o aluno com 
deficiência do que com o aluno não deficiente; 
• Os episódios interativos com os alunos com deficiência nunca são interrompidos 
por eles mesmos e sim pelos alunos não deficientes ou pela professora; 
• A maioria das interações entre a professora e os alunos com deficiência mental 
ocorre quando a professora está circulando pela sala de aula. 
Por outro lado, as turmas diferem nos seguintes aspectos: 
• Na turma B, o horário de coleta parece exercer alguma influência nos resultados 
obtidos, uma vez que se evidenciou um aumento no número de episódios à medida 
que o horário da sessão era mais próximo do final da aula; 
• Na turma B, houve um maior número de interação da professora com os alunos 
com deficiência e com o grupo do que na turma A; 
• Na turma B, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência 
mostram-se praticamente com os mesmos conteúdos identificados com os alunos 
não deficientes; 
• Na turma A, a comunicação visual e gestual foi mais utilizada para iniciar episódios 
interativos do que na turma B; 
• Na turma A, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência, são 
menos repreensivas, com menos solicitações de ações e mais elogiadas, do que 
com os alunos não deficientes; 
• Na turma A, os episódios ocorreram, com maior freqüência, na situação de quando 
a professora estava circulando entre as carteiras (com todos os alunos) e na turma 
B, a predominância das interações quando a professora está circulando entre as 
carteiras se refere apenas aos alunos com deficiência; com os demais alunos há 
preferência pela situação de quando a professora está em sua mesa conferindo 
tarefas. 
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4 CONCLUSÃO 
Diferentemente do identificado por Macintosh et al. (1993), este estudo constata que 
as professoras mantiveram interações diferentes com os dois grupos de alunos 
(deficientes e não deficientes), na maioria das categorias analisadas. 
As ações das professoras parecem estar propiciando maior espaço de participação 
dos alunos, nas aulas, especialmente no caso dos alunos com deficiência, o que 
constitui um avanço educacional, quando se tomam por parâmetro, as informações 
constantes da literatura na área (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; 
SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986 e MACINTOSH et al. 
1993) que mostram o aluno com deficiência historicamente relegado ao ostracismo e 
à gradativa exclusão do sistema regular de ensino. 
Neste estudo, o aluno não deficiente iniciou a maioria das interações, fato que 
também difere da literatura a respeito (BERTOLDO, 1985). As professoras, por sua 
vez, iniciaram mais interações com os alunos deficientes do que com os não 
deficientes, sendo essas interações, na sua maioria, de conteúdo ensino, elogio e 
solicitação de informação. Essa característica da relação entre as professoras e os 
alunos com deficiência, quando comparada com as informações da literatura, mostra 
ser mais positiva e condizente com o papel que a professora deve assumir em sala 
de aula, o de ser, segundo Duarte (1993), condutora do processo de apropriação, 
pelos alunos, do conhecimento produzido histórica e socialmente. 
Ações desse tipo ajudam no próprio processo de construção de uma identidade 
positiva por parte de todos alunos, aumentando sua auto-estima, melhorando as 
suas condições cognitivas, e por outro lado, ajudandoo aluno não deficiente a 
aprender a se relacionar positivamente com as pessoas no contexto da diversidade. 
Os conteúdos diferenciados que a professora da turma A realizou com os alunos e o 
maior número de interações realizadas pela professora da turma B com estes alunos, 
mostram indícios de que ambas estão se voltando mais (do que a literatura aponta) 
para o aluno com deficiência, cada uma do seu jeito. 
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Segundo os autores, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Siperstein e Goding 
(1985), Slate e Saudargas (1986), as interações da professora com o aluno com 
dificuldade de aprendizagem se referiam à falta de atenção ou infração de regras, 
além de serem mais negativas e corretivas do que com os alunos não deficientes. 
Este dado mostra-nos indícios de um avanço que nessas turmas demonstra estar 
ocorrendo, considerando o que, até o momento, foi constatado na área educacional 
através da literatura. 
Em se tratando dos alunos com deficiência, constata-se que estes iniciam interações 
com a professora para solicitarem a sua atenção nas atividades que realizam e para 
solicitarem informações sobre o conteúdo da aula. Este dado, quando comparado 
aos de Macintosh et al. (1993), mostra que estes alunos estão tendo a oportunidade 
de se mostrarem mais ativos e participativos na sala de aula e principalmente na 
construção do conhecimento. As oportunidades que lhe estão sendo propiciadas, 
para que possam demonstrar essas características nas interações em sala de aula, 
merecem destaque pela sua importância quando consideramos que a formação do 
indivíduo se dá através das relações sociais. 
Segundo Vygotsky (1994), as funções psicológicas superiores que caracterizam 
essencialmente o ser humano, originam-se das relações sociais entre os indivíduos. 
O fato de estar havendo espaço e, além disto, solicitação aos alunos para que 
iniciem interações e respondam a elas quando solicitados, favorece a participação de 
alunos no contexto regular da sala de aula, e, assim, um possível e melhor 
desenvolvimento destes alunos. 
Se avanços na atenção ao aluno com deficiência podem ser constatados a partir 
destes resultados, não se pode, entretanto, dizer que as salas aqui estudadas sejam 
salas inclusivas, pois, apesar do avanço atitudinal e mesmo metodológico 
observados, ainda não se pôde detectar a prática do ensino individualizado e flexível. 
A interação nas duas salas de aula pesquisadas mostra a necessidade da professora 
assistir mais freqüentemente às necessidades individuais dos alunos não deficientes, 
não os mantendo ignorados na ocorrência de comportamentos inadequados, que 
merecem repreensão e solicitação freqüentes, conforme visto. 
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A abertura de espaço para tais comportamentos também pode estar interferindo no 
próprio processo de ensino e de aprendizagem, que tende a tornar-se mais 
desestimulante, à medida que o aluno não recebe resposta à sua necessidade 
escolar e fica preterido nas relações em sala de aula. 
Além disso, a comunicação de que as professoras fazem uso para iniciar, responder 
e interromper as interações precisa ser transformada, pois se mostra praticamente 
igual para todos os alunos, não se mostrando específica para as necessidades 
peculiares de cada um. 
Finalizando, a maior contribuição deste estudo foi a de indicar que a interação entre 
a professora e os alunos, nas duas salas de aula, testemunha avanços na área 
educacional, no que diz respeito à atenção ao aluno com deficiência, embora ainda 
se manifeste distante de merecer o rótulo de educação inclusiva, ou seja, uma 
prática educacional que reconheça, respeite e responda às necessidades peculiares 
de cada aluno. 
 
REFERÊNCIAS 
ARANHA, M.S.F. A interação social e o desenvolvimento de relações interpessoais 
do deficiente em ambiente integrado. 1991. Tese (Doutorado) - Instituto de 
Psicologia. Universidade de São Paulo, São Paulo. [ Links ] 
___. Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência. Revista 
do Ministério Público do Trabalho, ano XI, n. 21, março, p.160-173, 2002. 
ARANHA, M.S.F., LARANJEIRA, M.I. Brasil, século XX, última década. Mímeo, 1995. 
BERTOLDO, A.A. Estudo descritivo da interação professora - aluno em uma classe 
de alfabetização em diferentes momentos do ano letivo. 1985. Dissertação 
(Mestrado), Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. [ Links ] 
BONETI, R.V.F. O papel da escola na inclusão social do deficiente mental. In: 
MANTOAN, M.T.E. A integração de pessoas com deficiência: contribuições para uma 
reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon, 1997. p. 167-173. [ Links ] 
BRAGA, M.C.B. A interação professor-aluno em classe inclusiva: um estudo 
exploratório com criança autista. 2002. Dissertação (Mestrado em Educação), 
Universidade Estadual Paulista, Marília. [ Links ] 
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BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: 
Adaptações Curriculares / Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de 
Educação Especial. - Brasília: MEC / SEF / SEESP, 1999. [ Links ] 
CARVALHO, A.M.P. Estudo descritivo da interação professor-aluno: uma abordagem 
individualizada. 1986. Dissertação (Mestrado em Educação Especial), Universidade 
Federal de São Carlos, São Carlos. [ Links ] 
DORVAL,B.; MCKINNEY,J.D.; FEAGANS,L. Teacher interaction with learning 
disabled children and average achievers. Journal of Pediatric Psychology, 7, 317-
330, 1982. [ Links ] 
DUARTE, N.A individualidade para - si. Contribuição a uma teoria histórico-social da 
formação do indivíduo. Campinas: Autores Associados, 1993. [ Links ] 
GIL, M.S.C.A. Análise funcional da interação professor-aluno: um exercício de 
identificação de controle recíprocos. 1990. Tese (Doutorado em Psicologia 
Educacional) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. 
HINDE, R.A. Towards understanding relationships. New York: Academic Press 
Incorporation, 1979. [ Links ] 
LEONTIEV, A.N. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Livros Horizonte, 1978. 
MACHADO, V.L.M. Aprendizagem e interação professor-aluno. In: WITTER, G. P.; 
LOMÔNACO, J.F.B. (Org.). Psicologia da aprendizagem: aplicações na escola. São 
Paulo: EPU, 1987. [ Links ] 
MCINTOSH, R. et al. Observations of students with learning disabilities en general 
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MELLO, A.M.S.R. Autismo e Integração. In: MANTOAN, M. T. E. A integração de 
pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: 
Memnon, 1997. p. 13-17. [ Links ] 
SALVADOR, C. C. Aprendizagem escolar e construção de conhecimento. Porto 
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SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Cortez, 
1991. [ Links ] 
SILVA, S.C. Interação entre professora e alunos em sala inclusiva. 2003. Dissertação 
(Mestrado em Educação) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - 
UNESP, Marília. [ Links ] 
SIPERSTEIN, G.N.; GODING, M.J. Teachers behavior toward LD and Non-LD 
children: A strategy for change. Journal of Learning Disabilities, v. 23, p. 32-37, 1985. 
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SLATE, J.R.; SAUDARGAS, R.A. Differences in learning disabledand average 
students classroom behaviors. Learning Disability Quarterly, v. 9, p. 61-67, 1986. 
VYGOTSKY, L. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1994. 
1 O presente estudo se refere a parte da investigação realizada na dissertação de 
Mestrado intitulada "Interação entre professora e alunos em sala inclusiva", 
defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Estadual 
Paulista, câmpus de Marília, em 2003. 
2 Psicóloga, Mestre em Educação, docente da Faculdade Auxilium de Lins - 
simonecerqueiradasilva@yahoo.com.br 
3 Psicóloga, Doutora em Psicologia Experimental, docente aposentada da Unesp-
Bauru - saranha@travelnet.com.br 
 
 
 in: (2006) David Rodrigues (org.) “Inclusão e Educação: doze olhares sobre a Educação 
Inclusiva”, 
S. Paulo. Summus Editorial. 
 
 
“DEZ IDEIAS (MAL) FEITAS SOBRE A EDUCAÇÃO INCLUSIVA” 
 
 
David Rodrigues 
“A normalidade causou-me sempre um grande pavor, exactamente porque é destruidora.” 
Miguel Torga, Diário IV, 1948, pp.128. 
 
 
Introdução: 
Neste início do século XXI parece que nunca a desigualdade entre os homens foi tão 
grande e não encontramos solução plausível nem previsível para injustiças e 
conflitos que proliferam e preenchem o nosso quotidiano de informação. Tal como 
aponta Wallerstein no seu livro “Historical Capitalism” (1983) parece haver 
agravamentos sensíveis dos conflitos à medida que nos aproximamos do tempo 
presente e cada século fez mais vitimas devido a guerras que o século anterior. 
No que respeita à justiça social a questão é igualmente difícil: o fosso entre ricos e 
pobres continua a aumentar à escala nacional e internacional, os países ricos 
começam a muralhar-se contra a previsível entrada de estrangeiros (mais pobres) 
nas suas fronteiras, as periferias das grandes cidades são pungentes exemplos de 
exclusão. As instituições sociais defrontam-se com novas questões de exclusão 
social ao nível da cidadania, do trabalho, da educação, do território e da identidade. 
(Stoer, Magalhães e Rodrigues, 2004). 
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É neste terreno controverso, desigual e crescentemente complexo que a Inclusão 
(seja social ou educativa) procura prevalecer. Neste aspecto, poder-se-ia dizer que 
quanto mais a exclusão social efectivamente cresce, mais se fala em Inclusão. O 
termo Inclusão tem sido tão intensamente usado que se banalizou de forma que 
encontramos o seu uso indiscriminado no discurso político nacional e sectorial, nos 
programas de lazer, de saúde, de educação etc. 
Recentemente até o sistema bancário tem vindo a usar o termo: no Brasil uma 
instituição bancária lançou uma campanha sobre um “sistema bancário inclusivo” 
que busca captar contas de clientes iletrados. 
Não se sabe bem o que todos estes discursos querem dizer com Inclusão e é 
legítimo pensar que muitos significados se ocultam por detrás de uma palavra-chave 
que todos usam e se tornou aparentemente tão óbvia que parece não admitir 
qualquer polissemia. No discurso dos “media” e do quotidiano, o conceito de 
Inclusão está relacionado antes de mais com não ser excluído isto é com a 
capacidade de pertencer ou de se relacionar com uma comunidade. Claro que existe 
uma normalização implícita neste conceito: o conceito da comunidade onde a 
pessoa se deve integrar é o de uma comunidade benigna, positiva, diversa e 
próspera. Não se espera que se possa considerar incluída uma pessoa que pertence 
e comunica com uma comunidade fundamentalista religiosa ou com uma 
comunidade que faz do seu modo de vida a venda e tráfico de estupefacientes. Há 
assim um implícito “politicamente correcto” quando se fala de Inclusão. 
Sabemos, no entanto, que não é assim. As comunidades, as famílias são elas 
próprias estruturas complexas e que não devem ser abordadas de forma 
normalizada. Pensar de imediato em comunidades receptivas ou em famílias com 
uma estrutura tradicional é muitas vezes um mau princípio para dinamizar um 
processo de inclusão. 
Podemo-nos perguntar: Que é então estar incluído? Como se articula a necessidade 
imperiosa de ter uma identidade numa comunidade restrita de pertença com a 
inclusão em grupos mais latos? 
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Como se relaciona a Inclusão com a mobilidade da pessoa em diferentes grupos e 
contextos sociais? De que forma estar fortemente integrado num determinado 
contexto identitário pode ser impeditivo da pessoa participar ou se relacionar com 
outros contextos? A Inclusão é necessária? E é essencial? Para quem? 
E a Inclusão na Educação? 
O conceito de Inclusão no âmbito específico da Educação, implica, antes de mais, 
rejeitar, por princípio, a exclusão (presencial ou académica) de qualquer aluno da 
comunidade escolar. Para isso, a escola que pretende seguir uma política de 
Educação Inclusiva (EI) desenvolve políticas, culturas e práticas que valorizam o 
contributo activo de cada aluno para a construção de um conhecimento construído e 
partilhado e desta forma atingir a qualidade académica e sócio cultural sem 
discriminação. 
Os sistemas educativos de numerosos países mundiais têm na última década usado 
o termo Inclusão nos seus textos legais de Educação (como o tinham usado antes 
relacionado com as estruturas sociais). O que estes sistemas entendem por Inclusão 
serão talvez coisas diferentes. 
Recentemente Wilson (2000) analisando documentos sobre a inclusão em particular 
provenientes do Center for Studies on Inclusive Education, indicou que o que se 
entende por uma Escola Inclusiva pressupõe uma escola centrada na comunidade, 
livre de barreiras (desde as arquitectónicas às curriculares), promotora de 
colaboração e de equidade. 
Por outro lado, Hegarty (2003) ao confrontar os objectivos ambiciosos da EI defende 
que o debate inclusão/segregação tem recebido um interesse excessivo e que é 
sobretudo necessário investir uma verdadeira “Educação para Todos”. 
A EI tornou-se assim um campo polémico por várias razões. Uma das principais é 
sem dúvida a contradição entre a letra da legislação e a prática das escolas. O 
discurso da inclusão ou “a ideologia da Inclusão” (Correia, 2003) não tem 
frequentemente uma expressão empírica e por vezes fala-se mais da EI como um 
mero programa político ou como uma quimera inatingível do que como uma 
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possibilidade concreta de opção numa escola regular. Tanto a legislação como o 
discurso dos professores se tornaram rapidamente “inclusivos” enquanto as práticas 
na escola só muito discretamente tendem a ser mais inclusivas. Recentemente 
afirmamos que “é preciso não invocar o nome da Inclusão em vão” tentando 
“mapear” esta distância entre os discursos e as práticas. 
A investigação e a realização de projectos sobre EI permitem delinear algumas das 
bases sobre as quais se podem construir projectos credíveis. 
É a luz desta investigação e da produção empírica de conhecimento sobre a EI que 
vamos seguidamente analisar algumas ideias comuns (a que chamamos “ideias 
feitas”) disseminadas entre os professores e entre as comunidades educativas em 
geral. Estas afirmações podem ser organizadas, na nossa opinião, em cinco grupos 
conforme a sua temática: valores, formação de professores, recursos, currículo e 
gestão da sala de aula. 
1. Valores 
“A Inclusão é a “evolução natural” do sistema integrativo” 
Muito se tem escrito sobre as diferenças entre “Integração” e “Inclusão” (Correia, 
2001, Rodrigues 2001, 2003). Afigura-se consensual que a integração pressupõe um 
“participação tutelada” numa estruturacom valores próprios e aos quais o aluno 
“integrado” se tem que adaptar. Diferentemente, a EI pressupõe uma participação 
plena numa estrutura em que os valores e práticas são delineados tendo em conta 
todas as características, interesses, objectivos e direitos de todos os participantes no 
acto educativo. 
Pelo facto de o movimento inclusivo se ter desenvolvido após o movimento 
integrativo e usando frequentemente os mesmos agentes e recursos, diz-se que a 
Inclusão é uma evolução ou mesmo um novo nome da Integração. “A Integração – 
ou como agora se diz – a Inclusão” é uma frase comummente ouvida. 
A Inclusão não é, a nosso ver, uma evolução da Integração. Isto por três razões 
principais: 
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Em primeiro lugar a Integração deixou intocáveis os valores menos inclusivos da 
escola. Não foi por causa da Integração que o insucesso ou o abandono escolares 
diminuíram ou que novos modelos de gestão da sala de aula surgiram. A Integração 
criou frequentemente uma escola especial paralela à escola regular em que os 
alunos que tinham a categoria de “deficientes” tinham condições especiais de 
frequência: aulas suplementares, apoio educativo, possibilidade de estender o plano 
escolar de um ano em vários, condições especiais de avaliação, etc. 
Em segundo lugar, a escola Integrativa separava os alunos em dois tipos: os 
“normais” e os “deficientes”. Para os alunos “normais” era mantida a sua lógica 
curricular, os mesmos valores e práticas; para os “deficientes” seleccionava 
condições especiais de apoio ainda que os aspectos centrais do currículo 
continuassem inalterados. A escola Integrativa “via” a diferença só quando ela 
assumia o carácter de uma deficiência e neste aspecto encontrava-se 
bem longe de uma concepção inclusiva 
Em terceiro lugar, o papel do aluno “deficiente” na escola integrativa foi sempre 
condicionado. Era implícito ao processo que o aluno só se poderia manter na escola 
enquanto o seu comportamento e aproveitamento fossem adequados. Caso 
contrário poderia sempre ser “devolvido” à escola especial. Assim o aluno com 
dificuldades não era um membro de pleno direito da escola mas tão só uma benesse 
que a escola condicionalmente lhe outorgava. 
Assim, quando se fala de escola Integrativa trata-se de uma escola que em tudo 
semelhante a uma escola tradicional em que os alunos com deficiência (os alunos 
com outros tipos de dificuldades eram ignorados) recebiam um tratamento especial. 
A perspectiva da EI é sim bem oposta à da escola tradicional e integrativa ao 
promover uma escola de sucesso para todos ao encarar os alunos como todos 
diferentes e necessitados de uma pedagogia diferenciada (Perrenoud, 1996) e 
cumprindo o direito à plena participação de todos os alunos na escola regular. 
“A Educação Inclusiva é para alunos “diferentes”” 
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A noção de “diferença” tem baseado muito do discurso moderno sobre a 
diferenciação pedagógica . Perrenoud (1996) fala mesmo dos alunos com 
“pequenas” e “grandes” diferenças. Apesar do termo “alunos diferentes”ser 
abundantemente usado, isso não significa que ele tenha um entendimento claro. 
Frequentemente o termo “diferente” é usado como um “alter nomine” de “deficiente” 
(sinalização de um qualquer problema num aluno). Tal como no período integrativo 
existiam os “deficientes” e os “normais” encontramos agora os “diferentes” e os 
“normais”. Mas o que é afinal ser diferente? E diferente de quê? 
É conhecida a dificuldade de traçar uma fronteira clara entre a deficiência e a 
normalidade. 
Em casos de pessoas com deficiência intelectual é muito difícil diferenciar uma 
pessoa com deficiência intelectual com um alto funcionamento de uma outra sem 
deficiência intelectual com um baixo funcionamento cognitivo. O que parece obvio é 
que as capacidades humanas (sejam cognitivas, afectivas, motoras ou outras) se 
distribuem num continuum no qual são apostas fronteiras e critérios que são 
socialmente determinados. Um exemplo do carácter aleatório destas fronteiras é a 
variedade de classificações da deficiência intelectual nos diversos estados dos 
Estados Unidos que pode levar que o mesmo indivíduo seja considerado como 
tendo deficiência num estado e sem deficiência num estado vizinho. Ser diferente é 
assim, na acepção comum viver numa sociedade que cujos valores consideraram 
determinadas características da pessoa como merecedoras de serem classificadas 
como deficiência ou dificuldade. 
Mas o certo é que a diferença não é estruturalmente dicotómica isto é não existe um 
critério generalizado e objectivo que permita classificar alguém como diferente. A 
diferença é antes de mais uma construção social historicamente e culturalmente 
situada. Por outro lado, classificar alguém como “diferente” parte do principio que o 
classificador considera existir outra categoria que é a de “normal” na que ele 
naturalmente se insere. 
Quando dizemos que a EI se dirige aos alunos diferentes, acabamos por encarar 
todas estas questões. Sabemos que não são só diferentes os alunos com uma 
condição de deficiência: 
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muitos outros alunos sem condição de deficiência identificada não aprendem se não 
tiverem uma atenção particular ao seu processo de aprendizagem. Heward (2003) 
afirma que o facto dos alunos serem todos diferentes não implica que cada um tenha 
que aprender segundo uma metodologia diferente; isto levar-nos-ia a uma escola 
impossível de funcionar nas condições actuais. Significa, no entanto, que se não 
proporcionarmos abordagens diferentes ao processo de aprendizagem estamos a 
criar desigualdade para muitos alunos. 
O certo é que não só os alunos são diferentes mas os professores são também 
diferentes e ser diferente é uma característica humana e comum e não um atributo 
(negativo) de alguns. A EI dirige-se assim aos “diferentes” isto é a… todos os 
alunos. E é ministrada por “diferentes” isto é… todos os professores. 
2. Formação de Professores 
“A formação para a EI é durante o período da formação inicial” 
Em muitos países a começaram a ser integrados no currículo de formação inicial de 
professores e educadores disciplinas respeitantes às “Necessidades Educativas 
Especiais” ou designações afins. Esta inovação (recordo a título de exemplo a 
prática em Portugal onde esta formação é obrigatória por lei desde 1987) é sem 
dúvida importante por poder vir a familiarizar o futuro professor com o conhecimento 
de situações prováveis que, face à crescente inclusão de alunos com NEE nas 
escolas regulares, ele poderá vir a enfrentar. Se esta formação é já tão frequente 
porque continuamos a escutar queixas de professores sobre a sua falta de formação 
para atender alunos com dificuldades nas suas aulas? 
Levantam-se duas questões neste âmbito: 
Uma ligada às características complexas da profissão de professor. Um professor 
não é um técnico (no sentido de aplicar técnicas relativamente normalizadas e 
previamente conhecidas) nem é um funcionário (isto é, uma pessoa que executa 
funções enquadrado por uma cadeia hierárquica perfeitamente definida). A profissão 
de professor exige uma grande versatilidade dado que se lhe pede que aja com uma 
grande autonomia e seja capaz de delinear e desenvolver planos de intervenção em 
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condições muito diferentes. Para desenvolver esta competência tão criativae 
complexa não basta uma formação acadêmica; é necessária também uma formação 
profissional (Campos, 2002). 
Não podemos esquecer quais foram os interesses que esse conhecimento serviu: o 
conhecimento antropológico da organização e forma de viver das tribos africanas 
serviu para informar a desgraçada partilha de África entre as potencias coloniais, 
cujos efeitos perversos que ainda hoje se fazem sentir. O conhecimento da diferença 
não é sempre positivo; podemos conhecer para melhor segregar. 
Regressando ao domínio da Educação constatamos que, se a ênfase na formação 
de professores for dada na diferença e nos casos mais profundos, acabamos por 
proporcionar (ainda que com boas intenções…) um argumento para que o jovem 
professor avalie a sua futura tarefa como quase inultrapassável e até a rejeitar a 
inclusão de alunos com dificuldades devido exatamente ao conhecimento que tem 
das reais dificuldades que esses alunos têm. 
Pensamos que a formação deve ser feita em termos das deficiências mais ligeiras (a 
esmagadora maioria dos casos que surgem nas escolas regulares) e que todo o 
conhecimento da diferença seja integrado numa compreensão da diversidade 
humana que vai das altas habilidades até à deficiência e dando a noção que os 
casos muito difíceis são uma minoria e que na grande maioria as dificuldades são 
discretas e leves. 
Assim, conhecer as diferenças sim mas para promover a inclusão e não para 
justificar a segregação. Conhecer as diferenças mais comuns que são certamente as 
mais numerosas. 
Enfim não dar a conhecer a diferença como se se tratasse de uma situação médica 
mas fazer acompanhar cada caracterização de indicações pedagógicas que 
contribuam para que o futuro professor possua um esboço de entendimento que lhe 
permita iniciar o seu processo de pesquisa. 
3. Recursos 
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“Os recursos são secundários. O importante é a atitude da escola e do 
professor” 
Como Wilson (op.cit.) faz notar, a EI encontra-se impregnada de valores éticos e de 
morais. 
Correia (2000), na mesma linha, refere-se à “ideologia da Inclusão” querendo realçar 
a forte carga ideológica que é atribuída aos projetos de EI. Ao examinarmos mais de 
perto as suas premissas, verificamos que existe uma “energia bondosa” na EI que 
poderia ser sintetizada na frase: “Queremos que todas as crianças sejam educadas 
juntas, sem discriminação numa escola livre de barreiras e ligada à comunidade”. 
Perante um idealismo que associa a inclusão aos direitos humanos e à justiça social 
é compreensível que a força fundamental da promoção de um tal programa repouse 
nas atitudes, na vontade e na ética dos professores. Para muitos professores é 
atitude o aspecto fundamental para que a EI se possa desenvolver. Se hiper 
valorizarmos as atitudes, outros fatores, como por exemplo os recursos, podem ser 
menos valorizadas. Relatamos num artigo anterior (Rodrigues 2003) a opinião de um 
consultor de uma organização educativa internacional que me dizia que tinha visto 
em Africa verdadeira inclusão: escolas comunitárias sem quaisquer meios, com 
classes muito numerosas mas onde todas as crianças da comunidade comungavam 
do mesmo espaço mesmo que fosse debaixo de uma árvore. Era o exemplo da 
subalternização dos recursos. 
A questão a inclusão, tal como a entendemos em sociedades modernas pode ser 
promovida em escolas e sistemas educativos desprovidos de recursos? Na nossa 
opinião não. A Inclusão tem de constituir uma resposta de qualidade para poder, por 
exemplo, constituir uma alternativa séria às escolas especiais. Uma escola inclusiva 
que atenda por exemplo alunos com deficiência mental tem que ser capaz de 
proporcionar, pelo menos, o mesmo tipo de serviços da escola especial. Se não, 
porque irão os pais preferir a inclusão, se isso pode ter um efeito devastador na sua 
qualidade de vida? Promover a Inclusão é criar serviços de qualidade e não 
democratizar para todos as carências. Por isso não pensamos que seja defensável 
um sistema de EI que repouse inteiramente nas atitudes mais ou menos idealistas e 
éticas do professor. Sem mais recursos a chegar à escola será muito difícil que a 
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escola seja capaz de aumentar o seu leque de respostas. As escolas funcionam em 
regra muito perto do seu limite máximo de resposta mesmo quando não adoptam 
modelos inclusivos. Se vamos pedir às escolas para diversificar a sua resposta e 
para criarem serviços adaptados a populações que antes nunca lá estiveram é 
essencial que mais recursos humanos e materiais devam ser adstritos à escola. A EI 
pressupõe uma escola com uma forte confiança e convicção que possui os recursos 
necessários para fazer face aos problemas. 
“A EI é um sistema barato para educar todos os estudantes” 
Um determinado sub sistema educativo tomou a decisão de encerrar as escolas 
especiais da região e enviar os alunos que antes frequentavam esta escola para a 
escola regular. Esta decisão foi muito aplaudida: poupou recursos porque a escola 
especial absorvia uma fatia importante do orçamento da região, permitiu que alguns 
professores que estavam colocados na escola especial pudessem regressar ao 
sistema regular de ensino (um factor adicional de poupança) e ainda proporcionou 
uma imagem de “inclusão”. Esta decisão deu, em suma, uma aura de modernidade 
porque, pelo menos aparentemente, deu passos significativos em direção à 
“moderna” EI. 
Esta situação, aqui relatada como ficcional, é muito comum. Sem dúvida que o facto 
de situar o esforço educativo de todas as crianças de uma dada comunidade num 
dado espaço físico e pedagógico parece poder apresentar vantagens ao nível 
econômico. Num estudo que estamos em vias de completar em que são 
comparados dois modelos de atendimento, um de inclusão e outro de escola 
especial, constatamos que as verbas dispendidas pelo modelo inclusivo são 
significativamente inferiores aos dispendidos pela escola especial. Apesar de este 
poder ser um dos “resultados colaterais” da inclusão, ela não deve ser pensada 
nestes termos. A escola regular se quiser ser capaz de responder com competência 
e com rigor à diversidade de todos os seus alunos necessita de recrutar pessoal 
mais especializado (terapeutas, psicólogos, trabalhadores sociais, etc.) e necessita 
de dispor de equipamentos e recursos materiais mais diferenciados. Enfim, 
necessita ser uma “organização diferenciada de aprendizagem” que ofereça a 
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garantia às famílias e encarregados de educação que os mesmos serviços que 
eram proporcionados pela escola especial podem continuar a estar disponíveis. 
Só desta forma a escola regular se torna verdadeiramente concorrente e uma 
alternativa à escola especial porque além de proporcionar um elenco de recursos 
humanos semelhante e um conjunto de recursos materiais equivalente, dá acesso a 
uma experiência de educação integrada com jovens sem deficiência e em 
ambientes mais ricos e diversificados. 
Talvez a EI seja um sistema mais barato, mas não é por aí que as opções devem 
ser feitas. 
Encerrar escolas especiais não pode significar “lançar” jovens com necessidades 
especiais para uma escola regular que foi criada e desenvolvida na perspectiva da 
ignorância da diferença. Neste aspecto a EI não é uma educação em saldo é pelo 
contrário, um sistema exigente, qualificado, profissional e competente. Estas 
características fazem da EI um sistema caro. Mas se a EI é cara, é melhor não 
querermos saber o preço da exclusão… 
4. Currículo“A diferenciação do currículo é tarefa do professor” 
A proposta pedagógica da EI passa claramente pela oferta de oportunidades de 
aprendizagem diversificadas para os alunos. Se a “diferença é comum a todos” e 
assumimos a classe como heterogênea é importante responder a essa 
heterogeneidade em termos de estratégias de ensino e aprendizagem. Por outro 
lado, sabemos que o processo de aprendizagem não é uma simples transmissão de 
informação mas antes uma transição entre diferentes paradigmas de conhecimento. 
Podemos assim dizer que uma escola que não diferencia o seu currículo não usa 
modelos inclusivos e forçosamente não promove a igualdade de oportunidades entre 
os seus alunos. Cabe aqui notar que a diferenciação a que nos referimos é no 
âmbito de uma escola comum a todos os alunos e não a perspectiva histórica de 
diferenciação curricular que, como nota Roldão (2003), era uma forma de sancionar 
a estratificação social através do currículo escolar. 
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Quando se aborda a necessidade da diferenciação curricular é comum atribuir essa 
responsabilidade ao professor. Os professores “inclusivos” fazem-na e os 
professores “tradicionais” mantém-se em modelos não diferenciados. Mas será que 
uma responsabilidade tão decisiva pode ser exclusivamente atribuída a um 
professor individual? Parece-nos que não por duas razões: 
Em primeiro lugar a escola é uma estrutura com uma inércia organizacional de 
dimensão considerável. Comecemos pela realidade “classe”. Os alunos são 
agrupados aleatoriamente em grupos (turmas ou classes) que permanecem estáveis 
ao longo de vários anos. Este agrupamento “classe” se não for desmembrado em 
função das atividades, do nível dos alunos, dos projetos, etc. torna-se um 
constrangimento e uma limitação dado que é um grupo artificial e aleatório de 
aprendizagem. Por vezes, o maior ou menor sucesso dos alunos na escola depende 
deste mecanismo puramente aleatório: se estivesse numa outra classe o sucesso do 
aluno poderia ser completamente diferente. Por outro lado, horários, espaços, 
equipamentos, materiais, etc. representam importantes constrangimentos para 
realizar uma diferenciação curricular e que não são possíveis de remover por uma 
vontade solitária. 
Em segundo lugar a diferenciação do currículo é uma tarefa da escola no seu todo. 
É a coesão do coletivo “escola” que pode incentivar a confiança para desenvolver 
projetos inovadores e que permite ao professor assumir riscos. É indubitável que a 
dinâmica da EI repousa muito sobre a iniciativa, os valores e a práticas de inovação 
do professor; mas não parece correto afirmar que é pela sua única vontade que a 
diferenciação do currículo se pode realizar. Ben-Peretz (2001) afirma que a tarefa do 
professor num mundo em mudança é praticamente impossível devido às dimensões 
dos desafios que lhe são colocados: o trabalho multidisciplinar, a globalização a 
profissionalidade, etc. A “missão impossível” do professor é antes de mais 
impossível se ele estiver sozinho. A diferenciação do currículo é uma tarefa do 
coletivo da escola e engloba mais do que a gestão da sala de aula: implica uma 
abertura para uma nova organização do modelo de escola. 
 
