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APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
1 – Compreender a epidemiologia, etiologia, mecanismos de transmissão, fatores de risco, manifestações 
clínicas, complicações, diagnóstico, tratamento e prevenção das IST´s que causam vaginose. 
Vaginoses: 
• Tricomonas 
• Cândida 
• Gardnerella 
Corrimento uretral: 
• Gonorreia 
• Clamídia 
• Mycoplasma 
 
• Definição: Refere-se a um desequilíbrio na flora vaginal, com predominância de bactérias 
anaeróbias sobre os lactobacilos (bactérias protetoras que produzem ácido lático). A vaginose 
bacteriana é o tipo mais comum, geralmente causada pelo crescimento excessivo de bactérias 
como a Gardnerella vaginalis. 
• Características: A vaginose bacteriana é frequentemente associada a corrimento vaginal anormal, 
que geralmente é acinzentado ou branco, com odor fétido (cheiro de peixe). O corrimento é um 
sintoma de vaginose, mas não é sinônimo da condição. 
• Causa e Fatores de Risco: A vaginose não é uma IST, mas pode ser desencadeada por fatores 
que alteram o pH vaginal, como duchas vaginais frequentes, uso de antibióticos, ou atividade 
sexual com múltiplos parceiros. 
 
O Trichomonas vaginalis é o protozoário responsável pela tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível 
(IST) que causa principalmente vulvovaginite em mulheres e, ocasionalmente, uretrite em homens. Este protozoário 
pertence à classe dos flagelados, apresentando forma oval ou piriforme e possuindo flagelos que facilitam sua 
mobilidade no trato geniturinário. 
1. Prevalência Global: A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, globalmente, existam cerca de 156 
milhões de novos casos de tricomoníase por ano, sendo uma das ISTs não virais mais comuns. 
2. Distribuição por Sexo: Afeta predominantemente mulheres. A prevalência entre mulheres jovens (15-49 
anos) pode variar, mas em populações de alto risco, é estimada entre 10-50%. 
3. Prevalência por Região: 
o América Latina e Caribe: Alta prevalência, com variações entre 13-25% em algumas populações 
específicas. 
o África Subsaariana: Também apresenta taxas elevadas, chegando a 30% em algumas populações de 
mulheres. 
o Europa e América do Norte: Prevalências mais baixas em torno de 3-5%. 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
4. Fatores de Risco: Altamente prevalente em populações com alta rotatividade de parceiros sexuais, histórico 
de outras ISTs e, em mulheres, com menor nível socioeconômico e acesso limitado a cuidados de saúde. 
5. Transmissibilidade e Recorrência: Cerca de 70% dos homens infectados são assintomáticos, mas ainda 
podem transmitir o protozoário. A taxa de recorrência em mulheres que já tiveram a infecção é 
relativamente alta, especialmente se o parceiro não recebe tratamento simultâneo. 
 
O Trichomonas vaginalis é um protozoário anaeróbio facultativo que pertence ao filo Parabasalia, sendo classificado 
como um flagelado devido à presença de flagelos que facilitam sua mobilidade. A infecção por esse organismo é 
responsável pela tricomoníase, que é uma das ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) mais comuns no mundo. 
Características Biológicas e Estrutura: 
1. Flagelos e Mobilidade: T. vaginalis possui quatro flagelos anteriores livres e um quinto flagelo que forma 
uma membrana ondulante ao longo do corpo. Essa estrutura é essencial para a motilidade do protozoário, 
permitindo que ele se mova de maneira ativa no ambiente vaginal ou uretral, onde encontra condições 
favoráveis para seu crescimento. 
2. Membrana Ondulante e Citoesqueleto: A membrana ondulante formada pelo quinto flagelo é uma 
adaptação que facilita o movimento nas secreções vaginais. O citoesqueleto do parasita é altamente 
especializado, permitindo que ele se adira firmemente às células epiteliais da mucosa genital. 
3. Adaptabilidade Anaeróbica: O protozoário é um anaeróbio facultativo, ou seja, pode sobreviver em 
condições com baixos níveis de oxigênio, comuns no ambiente genital. Ele utiliza mecanismos metabólicos 
adaptados para obter energia mesmo na ausência de oxigênio, sendo capaz de sobreviver e proliferar na 
mucosa vaginal, que é relativamente ácida (pH entre 3,8 e 4,5). 
4. Multiplicação por Divisão Binária: A reprodução do T. vaginalis ocorre por divisão binária, um processo 
simples de replicação celular que permite que o parasita se multiplique rapidamente, aumentando sua carga 
infecciosa no hospedeiro e facilitando a transmissão. 
5. Aderência ao Epitélio Vaginal: Esse parasita possui proteínas específicas de adesão, como a adesina AP65, 
que facilitam sua fixação às células do epitélio vaginal e uretral. Essa aderência provoca uma resposta 
inflamatória local, resultando em sintomas como corrimento, irritação e, em alguns casos, lesões na mucosa. 
6. Produção de Enzimas Proteolíticas: Para invadir e colonizar com sucesso o trato genital, o T. vaginalis secreta 
enzimas como proteases e cisteíno-proteinases que degradam a matriz extracelular do hospedeiro, 
facilitando sua invasão e promovendo a inflamação local. 
Mecanismos de Transmissão de Trichomonas vaginalis 
A tricomoníase é uma infecção de transmissão predominantemente sexual, uma vez que o contato íntimo é 
necessário para que o protozoário passe de um hospedeiro para outro. A transmissão ocorre de maneira eficiente 
devido à capacidade do T. vaginalis de sobreviver nas secreções genitais e de aderir firmemente às células epiteliais. 
Principais Vias e Fatores que Facilitam a Transmissão: 
1. Contato Sexual Direto: A transmissão se dá principalmente por relações sexuais desprotegidas, tanto 
heterossexuais quanto homossexuais. No contato vaginal desprotegido, o protozoário passa rapidamente 
entre os parceiros devido ao ambiente úmido e ao contato direto com as secreções infectadas. 
2. Infecção Assintomática em Homens: Embora as mulheres apresentem sintomas mais evidentes, homens 
frequentemente têm infecções assintomáticas, como uretrite leve ou mesmo ausência de sintomas. Isso 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
favorece a transmissão para as parceiras sexuais, pois os homens podem carregar e disseminar o protozoário 
sem saber que estão infectados. 
3. Sobrevivência em Ambientes Úmidos: Embora incomum, o T. vaginalis pode sobreviver brevemente em 
superfícies úmidas, como toalhas, roupas de banho ou assentos de banheiro, mas a transmissão por esses 
meios é considerada rara. A curta sobrevivência em superfícies fora do ambiente genital limita essa via de 
infecção. 
4. Capacidade de Aderência e Resistência na Mucosa: A habilidade do protozoário em aderir ao epitélio 
vaginal e resistir ao fluxo de secreções favorece sua persistência no hospedeiro, aumentando as chances de 
transmissão, especialmente quando há múltiplos parceiros sexuais. 
5. Alterações no pH Vaginal: Condições que modificam o pH vaginal, como infecções concomitantes ou uso de 
duchas vaginais, podem criar um ambiente ainda mais favorável para a colonização do T. vaginalis, facilitando 
sua transmissão e aumentando sua carga infecciosa. 
 
1. Atividade Sexual Desprotegida 
• Múltiplos Parceiros Sexuais: Ter relações com múltiplos parceiros aumenta o risco de exposição ao T. 
vaginalis, uma vez que cada novo parceiro traz uma possibilidade de contato com o protozoário. 
• Ausência de Uso de Preservativos: O preservativo é uma barreira eficaz contra a maioria das ISTs, incluindo a 
tricomoníase. Relações desprotegidas, especialmente vaginais, favorecem a transmissão do parasita. 
• Sexo em Idade Jovem: Estudos mostram que a infecção é mais comum em adultos jovens, especialmente 
entre mulheres na faixa etária de 20 a 40 anos, devido a maiores taxas de atividade sexual e menor uso de 
métodos preventivos. 
2. Histórico de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) 
• Pessoas com histórico de outras ISTs, como clamídia, gonorreia ou herpes genital, têm um risco aumentado 
para tricomoníase. Isso ocorre porque essas infecções podem fragilizar a mucosa genital, tornando-a mais 
suscetível à colonizaçãoPreventiva 
• Motivo: Os probióticos, especialmente os contendo lactobacilos, podem ajudar a manter a microbiota 
equilibrada, evitando o crescimento excessivo de bactérias anaeróbias. 
• Recomendação: Incorporar alimentos fermentados na dieta, como iogurte com probióticos, kefir e 
kombucha, pode ajudar a promover um ambiente vaginal saudável. Em alguns casos, probióticos vaginais 
podem ser recomendados por um médico. 
8. Controle do Estresse e Imunidade 
• Motivo: O estresse crônico pode comprometer o sistema imunológico e tornar o organismo mais suscetível a 
infecções ou desequilíbrios bacterianos. 
• Recomendação: Praticar atividades de relaxamento, como exercícios físicos, meditação e sono adequado, 
contribui para manter o sistema imunológico em bom funcionamento. 
 
 
• Definição: Refere-se à secreção de fluidos ou muco pela vagina. Pode ser normal (fisiológico) ou anormal 
(patológico). 
• Corrimento Normal: Em mulheres saudáveis, é comum que a vagina produza uma secreção transparente ou 
esbranquiçada, sem odor forte ou sintomas associados, que varia em quantidade ao longo do ciclo menstrual. 
• Corrimento Anormal: O corrimento é considerado anormal quando há mudanças na cor, odor, consistência ou 
volume, frequentemente acompanhado por sintomas como coceira, ardor, dor ou irritação. Esse tipo de 
corrimento pode ser causado por infecções (como ISTs), inflamações, ou desequilíbrios na flora vaginal. 
 
A gonorreia é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, também 
conhecida como gonococo. A gonorreia pode afetar várias áreas do corpo, principalmente o trato genital, mas 
também pode atingir a faringe, o reto e, em alguns casos, os olhos. Abaixo estão os detalhes sobre a etiologia e os 
mecanismos de transmissão. 
 
1. Prevalência Global e Incidência: 
o Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrem aproximadamente 82 
milhões de novos casos de gonorreia por ano em pessoas entre 15 e 49 anos. 
o Na América Latina e Caribe, a incidência de gonorreia é alta, variando entre 2-4% da população 
sexualmente ativa. Em países com acesso limitado a testes e tratamentos, as taxas podem ser ainda 
maiores. 
o Em países de alta renda, como os Estados Unidos, houve um aumento de 5% nos casos de gonorreia 
em 2021 comparado aos anos anteriores, com taxas especialmente altas em populações jovens. 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
2. Distribuição por Sexo e Idade: 
o A gonorreia afeta ambos os sexos, mas a prevalência é particularmente elevada em mulheres jovens 
(15-24 anos) e em homens que fazem sexo com homens (HSH). 
o Nos homens, a gonorreia é mais frequentemente sintomática, enquanto em 50-70% das mulheres a 
infecção é assintomática, o que dificulta o diagnóstico e aumenta a chance de transmissão. 
3. Resistência Antimicrobiana: 
o A resistência da Neisseria gonorrhoeae aos antibióticos de primeira linha, como ciprofloxacino e 
ceftriaxona, tem se tornado uma ameaça significativa. Em algumas regiões, as taxas de resistência a 
ciprofloxacino chegam a 30-40%. 
o A OMS atualmente recomenda o uso de combinações de antibióticos devido à resistência 
generalizada, com tratamento de primeira linha geralmente envolvendo ceftriaxona e azitromicina. 
4. Fatores de Risco e Grupos Vulneráveis: 
o Indivíduos com múltiplos parceiros sexuais, histórico de ISTs e aqueles com práticas sexuais 
desprotegidas têm um risco significativamente maior de contrair gonorreia. 
o Em populações de baixa condição socioeconômica e com acesso limitado a cuidados de saúde, a taxa 
de gonorreia e suas complicações, como doença inflamatória pélvica (DIP) e infertilidade, são mais 
elevadas. 
5. Complicações e Impacto na Saúde: 
o A gonorreia não tratada pode levar a complicações graves, incluindo DIP nas mulheres, que aumenta 
o risco de infertilidade e gravidez ectópica. 
o Em homens, pode causar epididimite e, em ambos os sexos, artrite gonocócica disseminada em 
casos graves. 
 
1. Características da Neisseria gonorrhoeae 
o Estrutura: N. gonorrhoeae é um diplococo gram-negativo, o que significa que a bactéria tem formato 
arredondado e aparece em pares. Ela possui uma parede celular complexa, característica de 
bactérias gram-negativas. 
o Fatores de Virulência: 
▪ Pili e Fímbrias: A bactéria possui estruturas chamadas pili e fímbrias, que lhe permitem 
aderir às células epiteliais do trato geniturinário, garganta e reto, promovendo sua 
colonização. 
▪ Proteínas de Membrana: N. gonorrhoeae utiliza proteínas especiais para invadir as células 
do hospedeiro e evitar ser eliminada pelo sistema imunológico. 
▪ Produção de Enzimas: A bactéria secreta enzimas que inativam as imunoglobulinas (IgA), o 
que permite sua sobrevivência na mucosa e impede a resposta imune adequada. 
▪ Variabilidade Antigênica: N. gonorrhoeae é capaz de alterar suas proteínas de superfície, 
dificultando o reconhecimento pelo sistema imunológico e permitindo infecções repetidas. 
2. Ciclo de Vida no Hospedeiro 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
o N. gonorrhoeae adere à superfície das células epiteliais do trato geniturinário e, em seguida, invade 
essas células, multiplicando-se internamente. A invasão e multiplicação intracelular causam uma 
resposta inflamatória local intensa, resultando nos sintomas da gonorreia, como secreção purulenta 
e dor. 
o A resposta inflamatória do hospedeiro, desencadeada pela invasão e colonização da bactéria, é a 
principal responsável pelos sintomas agudos da infecção. 
 
Mecanismos de Transmissão da Gonorreia 
A transmissão da gonorreia ocorre quase exclusivamente por contato sexual. Abaixo estão os principais mecanismos 
de transmissão: 
1. Contato Sexual Vaginal, Oral ou Anal 
o Descrição: A gonorreia é transmitida principalmente através do contato direto com as secreções 
infectadas durante o sexo vaginal, anal ou oral. A bactéria precisa de contato direto com as mucosas 
para se estabelecer, pois não sobrevive bem fora do corpo. 
o Motivo: Durante a relação sexual, a N. gonorrhoeae nas secreções genitais do parceiro infectado 
entra em contato com as mucosas do parceiro não infectado, aderindo às células epiteliais e 
começando a colonização. 
o Risco de Transmissão: A taxa de transmissão é alta, com até 50% de chance de uma pessoa contrair a 
infecção em uma única exposição sexual com um parceiro infectado. 
2. Transmissão Vertical (da Mãe para o Bebê) 
o Descrição: A gonorreia pode ser transmitida de uma mãe infectada para o recém-nascido durante o 
parto vaginal. 
o Motivo: Quando o bebê passa pelo canal de parto infectado, a bactéria entra em contato com as 
mucosas oculares, resultando em uma infecção ocular chamada oftalmia neonatal. 
o Risco e Complicações: Se não tratada, a gonorreia ocular em recém-nascidos pode levar à cegueira. É 
por isso que o uso de colírios profiláticos antibióticos é recomendado para todos os recém-nascidos, 
independentemente do histórico materno. 
3. Transmissão por Práticas Sexuais Não Penetrativas (Mais Rara) 
o Descrição: Embora raro, o contato das mucosas com secreções contaminadas sem penetração 
também pode, em alguns casos, transmitir a gonorreia. 
o Motivo: Se as secreções infectadas entrarem em contato direto com as mucosas genitais, anais ou 
orais, a transmissão pode ocorrer. No entanto, esta forma de transmissão é menos comum em 
comparação ao contato sexual direto. 
4. Não Transmissível por Fômites 
o Descrição: A N. gonorrhoeae é extremamente sensível ao ambiente externo e não sobrevive fora do 
corpo humano por longos períodos, o que faz com que a transmissão por superfícies (fômites) seja 
improvável. 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
o Motivo: A bactéria depende de um ambiente quente e úmido para sobreviver, e rapidamente morre 
fora do corpo, tornando a transmissão por toalhas, assentos de banheiro e outros objetos altamente 
improvável. 
 
