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Aluno: Antonio de Pádua Cardoso Sousa Disciplina: Direitos Humano Professora: Mara Desde a formação das sociedades civilizadas, o conceito de liberdade e de direitos fundamentais já estava incorporado à essência humana. Na contemporaneidade, marcada por conflitos bélicos, esses direitos básicos sofreram diversas violações. Reconhecendo a necessidade de proteção a tais direitos, surgiram as definições que constituem os Direitos Humanos. Os direitos que anteriormente estavam mencionados em diversas legislações nacionais, embora não identificados como Direitos Humanos, ganharam uma nova dimensão com a fundação da Organização das Nações Unidas e a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Tal documento conferiu ao referido conceito um caráter internacional e sua implementação tornou-se obrigatória para todos os Estados que são signatários da referida organização. Os Estados que integraram a Declaração em suas normas jurídicas internas, ou por meio de tratados internacionais envolvendo duas ou mais nações, passaram a reconhecê-la formalmente. No contexto brasileiro, ao ser assinado o tratado correspondente, este será submetido à ratificação e adquirirá, desse modo, força legal equivalente à de uma lei. Os tribunais internacionais detêm a autoridade para impor sanções a nações, mediante a comprovação de violações aos tratados e às legislações que resguardam os Direitos Humanos. Tal sanção evidencia a relevância e a urgência na defesa desses direitos. Urgência esta, pois as violações são contemporâneas e se manifestam em diversos contextos, como no caso do genocídio em Mianmar e no conflito interminável no Oriente Médio. A relevância dessa questão se evidencia na atuação da ONU, que, por meio de seus órgãos internos, busca assegurar o cumprimento das obrigações dos Estados em proteger esses direitos, bem como promover a não discriminação e a igualdade de direitos, conforme estabelecido também na Constituição Federal do Brasil. A Constituição brasileira, além de sua dimensão internacional, estabelece a salvaguarda dos Direitos Humanos. Esses direitos asseguram ao cidadão brasileiro a liberdade de expressão, a liberdade religiosa, o direito à vida, à educação e à saúde. Este trabalho se propõe a analisar conceitos históricos e a aplicação contemporânea da proteção dos Direitos Humanos por meio de uma metodologia de pesquisa estruturada em três capítulos. O primeiro capítulo apresenta uma introdução ao tema, abordando de forma geral os Direitos Humanos, a Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os tratados internacionais pertinentes, bem como suas implementações. A fim de estabelecer uma definição clara e aprofundada dos direitos humanos, é necessário realizar uma análise da legislação que os delineia, bem como de sua aplicabilidade e mecanismos de proteção. Dentre as normas relevantes, a Declaração Universal dos Direitos Humanos se destaca. Portanto, torna-se fundamental primeiro definir o conceito de Direitos Humanos. A Organização das Nações Unidas (ONU) define os direitos humanos como "garantias jurídicas universais que protegem indivíduos e grupos contra ações ou omissões dos governos que atentem contra a dignidade humana". Em termos mais simples, esses são direitos universais que devem ser assegurados a todos os indivíduos, independentemente de sua nacionalidade, classe social, etnia, gênero, crença ou posição política. Os direitos humanos constituem direitos fundamentais. Ao se analisar o conceito de Direitos Humanos, torna-se evidente a relevância do estudo e da análise do progresso desses direitos na sociedade contemporânea. Contudo, para compreender o presente é imprescindível conhecer a história subjacente. Ao iniciar os estudos sobre Direitos Humanos, destaca-se a contribuição da autora Arendt (1951), que argumenta que antes que qualquer direito possa ser listado em leis e declarações, é necessário reconhecer que o direito essencial de cada indivíduo é "o direito de ter direitos", além do direito de pertencer a uma sociedade que garanta tais direitos. A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu um comitê encarregado da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Essa comissão foi presidida por Eleanor Roosevelt, representante dos Estados Unidos da América na ONU. Também integraram o comitê Peng Chun Chang (Taiwan), Charles Dukes (Reino Unido), Alexander Bogomolov (União Soviética), John Peters (Canadá), Hernán Santa Cruz (Chile), René Cassin (França), William Hodgson (Austrália) e Charles Malik (Líbano). Esses indivíduos eram figuras proeminentes, diplomatas e especialistas em direito. Assim, a ratificação da declaração ocorreu em uma Assembleia Geral em 1948. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) instituiu, pela primeira vez, a proteção universal dos direitos humanos. É importante destacar que, antes da implementação dessa universalidade, os direitos humanos eram resguardados de maneira regional, como evidenciado pela Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem, aprovada em 1948 pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Essa abordagem regional foi fundamental para a proteção desses direitos e para o cumprimento de tratados internacionais nos países das Américas. No contexto brasileiro, é necessário ressaltar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) desempenha um papel vital, tornando-se parte integrante da Constituição Federal. A sua presença se evidencia em diversos artigos, como o artigo 3º, inciso I, que determina que um dos objetivos essenciais é a construção de uma sociedade livre. Isso demonstra a relevância da DUDH, visto que a Constituição representa a norma de maior autoridade no sistema jurídico nacional. Ao assinar um tratado que posteriormente é ratificado, este passa a ter a mesma força de uma lei no Brasil, conferindo à Justiça Federal a competência para processar e julgar as questões pertinentes. Os juízes federais possuem a atribuição de julgar casos em que a União figure como parte autora, bem como aqueles que se baseiem em