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OS IMPACTOS DA PANDEMIA SOBRE O ACOMPANHAMENTO DA GESTANTE NA UBS BERGUER¹
Humberto Assis de Almeida Paachen, humbertoassis@hotmail.com²
Juelkson Vieira Sales, juelkson_sales@hotmail.com²
Julia Szatkoski Machado, julia.szatkoski@hotmail.com² 
Sharrine Ráu Dabbous, shadabbous@hotmail.com²
Dayane Carla Borille, dayanecarla@uniarp.edu.br³
Andreia Valeria de Souza Miranda, andreia.valeria@uniarp.edu.br³
Resumo – Atualmente, é reconhecida a importância de se ter um acompanhamento desde a descoberta da gravidez, com o propósito de aderir condutas adequadas e benéficas, reduzindo assim riscos que possam comprometer o bem estar da mãe e do feto. Entretanto, com o surgimento do Coronavírus diversas medidas foram adotadas com a intenção de controle e prevenção da disseminação deste vírus. Consequentemente, a população das gestantes também foi afetada. Objetivos: verificar o impacto da Covid-19 na diminuição das consultas de pré-natal na UBS do Berger. Método: pesquisa de campo, quantitativo, com coleta de dados nos Sistemas de Informação do Município de março de 2019 a 2020 em relação ao número de consultas de pré-natal das gestantes. Os dados foram analisados mediante estatísticas descritiva simples. Resultados: 541 consultas gestacionais no período pré-pandêmico, e o total de consultas gestacionais foram de 291 no período pandêmico. Conclusões: demonstrou-se um decréscimo de mais de 46% no total de atendimento.
Palavras-chave: Gestante. Maternidade. Pré natal. Coronavírus. 
INTRODUÇÃO
A gestação é um momento de transformações únicas, onde ocorrem muitas alterações tanto fisiológicas, psicológicas, familiares e sociais para a mãe (PICCININI et al.,2012), que acaba experimentando várias sensações e sentimentos como alegria, satisfação e prazer, mas também angústias, medo e ansiedade (ARAÚJO, T; ARAÚJO, S; SANTANA, 2015).
Portanto, é salientada a importância dessas alterações serem acompanhadas desde o início da gravidez por profissionais capacitados de identificar esses fatores, permitindo assim a adesão de condutas adequadas e propícias, reduzindo riscos que possam comprometer o bem estar materno e fetal, resultando na chegada de um recém nascido mais saudável e sem complicações maternas (BENIGNA; NASCIMENTO; MARTINS, 2004).
Diante disso, o acompanhamento pré-natal demonstra significativa relevância, pois possibilita uma assistência de qualidade às essas mulheres gestantes o mais precocemente possível, prevenindo possíveis complicações, promovendo melhor qualidade de vida e acolhendo a mãe desde o inicio da gestação (OLIVEIRA; BARBOSA; MELO, 2016).
Os principais objetivos do pré-natal é preparar a mulher para a maternidade fornecendo acesso a informações educativas sobre o parto e o cuidado da criança, prover orientações importantes sobre hábitos de vida, de higiene e amamentação, bem como de alimentação (estado nutricional) e orientar sobre o uso de medicações que possam comprometer o parto ou a saúde da criança. Tal como detectar doenças já presentes no organismo da mãe, detectar problemas fetais, avaliar aspectos relacionados com a placenta e identificar precocemente a pré-eclampsia (BRASIL, 2005).
A assistência a mulher gravida (pré-natal) deve ter início já no primeiro trimestre da gestação, as consultas são agendadas e devem ser realizadas, de acordo com o Ministério da Saúde, no mínimo uma consulta no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro (DIAS, 2014). Essa assistência deve ser bem estruturada, sendo capaz de captar a gestante na comunidade em que se encontra, e principalmente de motivá-la a manter seu acompanhamento regular e constate, para que alcance bons resultados (ARAÚJO et al.,2010).
Com o surgimento do Coronavírus (COVID-19), uma infecção respiratória causada por uma cepa denominada SARS-COV, a sua rápida disseminação no mundo todo resultou em uma declaração de pandemia no mês de março de 2020 pela Organização Mundial de Saúde (SILVA et al.,2021).
Como consequência dessa disseminação no Brasil, diversas medidas foram adotadas pelas autoridades (governo federal, estadual e municipal) com a intenção de controle e prevenção do Coronavírus. Dentre as medidas tomadas podemos citar o distanciamento e isolamento social (BEZERRA et al., 2020).
Percebe-se que essas novas circunstâncias geraram desarmonia no mundo em que vivemos, com novos desafios e levando á necessidade de ajustar as rotinas diárias, refletindo em um estado de saúde mental alterado, elevando a preocupação da população (ALVES, 2020).