1. Atividade Sexual Desprotegida 
•Motivo: A ausência de preservativo durante as relações sexuais (vaginais, anais ou orais) aumenta 
significativamente o risco de transmissão da bactéria, pois o preservativo é uma das barreiras mais eficazes 
contra as infecções sexualmente transmissíveis. 
• Impacto: Indivíduos que não utilizam preservativos de forma consistente têm maior probabilidade de 
contrair gonorreia, especialmente se tiverem múltiplos parceiros. 
2. Múltiplos Parceiros Sexuais 
• Motivo: Ter múltiplos parceiros aumenta o número de exposições e, consequentemente, o risco de entrar 
em contato com uma pessoa infectada. 
• Impacto: A gonorreia é altamente transmissível, e o aumento do número de parceiros sexuais eleva a 
probabilidade de contrair a infecção, especialmente em contextos de relações desprotegidas. 
3. Histórico de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) 
• Motivo: Ter histórico de ISTs indica práticas de risco ou um comportamento que pode favorecer a reinfecção 
por gonorreia e outras infecções. 
• Impacto: Pessoas com ISTs prévias, como clamídia ou sífilis, têm maior risco de contrair gonorreia e de 
desenvolver complicações caso não haja prevenção e tratamento adequados. 
4. Idade Jovem (Especialmente 15-24 anos) 
• Motivo: Pessoas entre 15 e 24 anos têm taxas mais altas de gonorreia, muitas vezes devido a práticas sexuais 
de maior risco e menos conhecimento sobre métodos preventivos. 
• Impacto: Essa faixa etária está mais suscetível a ISTs, incluindo gonorreia, devido a fatores comportamentais 
e biológicos, como menor probabilidade de usar preservativos consistentemente. 
5. Práticas Sexuais de Risco (Sexo Anal e Oral Desprotegido) 
• Motivo: Práticas como sexo anal e sexo oral, especialmente sem proteção, aumentam o risco de exposição 
direta à N. gonorrhoeae, que pode infectar não apenas o trato genital, mas também a garganta e o reto. 
• Impacto: Sexo oral desprotegido pode levar à gonorreia faríngea, que é mais difícil de diagnosticar e tratar 
devido aos sintomas leves ou ausência de sintomas, mas pode ser transmissível para outros parceiros. 
6. Uso de Substâncias (Álcool e Drogas Recreativas) 
• Motivo: O uso de álcool e drogas recreativas pode levar à redução da inibição e ao comprometimento do 
julgamento, o que pode resultar em relações sexuais desprotegidas e escolhas de alto risco. 
• Impacto: O comportamento impulsivo ou menos cuidadoso sob a influência de substâncias aumenta as 
chances de se expor ao Neisseria gonorrhoeae. 
7. Parceiro Sexual com Gonorreia ou outra IST 
• Motivo: Ter um parceiro sexual com diagnóstico de gonorreia ou outra IST aumenta o risco de transmissão 
direta da bactéria durante o contato sexual. 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
• Impacto: Em casos de parceiro diagnosticado, é altamente recomendado que ambos façam o tratamento 
para evitar reinfecção e novas transmissões. 
8. Histórico de Recusa ou Falta de Acesso a Testes de ISTs 
• Motivo: A falta de testes regulares dificulta a detecção precoce e o tratamento da gonorreia, permitindo que 
a infecção se propague e que a pessoa infectada, muitas vezes assintomática, transmita o agente para outras 
pessoas. 
• Impacto: O rastreamento regular de ISTs é uma estratégia importante de prevenção, especialmente para 
pessoas com fatores de risco. 
9. Imunossupressão 
• Motivo: Pessoas com sistema imunológico comprometido, como indivíduos com HIV ou em uso de 
imunossupressores, têm maior dificuldade de combater infecções. 
• Impacto: O sistema imunológico debilitado facilita a instalação e progressão da infecção por Neisseria 
gonorrhoeae, aumentando o risco de complicações mais graves. 
 
Manifestações Clínicas da Gonorreia 
Em Homens 
1. Uretrite Gonocócica 
o Descrição: Inflamação da uretra, que é o sintoma mais comum em homens. 
o Sintomas: Dor ao urinar (disúria), secreção purulenta (esbranquiçada ou amarelada) pela uretra e 
vermelhidão no meato urinário. 
o Mecanismo: A bactéria Neisseria gonorrhoeae se adere ao epitélio da uretra, causando uma resposta 
inflamatória que resulta em secreção purulenta e irritação local. 
 
2. Epididimite 
o Descrição: Inflamação do epidídimo, que pode ocorrer se a infecção não for tratada. 
o Sintomas: Dor e inchaço testicular, frequentemente em apenas um lado. 
o Mecanismo: A infecção da uretra pode se estender para o epidídimo, causando inflamação e dor 
local intensa. Em casos graves, a epididimite pode levar à infertilidade. 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
Em Mulheres 
1. Cervicite Gonocócica 
o Descrição: Inflamação do colo do útero, que é a manifestação mais comum em mulheres. 
o Sintomas: Corrimento vaginal purulento, dor ao urinar, sangramento vaginal fora do ciclo menstrual 
e dor durante a relação sexual (dispareunia). 
o Mecanismo: A bactéria infecta o epitélio cervical, causando inflamação e aumentando a secreção de 
muco e pus. 
 
2. Uretrite e Bartholinite 
o Descrição: Inflamação da uretra e das glândulas de Bartholin. 
o Sintomas: Dor ao urinar, sensação de queimação e dor local; a bartholinite causa dor e inchaço nas 
glândulas localizadas nos lábios vaginais. 
o Mecanismo: A infecção pode atingir a uretra e as glândulas de Bartholin, levando a um processo 
inflamatório que resulta em dor e desconforto. 
3. Doença Inflamatória Pélvica (DIP) 
o Descrição: Uma complicação da gonorreia não tratada, em que a infecção se espalha para o útero, 
trompas de falópio e ovários. 
o Sintomas: Dor pélvica intensa, febre, corrimento vaginal anormal e dor durante a relação sexual. 
o Mecanismo: A bactéria ascende do colo do útero para o trato genital superior, causando uma 
inflamação mais profunda que pode levar a cicatrizes nas trompas de falópio, aumentando o risco de 
infertilidade e gravidez ectópica. 
Em Ambos os Sexos 
1. Faringite Gonocócica 
o Descrição: Infecção da faringe, geralmente após sexo oral com um parceiro infectado. 
o Sintomas: Dor de garganta, vermelhidão e, às vezes, presença de pus na faringe. Muitas vezes, a 
faringite gonocócica é assintomática. 
o Mecanismo: A bactéria adere ao epitélio da garganta, causando inflamação, embora nem sempre 
apresente sintomas claros. 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
2. Proctite Gonocócica 
o Descrição: Infecção do reto, comum em pessoas que praticam sexo anal. 
o Sintomas: Dor anal, secreção purulenta retal e prurido (coceira) na área anal. Alguns pacientes são 
assintomáticos. 
o Mecanismo: A infecção por N. gonorrhoeae causa inflamação no epitélio retal, resultando em 
sintomas locais de desconforto e secreção. 
3. Conjuntivite Gonocócica (Oftalmia Neonatal) 
o Descrição: Infecção ocular em recém-nascidos, adquirida durante o parto ao passar pelo canal de 
parto infectado. 
o Sintomas: Secreção purulenta intensa, inchaço das pálpebras e, em casos graves, risco de cegueira. 
o Mecanismo: A bactéria infecta as mucosas oculares, levando a uma inflamação intensa e a risco de 
lesões permanentes na visão. Profilaxia com colírio antibiótico é realizada em todos os recém-
nascidos para prevenir essa condição. 
 
Complicações da Gonorreia 
1. Doença Inflamatória Pélvica (DIP) 
• Descrição: Complicação em mulheres onde a infecção atinge o trato genital superior, causando inflamação 
no útero, trompas e ovários. 
• Mecanismo: A infecção ascendente gera uma resposta inflamatória significativa, resultando em cicatrização e 
aderências nas trompas de falópio, que podem levar à infertilidade e risco aumentado de gravidez ectópica. 
2. Infertilidade 
• Descrição: Tanto homens quanto mulheres podem ter infertilidade como complicação da gonorreia não 
tratada. 
• Mecanismo: Em homens, a epididimite não tratada pode causar cicatrizes e obstruções nos dutos 
espermáticos. Em mulheres, a DIP pode causar obstruções nas trompas de falópio, dificultando a concepção. 
3. Gravidez Ectópica 
• Descrição: A infecção crônica pode levar a uma gravidez que ocorre fora do útero, geralmente nas trompas 
de falópio. 
• Mecanismo:A cicatrização das trompas devido à DIP aumenta o risco de uma gravidez ectópica, que é uma 
emergência médica devido ao risco de ruptura e hemorragia. 
4. Artrite Gonocócica (Disseminação Sistêmica) 
• Descrição: Em alguns casos, a gonorreia pode se espalhar pela corrente sanguínea, causando artrite séptica e 
lesões na pele. 
• Mecanismo: A bactéria pode invadir a corrente sanguínea e atingir articulações, pele e outros órgãos, 
causando uma inflamação que leva a dores articulares, febre e lesões cutâneas. 
5. Infecção Disseminda por Gonococo (IDG) 
• Descrição: Infecção disseminada que afeta múltiplos sistemas no corpo, ocorrendo quando a bactéria entra 
na circulação sanguínea. 
APG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
• Sintomas: Febre, lesões cutâneas, artrite, e, em casos graves, endocardite e meningite. 
• Mecanismo: A disseminação do gonococo pela corrente sanguínea provoca uma inflamação generalizada e 
pode atingir órgãos vitais, o que requer tratamento hospitalar intensivo. 
 
1. Avaliação Clínica Inicial 
• Descrição: A história clínica e os sintomas podem sugerir gonorreia, especialmente em pacientes com fatores 
de risco para ISTs e sintomas típicos, como corrimento purulento e dor ao urinar. 
• Limitações: Os sintomas da gonorreia podem se assemelhar a outras infecções, como clamídia e uretrite não 
gonocócica. Por isso, é essencial confirmar o diagnóstico com exames laboratoriais. 
2. Diagnóstico Laboratorial 
2.1 Exame Padrão-Ouro: Cultura Bacteriana 
• Descrição: A cultura de Neisseria gonorrhoeae em meio específico, como o meio Thayer-Martin, é 
considerada o padrão-ouro para o diagnóstico. 
• Procedimento: Amostras de secreção são coletadas de áreas potencialmente infectadas (uretra, cérvix, 
garganta ou reto) e incubadas em um meio seletivo que favorece o crescimento de N. gonorrhoeae. 
• Interpretação: 
o Positivo: Confirma a presença de N. gonorrhoeae e possibilita o teste de sensibilidade a antibióticos, 
útil em casos de resistência. 
o Negativo: Exclui a infecção por gonococo, mas o resultado pode ser afetado se o paciente usou 
antibióticos antes do teste. 
2.2 Teste de Amplificação de Ácidos Nucleicos (NAAT) 
• Descrição: NAAT é um teste molecular altamente sensível que detecta o material genético de N. 
gonorrhoeae. Pode ser realizado em amostras de urina ou de secreções da área afetada. 
• Procedimento: Amostras de urina ou swabs de uretra, cérvix, garganta ou reto são analisados para 
amplificação do DNA bacteriano. 
• Interpretação: 
o Positivo: Confirma infecção por gonorreia, com alta sensibilidade e especificidade, sendo o NAAT 
também eficaz para detectar co-infecções, como clamídia. 
o Negativo: A ausência de DNA de N. gonorrhoeae sugere que o paciente não está infectado, mas 
falsos negativos são raros. 
2.3 Coloração de Gram 
• Descrição: A coloração de Gram pode ser usada em amostras de secreção uretral para homens, onde o 
exame mostra diplococos gram-negativos intracelulares (sinal característico de gonorreia). 
• Procedimento: A secreção é coletada e corada pelo método de Gram. A visualização de diplococos gram-
negativos no interior dos neutrófilos indica gonorreia. 
• Interpretação: 
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o Positivo: Visualização dos diplococos gram-negativos intracelulares confirma gonorreia, 
especialmente em homens sintomáticos. 
o Negativo: Em mulheres e casos assintomáticos, a coloração de Gram é menos sensível, sendo 
necessário o uso de NAAT ou cultura. 
2.4 Teste de Sensibilidade a Antibióticos 
• Descrição: Em casos de gonorreia resistente, o teste de sensibilidade é útil para orientar o tratamento com 
antibióticos apropriados. 
• Procedimento: Após o crescimento da bactéria em cultura, ela é exposta a diferentes antibióticos para 
avaliar a resposta. 
• Interpretação: 
o Sensível: A bactéria é inibida pelo antibiótico, indicando que o tratamento será eficaz. 
o Resistente: A bactéria não é inibida, indicando resistência e a necessidade de um antibiótico 
alternativo. 
1. Tratamento de Primeira Linha 
• Ceftriaxona (Injeção Intramuscular, dose única) 
o Mecanismo de Ação: A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração que inibe a síntese da 
parede celular bacteriana, ligando-se às proteínas de ligação da penicilina (PBPs) da bactéria. Isso 
resulta em uma parede celular enfraquecida, levando à morte da bactéria. 
o Indicação: É o antibiótico de primeira escolha para a gonorreia devido à sua alta eficácia e 
concentração adequada com uma dose única. 
o Via de Administração: Injeção intramuscular, garantindo adesão ao tratamento. 
• Azitromicina (oral) – Em combinação, quando há suspeita de coinfecção com clamídia 
o Mecanismo de Ação: A azitromicina é um macrolídeo que inibe a síntese proteica bacteriana ao se 
ligar à subunidade 50S do ribossomo. Isso bloqueia a tradução e leva à interrupção do crescimento 
bacteriano. 
o Indicação: Utilizada em dose única para tratar possível coinfecção com Chlamydia trachomatis, que é 
frequentemente observada em pacientes com gonorreia. 
• Observação sobre Resistência: O uso de ceftriaxona como monoterapia é altamente eficaz. Em algumas 
regiões, a terapia dupla com azitromicina era recomendada para prevenir a resistência; hoje, a monoterapia 
com ceftriaxona é preferida, salvo em casos de coinfecção. 
 
2. Alternativas para Pacientes com Alergia a Cefalosporinas 
• Gentamicina (Injeção Intramuscular) + Azitromicina (oral) 
o Mecanismo de Ação: A gentamicina é um aminoglicosídeo que inibe a síntese proteica bacteriana, 
ligando-se à subunidade 30S do ribossomo, levando à morte celular. Em combinação com 
azitromicina, oferece cobertura eficaz contra N. gonorrhoeae. 
o Indicação: Usado em pacientes com alergia grave à cefalosporina. Embora menos eficaz que a 
ceftriaxona, essa combinação oferece uma alternativa segura. 
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• Espectinomicina 
o Mecanismo de Ação: Inibe a síntese proteica bacteriana, ligando-se ao ribossomo 30S, bloqueando a 
translocação de RNA. 
o Indicação: Alternativa em regiões onde disponível. Sua eficácia é limitada para infecções 
extragenitais, especialmente para gonorreia faríngea. 
 
3. Tratamento para Gonorreia Extragenital 
• A gonorreia faríngea (infecção da garganta) responde menos aos tratamentos padrão, sendo recomendada 
uma dose mais elevada de ceftriaxona. 
• Ceftriaxona em Dose Alta continua sendo o tratamento mais eficaz para infecções extragenitais (faringe e 
reto). Em casos de infecção faríngea, é recomendável acompanhamento para verificar a resolução. 
 
4. Tratamento para Complicações 
• Doença Inflamatória Pélvica (DIP) – Em Mulheres 
o Tratamento: Para DIP, causada pela disseminação da gonorreia ao trato genital superior, recomenda-
se ceftriaxona combinada com metronidazol para cobertura de anaeróbios. 
o Mecanismo de Ação do Metronidazol: Age desestabilizando o DNA das bactérias anaeróbias, 
levando à morte celular. 
• Infecção Sistêmica (Gonococcemia) 
o Tratamento: Infecções disseminadas, como artrite gonocócica ou infecções cutâneas, requerem 
tratamento com ceftriaxona intravenosa por 7 a 14 dias, com ajuste conforme a resposta do 
paciente. 
o Indicação: A ceftriaxona IV proporciona uma concentração contínua e eficaz no organismo, 
necessária em casos de gonorreia sistêmica. 
 
5. Tratamento de Coinfecções 
• Clamídia: Como a gonorreia frequentemente ocorre junto com a clamídia, é comum tratar ambas as 
infecções. Além da ceftriaxona, adiciona-se azitromicina ou doxiciclina para cobertura contra Chlamydia 
trachomati 
 
1. Uso Consistente de Preservativos 
• Motivo: O preservativo é uma barreira eficaz contra a transmissão da gonorreia e de outras infecções 
sexualmente transmissíveis (ISTs) ao impedir o contato direto com secreções infectadas. 
• Recomendação: Utilizar preservativos (masculinos ou femininos) durante todas as relações sexuais, incluindo 
sexo vaginal, anal e oral. 
2. Limitaro Número de Parceiros Sexuais 
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• Motivo: Ter múltiplos parceiros aumenta a exposição e o risco de contrair gonorreia, especialmente em casos 
de relações sem proteção. 
• Recomendação: Reduzir o número de parceiros e adotar práticas sexuais seguras, favorecendo relações 
monogâmicas, quando possível. 
3. Realizar Testes Regulares para ISTs 
• Motivo: O diagnóstico precoce é essencial para o tratamento e a prevenção de transmissão da gonorreia. 
Muitos casos são assintomáticos, e exames regulares permitem identificar e tratar a infecção antes de se 
disseminar. 
• Recomendação: Fazer exames periódicos para ISTs, especialmente em populações de risco, como pessoas 
sexualmente ativas com múltiplos parceiros ou que praticam sexo desprotegido. 
4. Tratamento Imediato e Completo dos Parceiros Sexuais 
• Motivo: A reinfecção é comum se os parceiros sexuais não são tratados simultaneamente. N. gonorrhoeae 
pode ser transmitida novamente ao parceiro tratado, mantendo o ciclo de infecção. 
• Recomendação: Notificar todos os parceiros sexuais recentes (dos últimos 60 dias) para testagem e 
tratamento simultâneo. Em alguns países, programas de “terapia para parceiros” oferecem medicação direta 
para tratar parceiros simultaneamente. 
5. Educação e Conscientização sobre ISTs 
• Motivo: Muitas pessoas desconhecem os sintomas da gonorreia e outras ISTs ou não sabem que certas 
práticas sexuais oferecem risco de transmissão. A educação ajuda a reduzir comportamentos de risco. 
• Recomendação: Informar-se sobre os sintomas da gonorreia, as formas de prevenção e a importância do uso 
de preservativos, além de encorajar a conversa aberta sobre saúde sexual com parceiros. 
6. Evitar o Uso de Substâncias que Comprometam o Juízo (Álcool e Drogas) 
• Motivo: O uso de álcool e drogas pode reduzir a inibição e o discernimento, levando a práticas sexuais 
desprotegidas e aumentando o risco de exposição ao Neisseria gonorrhoeae. 
• Recomendação: Limitar o consumo de álcool e evitar o uso de drogas recreativas, especialmente em 
contextos onde possa haver relações sexuais. 
7. Prevenção na Gestação e no Parto 
• Motivo: A gonorreia pode ser transmitida da mãe para o bebê durante o parto, causando oftalmia neonatal, 
que pode levar à cegueira. 
• Recomendação: Realizar testes para ISTs, incluindo gonorreia, durante o pré-natal e tratar a infecção 
prontamente se identificada. Aplicar colírios profiláticos em recém-nascidos no momento do parto é uma 
prática rotineira em muitos países para prevenir infecções oculares. 
 
