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1 2 Olá, Alunos! Sejam bem-vindos! Esse material foi elaborado com muito carinho para que você possa absorver da melhor forma possível os conteúdos e se preparar para a sua 2ª fase, e deve ser utilizado de forma complementar junto com as aulas. Qualquer dúvida ficamos à disposição via plataforma “pergunte ao professor”. Lembre-se: o seu sonho também é o nosso! Bons estudos! Estamos com você até a sua aprovação! Com carinho, Equipe Ceisc ♥ 3 2ª FASE OAB | PENAL | 42º EXAME Direito Penal SUMÁRIO Crimes contra a Administração da Justiça 1.1 Denunciação caluniosa..........................................................................................................5 1.2 Comunicação falsa de crime ou de contravenção...............................................................6 1.3 Falso testemunho ou falsa perícia ........................................................................................7 1.4 Coação no curso do processo .............................................................................................13 1.5 Exercício arbitrário das próprias razões..............................................................................14 1.6 Fraude processual................................................................................................................16 1.7 Favorecimento pessoal........................................................................................................18 1.8 Favorecimento real...............................................................................................................19 Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para a 2ª Fase do 42º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente. Bons estudos, Equipe Ceisc. Atualizado em dezembro de 2024. 4 Para dar o soco missioneiro, leia os principais artigos sobre Crimes contra a Administração da Justiça 5 Crimes contra a Administração da Justiça Prof. Arnaldo Quaresma @profarnaldoquaresma 1.1 Denunciação caluniosa - Art. 339, CP A) ELEMENTOS DO TIPO. AÇÃO NUCLEAR O elemento do tipo “alguém” indica, nitidamente, tratar-se de pessoa certa, não se podendo cometer o delito ao indicar para a autoridade policial apenas a materialidade do crime e as várias possibilidades de suspeitos. Via de regra, a denunciação caluniosa é praticada de forma direta, isto é, o próprio agente leva o fato ao conhecimento da autoridade, dando causa a algum procedimento, mas nada impede que ela ocorra na forma indireta. A imputação do crime, contravenção penal, infração ético-disciplinar ou ato ímprobo deve ser falsa. Assim, temos: a) o fato ilícito é verdadeiro, porém a pessoa a quem se atribui a autoria ou participação não o praticou. b) o fato ilícito é inexistente. Atribui-se ao imputado a prática de crime que não ocorreu. c) o fato ilícito existiu, porém se atribui ao imputado a prática de fato mais grave mais grave. Exemplo: afirmar que Fulano roubou, quando na realidade ele furtou. B) SUJEITOS DO DELITO Trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Podem ser sujeitos ativos o promotor de justiça, o delegado de policia, o juiz de direito, o advogado, desde que tenham conhecimento da falsidade da imputação. Neste sentido, vale destacar que, em relação aos agentes públicos, há a norma do artigo 30 da nova lei de abuso de autoridade (muito mais ampla do que o art. 339 do CP), com a seguinte redação: Art. 30. Lei 13869/20 19: Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente: (Promulgação partes vetadas) Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Ademais, segundo a doutrina majoritária, nos crimes em que o delito falsamente imputado depender de queixa ou representação da vítima, somente esta ou seu representante legal poderá praticar o crime em questão. No tocante ao sujeito passivo, podemos dizer que essencialmente será o Estado e, de forma secundária, a pessoa inocente, ao qual foi imputada a falsa acusação pelo sujeito ativo. 