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Direito Civil I – Introdução Dos Defeitos dos Negócios Jurídicos Professor(a), Leonardo Zago 7 – DOS DEFEITOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS . 7.1 – Considerações Iniciais . A declaração de vontade é elemento essencial para o negócio jurídico. Para que este exista e seja válido, é indispensável a presença da vontade e que esta tenha sido dada em condições normais. Só assim os negócios o negócio praticado produz os efeitos jurídicos queridos pelas partes. O defeito ou vício na manifestação da vontade exclui a consciência e a vontade, e mesmo se a vontade existir, mas não corresponder àquela que o agente quer exteriorizar, o ato é anulável. Em resumo: Ausência de vontade = ATO NULO Defeito ou Vício de vontade = Ato anulável. É o caso em que ocorrem os VÍCIOS DE CONSENTIMENTO, como o ERRO, o DOLO, a COAÇÃO, o ESTADO DE PERIGO e a LESÃO, além da FRAUDE CONTRA CREDORES. Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. Defeitos Do Negócio Jurídico 7.2 – DO ERRO OU IGNORÂNCIA (ARTS. 138 À 143) É a noção inexata, não verdadeira sobre alguma coisa, objeto ou pessoa, que influencie a formação de vontade. É A FALSA NOÇÃO SOBRE ALGO. ERRO # IGNORÂNCIA (Falsa noção da realidade) (Total desconhecimento desta) O ERRO só anula o ato se influir na vontade do declarante. O ERRO ESSENCIAL torna o ato ANULÁVEL. O ERRO ESSENCIAL é o erro plausível, aquele em que qualquer pessoa de razoável inteligência incorreria. Há ERRO ESSENCIAL QUANDO: a) RECAIR SOBRE A NATUREZA DO NEGÓCIO: O agente pensa estar praticando um ato, mas pratica outro. Ex: Doa um bem, pensando estar o vendendo. b) ATINGIR OBJETO PRINCIPAL DO NEGÓCIO: o objeto não é o pretendido pelo agente. EX: Vende o bem “a”, quando pensa estar vendendo o bem “b”. c) INCIDIR SOBRE AS QUALIDADES ESSENCIAIS DO OBJETO: Pensa o agente em adquirir um bem com determinadas qualidades, mas este não as possui. Ex: compra uma pulseira de bijuteria, pensando ser de ouro. d) RECAIR SOBRE AS QUALIDADES ESSENCIAIS OU IDENTIDADE DA PESSOA: atinge a identidade física ou moral do agente. Ex: pensa que está se casando com uma pessoa, mas esta é outra. e) INCIDIR SOBRE UM ERRO DE DIREITO: o agente realiza um negócio, desconhecendo que a Lei o proíbe. Ex: Aquisição de mercadoria importada, sem o conhecimento de que importação de tal mercadoria é proibida OBS: Não se confunde com descumprimento de Lei, mas sim desconhecimento desta. OBS1: O ERRO ACIDENTAL: incide sobre as qualidades secundárias ou acessórias do objeto ou da pessoa. Esse erro não induz a ANULAÇÃO DO ATO, porque não causa prejuízo. EX: Compra de um carro 1994, desde que este é 1993/1994. A questão da indenização não é igual a ANULAÇÃO. OBS²: Não é causa de anulação do negócio jurídico o ERRO INESCUSÁVEL (INDESCULPÁVEL), uma vez que somente a razão PLAUSÍVEL E DE RELEVÂNCIA DA AZO À ANULAÇÃO. Espera-se que o homem tenha pelo menos inteligência normal, mediana. EX: um advogado não pode pleitear a anulação de um negócio por erro, porém um analfabeto pode. 7.3 – DO DOLO (ART 145 AO 150) É o emprego de algum artifício ou expediente astucioso para induzir alguém a prática de um ato que o prejudica e aproveita o Autor do dolo ou Terceiro. É TODO ARTIFÍCIO EMPREGADO PARA ENGANAR A ALGUÉM. OBS: A diferença entre o DOLO e o ERRO é de que no erro a idéia falsa é do próprio agente, e no dolo a malícia falsa é resultante da malícia alheia. No erro a vítima se engana sozinha; no dolo ela é induzida pela outra parte. Para que o DOLO constitua um vício de consentimento é preciso que seja ESSENCIAL, possuindo os seguintes elementos: a) intenção de induzir a pessoa a praticar o ato jurídico (de prejudicar a pessoa, de obter vantagem) b) uso de artifícios ou expedientes graves (relevantes, importantes, que incidam na manifestação de vontade). c) situação em que esses artifícios sejam a causa da realização do negócio jurídico. Quando o dolo for praticado por TERCEIRA PESSOA, cumpre distinguir as seguintes situações: 1) Praticado por terceiro, com cumplicidade da parte; 2) Praticado por terceiro, com o conhecimento mas sem cumplicidade da parte; 3) Praticado por terceiro, com ignorância da parte. Nos dois primeiros casos, o negócio é anulável; no último o negócio é válido, respondendo o terceiro por perdas e danos. EM SUMA: Para que o negócio seja anulável, o dolo de terceiro exige conhecimento de uma das partes contratantes (art. 148, CC). OBS: O DOLO pode ser praticado por ação ou omissão. O silêncio intencional de uma das partes, sobre um fato que a outra parte desconheça, é considerado dolo. OBS²: NO DOLO RECÍPROCO (de ambas as partes), nenhuma da partes pode alegar o dolo do outro, para anular o ato, nem reclamar indenização. É A CHAMADA TORPEZA BILATERAL. Há uma compensação de dolos, onde nenhuma das partes pode alegar o dolo da outra. 