 
A clamídia é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. É uma das 
ISTs mais comuns no mundo e afeta principalmente o trato genital, mas também pode infectar áreas extragenitais, 
como o reto e a faringe. 
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1. Prevalência Global e Incidência: 
o A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima cerca de 129 milhões de novos casos de clamídia 
anualmente entre pessoas de 15 a 49 anos. 
o Nos Estados Unidos, a clamídia é a IST mais frequentemente notificada, com uma incidência de 621 
casos por 100.000 pessoas em 2021, afetando particularmente pessoas jovens e mulheres. 
o Em países europeus, as taxas de clamídia variam, mas estudos indicam que cerca de 5-10% das 
pessoas entre 15 e 24 anos têm infecção ativa. 
2. Distribuição por Sexo e Idade: 
o A clamídia afeta predominantemente mulheres jovens (15-24 anos), que representam mais de 70% 
dos casos notificados em alguns países. 
o Em homens, é frequentemente assintomática, mas pode causar uretrite, e em casos não tratados, 
epididimite e infertilidade. 
3. Assintomáticos e Diagnóstico: 
o Estima-se que entre 70-90% das mulheres e 50% dos homens com clamídia sejam assintomáticos, o 
que contribui para a disseminação da infecção e dificulta o diagnóstico precoce. 
o A recomendação é que mulheres sexualmente ativas abaixo de 25 anos realizem exames regulares 
para clamídia, dado o alto risco e a frequência assintomática. 
4. Complicações e Impacto na Saúde: 
o Nas mulheres, a clamídia não tratada pode levar à doença inflamatória pélvica (DIP) em cerca de 10-
15% dos casos, elevando o risco de infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. 
o A infecção materna pode ser transmitida ao bebê durante o parto, causando conjuntivite e 
pneumonia neonatal. 
5. Resistência Antimicrobiana e Tratamento: 
o Embora a resistência antimicrobiana seja rara em clamídia, as diretrizes recomendam o uso de 
azitromicina ou doxiciclina como tratamentos de primeira linha. 
o A adesão ao tratamento de parceiros sexuais é essencial para evitar reinfecções, que ocorrem em até 
20% dos casos dentro de 6 meses após o tratamento inicial. 
 
Etiologia de Chlamydia trachomatis 
1. Características da Chlamydia trachomatis 
o Estrutura: C. trachomatis é uma bactéria gram-negativa intracelular obrigatória, ou seja, ela só 
consegue se multiplicar dentro das células do hospedeiro, onde depende dos nutrientes e 
mecanismos celulares para sobreviver e se replicar. 
o Ciclo de Vida: A bactéria apresenta um ciclo de vida único com duas formas distintas: 
▪ Corpo Elementar (CE): A forma infecciosa e extracelular da bactéria, capaz de sobreviver fora 
das células e infectar novas células do hospedeiro. 
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▪ Corpo Reticulado (CR): A forma replicativa e intracelular, que se multiplica dentro das células 
infectadas, transformando-se novamente em corpos elementares para infectar outras 
células. 
o Fatores de Virulência: A capacidade de viver dentro das células do hospedeiro permite que a 
Chlamydia evite a detecção e destruição pelo sistema imunológico. Ela usa um mecanismo de evasão 
que impede a fusão do vacúolo contendo a bactéria com os lisossomos da célula, o que permitiria 
sua destruição. 
2. Inflamação e Resposta Imunológica 
o A infecção por Chlamydia trachomatis desencadeia uma resposta inflamatória local que pode levar a 
sintomas clínicos ou, em infecções crônicas, a lesões permanentes, como cicatrizes no trato genital. 
o A inflamação crônica, especialmente nas trompas de falópio, pode resultar em cicatrizes que 
aumentam o risco de infertilidade e gravidez ectópica. 
 
Mecanismos de Transmissão da Clamídia 
1. Contato Sexual Vaginal, Oral ou Anal 
o Descrição: A principal forma de transmissão da clamídia é através do contato direto com secreções 
infectadas durante relações sexuais desprotegidas (vaginais, anais ou orais). 
o Motivo: Durante a relação sexual, a C. trachomatis nas secreções infectadas entra em contato com as 
mucosas do parceiro não infectado, invadindo as células epiteliais e iniciando a infecção. 
o Risco de Transmissão: A clamídia é altamente transmissível, com uma alta taxa de infecção por 
exposição em relações desprotegidas. 
2. Transmissão Vertical (da Mãe para o Bebê) 
o Descrição: A clamídia pode ser transmitida de uma mãe infectada para o bebê durante o parto 
vaginal, resultando em infecções neonatais. 
o Condições: 
▪ Conjuntivite Neonatal: Infecção ocular que ocorre logo após o nascimento. 
▪ Pneumonia Neonatal: Infecção respiratória que pode se desenvolver nas primeiras semanas 
de vida. 
o Mecanismo: Ao passar pelo canal de parto, o bebê entra em contato com secreções infectadas e 
adquire a infecção, principalmente nas mucosas oculares e respiratórias. 
3. Não Transmissível por Fômites 
o Descrição: A clamídia é uma bactéria que depende de células humanas para sobreviver e se 
multiplicar, sendo pouco resistente no ambiente externo. 
o Motivo: A transmissão por superfícies (fômites) é improvável, pois a Chlamydia trachomatis não 
sobrevive bem fora do corpo humano. 
 
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1. Atividade Sexual Desprotegida 
• Motivo: A falta de uso de preservativos durante relações sexuais (vaginais, anais e orais) aumenta o risco de 
transmissão direta da clamídia. 
• Impacto: O preservativoé uma barreira eficaz contra a clamídia; pessoas que não o utilizam regularmente 
têm maior probabilidade de contrair a infecção. 
2. Múltiplos Parceiros Sexuais 
• Motivo: Ter múltiplos parceiros sexuais aumenta a exposição a possíveis fontes de infecção, pois cada 
parceiro pode estar infectado sem saber. 
• Impacto: A clamídia é muitas vezes assintomática, especialmente em mulheres, o que facilita a sua 
disseminação entre parceiros, tornando o risco maior em casos de múltiplas relações. 
3. Histórico de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) 
• Motivo: Ter uma IST prévia indica práticas de risco ou vulnerabilidade que também aumentam a chance de 
contrair a clamídia. 
• Impacto: Pessoas com histórico de ISTs, como gonorreia ou sífilis, têm maior probabilidade de adquirir 
clamídia e desenvolver complicações se não houver prevenção adequada. 
4. Idade Jovem (Especialmente 15-24 anos) 
• Motivo: A faixa etária de 15 a 24 anos é a mais afetada pela clamídia, muitas vezes devido a práticas sexuais 
de maior risco, menor uso de preservativos e falta de exames regulares. 
• Impacto: Jovens têm taxas mais altas de infecção e menor probabilidade de realizar exames frequentes para 
ISTs, contribuindo para a disseminação silenciosa da infecção. 
5. Sexo Anal e Oral Desprotegido 
• Motivo: A clamídia pode infectar a faringe e o reto, além do trato genital, e o sexo anal e oral sem proteção 
facilita a transmissão da bactéria para essas regiões. 
• Impacto: Sexo anal e oral desprotegido aumenta o risco de infecção extragenital, dificultando o diagnóstico e 
favorecendo a propagação da clamídia. 
6. Uso de Substâncias (Álcool e Drogas Recreativas) 
• Motivo: O uso de álcool e drogas recreativas pode levar a comportamentos impulsivos, incluindo sexo 
desprotegido, que aumenta a exposição à clamídia. 
• Impacto: As substâncias podem comprometer o julgamento e a decisão de uso de preservativos, elevando o 
risco de práticas sexuais de alto risco. 
7. Parceiro Sexual com Clamídia ou outra IST 
• Motivo: Ter um parceiro sexual diagnosticado com clamídia ou outra IST aumenta o risco de transmissão 
direta, especialmente se não houver proteção. 
• Impacto: Indivíduos com parceiros que têm clamídia devem ser testados e tratados, pois a transmissão entre 
parceiros é altamente provável. 
8. Histórico de Recusa ou Falta de Acesso a Testes de ISTs 
• Motivo: A falta de testagem regular dificulta a detecção precoce da clamídia, especialmente por ser 
frequentemente assintomática. 
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• Impacto: Sem diagnóstico, a infecção pode ser transmitida para parceiros sem saber. O rastreamento regular 
ajuda na detecção e tratamento precoce, reduzindo a propagação. 
9. Gravidez sem Rastreamento Pré-natal Adequado 
• Motivo: Mulheres grávidas não diagnosticadas com clamídia podem transmitir a infecção ao bebê durante o 
parto, o que pode causar complicações neonatais. 
• Impacto: A falta de rastreamento pré-natal aumenta o risco de conjuntivite e pneumonia neonatal no bebê, 
além de complicações na mãe, como doença inflamatória pélvica (DIP). 
 
Manifestações Clínicas da Clamídia 
Em Homens 
1. Uretrite 
o Descrição: Inflamação da uretra, sendo a manifestação mais comum em homens. 
o Sintomas: Secreção mucopurulenta ou clara pela uretra, dor ao urinar (disúria), prurido (coceira) e 
desconforto na uretra. 
o Mecanismo: A Chlamydia trachomatis invade as células da uretra, levando a uma resposta 
inflamatória que causa os sintomas de secreção e dor. 
2. Epididimite 
o Descrição: Inflamação do epidídimo, estrutura localizada atrás dos testículos, onde o esperma 
amadurece e é armazenado. 
o Sintomas: Dor testicular (geralmente unilateral), inchaço e sensibilidade no escroto. 
o Mecanismo: A infecção pode se espalhar da uretra para o epidídimo, causando inflamação. Em casos 
graves, a epididimite pode levar a infertilidade. 
Em Mulheres 
1. Cervicite 
o Descrição: Inflamação do colo do útero, que é a manifestação mais comum em mulheres. 
o Sintomas: Corrimento vaginal anormal (mucopurulento), dor ao urinar, dor durante o ato sexual 
(dispareunia) e, em alguns casos, sangramento fora do período menstrual. 
o Mecanismo: A bactéria infecta as células do colo do útero, desencadeando uma resposta 
inflamatória que resulta nos sintomas descritos. 
2. Uretrite 
o Descrição: Embora mais comum em homens, a uretrite pode ocorrer em mulheres infectadas. 
o Sintomas: Dor ao urinar, frequência urinária aumentada e urgência urinária. 
o Mecanismo: A infecção atinge a uretra, causando irritação e inflamação local. 
Em Ambos os Sexos 
1. Proctite (Infecção Retal) 
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o Descrição: Inflamação do reto, que ocorre frequentemente em pessoas que praticam sexo anal. 
o Sintomas: Dor anal, secreção retal, prurido (coceira) anal e, em casos graves, sangramento. 
o Mecanismo: A Chlamydia trachomatis pode infectar as células do epitélio retal, provocando 
inflamação e desconforto. 
2. Faringite (Infecção Faríngea) 
o Descrição: Infecção da garganta após sexo oral com um parceiro infectado. 
o Sintomas: A faringite causada por clamídia é geralmente assintomática, mas pode ocasionalmente 
causar dor de garganta leve e desconforto. 
o Mecanismo: A bactéria adere às células da mucosa faríngea, podendo causar inflamação, embora 
raramente gere sintomas claros. 
 
Complicações da Clamídia 
1. Doença Inflamatória Pélvica (DIP) – Em Mulheres 
• Descrição: Infecção que se espalha para o trato genital superior, afetando o útero, trompas de falópio e 
ovários. 
• Sintomas: Dor pélvica intensa, febre, corrimento vaginal anormal, sangramento fora do ciclo menstrual e dor 
durante o ato sexual. 
• Mecanismo: A infecção por clamídia não tratada pode ascender para o trato genital superior, causando 
inflamação e cicatrização nas trompas de falópio, aumentando o risco de infertilidade e gravidez ectópica. 
2. Infertilidade 
• Descrição: Tanto homens quanto mulheres podem desenvolver infertilidade como resultado de uma infecção 
não tratada. 
• Mecanismo: Em mulheres, a DIP pode causar cicatrizes e obstruções nas trompas de falópio, dificultando a 
fertilização. Em homens, a epididimite crônica pode causar danos permanentes aos dutos que transportam 
os espermatozoides. 
3. Gravidez Ectópica 
• Descrição: A cicatrização nas trompas de falópio devido à infecção crônica aumenta o risco de uma gravidez 
ectópica (gestação fora do útero). 
• Mecanismo: A clamídia pode causar aderências nas trompas de falópio, o que impede a passagem normal do 
óvulo fertilizado para o útero, aumentando o risco de implantação nas trompas e representando uma 
emergência médica. 
4. Artrite Reativa (Síndrome de Reiter) 
• Descrição: Uma condição autoimune que pode ocorrer após uma infecção por clamídia, causando inflamação 
nas articulações, olhos e trato urinário. 
• Sintomas: Dor e inchaço nas articulações (especialmente joelhos e tornozelos), inflamação ocular 
(conjuntivite) e sintomas urinários. 
• Mecanismo: A artrite reativa ocorre devido a uma resposta imune desencadeada pela infecção, onde o 
sistema imunológico ataca os tecidos do próprio corpo. É mais comum em homens. 
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5. Conjuntivite e Pneumonia Neonatal – Transmissão Vertical 
• Descrição: Bebês nascidos de mães infectadas podem adquirir a clamídia durante o parto, resultando em 
infecções oculares e respiratórias. 
• Sintomas: 
o Conjuntivite Neonatal: Vermelhidão, inchaço e secreção nos olhos do recém-nascido. 
o Pneumonia Neonatal: Tosse persistente e dificuldade para respirar, que pode aparecer algumas 
semanas após o nascimento. 
• Mecanismo: Durante o parto vaginal, o bebê entra em contato com secreções infectadas, adquirindo a 
infecção principalmente nas mucosas oculares e respiratórias. A conjuntivite neonatal pode levar à cegueira 
se não tratada. 
 
1. Testes de Amplificação de Ácidos Nucleicos (NAAT) 
• Descrição:O NAAT é o teste mais sensível e específico para o diagnóstico da clamídia. Ele detecta o material 
genético da Chlamydia trachomatis nas amostras, tornando-o altamente eficaz em detectar até pequenas 
quantidades da bactéria. 
• Amostras Comuns: 
o Urina de Primeira Jato: Principalmente em homens, é útil para detectar infecção uretral. 
o Swabs Vaginais, Cervicais ou Uretrais: Em mulheres, o swab vaginal ou cervical é preferido. Também 
são usados swabs uretrais em homens. 
o Swabs Retal e Faríngeo: Em casos de suspeita de infecção retal ou faríngea. 
• Interpretação: 
o Positivo: A presença de material genético de C. trachomatis confirma a infecção. 
o Negativo: A ausência de material genético sugere que o paciente não está infectado, embora falsos 
negativos possam ocorrer, especialmente se a amostra não for coletada corretamente. 
2. Testes Sorológicos (Detecção de Anticorpos) 
• Descrição: Os testes sorológicos, que detectam anticorpos contra Chlamydia trachomatis no sangue, são 
menos utilizados para o diagnóstico da clamídia genital, mas podem ser úteis em infecções persistentes ou 
para diagnóstico de complicações como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e a artrite reativa. 
• Interpretação: 
o Positivo: A presença de anticorpos indica exposição prévia à bactéria, mas não necessariamente uma 
infecção ativa, pois os anticorpos podem permanecer no organismo por um longo tempo. 
o Negativo: A ausência de anticorpos sugere que a pessoa não foi exposta à bactéria, embora a 
sorologia seja menos eficaz em identificar infecções recentes. 
3. Cultura Bacteriana 
• Descrição: A cultura de Chlamydia trachomatis é possível, mas é um método mais complexo e demorado que 
o NAAT, sendo menos usado na prática clínica de rotina. A cultura é mais utilizada em casos de resistência ou 
quando é necessário realizar testes de sensibilidade a antibióticos. 
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• Amostras: Swabs de secreções genitais, retal, faríngeo ou ocular. 
• Interpretação: 
o Positivo: Confirma a presença da bactéria e permite testar a sensibilidade a antibióticos, útil em 
casos de infecções resistentes. 
o Negativo: Sugere ausência de infecção, embora a sensibilidade da cultura seja inferior à dos testes de 
amplificação de ácidos nucleicos. 
4. Microscopia com Colorimetria de Anticorpos Fluorescentes 
• Descrição: A microscopia com coloração de anticorpos fluorescentes permite a visualização direta da 
Chlamydia trachomatis em amostras coletadas, identificando antígenos da bactéria. Embora menos sensível 
que o NAAT, é útil em algumas situações específicas. 
• Interpretação: 
o Positivo: A presença de antígenos de C. trachomatis confirma a infecção. 
o Negativo: A ausência de antígenos indica ausência de infecção, mas esse método é menos confiável 
para detectar infecções de baixo nível. 
5. Diagnóstico de Complicações 
• Em casos de suspeita de complicações da clamídia, como Doença Inflamatória Pélvica (DIP) em mulheres ou 
artrite reativa em ambos os sexos, exames adicionais, como ultrassonografia e exames de sangue, podem ser 
necessários para avaliar a extensão da infecção e o comprometimento dos órgãos. 
 