tratados dos quais a União é signatária, seja com Estados estrangeiros ou com organismos internacionais. Caso um país não cumpra um acordo internacional, outro país que também seja signatário do tratado em questão iniciará consultas para compreender de forma detalhada os motivos que levaram ao descumprimento. Se a situação se referir a dificuldades no cumprimento e o país ainda manifestar interesse em manter sua adesão ao acordo, é possível que os países envolvidos negociem uma nova abordagem para a implementação do tratado, podendo ser alterados prazos ou até mesmo modificadas as cláusulas do acordo original. Se, por outro lado, um país optar por se retirar do acordo, será necessário notificar previamente os demais signatários, resultando no cancelamento do tratado. Dependendo das especificidades do acordo, outras diretrizes poderão ser exigidas, pois o descumprimento pode ter repercussões sobre Órgãos Internacionais, por exemplo. Uma das formas preponderantes de salvaguardar os Direitos Humanos consiste em reconhecer que esses direitos são fundamentais, incumbindo à Justiça nacional a sua proteção. Assim, o cidadão se tornará ciente de que seus direitos estão sendo violados e que lhe assiste a possibilidade de buscar reparação. Após realizar uma análise em um contexto internacional, considerando a aplicabilidade da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Convenção Americana de Direitos Humanos no Brasil, dado que este país é Estado Membro e signatário de ambos os documentos, torna-se essencial examinar a Constituição Federal. Tanto a Declaração quanto a Convenção exercem uma influência positiva sobre a Constituição, conforme argumenta Roseli Fischmann. A Constituição brasileira de 1988 estabelece relações significativas com a Declaração Universal e outros documentos internacionais relacionados, interligando-os de maneira profunda em um processo bidirecional. Isso se deve ao fato de que a Constituição não apenas emergiude processos históricos, mas também gerou dinâmicas que se beneficiaram do acúmulo internacional na compreensão jurídica e no sistema global de proteção dos direitos humanos, influenciando, por sua vez, o cenário internacional. Em vista do referido contexto histórico, ao enumerar os dispositivos da constituição, o legislador constituinte fundamentou-se em diversos princípios, destacando-se particularmente o da Dignidade da Pessoa Humana. Este princípio serve como alicerce para outros princípios e normativas dispostas nos artigos, evidenciando a evolução da constituição vigente e a importância que esse princípio detém no ordenamento jurídico em relação à proteção de direitos. Tal princípio encontra-se consignado no inciso III do artigo primeiro da Constituição. O sistema pluripartidário, que existe desde 1937, permite a participação de idosos com mais de 70 anos. A incorporação da dignidade da pessoa humana como um valor fundamental do Estado democrático de direito implica reconhecer o ser humano como o núcleo e a finalidade do sistema jurídico. Esta prerrogativa representa o valor mais elevado, sob a ótica constitucional, configurando-se como um valor absoluto. Tal princípio estabeleceu uma barreira intransponível, uma vez que protege a dignidade da pessoa, que é considerado o valor supremo absoluto promovido pela Constituição Federal. Ao realizar uma análise inicial da historicidade que fundamenta os Direitos Humanos em um contexto internacional, é imprescindível considerar os fatores que culminaram na criação da ONU, na adoção da DUDH, bem como na implementação das proteções associadas aos Direitos Humanos tanto em âmbito internacional quanto nacional. É necessário examinar os sistemas jurídicos internacionais que garantem a eficácia desta proteção e investigar o papel contemporâneo da ONU ao empregar métodos não convencionais para averiguar as condições nos países signatários e também naqueles que não assinaram acordos sobre Direitos Humanos. Além disso, deve-se observar sua atuação voltada à promoção desses direitos por intermédio de seus órgãos internos, como a UNESCO, assim como por meio de iniciativas como a Human Rights Up Front Initiative, traduzida para o português como Direitos Humanos em Primeiro Lugar. A análise do Brasil sob uma perspectiva histórica revela o tratamento das constituições em relação à pena de morte, que foi abordada em diversos momentos, mas posteriormente substituída pela garantia do Habeas Corpus durante o período da Ditadura. Esse contexto envolveu atos institucionais que possibilitaram e evidenciaram a utilização abusiva do poder, incluindo a tortura de cidadãos. Com a promulgação da Constituição de 1988, houve um novo enfoque voltado para o indivíduo, suas liberdades e a obrigação do Estado de assegurar direitos iguais, além de proporcionar direitos fundamentais que respeitem o princípio basilar da Dignidade da Pessoa Humana. Essa trajetória permitiu uma análise abrangente da situação atual dos Direitos Humanos em um contexto internacional. A análise da situação atual revela que esses direitos ainda não estão plenamente e efetivamente assegurados. Isso indica a urgência de promover tais direitos. A promoção, em nível nacional, deve ocorrer não apenas no contexto acadêmico, mas também de maneira abrangente, por meio de políticas públicas e da implementação eficaz dos direitos previstos na constituição, incluindo o fundamental direito à educação. REFERÊNCIAS: ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo – Antissemitismo, Imperialismo, Totalitarismo. Trad. Roberto Raposo. 1 ed., São Paulo: Companhia das Letras, 1989. AWAD, Fahd. O princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Revista Justiça do Direito, Passo Fundo, V. 20, N. 1, P. 111-120, 2006. Acesso em 3 de setembro de 2020. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988. BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. Trad. Carlos Nelson Coutinho. 7 reimpressões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. Direitos das Organizações Internacionais. 3ª Edição- revista, atualizada e ampliada. Belo Horizonte: Del Rey, 2003. image1.png