6 C) ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa contra alguém, imputando-lhe crime. É imprescindível que o denunciante saiba (dolo direto) que o denunciado é inocente, conforme expressa exigência legal contida na expressão “de que o sabe inocente”. Sem ele, não há crime. A dúvida (dolo eventual) afasta a tipicidade do delito. D) CONSUMAÇÃO O delito em questão se consuma com a instauração de inquérito policial, de procedimento investigatório criminal, de processo judicial, de processo administrativo disciplinar, de inquérito civil ou de ação de improbidade administrativa contra alguém. E) CAUSAS DE AUMENTO E DIMINUIÇÃO DA PENA (ART. 339 PARÁGRAFOS 1°, 2°) O parágrafo 1° do artigo 339 elenca que a pena será aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. Por sua vez, o parágrafo 2° do dispositivo legal em questão dispõe que a pena será diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção. 1.2 Comunicação falsa de crime ou de contravenção - Art. 340, CP A) ELEMENTOS DO TIPO. AÇÃO NUCLEAR Consubstancia-se no verbo provocar, isto é, dar causa a ação da autoridade pública (delegado de policia, juiz, promotor de justiça, bem como todas as autoridades administrativas que tenham atribuição legal para iniciar investigações). Na hipótese, o agente comunica à autoridade a prática de crime ou contravenção penal que não se verificou. Ao contrário do que ocorre no crime de denunciação caluniosa, não há no delito em estudo a imputação a uma pessoa determinada da prática de crime. Se assim suceder, estará caracterizado o crime de denunciação caluniosa. B) ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo, apenas na modalidade direta, pois o agente precisa saber não se ter verificado a infração penal. Isto é, o agente deve ter certeza de que o fato realmente não ocorreu ou é absolutamente diverso do ocorrido. A dúvida afasta o crime. 7 Ex. um indivíduo perde sua carteira ou documentos de identidade e, na dúvida sobre se foi furtado ou não, acaba por fazer um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia. Nessa hipótese, não haverá a configuração do crime em tela. C) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA É crime formal, que não exige, para sua consumação, resultado naturalístico. Consuma-se, portanto, o crime no momento em que a autoridade pratica alguma ação no sentido de elucidar o fato criminoso. Semelhantemente ao crime de denunciação caluniosa, não se exige a efetiva instauração de inquérito policial. É possível a tentativa. Desse modo, se o agente fizer a comunicação falsa à autoridade, e esta não iniciar as investigações por circunstâncias alheias à vontade dele, haverá tentativa. D) QUESTÕES ESPECIAIS Se a comunicação falsa de crime tiver a finalidade de praticar outro crime, como por exemplo, sujeito que comunica o furto de um carro para receber o valor do seguro): Para Nelson Hungria responderá somente pelo crime-fim (fraude para recebimento de seguro: art. 171, §2°, VI do CP), ficando o artigo 340 absorvido em razão do princípio da consunção; Para Fragoso, Magalhães Noronha e Mirabete haverá concurso material de crimes, pois as condutas são distintas, atingindo bens jurídicos diversos, bem como as vítimas são diferentes. TJ/RS, AP. CRIM, 70014654990, 29/11/2006, RELATOR DES. NEREU GIACOMOLLI, 7° CAMARA CRIMINAL: “ACOMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME, NO CASO DOS AUTOS, RESTOU ABSORVIDA PELO ESTELIONATO, UMA VEZ QUE FOI MEIO MANEJADO PELO RÉU AO EFEITO DE DAR CREDIBILIDADE À FARSA DO FURTO DO VEÍCULO, NÃO SE CONSTITUINDO, ESSE EXPEDIENTE (AÇÃO) EM DELITO AUTÔNOMO.”Consuma-se, portanto, o crime no momento em que a autoridade pratica alguma ação no sentido de elucidar o fato criminoso. Semelhantemente ao crime de denunciação caluniosa, não se exige a efetiva instauração de inquérito policial. 1.3 Falso testemunho ou falsa perícia - Art. 342, CP A) NOÇÕES INTRODUTÓRIAS O legislador, no crime de falso testemunho, tutela o prestígio da Justiça, visando evitar que a prestação jurisdicional seja prejudicada por falsos depoimentos ou falsas perícias. Cumpre ressaltar que a lei das organizações criminosas (lei 12850/13) alterou a pena do crime em questão, aumentando a pena, que era de 1 a 3 anos de reclusão, para 2 a 4 anos de 8 reclusão, sendo que, tal alteração, por ser mais prejudicial ao acusado, somente pode alcançar fatos praticados após a vigência dessa novatio legis in pejus. B) SUJEITOS DO CRIME No que tange ao sujeito ativo, podemos dizer que o crime é de mão própria (de conduta infungível), exigindo atuação pessoal da testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, os quais devem realizar a conduta típica dentro de um processo judicial, administrativo, inquérito policial ou em juízo arbitral. No que tange ao sujeito passivo, podemos