Tratamento da Clamídia 
O tratamento da clamídia envolve o uso de antibióticos específicos para erradicar a bactéria Chlamydia trachomatis. 
Abaixo estão as opções de primeira linha e alternativas, incluindo os mecanismos de ação. 
1. Tratamento de Primeira Linha 
• Azitromicina (oral, dose única) 
o Mecanismo de Ação: A azitromicina é um macrolídeo que inibe a síntese de proteínas bacterianas, 
bloqueando a subunidade 50S do ribossomo. Isso impede a bactéria de se replicar e leva à sua 
eliminação. 
o Indicação: Dose única de 1g por via oral. A adesão é facilitada, pois a dose única evita a necessidade 
de continuidade, sendo ideal para populações de difícil seguimento. 
• Doxiciclina (oral, 7 dias) 
o Mecanismo de Ação: A doxiciclina é uma tetraciclina que se liga à subunidade 30S do ribossomo, 
impedindo a produção de proteínas bacterianas essenciais para a replicação da bactéria. 
o Indicação: 100 mg duas vezes ao dia por 7 dias. A doxiciclina é preferida em casos de infecções 
extragenitais (como faringe e reto) e em infecções persistentes. 
2. Alternativas para Pacientes com Alergia ou Intolerância 
• Eritromicina ou Levofloxacino 
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o Mecanismo de Ação: Eritromicina também é um macrolídeo e funciona como a azitromicina, 
enquanto o levofloxacino é uma fluoroquinolona que inibe a DNA girase bacteriana, impedindo a 
replicação do DNA. 
o Indicação: Opções alternativas para pacientes que não podem tomar azitromicina ou doxiciclina. A 
eritromicina requer múltiplas doses diárias e, por isso, pode ter menor adesão. 
3. Tratamento de Coinfecções 
• Como a clamídia e a gonorreia frequentemente ocorrem juntas, muitos protocolos recomendam o 
tratamento empírico para ambas, usando ceftriaxona para gonorreia em combinação com azitromicina ou 
doxiciclina para clamídia. 
4. Tratamento em Gestantes 
• Azitromicina é segura e preferida durante a gravidez. Em gestantes, a dose única é eficaz e apresenta menor 
risco de efeitos colaterais para o bebê. 
• Amoxicilina pode ser uma alternativa segura para gestantes alérgicas aos macrolídeos. 
 
Prevenção da Clamídia 
A prevenção da clamídia é fundamental para evitar a disseminação da infecção e suas complicações. Abaixo estão as 
principais estratégias de prevenção. 
1. Uso Consistente de Preservativos 
• Motivo: O preservativo é uma barreira eficaz que previne a transmissão direta da clamídia durante relações 
vaginais, anais e orais. 
• Recomendação: Usar preservativos em todas as relações sexuais, especialmente com novos parceiros ou 
parceiros não testados. 
2. Testagem Regular para ISTs 
• Motivo: A clamídia é frequentemente assintomática, especialmente em mulheres, então o rastreamento 
regular permite detectar e tratar a infecção precocemente. 
• Recomendação: Pessoas sexualmente ativas, especialmente aquelas com múltiplos parceiros ou em faixas de 
risco (15-24 anos), devem realizar exames periódicos para ISTs, incluindo clamídia. 
3. Tratamento Simultâneo de Parceiros Sexuais 
• Motivo: Se o parceiro não for tratado, há risco de reinfecção mesmo após o tratamento adequado. 
• Recomendação: Notificar e tratar todos os parceiros sexuais recentes (geralmente dos últimos 60 dias) para 
evitar reinfecção e novas transmissões. 
4. Abstinência Temporária Durante o Tratamento 
• Motivo: O contato sexual durante o tratamento aumenta o risco de transmissão e reinfecção. 
• Recomendação: Evitar relações sexuais até que ambos os parceiros tenham completado o tratamento 
(normalmente sete dias após a dose única ou após o término de doxiciclina). 
5. Educação e Conscientização 
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• Motivo: Muitas pessoas desconhecem os riscos e as manifestações da clamídia. Educar sobre o uso de 
preservativos, sintomas de ISTs e a importância do rastreamento pode reduzir a disseminação. 
• Recomendação: Campanhas educativas e diálogo sobre saúde sexual ajudam a reduzir comportamentos de 
risco e aumentar a adesão ao tratamento preventivo. 
6. Rastreamento Pré-natal 
• Motivo: A clamídia pode ser transmitida da mãe para o bebê durante o parto, resultando em complicações 
neonatais como conjuntivite e pneumonia. 
• Recomendação: Testagem e tratamento para clamídia são recomendados em todos os pré-natais, pois 
previnem complicações no bebê e evitam a disseminação da infecção. 
 
 
O Mycoplasma é um gênero de bactérias que inclui várias espécies associadas a infecções humanas, sendo as mais 
comuns Mycoplasma genitalium e Mycoplasma pneumoniae. Cada uma delas está ligada a diferentes tipos de 
infecções, sendo M. genitalium conhecido por causar infecções no trato genital e M. pneumoniae por infecções 
respiratórias. 
1. Prevalência Global e Incidência: 
o Estudos globais indicam que a prevalência de Mycoplasmagenitalium varia entre 1-4% na população 
sexualmente ativa, mas pode ser mais alta em populações com maior risco, como pessoas com 
múltiplos parceiros e histórico de outras ISTs. 
o Nos Estados Unidos e na Europa, a prevalência é estimada em cerca de 1% em homens e 2% em 
mulheres. Na população de alto risco, como homens que fazem sexo com homens (HSH), a taxa pode 
ser consideravelmente maior. 
2. Distribuição por Sexo e Fatores de Risco: 
o A infecção é frequente em ambos os sexos e pode ser assintomática, especialmente em homens, 
onde cerca de 20-30% dos casos são assintomáticos. 
o Os principais fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, histórico de outras ISTs e práticas 
sexuais desprotegidas. Em mulheres, o Mycoplasma genitalium é uma das causas de cervicite e, em 
casos não tratados, pode progredir para doença inflamatória pélvica (DIP). 
3. Resistência Antimicrobiana: 
o A resistência antimicrobiana em Mycoplasma genitalium é um problema crescente. A bactéria 
desenvolveu resistência à azitromicina, com estudos mostrando resistência em até 30-50% dos casos 
em algumas regiões. 
o O tratamento de primeira linha recomendado inclui a moxifloxacina, especialmente para cepas 
resistentes. A resistência à moxifloxacina, embora menos comum, tem sido relatada em até 10% dos 
casos em algumas populações. 
4. Complicações e Impacto na Saúde Reprodutiva: 
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o A infecção por Mycoplasma genitalium está associada a complicações graves. Em mulheres, é uma 
causa de DIP, com potencial de causar infertilidade e aumentar o risco de gravidez ectópica. Em 
homens, pode causar uretrite persistente e, em alguns casos, epididimite. 
o Estudos sugerem que Mycoplasma genitalium aumenta o risco de transmissão e aquisição do HIV, 
especialmente em populações de alto risco. 
5. Diagnóstico e Assintomáticos: 
o Em até 50% das mulheres e 70% dos homens a infecção é assintomática, o que dificulta o 
diagnóstico e favorece a disseminação. 
o O teste de amplificação de ácido nucleico (NAAT) é o padrão para diagnóstico, mas a testagem ainda 
é limitada em muitos países, dificultando o controle da infecção. 
 
Etiologia do Mycoplasma 
1. Características Gerais do Mycoplasma 
o Estrutura Única: Mycoplasma é uma bactéria peculiar porque não possui uma parede celular, sendo 
naturalmente resistente a antibióticos que atuam na parede celular, como penicilinas e 
cefalosporinas. Essa característica a torna mais difícil de eliminar e resistente a algumas classes de 
antibióticos. 
o Forma e Flexibilidade: A falta de parede celular confere alta flexibilidade, permitindo que a bactéria 
adote formas variadas (pleomórfica). Isso facilita sua aderência e invasão das células hospedeiras. 
o Ciclo de Vida e Adesão: As espécies de Mycoplasma aderem ao epitélio respiratório (M. 
pneumoniae) ou ao epitélio do trato genital (M. genitalium) e invadem as células hospedeiras, onde 
podem causar inflamação e sintomas locais. 
2. Principais Espécies Patogênicas 
o Mycoplasma genitalium: Associado a infecções no trato urogenital, como uretrite, cervicite e doença 
inflamatória pélvica (DIP). 
o Mycoplasma pneumoniae: Associado a infecções respiratórias, como pneumonia atípica, bronquite 
e faringite. 
 
Mecanismos de Transmissão do Mycoplasma 
1. Mycoplasma genitalium (Transmissão Sexual) 
o Modo de Transmissão: M. genitalium é transmitido principalmente por contato sexual desprotegido, 
incluindo sexo vaginal, anal e oral. 
o Descrição: Durante a relação sexual, a bactéria passa das secreções infectadas de um parceiro para 
as mucosas do parceiro não infectado, colonizando e aderindo ao epitélio genital. 
o Transmissão Vertical: Não é comum, mas em alguns casos raros, pode ocorrer transmissão da mãe 
para o bebê durante o parto, causando conjuntivite ou infecções respiratórias no recém-nascido. 
2. Mycoplasma pneumoniae (Transmissão Respiratória) 
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o Modo de Transmissão: M. pneumoniae é transmitido através de gotículas respiratórias liberadas 
quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. 
o Descrição: As gotículas contaminadas podem ser inaladas por pessoas próximas, especialmente em 
ambientes fechados e pouco ventilados, onde a transmissão é mais favorecida. 
o Transmissão Vertical ou por Fômites: É raro haver transmissão por superfícies, pois a bactéria é frágil 
fora do corpo humano e não sobrevive muito tempo em superfícies. 
 
Fatores de Risco 
Para Mycoplasma genitalium 
1. Atividade Sexual Desprotegida 
o Motivo: A ausência de preservativos durante as relações sexuais facilita a transmissão de M. 
genitalium, que é uma bactéria comum em infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). 
o Impacto: Pessoas que não utilizam preservativos têm maior probabilidade de contrair M. genitalium, 
especialmente em casos de múltiplos parceiros. 
2. Múltiplos Parceiros Sexuais 
o Motivo: Ter múltiplos parceiros aumenta a exposição ao M. genitalium, que frequentemente passa 
despercebido por ser assintomático em muitos casos. 
o Impacto: O risco de infecção aumenta proporcionalmente ao número de parceiros sexuais, 
especialmente na ausência de proteção. 
3. Histórico de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) 
o Motivo: Indivíduos com ISTs prévias apresentam maior vulnerabilidade, seja pelo comportamento de 
risco ou pelo ambiente já comprometido das mucosas. 
o Impacto: Pessoas com ISTs, como clamídia e gonorreia, têm uma chance maior de contrair M. 
genitalium. 
4. Idade Jovem (15-24 anos) 
o Motivo: Jovens sexualmente ativos têm taxas mais altas de infecções por M. genitalium, muitas vezes 
devido ao uso inconsistente de preservativos e múltiplos parceiros. 
o Impacto: A faixa etária de 15-24 anos é considerada de alto risco para ISTs, incluindo infecções por 
Mycoplasma. 
Para Mycoplasma pneumoniae 
1. Contato Próximo e Prolongado com Pessoas Infectadas 
o Motivo: M. pneumoniae é transmitido por gotículas respiratórias, e o contato próximo facilita a 
transmissão da bactéria de uma pessoa infectada para outras. 
o Impacto: Ambientes fechados, como escolas, lares e escritórios, são locais comuns de surtos de 
infecção por M. pneumoniae. 
2. Ambientes com Alta Densidade Populacional 
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o Motivo: A transmissão por gotículas respiratórias é facilitada em locais de grande circulação, como 
dormitórios, quartéis e instituições educacionais. 
o Impacto: A alta densidade populacional aumenta a probabilidade de contato com pessoas infectadas 
e facilita a disseminação da bactéria. 
3. Imunossupressão 
o Motivo: Pessoas com sistema imunológico comprometido têm menor capacidade de combater 
infecções, o que facilita a instalação e progressão de M. pneumoniae. 
o Impacto: Pacientes imunossuprimidos estão mais suscetíveis a infecções mais graves e complicações 
respiratórias. 
4. Crianças e Adolescentes em Idade Escolar 
o Motivo: A infecção por M. pneumoniae é comum em crianças e adolescentes, especialmente devido 
à alta convivência em ambientes escolares. 
o Impacto: Crianças e adolescentes têm maior risco de adquirir M. pneumoniae, contribuindo para 
surtos em escolas e outros ambientes com aglomerações infantis. 
 
Manifestações Clínicas de Mycoplasma genitalium 
Em Homens 
1. Uretrite 
o Descrição: Inflamação da uretra, sendo a manifestação mais comum de infecção por M. genitalium 
em homens. 
o Sintomas: Disúria (dor ou queimação ao urinar), secreção uretral clara ou mucopurulenta e prurido 
(coceira) na uretra. 
o Mecanismo: A bactéria adere ao epitélio da uretra, desencadeando uma resposta inflamatória que 
resulta em dor, desconforto e secreção. 
2. Infecção Assintomática 
o Muitos homens infectados com M. genitalium podem não apresentar sintomas, o que facilita a 
transmissão silenciosa. 
Em Mulheres 
1. Cervicite 
o Descrição: Inflamação do colo do útero, a manifestação mais comum em mulheres com M. 
genitalium.o Sintomas: Corrimento vaginal anormal, dor durante a relação sexual (dispareunia), sangramento 
intermenstrual e dor pélvica leve. 
o Mecanismo: A bactéria coloniza o colo do útero, provocando uma resposta inflamatória que causa os 
sintomas observados. 
2. Uretrite 
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o Descrição: Embora mais comum em homens, a uretrite também pode ocorrer em mulheres 
infectadas. 
o Sintomas: Disúria (dor ao urinar), urgência urinária e desconforto. 
o Mecanismo: A bactéria infecta a uretra, resultando em inflamação e sintomas urinários. 
3. Infecção Assintomática 
o Assim como em homens, a infecção por M. genitalium em mulheres pode ser assintomática, 
especialmente no início, contribuindo para a disseminação da bactéria sem diagnóstico. 
 
Complicações de Mycoplasma genitalium 
1. Doença Inflamatória Pélvica (DIP) em Mulheres 
• Descrição: Quando a infecção não tratada se espalha para o trato genital superior, afetando o útero, trompas 
de falópio e ovários. 
• Sintomas: Dor pélvica intensa, febre, corrimento vaginal anormal, dor durante o ato sexual e, em alguns 
casos, infertilidade. 
• Mecanismo: A bactéria pode ascender do colo do útero para o trato genital superior, causando inflamação e 
cicatrização das trompas de falópio, o que aumenta o risco de infertilidade e gravidez ectópica. 
2. Epididimite em Homens 
• Descrição: Inflamação do epidídimo, estrutura localizada atrás dos testículos onde os espermatozoides 
amadurecem. 
• Sintomas: Dor e inchaço no escroto, geralmente de um lado, podendo ser acompanhados de febre leve. 
• Mecanismo: A infecção pode se espalhar da uretra para o epidídimo, provocando inflamação e aumentando 
o risco de infertilidade se não tratada. 
3. Artrite Reativa 
• Descrição: Uma condição autoimune que pode ser desencadeada pela infecção por M. genitalium, 
resultando em inflamação nas articulações, olhos e trato urinário. 
• Sintomas: Dor e inchaço nas articulações (principalmente joelhos e tornozelos), inflamação ocular 
(conjuntivite) e sintomas urinários persistentes. 
• Mecanismo: A infecção por M. genitalium pode provocar uma reação autoimune em algumas pessoas, onde 
o sistema imunológico ataca as articulações e outros tecidos, gerando uma resposta inflamatória 
significativa. 
 
1. Testes de Amplificação de Ácidos Nucleicos (NAAT) 
• Descrição: O NAAT é o método padrão-ouro para o diagnóstico de M. genitalium devido à sua alta 
sensibilidade e especificidade. Esse teste detecta o material genético da bactéria, permitindo o diagnóstico 
mesmo com uma carga bacteriana baixa. 
• Amostras Comuns: 
o Homens: Amostra de urina de primeira jato (primeiro fluxo da micção) ou swab uretral. 
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o Mulheres: Swab cervical ou vaginal. Também pode ser realizada com amostra de urina de primeira 
jato. 
• Interpretação: 
o Positivo: Confirma a presença de Mycoplasma genitalium e indica a necessidade de tratamento. 
o Negativo: A ausência de material genético sugere que o paciente não está infectado, mas resultados 
negativos podem ocorrer em infecções com baixa carga bacteriana. 
2. Testes de Sensibilidade a Antibióticos 
• Descrição: Em alguns casos, principalmente onde há suspeita de resistência ao tratamento, pode-se realizar 
um teste para verificar a sensibilidade a antibióticos, especialmente a macrolídeos (como azitromicina) e 
fluoroquinolonas (como moxifloxacino). 
• Indicação: Em casos de infecções recorrentes ou resistentes, esse teste é fundamental para guiar o 
tratamento correto e evitar falhas terapêuticas. 
• Interpretação: 
o Sensível: O organismo é inibido pelo antibiótico testado, indicando que o tratamento terá eficácia. 
o Resistente: A bactéria é resistente ao antibiótico, e um tratamento alternativo deve ser considerado. 
 
3. Diagnóstico Diferencial 
• Outras ISTs: Como os sintomas de M. genitalium são semelhantes a outras ISTs, especialmente gonorreia e 
clamídia, é comum realizar uma bateria de testes para diferentes ISTs, como clamídia, gonorreia e 
tricomoníase, para descartar outras infecções concomitantes. 
• Doença Inflamatória Pélvica (DIP): Em mulheres com sintomas de DIP, o diagnóstico de M. genitalium pode 
ser incluído nos exames para identificar a causa da inflamação e determinar o melhor tratamento. 
Interpretação Geral dos Resultados 
• Positivo no NAAT: Um resultado positivo no NAAT confirma a infecção por Mycoplasma genitalium e indica a 
necessidade de tratamento. 
• Testes de Resistência: A sensibilidade aos antibióticos é essencial para direcionar o tratamento adequado e 
evitar resistência, especialmente em casos recorrentes. 
• Diagnóstico Diferencial: É importante considerar a possibilidade de coinfecções, principalmente com outras 
ISTs, para tratar todas as infecções presentes e reduzir a chance de complicações. 
 
