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Universidade Federal do Rio Grande do Sul Departamento de Engenharia Mecânica ENG03080 – Metrologia e Qualidade LABORATÓRIO III - MICRÔMETROMILESIMAL - DISCIPLINA ENG03080 Aaron Cappra UFRGS - aaron.cappra@gmail.com André Zucolotti UFRGS - andrezoco@hotmail.com Ricardo José Belibio UFRGS - ricardobelibio@gmail.com RESUMO: Foram desenvolvidas competências fundamentais para o uso eficaz do micrômetro, abrangendo tanto a leitura adequada das medições quanto o manuseio preciso do equipamento. Além disso, conceitos básicos de estatística, como erro aleatório, incerteza padrão, tendência e correções, foram incorporados nas análises realizadas com o instrumento. PALAVRAS-CHAVE: micrômetro, medições, instrumentos INTRODUÇÃO O micrômetro milesimal é um instrumento essencial na metrologia, permitindo medições lineares com precisão na ordem de 0,001 mm. Essa característica torna-o indispensável em setores industriais, especialmente na engenharia mecânica e no controle de qualidade, onde tolerâncias rigorosas são cruciais para assegurar a intercambiabilidade e o desempenho ideal de componentes. De acordo com Abbot (1989), instrumentos de precisão como o micrômetro desempenham papel central no avanço da produção industrial, garantindo a uniformidade e o cumprimento de padrões técnicos. O funcionamento do micrômetro é baseado no mecanismo de um parafuso micrométrico, que desloca um cilindro móvel proporcionalmente ao passo do parafuso, permitindo medições extremamente detalhadas. Essa abordagem mecânica possibilita realizar medições diretas e indiretas que seriam inviáveis com dispositivos de menor precisão, como paquímetros (BARR, 1993). Em aplicações industriais, o micrômetro é frequentemente utilizado para medir espessuras, diâmetros externos e internos, além de profundidades, sendo indispensável em processos que demandam altos níveis de exatidão. A padronização no uso e calibração de micrômetros é outro aspecto crítico para sua eficiência. Normas técnicas internacionais, como a ISO 3611, fornecem diretrizes específicas para a calibração, garantindo a rastreabilidade e a confiabilidade das medições realizadas. A calibração regular do micrômetro é fundamental para minimizar desvios e manter a qualidade do processo produtivo. Além disso, o treinamento dos operadores é vital para evitar erros sistemáticos e aleatórios, como ressaltado por Hume (1980), que enfatiza a importância do domínio técnico para o manuseio de instrumentos de medição. Portanto, a eficácia do uso de micrômetros está intrinsecamente ligada à compreensão de seus princípios de funcionamento, cuidados no manuseio e adoção de boas práticas de calibração. Somente assim é possível explorar todo o potencial desse instrumento, assegurando medições confiáveis e contribuindo para a excelência em processos industriais e laboratoriais. METODOLOGIA Diversas medições foram realizadas em uma peça com formato cilíndrico, utilizando um micrômetro como instrumento de precisão. O objetivo era reunir uma ampla quantidade de informações para aumentar a confiabilidade da análise. Com essa abordagem, valores discrepantes teriam uma influência reduzida no resultado final. A partir dos dados obtidos, foram determinados elementos como tendência, correção aplicada, valores corrigidos, variação aleatória, incerteza padrão, capacidade de repetição, incerteza padrão da média e consistência média nas medições. Procedimento Experimental O micrômetro foi fixado no suporte por meio de seu arco, enquanto o encosto móvel foi recuado para abrir espaço suficiente para acomodar a peça entre ele e o batente. Através da rotação do tambor, as superfícies de contato do encosto móvel e do batente foram movidas até encostar na peça. Nesse momento, a catraca foi girada suavemente até emitir três cliques, garantindo uma medição precisa. O valor principal, incluindo o meio milímetro, foi lido diretamente na escala fixa. Para obter a casa decimal e centesimal, o alinhamento do traço do tambor com a linha de referência da escala fixa foi observado Já a casa milesimal foi obtida pelo alinhamento do nônio com a linha coincidente do tambor. A Fig. 1 apresenta todos os elementos mencionados. Figura 1. Partes constituintes do micrômetro. Dada a peça metálica da Fig.2, foram aferidos os diâmetros da peça, com exceção do diâmetro B, em diferentes planos com um micrômetro de 0,001mm de resolução. Figura 2. Peça medida com o micrômetro Equações Governantes O desvio sistemático de um conjunto de medições, também chamado de tendência, é uma estimativa do erro sistemático conforme descrito na Eq. (1). Nesse contexto, o Valor Verdadeiro Convencional (VVC) representa o valor de referência esperado. Para compensar o erro sistemático, utiliza-se a correção (C), que é uma constante equivalente, em magnitude, à tendência, mas com o sinal oposto. Quando a correção é somada ao valor medido, obtém-se o valor ajustado, conforme apresentado na Eq. (2). Por outro lado, o erro aleatório é imprevisível em cada caso, mas pode ser estimado através da Eq. (3). A incerteza associada a esse tipo de erro é chamada de incerteza-padrão (u), que é calculada como o desvio