afirmar que será o Estado (principal) e, secundariamente, as pessoas atingidas pelo falso testemunho do agente. • TESTEMUNHA X INFORMANTE DISCUTE-SE A POSSIBILIDADE DO INFORMANTE (TESTEMUNHA NÃO COMPROMISSADA DOS ARTIGOS 206 E 208 DO CPP) PODE PRATICAR O CRIME EM QUESTÃO: Uma primeira corrente (majoritária) formada por Magalhães Noronha, Nelson Hungria, Damásio De Jesus, Bento De Faria, Cezar Roberto Bitencourt, Luiz Régis Prado, Costa Junior, Rogério Greco, dentre outros entende que sim, uma vez que o falso testemunho surge da desobediência do dever de dizer a verdade o qual não decorre do compromisso (art. 203 CPP). ademais, o CP anterior (1890) previa como condição do crime em tela o compromisso ou juramento, o qual foi retirado pelo legislador no cp atual. neste sentido: RT 321/71, 392/115, 415/63. Uma segunda corrente formada por Mirabete, Fragoso, Nucci, Espínola Filho e Fontam Balestra entende que não, uma vez que se a lei não as submete ao compromisso de dizer a verdade, o que as distingue das testemunhas compromissados é justamente o fato de não poderem cometer o ilícito em apreço. Neste sentido: RT 188/551, 233/80, 370/89, 376/330, 429/376, 448/359, 508/354, 546/383, 597/333, 607/305, 693/348, 710/267. STJ, INFORMATIVO 432, HC 92836/SP, REL. MIN. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, JULGADO EM 27/04/2010: PENAL E PROCESSUAL. FALSO TESTEMUNHO. AÇÃO PENAL. TRANCAMENTO. RELAÇÃO DE AFETIVIDADE. RÉU MARIDO DA DEPOENTE. PRECEDENTE DO STJ. 1 - Para a caracterização do crime de falso testemunho não é necessário o compromisso. Precedentes. 2 - Tratando-se de testemunha com fortes laços de afetividade (esposa) com o réu, não se pode exigir-lhe diga a verdade, justamente em detrimento da pessoa pela qual nutre afeição, pondo em risco até a mesmo a própria unidade familiar. Ausência de ilicitude na conduta. 3 - Conclusão condizente com o art. 206 do Código de Processo Penal 9 OBSERVAÇÕES 1) PESSOAS PROIBIDAS DE DEPOR (207 CPP): SEGUNDO O ARTIGO 207 DO CPP SÃO PROIBIDAS DE DEPOR AS PESSOAS QUE, EM RAZÃO DE FUNÇÃO, MINISTÉRIO, OFÍCIO OU PROFISSÃO, DEVAM GUARDAR SEGREDO, SALVO SE, DESOBRIGADAS PELA PARTE INTERESSADA, QUISEREM DAR O SEU TESTEMUNHO. Caso essas pessoas, desobrigadas pela parte interessada, fizerem afirmação falsa, negarem a verdade ou calarem a verdade? Incorrem no crime de falso testemunho, uma vez que neste caso prestam o compromisso de dizer a verdade; E se essas pessoas não desobrigadas pela parte interessada, fizerem afirmação falsa, negarem ou calarem a verdade? Segundo Nelson Hungria (comentários ao CP, v. IX, p. 485) não haverá o crime de falso testemunho, pois esse depoimento seria uma prova ilícita, entretanto haveria o crime de violação de segredo profissional previsto no art. 154 CP. 2) E A VÍTIMA?? A vítima ou o ofendido (art. 201 do CPP), por não ser testemunha (sequer equiparada) não pode cometer o crime do 342 do CP, entretanto, a depender do caso concreto, poderá incorrer no delito de denunciação caluniosa (339 CP). C) TIPICIDADE OBJETIVA Trata-se de crime de ação múltipla, pois três são as ações típicas: i) “Fazer afirmação falsa”: Segundo a doutrina, cuida-se aqui da falsidade positiva, pois o agente declara a ocorrência de fato inverídico. Ex. testemunha que, para forjar um álibi em favor do acusado, afirma falsamente que, no momento do crime, ele estava em sua companhia. ii) “negar a verdade”: essa modalidade constitui a chamada falsidade negativa, pois o agente tem ciência da verdade, mas nega o que sabe. - Ex. testemunha de acusação que nega falsamente que a vítima de homicídio tenha anteriormente tentado estuprar a filha do acusado. iii) “calar a verdade”: É, segundo a doutrina, a chamada reticência. Aqui há o silêncio a respeito do que se sabe ou se recusa em manifestar a ciência que se tem dos fatos. Há, assim, resistência por parte do agente em declarar a verdade. Não há, ao contrário das demais modalidades, qualquer afirmação falsa ou negativa. Ex. perito que omite dados relevantes ao elaborar o laudo pericial, de forma a criar prova benéfica ao acusado. Cumpre destacar que o tipo penal exige que o falso testemunho recaia nos seguintes procedimentos oficiais: 10 OBSERVAÇÕES 1) Sustenta a doutrina que o falso testemunho deve recair sobre fato juridicamente relevante: - Assim sendo haveria crime se a testemunha mentisse sobre ter presenciado um crime ocorrido em um bar quando na verdade não presenciou; - Não haveria crime por exemplo se a testemunha, na situação anterior, mentisse sobre o que de fato estava fazendo no bar naquele momento. 