1. Tratamento de Primeira Linha 
• Azitromicina (Macrolídeo) 
o Mecanismo de Ação: A azitromicina inibe a síntese de proteínas bacterianas ao se ligar à subunidade 
50S do ribossomo, impedindo o crescimento e replicação da bactéria. 
o Esquema de Dosagem: A administração geralmente é feita com uma dose inicial de 500 mg no 
primeiro dia, seguida de 250 mg ao dia por mais quatro dias. Esse esquema é conhecido como 
"terapia de dose estendida", que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência. 
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o Observação: Devido ao aumento de resistência aos macrolídeos, a sensibilidade da bactéria à 
azitromicina deve ser considerada, e o tratamento deve ser adaptado conforme necessário. 
2. Alternativa para Casos de Resistência aos Macrolídeos 
• Moxifloxacino (Fluoroquinolona) 
o Mecanismo de Ação: O moxifloxacino inibe a DNA girase e a topoisomerase IV, enzimas essenciais 
para a replicação e transcrição do DNA bacteriano, levando à morte da bactéria. 
o Esquema de Dosagem: 400 mg por via oral uma vez ao dia durante 7 a 10 dias. 
o Indicação: Usado em casos onde o M. genitalium é resistente à azitromicina, especialmente em 
infecções persistentes ou recorrentes. 
3. Considerações para o Tratamento da Infecção Recorrente ou Resistente 
• Teste de Sensibilidade: Em infecções recorrentes ou onde o tratamento inicial com azitromicina falha, 
recomenda-se o teste de sensibilidade a antibióticos para determinar a presença de resistência e orientar o 
tratamento. 
• Combinação Terapêutica: Em alguns casos, pode-se considerar a combinação de antibióticos ou a sequência 
de azitromicina seguida de moxifloxacino para aumentar a eficácia. 
4. Tratamento em Gestantes 
• Segurança: O uso de azitromicina é preferido em gestantes, pois é considerado mais seguro durante a 
gravidez. A fluoroquinolona (moxifloxacino) é geralmente evitada devido ao risco de efeitos adversos para o 
feto. 
• Esquema: Segue-se o esquema de dose estendida com azitromicina, com acompanhamento cuidadoso e 
possível reteste após o tratamento. 
 
Prevenção de Mycoplasma genitalium 
1. Uso Consistente de Preservativos 
• Motivo: O uso de preservativos reduz o contato direto com secreções infectadas, sendo uma das formas mais 
eficazes de prevenir a transmissão de M. genitalium e outras ISTs. 
• Recomendação: Usar preservativos em todas as relações sexuais, incluindo sexo vaginal, anal e oral. 
2. Testagem e Rastreamento de Parceiros Sexuais 
• Motivo: Como M. genitalium pode ser assintomático, especialmente em mulheres, é importante identificar e 
tratar os parceiros sexuais para prevenir a reinfecção e a disseminação. 
• Recomendação: Notificar todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias para que sejam testados e tratados, 
se necessário. 
3. Evitar Múltiplos Parceiros e Reduzir Comportamentos de Risco 
• Motivo: Ter múltiplos parceiros aumenta a chance de exposição ao M. genitalium e a outras ISTs. 
• Recomendação: Adotar práticas sexuais mais seguras e evitar relações desprotegidas com múltiplos 
parceiros. 
4. Abstinência Temporária Durante o TratamentoAPG 27 | Feliphe Mascarenhas 
 
• Motivo: A atividade sexual durante o tratamento pode resultar em reinfecção ou transmissão da bactéria 
para o parceiro. 
• Recomendação: Evitar relações sexuais até uma semana após o término do tratamento para garantir a 
eliminação da bactéria. 
5. Reteste Pós-tratamento 
• Motivo: Devido à resistência frequente e ao risco de infecção persistente, é recomendado o reteste em casos 
de alto risco, sintomas persistentes ou infecção em gestantes. 
• Recomendação: Realizar um reteste cerca de três meses após o tratamento ou antes, se houver suspeita de 
infecção recorrente.por T. vaginalis. 
• Além disso, a presença de uma IST ativa geralmente implica em comportamentos de risco, como a ausência 
de uso de preservativo e múltiplos parceiros, o que favorece a transmissão. 
3. Condições do pH Vaginal 
• pH Vaginal Alterado: O ambiente vaginal saudável tem um pH ácido (entre 3,8 e 4,5), que ajuda a inibir a 
proliferação de agentes patogênicos. Alterações nesse pH, por fatores como uso de duchas vaginais, podem 
criar um ambiente mais favorável ao crescimento de T. vaginalis, que se prolifera melhor em um ambiente 
ligeiramente mais alcalino. 
• Desequilíbrios da Microbiota Vaginal: A diminuição dos lactobacilos (bactérias saudáveis que mantêm o pH 
vaginal ácido) pode criar condições ideais para o crescimento de patógenos, incluindo o Trichomonas 
vaginalis. 
4. Condições Socioeconômicas e Acesso à Saúde 
• Estudos epidemiológicos mostram que pessoas de menor nível socioeconômico e menor escolaridade estão 
mais predispostas à tricomoníase, muitas vezes devido a menor acesso a informações sobre prevenção de 
ISTs, tratamento adequado e serviços de saúde. 
• Em regiões com menos recursos para educação sexual, os casos de tricomoníase são mais prevalentes. 
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5. Presença de Doenças Inflamatórias Genitais 
• Condições que causam inflamação vaginal, como vaginose bacteriana, aumentam a suscetibilidade à 
tricomoníase. A inflamação torna o ambiente mais propício à adesão do parasita às células epiteliais vaginais 
e à sua proliferação. 
6. Diminuição da Imunidade 
• Pessoas imunocomprometidas, como aquelas com HIV/AIDS, apresentam um risco maior de tricomoníase e 
uma carga parasitária mais alta, pois seu sistema imunológico está menos apto a conter a infecção. 
• A inflamação provocada pelo T. vaginalis pode ainda aumentar o risco de transmissão do HIV, uma vez que 
facilita a entrada do vírus no organismo. 
7. Práticas Culturais e Higiênicas 
• Duchas Vaginais e Uso de Produtos Intravaginais: O uso frequente de duchas e outros produtos intravaginais 
pode desequilibrar a microbiota natural e alterar o pH vaginal, aumentando o risco de infecção. 
• Compartilhamento de Utensílios Pessoais: Embora rara, a transmissão de T. vaginalis pode ocorrer 
indiretamente por meio de roupas de banho ou toalhas úmidas compartilhadas. O parasita pode sobreviver 
em um ambiente úmido por um curto período, tornando o compartilhamento de objetos íntimos um fator de 
risco potencial. 
 
Manifestações Clínicas da Tricomoníase 
Em Mulheres: 
1. Corrimento Vaginal Espumoso e Malcheiroso: 
o Mecanismo: O T. vaginalis adere ao epitélio vaginal e produz enzimas proteolíticas que degradam a 
camada superficial da mucosa. Ele também libera substâncias voláteis e cria pequenas bolhas devido 
à fermentação anaeróbica, dando ao corrimento uma aparência espumosa. 
o Motivo: Essa degradação das células e a produção de subprodutos voláteis levam ao odor 
desagradável característico e à secreção amarelada ou esverdeada. 
 
2. Prurido e Ardência Vaginal: 
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o Mecanismo: A presença do protozoário provoca uma reação inflamatória com liberação de citocinas 
e atração de células imunológicas para o local da infecção. Essas células liberam substâncias que 
causam irritação e prurido. 
o Motivo: A resposta inflamatória visa eliminar o patógeno, mas também irrita as terminações 
nervosas locais, provocando prurido (coceira) e ardência. 
3. Dispareunia (Dor durante a Relação Sexual): 
o Mecanismo: O processo inflamatório e a degradação da mucosa vaginal sensibilizam o epitélio, 
tornando-o mais suscetível a lesões e desconforto com o atrito. 
o Motivo: A inflamação e o comprometimento da camada epitelial aumentam a sensibilidade local, 
causando dor durante o contato sexual. 
4. Disúria (Dor ao Urinar): 
o Mecanismo: A infecção pode se estender para o meato uretral e a mucosa da uretra, resultando em 
inflamação e irritação da mucosa urinária. 
o Motivo: O processo inflamatório sensibiliza a uretra, causando dor durante a passagem da urina, que 
é ácida e agrava a irritação local. 
5. Eritema Vulvovaginal e Cervicite (Colpite em Framboesa): 
o Mecanismo: As proteínas de adesão do T. vaginalis permitem que ele se fixe às células epiteliais do 
colo do útero, desencadeando inflamação e lesões puntiformes características na mucosa. 
o Motivo: O dano celular e a inflamação local conferem ao colo um aspecto avermelhado, 
caracterizado pelo aumento do fluxo sanguíneo e infiltração de células imunes. 
 
Em Homens: 
1. Uretrite: 
o Mecanismo: Nos homens, o T. vaginalis pode invadir o epitélio uretral, provocando uma resposta 
inflamatória semelhante à que ocorre na vagina. 
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o Motivo: A presença do protozoário causa irritação e liberação de secreções, o que leva a sintomas de 
dor e inflamação na uretra. 
2. Disúria e Prurido Uretral: 
o Mecanismo: A irritação causada pelo parasita sensibiliza a mucosa uretral, provocando dor e 
desconforto ao urinar. 
o Motivo: A inflamação da uretra resulta em prurido e sensação de ardência, frequentemente 
agravada pelo fluxo de urina. 
3. Epididimite e Prostatite (Raro): 
o Mecanismo: Em alguns casos, o protozoário pode migrar para estruturas mais profundas, como o 
epidídimo e a próstata, levando a uma inflamação mais extensa. 
o Motivo: A resposta inflamatória em estruturas profundas pode causar dor testicular e desconforto 
pélvico. 
Complicações da Tricomoníase 
Em Mulheres: 
1. Doença Inflamatória Pélvica (DIP): 
o Mecanismo: O T. vaginalis pode ascender pelo trato genital, infectando o útero e as trompas de 
falópio, causando inflamação e potencial formação de aderências. 
o Motivo: A DIP resulta da invasão e disseminação do parasita, levando a cicatrizes que podem 
comprometer a fertilidade devido ao bloqueio das trompas. 
2. Gravidez Ectópica: 
o Mecanismo: A infecção do trato genital superior causa inflamação e cicatrização nas trompas de 
falópio, que podem obstruir o caminho do óvulo. 
o Motivo: Com as trompas parcialmente bloqueadas, há maior risco de o embrião se implantar fora do 
útero, resultando em uma gravidez ectópica, que é uma condição potencialmente grave. 
3. Parto Prematuro e Ruptura Prematura de Membranas: 
o Mecanismo: A inflamação e a liberação de enzimas pelo parasita estimulam contrações uterinas e 
fragilizam as membranas amnióticas. 
o Motivo: O dano às membranas e a inflamação podem levar ao rompimento precoce, aumentando o 
risco de parto prematuro e complicações neonatais. 
4. Baixo Peso ao Nascer: 
o Mecanismo: Infecções que causam inflamação sistêmica e local durante a gestação podem 
comprometer o fluxo sanguíneo placentário, afetando o crescimento fetal. 
o Motivo: Bebês expostos a infecções intrauterinas ou inflamações crônicas têm maior risco de baixo 
peso ao nascer, o que pode comprometer a saúde no início da vida. 
5. Risco Aumentado de Outras ISTs, Incluindo HIV: 
o Mecanismo: A inflamação causada pelo T. vaginalis gera lesões microscópicas na mucosa genital, 
que facilitam a entrada de outros patógenos, como o HIV. 
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o Motivo: As lesões e a resposta inflamatória tornam as células imunológicas mais acessíveis ao HIV, 
aumentando a probabilidade de infecção. 
 
1. Avaliação Clínica Inicial 
• História Clínica e Exame Físico: A presença de sintomas como corrimento vaginal espumoso e malcheiroso, 
prurido, dor pélvica e, em alguns casos, o achado de “colpite em framboesa” ao exame ginecológico são 
sugestivos de tricomoníase, especialmente em mulheres. 
• Limitação: Somente o exame clínico não permite confirmar o diagnóstico, pois sintomas semelhantes podem 
ocorrer em outras infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana. 
2. Exames Laboratoriais 
2.1. Exame Padrão-Ouro: Cultura em Meio Específico 
• Descrição: A cultura do T. vaginalis em meio específico, como o meio Diamond, é consideradao padrão-ouro 
para o diagnóstico da tricomoníase. Esse método permite o crescimento do protozoário, aumentando a 
sensibilidade do teste. 
• Procedimento: Amostras vaginais (para mulheres) ou uretrais e prostáticas (para homens) são coletadas e 
incubadas em meio de cultura adequado. O crescimento do T. vaginalis pode ser observado em até 48 horas. 
• Interpretação: A presença do protozoário na cultura confirma a infecção. Esse método apresenta alta 
sensibilidade (95-100%) e especificidade. 
2.2. Testes Moleculares (PCR - Reação em Cadeia da Polimerase) 
• Descrição: A PCR detecta o DNA do T. vaginalis, sendo altamente sensível e específica, com taxas de precisão 
próximas a 100%. Este método é uma alternativa eficaz e rápida ao padrão-ouro. 
• Procedimento: Amostras vaginais, cervicais, uretrais ou de urina são usadas para amplificação do material 
genético do protozoário. 
• Interpretação: A detecção do DNA do T. vaginalis indica infecção ativa, sendo o método útil em casos 
assintomáticos ou para o diagnóstico em homens, que frequentemente apresentam baixa carga parasitária. 
2.3. Exame a Fresco (Microscopia de Secreção Vaginal) 
• Descrição: Neste método, uma amostra da secreção vaginal é observada imediatamente ao microscópio. Os 
parasitas vivos podem ser identificados pela presença dos flagelos móveis, que os tornam distintamente 
visíveis. 
• Procedimento: A coleta da secreção é colocada em uma lâmina com solução salina e examinada ao 
microscópio. É ideal que o exame seja feito logo após a coleta para melhor visualização. 
• Interpretação: A observação de protozoários móveis confirma a infecção. No entanto, este método tem 
sensibilidade baixa (50-60%) e é menos confiável em homens e em casos assintomáticos. 
2.4. Testes de Imunofluorescência e Imunoensaio Enzimático (EIA) 
• Descrição: São testes baseados na detecção de antígenos específicos do T. vaginalis, utilizando anticorpos 
fluorescentes ou enzimáticos. Esses testes são menos usados por serem mais caros e de acesso limitado. 
• Procedimento: Amostras vaginais são submetidas a testes imunológicos que detectam proteínas do 
protozoário. 
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• Interpretação: A presença de antígenos específicos confirma a infecção. A sensibilidade e especificidade 
desses métodos variam, mas geralmente são altas (85-95%). 
2.5. Testes Rápidos de Antígenos (Exame de Point-of-Care) 
• Descrição: Esses testes detectam antígenos do T. vaginalis em poucos minutos, usando amostras vaginais 
(para mulheres) ou de urina (para homens). 
• Procedimento: A amostra é aplicada em um dispositivo que detecta antígenos específicos do parasita, 
oferecendo um resultado visual em questão de minutos. 
• Interpretação: A positividade indica infecção por T. vaginalis. A sensibilidade pode ser variável (82-92%) e é 
útil em contextos de atendimento rápido, embora menos preciso que a PCR e a cultura. 
Interpretação dos Resultados Diagnósticos 
• Positivo na Cultura ou PCR: Confirmação da infecção por T. vaginalis. A PCR, por sua alta sensibilidade, 
também pode identificar portadores assintomáticos, importante em triagens epidemiológicas. 
• Negativo no Exame a Fresco com Sintomas Persistentes: Se houver forte suspeita clínica, recomenda-se a 
cultura ou PCR, já que o exame a fresco tem baixa sensibilidade e pode não detectar cargas parasitárias 
baixas. 
• Negativo na Cultura e PCR: Em geral, exclui a infecção por T. vaginalis. No entanto, se a infecção for suspeita 
e o paciente estiver em tratamento antimicrobiano, pode ser necessária a repetição dos exames após a 
interrupção dos medicamentos. 
Tratamento Farmacológico da Tricomoníase 
O tratamento da tricomoníase baseia-se no uso de nitroimidazóis, especificamente metronidazol e tinidazol. Esses 
medicamentos são recomendados por sua eficácia comprovada contra Trichomonas vaginalis e são considerados de 
primeira linha no manejo da infecção. 
1. Metronidazol 
• Mecanismo de Ação: O metronidazol, ao ser metabolizado, gera radicais livres que danificam o DNA do T. 
vaginalis, interferindo em sua capacidade de replicação e levando à morte do parasita. 
• Eficácia: A eficácia do metronidazol é alta e ele é amplamente utilizado como primeira opção de tratamento, 
sendo eficaz em pacientes sintomáticos e assintomáticos. 
2. Tinidazol 
• Mecanismo de Ação: O tinidazol age de maneira semelhante ao metronidazol, gerando metabólitos que 
atacam o DNA do parasita. 
• Vantagens: Este medicamento é frequentemente melhor tolerado, apresentando menos efeitos adversos 
gastrointestinais em comparação com o metronidazol, e é igualmente eficaz. 
Tratamento em Casos de Resistência ou Falha Terapêutica 
Em algumas situações, o tratamento inicial pode não ser eficaz, indicando uma possível resistência do T. vaginalis ao 
nitroimidazol. Nessas circunstâncias, podem ser usados regimes alternativos: 
• Ajuste de Dosagem e Duração: Para superar a resistência, são recomendados regimes de alta dosagem com 
o mesmo medicamento, aumentando a concentração do fármaco no local da infecção e prolongando o 
tratamento. 
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• Alternativa com Tinidazol: Para pacientes com intolerância ou resistência ao metronidazol, o tinidazol pode 
ser uma opção eficaz, especialmente em regime prolongado e em doses ajustadas. 
Populações Específicas 
Gestantes 
• O tratamento é recomendado para gestantes sintomáticas, pois a tricomoníase aumenta o risco de 
complicações como parto prematuro e baixo peso ao nascer. O metronidazol é geralmente seguro após o 
primeiro trimestre da gravidez. 
Pacientes HIV-positivos 
• Pacientes com HIV apresentam maior risco de complicações relacionadas à tricomoníase, incluindo a 
facilitação da transmissão do HIV. O tratamento adequado reduz esse risco, e a eficácia dos nitroimidazóis em 
dose padrão é considerada satisfatória nesses casos. 
Orientações Adicionais para o Tratamento 
1. Tratamento dos Parceiros Sexuais: Todos os parceiros sexuais devem ser tratados simultaneamente, 
independentemente de apresentarem sintomas, para evitar reinfecção e limitar a disseminação da infecção. 
2. Abstinência Sexual Temporária: É recomendada a abstinência sexual até a conclusão do tratamento para 
evitar a reinfecção e permitir a recuperação completa da mucosa. 
3. Monitoramento e Reteste: Para assegurar a eficácia do tratamento, um novo teste pode ser realizado após 
algumas semanas em casos de sintomas persistentes ou recorrentes. 
1. Uso de Preservativos 
• Descrição: Os preservativos, tanto masculinos quanto femininos, são altamente eficazes na prevenção da 
transmissão do Trichomonas vaginalis quando utilizados corretamente em todas as relações sexuais. 
• Importância: Reduzem o contato direto com as secreções infectadas, bloqueando a transmissão do parasita. 
2. Parceria Sexual Monogâmica 
• Descrição: Manter uma relação monogâmica com um parceiro testado e não infectado reduz o risco de 
exposição ao parasita. 
• Importância: Evita a circulação do parasita em redes de contato sexual múltiplo, limitando a disseminação. 
3. Testagem Regular para ISTs 
• Descrição: A realização de exames regulares para ISTs, incluindo tricomoníase, é fundamental para pessoas 
sexualmente ativas, especialmente aquelas com múltiplos parceiros. 
• Importância: A detecção precoce permite o tratamento imediato, prevenindo complicações e evitando a 
transmissão para outros parceiros. 
4. Tratamento dos Parceiros Sexuais 
• Descrição: Todos os parceiros sexuais de uma pessoa diagnosticada com tricomoníase devem ser tratados 
simultaneamente, independentemente de apresentarem sintomas. 
• Importância: O tratamento de parceiros é essencial para interromper o ciclo de reinfecção e garantir a 
eficácia do tratamento. 
5. Educação sobre Saúde Sexual e Comportamento de Risco 
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• Descrição: A conscientização sobre práticas sexuais seguras, o uso adequado de preservativose os riscos 
associados a relações sexuais desprotegidas ajudam a prevenir a tricomoníase e outras ISTs. 
• Importância: Educação sexual abrangente é uma ferramenta fundamental na prevenção, especialmente para 
populações jovens e pessoas com alto risco de exposição a ISTs. 
6. Evitar o Uso de Duchas Vaginais 
• Descrição: O uso frequente de duchas vaginais pode alterar a flora vaginal e o pH, aumentando a 
vulnerabilidade à infecção por T. vaginalis. 
• Importância: Manter a microbiota vaginal intacta ajuda a proteger o ambiente vaginal contra patógenos, 
incluindo o Trichomonas. 
7. Abstinência Sexual Temporária durante o Tratamento 
• Descrição: Recomenda-se a abstinência sexual até o término do tratamento para evitar a reinfecção e dar 
tempo para que o tecido infectado se recupere. 
• Importância: Essa prática impede a transmissão enquanto o organismo ainda está se recuperando e o 
tratamento não está totalmente concluído. 
 