Por conseguinte, a população das gestantes também foi afetada, demonstrando obstáculos e dificuldades, além de alterações hormonais, e também da necessidade de lidar com a sobrecarga de noticias e informações alarmantes sobre os casos de COVID-19. Entende-se que todos esses fatores podem contribuir para o aumento de sintomas depressivos e ansiedade nas gestantes, receio em procurar os serviços de saúde devido ao medo e incertezas, ocasionando assim no abandono aos tratamentos e acompanhamentos (SILVA, 2021).
Se torna importante ainda frisar, que em 2011 foi criada a estratégia Rede Cegonha pelo governo federal com o objetivo de reduzir a mortalidade materna e infantil e garantir os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. A Rede Cegonha implantado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aborda o panejamento familiar, desde a confirmação da gravidez, pré-natal, parto e puerpério (28 dias após o parto), e o desenvolvimento da criança até os dois primeiros anos de vida. Essa estratégia tem a finalidade de estruturar e organizar a atenção à saúde materno-infantil. O programa observa dados epidemiológicos, taxa de mortalidade infantil e mortalidade materna e densidade populacional (BRASIL, 2021)
Diante desse contexto, com o surgimento da pandemia da COVID-19 houve uma ruptura do acompanhamento das gestantes, portanto o presente projeto foi desenvolvido com objetivo da analisar essa discrepância, avaliando os impactos da pandemia na redução do número de consultas pré-natal, comparando dados referentes ao momento de pré pandemia e pandemia. 
METODOLOGIA
O presente projeto de pesquisa busca realizar um estudo transversal quantitativo, com coleta de dados e estatística para verificar as dificuldades apresentadas pelas gestantes no período do COVID-19, especificamente no ano de 2020, e a comparação com o período pré-pandemia, ano de 2019. Os dados serão coletados dos relatórios do IDS-sistema informatizado utilizado pela secretaria municipal de saúde.
 O recorte territorial será na UBS do Berguer do município de Caçador-Sc. Para realizar a busca sobre o tema “Os impactos da pandemia sobre o acompanhamento da gestante na UBS Berguer” utilizamos as bases de dado Scielo, PubMeds, BVS e Google Acadêmico, utilizando como descritores da ciência em saúde (DeCS): “Gestante”; “Fatores de risco AND Covid-19”; “gestante AND pandemia”. Os dados serão analisados mediante estatísticas simples e descritivas.
Serão mantidos os criterios éticos e o debido sigilo nos dados apresentados.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
 	
A realização do pré-natal representa papel fundamental na prevenção e detecção precoce de patologias tanto maternas como fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante. Informações sobre as diferentes vivências devem ser trocadas entre as mulheres e os profissionais de saúde. Essa possibilidade de intercâmbio de experiências e conhecimentos é considerada a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação.
Segundo o Ministério da Saúde (2005), as vantagens do pré-natal:
“– Permitir identificar doenças que já estavam presentes no organismo, porém, evoluindo de forma silenciosa, como a hipertensão arterial, diabetes, doenças do coração, anemias, sífilis, etc. Seu diagnóstico permite medidas de tratamento que evitam maior prejuízo à mulher, não só durante a gestação, mas por toda sua vida;
– detectar problemas fetais, como más formações. Algumas delas, em fases iniciais, permitem o tratamento intrauterino que proporciona ao recém-nascido uma vidanormal;
– avaliar aspectos relativos à placenta, possibilitando tratamento adequado. Sua localização inadequada pode provocar graves hemorragias com sérios riscos maternos;
– identificar precocemente a pré-eclâmpsia, que se caracteriza por elevação da pressão arterial, comprometimento da função renal e cerebral, ocasionando convulsões e coma. Esta patologia constitui uma das principais causas de mortalidade no Brasil.”
Outrossim, melhora a desnutrição e anemia maternal, infecções gastrintestinais e respiratórias, malária, doenças sexualmente transmissíveis, tabagismo, alcoolismo e uso de outras drogas durante a gestação são alguns dos muitos fatores determinantes de crescimento intrauterino retardado (má nutrição fetal), um grande problema de saúde.
Atualmente o Ministério da Saúde preconiza que sejam realizadas no mínimo 6 consultas. Porém, no período compreendido de 01/03/2019 a 29/02/2020, a UBS do Berger teve 541 consultas gestacionais, e no período pandêmico da COVID-19, que compreendeu o período de 01/03/2020 a 28/02/2021, o total de consultas gestacionais foram de 291, ou seja, houve um decréscimo de mais de 46% no total de atendimento. Ademais, no período pandêmico, ocorreu 42 partos, já no período de 01/03/2020 a 28/02/2021, foram 10 partos. Atualmente na UBS do Berger há 32 gestantes cadastradas.
Para evitar ou minimizar complicações durante o parto, é necessário cuidar da gestante com antecedência, por isso a importância do pré-natal adequado desde o início da gravidez, que pode corrigir anemia, tratar doenças parasitárias, infecções do trato urinário e outras doenças. Que contribuirá para o desenvolvimento de uma gravidez mais tranquila.