2) Se a testemunha mentir porque está sendo ameaçada de morte não haverá crime de falso testemunho, devendo o autor da ameaça responder pelo crime de coação no curso do processo (art. 344 CP). • Abrange o processo civil, trabalhista, criminal. Segundo a súmula 165 do STJ caso o depoimento falso se dê em processo trabalhista a competência será da Justiça Federal. Cumpre destacar que a seguinte decisão do STJ, nos autos do AgRg no RHC 108.823/SP, DJ 30/08/2019: “Tratando-se de falso testemunho cometido em processo cível, deve ser aferida a qualidade de testemunha nos termos do CPC. Lado outro, se o falso testemunho tiver sido praticado em processo criminal, como na hipótese dos autos, a qualidade de testemunha tem que ser verificada de acordo com o CPP, sem necessidade de aplicação analógica do CPC.” PROCESSO JUDICIAL • Aqui o legislador se refere ao inquérito policial comum ou militar; INQUÉRITO POLICIAL • Diz respeito a todo processo que ocorre no âmbito da Administração Pública, que não tenha cunho judicial. Cumpre destacar o posicionamento de Vitor Gonçalves (Direito Penal Esquematizado, p. 867) no sentido de que o inquérito civil é procedimento, mas não processo administrativo, razão pela qual não está abrangido pelo tipo penal; PROCESSO ADMINISTRATIVO • Regulamentado pela lei 9307/96. JUÍZO ARBITRAL 11 3) Testemunha que mente sobre a sua qualificação pessoal: para Mirabete e Fragoso não haveria o crime do artigo 342 e sim o crime de falsa identidade (307 CP). Para Magalhães Noronha (direito penal, vol. 4, p. 389) há crime de falso testemunho, uma vez que se trata de formalidade substancial, que influi no mérito e valor que serão dados ao depoimento. Sua falsidade ofende, do mesmo modo, os diversos interesses em litígio e atenta contra a administração da justiça, ferindo-a em sua atuação normale na eficácia da realização. D) TIPICIDADE SUBJETIVA É o dolo, consubstanciado na vontade livre e consciente de fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade. É necessário que o agente tenha ciência de que falta com a verdade ou que a omite. Não se pune a forma culposa. E) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA É crime formal, não exigindo, portanto, para a sua consumação, resultado naturalístico como por exemplo a influência no resultado do julgamento. Consuma-se o falso testemunho com o encerramento do depoimento. Em tese, o crime se consuma no momento em que é proferido o falso; contudo, como o depoente pode retificar o que foi declarado até o encerramento do depoimento, entende-se consumado o crime nesse exato instante. Em relação à falsa perícia, o crime resta consumado quando o laudo é entregue. No tocante à possibilidade de tentativa, a doutrina, em geral, admite quando o depoimento é prestado por escrito. F) RETRATAÇÃO – ARTIGO 342, PARÁGRAFO 2° DO CP ART. 342, § 2º O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade.(Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001) No caso, prevê o legislador que o fato deixa de ser punível, se o agente, ANTES DA SENTENÇA NO PROCESSO EM QUE OCORREU O FALSO TESTEMUNHO, declara a verdade. Cumpre destacar que se o falso testemunho se der no procedimento do júri, poderá o agente se retratar até a decisão em plenário do Conselho de Sentença e não somente até a decisão de pronúncia. Na realidade, o crime já se consumou no momento em que o depoimento foi encerrado, contudo a lei faculta ao agente o direito de arrepender-se antes da prolação da sentença de 12 primeiro grau, possibilitando com isso o esclarecimento da verdade dos fatos e, conseqüentemente, a extinção da punibilidade. Trata-se, portanto, de condição resolutiva da punibilidade, embora já consumado o crime, a punição depende, ainda, de o agente não se retratar ou declarar a verdade, oportunamente. OBSERVAÇÃO HAVENDO CONCURSO DE PESSOAS A RETRATAÇÃO DO AGENTE SE COMUNICA AOS PARTÍCIPES, POIS A LEI FALA QUE O FATO DEIXA DE SER PUNÍVEL. G) CAUSA DE AUMENTO DE PENA – ART. 342, §1° CP ART. 342, § 1º As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. Cumpre ressaltar que se o perito, tradutor, contador ou intérprete solicitar uma vantagem para prestar um depoimento falso, mas efetivamente não fizer isso no