A candidíase é uma infecção fúngica geralmente causada por fungos do gênero Candida, sendo o Candida albicans a 
espécie mais comum. No entanto, outras espécies, como Candida glabrata, Candida tropicalis e Candida krusei, 
também podem causar infecções, especialmente em indivíduos com imunidade comprometida ou após uso 
prolongado de antibióticos. 
1. Prevalência Global: 
o Candidíase Vaginal: Estima-se que cerca de 75% das mulheres terão pelo menos um episódio de 
candidíase vaginal ao longo da vida. Aproximadamente 5-8% dessas mulheres terão candidíase 
vulvovaginal recorrente, definida como quatro ou mais episódios ao ano. 
o Candidíase Oral: Comum em crianças, idosos e imunocomprometidos, especialmente em pacientes 
com HIV/AIDS, com prevalência entre 40-90% nesses grupos. 
o Candidíase Invasiva (Candidemia): É uma infecção grave e ocorre principalmente em hospitais. A 
incidência global varia, mas estima-se que seja em torno de 5-10 casos por 100.000 habitantes ao 
ano. 
2. Distribuição por Sexo e Fatores de Risco: 
o Afeta majoritariamente mulheres quando em sua forma vaginal, mas também afeta homens em 
áreas como boca e trato urinário, especialmente em imunocomprometidos. 
o Principais fatores de risco incluem uso de antibióticos, diabetes, imunossupressão, uso de 
contraceptivos orais e condições de saúde crônicas, como HIV. 
3. Incidência de Espécies de Candida: 
o Candida albicans é responsável por cerca de 50-70% das infecções, mas outras espécies como C. 
glabrata, C. tropicalis e C. krusei são mais prevalentes em pacientes hospitalizados, especialmente 
aqueles em unidades de terapia intensiva (UTI). 
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o Infecções não-albicans estão aumentando devido à resistência a tratamentos antifúngicos. 
4. Candidíase Invasiva em Hospitais: 
o A taxa de mortalidade associada à candidemia é alta, variando de 40 a 60% em muitos estudos. 
o Pacientes internados na UTI, especialmente aqueles submetidos a procedimentos invasivos como 
cateteres, ou que utilizam antibióticos e corticoides, têm uma incidência maior de infecções 
invasivas. 
 
A candidíase é uma infecção fúngica causada por espécies do gênero Candida, sendo a Candida albicans a mais 
comum. Esse fungo é um organismo oportunista, ou seja, normalmente é parte da microbiota comensal do corpo 
humano, mas pode causar infecção em condições que favoreçam seu crescimento excessivo. Outras espécies, como 
Candida glabrata, Candida tropicalis e Candida parapsilosis, também podem ser responsáveis por infecções, 
principalmente em indivíduos imunocomprometidos. 
Características de Candida spp. e Mecanismos de Patogenicidade: 
• Dimorfismo: Candida apresenta capacidade de alternar entre formas de levedura e filamentosa (hifas e 
pseudohifas). Esse dimorfismo é essencial para a infecção, pois as formas filamentares são mais invasivas e 
ajudam na penetração dos tecidos. 
• Formação de Biofilmes: Candida é capaz de formar biofilmes em superfícies, como dispositivos médicos e 
epitélio, criando uma camada protetora que dificulta a ação do sistema imunológico e aumenta a resistência 
aos antifúngicos. 
• Produção de Enzimas Líticas: Como fosfolipases, proteases e lipases, essas enzimas permitem que Candida 
degrade as células epiteliais e invada tecidos. 
• Adesinas e Fatores de Aderência: Candida possui proteínas adesinas que permitem que o fungo se ligue 
fortemente às células epiteliais, ajudando na colonização e sobrevivência no ambiente mucoso. 
 
Mecanismos de Transmissão da Candidíase 
A candidíase não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) em sua maioria, embora possa ser 
transmitida durante o contato íntimo em alguns casos. Como Candida faz parte da microbiota normal, a infecção 
geralmente ocorre devido a um crescimento excessivo do fungo em resposta a fatores predisponentes, mais do que 
pela transmissão direta de uma pessoa para outra. No entanto, há algumas vias de transmissão possíveis: 
1. Transmissão por Contato Sexual (Rara): 
o Embora não seja classificada como uma IST, o contato íntimo com uma pessoa infectada pode levar à 
colonização e infecção, especialmente se um dos parceiros tiver fatores predisponentes (como 
imunossupressão ou desequilíbrio da microbiota). 
o O risco de transmissão é baixo e geralmente não leva a infecções recorrentes. 
2. Autoinoculação e Supercrescimento Endógeno: 
o A maioria dos casos de candidíase ocorre por supercrescimento endógeno da Candida já presente no 
corpo. Em resposta a fatores como uso de antibióticos, imunossupressão ou alterações hormonais, o 
fungo se multiplica além do controle e causa infecção. 
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o O fungo, então, pode migrar de áreas próximas, como o trato gastrointestinal, para o trato genital ou 
outras mucosas, desencadeando uma infecção ativa. 
3. Transmissão por Fômites e Dispositivos Médicos (Em Pacientes Imunossuprimidos): 
o Em ambientes hospitalares, Candida pode ser transmitida por dispositivos médicos contaminados, 
como cateteres, especialmente em pacientes com imunidade reduzida, causando infecções 
sistêmicas graves. 
o Esses casos são especialmente preocupantes em ambientes hospitalares, pois a formação de 
biofilmes em dispositivos dificulta a erradicação do fungo. 
4. Transmissão Vertical (Mãe para Bebê): 
o Durante o parto, a mãe pode transmitir Candida para o recém-nascido, resultando em infecção oral 
(sapinho) ou candidíase da área de fraldas. O risco é maior em bebês prematuros ou com sistema 
imunológico ainda em desenvolvimento. 
 
1. Uso de Antibióticos de Amplo Espectro 
• Motivo: Os antibióticos podem eliminar as bactérias benéficas (como lactobacilos) que fazem parte da 
microbiota normal, especialmente na vagina. Essa redução da flora bacteriana protetora cria um ambiente 
menos ácido e mais suscetível ao crescimento de Candida. 
• Efeito: A ausência dos lactobacilos facilita a proliferação fúngica, aumentando o risco de candidíase. 
2. Alterações Hormonais 
• Motivo: Alterações nos níveis hormonais, como aumento de estrogênio, favorecem o acúmulo de glicogênio 
no epitélio vaginal, fornecendo um ambiente rico em nutrientes para o crescimento de Candida. 
• Exemplos: Gravidez, uso de anticoncepcionais hormonais e terapia de reposição hormonal aumentam o risco 
de candidíase, especialmente a vaginal. 
3. Diabetes Mellitus (Especialmente Não Controlado) 
• Motivo: A hiperglicemia (aumento dos níveis de glicose no sangue) resulta em um excesso de glicose nas 
secreções corporais, incluindo na mucosa vaginal. Candida utiliza glicose como fonte de energia, o que 
facilita seu crescimento. 
• Efeito: Pacientes com diabetes mal controlado apresentam risco elevado para candidíase recorrente. 
4. Imunossupressão 
• Motivo: Pacientes com imunidade comprometida, como aqueles com HIV/AIDS, transplantados de órgãos ou 
em tratamento com imunossupressores (como corticosteróides e quimioterápicos), têm menos capacidade 
de combater a infecção. 
• Efeito:A candidíase nesses pacientes pode se tornar invasiva, afetando tecidos mais profundos e, em casos 
graves, levando à candidíase sistêmica. 
5. Uso de Corticosteróides 
• Motivo: O uso prolongado de corticosteroides, seja em forma de medicamentos orais, tópicos ou inalatórios, 
pode alterar a resposta imune e reduzir a capacidade do organismo de controlar o crescimento de Candida. 
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• Efeito: Isso é particularmente relevante em casos de corticoterapia prolongada, aumentando o risco de 
candidíase oral e sistêmica. 
6. Higiene Íntima Excessiva e Duchas Vaginais 
• Motivo: A higiene íntima excessiva e o uso frequente de duchas vaginais podem desequilibrar a microbiota 
vaginal e alterar o pH, favorecendo o crescimento de Candida. 
• Efeito: A lavagem frequente e o uso de produtos irritantes podem comprometer a barreira protetora natural, 
tornando o ambiente mais vulnerável à proliferação de fungos. 
7. Uso de Roupas Justas e Sintéticas 
• Motivo: Roupas apertadas e materiais sintéticos (como lycra) retêm calor e umidade na região genital, 
criando um ambiente propício para o crescimento de Candida, que prospera em ambientes quentes e 
úmidos. 
• Efeito: A umidade e o calor retidos facilitam a proliferação do fungo, aumentando o risco de candidíase 
vaginal. 
8. Dieta Rica em Carboidratos e Açúcares 
• Motivo: A Candida utiliza glicose como fonte de energia, e uma dieta rica em carboidratos pode aumentar os 
níveis de glicose no sangue e nas secreções. 
• Efeito: Uma dieta com alto teor de açúcar pode facilitar o crescimento de Candida, especialmente em 
pessoas que já apresentam predisposição para infecções. 
9. Atividade Sexual Desprotegida 
• Motivo: Embora a candidíase não seja uma IST clássica, o contato íntimo pode introduzir fungos na mucosa 
genital ou alterar o equilíbrio da microbiota vaginal. 
• Efeito: A atividade sexual, especialmente em pessoas com fatores predisponentes, pode facilitar a ocorrência 
de episódios de candidíase. 
10. Idade Avançada e Deficiência Nutricional 
• Motivo: Pessoas mais velhas podem ter uma imunidade naturalmente reduzida, e a deficiência de nutrientes 
essenciais (como zinco e ferro) pode comprometer a função imunológica. 
• Efeito: A imunossupressão natural relacionada à idade e deficiências nutricionais contribuem para um maior 
risco de infecções oportunistas, como a candidíase. 
 
1. Candidíase Vaginal (Vulvovaginite Candidiásica) 
• Corrimento Vaginal: 
o Descrição: Branco, espesso, grumoso, semelhante a "leite coalhado", normalmente sem odor forte. 
o Mecanismo: A proliferação de Candida no epitélio vaginal estimula a produção de secreções 
espessas devido à inflamação local. 
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• Prurido Intenso e Ardência: 
o Descrição: Coceira intensa e sensação de queimação na área vaginal. 
o Mecanismo: A inflamação causada pela invasão de Candida no epitélio vaginal ativa terminações 
nervosas e aumenta a liberação de mediadores inflamatórios, causando irritação. 
• Dispareunia (Dor durante a Relação Sexual): 
o Descrição: Desconforto ou dor durante o ato sexual. 
o Mecanismo: A inflamação e o edema vaginal tornam a mucosa mais sensível e dolorida ao contato. 
• Disúria (Dor ao Urinar): 
o Descrição: Sensação de ardência ao urinar, especialmente ao final da micção. 
o Mecanismo: O contato da urina com a mucosa inflamada e irritada amplifica a sensação de 
desconforto. 
2. Candidíase Oral (Sapinho) 
• Placas Brancas na Mucosa Oral: 
o Descrição: Lesões brancas aderentes na boca, que ao serem removidas, deixam a mucosa 
avermelhada e sensível. 
o Mecanismo: A colonização da Candida na mucosa oral forma essas placas, que são compostas por 
células fúngicas, proteínas e células mortas do epitélio. 
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• Dor e Ardência: 
o Descrição: Desconforto e sensação de queimação, especialmente ao ingerir alimentos ácidos ou 
picantes. 
o Mecanismo: A inflamação local na mucosa bucal sensibiliza as terminações nervosas, provocando 
dor. 
• Queilite Angular: 
o Descrição: Fissuras e vermelhidão nos cantos da boca. 
o Mecanismo: A umidade constante nos cantos dos lábios, aliada à presença de Candida, favorece a 
formação de lesões e inflamação. 
3. Candidíase Cutânea (Intertrigo Candidiásico) 
• Lesões Vermelhas e Maceradas: 
o Descrição: Lesões eritematosas, frequentemente úmidas e com bordas bem definidas, em áreas de 
dobras (virilha, axilas, entre os dedos dos pés). 
o Mecanismo: O calor e a umidade retidos nessas áreas criam um ambiente ideal para a proliferação 
de Candida, resultando em inflamação e maceração da pele. 
• Prurido e Pústulas: 
o Descrição: Coceira intensa e pequenas pústulas ao redor das lesões principais. 
o Mecanismo: A resposta imunológica contra o fungo causa a formação de pústulas e aumenta a 
irritação, levando à coceira. 
Complicações da Candidíase 
1. Candidíase Recorrente: 
o Descrição: Infecções frequentes, ocorrendo quatro ou mais vezes por ano. 
o Mecanismo: Pode ocorrer devido a fatores predisponentes contínuos (uso crônico de antibióticos, 
diabetes, desequilíbrios hormonais) que favorecem a proliferação fúngica. 
2. Candidíase Sistêmica (Candidemia): 
o Descrição: Infecção que se espalha para a corrente sanguínea e pode atingir órgãos como fígado, 
pulmões, coração e cérebro. 
o Mecanismo: Ocorre em pacientes imunocomprometidos, nos quais a Candida consegue invadir a 
circulação e alcançar órgãos internos. Essa complicação é grave e requer tratamento imediato, pois 
pode ser fatal. 
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3. Queilite Angular Crônica: 
o Descrição: Lesões persistentes nos cantos da boca, com fissuras e dor. 
o Mecanismo: A umidade constante e a presença de Candida nas fissuras dificultam a cicatrização, 
levando a uma inflamação contínua. 
4. Disfagia e Odinofagia (Dor ao Engolir) na Candidíase Esofágica: 
o Descrição: Dor e dificuldade para engolir, comuns em infecções esofágicas por Candida em pacientes 
imunossuprimidos. 
o Mecanismo: A Candida pode invadir o esôfago, causando inflamação e lesões na mucosa, o que leva 
a dor intensa e desconforto ao engolir. 
 