padrão amostral (s), segundo a Eq. (4). A repetitividade, definida pela Eq. (5), indica a faixa dentro da qual o erro aleatório é esperado, considerando uma probabilidade específica. Finalmente, na Eq. (6), o coeficiente t de Student está relacionado ao nível de confiança desejado, enquanto o parâmetro ν = n-1 representa os graus de liberdade no conjunto de medições. Td = média - VVC (1) C = -Td = VVC - I (2) ICi = Ii – C (3) Eai = VVC - ICi (4) u = s = [(∑ (Ii – média)2 ) / (n-1)]1/2 (5) Re = ± u∙tα/2,ν (6) RESULTADOS E DISCUSSÃO As medidas realizadas foram compiladas e os resultados obtidos foram analisados por meio do software Excel. As Tabelas 1 e 2 abaixo demonstram os resultados das medidas. Tabela 1.Medições obtidas com a Peça 1 Tabela 2.Medições obtidas com a Peça 02 Universidade Federal do Rio Grande do Sul Departamento de Engenharia Mecânica ENG03080 – Metrologia e Qualidade Destarte, foram calculados os seguintes parâmetros para cada diâmetro medido: média, desvio padrão (𝑆), valor verdadeiro convencional (VVC), tendência (𝑇𝑑) repetitividade (𝑅). A tendência foi determinada pela diferença entre a 𝑒 média e o VVC, enquanto a repetitividade foi calculada utilizando o coeficiente de Student e o desvio padrão. As Tabelas 3 e 4 abaixo apresentam os resultados obtidos: Tabela 3. Resultados obtidos com os dados da Peça 01 Tabela 4. Resultados obtidos com os dados da Peça 02 Os valores apresentados indicam a precisão das medições, com a maioria das tendências sendo negativas para a Peça 1, sugerindo uma pequena subestimação em relação ao valor verdadeiro. Com relação à Peça 2, a tendência manteve-se majoritariamente positiva, mas houve uma discrepância em relação a medida D, sugerindo uma fuga do comportamento padrão. Os dados foram analisados estatisticamente para determinar a magnitude e o comportamento do erro aleatório (Tabela 5 e 6): Tabela 5. Erro aleatório da peça 1 Tabela 6. Erro aleatório da peça 2 A tabela de erro aleatório apresentada demonstra que o sistema de medição utilizado é confiável, pois os erros estão dentro dos limites aceitáveis para a aplicação. O comportamento aleatório dos desvios confirma que não há erros sistemáticos significativos que comprometam a precisão do equipamento ou do método de medição. Tabela 7. Indicações corrigidas Peça 1 Tabela 8. Indicações corrigidas Peça 2 O gráfico a seguir apresenta a Curva de Erros, onde são plotadas as linhas correspondentes aos valores de tendência 𝑇𝑑 , 𝑇𝑑 + 𝑅𝑒 𝑒 𝑇𝑑 − 𝑅𝑒. Figura 3. Gráfico do Erro x Indicação (Peça 1) Figura 4. Gráfico do Erro x Indicação (Peça 2) Ao analisar os gráficos de erros, observamos que a curva 𝑇𝑑 (tendência) se mantém relativamente próxima de zero, exceto para o diâmetro C para a Peça 1, onde há uma subestimação mais acentuada. Entretanto, para a Peça 2, houve um desvio junto às medidasdo diâmetro D, o que exemplifica a tendência discrepante. As curvas 𝑇𝑑 + 𝑅𝑒 𝑒 𝑇𝑑 − 𝑅𝑒 mostram os limites de variação devido à repetitividade do instrumento O cálculo do erro máximo foi realizado buscando o valor máximo em módulo da soma da Tendência com a Repetitividade. Observa-se que parte da linha de tendência fica abaixo do valor negativo do Erro Máximo para a Peça 2, isso ocorre, pois, optou-se por utilizar o valor calculado como indicador de Erro Máximo e não o ponto mínimo da linha de tendência, uma vez que não se conhece exatamente o comportamento do caso analisado. A maior variação foi observada para o diâmetro C para a Peça 1 e no diâmetro D para a Peça 2, possivelmente devido a irregularidades na peça ou imprecisão na leitura. No geral, o micrômetro apresentou boa repetitividade e um desempenho adequado, confirmando sua eficácia para medições de alta precisão. CONCLUSÃO Durante o experimento, falhas na etapa de coleta de dados podem ter introduzido vieses, comprometendo a precisão dos resultados ao aumentar o erro sistemático. Um controle mais rigoroso dessas inconsistências seria essencial para representar de forma mais precisa os fenômenos estudados e garantir uma análise confiável dos dados. Ainda assim, o erro aleatório se manteve dentro de limites aceitáveis, demonstrando consistência na variabilidade do experimento. No geral, o processo foi bem-sucedido, pois possibilitou a identificação de diferentes tipos de erros e uma análise comparativa entre os resultados obtidos pelos dois instrumentos de medição, ampliando o entendimento das particularidades de cada método. AGRADECIMENTOS Agradecemos aos colegas participantes e ao Professor Rafael Crespo Izquierdo, responsável pela disciplina Metrologia e Qualidade. REFERÊNCIAS ABBOT, T. Precision Measurement in Engineering. 2nd ed. New York: McGraw-Hill, 1989. BARR, R. J. Engineering Metrology. London: Butterworth-Heinemann, 1993. HUME, K. J. Fundamentals of Dimensional Metrology. 4th ed. New York: Delmar Cengage Learning, 1980. MARANGONI, A. Metrologia Industrial: Práticas e Conceitos. São Paulo: Blucher, 2007. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 3611: Micrometers for external measurement. Geneva: ISO, 2023. DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE Os autores são os únicos responsáveis pelo material incluído neste trabalho.