“A EI valoriza o “currículo social”” 
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Historicamente os alunos com necessidades educativas especiais que frequentavam 
escolas especiais tinham um currículo essencialmente baseado nas suas áreas de 
dificuldade no que poderíamos designar por um currículo terapêutico ou habilitativo. 
Esta concentração no “modelo do déficit” originou uma concepção restrita e estreita 
do currículo e tem sido apontada como responsável por privar os alunos de 
oportunidades de aprendizagem que os poderiam capacitar assumir uma maior 
autonomia. A excessiva centração nas capacidades em “déficit” retirou o enfoque às 
áreas que poderiam ter sido mais trabalhadas para a autonomia. 
A EI incentivou a adoção de outros modelos curriculares menos centrados no déficit 
e que proporcionassem uma abordagem mais flexível e que pudesse abranger todos 
os alunos (Costa e Rodrigues, 1999). Este modelo curricular alargado, com enfoque 
na inclusão social, na interação entre os alunos e no desenvolvimento da autonomia, 
(que por vezes é designado por “modelo “guarda-chuva”) tem sido desenvolvido no 
espírito da inclusão e tem recolhido aprovação de pais e professores. 
Estes dois modelos têm sido apresentados como opostos quando, na nossa opinião, 
não o são. 
Parece indubitável que é necessário planear e desenvolver tipos de intervenção 
específicos face a problemas concretos de aprendizagem. Foram desenvolvidas ao 
longo de muitos anos estratégias e metodologias de intervenção destinadas a 
problemas específicos de aprendizagem que seria insensato pura e simplesmente 
deitar fora em nome da “Inclusão”. 
Metodologias como a análise de tarefas, a modificação cognitiva do comportamento, 
a modificação do comportamento, os diversos métodos de reeducação da leitura, 
etc. são instrumentos fundamentais para que o aluno com determinados tipos de 
necessidades possa encontrar respostas pedagógicas adequadas. 
Assim, ainda que o desenvolvimento de projetos de EI tenha dado realce a um 
currículo mais “social”, temos que ter presente que não podemos desperdiçar o 
conhecimento que se veio a acumular e que está constantemente a ser produzido e 
que nos informa sobre intervenções mais especializadas e que podem em muitos 
casos permitir a aprendizagem. 
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Estas duas componentes curriculares devem ser consideradas de modo a que não 
só a interação com os outros e o desenvolvimento de competências sociais seja 
realizado mas também que o conhecimento que dispomos sobre a aprendizagem 
em certos tipos de dificuldades seja usado a favor de um processos de 
aprendizagem bem sucedido. 
5. Gestão da sala de aula 
“Não é possível desenvolver práticas inclusivas em classes com 25 ou mais 
estudantes” 
O número de alunos por turma é recorrentemente enunciado como um obstáculo ao 
desenvolvimento de práticas inclusivas. Se a regra é levarmos em conta a diferença 
do aluno e adaptarmos o ensino as possibilidades, modalidades e ritmos de cada 
um, então como será possível que um único professor desenvolva este trabalho 
para, por exemplo, 25 alunos? 
Posto desta maneira parece uma barreira intransponível. 
Bom, mas qual é o conceito que se tem de “atender especificamente as 
necessidades de cada aluno”? Frequentemente é uma perspectiva de ensino 
individual. Nesta perspectiva, um professor só pode atender as necessidades de um 
aluno se estiver sozinho com ele. Esta idéia apesar de muito disseminada é errada. 
O ensino pode ser individual e não levar em conta as especificidades do aluno e 
pode ser em grupo e considerar essas especificidades. Em textos anteriores 
(Rodrigues 1986, 2001) defendemos que a gestão de uma sala de aula inclusiva 
pressupõe que os alunos possam ter acesso a vários tipos de grupos de 
aprendizagem: grande grupo (que pode determinar o contrato, os fundamentos e a 
missão da aprendizagem) grupos de projeto, grupos de nível, trabalho em pares e 
trabalho individual. Todos estes enquadramentos permitem, que as situações de 
aprendizagem sejam adequadas às diferentes características do aluno e do trabalho. 
Desenvolver uma gestão de sala de aula inclusiva não pressupõe, pois, um 
trabalho individual mas sim o planejamento e a execução de um programa em que 
os alunos possam compartilhar vários tipos de interaçãoe de identidade. 
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Ainda sobre este aspecto, há também tendência para fazer crer que, quando um 
aluno com graves dificuldades é incluído numa turma “regular”, é ele que é o cerne 
dos problemas para o professor. “Tenho uma turma de 22 alunos e um deles tem 
Trissomia 21. Que hei-de fazer?”. A questão é que se continua a encarar os 22 
alunos como “normais” isto é como iguais uns aos outros como uma fotocópia e só 
há um diferente – o aluno com T21. É importante incentivar os professores a 
olharem para toda a turma (neste caso para os 23 alunos) como alunos diferentes e 
pensar que o aluno com T21 pode muito bem compartilhar sessões de 
aprendizagem com colegas em qualquer um dos enquadramentos que citamos 
acima. Esta aproximação poderá beneficiar, sem dúvida, alunos com dificuldades 
escolares mas que pelo facto de não terem uma condição de deficiência identificada 
não dispõem de uma pedagogia apropriada às suas dificuldades. 
“É mais fácil encontrar qualidade nas classes homogéneas”. 
O debate sobre a qualidade em Educação é extremamente actual. Em nome da 
qualidade da educação tomam-se decisões, anulam-se outras, criam-se e 
extinguem-se serviços. A qualidade surge como um conceito inquestionável e que 
tem o mesmo significado para todos. 
Mas, em Educação, não podemos esquecer que existem interesses 
(frequentemente) conflituais e que ambos os lados podem desfraldar a bandeira da 
qualidade para se auto-justificarem. Por exemplo, o que é qualidade para um 
professor pode não o ser para os pais dos alunos ou ainda para a gestão da escola. 
Falar em qualidade não resolve o problema: levanta é – pela complexidade do 
conceito – outros problemas. Frequentemente é preciso optar por investimentos em 
determinadas áreas da Educação que consideramos serem mais importantes para a 
sua qualidade. Por exemplo para os pais de um aluno com uma condição de 
deficiência pode ser considerada uma prática de qualidade elevada um programa 
que lhe permita interagir e brincar com colegas do seu filho sem deficiência. Para os 
professores um programa semelhante pode não ter qualquer relevância porque o 
aluno continua em dominar os conteúdos acadêmicos básicos. 
A EI, como vimos antes, assume que os alunos são diferentes e heterogêneos. 
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A questão é que, se entendermos qualidade enquanto preparação para enfrentar 
com conhecimento e sucesso as situações sociais, que tipo de programas 
poderíamos incentivar? Parece que aqueles com que o aluno tem desde a fase 
escolar um contacto maior com situações heterogêneas, contraditórias e mesmo 
conflituais em que é necessário desenvolver aptidões de negociação, estabelecer 
plataformas de acordo e usar aptidões sociais. São estes ambientes escolares 
inclusivos que parecem mais semelhantes como os ambientes sociais cada vez mais 
controversos e conflituais que o aluno vai encontrar na sua vida pessoal e 
profissional. 
Assim a qualidade na educação encontra-se mais facilmente ligada a classes 
heterogêneas do que a classes homogêneas na medida em que estas, pela suas 
maiores diferenças aparentes, são mais isomorfas com as situação sociais 
complexas. Se a educação de qualidade é a que melhor prepara para lidar com as 
situações sociais ecologicamente válidas então é a EI que melhor permite que o 
aluno tenha acesso a esse patrimônio de experiência. 
Síntese: 
Falar de inovação no campo da Educação é um assunto bem complexo. 
A escola pública foi criada com objetivos de proporcionar aos alunos uma formação 
final com um níveis semelhante e usando estratégias uniformes. 
Considerar as diferenças intra-individuais dos alunos foi também sempre estranho à 
escola tradicional. Por isso parecem tão radicais e estranhas as propostas de 
inovação da escola feitas pela EI. A EI, questiona alguns dos fundamentos e das 
práticas mais arraigadas da escola tradicional: questiona o caráter seletivo da 
escola, a homogeneidade dos seus métodos de ensino e ainda o fato de não ser 
sensível aos que os alunos são e querem. 
Perante uma tão grande distância entre o que a escola é e o que – por determinação 
legal – se pretende que ela seja, é natural que se tenham desenvolvido discursos e 
axiomas que procuram “simplificar” ou “explicar” o que deve ser feito para construir 
uma Educação mais Inclusiva. São por vezes essas as ideias (mal) feitas que 
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contribuem para sedimentar valores e práticas que não se aproximam da Educação 
Inclusiva. 
Mas se estas são algumas das ideias (mal) feitas o que serão então ideias (bem) 
feitas? 
Apesar do tom opinativo e afirmativo deste texto, nós próprios temos muitas dúvidas 
sobre se existe um caminho inequivocamente certo. Talvez o mais adequado seja 
pensarmos que as ideias bem feitas deverão provir de práticas corajosas, refletidas 
e apoiadas. Talvez estas ideias e práticas, por mais bem pensadas e feitas que 
sejam, não nos conduzam inexoravelmente a uma EI. Mas por certo nos vão ajudar 
a vê-la cada vez mais perto e desta forma promover a justiça e os direitos para todos 
os alunos. 
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INCLUSÃO ESCOLAR: concepções de professores e alunos da 
educaçãoregular e especial 
 
Nilza Sanches Tessaro 
 
A pessoa com deficiência nem sempre foi valorizada e respeitada pelos seus 
diferentes, por muito tempo representou segmento totalmente ignorado, sendo, 
portanto, vítima de abandono, rejeição, maus-tratos e até mutilações. Foi apenas a 
partir do século XX que começou a ter uma melhor aceitação do deficiente, 
momento em que se iniciou a sua desinstitucionalização e educação escolar. Até 
este período eram segregados e praticamente privados de convívio social. 
Entretanto, verifica-se que as conquistas ainda foram poucas, pois o preconceito, a 
ignorância e a discriminação ainda são muito fortes em relação ao deficiente e a 
deficiência. 
Pode-se afirmar, que mesmo depois de muitas discussões em torno da inclusão 
social, continua o deficiente sofrendo pelo estigma e pelo preconceito de sua 
diferença. Existe todo um discurso pró à inclusão em vários segmentos da 
sociedade, dentre os quais no ambiente escolar. A inclusão no contexto escolar é 
algo que vem se efetivando, mesmo que a duras penas, buscando superar toda uma 
história de isolamento, discriminação e preconceito. Tem provocado muitos 
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questionamentos, principalmente no meio acadêmico (curso de Psicologia) tais 
como: O que é inclusão escolar? Por que incluir? Qual é a opinião dos alunos com 
deficiência e dos professores sobre inclusão? A escola possui infra-estrutura 
adequada para participar da inclusão escolar? Os alunos deficientes se sentem bem 
com a inclusão escolar? Os professores estão capacitados para educação inclusiva? 
Etc. 
Em busca de respostas para estes questionamentos, realizou-se uma pesquisa em 
nível de doutorado, cujo objetivo foi verificar as concepções de professores e alunos 
de educação regular e especial sobre o processo de inclusão escolar. 
Para a realização dessa pesquisa foi utilizada uma amostra constituída por 7 grupos, 
num total de 140 participantes. Sendo 60 professores com experiências diferentes 
quanto à inclusão (20 de escolas especiais e 40 de escolas públicas do ensino 
básico) e 80 alunos com vivências diversas de inclusão (20 de escolas especiais e 
60 de escolas públicas também de ensino básico). 
Para a coleta de dados foi utilizado um questionário composto por oito questões 
abertas. As questões foram elaboradas de forma que atingissem os objetivos da 
pesquisa, englobando as seguintes dimensões: conceito de inclusão escolar; opinião 
sobre inclusão escolar; opinião sobre o sentimento dos alunos incluídos em classe 
comum; opinião sobre dificuldades envolvidas no processo de inclusão escolar; 
manifestação do próprio sentimento e orientações/apoios necessários ao professor 
para efetivação da inclusão escolar. 
Como resultado, constatou-se que os conceitos dos participantes sobre inclusão 
escolar são insatisfatórios e que não houve diferenças entre os alunos e entre os 
professores quanto a essa dimensão. Os professores e os alunos expressaram 
várias dificuldades envolvidas nesse processo, destacando–se a falta de infra-
estrutura das escolas, a falta de preparo/capacitação profissional, discriminação 
social e a falta de aceitação da inclusão. Os participantes apontaram dificuldades no 
processo ensino-aprendizagem decorrentes da educação inclusiva. Os professores 
de educação especial demonstraram dar mais crédito à educação inclusiva do que 
os do ensino regular. Os alunos deficientes demonstraram dar menos crédito à 
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inclusão do que os não deficientes. Os sentimentos decorrentes da inclusão que 
predominaram entre os professores e os alunos com deficiência foram negativos, 
enquanto entre os alunos não deficientes prevaleceram os positivos. 
Diante destes resultados, conclui-se então, que a inclusão na forma que vem se 
efetivando, está longe de atender a um ideal, foge dos princípios estabelecidos pela 
Declaração de Salamanca (1994), a qual constitui-se em um importante documento 
que trata dos princípios, a política e a prática da educação para as necessidades 
especiais, que recomenda que as escolas se ajustem às necessidades de todos os 
alunos, sejam os que vivem na rua, os nômades, os que trabalham. 
Pesquisas têm confirmado que a inclusão escolar vem se efetivando de forma 
inadequada, longe do ideal, revelam o pouco interesse e investimento neste 
processo. Com isto pode se dizer que não se deve simplificar o complexo, ou seja, 
achar que incluir signifique apenas mudar o aluno de endereço, ou seja, sair da 
escola especial ou classe especial e ir para a classe comum do ensino regular. São 
muitos os fatores envolvidos, os quais sem dúvida estão sendo desconsiderados ao 
se efetivar a inclusão escolar. 
Acredita-se que incluir alunos diferentes/deficientes na classe comum do ensino 
regular seja viável, desde que se tenha presente à complexidade de tal processo, o 
qual requer muito investimento e comprometimento, principalmente dos órgãos 
governamentais (recursos orçamentários). Igualmente se faz necessário muito 
estudo, pesquisa para ampliar o conhecimento, desenvolver e testar formas que 
viabilizem a verdadeira inclusão escolar. 
REFERÊNCIAS 
 
Antunes, A. P. G. S. A. Inclusão: dificuldades para efetivação nas escolas do 
sistema público de ensino. Dissertação de Mestrado da Universidade do Oeste 
Paulista – Presidente Prudente, SP, 2001. 
 
Brasil (1994). Declaração de Salamanca e linha de ação sobre as necessidades 
educativas especiais. Brasília. CORDE. 
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Camelo, A. I. F. Educação inclusiva: uma visão sobre as necessidades dos 
docentes. Dissertação de Mestrado da Universidade Estadual do Rio Grande do 
Norte – Natal, RN, 1999. 
 
Faleiros, M. H. S. (2001). A inclusão de alunos com deficiência mental na 
perspectiva de suas professoras e produções acadêmicas. Dissertação de Mestrado 
da Universidade Federal de São Carlos, SP. 
 
Gasparetto, M. E. R. F. Visão subnormal em escolas públicas: conhecimentos, 
opinião e conduta de professores e diretores do ensino fundamental. Tese de 
Doutorado da Universidade Estadual de Campinas, SP, 2001. 
 
Mattos, E. A. de (2000). Contribuições do estudo e proposta para o processo de 
inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais – deficiente mental – 
na escola regular. Tese de Doutorado da Universidade de São Paulo, SP. 
 
Mazzoni, A. A.; Torres, E. F. e Andrade, J. M. B. de (2000). Sobre acesso e a 
permanência de estudantes universitários com necessidades educativas especiais 
In: N. N. R. Mori; M. C. 
Marquezine; M. L. P. de Guhur e E. M. Shimazaki (orgs.) Educação Especial: olhares 
e práticas. Londrina: Ed. UEL, p. 225 – 233. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EDUCAÇÃO INCLUSIVA: concepções de professores e diretores 
 
Izabella Mendes Sant’Ana* 
* Psicóloga, 
doutoranda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica-PUC, Campinas. 
 