processo, haverá o crime de corrupção passiva (art. 317 CP) pois o crime de falso testemunho exige que efetivamente ocorra a afirmação falsa, negação ou omissão da verdade. Ademais, vale destacar que o dispositivo em questão fala somente em processo, não incluindo o inquérito policial. H) FALSO TESTEMUNHO E CONCURSO DE PESSOAS O crime de falso testemunho se trata de um delito de mão própria, ou seja, de atuação pessoal e infungível da testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, razão pela qual não se admite a coautoria no crime de falso testemunho nem a autoria mediata, podendo ser admitida a participação, caso alguém tenha induzido, instigado ou auxiliado esse agente a prestar o depoimento falso. Entretanto, já decidiu o STF (RHC 81327/SP), equivocadamente com a devida vênia, que o advogado que induz uma testemunha a mentir em juízo seria coautor do crime de falso testemunho. 13 1.4 Coação no curso do processo - Art. 344, CP A) ELEMENTOS DO TIPO. AÇÃO NUCLEAR Tutela-se, primeiramente, a administração da justiça. Secundariamente, a integridade física dos personagens processuais. O presente dispositivo tem por finalidade punir o agente que usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral. Para caracterização do delito, mostra-se necessário que a intimidação tenha potencialidade para amedrontar a vítima, a ponto de fazê-la favorecer o agente ou a terceiro em um dos procedimentos mencionados no artigo. B) SUJEITOS DO DELITO No que tange ao sujeito ativo, podemos afirmar que se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Em relação ao sujeito passivo, podemos concluir que será o Estado (principal) e, secundariamente, o indivíduo que sofreu a coação. C) ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de praticar a ação descrita no tipo penal. O tipo penal também prevê finalidade especial, consistente na satisfação de interesse próprio do agente ou de terceiros em relação a um dos procedimentos descritos no artigo. D) CONSUMAÇÃO A consumação ocorre no momento do emprego da violência ou da grave ameaça, independentemente de o agente ter alcançado a finalidade. Trata-se de crime formal, dispensando, inclusive, a efetiva intimidação da vítima, bastando potencialidade. A tentativa é possível. E) CONCURSO DE CRIMES Nos termos do artigo 344, do CP, quem pratica coação no curso do processo estará sujeito a pena de reclusão de um a quatro anos, e multa, além da pena correspondente à violência. Ex: coação no curso do processo (art. 344, do CP) e lesões corporais (art. 129, do CP). Sustenta parcela da doutrina, a exemplo de Rogério Sanches (Código Penal para Concursos, p. 903) e Rogério Greco (Código Penal Comentado, p. 1165) se tratar de concurso 14 formal imperfeito, uma vez que o agente pratica apenas uma conduta, prevendo o legislador, no artigo 70, parte final do CP, o sistema do cúmulo material. Não haverá concurso de crimes no caso de o agente empregar somente a grave ameaça, ficando esta absorvida pelo artigo 344, bem como no caso da contravenção penal de vias de fato, a qual também resta absorvida crime de coação no curso do processo. F) CAUSA DE AUMENTO DE PENA (ART. 344, PARÁGRAFO ÚNICO CP) A Lei 14245/2021 incluiu uma causa de aumento de pena no parágrafo único do artigo 344, aumentando a pena de 1/3 até a metade se o processo envolver crime contra a dignidade sexual. G) AÇÃO PENAL E COMPETÊNCIA A ação é pública incondicionada. 1.5 Exercício arbitrário das próprias razões - Art. 345, CP A) ELEMENTOS DO TIPO. AÇÃO NUCLEAR O presente dispositivo visa a tutelar a administração da justiça, no sentido de ser evitada a justiça com as próprias mãos. O presente dispositivo tem por finalidade punir o agente que buscar fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima. Se o agente tiver consciência da ilegitimidade da pretensão, haverá outro crime (furto, lesões corporais, etc). Trata-se de crime contra a administração da justiça, porque o sujeito ignora ou menospreza o Poder Judiciário, passando a atuar e decidir de acordo com os seus interesses. É um crime de ação livre, podendo ser praticado por qualquer meio, com violência, grave ameaça, fraude, etc. Entretanto, o próprio tipo penal excepciona hipóteses em que o crime em tela não incide, uma vez que, em alguns casos, a própria lei permite a autotutela, ou seja, fazer justiça com as próprias mãos, como, por exemplo, o desforço imediato e legítima defesa da posse (art. 1210, §1º, do CC). B) SUJEITOS DO DELITO No tocante ao sujeito ativo, podemos afirmar que se trata de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Se o sujeito ativo for funcionário público, o delito praticado poderá ser outro, recaindo o agente em um dos tipos penais da nova lei de abuso de autoridade. Em relação ao sujeito passivo, podemos concluir que será o Estado, titular do interesse penalmente tutelado. Secundariamente, será o indivíduo sobre o qual recair a conduta do agente. 