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Reservas de capital: conceitos, legislação, tipos, constituição e uso Introdução A reservas de capital são muito importantes nos demonstrativos financeiros das empresas. Elas fazem parte do patrimônio líquido e representam o dinheiro extra que algumas empresas contêm. Neste conteúdo, você estudará um pouco sobre as reservas de capital, os conceitos, a legislação, os tipos que existem, como se constituem e quando podem ser utilizadas. Conceitos As reservas de capital representam um valor que a empresa recebe, mas que não passa pelo resultado, pois não se refere à entrega de bens ou serviços, e sim às contribuições realizadas pelos acionistas para incremento do capital social, ou seja, elas independem da atividade principal da empresa e podem ser utilizadas para contingências ou para compensar as perdas de capital. Antes de continuar nesse conceito, que tal relembrar o que significa o patrimônio líquido de uma empresa? O patrimônio líquido é composto pelos recursos que os proprietários ou acionistas investiram mais os lucros gerados pelas atividades da empresa. O valor do patrimônio líquido pode crescer quando a empresa obtém lucro em suas operações e não distribui aos sócios, mas investe em aumentos de capital ou em função de recursos de terceiros que entram gratuitamente na empresa e que são chamados de reservas de capital. Observe no balanço a seguir que as reservas de capital fazem parte do grupo patrimônio líquido juntamente com o capital social (subscrito e a integralizar), as reservas de lucro, os ajustes e os lucros ou prejuízos acumulados. Lembre-se de que o grupo patrimônio líquido faz parte do passivo, porque representa uma obrigação da empresa para com seus próprios sócios. Os valores recebidos pela empresa e que não transitam pelo resultado são considerados reserva de capital, por exemplo, subvenções recebidas para investimentos, doações de terrenos pelas prefeituras para novos investimentos no município, venda de ações com ágio, entre outros. As reservas de capital são valores que reforçam o capital sem que a empresa precise prestar algum serviço ou realizar alguma entrega de bens. É destinada a novos projetos, financiamentos para a expansão do negócio e, também, poderá ser utilizada para aliviar as perdas de capital e cobrir eventuais prejuízos que a organização venha a sofrer. Não confunda reserva de capital com reserva de lucros, pois são contas diferentes. A reserva de capital não vem dos bens produzidos pela empresa ou dos serviços prestados. Já a reserva de lucros é resultado do bom desempenho da empresa. Legislação O parágrafo 1.º do artigo 182 da Lei n.º 6.404/1976 define o que é a reserva de capital e quais contas poderão ser classificadas. Observe: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a correção monetária do capital realizado; a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) até 31.12.2007 - por força da Lei 11.638/2007, o prêmio recebido na emissão de debêntures d) até 31.12.2007 - por força da Lei 11.638/2007, as doações e as subvenções para investimentos. § 2º Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não-capitalizado. Resumindo, as reservas de capital poderão ser: · Correção monetária do capital · Ágio na emissão de ações · Partes beneficiárias · Bônus de subscrição As reservas de doações e de prêmio na emissão de debêntures foram excluídas a partir de 01/01/2008, de acordo com a Lei n.º 11.638/2007. A reserva de incentivo fiscal passou a fazer parte da reserva de lucros a partir de janeiro de 2008. Tipos de reservas · Correção monetária do capital: A correção monetária não existe mais desde janeiro de 1996. Porém, as empresas que já tinham essa reserva poderão mantê-la em seu balanço patrimonial. Sua utilização foi revogada pela Lei n.º 9.249/1995, artigo 4.