 
RESUMO 
O estudo investigou as concepções de 10 professores e seis diretores de escolas 
públicas do Ensino Fundamental de uma cidade do interior paulista, sobre a inclusão 
escolar. Foram feitas entrevistas e os dados transcritos foram submetidos à análise 
de conteúdo (e análise estatística-excluído) Docentes e diretores conceberam a 
educação inclusiva sob diferentes enfoques, com definições que ora se 
aproximavam dos princípiosde integração, ora se referiam à orientação inclusiva. 
As principais dificuldades indicadas para a realização da inclusão referiram-se à falta 
de formação especializada e de apoio técnico no trabalho com alunos inseridos nas 
classes regulares. Como sugestões se destacaram: necessidade de orientação por 
equipe multidisciplinar, formação continuada, infra-estrutura e recursos pedagógicos 
adequados, experiência prévia junto a alunos com necessidades especiais, atitude 
positiva dos agentes, além de apoio da família e da comunidade. Os dados 
permitiram identificar vários aspectos necessários à efetivação da proposta 
inclusiva. 
Palavras-chave: inclusão escolar, concepções de professores e diretores. 
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Nas últimas décadas e mais especificamente a partir da Declaração de Salamanca, 
em 1994, a inclusão escolar de crianças com necessidades especiais no ensino 
regular tem sido tema de pesquisas e de eventos científicos, abordando-se desde os 
pressupostos teóricos político-filosóficos até formas de implementação das diretrizes 
estabelecidas na referida declaração. 
Entre os diversos enfoques pesquisados está o que envolve as opiniões de docentes 
e demais profissionais da comunidade escolar sobre a proposta inclusiva e sua 
participação neste tipo de projeto. Uma vez que professores e diretores apresentam 
funções essenciais na estrutura e no funcionamento do sistema educacional, suas 
opiniões podem fornecer subsídios relevantes para a compreensão de como estão 
sendo desenvolvidos projetos dessa natureza. 
É sabido que os fundamentos teórico-metodológicos da inclusão escolar 
centralizam-se numa concepção de educação de qualidade para todos, no respeito 
à diversidade dos educandos. Assim, em face das mudanças propostas, cada vez 
mais tem sido reiterada a importância da preparação de profissionais e educadores, 
em especial do professor de classe comum, para o atendimento das necessidades 
educativas de todas as crianças, com ou sem deficiências. 
Estudos recentes sobre a atuação do professor em classes inclusivas apontam que 
o sucesso de sua intervenção depende da implementação de amplas mudanças nas 
práticas pedagógicas (O’Donoghue & Chalmers, 2000), quais sejam: a adoção de 
novos conceitos e estratégias, como a educação cooperativa (O’Connor & Jenkins, 
1996); a adaptação ou (re)construção de currículos; o uso de novas técnicas e 
recursos específicos para essa clientela; o estabelecimento de novas formas de 
avaliação; o estímulo à participação de pais e da comunidade nessa nova realidade 
social e educacional (Mantoan, 1997; Mantoan, 2001; Mrech, 1998; Pires & Pires, 
1998; Westwood, 1997). Depende, além disso, de atitudes positivas frente à inclusão 
de crianças com necessidades especiais no ensino regular (Avramidis, Bayliss & 
Burden, 2000). 
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Contudo cabe lembrar que muitas dessas sugestões já estavam presentes na 
literatura educacional antes do surgimento da orientação inclusiva, mas que, em 
alguns casos, foram (re)direcionadas a partir dos princípios da inclusão. 
Na medida em que a orientação inclusiva implica um ensino adaptado às diferenças 
e às necessidades individuais, os educadores precisam estar habilitados para atuar 
de forma competente junto aos alunos inseridos, nos vários níveis de ensino. No 
entanto, autores como Goffredo (1992) e Manzini (1999) têm alertado para o fato de 
que a implantação da educação inclusiva tem encontrado limites e dificuldades, em 
virtude da falta de formação dos professores das classes regulares para atender às 
necessidades educativas especiais, além de infra-estrutura adequada e condições 
materiais para o trabalho pedagógico junto a crianças com deficiência. O que se tem 
colocado em discussão, principalmente, é a ausência de formação especializada dos 
educadores para trabalhar com essa clientela, e isso certamente se constitui em um 
sério problema na implantação de políticas desse tipo. 
Diante desse quadro, torna-se importante que os professores sejam 
instrumentalizados a fim de atender às peculiaridades apresentadas pelos alunos. 
Aqui, tendo-se em vista a capacitação docente, a participação das universidades e 
dos centros formadores parece ser relevante. Para Gotti (1988), a universidade, 
além de proporcionar cursos de aperfeiçoamento e de pós-graduação, deve 
envolver-se em pesquisas sobre o ensino aos portadores de necessidades 
especiais, desenvolvendo instrumentos e recursos que facilitem a vida dessas 
pessoas. 
Apesar de a necessidade de preparação adequada dos agentes educacionais estar 
preconizada na Declaração de Salamanca (Brasil, 1994) e na atual Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação (Brasil, 1996) como fator fundamental para a mudança em 
direção às escolas integradoras, o que tem acontecido nos cursos de formação 
docente, em termos gerais, é a ênfase dada aos aspectos teóricos, com currículos 
distanciados da prática pedagógica, não proporcionando, por conseguinte, a 
capacitação necessária aos profissionais para o trabalho com a diversidade dos 
educandos (Glat, Magalhães & Carneiro, 1998). A formação deficitária traz sérias 
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conseqüências à efetivação do princípio inclusivo, pois este pressupõe custos e 
rearranjos posteriores que poderiam ser evitados. 
Vale destacar, porém, que a formação docente não pode restringir-se à participação 
em cursos eventuais, mas sim, precisa abranger necessariamente programas de 
capacitação, supervisão e avaliação que sejam realizados de forma integrada e 
permanente. A formação implica um processo contínuo, o qual, segundo Sadalla 
(1997), precisa ir além da presença de professores em cursos que visem mudar sua 
ação no processo ensino-aprendizagem. Para a autora, o professor precisa ser 
ajudado a refletir sobre a sua prática, para que compreenda suas crenças em 
relação ao processo e se torne um pesquisador de sua ação, buscando aprimorar o 
ensino oferecido em sala de aula. 
Na inclusão educacional, torna-se necessário o envolvimento de todos os membros 
da equipe escolar no planejamento de ações e programas voltados à temática. 
Docentes, diretores e funcionários apresentam papéis específicos, mas precisam 
agir coletivamente para que a inclusão escolar seja efetivada nas escolas. Por outro 
lado, torna-se essencial que esses agentes dêem continuidade ao desenvolvimento 
profissional e ao aprofundamento de estudos, visando à melhoria do sistema 
educacional. 
No que se refere aos diretores, cabe a eles tomar as providências – de caráter 
administrativo – correspondentes e essenciais para efetivar a construção do projeto 
de inclusão (Aranha, 2000). 
Para Ross (1998), o diretor de escola inclusiva deve envolver-se na organização de 
reuniões pedagógicas, desenvolver ações voltadas aos temas relativos à 
acessibilidade universal, às adaptações curriculares, bem como convocar 
profissionais externos para dar suporte aos docentes e às atividades programadas. 
Além disso, o administrador necessita ter uma liderança ativa, incentivar o 
desenvolvimento profissional docente e favorecer a relação entre escola e 
comunidade (Sage, 1999; Reis, 2000). 
Diante da orientação inclusiva, as funções do gestor escolar incluem a definição 
dos objetivos da instituição, o estímulo à capacitação de professores, o fornecimento 
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deapoio às interações e a processos que se compatibilizem com a filosofia da 
escola (Schaffner & Buswell, 1999), e ainda a disponibilização dos meios e recursos 
para a integração dos alunos com necessidades especiais (Marchesi & Martín, 
1995). Desse modo, a atuação dos administradores escolares pode ser de grande 
valia na tarefa de construir uma escola pronta a atender a todos os indivíduos, sem 
discriminação. 
Embora Reis (2000) aponte que muitas vezes a prática do diretor, nas escolas 
brasileiras, é dificultada pelas exigências das atividades burocráticas e 
administrativas, esse profissional precisa ser atuante, promovendo ações que 
envolvam o acompanhamento, discussões e avaliações em conjunto com os 
participantes do projeto educacional, a fim de exercitar as dimensões educacional, 
social e política, inerentes a sua função. 
Além da participação de docentes e gestores no contexto da inserção dos alunos 
com deficiência na rede regular de ensino, outros fatores, como os relacionados à 
estrutura do sistema educacional, precisam ser considerados na análise e nas 
discussões sobre as possibilidades de implementação de projetos nessa área. 
Castro (1997), ao descrever o processo de implantação de uma proposta de 
educação inclusiva na rede pública de uma capital da Região Nordeste do Brasil, 
realizou entrevistas com 30 pessoas (entre professores, diretores, supervisores e 
técnicos), em cinco escolas municipais desse município, com o objetivo de conhecer 
as dificuldades e as condições necessárias à realização da proposta. A autora 
verificou que entre as principais dificuldades encontradas estão as mesmas 
existentes em qualquer escola pública brasileira, a saber: formação insuficiente dos 
professores, baixos salários, falta de apoio pedagógico, infra-estrutura e condições 
de trabalho precárias. Além disso, constatou que as dificuldades apontadas pelos 
professores referem-se à atuação com a totalidade dos alunos, e não apenas com 
os que apresentam algum tipo de deficiência. Por último, a autora ressaltou a 
necessidade de os professores serem orientados a partir de fundamentos teórico-
práticos, para que possam modificar práticas e métodos de ensino, com o objetivo 
de propiciar um ensino de qualidade para todos. 
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Resultados similares foram encontrados por Damião (2000); Dias, Sponchiado, 
Hirota, Camargo e Almeida (1998); Castro (2002) e Jusevicius (2002). Entre as 
necessidades mencionadas pelos autores podem-se destacar: a formação 
específica e continuada dos educadores, a orientação na prática cotidiana, o apoio 
familiar e técnico, a redução do número de alunos nas classes e alterações nas 
condições estruturais das escolas. 
Com base nessas informações, pode-se perceber que são necessárias mudanças 
profundas no sistema educacional vigente a fim de garantir o cumprimento dos 
objetivos da inclusão. Cumpre, então, considerar as inúmeras dificuldades 
vivenciadas por todos os participantes do cotidiano das escolas que tentam, de 
diferentes maneiras, viabilizar a educação inclusiva de acordo com suas 
possibilidades. 
Em face dessas considerações, o presente estudo visou investigar como 
professores e diretores entendem a inclusão escolar, buscando, também, conhecer 
as dificuldades existentes e as necessidades apontadas pelos profissionais no 
contexto da inserção de crianças com deficiência no ensino comum. 
MÉTODO 
Participantes 
Participaram deste estudo 10 professores e seis gestores (três diretores e três vice-
diretores) atuantes em escolas do ensino fundamental, da rede estadual, em um 
município do interior paulista. Todos os participantes eram do sexo feminino, sendo 
que a maioria dos docentes (seis) encontrava-se na faixa etária de 30 a 39 anos, 
enquanto a metade dos gestores apresentava idade na faixa de 50 a 59 anos. Os 
docentes e diretores estavam vinculados a três instituições educacionais abertas à 
inclusão, que atendem alunos de diferentes bairros: duas localizadas na periferia e 
um na zona central da cidade. 
Material 
Foram utilizados um questionário de identificação para docentes e diretores 
(contendo informações sobre idade, sexo, formação acadêmica, tempo de atuação 
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profissional e participação em eventos) e um roteiro de questões orientadoras para 
as entrevistas semi-estruturadas com esses profissionais, além de um gravador 
portátil e fitas para o registro das entrevistas. 
O roteiro focalizou as seguintes dimensões: concepções sobre a Educação 
Inclusiva (conceito, idéias e opiniões que os profissionais têm acerca da Educação 
Inclusiva), desenvolvimento do processo de inclusão (dificuldades encontradas 
pelos participantes na realização do processo) e condições necessárias à efetivação 
da Educação Inclusiva (sugestões dos docentes e administradores quanto aos 
aspectos necessários para a viabilização da inclusão escolar)1. 
Procedimento 
Após obter, junto à Delegacia de Ensino, a lista de escolas em que existiam classes 
especiais e/ou sala de recursos, a pesquisadora fez um levantamento sobre as 
instituições que apresentavam alunos com deficiências inseridos no ensino regular. 
Dentre essas escolas, foram selecionadas três para a realização da pesquisa. 
Posteriormente, a autora entrou em contato com esses estabelecimentos de ensino 
e expôs aos respectivos diretores a intenção de realizar o estudo. 
1 Utilizou-se também um termo de consentimento informado, que foi assinado pelos participantes, 
contendo os objetivos e explicitando outras normas éticas da pesquisa, redigido de acordo com a 
Resolução de dezembro de 2000, do Conselho Federal de Psicologia e o que dispõe a Lei Nacional 
sobre a Pesquisa com Seres Humanos. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da PUC-
Campinas (Parecer nº 058/03). 
 
Desse modo, foi feito o agendamento das datas e horários para visitar as escolas. 
Por ocasião das visitas, a escolha dos professores baseou-se nos seguinte critério: 
os profissionais deveriam estar atualmente acompanhando crianças com 
necessidades especiais em classes regulares. As entrevistas com os participantes 
foram realizadas nas próprias escolas e em horários escolhidos por eles. 
Após a transcrição dos relatos, fez-se uma leitura ampla do material obtido. Em 
seguida, realizou-se a análise de conteúdo, segundo a proposta de Bardin (2002), a 
qual envolveu: a) a identificação dos temas e sua posterior divisão em unidades de 
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respostas; b) o recorte dos textos de acordo com os conteúdos apresentados; e c) o 
agrupamento e a categorização das unidades de respostas, que representam o 
conjunto de idéias comuns ao grupo pesquisado. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Quanto à formação educacional dos participantes, nove professores cursaram o 
magistério e também já haviam completado o ensino superior entre os anos de 1975 
e 2002. Em relação aos diretores, apenas um não possuía o curso de magistério, 
sendo que todos concluíram o nível superior entre 1973 e 1995. Apenas dois 
profissionais apresentavam curso de pós-graduação: um docente fez especialização 
em Psicopedagogia e um gestor especializou-se em Supervisão Escolar. O curso de 
Pedagogia foi o mais freqüente entre os professores e diretores, no entanto, 
verificou-se que a metade dos administradores apresentou dois cursos superiores, 
enquanto os professores possuíam somente um curso em sua formação. 
No que concerne ao tempo de exercício profissional, todos os participantes 
apresentaram umlongo período de experiência, com no mínimo nove anos de 
atuação na área. No grupo de professores, a maior parte (quatro docentes) 
encontrava-se na faixa entre 15 a 19 anos de trabalho na profissão, enquanto entre 
os diretores houve maior variação acerca do tempo de atuação profissional. 
Os dados sobre a experiência prévia e a formação continuada de professores para 
atuação com alunos que apresentam necessidades especiais encontram-se na 
Tabela 1. Pôde-se verificar que a metade dos professores já possuía experiência 
anterior junto a alunos com deficiência. Somente um professor mencionou ter 
participado de curso e encontro acerca da educação inclusiva sem, contudo, 
especificá-lo. 
Tabela 1. Experiência prévia e formação continuada de professores para atuar junto 
aos portadores de necessidades educacionais especiais 
SIM 
NÃO 
F 
F 
Experiência prévia com alunos portadores de necessidade educacionais especiais 
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5 
5 
Participação em programas de capacitação/ cursos sobre educação inclusiva 
1 
9 
Participação em eventos sobre educação inclusiva 
1 
9 
Orientação no trabalho com alunos portadores de necessidades educacionais 
especiais 
4 
6 
No grupo de diretores, somente um profissional afirmou ter participado de cursos e 
eventos sobre a inclusão escolar, promovido pela Secretaria Estadual de Educação 
do Estado de São Paulo, porém não informou o período em que tal evento foi 
realizado. 
Apesar da baixa participação dos administradores em encontros, todos indicaram ter 
recebido orientações de profissionais, de dentro ou de fora da escola, sobre o 
processo de inclusão de alunos com deficiência no ensino regular. Dentre os 
profissionais que forneceram orientações aos participantes, foram mencionados 1 
(um)professor especializado, 1 (um), pedagogo e 2 (dois) fisioterapeutas. 
Na análise de conteúdo, foram estabelecidas algumas categorias a partir das 
respostas de docentes e diretores, formando a base para a análise de cada questão. 
Em relação ao conceito de educação inclusiva, os resultados indicaram grande 
variação nos argumentos dados pelos dois grupos de profissionais, conforme 
apresentado na Tabela 2. 
Tabela 2. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre 
o conceito de educação inclusiva 
Categorias 
Professores 
Diretores 
F 
F 
Adaptações no ensino 
1 
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- 
Compartilhar o espaço físico 
4 
1 
Integração na sociedade 
2 
3 
Crianças com deficiência 
3 
2 
Participação de todos 
1 
1 
Direito à educação 
- 
1 
Total 
11 
8 
Dentre os argumentos mencionados pelos professores, obteve maior destaque o 
que atribui à noção de compartilhar o mesmo espaço físico a condição de principal 
elemento do conceito de educação inclusiva, sendo ressaltado por quatro 
docentes. Para os diretores, verificou-se que a categoria denominada integração na 
sociedade foi a mais freqüente nos relatos, sendo apontada por três gestores. 
Possivelmente, isso decorre do fato de os profissionais exercerem papéis diferentes, 
esperando-se dos gestores uma ação mais ativa quanto à integração escola-
comunidade, especialmente família-escola, cuidando da inclusão tanto junto aos 
pais das crianças a serem incluídas quanto aos das outras crianças. 
A partir da análise dos relatos dos dois grupos de sujeitos, foi possível identificar 
diferentes visões sobre a inclusão escolar. Os docentes deram maior destaque à 
presença das crianças com necessidades especiais compartilhando o mesmo 
espaço físico das demais, enquanto os gestores enfatizaram a inserção como uma 
forma de integrar essas pessoas na sociedade. A 
idéia da presença de portadores de necessidades especiais na classe regular 
constitui-se, aqui, como principal aspecto do conceito de inclusão. No entanto, o fato 
de esses alunos estarem no mesmo ambiente com os demais não quer dizer que 
estejam incluídos, realmente, no contexto escolar. A inclusão implica práticas 
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escolares que favoreçam relações significativas dentro da perspectiva de 
aprendizagem colaborativa (Thousand & Villa, 1991), capazes de remover as 
barreiras ao acesso e à participação dessas pessoas na aprendizagem e na 
sociedade (Santos, Souza, Alves & Gonzaga, 2002). 
Embora tenham apontado outros aspectos do princípio inclusivo (como a 
necessidade de adequação de métodos e estratégias de ensino, o direito à 
educação e inclusão com um sentido amplo, envolvendo não apenas as crianças 
que apresentam alguma deficiência, mas ‘todos’ os alunos, independente de suas 
condições físicas, psicológicas, étnicas e sociais), os participantes, em geral, 
apresentaram respostas pouco abrangentes, focalizando apenas algumas 
dimensões do referido conceito, respostas estas que parecem estar mais 
relacionadas às idéias de inclusão recentemente mais difundidas na literatura do que 
particularmente às de integração. 
Esses resultados se diferenciam dos encontrados em outros estudos (Damião, 2000; 
Jusevicius, 2002), nos quais os participantes usavam essas expressões como 
sinônimas, havendo certa confusão entre os termos. Isso parece indicar alterações 
nas concepções dos educadores, possivelmente ligadas às recentes discussões 
sobre a inclusão nas diversas esferas sociais, inclusive com destaque da mídia; e 
também pode ser influência de possíveis leituras que facilitam a compreensão e a 
distinção dos significados. 
Na Tabela 3 estão presentes as freqüências de categorias segundo as verbalizações 
de docentes e diretores em relação às dificuldades encontradas na realização da 
inclusão escolar. Para cinco professores e três diretores, a principal dificuldade 
encontrada na efetivação do processo de inclusão baseia-se na falta de apoio 
técnico, isto é, de suporte de profissionais especializados. A categoria falta de 
formação foi mais enfatizada pelos docentes do que pelos diretores. 
Tabela 3. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre 
as dificuldades encontradas no processo inclusivo 
Categorias 
Professores 
Diretores 
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F 
F 
Apoio técnico 
4 
4 
Falta de formação 
5 
3 
Disponibilidade pessoal 
3 
3 
Falta de experiência 
1 
- 
Métodos de ensino 
1 
1 
Número de alunos 
1 
- 
Dificuldade do aluno 
3 
- 
Apoio da família 
- 
1 
Infra-estrutura e materiais 
1 
2 
Preconceito 
- 
3 
Total 
19 
17 
O relato dos participantes evidenciou a preocupação com a falta de orientação no 
trabalho junto aos alunos com necessidades especiais. Mesmo aqueles profissionais 
que recebem ou receberam algum tipo de orientação afirmaram que o que está 
sendo feito não é suficiente para atender às demandas surgidas durante o processo 
inclusivo. A ausência de uma equipe formada por especialistas de diferentes áreas 
que atue em conjunto com os docentes e diretores parece ser um obstáculo 
importante para a realização de ações e projetos comprometidos com os princípios 
inclusivos. 
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Também foi destacada a falta de capacitação do professor e da equipe pedagógica 
em lidar com alunos que apresentam necessidades especiais. 
Alguns diretores expressaram a idéia de que a formação continuada deveria ser 
ofertada aos docentes pelos órgãosadministrativos regionais, indicando que se faz 
necessária a realização cursos de capacitação para que todos os envolvidos no 
processo inclusivo tenham condições de desenvolver um trabalho adequado às 
necessidades desse alunado. 
Aparentemente, a formação continuada pode favorecer a implementação da 
proposta inclusiva; todavia necessita estar aliada a melhorias nas condições de 
ensino, ao suporte de profissionais no auxílio ao trabalho do professor, bem como ao 
compromisso de cada profissional em trabalhar para a concretização dessas 
mudanças. 
Cabe salientar que três docentes apontaram os problemas de comportamento dos 
alunos (agressividade, indisciplina) ou as necessidades apresentadas pelos alunos 
incluídos como aspectos dificultadores do trabalho educativo. As demais falas 
focalizaram outros aspectos, como a falta de experiência anterior e o uso de 
estratégias específicas junto a alunos com deficiências, assim como a importância 
de uma atitude positiva dos agentes envolvidos e de toda comunidade escolar frente 
aos portadores de necessidades especiais. O preconceito e o número elevado de 
alunos nas salas de aula também foram vistos como aspectos negativos quanto ao 
processo inclusivo, pois prejudicariam as relações interpessoais e o 
desenvolvimento de um trabalho mais próximo ao aluno com necessidades 
especiais, respectivamente. 
Como forma de enfrentamento das dificuldades, os participantes apresentaram 
sugestões que poderiam favorecer a implementação da proposta inclusiva, o que 
pode ser observado na Tabela 4. 
Tabela 4. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre 
as sugestões apontadas para viabilizar a inclusão escolar 
Categorias 
Professores 
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Diretores 
F 
F 
Apoio técnico 
9 
3 
Formação em serviço 
8 
5 
Disponibilidade pessoal 
3 
1 
Experiência prévia 
1 
- 
Infra-estrutura e materiais 
3 
1 
Apoio da família e da comunidade 
1 
- 
Conscientização da sociedade 
- 
2 
Trabalho conjunto 
1 
- 
Total 
26 
12 
 
Para nove dos docentes e três diretores, a presença de uma equipe que dê suporte 
aos agentes educacionais constitui-se na principal necessidade apontada na 
educação inclusiva. Sugestões relativas à formação em serviço foram destacadas 
por cinco diretores e por oito professores. Tal fato, possivelmente, deriva da 
urgência que estes profissionais têm de obter auxílio e orientações a respeito do 
trato com alunos que apresentam necessidades especiais. 
Docentes e administradores consideraram o apoio de especialistas como um 
aspecto fundamental na atuação com crianças que apresentam deficiências, 
explicitando também a idéia de que todos os funcionários devem estar informados e 
aptos para lidar com as diferenças e especificidades dos alunos. Esta visão 
assemelha-se ao que Karagiannis, Stainback e Stainback (1999) ressaltam sobre a 
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necessidade de as escolas tornarem-se comunidades acolhedoras, sendo que o 
primeiro passo desse processo seria o desenvolvimento de uma cultura escolar 
baseada no reconhecimento, na valorização e no respeito a todos os alunos. 
De acordo com os relatos, os docentes parecem crer que a habilitação específica 
deve ser o primeiro passo do processo inclusivo e, por isso parecem exigir que tal 
condição seja atendida pelos órgãos responsáveis, indicando também certa urgência 
em adquirir conhecimentos sobre como lidar com essa clientela. Além disso, 
enfatizam outras necessidades para que os alunos com necessidades especiais 
possam ser beneficiados em sua inserção nas classes comuns. 
Alguns profissionais consideraram relevante a realização de adaptações na infra-
estrutura dos estabelecimentos escolares e de um trabalho conjunto de todos os 
participantes da comunidade escolar, visando à inclusão desses alunos no ensino 
regular. 
Em contrapartida, outros participantes indicaram que o professor precisa estar 
aberto ao processo de inclusão – subjetiva e profissionalmente – para atuar junto 
aos alunos com deficiências, alertando também que a participação dos familiares e 
da comunidade e de mudanças de atitude da sociedade frente às pessoas com 
necessidades especiais são aspectos essenciais para a concretização dos princípios 
inclusivos. 
As necessidades apontadas indicam que o professor precisa ser auxiliado no 
processo de inclusão. Por estar a maior parte do tempo atuando junto aos alunos, o 
docente não pode trabalhar isoladamente. É por esse motivo que os educadores 
destacaram, em diferentes níveis, o caráter imprescindível do apoio de profissionais 
especializados, da família e de toda a comunidade. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O estudo apresentou alguns dados que permitiram uma reflexão sobre os aspectos 
que têm permeado a inserção do aluno com necessidades especiais no sistema 
regular de ensino. Os principais resultados apontaram que a educação inclusiva foi 
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vista pelos participantes sob diferentes enfoques, desde definições mais próximas 
dos princípios de integração até definições mais relativas à educação inclusiva. O 
discurso da maioria dos participantes evidencia uma posição favorável à inclusão 
dos alunos com necessidades na educação comum, talvez pelo fato de esse tema 
estar sendo muito discutido e valorizado atualmente no meio acadêmico e social. 
Docentes e diretores parecem crer que a educação inclusiva é uma proposta 
viável, mas que, para ser efetivada, necessita de profundas transformações na 
política e no sistema de ensino vigente. 
Os resultados mostraram que os professores estão cientes de não estarem 
preparados para a inclusão, não aprenderam as práticas educacionais essenciais à 
promoção da inclusão e precisariam do apoio de especialistas. 
Os participantes reconheceram a importância de uma educação democrática, que 
atenda à totalidade dos educandos; no entanto, apontaram que os órgãos 
administrativos competentes devem tomar as providências necessárias, incluindo a 
participação ativa de educadores, dos pais e da sociedade para proporcionar aos 
indivíduos com deficiências um ensino adequado às suas necessidades específicas. 
Ao se analisarem as dificuldades mencionadas pelos entrevistados, pôde-se 
perceber que muitas delas não são exclusividade do ensino aos alunos com 
necessidades especiais, mas problemas existentes há várias décadas na estrutura 
educacional do país, o que foi confirmado nos estudos de Castro (1997) e Jusevicius 
(2002). Nesse sentido, a inclusão desse alunado em classes comuns gera novas 
circunstâncias e desafios, que tendem a somar-se com as dificuldades já existentes 
do sistema atual, e, por conseguinte, ratifica a idéia de que profundas modificações 
devem ser realizadas a fim de melhorar a qualidade da educação, seja para 
educandos sem seja com algum tipo de deficiência. 
Em face do quadro apresentado, tornam-se evidentes os obstáculos à proposta de 
inclusão. O principal deles parece ser a falta de preparo do professor para atuar com 
esses alunos. As dificuldades apresentadas pelos educadores neste estudo são 
graves e sugerem que ações governamentais sejam implementadas. 
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Os dados obtidos vêm reafirmar a necessidade de que os agentes e gestores 
educacionais sejam consultados e participem ativamente das mudanças e 
transformações ocorridas no âmbito escolar, como apontaMachado (2003). Suas 
experiências e seus questionamentos são fontes de informações relevantes acerca 
da realidade escolar e precisam ser levados em consideração no momento em que 
os órgãos governamentais decidem os rumos da Educação. Além disso, permitem 
dizer que é necessária a redefinição dos modelos de formação dos professores, com 
vista a contribuir para uma prática profissional mais segura e condizente com as 
necessidades de cada educando. 
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DA EDUCAÇÃO SEGREGADA À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: uma 
Breve Reflexão sobre os Paradigmas Educacionais no Contexto da 
Educação Especial Brasileira 
 
1 
Rosana Glat e Edicléa Mascarenhas Fernandes 
Faculdade de Educação / Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
 
 
A educação de alunos com necessidades educativas especiais que, 
tradicionalmente se pautava num modelo de atendimento segregado, tem se voltado 
nas últimas duas décadas para a Educação Inclusiva. Esta proposta ganhou força, 
sobretudo a partir da segunda metade da década de 90 com a difusão da conhecida 
Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), que entre outros pontos, propõe que 
“as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às 
escolas regulares, que a elas devem se adequar...”, pois tais escolas “constituem 
os meios mais capazes para combater asatitudes discriminatórias, construindo uma 
sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos...” (p. 8-9, grifo nosso). 
Sob este enfoque, a Educação Especial que por muito tempo configurou-se como 
um sistema paralelo de ensino, vem redimensionando o seu papel, antes restrito ao 
atendimento direto dos educandos com necessidades especiais, para atuar, 
prioritariamente como suporte à escola regular no recebimento deste alunado. De 
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forma sucinta, esse artigo pretende acompanhar a trajetória da área no Brasil, 
considerando os paradigmas teóricos vigentes, bem como a política educacional da 
época. Ressaltando, porém, que um paradigma não se esgota com a introdução de 
uma nova proposta, e que, na prática, todos esses modelos co-existem, em 
diferentes configurações, nas redes educacionais de nosso país. 
 
A Educação Especial se constituiu originalmente como campo de saber e área de 
atuação a partir de um modelo médico ou clínico. Embora hoje bastante criticado, é 
preciso resgatar que, como lembra Fernandes (1999), os médicos foram os 
primeiros que despertaram para a necessidade de escolarização dessa clientela que 
se encontrava “misturada” nos hospitais psiquiátricos, sem distinção de idade, 
principalmente no caso da deficiência mental. Sob esse enfoque, a deficiência era 
entendida como uma doença crônica, e todo o atendimento prestado a essa 
clientela, mesmo quando envolvia a área educacional era considerado pelo viés 
terapêutico. A avaliação e identificação eram pautadas em exames médicos e 
psicológicos com ênfase nos testes projetivos e de inteligência, e rígida classificação 
etiológica. 
 
1 Artigo publicado na Revista Inclusão nº 1, 2005, MEC/ SEESP. 
 
Nas instituições especializadas o trabalho era organizado com base em um conjunto 
de terapias individuais (fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, etc) 
e pouca ênfase era dada à atividade acadêmica, que não ocupava mais do que uma 
pequena fração do horário dos alunos (GLAT, 1989). A educação escolar não era 
considerada como necessária, ou mesmo possível, principalmente para aqueles com 
deficiências cognitivas e / ou sensoriais severas. O trabalho educacional era 
relegado a um interminável processo de “prontidão para a alfabetização”, sem 
maiores perspectivas já que não havia expectativas quanto à capacidade desses 
indivíduos desenvolverem-se academicamente e ingressarem na cultura formal. 
Os anos 70 representaram a institucionalização da Educação Especial em nosso 
país, com a preocupação do sistema educacional público em garantir o acesso à 
escola aos portadores de deficiências 2. Em sua progressiva afirmação prático-
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teórica, a Educação Especial absorveu os avanços da Pedagogia e da Psicologia 
da Aprendizagem, sobretudo de enfoque comportamental. O desenvolvimento de 
novos métodos e técnicas de ensino baseados nos princípios de modificação de 
comportamento e controle de estímulos permitiu a aprendizagem e o 
desenvolvimento acadêmico desses sujeitos, até então alijados do processo 
educacional. “O deficiente pode aprender”, tornou-se a palavra de ordem, resultando 
numa mudança de paradigma do “modelo médico”, predominante até então, para o 
“modelo educacional”. A ênfase não era mais a deficiência intrínseca do indivíduo, 
mas sim a falha do meio em proporcionar condições adequadas que promovessem a 
aprendizagem e o desenvolvimento (GLAT, 1985; 1995; KADLEC & GLAT, 1984). 
A metodologia de pesquisa privilegiada era da análise aplicada do comportamento, 
com ênfase nos estudos de natureza experimental e semi-experimental, com 
controle de variáveis e observação direta do comportamento. Esse foi o momento 
dos “métodos e técnicas” e das especificidades da Educação Especial 
(metodologias de ensino para alunos com deficiência visual, auditiva, mental, 
superdotação, etc)3. 
2 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 5692/71 no artigo 9o recomendava que alunos com 
deficiências físicas ou mentais, os que se encontrassem em atraso considerável quanto á idade 
regular de matrícula e os superdotados deveriam receber tratamento especial, de acordo com as 
normas fixadas pelos Conselhos de Educação. E, em 1973, foi criado o Centro Nacional de 
Educação Especial (CENESP) que introduziu a Educação Especial no planejamento de políticas 
públicas, ao mesmo tempo em que iniciou a implantação de subsistemas de Educação Especial nas 
diversas redes públicas de ensino, através da criação de escolas e classes 
especiais, e projetos de formação de recursos humanos especializados, inclusive no exterior 
(FERREIRA & GLAT, 2003). 
 