15 C)ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de praticar a ação descrita no tipo penal, qual seja, fazer justiça com as próprias mãos, ignorando o monopólio estatal da administração da justiça. Ausente essa finalidade, o crime passará a ser outro (furto, dano, apropriação indébita, etc). D) TENTATIVA/CONSUMAÇÃO Existem duas correntes quanto à consumação: Uma primeira corrente formada por Nucci e Cezar Roberto Bittencourt, Damásio de Jesus, Magalhães Noronha e Vitor Gonçalves sustenta que o o crime é formal, consumando-se no momento em que o agente emprega a violência, grave ameaça, ainda que a sua pretensão não seja atingida. Já uma segunda corrente (majoritária) formada por Rogério Greco, Pierangeli, Nelson Hungria, Celso Delmanto, Mirabete sustenta que o crime é material consumando-se somente com a satisfação da pretensão visada. A tentativa é possível para as duas correntes. E) CONCURSO DE CRIMES Na hipótese de ocorrer violência física, resultando em lesões corporais ou a morte de alguém, o agente responderá pelo artigo 345, do CP em concurso de crimes com o crime gerado (lesão corporal ou homicídio). Sustenta a doutrina ser caso de concurso formal imperfeito. F) AÇÃO PENAL E COMPETÊNCIA Em regra, trata-se de ação penal privada, mesmo que haja grave ameaça. Todavia, nos termos do artigo 345, parágrafo único, do CP havendo emprego de violência para a prática do crime, a ação será pública incondicionada. Neste sentido, diverge a doutrina no caso de violência contra coisa i) Para Fragoso como o legislador não limitou a espécie de violência, caso o agente empregue violência contra coisa a ação penal seria pública e incondicionada. ii) Para Hungria e a maioria da doutrina a expressão violência deve ser interpretada como violência física à pessoa, razão pela qual a ação seria privada quando há violência contra coisa ou emprego de ameaça. Por se tratar de crime de menor potencial ofensivo, a competência será do Juizado Especial Criminal. G) PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO 16 O STJ JÁ ADMITIU O PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO COM O DELITO DE PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO, SENDO ESTE ABSORVIDO PELO CRIME DE EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES (AGRG NO RESP 1.472.834-SC, DJ 18/05/2015): AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL. ART. 345 DO CP. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES. ART. 14 DA LEI N. 10.826/2003 (CRIME-MEIO) ABSORVIDO PELO CRIME-FIM, ART. 235 DO CP. OCORRÊNCIA. ART. 24 DO CP. ESTADO DE NECESSIDADE. INCIDÊNCIA. CAUSA EXCLUDENTE DE ANTIJURICIDADE. 1. Tendo em vista a incidência do princípio da consunção, adequada a absorção do delito de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (art. 14, caput, da Lei n. 10.826/2003) pelo delito de exercício arbitrário das próprias razões, previsto no art. 345, caput, do Código Penal. 2. Consoante a jurisprudência deste Superior Tribunal, o princípio da consunção pressupõe que haja um delito-meio ou fase normal de execução do outro crime (crime- fim), sendo que a proteção de bens jurídicos diversos e a absorção de infração mais grave pelo de menor gravidade não são motivos para, de per si, impedirem a referida absorção (Súmula 83/STJ). 3. Aplicável ao caso o denominado estado de necessidade. A mulher do réu necessitava de tratamento médico e de medicamentos. Por conseguinte, foi necessário que o sujeito atuasse para evitar um perigo atual, isto é, com a probabilidade de dano, presente e imediata, ao bem jurídico (saúde de sua mulher), nos termo do art. 24 do Código Penal (causa excludente de antijuricidade). 4. O agravo regimental não merece prosperar, porquanto as razões reunidas na insurgência são incapazes de infirmar o entendimento assentado na decisão agravada. 5. Agravo regimental improvido. 