7.3 - DA COAÇÃO (ART. 151 À 155) É pressão física ou moral exercida sobre uma pessoa para obrigá-la a efetivar um negócio jurídico, pode ser: a) Física: é o constrangimento corporal. (acarreta a nulidade do ato – se trata, portanto, de um vício de consentimento). Ex: se alguém segurar a mão de uma pessoa, apontando-lhe uma arma, para que assine um documento, ocasionará, a nulidade do negócio. b) Moral: Atua sobre a vontade da vítima, sem impedir o seu consentimento, pois a vítima conta com uma relativa liberdade. Acarreta anulabilidade do negócio. Elementos para que se considere a COAÇÃO: 1) Deve ser a causa determinante da realização do negócio; 2) Deve ser injusta; 3) Deve ser atual ou iminente; 4) Deve acarretar justo receio de dano; OBS: Não pode ser considerada coação o simples temor reverencial (medo de repreensão dos pais, ou do superior hierárquico). 7.4 – ESTADO DE PERIGO (ART. 156). Assunto no CC/2002. Ocorre quando alguém assume uma obrigação excessivamente onerosa, em virtude de necessidade sua ou de alguém de sua família. EX: Uma pessoa prestes a se afogar, desesperada, promete toda sua fortuna para ser salva. Isso é comum em hospitais aonde as pessoas são quase que obrigadas a assinar contratos / promissórias / cheques. 7.5 – LESÃO (ART. 157). Aqui também é algo novo no CC/2002. É o prejuízo que uma das partes sofre na conclusão de um negócio, oriundo da desproporção existente entre as prestações assumidas, onde uma parte abusa da inexperiência da outra, obtendo grande proveito. Exemplo: Financeiras vendendo empréstimos para pessoas idosas com pouca instrução. Vícios Sociais: 7.6 – FRAUDE CONTRA CREDORES (ARTS. 158 À 165) É prática maliciosa, pelo devedor, de atos que desfalquem seu patrimônio, com o escopo de livrá-lo da execução por dívidas e do pagamentos direitos dos credores. Ação Pauliana!! Exemplo: Empresa que vende caminhões estando com dívidas maiores que o ativo. 7.7 SIMULAÇÃO: É mais grave do que os demais pois é defeito que enseja a nulidade, e não apenas a anulabilidade do negócio; Há simulação quando em um negócio se verifica intencional divergência entre a vontade (interna) e a declaração (externa) das partes, a fim de enganar terceiros; ou seja, a simulação é a declaração enganosa da vontade entre as partes de um negócio para prejudicar terceiros (ex: contrato a preço vil para não pagar imposto; atestado médico falso); Obs: Enquanto no dolo uma parte engana a outra, na simulação ambas as partes enganam terceiro; Obs2: O negócio simulado é nulo e imprescritível (167 e 169) por opção do legislador no novo código (antes era apenas anulável). Mercedes adquiriu de Marcelina um celular que, segundo afirmou a vendedora, a fim de induzir a compradora em equívoco, tinha uma bateria cuja durabilidade girava em torno de 48h. Contudo, Mercedes não fazia questão desta qualidade, para ela, importava muito mais a enorme quantidadede recursos tecnológicos disponíveis no aparelho. Assim, teria realizado o negócio ainda que a bateria durasse 24h, como de fato durava. O negócio jurídico é: a) nulo, em virtude de vício determinado dolo. b) é passível de anulação, por se tratar de dolo acidental. c) anulável, em virtude de vício determinado dolo. d) nulo, em virtude de vício determinado lesão e) não passível de anulação, em virtude de não se tratar de dolo substancial. Ursula, Claudineide e Erivane firmaram um contrato, estabelecendo que, quando seu pai, ainda vivo, falecer, a herança será assim distribuída: metade para Ursula, 1/4 para Claudineide e 1/4 para Erivane. Esse contrato é: a) sempre válido. b) válido se não prejudicar credores. c) válido se não existirem outros herdeiros. d) anulável. e) nulo. Mário vendeu uma casa de quatro quartos a Manuela. O imóvel fica situado no Bairro de Vasco da Gama, no Recife, e foi vendido pelo valor de R$ 250.000,00. Pouco tempo após a compra, Manuela percebe que o bairro é extremamente movimento aos finais de semana. Tal situação era de conhecimento de Mário no momento da venda, mas foi omitida por achar que Manuela não fecharia o contrato. No entanto, caso a compradora tivesse sido informada, ainda assim ficaria com a casa, contudo, pleitearia considerável abatimento no valor pago. De acordo com o Código Civil brasileiro, é possível afirmar que neste caso o negócio jurídico foi realizado com: a) dolo acidental e anula o negócio jurídico e obriga a satisfação das perdas e danos. b) dolo acidental e não anula o negócio jurídico e nem obriga a satisfação das perdas e danos. c) dolo principal e não anula o negócio jurídico e nem obriga a satisfação das perdas e danos. d) dono principal e só anula o negócio jurídico. e) dolo acidental e só obriga à satisfação das perdas e danos. GABARITO E E E Tema da aula O contrato de compra e venda trata-se de negócio jurídico bilateral, ao passo que o contrato de doação é negócio jurídico unilateral. •D O contrato de doação trata-se de negócio jurídico gratuito. •E O contrato de compra e venda é espécie de negócio jurídico oneroso.