3 Em 1978 o MEC propôs o “Projeto Prioritário de Reformulação de Currículos para a Educação 
Especial” para cada área de deficiência e superdotação. Neste contexto a oferta do atendimento ao 
excepcional poderia ocorrer em escolas regulares, clínicas ou centros de reabilitação. 
 
 
Porém, apesar dos avanços, este modelo não representou a garantia de ingresso de 
alunos com deficiências no sistema de ensino. A Educação Especial funcionava 
como um serviço paralelo, com métodos ainda de forte ênfase clínica e currículos 
próprios. As classes especiais implantadas nas décadas de 70 e 80 serviram mais 
como espaços de segregação para aqueles que não se enquadravam no sistema 
regular de ensino, do que uma possibilidade para ingresso na rede pública de alunos 
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com deficiências, cuja maioria ainda continuava em instituições privadas (BUENO, 
1993; FERNANDES, 1999). 
 
Recursos e métodos de ensino mais eficazes proporcionaram às pessoas com 
deficiências maiores condições de adaptação social, superando, pelo menos em 
parte, suas dificuldades e possibilitando sua integração e participação mais ativa na 
vida social. Acompanhando a tendência mundial da luta contra a marginalização das 
minorias, começou a se consolidar em nosso país, no inicio da década de 80, a 
filosofia da Integração e Normalização. A premissa básica desse conceito é que 
pessoas com deficiências têm o direito de usufruir as condições de vida o mais 
comuns ou normais possíveis na comunidade onde vivem, participando das mesmas 
atividades sociais, educacionais e de lazer que os demais (GLAT, 1989; 1995; 
PEREIRA, 1990). 
O modelo segregado de Educação Especial passou a ser severamente 
questionado, desencadeando a busca por alternativas pedagógicas para a inserção 
de todos os alunos, mesmo os portadores de deficiências severas, 
preferencialmente no sistema rede regular de ensino (como recomendado no artigo 
208 da Constituição Federal de 1988). Foi assim instituída, no âmbito das políticas 
educacionais, a Integração4. 
 
Este modelo, que até hoje ainda é o mais prevalente em nossos sistemas escolares, 
visa preparar alunos oriundos das classes e escolas especiais para serem 
integrados em classes regulares recebendo, na medida de suas necessidades, 
atendimento paralelo em salas de recursos ou outras modalidades especializadas. 
O “deficiente pode se integrar na sociedade” tornou-se, assim, a matriz política, 
filosófica e científica da Educação Especial. Este novo pensar sobre o espaço 
social das pessoas com deficiências, que tomou força em nosso país com o 
processo de redemocratização, resultou em uma transformação radical nas políticas 
públicas, nos objetivos e na qualidade dos serviços de atendimento a esta clientela. 
 
4 Neste período o CENESP publicou os Subsídios para Organização e Funcionamento de Serviços 
de EducaçãoEspecial (1984), apoiado nos princípios filosóficos da normalização, integração e 
individualização, propondo as modalidades de atendimento: classes especiais, salas de recursos, 
ensino itinerante, escolas e centros especiais. 
 
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Em termos de conceituação teórica, sentiu-se, nesse momento, as lacunas do 
modelo comportamental / instrumentalista em preparar adequadamente as pessoas 
com deficiências para sua plena integração social e educacional. Nesse sentido, 
dois campos de investigação começaram a se desenvolver. O primeiro voltado para 
Psicologia da Aprendizagem, através do estudo e aplicação para Educação 
Especial do construtivismo de Jean Piaget e Emilia Ferrero e do sócio-
interacionismo de Vigotsky. Estas pesquisas mostraram que é possível para 
pessoas com deficiência construir conhecimento e se apropriar da leitura e escrita 
em situações de interação social (MOUSSATCHÉ, 1992; FERNANDES, 1993; 
FERNANDES, 1994; e outros). 
A outra vertente teórica mais voltada para os aspectos “psicossociais” (AMARAL, 
1995; GLAT, 1989; 1995; OMOTE, 1994; e outros), teve o interesse investigativo 
dirigido para as condições de interação social, marginalização, socialização, estigma 
que promovem e mantêm a segregação das pessoas com deficiências. Este enfoque 
buscava entender o significado ou representações que as pessoas têm sobre o 
deficiente, e como esse significado determina o tipo de relação que se estabelece 
com ele. 
 
Recapitulando, no Brasil a tendência para inserção de alunos com necessidades 
especiais na rede regular de ensino já anunciada desde o final dos anos 70, tomou 
vulto na década de 80 com as discussões sobre os direitos sociais, que precederam 
a Constituinte, as quais enfatizavam reivindicações populares e demandas de 
grupos ou categorias até então excluídos dos espaços sociais. Neste movimento, a 
luta pela ampliação do acesso e da qualidade da educação das pessoas portadoras 
de deficiência culminou, no inicio dos anos 90, com a proposta de Educação 
Inclusiva, hoje amparada e fomentada pela legislação em vigor, e determinante das 
políticas públicas educacionais a nível federal, estadual e municipal (FERREIRA & 
GLAT, 2003). 
 
O conceito de escola inclusiva, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais 
para Educação Especial (MEC-SEESP, 1998), implica em uma nova postura da 
escola regular que deve propor no projeto político-pedagógico, no currículo, na 
metodologia , na avaliação e nas estratégias de ensino, ações que favoreçam a 
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inclusão social e práticas educativas diferenciadas que atendam a todos os alunos. 
Pois, numa escola inclusiva a diversidade é valorizada em detrimento da 
homogeneidade. 
 
Porém, para oferecer uma educação de qualidade para todos os educandos, 
inclusive os portadores de necessidades especiais, a escola precisa capacitar seus 
professores, preparar-se, organizar-se, enfim, adaptar-se. “Inclusão não significa, 
simplesmente, matricular os educandos com necessidades especiais na classe 
comum, ignorando suas necessidades especificas, mas significa dar ao professor e 
à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica” (MEC-SEESP, 1998). 
Conforme mostram Ferreira e Glat (2003), o movimento em prol da Educação 
Inclusiva, trouxe em sua gênese uma discussão sobre a finalidade da Educação 
Especial, mormente no seu excesso de especialização. A classificação de 
diferentes tipos de deficiências começou a ser colocada em segundo plano na 
definição geral de portadores de necessidades educativas especiais, ampliando-se 
aí o leque de alunos que deveriam receber algum tipo de suporte, já que agora 
considera-se, também, qualquer dificuldade escolar permanente ou temporária. 
 
Neste contexto é que se descortina o novo campo de atuação da Educação 
Especial. Não visando importar métodos e técnicas especializados para a classe 
regular, mas sim, tornando-se um sistema de suporte permanente e efetivo para os 
alunos especiais incluídos, bem como para seus professores. Como mencionado, a 
Educação Especial não é mais concebida como um sistema educacional paralelo 
ou segregado, mas como um conjunto de recursos que a escola regular deverá 
dispor para atender à diversidade de seus alunos. 
 
No entanto, em que pese o crescente reconhecimento da Educação Inclusiva como 
forma prioritária de atendimento a alunos com necessidades educativas especiais, 
na prática este modelo ainda não se configura em nosso país como uma proposta 
educacional amplamente difundida e compartilhada. Embora nos últimos anos 
tenham sido desenvolvidas experiências promissoras, a grande maioria das redes 
de ensino carece das condições institucionais necessárias para sua viabilização. 
 
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No que tange à produção de conhecimento, na última década tem sido acumulado 
um significativo acervo de pesquisas no Brasil, que oferecem dados importantes 
sobre o processo de inclusão e as dificuldades enfrentadas pelo sistema 
educacional brasileiro para sua implementação. No entanto, ainda são poucas as 
pesquisas, experiências e práticas educacionais validadas cientificamente que 
mostrem como fazer para incluir no cotidiano de uma classe regular alunos que 
apresentem diferentes tipos de necessidades educativas especiais. Segundo estudo 
de Glat, Ferreira, Oliveira e Senna (2003): 
 
Os atuais desafios da Educação Inclusiva brasileira centram-se na necessidade de 
desenvolver instrumentos de monitoramento sistemáticos (indicadores dos 
programas implantados), realização de pesquisas qualitativas e quantitativas que 
possam evidenciar os resultados dos programas implantados e identificação de 
experiências de sucesso; implantação de programas de capacitação de recursos 
humanos que incluam a formação de professores dentro da realidade das escolas e 
na sala de aula regular do sistema de ensino ( p.35). 
 
Esses autores apontam também para o fomento de formas de participação das 
comunidades escolares na construção dos planos estratégicos de ação para tornar 
as suas escolas mais inclusivas, valorizando e utilizando os recursos já existentes, 
levando-se em conta as particularidades contextuais e locais. 
 
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Revista Brasileira de Educação Especial 
Print version ISSN 1413-6538 
Rev. bras. educ. espec. vol.11 no.3 Marília Sept./Dec. 2005 
doi: 10.1590/S1413-65382005000300005 
RELATO DE PESQUISA 
INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM 
PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA1 
 Simone Cerqueira da Silva2; 
Maria Salete Fábio Aranha3 
 
RESUMO 
Correntes teóricas presentes na literatura científica têm demonstrado a importância 
das relações interpessoais para o processo de construção do conhecimento. É no 
contexto da interação professor e aluno que se configura a relação entre as 
necessidades educacionais dos alunos e as respostas pedagógicas a elas 
disponibilizadas, o que envolve o domínio do conhecimento pelo professor, sua 
capacitação técnico-científica, a competência de ensinar pesquisando, as 
características sócio-culturais e o perfil psicológico dos atores sociais envolvidos- 
professor e aluno. Buscando melhor compreender este universo, elaborou-se este 
estudo que teve como objetivo descrever as interações ocorridas entre uma 
professora, e seus alunos, em classes em que se propunha adotar uma prática 
pedagógica inclusiva. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, em escola 
estadual de Ensino Fundamental, no município de Bauru. O processo de coleta de 
dados se deu através do registro da realidade de sala de aula em vídeo tape. Optou-
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se por este método, por permitir a recuperação posterior dos dados. A coleta se deu 
no transcorrer do 1º semestre do ano letivo de 2001. A análise fundamentou-se em 
sistema prévio de categorias, e tratou os dados quantitativa e qualitativamente. Os 
resultados demonstraram peculiaridades e diferenças nas interações da professora 
com os seus alunos, em função da presença ou ausência da deficiência. Indicaram, 
também, que a interação vem demonstrando avanços na prática educacional, no 
que diz respeito à atenção pedagógica, da professora, ao aluno com deficiência. 
Palavras-chave: educação inclusiva; interação entre professor - aluno; 
necessidades educacionais especiais. 
 
ABSTRACT 
Theoretical currents present in the scientific literature have demonstrated the 
importance of interpersonal relationships in the process of knowledge construction. 
The relationship between the students' educational needs and the available 
pedagogical responses occurs in the context of teacher-student interaction. Such a 
relationship involves the teacher's mastery of knowledge, his technic-scientifical 
capability and ability to teach through research, the socio-cultural characteristics and 
psychological profiles of the social actors involved - teacher and student. With the 
goal of searching for a better understanding of this universe, this study was 
developed and aimed at describing the interactions occurring between a teacher and 
her students in classrooms in which it was proposed to adopt an inclusive classroom. 
The data were collected in 2 classrooms in a public primary school in the city of 
Bauru. The data collecting process was carried out by videotaping the classroom 
allowing the data to be reviewed later. The taping took place during the first semester 
of the 2001 school year. The analysis of the data was based on a previously 
developed system of categories, and the data were dealt quantitative and 
qualitatively. The results showed peculiarities and differences in the interactions of 
the teacher with her students, due to the presence or absence of disability. The 
interaction also demonstrated advances in educational practice regarding the 
teacher´s attention to the student with disability. 
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Keywords: inclusive education; student-teacher interaction; special educational 
needs. 
 
 1 INTRODUÇÃO 
O tema da educação inclusiva tem despertado, no meio educacional, angústias e 
entusiasmos. A mudança de um sistema educacional, que se caracterizou 
tradicionalmente por ser excludente e segregatório, para um sistema educacional 
que se comprometa efetivamente a responder, com qualidade e eficiência, às 
necessidades educacionais de todos, inclusive às dos alunos que apresentam 
necessidades educacionais especiais, exige um processo complexo de 
transformação, tanto do pensar educacional, como da prática cotidiana de ensino. 
Todo processo de transformação dessa natureza constitui uma mudança de 
paradigma, o que, geralmente provoca nas pessoas diversas reações, dentre as 
quais ansiedade, medo, rejeição, resistência, interesse, entusiasmo. Geralmente, 
constata-se que inicialmente as pessoas começam a mudar o discurso na direção do 
politicamente esperado e considerado correto, mantendo, entretanto, padrão de 
comportamento semelhante ao já conhecido. 
No caso do tema aqui focalizado, o paradigma da construção de sistemas 
educacionais inclusivos, em desenvolvimento, requer relações interpessoais que 
sejam eficientemente acolhedoras para todos, ou seja, que atendam às 
necessidades educacionais de todos, inclusive dos que apresentam necessidades 
educacionais especiais. 
Para Leontiev (1978, p. 272), a educação é o processo que possibilita a formação do 
indivíduo através de sua apropriação dos resultantes da história social e sua 
conseqüente objetivação nessa história. 
Nesse sentido, tem-se que é pela educação que o indivíduo se apropria das 
características do gênero humano. Características que, segundo Duarte (1993, p. 
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40), foram criadas e desenvolvidas ao longo do processo de objetivação, gerado, a 
partir da apropriação da natureza pelo homem. 
O processo educativo formal, conforme aponta Boneti (1997), ocorre dentro de um 
espaço real de ação e interação, para enriquecimento da identidade sócio-cultural 
dos que dele participam, espaço esse chamado escola. 
Para Saviani (1991), a função da escola é estender, a todos os seus alunos, o 
conhecimento elaborado e sistematizado, fundamental para que as pessoas tenham 
maior liberdade de ação pela assimilação e internalização do conhecimento, a partir 
do processo de ensino e de aprendizagem. 
Considerando não somente os conteúdos acadêmicos, Mello (1997) diz, ainda, que 
cabe à escola a função de estabelecer padrões de convivência social.Neste momento histórico da realidade brasileira, o que se espera é o avanço na 
direção da construção de um sistema educacional que cumpra efetivamente com o 
proposto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), favorecendo 
a formação de cidadãos críticos e responsáveis, possibilitando o acesso ao saber 
científico e à sua utilização crítica e funcional rotineira, e desta forma, atuando na 
construção de uma sociedade mais igualitária e humana. 
É no espaço da relação entre professor e aluno que a formação do cidadão se 
realiza, efetivando a missão maior da educação. 
Diversos autores têm demonstrado a importância das relações entre o professor e o 
aluno para o processo de desenvolvimento e de aprendizagem desse aluno. 
Para Hinde (1979), uma relação implica em algum tipo de interação intermitente 
entre duas pessoas, envolvendo intercâmbios durante um período estendido no 
tempo, tendo as mesmas, algum grau de mutualidade, de modo que o 
comportamento de uma leva em consideração o comportamento da outra. 
Vygotsky (1994) propõe que as funções psicológicas superiores originam-se das 
relações reais entre indivíduos humanos, já que no decurso do desenvolvimento, as 
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atividades são inicialmente coletivas / sociais (interpsíquicas) para depois se 
tornarem atividades individuais / propriedades internas do pensamento. 
Tomando como pressupostos os conteúdos propostos pelos autores acima citados, 
entende-se as interações e a relação entre o professor e seus alunos variáveis 
essenciais no processo bi-direcional de construção da aprendizagem e do 
desenvolvimento humano. 
Salvador (1994), referindo-se ao contexto da sala de aula, destaca que a unidade 
básica de análise deixa de ser a atividade individual do aluno e passa a ser a 
atividade articulada e conjunta do aluno e do professor em torno da realização de 
tarefas escolares. Constata-se, então, que os sujeitos, professor e aluno, são os 
atores dessa entrelaçada teia de relações que permeia a instituição escolar e que se 
apresenta como o fio da meada do processo educacional. 
Para Aranha e Laranjeira (1995, p.9) 
[...] é preciso estabelecer, sob novas bases, a relação entre o professor e o aluno, 
de modo que se repense ambos os papéis, refletindo sobre a bi-direcionalidade e a 
interdependência que configuram as relações pessoais, para que nos fiquem claras 
as suas conseqüências. 
Os estudos sobre a relação entre professor e aluno nem sempre foram tratados a 
partir do princípio da reciprocidade, da mutualidade e bi-direcionalidade. 
Carvalho (1986) também se dedicou à análise da literatura sobre a relação entre 
professor e aluno, e constatou que todos os trabalhos enfatizavam que o professor 
era o elemento que mais falava, e o comportamento do aluno influenciava de 
maneira diversificada o comportamento do professor. 
Por outro lado, posteriormente, Machado (1987) considerou que as pesquisas não 
privilegiavam a influência do aluno, realçando somente o poder que o professor tinha 
sobre ele, e que, embora os conceitos de interação e reciprocidade fossem referidos, 
havia uma certa inconsistência aí embutida. 
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Em 1990, Gil revisou diferentes pesquisas realizadas sobre as relações entre 
professor e aluno, e verificou a existência de dois grandes grupos de trabalhos que 
se distinguem pela ênfase dada ora ao rendimento do aluno, e ora às características 
da interação entre professor e aluno. A autora ainda enfatiza que, embora tais 
estudos considerassem a interação entre professor e aluno como objeto de estudo, 
a maioria tratava apenas da influência do comportamento verbal do professor sobre 
o aluno. 
A consideração da relação enquanto sistema requer um deslocamento de foco de 
análise, na direção de um olhar bi-direcional, no qual o aluno influencia o processo 
de ensino e é por este influenciado. O professor deixa de ser o único responsável 
pelos resultados alcançados no processo de ensino e de aprendizagem, e constata-
se que o que o aluno faz, exerce influência sobre a ação do professor. 
Faz-se necessário salientar aqui o deslocamento do foco de análise, deixando de 
centrar-se no sujeito, unilateral, para centrar-se na relação, contexto bi-direcional e 
multideterminado. 
Conforme a literatura citada, são escassos os estudos que consideram o fator da 
mútua determinação entre professor e aluno. Faz-se necessário então, compreender 
como funciona e quais são os papéis desempenhados nessa relação. 
No que se refere ao seu funcionamento, Aranha e Laranjeira (1995) mencionam que 
a relação entre o professor e o aluno está configurada por uma assimetria, tanto no 
que se refere ao nível de escolaridade, quanto à experiência de vida, habilidades 
sociais e complexidade intelectual. Diferenças essas, que pontuam os diferentes 
papéis que ambos exercem. 
Quanto ao papel do professor, as autoras consideram que um professor, para 
cumprir o seu papel pedagógico, precisa ser um profissional-cidadão, capaz do uso 
do exercício da consciência crítica e do domínio efetivo do saber que socializa na 
escola. 
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É fato que o modo de ser do professor, seu jeito de pensar, agir e sentir repercutirá 
no comportamento dos alunos, bem como a imagem e a concepção que o aluno tem 
do professor irá interferir na ação do professor. 
A exigência de educação continuada vem se acentuando desde 1996, com a 
promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que reconhece a 
diversidade no contexto escolar. 
A construção de uma sociedade inclusiva é de fundamental importância para o 
desenvolvimento e a manutenção de um estado democrático. 
No âmbito da educação, a opção política pela construção de um sistema 
educacional inclusivo vem coroar um movimento para assegurar a todos os 
cidadãos, inclusive aos com deficiência, a possibilidade de aprender a administrar a 
convivência digna e respeitosa numa sociedade complexa e diversificada (ARANHA, 
2002). 
A escola se torna inclusiva à medida que reconhece a diversidade que constitui seu 
alunado e a ela responde com eficiência pedagógica. Para responder às 
necessidades educacionais de cada aluno, condição essencial na prática 
educacional inclusiva, há que se adequar os diferentes elementos curriculares, de 
forma a atender as peculiaridades de cada um e de todos os alunos. Há que se 
flexibilizar o ensino, adotando-se estratégias diferenciadas e adequando a ação 
educativa às maneiras peculiares dos alunos aprenderem, sempre considerando que 
o processo de ensino e de aprendizagem pressupõe atender à diversificação de 
necessidades dos alunos na escola (BRASIL, 1999). 
A educação para todos implica, portanto, um sistema educacional que reconhece, 
respeita e responde, com eficiência pedagógica, a cada aluno que nele se encontra 
inserido. 
A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de 
ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis de escolarização. 
Responsável especialmente pelo segmento populacional que apresenta 
necessidades educacionais especiais, deve tanto atender necessidades específicas 
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e peculiares do aluno, como também oferecer suporte técnico-científico ao professor 
da classe regular que o atende. 
Pensar na Educação Inclusiva como uma possibilidade deconstrução de uma sala 
de aula melhor, na qual alunos e professores sintam-se motivados a aprender juntos 
e respeitados nas suas individualidades, parece que realmente pode vir a ser um 
progresso na história da educação brasileira. 
No processo de construção de uma classe inclusiva, as relações entre professor e 
aluno surgem como elemento de fundamental importância, já que é no contexto das 
relações que o respeito e a atenção pedagógica flexível e individualizada vão se 
efetivar. 
Sabe-se que desde que o movimento pela construção de sistemas educacionais 
inclusivos foi se fortalecendo, inclusive amparado legalmente, alunos com deficiência 
começaram a ser matriculados e a freqüentar classes regulares no ensino comum. A 
inserção destes alunos nas classes regulares, entretanto, não garantem, por si só, 
uma prática inclusiva de ensino. 
Assim, entende-se importante investigar como estão se dando as relações nesse 
contexto. Existe diferença na relação entre professor e aluno, quando o aluno tem ou 
não uma deficiência? As características dessas relações afetam o processo de 
ensino e de aprendizagem? 
O estudo dos aspectos acima apontados não se mostrou freqüente na literatura 
científica pesquisada, já que não se constatou nenhuma publicação realizada no 
período de 1990 a 2001, em pesquisa bibliográfica realizada em 34 periódicos, 4.697 
artigos (SILVA, 2003). 
Em 2002, Braga (2002) investigou as interações sociais entre uma professora não 
especialista e um aluno autista, em ambiente regular considerado inclusivo. A autora 
utilizou o recurso da filmagem, usando uma filmadora assentada em tripé, com o 
foco direcionado diretamente sobre o aluno autista. Para a análise dos dados, a 
autora utilizou um sistema de categorias, adaptação de sistema desenvolvido por 
Aranha (1991). As conclusões obtidas pela autora confirmaram alguns dados já 
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comentados anteriormente e elucidaram outros, até então não apontados pela 
literatura. 
A autora confirmou que a professora foi quem manteve o controle do início das 
interações, e que muitas das iniciativas do aluno autista sugeriram a intenção de 
obter aproximação, atenção e reconhecimento da professora. 
Na década de 80, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), estudando sobre a relação 
entre o professor e seus alunos, apontaram que o professor iniciava mais interações 
com os estudantes que tinham dificuldade de aprendizagem do que com os alunos 
que obtinham média, mas que esse início de conversação se referia à falta de 
atenção ou infração de regras por esses alunos. 
Confirmando esses apontamentos, Siperstein e Goding (1985) ao estudarem a 
interação entre o professor e seus alunos, deficientes e não deficientes, mostraram 
que as iniciativas e respostas dos professores, para os estudantes com deficiência, 
foram mais negativas e corretivas do que com os estudantes sem deficiência. 
No ano posterior, Slate e Saudargas (1986) evidenciaram que os estudantes com 
dificuldade de aprendizado recebiam mais contatos individualizados com o 
professor, mas esses contatos diziam respeito ao seu engajamento em outras 
atividades, diferentes da atividade didática; logo, o tempo das atividades acadêmicas 
com os alunos com deficiência não era significativo, ao contrário do tempo 
despendido com os alunos que obtinham média. 
Tais estudos indicam as problemáticas vivenciadas no contexto de sala de aula, 
especialmente nas relações entre alunos e professor, e o quanto essas relações 
podem prejudicar ou impedir a eficiência do funcionamento que se almeja na 
educação inclusiva. 
A partir da preocupação com o discurso inclusivo que tem permeado o debate social 
e acadêmico, entendendo a relação entre o professor e o aluno como uma 
importante via de mediação da construção do conhecimento e da aprendizagem e 
norteadas pelos resultados acima expostos de poucos estudos realizados acerca 
dessa temática, elaborou-se este estudo, tendo por objetivo caracterizar a relação 
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entre professora e alunos, em uma sala de aula institucionalmente considerada 
inclusiva, em unidade escolar da rede pública de ensino, no Estado de São Paulo. 
2 MÉTODO 
Foram participantes deste estudo 2 professoras e seus respectivos alunos. A 
professora A, que lecionava na turma A, tinha, em sala de aula, 7 alunos do sexo 
masculino e 14 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 8 a 13 anos. A 
professora B, que lecionava na turma B, tinha, em sala de aula, 12 alunos do sexo 
masculino e 15 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 9 a 17 anos. 
Na turma A, 2 alunos tinham deficiência mental e na turma B, 3 alunos tinham 
deficiência, sendo: 1 com deficiência mental, 1 com deficiência mental e física e 1 
com deficiência auditiva e física. Os demais alunos não apresentavam indicação 
nem diagnóstico formal de deficiência. 
Os dados foram coletados em 2 salas de aula, ambas pertencentes a uma escola 
estadual de ensino fundamental, em bairro residencial da cidade de Bauru, interior 
do estado de São Paulo. 
Para a coleta dos dados, empregou-se, uma filmadora da marca Panasonic, modelo 
RJ 27. Optou-se pela filmagem em VT, já que esta estratégia de coleta de dados 
permite sua recuperação seqüencial, quantas vezes for necessária, para a 
efetivação da análise. 
As filmagens foram realizadas no transcorrer do 1º semestre de um ano letivo. Foi 
necessário efetuar várias sessões de filmagem até que os participantes se 
habituassem com a presença da câmera e da pesquisadora, deixando de a elas 
responder. 
Os dias para a filmagem foram sorteados, de modo que a professora não sabia em 
qual dia e horário a pesquisadora compareceria à sala de aula. 
Definiu-se como interação "uma verbalização ou ação motora de um sujeito dirigida 
clara e diretamente a outro, seguida de verbalização ou de ação motora deste para o 
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primeiro" (HINDE, 1979; CARVALHO, 1986; ARANHA, 1991). Considerou-se, um 
episódio um conjunto de interações que tratam de um mesmo assunto, o que passou 
a ser a unidade de análise (ARANHA, 1991). 
A partir dessa definição, a análise dos dados percorreu 6 diferentes passos. 
1 Elaboração de um sistema de categorias. Para descrever o contexto interativo 
entre professor e alunos, foi necessário assistir à filmagem inúmeras vezes, bem 
como considerar o que a literatura apresentava a respeito dessa temática, para, 
então, criar as categorias que permitissem a obtenção da resposta pretendida no 
objetivo do estudo. Assim sendo, chegou-se à constituição de um sistema de 
categorias: quem inicia, quem responde, como inicia, como responde, conteúdo, 
situação em que ocorre, orientação, quem interrompe e como interrompe. 
2 Elaboração das planilhas de registro. A fim de obter dados suficientes para 
descrever a interação entre professor e alunos, foi necessária a construção de 
planilhas de registro que tivessem campos para a descrição dos dados quanto ao 
conteúdo da interação, bem como quanto à qualidade da interação. Assim, as 
planilhas foram construídas de modo que nelas fosse possível registrar O QUE os 
sujeitos estão fazendo juntos e COMO o faziam juntos (HINDE, 1979). 
3 Equalização temporal dos dados. Considerando que o tempo de filmagem diferiu 
de sessão para sessão, optou-se por adotar, como material para análise, o conteúdo 
coletado num período de tempo correspondente ao da sessão de menor duração. 
Buscou-se, assim, garantir, através do controleda variável tempo, a igualdade de 
oportunidades para ocorrência das interações. Assim, foi analisado o material 
coletado nos 10 primeiros minutos de cada sessão de coleta, na turma A, e nos 15 
primeiros minutos de cada sessão na turma B. 
4 Classificação dos episódios, nas categorias que constituíram o sistema de análise. 
À medida que se foi efetivando sua classificação, percebeu-se necessário 
acrescentar e/ou retirar algumas categorias, para que se pudesse realmente 
representar o conjunto de interações. 
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5 Participação de consultores na classificação das unidades de análise. Eles foram 
orientados pela pesquisadora sobre como deveriam proceder para classificar os 
episódios constantes da sessão de filmagem sorteada, bem como foram dadas as 
devidas instruções para preenchimento das planilhas de registro. O índice de 
concordância entre a pesquisadora e o consultor 1, bem como entre a pesquisadora 
e o consultor 2, foi de 50%, mostrando-se abaixo do índice pretendido (85%). A partir 
disto, o sistema foi revisto, focalizando especialmente as categorias que 
apresentavam maior índice de discordância (conteúdo, como inicia e como 
interrompe), reorganizando-as e tornando-as mais claras e objetivas. 
Posteriormente, solicitou-se aos mesmos consultores que classificassem novamente 
os episódios. Os índices de concordância, nessa segunda etapa, alcançaram o 
índice 100%, o que indica que o sistema alcançou o nível desejado de clareza e 
objetividade. 
6 Tratamento quantitativo e qualitativo dos dados. Finda a fase de classificação dos 
episódios, desenvolveu-se tratamento matemático, calculando-se as freqüências 
absolutas e as relativas dos dados constantes de cada categoria. Após o tratamento 
matemático, desenvolveu-se análise qualitativa, buscando-se a compreensão do 
significado dos dados obtidos. 
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
TURMA A 
A tabela 1 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos 
ocorridos a cada sessão. Estes ocorreram entre as díades professora (P) e alunos 
não deficientes (A), professora (P) e alunos com deficiência mental (DM), professora 
(P) e grupo (G), alunos não deficientes (A) e professora (P), e alunos com deficiência 
mental (DM) e professora (P). Na tabela 3 encontram-se os dados obtidos, 
lembrando que a primeira letra indica o sujeito que iniciou a interação. 
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A maioria das interações ocorridas na turma A foi iniciada por alunos não deficientes 
e dirigidas para a professora (55%). A professora, por sua vez, iniciou 42% dos 
episódios. 
Os resultados constatados neste estudo diferem dos de Bertoldo (1985), que afirmou 
que mesmo quando os alunos participam muito em sala de aula, a participação da 
professora como iniciadora dos contatos é maior. 
Esta característica pode ser indicativa de que a professora desta turma permitiu, aos 
alunos, espaço para sua maior participação no processo de ensino e de 
aprendizagem. 
Com relação ao aluno com deficiência mental, este iniciou 3% dos episódios 
interativos ocorridos com a professora. 
Tais resultados mostraram-se consistentes com os de Macintosh et al. (1993), nos 
quais os alunos com dificuldades de aprendizagem interagiam em taxas inferiores a 
dos demais alunos. Este autor aponta ainda que a falta de individualização no 
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ensino poderia estar determinando a menor participação do aluno com dificuldades, 
o que também pode ser verdadeiro neste estudo. 
Por outro lado, Braga (2002), em estudo que investigou a interação entre a 
professora e um aluno autista, em sala inclusiva, constatou que o aluno autista 
iniciou mais contatos, com a professora, que o aluno não autista. Faz-se necessário, 
porém salientar que este dado parece ter ocorrido, nesse estudo, em função da 
sistemática de registro utilizada, que focalizava constantemente o aluno autista e 
não o aluno não autista. 
A professora se dirigiu ao aluno com deficiência nas sessões 1, 3, 4, 5, 8 e 9. As 
sessões 1, 4, 5, e 9 foram aquelas nas quais a professora mais freqüentemente se 
dirigiu a ele, iniciando interação. Em ordem decrescente, constata-se que as 
iniciativas da professora, para interagir com esses alunos, ocorreram nas seguintes 
freqüências: 61% (1), 42% (9), 31% (4), 28% (5), 14% (3), 5%(8). 
Por sua vez, o aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a 
professora, nas sessões 3,4,5,8 e 9, ou seja, na maioria das sessões em que esta 
também a ele se dirigiu. 
Nas sessões 2, 6, e 7 a professora não iniciou contato com o aluno com deficiência 
nenhuma vez e ele também não iniciou contato com a professora nas sessões 1, 2, 
6, e 7. 
Considerando que, embora a professora não tenha interagido com os alunos com 
deficiência em 3 sessões, a mesma apresentou o maior número de iniciativas com o 
aluno com deficiência e isto pode, nessas sessões, tê-lo motivado a também tomar 
iniciativas de interação, no contexto da mútua determinação. Por outro lado, o fato 
do aluno com deficiência tomar iniciativas pode, também, ter motivado a professora 
a estabelecer contato interativo com ele. 
Isto parece vir ao encontro do que Carvalho (1986) constatou em estudo que 
focalizou alunos não deficientes, no qual pôde demonstrar que o comportamento 
destes alunos influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor e 
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que a responsividade do professor era função do grau de participação destes 
alunos. 
Esta influência também foi evidenciada por Gil (1991), quando afirmou que a 
participação dos alunos indicava uma relação de dependência com as ações da 
professora. Da mesma forma, Macintosh et al. (1993), referindo-se à baixa interação 
entre o professor e o aluno, comentou que o professor raramente interagia com o 
aluno com dificuldade de aprendizagem, padrão reproduzido também pelo aluno. 
Já com os alunos não deficientes, a professora iniciou contatos interativos em todas 
as sessões. Isto pode se explicar pelo número de alunos não deficientes na sala de 
aula, que excede, em muito, o número de alunos com deficiência, e do tempo de 
coleta que se mostra reduzido, quando comparado com o tempo total de aula diária. 
Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com 
deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de 
episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno não deficiente, pelo 
número de alunos não deficientes nela presentes, e o número de episódios 
ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno com deficiência, pelo número 
de alunos com deficiência, que estavam presentes na sessão. Com estes cálculos, a 
tabela 2 apresenta os índices obtidos. 
Este padrão reproduz o que Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Slate e Saudargas 
(1986) descreveram: que a professora iniciava mais interações com os alunos que 
tinham dificuldades de aprendizagem, do que com os demais alunos da sala de aula, 
mesmo tratando-se de conteúdo para discriminar, repreender e punir estes alunos. 
Por outro lado, esses índices contradizem o que foi posteriormente constatado por 
Macintosh et al. (1993),pois os autores concluíram que o professor raramente 
manifestou interação com os alunos com dificuldade de aprendizagem. 
É interessante lembrar que estes resultados referem-se exclusivamente às sessões 
de coleta de dados, não sendo possível generalizá-los para todos os momentos da 
sala de aula. Assim, estes e os demais resultados dizem respeito a uma amostra, 
limitada, de como são as interações entre professor e alunos nesta turma. 
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Na tabela 3 os episódios são classificados por sessão, segundo os conteúdos: 
indeterminado (IND), solicitação de atenção (SAT), solicitação de informação (SIN), 
prestação de informação (PIN), solicitação de ação (SAC), solicitação de objeto 
(SOB), oferecimento de objeto (OOB), repreensão (REP), ensino (ENS), elogio 
(ENS). 
De todos os episódios ocorridos entre o aluno com deficiência mental - e a 
professora, 54% deles foram solicitação de atenção, distribuídos em 4 das 5 sessões 
em que o aluno com deficiência mental iniciou contatos com a professora. Foi na 
sessão 9 que ocorreram os conteúdos prestação de informação, solicitação de 
informação e ensino. Isto pode ter ocorrido dada a natureza da atividade 
desenvolvida nesta sessão, a saber, exercícios de Língua Portuguesa. Há ainda que 
se ressaltar que 100% das situações nas quais se constatou estes conteúdos 
ocorreram nos momentos em que a professora circulava pela sala de aula. 
O conteúdo elogio esteve presente em 27% dos episódios, e o conteúdo ensino em 
outros 27%. Já o conteúdo repreensão ocorreu uma única vez na sessão 5, 
representando 9% dos episódios. 
Diante desses dados, tem-se que entre o aluno com deficiência mental e a 
professora, as interações eram, predominantemente de solicitação de atenção, de 
elogio e de ensino, o que difere substancialmente do constante na literatura, que diz 
que o professor, ao interagir com o aluno com deficiência, o faz, para repreender 
(DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE 
e SAUDARGAS, 1986). 
Entre a professora e o aluno com deficiência mental, o conteúdo ensino esteve 
presente em 57% dos episódios e ocorreu em 4 das 6 sessões em que esta díade 
interagiu. O conteúdo solicitação de informação foi identificado em 32% dos 
episódios e esteve presente em todas as sessões. Já o conteúdo elogio foi 
identificado em 14% dos episódios, e ocorreu em 3 das 6 sessões. 
Diante desses dados, tem-se que entre a professora e o aluno com deficiência 
mental, as interações eram, predominantemente, de ensino, de solicitação de 
informação e de elogio. 
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Comparando os resultados obtidos entre as díades professora e o aluno com 
deficiência mental (quando a professora inicia a interação) e entre o aluno com 
deficiência mental e a professora (quando o aluno inicia a interação), tem-se que o 
aluno com deficiência, ao iniciar os episódios, utiliza com mais freqüência o 
conteúdo solicitação de atenção e o professor, ao iniciar os episódios, utiliza mais 
freqüentemente o conteúdo ensino. 
Estes conteúdos não surpreendem, já que são os exigidos pelos papéis 
complementares que os diferentes sujeitos desempenham na sala de aula. 
Os conteúdos ensino e elogio são freqüentes, independentemente de quem inicia a 
interação, e o conteúdo solicitação de atenção é característico somente quando o 
aluno inicia com o professor. Já o conteúdo solicitação de informação aparece 
preferencialmente quando o professor inicia com o aluno. 
Estes dados mostram que a prática de ensino dessa professora é freqüente com os 
alunos com deficiência e que estes também a ela se dirigem para tratar as dúvidas 
que têm sobre o que está sendo ensinado. Aliado a isto, os elogios da professora 
para estes alunos ocorrem tanto quando ela, como quando eles iniciam a interação. 
Comparando os índices das interações entre a professora e o aluno com deficiência 
mental e a professora e o aluno não deficiente, nota-se que o conteúdo ensino 
predomina em todas as iniciativas, o que parece ser positivo para todos os alunos, 
mas a professora solicita ação e repreende predominantemente aos alunos sem 
deficiência. O conteúdo elogio, por outro lado, apareceu em interações tanto com os 
alunos sem deficiência, quanto aos com deficiência mental, sendo, entretanto mais 
praticado com estes últimos. 
Nota-se, portanto, que com os alunos com deficiência mental as interações mais 
freqüentes são as que elogiam, as menos repreensivas e com menor freqüência de 
solicitação de ações do que com alunos não deficientes. Assim, a professora pede 
menos ações para os alunos com deficiência mental, elogia-os mais e os repreende 
menos. 
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Esses dados mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado. 
Siperstein e Goding (1985) afirmam que as iniciativas e respostas do professor 
dirigidas ao aluno com deficiência eram mais negativas e corretivas do que com os 
estudantes não deficientes. 
Dorval, Mckinney e Feagans (1982) igualmente observaram que as interações do 
professor dirigidas aos alunos com dificuldade de aprendizagem referiam-se à falta 
de atenção ou à infração de regras (por esses alunos). 
Em se tratando de interações entre o professor e o aluno autista, Braga (2002) 
constatou conteúdos de repreensão, solicitação de informações, solicitação de 
ações, ensino e oferecimento de informações. Os conteúdos de ensino, solicitação 
de informação e mesmo o de repreensão, que foi inferior aos demais, coincidem com 
os identificados neste estudo, mas o conteúdo de solicitação de ação diverge com o 
que foi identificado, pois não houve solicitação de ação ao aluno com deficiência. 
Os dados obtidos neste estudo, quando comparados com os constantes da 
literatura, mostram um movimento na direção de maior responsividade da parte da 
professora, para os alunos com deficiência. Além disso, mostra que o conteúdo 
parece ser mais positivo, de natureza reforçadora. 
Isto pode sugerir uma mudança, ainda que incipiente, no padrão interativo entre 
professor e alunos, nos últimos anos. 
TURMA B 
Considerando os episódios em vista de quem inicia e de quem responde, a tabela 4 
mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos constatados 
entre os sujeitos que interagiram em cada sessão. Estes ocorreram entre as díades: 
professora (P) e aluno não deficiente (A); professora (P) e aluno com deficiência 
mental (DM), professora (P) e grupo (G); aluno não deficiente (A) e professora (P), 
aluno com deficiência mental (DM) e professora (P), professora (P) e aluno com 
deficiência auditiva e física (DAF), professora (P) e aluno com deficiência mental e 
física (DMF), aluno com deficiência mental e física (DMF) e professora (P) e aluno 
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com deficiência auditiva e física (DAF) e professora (P). A primeira letra indica o 
sujeito que iniciou. 
 