Diagnóstico Clínico 
1. Avaliação dos Sintomas e Exame Físico 
o Descrição: O diagnóstico clínico da candidíase, especialmente da candidíase vaginal e oral, é baseado 
nos sintomas característicos e na observação das lesões durante o exame físico. 
o Limitação: Embora útil, o diagnóstico clínico pode ser limitado, pois sintomas de candidíase (como 
corrimento vaginal, prurido e placas brancas na boca) podem ser semelhantes aos de outras 
condições, como vaginose bacteriana e estomatite. 
Diagnóstico Laboratorial 
1. Exame Padrão-Ouro: Cultura Fúngica 
• Descrição: A cultura em meio específico para fungos, como o meio Sabouraud dextrose, é considerada o 
padrão-ouro para o diagnóstico de candidíase. A cultura permite identificar a presença de Candida spp., 
quantificar o crescimento e identificar a espécie específica de Candida, o que é útil em casos de infecção 
persistente ou complicada. 
• Procedimento: Uma amostra é coletada da área afetada (vaginal, oral ou cutânea) e incubada no meio 
apropriado. Após alguns dias, o crescimento de colônias sugere a presença de Candida. 
• Interpretação: 
o Positivo: O crescimento significativo de Candida indica infecção ativa, especialmente se houver 
sintomas correspondentes. 
o Negativo: A ausência de crescimento sugere que não há infecção ativa por Candida, mas falsos 
negativos podem ocorrer em casos de baixa carga fúngica. 
2. Exame Microscópico a Fresco e Teste de KOH (Hidróxido de Potássio) 
• Descrição: A microscopia com KOH é um método rápido e acessível para visualização direta de Candida. O 
hidróxido de potássio dissolve as células epiteliais, permitindo uma visualização mais clara dos esporos e 
pseudohifas da Candida ao microscópio. 
• Procedimento: A amostra é misturada com uma solução de KOHa 10% e examinada ao microscópio. A 
presença de esporos ou pseudohifas confirma a presença de Candida. 
• Interpretação: 
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o Positivo: A visualização de esporos e/ou pseudohifas indica infecção fúngica ativa. 
o Negativo: A ausência de estruturas fúngicas sugere que não há infecção ativa, embora a 
sensibilidade do método seja limitada em amostras com baixa carga fúngica. 
3. Teste de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) 
• Descrição: O PCR detecta o material genético de Candida spp. e é altamente sensível, permitindo identificar 
a espécie específica de Candida. 
• Procedimento: Amostras são submetidas a PCR para amplificação de DNA fúngico, o que permite detectar 
mesmo pequenas quantidades de Candida. 
• Interpretação: 
o Positivo: A presença de DNA de Candida confirma infecção ativa, especialmente útil em infecções 
recorrentes e casos de resistência ao tratamento. 
o Negativo: A ausência de material genético sugere que não há infecção ativa. 
4. Exame de Sensibilidade a Antifúngicos 
• Descrição: Em casos de candidíase recorrente ou resistente ao tratamento padrão, a cultura fúngica pode ser 
seguida por um teste de sensibilidade a antifúngicos para determinar a resistência do fungo e orientar o 
tratamento. 
• Procedimento: Após o crescimento em cultura, o fungo é exposto a diferentes antifúngicos para avaliar a 
resposta. 
• Interpretação: 
o Sensível: O crescimento é inibido pelo antifúngico, indicando que o tratamento será eficaz. 
o Resistente: A ausência de inibição indica resistência, sugerindo a necessidade de um antifúngico 
alternativo. 
5. Outros Testes: Colorimetria e Testes de Imunofluorescência 
• Descrição: Esses métodos detectam antígenos de Candida ou metabólitos do fungo e são úteis em contextos 
hospitalares, especialmente em casos de candidíase sistêmica. 
• Interpretação: 
o Positivo: A detecção de antígenos específicos indica infecção ativa. 
o Negativo: A ausência de antígenos sugere que não há infecção ativa. 
Interpretação Geral dos Resultados Diagnósticos 
• Diagnóstico Confirmado: Em pacientes com sintomas sugestivos e cultura positiva para Candida spp., o 
diagnóstico de candidíase é confirmado. Em casos de candidíase recorrente ou sistêmica, a identificação da 
espécie e a sensibilidade aos antifúngicos são fundamentais para direcionar o tratamento. 
• Diagnóstico Diferencial: Em pacientes com resultados negativos e sintomas vagos, é necessário investigar 
outras causas, como infecções bacterianas ou irritações alérgicas. 
 
Tratamento da Candidíase Vaginal (Vulvovaginite Candidiásica) 
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1. Tratamento de Primeira Linha 
• Antifúngicos Tópicos: Como miconazol, clotrimazol e nistatina. Estes são aplicados na forma de creme ou 
óvulos vaginais. 
o Vantagens: Eficazes para infecções leves a moderadas e apresentam menos efeitos colaterais 
sistêmicos. 
• Antifúngicos Orais: O fluconazol é o mais comumente usado. Normalmente, uma única dose é suficiente, 
mas o médico pode recomendar doses adicionais dependendo da gravidade. 
o Vantagens: Conveniente para pacientes que preferem tratamento oral ou têm dificuldade em aplicar 
cremes. 
2. Tratamento para Candidíase Vaginal Recorrente 
• Terapia de Manutenção: Para casos de candidíase recorrente (quatro ou mais episódios por ano), o 
tratamento de manutenção com fluconazol semanal por um período de até seis meses pode ser indicado. 
o Objetivo: Reduzir a frequência das infecções e manter o equilíbrio da microbiota vaginal. 
• Tratamento com Antifúngicos Alternativos: Se houver resistência ou intolerância ao fluconazol, o itraconazol 
ou o voriconazol podem ser considerados. 
3. Gestantes 
• Antifúngicos Tópicos: O uso de cremes antifúngicos tópicos (como clotrimazol) é preferível para gestantes, 
pois minimiza a exposição sistêmica ao fármaco. 
• Observação: Antifúngicos orais como fluconazol são geralmente evitados durante a gestação, especialmente 
no primeiro trimestre. 
 
Tratamento da Candidíase Oral (Sapinho) 
1. Antifúngicos Tópicos 
• Nistatina: Usada na forma de suspensão oral (bochechos) ou pastilhas, sendo uma opção segura e eficaz. 
• Miconazol Gel Oral: Também pode ser utilizado, aplicado diretamente na área afetada. 
2. Antifúngicos Sistêmicos 
• Fluconazol: Recomendado para casos mais graves ou em pacientes imunocomprometidos. 
• Itraconazol ou Voriconazol: Usados em casos de resistência ao fluconazol ou quando há contraindicações. 
 
Tratamento da Candidíase Cutânea (Intertrigo Candidiásico) 
1. Antifúngicos Tópicos 
• Cremes com Miconazol, Clotrimazol ou Nistatina: Aplicados diretamente sobre as lesões nas áreas de 
dobras cutâneas (axilas, virilhas, áreas sob os seios). 
• Pós Secativos com Antifúngicos: Úteis para controlar a umidade nas áreas afetadas, o que limita o ambiente 
favorável ao crescimento de Candida. 
2. Cuidados com a Pele 
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• Manter a Pele Seca: Secar bem as áreas de dobras após o banho e usar roupas leves e que não retenham 
umidade. 
• Uso de Roupas de Algodão: Evitar tecidos sintéticos, que retêm calor e umidade. 
 
Tratamento da Candidíase Sistêmica (Candidemia) 
Em pacientes imunocomprometidos, como aqueles em terapia imunossupressora, transplantados ou com 
neutropenia, a candidemia é uma condição grave que requer tratamento imediato e agressivo. 
1. Antifúngicos Intravenosos 
• Equinocandinas: Como caspofungina, micafungina ou anidulafungina, são a primeira escolha para 
candidemia, devido à sua eficácia e ao perfil de segurança. 
• Anfotericina B: Utilizada em infecções mais graves ou resistentes, embora tenha um perfil de toxicidade 
maior. 
• Fluconazol IV: Pode ser utilizado em pacientes estáveis e sem exposição prévia ao fluconazol. 
2. Duração do Tratamento 
• O tratamento sistêmico é prolongado, geralmente de duas semanas após a última cultura positiva e a 
resolução dos sintomas. 
• Em alguns casos, é necessário acompanhamento prolongado e monitoramento por exames de imagem para 
identificar abscessos ou infecções em órgãos específicos. 
 
1. Manter uma Boa Higiene Íntima 
• Higiene Adequada: Lavar a área genital com água e sabão neutro, sem exagero na frequência, ajuda a 
manter o equilíbrio da microbiota sem causar irritação. 
• Evitar Duchas Vaginais: As duchas vaginais podem alterar o pH vaginal e a flora bacteriana, favorecendo o 
crescimento de Candida. 
• Evitar Produtos Íntimos Irritantes: Produtos perfumados, desodorantes íntimos e sabonetes agressivos 
devem ser evitados, pois podem causar irritação e desequilibrar o ambiente vaginal. 
2. Escolha Adequada de Roupas 
• Roupas Íntimas de Algodão: O algodão permite melhor ventilação, evitando o acúmulo de umidade e calor, 
que favorecem o crescimento de fungos. 
• Evitar Roupas Apertadas e Sintéticas: Tecidos sintéticos e roupas justas aumentam a umidade e o calor na 
região genital, criando um ambiente propício para a Candida. 
3. Controle de Fatores de Saúde 
• Controle da Glicemia em Diabéticos: Níveis elevados de glicose no sangue e nas secreções favorecem a 
proliferação de Candida. Manter o diabetes controlado é essencial para prevenir a infecção. 
• Evitar o Uso Desnecessário de Antibióticos: Antibióticos de amplo espectro podem eliminar bactérias 
benéficas, como os lactobacilos, que ajudam a manter o pH vaginal ácido e inibem o crescimento de fungos. 
4. Alimentação Balanceada 
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• Evitar Excesso de Açúcar e Carboidratos Refinados: Dietas ricas em açúcar podem favorecer o crescimento 
de Candida, pois o fungo utiliza glicose como fonte de energia. 
• Aumentar a Ingestão de Probióticos: Alimentos fermentados como iogurtes probióticos, kefir e chucrute 
podem ajudar a manter a microbiota intestinal saudável, o que tem efeitos positivos na flora vaginal. 
5. Uso de Antifúngicos em Situações de Risco 
• Profilaxia em Pacientes Imunocomprometidos: Em pacientes comrisco aumentado de infecção (como 
aqueles em quimioterapia ou com HIV/AIDS), pode-se considerar o uso profilático de antifúngicos, mas 
apenas sob orientação médica. 
• Uso de Antifúngicos para Prevenção de Recorrência: Em pacientes com candidíase recorrente, o médico 
pode prescrever antifúngicos em doses de manutenção para reduzir a frequência das infecções. 
6. Evitar Duchas Vaginais e Produtos de Higiene Irritantes 
• Motivo: Produtos como sprays, sabonetes perfumados e duchas vaginais podem desequilibrar a microbiota 
vaginal, facilitando o crescimento de Candida. 
• Alternativa: Preferir produtos suaves, sem fragrância, e evitar duchas vaginais, a não ser que sejam 
recomendadas pelo médico em situações específicas. 
7. Prevenção em Atividades Sexuais 
• Uso de Preservativos: Embora a candidíase não seja considerada uma IST, o uso de preservativos pode 
ajudar a evitar o desequilíbrio na microbiota vaginal em algumas situações. 
• Tratamento do Parceiro em Casos de Infecção Recorrente: Em alguns casos de candidíase recorrente, o 
parceiro sexual também pode ser tratado para reduzir a chance de reinfecção. 
 
 
A Gardnerella vaginalis é uma bactéria anaeróbia facultativa que faz parte da microbiota vaginal em pequenas 
quantidades, mas que, sob certas condições, pode proliferar e contribuir para a vaginose bacteriana. A vaginose 
bacteriana não é uma infecção propriamente dita, mas um desequilíbrio na microbiota vaginal, onde há uma redução 
dos lactobacilos (bactérias benéficas que mantêm o pH ácido) e aumento de bactérias anaeróbias, como a 
Gardnerella vaginalis. 
1. Prevalência Global: 
o Vaginose Bacteriana (VB) é uma das causas mais comuns de vaginite em mulheres em idade 
reprodutiva, com prevalência global entre 10-50% dependendo da região e do grupo populacional. 
Em populações de alto risco, como mulheres com múltiplos parceiros sexuais, essa prevalência pode 
atingir 50-60%. 
o Nos Estados Unidos, cerca de 29% das mulheres entre 14 e 49 anos apresentam vaginose 
bacteriana, sendo mais prevalente em mulheres afro-americanas e de baixa condição 
socioeconômica. 
2. Distribuição e Grupos de Risco: 
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o A Gardnerella vaginalis é detectada em 20-70% das mulheres assintomáticas, e a VB é mais comum 
em mulheres que apresentam fatores de risco como múltiplos parceiros sexuais, novas parcerias 
sexuais, uso de duchas vaginais e histórico de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). 
o Embora a VB não seja considerada uma IST, esses fatores de risco aumentam as chances de 
desenvolvimento do desequilíbrio da microbiota. 
3. Recorrência e Impacto Clínico: 
o A VB apresenta uma alta taxa de recorrência: cerca de 30% das mulheres tratadas voltam a 
apresentar sintomas em três meses e até 50-70% em um ano. 
o Gardnerella vaginalis é considerada a principal bactéria associada à VB, embora a condição seja 
polimicrobiana, envolvendo também outras bactérias anaeróbias. 
4. Implicações na Saúde e Complicações: 
o Mulheres com VB apresentam um risco aumentado para infecções ginecológicas, incluindo doença 
inflamatória pélvica, além de um risco maior de complicações obstétricas, como parto prematuro e 
ruptura prematura de membranas. 
o A VB também aumenta a susceptibilidade à aquisição e transmissão do HIV e outras ISTs. 
 
Etiologia de Gardnerella vaginalis 
1. Características da Gardnerella vaginalis 
o G. vaginalis é um bacilo gram-variável, com características que permitem sua sobrevivência em 
ambientes com baixos níveis de oxigênio, o que facilita seu crescimento na vagina. 
o A bactéria possui um fator de virulência chamado hemolisina e produz biofilmes, estruturas que 
protegem as bactérias e dificultam a eliminação pelo sistema imunológico e pelo uso de 
antimicrobianos. 
o Ao proliferar, a Gardnerella libera enzimas e compostos voláteis que alteram o ambiente vaginal, 
tornando-o mais alcalino (pH > 4,5) e promovendo o crescimento de outras bactérias anaeróbias, 
como Mobiluncus e Prevotella. 
 
Mecanismos de Transmissão de Gardnerella vaginalis 
1. Transmissão não Sexual (Alteração Endógena) 
o A Gardnerella vaginalis faz parte da microbiota vaginal normal em muitas mulheres e não é 
considerada uma bactéria transmitida sexualmente de forma clássica. 
o A vaginose bacteriana ocorre devido a um desequilíbrio endógeno, ou seja, uma alteração nas 
condições da própria microbiota vaginal, que permite o crescimento excessivo de G. vaginalis. 
Fatores como duchas vaginais, alterações hormonais e uso de antibióticos podem perturbar o 
equilíbrio natural da microbiota, promovendo a proliferação da Gardnerella. 
2. Fatores Sexuais como Facilitadores 
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o Embora a vaginose bacteriana não seja classificada como uma IST (infecção sexualmente 
transmissível), fatores relacionados à atividade sexual, como múltiplos parceiros sexuais ou relações 
desprotegidas, aumentam o risco de desequilíbrio da microbiota vaginal e de vaginose. 
o A transmissão direta de G. vaginalis entre parceiros sexuais não é a causa principal da vaginose, mas 
a prática sexual pode facilitar o ambiente para a proliferação da bactéria ao introduzir novas 
bactérias e modificar o pH vaginal. 
3. Transmissão Vertical ou por Fômites 
o A vaginose bacteriana não é transmitida de mãe para filho durante o parto, e a transmissão por 
superfícies (fômites) não é considerada significativa para a Gardnerella vaginalis. A proliferação 
dessa bactéria é geralmente associada a fatores internos que perturbam o equilíbrio vaginal. 
 
