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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA ROSANGELA DIAS TEIXEIRA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS CABO FRIO 2024 UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA ROSANGELA DIAS TEIXEIRA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS Ava 2 – Língua Brasileira de Sinais à Universidade Veiga de Almeida – UVA. CABO FRIO 2024 Avaliação 2 – AVA 2 A Importância do Reconhecimento da Libras e a Expressão Facial como Facilitadora nas Situações Comunicativas A Língua Brasileira de Sinais (Libras) representa não apenas um meio de comunicação, mas também uma cultura e identidade próprias das pessoas surdas. Ao longo da história, as pessoas surdas foram tratadas como um "outro" em relação à sociedade ouvinte, sendo marginalizadas e forçadas a se adequar a um modelo de comunicação predominantemente oral e audível. Isso resultou em diversas formas de exclusão, invisibilidade e até violação dos direitos linguísticos e culturais das pessoas surdas, como aponta Skliar (1997). A Libras, por ser uma língua de modalidade visual-espacial, foi por muito tempo considerada inferior à oralidade, sendo desvalorizada em sua capacidade comunicativa e cognitiva. Esse preconceito continua presente na sociedade, onde muitos ainda veem a Libras como uma língua "menor" ou "imperfecta", sem entender sua complexidade, riqueza e importância para o contexto cultural e identitário das pessoas surdas. Para que ocorra uma verdadeira transformação social e a inclusão das pessoas surdas, é fundamental que a Libras seja reconhecida pela sociedade como a língua materna dessas pessoas. O reconhecimento formal da Libras, por meio de sua inclusão nas políticas públicas, na educação e no mercado de trabalho, possibilita a construção de uma sociedade mais equânime, onde as diferenças são respeitadas e valorizadas. A Libras não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas também uma forma de preservação e fortalecimento da cultura surda, que possui uma história, valores e práticas próprios. Quando a Libras é reconhecida como língua materna, possibilita-se que as pessoas surdas possam se comunicar de forma plena e desenvolver seu potencial intelectual, social e emocional de acordo com suas próprias necessidades e capacidades. Além do reconhecimento da Libras como língua, é necessário também valorizar a expressão facial como uma ferramenta facilitadora da comunicação nas interações entre surdos e ouvintes. A Libras é uma língua visual-espacial, o que implica que as expressões faciais desempenham um papel crucial na transmissão de significados, emoções e nuances. Ao contrário da língua falada, onde a entonação vocal e o ritmo de fala são elementos fundamentais, na Libras as expressões faciais desempenham a função de indicar aspectos como perguntas, negações, afirmativas e outras nuances emocionais. Portanto, compreender a importância dessas expressões faciais é fundamental para que as pessoas ouvintes também consigam se comunicar adequadamente com as pessoas surdas. Em um laboratório virtual, por exemplo, duas expressões faciais poderiam ser destacadas para ilustrar sua importância. A primeira expressão é o levantamento das sobrancelhas. Essa expressão facial é muitas vezes utilizada na Libras para indicar uma pergunta ou dúvida. Ao levantar as sobrancelhas de forma expressiva, o falante de Libras transmite a ideia de que está buscando uma resposta ou aguardando uma confirmação, facilitando a comunicação mesmo sem o uso de palavras. A segunda expressão é a contração dos lábios e a linha de expressão que acompanha o semblante de concentração ou negação, que, quando empregada, indica uma negação ou uma ênfase negativa em uma conversa. Essas expressões faciais não são simples adendos, mas sim componentes essenciais que conferem à Libras uma estrutura rica, fluida e eficaz. Em um contexto social inclusivo, as pessoas ouvintes devem entender que a Libras não é uma "imitação" da fala ou uma forma inferior de comunicação, mas uma língua completa, com suas próprias regras gramaticais, sintáticas e pragmáticas. Quando a sociedade reconhece a Libras como língua materna, e valoriza a expressividade facial, proporciona às pessoas surdas as ferramentas necessárias para uma comunicação plena e uma integração mais rica e respeitosa entre surdos e ouvintes. Somente com esse reconhecimento, será possível quebrar as barreiras do preconceito, do isolamento e da exclusão, promovendo uma verdadeira cultura de inclusão e respeito à diversidade. A educação, as políticas públicas e a conscientização da sociedade como um todo desempenham papéis decisivos nesse processo. Reconhecer a Libras como língua materna é garantir que as pessoas surdas possam viver de forma plena, expressando suas ideias, emoções e projetos de vida com autonomia e respeito. É também permitir que a sociedade como um todo se aproxime da cultura surda e aprenda a ver a diversidade não como uma barreira, mas como um valor que enriquece a convivência humana. Referências: SKLIAR, D. A surdez e a educação: questões e problemas. In: Educação, Cultura e Sociedade. Porto Alegre: Artmed, 1997.