50% dos episódios interativos foram iniciados por alunos não deficientes, 46% foram 
iniciados pela professora e 4% dos episódios foram iniciados pelos alunos com 
deficiência. 
Todos os episódios iniciados pelos alunos não deficientes e pelos alunos com 
deficiência foram dirigidos para a professora. 
Dos episódios iniciados pela professora, 46% foram dirigidos para os alunos não 
deficientes, 8% dirigidos para o aluno com deficiência mental, 14% dirigidos para o 
alunocom deficiência mental e física e 32% dirigidos para o grupo com um todo. 
Estes resultados mostram-se semelhantes aos da turma A, uma vez que foram 
também alunos não deficientes que iniciaram a maioria dos episódios. Entretanto, na 
turma A, estes alunos iniciaram mais episódios (55%) do que na turma B (50%). 
O fato de alunos não deficientes terem iniciado mais interações com a professora na 
turma A, pode-se atribuir às idades destes alunos, que são inferiores aos da turma 
B. Estes se mostram mais inquietos e falantes, solicitando a todo o momento contato 
com a professora. 
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Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com 
deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de 
episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno não deficiente 
(A), pelo número de alunos não deficiente (A) nela presentes, e o número de 
episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno com deficiência 
(DM e DMF), pelo número de alunos com deficiência (DM e DMF), que estavam 
presentes na sessão, conforme apresentado na tabela 5. 
 
A professora se dirigiu ao aluno com deficiência mental nas sessões 3, 4, 5, e 6; ao 
aluno com deficiência mental e física nas sessões 4, 5 e 6, e não se dirigiu ao aluno 
com deficiência auditiva e física. A sessão 5 foi aquela na qual a professora mais se 
dirigiu aos alunos com deficiência mental e aos alunos com deficiência mental e 
física, iniciando contatos interativos. 
O aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas 
sessões 2, 3, 5 e 6, e o aluno com deficiência mental e física unicamente na sessão 
4. Considerando-se esses dados, observa-se que a iniciação de contatos da 
professora com esses alunos pode ter alguma influência nas respostas dirigidas a 
ela. 
Da mesma forma que no estudo da turma A, quando a professora inicia contato com 
o aluno com deficiência mental, este tende também a iniciar contatos com ela. 
Não diferiram os conteúdos das atividades realizadas, na turma B, com os alunos 
não deficientes e com os alunos com deficiência. 
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Comparando estes dados com os resultados obtidos com a turma A, observa-se que 
na turma A os conteúdos diferiram, quando se comparam as atividades realizadas 
com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. 
Entretanto, os resultados da turma A e B coincidem, à medida que caracterizam 
interações voltadas para o ensino e para a prestação de informação, e não somente 
para a repreensão e advertências aos alunos com deficiência. Sendo assim, os 
resultados de ambas as turmas mostram-se divergentes com o que a literatura tem 
mencionado, conforme discutido anteriormente, na turma A. 
A orientação das atividades ocorridas na turma A e na turma B, mostram-se 
diferentes. Na turma A, conforme mencionado, a orientação não voltada para a 
tarefa ocorreu somente com os alunos não deficientes; já nesta turma, ocorreu tanto 
com os alunos não deficientes, quanto com os alunos com deficiência mental. 
Os resultados da turma B, da mesma forma que o constatado na turma A, diferem 
dos obtidos nos estudos de Bertoldo (1985), Carvalho (1986), e Braga (2002). 
Considerando que estes autores constataram que as interações que os alunos 
iniciam com a professora são freqüentemente voltadas para atividades não 
relacionadas à tarefa escolar, pode-se formular a hipótese de que, neste estudo, os 
episódios iniciados pelos alunos tenham sido preferencialmente voltados para a 
tarefa, devido à falta de oportunidades oferecidas para que tivesse sido o contrário, 
podendo estar relacionados com a atitude pedagógica da professora em sala de 
aula, especialmente a da turma A. 
Os resultados mostraram, em ambas as turmas, as seguintes tendências: 
• O número de episódios interativos não parece ser função do número de alunos 
presentes na sala de aula, tampouco dos dias da semana; 
• É o aluno não deficiente quem mais inicia episódios interativos dirigidos para a 
professora; 
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• As iniciativas de interação da professora, dirigidas aos alunos com deficiência, 
parecem ter influência na freqüência das interações destes alunos com ela e vice-
versa; 
• A comunicação verbal e visual é a mais utilizada para iniciar, responder e 
interromper os episódios interativos; 
• São os alunos não deficientes os que mais respondem a interação através da 
comunicação visual e gestual; 
• A maioria das interações é de conteúdo ensino e prestação de informação; 
• As atividades voltadas para a tarefa são mais freqüentes do que as não voltadas 
para a tarefa, tanto quando a professora inicia o episódio, como quando o aluno 
inicia o episódio; 
• A professora é quem predominantemente interrompe os episódios interativos, 
independentemente de quem inicia; 
• A professora predominantemente inicia mais episódios interativos com o aluno com 
deficiência do que com o aluno não deficiente; 
• Os episódios interativos com os alunos com deficiência nunca são interrompidos 
por eles mesmos e sim pelos alunos não deficientes ou pela professora; 
• A maioria das interações entre a professora e os alunos com deficiência mental 
ocorre quando a professora está circulando pela sala de aula. 
Por outro lado, as turmas diferem nos seguintes aspectos: 
• Na turma B, o horário de coleta parece exercer alguma influência nos resultados 
obtidos, uma vez que se evidenciou um aumento no número de episódios à medida 
que o horário da sessão era mais próximo do final da aula; 
• Na turma B, houve um maior número de interação da professora com os alunos 
com deficiência e com o grupo do que na turma A; 
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• Na turma B, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência 
mostram-se praticamente com os mesmos conteúdos identificados com os alunos 
não deficientes; 
• Na turma A, a comunicação visual e gestual foi mais utilizada para iniciar episódios 
interativos do que na turma B; 
• Na turma A, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência, são 
menos repreensivas, com menos solicitações de ações e mais elogiadas, do que 
com os alunos não deficientes; 
• Na turma A, os episódios ocorreram, com maior freqüência, na situação de quando 
a professora estava circulando entre as carteiras (com todos os alunos) e na turma 
B, a predominância das interações quando a professora está circulando entre as 
carteiras se refere apenas aos alunos com deficiência; com os demais alunos há 
preferência pela situação de quando a professora está em sua mesa conferindo 
tarefas. 
4 CONCLUSÃO 
Diferentemente do identificado por Macintosh et al. (1993), este estudo constata que 
as professoras mantiveram interações diferentes com os dois grupos de alunos 
(deficientes e não deficientes), na maioria das categorias analisadas. 
As ações das professoras parecem estar propiciando maior espaço de participação 
dos alunos, nas aulas, especialmente no caso dos alunos com deficiência, o que 
constitui um avanço educacional, quando se tomam por parâmetro, as informações 
constantes da literatura na área (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; 
SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986 e MACINTOSH et al. 
1993) que mostram o aluno com deficiência historicamente relegadoao ostracismo e 
à gradativa exclusão do sistema regular de ensino. 
Neste estudo, o aluno não deficiente iniciou a maioria das interações, fato que 
também difere da literatura a respeito (BERTOLDO, 1985). As professoras, por sua 
vez, iniciaram mais interações com os alunos deficientes do que com os não 
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deficientes, sendo essas interações, na sua maioria, de conteúdo ensino, elogio e 
solicitação de informação. Essa característica da relação entre as professoras e os 
alunos com deficiência, quando comparada com as informações da literatura, mostra 
ser mais positiva e condizente com o papel que a professora deve assumir em sala 
de aula, o de ser, segundo Duarte (1993), condutora do processo de apropriação, 
pelos alunos, do conhecimento produzido histórica e socialmente. 
Ações desse tipo ajudam no próprio processo de construção de uma identidade 
positiva por parte de todos alunos, aumentando sua auto-estima, melhorando as 
suas condições cognitivas, e por outro lado, ajudando o aluno não deficiente a 
aprender a se relacionar positivamente com as pessoas no contexto da diversidade. 
Os conteúdos diferenciados que a professora da turma A realizou com os alunos e o 
maior número de interações realizadas pela professora da turma B com estes 
alunos, mostram indícios de que ambas estão se voltando mais (do que a literatura 
aponta) para o aluno com deficiência, cada uma do seu jeito. 
Segundo os autores, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Siperstein e Goding 
(1985), Slate e Saudargas (1986), as interações da professora com o aluno com 
dificuldade de aprendizagem se referiam à falta de atenção ou infração de regras, 
além de serem mais negativas e corretivas do que com os alunos não deficientes. 
Este dado mostra-nos indícios de um avanço que nessas turmas demonstra estar 
ocorrendo, considerando o que, até o momento, foi constatado na área educacional 
através da literatura. 
Em se tratando dos alunos com deficiência, constata-se que estes iniciam interações 
com a professora para solicitarem a sua atenção nas atividades que realizam e para 
solicitarem informações sobre o conteúdo da aula. Este dado, quando comparado 
aos de Macintosh et al. (1993), mostra que estes alunos estão tendo a oportunidade 
de se mostrarem mais ativos e participativos na sala de aula e principalmente na 
construção do conhecimento. As oportunidades que lhe estão sendo propiciadas, 
para que possam demonstrar essas características nas interações em sala de aula, 
merecem destaque pela sua importância quando consideramos que a formação do 
indivíduo se dá através das relações sociais. 
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Segundo Vygotsky (1994), as funções psicológicas superiores que caracterizam 
essencialmente o ser humano, originam-se das relações sociais entre os indivíduos. 
O fato de estar havendo espaço e, além disto, solicitação aos alunos para que 
iniciem interações e respondam a elas quando solicitados, favorece a participação 
de alunos no contexto regular da sala de aula, e, assim, um possível e melhor 
desenvolvimento destes alunos. 
Se avanços na atenção ao aluno com deficiência podem ser constatados a partir 
destes resultados, não se pode, entretanto, dizer que as salas aqui estudadas sejam 
salas inclusivas, pois, apesar do avanço atitudinal e mesmo metodológico 
observados, ainda não se pôde detectar a prática do ensino individualizado e 
flexível. 
A interação nas duas salas de aula pesquisadas mostra a necessidade da 
professora assistir mais freqüentemente às necessidades individuais dos alunos não 
deficientes, não os mantendo ignorados na ocorrência de comportamentos 
inadequados, que merecem repreensão e solicitação freqüentes, conforme visto. 
A abertura de espaço para tais comportamentos também pode estar interferindo no 
próprio processo de ensino e de aprendizagem, que tende a tornar-se mais 
desestimulante, à medida que o aluno não recebe resposta à sua necessidade 
escolar e fica preterido nas relações em sala de aula. 
Além disso, a comunicação de que as professoras fazem uso para iniciar, responder 
e interromper as interações precisa ser transformada, pois se mostra praticamente 
igual para todos os alunos, não se mostrando específica para as necessidades 
peculiares de cada um. 
Finalizando, a maior contribuição deste estudo foi a de indicar que a interação entre 
a professora e os alunos, nas duas salas de aula, testemunha avanços na área 
educacional, no que diz respeito à atenção ao aluno com deficiência, embora ainda 
se manifeste distante de merecer o rótulo de educação inclusiva, ou seja, uma 
prática educacional que reconheça, respeite e responda às necessidades peculiares 
de cada aluno. 
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REFERÊNCIAS 
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___. Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência. Revista 
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VYGOTSKY, L. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1994. 
1 O presente estudo se refere a parte da investigação realizada na dissertação de 
Mestrado intitulada "Interação entre professora e alunos em sala inclusiva". 
 
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um meio de construir escolas para 
todos no século XXI 
 
Dra. Pilar Arnaiz Sánchez 
Universidade de Murcia-Espanha 
E-mail: pilarnaiz@ terra. es 
INCLUSÃO-Revista da Educação Especial-Out/2005 7 
 
 
RESUMO 
 
Este artigo analisa o conceito de diversidade no campo da educação inclusiva. 
Inicialmente, diversidade foi entendida como uma inovação na área de educação 
especial, mas, gradualmente, passou a ser compreendida como uma tentativa de 
oferecer educação de qualidade para todo (a) s. A fim de discutir a diversidade, este 
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artigo primeiro coloca o foco sobre o nascimento da inclusão por meio da 
abordagem de seus fundamentos e, finalmente, discute o sentido da educação 
inclusiva. 
 