O Ministério da Saúde, através da Rede Cegonha, tem como objetivo garantir o Direito do planejamento reprodutivo e a assistência humanizada durante a gestação, para proporcionar qualidade da assistência pré-natal, pois toda mulher tem direito a realizar o planejamento reprodutivo e a assistência humanizada durante a gestação. Um pré-natal bem estruturado pode promover a redução de partos prematuros e cesáreas desnecessárias, bebês com baixo peso ao nascer, complicações de hipertensão durante a gravidez e a transmissão vertical de doenças como HIV, sífilis e hepatites, dentre outras.
Frequentemente percebe-se muita preocupação com o parto e com o pré-natal não, havendo ainda relatos na UBS de gestantes que não passaram por nenhuma consulta de pré-natal, sendo que este quando realizado de forma correta, impacta positivamente a mãe, o nascimento e desenvolvimento da criança.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O pré-natal enquadra-se como um direito fundamental para as mulheres, o qual permite um desenvolvimento adequado do bebê e promoção de uma melhor qualidade de vida materna. Considerando que as principais complicações ocorridas durante a gestação, parto e puerpério, poderiam ser evitadas com a realização de um pré-natal eficaz, identificando precocemente doenças que podem comprometer a saúde materna e fetal.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS), podem garantir a manutenção do pré-natal e a estratificação do risco obstétrico, sendo o plano de parto um dos instrumentos muito importantes e que deve ser construído com todas as gestantes. 
Com a pandemia da COVID-19, percebeu-se que os dados apresentados no período anterior a pandemia e posterior na UBS do Berger, houve um decrescimento de 46% do número de consultas. Sugerindo assim, uma maior necessidade de acompanhamento dessas gestantes, bem como um novo estudo com ampliação do aspecto temporal para avaliar com maior precisão as dificuldades apresentadas pelas gestantes.
Destarte, o cenário atual pandêmico, necessitou uma reinvenção da atuação e perspectiva de que a gravidez e o parto, na imensa maioria das vezes, são eventos fisiológicos, com repercussão futuras para a toda a sociedade. A humanização e as boas práticas da assistência familiar perpassa pela atuação estatal nos cuidados da família, o que inclui o pré-natal.
INSTITUIÇÕES FINANCIADORAS E APOIADORAS / AGRADECIMENTOS
Agradecimento a nossa preceptora da UBS que sempre nos acompanhou, acolheu e ensinou, e às professoras que nos auxiliaram e guiaram durante o desenvolvimento do trabalho. 
REFERÊNCIAS
ALVES, C.F.B. Vinculação pré-natal e vivência psicológica da gravidez - implicações da pandemia COVID-10. Porto, 2020.
ARAUJO, S.M. et al. A importância do pré-natal e a assistência de enfermagem. Rev. Eletrônica de Ciências, Pernambuco, v. 3, n.2, julho a dezembro, 2010.
BENINGA, M.J.C.; NASCIMENTO, W.G.; MARTINS, J.L. Pré-natal no programa saúde da família (PSF): com a palavra, os enfermeiros. Paraíba, 2004.
BEZERRA, A.C.V. et al. Fatores associados ao comportamento da população durante o isolamento social na pandemia de COVID-19. Rio de Janeiro, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Importância do pré-natal. Brasília, 2005. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/importancia-do-pre-natal/. Acesso em 31 de agosto 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Rede cegonha. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/rede-cegonha. Acesso em 26 de outubro de 2021.
DIAS, R.A. A importância do pré-natal na atenção básica. Minas Gerais, 2014.
GONÇALVES, R. et al. Avaliação da efetividade da assistência pré-natal de uma Unidade de Saúde da Família em um município da Grande São Paulo. São Paulo, 2008.
OLIVEIRA, E.C.; BARBOSA, S.M.; MELO, S.E.P. A importância do acompanhamento pré-natal realizado por enfermeiros. Rev Científica FacMais, Goiás, v. 3, n. 3, agosto, 2016.
PICCININI, C.A. et al. Percepções e sentimentos de gestantes sobre o pré-natal. Psicologia: Teoria e pesquisa, Rio Grande do Sul, vol 28, n 1, pp 27-33, janeiro a março, 2008.
SILVA, A.L.M. et al. Os impactos do pré-natal e na saúde mental de gestantes durante a pandemia de COVID-19: uma revisão narrativa. Rev. Eletrônica Acervo Científico, [s.i], v. 32, pp 1-7, agosto, 2021.
SILVA, B.C. Qualidade de vida em relação didática na gravidez - um estudo exploratório durante a pandemia de COVID-19. Porto, 2020. 
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 O presente trabalho, refere-se à atividade de Projeto Integrador da 3ª fase do curso de Medicina.
²Acadêmico(s) do curso de Medicina da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe.
³Professor(a), do curso de Medicina da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe.
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