1.6 Fraude processual - Art. 347, CP A) ELEMENTOS DO TIPO. AÇÃO NUCLEAR O presente dispositivo visa a tutelar a administração da justiça, especificamente a boa fé e a honestidade processual. O crime consiste em inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito. A ação nuclear do tipo se consubstancia na expressão inovar artificiosamente, isto é, o agente, mediante fraude, modifica ou altera estado de lugar (derrubada de árvores), de coisa (retirar manchas de sangue impregnadas na roupa da vítima) ou de pessoa (mudar o aspecto físico exterior – não o psíquico, civil ou social – de pessoa mediante cirurgia estética), criando, com isso, nova situação capaz de induzir a erro o juiz ou perito (utilização anormal e fraudulenta do processo) (SANCHES, 2010, p. 489). 17 B) SUJEITOS DO DELITO Trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Entretanto, caso o sujeito ativo seja funcionário público, poderá incorrer na lei de abuso de autoridade (lei 13.869/2019): Art. 23. Inovar artificiosamente, no curso de diligência, de investigação ou de processo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de eximir-se de responsabilidade ou de responsabilizar criminalmente alguém ou agravar-lhe a responsabilidade: Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único.Incorre na mesma pena quem pratica a conduta com o intuito de: I - eximir-se de responsabilidade civil ou administrativa por excesso praticado no curso de diligência; II - omitir dados ou informações ou divulgar dados ou informações incompletos para desviar o curso da investigação, da diligência ou do processo. Art. 24. Constranger, sob violência ou grave ameaça, funcionário ou empregado de instituição hospitalar pública ou privada a admitir para tratamento pessoa cujo óbito já tenha ocorrido, com o fim de alterar local ou momento de crime, prejudicando sua apuração: Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência. Art. 25. Proceder à obtenção de prova, em procedimento de investigação ou fiscalização, por meio manifestamente ilícito: Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem faz uso de prova, em desfavor do investigado ou fiscalizado, com prévio conhecimento de sua ilicitude. Ademais, vale destacar que se a inovação artificiosa for produzida pelo perito haverá o crime de falsa perícia do artigo 342 do CP. No que tange ao sujeito passivo, podemos afirmar que, primariamente, será o Estado e, secundariamente, o prejudicado pela inovação realizada pelo agente. C) ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de inovar em processo judicial ou administrativo, com o fim de induzir em erro o juiz ou perito. Essa a finalidade específica do delito. D) CONSUMAÇÃO A consumação ocorre no momento da alteração do local, coisa ou pessoa, desde que hábil a induzir o juiz ou perito a erro. A tentativa é possível. E) CAUSA DE AUMENTO DE PENA – Art. 347, parágrafo único, do CP Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro. F) AÇÃO PENAL Ação penal pública incondicionada. 18 1.7 Favorecimento pessoal - Art. 348, CP A) ELEMENTOS DO TIPO. AÇÃO NUCLEAR O presente dispositivo visa a tutelar a administração da justiça, prejudicada pelo auxílio prestado ao autor do crime. Comete este delito o agente que presta auxílio, de qualquer natureza, a quem acaba de cometer um crime, com a finalidade de subtraí-lo à ação da autoridade, prejudicando a ação de autoridade pública (policiais civis ou militares, membros do Judiciário). O delito em questão é de livre execução, podendo ser praticado de qualquer forma: i) Sujeito que ajuda o criminoso a fugir, emprestando carro, dinheiro, etc; ii) Sujeito que ajuda o criminoso a se esconder em algum lugar; iii) Sujeito que providencia remessas de dinheiro ao criminoso para que a pessoa foragidapossa se manter escondida; iv) Sujeito que engana a autoridade, enviando uma série de informações falsas acerca do paradeiro do criminoso com a intenção de despistar as autoridades. O favorecimento pessoal é delito acessório, ficando sua tipificação na dependência da existência de um crime antecedente, que pode ser de qualquer natureza (doloso, culposo, tentado ou consumado, etc.) Não incidirá o crime de favorecimento pessoal quando em relação ao fato anterior: a) houver causa excludente de ilicitude; b) já estiver extinta a punibilidade; c) houver escusa absolutória. Se o agente autor do crime antecedente vier a ser