INTRODUÇÃO 
O presente trabalho analisa a nova perspectiva da diversidade no âmbito da 
educação inclusiva. Ela foi vista, num primeiro momento, como uma inovação da 
educação especial, mas, progressivamente, foi expandindo-se em todo o contexto 
educativo como tentativa de que uma educação de qualidade alcançasse a todos. 
Suas características fundamentais, na opinião de Ballard (1997), são: a não 
discriminação das deficiências, da cultura e do gênero. Referindo-se a todos os 
alunos de uma comunidade escolar sem nenhum tipo de exceção. Para Ballard 
(1997), todos os alunos têm o mesmo direito a ter acesso a um currículo 
culturalmente valioso e em tempo completo, como membros de uma classe escolar e 
de acordo com sua idade. A educação inclusiva enfatiza a diversidade mais que a 
semelhança. Nessa mesma linha de argumentação, Skrtic (1991; 1996; 1999) 
considera que o movimento a favor da educação inclusiva pode oferecer a visão 
estrutural e cultural necessárias para começar a reconstruir a educação pública 
rumo às condições históricas do século XXI. 
Assim, pois, analisar-se-á, nas linhas seguintes, baseando-se em trabalhos 
anteriores (Arnaiz, 1996; Arnaiz 2002; Arnaiz, 2003), o contexto do nascimento da 
inclusão, os pressupostos, nos quais se fundamenta, e o significado da educação 
inclusiva. 
COMO SURGE A INCLUSÃO E QUE CAUSAS A PROMOVEM 
Desde meados dos anos 80 e princípio dos 90, inicia-se no contexto internacional 
um movimento materializado por profissionais, pais e as pessoas com deficiência, 
que lutam contra a idéia de que a educação especial, embora colocada em prática 
junto com a integração 
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escolar, estivera enclausurada em um mundo à parte, dedicado à atenção de 
reduzida proporção de alunos qualificados como deficientes ou com necessidades 
educacionais especiais. 
Cabe destacar a este respeito, como passo prévio à inclusão, o movimento que 
aparece nos EUA denominado “Regular Education Iniciative”(REI), cujo objetivo era 
a inclusão na escola comum das crianças com alguma deficiência. Os trabalhos de 
seus principais expoentes, Stainback & Stainback,(1989) & Reynolds; Wang & 
Walberg,(1987), delineavam a necessidade de unificar a educação especial e a 
regular num único sistema educativo, criticando a ineficácia da educação especial. 
Aparecia assim, pela primeira vez, uma defesa muito importante à prevalência de 
um único sistema educativo para todos. 
O REI luta pela reestruturação da educação especial, pelo desaparecimento da 
educação compensatória e pela recuperação em que tantos alunos estavam 
imersos (Garcia Pastor, 1996) simplesmente por pertencer a um grupo étnico 
minoritário: “Um amplo excesso de representação das minorias na educação 
especial sugere um aspecto racista da continuidade de programas separados”(Villa 
e Thousand 1995, p. 33). 
A proposta do REI é clara: todos os alunos, sem exceção, devem estar 
escolarizados na classe de ensino regular, e receber uma educação eficaz nessas 
classes. As separações por causa da língua, do gênero, ou do grupo étnico 
minoritário deveriam ser mínimas e requerer reflexões. O REI defende a 
necessidade de reformar a educação geral e especial para que se constitua como 
um recurso de maior alcance para todos os alunos. 
Aparece no final dos anos 80 e princípios dos 90, como continuação desse 
movimento no contexto americano, e do movimento de integração escolar em outras 
partes do mundo, o movimento da inclusão. Entre suas principais vozes encontram-
se Fulcher (1989) e Slee (1991) na Austrália; Barton (1988), Booth (1988) e 
Tomlinson (1982) no Reino Unido; Ballard (1990) na Nova Zelândia; Carrier (1983) 
em Nova Guiné; e Biklen (1989), Heshusius (1989) e Sktirc (1991 a) na América do 
Norte. Na Espanha, ainda que um pouco mais tarde, cabe destacar os trabalhos de 
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Arnaiz (1996, 1997), García Pastor (1993) & Ortiz (1996). Estes autores manifestam 
sua insatisfação pela trajetória da integração. Eles questionam o tratamento dado 
aos alunos com necessidades educacionais especiais no sistema de ensino em 
muitos países. Os sistemas de ensino, imersos em um modelo médico de avaliação, 
seguiam considerando as dificuldades de aprendizagem como conseqüência do 
déficit do aluno, evitando questionamentos, tais como: por que fracassam as escolas 
na hora de educar a determinados alunos? 
Ante esta circunstância propõem um novo delineamento do conceito de 
necessidades educacionais especiais e a necessidade de uma mudança de 
paradigma. Assim, também, reconhecem que as dificuldades que experimentam 
alguns alunos no sistema de ensino são o resultado de determinadas formas de 
organizar as escolas e as formas de ensinar delineadas por elas (Ainscow, Hopkins 
e outros, 2001). O interesse nesses temas está provocando a revisão de numerosos 
sistemas educacionais, que, por conseqüência, implementaram ações condizentes, 
como fazer o possível para que a educação chegue a todos os alunos em contextos 
regulares e não segregados. Isto tem fomentado o surgimento e a defesa da 
chamada educação inclusiva, que coloca em juízo de valor, por um lado, o 
pensamento existente sobre as necessidades educacionais especiais, e, por outro 
lado, estabelece uma forte crítica às práticas da educação em geral. 
Esta nova orientação assume um caráter internacional. Cabe destacar o importante 
trabalho que estão realizandoos organismos como o UNICEF e a UNESCO em prol 
de que a educação chegue a todas as crianças em idade escolar. Isto pode ser 
comprovado na série de ações e reuniões internacionais que têm sido convocadas 
para conseguir chamar a atenção do mundo a este respeito (Arnaiz e Ortiz, 1998). 
Dentre essas reuniões, destaca-se a Convenção dos Direitos da Criança realizada 
em Nova York em 1989; a Conferência Mundial de Educação para Todos, que 
aconteceu em Jomtiem (Tailândia) em 1990; a Conferência Mundial sobre 
“Necessidades Educativas Especiais”, desenvolvida em Salamanca (Espanha), 
1994; e, a mais recente no ano de 2000, acontecida em Dakar (Senegal), com o 
título de “Fórum Consultivo Internacional para a Educação para Todos”. 
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Talvez, entre todas essas conferências caiba destacar aqui a Conferência Mundial 
sobre Necessidades Educativas Especiais, de 1994, em Salamanca, por ser a que 
de maneira mais decisiva e explicitamente contribuiu para impulsionar a Educação 
Inclusiva em todo o mundo. Nessa conferência participaram noventa e dois 
governos e vinte cinco organizações internacionais, que reconheceram a 
necessidade e urgência de que o ensino chegasse a todas as crianças, jovens e 
adultos com necessidades educacionais especiais no âmbito da escola regular. 
Com este fim, os especialistas ali reunidos estabeleceram um plano de ação cujo 
princípio norteador mostrava que as escolas deveriam acolher a todas as crianças, 
independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, 
lingüísticas e outras. A partir daí, as escolas se encontram frente ao desafio de 
desenvolver uma pedagogia capaz de educar com êxito a todas as crianças, 
inclusive àquelas que têm deficiências graves. 
Além disso, planeja-se que as escolas devem ser comunidades que atendam a 
todos, já que as diferenças humanas são naturais, diga-se existem, havendo porém 
a necessidade de adaptar a aprendizagem a cada criança (Tierney, 1993). Nessa 
perspectiva, esta Declaração proclama que: 
• Todas as crianças têm direito à educação e deve-se dar a elas a oportunidade de 
alcançar e manter um nível aceitável de conhecimentos; 
• cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de 
aprendizagem que lhe são próprias; 
• os sistemas de ensino devem ser organizados e os programas aplicados de modo 
que tenham em conta todas as diferentes características e necessidades; 
• as pessoas com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às 
escolas comuns; e 
• as escolas comuns devem representar um meio mais eficaz para combater as 
atitudes discriminatórias, criar comunidades acolhedoras, construir uma sociedade 
integradora e alcançar a educação para todos. 
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A Declaração estabelece um decálogo de recomendações que deveriam ser 
desenvolvidas por 
todos os países participantes, nos anos que se seguiram e que consistia-se em: 
REQUERER aos países do Norte que desenvolvessem uma redistribuição dos 
recursos conforme o estabelecido na Convenção sobre os direitos da criança; 
APLICAR os direitos civis e políticos para dar uma melhor proteção aos coletivos, 
especialmente vulneráveis na faixa etária infantil, e, também, aos grupos étnicos, 
assim como outras minorias culturais; 
RECONHECER os direitos econômicos e sociais como verdadeiros direitos e não 
somente como aspiração; 
REALIZAR maiores esforços para ascender ao que aparentemente hoje é 
inalcançável, e poder, assim, afrontar os novos desafios do futuro. 
PROTEGER firmemente os direitos das meninas; 
ASSUMIR as diferenças culturais, porém não admiti-las como desculpa para não 
aplicar a Convenção em toda a sua extensão; 
DEDICAR a máxima atenção à situação das crianças afetadas por conflitos bélicos; 
ACEITAR que a participação das crianças é o ponto decisivo para provocar, 
conforme a Convenção, uma revolução positiva do comportamento humano; 
CONCLUIR o processo de ratificação da Convenção e promover a eliminação das 
reservas que ela tem objetivado por parte dos países afetados; e 
REITERAR que a sobrevivência e o desenvolvimento da infância são imperativos à 
consecução dos objetivos de desenvolvimento humano sustentável, adotados pela 
comunidade mundial e a realização da visão de paz e progresso social contida na 
Carta das Nações Unidas. 
De igual forma, a declaração por parte da Organização das Nações Unidas, ao longo 
de todos os anos tem mantido a posição em defesa dos mais desfavorecidos. Isto 
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tem contribuído notavelmente para o reconhecimento dos direitos humanos e dos 
princípios de igualdade e eqüidade. Uma das posições mais notáveis nos últimos 
tempos foi eleger o ano de 1996 como Ano Internacional contra a Exclusão, decisão 
tomada na Conferência dos Direitos da Criança no século XXI, realizada neste 
mesmo ano em Salamanca. 
O “Informe à UNESCO”, realizado pela Comissão Internacional, sobre a Educação 
para o século XXI, presidido por Delors (1996), segue essa mesma linha de 
argumentação. 
Estabelece que a educação deve chegar a todos, e com este fim determina dois 
objetivos: transmitir um volume cada vez maior de conhecimentos teóricos e 
técnicos, e definir orientações que podem ser desenvolvidas em projetos de 
desenvolvimento individual e coletivo. 
Para dar cumprimento a estes objetivos, a citada Comissão fixa os quatro pilares 
básicos em que se deve centrar a educação ao longo da vida de uma pessoa: 
Aprender a conhecer, consiste em adquirir os instrumentos que se requer para a 
compreensão do que nos cerca. Para isto, deve-se combinar o conhecimento de 
uma cultura suficientemente ampla, com algo mais objetivo, concreto referido a uma 
determinada matéria. Não se trata, portanto, de adquirir conhecimentos classificados 
e codificados, senão de ajudar a cada pessoa a aprender e compreender o mundo 
que a cerca, para viver com dignidade, desenvolver suas capacidades profissionais 
e comunicar-se com os demais. Isto supõe aprender a aprender, exercitando a 
atenção, a memória e o pensamento, aproveitando as possibilidades que a 
educação oferece ao longo da vida, posto que o processo de aquisição do 
conhecimento está sempre aberto e pode nutrir-se de novas experiências. 
Aprender a fazer, está diretamente ligado a aprender a conhecer e se refere à 
possibilidade de influir sobre o próprio meio. Ocupa-se de como ensinar ao aluno a 
colocar em prática seus conhecimentos adaptando-os a um mercado de trabalho 
que, por diferentes circunstâncias, é bastante imprevisível. Portanto, é preciso 
formar as pessoas para trabalhar em equipe em uma variada gama de situações. 
Mas, não somente isto, é preciso também lhes ensinar “o fazer” nos diferentes 
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marcos sociais em geral e do trabalho. Em definitivo, este princípio pretende que o 
aluno tenha a possibilidade de desenvolver sua capacidade de comunicar-se e 
trabalhar com os demais, afrontando e solucionando os conflitos que possam ser 
apresentados a ele. 
Aprender a viver juntos, trata-se de uns dos principais objetivos da educação 
contemporânea, já que supõe participar e cooperar com os demais em todas as 
atividades humanas. Essa educação requer, sem dúvida, o desenvolvimento da 
compreensão ante o outro, e a percepção de formas de interdependência, 
respeitando os valores do pluralismo, a compreensãomútua e a paz. Assim, luta 
contra a exclusão por meio de traçados que favorecem o contato e a comunicação 
entre os membros de grupos diferentes, em contextos de igualdade, por meio do 
descobrimento gradual do outro e do desenvolvimento de projetos de trabalho em 
comum. 
“A EDUCAÇÃO INCLUSIVA É ANTES DE TUDO UMA QUESTÃO DE DIREITOS 
HUMANOS (...)” 
Aprender a ser, implica dotar a cada pessoa de meios e pontos de referência 
intelectuais permanentes, que lhe permita compreender o mundo que a cerca e a 
comportar-se como um elemento responsável e justo. Quer dizer, conferir, a cada 
ser humano, liberdade de pensamento, de juízo, de sentimentos e de imaginação 
para desenvolver-se em plenitude estética, artística, desportiva, científica, cultural e 
social, e a trabalhar com responsabilidade individual.“O desenvolvimento tem por 
objetivo o desapego completo do homem em toda sua riqueza e na complexidade de 
suas expressões e de seus compromissos como indivíduo, membro de uma família e 
de uma coletividade, cidadão e produto, inventor de técnicas e criador de 
sonhos”(UNESCO, 1987, 16). 
Dada a sociedade plural e desigual em que estamos imersos, cabe aos sistemas de 
ensino considerarem esses quatro princípios de maneira equilibrada, com a 
finalidade de que cada ser humano, tanto pessoa, como membro da sociedade, 
receba uma educação válida no plano cognitivo e prático. Isto supõe conceber a 
educação para além de uma visão puramente instrumental, utilizada para conseguir 
determinados resultados (experiência prática, aquisição de capacidades diversas ou 
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para fins de caráter econômico), e buscar a sua função em toda sua plenitude. O 
que supõe a plena realização da pessoa, ou dito de outra forma, que toda pessoa 
aprenda a “ser” (Allan, 1999). 
A partir do expressado nessas declarações e informes, podemos apontar que as 
causas fundamentais que têm promovido o aparecimento da inclusão são de dois 
tipos: por um lado, o reconhecimento da educação como um direito, e, por outro, a 
consideração da diversidade como um valor educativo essencial para a 
transformação das escolas. 
QUALIDADE E EFICÁCIA PARA TODOS OS ALUNOS: A EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
Cada vez com maior clareza a Educação Geral considera a necessidade de que 
todos os alunos recebam uma educação de qualidade centrada na atenção das 
suas necessidades individuais (Booth y Ainscow, 1998). Objetivo que coincide 
plenamente com a finalidade da educação inclusiva, posto que reconhece a 
diversidade existente entre os alunos de uma classe, determinando que eles 
recebam uma educação de acordo com suas características, uma vez que 
incrementa as possibilidades de aprendizagem para todos (Daniels y Garner, 1999, 
Stainback & Stainback y Moravec, 1999). 
A filosofia da inclusão defende uma educação eficaz para todos, sustentada em que 
as escolas, enquanto comunidades educativas, devem satisfazer as necessidades 
de todos os alunos, sejam quais forem as suas características pessoais, 
psicológicas ou sociais (com independência de ter ou não deficiência). 
Trata-se de estabelecer os alicerces para que a escola possa educar com êxito a 
diversidade de seu alunado e colaborar com a erradicação da ampla desigualdade e 
injustiça social, Howe, 1996; Slee, 1996; Kerzner Lipsky & Gartner, 1996. Dessa 
maneira, a educação inclusiva enfatiza a necessidade de avançar até outras 
formas de atuação, em contraposições às práticas que têm caracterizado a 
integração escolar. Os educadores que têm se arriscado a educar com êxito as 
crianças com deficiência no marco da educação geral, sabem e argumentam que 
esses alunos “são um presente para a reforma educativa”(Villa e Thousand, 1995, 
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31). São estudantes que forçam a romper o paradigma da escolarização tradicional 
e obrigam a tentar novas formas de ensinar. 
Por conseguinte, a educação inclusiva deve ser entendida como uma tentativa a 
mais de atender as dificuldades de aprendizagem de qualquer aluno no sistema 
educacional e como um meio de assegurar que os alunos, que apresentam alguma 
deficiência, tenham os mesmos direitos que os outros, ou seja, os mesmos direitos 
dos seus colegas escolarizados em uma escola regular. 
Dito de outra forma: que todos sejam cidadãos de direito nas escolas regulares, 
bem-vindos e aceitos; formem parte da vida daquela comunidade escolar; e sejam 
vistos como um desafio a ser avançado (Booth & Ainscow/1998; Jan Pije, Meijer e 
Hegarty, 1997; Udistsky, 1993). 
É desse modo, que o conceito de inclusão trata de abordar as diferentes situações 
que levam à exclusão social e educativa de muitos alunos. E dessa forma, faz 
referência não somente aos alunos com necessidades educacionais especiais, que 
sem dúvida têm que seguir sendo atendidos, seguir dando as suas respostas 
educativas e recebendo o apoio correspondente. Mas, senão, a todos os alunos das 
escolas. Ainda que este conceito esteja evoluindo, nesse momento pode ser muito 
útil considerá-lo como um agente de mudança conceitual. Especialmente, quando 
defende que não basta que os alunos com necessidades educacionais especiais 
estejam integrados às escolas comuns, eles devem participar plenamente da vida 
escolar e social dessa comunidade escolar. Isto significa que as escolas devem 
estar preparadas para acolher e educar a todos os alunos e não somente aos 
considerados como “educáveis”. Por isso, a inclusão assume que a convivência e a 
aprendizagem em grupo é a melhor forma de beneficiar a todos, não somente às 
crianças rotuladas como diferentes (Forest & Pearpoint, 1992). 
A educação inclusiva é antes de tudo uma questão de direitos humanos, já que 
defende que não se pode segregar a nenhuma pessoa como conseqüência de sua 
deficiência, de sua dificuldade de aprendizagem, do seu gênero ou mesmo se esta 
pertencer a uma minoria étnica (seria algo que iria contra os direitos humanos). Em 
segundo lugar, é uma atitude, representa um sistema de valores e de crenças, não 
uma ação simplesmente, mas sim um conjunto de ações. Uma vez adotada esta 
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perspectiva por uma escola ou por um sistema de ensino, deverá condicionar as 
decisões e ações de todos àqueles que a tenham adotado, posto que incluir significa 
ser parte de algo, formar parte do todo, enquanto que excluir significa manter fora, 
apartar, expulsar (Falvey & outros, 1995). 
Na opinião de Booth (1998a), a noção de inclusão compreende dois conceitos 
básicos: o de comunidade e o de participação. Ambos caracterizam-se por sua 
conexão com os processos de inclusão e o caráter de processo atribuído a ela. 
Portanto, a educação inclusiva se propõe a aumentar a participação de todos os 
alunos no currículo escolar e a redução da exclusão escolar e social, o que pode ser 
comprovado nas seguintes definições: 
“[...] é o meio mais efetivo de combater as atitudes discriminatórias, criando 
comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando a 
educação para todos, além disso proporciona uma educação eficaz para a maioria 
das crianças, melhora a eficácia e, por fim, a relação custo-efetividade de todo o 
sistema educativo”(UNESCO, Declaração de Salamanca 1994, XI). 
“O acesso de estudantes aos mesmos colégios que os irmãos e os vizinhos, 
pertencer às classes de educação geral com companheiros de uma idade 
apropriada, a existência de alguns objetivos de aprendizagem individualizados e 
relevantes, e do apoio necessário para aprender”(York 1994, p. 3). 
[...]é uma forma de vida, uma maneira de viver juntos, baseado na crença de que 
cada indivíduo é valorizado e pertence ao grupo. Uma escola inclusiva será aquela 
em que todos os alunos sintam-se incluídos” (Patterson 1995, p. V). 
“É uma atitude, um sistema de valores, de crenças, não uma ação nem um conjunto 
de ações. Centra-se, pois, em como apoiar as qualidades, e, as necessidades de 
cada aluno e de todos os alunos na comunidade escolar, para que se sintam bem-
vindos e seguros e alcancem êxitos”(Arnaiz 1996, p. 27-28). 
“Um sistema de educação que reconhece o direito a todas as crianças e jovens a 
compartilharem de um meio ambiente educativo comum em que todos sejam 
valorizados por igual, com independência das diferenças percebidas quanto à 
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capacidade, sexo, classe social, etnia ou estilo de aprendizagem”(Armstrong 1999, 
p. 76). 
“É uma forma melhor de viver. É o oposto da segregação e do “apartheid”. A 
inclusão determina aonde vivemos, recebemos educação, trabalhamos e nos 
divertimos. Tem que ver com a mudança de nossos corações e valores”(Pearpoint & 
Forest 1999, p. 15). 
“Processo de incremento da participação dos alunos nas culturas, currículos e 
comunidades de suas escolas locais e da redução da sua exclusão dos mesmos, 
sem esquecer que a educação abarca muitos processos que se desenvolvem fora 
das escolas [...] Processo sem fim, em vez de um simples contínuo dentro da 
educação geral”(Ainscow 2001, p. 293–294). 
“É o modo de avançar”(Dyson 2001, p. 146). Como se depreende dessas definições, 
a educação inclusiva centra-se em como apoiar as qualidades e as necessidades 
de cada um e de todos os alunos na comunidade escolar, para que se sintam bem 
vindos e seguros e alcancem o êxito. 
Requer pensar na heterogeneidade do alunado como uma situação normal do 
grupo/classe e pôr em marcha um delineamento educativo que permita aos 
docentes utilizar os diferentes níveis instrumentais e atitudinais como recursos 
intrapessoais e interpessoais que beneficiem a todos os alunos (Mir, 1997). Defende 
a passagem da educação segregada para um sistema inclusivo caracterizado por 
uma aprendizagem significativa centrada na criança. Seria a transformação de uma 
sociedade e um mundo intolerante e temeroso para um mundo que acolha e encare 
a diversidade como algo natural. 
Portanto, reivindica uma ação educativa que responda de maneira mais eficaz à 
diversidade de todos os alunos. Este ponto de vista tem dado lugar a uma série de 
modelos, tais como: a escola especial (Dessent, 1987), a escola efetiva para todos 
(Ainscow, 1991), a escola “adhocrática”(Skrtic, 1991b), a escola heterogênea (Villa e 
Thousand, 1992) ou a escola inclusiva (UNESCO, 1994, Declaração de 
Salamanca). Todos esses modelos se apóiam na crença de que é possível 
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identificar um conjunto de características organizativas que tendem a fazer as 
escolas mais ou menos inclusivas, como se aborda mais adiante. 
Booth, em numerosos trabalhos (1996, 1998, 1999), diz que o termo inclusão não 
significa o mesmo em todos os países. Razão pela qual este autor considera que 
inclusão é um termo escorregadio, porque pode adquirir significados diferentes em 
contextos distintos. Por isso, ele afirma que:“mais do que lhe outorgar um significado 
unívoco, tem-se que analisá-lo dentro de uma ampla gama de discursos,” sendo, em 
sua opinião, adequado falar de inclusões. 
Essa postura, também assumida por Dyson (2001), leva-o a realizar uma análise da 
situação existente no contexto internacional. A pesquisa propõe quatro variedades 
de conceber a inclusão, e determina que a política educativa deve precisar com 
clareza a variedade de inclusão que se quer promover e também conhecer seus 
pontos fortes e fracos. 
A inclusão como colocação Este modelo foi amplamente desenvolvido com o 
movimento da integração escolar na Europa. Seu principal objetivo é concretizar o 
lugar aonde serão escolarizados os alunos com necessidades educacionais 
especiais. 
Ainda que esta acepção, centrada em um determinado espaço, tenha sido 
fortemente criticada naqueles contextos, nos quais a integração vem funcionando há 
muito tempo, em outros, onde a integração não existe, representa o reconhecimento 
dos direitos civis de numerosas pessoas com deficiências que não têm acesso à 
educação ou que seguem segregados nos centros de educação especial. Para que 
isto se converta em realidade, precisa-se de uma mudança nas atitudes e valores do 
professorado que se traduzam em mudanças práticas que respeitem esses direitos. 
Não obstante, a partir deste enfoque, centrado na questão de saber-se qual o 
melhor lugar para o aluno ser atendido, não se debate como seriam essas práticas. 
A inclusão como educação para todos Provém essencialmente do trabalho 
desenvolvido pela UNESCO em prol de que a educação chegue a todas as crianças 
em idade escolar, como indicamos anteriormente. 
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Seu reconhecimento decisivo acontece em 1994 com a Declaração de Salamanca, 
momento em que se adota internacionalmente o termo de educação inclusiva. 
Assim, se proclama que os sistemas educativos devem desenvolver programas que 
respondam a vasta variedade de características e necessidades da diversidade do 
alunado, fazendo um esforço especial no caso das crianças marginalizadas e 
desfavorecidas. 
Quer dizer, representa uma defesa explícita à igualdade de oportunidades 
enumeradas no contexto dos direitos humanos como conjunto e, de maneira 
particular, nos direitos humanos das crianças. Estabelece-se, assim, um debate 
social, educativo e de recursos tendendo ao desenvolvimento da educação nos 
países mais pobres, o que dará lugar a numerosas reuniões e ações internacionais, 
concebidas com a finalidade de melhorar a situação de deterioração dos serviços 
educacionais em numerosos países. 
“O desenvolvimento de escolas inclusivas–escolas capazes de educar a todas as 
crianças–não é portanto unicamente uma forma de assegurar o respeito dos direitos 
das crianças com deficiência de forma que tenham acesso a um ou outro tipo de 
escola, senão que constitui uma estratégia essencial para garantir que uma ampla 
gama de grupos tenha acesso a qualquer forma de escolaridade” (Dyson 2001, 150). 
A inclusão como participação 
Seu principal interesse centra-se em conhecer se as crianças são educáveis, como 
se leva a cabo essa situação e até que ponto elas participam dos processos 
educativos. Este enfoque quer remediar a antiga noção de integração, entendida 
como uma mera mudança de lugar da escola especial para a regular. Esta forma de 
entender a inclusão reivindica a noção de pertencer, uma vez que considera a 
escola como uma comunidade acolhedora em que participam todas as crianças. 
Assim, se ocupa do “locus”, no qual são educados os alunos e como estes 
participam dos processos que animam a vida das escolas, além de que cada aluno 
aprende na medida de suas possibilidades. De igual forma, cuida para que ninguém 
seja excluído por suas necessidades especiais, ou por pertencer a grupos étnicos ou 
lingüísticos minoritários, por não ir freqüentemente a aula, e, finalmente, ocupa-se 
dos alunos em qualquer situação de risco. Dessa maneira, traça-se uma forma 
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particular de conceber a sociedade, que entende o pluralismo não como uma forma 
deexercer o direito de ser diferente isolando-se, senão por meio de um sentimento 
de compartilhar e pertencer. 
"(...) A EDUCAÇÃO INCLUSIVA CENTRA-SE EM COMO APOIAR AS 
QUALIDADES E AS NECESSIDADES DE CADA UM E DE TODOS OS ALUNOS 
NA ESCOLA (...)" 
Considerando-se que a igualdade leva à inclusão, e a desigualdade à exclusão. A 
inclusão social A educação inclusiva é um meio privilegiado para alcançar a 
inclusão social, algo que não deve ser alheio aos governos e estes devem dedicar 
os recursos econômicos necessários para estabelecê-la. Mais ainda, a inclusão não 
se refere somente ao terreno educativo, mas o verdadeiro significado de ser 
incluído. Está implícita na inclusão social, a participação no mercado de trabalho 
competitivo, sendo este o fim último da inclusão: 
“Os alunos não podem considerar-se incluídos até que não adquiram as atitudes 
necessárias para participar na sociedade e no emprego e/ou até que as diferenças 
entre suas atitudes e as de seus iguais seja considerável”(Dyson 2001, p. 157). 
 
Ainda que essas acepções da inclusão apresentem suas próprias peculiaridades, 
seus pontos em comuns se estabelecem no que se refere ao seu compromisso pela 
criação de uma sociedade mais justa, pelo desejo de criar um sistema educativo 
mais eqüitativo. Além disso, pela convicção de que a resposta das escolas regulares 
frente à diversidade estudantil, e especialmente frente aos grupos de estudantes 
marginalizados, constitui um meio de tornar real os seus compromissos. 
 