1. Duchas Vaginais e Uso de Produtos Íntimos Irritantes 
• Motivo: As duchas vaginais removem parte da microbiota benéfica (especialmente os lactobacilos) e alteram 
o pH vaginal, criando um ambiente menos ácido e mais favorável para o crescimento de Gardnerella 
vaginalis e outras bactérias anaeróbias. 
• Impacto: O uso frequente de duchas vaginais é um dos principais fatores de risco para a vaginose bacteriana. 
2. Atividade Sexual Desprotegida e Múltiplos Parceiros Sexuais 
• Motivo: A atividade sexual, especialmente sem preservativos, pode introduzir novas bactérias na microbiota 
vaginal e modificar seu equilíbrio. Além disso, múltiplos parceiros sexuais estão associados a uma maior 
chance de desequilíbrio vaginal. 
• Impacto: Embora a vaginose bacteriana não seja considerada uma IST, essas práticas sexuais são fatores de 
risco importantes para o desenvolvimento da condição. 
3. Uso de Antibióticos de Amplo Espectro 
• Motivo: O uso de antibióticos pode reduzir a população de lactobacilos na vagina, que são essenciais para 
manter o pH vaginal ácido e inibir o crescimento de Gardnerella vaginalis. 
• Impacto: A ausência de lactobacilos favorece o crescimento de Gardnerella e de outras bactérias anaeróbias, 
aumentando o risco de vaginose bacteriana. 
4. Alterações Hormonais 
• Motivo: Alterações nos níveis de estrogênio, como as que ocorrem durante o uso de contraceptivos 
hormonais, podem reduzir o número de lactobacilos e aumentar a disponibilidade de glicogênio no epitélio 
vaginal, criando um ambiente mais propício para a Gardnerella vaginalis. 
• Impacto: A redução da defesa natural da microbiota e a alteração do pH são importantes na proliferação da 
bactéria. 
5. Uso de Dispositivos Intrauterinos (DIU) 
• Motivo: O DIU pode aumentar o risco de vaginose bacteriana, possivelmente devido à irritação crônica ou à 
criação de um ambiente que favorece o crescimento de bactérias anaeróbias. 
• Impacto: Mulheres que utilizam DIU apresentam maior risco de desenvolver vaginose bacteriana em 
comparação a outros métodos contraceptivos. 
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6. Tabagismo 
• Motivo: O cigarro pode alterar a resposta imunológica local e reduzir a população de lactobacilos, que são 
essenciais para manter o equilíbrio vaginal. 
• Impacto: Fumantes têm maior probabilidade de desenvolver vaginose bacteriana, pois o tabagismo contribuipara um ambiente vaginal desequilibrado. 
7. Estresse e Sistema Imunológico Comprometido 
• Motivo: O estresse crônico pode comprometer o sistema imunológico e, consequentemente, diminuir a 
capacidade de manter o equilíbrio adequado da microbiota vaginal. 
• Impacto: Um sistema imunológico comprometido favorece a proliferação de Gardnerella vaginalis e aumenta 
a chance de desenvolvimento de vaginose bacteriana. 
8. Gravidez 
• Motivo: Durante a gravidez, ocorrem alterações hormonais e imunológicas que podem modificar o ambiente 
vaginal e favorecer o crescimento de Gardnerella vaginalis. 
• Impacto: A vaginose bacteriana é relativamente comum durante a gravidez e pode estar associada a um risco 
aumentado de complicações, como parto prematuro. 
 
Manifestações Clínicas da Vaginose Bacteriana 
1. Corrimento Vaginal 
• Descrição: Corrimento fino, homogêneo e de cor branco-acinzentada. 
• Mecanismo: A proliferação de Gardnerella vaginalis e outras bactérias anaeróbias causa uma resposta 
inflamatória leve, resultando em um corrimento típico. Esse corrimento é menos espesso e diferente do 
observado em infecções fúngicas, como a candidíase, onde o corrimento é geralmente mais grosso e branco. 
• Sintomas: Em geral, o corrimento é indolor, mas pode ser acompanhado de outros desconfortos, 
especialmente quando há aumento de volume. 
 
2. Odor Desagradável (Odor de Peixe) 
• Descrição: Odor característico, que lembra "peixe podre", mais perceptível após o contato com o sêmen ou 
durante a menstruação. 
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• Mecanismo: A Gardnerella vaginalis e outras bactérias produzem compostos voláteis, como aminas 
(putrescina e cadaverina), que são responsáveis pelo odor desagradável. Esse cheiro fica mais intenso em pH 
alcalino, como ocorre quando o corrimento entra em contato com o sêmen, que tem pH mais elevado. 
• Sintomas: O odor é incômodo e pode ser uma das razões pelas quais as pacientes procuram atendimento 
médico. 
3. Prurido e Irritação Leve 
• Descrição: Embora menos comum, algumas mulheres podem apresentar coceira ou irritação leve na região 
vaginal. 
• Mecanismo: A alcalinização do ambiente vaginal e o desequilíbrio na microbiota podem causar irritação da 
mucosa. No entanto, a vaginose bacteriana geralmente não provoca a mesma intensidade de prurido que 
infecções como a candidíase. 
• Sintomas: Coceira leve e desconforto, que são geralmente menos intensos em comparação com infecções 
fúngicas. 
4. Dispareunia (Dor Durante a Relação Sexual) 
• Descrição: Algumas mulheres podem relatar dor ou desconforto durante o contato sexual. 
• Mecanismo: A inflamação leve da mucosa vaginal, associada ao aumento do pH, pode causar ressecamento 
e sensibilidade aumentada durante o ato sexual. 
• Sintomas: Desconforto ou dor leve durante a penetração, principalmente em casos onde a vaginose 
bacteriana é recorrente. 
 
Complicações da Vaginose Bacteriana 
1. Doença Inflamatória Pélvica (DIP) 
• Descrição: A vaginose bacteriana pode aumentar o risco de desenvolvimento de doença inflamatória pélvica, 
uma infecção que afeta o útero, trompas de falópio e ovários. 
• Mecanismo: O desequilíbrio na microbiota vaginal e a redução dos lactobacilos que mantêm o ambiente 
ácido facilitam a ascensão de bactérias anaeróbias, como Gardnerella, para o trato genital superior, onde 
podem desencadear infecção e inflamação. 
• Impacto: A DIP está associada a complicações graves, como infertilidade, dor pélvica crônica e aumento do 
risco de gravidez ectópica. 
2. Aumento do Risco de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) 
• Descrição: Mulheres com vaginose bacteriana têm um risco aumentado de adquirir ISTs, como clamídia, 
gonorreia e HIV. 
• Mecanismo: A alteração na microbiota vaginal reduz a barreira protetora natural proporcionada pelos 
lactobacilos, aumentando a suscetibilidade à infecção por patógenos sexualmente transmissíveis. 
• Impacto: As ISTs são um problema de saúde pública, e o aumento da suscetibilidade a essas infecções pode 
ter consequências importantes para a saúde reprodutiva e imunológica da paciente. 
3. Complicações na Gravidez 
• Descrição: A vaginose bacteriana na gravidez pode aumentar o risco de complicações como parto prematuro, 
ruptura prematura de membranas e baixo peso ao nascer. 
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• Mecanismo: A inflamação causada pela presença de Gardnerella e outras bactérias altera o ambiente uterino 
e pode induzir a liberação de citocinas pró-inflamatórias que desencadeiam o trabalho de parto antes do 
tempo ou rompem as membranas amnióticas. 
• Impacto: Partos prematuros e baixo peso ao nascer estão associados a riscos aumentados para a saúde do 
bebê, incluindo problemas respiratórios e neurológicos. 
4. Endometrite Pós-Parto e Pós-Aborto 
• Descrição: A vaginose bacteriana é um fator de risco para infecção do endométrio (endometrite) após o 
parto ou aborto. 
• Mecanismo: O desequilíbrio bacteriano facilita a entrada de Gardnerella e outras bactérias anaeróbias na 
cavidade uterina durante o parto ou procedimentos invasivos, como a curetagem. Isso aumenta o risco de 
infecção do revestimento uterino. 
• Impacto: A endometrite pode causar febre, dor abdominal, sangramento anormal e, se não tratada, 
complicações graves, como septicemia. 
5. Infecções Urinárias Repetidas 
• Descrição: Mulheres com vaginose bacteriana podem apresentar maior incidência de infecções do trato 
urinário (ITUs). 
• Mecanismo: A proximidade anatômica entre a vagina e a uretra facilita a migração de bactérias para o trato 
urinário, especialmente em um ambiente onde o pH vaginal está alterado e os lactobacilos estão reduzidos. 
• Impacto: As ITUs repetidas causam desconforto e, se não tratadas, podem progredir para infecções renais 
(pielonefrite). 
 
Diagnóstico Clínico da Vaginose Bacteriana 
1. Critérios de Amsel (Mais Comum) 
• Descrição: Os critérios de Amsel são amplamente usados para diagnosticar vaginose bacteriana na prática 
clínica, pois são simples e baseados em observações clínicas. 
• Critérios Diagnósticos: Para o diagnóstico de vaginose bacteriana, devem estar presentes pelo menos três 
dos quatro critérios abaixo: 
1. Corrimento Vaginal Característico: Corrimento fino, homogêneo e de cor branco-acinzentada. 
2. pH Vaginal Elevado (> 4,5): O pH vaginal é medido com uma fita de pH em uma amostra de secreção 
vaginal. 
3. Teste das Aminas Positivo (Teste do "Whiff"): Adição de uma gota de solução de hidróxido de 
potássio a 10% na secreção vaginal libera um odor semelhante a "peixe" devido às aminas voláteis 
produzidas pela Gardnerella e outras bactérias anaeróbias. 
4. Clue Cells na Microscopia: Presença de "clue cells" (células epiteliais recobertas por bactérias) na 
microscopia da secreção vaginal. As "clue cells" são células epiteliais cobertas por bactérias, dando 
um aspecto "granuloso" nas bordas. 
• Interpretação: A presença de três ou mais desses critérios confirma o diagnóstico de vaginose bacteriana. 
Diagnóstico Laboratorial 
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2. Exame Padrão-Ouro: Cultura de Microbiota Vaginal 
• Descrição: A cultura de Gardnerella vaginalis em meios específicos é considerada o padrão-ouro para 
identificar a bactéria, especialmente útil em casos de sintomas persistentes ou complicados. 
• Procedimento: A secreção vaginal é coletada e cultivada em meios apropriados para o crescimento de G. 
vaginalis e outras bactérias anaeróbias. 
• Interpretação: A presença de uma quantidade elevada de Gardnerella vaginalis sugere vaginose bacteriana. 
No entanto, o isolamento de Gardnerella sozinho não é suficiente para o diagnóstico, pois a bactéria pode 
fazer parte da microbiota normal. 
3. Microscopia com Gram e Pontuação de Nugent 
• Descrição: A coloração de Gram e o sistema de pontuação de Nugent são métodos utilizados para quantificar 
as bactérias e avaliar o equilíbrio da microbiota vaginal. 
• Procedimento:A amostra é corada pelo método de Gram e as bactérias presentes são contadas e 
classificadas. O sistema de pontuação de Nugent varia de 0 a 10: 
o 0 a 3: Flora normal, dominada por lactobacilos. 
o 4 a 6: Flora intermediária, sugerindo desequilíbrio. 
o 7 a 10: Indicativo de vaginose bacteriana. 
• Interpretação: Uma pontuação de 7 a 10 indica vaginose bacteriana. A pontuação de Nugent é útil para 
monitorar a resposta ao tratamento e avaliar a recorrência. 
4. Teste de Ácido Desoxirribonucleico (DNA) 
• Descrição: Testes moleculares que detectam o DNA de Gardnerella vaginalis e de outras bactérias associadas 
à vaginose bacteriana estão se tornando mais comuns. 
• Procedimento: Amostras vaginais são analisadas para detectar a presença de DNA específico de G. vaginalis 
e outras bactérias anaeróbias. 
• Interpretação: A presença de DNA de G. vaginalis e outras bactérias em quantidades elevadas apoia o 
diagnóstico de vaginose bacteriana, especialmente em casos onde os métodos tradicionais são inconclusivos. 
 
Interpretação dos Resultados Diagnósticos 
1. Confirmação do Diagnóstico: A vaginose bacteriana é confirmada quando três dos quatro critérios de Amsel 
estão presentes ou quando a pontuação de Nugent é de 7 a 10. 
2. Consideração dos Sintomas e Histórico Clínico: Nos casos em que o quadro clínico é atípico, pode-se utilizar 
uma combinação de métodos laboratoriais para confirmação, especialmente em pacientes com vaginose 
bacteriana recorrente ou em gestantes. 
3. Diferenciação de Outras Condições: O diagnóstico diferencial inclui outras causas de corrimento vaginal, 
como candidíase e tricomoníase, que possuem diferentes características clínicas e laboratoriais. 
 
1. Tratamento Farmacológico de Primeira Linha 
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• Metronidazol Oral: É o tratamento mais comum e eficaz para a vaginose bacteriana. Atua contra bactérias 
anaeróbias, incluindo Gardnerella vaginalis, reduzindo a população bacteriana patogênica e restaurando o 
equilíbrio da microbiota. 
• Metronidazol Gel Vaginal: Outra forma de administração de metronidazol, aplicada diretamente na vagina, 
sendo eficaz e com menor risco de efeitos colaterais sistêmicos. 
• Clindamicina Creme Vaginal: Uma alternativa ao metronidazol, eficaz no combate às bactérias anaeróbias. A 
clindamicina pode ser usada em mulheres que têm intolerância ou contraindicações ao metronidazol. 
• Observação sobre o Álcool: Durante o tratamento com metronidazol, deve-se evitar o consumo de álcool, 
pois pode causar efeitos adversos como náusea, vômito, rubor e taquicardia (efeito antabuse). 
2. Opções de Tratamento Alternativas 
• Clindamicina Oral: Indicada para pacientes que não toleram o metronidazol. Embora eficaz, o uso 
prolongado pode levar a efeitos colaterais como diarreia, inclusive diarreia associada ao Clostridioides 
difficile. 
• Secnidazol Oral: Uma opção em dose única, útil para pacientes que preferem um esquema de tratamento 
mais curto. 
• Tinidazol: Outra alternativa ao metronidazol, com perfil de eficácia semelhante e menor risco de efeitos 
gastrointestinais. 
3. Tratamento em Casos de Vaginose Bacteriana Recorrente 
• Terapia de Manutenção com Metronidazol Gel: Em casos de vaginose bacteriana recorrente, uma estratégia 
de manutenção com metronidazol gel aplicado duas vezes por semana durante três a seis meses pode ser 
eficaz para reduzir a taxa de recorrência. 
• Probióticos: Embora as evidências ainda sejam limitadas, alguns estudos sugerem que o uso de probióticos 
(especialmente os contendo lactobacilos) pode ajudar a restaurar a microbiota vaginal e reduzir as 
recorrências. Os probióticos podem ser administrados por via oral ou vaginal. 
• Combinação de Antifúngicos e Antibióticos: Em pacientes com infecções mistas (como VB e candidíase), 
pode ser necessário combinar tratamento antifúngico com antibiótico para atingir as duas causas. 
4. Considerações Especiais 
• Gravidez: A vaginose bacteriana em gestantes pode aumentar o risco de parto prematuro e complicações 
neonatais. Em mulheres grávidas sintomáticas ou com risco de complicações obstétricas, o tratamento com 
metronidazol ou clindamicina é seguro e recomendado. 
• Parceiros Sexuais: Em geral, não é necessário tratar o parceiro sexual, pois a vaginose bacteriana não é 
considerada uma infecção sexualmente transmissível. No entanto, em casos de recorrência frequente, o 
tratamento do parceiro pode ser avaliado. 
5. Orientações Adicionais para o Tratamento 
• Evitar Duchas Vaginais e Produtos Íntimos Irritantes: Durante e após o tratamento, recomenda-se evitar 
duchas vaginais e o uso de produtos perfumados que possam irritar a mucosa vaginal e desestabilizar a 
microbiota. 
• Atenção ao Uso de Preservativos e Anticoncepcionais: O uso de preservativos de látex pode ser 
recomendado durante o tratamento com cremes vaginais, pois alguns agentes, como a clindamicina em 
creme, podem reduzir a eficácia dos preservativos. 
6. Monitoramento e Reteste 
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• Monitoramento de Sintomas: Em geral, o reteste não é necessário se os sintomas desaparecerem após o 
tratamento. No entanto, para pacientes com alto risco de complicações, como gestantes, pode ser 
recomendada uma avaliação de acompanhamento. 
• Reavaliação em Casos de Recorrência: Em mulheres com vaginose bacteriana recorrente, o médico pode 
optar por monitoramento regular e, se necessário, ajustar o esquema de manutenção para prevenir novos 
episódios. 
 
1. Evitar Duchas Vaginais e Produtos Íntimos Irritantes 
• Motivo: As duchas vaginais removem as bactérias benéficas (lactobacilos) que protegem a microbiota vaginal 
e mantêm o pH ácido. A eliminação dos lactobacilos favorece o crescimento de bactérias anaeróbias, como 
Gardnerella. 
• Recomendação: Evitar o uso de duchas vaginais e produtos perfumados, como desodorantes íntimos e 
sabonetes agressivos, que podem irritar a mucosa vaginal e desestabilizar o ambiente vaginal. 
2. Manter Hábitos Sexuais Seguros 
• Motivo: Embora a VB não seja uma IST, a atividade sexual pode introduzir novas bactérias na vagina e 
modificar o equilíbrio da microbiota. 
• Recomendação: Usar preservativos pode ajudar a manter o pH vaginal, principalmente em mulheres com 
histórico de VB. Além disso, evitar múltiplos parceiros sexuais pode reduzir o risco de desequilíbrio vaginal. 
3. Evitar o Uso Desnecessário de Antibióticos 
• Motivo: Antibióticos de amplo espectro podem eliminar as bactérias benéficas (lactobacilos) que mantêm o 
ambiente vaginal saudável, facilitando o crescimento de Gardnerella e outras bactérias associadas à VB. 
• Recomendação: Usar antibióticos somente quando necessário e com prescrição médica. Se o uso for 
indispensável, discutir com o médico a possibilidade de uso de probióticos para reduzir os efeitos sobre a 
microbiota. 
4. Escolher Roupas Apropriadas 
• Motivo: Roupas apertadas e de tecido sintético retêm umidade e calor, criando um ambiente favorável para 
o crescimento bacteriano. 
• Recomendação: Preferir roupas íntimas de algodão e evitar calças justas ou de tecidos sintéticos, 
especialmente por períodos prolongados, para permitir ventilação e reduzir a umidade na área genital. 
5. Manter uma Boa Higiene Íntima 
• Motivo: A higiene adequada ajuda a manter a microbiota equilibrada e previne o acúmulo de substâncias 
que possam desequilibrar o pH vaginal. 
• Recomendação: Lavar a área genital com água e sabão neutro, sem exageros. Evitar esfregar intensamente, o 
que pode irritar a pele e mucosa vaginal. 
6. Evitar o Tabagismo 
• Motivo: O cigarro pode alterar a resposta imunológica e reduzir a quantidade de lactobacilos, favorecendo o 
crescimento de Gardnerella vaginalis e outras bactérias associadas à VB. 
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• Recomendação: Evitar o uso de tabaco como uma medida de proteção geral para a saúde vaginal e o sistema 
imunológico. 
7. Uso de Probióticos como Medida