absolvido por qualquer motivo (salvo na hipótese de absolvição imprópria, em que é aplicada medida de segurança), o sujeito que o auxiliou não poderá ser condenado pelo crime de favorecimento pessoal. Segundo Vitor Gonçalves (Direito Penal Esquematizado, p. 911): i) A existência de favorecimento pessoal não pressupõe que esteja havendo uma perseguição direta ao criminoso, mas somente que ele esteja sendo procurado, como por exemplo, em razão de um mandado de prisão, por ter fugido da prisão, etc; ii) Somente se admite a forma comissiva, não admitindo a modalidade omissiva. Desta feita, aquele que diz que nada sabe ou que não comunica o que sabe quando questionado pela autoridade não comete o crime de favorecimento pessoa. B) SUJEITOS DO DELITO 19 Trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, exceto, por evidente, o coautor, ou partícipe do crime antecedente. C) ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de praticar a ação descrita no tipo penal, qual seja, prestar a autor do crime anterior auxílio para que se oculte da ação da autoridade. D) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA O crime se consuma no momento em que, prestado o efetivo auxílio, o agente favorecido obtém êxito em sua ocultação, ainda que momentaneamente. Trata-se, pois, de crime material. É possível a tentativa, como, por exemplo, quando o auxílio chega a ser prestado, mas o agente beneficiário não se livra da autoridade. E) ESCUSA ABSOLUTÓRIA – Art. 348, § 2º, do CP Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena. F) AÇÃO PENAL Ação penal pública incondicionada, sendo da competência do Juizado Especial Criminal. 1.8 Favorecimento real - Art. 349, CP A) ELEMENTOS DO TIPO. AÇÃO NUCLEAR O presente dispositivo visa a tutelar a administração da justiça, no sentido de punir o comportamento daquele que auxilia o criminoso a tornar seguro o proveito do crime. Comete este delito o agente que prestar a criminoso, fora dos casos de coautoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime: Assim como o delito anterior, o favorecimento real também é delito acessório, ficando sua tipificação na dependência da existência de um crime antecedente, que pode ser de qualquer natureza (doloso, culposo, tentado ou consumado, etc.) Para a incidência deste delito, o auxílio deve ser destinado a tornar seguro o proveito do crime, referindo-se a qualquer vantagem alcançada com a prática do delito principal, podendo abranger: a) o objeto material do crime, como, por exemplo, o próprio bem subtraído; b) o preço do crime. Exemplo: dinheiro que o homicida ganhou para matar alguém. Não incide o delito se o agente desconhece a procedência criminosa do bem. 20 Se autor do crime antecedente for menor de idade ou já estiver extinta a sua punibilidade, pela prescrição, por exemplo, continua sendo possível o favorecimento real, pois o objeto continua sendo produto de crime. A menoridade e a extinção da punibilidade apenas impedem a aplicação de sanção penal ao autor do crime antecedente. Somente haverá o crime de favorecimento real se o agente não estava previamente ajustado com os autores do delito antecedente. Se houve prévio ajuste, o agente responderá pelo mesmo delito, em concurso de pessoas. O tipo também exclui o crime de favorecimento real quando tiver havido receptação por parte do agente. A principal diferença entre a receptação e o favorecimento real consiste no fato de que, no favorecimento, o agente visa auxiliar única e exclusivamente o autor do crime antecedente, enquanto na receptação o sujeito visa seu próprio proveito ou o proveito de terceiro (que não o autor do crime antecedente) (GONÇALVES, 2013, p. 846). B) SUJEITOS DO DELITO Trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, exceto, por evidente, o coautor, ou partícipe do crime antecedente. C) ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de praticar a ação descrita no tipo penal, qual seja, prestar a autor do crime anterior auxílio a autor de crime anteriormente praticado. D) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA O crime se consuma no momento em que o agente presta auxílio, independentemente de se saber se o agente conseguiu ou não tornar seguro o proveito do crime anterior. Trata-se, pois, de crime formal. É possível a tentativa. E) AÇÃO PENAL Ação penal pública incondicionada, sendo da competência do Juizado Especial Criminal. 21