INTEGRAÇÃO VERSUS INCLUSÃO OU INCLUSÃO COMO UMA CONTINUIDADE 
DA INTEGRAÇÃO? 
Desde o surgimento do movimento da inclusão, tem-se levantado um interessante 
debate acerca de se a inclusão supõe uma ruptura a respeito dos pressupostos da 
integração escolar, ou se entre ambos pode-se estabelecer um laço contínuo. Não 
resta dúvida de que a inclusão funde suas raízes no movimento da integração 
escolar e no REI. Não obstante, ainda que exista um continuum entre eles, a 
educação inclusiva apresenta tendências alternativas que ampliam e fazem 
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avançar a atenção à diversidade do alunado, dada as fortes críticas relacionadas 
com o processo integrador (Peralta, 2001). 
 
Inicialmente, com o propósito de efetivar esses princípios norteadores, os esforços 
centraram-se em conseguir que as pessoas com deficiência fossem integradas nas 
salas comuns das escolas regulares ou na mais adequada para elas. A partir da 
evolução da experiência da integração escolar em diferentes países, viu-se que na 
maioria dos casos esta integração não ocorreu. 
 
Em conseqüência, o objetivo principal da inclusão centra-se em desenvolver uma 
educação eficaz para todos os alunos (Sebba, 1997), posto que a segregação 
categórica de qualquer subgrupo de pessoas é simplesmente uma violação dos 
direitos civis e do princípio de igualdade da cidadania (Villa e Thousand, 1995). 
 
O movimento da integração escolar supôs estabelecer as primeiras tentativas, por 
questionar e rechaçar a segregação e o isolamento em que se encontravam as 
pessoas com deficiência nos centros de educação especial. Em um primeiro 
momento, as classes especiais foram consolidadas dentro de um centro escolar, e, 
mais tarde, à assistência dos alunos com deficiência em tempo parcial foi 
estabelecida na classe regular. Todavia, esta modalidade está bastante 
generalizada e vem apresentando enormes barreiras para ser erradicada. A inclusão 
dirige seu olhar a todos os alunos, já que todos podem experimentar dificuldades de 
aprendizagem em um dado momento (Ainscow, 1995). 
 
Dessa forma, as estratégias de trabalho que ela estabelece são direcionadas para 
favorecer a aprendizagem de todos os alunos na classe regular (Murphy, 1996; 
Thomas, 1997; Potts, 1998). 
 
Na integração, para que um aluno com necessidades educacionais especiais 
pudesse estar numa classe regular, era necessário que apresentasse dificuldades 
médias ou comuns. Na inclusão, todos os alunos são membros de direito da classe 
regular, sejam quais forem suas características pessoais. 
 
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“Os alunos com necessidades especiais não requerem integração. Requerem 
educação” (Heyarty & Pocklington 1981, p. 23). 
Uma das críticas mais comuns feitas ao movimento da integração escolar é relativa 
às definições difundidas sobre seu próprio conceito. Essas definições, em muitas 
ocasiões, dizem muito pouco sobre a qualidade da educação oferecida aos alunos 
com necessidades educacionais especiais no sistema educacional. Ainda que se 
saiba que esses alunos estavam escolarizados nas classes regulares, conhece-se 
pouco do processo de ensino-aprendizagem que seguiam. Constatou-se que um 
aluno podia estar integrado e passar bastante tempo isolado na sala de apoio, ou 
estar na sala regular, porém sem interagir com seus companheiros. 
 
Em ambos os casos, o programa de trabalho seguido pelos alunos com 
necessidades educacionais especiais diferenciava-se bastante do desenvolvido pelo 
grupo da classe regular, e a comunicação entre o professor de classe comum e o de 
apoio era escassa, (Arnaiz e outros, 2001). 
 
Outro aspecto questionado pela inclusão é a forma como os alunos foram 
considerados como “especiais” no contexto da integração, posto que obedecia a 
decisões, fundamentalmente, políticas e econômicas, em lugar de se proceder a 
uma revisão dos processos que podem dar lugar a ele. Pode-se dizer que são 
decisões guiadas por uma visão da educação especial que interpreta as 
dificuldades de aprendizagem exclusivamente a partir do déficit do aluno, o que 
promove a injustiça e detém os progressos neste campo. Com certeza, também, 
condiciona a colocação dos alunos nas escolas comuns ou especiais. Ante esta 
consideração, os defensores da inclusão manifestam a necessidade de reconstruir o 
conceito de necessidades educacionais especiais, ao defender que na inclusão não 
somente temos que considerar o déficit do aluno, senão, também as dificuldades 
que ele experimenta, considerando o contexto educativo, a organização da sala, e 
como se desenvolvem os processos de ensino-aprendizagem nas escolas inclusivas 
(Slee, 1991; Ortiz, 1996). Essas considerações levam Skrtic (1991) a afirmar que:“os 
alunos com necessidades educacionais especiais são artefatos do currículo 
tradicional.” E, ainda, recomenda às escolas a revisão de sua organização e suas 
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formas de ensino, com a finalidade de responder positivamente à diversidade de 
seus alunos. 
 
Assim como a “normalização” produz uma luta contra os pressupostos da educação 
especial mais tradicional, a inclusão estabelece uma forte crítica ao modelo 
deficitário implícito nas práticas de integração escolar. Com esta finalidade revisa-se 
as estratégias de trabalho das aulas para romper definitivamente com o subsistema 
de educação especial que tem caracterizado as práticas associadas à integração 
escolar. Nesse contexto, muitos alunos diagnosticados com necessidades 
educacionais especiais, os chamados alunos de integração, têm experimentado 
situações discriminatórias e segregadoras. Poder-se-ia dizer que para muitos alunos 
com deficiência a integração em escolas e classes regulares tem legitimado um 
subsistema de educação especial dentro da escola comum, que tem dando lugar a 
formas mais sutis de segregação. Por isso, a inclusão é vista por muitos como uma 
luta contra as concepções e práticas educativas que se associam ao modelo 
médico-psicológico. 
 
Na opinião deCobertt (1999), com o conceito de integração tem-se fomentado 
práticas de exclusão, porque geralmente era a pessoa com deficiência que estava 
obrigada a integrar-se na comunidade escolar e de forma ativa. A responsabilidade é 
colocada sobre o que é diferente; a ênfase recai sobre o aluno com deficiência, já 
que este deve integrar-se à cultura dominante. Portanto, existe uma grande 
exigência para quem não pode compartilhar os sistemas de valores dominantes. Na 
inclusão, pelo contrário, é a instituição que cria um clima de receptividade, 
flexibilidade e sensibilidade a qualquer aluno que seja escolarizado nela. 
 
Ainscow, Farrell e Tweddle (2000) consideram a integração como um movimento 
dos alunos dos programas especiais para a educação regular, enquanto que a 
inclusão faz referência ao grau de participação desses alunos nas atividades e 
experiências da escola regular. 
 
Assim, podemos ver que enquanto a integração tem a ver com as pessoas, a 
inclusão refere-se aos valores da comunidade. 
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A perspectiva da educação inclusiva, imersa no marco da escola compreensiva e 
das escolas eficazes, traça um modelo curricular que inspira sobre como reformar as 
escolas, as práticas educativas e a formação dos professores, com o fim de 
proporcionar uma educação de qualidade ajustada às características de todos 
alunos. A educação inclusiva promove a reforma dos sistemas educativos, e coloca 
em juízo de valor as teorias e hipóteses inerentes à educação especial (Ballard, 
1997; Bayley, 1998; Clarck e al., 1998; Rouse & Florian, 1969). 
 
Inicia-se, dessa forma, uma análise muito mais radical relativa a sua política e a sua 
prática, desde os pressupostos de disciplinas como a Sociologia, a Política e a 
Filosofia, além de outras. 
Ainscow (1998), um dos principais defensores e promotores da inclusão em todo o 
mundo, afirma que: “a educação inclusiva vai muito além de atender ao alunado 
com necessidades educacionais especiais, uma vez que supõe a melhoria das 
práticas educativas para todos os alunos e para o conjunto da escola”. 
 
“A inclusão não é somente para os alunos com deficiência, mas para todos os 
alunos, educadores, pais e membros da comunidade”(Falvey e al. 1995, p. 9). 
De acordo com Ainscow (1995), as soluções construídas para atender às 
necessidades especiais não devem dirigir-se exclusivamente aos alunos que 
experimentam dificuldades (do ponto de vista individual), ao invés disso, a resolução 
de problemas deve facilitar e apoiar a aprendizagem de todos os alunos (do ponto 
de vista curricular). Trata-se da necessidade de deixar de utilizar o termo 
necessidades educacionais especiais, porque se na educação inclusiva entram 
todos os alunos não tem sentido falar de educação inclusiva para alunos com 
necessidades educacionais especiais, já que os mesmos formam parte de um plano 
de trabalho mais amplo de melhoria escolar que persegue a igualdade e a 
excelência para todos os alunos. 
 
Portanto, enquanto a integração tem posto sua ênfase no aluno com necessidades 
educacionais especiais, a inclusão centra seu interesse em todos os alunos. 
 
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Isso implica que os professores revisem, junto a seus companheiros, o conceito que 
têm sobre dificuldades de aprendizagem e que ações eles devem colocar em 
prática. Dessa forma, e como indica Fulcher (1989) propõe-se que rompa sua visão 
individualizada e considere o contexto social e político. A perspectiva individualizada 
tem levado a que se estabeleçam tipos de alunos que requerem diferentes formas 
de ensinar e, portanto, diferentes tipos de professores, desviando a atenção de 
questões fundamentais como as formas de ensino que a escola estabelece para dar 
resposta à diversidade. A atenção às necessidades educacionais especiais tem sido 
considerada como uma tarefa técnica, que requer formas técnicas e recursos 
especiais, subestimando a interação social, exatamente como um meio de facilitar a 
aprendizagem (Ainscow e Tweddle, 1988). 
 
Esta mudança requer, sem dúvida, uma cultura de colaboração nas escolas que, 
respeitando a individualidade, apóie a resolução de problemas como uma estratégia 
de trabalho entre os professores (Fullan, 1991; Thousand e Villa, 1991; Skrtic, 1991). 
Além disso, reconhecer a reconstrução das necessidades especiais, em termos de 
melhoria da escola e do desenvolvimento do professor; fazer com que o professor 
estabeleça como ponto prioritário a resolução de problemas em grupo, visando a 
colaboração, posto que requer revisar e eliminar crenças e conceitos sobre a 
natureza das dificuldades de aprendizagem ea busca de novas alternativas. 
 
Por causa disso, o termo inclusão está sendo adotado no contexto internacional 
(Estados Unidos, Canadá, Reino Unido) com a intenção de dar um passo adiante no 
que se chamou até agora de integração. As razões que justificam essa mudança, na 
opinião de Stainback, Stainback e Jackson (1999), são: 
1) O conceito de inclusão comunica mais claramente e com maior exatidão, que 
todas as crianças necessitam estar incluídas na vida educativa e social das escolas 
comuns, e na sociedade em geral, não unicamente dentro da escola comum; 
2) o termo integração está sendo abandonado, já que implica que a meta é integrar 
na vida escolar e comunitária alguém ou algum grupo que está sendo certamente 
excluído. O objetivo básico da inclusão é não deixar ninguém fora da escola comum. 
Incluir tanto do ponto de vista educativo, físico, como social; 
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3) a atenção nas escolas inclusivas centra-se em como construir um sistema que 
inclua e esteja estruturado para fazer frente às necessidades de cada um dos 
alunos. Não se assume que as escolas e salas tradicionais, que estão estruturadas 
para satisfazer as necessidades dos chamados normais ou da maioria, sejam 
apropriadas e que qualquer estudante deva encaixar-se no que tenha sido 
desenhado para a maioria. Pelo contrário, a integração desses alunos deixa implícita 
que realmente estejam incluídos e participem na vida acadêmica. Nessa 
perspectiva, destaca-se a responsabilidade da equipe docente da escola, já que tem 
que se acomodar às necessidades de todos e a cada um de seus alunos; e 4) assim 
mesmo, existe uma mudança com respeito ao delineamento de ajudar somente a 
alunos com deficiência. O interesse centra-se agora no apoio à necessidade de cada 
membro da escola. 
As seguintes citações evocam essa mudança: 
“[...] tem-se utilizado a palavra «integração» para descrever processos mediante os 
quais certas crianças recebem apoio com o propósito de que possam participar nos 
programas existentes em grande medida sem modificações dos colégios; pelo 
contrário, a “inclusão” sugere um desejo de reestruturação do programa do colégio 
para responder à diversidade dos alunos que recebem as aulas”(Ainscow 1999, p. 
25). 
“[...] o novo conceito de integração era, e ainda hoje é, muito problemático, sua 
análise reflete as tensões, contradições e ambigüidades que têm levado a algumas 
pessoas a definir a integração como outro nome para designar a educação especial 
[...]. A educação inclusiva parece ser incompatível com um sistema que tem dado 
prioridade a mecanismos de evolução, similitude, comercialismo, elitismo, 
produtividade e noções de eficácia derivadas de sua perspectiva econômica e 
industrial [...]. examina o papel e as relações entre os profissionais e os deficientes, 
e explora as novas tendências educativas com respeito asua relação e impacto 
sobre as políticas e práticas da educação” (Vlachou 1999, p. 31-57-61). 
Para Parrilla (2001), cabe reconhecer as diferenças entre a integração e a inclusão 
em um marco mais amplo, centradas nos direitos humanos, no fim dos rótulos e no 
modelo sociológico sob o qual interpretam a deficiência. 
 
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Em síntese, poder-se-ia dizer que o termo inclusão surge, a princípio, como uma 
alternativa à integração; como uma tentativa de eliminar as situações de 
desintegração e exclusão em que se encontravam muitos alunos nas escolas, sob o 
enfoque da integração. Em segundo lugar, como uma tentativa de reconstruir o 
enfoque deficitário individualista e médico dominante, considerando seriamente as 
vozes das pessoas com deficiência, e analisando as complexas relações de poder 
implicadas nesses controvertidos debates. E, em terceiro lugar, como uma 
reivindicação de que todos os alunos com ou sem necessidades educacionais 
especiais recebam uma educação de qualidade, nas classes comuns do sistema 
regular de ensino. 
 
No seguinte quadro, e a título de resumo, aparecem as principais diferenças entre 
ambos conceitos: 
INTEGRAÇÃO INCLUSÃO 
Competição Cooperação/solidariedade 
Seleção Respeito às diferenças 
Individualidade Comunidade 
Preconceitos Valorização das diferenças 
Visão individualizada Melhora para todos 
Modelo técnico-racional Pesquisa reflexiva 
 
 
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INCLUSÃO: o paradigma do século 21 
 
 
Resumo 
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O texto procura esclarecer as grandes diferenças que existem entre os paradigmas 
da integração e da inclusão, numa perspectiva histórica. São apontadas as práticas 
de transição entre um paradigma e outro. E elabora mais profundamente o campo 
educacional, descrevendo as principais características das escolas abertas para 
todos os tipos de alunos, construídas à luz dos princípios da inclusão. 
 
1 Assistente social pela Faculdade Paulista de Serviço Social e conselheiro de reabilitação pela 
Southern Illinois University. Atua como consultor de inclusão escolar e social junto ao Banco Mundial 
e à Secretaria Municipal de Educação de Guarujá/SP. 
INCLUSÃO-Revista da Educação Especial-Out/2005 19 
 
Introdução 
 
Embora as experiências pioneiras em inclusão tenham sido feitas na segunda 
metade dos anos 80, foi no início da década de 90 que o mundo da educação 
tomou conhecimento de um novo caminho para uma escola de qualidade e 
verdadeiramente aberta para todas as pessoas. 
Esse caminho, conhecido como educação inclusiva, difere substancialmente das 
formas antigas de inserção escolar de pessoas com deficiência e/ou com outros 
tipos de condições atípicas, no sentido de que a inclusão requer mudanças na 
perspectiva pela qual a educação deve ser entendida. 
Em que sentido? A inclusão difere, por exemplo, da integração, que se vale das 
práticas de mainstreaming, de normalização, de classes especiais e de escolas 
especiais. 
Todas as formas até então vigentes de inserção escolar partiam do pressuposto de 
que devem existir dois sistemas de educação: o regular e o especial. Os alunos 
com deficiência poderiam estudar em escolas regulares se fossem capazes de 
acompanhar seus colegas não-deficientes. Para isto, foi sendo desenvolvido um 
sistema de cascata para acomodar os diversos níveis de capacidade. Mesmo a Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) usa a expressão 
“preferencialmente na rede regular de ensino” e a condicionante “no que for 
possível”, deixando implícita a existência de um sistema paralelo destinado, 
exclusivamente, aos alunos que não tivessem capacidade acadêmica para 
freqüentar as escolas comuns em razão de suas deficiências físicas, intelectuais, 
sensoriais ou múltiplas. Isto foi reforçado pelo Decreto n. 3.298, de 1999, quando 
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determina “a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos 
públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrar 
na rede regular de ensino” (art. 24, inciso I). E também pela Resolução n. 2, do 
Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica (2001). 
Todo este viés conceitual tem origem no modelo médico da deficiência, segundo o 
qual o problema está na pessoa com deficiência e, por esta razão, ela precisa ser 
“corrigida”(melhorada, curada etc)a fim de poder fazer parte da sociedade. 
Ativistas do movimento liderado por pessoas com deficiência sempre combateram 
esta forma de atender às necessidades educacionais, por exemplo, de crianças com 
deficiência. Para eles, não era justa essa exigência da sociedade, no sentido de que 
as crianças provassem estarem aptas para ingressar no sistema educacional 
comum. Eles entendiam, e assim o entendem até hoje, que cabe à sociedade, 
portanto às escolas comuns, modificar seu paradigma educacional e, 
conseqüentemente, suas estruturas físicas, programáticas e filosóficas, a fim de que 
as escolas possam tornar-se mais adequadas às necessidades de todos os seus 
alunos. Esta inusitada perspectiva pela qual é vista a questão das pessoas com 
deficiência deu origem ao conceito conhecido como o modelo social da deficiência. 
O modelo social da deficiência, elaborado basicamente por entidades de pessoas 
com deficiência, aponta as barreiras da sociedade (escola, empresa etc) que 
impedem o desenvolvimento das pessoas e sua inserção social (inclusão escolar, 
inclusão profissional etc.). Essas barreiras se manifestam por meio de seus 
ambientes restritivos, suas políticas discriminatórias e suas atitudes preconceituosas 
que rejeitam a minoria e todas as formas de diferenças, seus discutíveis padrões de 
normalidade, seus objetos e outros bens inacessíveis do ponto de vista físico, seus 
pré-requisitos atingíveis apenas pela maioria aparentemente homogênea, sua quase 
total desinformação sobre necessidades especiais e sobre direitos das pessoas que 
possuem essas necessidades, suas práticas discriminatórias em muitos setores da 
atividade humana (escolas, empresas, locais de lazer, transportes coletivos etc). 
Surgimento do paradigma da inclusão Podemos afirmar que a semente do 
paradigma da inclusão foi plantada pela Disabled Peoples’ International, uma 
organização não-governamental criada por líderes com deficiência, quando em seu 
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livreto Declaração de Princípios, de 1981, definiu o conceito de equiparação de 
oportunidades (apud Driedger & Enns, 1987, p. 2-3): 
“o processo mediante o qual os sistemas gerais da sociedade, tais como o meio 
físico, a habitação e o transporte, os serviços sociais e de saúde, as oportunidades 
de educação e de trabalho, e a vida cultural e social, incluídas as instalações 
esportivas e de recreação, são feitos acessíveis para todos. Isto inclui a remoção de 
barreiras que impedem a plena participação das pessoas deficientes em todas estas 
áreas, permitindo-lhes assim alcançar uma qualidade de vida igual à de outras 
pessoas.” 
" O MUNDO CAMINHA PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE CADA VEZ 
MAIS INCLUSIVA." 
Desde então, vários outros documentos internacionais, por exemplo, o Programa 
Mundial de Ação Relativo às Pessoas com Deficiência (1983), as Normas sobre a 
Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência (1994), ambos da 
Organização das Nações Unidas, e a Declaração de Salamanca (1994), da Unesco, 
têm enfatizado esse conceito, dando assim início à conscientização da sociedade 
sobre o outro lado da inserção, qual seja, o lado da necessidade de modificarmos a 
sociedade (escolas, empresas). 
Transição da integração para a inclusão 
O paradigma da integração, exclusivo para pessoas deficientes num clube comum, 
etc. Esta forma de integração, mesmo com todos os méritos, não deixa de ser 
segregativa. 
Nenhuma dessas formas de integração social satisfaz plenamente os direitos de 
todas as pessoas com deficiência, pois a integração pouco exige da sociedade em 
termos de modificação de atitudes, de espaços, de objetos e de práticas sociais. 
 
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A UNIVERSIDADE BRASILEIRA 
 
 
Enicéia Gonçalves Mendes 
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RESUMO 
O presente artigo aborda o legado de 30 anos da história da institucionalização da 
Educação Especial no Brasil. As evidências apontam como produto dessa história, 
a falta de acesso à escola, para a grande maioria da população de crianças e jovens 
com necessidades educacionais especiais, e para a natureza excludente da atual 
rede de serviços. Questiona-se a partir de então se a filosofia de "integração 
escolar", chegou a ser implementada em nosso país, e sobre o risco do mesmo 
fenômeno de retórica ocorrer com a Educação Inclusiva. Discute-se ainda as 
possibilidades da Educação Inclusiva na superação dos atuais problemas da área, 
e a responsabilidade da universidade, enquanto agência de produção de 
conhecimento e de formação, em compor o esforço coletivo juntamente com 
políticos, prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades 
educacionais especiais, para a construção da Educação Inclusiva no Brasil. 
 
ABSTRACT 
The present study discusses the legacy of the last 30 years of the Special 
Education's history in Brasil. As a product of this story, the evidences point out the 
lack of access to School for the majority of children and adolescents with special 
needs, and the 1 Docente do exclusiveness of the actual educational services 
system. The study argues if the School Integration Philosophy, was ever 
implemented in our country and analyses the risk of the same rethorics phenomenon 
happening with the debate about Inclusive Education. Also, it discusses the 
possibilities of Inclusive Education to overcome the actual problems in this area, and 
the responsibility of the University, as agency of knowledge production and formation 
to join all efforts with politicians, professionals, parents and people with educational 
special needs to construct the Inclusive Education in Brasil. 
 
Introdução 
Embora iniciativas isoladas e precursoras possam ser constatadas em nosso país, 
na área de Educação Especial2, a partir do Século XIX, apenas na década de 70, é 
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que se constata uma resposta mais abrangente da nossa sociedade a esta questão 
(Bueno, 1991; Marques et al, 2003). 
 
O início dessa nossa história coincidiu com o auge da hegemonia da filosofia da 
"normalização e integração" no contexto mundial. Se até então havia o pressuposto 
que a segregação escolar, permitiria melhor atender as necessidades educacionais 
diferenciadas desses alunos, após esse período, houve uma mudança filosófica 
orientada pela idéia de integração escolar em escolas comuns. 
 
2 O termo "Educação Especial" vem sendo erroneamente compreendido como o 
antônimo do termo "Educação Inclusiva", e cumpre ressaltar que no presente 
trabalho adotamos o termo Educação Especial como uma área de conhecimento, 
que busca desenvolver teorias, práticas e políticas; com vistas a atender as 
necessidades educacionais especiais diferenciadas de uma parcela da população, 
que não aprendem se forem sujeitos apenas as oportunidades regulares oferecidas 
pela cultura. Assim, o conceito não se confunde com uma proposta de escolarização 
separada do ensino regular, ou com determinados tipos de organização de serviços. 
 
A partir daí, passamos supostamente cerca de 30 anos atuando sob o princípio de 
"integração escolar", até que o emergiu o discurso em defesa da "educação 
inclusiva" no país, a partir de meados da década de 90. Um dos argumentos 
recorrentes tem sido a proposição de que a "inclusão", requer uma revisão na forma 
como vem sendo equacionada a educação de crianças e jovens com necessidades 
educacionais especiais. Antes de avançar o debate convém analisar que legado nos 
deixou nossa história de 30 anos de "integração escolar".Os frutos de 30 anos da Educação Especial Brasileira 
Na atualidade constata-se que, para uma estimativa de cerca de seis milhões de 
crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, não chega a 400 mil o 
número de matrículas, considerando o conjunto de todos os tipos de recursos 
disponíveis, ou seja, se desde os matriculados em escolas especiais até os que 
estão nas escolas comuns. (Folha de São Paulo, 11/06/99). Portanto, a grande 
maioria dos alunos com necessidades educacionais especiais estão fora de 
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qualquer tipo de escola. Tal quadro indica muito mais uma exclusão escolar 
generalizada dos indivíduos com necessidades educacionais especiais na realidade 
brasileira, a despeito da retórica da integração escolar. 
 
As mazelas da Educação Especial Brasileira, entretanto, não se limita a falta de 
acesso. 
Os poucos alunos com necessidades educacionais especiais que tem tido acesso a 
algum tipo de escola, não estão necessariamente recebendo uma educação 
apropriada, seja por falta de profissionais qualificados ou mesmo pela falta 
generalizada de recursos. Além da predominância de serviços que envolvem, 
desnecessariamente, a segregação escolar, há evidências que indicam um descaso 
do poder público; uma tendência de privatização, (considerando que a maioria das 
matrículas está concentrada na rede privada, e mais especificamente em instituições 
filantrópicas), e uma lenta evolução no crescimento da oferta de matrículas, em 
comparação com a demanda existente. 
 
Pode-se dizer, portanto, que os resultados dos últimos 30 anos de política de 
"integração escolar" foi provocar uma grande expansão das classes especiais, 
favorecendo o processo de exclusão na escola comum pública. Os modelos de 
serviços propostos pelo movimento de integração escolar, que previam uma opção 
preferencial pela inserção na classe comum com a manutenção do continuum de 
serviços, ou sistema de cascata, nunca chegaram a ser implementados na 
"integração escolar" a moda brasileira. Os recursos predominantes ainda hoje são 
classes especiais nas escolas públicas e às escolas especiais privadas e 
filantrópicas. 
 
Em perspectiva a Educação Especial Inclusiva 
O debate sobre a questão da Educação Inclusiva é hoje um fenômeno de retórica 
como foi a integração escolar nos últimos 20 anos. 
 
O paradoxo é que ao mesmo tempo em que se trata de uma ideologia importada de 
países desenvolvidos, que representa um alinhamento ao modismo, pois não temos 
lastro histórico na nossa realidade que a sustente; não podemos negar que na 
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perspectiva filosófica, a inclusão é uma questão de valor, ou seja, é um imperativo 
moral. Não há como questioná-lo dentro da ética vigente nas sociedades ditas 
democráticas, e não dá para descartar que a adoção de diretrizes baseadas na 
educação inclusiva pode ser a única estratégia política com potencial para garantir 
o avanço necessário na Educação Especial brasileira. 
 
Em outros países, por exemplo, o movimento se assenta em contextos onde já 
existia um razoável acesso a educação, uma rede diversificada e melhor qualificada 
de serviços, nos quais a perspectiva de educação inclusiva representou apenas 
um passo natural em direção à mudança. Aqui, a educação inclusiva é ainda uma 
página em branco de uma história a ser construída. E como pode a universidade 
brasileira contribuir para esse processo? 
 
A Educação Inclusiva e a Universidade Brasileira 
Traduzir a educação inclusiva das leis, dos planos e intenções para a realidade 
requer conhecimento e prática. É preciso, portanto, questionar qual a prática 
necessária? 
E o conhecimento necessário para fundamentar a prática? E esse é sem dúvida 
nenhuma um exercício para a pesquisa científica. 
 