º, parágrafo único. Exemplo: O capital social de uma sociedade anônima (S.A.) é de R$ 400 mil, e seu capital a integralizar é de R$ 100 mil. A inflação do período foi de 50%. Nesse caso, a reserva de correção monetária do capital realizado seria de R$ 150 mil, ou seja, 50% do capital social de R$ 300 mil. Capital social R$ 400.000,00 (-) Capital a integralizar -R$ 100.000,00 Correção monetária do capital social R$ 150.000,00 Total do patrimônio líquido R$ 450.000,00 O capital social subscrito foi de R$ 400 mil, mas, como faltou integralizar o valor de R$ 100 mil, o real valor do capital ficou em R$ 300 mil. Esse valor foi a base de cálculo utilizada na correção monetária. · Ágio na emissão de ações: Essa reserva registrará o resultado positivo na venda das ações. Quando as ações de uma empresa são negociadas e o comprador paga um valor maior por ação do que o valor patrimonial, essa diferença é contabilizada como reserva de capital. Exemplo: Uma empresa emite 1.000 ações no valor nominal de R$ 60,00, recebendo do novo sócio R$ 65 mil, portanto R$ 5 mil a mais. Nesse caso, houve uma venda de ações com ágio de R$ 5 mil. Veja como ficará o lançamento contábil: D Banco R$ 65.000,00 C Capital R$ 60.000,00 C Reserva de capital (ágio na emissão de ações) R$ 5.000,00 · Partes beneficiárias: Essa reserva é o resultado da negociação dos títulos negociáveis emitidos por companhias de capital fechada. Seu detentor poderá participar em até 10% dos lucros da emitente, mas não poderá participar do capital da empresa. Esses títulos são emitidos pela empresa para benefício de pessoas que prestaram serviços importantes na vida da sociedade, de acordo com o que prevê o artigo 47 da Lei n.º 6.404/1976. Art. 47. As partes beneficiárias poderão ser alienadas pela companhia, nas condições determinadas pelo estatuto ou pela assembléia-geral, ou atribuídas a fundadores, acionistas ou terceiros, como remuneração de serviços prestados à companhia. Os títulos podem ser alienados sem valor ou negociados entre a empresa e os beneficiários. Exemplo: Uma empresa negociou a venda de um título de parte beneficiária pelo valor de R$ 15 mil. O lançamento contábil ficará assim: D Banco R$ 15.000,00 C Partes beneficiárias R$ 15.000,00 · Bônus de subscrição: Essa reserva surge da venda de bônus de subscrição que são títulos que dão direito a subscrever ações por um determinado valor em uma data futura. Esses títulos não podem ser convertidos em ações ou participação nos lucros. Por exemplo, se o titular tiver 2.000 bônus de subscrição, poderá subscrever 2.000 ações quando a empresa ofertar. Exemplo: Venda de 2.000 bônus emitidos pelo valor unitário de R$ 1,00. D Banco R$ 1.000,00 C Reserva de capital (alienação de bônus de subscrição) R$ 1.000,00 Nos artigos 75, 76 e 78 da Lei n.º 6.404/1976 constam as principais definições a respeito desses bônus. Constituição e uso Como já citado anteriormente, as reservas de capital se constituem por valores que a empresa recebe, mas que não fazem parte do seu resultado, ou seja, de suas receitas. São valores que reforçam o capital sem a empresa precisar prestar algum serviço ou realizar alguma entrega de bens, uma quantidade de dinheiro que fica reservada para incrementar o capital social da empresa, caso exista a necessidade. Esses valores podem ser de contribuições dos sócios da empresa, dos acionistas e de terceiros que desejam investir na empresa. O artigo 200 da Lei n.º 6.404/1976 destaca quais são as únicas aplicações possíveis para as reservas de capital. Veja a transcrição da lei: Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I - absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único);II - resgate, reembolso ou compra de ações; III - resgate de partes beneficiárias; IV - incorporação ao capital social; V - pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada (artigo 17, § 5º). Exemplo de uso de uma reserva de capital: Uma empresa pretende recomprar, por R$ 40 mil, títulos de partes beneficiadas alienadas no passado a ex-sócios e contabilizadas por R$ 30 mil. Para essa operação, a empresa utilizará parte do saldo de R$ 110 mil da conta ágio na emissão de ações. Observe como ficam os lançamentos contábeis dessa operação: D Ágio na emissão de ações R$ 10.000,00 D Partes beneficiárias R$ 30.000,00 C Banco R$ 40.000,00 Vamos praticar? Você estudou que o ágio é o valor a maior, cobrado na venda de ações pela própria empresa. Agora, analise as questões a seguir e marque a alternativa correta: 1) Em uma operação, a empresa emitiu 50 ações no valor nominal de R$ 10,00 e recebeu R$ 700,00 pelo banco. Qual é o valor do ágio nessa operação? a) R$ 500,00 b) R$ 700,00 c) R$ 200,00 d) R$ 180,00 2) Quais seriam os lançamentos contábeis corretos para essa operação? a) D Banco R$ 700,00 C Capital R$ 500,00 C Ágio na emissão de ações R$ 200,00 b) C Banco R$ 700,00 C Capital R$ 500,00 C Ágio na emissão de ações R$ 180,00 c) D Banco R$ 700,00 D Capital R$ 500,00 C Ágio na emissão de ações R$ 500,00 d) D Banco R$ 500,00 C Capital R$ 700,00 C Ágio na emissão de ações R$ 700,00 image1.png image2.png