A ciência será essencial para que a sociedade brasileira busque contribuir, de 
maneira intencional e planejada, para a superação de uma Educação Especial 
equivocada que atua contra os ideais de inclusão social e plena cidadania. Assim, 
enquanto agência de produção de conhecimento, o papel da universidade na 
construção da educação inclusiva é essencial. 
 
Entretanto, não é qualquer pesquisa que tem potencial para apoiar tal processo de 
construção. É necessário se fazer uma pesquisa mais engajada nos problemas da 
realidade e que tenham implicações práticas e políticas mais claras. Por outro lado, 
é necessário também que o processo de tomada de decisão política privilegie mais 
as bases empíricas fornecidas pela pesquisa científica sobre inclusão escolar. 
 
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Algumas prioridades emergentes para a pesquisa na atualidade seria a produção de 
conhecimento sobre procedimentos que gerem dados que permitam subsidiar o 
acompanhamento de políticas públicas educacionais, que adotam a perspectiva da 
inclusão; sobre formação de professores (do ensino regular e especial) e 
estratégias pedagógicas inclusivas que possam ser adaptadas para a realidade 
brasileira. 
 
A mudança requer ainda um potencial instalado, em termos de recursos humanos, 
em condições de trabalho para que ela possa ser posta em prática, pois é na 
existência de pessoal cientificamente preparado, para identificar as armadilhas de 
concepções e procedimentos inadequados, que reside à possibilidade de alterar a 
realidade da Educação Especial no país. 
 
A universidade enquanto agência de formação, além de produzir conhecimento tem 
ainda a responsabilidade de qualificar os recursos humanos envolvidos, tanto em 
cursos de formação inicial quanto continuada, o que é um desafio considerável para 
o sistema brasileiro de ensino superior. 
 
Enfim, o futuro da Educação Inclusiva em nosso país dependerá de um esforço 
coletivo, que obrigará à uma revisão na postura de pesquisadores, políticos, 
prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades educacionais 
especiais, para trabalhar numa meta comum que seria a de para garantir uma 
educação de melhor qualidade para todos. 
 
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[PDF] A educação inclusiva ea universidade Brasileira 
[PDF] de salesianolins.brEG Mendes - Revista Espaço, 2003 - salesianolins.br 
... são classes especiais nas escolas públicas e às escolas especiais privadas e 
filantrópicas. Em perspectiva a Educação Especial Inclusiva O debate sobre a 
questão da Educação Inclusiva é hoje um fenômeno de retórica como foi a 
integração escolar nos últimos 20 anos. ... 
Citado por 7 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 3 versões 
 
[CITAÇÃO] de MV Educação Especial no contexto de uma Educação Inclusiva 
R GLAT… - Educação inclusiva: cultura e cotidiano escolar. Rio de …, 2007 
Citado por 7 - Artigos relacionados 
 
[CITAÇÃO] Aspectos Históricos da Educação Especial: da exclusão a inclusão 
uma longa caminhada M CARDOSO - Educação especial: em direção à educação 
inclusiva. …, 2003 
Citado por 22 - Artigos relacionados 
Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 
Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br 
 
 
Educação inclusiva: redefinindo a educação especial 
[PDF] de ufsc.brMP Santos - … de Vista: revista de educação e processos 
inclusivos, 2008 - journal.ufsc.br 
Resumo O artigo pretende discutir os termos “inclusão” e “integração” e seus 
diferentes usos em alguns textos oficiais e pioneiros, com o objetivo de apontar para 
um redimensionamento do con- ceito de educação especial à luz da proposta da 
inclusão em educação. Entre ... 
Citado por 6 - Artigos relacionados 
 
Educação inclusiva: Um estudo na área da educação física 
[HTML] de scielo.brJS Aguiar… - Rev. bras. educ. espec - SciELO Brasil 
... identifica conhecimentos dos professores de educação física sobre educação 
inclusiva e educação especial e/ou educação física adaptada. ... OLIVEIRA, AAS; 
POKER, RB Educação inclusiva e municipalização: a experiência em educação 
especial de Paraguaçu Paulista. ... 
Citado por 10 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões 
 
[DOC] O aluno com altas habilidades no contexto da educação inclusiva 
[DOC] de fadepe.com.brEMLS de Alencar - fadepe.com.br 
... Especialmente neste momento da História, em que se observam um movimento 
em direção à Escola Inclusiva e reformas vêm ocorrendo na Educação Especial 
em muitos países, é fundamental que o professor esteja melhor equipado para 
propiciar uma educação de boa ... 
Citado por 14 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 6 versões 
 
[CITAÇÃO] O paradigma da educação inclusiva: reflexões sobre uma agenda 
possível 
D Rodrigues - VII Encontro Nacional de Educação Especial ( …, 1997 
Citado por 22 - Artigos relacionados 
 
[CITAÇÃO] Educação e diferença: valores e práticas para uma educação inclusiva 
D Rodrigues - 2001 - baes.sdum.uminho.pt 
... Título: Educação e diferença : valores e práticas para uma educação inclusiva. 
Autor : Rodrigues, David. Data: 2001. URI: http://hdl.handle.net/1822.1/12. Aparece 
nas Colecções: Analíticos de Monografias. Ficheiros deste Registro: Ficheiro, 
Descrição, Tamanho, Formato. ... 
Citado por 31 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões 
 
[PDF] Crianças com necessidades educativas especiais, política educacional ea 
formação de professores: generalistas ou especialistas 
[PDF] de abpee.netJGS Bueno - Revista Brasileira de Educação Especial, 1999 - 
abpee.net 
... Educação Especial, Educação Inclusiva e Políticas Educacionais A perspectiva 
apontada pela Declaração de Salamanca de indicar enfatica- mente a escola 
inclusiva - mas, ao mesmo tempo, reconhecer que esta só se efetivará com o 
aprimoramento, de fato, dos sistemas de ... 
Citado por 84 - Artigos relacionados - Todas as 6 versões 
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Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br 
 
 
[CITAÇÃO] Educação inclusiva: com os pingos nos" is" 
RE Carvalho - 2005 - Editora Mediação 
Citado por 119 - Artigos relacionados 
 
Uma análise das condições para a implementação de políticas de educação 
inclusiva no Brasil e na Inglaterra 
[HTML] de scielo.brA LAPLANE - Educ. Soc - SciELO Brasil 
... No início de 2004, a Secretaria de Educação Especial do Ministério de 
Educação lançou a série Educação Inclusiva, um conjunto de documentos 
destinados a promover a implementação da política de inclusão escolar. A ...Citado por 20 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões 
 
 
[HTML] A educação inclusiva: incompletudes escolares e perspectivas de ação 
[HTML] de ufsm.brHO Beyer - Cadernos de Educação Especial, 2003 - 
coralx.ufsm.br 
O artigo refere à proposta de educação inclusiva, sob a perspectiva do paradigma 
histórico e também sob o prisma das mudanças que ocorreram nas políticas 
educacionais brasileiras, notadamente através da priorização da educação 
inclusiva com a LDB 9394 de 1996. Elege alguns ... 
Citado por 15 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 4 versões 
 
[HTML] O papel da universidade frente às políticas públicas para educação 
inclusiva 
[HTML] de saci.org.brR Glat… - Revista Benjamin Constant, 2004 - saci.org.br 
... Vale ressaltar que, em nossa opinião, vem sendo criada uma falsa dicotomia entre 
educação inclusiva e Educação Especial, como se o advento de uma 
representasse a descontinuidade da outra. Na realidade, ocorre justamente o 
contrário. ... 
Citado por 15 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões 
 
[LIVRO] Professores reflexivos em uma escola reflexiva 
I Alarcão - 2005 - xa.yimg.com 
... Page 11. 2 – Fundamentos para uma educação inclusiva • Lógica de exclusão; • 
Lógica da inclusão; • A relação e suas implicações; • Interdependência; • Co-
dependência; • Autonomia e educação inclusiva; Page 12. 3 – Desafios à prática 
docente reflexiva ... 
Citado por 448 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 2 versões 
 
[CITAÇÃO] Educação inclusiva e municipalização: a experiência em educação 
especial de Paraguaçu Paulista 
AAS Oliveira… - Revista Brasileira de Educação Especial, 2002 
Citado por 9 - Artigos relacionados 
 
[CITAÇÃO] Psicanálise e educação: novos operadores de leitura 
LM Mrech - 1999 - Cengage Learning Editores 
Citado por 98 - Artigos relacionados 
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[PDF] A educação inclusiva: um meio de construir escolas para todos no século 
XXI 
[PDF] de rs.gov.brPA Sánchez - SUMÁRIOOUTUBRO2005 - rsacessivel.rs.gov.br 
... es 07 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um meio de construir escolas para todos no 
século XXI INCLUSÃO-Revista da Educação Especial-Out/2005 7 1 Resumo Este 
artigo analisa o conceito de diversidade no campo da educação inclusiva. ... 
Citado por 17 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 20 versões 
 
[CITAÇÃO] Educação especial: em direção à educação inclusiva 
CD Stobäus… - 2003 - Edipucrs 
Citado por 10 - Artigos relacionados 
 
[HTML] Interação entre professora e alunos em salas de aula com proposta 
pedagógica de educação inclusiva 
[HTML] de scielo.brSC da Silva… - Rev. bras. educ. espec. vol, 2005 - SciELO 
Brasil 
... A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de 
ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis ... Pensar na Educação 
Inclusiva como uma possibilidade de construção de uma sala de aula melhor, na 
qual alunos e professores sintam ... 
Citado por 20 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 3 versões 
 
[CITAÇÃO] Educação inclusiva ou educação apropriada 
LM Correia - … . Valores e práticas para uma educação inclusiva. …, 2001 
Citado por 30 - Artigos relacionados 
 
[LIVRO] Inclusão e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva 
D Rodrigues - 2006 - books.google.com 
... 35 Fátima Denari Inclusão social ea "escola reclamada" 65 António M. Magalhães 
e Stephen R. Stoer Educação especial, inclusão e ... crianças 141 Manuel Jacinto 
Sarmento, Natália Fernandes e Catarina Tomás A formação de professores na 
educação inclusiva: construindo a ... 
Citado por 21 - Artigos relacionados 
 
[CITAÇÃO] Capacitação de professores: primeiro passo para uma educação 
inclusiva R GLAT, E Magalhães, R CARNEIRO… - … em educação especial, 
1998 
Citado por 18 - Artigos relacionados 
 
[CITAÇÃO] Educação inclusiva: realidade ou utopia 
LM MRECH - … sobre Deficiência-Seminário Educação Inclusiva: … 
Citado por 26 - Artigos relacionados 
 
[HTML] Portadores de deficiência: a questão da inclusão social 
[HTML] de scielo.brMRC Maciel - São Paulo em perspectiva, 2000 - SciELO Brasil 
... a reforçar sua colaboração com as entidades oficiais nacionais e intensificar o 
envolvimento crescente delas no planejamento, implementação e avaliação de 
provisão em educação especial que seja inclusiva; - Unesco, enquanto a agência 
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Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br 
 
educacional das Nações Unidas; ... 
Citado por 31 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 10 versões 
 
[RTF] Representação social e educação especial: a representação dos professores 
de alunos com necessidades educativas especiais incluídos na classe comum … 
[RTF] de fadepe.com.brSN Freitas… - Retirado em, 2004 - fadepe.com.br 
... É este artigo que define educação especial em termos da lei e regulamenta a 
prática da educação inclusiva. Assim, os anos 90 são marcados, com o advento da 
educação inclusiva, pelo respeito às características do indivíduo frente ao processo 
pedagógico. ... 
Citado por 10 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 4 versões 
 
[CITAÇÃO] Educação especial, inclusão e política educacional: notas brasileiras 
JR FERREIRA - … e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. …, 
2006 
Citado por 17 - Artigos relacionados 
 
[HTML] Avaliação assistida e comunicação alternativa: procedimentos para a 
educação inclusiva 
[HTML] de scielo.brKMP de Paula… - Rev. bras. educ. espec. vol, 2007 - SciELO 
Brasil 
... Estas informações relatadas pela mãe e educadoras coincidiram com o ingresso 
da criança em instituição especial de reabilitação que, via de regra, insere a criança 
... A motivação é uma questão sobremodo relevante e uma das mais desafiadoras 
para a educação inclusiva. ... 
Citado por 14 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 4 versões 
 
O professor itinerante como suporte para a educação inclusiva em escolas da rede 
municipal de educação do Rio de Janeiro 
MD Pletsch, MP dos Santos, CLG de Mattos… - 2005 - lakh.unm.edu 
... Keywords: Educação itinerante Educação inclusiva Formação de professores 
Itinerant teaching Inclusive education Teacher learning process EDUCACAO 
ESPECIAL. Issue Date: 21-Aug-2005. Publisher: Biblioteca Digital de Teses e 
Dissertações da UERJ. ... 
Citado por 6 - Artigos relacionados - Em cache 
 
[CITAÇÃO] Educação inclusiva: as boas notícias e as más notícias 
D Rodrigues - 2003 - baes.sdum.uminho.pt 
... Título: Educação inclusiva : as boas notícias e as más notícias. Autor : 
Rodrigues, David. Data: 2003. URI: http://hdl.handle.net/1822.1/10. ... 6 - Educação 
Inclusiva. As boas e as más notícias de David Rod.pdf, 62Kb, Adobe PDF, 
Ver/Abrir, 6 - Educação Inclusiva. ... 
Citado por 19 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões 
 
[PDF] Os Desafios da educação especial, o Plano Nacional de Educação ea 
universidade brasileira 
[PDF] de abpee.netLM Mrech - Revista Brasileira de Educação Especial, 1999 - 
abpee.net ... Educação. Assim, à luz dos novos rumos da Educação 
Especial/Educação Inclusiva, analisaremos agora os aspectos que mais chamam 
Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 
Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br 
 
a atenção no Plano Na- cional de Educação, capítulo de Educação Especial. 
Primeiramente ... 
Citado por 11 - Artigos relacionados - Todas as 2 versões 
 
[CITAÇÃO] A educação inclusiva e as novas exigências para a formação de 
professores: algumas considerações JGS BUENO - Formação do educador e 
avaliação educacional: …, 1999 
Citado por 22 - Artigos relacionados 
 
[CITAÇÃO] Educação Especial: em direção à escola inclusiva 
CD STOBÄUS… - Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003 
Citado por 10 - Artigos relacionados[PDF] Educação para todos: torná-la uma realidade 
[PDF] de ua.ptM Ainscow - Caminhos para as escolas inclusivas, 1997 - 
redeinclusao.web.ua.pt 
... do seminário dão ênfase a três factores-chave que parecem ter grande influência 
na criação de salas de aula mais inclusivas. A primeira relaciona-se com a 
importância da planificação para a classe, como um todo. A este respeito, na 
educação especial, cometemos um erro ... 
Citado por 52 - Artigos relacionados - Ver em HTML 
 
[LIVRO] Políticas e práticas de educação inclusiva 
MCR de Góes - 2004 - books.google.com 
... (Coleção educação contemporânea) Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-85-
7496-109- 5 1. Educação e Estado 2. Educação especial 3. Educação inclusiva 
4. Grupos sociais I. Góes, Maria Cecília Rafael de. II. Laplane, Adriana Lia Friszman. 
... 
Citado por 10 - Artigos relacionados 
 
[CITAÇÃO] Tendências futuras da educação inclusiva 
V FONSECA - Educação 
Citado por 22 - Artigos relacionados 
 
[PDF] Compreender, agir, mudar, incluir. Da investigação-acção à educação 
inclusiva 
[PDF] de mctes.ptI Sanches, WF Dearborn… - … Lusófona de Educação, 2005 - 
scielo.oces.mctes.pt ... 13 Ver trabalhos realizados na Universidade Lusófona de 
Humanidades e Tecnologias, no âmbito da Pós-Gra- duação e Formação 
Especializada em Educação Especial. 14 Na educação inclusiva 
preconiza-se que a construção das respostas seja feita “caso a caso”, pela ... 
Citado por 7 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 8 versões 
 
A fonoaudiologia na relação entre escolas regulares de ensino fundamental e 
escolas de educação especial no processo de inclusão 
[HTML] de scielo.brAS Ramos… - Rev. bras. educ. espec - SciELO Brasil 
... [ Links ]. SILVA, SC, ARANHA, MSF Interação entre professora e alunos em salas 
de aula com proposta pedagógica de educação inclusiva. Revista Brasileira de 
Educação Especial, Piracicaba, v.11, n. 3, p. 373-394, 2005. [ Links ]. VALENTE, P. 
Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 
Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br 
 
et al. ... 
Citado por 10 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 3 versões 
 
[HTML] Inclusão e prática docente no ensino superior 
[HTML] de ufsm.brDM Castanho… - Revista Educação Especial, 2006 - 
coralx.ufsm.br 
... São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREITAS, SN (Org). Educação inclusiva e 
necessidades educacionais especiais. Santa Maria. Ed. UFSM, 2005. MARTINS, V. 
Educação Especial como direito. Universidade Estadual de Sobral, Fortaleza: 2004. 
... 
Citado por 12 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 4 versões 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://dialogoseducacionais.semed.capital.ms.gov.br/index.php/dialogos/article/view/23 
Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 
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O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA O 
DEFICIENTE INTELECTUAL EM SEU ASPECTO 
COMPLEMENTAR: uma análise da legislação 
 
Eliane de Fátima Alves de Morais Fraulob, Adriana Aparecida Burato Marques 
Buytendorp 
 
Resumo 
Nas últimas décadas surgiram várias discussões pedagógicas voltadas para os 
deficientes, cujo princípio é assegurar-lhes a igualdade dentro da diversidade. Sob 
essa influência, foi criado pela Constituição Federal de 1988 o Atendimento 
Educacional Especializado (AEE), ao qual, sob organização do legislador ordinário, 
tem sido atribuída uma função complementar. Entretanto, não parecem bem 
definidos o termo complementar nem o que seria complementado, gerando 
confusões e dúvidas sobre as práticas do atendimento, mormente porque a 
legislação ora fala em “complementação do atendimento educacional realizado em 
classes do ensino comum”, ora em “complementação ou suplementação curricular”, 
“complementação da formação” e “complementação da educação”. Este trabalho 
teve como metodologia a análise da legislação e de documentos orientativos 
produzidos pelo Ministério da Educação, com o objetivo de dirimir a questão 
levantada, sobretudo no que se refere aos alunos com deficiência intelectual, entre 
os quais surgem as maiores dúvidas. Concluiu-se que a função complementar do 
AEE consiste na redução das barreiras cognitivas no plano do abstrato, mediante 
estimulação da capacidade simbólica do aluno deficiente. 
Palavras-chave: Política pública. Educação especial. Atendimento educacional 
especializado. 
Resumen 
En las últimas décadas hubo varios debates pedagógicos acerca de las personas 
con deficiencia, cuyo principio es garantizar la igualdad en la diversidad. Bajo esta 
influencia, fue creado, por la Constituición Federal de 1988, el Atendimento 
Educacional Especializado (AEE) o Servicio Especial de Educación que, bajo la 
organización del legislador ordinario, tiene una función de complementar. Sin 
embargo, no parece estar bien definido el término complementar, ni tampoco lo que 
sería complementado, lo que lleva a la confusión y dudas respecto a las prácticas 
del atendimento, sobre todo porque la legislación en un momento habla en 
“complementación del servicio educativo ofertado en clases de enseñanza común”, 
en otro habla de “complementación y suplementación de currículo”, 
“complementación de formación” y “complementación de la educación”. La 
metodología para esta investigación fue el estudio de la legislación y documentos de 
referencia elaborados por el Ministerio de Educación, con el objetivo de resolver la 
cuestión planteada, en particular con respecto a los alumnos con deficiencia 
intelectual, ya que la mayoría de las dudas aparecen acerca de ellos. Se concluye 
que la función complementar del AEE es reducir las barreras cognitivas en términos 
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de capacidad simbólica abstracta a través de la estimulación del alumno con 
deficiencia. 
Palabras-clave: Políticas públicas. Educación especial. Servicio especial de 
educación. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Revista Brasileira de Política e Administração da Educação 
http://seer.ufrgs.br/rbpae/article/view/26413 
 
INCLUSÃO ESCOLAR E ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NO 
CONTEXTO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 
Rogério Drago 
 
Resumo 
 
Este texto busca discutir as relações entre a construção democrática do projeto político pedagógico e 
o processo inclusivo de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas 
habilidades/superdotação na escola comum, entendendo que o projeto político pedagógico da escola 
não é algo que deve ser imposto de modo verticalizado, mas é construído dialeticamente com os 
sujeitos da comunidade escolar. Em relação à inclusão de pessoas com deficiência na escola comum 
e a garantia de atendimento educacional especializado a este público, esse processo pode ser 
vislumbrado como um modo de valorizar as diferenças individuais do ser humano enquanto mola 
propulsora para a democratização do acesso e permanência com qualidade à educação comum. 
 
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Atendimento Educacional Especializado 
 
Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 
Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br 
 
O que é uma Sala de Recursos Multifuncionais - SRMF? 
São espaços físicos localizados nas escolas públicas onde se realiza o Atendimento 
Educacional Especializado - AEE. 
As SRMF possuem mobiliário, materiais didáticos e pedagógicos, recursos de 
acessibilidade e equipamentos específicos para o atendimento dos alunos que são 
público alvo da Educação Especial e que necessitam do AEE no contraturno escolar. 
A organização e a administração deste espaço são de responsabilidade da gestão 
escolar e o professor que atua neste serviço educacional deve ter formação parao 
exercício do magistério de nível básico e conhecimentos específicos de Educação 
Especial, adquiridos em cursos de aperfeiçoamento e de especialização. 
 
 
 O que é o atendimento educacional especializado (AEE)? 
O atendimento educacional especializado (AEE) é um serviço da educação especial 
que identifica, elabora, e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que 
eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas 
necessidades específicas" (SEESP/MEC, 2008). 
O ensino oferecido no atendimento educacional especializado é necessariamente 
diferente do ensino escolar e não pode caracterizar-se como um espaço de reforço 
escolar ou complementação das atividades escolares. São exemplos práticos de 
atendimento educacional especializado: o ensino da Língua Brasileira de Sinais 
(LIBRAS) e do código BRAILLE, a introdução e formação do aluno na utilização de 
recursos de tecnologia assistiva, como a comunicação alternativa e os recursos de 
acessibilidade ao computador, a orientação e mobilidade, a preparação e 
disponibilização ao aluno de material pedagógico acessível, entre outros. 
 
 O que é tecnologia assistiva e que relação ela tem com a Sala de 
Recursos Multifuncional ? 
De acordo com a definição proposta pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), 
tecnologia assistiva "é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, 
que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que 
objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de 
pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua 
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007) 
A tecnologia assistiva é um recurso ou uma estratégia utilizada para ampliar ou 
possibilitar a execução de uma atividade necessária e pretendida por uma pessoa 
com deficiência. Na perspectiva da educação inclusiva, a tecnologia assistiva é 
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voltada a favorecer a participação do aluno com deficiência nas diversas atividades 
do cotidiano escolar, vinculadas aos objetivos educacionais comuns. São exemplos 
de tecnologia assistiva na escola os materiais escolares e pedagógicos acessíveis, a 
comunicação alternativa, os recursos de acessibilidade ao computador, os recursos 
para mobilidade, localização, a sinalização, o mobiliário que atenda às necessidades 
posturais, entre outros. 
 
 Como se organiza o serviço de tecnologia assistiva na perspectiva da 
educação inclusiva? 
No atendimento educacional especializado, o professor fará, junto com o aluno, a 
identificação das barreiras que ele enfrenta no contexto educacional comum e que o 
impedem ou o limitam de participar dos desafios de aprendizagem na escola. 
Identificando esses "problemas" e também identificando as "habilidades do aluno", o 
professor pesquisará e implementará recursos ou estratégias que o auxiliarão, 
promovendo ou ampliando suas possibilidades de participação e atuação nas 
atividades, nas relações, na comunicação e nos espaços da escola. 
A sala de recursos multifuncional será o local apropriado para o aluno aprender a 
utilização das ferramentas de tecnologia assistiva, tendo em vista o desenvolvimento 
da autonomia. Não poderemos manter o recurso de tecnologia assistiva 
exclusivamente na sala multifuncional para que somente ali o aluno possa utilizá-lo. 
A tecnologia assistiva encontra sentido quando segue com o aluno, no contexto 
escolar comum, apoiando a sua escolarização. Portanto, o trabalho na sala se 
destina a avaliar a melhor alternativa de tecnologia assistiva, produzir material para 
o aluno e encaminhar estes recursos e materiais produzidos, para que eles sirvam 
ao aluno na escola comum, junto com a família e nos demais espaços que 
frequenta. 
São focos importantes do trabalho de tecnologia assistiva na perspectiva da 
educação inclusiva: 
• a tecnologia assistiva numa proposição de educação para autonomia, 
• a tecnologia assistiva como conhecimento aplicado para resolução de 
problemas funcionais enfrentados pelos alunos, e 
• a tecnologia assistiva promovendo a ruptura de barreiras que impedem ou 
limitam a participação destes alunos nos desafios educacionais. 
 
A tecnologia assistiva é uma área de atuação da educação ou é 
exclusiva da área clínica? 
O tema da tecnologia assistiva nasceu associado à ideia de reabilitação e era 
inicialmente vinculado à prática de profissionais da saúde. A mudança de 
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entendimento sobre o que é a deficiência e especialmente o novo modelo 
biopsicossocial e ecológico de compreendê-la como o resultado da interação do 
indivíduo, que possui uma alteração de estrutura e funcionamento do corpo, com as 
barreiras que estão impostas no meio em que vive; mostram-nos que os 
impedimentos de participação em atividades e a exclusão das pessoas com 
deficiência são hoje um problema de ordem social e tecnológica e não somente um 
problema médico ou de saúde. 
As grandes e mais importantes barreiras estão, muitas vezes, na falta de 
conhecimentos, de recursos tecnológicos, na não aplicação da legislação vigente, na 
forma como a sociedade está organizada de forma a ignorar as diferentes demandas 
de sua população. 
Nesse sentido, o conceito e a prática da tecnologia assistiva também evolui saindo 
da concepção de recursos médicos ou clínicos para um bem de consumo de um 
usuário que busca um apoio tecnológico para resolução de um problema de ordem 
pessoal e funcional. Nessa perspectiva, o usuário deixa de ser um paciente e 
assume o papel de quem busca no âmbito da tecnologia assistiva a informação 
sobre o que é mais apropriado para suprir a sua deficiência e os recursos 
disponíveis para o seu caso específico. A tecnologia assistiva envolve hoje várias 
áreas do conhecimento tais como a saúde, a reabilitação, a educação, o design, a 
arquitetura, a engenharia, a informática, entre outras. 
A tecnologia assistiva é, acima de tudo, um recurso de seu usuário e a equipe 
coloca seu conhecimento à disposição para que ele encontre o recurso ou a 
estratégia que atenda a sua demanda de atuar e participar de tarefas e atividades de 
seu interesse. 
Na prática, em se tratando de crianças com deficiência, o lugar por excelência da 
atuação da tecnologia assistiva é a sala de recursos multifuncional, onde se oferece 
um serviço que identifica, elabora e disponibiliza recursos que ampliam a 
participação do aluno com deficiência nos desafios educacionais propostos pela 
escola comum. 
 
 
 
 
 Para saber mais (links para arquivos em formato PDF - requerem 
leitor tipo Adobe Reader): 
Textos sobre o Atendimento Educacional Especializado. 
Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 
Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br 
 
• Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva 
• Atendimento Educacional Especializado e Laboratórios de Aprendizagem: O 
Que São e a Quem se Destinam (80kB) 
 
Livros sobre o Atendimento Educacional Especializado. 
• A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. O Atendimento 
Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Intelectual 
• A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Os alunos com 
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